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Superior Tribunal de Justiça

AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.273.921 - GO (2018/0077620-0)

RELATOR : MINISTRO MOURA RIBEIRO


AGRAVANTE : C P DA S
AGRAVANTE : F C DA S N
AGRAVANTE : E MF
AGRAVANTE : E AS A
AGRAVANTE : V S A DA S
AGRAVANTE : R S A DA S
AGRAVANTE : A DE F P S
AGRAVANTE : L S DA S
AGRAVANTE : G S DA S
AGRAVANTE : SCS
AGRAVANTE : MNC
AGRAVANTE : H N DA S
ADVOGADO : HENRIQUE ROGÉRIO DA PAIXÃO - GO021021
AGRAVADO : C P DA S
ADVOGADOS : FRANCISCO DAS CHAGAS SILVA COELHO - GO017524
WALTER FERREIRA MARQUES FILHO - GO048404
INTERES. : A E C - ESPÓLIO
INTERES. : G E DA S - ESPÓLIO

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO MOURA RIBEIRO (Relator):


C P da S promoveu ação declaratória de paternidade socioafetiva
cumulada com petição de herança contra os herdeiros de A G da S e R P da S
(HERDEIROS).
Em primeira instância, a ação foi julgada parcialmente procedente para
somente reconhecer a filiação socioafetiva (e-STJ, fls. 1.098/1.109).
A apelação interposta por C P da S foi provida pelo Tribunal de origem
para declarar nula a partilha amigável realizada nos autos, nos termos do acórdão assim
ementado:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE


RECONHECIMENTO DE FILIAÇÃO SOCIOAFETIVA. PETIÇÃO DE
HERANÇA. ACOLHIMENTO ANULAÇÃO DA PARTILHA
AUTOMÁTICA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
1. O fundamento a respaldar a petição de herança é a existência
de um novo herdeiro até então desconhecido, alheio a qualquer
circunstância levada em consideração na partilha já realizada.
2. A nulidade da partilha, neste caso, advém de mudança qualitativa
posterior verificada na situação de fato antes considerada, em
decorrência do resultado de procedência da ação de investigação
de paternidade sócio-afetiva a viabilizar a pretensão deduzida na
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petição de herança, causas externas estas que afetarão a partilha,
mas não por vício intrínseco desta.
3. O prazo decadencial de 1 ano para anular a partilha, art. 2.027,
do CC, somente teria seu termo inicial com o trânsito em julgado da
sentença de procedência de reconhecimento da filiação
sócio-afetiva.
4. No entanto, destaca-se que é automática anulação da partilha
que não contemplou filho reconhecido, e que outra seja efetuada,
tendo em vista que sem sua participação o ato padece de nulidade
absoluta, a qual não se convalesce com o tempo e não se sujeita a
prazo decadencial ou prescricional. Precedentes do STJ.
APELO CONHECIDO E PROVIDO (e-STJ, fls. 1.194/1.195).

Os embargos de declaração opostos pelos HERDEIROS e C P da S


foram rejeitados (e-STJ, fls. 1.228/1.1243).
Inconformados, os HERDEIROS interpuseram recurso especial, com
fundamento no art. 105, III, a, da CF, alegando violação dos arts. 2.027 do CC/2002 e art.
5º, XXXVI, da CF.
O apelo nobre não foi admitido em virtude da incidência da Súmula nº 7 do
STJ.
Seguiu-se o agravo em recurso especial, que foi conhecido para não
conhecer do apelo nobre em decisão monocrática de minha lavra, assim ementada:

CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSOS


MANEJADOS SOB A ÉGIDE DO NCPC. FAMÍLIA. AÇÃO
DECLARATÓRIA DE PATERNIDADE SOCIOAFETIVA.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA
CONSTITUCIONAL. ART. 2.027 DO CC. PETIÇÃO DE HERANÇA.
TERMO INICIAL DA PRESCRIÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO DA
INVESTIGATÓRIA. PRECEDENTES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº
568 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO
CONHECIDO (e-STJ, fl. 1.335 - com destaque no original).

Nas razões do presente agravo interno, os HERDEIROS, repisando os


argumentos trazidos nas razões recursais, alegaram (1) divergência jurisprudencial; (2)
não haver necessidade de reexame fático-probatório; e, (3) violação do art. 2.027 do
CC/2002 ao não ser reconhecida a decadência.
Houve impugnação ao recurso (e-STJ, fls. 1.366/1.371).
Intimada, C P da S e outros insistiram no julgamento do seu recurso
(e-STJ, fl. 1.377).
É o relatório.

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AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.273.921 - GO (2018/0077620-0)

RELATOR : MINISTRO MOURA RIBEIRO


AGRAVANTE : C P DA S
AGRAVANTE : F C DA S N
AGRAVANTE : E MF
AGRAVANTE : E AS A
AGRAVANTE : V S A DA S
AGRAVANTE : R S A DA S
AGRAVANTE : A DE F P S
AGRAVANTE : L S DA S
AGRAVANTE : G S DA S
AGRAVANTE : SCS
AGRAVANTE : MNC
AGRAVANTE : H N DA S
ADVOGADO : HENRIQUE ROGÉRIO DA PAIXÃO - GO021021
AGRAVADO : C P DA S
ADVOGADOS : FRANCISCO DAS CHAGAS SILVA COELHO - GO017524
WALTER FERREIRA MARQUES FILHO - GO048404
INTERES. : A E C - ESPÓLIO
INTERES. : G E DA S - ESPÓLIO
EMENTA

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM


RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO
NCPC. AÇÃO DECLARATÓRIA DE PATERNIDADE SOCIOAFETIVA.
ART. 2.027 DO CC/02. PETIÇÃO DE HERANÇA. TERMO INICIAL DA
PRESCRIÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO DA INVESTIGATÓRIA.
PRECEDENTES. RECURSO MANIFESTAMENTE INADMISSÍVEL.
INCIDÊNCIA DA MULTA DO ART. 1.021, § 4º, DO NCPC. AGRAVO
INTERNO NÃO PROVIDO.
1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado
Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de
9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015
(relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016)
serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do
novo CPC.
2. Tratando-se de filho ainda não reconhecido, o início da contagem do
prazo prescricional só terá início a partir do momento em que for
declarada a paternidade, momento em que surge para ele a pretensão
de reivindicar seus direitos sucessórios.
3. Em virtude do não provimento do presente recurso, e da anterior
advertência em relação a aplicabilidade do NCPC, incide ao caso a
multa prevista no art. 1.021, § 4º, do NCPC, no percentual de 3% sobre
o valor atualizado da causa, ficando a interposição de qualquer outro
recurso condicionada ao depósito da respectiva quantia, nos termos do
§ 5º daquele artigo de lei.
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4. Agravo interno não provido, com imposição de multa.

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RELATOR : MINISTRO MOURA RIBEIRO


AGRAVANTE : C P DA S
AGRAVANTE : F C DA S N
AGRAVANTE : E MF
AGRAVANTE : E AS A
AGRAVANTE : V S A DA S
AGRAVANTE : R S A DA S
AGRAVANTE : A DE F P S
AGRAVANTE : L S DA S
AGRAVANTE : G S DA S
AGRAVANTE : SCS
AGRAVANTE : MNC
AGRAVANTE : H N DA S
ADVOGADO : HENRIQUE ROGÉRIO DA PAIXÃO - GO021021
AGRAVADO : C P DA S
ADVOGADOS : FRANCISCO DAS CHAGAS SILVA COELHO - GO017524
WALTER FERREIRA MARQUES FILHO - GO048404
INTERES. : A E C - ESPÓLIO
INTERES. : G E DA S - ESPÓLIO

VOTO

O EXMO. SR. MINISTRO MOURA RIBEIRO (Relator):


O recurso não merece provimento.
De plano, vale pontuar que o presente agravo interno foi interposto contra
decisão publicada na vigência do novo Código de Processo Civil, razão pela qual devem
ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos
do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016:

Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a


decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão
exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo
CPC.

Conforme já constou do relatório, C P da S promoveu ação declaratória


de paternidade socioafetiva cumulada com petição de herança contra os HERDEIROS.
A sentença de parcial procedência foi reforma pelo Tribunal de origem
para declarar nula a partilha amigável realizada nos autos.
Não admitido seu apelo nobre, os HERDEIROS manejaram agravo em
recurso especial, que foi conhecido para não conhecer do recurso especial.

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É contra essa decisão o inconformismo agora manejado, que não merece
provimento por não ter trazido nenhum elemento apto a infirmar as suas conclusões.
Na hipótese, a decisão agravada consignou, de forma expressa, que o
Tribunal de origem decidiu em harmonia com a jurisprudência desta Corte, no sentido de
que o prazo decadencial somente teria seu termo inicial a contar da data do trânsito em
julgado da sentença que julgou procedente a ação de investigação de paternidade
socioafetiva, ou seja, o ato judicial hostilizado (e-STJ, fl. 1.338).
Nesse contexto, esta Corte possui entendimento jurisprudencial no
sentido de que, tratando-se de filho ainda não reconhecido, o início da contagem do prazo
prescricional só começa quando é declarada a paternidade, momento em que surge para
ele a pretensão de reivindicar seus direitos sucessórios.
A propósito, os seguintes julgados:

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.


