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ESTUDO DE CASO DA CONURBAÇÃ O URBANA MARINGÁ-SARANDI- PAIÇANDU Daysa Ione Braga Amadei 1 Juliana

ESTUDO DE CASO DA CONURBAÇÃO URBANA MARINGÁ-SARANDI- PAIÇANDU

Daysa Ione Braga Amadei 1

Juliana Alves Pereira 2

Rafael Alves de Souza 3

RESUMO

Com o crescimento das cidades e a proximidade de seus limites urbanos o processo de conurbação se instala e conjuntamente são instalados sérios problemas administrativos, sociais, antropológicos, ambientais e de locomoção. O trabalho apresentado estudou a cidade pólo Maringá e seus municípios conurbados, Paiçandu e Sarandi, conforme a metodologia de Condicionantes, Deficiências e Potencialidades – CDP. Através dos resultados obtidos pela análise constatamos a forte relação de dependência entre as cidades do aglomerando sendo que Maringá oferece subempregos e Paiçandu e Sarandi tem oferecido a mão-de-obra. Porém essa relação não tem causado apenas benefícios para a cidade pólo. Um exemplo significativo é em relação às redes públicas hospitalares e de ensino, principalmente médio. As infra-estruturas e equipamentos da cidade têm sido sobrecarregados de maneira geral. Notou-se também o desrespeito à legislação ambiental e falta de fiscalização. Finalmente colocou-se que as cidades agregadas à pólo tendem à estagnação econômica enquanto a situação das infra-estruturas e equipamentos de Maringá tendem a agravar-se, acarretando na diminuição da qualidade de vida hoje existente no município. Constata- se que para que se tenha um melhor desenvolvimento futuro das cidades é necessária uma política e ações que reforcem e despertem as potencialidades de cada cidade, para que elas possam ter mais independência econômica em relação à cidade pólo e, ao mesmo tempo continuarem ligadas entre si através da prestação de serviços conforme as especialidades de cada lugar.

Palavras-chave: Conurbação urbana; Condicionantes; Deficiências; Potencialidades.

1 Mestranda, Universidade Estadual de Maringá-UEM, Programa de Pós-graduação em Engenharia Urbana- PEU, daysaamadei@gmail.com

2 Mestranda, Universidade Estadual de Maringá-UEM, Programa de Pós-graduação em Engenharia Urbana- PEU, arq.jul@hotmail.com 3 Prof. Dr., Universidade Estadual de Maringá-UEM, Departamento de Engenharia Civil-DEC, rsouza@uem.br

1. INTRODUÇÃO A partir da década de 1970, quando houve uma grande geada área cultivada

1. INTRODUÇÃO

A partir da década de 1970, quando houve uma grande geada área cultivada com café no

Estado do Paraná, a população rural tem migrado para as cidades. Na região de Maringá não foi diferente. O êxodo rural ocorrido, com decorrer dos anos, contribuiu para o intenso povoamento das cidades provocando um inchaço na área urbana. Atualmente as malhas urbanas das cidades de Maringá e Sarandi já se unem em determinados trechos. A área industrial de Maringá já se confunde com a área industrial de Paiçandu. Em decorrência disto é necessário que se realize uma análise e planejamento que contemple as cidades em uma esfera de micro-região gerada pela conurbação para que se possam prever ações

e estratégias para o melhor desenvolvimento e crescimento das áreas em questão. O planejamento

urbano de forma geral propiciará o planejamento mais detalhado no que se refere aos sistemas urbanos que conferem vida e mobilidade na cidade. Nesse contexto, este trabalho visa compreender o que é conurbação urbana e como ela tem ocorrido no recorte estipulado para o estudo. Posteriormente será realizada a análise das três cidades em questão, seguindo a metodologia de Condicionantes, Deficiências e Potencialidades – CDP.

Por fim, confrontaremos as análises e traçaremos o cenário previsível para caso as situações permaneçam como estão hoje e iremos propor o futuro desejável, em diretrizes gerais, para a aglomeração urbana em destaque.

