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SEGURIDADE SOCIAL E TRABALHO

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Serviço Social (SES0443) – Prática Modulo III

28/06/2018

Maria Luiza Cavalcante1


Denise Ribeiro2
Raquel Serpa3
Cinthia Longui4
Judith Ludwig5

RESUMO
Em nosso presente artigo iremos apresentar a resenha da obra Seguridade Social e Trabalho:
Paradoxos na Construção das Políticas de Previdência e Assistência de Ivanete Boschetti, uma
obra que aborda a construção das políticas de previdência e assistência social no Brasil a
partir da promulgação da constituição em 1988, ressaltando fatos históricos que contribuíram
para a mesma.
Palavras-chave: Previdência. Seguridade. Assistência

1 INTRODUÇÃO

Ivanete Boschetti destaca os principais elementos que levaram a construção deste


modelo de seguridade social, buscando revelar seus paradoxos. A composição: Previdência –
Assistência, estabelece uma lógica de acesso aos direitos sociais segundo inclusão (ou exclusão)
dos indivíduos no mundo do trabalho, ou seja, somente quem contribui tem acesso a
previdência. A assistência historicamente sempre vista como um dever moral, não como um
dever político ligado ao direito de cidadania, com isso a assistência social teve dificuldades para
se materializar como direito social, somente com a promulgação orgânica da assistência social
(LOAS) em dezembro de 1993, Lei

1
Maria Luiza Cavalcante
2
Denise Ribeiro
3
Raquel Serpa
4
Cinthia Longui
5
Profª. Esp. Judith Ludwig
8.742/93, que se garantiu o acesso a assistência para aqueles daquela necessitam. A
autora destaca que seu trabalho não tem a pretensão de escrever a história da previdência e da
assistência social no brasil, mas sim mostrar a relação estabelecida entre essas duas políticas,
no que hoje chamamos de seguridade social (tripé da seguridade social: saúde, previdência e
assistência social.

2 DESENVOLVIMENTO

Antes de 1920 já era possível identificar medidas de “proteção social”. Em 1989 após a
abolição da escravidão e antes da promulgação da republica e existiam dois tipos de proteção
social “seguro: privadas, restritos a algumas profissões como a Sociedade Musical de
Benemerência (1834) e os estabelecimentos ou programas públicos como plano de assistência
aos órfãos e viúvas dos profissionais da marinha (1975).

 1923 – Modelo caixas, aposentadorias e pensões. Eram organizadas por empresas


(CAP’s);

 Em 1923 a Lei Eloy Chaves é reconhecida como ponto de partida do sistema de


previdência social (período de expansão ferroviária e marítimo, escoamento do café,
desenvolvimento de um setor urbano industrial (Lei que criava a caixa de
aposentadorias e pensões para empregados das empresas ferroviárias, 24 de janeiro de
1923);

 A partir de 1930 intensificou-se a intervenção do Estado na regulação das relações de


trabalho e na área social. As caixas de aposentadorias e pensões (CAP’s). Somaram-se
aos institutos de aposentadorias e pensões (IAP’s) criados e regulamentos pelo Estado.
(Privado e público):

 As modificações mais efetivas começaram em 1933, num primeiro momento não


atingiu diretamente os CAP’s existentes. Ao invés de fortalecê-las o governo criou
outra modalidade IAP’s.

Do ponto de vista político a opção governamental foi a de proteger em primeiro lugar


as condições de trabalho, e não os trabalhadores. Deste modo, a expansão do IAP’s seguiu uma
lógica progressiva de certas categorias profissionais, reconhecidas legalmente pelo Estado e
consideradas desnecessárias ao desenvolvimento produtivo da época (apud BOCHETTI, 2006,
p. 22).

 Criou-se mecanismos de controle desses trabalhadores;

 Lei da sindicalização 1931. Atingia da autonomia sindical (sindicatos dependiam de


uma inscrição prévia de uma inscrição prévia no ministérios do trabalho, apenas um
sindicato de trabalhadores e outro de empregador em cada município). O ministério do
trabalho tinha o direito de intervir no processo eleitoral dos sindicatos, e os debates e
discussões políticas em seu eram proibidas (Faleiros 1992). Apenas trabalhadores
sindicalizados podiam recorrer à justiça do trabalho; restringiu o direito a férias
remuneradas aos sindicalizados.

 O segundo mecanismo de controle e imigração dos trabalhadores era a política de


regulamentação das profissões, assim o trabalhador podia se filiar a um IAP’s ou
CAP’s para assim inserir-se num plano de previdência;

 O terceiro mecanismo de regulamentação foi a criação da carteira de trabalho


profissional. De certo modo era a carteira de trabalho que garantia ao trabalhador o
status de cidadão portador de direitos.

Desse modo a criação do IAP’s pode ser compreendida, ao lado, da regulamentação das
profissões, da intervenção e controle sobre os sindicatos e da criação da carteira de trabalho,
como parte de uma estratégia política e econômica do Estado coorporativo e autoritário.

 Economicamente os IAP’s permitiam acumular fundos de capitalização, fundamentais


para a políticas de substituição de importações e de estimulação da indústria;

 Politicamente o modo de organização segundo categorias profissionais permitia, ao


mesmo tempo, a centralização da gestão, e a fragmentação dos trabalhadores.

Devemos registrar que os trabalhadores autônomos, sazonais, rurais, desempregados


não tinham nenhuma proteção social.

 Entre seguro e assistência era uma questão que não se colocava evidente na criação
dos IAP’s, contanto sua existência parecia ser latente. A primeira é uma certa intenção
em limitar as ações dos IAP’s aos benefícios de aposentadoria e pensões. Essa
limitação baseou-se em uma distinção entre previdência e assistência social que visava
transformar os IAP’s em instituições de seguro social. A segunda tendência tem uma
propensão a incluir certos benefícios e serviços tidos como assistenciais (serviços
médicos, auxilio funerário, auxilio maternidade).

A distinção entre previdência e assistência social assumiu duas formas: a primeira se


referia pela caracterização de direitos previdenciários, apenas como benefícios de
aposentadorias e pensões, ao passo que os serviços médicos eram considerados assistência
social, a segunda por sua vez, era mais um resultado dessa diferenciação, não entendidas como
prestação de cobertura de um risco social (a doença), as despesas com a saúde foram limitadas
a um teto máximo de 8% do orçamento total dos CAP’s.

 Até aqui somente os que contribuíram eram atendidos. (Saúde, Previdência).

Para quem não contribuía esses indivíduos eram atendidos pela L.B.A (Legião
Brasileira de Assistência). Entre 1945 e 1964 a LBA, comandada pelas primeiras damas, se
consolidou como organismo público dotado de estrutura administrativa e corpo de
funcionamento próprios.
O funcionamento de suas ações que na sua origem sustentavam-se nas contribuições
previdenciárias dos empregados, foi modificado a partir de então ela passou a receber doações
particulares. A “LBA” se tornou uma instituição assistencial que atuava nas mais diversas
situações sociais, assegurando serviços nem sempre contínuos e sistemáticos, os quais não se
situavam na ordem do direito, isso quer dizer que as ações da LBA decorriam de iniciativas
tecnocráticas, não eram asseguradas em legislação, não estavam no orçamento.
Em 1966 com a união dos últimos sete IAP’s em um único instituto: o Instituto Nacional
de Previdência e Assistência Social (INSS), a partir de então este instituto passou a englobar
quase todos os trabalhadores assalariados urbanos, inseridos no setor privado, os trabalhadores
rurais, os empregados domésticos e os trabalhadores autônomos continuavam excluídos.
Mesmo tendo o INPS se tornando um instituto centralizado no âmbito governamental, seu
financiamento paradoxalmente provinha inteiramente das contribuições de empregadores e
trabalhadores.
A criação do ministério da Previdência e Assistência social (MPAS) em 1974, inseriu-
se em uma estratégia governamental, a fim de utilizar a previdência como instrumento de
legitimação do regime autoritário, mas também podem se considerar que a criação do
Ministério da Previdência começou a consolidar uma associação ainda mais estreita entre
assistência social e previdência, sendo que as ações na assistência social estavam nesse período
atrelados a contribuição previdenciária.