AÇÃO DE PETIÇÃO DE HERANÇA. PRESCRIÇÃO. TERMO
INICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO DA AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO
DE PATERNIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO DESPROVIDO.
1. Tratando-se de reconhecimento 'post mortem' da
paternidade, o início da contagem do prazo prescricional para o
herdeiro preterido buscar a nulidade da partilha e reivindicar a
sua parte na herança só terá início a partir do momento em que
for declarada a paternidade, momento em que surge para ele a
pretensão de reivindicar seus direitos sucessórios.
Precedentes.
2. Agravo interno desprovido.
(AgInt no AREsp n. 1.215.185/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO
BELLIZZE, Terceira Turma, j. 22/3/2018, DJe de 3/4/2018 - sem
destaque no original).

PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. INTERPOSIÇÃO SOB A


ÉGIDE DO CPC/1973. DIREITO SUCESSÓRIO. AÇÃO DE
PETIÇÃO DE HERANÇA. ANTERIOR AJUIZAMENTO DE AÇÃO DE
INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE. PRESCRIÇÃO. TERMO
INICIAL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. DEFICIÊNCIA DE
FUNDAMENTAÇÃO.
1. A petição de herança objeto dos arts. 1.824 a 1.828 do Código
Civil é ação a ser proposta por herdeiro para o reconhecimento de
direito sucessório ou a restituição da universalidade de bens ou de
quota ideal da herança da qual não participou.
2. A teor do art. 189 do Código Civil, o termo inicial para o
ajuizamento da ação de petição de herança é a data do trânsito
em julgado da ação de investigação de paternidade, quando, em
síntese, confirma-se a condição de herdeiro.
Documento: 85427970 - RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 6 de 8
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3. Aplicam-se as Súmulas n. 211/STJ e 282/STF quando a questão
suscitada no recurso especial não tenha sido apreciada pela Corte
de origem.
4. Incide o óbice previsto na Súmula n. 284/STF na hipótese em
que a deficiência da fundamentação do recurso não permite a
exata compreensão da controvérsia.
5. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.
(REsp nº 1.475.759/DF, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA,
Terceira Turma, j. 17/5/2016, DJe de 20/5/2016 - sem destaque no
original).

Assim, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do


julgado impugnado, que não conheceu do apelo nobre, devendo ser ele mantido pelos
seus próprios fundamentos, a saber:

(1) Da alegada violação dos arts. 5º, XXXVI, da CF


Inicialmente, ressalta-se que não é possível a análise, na estreita
via do apelo nobre, da alegada ofensa ao art. 5º, XXXVI, da CF,
matéria eminentemente constitucional por esta Corte, sob pena de
usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal.
A propósito, confiram-se os seguintes precedentes:

[...]

(2) Da violação do art. 2.027, parágrafo único, do CC/02.


Os recorrentes sustentam que ocorreu a decadência do direito de
pedir a nulificação da partilha amigável.
O Tribunal de origem, a respeito do tema, consignou que o prazo
decadencial somente teria seu termo inicial a contar da data do
trânsito em julgado da sentença que julgou procedente a ação de
investigação de paternidade socioafetiva, ou seja, o ato judicial
hostilizado.
Não merece reparos o acórdão recorrido pois decidiu em harmonia
com a jurisprudência dominante desta eg. Corte Superior, no
sentido de que o termo inicial para o ajuizamento da ação de
petição de herança é a data do trânsito em julgado da ação
investigatória de paternidade, ocasião em que se confirma a
condição de herdeiro, no caso, dos falecidos.
A propósito, os seguintes julgados:

[...]

Incide, portanto, a Súmula nº 568 do STJ.


Nessas condições, com fundamento no art. 1.042, § 5º do NCPC
c/c art. 253 do RISTJ (com a nova redação que lhe foi dada pela
emenda nº 22 de 16/03/2016, DJe 18/03/2016), CONHEÇO do

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agravo para NÃO CONHECER do recurso especial.
Deixo de majorar os honorários advocatícios, porquanto não fixados
na origem.
Advirta-se que eventual recurso interposto contra esta decisão
estará sujeito às normas do NCPC, inclusive no que tange ao
cabimento de multa (arts. 1.021, § 4º e 1.026, § 2º) (e-STJ, fls.
1.335/1.340 - com destaques no original).

Considerando anterior advertência quanto a aplicabilidade das normas do


NCPC, inclusive no que tange ao cabimento de multa, e verificada a improcedência do
presente agravo interno, condeno os HERDEIROS, proporcionalmente, ao pagamento da
multa de 3% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 1.021, § 4º, do NCPC.
Por fim, conforme o art. 1.021, § 5º, do NCPC, a interposição de qualquer
outro recurso fica condicionada ao depósito prévio das respectivas quantias.
Nessas condições, pelo meu voto, NEGO PROVIMENTO ao agravo
interno, com imposição de multa.
Advirto que eventual recurso interposto contra este acórdão estará sujeito
ao possível cabimento de nova multa (arts. 77, §§ 1º e 2º, 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, todos
do NCPC).

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