2. DESENVOLVIMENTO

A colonização do norte do Paraná se iniciou na década de 40 com a Companhia

Melhoramentos do Norte do Paraná – CMNP. Esta empresa planejou quatro cidades – Londrina, Maringá, Cianorte e Umuarama – que distavam em aproximadamente 100 quilômetros uma da outra

e deveriam se tornar pólos regionais intercalados por pequenos patrimônios a cada 15 quilômetros. Maringá, fundada pela Companhia, foi traçada obedecendo ao projeto urbanístico de Jorge de

Macedo Vieira, onde se demarcou as amplas ruas, avenidas e praças, considerando ao máximo as características topográficas do sítio escolhido e revelando a lúcida preocupação com a preservação das áreas verdes e vegetação nativa.

A nova cidade, como fruto do urbanismo moderno, estabeleceu as áreas residenciais,

comerciais, industriais, de comércio atacadista, etc., em setores. Previa abrigar uma população total de 200.000 habitantes em 50 anos, proposta que a muito foi superada.

O povoamento iniciou-se por volta de 1938, na área hoje conhecida como Maringá Velho.

Com o decorrer dos anos da década de 40 começaram a ser erguidas as primeiras e toscas

edificações propriamente urbanas, que se destinavam à compra e venda de terras, algum comércio varejista e hospedagem dos colonos recém-chegados ou daqueles que se dirigiam ao Rio Ivaí.

Os pioneiros que entre 1947 e 1949 chegavam em caravanas eram, na sua maioria, paulistas,

mineiros e nordestinos, e vinham atraídos principalmente pelo ciclo do café, destaque econômico

daquele período.

O traçado da cidade ficou pronto em 10 de maio de 1947. No mesmo ano foi lançada

oficialmente a venda de terrenos na área urbana, dando origem à fundação da cidade. As ruas largas, avenidas e praças foram cuidadosamente arborizadas pelo paisagista Dr. Luiz Teixeira Mendes. Hoje podemos contemplar a realização do planejamento que contribuiu para que a cidade de Maringá tivesse grande influência na sua região em relação à oferta de bens de consumo e serviços. As cidades de Paiçandu e Sarandi têm estreitado a relação de dependência com a cidade pólo. A divisão territorial de Maringá com Sarandi já não é mais nítida em decorrência da malha urbana que

nas últimas décadas tem agravado o processo de conurbação urbana existente (PEREIRA, 2008). Villaça (2001)

nas últimas décadas tem agravado o processo de conurbação urbana existente (PEREIRA, 2008). Villaça (2001) corrobora que o crescimento das cidades conurbadas, ocorre devido a sua posição territorial estratégica, que no caso de Maringá se dá desde os primórdios do seu planejamento. A conurbação urbana caracterizada por Villaça como fusão de áreas urbanas pode ser observado no decorrer das décadas de 80 até a década de 90, quando se deu o extravasamento da mancha urbana da cidade sobre dois dos seus municípios limítrofes, Sarandi e Paiçandu (VILLAÇA, 2001).

limítrofes, Sarandi e Paiçandu (VILLAÇA, 2001). Figura 1: Conurbação urbana Paiçandu-Maringá-Sarandi

Figura 1: Conurbação urbana Paiçandu-Maringá-Sarandi

Fonte: Pereira-2008.

No recorte regional em estudo ressalta-se a forte relação sócio-econômica de Maringá com os municípios do seu entorno imediato. A oferta de mão-de-obra é cedida pelas cidades vizinhas, cuja população residente sobrecarga as infra-estruturas da cidade pólo. Em decorrência disto, os deslocamentos pendulares são rotineiros e acarretam na qualificação de Paiçandu e Sarandi como cidades dormitório. Tonella (2002) expõe que a decorrente exclusão espacial em Maringá faz com que as pessoas que não tem condições de morar na cidade pólo mudem para as cidades próximas onde o acesso a terra é facilitado. Devido ao vínculo empregatício com a cidade sede da região metropolitana, os municípios dormitórios, além de perderem sua independência econômica, acabam por agregar a sua demanda habitacional a demanda que poderia ser do município empregador. Maringá apresenta hoje um potencial imenso para a produção industrial e prestação de serviços, por ser a cidade pólo de uma vasta região de influência, por estar locada no entroncamento de importantes rodovias e ferrovia e ainda por estar no caminho da produção deste e de outros Estados para o MERCOSUL. A área territorial de Maringá, segundo o ITCG, 2007 é de 486,433 km² e a população, conforme a contagem populacional do IBGE em 2007, é de 325.968 habitantes. Conforme os dados do IBGE de 2000, 98,38% dessa população residem na área urbana. A densidade demográfica gira em torno de 670,12 hab./km² considerando a área municipal total (IPARDES, 2007). A área do Município de Paiçandu é de 170.896 km², segundo o ITCG (2007) e possui 34.640 habitantes, conforme a contagem populacional do IBGE (2007). A densidade demográfica,

conforme IPARDES (2007) é de 202,70 hab./km² e o grau de urbanização, conforme IBGE (2000)

conforme IPARDES (2007) é de 202,70 hab./km² e o grau de urbanização, conforme IBGE (2000) é equivalente a 96,29%.

O Município de Sarandi, adjunto a Maringá, apresenta uma densidade demográfica de

768,55 hab./km², conforme IPARDES (2007). Apresenta a área total de 103,683 km², segundo o ITCG, (2007). O Município é quase totalmente urbanizado, com a taxa, conforme os dados do IBGE (2000), de 97,30% de sua população total que em 2007, segundo a contagem populacional do IBGE, era corresponde a 79.686 habitantes.

2.1. Metodologia: Condicionantes, Deficiências e Potencialidades

Existem diversas ferramentas de auxílio ao Planejamento Urbano e Regional, sendo a metodologia Condicionantes, Deficiências e Potencialidades – CDP – uma delas. Tal metodologia foi desenvolvida na Alemanha e, devido à facilidade de aplicação e sucesso nos resultados, disseminou por diversos países. Hoje, é uma metodologia-base padrão na aferição de diagnósticos em macro escala.

A sistemática CDP representa um método de ordenação criteriosa e operacional dos

problemas e fatos, resultados de pesquisas e levantamentos, proporcionando uma apresentação compreensível, facilmente visualizável e compatível com a situação das áreas de interesse para o planejamento. Tal característica lhe confere largo emprego na formulação de Planos Diretores (SANTA CATARINA, 1999).

O emprego desse método proporciona um material informativo que vem a subsidiar

estratégias de ação para o desenvolvimento urbano, bem como evitar problemas futuros.

Os dados levantado são classificados em três categorias:

Condicionantes: São os elementos existentes ou projetados que devem ser mantidos, podendo ser de caráter espacial, funcional, infra-estrutural, ambiental, sócio- econômico, administrativo ou legal. As condicionantes geram uma demanda de manutenção;

Deficiências: São as situações negativas que devem ser solucionadas, melhorando-as ou eliminando-as, seja no âmbito qualitativo ou quantitativo. As deficiências geram uma demanda de recuperação ou melhoria;

Potencialidades: São os elementos ou recursos em potencial que não foram adequadamente aproveitados, sendo incorporados positivamente no planejamento urbano. As potencialidades geram uma demanda de inovação. Para a aplicação da metodologia na região de Maringá, Sarandi e Paiçandu, foram necessários levantamentos de dados e mapas, bem como visitas in loco. Foram analisados os aspectos sócio-econômicos, ambientais, físico-territoriais, de infra-estruturas e equipamentos, políticos e legislativos. Para melhor visualização, neste trabalho a metodologia CDP é apresentada em tabelas, de maneira a facilitar ao máximo a compreensão da situação atual das cidades abordadas.

2.2. Estudo de caso

2.1.1. Maringá

Dentro a região selecionada para estudo, Maringá é a cidade pólo, devido às suas dimensões, ofertas de emprego, nível de qualidade de vida, disponibilidade de equipamentos e infra-estrutura urbana, bem como maior diversidade de serviços oferecidos.

  Tabela 1 – Aplicação da metodologia CDP para Maringá Condicionantes Deficiências  
 

Tabela 1 – Aplicação da metodologia CDP para Maringá

Condicionantes

Deficiências

 

Potencialidades

Sócio-econômico

-

Segregação de classes sociais

-

IDH (0,841) alto

Baixo número de matriculados no ensino médio

-

Crescimento da desigualdade de 1991 para 2000

-

-

coeficiente de mortalidade baixo (9,41/ mil nasc.)