2.1 DOS DIREITOS DO TRABALHO À CIDADANIA SOCIAL

O contexto histórico que encontramos nos capítulos III e VI na perspectiva da garantia


de direitos retrata a evolução na distribuição de renda entre o capital e o trabalho ao longo do
tempo e tem como essência a acumulação do capital. Aborda o fator político social como
elemento fundamental no equilíbrio e contribuindo para a geração de emprego e na proteção de
todos através da lógica do seguro fundado no princípio da solidariedade: onde a contribuição
de cada um permite a proteção de todos.
Foi a lei Eloy Chaves de 1923 que tornou a aposentadoria um direito. Antes, esta era
financiada paritariamente pelas contribuições dos trabalhadores e dos empregadores e possuía
o caráter de uma obrigação legal a qual eram submetidos. Embora a estrutura dos "seguros
sociais" esteja implementada no Brasil desde o início do século XX, até hoje, a previdência
social não conseguiu consolidar-se como um sistema de seguridade social ampliado a toda a
população. Os primeiros benefícios eram bastante modestos, restritos apenas a algumas
categorias e, assim, permaneceram por vários anos. Ainda hoje, 10 anos após o reconhecimento
legal da seguridade social pela Constituição de 1988, ainda há dificuldades para que ela se
consolide. No entanto, o mesmo texto já está sendo "reformado". Nos países industrializados,
os seguros sociais tiveram um papel fundamental na recomposição da esfera do direito
(Donzelot, 1994) e, sobretudo, entendidos como uma "técnica universalista" constituíram-se
em uma forma de promoção da seguridade social generalizada (Castel, 1995). No Brasil, partiu-
se da garantia de direitos derivados do exercício de trabalho assalariado conforme a lógica do
seguro. Até o final dos anos 60 manteve-se praticamente inalterada, mas não converteu-se em
uma situação de proteção social generalizada. A partir de meados dos anos 70 a lógica do seguro
começa a sofrer modificações e certos direitos à saúde e a alguns benefícios previdenciários
passam a ser garantidos sem vinculação direta aos do trabalho e submetem-se mais à lógica de
"direito de cidadania".
O sistema cognominado Bismarckiano de previdência, se desenvolve da seguinte forma;
trabalhadores empregados e empregadores contribuem em poupança compulsória de forma que
apenas estes fariam jus à proteção. Esse modelo pode ser resumido pela expressão: “Plano de
Seguradora”, pois, somente recebe quem contribui.
O sistema denominado Beveridgiano abrange a universalidade dos indivíduos de uma
sociedade em razão da contribuição de todos os nacionais. O Brasil adota sistema misto, pois,
embora haja contribuição compulsória dos nacionais, aqueles que se encontram em
hipossuficiência econômica e não contribuem também farão jus aos benefícios. O Brasil adota
o sistema misto sob a égide dos seguintes fundamentos: Intervenção do Estado e a Dignidade
da Pessoa Humana, Solidariedade Social (baseado no bem estar social), A proteção aos
previdentes, Redistribuição de renda, Risco Social (O indivíduo que perder sua capacidade
laborativa será assegurado pela coletividade representada pela seguridade social/previdência),
para tanto, seguridade social é segundo o Artigo 194:
Art 194; A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos
Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à
previdência e à assistência social. [Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998]”
Constituição Federal, 1988. P. 117 art. 194°

Previdência Social

Art. 201; A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter
contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio
financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei. [Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 20, de 1998]” Constituição Federal, 1988. P. 120 art. 201°

Uma série de dados revela as transformações na estrutura salarial e mostra a tendência


