Você está na página 1de 71

AVALIAÇÃO

NUTRICIONAL
DE CRIANÇAS
Crescimento e desenvolvimento
 São eixos referenciais para todas as atividades de atenção à
criança e ao adolescente sob os aspectos biológico, afetivo,
psíquico e social.

Uma das estratégias adotadas pelo Ministério da Saúde, a
partir de 1984, visando a incrementar a capacidade
resolutiva dos serviços de saúde na atenção à criança, foi a
de priorizar cinco ações básicas de saúde que possuem
comprovada eficácia

 Tais ações devem constituir o centro da atenção a ser


prestada em toda a rede básica de serviços de saúde.
Avaliação Nutricional de Crianças

 A proteção e o investimento na criança devem ser


assumidos como pontos centrais de qualquer nova
estratégia de desenvolvimento que vise à
superação das desigualdades entre os países
(SISVAN, 2002)

 Ações básicas   mortalidade infantil e


desnutrição
Avaliação Nutricional de Crianças
Ações básicas – Ministério da Saúde

 Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento

 Incentivo ao aleitamento materno

 Controle das infecções respiratórias agudas (IRA)

 Controle das doenças diarréicas e terapia de


reidratação oral (TRO)

 Controle das doenças imunopreviníveis (Imunização)


Avaliação Nutricional de Recém
Nascidos
 Crianças com BPN - > risco de morbi-mortalidade

 BPN influenciado por diversos fatores:


Fumo; Álcool e Drogas
Hipertensão materna
Gestação múltipla
Doenças infecciosas crônicas
Partos cesáreos precoces
Intervalo interpartal < 2 anos
Avaliação Nutricional de Recém
Nascidos

a) Peso ao nascer – momento do nascimento,


condições intra-uterina, podendo refletir problemas
nutricionais na gestação.

 OMS, 1995
Peso adequado:  3.000g
Peso insuficiente: 2.500-2999g
Baixo peso ao nascer (BPN) : < 2.500g
Muito baixo peso (MBPN): <1.500g
Muitíssimo baixo peso (MMBPN): <1.000g
Avaliação Nutricional de Recém
Nascidos
b) Idade gestacional (IG) - Classificação:
 Pré-termo – menos de 37 semanas
 A termo – 37 – 42 semanas
 Pós-termo – mais de 42 semanas

 PIG – crianças pequenas para idade gestacional (IG)< Percentil 10


(Retardo do crescimento intra-uterino – RICIU – má nutrição da mãe)
 AIG – adequado para IG entre P10 e P90
 GIG – grande para idade gestacional >P90

OBS.: > risco abaixo de 34 SG


Avaliação Nutricional de Recém
Nascidos
c) Perímetro torácico /Perímetro Cefálico
Perímetro Cefálico - medido ao redor do crânio, com fita
localizada acima das sobrancelhas, procurando o maior
diâmetro. A criança deve estar sentada ou deitada.
Perímetro Torácico – medido no maior diâmetro do tórax,
em geral em cima do mamilo, com a criança em pé ou
deitada.

 PT/PC de crianças <6 meses = 1


 PT/PC de crianças 6 a 60 meses >1 , <1 criança desnutrida
Avaliação Nutricional de Recém
Nascidos
 Diagnóstico Individual de recém nascidos

Pesar o bebê nas primeiras 6 horas de vida na maternidade

Registrar o valor no prontuário e na ficha que será entregue a mãe


(Cartão da Criança)

Avaliar a idade gestacional

Crianças com BPN – atenção diferenciada

Intervenção adequada para BPN – Incentivo ao Aleitamento


Materno
Avaliação Nutricional de Recém
Nascidos
 Diagnóstico Coletivo

Conhecer o no de nascidos vivos em uma determinada


localidade em um período determinado (SINASC).

Conhecer o no de recém nascidos com BPN, na mesma


localidade e período de tempo.