Setor agroindustrial possui intensa atividade

Grau de urbanização alto

-

-

-

Crescimento de 198,47% do número de indigentes

(98,38%)

-

Polarização industrial e de

serviços

-

Agricultura Familiar

Taxa de alfabetização de adultos alta ( 94,61%) -

-

51,68% da população economicamente ativa

Ambiental e físico- territorial

-Descumprimento a legislação ambiental

Solos férteis com elevado potencial agrícola

-

Poluição na Bacia do Rio

-

Pirapó

Política de recuperação de áreas degradadas -Instalação de parques nas áreas de proteção

-

-

Erosão e assoreamento (Rio

Pirapó, Parque do Ingá e Bosque

2)

Arborização Urbana e áreas de preservação

-

Ocupação irregular nos fundos de vale

-

Infra-Estrutura

e

-Inexistência

de

um programa

-Plano de gerenciamento de resíduos

Equipamentos

regional de transporte coletivo

-

Bairros

periféricos

não

Estação de Tratamento de Esgoto

-

asfaltados

-

adequação

dos

- Usina de compostagem

 

- Energia elétrica

equipamentos públicos -

apresentam

esgotamento sanitário(2000)

56,3%

dos

domicílios

de

serviço

- Transporte coletivo urbano

Hospital Universitário Universidades Faculdades

- Coleta seletiva

-

-

e

 

Político

-Grande

número

de

vazios

- Consórcios Intermunicipais

institucional

urbanos

Legislativo

-

Falta de fiscalização

 

- Plano Diretor Participativo

Fonte: Elaborado pelos autores-2009.

Observa-se que é uma cidade onde suas potencialidades preponderam sobre suas deficiências, elevando o nível de qualidade de vida da população, o que também acarreta a uma segregação social.

2.1.2. Paiçandu

Localizada a Oeste da cidade de Maringá, Paiçandu se caracteriza principalmente por ser uma cidade dormitório, em que a maior parte da sua população residente exerce suas atividades na cidade pólo.

Tabela 2 – Aplicação da metodologia CDP para Paiçandu Condicionantes Deficiências Potencialidades

Tabela 2 – Aplicação da metodologia CDP para Paiçandu

Condicionantes

Deficiências

Potencialidades

Sócio-econômico

14% dos domicílios vagos

-

Insuficiência do ensino médio e superior; - Esperança de vida ao nascer baixa

-

Intensa atividade agrícola (grãos)

-

-

Maior valor adicionado no

setor de comércio e serviços,

-

Bom

atendimento

no

-

IDH baixo (0,76)

ensino fundamental;

Taxa de crescimento rural negativo

-

-

Mortalidade infantil baixa (8,79/mil nasc.)

- Aumento populacional

-

Dependência econômica de Maringá

- Grau de urbanização alto

(96,29%)

Ambiental e físico- territorial

Inexistência de matas nativa e ciliar

Ocupação irregular dos fundos de vale

-

-

-

Solo fértil, composto por

basalto, ideal para atividades agrícolas

 

-

Espaço para locação de

Poluição dos rios por agrotóxicos; -Vazios urbanos; Crescimento municipal

-

- limitado pelos rios Paiçandu e Bandeirante

habitação popular junto aos

vazios urbanos

 

Infra-Estrutura

e

-

Apenas 3 agências bancárias;

-

98% de abastecimento de

Equipamentos

83% dos imóveis não possuem esgoto;

-

energia -100% de abastecimento de

- Lixões a céu aberto

água;

- Falta de coleta seletiva

- Falta de pavimentação (20%)

-

Sistema

de

saúde

pouco

eficiente;

-Transporte

coletivo

apenas

intermunicipal;

Político-

-

Falta

de

políticas

de

Apresenta

- consorciado de saúde

sistema

institucional

desenvolvimento econômico

Legislativo

 

- Existência de legislação

municipal que regulamenta zonas de proteção ambiental que formam bosques

Legislação sobre o solo urbano

-

-

Plano Diretor

Fonte: Elaborado pelos autores-2009.

Apesar de ter potencialidades similares às de Maringá, Paiçandu possui uma carência de infra-estrutura e equipamentos, o que diminui a qualidade de vida da população.

2.1.3. Sarandi Está localizado a Leste da ci dade pólo, sendo este um muni cípio

2.1.3. Sarandi

Está localizado a Leste da cidade pólo, sendo este um município que sedia a população social e economicamente segregada devidos às atividades de especulação imobiliária, desde a gênese maringaense.

Tabela 3 – Aplicação da metodologia CDP para Sarandi

Condicionantes

 

Deficiências

 

Potencialidades

Sócio-econômico

-IDH (0,768) baixo -Cidade dormitório

 

- Esperança de vida ao nascer média

-

População de baixa renda

 

-

Mortalidade Infantil baixa

-Falta de política de desenvolvimento econômico

($12,86/ mil nasc.) -Áreas para expansão das atividades econômicas -Maior despesa municipal é com a educação -97,30% de urbanização -Aumento populacional -Estabelecimento de ensino superior

-Baixa arrecadação municipal

 

-

Crescimento desordenado

- Processo acelerado de conurbação com Maringá -Poucas escolas públicas e nenhuma particular de ensino médio

Ambiental e físico- territorial

-Inexistência de matas nativas e ciliares -Ocupação irregular dos fundos de vale dentro do perímetro urbano -Poluição dos rios por agrotóxicos

Solos férteis com elevado potencial agrícola -Vários rios de pequeno porte

-

Infra-Estrutura

e

-Lixão a céu aberto -Falta de água na área central devido a grande demanda

Coleta de lixo três vezes por semana

-

Equipamentos

-

Coleta seletiva

Ausência de asfalto nos bairros periféricos -Muitos poços artesianos -Falta de policiamento

-

-Previsão de ampliação da rede de abastecimento de água -Transporte coletivo -Captação de água em poço artesiano -Energia elétrica (100%) -Postos de saúde em quase todos bairros

Político

-Não

apresenta

conselho

de

-Consórcio intermunicipal de saúde

institucional

políticas urbanas

 

Legislativo

 

-

Plano Diretor Participativo

Fonte: Elaborado pelos autores-2009.

Apesar de possuir potencialidades relevantes, suas deficiências estão relacionadas principalmente aos aspectos sócio-econômicos, intensificando o processo de conurbação devido à dependência com a cidade pólo.

2.3. Resultados e Discussão Confrontando o levantamento de dados das tr ês cidades conurbadas, Maringá,

2.3. Resultados e Discussão

Confrontando o levantamento de dados das três cidades conurbadas, Maringá, Sarandi e Paiçandu, resultou numa análise regional, apontando dentro de cada condicionante, as deficiências e potencialidades comuns entre os municípios.

Tabela 4 – Resumo da metodologia CDP para a conurbação Maringá/Paiçandu/Sarandi

Condicionantes

Cidades

Deficiências

Potencialidades

Sócio- econômicos

-Paiçandu

-

IDH baixo

-

Proximidade

com

a

-Sarandi

Poucas escolas de ensino médio

-

cidade pólo Maringá

-Áreas para expansão

Esperança de vida ao nascer baixa -

-

Dependência de Maringá

das

atividades

econômicas

- Cidade dormitório

- Apropriação de mão-

de-obra

barata

pela

cidade pólo

Processo de conurbação -Ocupações irregulares

-

-Maringá

 

-Estabelecimento ensino superior

de

-Sarandi

-Maringá (grãos) -Paiçandu (cana) Sarandi (grãos)

 

Solo e clima com alto potencial

-

- Agricultura familiar

-Sarandi

-Crescimento desordenado

- Mortalidade

Infantil

-

Áreas significativas

baixa

ocupadas por população de baixa renda

-Maringá

-Paiçandu

 

-Aumento populacional -

Alto

grau

de

-Sarandi

Urbanização

-Paiçandu

-Alto

número

de

 

residências vagas

-Maringá

-

Deslocamentos

para

-Participam do consórcio de saúde

-Paiçandu

atendimento de saúde (exceto Maringá)

-Sarandi

 

Ambiental

Físico-Territorial

e

-Maringá

-Paiçandu

-Pouca ou inexistência de matas nativas e ciliares -Poluição por agrotóxicos -Ocupação de fundo de vale

- (matas, hídricos, pesqueiros, pontos turísticos)

recursos

turístico

Potencial

 

-Sarandi

-Maringá

Problemas com erosão e assoreamento

-

-

Áreas de preservação

reflorestamento -Instalação de parques nas áreas de proteção

-Paiçandu

-

Vazios urbanos

-Espaço para locação de habitação popular

-Sarandi

Infra-estrutura e -Paiçandu -Tratamento inadequado de esgoto -Falta coleta seletiva   equipamentos

Infra-estrutura

e

-Paiçandu

-Tratamento inadequado de esgoto -Falta coleta seletiva

 

equipamentos

-Paiçandu

-

Lixões a céu aberto

   

-Sarandi

 

- Maringá

-Falta

de

pavimentação

-

Rede

de

energia

- Paiçandu

em

alguns

trechos

da

elétrica abastecimento de água

e

-

Sarandi

cidade

 

-

Maringá

 

-

 

Aterro Controlado -Plano gerenciamento resíduos

de

de

 

-Maringá

-Sarandi

 

Presença de transporte coletivo urbano

-

Político-

- Maringá

 

-Consórcio

institucional

- Paiçandu

Intermunicipal

de

- Sarandi

Saúde

Legislativo

- Maringá

-

Falta de fiscalização

 

-

Plano Diretor

 

- Paiçandu

   

- Sarandi

Fonte: Elaborado pelos autores-2009.

Após a sistematização dos dados levantados percebemos as nítidas deficiências e potencialidades regionais, com destaque para a forte relação de dependência de Paiçandu e Sarandi com Maringá. O deslocamento de parte da população para trabalhar neste município, ocorre principalmente pela demanda de mão-de-obra para subempregos. Dessa forma, nota-se que Maringá também depende dessas duas cidades. Entretanto, tal inter-relação carrega consigo vários pontos negativos, como, por exemplo, o aumento de usuários da rede hospitalar pública, firmando cada vez mais a sobrecarga das infra-estruturas e equipamentos urbanos da cidade pólo. Quanto ao aspecto ambiental e físico-territorial, observa-se o desrespeito à legislação ambiental e a falta de fiscalização por parte dos órgãos competentes. Nas áreas de preservação

permanente e nos fundos de vale, nota-se o desmatamento intensivo, além do constante despejo de agrotóxicos nos rios. Os impactos já são visíveis: erosões e assoreamentos ao longo dos mananciais. A tendência é que esses recursos tornem-se cada vez mais escassos, já que as atividades agrícolas têm se intensificado no decorrer do tempo. Na esfera da educação, os dados revelam forte relação de dependência do ensino médio e superior com a cidade pólo. Essa situação tende a se consolidar, seja pela ausência de instituição privada nos demais municípios ou ainda por preconceito por parte da população, haja vista que esta que não preenche as vagas dos estabelecimentos municipais e desloca-se para Maringá acreditando ter ensino de melhor qualidade, inutilizando os investimentos feitos por suas prefeituras. Sarandi e Paiçandu possuem lixão a céu aberto, o que contribui para a contaminação dos solos e proliferação de doenças. No entanto, foi implantado recentemente um consórcio do lixo intermunicipal para a implantação de uma usina de compostagem em fase experimental.

É possível prever que as cidades menores tendem à estagnação econômica, devido ao

processo de dependência por sua proximidade com uma cidade pólo. Para evitar esse cenário previsível é necessário superar as brutais diferenças de nível de renda, qualidade de vida e desenvolvimento econômico entre Maringá e os demais municípios.

É fundamental uma atitude que unifique a força dos agentes das cidades e da região pelo

desenvolvimento de um sistema integrado de gestão que priorize soluções amplas relativas aos aspectos sociais, econômicos e ambientais. Ter como meta reforçar a individualidade de cada

cidade, tornando-as interdependentes segundo suas características semelhantes, promovendo, assim, uma possível

cidade, tornando-as interdependentes segundo suas características semelhantes, promovendo, assim, uma possível desvinculação da cidade pólo.

3. CONCLUSÃO

O processo de conurbação se instala, principalmente, quando cidades menores surgem para abrigar a população segregada devido às atividades imobiliárias especulativas de uma cidade maior. Tal população exerce suas atividades econômicas na cidade pólo, gerando renda para a mesma. Ainda usufrui toda infra-estrutura que essa oferece. O que nota-se é uma conseqüente estagnação no desenvolvimento, em todos os aspectos, das cidades dependentes, que no caso são Paiçandu e Sarandi. Uma possível solução seria a iniciativa por parte dos grupos economicamente fortes e politicamente representativos, desde que estejam imbuídos de concepções e intenções ideológicas diversas das que os moveram até hoje - que nada mais é do que o capital -, para a independência das cidades menores. O risco vislumbrado no horizonte é o de que as articulações relacionadas à Região Metropolitana ocorram em benefício e esplendor de Maringá, em detrimento dos demais municípios que compõem a região.

REFERÊNCIAS

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Cidades: Paiçandu. Brasil, 2000.

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Base

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