de aumento do assalariamento urbano:
Brasil 1950-1980 - Distribuição percentual - população economicamente ativa segundo
a posição na ocupação
A categoria empregado não corresponde, necessariamente, ã uma atividade assalariada
regida por uma carteira de trabalho assinada. A definição adotada pelo IBGE é: "Pessoa que
trabalhava para um empregador (pessoa física ou jurídica) geralmente obrigando-se ao
cumprimento de uma jornada de trabalho e recebendo em contrapartida uma remuneração em
dinheiro, mercadorias, produtos ou benefícios (moradia, comida, roupas, etc). Nesta categoria
incluiu-se a pessoa que prestava o serviço militar obrigatório e, também, o sacerdote, ministro
de igreja, pastor, rabino, frade, freira e outros clérigos". IBGE/PNAD, Síntese de indicadores,
1993, p. XXXIII. As propriedade com menos de 50ha. Reduziram sua participação na produção
de 47,7% em 1970 a 39,6%em 1980. Aquelas com mais de 50ha, ao contrário, aumentaram de
52,4% em 1970 a 60,5% em 1980. Cf. MPAS/CEPAL, op. cit, p. 91. E não por acaso a partir
dos anos 80 o Estado começa a incentivar o mercado informal, estimulando o espírito
coorporativo e mantendo a subsistência e3 garantindo os direitos. Dessa forma o modelo de
cidadania que se dividia entre trabalhadores assalariados e não assalariados perde a sua
referência enquanto desigualdade passando a ser Cidadania. O argumento que sustenta as
críticas à proteção previdenciária (baseada no seguro contratual) é mais ou menos a seguinte: a
garantia de direitos sociais com base no trabalho assalariado não garante a "plena cidadania".
Não somente porque o Brasil não se consolidou como sociedade salarial, mas porque os
benefícios previdenciários são irrisórios, desiguais e, para a maioria dos trabalhadores, não
garantem a sobrevivência no momento de perda de renda. A maneira de corrigir as
desigualdades e as distorções desse sistema injusto é justamente reivindicar uma nova relação
entre o Estado e a sociedade, fundada em uma nova concepção de cidadania. Uma cidadania
universal, no dizer de Santos (1987:82):
"(...) mesmo como política compensatória, a política previdenciária deverá ser alterada
a curto prazo, o que, necessariamente, há de envolver modificações nos canais de extração de
recursos e na distribuição de benefícios sociais. E, em qualquer caso, ainda que não
explicitamente, um novo conceito de cidadania, bem como nova pauta de direitos e deveres a
ela associados, deverão vir embutidos nessas alterações”
Fica claro que, para o autor, o cerne da questão da desigualdade do sistema brasileiro
reside no seu caráter contributivo. O que, na Europa, pôde transformar-se em uma "propriedade
social".

2.2 A CAMINHO DA DEMOCRACIA E AS ESTRATÉGIAS DA NOVA REPÚBLICA

No Brasil, a expressão Seguridade Social na Nova República (1985 a 1989) foi inserida
e defendida nas discussões políticas com base na igualdade social.
A criação e implantação das novas políticas públicas no Sistema de Seguridade
composto pelas áreas da Previdência, Saúde e Assistência Social ocorreram no período de
transição do regime militar para o sistema democrático.
A fase de transição democrática teve acordos e pactos políticos para que a elite política
permanecesse no poder. Com a concentração da riqueza provocada pelo modelo econômico do
sistema capitalista, somente a elite burguesa do empresariado e a classe média foram
contempladas, deixando a margem da miséria a grande maioria da população brasileira. Nesta
fase de acirrada crise social e econômica o Governo começou a pensar nos princípios do sistema
de seguridade social, institucionalizado na Constituição de 1988 “O Plano de emergência contra
miséria e reformulação do Sistema de Proteção Social”.
A área social passou a ser o foco e o maior desafio criar ações de enfrentamento a
pobreza e injustiças sociais, assim grupos de pesquisadores, técnicos, membros do governo,
especialistas e representantes de usuários de políticas públicas se reuniram para discutir e
propor soluções nas políticas sociais com o diagnóstico foi montado um plano de reformas,
combate à pobreza e crescimento econômico, o I Plano Nacional de Desenvolvimento da Nova
República, o PND em 1985, tendo como guia dos princípios políticos, a reforma da gestão
administrativa, a descentralização das ações, seletividade dos benefícios previdenciários,
universalização da saúde, descentralização da gestão das políticas públicas sociais e integração
de programas sociais. O grupo de Trabalho de reestruturação da Previdência Social (GT/MPAS)
foi importante para analisar e formular propostas, foi criado com vários especialistas em
previdência social de vários ministérios, do presidente e instituições representativas de
trabalhadores rurais e urbanos, empregadores e aposentados e pensionistas, para pesquisar
debater e deliberar propostas de reestruturação e bases de financiamento da providência social
de forma democrática e com propostas técnicas. No GT foi colada em pauta analise de que a
questão da Previdência está atrelada ligada a área da seguro social, assistência social e
assistência médica, e a preocupação sobre o financiamento e custeio dos benefícios da
previdência social. O caminho para os técnicos reformadores da proteção e da seguridade social
brasileira foi aquecido por debates para enfrentamento da pobreza, indicando a universalização
e equidade implicando reestruturação. No espaço democrático de construção do novo plano de
seguridade social, houve conflitos de propostas do GT/MPAS e outros grupos de trabalho de
variadas forças sociais que articularam-se em volta de parlamentares e partidos políticos e seus
diversos interesses tanto coletivos quanto corporativos. Clientelistas, destes debates
democráticos nasceu a seguridade social no Brasil e posteriormente aprovada na Constituição
Federal/88.

2.3 OS DEBATES E OS EMBATES POLÍTICOS NO PROCESSO LEGISLATIVO DE


CRIAÇÃO DA SEGURIDADE SOCIAL ASSEMBLEIA CONSTITUINTE

Apesar de grandes divergências e conflitos a tendência de demandas populares era criar,


aprovar e executar um sistema amplo se proteção tendo como princípio a proteção social, a
saúde e a prevenção de doenças através dos tratamentos, também assistência social e a
previdência social integrados para garantia de pessoas excluídas do trabalho, em função de
necessidade ou deficiência, criando uma rede de proteção.
A construção da Constituição Cidadã foi organizada pela Assembleia Constituinte, por
diversas comissões e subcomissões que elaboraram capítulos títulos artigos dispositivos, a
sociedade participou de com representantes de diversas organizações, tais projetos foram
debatidos analisados e enviados ao plenário da Assembleia Constituinte, e votado e aprovado
1988.
As propostas relativas à previdência no Sistema de Seguridade Social foi defendido por
poucos membros de governo e instituições civis os assuntos em geral foram sobre deliberações
da organização das relações de trabalho, direito previdenciário, salário mínimo, jornada de
trabalho, condições de trabalho, estabilidade no emprego e direito de greve, manutenção da
aposentadoria por tempo de trabalho sem limite de idade e a universalidade dos benefícios
sociais.
Nas primeiras audiências na Subcomissão de Saúde Seguridade e Meio Ambiente foram
feitos pronunciamentos favoráveis de separar a saúde previdência e assistência social e
conforme as deliberações da Conferência Nacional de Saúde e o GT/MPAS,

solicitaram que o sistema de saúde fosse descentralizado de saúde, separado da


previdência financiado totalmente pelo estado e distinção orçamentária anual entre 8% a 10%
do PIB, também impôs separação financeira e institucional entre assistência e previdência,
sendo um sistema único de benefícios da seguridade social para todas as pessoas da cidade ou
do campo, com emprego ou sem relação de contrato de trabalho, um atendimento com cobertura
universal e financiado por contribuições do Estado, do trabalhador, e dos empregadores, no
faturamento e no lucro das empresas, sistema tripartite entre Governo, trabalhadores e
empregadores.

2.4 APROVAÇÃO DA LEI ORGÂNICA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL

Em setembro de 1990 o presidente Fernando Collor de Melo vetou o projeto de Lei


Orgânica da Assistência Social. Apesar da lei ter sido vetada e o presidente descumprir a lei ao
não elaborar um novo projeto de lei em substituição, nenhuma manifestação por parte da
população foi feita, pois antigamente não havia grupos organizados a favor da regulamentação
da política assistencial. Como os dirigentes das instituições sociais tinham interesse neste jogo
político por causa das práticas clientelistas, os parlamentares só voltaram a analisar o projeto
de lei após a destituição do até então presidente Fernando Collor. Foi com o Conselho Federal
de Serviço Social (CFSS), aliado aos Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) que
mobilizou a categoria profissional e outros sujeitos sociais a se engajar profundamente no
debate e elaborar um novo projeto de lei.
Esse novo projeto elaborado pela Comissão Nacional de Assistentes Sociais era mais
completo e preciso que aquele criado pela Unb/Ipea, mas não contrariava em nada, o projeto
manteve os três benefícios de prestação continuada para criança, idosos e pessoas com
deficiência, mas inovou quanto aos programas, projetos e serviços de assistência social.
Itamar Franco assumiu a presidência em outubro de 1992, após o impeachment de
Collor, ele assumiu o poder tentando fazer diferente que o governo anterior e retomou o projeto
de regulamentação da assistência social. Os debates sobre a nova lei foi conflituosa, pois o
MBES não queria mudar nada na lei como sugeria a área econômica do governo, que estava
preocupada apenas pelos seus interesses. Eles insistam que a idade mínima para receber o BPC
seria de 70 anos (ou mais) deficientes que não pudessem viver independentes e famílias que
recebessem menos que ¹/4 do salário mínimo, isso não mexeria em quase nada nos cofres
públicos pois apenas cerca de 400 mil cidadãos brasileiros se encaixavam nos requisitos para
receberem o benefício.
No entanto o pessoal da esquerda não aceitava tal condição e criou cerca de 100 emendas
dentre elas 90 eram do PT. Essas emendas visavam modificar os critérios de acesso aos
benefícios de modo a estender quatro aspectos que haviam sido suprimidos ou reduzidos na
negociação com a equipe econômica do governo: ampliar a renda per-capita; diminuir o limite
de idade para os idosos; reintroduzir os benefícios para as crianças; e encurtar o prazo para a
entrada da lei em vigor. O governo não aceitou nenhuma dessas emendas e ainda ameaçou vetar
o projeto caso continuassem insistindo em mudar o que foi proposto pela área econômica do
governo.
A relatora designada pela Comissão de Seguridade Social e Família, deputada Fátima
Palaes, criou o “projeto de conciliação”, pois se submetia as restrições do governo, mas também
incorporava algumas sugestões dos parlamentares. Ela mesma propôs emendas que não
mudavam o projeto, porém trazia a possibilidade de atenuar, a longo prazo, seus aspectos mais
restritivos. Ela manteve a garantia do BPC para idosos com idade mínima de 70 anos, mas a
idade reduzia para 67 anos após 24 meses e para 65 anos após 48 meses. Os deputados
integrantes da Comissão de Seguridade Social e Família decidiram que era melhor aprovar um
projeto um projeto de lei certo que seria sancionado pelo presidente da república e garantir a
regulamentação da política de assistência social do que correr o risco do projeto ser vetado por
insistência de inserir modificações no mesmo.
Após muitas resistências, inclusive da igreja católica o MBES e a assessoria de assuntos
sociais da presidência da república se reuniram com os dirigentes dos ministros da previdência
e do planejamento para argumentar que o BPC só atingiria pessoas incapazes de exercer
atividade produtiva, e por tanto não fragilizaria o sistema previdenciário e mostraram cálculos
demonstrando que a descentralização proposta provocaria uma redução das despesas federais,
e se reuniram também em Brasília com o presidente da CNBB e explicaram que a lei não definia
o que era entidade assistencial e nem prejudicaria as entidades religiosas. Sendo assim, os
argumentos convenceram a todos e o presidente da república Itamar Franco sancionou a Lei
Orgânica da Assistência Social no dia 7 de dezembro de 1993 (Lei 8.742/1993).

A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de


Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada
através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da
sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas. (art 1º
LOAS)

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Observamos que a previdência desde sua origem direcionou suas políticas para o
trabalhador assalariado, onde quem contribuía dela se beneficiava, por sua vez a assistência se
encaixou como caridade e uma manipulação política com suas práticas clientelistas. Com os
avanços dos direitos sociais hoje essas duas políticas que formam o tripé da seguridade social
tem seus próprios orçamentos, criando uma disparidade entre elas. O LOAS teve muita
dificuldade de ser sancionado pelo governo, pois seus interesses estavam acima das demandas
da população, deixaram claro sua resistência à extensão do Benefício de Prestação Continuada
(BPC) a um número maior de pessoas.
Vimos também sobre o preconceito que essas pessoas beneficiadas por esses programas
sociais sofrem por serem responsabilizadas por sua atual condição, sem saber da historicidade
dessa população em situação de vulnerabilidade social, dotados de senso comum e crendo na
meritocracia mesmo que o nosso país não disponibilize as mesmas condições para toda
população concorrer em igualdade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOSCHETTI, Ivanete. Paradoxos na construção das políticas de previdência e assistência


social no Brasil. Brasília: LetrasLivres 2006
FEDERAL, Senado. Constituição da república federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1998.
LOAS, Capítulo 1 Lei Orgânica da Assistência Social; Definições e Objetivos, 1994.