Calcular o % de crianças com BPN, em relação ao total de


nascidas-vivas
Avaliação Nutricional de Recém
Nascidos

% de BPN= nº de recém-nascidos com peso<2500g x 100


total de nascidos vivos

 Intervir de acordo com o problema

 OMS – população de alto-risco – BPN>15% e de >2%


para Muito Baixo Peso
Avaliação Nutricional de Crianças
 Cartão da Criança – visualização do estado de saúde e nutrição

 Cartão – Sexo, Idade, Informações sobre gravidez, o parto e o


recém-nascido, Informações da saúde bucal, Suplementação de
vitaminas e minerais, Perímetro cefálico, Peso, Ocorrência de
agravos, Imunizações recebidas, Principais etapas do
desenvolvimento psicomotor, entre outras

Desnutrição energético-protéica (DEP) – prioridade em ações


públicas e vigilância nos serviços de saúde
ANTROPOMETRIA
Medidas Avaliar a saúde e o
antropométricas risco nutricional
infantis

Dados Crianças em risco


identificar
antropométricos de distúrbios
de peso e estatura nutricionais

A intervenção precoce pode impedir a desaceleração do crescimento e


do ganho ou mesmo perda ponderal.
Uma criança no primeiro ano
de vida triplica seu peso ao
nascimento, enquanto o
comprimento aumenta em 50%;
 1º ano de vida- aumento de 25cm, chegando a
75cm (+ 55%), e de 200% no peso (de 3 p/ 10Kg);
 De 1 a 2 anos a criança ganha 12cm no
comprimento;
 Dos 2 aos 3 anos, ganha 10cm;
 A partir de 3 ou 4 anos, a criança apresenta
velocidade de crescimento constante,
apresentando ganho médio de 2 a 3Kg de peso e
5 a 7cm de comprimento por ano.
A combinação das medidas
antropométricas, por meio dos
indicadores antropométricos,
analisadas de acordo com a faixa
etária e sexo, permite traçar o
diagnóstico nutricional pela
interpretação do grau de adequação
do crescimento e desenvolvimento
infantis.
As medidas antropométricas
isoladamente não permitem uma
avaliação nutricional precisa, o que
justifica a construção de índices e
indicadores antropométricos.
PESO:
 Expressa a dimensão da massa ou do
volume corporal;
 Constituído tanto pelo tecido adiposo
como pela massa magra;
 É passível de mudanças em curtos
intervalos de tempo;
 Seu acompanhamento permite o
diagnóstico precoce da desnutrição;
 Constitui-se também em indicador de
recuperação do estado nutricional.
AFERIÇÃO DO PESO EM CRIANÇAS
-
DOIS TIPOS DE BALANÇA:
 Balança pediátrica ou balança “pesa-
bebê” – capacidade máxima de 16Kg e
com precisão de leitura de 10g.
BALANÇA TIPO
GANCHO:

 Capacidade máxima de 25Kg


AFERIÇÃO DO PESO EM CRIANÇAS
-
DOIS TIPOS DE BALANÇA:
 Balança antropométrica ou balança tipo
plataforma ou balança clínica, é utilizada
para crianças maiores de 2 anos –
capacidade máxima de 150Kg com
precisão de leitura de cerca de 100g.
AFERIÇÃO DO PESO EM CRIANÇAS:

Para a pesagem em ambos os tipos de


equipamento a criança deverá estar
com o mínimo de roupa e descalça,
devendo ser mantida o mais imóvel
possível, de maneira que o peso fique
uniformemente distribuído sobre a
balança.
ESTATURA:
A estatura é um indicador do tamanho
corporal e do crescimento linear da
criança.Variações na estatura são mais
lentas, de forma que os déficits
refletem agravos nutricionais a longo
prazo, o que pode significar o
comprometimento dos
compartimentos protéicos.

Para menores de 24 meses utiliza-se o


termo comprimento.
ESTATURA – PROCEDIMENTOS:
 Em crianças menores de 2 anos mede-se
o comprimento no infantômetro.

 Com a criança deitada


com as pernas relaxadas,
apóia-se a cabeça (1), e a
peça móvel (2) é
deslocada até tocar os pés
da criança, que deverão
estar alinhados,
permitindo a leitura do
valor do comprimento (3).
ESTATURA –
PROCEDIMENTOS:
 Em crianças maiores de 2 anos
utiliza-se estadiômetro ou uma fita
métrica fixa na parede.
 A criança deve ser posicionada de
pé, ereta, imóvel, com os braços
estendidos ao longo do corpo e
com a cabeça mantida no plano de
Frankfurt. A nuca, os ombros, as
nádegas e os calcanhares deverão
permanecer encostados no centro
do estadiômetro, devendo os
joelhos permanecerem unidos
PERIODICIDADE
RECOMENDADA PARA A
PESAGEM DE CRIANÇAS:

Idade Frequencia
Até 6 meses Mensalmente
6 a 12 meses 2 em 2 meses
12 a 24 meses 3 em 3 meses
PERÍODOS ETÁRIOS DO
CRESCIMENTO

 Recém-nascido = 0 a 28 dias
 Lactente = 29 dias a 1 anos e 11 meses
 Pré-escolar = 1 a 6 anos de idade
 Escolar = 7 anos até a puberdade (10 –
12 anos)
 Adolescente = 10 a 19 anos
ÍNDICES ANTROPOMÉTRICOS POR
FAIXA ETÁRIA

FAIXA ETÁRIA INDICADORES


Recém nascido PN e PN/IG
Lactentes e pré- P/I, P/A e A/I
escolares Circunferência
cefálica, torácica e
braquial
Escolares P/A e A/I
PN: peso ao nascer; IG: idade gestacional; P/I: peso para a idade;
P/A: peso para a altura; A/I: altura para a idade.
OS ÍNDICES (P/I, P/A, A/I) PODEM SER
CLASSIFICADOS SEGUNDO OS
CRITÉRIOS:

 Percentual de adequação em relação a


média ou mediana - (Ex. Gómez utiliza
este critério para classificar o EN).
 Percentil – (Ex. MS utiliza este critério
para classificar o EN).
 Desvio-padrão - (Ex. OMS utiliza este
critério para classificar o EN).
MÉDIA E MEDIANA

• Média - é a somatória dos valores de peso


observados ÷ pelo total de crianças
observadas;
• Mediana - é o peso que fica exatamente
no meio de uma série de valores
observados (ímpar);
• Obs. se for par, é a média entre os dois
valores do meio;
ÍNDICES ANTROPOMÉTRICOS POR
FAIXA ETÁRIA

FAIXA ETÁRIA INDICADORES


Recém nascido PN e PN/IG
Lactentes e pré- P/I, P/A e A/I
escolares Circunferência
cefálica, torácica e
braquial
Escolares P/A e A/I
PN: peso ao nascer; IG: idade gestacional; P/I: peso para a idade;
P/A: peso para a altura; A/I: altura para a idade.
Avaliação Nutricional de Lactentes,
Pré-escolar, Escolar
e) Perímetro Cefálico

 Pediatras – crescimento cabeça/do cérebro –


microcefalia, macrocefalia ou hidrocefalia
 PC – sofre < variação na presença de desnutrição
 Avaliação nutricional pode auxiliar no diagnóstico de
desnutrição crônica
 Normalidade entre o percentil 10 e 90
Avaliação Nutricional de Lactentes,
Pré-escolar, Escolar
Avaliação Nutricional de Lactentes,
Pré-escolar, Escolar
f) Perímetro Torácico / Perímetro Cefálico
 Utilizado até 5 anos de idade
Avaliação Nutricional de Lactentes,
Pré-escolar, Escolar
g) Perímetro Braquial – Triagem ou quando não há
equipamentos para aferir peso e altura
◦ Medido ao redor do ponto médio do braço direito
(processo acrômico do ombro e o fim do olecrânio no
cotovelo)
◦ Crianças de 1 a 5 anos
◦ PB <12,5cm – desnutrida, entre 12,5cm e 14cm – risco;
normal >14 cm (Vasconcelos, 1995)
MÉDIA E MEDIANA

• Média - é influenciada pelos valores


extremos;
• Mediana - não é influenciada pelos
valores extremos;
• Não possibilitam estabelecer e comparar
as curvas de distribuição dos dados pois
são valores isolados.
PERCENTUAL DE ADEQUAÇÃO
EM RELAÇÃO A MÉDIA OU
MEDIANA

Consiste em uma razão entre o valor


observado e o valor mediano dessa medida
na distribuição de referência, expresso
sob a forma de percentagem.

% mediana = peso observado x 100


peso mediano da referência
PERCENTIL

• Medida que divide uma série de valores


em 100;
• Ordenados do menor para o maior valor;
NCHS, OMS - trazem tabelas com a
distribuição nos percentis 3, 5, 10, 20, 30,
40, 50, 60, 70, 80, 90, 95, 97;
• Possibilita estabelecer e comparar as
curvas de distribuição dos dados, pois é
representado por uma série de valores.
PERCENTIL

 É a distribuição das pessoas em


relação aos valores obtidos para
determinados índices ou medidas;

 Mostra a frequência com que ocorre


determinado peso, estatura em um
determinado grupo populacional de
acordo com sexo, faixa etária ou
estado fisiológico;
PERCENTIL
 Exemplo: uma criança que está no
percentil 10 (p10) de estatura para a
sua idade - isto significa que ela é
maior que 10% e menor que 90% das
crianças da população de referência;

 O percentil 50 é considerado o ideal,


já que metade da população apresenta
o valor referido, indicando, portanto,
uma “normalidade”.
CURVAS DE CRESCIMENTO POR
PERCENTIS

 Mais utilizadas nos Serviços Básico


de Saúde;

 Podem ser encontradas:


www.who.int/growthcharts;
CURVAS DE CRESCIMENTO POR
PERCENTIS
 As curvas do National Center of Health
Statistics (NCHS) de 1977, não estão
mais sendo consideradas adequadas pois
não representam mais o crescimento
infantil;

 Centers for Disease Control (CDC) em


2000 realizaram o Estudo Multicêntrico
de Referência de Crescimento para gerar
novas curvas que mostrassem como as
crianças deveriam crescer e não como
elas crescem em determinado tempo e
lugar;
CURVAS DE CRESCIMENTO POR
PERCENTIS

 Participaram do estudo: Brasil (Pelotas),


Gana, Índia, Noruega, Omã e EUA;

 As curvas foram elaboradas para


crianças de até 5 anos de idade (60
meses);

 Foram incluídos negros e descendentes


mexicanos;
CURVAS DE CRESCIMENTO POR
PERCENTIS
 As novas curvas para crianças e
adolescentes de 5 a 19 anos de idade
foram elaboradas tendo como referencial
as curvas NCHS (1977) devido a
impossibilidade de se controlar o
dinamismo do ambiente em que tais
crianças vivem;
 É possível fazer o acompanhamento de
crianças de 0 a 5 anos com as curvas
WHO (2006) e a partir dessa idade, com
as curvas NCHS (1977).
DESVIO-PADRÃO

• Medida da variabilidade de um grupo de


dados;
• Indica aproximadamente quanto, em
média, um valor encontra-se distante da
mediana do grupo de dados a que
pertence;
• NCHS utiliza a mediana para construir
seus desvios-padrão.
DESVIO-PADRÃO
Correspondência entre percentil e desvio-
padrão:

 Mediana ± 1DP = corresponde


aproximadamente aos p84 (+ 1DP) e p16 (- 1
DP);
 Mediana ± 2DP = corresponde
aproximadamente aos p98 (+ 2DP) e p2 (-2 DP);
 Mediana ± 3DP = corresponde
aproximadamente aos p99,9 (+ 3DP) e p0,1 (- 3
DP).
Z-ESCORE

É a verificação de quantas unidades de


desvio-padrão o indivíduo está afastado da
média.

Z-escore = Valor individual - Valor da mediana na população de referência

Valor do desvio-padrão na população de referência