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Fuga em vez de refúgio

... Como então vocês dizem à minha alma:

“Fuja como um pássaro para o seu monte”?1

Quando o aflito encontra o lugar seguro, sua alma pode, enfim,


descansar em paz. Esticando os pés ressecados pelo escaldante calor do
deserto, agora deseja um vasilhame com água fresca que certamente lhe
refrescaria por inteiro. Mas nada é mais perfeito que aquela vista — aos olhos
do refugiado — a Casa de Javé!
Em Israel, além de ser lugar reservado de culto e adoração, o santuário
sagrado proporciona também asilo. A pessoa correndo risco de morte deveria
buscar ali proteção contra seus perseguidores.
Esse direito era assegurado pela lei de Moisés que, sob os comandos de
Deus institui também seis cidades onde o homicida não intencional deveria se
refugiar para não ser morto pelos vingadores.
Tais cidades não tinham como propósito substituir o santuário sagrado
como lugar de proteção, mas sim garantir que o foragido alcançasse um asilo
em segurança: era só procurar uma das cidades, a mais próxima, e se proteger
nela.

... escolham para vocês algumas cidades que lhe sirvam de refúgio,
para que, nelas, se acolha o homicida que matar alguém
involuntariamente.
Nessas cidades o homicida poderá se refugiar do vingador do
sangue, para que... não morra antes de ser apresentado diante da
congregação para julgamento. 2

1
Salmos 11.1
2
Números 35.11-12
A instituição dessas seis cidades mostram que Deus não só cria os
seres humanos como também se preocupa com eles; por isso, não permite
que a vida seja vista com banalidade, sendo interrompida a qualquer momento
por vontade humana. Consequentemente, quem tira a vida de alguém —
intencionado ou não — deve receber como castigo a pena capital.

O derramamento não-intencional do sangue de outra pessoa era


Considerado [também] uma questão séria, que envolvia culpa. Isso
exigia vingança, não podendo ser perdoado por via de resgate.3

Porém, havia o risco de enganos e injustiças. Um inocente poderia ser


morto mesmo antes de conseguir que não cometeu nenhum crime ou que
cometeu um homicídio não intencional. Era uma maneira de assegurar ao
acusado o amplo direito de defesa.
No salmo 11 é esse o contexto que nos serve de fundo ao texto. Alguém
procura o templo e exige seu direito de ser protegido da maldade que, às
escuras, de lugares sombrios, atenta contra sua vida. Mas os encarregados do
lugar sagrado, ao invés de acolhê-lo, dá um conselho que certamente lhe cai
como balde de água fria:

— Fuja como um pássaro para o monte!

Fugir, na opinião dos encarregados do templo, seria mais seguro uma


vez que o direito de asilo naqueles dias não estava sendo respeitado; o direito
à vida não era respeitado nem mesmo no lugar mais sagrado. Não havia
proteção para o acusado nem mesmo tendo ele as mãos agarradas nos chifres
do altar.4
Eis então difícil decisão que o salmista deveria tomar: fugir ou refugiar-
se? Muitas vezes, diante das circunstâncias, o caminho da fuga nos apresenta

3
Russell Norman CHAMPLIN, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, p. 342.
4
Se alguém, ameaçado de morte agarrava com as mãos os Chifres do altar, não podia ser morto. Um
exemplo foi o caso de Adonias, um dos filhos de Davi, que com medo de ser morto por Salomão, seu
próprio irmão, agarrou os chifres do altar e teve sua vida poupada (I Reis 1.50-53). Mas depois,
continuando com suas sutis artimanhas políticas, Salomão manda finalmente matá-lo (I Reis 2.23-25).
como a mais acertada decisão. E tal caminho é aconselhado, inclusive, por
gente do “templo”, gente religiosa, gente que aparenta e diz ter muita fé em
Deus.

Conselhos de gente desanimada

Como é bom ouvir conselhos; principalmente vindo de pessoas que


souberam tirar lições valiosas das diversas experiências vividas. A própria
Bíblia é uma biblioteca inspirada pelo Espírito Santo que comporta em seus
livros valiosos conselhos. Como é bom ler, interpretar e aplicar a Sabedoria
divina em nossas vidas. Como é feliz quem medita em tais conselhos, de dia e
de noite!
Porém, ainda que sejamos educados para escutar os inúmeros
conselhos que penetram nossos ouvidos, temos que “peneirar” com muito
cuidado todos eles, antes de colocar qualquer um deles em prática.
O salmista, certamente, teve bons pensamentos ao entrar no templo
sagrado. Suas expectativas eram boas, pois ali estava uma instituição legal de
proteção que ele, na condição de inocente, poderia solicitar. Era um direito que
deveria ser respeitado.
Porém, nem todo mundo consegue manter o ânimo, diante de certas
circunstâncias. E gente desanimada com o mundo e seus problemas, através
de conselhos negativos, contamina o ânimo de qualquer um a sua volta.
Em determinadas situações, tão aflitos nos encontramos que qualquer
conselho parece ouro!
— Nossa! Você foi boca de Deus para mim.
Porém, triste é descobrir que o conselho ouvido, a decisão tomada e o
caminho escolhido nos conduziram para lugares tortuosos; aí, arrependido,
voltamos para a Bíblia e aprendemos que escutar todos, sim; ouvir todo
mundo, não.
Oro para que Deus nos guarde de conselhos carregados de desânimo.
Conselhos que se baseiam somente nos últimos acontecimentos. Conselhos
que minam nossa fé em Deus.
Conselhos de gente animada

Falar de Jétro, sogro de Moisés.

Esboço

Confie em Deus: mesmo quando os fundamentos se abalam

Capítulo 1: Fugir ou refugiar-se em Deus?

Capítulo 2: Conselhos que nos afastam de Deus

Capítulo 3: Fundamentos abalados

Capítulo 4: Onde está Deus? (indagação dos maus)

Capítulo 5: Deus: o juiz dos justos

Capítulo 6: Concluindo...

 TÍTULO DO CAPÍTULO: Fugir ou refugiar-se em Deus?


 TEMA ESPECÍFICO:
 Texto bíblico:
 Explicação exegética:
 Atualização:
 Ilustração:
 Fundamentação:
 Opinião contrária:
 Ponto-cruz:
 Glorificação:
 Aplicação:
 Apelo do meio: