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CURSO DE TREINAMENTO DE LÍDERES – CTL DIAKONIA E HOSPITALIDADE NA IGREJA

DIAKONIA &

HOSPITALIDADE

NA IGREJA

ESCOLA MINISTERIAL PAZ – EMP

CURSO DE TREINAMENTO DE LÍDERES – CTL

“Maneja bem a palavra da verdade” (I Timóteo 2.15).


ESCOLA MINISTERIAL PAZ – EMP CONHECER O SENHOR E FAZÊ-O CONHECIDO
CURSO DE TREINAMENTO DE LÍDERES – CTL DIAKONIA E HOSPITALIDADE NA IGREJA

SUMÁRIO
2
INTRODUÇÃO 4
CAPÍTULO UM – O ministério do diaconato 5
Definições de diaconato 5
Origem do cargo 6
Padrões para o diácono 7
Importância destes padrões 9
A obra do diácono 10
Designação e período de gestão 11
CAPÍTULO DOIS – O cargo de diaconisa 13
A fundamentação das Escrituras 13
Padrões para a diaconisa 14
Mais sobre o termo diakonia 15
CAPÍTULO TRÊS – Responsabilidade Social 17
A promoção humana 18
Natureza da ação cristã 20
O exemplo diaconal de Jesus 21
CAPÍTULO QUATRO – Os dons espirituais no serviço da diakonia 22
A abrangência do conceito de diakonia 22
A diakonia e a missão da igreja 24
A diakonia e os dons espirituais 24
CAPÍTULO CINCO – O cuidados dos pobres e necessitados 26
O zelo de Deus pelos pobres e necessitados 26
A responsabilidade do crente do NT diante do pobre e necessitado 27
CAPÍTULO SEIS – Ação Social na igreja e na célula 30
O Ministério de Socorro da Igreja da Paz 30
Marcha do Alimento Celebracional 31
Marcha do Alimento na célula 32
Diácono de rede, regional, distrital e setorial 33
Diácono da célula 33
Procedimentos de distribuição e ajuda 34

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Prestação de contas 34
CAPÍTULO SETE – Consolidação e discipulado dos novos crentes 35
O exemplo dos gaditas na obra da consolidação 38
CAPÍTULO OITO – Sobre conselheiros e consolidação 41
Objetivos da consolidação 41
3
Requisitos para ser conselheiro 42
O trabalho do conselheiro 43
Passos entre ganhar e consolidar 45
Como e quando fazer o aconselhamento 46
Modelo de entrevista entre conselheiro e novo convertido 48
Apresentação dos decididos à igreja 49
A consolidação feita na célula 51
CAPÍTULO NOVE – Discipulado dos novos convertidos 53
Duas palavras chave no discipulado 53
Como iniciar a consolidação 55
Acompanhamento individual, pessoal 56
Sugestões práticas para o discipulador 57
CAPÍTULO DEZ – Reuniões do Acolhimento e Consolidação 59
Benefícios de uma consolidação bem feita e do discipulado 60
CAPÍTULO ONZE – Acolhimento na célula 61
Princípios a observar quanto ao acolhimento na célula 66
CAPÍTULO DOZE – Acolhimento nas reuniões públicas da igreja 68
O que é acolher 69
Acolhimento em vários níveis 70
Motivos que trazem pessoas à igreja 71
CAPÍTULO TREZE – A prática da hospitalidade bíblica 74
A hospitalidade bíblica e o seu caráter 75
O coração de uma hospedeira cristã 79
A hospitalidade bíblica e seu lar 81
A hospitalidade bíblica e seus hóspedes 83
O que é a compaixão bíblica 84
As Hospitalitudes 89
CONCLUSÃO 90
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 91

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INTRODUÇÃO
4
Houve um período na história da igreja chamado de monasticismo. Nele, os religiosos
se refugiavam em mosteiros, abadias, conventos, com o intuito de melhor servir a
Deus, dedicar-se inteiramente à santidade e ao ministério. Essas decisões eram
chamadas de reclusão ou vida consagrada.

Ainda hoje é possível alguém viver em reclusão, mesmo que more numa cidade grande
e viva cercado de pessoas. Reclusão no sentido de não envolvimento, de não prestar
atenção aos outros à sua volta, e de não querer servir ou ser servido.

Bíblica e teologicamente a igreja é descrita como a comunidade dos “chamados para


fora” do mundo. Sim, isso num primeiro momento, quando abraçamos a fé e
renascemos em Cristo. A igreja é chamada para separar-se do pecado e viver para
Deus. Contudo, uma vez salvos, somos enviados de volta ao mundo como
mensageiros de uma nova esperança, da salvação em todas as suas dimensões.

O presente estudo fala da diakonia e da hospitalidade, duas funções básicas que


devem estar presentes na igreja, como demonstração da graça, do amor e do cuidado
de Deus para com todos. Por elas aprendemos como o evangelho deve ser
apresentado aos descrentes, como integrar os que crêem de maneira a arraigá-los na
fé e na igreja, assim como levar cada membro compromissado a servir em alguma
função ou ministério do corpo.

A igreja precisa ser uma porta aberta, uma casa que oferece acolhida calorosa aos que
se achegam, dispensando aos visitantes uma atenção individualizada. A intenção é que
cada pessoa que ali chegar passe rapidamente da condição de visitante para o status
de morador permanente.

Assim, vamos em frente com esses estudos profundos e orientadores sobre integração,
acolhida, hospitalidade, consolidação e acompanhamento de novos decididos, tanto na
igreja como na célula. Para tanto, queremos estimular a manifestação de excelência,
criatividade, informalidade, zelo e pessoalidade em todas as reuniões e eventos.

Esperamos que o estudo sirva para fortalecer a compreensão e o desenvolvimento dos


ministérios de diakonia, acolhimento e consolidação na igreja. Que eles não sejam
apenas esmolas assistenciais, uma recepção bonita na porta da igreja para receber
fiéis, ou uma ação enérgica para segurar os peixes na hora de puxar as redes e não
deixá-los escapar. Muito mais que isto, devem ser ações de amor, cuidado e
obediência aos mandamentos de Cristo.

Acreditamos que ao término deste estudo teremos igrejas mais amigáveis e


acolhedoras. Não que não o sejam agora, mas poderão melhorar, sem sombra de
dívida. E cada um, independente da que posição que ocupa, pensará em si e agirá
como diácono, consolidador e acolhedor.

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Capítulo Um

O MINISTÉRIO DO DIACONATO 5

A. DEFINIÇÕES
Há quatro palavras gregas nas Escrituras que nos ajudarão a compreender o cargo do
diácono. Elas são: (διακονέω
διακον ω = diakoneo), (διακονία
διακον α = diakonia), διάκονος
δι κονος =
diakonos) e (διακω
διακω = diako). Vamos estudá-las separadamente.

1. διακονέω
διακον ω = Diakoneo: Esta palavra significa servir, atender ou ministrar. No
Novo Testamento, ela é usada com relação a servir alguém numa mesa (Lucas 22.24
27). Também refere se a servir as pessoas de qualquer forma (Mateus 4.11; 27.55;
Atos 19.22; II Coríntios 8.19). Em geral, ela retrata a ajuda e apoio aos outros (Lucas
8.3; Romanos 15.25).

διακον α = diakonia: Esta palavra significa serviço, ministério, e assistência


2. διακονία
ou socorro. No Novo Testamento, ela é usada com relação a todas as formas de
serviço (Hebreus 1.14; Efésios 4.12). Por exemplo, ela pode se referir à preparação de
uma refeição (Lucas 10.40). Ela é usada com relação ao socorro e à ajuda aos pobres
— aos que estão com necessidades (Atos 11.29; Romanos 15.31). Refere se também
diretamente ao ministério cristão (Romanos 12.7).

3. διάκονος
δι κονος = diakonos: Esta palavra refere se a um servo, garçom, ministro, ou
diácono. No Novo Testamento, ela é usada com relação ao servo de alguém (Mateus
20.26; 23.11; João 12.26). Refere se também a alguém que ajuda, consola, e encoraja
(I Tessalonicenses 3:2). É usada de uma forma especial aos encarregados da igreja
(Filipenses 1.1; I Timóteo 3.8). É interessante observarmos que esta palavra é usada
com relação a diferentes líderes da igreja – inclusive os apóstolos (Efésios 3.7;
Colossenses 1.23).

4. διακω = diako: Esta palavra se refere a um “moço de recados”. Esta palavra


não se encontra no Novo Testamento, mas é a raiz de onde surgem as outras três
palavras. Uma vez mais, é usada com relação a alguém que serve aos outros.

Pelo uso destas palavras nas Escrituras, observamos que estão intimamente
relacionadas. Todas elas retratam o serviço ou ministério aos outros.

Às vezes são usadas sob uma forma geral e sob uma forma não oficial. No tocante a
isto, todos os cristãos deveriam ter a atitude e o coração de um servo. O Senhor Jesus
é o nosso exemplo (Filipenses 2.7).

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No entanto, essas palavras são usadas também de uma forma específica e oficial.
Nestas ocasiões, refere-se a uma classe especial de pessoas chamadas de diáconos
(cooperadores).

Os diáconos (cooperadores) são pessoas que foram aprovadas no serviço cristão na


igreja local. Portanto, receberam certas áreas de autoridade e de responsabilidade.
Muitos estudiosos da Bíblia crêem que este ministério especial de serviço tornou se um
cargo com padrões especiais na igreja. 6

Observe a referência que Paulo faz a este cargo em sua carta aos filipenses:

“De Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo. A todos os cristãos de Filipos. E


aos seus bispos e diáconos” (Filipenses 1.1).

B. A ORIGEM DO CARGO
A seguinte narrativa é proveniente dos registros da Igreja Primitiva. É considerada por
muitos estudiosos como sendo a origem do cargo dos diáconos:

“Mais e mais pessoas estavam se tornando seguidores de Jesus. Nesta


época surgiu um grave problema entre os judeus que falavam grego e os
que não falavam. Os judeus que falavam grego diziam que as suas viúvas
não estavam recebendo a parte delas da comida que estava sendo
distribuída diariamente. Os doze apóstolos convocaram uma reunião geral.
Disseram lhes que não seria correto para eles pararem de ensinar a Palavra
de Deus a fim de servirem as mesas. Os apóstolos pediram-¬lhes que
escolhessem sete homens que fossem respeitados pelo povo. Deveriam ser
homens bons, cheios do Espírito Santo e de sabedoria. Os apóstolos
disseram que colocariam estes homens a cargo desta tarefa. Desta maneira,
poderiam usar o seu tempo para orarem e ensinarem a Palavra de Deus. “As
pessoas ficaram satisfeitas com esta idéia. Um dos homens escolhidos por
eles foi Estêvão — um homem cheio de fé e do Espírito Santo. Também
escolheram a Filipe, Prócoro, Nicanor, Simão, Parmenas, e Nicolau (um
convertido de Antioquia). Aí, então, colocaram esses homens diante dos
apóstolos, os quais oraram e impuseram as suas mãos sobre eles para
abençoá-los” (Atos 6.1-6 simplificado).

Três lições podem ser aprendidas com esta interessante narrativa:

1. Os diáconos foram escolhidos para suprirem uma necessidade


especial que surgiu porque a igreja havia crescido numericamente

Os apóstolos compreenderam que não poderiam satisfazer todas as necessidades


práticas da sua crescente igreja. O chamado deles relacionava-se à oração,
ensinamentos e supervisão geral. Perceberam que precisariam da ajuda e do serviço
de outros homens consagrados a Deus. Caso contrário, não conseguiriam cumprir o
ministério especial de liderança para o qual Deus lhes havia chamado.

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Foi bom que não temessem outorgar aos outros a autoridade e responsabilidade –
governo e dever – para servirem em áreas especiais de necessidades. Necessitavam
de fato do ministério dos diáconos, e com alegria deram-lhes o direito de servirem em
seu nome.

2. A origem do ministério do diácono envolveu tanto a liderança 7


quanto o povo
O povo trouxe a sua necessidade aos apóstolos. Os apóstolos viram estas
necessidades e a resposta de Deus para elas. Aí então pediram ao povo que
ajudassem na solução do problema. O povo teve direito de opinar na questão da
escolha de quem os serviria. Os apóstolos estabeleceram os padrões para o ministério,
mas o povo fez a escolha reconhecendo aqueles que de fato eram ministros. A
aprovação final veio dos próprios apóstolos. Os resultados trouxeram grandes bênçãos
a todos — aos apóstolos, aos novos diáconos, e ao povo!

3. Igrejas subsequentes aparentemente seguiram o padrão da Igreja


Primitiva de Jerusalém
Já vimos que a Igreja de Filipos tinha diáconos (Filipenses 1.1). O mesmo se aplica a
Éfeso. Observamos isto pela carta de Paulo a Timóteo. Enquanto Timóteo estava
servindo no ministério em Éfeso, Paulo Ihe escreveu com relação aos cargos de
presbítero, e também de diácono (I Timóteo 3.1,8).

C. PADRÕES PARA O DIÁCONO


Deus considera muito o Seu povo. Portanto, Ele tem elevados padrões para o que Ele
chama ao serviço em Sua Igreja. Vocês se lembram que certos padrões ou qualidades
eram exigidos dos diáconos na Igreja Primitiva de Jerusalém. Eles deviam ser homens
“de bom caráter, cheios do Espírito Santo e sabedoria” (Atos 6.3).

O Apóstolo Paulo tinha muita experiência – e revelação espiritual – com relação à


estrutura e função da igreja local. Seria sábio de nossa parte estudar os padrões que
ele descreveu para o cargo do diácono:

“Semelhantemente aos presbitérios, os diáconos precisam ser homens


dignos de respeito. Não devem ter língua dobre – que dizem coisas
diferentes a pessoas diferentes. Não podem ser muito dados ao vinho. Não
podem ser enganadores, nem cobiçosos. Precisam ser fiéis à fé e viver
retamente. Suas vidas deveriam ser testadas e aprovadas primeiramente.
Caso seja constatado que não têm nenhuma falha, então poderão servir na
qualidade de diáconos. A mesma coisa deveria ser aplicada com relação às
suas esposas – e para todas as mulheres que desejarem o cargo de
diaconisa. Não deveriam ser dadas a maledicências, porém deveriam ser
fiéis e ter autocontrole em todas as coisas. Os diáconos precisam ter apenas
uma esposa e precisam ser bons líderes em seus lares — governar seus
filhos e famílias bem. Os que saírem bem na qualidade de diácono ganham

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um lugar de honra para si próprios. Eles podem falar correta e ousadamente


sobre a sua fé em Cristo Jesus” (I Timóteo 3.8-13 – simplificado).

Todos estes padrões podem ser citados em três subtítulos: padrões morais,
familiares, e espirituais.

8
1. PADRÕES MORAIS

 Sem língua dobre (I Timóteo 3.8)


Isto se refere a alguém que diz uma coisa a uma pessoa, porém diz algo diferente a
outras. Também poderia se referir a alguém que não fala realmente a sério. O diácono
precisa ser honesto com todos e falar clara e francamente.

 Não dado a muito vinho (I Timóteo 3.8)


O diácono precisa estar sempre no controle de si próprio. A pessoa que bebe perde
este controle, tornando se um fraco modelo ou padrão a ser seguido pelos outros.

 Sem ganância (I Timóteo 3.8)


O diácono precisa ser honesto e irrepreensível em todas as suas atividades monetárias
e de negócios. Ele precisa pagar as suas contas e ser bem justo e razoável para com
as pessoas com as quais trabalha. Isto se aplica nos casos em que ele contratar outros
para trabalhar para si, ou nos casos em que estiver trabalhando contratado por outros.
Isto significa um trabalho diário honesto como também um pagamento diário honesto.

 Irrepreensível (I Timóteo 3.10)


O diácono precisa ter um elevado caráter moral em todos os aspectos de sua vida. Ele
precisa ter um estilo de vida consagrado a Deus e ser um cristão exemplar para que os
outros possam segui-lo.

 Aprovado e testado (I Timóteo 3.10)


O diácono precisa já ter alcançado os padrões estabelecidos para o seu cargo. Estas
qualidades precisam ser vistas e aprovadas em sua vida. Não são padrões que ele
espera algum dia alcançar, e sim características atuais do seu crescimento e
maturidade no Senhor.

2. PADRÕES FAMILIARES

 Marido de uma só esposa (I Timóteo 3.12)

O diácono precisa ser um marido exemplar. Ele precisa ser fiel aos seus votos
matrimoniais. A sua vida precisa ser irrepreensível e inquestionável em seu serviço ao
povo de Deus. Os líderes que quebram as leis morais de Deus prejudicam muito a si
próprios, aos outros, e à Igreja.

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 Governar bem a sua própria casa (I Timóteo 3.12)

O diácono precisa ser não somente um marido exemplar, mas também um pai fiel. Ele
deveria servir a sua família com amor, sabedoria, e com uma autoridade bondosa. Em
certo sentido, ele deveria saber como ser um “diácono” em seu próprio lar, antes de
tentar servir na família de Deus.
9

3. PADRÕES ESPIRITUAIS

 Cheio do Espírito Santo (Atos 6.3)


Todos os ministérios da família de Deus requerem o Espírito Santo de Deus. Até
mesmo os serviços práticos requerem poder espiritual. Somente o Espírito de Deus
pode unir as nossas capacidades naturais com os Seus dons e graças espirituais.
Ambos são necessários — e ambos foram dados — para que cada um dos Seus
servos pudesse ser totalmente equipado. Não conseguimos fazer nada de valor
espiritual independentemente do Espírito Santo de Deus.

 Cheio de sabedoria (Atos 6.3)


Os serviços práticos necessitam não somente do poder de Deus, como também da
sabedoria de Deus. O ministério do diácono requer não somente muito conhecimento,
mas também sabedoria para usá-lo bem. Deus tem um propósito para a Sua Igreja
como um todo — e para cada indivíduo da Igreja. Nas ocasiões em que as emoções se
excedem, precisamos da sabedoria de Deus para mantermos um equilíbrio saudável
entre estes dois aspectos.

 Digno de respeito (I Timóteo 3.8)


Os diáconos devem portar se com a dignidade merecedora do seu chamado. A sua
obra e o seu serviço deveriam estar de acordo com o santo propósito de Deus para o
Seu povo. Desta forma, ganharão o respeito daqueles que servem.

 Fiel à fé (I Timóteo 3.9)


Os diáconos precisam conhecer a santa vontade e o propósito de Deus para a Igreja.
Precisam viver vidas retas de acordo com a sua santa fé. O que dizem e fazem
precisam de fato ser coerente com o que crêem. Precisam saber que estão certos com
Deus e com os seus semelhantes.

D. IMPORTÂNCIA DESTES PADRÕES

Estes padrões nos mostram a importância que Deus dá a todas as formas de serviço
na Casa do Senhor. No Antigo Testamento, somente os que se separavam para Deus
poderiam carregar os vasos santos do Senhor (Isaías 52.11; I Crônicas 15.12). Estes

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mesmos padrões elevados para o serviço são também claramente vistos no Novo
Testamento.

Como veremos adiante, os padrões para o diácono são bem semelhantes aos do
presbítero. Há uma diferença, no entanto, em seus papéis. Nada foi falado sobre os
diáconos ensinando ou governando na Casa de Deus (Compare I Timóteo 3.2,5 –
presbitérios – com o versículo 12 – diáconos).
10

Fica claro que os diáconos não são as autoridades principais na


Casa de Deus. Tampouco são mestres que ministram a Palavra.
O ministério principal deles é o de servir aos outros.

Deste fundamento de serviço, no entanto, outros ministérios podem desenvolver-se.


Estêvão e Filipe são bons exemplos da Igreja de Jerusalém (Compare Atos 6.5 com
Atos 6.8-10; 8.5-8). Começaram como diáconos, e por terem sido fiéis nessa função,
Deus os usou num padrão infinitamente mais alto.

E. A OBRA DO DIÁCONO
Com base nas Escrituras, é óbvio que o chamado principal dos diáconos é o do serviço
prático. “Desta forma, os presbíteros são liberados para o seu trabalho de
supervisão espiritual”.

 Os diáconos receberam a responsabilidade da supervisão prática (Atos 6.3).

 Em sua carta à Igreja de Filipos, Paulo cumprimenta tanto os presbíteros


(bispos) quanto os diáconos (Filipenses 1.1). Esta é a única carta em que os
diáconos são incluídos na saudação.

 O propósito da carta talvez explique o motivo. A Igreja dos Filipenses havia


enviado a Paulo uma oferta de amor enquanto ele se encontrava na prisão em
Roma. Paulo respondeu com uma carta agradecendo-lhes pela oferta e os
encorajando no Senhor.

 Se Atos 6 servir como modelo, é provável que os presbíteros tenham tido a idéia
de uma oferta – e os diáconos colocaram-na em prática. Foram eles que
organizaram a coleta e se certificaram de que fosse adequadamente entregue.

 A única outra passagem bíblica que se refere aos diáconos é a que estudamos
acima – I Timóteo 3.8-13. Nenhuma “função” para o cargo do diácono é dada
nesta passagem. No entanto, todos os padrões estabelecidos são bem
adequados para o serviço prático.

 Certamente há muitos serviços práticos que são necessários na Casa do


Senhor. Quando uma igreja é pequena, o pastor ou pastores geralmente fazem
o trabalho todo. Na medida em que a igreja cresce, no entanto, isto não é mais
possível.

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 A esta altura, o pastor e os outros presbíteros deveriam ser liberados para o


objetivo da oração, pregação, e supervisão espiritual.

F. A DESIGNAÇÃO E PERÍODO DE GESTÃO


11
A Bíblia não nos diz nada diretamente sobre a extensão ou período de gestão.
Aparentemente serviam por tanto tempo quanto necessário – e enquanto cumprissem
os padrões para o cargo.

Como foi dito acima, alguns dos primeiros diáconos passaram a outros tipos de
ministério. Muitos podem ter se tornado presbíteros mais tarde. Um bom fundamento e
cuidado para com os outros seria um importante treinamento para posições de maior
responsabilidade.

G. A HONRA E GALARDÃO PARA OS DIÁCONOS

“Os que servem bem na qualidade de diácono ganham um lugar de honra para si
próprios”. Eles podem falar correta e ousadamente sobre a sua fé em Cristo Jesus (I
Timóteo 3.13, simplificado).

Paulo nos diz que para aqueles que servirem bem haverá uma grande honra e
galardões. Há um significado muito grande envolto na pequena frase: “Os que
servirem bem”. Ela somente pode se referir aos que foram fiéis, sensíveis,
responsivos, dedicados, responsáveis, e confiáveis.

Estêvão e Felipe foram pessoas assim. Estavam dispostos a irem além do chamado do
dever e aproveitavam todas as oportunidades possíveis para ministrarem o amor de
Deus em ocasiões de necessidades práticas e naturais. Tudo o que faziam para os
outros era como se fosse para o Senhor.

A “honra” que um diácono recebe certamente vem do povo a quem serve. Também
poderia se referir aos galardões — tanto celestiais quanto terrenos — das mãos de
Deus. Um galardão terreno poderia ser em termos de um ministério maior e com
maiores responsabilidades.

O grego neste versículo inclui a idéia de um “degrau” uma posição para se seguir
adiante. Poderia significar que o cargo do diácono poderia muito bem preparar a
pessoa para a posição de presbítero.

Muitos líderes das Escrituras começaram os seus ministérios no papel de servos. No


Antigo Testamento pensamos em Josué servindo a Moisés, e em Eliseu, servindo a
Elias. Ambos se moveram em seus próprios e poderosos ministérios, posteriormente.

No Novo Testamento, lembramo-nos de Timóteo que servia a Paulo (Atos 19.22), e


João Marcos que serviam tanto a Paulo quanto a Barnabé (Atos 13.5). Já
mencionamos Felipe, o qual iniciou o seu ministério na qualidade de diácono ao lado
de Estêvão (Atos 6.5).

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A segunda coisa que Paulo diz é que os que servem bem recebem uma grande
ousadia na fé. Um bom exemplo disto é Estêvão. Na qualidade de diácono ele teve
muitas oportunidades de compartilhar a sua fé e de orar com aqueles que estavam
necessitados.

Deus respondeu às suas orações e correspondeu à sua fidelidade dando-lhe um


poderoso ministério de sinais e milagres (Atos 6.8). Ele se tornou uma corajosa
testemunha para Cristo e teve a honra de ser o primeiro cristão a morrer pela sua fé. 12
Além disso, sem Estêvão, talvez nunca tivesse havido um apóstolo Paulo.

Todo líder precisa iniciar o seu ministério com o


coração e as atitudes de um servo!

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Capítulo Dois
13

O CARGO DE DIACONISA
“Semelhantemente, as mulheres devem ser dignas de respeito. Não podem ser
dadas à maledicência, porém devem ter controle próprio e devem ser fiéis em
todas as coisas” (I Timóteo 3.11).

A palavra referente a “mulheres” na passagem acima pode também ser traduzida como
“esposas”. A escolha entre as duas depende do sentido da passagem. Há várias
razões para crermos que este termo se refira a mulheres neste versículo:

1. Não há nenhum pronome possessivo (deles) nem artigo (as) no


texto em grego
Portanto, não há nenhuma razão com base na gramática grega para se associá-las aos
diáconos na qualidade de suas esposas.

2. O termo “semelhantemente” é o mesmo usado no versículo oito


Neste versículo, ele é usado para se separar os diáconos dos presbíteros, como uma
classe diferente (Veja também I Timóteo 2.9, Tito 3.6). Aparentemente, portanto, as
mulheres citadas aqui (I Timóteo 3.11) formam uma nova classe de servas. Esta nova
classe de servas seria a das “diaconisas”.

3. Nenhum padrão é dado para a esposa do presbítero


Parece improvável que Paulo desse esses padrões aos diáconos e não aos
presbíteros. Portanto, o termo “mulheres” provavelmente não se refere às esposas, e
sim a uma classe diferente de servas — as diaconisas.

A. FUNDAMENTAÇÃO DAS ESCRITURAS


Uma fundamentação adicional para o cargo da diaconisa vem de outras passagens
bíblicas. Várias mulheres são vistas com uma função de serviço cristão no início da
Igreja no Novo Testamento. Na maioria dos casos, a palavra grega “diakoneo” é usada
de alguma forma. Observe o seguinte:

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1. Febe (Romanos 10.1,2)

“Apresento-lhes a nossa irmã Febe. Ela é uma serva (diaconisa) da Igreja de


Cencréia. Recebam-na com calorosas boas vindas. Ajudem-na com qualquer
necessidade que tiver, pois ela tem sido de ajuda para comigo e para com muitos
outros também” (simplificado).
14
Febe é uma mulher, uma serva (diákonos) e alguém que ajuda outras pessoas. Paulo
recomenda o seu fiel ministério de serviço aos outros. Verdadeiramente, esta é uma
ilustração perfeita de uma “diaconisa”.

2. As mulheres que ministravam (Lucas 8.1-3)


“Depois disto, Jesus foi com os Seus discípulos de cidade em cidade, pregando
as boas novas do Reino. Várias mulheres que haviam sido curadas e libertas de
demônios foram com eles... Estas mulheres ministravam (diakoneo) a eles
usando os seus próprios recursos pessoais” (simplificado).

De vez em quando, havia um grupo de mulheres agradecidas e fiéis que viajavam com
Jesus e os discípulos. Elas serviam ao Senhor de uma maneira prática e material.
Poderiam ser consideradas como as primeiras diaconisas do ministério cristão.

3. Dorcas (Atos 9.36-40)


“Na cidade de Jope havia uma crente chamada Dorcas. Ela era uma mulher que
sempre fazia boas obras e gentilezas aos outros... No entanto, ficou enferma e
morreu... Todas as viúvas estavam chorando enquanto mostravam a Pedro as
túnicas e vestidos que Dorcas havia feito para elas” (simplificado).

Dorcas era uma mulher que fielmente servia às necessidades dos pobres. Ela não era
oficialmente chamada de “diaconisa”, mas certamente fazia a obra de uma diaconisa.

B. PADRÕES PARA A DIACONISA


Os mesmos padrões para o diácono aplicam-se à diaconisa. Além destes, Paulo dá
uma atenção especial aos seguintes padrões em I Timóteo 3.11:

1. Ela precisa ser digna de respeito


A diaconisa precisa reverenciar e honrar a Deus em tudo o que fizer. Ela cumpre o seu
chamado com dignidade e ganha o respeito daqueles a quem serve, pelo seu exemplo,
sua dedicação a Deus e às pessoas, e sobretudo pela disponibilidade a toda prova.

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2. Não pode ser dada a maledicências

A diaconisa não pode ser uma pessoa que faz críticas, julgamentos, e que procura
falhas nos outros. Não pode ser dada a mexericos ou a falar por trás dos outros. A
fofoca é um dos piores pecados que pode ser cometido por homens ou mulheres, mas
quando é alguém em posição de liderança (serviço!), a coisa é ainda mais grave.
15
3. Ela precisa ter auto-controle
A diaconisa é uma mulher que não é dominada por suas emoções. Não toma decisões
precipitadas ou irrefletidas, mas é correta em suas opiniões. O fruto do Espírito Santo,
presente na vida da diaconisa, fará toda a diferença, e dará não só essa, mas todas as
outras facetas do fruto do Espírito Santo presente em Gálatas 5.22,23.

4. Ela precisa ser fiel em todas as coisas


A diaconisa é confiável e responsável em seu serviço para com os outros. É cuidadosa
e minuciosa em sua obra para o Senhor. Podemos ter a confiança que ela cumprirá
todas as tarefas que assumir.

Deus derramou o Seu Espírito sobre as Suas servas para um ministério espiritual e um
serviço prático. Há muitas necessidades na obra e no ministério da Igreja que podem
ser mais bem cumpridas pelas mulheres. Em muitas áreas de serviço elas têm um
lugar especial ao lado dos seus irmãos em Cristo.

C. MAIS SOBRE O TERMO DIAKONIA


Não dá para negar que no Novo Testamento “diaconia”, na maioria das vezes,
significa “servir à mesa”. Denota, não um servir sob obediência, mas um servir como
relação com o semelhante. Trata-se duma ação que pressupõe um “tu”. Em outras
palavras, ao servir “eu” me coloco como uma espécie de servo, estando à disposição
do outro, do “tu”.

Este serviço diaconal deve ser prestado primeiramente a Deus, e porque o fazemos
para Deus, fazemo-lo também ao homem, ao próximo feito à imagem e semelhança do
Criador. Como disse o próprio Jesus: “Em verdade vos afirmo que sempre que o
fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mateus 25.40).

É importante notarmos que no mundo grego “diáconos”, palavra usada no Novo


Testamento para identificar a pessoa que serve, indicava também uma pessoa
enviada pelo rei (ou senhor) para intermediar eventuais brigas ou desentendimentos
de diferentes naturezas.

“Diáconos” era o enviado e o mediador do rei na realização da sua obra e na defesa


de seus interesses. Era alguém que executava uma ação em nome de alguém que o
enviou. Logo, ser “diáconos” significava, prioritariamente, usufruir do privilégio

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de ser enviado, o embaixador do rei ou do senhor e, ao mesmo tempo, executar


seu poder e sua autoridade. Portanto, cargo de liderança e honra.

Sensível a estes detalhes, servir, no Novo Testamento, passa a ter muito mais a ver
com “envio”, “poder”, “autoridade” do Servo Jesus Cristo que com qualquer humilhação
ou levantar de pó que possamos imaginar. Diácono lembra mais um enviado do
Senhor Jesus que está ávido e feliz por usufruir o privilégio de ser um realizador do
poder e da autoridade deste Senhor, porque, no batismo, foi chamado para tal. Quer 16
dizer, ação cristã não é simples ação nossa, mas realização do poder de Deus através
de nós e da nossa ação. Poder este que a tudo criou e mantém.

Qualquer igreja que crê e confessa a justificação do pecador nos moldes da Teologia
da Cruz não poderá negligenciar esta dimensão da honra e do privilégio no servir,
sob pena de ela mesma transformar-se num peso a mais sob o ombro dos seus
fiéis, pois procurará estimular com a força da lei, negligenciando a graça da justiça sob
a cruz.

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Capítulo Três
17

RESPONSABILIDADE SOCIAL
Dom Helder Câmara, famoso arcebispo de Olinda e Recife, que se posicionou contra a
pobreza e a opressão nas décadas de 70 e 80, em pleno Regime Militar, disse o
seguinte: “Quando dou esmolas aos pobres, sou chamado de santo; se questione
por que são pobres, sou chamado de comunista”.

Essa afirmação mostra que o mundo espera da Igreja (e a própria igreja muitas igrejas
espera de si mesmo) uma caridade passiva, religiosa, descomprometida com as reais
causas da pobreza, das doenças, da fome, das misérias que assolam o povo nas
grandes e pequenas cidades do Brasil e da América Latina.

Observamos que, em geral, há uma preocupação de como se começar um projeto


social de assistência. Isto é nobre e um passo louvável, mas não é isso apenas que
deve ser chamado de responsabilidade social da igreja.

Em alguns lugares já virou até moda os famosos “sopãos” de final de semana,


distribuição de cestas básicas, cortes de cabelo, palestras de higiene nas comunidades
periféricas, tudo regado a muito louvor e pregação. São os mutirões de assistência
social. Só que isso acontece de forma esporádica, descontinuada, e os efeitos na
comunidade são mínimos.

Tentaremos explicar claramente até aonde vai a tarefa da igreja em sua missão social.
O pastor Hélcio da Silva Lessa, em seu livro Ação Social Cristã, dividiu a
responsabilidade social em três categorias:

 Assistência Social
 Serviço Social e
 Ação Social

1. Assistência Social
No tempo da escravatura alguns cristãos sensibilizados com os que eram castigados e
surrados no pelourinho, resolviam ajudá-los com água, comida ou atando suas feridas.
Esta atitude nobre, que no entanto não tocava nas causas da escravatura, tipifica o que
poderíamos chamar de Assistência Social.

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2. Serviço Social
Outros cristãos, com visão mais aberta resolviam, além da assistência, assegurar a
liberdade de alguns escravos, através da compra destes e criação de oportunidade de
trabalho para que eles criassem seus mecanismos de sobrevivência. Esta atitude,
mesmo que admirável não acabava com a instituição da comercialização dos escravos.
A isto podemos chamar de Serviço Social.
18

3. Ação Social
Outros, além de dar comida e curar as feridas, quando necessário, e além de até
comprar alguns deles para libertá-los, lançaram-se também na luta contra a instituição
da escravatura para que não encontrassem escravos pendurados no pelourinho nem
tivessem que comprar a liberdade deles. Acabar radicalmente com a escravatura era
mais viável, pois assim estariam destruindo este mal pela raiz. A luta por esta
conquista dever ser caracterizada como uma Ação Social.

Na consulta sobre a relação entre evangelização e responsabilidade social, realizada


em Grand Rapids, Michigan, em junho de 1982, sob a presidência de John Stott, a
comissão de estudos dividiu a responsabilidade social em duas categorias: Serviço
Social e Ação Social, as quais refletem o mesmo raciocínio apresentado acima:

SERVIÇO SOCIAL AÇÃO SOCIAL

 Socorrer o ser humano em suas  Eliminar as causas das


necessidades necessidades.

 Atividades Filantrópicas  Atividades políticas e


econômicas

 Procurar ensinar indivíduos e  Procurar transformar as


famílias. estruturas da sociedade.

 Obras de Caridade  A Busca da Justiça

A. PROMOÇÃO HUMANA
A Promoção Humana pode ser dividida em quatro categorias:

1. Promoção Humana Pela Assistência

“Na assistência, o pobre-indigente recebe o peixe de ajuda material do agente


compadecido. Enquanto dar o peixe irradia caridade, gera também assistencialismo
no agente, dependência desumanizante no pobre e inércia na sociedade”.

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2. Promoção Humana Pelo Ensino

“No ensino, o pobre-atrasado recebe do agente colaborador, a informação/formação.


Enquanto ensinar a pescar oferece instrumentos de acesso regulado aos bens da
sociedade, promove também paternalismo no agente, individualismo competitivo no
pobre e endurecimento estrutural na sociedade excludente”.
19
3. Promoção Humana Pela Participação

“Na participação, o pobre-marginalizado conquista seu espaço pela reivindicação e


solidariedade, com o acompanhamento do agente colaborador. Enquanto pescar em
mutirão e vender o peixe em cooperativas suscita compromisso do pobre com o pobre,
também estaciona no reformismo por parte dos agentes e na acomodação com
melhorias conquistadas pelos pobres deixando intactas as estruturas de exploração”.

4. Promoção Humana Pela Transformação

“Na transformação, o pobre-oprimido se liberta da opressão (por conseguinte liberta


seu opressor) assumindo seu direito de ser sujeito da sociedade pela intervenção
transformativa nas estruturas injustas com o engajamento do agente criativo...”.

Essas tendências não devem ser consideradas como estanques. Na verdade,


indivíduos ou projetos assistencialistas, mudam enquanto caminham. Até pode ser
verdade que as pessoas envolvidas com obras mais educativas, um dia agiram
assumindo posturas assistencialistas ou paternalistas. Por sinal, em verdade, na
filantropia ou assistencialismo os recursos pelo menos chegam mais nas mãos dos
pobres do que nos chamados projetos “educativos”, que muitas vezes funcionam
também como máquina de emprego para técnicos que utilizam o sofrimento dos pobres
em beneficio pessoal ou institucional.

Seja qual for a tendência de promoção humana, precisamos avaliar criteriosamente


nossas atividades sociais e políticas. A pergunta chave é: Quem promove quem pela
filantropia, ensino, evangelização? Quem se beneficia com a missão realizada?

O trabalho social é dinâmico, criativo, requerendo permanente avaliação criteriosa e


confiável. Diante de calamidades de difícil controle, fome, famílias vivendo no relento,
nossas ações precisam ser justas mesmo que vestidas de assistencialismo e
paternalismo. Não estamos priorizando as tendências, estamos somente sinalizando as
várias formas de atuação, e quando se fazem necessárias.

Portanto, entender a responsabilidade social como uma tarefa que transpõe as


limitações da filantropia e do ensino, não é apenas uma questão de conceituação
técnica, é acima de tudo uma providência, que há de nos ajudar a compreender que
prevenindo as desigualdades sociais pelas ações de justiça, evitaremos que outros
dependam de maneira subserviente de nossa filantropia.

A vocação da igreja é ser a comunidade peregrina dos discípulos e discípulas de Jesus


Cristo. É ser uma nova sociedade habitada por Deus. É a comunidade alternativa que
desfruta, pratica e proclama as boas novas do Reino de Deus. Vive a liberdade de ser
plenamente humana, em adoração a Deus e comunhão com o seu povo, para amar e
servir o mundo amado por Deus. Proclama pela comunicação inteligente e pela forma

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como expressa sua experiência comunitária. Anuncia as boas novas do Reino de Deus
pela prática da misericórdia e luta pela justiça.

B. NATUREZA DA AÇÃO CRISTÃ


É importante estudar a natureza da ação cristã nas comunidades carentes. A ação
20
mais comum das comunidades cristãs tem sido doar alimentos, roupas, remédios,
dinheiro, etc. Esta ação, por um lado, pode transformar- se em algo prazeroso,
estimulador para a fé cristã. Por outro, pode transformar-se num fardo, num peso que
leva a diferentes queixas. As queixas mais comuns decorrentes deste processo
costumam ser:

 “As pessoas não valorizam o que a gente faz”

 “Estas pessoas não querem nada-com-nada”

 “Vendem adiante o que a gente dá”

 “Não tem como trazê-las para a igreja”

 “Não dá para liberar nossos espaços (auditórios, casa ministerial, escola) porque
eles não sabem cuidar”

 “Fazer algo com eles em nossas instalações resultará em despesas porque


vidros serão quebrados, cadeiras e mesas serão estragadas”.

Queixas como as acima costumam ser proporcionais ao processo de limitação da Ação


Cristã ao Assistencialismo. Isto é, quanto mais assistencialismo (satisfazer apenas a
necessidade mais gritante das demandas sociais – não têm comida, dá-se cesta
básica; não têm o que vestir, dão-se roupas e calçados) tanto maior a tendência às
queixas.

Doações todo mundo faz. Estas ações sozinhas não passam de assistência
humanitária. Não precisamos ser cristãos para realizarmos a assistência humanitária.

O fato de sermos cristãos não garante qualidade divina para a nossa ação humanitária.
Realizar uma assistência humanitária é dever de qualquer cidadão em nossa
sociedade. Pelo nosso contrato social (expresso na Constituição e Legislação vigentes
no país) somos responsáveis pela vida e direitos uns dos outros como família, como
sociedade, e como Estado. Também aqui, o fato de sermos cristãos ou não, não faz
diferença porque, tanto cristãos quanto não-cristãos, estão debaixo do mesmo contrato
social. Realizando a assistência humanitária não estamos fazendo nada além de
cumprir um dever social de todo cidadão.

Temos visto pessoas das mais variadas confissões religiosas, tanto cristãs como não
cristãs, realizando atos belíssimos de generosidade e abnegação, de serviço e cuidado
pelo próximo, pelos pobres. A generosidade por si não garante a salvação ou favor de
Deus. Ela deve fazer parte de um “pacote” maior, que inclui todos os valores e
motivações bíblicas sobre os quais o cristianismo se fundamenta.

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Bom, temos que nos fazer algumas perguntas. Tem alguma coisa que diferencia a
assistência humanitária da ação cristã? Ação Cristã é um elemento que compõe a
natureza da Igreja cristã ou uma tarefa que a Igreja pode ou não realizar? Em outras
palavras, é possível ser Igreja cristã mesmo não realizando a ação cristã? Elementos
para sinalizar possíveis respostas podem ser encontrados na diaconia
neotestamentária.
21
C. O EXEMPLO DIACONAL DE JESUS
A afirmação de Jesus, após o lava-pés, “Porque eu vos dei o exemplo, para que,
como eu vos fiz, façais vós também” (João 13.15) sinaliza outro elemento que
compõe a natureza da ação cristã. Exemplo, aqui, vem da palavra grega υπόδειγµα
(Hipodeigma). Hipodeigma é formado por “hipó”, que, com acusativo, significa sob,
debaixo de, e “deigma”, que significa exemplo. Jesus está dizendo: “vos dei o
exemplo que está sobre vocês”. Qual é o exemplo de Cristo? Ir ao encontro, salvar
as pessoas, independente do que elas tenham feito, simplesmente porque Deus as
ama e quer acolhe-las. Quer dizer, Jesus inaugurou uma nova forma de estender a
vida que Deus disponibiliza para suas criaturas: ir ao encontro das pessoas não
baseado no que elas são, no que elas têm ou merecem, mas movido pelo amor
de Deus. Amor este que leva Paulo a afirmar:

Eu poderia falar todas as línguas que são faladas na terra e até no céu, mas, se não
tivesse amor, as minhas palavras seriam como o som de um gongo, ou como o
barulho de um sino. Poderia ter o dom de anunciar mensagens de Deus, ter todo o
conhecimento, entender todos os segredos e ter tanta fé, que até poderia tirar as
montanhas do lugar, mas, se não tivesse amor, eu não seria nada. Poderia dar tudo o
que eu tenho e até mesmo entregar o meu corpo para ser queimado, mas, se eu não
tivesse amor, isso não me adiantaria nada. (...) agora existem três coisas: a fé, a
esperança e o amor. Porém a maior delas é o amor (I Coríntios 13. 1-3,13).

Jesus nos colocou debaixo deste amor, como se fosse um grande guarda-chuva.
Quem está debaixo deste amor “naturalmente” está habilitado para acolher as pessoas
sem olhar para o que elas têm, são ou fazem que as torne dignas ou merecedoras da
nossa ação. “...façais vós também” não é imperativo ético de obrigação, mas um
dever da natureza: sob o meu exemplo, deveis fazer isso”. Não é por nada que neste
mesmo contexto Jesus afirma que ele é a Videira e que os ramos que estão nele
“produzirão muito fruto” (João 15.5).

Assim como é natural que o ramo unido à videira produza fruto, é natural que quem
está sob o exemplo de Cristo naturalmente acolha sem procurar algo que faça as
pessoas merecedoras da sua ação. É mais uma questão de constatação que de
obrigação. Logo, exemplo aqui não é algo para ser imitado ou cumprido, mas é algo
no qual estamos organicamente incluídos.

Assim, o exemplo sob o qual Cristo nos coloca não é uma “moral” a ser seguida ou
obrigação a ser realizada, mas uma “forma” a ser vivenciada. Nisto reside a honra:
somos diáconos de alguém com quem estamos organicamente unidos. Tão unidos que
já agora estamos assentados com Cristo nos lugares celestiais (Efésios 2.6). Ou,
tão unidos que estamos dentro dele: “no batismo... fomos revestidos por Cristo”
(Gálatas 3.27). Organicamente dentro de Cristo, não há outra alternativa a não ser dar
continuidade à obra de Cristo! Não como obrigação moral, mas como graça e privilégio
de alguém que “já agora” está assentado nos lugares celestiais em Cristo!
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Capítulo Quatro
22

OS DONS ESPIRITUAIS NO
SERVIÇO DA DIACONIA
“Servi (diakonoutes) uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como
bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (I Pedro 4.10). O termo original aqui
para servir é o mesmo da raiz usada para diácono.

“A Igreja só é Igreja quando existe para os outros. [...] A Igreja deve


participar das tarefas da vida na coletividade humana, não como quem
governa, mas como quem ajuda e serve. Ela deve dizer aos homens de
todas as profissões o que representa uma vida em Cristo, o que significa
existir para os outros” (Dietrich Bonhoeffer).

Todo o ofício de diácono inicia-se, primeiramente, na vocação do Senhor. A vocação


diaconal é comprovada na escolha da igreja, que elege homens íntegros e cheios do
Espírito Santo. Quando precisaram escolher os diáconos em Atos capítulo 6, critérios
muito altos foram estabelecidos.

Há uma forte ênfase na vida, na caminhada e relacionamento pessoal, íntimo,


diário com o Senhor. O diácono é alguém que anda com Deus e, motivado por
esta intimidade, serve ao Senhor com alegria (Salmo 100.2).

O apóstolo Paulo tem preocupações legítimas em I Timóteo 3.8-13, consoante aos


diáconos: primeiro a vida santa, a integridade pessoal, depois as habilidades. Os dons
se relacionam com habilidades, capacitações para o desenvolvimento de tarefas, mas
isso vem depois da conversão e deve ser considerado em conexão com a vida pessoal
e familiar. A partir deste ponto, e somente depois que tais aspectos são absorvidos e
implementados em nossos corações, é que pensamos nos dons e sua relação com o
serviço diaconal.

A. A ABRANGÊNCIA DO CONCEITO DE DIACONIA


No Antigo Testamento, o verbo hebraico ’abad = trabalhar, usado em Gênesis 2.5 e
2.15 para designar a tarefa destinada ao primeiro casal, de “lavrar” ou “cultivar” o solo
do jardim do Éden, provém de uma miscelânea de raízes semíticas:

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 A antiga raiz aramaica “fazer”, uma raiz árabe que tem o sentido de “adorar”,
“obedecer (a Deus)”, e o seu grau intensivo, com o sentido de “escravizar”,
“reduzir à escravidão”. Esse serviço pode ser dirigido a coisas, a pessoas ou a
Deus.

 O termo aparece 290 vezes no Antigo Testamento e encontra-se em Números


3.7-10, 8.26 e 16.9, referindo-se ao trabalho que os levitas deveriam prestar no
Tabernáculo de Deus. 23

 O conceito de diakonia está ainda ligado a outra palavra, ’ebed = escravo,


usada 799 vezes no Antigo Testamento, referindo-se aos súditos de um rei
(Gênesis 21.25), seus reis-vassalos (II Samuel 10.19), às nações que lhe pagam
tributos (I Crônicas 18.2), os indivíduos que lhe prestam serviços (Gênesis
40.20), seus oficiais (I Samuel 19.1) e embaixadores (Números 22.18). A palavra
é usada para expressar humildade pessoal (Gênesis 33.5; II Reis 8.13),
especialmente, para dirigir-se a Deus, em oração (Êxodo 4.10; Salmo 19.11).

 Em outro sentido, ‘ebed refere-se ao Messias prometido e também à totalidade


do povo de Israel, principalmente no livro de Isaías.

Observa-se que, de modo geral, tais expressões não implicam em desvalorização, mas
em serviço realizado com a devida noção de quem é o soberano (no caso, o próprio
Deus de Israel) e quem é o ser humano (criatura, filho de aliança, aquele que trabalha
para a glória deste Deus).

No Novo Testamento, a idéia de serviço é comunicada, de modo bastante amplo, pelos


verbos diakoneo, ou diakonen, servir, ou ainda diakonia, serviço, distribuição. O
assunto já foi largamente estudado nesta apostila.

No judaísmo do tempo de Jesus, o serviço humilde, como por exemplo servir à mesa,
estava abaixo da dignidade de um homem livre. Jesus Cristo, no entanto, alterou esta
noção ao declarar-se a si mesmo com aquele que “serve” (diakonon – Lucas 22.27).
Todos os discípulos devem, de forma absoluta, agir como diáconos, servos, neste
sentido abrangente (João 13.1-15; Mateus 20.26, 23.11).

O termo diakonos (diácono), é usado por Paulo para referir-se ao ministério de modo
geral, inclusive o ministério da palavra. Segundo o apóstolo, fomos feitos “ministros
(diathekes) de uma nova aliança” (II Coríntios 3.6). Em II Coríntios 11.23, ele usa a
palavra referindo-se aos “ministros (diakonoi) de Cristo”. Em II Coríntios 6.4, ele refere
aos “ministros (diakonoi) de Deus”. Em Colossenses 1.25 ele afirma ser um “ministro
(diakonos)”.

Assim como no Velho Testamento, preserva-se a ligação entre servo e escravo


(doulos), observando-se que, enquanto doulos ressalta quase exclusivamente a
sujeição completa do cristão ao Senhor; diakonos diz respeito ao seu serviço em prol
da igreja, dos seus irmãos e do próximo, em prol da comunhão, quer o serviço se
realize ao servir a mesa, com a palavra, ou de alguma outra maneira.

Todas essas passagens (além de muitas outras) revelam uma verdade espetacular: O
Senhor Jesus foi um diácono. O apóstolo Paulo foi um diácono e um escravo de
Cristo. Todos os crentes devem ser diáconos e servos de Cristo. A diaconia,
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antes de ser considerada como oficialato, deve ser vista como parte integrante
do caráter e da ação do cristão genuíno. Não há vida cristã autêntica, nem
ministério da igreja autêntico, sem o exercício da diaconia.

B. A DIACONIA E A MISSÃO DA IGREJA


24
O segundo aspecto a ser ressaltado é que, de acordo com o que vimos até agora, em
alguns textos do Velho Testamento, o povo de Deus é ’ebed, escravo (Isaías 41.8-10;
Jeremias 30.10; Ezequiel 28.25). No Novo Testamento, a Igreja é designada de povo
de Deus, o “novo Israel” (I Pedro 2.9-10). Ela tem como cabeça o Senhor Jesus Cristo,
que veio “para servir (diakonosai) e dar a sua vida em resgate de muitos” (Marcos
10.45). Os crentes são aperfeiçoados por seus pastores, a fim de se engajarem no
“desempenho do seu (diakonias) serviço” (Efésios 4.11-12).

A Igreja recebeu uma incumbência: “ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28.18-20). O
apóstolo Paulo compreendeu as implicações desta Grande Comissão. Recebemos a
diaconia “do Espírito” e “da justiça” (II Coríntios 3.8-9); fomos incumbidos com a
diaconia “da reconciliação” (II Coríntios 5.18).

Logo, o termo diakonia pode ser usado como termo técnico para a obra de proclamar
o evangelho (Romanos 11.13; II Coríntios 4.1; II Timóteo 4.5). Mais do que isto, a igreja
inteira fica sendo um corpo para o serviço no mundo (Efésios 4.1-16); é composta de
membros, os “servos”, e funciona como preparativo para a volta do Senhor.

Em Atos 6.1-4, a instituição dos sete, que deu origem ao ofício do diaconato, serviu à
proclamação do evangelho, de tal modo que o resultado daquela eleição pode ser lido
no versículo 7: “Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número
dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé”. Pelo menos dois
fatores contribuíram para isso:

 Os apóstolos foram liberados para dedicar-se muito mais ao estudo bíblico, o


ensino, a pregação e a oração (Atos 6.4).

 Pelos menos dois dos diáconos eleitos, Estêvão e Filipe, dedicaram-se à


pregação pessoal do evangelho (Atos 6.8-10, 8.4-8, 26-40).

Depreende-se disso que o auxílio aos necessitados (no caso, as viúvas dos
helenistas), o gerenciamento dos recursos disponíveis para este auxílio, a criação de
estruturas de apoio ao ensino bíblico e pregação e o engajamento pessoal no
testemunho, são estratégias de Deus para o crescimento de sua igreja. E tudo isso tem
a ver com o oficialato, com a tarefa diaconal.

C. A DIAKONIA E OS DONS ESPIRITUAIS


Agora veremos onde entram os dons espirituais, lendo I Coríntios 12.5: “E também há
diversidade nos serviços (diakonion), mas o Senhor é o mesmo”. Aqui, no capítulo

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da primeira carta aos coríntios no qual inicia-se o ensino apostólico sobre os dons
espirituais, encontramos mais uma vez o termo diakonion, enfatizando que os dons
nada mais são do que instrumentos para a realização do trabalho, dos serviços.

Outra referência relevante é Romanos 12.7, onde lemos: “Se ministério (diakonian),
dediquemo-nos ao ministério” (diakonia). Aqui, o termo não se refere ao ofício do
diaconato, mas ao dom de serviço (o que é confirmado pelo contexto, que traz uma
lista de alguns dons espirituais). Paulo está ensinando que alguns irmãos recebem do 25
Senhor o dom de servir, independentemente de serem ou não vocacionados para o
ofício do diaconato. É desejável que todo diácono, no desempenho de seu oficialato,
possua o dom de servir, mas nem todos os que possuem o dom de servir precisam
fazer parte do oficialato.

Em nenhuma lista de atribuições requeridas para o ofício do diaconato, encontramos


referências aos dons espirituais. Em Atos 6, a ênfase é na vida reta e cheia do Espírito
Santo. Em I Timóteo 3.8-13, focaliza-se o testemunho, a temperança, a maturidade
doutrinária e a vida familiar equilibrada.

A partir deste ponto, é possível fazer algumas afirmações:


 Existe uma vocação para o ofício do diaconato, mas não existe um dom
exclusivo para este ofício.

 Deus vocaciona pessoas com diferentes dons para o ofício pastoral, uma vez
que todos os dons contribuem para a diaconia, o “serviço da igreja”.

 Num sentido mais genérico, tomando-se por base que todos os ministérios da
igreja estão ali para servir ao Corpo, é correto dizer que todos são diáconos,
todos podem e devem igualmente colocar-se à disposição dos demais na
vocação para a qual foi chamado.

 Meus dons, quando abençoam e edificam os outros irmãos, estão servindo à


causa e ao propósito de Cristo, mas estão também prestando um serviço aos
demais membros da comunidade cristã, e assim todo o corpo cresce bem
ajustado.

Não há nenhuma dificuldade doutrinária em afirmar que um diácono, oficial de igreja,


possua os dons de pregação (profecia), ensino, exortação, doação, direção,
demonstração de misericórdia ou administração. Todas essas capacidades, exercidas
em um trabalho eficiente da Junta Diaconal, favorecem o serviço do Evangelho e
propiciam o crescimento da igreja.

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26
Capítulo Cinco

O CUIDADO DOS POBRES E


NECESSITADOS
“Porque sei que são muitas as vossas transgressões e enormes os vossos
pecados; afligis o justo, tomais resgate e rejeitais os necessitados na porta.
Portanto, o que for prudente guardará silêncio naquele tempo, porque o tempo
será mau. Buscai o bem e não o mal, para que vivais; e assim o Senhor, o Deus
dos Exércitos, estará convosco, como dizeis.”
(Amós 5.12-14)

Neste mundo, onde há tanto ricos quanto pobres, freqüentemente os que têm
abastança material tiram proveito dos que nada têm, explorando-os para que os seus
lucros aumentem continuamente (ver Salmo 10.2, 9,10; Isaías 3.14,15; Jeremias 2.34;
Amós 2.6,7; 5.12,13; Tiago 2.6). A Bíblia tem muito a dizer a respeito de como os
crentes devem tratar os pobres e necessitados.

A. O ZELO DE DEUS PELOS POBRES E NECESSITADOS

Deus tem expressado de várias maneiras seu grande zelo pelos pobres, necessitados
e oprimidos.

1. O Senhor Deus é o seu defensor


Ele mesmo revela ser deles o refúgio (Salmo 14.6; Isaías 25.4), o socorro (Salmo
40.17; 70.5; Isaías 41.14), o libertador (I Samuel 2.8; Salmo 12.5; 34.6; 113.7; 35.10;
cf. Lucas 1.52,53) e provedor (cf. Salmo 10.14; 68.10; 132.15).

2. Ao revelar a sua Lei aos israelitas


Na revelação da Lei, Deus mostrou-lhes também várias maneiras de se eliminar a
pobreza do meio do povo (ver Deuteronômio 15.7-11 nota). Declarou-lhes, em
seguida, o seu alvo global: “Somente para que entre ti não haja pobre; pois o
SENHOR abundantemente te abençoará na terra que o SENHOR, teu Deus, te
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dará por herança, para a possuíres” (Deuteronômio 15.4). Por isso Deus, na sua Lei,
proíbe a cobrança de juros nos empréstimos aos pobres (Êxodo 22.25; Levítico
25.35,36).

Se o pobre entregasse algo como “penhor”, ou garantia pelo empréstimo, o credor era
obrigado a devolver-lhe o penhor (uma capa ou algo assim) antes do pôr-do-sol. Se o
pobre era contratado a prestar serviços ao rico, este era obrigado a pagar-lhe
diariamente, para que ele pudesse comprar alimentos a si mesmo e à sua família 27
(Deuteronômio 24.14,15).

Durante a estação da colheita, os grãos que caíssem deviam ser deixados no chão
para que os pobres os recolhessem (Levítico 19.10; Deuteronômio 24.19-21); e mais:
os cantos (perto das cercas) das searas de trigo, especificamente, deviam ser
deixados aos pobres (Levítico 19.9).

Notável era o mandamento divino de se cancelar, a cada sete anos, todas as dívidas
dos pobres (Deuteronômio 15.1-6). Além disso, o homem de posses não podia
recusar-se a emprestar algo ao necessitado, simplesmente por estar próximo o sétimo
ano (Deuteronômio 15.7-11).

Deus, além de prover o ano para o cancelamento das dívidas, proveu ainda o ano para
a devolução de propriedades - o Ano do Jubileu, que ocorria a cada cinqüenta anos.
Todas as terras que tivessem mudado de dono desde o Ano do Jubileu anterior teriam
de ser devolvidas à família originária (ver Lv 25.8-55). E, mais importante de tudo: a
justiça haveria de ser imparcial.

Nem os ricos nem os pobres poderiam receber qualquer favoritismo (Êxodo 23.2,3,6;
Deuteronômio 1.17; cf. Provérbios 31.9). Desta maneira, Deus impedia que os pobres
fossem explorados pelos ricos, e garantia um tratamento justo aos necessitados (ver
Deuteronômio 24.14 nota).

3. Infelizmente, os israelitas nem sempre observavam tais leis


Muitos ricos tiravam vantagens dos pobres, aumentando-lhes a desgraça. Em
conseqüência de tais ações, o Senhor proferiu, através dos profetas, palavras severas
de juízo contra os ricos (ver Isaías 1.21-25; Jeremias 17.11; Amós 4.1-3; 5.11-13;
Miquéias 2.1-5; Habacuque 2.6-8; Zacarias 7.8-14).

B. A RESPONSABILIDADE DO CRENTE NEOTESTAMENTÁRIO


DIANTE DOS POBRES E NECESSITADOS

No NT, Deus também ordena a seu povo que evidencie profunda solicitude pelos
pobres e necessitados, especialmente pelos domésticos na fé.

1. Boa parte do ministério de Jesus foi dedicado aos pobres e


desprivilegiados da sociedade judaica

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 Com os oprimidos, necessitados, samaritanos, leprosos e viúvas, ninguém mais


se importava a não ser Jesus (cf. Lucas 4.18,19; 21.1-4; Lucas 17.11-19; João
4.1-42; Mateus 8.2-4; Lucas 17.11-19; Lucas 7.11-15; 20.45-47).

 Ele condenava duramente os que se apegavam às possessões terrenas, e


desconsideravam os pobres (Mc 10.17-25; Lucas 6.24,25; 12.16-20; 16.13-
15,19-31).
28

2. Jesus espera que seu povo contribua generosamente com os


necessitados (ver Mateus 6.1-4)
 Ele próprio praticava o que ensinava, pois levava uma bolsa da qual tirava
dinheiro para dar aos pobres (ver João 12.5,6; 13.29).

 Em mais de uma ocasião, ensinou aos que o queriam seguir a se importarem


com os marginalizados econômica e socialmente (Mateus 19.21; Lucas 12.33;
14.12-14,16-24; 18.22).

 As contribuições não eram consideradas opcionais. Uma das exigências de


Cristo para se entrar no seu reino eterno é mostrar-se generoso para com os
irmãos e irmãs que passam fome e sede, e acham-se nus (Mateus 25.31-46).

3. O apóstolo Paulo e a igreja primitiva demonstravam igualmente


profunda solicitude pelos necessitados
 Bem cedo, Paulo e Barnabé, representando a igreja em Antioquia da Síria,
levaram a Jerusalém uma oferta aos irmãos carentes da Judéia (Atos 11.28-30).

 Quando o concílio reuniu-se em Jerusalém, os anciãos recusaram-se a declarar


a circuncisão como necessária à salvação, mas sugeriram a Paulo e aos seus
companheiros “que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer
com diligência” (Gálatas 2.10).

 Um dos alvos de sua terceira viagem missionária foi coletar dinheiro “para os
pobres dentre os santos que estão em Jerusalém” (Romanos 15.26).

 Paulo ensinava as igrejas na Galácia e em Corinto a contribuir para esta causa (I


Coríntios 16.1-4).

 Como a igreja em Corinto não contribuísse conforme se esperava, o apóstolo


exortou demoradamente aos seus membros a respeito da ajuda aos pobres e
necessitados (I Coríntios 8,9).

 Elogiou as igrejas na Macedônia por lhe terem rogado urgentemente que lhes
deixasse participar da coleta (II Coríntios 8.1-4; 9.2).

 Paulo tinha em grande estima o ato de contribuir. Na epístola aos Romanos, ele
arrola, como dom do Espírito Santo, a capacidade de se contribuir com
generosidade às necessidades da obra de Deus e de seu povo (ver Romanos

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12.8 nota; ver 1Tm 6.17-19).

4. Nossa prioridade máxima, no cuidado aos pobres e necessitados,


são os irmãos em Cristo
 Jesus equiparou as dádivas repassadas aos irmãos na fé como se fossem a Ele 29
próprio (Mateus 25.40, 45). A igreja primitiva estabeleceu uma comunidade que
se importava com o próximo, que repartia suas posses a fim de suprir as
necessidades uns dos outros (Atos 2.44,45; 4.34-37).

 Quando o crescimento da igreja tornou impossível aos apóstolos cuidar dos


necessitados de modo justo e equânime, procedeu-se a escolha de sete
homens, cheios do Espírito Santo, para executar a tarefa (Atos 6.1-6).

 Paulo declara explicitamente qual deve ser o princípio da comunidade cristã:


“Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas
principalmente aos domésticos da fé” (Gálatas 6.10).

 Deus quer que os que têm em abundância compartilhem com os que nada têm
para que haja igualdade entre o seu povo (II Coríntios 8.14,15; cf. Efésios 4.28;
Tito 3.14).

Resumindo, a Bíblia não nos oferece outra alternativa senão tomarmos consciência das
necessidades materiais dos que se acham ao nosso redor, especialmente de nossos
irmãos em Cristo.

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Capítulo Seis

AÇÃO SOCIAL NA IGREJA 30

E NA CÉLULA
“Bem-aventurado o que acode ao necessitado;
o Senhor o livra no dia do mal”
(Salmo 41.1).

“Em tudo tenho mostrado a vocês que é trabalhando assim que


podemos ajudar os necessitados. Lembrem das palavras do
Senhor Jesus: é mais feliz quem dá do quem recebe”
(Atos 20.35 – BLH).

A título de exemplificação, apresentamos aqui a estrutura e funcionamento do


Ministério de Socorro da Igreja da Paz Fortaleza. Certamente que outras igrejas
da Paz e igrejas co-irmãs têm trabalhos semelhantes ou até maiores. Contudo,
este é um caso real, prático, vivido por nós que organizamos este material –
razão por que ele aparece aqui para conhecimento e apreciação.

A. MINISTÉRIO DE SOCORRO DA IGREJA DA PAZ


O Ministério de Socorro da Igreja da Paz é um braço amoroso que se estende para
ajudar a todos aqueles que têm necessidade, independente de serem ou não membros
da igreja. Fazemos isso em obediência ao mandado do Senhor Jesus, que nos manda
ser compassivos, misericordiosos, generosos para suprir as carências daqueles que
precisam. Contudo, não somos a favor de meros paternalismos e assistencialismos
sem compromisso com a realidade familiar e estrutural do indivíduo.

Damos o peixe, sim, mas através da célula, do evangelismo, do aconselhamento e do


discipulado ensinamos a pescar. Procuramos criar no indivíduo uma consciência de
responsabilidade e auto-manutenção, de formas a que seja capaz de cuidar bem de
sua própria vida e da de seus familiares.

A Igreja da Paz, em obediência aos mandamentos do Senhor Jesus, tem uma


preocupação genuína em cuidar dos pobres realmente carentes e das pessoas em
situação de risco e exclusão social. Dentro do possível, e com base em uma boa
parcela do seu orçamento que é destinada especialmente para esse fim, ela ajuda
centenas de pessoas todos os meses, como órfãos, viúvas, doentes, pessoas em
situações econômicas críticas, etc. Porém, o que a igreja como instituição pode fazer
ainda é pouco, uma vez que as carências parecem maiores do que as possibilidades

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de ajuda. É por isso que, através das células, a igreja tem expandido tremendamente a
abrangência do Ministério de Socorro, com as doações voluntárias de todos os seus
membros numa escala ainda maior.

B. MARCHA DO ALIMENTO CELEBRACIONAL


É a grande marcha que acontece a cada dois meses. É possível fazê-la todos os 31
meses, dependendo da organização local. É um domingo festivo, marcado com
bastante antecedência, e amplamente avisado na igreja, nos boletins, nas folhas da
célula, no Paz News, nas reuniões de liderança e das células.

A igreja estabelece um alvo como um todo (por exemplo, seis toneladas, oito, dez,
uma: depende do tamanho da igreja e da sua capacidade de doação). Esse alvo é
repassado para as redes (ou regiões, distritos, áreas, setores), que por sua vez se
encarregam de subdividi-lo entre os níveis que estão debaixo de sua supervisão.
Assim, todos participam com uma quota do alvo geral, e não fica pesado para uns
poucos somente.

No dia da marcha, os membros trazem as doações para o culto e, ao som de uma


música bem animada, todos vão à frente levando suas ofertas. Alguns casos são os
membros de uma célula inteira que levam as doações da célula, ou de um setor.

Existem lugares previamente demarcados na frente do palco com os nomes dos


Pastores de Rede (ou região, distrito, área, etc.), e as doações vindas de células,
estruturas ou membros ligados a ele, vão para aquele monte. É um momento muito
alegre, festivo e encorajador para as marchas futuras.

É possível também doar peças de roupa e calçados em bom estado de conservação.


Estes devem vir lavados, prontos para ser usados por mais alguém, sem aqueles
escandalosos buracos, rasgões ou defeitos que algumas vezes se vêem. A idéia geral
é que se não serve mais para você, não servirá para mais ninguém, a não ser por
questão de tamanho. A idéia é: “ainda serve para mim, eu poderia usar em casa, no
trabalho; não está novo, mas está bom. Por isso mesmo eu quero abençoar alguém...”.

No dia seguinte, uma grande equipe de voluntários reúne-se na igreja para contabilizar
as doações, saber quanto cada rede (região, distrito, área, etc.) doou, e se alcançaram
o alvo. A intenção não é expor quem não alcançou o alvo, mas reconhecer o esforço de
quem alcançou e encorajar os demais. Normalmente o alvo geral da igreja é
ultrapassado, com algumas redes (que ultrapassam em muito seu alvo) compensando
o que faltou em outras.

Logo em seguida centenas de cestas são confeccionadas, obedecendo a um padrão já


estabelecido de itens que vão em cada cesta. Caso alguns itens não tenham sido
doados em quantidade suficiente para todas as cestas, a igreja, de seu fundo de apoio
para a ajuda aos necessitados, compra os produtos que faltam para que todas as
cestas se completem no padrão exato.

Como existem as pessoas já cadastradas em cada rede (região, distrito, etc.), os


próprios líderes dessas redes, ou alguém delegado por ele, se encarregam de fazer a
devida distribuição.

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Uma grande quantia de alimentos fica na igreja, numa espécie de banco/almoxarifado,


e é utilizada para casos emergenciais, para ajudar pessoas que, mesmo não
cadastradas, precisam de uma ajuda esporádica. Serve também para ajudar pessoas
não crentes ou de outras igrejas, que aparecem com fome, desesperadas.

No caso de Fortaleza, a Igreja ajuda a manter um Instituto Social, criado como


extensão do Ministério de Socorro, chamado Instituto Melvin Edward Huber – IMEH.
Dentre outras funções, uma delas é ajudar crianças carentes dos bairros periféricos 32
adjacentes, com reforço escolar, aulas de educação esportiva, inclusão digital, artes
manuais, musicalização, cuidados preventivos de saúde e, sobretudo, compensação
nutricional. Por isso eles têm lanches, almoço e jantar todos os dias, de segunda a
sexta-feira. Logo, uma grande porção das doações da Marcha do Alimento é repassada
para o IMEH.

No caso de Fortaleza, em 2009 houve muitas enchentes e inundações pelo estado,


deixando milhares de desabrigados. Não foi só no Ceará, foi pelo Brasil todo. A
população toda se mobilizou. A Igreja da Paz não ficou para trás. Numa de suas
grandes marchas, levantou quase seis toneladas de alimentos, além de muita roupa,
calçados e dinheiro.

Mais de três toneladas foram doadas para a Defesa Civil do Estado, através do
corpo de Bombeiros, além de centenas de peças de roupas. Uma volumosa quantia em
dinheiro foi mandada para Santarém, no Pará, para ajudar os desabrigados ribeirinhos,
através da Missão Paz.

Durante o ano de 2009, a Igreja da Paz Fortaleza arrecadou cerca de


18 toneladas de alimentos não perecíveis, nas marchas realizadas
periodicamente, em todos os cultos de celebração,
a cada dois ou três meses.

C. MARCHA DO ALIMENTO NA CÉLULA


Outra poderosa maneira de levantar doações e ajudar os necessitados é a Marcha do
Alimento da Célula, que acontece em cada reunião semanal da mesma. Através dela,
cada cristão é encorajado a contribuir para diminuir as carências dos outros, pelo
exercício de atos de amor e serviço. A Marcha do Alimento na Célula acontece
semanalmente, em cada reunião.

Cada membro, ao chegar, já deposita sua doação em uma cesta ou caixa, que deve
ser especialmente preparada para esta finalidade. A caixa deve ter uma boa aparência,
ser pintada ou revestida com cores vivas e ficar num local bem visível do recinto.
Devem ser doados alimentos não perecíveis, bem fechados, e que não estejam com
seu prazo de validade vencido.

Doações de outra natureza também são bem-vindas, como roupas e calçados em bom
estado de conservação ou novos, brinquedos, material escolar, material de higiene
pessoal, dinheiro, etc.. Quando a doação for em dinheiro, deve ser especificada, e
guardada separadamente da oferta geral da célula, que vai no envelope. Durante a
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reunião, haverá um momento em que os membros orarão pelas doações, como forma
de agradecimento a Deus e encorajamento e motivação para o grupo.

D. DIÁCONO DE REDE, REGIONAL, DISTRITAL E SETORIAL


As doações feitas no Grupo Familiar não são levadas diretamente para a igreja, mas 33
ficam ao encargo do diácono da Célula. Diante das necessidades surgidas no grupo, o
diácono da célula, junto com o líder, poderão ajudar aqueles comprovadamente
carentes e necessitados. Depois disto, as ofertas restantes devem ser repassadas para
o Diácono de Rede ou o Diácono Distrital. O Diácono Distrital ou de Rede é alguém
que fica encarregado de recolher, guardar e administrar todas as doações feitas nas
células.

O Diácono Distrital ou de Rede deve ser uma pessoa idônea, de preferência supervisor
ou supervisora de área (ou de setor, dependendo tamanho da igreja), com comprovado
amor e desejo de servir a Deus e aos necessitados, e que disponha de tempo para
cuidar da diaconia geral da rede, distrito ou área.

Para realizar suas tarefas ele poderá contar a ajuda de outros supervisores de área e
de setor, que formarão junto com ele uma espécie de equipe diaconal. Contudo, as
decisões finais e controle dos estoques ficarão ao seu encargo. Para isso, o distrito
dispõe de um local chamado de banco distrital, banco de rede ou banco regional,
onde são armazenadas as doações de todo o distrito, rede ou região. Este deve ser um
local seguro, seco, e onde os líderes tenham fácil acesso para depositar e sacar bens
para seus membros.

Quando não houver no distrito, rede ou região um supervisor de área com


disponibilidade para ser o diácono distrital, pode-se lançar mão de um supervisor de
setor ou líder de célula comprovadamente capaz, com a aprovação do Pastor de
Distrito ou Região.

E. DIÁCONO DA CÉLULA
De acordo com o texto bíblico, diácono é alguém que serve às mesas, alguém que
cuida dos necessitados e exerce o dom da misericórdia. No processo de tornar-se um
líder maduro e bem sucedido, é sempre bom que a pessoa tenha servido antes como
diácono, pois assim aprenderá a ser solidário e sensível às necessidades alheias e,
não importa em que posição esteja no futuro, terá sempre um coração de serviço e
identificação para com os que padecem. Logo, a pessoa responsável deve ser um dos
auxiliares da célula, com a supervisão direta do líder da célula.

Tanto o líder como o diácono devem encorajar todos os irmãos a dar, através de
palavras encorajadoras de motivação e desafio. Como cada célula tem mais de um
auxiliar, pode haver revezamento dessa função. As doações recolhidas devem ser
encaminhadas ao diácono distrital, de região ou de rede.

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F. PROCEDIMENTOS DE DISTRIBUIÇÃO OU AJUDA

 Nenhum membro da célula deve se dirigir diretamente à Igreja para solicitar ajuda.
Para isso, existe o diácono distrital ou de rede. Ainda assim, ele também não deve ir
diretamente ao diácono distrital, mas sim ao líder da célula, que irá ao diácono
distrital em favor daquele membro;
34
 Havendo alimentos ou os bens necessários no banco distrital, o diácono distrital
repassará para o líder, que por sua vez repassará para o membro carente;

 Em não havendo recursos disponíveis ou suficientes no banco distrital para suprir


aquela necessidade, o diácono distrital poderá recorrer ao Ministério de Socorro da
igreja. Antes, porém, ele poderia tentar conseguir dentro do próprio Distrito, Região
ou Rede, com irmãos generosos e dispostos a ajudar;

 Ao final do mês, havendo alimentos, bens ou dinheiro sobrando no banco distrital,


estes deverão ser repassados para o Ministério de Socorro da igreja, que
funcionará como uma espécie de banco central, que estará assim pronto para
intervir em situações de emergência nos distritos, regiões ou redes mais carentes;

 Os casos atípicos, aqueles que envolvem situações raras e incomuns, serão


discutidos e resolvidos pela liderança do Ministério de Socorro em consonância com
a liderança da igreja.

F. PRESTAÇÃO DE CONTAS
Cada diácono da célula terá a sua disposição um relatório, que deverá ser preenchido
semanalmente, junto com o líder. Ao final do mês, o líder entregará este relatório para
o diácono distrital ou de rede. Neste relatório serão registrados em detalhes a
quantidade de alimentos, em quilos ou em volumes, valores em dinheiro e outras
doações.

O diácono distrital, por sua vez, terá a sua disposição dois relatórios, um de entradas e
um de saída, onde ele registrará tudo o que vier das células e também todas as
doações feitas. As doações feitas indicarão quem foram os beneficiados, a que célula,
setor ou área pertencem os beneficiados.

Ao final do mês, o diácono distrital mandará cópias dos dois relatórios para o Ministério
de Socorro, que dessa forma acompanhará toda a movimentação assistencial nos
distritos ou redes, podendo colaborar melhor para a organização e administração desta
atividade tão importante e necessária.

“Cristo é para nós um modelo de humanidade no seu cuidado


com os pobres”. Quando precisarmos de um modelo, olhemos
para Cristo, pois Ele é o exemplo maior de doação, de renúncia
e de compaixão para com os pobres, os órfãos e as viúvas,
os injustiçados e todos os que se encontram
em situação de exploração e abandono.

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35
Capítulo Sete

CONSOLIDAÇÃO E
DISCIPULADO DOS NOVOS
DECIDIDOS
"Todos estes perseveravam unanimente em oração e súplicas"
(Atos 2.41).

Jesus preparou sua igreja para um crescimento equilibrado. Ele esperava que a igreja
seguisse o Seu exemplo de um equilíbrio saudável e frutífero entre SEMEAR, CULTIVAR,
COLHER e DESENVOLVER.

 Jesus semeou nas suas pregações e ensinos públicos (Mateus 5-7);

 Cultivou pessoalmente pessoas como Nicodemos (João 3);

 Cultivou pessoas como a mulher samaritana (João 4);

 Cultivou os três homens de Lucas 9.57-62;

 Colheu no caso de Zaqueu (Lucas 19);

 Colheu no caso do endemoninhado Gadareno (Lucas 8.26);

 Desenvolveu resultados especialmente frutíferos nos casos dos doze e dos setenta.

Tarefa: Você pode pensar em outros exemplos no Novo Testamento?

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A igreja precisa preparar bem uma equipe para trabalhar na área de contínua consolidação.
Algumas igrejas têm ministérios distintos para ACOLHIMENTO e CONSOLIDAÇÃO. Outras
entendem que esses dois ministérios são parte do mesmo trabalho. A séria constatação é que
existem aquelas que, mesmo tendo os ministérios organizados em ternos de cargos e
descrição, não fazem o trabalho de verdade. Outras, mesmo com apenas um deles, fazem
um trabalho excelente.
36
A grande necessidade da igreja, e obrigação de todos os líderes que querem ver a obra de
Deus bem feita e as pessoas cuidadas, é consolidar o fruto do trabalho evangelístico. Mas o
exemplo de Jesus nos ensina que esse entendimento simples é somente o início.

O que fez Jesus com a sua colheita? Ele guardou seu fruto num lugar seguro, separado do
mundo? Não. Jesus não os chamou para se afastarem do mundo.

O discipulado tem nuances e detalhes que só o Mestre entende. Percebemos que


Jesus não procedeu da mesma maneira com todos os novos discípulos:

 Alguns ficavam nas suas cidades, por ordem do próprio Jesus, enquanto Ele passava
para outros lugares (Lucas 8.39);

 Outros, aparentemente seguiam a Jesus por algum tempo recebendo sua instrução,
enquanto Ele estava em suas regiões (Lucas 10.38,39);

 Um grupo de setenta passava mais tempo convivendo com Jesus e saindo para
cumprir certas tarefas (Lucas 10.1);

 Sua convivência com Jesus não era tão profunda como a dos doze;

 Mesmo entre os doze, três deles eram ainda mais chegados a Jesus.

A lição mais importante que os discípulos aprenderam de Jesus foi que a igreja ou o
discipulado de Jesus tem uma responsabilidade para com os novos discípulos. O exemplo da
igreja de Jerusalém é uma ilustração de como os discípulos de Jesus compreenderam essa
lição. A igreja aceitou a responsabilidade e seguiu o método mais usado por Jesus no seu
trabalho direto com os novos crentes. O método era a convivência constante com eles. A
convivência é o resultado de uma aceitação mútua, que é o coração da comunhão. Podemos
identificar os elementos dessa comunhão e convivência em Atos 2.42-47.

Através da convivência com seus discípulos, Jesus era um modelo vivo para eles. Os
discípulos aprenderam tanto pela Sua vida, quanto pelo Seu ensino. Os cento e vinte
discípulos de Jerusalém seguiram o exemplo de Jesus no seu trabalho com os quase três mil
que foram salvos no dia de Pentecostes.

A impressão é que todos os membros da igreja de Jerusalém se envolveram nessa


comunhão ativa com os novos convertidos. Todos foram envolvidos porque todos
conheceram o exemplo de Jesus. Todos participaram também por causa da preparação
espiritual de toda a igreja nos dez dias antes do dia de Pentecostes. Foi importante aprender
que não podiam andar mais corporalmente com Jesus. Foi possível, porém, andar com Ele
através da pessoa do Espírito Santo.
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A tarefa da igreja é ensinar o novo discípulo a andar ou conviver com Jesus no Espírito Santo.
A igreja de Jerusalém não podia ensinar o que ainda não havia aprendido. Por isso Jesus deu
a ordem de Atos 1.4,5 antes de dar a promessa de Atos 1.8. Jesus queria que eles ficassem
fortalecidos na comunhão, unidos para refletirem juntos sobre as promessas quanto ao
Espírito Santo (veja João 7.37-39; João 14.14, 20-26; 16.7-11). Os discípulos foram
obedientes a ordem? O que fizeram? (veja Atos 1.14).
37
De igual modo hoje nós não podemos ensinar o que não sabemos. A igreja toda precisa
aprender a amar, a aceitar, e a se responsabilizar para cuidar uns dos outros. Temos que
aprender a andar no Espírito (Gálatas 5.16-26).

A igreja de Jerusalém aprendeu a orar junta e unanimemente. Essas pessoas que tanto
andaram com Jesus queriam continuar andando com Ele. Só podiam fazer isso pelo Espírito.
A conversa com Ele foi feita em oração. É claro que eles não oraram apenas em grupos. A
grande vantagem que temos agora, desde o dia de Pentecostes, é que todos nós podemos
andar e conviver sempre com Jesus.

Todos os que irão trabalhar com os novos discípulos devem saber andar com Cristo, no
Espírito. Dessa maneira é o mesmo Espírito quem opera tudo em todos.

Pessoas que vivem em comunhão contínua com Cristo têm horas regulares para
conversar com Ele em oração e leitura da Bíblia.

 Você tem uma hora marcada diariamente para orar?


 Qual é a melhor hora para você?
 Qual é o melhor método para você ler ou estudar a Bíblia e orar?
 Você tem uma lista de motivos de oração?

Para trabalhar com novos discípulos não é necessário ter muito treinamento. Não é preciso
ser professor de Bíblia. O mais importante é ser sincero e ser um discípulo de Cristo que
deseja crescer espiritualmente. É necessário querer conviver com Cristo e sua igreja, e
especialmente com os membros mais novos e mais fracos da família.

Resumo geral da consolidação


Quando a pessoa se converte a Jesus, ela precisa ser acompanhada, cuidada na hora do
nascimento. É como num parto. Ao nascer, a criança precisa ser amparada, limpa, banhada,
enfim, passar pelos cuidados amorosos e práticos do pediatra.

Julgamos essencial esse momento, pois muitas doenças podem ser pegas pela criança no
próprio hospital, na hora de nascer. Por outro lado, um parto bem feito também garante saúde
e um crescimento saudável, equilibrado.

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O EXEMPLO DOS GADITAS NA


OBRA DA CONSOLIDAÇÃO

Que tipo de caráter você tem? Seu caráter precisa ser consolidador. Porém, só
consolida quem é consolidado. Deus quer remover toda pedra que queira impedir o 38
processo da consolidação. E para isso precisamos estar atentos ao que Deus está
nos ministrando. Ele está nos dizendo que o consolidador tem um perfil.

“Dos gaditas se passaram para Davi, ao lugar forte no deserto, homens valentes
adestrados para a guerra, que sabiam manejar escudo e lança; seus rostos
eram como rostos de leões, e eles eram tão ligeiros como corças sobre os
montes. Ezer era o chefe, Obadias o segundo, Eliabe o terceiro, Mismana o
quarto, Jeremias o quinto, Atai o sexto, Eliel o sétimo, Joanã o oitavo, Elzabade
o nono, Jeremias o décimo, Macbanai o undécimo. Estes, dos filhos de Gade,
foram os chefes do exército; o menor valia por cem, e o maior por mil”
(I Cr 12.8-14).

Todo consolidador precisa ter o caráter de um gadita, ser um valente, ter um caráter
indubitável. O líder de célula deve ter esse caráter consolidador, pois é responsável
por cada um de seus discípulos.

Os gaditas foram responsáveis pela consolidação das 12 tribos de Israel. Eles eram
valentes e destemidos e, onde chagavam, transformavam o lugar. Na história de
Israel, não há um registro de derrota das guerras onde os gaditas estiveram
envolvidos.

Davi permaneceu por muito tempo morando no deserto e em cavernas, quando era
fugitivo de Saul. Um dia, ouviu dizer que os gaditas estavam indo ao seu encontro. Ao
ouvir tal informação, ele foi antes ao encontro deles, pois sabia que nunca haviam
perdido uma guerra. Um dos filhos dos gaditas se apressou e disse a Davi que a
entrada deles era de paz e de conquista.

A Bíblia relata que esse jovem profetizou para o rei Davi e as palavras por ele
emitidas trouxeram consolo. Naquele momento, Davi foi consolidado. E os gaditas se
uniram a Davi e tornaram-se capitães de tropas.

Os consolidadores são linha de frente de guerra. Andam unidos em um só


propósito. Eram 11 homens, 12 com Davi. Qual o perfil do gadita? O gadita tem uma
unção de caráter e de personalidade. Eles eram homens que tinham o caráter tão
ajustado e por isso não perdiam nenhuma batalha. Você terá um caráter tão ajustado
que não perderá nenhum fruto fiel.

A consolidação exige um caráter decisivo. Não consolidamos perguntando a


pessoa se ela quer ou não ser consolidada, porque o novo convertido não sabe
esboçar nada no reino espiritual. O ímpio está nascendo, é como uma criança. Você
não pergunta a um bebê se ele quer mamar, se ele quer que troque a fralda, se ele
quer tomar banho. Não! Você vai até ele e faz, você toma a iniciativa.

O consolidador precisa receber um caráter de iniciativa, não pode ficar esperando que

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o ímpio ou o novo convertido venha à sua procura. O discipulador é você, logo, quem
tem que consolidar é você.

Se você discipular uma pessoa por um ano e dois meses, ela nunca mais se afastará
do Reino. É por isso que a consolidação começa desde o Pré-encontro, indo até a
Escola Ministerial, e prossegue no discipulado e treinamento contínuos. É tempo
suficiente para que ela receba um perfil seguro, já tendo passado por experiências
com Deus e, portanto, podendo andar com suas próprias pernas, com base em todas 39
as orientações que recebeu. Mas andar com as próprias pernas não significa andar
sozinho: sempre haverá alguém para andar junto e apoiar aquela pessoa.

Você é um discipulador de êxito que receberá a unção de iniciativa pelo próprio


Espírito de Deus. É Ele quem lhe dará um caráter consolidador para usar a sua
iniciativa e influenciar milhares de milhares.

Vejamos as características que fazem de todo líder um consolidador valente, de


caráter indubitável, eis as características de um gadita:

 Não tem medo de fortalezas. O consolidador valente enfrenta qualquer


fortaleza com ousadia.

 Não tem medo de autoridade. Ele respeita as autoridades, mas não tem
medo de nenhuma delas. Principalmente quando não há nada a temer, por
andar na verdade.

 Não tem medo de guerra. O consolidador de caráter é um líder de guerra.


Existem momentos nos quais o Reino de Deus não é tomado com poesia, mas
com ousadia. Arrancar uma vida do inferno, das garras do diabo não fala de
poesia, mas de firmeza. Deus lhe dará graça e onde você entrar, sairá com a
vitória nas suas mãos. É um homem de destreza, preparado para a peleja.

 É um homem ou uma mulher vitorioso/a. Como um gadita que tem garras de


leão, traz o resultado e entrega-o ao rei. Ele apresenta o seu fruto fiel porque
não é abatido na batalha.

 É um líder armado com escudo e com lança. Está pronto para o ataque e
para a defesa. Haverá momentos nos quais o consolidador precisará atacar e
para isso usará a lança. A lança não é usada por qualquer pessoa, mas por
quem é adestrado. No mundo espiritual, você é um arqueiro. Toda flecha e
toda lança que o Senhor colocar na sua mão, você tirará da aljava e não errará
o alvo. O gadita sabe o momento certo para atacar e para se defender.

 Tem personalidade de um líder. Quando a Bíblia diz que o gadita tem cara de
leão, está identificando-o como um líder que governa. Quem não governa é
governado; quem não orienta é orientado; quem não lidera é liderado. Ter cara
de leão representa denunciar a destreza de governar com autoridade.

 Não recebe mediocridade sobre sua vida. Ele tem unção e conquista sempre
no sobrenatural. Recebe a excelência do Reino. Há pessoas que são pobres
por uma questão de circunstância; outras, por uma questão de alma.

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 É veloz como a gazela. O consolidador deve ser veloz como a gazela das
montanhas. Uma gazela pula em média seis metros para cima e nove metros
para frente, de forma que corre em uma velocidade muito grande para fugir do
predador a ponto de ele ficar cansado e desistir dela. Essa
mesma unção Deus nos dará. Não somos comida de predador, portanto,
quando ele quiser vir atrás de nós, terá que desistir, pois a velocidade de um
gadita frustra o plano do inimigo.
40
 Ter unção do mínimo. Ter um aprisco completo que comporta no mínimo 100
ovelhas. E esse aprisco multiplica gerando outros apriscos. Você como gadita,
nessa unção e caráter consolidador, terá ovelhas e discípulos debaixo de sua
autoridade.

 A unção do máximo. O mínimo tem cem e o que tem mais é porque


conquistou mil. “O mais pequeno virá a ser mil, e o mínimo uma nação forte” (Is
60.22). Você terá unção para começar com os seus 100 discípulos, terá unção
para tratar com os 1.000 discípulos, debaixo do caráter consolidador da
personalidade do governo e não permitirá que o rebanho se disperse.

 Tem o governo do Espírito sobre a sua vida. Quem governa o gadita não
são as suas emoções, suas convicções. A Bíblia diz que o Espírito de Deus
tomou a Amasai e ele começou a profetizar e consolidou o coração do rei.

 A segurança de um consolidador é depender do Espírito Santo.


Receberemos unção para consolidar dos súditos ao rei e todos aqueles que
desejam receberão o caráter que Deus está imprimindo em nossos corações.
Precisamos desejar o caráter consolidador, o caráter de governo.

Precisamos receber a unção de cuidado e destreza para consolidar uma nação: garras
de leoa, cara de leão, pés ligeiros como os da gazela, destreza para alcançar as
fortalezas e governo do Espírito Santo.

(Fonte: “O Gadita é um Consolidador” – MIR, com ligeiras adaptações).

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Capítulo Oito
41

SOBRE CONSELHEIROS E
CONSOLIDAÇÃO
O Conselheiro é um seguidor de Jesus, cheio do Espírito Santo,
que ajuda o novo convertido no momento e imediatamente
após a sua decisão de seguir Jesus.

O Conselheiro, nesse sentido é o Consolidador, aquele que ajuda o novo crente a dar
os primeiros passos sua decisão. Consolidar é ser amigo, um companheiro que
estenderá a mão durante os primeiros passos na vida cristã, apontando-lhe o alvo: Ser
igual ao seu Mestre Jesus.

Consolidação é o cuidado e a atenção que devemos dispensar ao


novo crente para reproduzir nele o caráter de cristo, de maneira
que sua vida cumpra o propósito de Deus: dar fruto
que permaneça (João 15.16).

A. OBJETIVOS DA CONSOLIDAÇÃO
 Reter cada pessoa que Deus colocar em nossas mãos, seja através da célula,
nos cultos da igreja ou em qualquer outro ambiente onde podemos testemunhar
de Jesus;

 Verificar a entrega e decisão de cada pessoa, fazendo perguntas objetivas


quanto à sua decisão, convicção de quer Jesus como seu Salvador e Senhor;

 Inseri-lo em uma célula, para que cresça em comunhão com outros irmãos e
aprenda mais da Palavra de Deus;

 Levar o novo convertido a uma relação de discipulado pessoal um a um que,


junto com a célula, vai ajudá-lo a amadurecer e crescer em Cristo;

 Cuidar de cada convertido até que dê fruto permanente no Senhor;

 Reproduzir na pessoa o caráter de Cristo, de maneira que ele reflita Cristo em


suas palavras e em suas ações;
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 Fazer de cada crente um fazedor de discípulos, a tal ponto que ele mesmo vai
tomar a iniciativa de buscar novos filhos para a família de Deus;

 Cuidar das pessoas de acordo com o valor dado por Deus.

42
B. QUEM PODE SER UM CONSELHEIRO?
Todo cristão que a ama a Deus, quer ser obediente ao mandado de Cristo, tem
profundo amor pelas vidas, está sendo discipulado e anseia servir junto à Igreja Local,
este pode ser um Conselheiro.

Dessa maneira, todo seguidor de Jesus deve ser treinado para:

 Ganhar pessoas para cristo;

 Ser um conselheiro para o novo convertido no momento e imediatamente após a


sua decisão, assim como no acompanhamento que se segue;

 Discipular o novo convertido até ele se tornar líder de célula, e continuar


discipulando com propósitos.

C. REQUSITOS PARA SER UM CONSELHEIRO


 SANTIDADE: Quem quer que aspire ser usado por Deus na Consolidação deve
ser santo. A única coisa que rouba sua autoridade e respaldo de Deus é o
pecado oculto em sua vida. Deus só poderá fluir através de instrumentos limpos.

 AMOR ÀS ALMAS: O amor foi a chave do sucesso de Cristo e Ele nos deixou
seu exemplo. Nenhum modelo, nenhuma técnica substitui um amor genuíno,
interessado, que flui de um coração se preocupa. O novo convertido pode até
ser um número para a sua célula, um membro a mais para a igreja, mas, antes
de tudo, ele é um bebê espiritual, um filho de Deus que precisa ser nutrido e
cuidado.

 CONHECER A PALAVRA: As perguntas que os novos crentes só podem ser


respondidas com a Palavra de Deus. Não podemos dar respostas baseadas no
“eu acho...” ou “eu tenho a impressão que...”.

 DISPOSIÇÃO e DISPONIBILIDADE: Uma das coisas que mais agrada a Deus é


que façamos sua obra com zelo e disposição de coração. Devemos fazer como
Ele o faria, se estivesse em nosso lugar (Isaías 6.8). Deus nunca vai trabalhar
com nossas desculpas e justificativas.

 ORAÇÃO: É pela oração que as batalhas são ganhas. Tudo que desejamos no
mundo terreno, devemos conquistá-lo primeiro no plano espiritual.

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 CONHECER O PLANO DE SALVAÇÃO: Ser capaz de explicar facilmente


João 3.16, e como aplicá-lo à vida da pessoa, no tocante à salvação, ao
arrependimento e perdão dos pecados.

D. PESSOAS QUE PODEM SER CONSELHEIROS NAS REUNIÕES


PÚBLICAS ONDE HÁ CONVERSÕES A CRISTO:
43
 Pastores Supervisores de Células;

 Obreiros Missionários;

 Missionários Voluntários;

 Líderes de Células;

 Auxiliar de Célula, se tiver autorização prévia de seus líderes e se for necessário


(no caso de muitos novos convertidos e poucos conselheiros);

 Qualquer irmão que preencha os requisitos especificados acima para ser


Conselheiro, quando convidado para funcionar como nessa função.

Obs.: Esta lista refere-se à prática da Igreja da Paz em Fortaleza.


Em outras igrejas a prática pode ser igual ou ligeiramente diferente.
O Essencial é que haja uma consolidação bem feita,
e por pessoas devidamente qualificadas para tal.

E. É MUITO IMPORTANTE O CONSELHEIRO LEMBRAR QUÊ:


 É necessário confiar totalmente no Espírito Santo, fazendo tudo com muita VIDA
e amor, para nunca cair num ritual;

 Deve ser sempre amoroso com todos os novos convertidos, e pegar o endereço
e telefone, sem que seu interesse primordial seja levá-los para a sua própria
Célula;

 Mesmo assim, é uma ótima oportunidade de ajudar sua Célula a crescer, e o


conselheiro deve estar amorosamente atento, pois muita gente vem para igreja
por conta própria, sem nenhum contato anterior.

F. O TRABALHO DE CONSELHEIRO

1. No Auditório:
 Ao longo do culto, durante a mensagem, e principalmente na sua conclusão,
interceder para que o Espírito Santo toque nas mentes e nos corações daqueles
que estão ouvindo a Palavra;

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 Na hora do apelo, não demorar a agir, mas ir logo para frente (bem para frente):
ficar no mesmo nível que o novo convertido, posicionando-se com amor ao lado
dele;

 Olhar para o pastor e não conversar com o novo convertido enquanto o pastor
estiver falando;

 Estar sempre submisso ao Coordenador dos Conselheiros; 44

 No momento certo abraçar o novo convertido (cuidado com a aparência do mal


quando for alguém do sexo oposto), e conversar com o genuíno amor, fé e
alegria;

 Acompanhá-lo para a sala de consolidação no momento certo.

2. Na sala de consolidação:

O Líder da Consolidação:
 Dará calorosas boas-vindas com muito entusiasmo, amor e carinho;

 Um pastor ou obreiro irá expor resumidamente o plano de salvação;

 O líder explicará para o novo convertido que ele não deve desanimar se falhar
em qualquer área, porque se ele perseverar em buscar a Jesus, Deus irá
sempre completar na sua vida toda boa obra que Ele começou (Filipenses 1.6);

 O pastor ou obreiro, com a ajuda de todos os conselheiros, orará mais uma vez
pelos novos convertidos, agradecendo a Deus pela certeza da salvação; essa
oração deve ser por cura, libertação, prosperidade, família, etc., sempre com a
demonstração de muito amor e carinho.

O Conselheiro:
 Deve pegar o livrinho-brinde e a ficha do novo nascimento com o pastor ou
obreiro responsável;

 Deve preencher a ficha com todo cuidado, de forma bem legível, de preferência
com letra de forma, anotando o nome e o endereço, telefone fixo, celular, e-mail,
o máximo de informações possível (quando ele não tem uma célula conhecida, e
se você tem dúvida de para onde ele vai, não preencha o nome do Líder de
Célula e da Célula);

 Explique acerca da Célula e pergunte se ele gostaria de um apoio de alguém da


Célula na sua residência;

 Se for alguém que ainda não tem qualquer vínculo com célula, e que mora perto
de você, na sua rua ou no seu bairro, e tem o perfil (idade, interesses,

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relacionamentos) que se encaixa com você e sua célula, pode recrutá-lo para
sua célula, lembrando de anotar esses detalhes na ficha;

 Parabenize-o mais uma vez pela decisão, diga que ele pode contar com a igreja
e com você e, se houver tempo, enfatize mais uma vez a certeza de salvação,
de acordo com I João 5.11-13 (de preferência tenha esses versos
memorizados);
45
 Entregue o livrinho para ele e diga que ele pode procurar em casa, com calma,
aqueles versículos na sua Bíblia. Diga que ele pode começar a ler a Bíblia na
epístola de I João.

3. Durante a semana seguinte:

 Se for alguém que se converteu para uma célula sua, garanta que a ficha será
entregue para você ou para o supervisor responsável sobre você e sua célula;

 Sendo o novo convertido for seu convidado ou convidado de alguém da sua


célula, nem espere a ficha; comece já o acompanhamento, e garanta que o
convertido irá para a próxima reunião da célula e começará também a ser
discipulado.

Até aqui tratamos da consolidação no templo. Existe também a consolidação feita na


célula e aquele que chamaremos de Consolidação Pós-Templo. Cada uma é
importante.

Cada rede de células (melhor ainda cada célula) deve ter sua equipe de consolidadores
-- conselheiros. Dessa maneira, onde quer que haja uma conversão e pessoas
necessitando de cuidados neonatais, haverá também ali um “enfermeiro” espiritual, um
pediatra pronto a dispensar os primeiros cuidados.

G. PASSOS ENTRE GANHAR E CONSOLIDAR

 Primeiro Passo: O Apelo

O apelo faz parte da mensagem evangelística, tanto na pregação do púlpito quanto na


evangelização pessoal. Deve ser tão bem preparado quanto a introdução e os pontos
principais da mensagem. O evangelista, isto é, a pessoa que anuncia o Evangelho deve
seguir o exemplo do apóstolo Pedro em Atos 2.37-40. Pedro esclareceu bem o que queria
que fizessem? (veja v.38). O que Pedro exigiu? Quem podia responder ao apelo? Há ordem?
Eles entenderam mesmo? Qual a implicação do versículo 41?

 Segundo Passo: Aconselhamento Imediato


O objetivo do aconselhamento imediato é levar o decidido a entender a vontade de Deus para
sua vida e como segui-la.

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O aconselhamento imediato complementa o apelo, é uma aplicação pessoal. É o momento de


verificar se a pessoa que se decidiu entendeu realmente o apelo. Muitas vezes é descoberto
um vivo interesse em Cristo. O consolidador deve ajudar a pessoa a fazer uma entrega
completa de sua vida a Jesus. Outras vezes o decidido revela um interesse vago. Não quer ir
ao inferno, mas realmente não entende que é necessário deixar seu modo atual de viver,
arrepender-se, abandonar os seus pecados, aceitar Jesus como Senhor de sua vida, e segui-
Lo através do batismo e serviço numa igreja. 46

Alguns atendem ao apelo sem saber por quê; outros querem alguma coisa da igreja: dinheiro,
cesta básica, ajuda para algum problema como alcoolismo, ou oração por alguém muito
doente.

Somente podemos ajudar essas pessoas quando fazemos algum tipo de aconselhamento. A
falta de aconselhamento imediato prejudica muito o ministério da consolidação. Por isso é
muito importante analisar até que ponto o decidido compreendeu o apelo.

H. QUANDO E COMO FAZER O ACONSELHAMENTO

No Culto de Celebração, Durante o Apelo: Três Métodos Opcionais

 O Pastor
O pastor mesmo pode fazer todo o aconselhamento durante o apelo. Geralmente num culto o
número de descrentes presentes não permite muitas decisões na hora do apelo. Se o pastor
quiser, poderá fazê-lo sem outros consolidadores.

Quando a igreja não é grande e a programação permite, o pastor pode explicar rapidamente e
em linhas gerais os passos e a importância da decisão por Cristo.

 O pastor e outros consolidadores


O pastor e outros consolidadores podem trabalhar juntos. Esse plano é usado em igrejas
maiores, e cuja programação de celebração é bem cheia. É ideal para igrejas que têm vários
cultos, um após o outro. Esse modelo é praticado pelas Igrejas da Paz.

O pastor faz o apelo recebe o decidido na frente. No próprio apelo ficou bem explicado que
aquela convocação é para quem quer entregar a vida a Jesus. Quando há outros apelos, o
pastor explica que depois dessa oração ele chamará as pessoas para cura, dedicação
missionária, etc.. Pode dizer também que os novos convertidos poderão participar das duas
convocações, uma após a outra.

Durante o apelo de salvação, mesmo antes que os não crentes comecem a vir à frente, os
conselheiros já começam a se aproximar do palco. Colocam-se de frente para o pastor, como
se eles mesmos estivessem se convertendo. A intenção não é fingir que o conselheiro é
alguém que está se convertendo como “isca”, mas encorajar o novo convertido a ir à frente,
pois muitos ficam com vergonha de ir sozinhos.

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Aqueles irmãos que trouxeram visitantes não devem esperar que somente os “conselheiros
oficiais” cuidem do seu convidado. Eles devem ir à frente junto com seu convidado, quando
este se decide, e também acompanhá-lo na sala de consolidação. Bolsas e objetos pessoais
devem ser levados pela pessoa para frente e para a sala, ou cuidados por um parente ou
amigo próximo, pois ao término da consolidação o culto normalmente já acabou.

O pastor explica rapidamente a importância de seguir a Cristo, parabeniza os novos 47


convertidos pela decisão e faz a oração de entrega, a qual é repetida por eles. Toda a igreja
aplaude, e faixas de boas vindas são erguidas no auditório. Após isso, ao som de uma música
de boas vindas, os novos decididos, junto com os conselheiros e seus acompanhantes, são
encaminhados para a sala de consolidação.

É importante que na sala de consolidação tenha água, refrigerantes, chá


ou cafezinho que serão servidos aos novos decididos. Biscoitinhos também
são bem-vindos. Cuidado para que os conselheiros não comecem a comer
na frente dos novos convertidos. Há também aqueles casos de
adolescentes que “se convertem toda semana”
só para lanchar na sala de consolidação.

 Somente Outros Consolidadores


Em alguns lugares, o pastor faz o apelo, e tão logo os convertidos vêm à frente, já há uma
equipe que os direciona para uma sala ou espaço ao lado. Aquela parte pública de oração de
repetição, explicações e abraços é feita na sala, e não em frente ao altar (palco como alguns
chamam).

Assim, outros consolidadores e não o pastor principal (podem ser os pastores auxiliares) vão
receber os decididos quando atenderem o apelo. Nesse caso, recomenda-se que esse grupo
de consolidadores sentem-se nas primeiras fileiras, de modo que poderão chegar à frente
rapidamente para ajudar, conforme o plano pré-determinado.

É melhor ter uma pessoa na frente para receber as pessoas, como um pastor ou obreiro
designado. Os outros consolidadores estarão esperando e orando ao lado. O líder da equipe
de consolidação ao receber uma jovem, a entregará para uma jovem consolidadora, uma
senhora para uma senhora, etc.

I. QUE FAZ O PASTOR PRINCIPAL DEPOIS DO CULTO?

 Comportamento Um
O pastor poderá deixar todos os decididos chegarem à frente durante o apelo sem falar com
eles pessoalmente, talvez apenas cumprimentando-os e apertando suas mãos. No final,
depois de encerrar o culto, o pastor falará com todos sobre suas decisões, dando alguns
conselhos e orientações. Numa igreja grande isso pode ser um ouço complicado, uma vez
que nem sempre a sala de consolidação fica ao lado do palco.

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 Comportamento Dois
Alguns pastores usam um pouco mais de tempo na hora do apelo, explicando alguns
detalhes, olhando as pessoas nos olhos, apertando as suas mãos, orando por elas, mas no
final são outros consolidadores que fazem o aconselhamento, e não o pastor. Por um isso
ajuda o pastor a dar atenção para outras pessoas. Quando o pastor gosta de cumprimentar as
pessoas na porta da saída, esse procedimento é adequando. Ele poderá cumprimentar ao
mesmo tempo os irmãos veteranos e também os recém-convertidos. Dessa maneira, mais de 48
um consolidador estará trabalhando, e o aconselhamento se torna mais pessoal.

 Qual é o Melhor Plano?


Para resolver essa questão, é importante lembrar-se do objetivo do aconselhamento imediato:
Levar o decidido a entender a vontade de Deus para sua vida e como cumpri-la.

Em primeiro lugar, reconhecemos que é muito difícil atingir esse objetivo aconselhando
pessoas em grupos. Em segundo lugar, é claro que as pessoas, de modo geral, têm mais
confiança no pastor e na pessoa que Deus usou para despertar o seu interesse. O papel do
pastor tem certa autoridade também. Por isso é importante que o pastor faça o
aconselhamento tanto quanto possível.

Se alguém precisar de muitos conselhos, é importante que o pastor pode tenha um


conselheiro preparado para conversar à parte por mais tempo. Também no caso de muitas
decisões, o pastor pode ter pessoas preparadas para ajudar no aconselhamento que se
segue.

A escolha do método de consolidar vai depender do tamanho da igreja, da quantidade cultos


seguidos que a igreja tem, do número de pastores e obreiros treinados, e do perfil da igreja. A
própria igreja pode desenvolver uma cultura onde os próprios membros já estão a postos para
ajudar a receber pessoas.

J. MODELO DE ENTREVISTA ENTRE CONSOLHEIRO E NOVO DECIDIDO

Conselheiro: “Estou muito satisfeito porque Conselheiro: “Quer confiar em Jesus como
você veio! Qual é o seu nome?” Senhor da sua vida, agora, e para sempre?”
Decidido: “João Pedro da Silva Góis” Decidido: “Quero”.
Conselheiro: “Por que veio aqui agora?” (a Conselheiro: “Quer obedecer a Jesus em
resposta indica se a pessoa já aceitou a tudo?”
Jesus ou se está querendo aceitá-Lo). Decidido: “Quero”.
Decidido: “Porque orei como o pastor falou. Conselheiro: “Quer obedecer a Jesus, segui-
Quero perdão. Quero Jesus...” Lo no batismo e servi-Lo como membro
Conselheiro: “Então, você reconhece que é desta igreja?”
pecador?” Decidido: “Sim. Quero obedecer a Jesus”.
Decidido: “Sim, claro!” Conselheiro: “Podemos orar e dizer tudo
Conselheiro: “Quer abandonar agora e para isso a Jesus em oração, agora?”
sempre os seus pecados?” Decidido: “Sim”.
Decidido: “Quero, sim.”
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K. DETALHES A OBSERVAR

 Com a oração, essa conversa pode ocupar até dois minutos e meio. Muitas vezes
encontramos pessoas que não têm o conhecimento básico do Evangelho. Neste caso,
será necessário levá-las a uma ministração mais demorada.

 Aqui está uma atividade que pode ser feita em sala de aula: Todos podem ganhar
49
experiência como conselheiros, simulando o ato de receber e aconselhar um decidido,
usando as perguntas básicas. Por exemplo: Um jovem que está participando de um
estudo evangelístico numa célula, e atendeu ao apelo. O líder dessa célula fará o papel de
conselheiro, um voluntário pode fazer o papel do jovem. Esses dois simularão o ato de
aconselhamento usando as perguntas básicas. Depois podem formar pares. Um fará o papel
do jovem e o outro do conselheiro. Depois de três minutos, podem trocar os papéis.

 Pense em outras situações. O que você faria diferente? O que faria com alguém
querendo reconciliação com Deus? Querendo somente uma oração da igreja? Uma
bênção? Como aconselharia um decidido de muito tempo que quer ser batizado?

 Às vezes, a vontade de Deus pode ser a reconciliação de um crente desviado.


Queremos levar todos os não crentes a entenderem a necessidade de fazer um
compromisso imediatamente. Com algumas pessoas é necessário iniciar o trabalho de
semear e cultivar.

 Às vezes, o aconselhamento se torna um dos primeiros passos para ganhar. Nem todo
mundo que vem à frente já está ganho. Nem todo mundo que entra na sala de
consolidação já está ganho.

L. APRESENTAÇÃO DOS DECIDIDOS À IGREJA


A apresentação dos decididos à igreja é um passo muito importante na sua consolidação. É
importante para os decididos e também para a igreja.

Em igrejas onde a programação permite, e quando há tempo suficiente para a consolidação


entre o apelo e a bênção final, o pastor pode ler os nomes que estão na Ficha de
Consolidação apresentando assim a pessoa à congregação pelo nome. Pode dizer qual é o
compromisso que fez e uma palavra breve sobre a decisão que mostra a sinceridade dela. É
óbvio que não é possível fazer este tipo de apresentação sem que o aconselhamento imediato
tenha ocorrido, pois em alguns lugares há casos onde a pessoa responde de lá: “Mas eu só
estava querendo oração para conseguir um emprego...”

M. APRESENTAR O NOVO DECIDIDO É IMPORTANTE PARA ELE POR


QUÊ:
 Marca a experiência do novo nascimento. É este evento que é importante para o
novo crente. A data do novo nascimento deve ser mais importante para ele do que o
seu batismo. Geralmente destacamos o batismo muito bem, até com um bonito
diploma de batismo. Porém, o mais importante é a experiência do novo nascimento.
Um dos motivos por que muitos têm dificuldades em testemunhar da sua experiência
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de conversão é porque o momento da conversão não foi engrandecido. Não ficou bem
definido.

 Define a responsabilidade do novo convertido para com a igreja de Cristo.


Pessoas, ao nascer fisicamente têm uma família. Também o crente, ao nascer
espiritualmente, tem uma família espiritual: a igreja. Membros da família têm
responsabilidades.
50
 Cria um sentimento de aceitação pela igreja. O decidido aceitou a Cristo. Isto
implica também aceitar a igreja de Cristo. Porém, é muito importante o novo convertido
sentir que do mesmo modo que Cristo o aceita, a igreja também o aceita.

 Tudo que é público tem mais peso de compromisso. É como a palavra dada:
quando damos nossa palavra em prol de algo, somo mais tendentes a cumpri-la do
que quando só decidimos algo no pensamento. E quanto mais pessoas ouvirem a
nossa palavra de compromisso, mais forte a obrigação.

 Ele tem uma responsabilidade para com a igreja, mas também tem o privilégio da
comunhão com a igreja que o aceita. Um abraço de um consolidador ou de um líder de
célula será um símbolo muito valioso da aceitação da igreja.
 Tarefa: que outros motivos você pode dar, como benefícios para o novo convertido,
quando ele é apresentado à igreja no final do culto?

N. APRESENTAR OS DECIDIDOS NA FRENTE É IMPORTANTE PARA A


IGREJA TODA POR QUÊ:
 Leva a igreja a ter mais confiança nas decisões feitas pelos novos convertidos.
Essa confiança leva a igreja a uma aceitação maior dos mesmos.

 Relembra a igreja da sua responsabilidade para com os novos crentes. A


responsabilidade não é para testar o novo crente. Satanás vai fazer isso sem nossa
colaboração. A responsabilidade da igreja é de apoiar o decidido no seu crescimento
espiritual e no seu andar com Cristo, no Espírito Santo.

 Identifica o novo convertido. A igreja não pode apoiar, nem orar em favor de
pessoas não conhecidas. Ela passa a conhecer as caras novas que estão entrando.

Tarefa: Que outros motivos são importantes pelos quais apresentar os decididos à igreja no
final do culto?

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Com estas apresentações o processo de consolidação está começando. O novo crente está
aprendendo lições importantes sobre a igreja, sua comunhão e responsabilidades mútuas. O
culto pode ser encerrado com uma oração, lembrando os decididos, pedindo os cuidados de
Deus para com eles e orientação para a igreja no cuidado para com os novos crentes.

A igreja deve ser encorajada a manifestar sua aceitação e apoio para com os novos crentes,
cumprimentando-os após o encerramento. Pessoas treinadas devem dar mais algumas
orientações ligeiras e marcar o próximo encontro iniciando o processo de acompanhamento. 51
O próximo estudo apresentará mais informações sobre este assunto.

O. A CONSOLIDAÇÃO FEITA NA CÉLULA


"...foram batizados os que de bom grado receberam a Sua palavra”
(Atos 2.41)

É muito difícil integrar na família quem não nasceu ainda. Um casal estava esperando um
nenê. Fizeram os exames médicos que revelaram até o sexo do feto esperado, menino. O
casal escolheu o nome, fez todos os preparativos. O casal brincou falando do filho como se já
fizesse parte da família. Mas mesmo com toda essa atitude de boa aceitação, o filho não
podia ser integrado na família antes de nascer.

Da mesma sorte não pode ser integrado na família de Deus quem não nasceu de novo. Num
estudo feito em 1986, um conferencista citou alguns dos motivos pelos quais algumas igrejas
estão morrendo. Entre alguns dos motivos se encontra...

"a pretensão de trazer os homens à igreja antes de lhes falar de Cristo; a


pregação de um evangelho barato, antropocêntrico e deslembrado da
soberania e senhorio de Cristo...".

O alvo da evangelização é fazer discípulos. Muitas pessoas, pela nossa experiência, não são
ganhas para Cristo na igreja, mas no ambiente da célula. Muitos, quando vão à igreja pela
primeira vez, já foram três, quatro ou mais vezes na reunião da célula, grupos de evangelismo
ou qualquer outro evento promovido pelos irmãos.

Assim quando alguém se converte na célula, podemos e devemos começar a consolidá-lo ali
mesmo. Os irmãos que trabalham no Acolhimento e na Consolidação da igreja, com a toda a
experiência que já acumulam dos cultos de celebração, podem fazer isso muito bem. Mas não
só eles. Todos os membros da célula devem estar aptos a realizar essa tarefa, em todo e
qualquer lugar.

O alvo desta fase da evangelização, consolidação, é o crescimento ou o desenvolvimento dos


discípulos. Por isso consolidação firme é baseada em evangelização firme. Se a pessoa foi à
célula, é porque o processo de evangelização já está surtindo efeito.

P. PASSOS FUNDAMENTAIS PARA A CONSOLIDAÇÃO NA CÉLULA

 Iniciar o apelo com amor e cuidado, sem insistir muito com as pessoas, deixando-as à
vontade, mas apontando claramente a importância de tomar uma séria decisão por
Cristo;

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 Lembrar-se que muitos estão tendo o primeiro contato com o Evangelho, e nós
queremos que elas voltem, por isso o apelo na célula não pode ser feito com todos os
ingredientes com que é feito na igreja, nem demorado, nem direto demais: “Você,
Maria das Dores, não quer entregar sua vida a Jesus agora?” A não ser que o líder
tenha uma profunda convicção do Espírito Santo que deve fazer desse jeito;

 Aconselhar a pessoa nos mesmos moldes da consolidação feita na igreja, explicando- 52


lhe os passos essenciais da decisão de seguir a Cristo e de como caminhar Nele daqui
para frente;

 Fazer a pessoa repetir a oração de confissão de aceitar Cristo como seu Senhor e
Salvador;

 Os demais membros da célula devem abraçar e felicitar o novo decidido pela escolha
feita de seguir a Jesus;

 Anotar dados como endereço, telefone, melhor horário para encontrá-lo em casa, etc.;

 Convidar o novo decidido a ir para a igreja na próxima reunião de celebração e,


quando ele for, o conselheiro que o ajudou na célula, ou o líder da célula, deve sentar-
se perto dele no culto, e levá-lo a confirmar publicamente a decisão já feita na célula;

 De preferência, o conselheiro deve se oferecer para ir junto com o novo decidido para
a igreja, seja no carro de qualquer um deles, seja de ônibus, metrô, a pé, etc. – como
for mais conveniente, dependendo da região onde moram;

 Não tem problema se o novo decidido passar de novo pela orientação feita na
consolidação da igreja; ele ou a pessoa que o acompanhar deve explicar que ele já
tem uma célula: assim ele não será “pescado” por outras células.

Obs.: Esses mesmos passos servem para pessoas ganhas no


evangelismo pessoal, no local de trabalho ou estudo, etc..

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Capítulo Nove
53

DISCIPULADO DOS NOVOS


CONVERTIDOS
"...e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio
e Antioquia, confirmando os ânimos dos discípulos,
exortando-os a permanecer na fé..."
Atos 14.21,22

Um conceito fundamental no cuidado dos novos discípulos, muito negligenciado, é o


discipulado. Acompanhamento é o discipulado pessoal e contínuo ao novo crente que, às
vezes, chama-se adoção ou acompanhamento (com o sentido de trabalhar com novos
discípulos). O ideal é iniciar este trabalho logo após a decisão, no caso de decisões fora dos
templos das igrejas. Geralmente é mais provável que isto venha a ser iniciado depois da
decisão pública no culto.

A. DUAS PALAVRAS-CHAVES NO DISCIPULADO


A palavra mais usada para trabalhar com os novos crentes é integração. Porém integração
não traduz toda a idéia do discipulado, pois em alguns ambientes, quando julgam que a
pessoa está suficientemente integrada, cessa o acompanhamento de perto. Também se fala
em conservação dos resultados evangelísticos. Alguns chamam esse trabalho de
consolidação contínua.

A palavra INTEGRAÇÃO não se encontra no Novo Testamento. O conceito, porém, pode ser
notado. CONSERVAÇÃO não se encontra nem em palavra e nem em conceito. O desejo não
é de "conservar", é de desenvolver os novos crentes como parte do organismo, a igreja.
Todos os crentes são discípulos e o trabalho com todos os discípulos deve ser contínuo.

Por isso, falar de discipulado exclusivamente para se referir aos novos crentes pode confundir
a compreensão dos termos discípulo e discipulado. Porém, falando do desenvolvimento inicial
dos novos discípulos, é muito certo e não fere o entendimento de que todos os crentes são
discípulos a vida inteira.

No caso das igrejas que praticam o MDA como modelo de evangelismo, discipulado e
pastoreio, o cuidado com os novos crentes chama-se Acompanhamento Inicial, dividido em
três níveis de manuais, tanto para o discípulo como para o discipulador.

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Qual é a palavra ou conceito do Novo Testamento quanto ao trabalho com os novos crentes?
Na realidade, o Novo Testamento não tem uma palavra usada exclusivamente para esse
trabalho, ou seja, um termo técnico. Porém, a palavra mais usada no trabalho com os novos
crentes é a palavra "exortação".

 EXORTAÇÃO
54
Exortação é a primeira palavra chave. Leia Atos 11.22,23; 13.43; 14.21,22. Note o uso desta
palavra. Em cada instante as pessoas são exortadas a fazer alguma coisa. O quê? Quem
está sendo exortado em cada instante?

Qual é o sentido da palavra "exortar" ou "exortação"?

 José de Chipre (Atos 4.36) é mais conhecido pelo seu apelido, Barnabé. Somos
ensinados que o termo Barnabé traduzido, quer dizer "filho da consolação". É
interessante notar que "consolação", traduzida do grego, pode ser também
"exortação". Trata-se da mesma palavra que Jesus usou quando disse: "rogarei ao
Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre"
(João 14.16).

 A idéia é de alguém que anda conosco para nos encorajar, consolar, exortar, e nos
orientar nas horas de dificuldades. O Espírito Santo é nosso exortador, consolador, ou
acompanhante supremo. Os novos crentes precisam de orientadores e exortadores.
Foi isso que José de Chipre fez tão bem e seu nome mudou para Filho da
Consolação ou Exortação.

Informe Publicitário: Para mais sobre a integração e cuidado dos novos


decididos, leia o livro do pastor Abe Huber, O Fator Barnabé. Adquira-o pela
MDA Publicações: mdapress@gmail.com.

 COMUNHÃO

Comunhão é a segunda palavra chave no discipulado. Lembre-se do exemplo de Jesus e da


igreja de Jerusalém, de como conviver com os novos convertidos. Note que foi enfatizado que
os crentes ficassem em Jerusalém numa vigília de oração por dez dias. Precisavam aprender
a conviver e a ter comunhão com o Cristo ressurreto na pessoa do Espírito Santo.

Como resultado da comunhão profunda com Cristo através do Espírito Santo, eles também
experimentavam uma comunhão importante uns com os outros. Mas, bem mais importante
ainda, é o fato de que estavam preparados para receber os três mil novos crentes e ensinar-
lhes a conviver com Cristo e sua igreja.

Hoje também há grande necessidade de acompanhantes preparados para trabalhar com os


novos crentes. O trabalho de acompanhante não é de ser um professor particular. Ele é um
exortador – consolador que anda ao lado do novo crente para encorajá-lo como um irmão e
não como um professor. Ele faz o que Barnabé fez com Paulo e com outros antes de Paulo.

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Ele leva o novo crente para a igreja para introduzi-lo na comunhão entre os irmãos. Leva a
igreja a aceitá-lo e ele a sentir que é aceito pela igreja.

Por isso, pode-se dizer que um discipulador convive com o novo crente para exortá-lo a
permanecer firme na comunhão com Cristo e Sua igreja.

55
B. COMO INICIAR A CONSOLIDAÇÃO
O trabalho de consolidação tem melhor desempenho quando o consolidador atua com o apoio
e autoridade da igreja. Portanto, é melhor iniciar esse ministério no final do culto. Ao
apresentar os novos crentes à igreja, o pastor pode iniciar o processo, se a equipe de
consolidação for bem preparada. Pode ser feito assim:

 Ao preencher a Ficha Do Novo Nascimento, o líder da equipe de consolidação


escreverá o nome da célula do decidido (à qual pertence ou deve pertencer). Também
escreverá o nome do líder e do consolidador que poderá acompanhá-lo. Se não tiver
alguém preparado que possa trabalhar com esse decidido, deverá deixar o espaço
para o discipulador ou a célula em branco;

 O diretor da equipe de consolidação terá todas as fichas prontas em três vias. Uma
delas fica na igreja, a qual será usada para que seus dados sejam transferidos para o
livro de consolidação da igreja. As outras vias serão dadas aos pastores/líderes de
rede, os quais, por sua vez, repassarão cópias para os supervisores e líderes debaixo
dele;

 O pastor de rede e/ou outros líderes debaixo dele farão a fonovisita nas próximas 24
horas. Para isso serão usados os dados da ficha preenchida na sala de consolidação;

 Marcarão uma visita com o novo decidido dentro de 48 horas. Isso dará tempo para
que ele seja levado para a célula que acontecerá durante a semana, na quarta, quinta
ou sexta-feira;

 Os pastores, juntamente com os supervisores e líderes de célula, garantirão que


aquele novo convertido terá um discipulador, alguém que vai acompanhá-lo dali para
frente.

C. COMO INICIAR A CONSOLIDAÇÃO EM TRABALHOS FORA DA IGREJA


Igrejas que têm melhor desenvolvimento do seu trabalho de evangelização têm a felicidade de
terem muitas decisões fora do templo da igreja: nas células e nos locais de trabalho e estudo,
ao aplicarem os trabalhos de evangelização pessoal. Como podemos iniciar o trabalho de
consolidação com pessoas nesses casos?

É claro que existem pessoas treinadas que estão designadas para ajudarem na consolidação
nos trabalhos fora do templo. No caso de células, o trabalho de consolidação sempre terá
melhor êxito se o consolidador for alguém que coopere sempre com as reuniões. Na
evangelização pessoal, se o evangelizador não pode fazer a consolidação, ele deve levar
alguém treinado, tão logo seja possível. O primeiro passo pode ser o de repassar o mesmo
conteúdo do livrinho que dado de presente ao novo convertido na consolidação do templo.

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Sempre é muito importante determinar logo se a pessoa se converteu ou não. Se há motivo


para duvidar de seu entendimento do Evangelho ou de sua sinceridade na decisão, concentre
os esforços em conduzi-la a um compromisso genuíno com Cristo, e não com o discipulador,
pois não fazemos discipulado com não crentes.

Com não crentes nós trabalhamos um processo de evangelização. Também não podemos ter
conselheiros que não apresentam evidências de serem genuinamente convertidos.
56

D. FATORES IMPORTANTES A CONSIDERAR


 Só devemos realmente discipular uma pessoa que obviamente se converteu e está
disposta ser acompanhada;

 Só devemos discipular uma pessoa do mesmo sexo; a exceção é quando um solteiro


discipula um casal, ou quando um casal discipula um pessoa solteira: mesmo esses
casos são situações atípicas e que devem ser corrigidas o mais breve possível;

 O ideal é discipular pessoas da mesma faixa etária, pois haverá maior afinidade quanto
a interesses, experiências, sociabilidade;

 Uma pessoa que seja, geralmente, semelhante (exemplo: casadas com casadas,
profissionais de mesma profissão, etc.);

 Uma pessoa fácil de encontrar durante a semana (moram ou trabalham em lugares


próximos, freqüentam os mesmos ambientes);

 Para uma melhor compreensão desse assunto, volte leia de novo o Manual do
Discipulador, as apostilas “Ide e Fazei Discípulos” (Fundamentos) e Discipulado
Bíblico (CTL).

E. O QUE FAZER NA SEQUÊNCIA?


O que é que um discipulador deve fazer com o novo convertido durante os próximos meses
de consolidação e discipulado?

Não é preciso fazer tudo na primeira visita. Você tem tempo. Na primeira visita o mais
importante é a formação de uma amizade. O líder de célula ou um supervisor pode participar
dessa primeira visita. Outros membros da célula podem participar em outras visitas depois.

F. ACOMPANHAMENTO INDIVIDUAL, PESSOAL


 Mostrar ao novo crente como crescer espiritualmente;

 Ajudá-lo a conhecer a Bíblia (as divisões do Novo Testamento e o Velho Testamento,


os livros, Evangelhos, cartas, profetas, capítulos, versículos, etc.);

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 Mostrar-lhes as grandes verdades nos seguintes textos: I João 5.11-13 (certeza da


salvação), no primeiro encontro. I Coríntios 10.13 (certeza da vitória sobre a tentação)
e I João 1.9 (certeza de perdão);

 O discipulador deve comprar e dar para ele o livrinho do Acompanhamento Inicial.


Pode até pedir que ele compre, mas é bonito quando o próprio discipulador doa o
primeiro manual. Mas ele avisa que os próximos o próprio discípulo ficará responsável
por adquirir; 57

 Fazer um compromisso de se encontrarem semanalmente (por uma hora no mínimo).


Pode ser um horário conveniente para ambos, como um horário de almoço, café da
manhã, na igreja antes ou depois de uma reunião, etc.;

 Participar juntos, de vez em quando, de atividades sociais, atléticas, recreativas, etc.;

 Quando não for possível reunir, deverá avisá-lo;

 Compartilhar com ele as experiências de seu tempo a sós com Deus (devocional
diário);

 Compartilhar o que você está aprendendo no seu estudo da Bíblia.

G. APROVEITANDO OUTROS RECURSOS – COLETIVOS.


 Acompanhá-lo aos cultos, célula, etc. (até que ele fique suficientemente firme, e passe
a assistir sem que seja precise ir buscá-lo);

 Levá-lo a iniciar as classes do Curso de Fundamentos, iniciando com a Nova


Criatura, e depois indo para a Família Cristã, Curso de Membresia e Ide e fazei
Discípulos;

 Levá-lo a participar do Pré-Encontro, Encontro e Pós-Encontro;

 Desafiá-lo a memorizar um versículo cada semana;

 Se ele for jovem ou adolescente, envolvê-lo nas programações jovens e teen que
acontecem periodicamente na igreja e fora dela;

 Pedir que ele compartilhe o que está aprendendo no seu tempo diário a sós com Deus;

 Sugerir outros estudos, livros ou revistas que ele possa usar no seu tempo devocional;

 Convidá-lo e levá-lo a participar do TADEL, para comece a entender e tomar gosto


pelos assuntos ligados ao discipulado e liderança de células.

H. SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O DISCIPULADOR


 Anotar os estudos e sugestões que têm ajudado o novo crente. Guardá-los numa
pasta para usar com outros;

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 Compartilhar o que você está ensinando com outros discipuladores (a melhor maneira
de guardar o que aprende é ensinar a outros);

 Aplicar em sua vida o que você está ensinando (hipocrisia, geralmente, é o resultado
de não aplicar na própria vida o conhecimento que tem);

 Dar oportunidade para o novo convertido compartilhar o que ele está aprendendo no
seu tempo a sós com Deus, bem como sua dificuldade em entender e responder às 58
perguntas nos estudos impressos;

 Continuar crescendo! Deve continuar estudando para crescer;

 Não desanimar – Um consolidador bem sucedido é alguém que ama e treina o novo
crente, deixando os resultados com Deus. "Não nos cansemos de fazer o bem"
(Gálatas 6.9).

 Sempre arquivar os materiais que tem na sua pasta de consolidação, os estudos


dados no TADEL, as instruções fornecidas pelos supervisores e pastores para as
reuniões dos grupos de setor, etc.

 Quando achar materiais que podem ajudar o novo crente, inclua esses na sua pasta
de consolidação.

 Deixar que o Espírito Santo lhe mostre verdades que podem beneficiar o novo crente.
Anote-a e inclua na sua pasta.

 Quando o novo crente ficar bem integrado, em condições de se alimentar


espiritualmente, deve providenciar para ele cópias dos materiais que você tem na sua
pasta de consolidação. Eles podem ajudá-lo a continuar crescendo, e, também, o
ajudarão a consolidar outros.

 Todo o tempo o consolidador deve lembrar que seu objetivo é exortar o novo crente a
ficar firme na comunhão com Cristo e sua igreja. Ele fará isso levando o novo crente a
se alimentar espiritualmente e participar assiduamente na vida da igreja.

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Capítulo Dez
59
REUNIÕES SEMANAIS DOS
MINISTÉRIOS DE ACOLHIMENTO
E CONSOLIDAÇÃO
É muito importante que os ministérios de Acolhimento e Consolidação tenham reuniões
regulares. Estas reuniões deverão ser dirigidas pelos pastores ou líderes das equipes. Os
consolidadores e acolhedores terão mais confiança no seu ministério se as reuniões forem
semanais. Todos os membros da equipe de acolhimento e consolidação devem ser
convidados.

Por que ter reuniões semanais? Um estudo de quatro semanas não é suficiente?

Pesquisas indicam que atualmente as igrejas estão batizando dez por cento ou menos dos
decididos. Mesmo assim, as estatísticas das igrejas indicam que cinquenta por cento ou
deixarão a igreja até dois anos depois. Não devemos imaginar que em quatro horas de
estudos e planejamento vamos solucionar um problema de proporções tão exageradas.

Quantas pessoas fizeram decisão na sua igreja por semana, em média, no ano passado? Em
média quantas foram batizadas por mês? Qual a proporção? Quantas foram excluídas ou
deixaram a igreja no ano passado? Qual é a proporção entre os batizados e os que se
afastam?

A maior parte do trabalho que a equipe vai fazer é um trabalho que nunca foi feito antes.
Ninguém tem experiência. Haverá dificuldades e necessidade de correções, melhores
orientações, encorajamento e talvez algumas modificações nos planos. Na área de
consolidação há muito para aprendermos que não pode ser incluído num estudo de quatro
lições. As pessoas podem aprender mais, depois de entrarem no trabalho. Depois de terem
certas experiências, uma revisão dos estudos pode aumentar o entendimento.

As reuniões devem incluir os seguintes assuntos:

 Relatórios: Se for o caso de sua igreja, vejam a "Ficha de Novo Nascimento". A


ficha deve ser preenchida semanalmente e relatórios verbais feitos durante a reunião.
Os consolidadores compartilharão vitórias e dificuldades.

 Resolver problemas: Durante o momento de compartilhar, alguns problemas


poderão ser resolvidos. Outros necessitarão de mais estudo pelo líder da equipe. Ele

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pode usar 15 a 20 minutos cada semana em estudo de problemas. Às vezes, o


propósito pode ser de responder as perguntas e dificuldades enfrentadas pelos
consolidadores.

 Estudos: O líder da equipe ou o pastor usará 15 a 20 minutos para um estudo. As


dúvidas e os problemas que já surgiram podem ser relacionados, bem como
sugestões de como melhorar as áreas de fraqueza geral. Sugerimos um estudo
60
relacionado à vida espiritual ou como ajudar o novo crente a evangelizar familiares e
amigos.

 Planejamento: O que será feito nos cultos? Quem fará o aconselhamento? Quem
são os consolidadores preparados que podem consolidar mais de uma pessoa? É
preciso planejar não apenas para os próximos cultos, mas também para médio e longo
prazo. É necessário recrutar outros consolidadores?

O ideal é que haja representantes de todas as redes nos ministérios


de Acolhimento e Consolidação. Dessa maneira, fica fácil
acompanhar as novas pessoas que estão ingressando
na igreja por via de suas células ou membros.

 Oração: Nesta reunião deve-se reservar tempo amplo para oração. Sempre haverá
necessidade de orar por mais obreiros, em favor dos novos convertidos e por todos
que deverão se entregar a Cristo.

As reuniões semanais podem ser realizadas uma hora antes do início dos cultos. Assim,
providenciarão um bom preparo para o culto. Se o pastor preparou um culto diferente, com um
apelo que foge do normal, ele deverá avisar nesta hora e planejar com seus consolidadores.
O pastor deve se reunir de vez em quando com a equipe de consolidação para animá-la,
oferecer sugestões e trocar idéias.

Falta de interesse em ser obediente ao senhorio de Jesus quanto ao batismo pode ser um
sinal de falta de sinceridade na decisão por Cristo.

A. BENEFÍCIOS DE UMA CONSOLIDAÇÃO BEM FEITA E


DO DISCIPULADO INICIADO:

 O novo crente passa a conhecer e amar a Deus sobre todas as coisas, fazendo de
Jesus o Senhor de sua vida;

 O discípulo cria novos hábitos, pelo conhecimento da Palavra de Deus e a comunhão


com os irmãos;

 O discípulo submete-se à ação do Espírito Santo na sua vida e passa por uma
consequente transformação e renovação de sua alma, de acordo com Romanos
12.1,2;

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 Passamos a conhecer mais sobre o novo discípulo e sua família: Tem oposição em
casa? Tem apoio? Outros familiares são crentes ou não? São abertos para o
Evangelho? O pastor pode fazer uma visita para iniciar contacto com essas pessoas?
O novo crente trabalha, estuda? Quais são seus interesses?

 Informações desta natureza podem abrir o caminho para levar muitos outros a Cristo.
O objetivo principal, porém, é ter melhores informações para um melhor entrosamento
do novo crente na igreja, ajudando-o a ganhar os seus conhecidos; 61

 Podemos dar mais informações sobre a igreja. A célula, as redes homogêneas e


outros ministérios;

 Podemos encorajá-lo a participar de uma célula e a fazer o Encontro. É importante


incentivá-lo a ser fiel no tempo semanal com o discipulador.

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Capítulo Onze
62

ACOLHIMENTO E BOA
COMUNICAÇÃO DO
EVANGELHO – NA CÉLULA
Nas células, base do nosso movimento e ação social mais próxima do povo,
precisamos utilizar todos os meios de comunicação possíveis, tais como cartazes,
informativos, folders, internet, para que haja realmente uma comunicação eficaz da
mensagem do evangelho e uma vivência bíblica dos princípios de Deus para o grupo.

É de capital importância a presença de muita alegria, comunhão, louvor e comunicação


na reunião da célula. Para tanto, o grupo todo deve estar permeado por uma atmosfera
de ACOLHIMENTO. Com um sorriso no rosto, e A PAZ DE JESUS vindo do fundo de
seu coração, sua célula poderá conquistar muitas pessoas para o Senhor.

A comunicação e o acolhimento para nós, membros-líderes e membros das células,


deve ser entendida primeiramente como uma importante forma de se transmitir o
amor de Deus. A boa comunicação cria, resgata, traduz-se em aliança de alegria com
Deus e com os irmãos. E você sabe qual é o ministério que primeiro faz uso da
comunicação na célula? Não?! É O ACOLHIMENTO!

 Acolher é comunicar-se: recebendo informações das mais diversas


daqueles a quem acolhemos e transmitindo o amor de Deus que há em
nossos corações.

 Acolher é evangelizar: levar, através de um abraço ou aperto de mão, as


Boas Novas a toda criatura, principalmente àquelas que vêm pela primeira
vez a reunião das nossas células.

O acolhimento é uma nova forma de se pregar o Evangelho: através dele, aproximamo-


nos das pessoas, a ponto de permitir-lhes um contato maior com Deus. A nova
evangelização pede mudanças na nossa forma de agir. Requer um renovado ardor
missionário que exige dos evangelizadores uma nova disposição, que leve a romper
com a acomodação e com a rotina.

Veja os ensinos e o exemplo de Jesus:

 “Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu
pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao
pescoço e o beijou” (Lucas 15.20).
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 “Trouxeram-lhe também criancinhas, para que ele as tocasse. Vendo isso,


os discípulos as repreendiam. Jesus, porém, chamou-as e disse: ‘Deixai vir
a mim as criancinhas, e não as impeçais, pois o Reino de Deus é de quem
se parece com elas. Em verdade vos declaro: quem não receber o Reino de
Deus como uma criancinha, nele não entrará” (Lucas 18. 15 – 17).

 “Jesus fixou nele o olhar, amou-o...” (Marcos 10. 21a). 63

 “Responderá o Rei: Em verdade vos declaro: todas às vezes que fizestes


isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o
fizestes” (Mateus 25.40).

Sugerimos a criação de uma Equipe ou Ministério de Acolhimento que será parte da


liderança da célula, como auxiliares. A reunião da célula só poderá acontecer se
houver real esforço de transformar o grupo em um encontro de irmãos e irmãs, porque
ele é a reunião de um povo em nome do Senhor, que fez de nós irmãos e irmãs, filhos
e filhas do mesmo Pai, membros de um só Corpo.

A equipe especialmente preparada para esta finalidade poderá criar um clima fraterno
entre os participantes, através da acolhida que recebe os irmãos à porta do local,
ajudando à todos a acharem os seus lugares, providenciar folhetos, etc.. Nessa equipe
deve ter sempre um dos anfitriões (moradores do local onde a reunião acontece), pois
dessa maneira os recém-chegados saberão ainda mais que são bem-vindas naquela
casa.

Apresente as novas pessoas de maneira dinâmica e criativa. Use o quebra-gelo para


essa finalidade, e seja sensível ao tipo de pessoa que está vindo pela primeira vez. Por
exemplo, se todos os visitantes forem pessoas acima de 50 anos, não faça quebra-
gelos onde é preciso pular, correr muito, ou situações que poderiam ser embaraçosas.
Não use quebra-gelos que seriam ideais apenas para adolescentes e jovens com
pessoas mais velhas, e vice-versa.

Nada de chamar as pessoas à frente, para que se apresentem.


Isto pode causar constrangimento. Alguns são muito desinibidos, mas
outros não. A espontaneidade de uns pode ser a vergonha de outros.

Também durante o grupo, deve-se ficar atento ao bem-estar dos presentes: cuidar da
ventilação e da luz, ajudar se alguém estiver se sentindo mal. Numa palavra, fazer as
vezes do dono da casa, recebendo os seus hóspedes.

Os membros da equipe de acolhimento estão recebendo em nome de Jesus Cristo, o


Bom Pastor, que conhece cada ovelha pelo nome. A equipe de acolhimento deverá, de
alguma forma, procurar memorizar o nome das pessoas.

Deve-se pôr em prática o que aconselha Tiago em sua carta, recebendo-se pobres e
ricos com a mesma atenção e consideração. A atenção deve ser dada igualmente a
todos, de maneira que ninguém se sinta deixado de lado ou paparicado demais.
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Uma das fortes razões pelas quais as pessoas vêm às reuniões da célula, e
retornam, é a camaradagem, a comunhão. Esse momento pode ou não ser
acompanhado por comida e bebida. Melhor que seja, sempre. As pessoas
querem desenvolver amizades e construir uma comunidade, o que é importante.

Havendo refrescos, café, refrigerantes e salgadinhos, biscoitos, sanduíches,


ótimo. Se for possível dar apenas um suquinho de daqueles que vêm em 64
envelopes para dissolver, também não tem problema. Se só for possível
providenciar pipoca ou uns biscoitinhos simples, aleluia!

A experiência de muitas células comprova que algumas vezes há mais cura e


transformação em volta das garrafas de café e refrigerantes e das jarras de suco
do que nos momentos de oração, louvor ou compartilhamento da mensagem.

Em primeiro lugar, não basta apenas acolher, mas também acompanhar a pessoa. Em
seguida, acolher bem a quem chega. Desde o início da reunião, receber a pessoa
calorosamente. Se eu acolho a pessoa, transmito-lhe receptividade e interesse, e ela
sentir-se-á valorizada. Em terceiro lugar, procurar atender fisicamente, comunicando ao
participante disponibilidade e interesse através de gestos. Se atendo a pessoa
fisicamente, transmito-lhe mensagens de interesse, de modo a envolvê-lo no processo
de conversão ou de encontro com Deus. É interessante concentrar-se na acolhida
(não fazer nada que não seja prestar atenção às pessoas). Por último, devemos
aprender a CONTEMPLAR o outro: olhando e escutando.

A. O OLHAR NA PRÁTICA DO ACOLHIMENTO


Usar o olhar para captar as mensagens não verbais. Se eu contemplo a pessoa, posso
receber mensagens significativas sobre o que ela está vivendo, de modo a conhecê-la
melhor. É seguir o exemplo de Jesus, olhando com amor, transparecendo o amor
daquele que morreu por nós, e que nos deu a vitória.

 TRÊS PONTOS AJUDAM A OLHAR MELHOR:

1. Olhar a aparência da pessoa de maneira discreta (objetivando situá-la,


saber de onde veio, o que faz, qual a sua personalidade...)

2. Olhar o comportamento da pessoa (se está à vontade ou não, se parece


triste, precisando de ajuda, etc.);

3. Perceber: os sentimentos (olhos cheios d’água, respiração), a prontidão


(presença/ ausência), o relacionamento e a coerência (o que vejo é mais
real do que aquilo que escuto).

Para isso, devemos ser discretos ao observar uma pessoa (naturalidade, não vigiar),
ser pacientes e persistentes na observação. Devemos também lembrar que nem tudo
que percebemos se torna uma verdade, e nem todas as observações precisam ser
comunicadas às pessoas.

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Precisamos também ser sensíveis à voz do Espírito Santo, que poderá comunicar ao
nosso coração pensamentos sobre aquela pessoa. Quando isso acontece, é porque
Deus quer que nos aproximemos dela com a intenção (e a capacidade) de ajudá-la.

B. O ESCUTAR NA PRÁTICA DO ACOLHIMENTO


65
Se escuto a pessoa, deixo entrar tudo o que ela quer transmitir-me de modo a
compreendê-la melhor. Isso criará empatia em mim, uma melhor leitura sobre a
pessoa, e mais confiança nela para comigo.

 CINCO PONTOS NOS AJUDAM A ESCUTAR MELHOR:

1. Ficar calado;

2. Não interromper;

3. Evitar distrações externas;

4. Evitar distrações internas (físicas e emocionais);

5. Suspender julgamentos.

C. ACOLHER A QUEM PERDEU ALGUÉM QUERIDO


Nas situações tristes também cabe o acolhimento feito com qualidade. Estar sempre
bem disposto a acolher quem perde um ente querido é uma qualidade que devemos
cultivar. Neste momento de dor e sofrimento, todo acolhimento, atenção e carinho
nunca serão esquecidos.

Se soubermos transmitir esperança e consolo aos parentes do falecido, teremos feitos


uma perfeita evangelização, porque neste momento, os corações estão abertos a
acolher uma mensagem de esperança e consolo. Aproximar-se dos parentes mais
próximos para dar os pêsames pode criar laços mais personalizados.

D. O ACOLHIMENTO NAS CARTAS


O mundo moderno tem vantagens e desvantagens. A velocidade como as pessoas se
comunicam hoje é impressionante. Os e-mails já são coisas quase que ultrapassadas.
Há outras ferramentas como msn, Skype, Orkut, Sonico, Facebook, e logo surgirão
outras ferramentas ainda mais atualizadas e mais aproximativas.

Por outro lado, nenhuma dessas coisas substitui aquele prazer, aquele encanto de
receber cartas impressas, envelopadas, seladas, escritas a mão. Você sabe que a
pessoa sentou-se à mesa, pensou verdadeiramente em você, deu-se ao trabalho de
mandar-lhe uma correspondência do próprio punho. É muito mais pessoal. Você tem a
certeza que a pessoa não somente encaminhou algo bonito recebido de terceiros.
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Mesmo quando a pessoa escreve um e-mail bem pessoal, não é a caligrafia dela, seus
rabiscos pessoais que estão lá.

Para muita gente, as cartas dão um caráter especial à evangelização. Nos momentos
de alegria, como um aniversário, a carta fará com que a pessoa se sinta valorizada por
ter sido lembrada. Também nos momentos de tristeza, poderá levar consolo e
esperança.
66
Um cartão bonito, colorido, com uma mensagem pertinente fala mais alto do que cem
mensagens prontas de e-mail, dessas que gente recebe em Power-points bem
elaborados e só encaminha para alguém. Muitas vezes nem apresentamos, só
mandamos assim: Fw:mensagem para o seu coração.ppt. Em seguida aprecem
dezenas de nomes de pessoas e endereços de e-mails em cor azul, junto com as
iniciais: Co ou Cco. Isso não é uma carta pessoal.

Não é errado mandar lindas mensagens em Power-point, mas é importante que pelo
menos assinemos, escrevamos algo de pessoal. A pessoa deve saber que pensamos
nela, e não que ela é apenas mais uma na nossa mala direta, figurando nos
intermináveis “rabos de mensagem”.

Devemos resgatar o valor de escrever cartas, cartões, dirigir-nos às pessoas com


coisas vindas do nosso próprio punho.

A carta é também uma poderosa ferramenta de comunicação entre os membros da


Igreja e das células (entre o pastor e seus auxiliares, entre o líder da célula e seus
auxiliares e membros). Através das cartas poderemos estabelecer as diretrizes dos
nossos serviços frente aos nossos ministérios, divulgar os nossos encontros, contar as
novidades, passar a visão, motivar, treinar.

Podem ser cartas circulares, e-mails; não tem que ser necessariamente escritas à mão.
O importante é que tenha um toque de pessoalidade, que todos saibam que é algo
vindo de você, de alguém que ama e se importa.

E. PRINCÍPIOS A OBSERVAR QUANTO AO ACOLHIMENTO NA


CÉLULA
 A acolhida começa quando a primeira pessoa chega à reunião, e só termina
quando a última pessoa sai.

 Tenha sempre um sorriso verdadeiro e espontâneo no rosto, transmitindo a


alegria do Ressuscitado. Não use gestos exagerados que possam inibir as
pessoas.

 Pergunte o nome da pessoa que está indo à célula pela primeira vez; procure
guardá-lo, e tente tratá-la sempre por esse nome. Isto gera naquela pessoa o
sentimento de que é importante, de que foi notada.

 Use do discernimento para perceber o estado de espírito da pessoa (triste,


deprimida, alegre, etc.) ao recebê-la.

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 Se a pessoa já participa da célula há algum tempo, procure comentar sobre a


sua aparência (comentários caridosos, é lógico!), como por exemplo: “legal,
você cortou o cabelo!” ou “Você ficou muito bem de vermelho...!” ou coisas do
gênero. Atenção: Com pessoas novas, é bom que esses elogios sejam feitos de
mulher para mulher e de homem para homem.

 Não faça lista de presença com chamada na célula, mas se perceber a


ausência de uma pessoa, tente entrar em contato com ela. Se possível, envie 67
bilhetes ou cartas, lembrando que Deus a ama e que o grupo sente sua falta.
Assim sentir-se-á querida e amada. Se você precisa preencher um relatório,
faça-o discretamente. De preferência, anote tudo mentalmente, ou num
caderninho à parte, e depois transfira os dados para a planilha.

 Acompanhe a pessoa dentro da célula. Se for a primeira vez, dê algumas dicas


sobre o funcionamento do grupo, o que vai acontecer. Procure observar o seu
comportamento, se está se sentindo bem, se algo a incomoda, etc. O bem estar
do participante da célula também faz parte da acolhida! Evite, porém, um
envolvimento afetivo de dependência.

 Conforme a realidade de cada célula, dê pequenas lembrancinhas no final do


encontro, procurando enfatizar o tema que o grupo seguiu.

 Em algum momento durante a reunião, apresente as pessoas que vieram pela


primeira vez e os aniversariantes. Especialmente com os novos, evite chamá-
los à frente para que todos os vejam, pois essa atitude muitas vezes inibe,
fazendo com que muitos não voltem.

 Dê especial atenção à sessão de comes e bebes no final da reunião. Não


precisa ser um banquete, mas um chá/café com bolachinhas depois do grupo.

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Capítulo Doze
68

ACOLHIMENTO NAS
REUNIÕES PÚBLICAS DA
IGREJA
“Uma gota de mel atrai mais formigas do que um balde de vinagre”
(provérbio popular)

Alguém já disse que importante considerarmos a porta do templo como um espaço


missionário, pois por ela passam as pessoas que procuram a igreja e que retornam aos
seus lares. É na porta do templo que os pastores, as pastores, os obreiros e líderes do
diferentes ministérios, principalmente os ministérios de Acolhimento e Conselheiros,
encontram as ovelhas e aqueles e aquelas que vão ao culto, TADEL, vigílias, e demais
atividades desenvolvidas no espaço físico da comunidade de fé. Neste encontro é
oferecido o acolhimento, a saudação, o afeto e a expressão de solidariedade. Este
aspecto precisa ser observado no início, durante e no encerramento dos cultos e
demais atividades da igreja, pois a receptividade é uma “porta aberta” para que as
pessoas retornem e se integrem à igreja local.

A recepção de visitantes e novos membros novos membros deve ser um momento


festivo, pois pessoas alcançadas pela graça de Deus afirmam sua fé em Jesus Cristo.
O culto deve ser direcionado para este momento.

Um dos grandes desafios da igreja de Jesus é hoje é acolher bem todas as pessoas
para que eles possam se sentir integrados à igreja local, e se engajem futuramente em
algum trabalho. Muitos se queixam da frieza de pastores, obreiros, recepcionistas,
secretárias, zeladores e até vigias.

Por outro lado, a Igreja Católica tem feito estudos que comprovam que o acolhimento é
um dos fatores que tem feito pessoas saírem de lá e buscarem abrigo em igrejas
evangélicas. Eles dizem que as igrejas evangélicas são mais acolhedoras,
recepcionam melhor os visitantes e cuidam para que eles se sintam bem em seu meio
e, sobretudo, voltem.

Diante do que lemos acima, grande é a nossa responsabilidade, pois, mesmo quando
recebemos esses elogios dos católicos, não devemos relaxar. Sabemos que muitas
igrejas não acolhem tão bem como deveriam, e outras que acolhem com motivações
erradas ou de maneira insatisfatória.

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A. O QUE É UM BOM ACOLHIMENTO


Uma boa acolhida, na verdade, é uma atitude. Não são técnicas, sorrisos, não é só
organizar para que tudo esteja certinho. É isso também, mas é acima de tudo um
conjunto de ações e atitude das pessoas que acolhem. Nesse sentido, um bom
acolhimento é uma atitude constante de abertura ao outro.
69
O Ministério de Acolhimento é de fundamental importância na igreja. Pelo seu trabalho
ele se constitui num elemento de evangelização que revela o coração de Jesus cheio
de misericórdia e de esperança. Jesus foi o primeiro e grande acolhedor do Novo
Testamento. O Seu amor trabalhava com o caráter de cada um, respeitando as
individualidades provendo a integração no Seu Corpo, a comunhão de todos num
ambiente de família e companheirismo.

B. O QUE SIGNIFICA ACOLHER


Significa admitir em sua casa ou companhia, receber bem, hospedar, amparar no
sentido de prestar auxílio e sustentar na queda, preservar, apoiar.

O espírito de acolhida deve permear todos os ambientes da Igreja, privilegiará os


afastados e os que mais necessitam de carinho. Um bom acolhedor começa seu
trabalho em casa, entre os familiares; esta atenção estende-se aos vizinhos, aos
membros da comunidade e vai mais longe, para atingir todas as pessoas com quem ele
tem contato, os afastados, os tristes, os sofredores... É o amor que não tem limites.

Recepcionistas existem em todo lugar. Nas empresas, nas escolas, nos consultórios,
nas portas de edifícios, em repartições públicas. Alguns são indiferentes, desligados,
apenas controlando o ambiente e prestando as informações necessárias. Outros são
meros vigias do ambiente, ou entregadores de senhas.

Existem os recepcionistas educados, como aqueles que trabalham vendendo planos de


saúde, atendentes de lojas de produtos caros, aeromoças e comissários de vôos,
garçons e maîtres de restaurantes caros, empregados de buffês em dias de recepções,
etc.

O acolhedor cristão, na igreja de Jesus, deve ser mais do que um bom recepcionista.
Antes de recepcionar com o seu sorriso e as suas palavras, ele recebe com o coração,
na convicção de que está prestando um relevante serviço a Cristo, e assim
contribuindo com a expansão do Reino de Deus e tocando diretamente em centenas de
vida.

C. SITUAÇÕES A SER COMPREENDIDAS PELOS ACOLHEDORES


DAS IGREJAS
 O mundo hoje em dia passa por sérias mudanças e transformações, em todas
as áreas;

 O que nos desafia na questão do acolhimento atualmente são as mudanças


sociais, políticas, econômicas, a mobilidade social, a migração;

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 A Igreja tem que se reposicionar em relação a uma série de coisas;

 A igreja tem outras organizações competindo pela atenção das pessoas, como
as casas de shows, os cinemas, praias, o mundo virtual da internet, etc.
Precisamos ser um ambiente acolhedor, de outra feitas as pessoas vão querer
continuar nas suas outras predileções;
70
 Precisamos também compreender as queixas e as motivações dos desviados,
pois são um grupo que precisa, até de maneira mais séria, da atenção e do
amor da igreja.

 O problema talvez seja a falta de sensibilidade e de agilidade para mudar as


estratégias do nosso atendimento nas igrejas. De repente nos acomodamos
num sistema, num método, num jeito e achamos que todo mundo tem que se
adaptar a ele, porque essa é a maneira como a igreja sempre tem feito.

 Muitas vezes precisamos mudar nossas estratégias e adaptá-las de acordo com


uma realidade que realmente abençoe as pessoas, para que elas se sintam
cativadas, atraídas para estar, com alegria e com prazer, na Igreja.

D. ACOLHIMENTO EM VÁRIOS NÍVEIS


 O acolhimento não é constituído somente pelos irmãos que recebem as pessoas
à porta, devidamente vestidos e com toda a cordialidade;

 O acolhimento da igreja não acontece somente aos domingos, quando temos as


reuniões públicas de celebração, ou às terças-feiras, quando promovemos a
reunião de treinamento de líderes – TADEL;

 Os vigias que recebem as pessoas no estacionamento, ajudando a


estacionar e efetuando a segurança do ambiente externo, também são parte do
acolhimento; se eles tratarem as pessoas mal, toda a igreja pode sofrer;

 As secretárias e funcionários, zeladores e porteiros que trabalham durante a


semana também são uma espécie de acolhimento, pois seu trabalho é tratar
bem as pessoas que visitam a igreja ou ligam em busca de ajuda ou
informações, compra de material, etc.;

 O banheiro precisa estar limpo, bem cuidado; os cestos não podem estar
abarrotados de papéis servidos, e o chão não pode estar molhado e
escorregadio; um banheiro pode ser um atrativo ou um motivo de afastar
pessoas da igreja;

 Um website atualizado, com boas informações, artigos, agenda, variedades,


curiosidades, fórum de discussões, também faz parte do acolhimento da igreja;
um website de igreja não pode ser apenas uma enciclopédia (só textos), nem
somente um eclesiatube (só vídeos), nem somente um catálogo online (só
venda de produtos); ideal é ter um pouco de tudo e muito mais;

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 As pessoas que atendem em cantinas ou livrarias devem igualmente estar


afinadas com a visão e a mentalidade da igreja, falar a mesma linguagem e ter
um espírito amigável: eles também são acolhedores;

 O ministério infantil deve ter pessoas preparadas para recepcionar os pais


e as crianças; ali também é um ambiente de acolhimento e cuidado.

O ministério infantil, assim como outros, tem treinamento constante para 71


seus colaboradores. Fique atento aos avisos de treinamento e às
convocações para novos voluntários. Mas não espere, ofereça-se para
colaborar, e sua ajuda será bem-vinda. Isto também é diakonia e bom
acolhimento, investindo na geração de amanhã.

E. MOTIVOS QUE TRAZEM PESSOAS À IGREJA

 Curiosidade, porque ouviram alguém falando muito bem da igreja, de algum ou


mais dos seus diferentes aspectos;

 Doença pessoal, alguma enfermidade para a qual estão querendo cura e graça
de Deus;

 Problemas conjugais entre marido e mulher;

 Problemas financeiros pessoais ou na família;

 Busca de ajuda financeira ou material para qualquer difi9culdade séria que


esteja passando;

 Decepção com sua outra igreja (quando são membros de outra congregação) ou
líderes, e por isso estão sondando outro pasto, outro ambiente;

 Um louvor ungido, ministério de teatro ou dança, ou alguma atividade em nosso


meio que lhe chama a atenção de maneira especial, por ser de grande interesse;

 A presença de familiares ou amigos já freqüentando a igreja;

 Eventos que realizamos, e que servem como um chamariz, seja pelas atrações
de música, arte ou pelas ministrações de preletores ou equipes;

 O desejo de conhecer mais das coisas de Deus e crescer Nele.

Além desses, há outros motivos. Sejam eles quais forem, é nossa responsabilidade
cuidar para que todos sejam bem recebidos e encontrem em nosso meio um ambiente
amigável e acolhedor. Mas o ambiente só pode ser acolhedor se for feito por pessoas
igualmente acolhedoras.

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F. DETALHES A SER OBSERVADOS PELOS ACOLHEDORES

 Chegue sempre na hora marcada pelos líderes do ministério, seja uma ou


meia hora antes. Isso lhe dará tempo para descansar, limpar o rosto, acalmar-se
e não ficar com aquele aspecto de cansaço ou agitação;

 A reunião de oração da equipe, antes dos trabalhos e antes que as primeiras


72
pessoas comecem a chegar lhe dará a alegria, a paz, a serenidade e a unção
que as pessoas precisam, e elas começarão a receber isto logo na entrada;

 Esteja sempre atento às instruções dos seus líderes de equipe;

 Tenha sempre um sorriso no rosto, demonstrando pela sua vida a graça de


Deus que está nela;

 Se você teve um dia difícil e sabe que não vai conseguir sorrir e receber as
pessoas apropriadamente, é aconselhável falar com o líder e pedir dispensa das
funções daquele dia, explicando os motivos e até pedindo oração por você.

G. OUTRAS DICAS IMPORTANTES A LEVAR EM CONTA

 Quando alguém chegar atrasado, acolha a pessoa da mesma forma com que
acolher as que chegaram no horário.

 O contrário também deve acontecer. Quando alguém chegar muito tempo antes,
ao invés de você dizer: “Nossa, chegou cedo demais”, diga: “Que bom que você
chegou cedo, é bom que ficará mais tempo conosco!”

 Quando alguém chegar e o auditório já estiver cheio ou quase cheio, você deve
ser responsável por acomodar a pessoa em um lugar. Principalmente
quando a pessoa parece meio perdida ou quando alguém já é idoso e tem
dificuldade para arrumar um lugar para assentar.

 Siga as instruções do seu líder e não se movimente com barulho ou chamando à


atenção dos demais. Se for procurar lugar para alguém, não grite ou fique
fazendo gestos exagerados para a pessoa ou para os outros acolhedores.

 Transporte cadeiras ou quaisquer outros objetos somente quando estritamente


necessário, e sempre procure não chamar a atenção para sim mesmo.

 Se alguém apenas lhe estender a mão – de maneira educada, mas ao mesmo


tempo reservada – não insista num beijo ou num abraço, principalmente se
for pessoa do sexo oposto.

 Não force uma intimidade com pessoas que você não conhece. Seja
caloroso, mas não inadequado. Abrace as pessoas, mas não ao ponto de
constranger a pessoa, e cuidado com a maneira de tratar ou abraçar pessoas do
sexo oposto.

 Resista à tentação de pescar pessoas logo na entrada do templo para a


sua célula. Pode ser que pessoa já pertença a outra célula; ela pode ser de
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outra igreja e só está querendo visitar; pode ser que ela não goste de uma
abordagem muito pessoal.

 Não tente pegar número de telefone das pessoas novas depois de um ou


dois minutos de conversa com a intenção exclusiva de levá-la para a sua
célula. Nem todo mundo gosta de dar o seu telefone assim, à primeira vista,
para pessoas que ela não conhece. Deixe que ela mesma ofereça ou conduza
ou avalie, sobriamente, se o nível de conhecimento já dá para você fazer isto. 73

 Fique atento para as “pessoas sumidas da igreja”. Com essas você pode ser
mais direto, até porque elas já tem mais familiaridade com o ambiente da igreja,
apesar de estarem ausentes por um período;

 Evite tratar as pessoas com gírias ou expressões que possam constranger,


principalmente os novatos, mesmo que você já os conhece de outros ambientes;

 Quando receber pessoas de aparência estranha, como hippies, punks, darks,


homossexuais, skin-heads, etc., seja agradável e trate a todos com a mesma
cortesia e cordialidade; não faça cara de espanto, surpresa ou reprovação;

 Quando tiver papéis ou algum impresso a ser entregue na porta de entrada,


faça-o com alegria e de maneira cortês; não empurre simplesmente o papel na
mão da pessoa sem olhar para ela.

 Quando tiver que distribuir impressões entre as fileiras de bancos ou cadeiras,


cuidado para não pisar nos pés das pessoas ou sair derrubando objetos; faça-o
com calma e elegância.

H. A APARÊNCIA CONTA

 Todos os membros do Ministério devem estar vestidos de maneira adequada e


confortável. Evite roupas extravagantes e que possam constranger outras
pessoas;

 Quando o ministério tem um uniforme padrão isto ajuda a todos serem


identificados facilmente; é bom considerar o uso de crachás, até mesmo com as
fotos dos acolhedores impressas neles;

 Tenha sempre o cabelo arrumado e não oleoso, unhas aparadas, roupa não
amassada nem suada. Esteja bem banhado e use desodorante;

 Dentes escovados, hálito fresco, sapatos limpos (não empoeirados) e postura


correta. Não fique todo torto, pernas e braços em posições estranhas; tudo isto
faz parte de uma boa aparência;

 E outras coisas mais que você já sabe e já pratica e que seu líder sempre
relembra de vez em quando.

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Capitulo Treze

74
A PRÁTICA DA
HOSPITALIDADE BÍBLICA
Seja desfrutando do tempo sozinho com Deus, um estudo bíblico ou um culto de
celebração, que imagens surgem na sua mente quando você é encorajado a praticar a
hospitalidade bíblica? Para muitos, as imagens de hospitalidade são semelhantes
àquelas das revistas femininas, com mulheres chiques em casas super arrumadas,
decoradas no melhor estilo e ao redor de mesas com serviço excepcional. Elas, com
toda dignidade, servem seus hóspedes, com gestos e mesuras impecáveis.

Apesar de algumas dessas imagens poderem ser aplicadas à hospitalidade bíblica, o


que elas realmente são é entretenimento. Quando a hospitalidade é descrita nas
Escrituras, existe uma ausência proposital de instruções relativas à decoração
doméstica, cardápios, ou conjuntos de servir as mesas. Mas há uma abundância de
direções sobre caráter, o lar e uma lista de quem devem ser os hóspedes.

João 14.15,21-24 claramente declara que a evidência primária é que os indivíduos são
cristãos e amam seu Pai celestial em obediência aos mandamentos de Deus. Apesar
de vivermos num mundo que promove "faça as coisas do seu próprio jeito",
aprendemos que para agradar o nosso Pai celestial nós precisamos atender a todas as
Suas instruções com um espírito obediente, não apenas escolher aqueles que me
agradam — e que incluem minha resposta àquilo que Sua Palavra ensina sobre
hospitalidade.

Romanos 12.13b diz que eu devo praticar a hospitalidade. De acordo com Hebreus, eu
devo mesmo "procurar amar os estrangeiros" (Hebreus 13.2) — e não simplesmente
oferecer hospitalidade aos meus amigos. Se eu quero demonstrar obediência ao meu
Pai celestial, eu vou escolher praticar a hospitalidade.

I Pedro 4.9 estabelece a instrução para praticar a hospitalidade e nos lembra que
minha atitude é da mais alta importância — eu devo praticar a hospitalidade sem
reclamar! Este verso nos desafia a sondar meu coração para discernir se eu estou
encarando esta oportunidade de ministério com uma boa atitude no coração (veja
Colossenses 3.23).

Hebreus 13.2 nos faz lembrar que nosso desejo de estender a hospitalidade pode ter
implicações bem mais extensas. Se eu estudar as vidas de Abraão e Sara (Gênesis
18.1-3), Ló (Gênesis 19.1-2), Gideão (Juízes 6.11-24), e Manoá (Juízes 13:6-20), eu
vou aprender que todos os estranhos cuidados por eles eram na verdade mensageiros
especiais da parte de Deus. Apesar da nossa motivação primária não dever ser aquele

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de dar primeiro objetivando receber, Lucas 6.38 claramente declara que a medida que
eu utilizar para dispensar meus dons e talentos será a mesma usada para providenciar
para as minhas necessidades. Qual é o tamanho da minha medida de hospitalidade?

III João 7-8 me desafia a estender a hospitalidade para aqueles envolvidos no


ministério do nosso Senhor. É emocionante saber que quando eu compartilho meu lar e
meus recursos com os servos do Senhor eu estou me tornando uma parte ativa dos
seus ministérios. Deus reservará para mim os mesmos galardões e bênçãos que serão 75
direito deles.

A. HOSPITALIDADE BÍBLICA E O SEU CARÁTER


O desejo de encorajar a sociedade do século III a abraçar alguma forma de valores
éticos está evidente no surgimento de muitas organizações cristãs, entre elas o recém-
criado Instituto Melvin Abraham Huber – IMEH, em Fortaleza, que visa prover diaconia
bíblica para as comunidades, principalmente as crianças.

Nos Estados Unidos, por exemplo, tem um instituto parecido chamado Josephson
Institute, cujo propósito maior é lembrar para a cultura e a sociedade que "o caráter
conta”. Os materiais escritos deles sugerem que uma pessoa de caráter:

 É uma boa pessoa, alguém para ser olhada e admirada.

 Conhece a diferença entre o certo e o errado e sempre tenta fazer o que é certo.

 Dar um bom exemplo para todo mundo.

 Torna o mundo um lugar melhor.

 Vive de acordo com os "Seis Pilares do Caráter": confiança, respeito,


responsabilidade, bondade, cuidado e cidadania.

Como membro da sociedade do século XXI, nós podemos certamente afirmar


tranquilamente as definições de uma pessoa de caráter propostas pelo Instituto
Josephson. Contudo, ao pensar melhor na definição, nós nos pegamos procurando um
padrão pelo qual medir nossa aplicação de caráter, de serviço conseqüente. Pelo fato
de sermos cristãos em primeiro lugar e depois membros da sociedade, somos
abençoados de ter a Palavra de Deus como padrão, como modelo que nos desafia a
cultivar um estilo de vida que se adéqüe ao da única pessoa que apresentou o caráter
na sua mais pura forma: Jesus Cristo. Devia ser parte das nossas orações diárias o
pedido para podermos dizer, francamente, com toda realidade, como dizia Paulo, para
as pessoas com quem lidamos: "Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo" (I
Coríntios 11.1).

E uma vez que estamos mesclando hospitalidade com caráter, vamos fazer uma busca
nas Escrituras e criar uma colagem de palavras para uma pessoa de caráter, que
deseja praticar a hospitalidade bíblica, e ver como ela deve parecer.

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B. ACRÓSTICO H – O – S –P – I – T – A – L – I – D – A – D – E

A pessoa de caráter cristão que pratica a hospitalidade bíblica é ou demonstra...

76
H — Humilde
Humildade é o oposto de auto-suficiente e é um pré-requisito necessário se eu quero
ser útil para o meu Pai celestial. Eu posso exercer a humildade ao escolher sair da
minha "zona de conforto" e convidar pessoas para a minha casa, não somente os
amigos mais chegados, mas também pessoas com quem eu não me dou tão bem, ou
aquelas quem jamais esperariam ser convidadas para o evento (I Pedro 5.5b).

Não é falta de humildade querer honrar as pessoas com nossos convites. Normalmente
nós convidamos pessoas que, quando vêm, estão nos dando muita honra em prestigiar
nosso evento. Por outro lado, devíamos considerar a possibilidade de convidar pessoas
que vão pensar: “Mas eu? Será verdade mesmo? Puxa, nunca esperei...”. Nesse caso,
nós é que as estaremos honrando. E isto tem mais crédito diante de Deus, sem dúvida.

O — Obediente
A evidência primária de que os indivíduos são cristãos é sua escolha de obedecer a
todos os mandamento de seu Pai. Eu demonstro obediência ao obedecer a todos os
mandamentos do meu Pai, incluindo aqueles que focam a hospitalidade (I Samuel
15.22b).

S — Sincera
"Genuíno", bem como uma "ausência de engano ou hipocrisia," descreve ações
sinceras. Eu “me colocarei de joelhos" (orarei) até que eu realmente possa fazer
convites sinceros (II Coríntios 1.12).

P — Poderosa na Oração
Oração: isto é, comunicação com o nosso Pai celestial, mostra meu desejo por for Sua
direção sobre todas as coisas e dependência Dele para os eventos, tudo. Eu resolvo
orar sobre todos os eventos que eu planejo, sobre todos os seus aspectos, seja
comunhão, serviço, churrasco, evangelização, sobre tudo. E assim, nesses eventos, a
hospitalidade deve ser muito bem praticando, tanto para com os de dentro como para
com os de fora (I Tessalonicenses 5.17).

I — Interessada na Integridade
Integridade é escolher fazer o que é certo quando temos diante de nós o que é certo e
o que é errado. Às vezes o que é certo não parece muito agradável, não é popular, não
agrada a maioria e muitas vezes nem a minoria. Mesmo assim, precisamos escolher
seguir os padrões do nosso Pai celestial, independente do que a opinião geral da
sociedade diga ou do que a maioria esteja fazendo como certo (Salmo 25.21).
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T — Totalmente Confiável
Um lar confiável providencia um ambiente de segurança e confiança. As mulheres
podem estudar a vida de Isabel, mãe de João Batista (Lucas 1.39-56), como um
modelo para a sua vida. Ela foi uma mulher acolhedora, sábia, prudente, e mesmo
grávida numa idade avançada, soube receber como muita alegria e graça a mãe do 77
Salvador, hospedando-a por vários meses.

Ao hospedar Maria, Isabel estava também hospedando Jesus, mesmo antes que ele
nascesse. Imagine o galardão dessa mulher no céu! Outro modelo a ser seguido pelas
mulheres é aquele da mulher virtuosa, presente no livro de Provérbios. Aquele lar é um
ambiente onde todos gostariam de ser acolhidos, hospedados (Provérbios 31.11).

A — Adotada na Família de Deus


Adoção é fazer uma escolha consciente de legalmente integrar um indivíduo dentro do
lar de outra pessoa e nutri-lo, cuidar dele como se fosse seu filho biológico. Por isso eu
devo, com a ajuda do Espírito Santo, comportar-me de acordo com os padrões do meu
novo lar, com os valores do meu Pai. Devo honrar Seu nome e o nome da família,
reconhecer meu valor, minha importância na linhagem ao qual agora pertenço, e zelar
pela herança que já é minha agora, mas que será ainda maior no futuro. Uma das
maneiras de demonstrar isso é fazer das minhas reuniões, da minha casa
principalmente, "um pedaço do céu" na terra (Romanos 8.15).

L — Liderada e Guiada pelo Espírito


Ser guiado pelo Espírito literalmente significa andar nos passos do Espírito Santo,
pisando onde Ele pisa e deixa os rastros. Devemos criar o propósito de permitir que o
Espírito Santo nos guie para que não tenhamos que andar lutando contra os desejos
da nossa carne ou sendo vencidos por eles (Romanos 8.14; Gálatas 5.16).

I — Instrumento da Justiça de Deus


Instrumento para a produção de justiça sugere trazer "todo pensamento cativo à
obediência de Cristo" (II Coríntios 10.5) e recusar-se a entrar em pânico ou preocupar-
se com qualquer coisa (Filipenses 4.6-8). Eu devo controlar o que eu penso sobre as
coisas e determinar ser espiritualmente renovado, ao humildemente apresentar minhas
preocupações ao meu amoroso Pai celestial — mesmo quando as questões de
hospitalidade pareçam estar além da minha capacidade (Romanos 6.13).

D — Dedicação Grata
Ser grato é um ato de vontade que gera ações de graças a Deus — não importam as
circunstâncias. Eu decido estar contente independente das minhas circunstâncias
pessoais, sabendo que meu Pai celestial é quem gera no meu coração toda paz,
alegria e contentamento que me farão um hospedeiro de acordo com o Seu coração.
Hospitalidade não é somente encher a casa de pessoas, mas ter um coração
agradecido a Deusa e disposto a encher-se de gente. Nós colocamos primeiro as
pessoas em nossa mente e em nosso coração, depois nas nossas casas, célula,
eventos, igreja, etc. (Filipenses 2.11b; Colossenses 3.15).
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A — Ampla Rendição
Possuir um desejo de render-se às instruções específicas do nosso Pai celestial aos
Seus filhos é uma relação de hospitalidade prática. Sim, pois estamos hospedando a
vontade do Pai no nosso coração, em primeiro lugar. Ao fazer assim, estou dizendo
para Ele que eu abraço as Suas instruções de todo o coração, reconhecendo-as como 78
perfeitas e elevadas, prontas e gerar muitos novos filhos, consolar os abatidos, e
promover a edificação geral do Reino — e assim fazendo, minha alegria é completa
(Romanos 6.19; I João 1.4; II João 12).

D — Dedicação aos Outros


Essa dedicação é fruto do amor que nós recebemos de Deus e que temos por Ele.
Amar a Deus que não vemos é fácil, por um lado, mas este amor deve igualmente ser
dispensado aos nossos irmãos a quem vemos. E vemos nossos irmãos com suas
falhas, fraquezas, e caráter nem sempre devidamente lapidado pelo Mestre Jesus.

Há também aqueles que nem ainda são irmãos, não entraram na família. Estão nos
orfanatos da vida ou abandonadas pelas ruas do pecado, da mentira, dos vícios, do
medo, etc. Alguém deve ir até lá e trazê-los para a comunhão da família. Alguém deve
correr riscos. Deus está sempre pronto, através de Seu Filho Jesus, a recebê-los na
comunhão da sua Casa, mas nós – os outros filhos – estamos prontos e dispostos a
pagar o preço?

Nós somos aqueles que devemos cuidar de todo o processo de adoção, apresentar os
novos filhos ao Pai, ensinar-lhes os princípios da família, e como andar dentro do seu
novo padrão de vida. Eles podem cometer erros, gafes, dar vexames, mas são nossos
“parentes espirituais”, daí que não podemos nos envergonhar deles nem deixá-los
entregues à própria sorte. O discipulado consistente é também um forte componente
da diaconia bíblica.

E — Equipamento de Todo o Corpo


Quando eu pratico a hospitalidade bíblica, outros estarão vendo, estarão me
observando. Do mesmo jeito que nós treinamos discípulos – líderes e obreiros para
todos os ministérios – pelo ensino e pelo exemplo, devemos fazê-lo também com a
hospitalidade. Aqui, até mais do que em outras funções na Casa de Deus, o exemplo
fala mais alto do que muitas ministrações e estudos.

Aqueles que receberem nossos serviços de amor e cuidado não esquecerão, e se


tornarão eles mesmos bons acolhedores. Aqueles que têm excessivo apego às coisas
materiais, ao seu conforto, privacidade, podem mudar de idéia ao ver nosso
desprendimento, nossa disponibilidade para servir.

Em assim fazendo, estaremos, direta e indiretamente, treinando hospedeiros, anfitriões


para as células, acolhedores para a célula e para a igreja. Teremos mais e mais gente
disposta a servir, e assim o evangelho se cumpre, os homens vêem as nossas boas
obras e glorificam ao Pai que está nos céus.

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As palavras de Russell Cronkhite, ex-chefe executivo da Blair House, a casa de


hóspedes do presidente dos Estados Unidos, oferece a uma conclusão bem apropriada
para essas argumentações:

A hospitalidade é um dom maravilhoso. Nós não precisamos de um grande


palácio, ou uma casa dos sonhos — pois poucos de nós os têm. Para fazer
os outros se sentirem verdadeiramente bem-vindos, bem aceitos, nós só
precisamos de um coração aberto e a demonstração da beleza do amor. 79

Somente quando eu permito que meu Pai celestial refine o meu caráter é que eu vou
possuir o coração de uma hospedeira (ou hospedeiro) que permite que o verdadeiro
amor de Deus se expresse através do seu lar, da sua célula, do ministério em que
ele/ela participa.

A necessidade de convencimento parece ser mais freqüente nas mulheres do que nos
homens, pois elas se preocupam mais com a aparência da casa, dos móveis, o estado
da sala, da mesa, da cozinha, etc. Para os homens é mais fácil, pois eles não se
preocupam tanto com essa questão de aparência. A mulher se preocupa mais, pois
acha que se qualquer coisinha estiver fora do lugar, parecerá que ela é a responsável,
que ela não cuidou como deveria. Ao ler as palavras abaixo, veja se você tem o
coração de uma verdadeira anfitriã – hospedeira cristã.

C. O CORAÇÃO DE UMA HOSPEDEIRA CRISTÃ

Se uma mulher crente é muito boa em ensinar para as outras sobre as


responsabilidades do lar, incluindo o santo dom da hospitalidade, mas ela mesma
falhar em aplicar essa motivação tão elevada à sua própria vida, seu próprio lar, ela
estará sendo arrogante e incoerente (I Coríntios 8.1).

É possível alguém conhecer de cor todas as passagens bíblicas de mulheres sendo


hospedeiras, poder descrever suas biografias e exemplo, mas falhar em copiar seu
exemplo e modelo. Fazendo assim, esta pessoa terá uma fé e um ministério teóricos e
religiosos, faltando a prática da piedade, tão encorajada em toda a Bíblia (I Coríntios
10.11).

Estas coisas são ainda mais fortes quando pensamos em mulheres no ministério,
líderes na casa de Deus, ou esposas de pastores. Se alguém, homem ou mulher,
almeja o ministério cristão, e fica acordado a noite toda preparando um estudo bíblico
doutrinariamente correto, cheio de profundidade, mas falha em abrir sua casa para
outros, essa pessoa estará negligenciando os mandamentos do Novo Testamento que
ordenam praticar a hospitalidade (Romanos 12.13a).

Existem pastores cujos membros de suas igrejas apenas sabem onde eles moram. Até
seus co-líderes, discípulos e colaboradores, apenas vão lá quando têm negócios a
tratar, e são recebidos rapidamente no portão, na área ou no deck, quando o líder mora
num edifício de apartamentos ou condomínio. Suas reuniões, comunhões sociais e
tempos de lazer e socialização acontecem em lugares públicos, em restaurantes, na
igreja ou na casa de outros irmãos (mais abertos e acolhedores).

Não deve ser assim. A casa do pastor não deve ser um albergue, um restaurante
popular ou um pensionato onde toda hora tem gente comendo e dormindo, mas
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também não pode ser um esconderijo secreto, uma fortaleza à qual somente alguns
poucos privilegiados (e olhe lá!) têm acesso.

Uma hospedeira cristã é graciosa (Provérbios 11.16) mesmo quando os outros não
são. Ela crê que as instruções bíblicas de praticar a hospitalidade são tão relevantes
para hoje como elas eram no tempo em que foram escritas, e procura integrar na sua
vida diária os ensinos bíblicos sobre o lar sendo um “lugar preparado” para sua família,
amigos e estranhos (João 14.2b). 80

Uma hospedeira cristã recebe iluminação da Palavra de Deus que a motiva para
desenvolver um coração aberto para atender bem uma variedade de tipos de
convidados (Romanos 2.11), tem uma língua que lhes fala com sabedoria e bondade
(Provérbios 31.26), e um espírito submisso que providencia hospitalidade sem
murmuração (I Pedro 4.9).

Ela leva muito a sério o mandamento de Tito 2.3-5 e intencionalmente adquire


instrução sobre a administração do tempo, finanças da família, nutrição, preparo de
comida, e a arte da hospitalidade em geral para que a Palavra de Deus não seja
desacreditada.

Os contatos profissionais são importantes, mas com o tempo eles diminuem de


importância; os convites para pregar e ministrar em eventos e conferências são
importantes, mas logo surge alguém que fala e ministra melhor, e o conteúdo
ministrado fica no passado, integrado na vida das pessoas, é claro, mas não tão forte
nas suas memórias, associando-o a nós. Mas a mulher (ou o homem) que escolher
desenvolver um coração de hospitalidade, abrindo além da sua casa o seu coração
para as pessoas, será grandemente abençoada porque escolheu cumprir o
mandamento que manda praticar a hospitalidade do Novo Testamento (III João 1.8; I
Timóteo 3.1, 2; e Tito 1.7, 8).

Como exemplo do que mencionamos acima, vamos citar o caso de uma missionária.
Hoje ela é esposa de pastor, e os dois trabalhando numa cidade do Pernambuco. 17
anos atrás ela foi junto com uma equipe para Santarém, no interior do Pará. Ela e
aquele grupo ficaram quase três semanas no norte, onde visitaram os ribeirinhos. Ela
ministrou várias vezes para jovens e crianças, fizeram evangelismo, teatro, cultos ao ar
livre, etc..

Durante aquele período de serviço aconteceu também um evento especial na igreja,


onde um excelente pregador compartilhou por uns três dias. O interessante é que a
missionária não se lembra detalhes do que ela falou para as crianças ou para os
jovens; não lembra os temas nem o conteúdo das mensagens do pregador. Nem se
lembra das falas do teatro apresentado pela equipe.

Uma coisa, contudo, está forte e viva na memória da missionária: a hospedagem na


casa dos irmãos que a receberam. Ela lembra nomes, conversas, a comida servida, as
brincadeiras, o amor que lhe foi largamente dispensado naquele lar. Interessante que
aqueles irmãos, tanto tempo depois, também se lembram dos mesmos detalhes. Tanto
eles como a missionária têm fotos da época, as quais registram os momentos
preciosos passados juntos.

Outra coisa boa é que a missionária, hoje esposa de pastor, tem um coração e um lar
muito abertos para todos. Ela recebe pessoas em casa e na igreja com muita alegria,
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muito amor e dedicação. Ela tem feito com muitos outros jovens o mesmo que aqueles
irmãos fizeram com ela, e assim a bênção se perpetua, para a glória de Deus.

Assim, tanto a mulher cristã comum como a mulher cristã que tem o coração de uma
hospedeira cristã permanecem na igreja; contudo, aquela crente que tem o coração
hospitaleiro cultiva um estilo de vida que reflete mais seus valores e demonstra um
caráter mais alinhado com a Palavra de Deus.
81

D. A HOSPITALIDADE BÍBLICA E SEU LAR

O que é um lar? Para o arquiteto, é o amalgamamento de desenhos e planilhas. Para o


mestre de obras, é o ajuntamento de vários tipos de materiais de construção, enquanto
que para o designer de interiores, é um pano de fundo para a aplicação estética de
cores, textura, cortinas e acessórios. Um lar, de uma perspectiva bíblica, contudo, deve
ser tanto um lugar de refúgio como um centro de evangelismo.

1. O Lar como um lugar de refúgio

Refúgio, por definição, significa um "teto ou proteção contra o perigo, problema, etc.;
qualquer coisa onde você busca ajuda e proteção, alívio ou escape”. A Bíblia está
cheia de ilustrações de refúgios providenciados por Deus; estes descrevem qualidades
que devem ser características do lar cristão — primeiro que ali residem e depois para
aqueles que são recepcionados como um gesto de hospitalidade bíblica. De acordo
com a Palavra de Deus, o lar cristão deve ser um lugar de:

 Refúgio para aqueles que fizeram coisas erradas (Números 35.6, 11-15).

 Segurança (Números 35.25-28).

 Proteção que espelha a ilustração de providenciando abrigo como a mamãe


pássaro abriga seus frágeis filhotes sob suas asas (Êxodo 19.4; Deuteronômio
32.11; e Salmo 17.8; 36.7; 57.1; 61.4; 63.7; 91.1-4).

 Segurança — uma fortaleza que está a salvo da hostilidade do mundo (II


Samuel 22.3).

 Alívio para aqueles que comunicam o evangelho (Atos 9.35-10.23; Lucas 10.38-
42; III João 5-8; Hebreus 13.2; Romanos 12.13; I Pedro 4.9; Atos 16.15;
Filemom 22; Romanos 16.23).

Nossos lares se tornam lugares de refúgio para outros quando nós decidimos usar
nossas habilidades de hospitalidade para ministrar na vida deles.

2. O Lar Como um Centro de Evangelismo

A igreja do século vinte e um tem cultivado procedimentos e ferramentas de


evangelismo altamente sofisticados — sessões de treinamento, vídeos, seminários,
manuais e livros de metodologia estão disponíveis. Contudo, quando você estuda as

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Escrituras, você descobre que o lar, e não a igreja, servia como o centro de
evangelismo na expansão do Cristianismo primitivo. Michael Green escreve: "Um dos
métodos mais importantes para espalhar o evangelho no primeiro século foi o uso das
casas”. Ele então afirma que era assim com a casa de Priscila e Áquila, ao declarar:
"Lares como este devem ter sido altamente eficazes no avanço evangelístico da igreja”.

Uma excursão pelo Novo Testamento nos dará uma luz quanto à importância do
evangelismo para o crente. As instruções finais do nosso Senhor para Seus discípulos 82
foram para que eles fizessem discípulos, meramente convertidos, de todas as nações
(Mateus 28.19). Paulo escreve que nosso Senhor deu os dons espirituais, incluindo o
dom de evangelista, para aqueles que Ele chamou para o serviço (Efésios 4.11).
Repetindo o termo em II Timóteo 4.5, Paulo se dirige a Timóteo: "faz a obra de um
evangelista." John MacArthur traz um esclarecimento sobre esta passagem ao definir
evangelista para nós:

“Usada apenas duas outras vezes no Novo Testamento (Atos 21.8; Efésios
4.1), esta palavra sempre se refere a um específico ofício de ministério
com o propósito de pregar o evangelho para não crentes. Baseado em
Efésios. 4.11, é muito básico assumir que todas as igrejas teriam tanto
pastores-mestres e evangelistas. Mas o verbo relacionado "pregar o
evangelho" e o substantive relacionado "evangelho" são usados por toda
a extensão do Novo Testamento não apenas em relação aos evangelistas,
mas também ao chamado de cada crente, especialmente pregadores e
mestres, para proclamarem o evangelho. Paulo não chamou Timóteo
para o ofício de evangelista, mas para ‘fazer a obra’ de um evangelista”.

Assim como com o conceito de nossas casas se tornando lugares de refúgio para
outros, eles se tornam centros de evangelismo quando são consagrados ao nosso
Senhor. Contudo, transformá-los em centros de refúgio e centros de evangelismo leva
tempo; coordene-os ou “amarre as pontas” dos dois, considerando uma Agenda de
Entretenimento Espiritual (veja o gráfico que se segue) quando você se prepara para
receber convidados.

A escritora cristã americana Patricia A. Ennis elaborou uma agenda muito interessante.
Ela a chama de Agenda de Entretenimento Espiritual, voltada para o recebimento de
pessoas na casa. Enquanto muitos se preocupam somente com as aparências, as
dicas de etiqueta social e os pratos a ser servidos, ela dá um caráter espiritual à arte de
convidar, receber e servir.

O que para muitas mulheres poderia ser um peso e uma sobrecarga, Patricia
transforma em oportunidades de crescer, amadurecer, aprender novas lições com o Pai
Celestial. Ela entende que o simplesmente ato de receber pessoas tem um grande
peso de glória, sendo oportunidade para meditar e ao mesmo tempo aplicar essas
lições práticas à vida das pessoas que virão.

Ela chama de “agenda de entretenimento”, mas na verdade são lições profundas que
toda mulher cristã deveria incorporar à sua prática. Vividos, esse princípios
revolucionarão completamente a arte de hospedar – receber visitas.

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AGENDA DE ENTRETENIMENTO ESPIRITUAL

Enquanto fisicamente eu Espiritualmente eu


Preparo minha lista de convidados. Agradecerei ao meu Pai Celestial que eu estou 83
incluída na lista de convidados para a Ceia do
Casamento do Cordeiro (Apocalipse 19.7).
Crio meu cardápio. Terei em mente o cuidado providencial de Deus
por mim (Salmo 104.27; 136.25; 145.15-16).
Preparo a melhor distribuição de Avalio meu uso do tempo em relação à
horários. brevidade da vida (Salmo 90.12).
Faço compras no supermercado. Lembro-me que eu fui comprada por um preço (I
Coríntios 6.19-20).
Decido sobre as toalhas da mesa. Lembro-me que Deus deu a Moisés instruções
específicas para as roupas que deveriam
compor o Tabernáculo, incluindo as de cor e as
de linho (Números 4.7-10).
Seleciono meus conjuntos de mesa Focalizo em ser eu um vaso de honra (II
(louça chinesa, prata, taças,etc.). Timóteo 2.21).
Garanto que todos os meus conjuntos Examino meu coração para garantir que ele está
de mesa estão limpos e sem mancha. limpo (Salmo 24.4; 51.10).
Sacrifico meu tempo e energia para Lembro do sacrifício que Cristo fez por mim
limpar minha casa e preparar a (Lucas 24.44-47).
comida.
Sirvo meus hóspedes. Reflito no exemplo de serviço humilde de Jesus
(João 13.1-20).
Intencionalmente dirijo a conversa Modelo o linguajar da Mulher Virtuosa
para assuntos dignos e honestos. (Provérbios 31.26).
Arrumo minha casa depois do evento. Penso no processo da limpeza dos pecados
feita por Jesus (I João 1.7,9).

E. A HOSPITALIDADE BÍBLICA E SEUS HÓSPEDES


Havia um livro de devocionais muito famoso nos Estados Unidos, que certa vez trouxe
uma reflexão intitulada: "The Boxcar Wall" (A Parede do Vagão de Trem). Aquela
história colocava em relevo o princípio de Tiago 2.14-16, numa perspectiva bem
interessante. Alguém conta mais ou menos assim:

Outro dia eu tomei café com um homem que há 60 anos vendia jornais e
engraxava nas ruas do centro de Boise, Idaho. Ele me contou sobre a sua
vida naqueles dias e de como as coisas mudaram desde então.
“O que mais mudou?” Eu lhe perguntei. “As pessoas”, ele disse. “Elas não se
importam mais”.
Como o assunto estava indo naquela direção, ele me contou sobre a sua
mãe, que frequentemente alimentava homens famintos que vinham à sua
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casa. Cada dia ela preparava para sua família e então fazia várias outras
refeições, porque ela sabia que viajantes sem teto começariam a aparecer
ao redor da hora do almoço. Ela tinha muita compaixão por aquele que
andavam em necessidade. Uma vez ela perguntou para um homem como
ele tinha achado o caminho para a sua porta.
“Seu endereço está escrito em todas as paredes dos vagões dos trens,” ele
disse. 84

Ao se concentrar em aplicar Tiago 2.14-16 à sua vida, você vai querer considerar as
visitantes a quem você poderia ministrar — solteiras, viúvas, as enlutadas, pessoas
passando por necessidades de alimentos (baixa-renda, nível de pobreza, e os sem
teto), bem como os idosos; para aplicar esta passagem efetivamente você deve
primeiro entender as características da compaixão bíblica.

F. COMPAIXÃO BÍBLICA — O QUE É ISTO?


A hospitalidade não é sobre mim e você — na realidade, quando nosso ego está
envolvido nós perdemos definitivamente a razão básica para a hospitalidade. John
Ruskin escreve: "Quando um homem está todo enrolado em si mesmo, ele forma
um pacote muito pequeno”.

Dá para deduzir que essa mesma descrição se aplica à mulher. Vamos desenhar uma
equação que nos ajuda a entender o relacionamento entre a hospitalidade e a
compaixão, usando a definição de cada palavra:

A Recepção Amigável e o Tratamento de Hóspedes ou Estranhos


+
Um Sentimento de Profunda Simpatia e pesar por Alguém Atingido
por um Infortúnio, Acompanhado de um Desejo de Aliviar o Sofrimento
=
Hospitalidade Compassiva

Esta "Equação da Hospitalidade Compassiva" nos leva de um foco no "Eu" para um


foco em "outros". Como crentes, nós sabemos que um dos atributos do caráter de
nosso Pai celestial é a compaixão — como Seus filhos, nossa compaixão deve incluir
um senso de empatia pelo sofrimento dos (Romanos 9.15), casado com o desejo de to
minimizar o sofrimento (Mateus 9.36; 14.14; 15.32; 18.27; 20.34; Marcos 1.41; 6.34;
8.2; 9.22; Lucas 7.13; 10.33; 15.20), bem como com um coração que demonstra
gentileza e misericórdia para com outros (Mateus 18.33; Marcos 5.19; Judas 22).
Graça, longanimidade, uma abundância de bondade e verdade, tardio em irar-se, e
grande misericórdia (Êxodo 34.6-7; Salmo 86.15; 145.8), são qualidades adicionais do
caráter de nosso Pai celestial que deveriam tipificar o nosso comportamento. Por meio
de sua força, se você fizer da compaixão Dele a sua, sua "Equação de Hospitalidade
Compassiva" se sairá do ponto de ser egocêntrica, para ser direcionada para as
necessidades dos outros ao invés das suas próprias, e, ainda mais importante, refletir
seu caráter.

Enquanto você pode pensar na hospitalidade e na compaixão como convidar alguém


para sua casa para comida e alojamento, um passeio pelas Escrituras nos apresentará
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a pessoas que escolheram estender a hospitalidade compassiva numa variedade de


maneiras:

 A filha de Faraó escolheu estender uma hospitalidade permanente ao bebê


Moisés (Êxodo 2.6-10).

 Sobi trouxe camas, bacias, vasilhas de barro, e ovelhas para Davi e seu povo
enquanto eles estavam no exílio (II Samuel 17.27-29). 85

 Elias devolveu a vida ao filho da viúva — uma relação que foi cultivada porque
ela escolheu compartilhar com ele mesmo o pouco que tinha (I Reis 17.18-24).

 Neemias chorou, pranteou, orou, e jejuou por Jerusalém e seus moradores


(Neemias 1.1-11).

 Os amigos de Jó viajaram de suas casas para chorar com ele e confortá-lo em


sua dor (Jó 2.11-13).

 Jó chorou por aqueles em dificuldades e se angustiou pelo necessitado (Jó


30.25).

 Davi dispensou simpatia para com aqueles que o acusavam falsamente (Salmo
35.13-14).

 Os judeus vieram confortar Maria e Marta na morte de Lázaro (João 11.19).

 Paulo comunicou a mensagem do evangelho para todas as classes de pessoas


— judeus e gentios igualmente (I Coríntios 9.22).

 O Senhor Jesus:

 Tendo experimentado fome física, ele se solidarizava com a fome dos


outros (Mateus 4.2).

 Ofereceu descanso aos espiritualmente falidos (Mateus 11.28-30).

 Trouxe conforto e encorajamento para os fracos e oprimidos (Isaías


40.11, 42.3; Mateus 12.18-21).

 Ministrava às necessidades físicas e espirituais (Mateus 14.13-21; Marcos


6.31-44, 8.2; Lucas 9.11-17; João 6.1-13).

 Atendia os aflitos (Lucas 7.13; João 11.33, 35).

 Aliviava o apuro dos enfermos (Marcos 1.41).

 Oferecia esperança para pecadores perdidos (Mateus 9.36; Lucas 19.41;


João 3.16).

 Modelava as qualidades de caráter necessárias para aqueles em posição


de liderança espiritual (Hebreus 5.2,7).
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Colocando a sua jornada bíblica em termos práticos, se você quer apresentar a


hospitalidade compassiva na sua vida, você vai levar em conta...

 Nutrir os abandonados
 Providenciar para as necessidades materiais
 Chorar, prantear, orar, e, quando apropriado, jejuar por outros 86

 Compartilhar sua fé com os falidos espirituais


 Encorajar os fracos e oprimidos
 Assistir as necessidades dos enfermos

G. HOSPITALIDADE COMO UMA MANEIRA DE DEMONSTRAR


COMPAIXÃO
Suas oportunidades de usar a hospitalidade como uma forma de demonstrar
compaixão são literalmente ilimitadas, mas para começar vamos pensar em algumas
categorias de pessoas —solteiras, viúvas, as enlutadas, pessoas passando por falta de
alimentos (baixa renda, baixo nível de pobreza, ou as sem teto), e os idosos.

Solteiras
A manchete de capa da Revista Business Week, do dia 20 de outubro de 2003, relata:

Os mais novos números do U.S. Census Bureau's (Departamento do Censo


Americano) mostram que os lares de casais casados — o percentual
dominante desde a fundação do país — têm caído de quase 80% nos anos
1950s para apenas 50.7% nos dias atuais. Isso significa que os 86
milhões de adultos solteiros dos Estados Unidos poderiam rapidamente
definir a nova maioria. Os descasados já compreendem 42% da força de
trabalho, 40% dos compradores de imóveis, 35% dos eleitores, e um dos
mais fortes — se pluralístico — grupos consumidores já registrados.

Ao avaliar a sua lista de convidados, pense nas solteiras que você conhece e que
poderiam ser incluídas. Com toda certeza suas experiências de vida são ricas, e eles
ajudarão a dar brilho ao seu ajuntamento social.

E atenção: Não é saudável para as irmãs (e até irmãos) solteiras quando alguém fica
sempre brincando com relação a namoro e casamento. “Quando será?” “Que tal o
irmão Rubião para casar com ela...?” “Vamos orar para a Lúcia conseguir sua cara-
metade ainda este ano, gente!” Tem algumas que até participam da brincadeira; outras
fazem de conta que gostam, e até brincam de volta; outras já deixam claro que não
gostam mesmo. Na verdade, ninguém gosta de ser inquirido sobre esse assunto,
sobretudo quando a fisionomia da pessoa já exibe as provas da passagem do tempo.

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Viúvas

Em 1999, nos Estados Unidos, quase metade (45 por cento) das mulheres acima de 65
anos estavam viúvas. Quase 700.000 mulheres perdem seus maridos a cada ano e
ficarão vítimas por uma média de quatorze anos. Havia acima de quatro vezes mais
viúvas (8.4 milhões) do que viúvos (1.9 milhão) em 1999. Os percentuais no Brasil não
87
são muito diferentes.

A Bíblia providencia uma definição clara do que é uma viúva cristã e traz instruções
específicas sobre como a igreja deve ajudá-la se ela não tiver condições de
providenciar sustento para as suas necessidades diárias. Uma viúva cristã, de acordo
com I Timóteo 5.3-16, é alguém que tem 60 anos ou mais — na cultura do Novo
Testamento 60 anos era considerada uma idade de aposentadoria (5.9). A igreja é
instruída a to suprir as viúvas da seguinte maneira:

 Honrando-as (I Timóteo 5.3).

 Cuidando de suas necessidades diárias se elas tiverem falta de recursos


financeiros (Atos 6.1; I Timóteo 5.9).

 Visitando-as (Tiago 1.27).

Assim como com as solteiras, a viúva possui uma riqueza de experiências de vida que
enriquecerão seu evento social — no começo do processo de luto ela pode não estar
muito ligada na vida da festa, mas seu convite, feito com um coração de compaixão,
pode fazer com que o processo de recuperação daquela viúva seja acelerado. Lembre-
se que como crentes nós somos instruídos a ser sensíveis e compassivos para com as
dores e sofrimentos dos outros (Romanos 12.15; Colossenses 3.12).

As Enlutadas
Pessoas em luto são uma dicotomia interessante — em geral elas precisam
desesperadamente de alimento, mas não sentem desejo de comer. Pessoas que já
perderam os dois pais podem atestar como é importante a bênção da hospitalidade
providenciada para aqueles que estão de luto. Ao cumprirmos Romanos 12.15, vamos
descobrir – com uma frequência mais positiva do que negativa – que estamos
providenciando um ministério de compaixão que nenhum restaurante ou refeição
especial poderia.

Compaixão e cesta básica de alimentos


Segurança Alimentar é um termo do século XXI que descreve se um indivíduo tem ou
não acesso, o tempo todo, à comida suficiente para uma vida saudável e ativa. Você já
deve estar mais do que familiarizado com termos tipo baixa renda, linha de pobreza, ou
os sem teto — que descrevem insegurança alimentar. Este termo deveria tocar os
corações dos crentes quando eles considerarem que o Senhor Jesus, durante Seu
ministério terreno, supriu fisicamente as necessidades dos famintos. De acordo com a
Agência Americana de Combate à Fome (USDA Hunger Report), a prevalência de

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insegurança alimentar subiu de 10.7% em 2001 para 11.1% em 2002, enquanto a


prevalência de insegurança alimentar entre os famintos aumentou de 3.3% para 3.5%.

Mesmo quando nossas mesas podem não estar repletas de todas as guloseimas que
nosso paladar gostaria, muitos de nós temos um suprimento alimentar adequado o
suficiente para ser considerado como segurança alimentar. Nós podemos demonstrar
hospitalidade ao designar uma parte do nosso orçamento para adquirir alimentos
mensais para aqueles que enfrentam dificuldades de alimentação. Você pode pensar: 88
"O que devo comprar, ou, como eu começo fazendo?" Se a sua igreja tem um
programa especialmente voltado para isto, então comece a contribuir com ele. Se não,
comece a pesquisar programas e projetos em sua comunidade local que fazem este
tipo de trabalho.

A Igreja da Paz realiza periodicamente a Grande Marcha do Amor, já mencionada


neste material. Nela você tem a oportunidade de doar com a segurança de saber que
centenas de pessoas serão abençoadas imediatamente, e que vidas serão tocadas
pela doação que começou no seu coração e se expressou através das suas mãos.

Você não precisa comprar uma grande cesta cheia de supérfluos para doar. Por
exemplo, não precisa comprar sorvestes de menta, geléias, queijos suíços ou
chantilly. O ideal são alimentos secos não perecíveis, e você até pode armazená-los
por várias semanas, até juntar uma quantidade razoável – só observe o prazo de
validade. Daí você doa a cesta para alguém que você sabe que realmente está
precisando. É bom falar com seus líderes, pois eles podem lhe ajudar a ver quem
realmente está necessitado, e como a distribuição pode contemplar o maior número de
pessoas de maneira igualitária. Se você tem filhos, inclua-os no processo de
distribuição. Uma boa maneira é levar seus pacotes para a Marcha do Alimento na
igreja, como família, marchando juntos e entregando sua oferta de amor (alimentos,
roupas, calçados, brinquedos...).

Também existem agências e organizações, tanto Ongs como órgãos governamentais,


cujo propósito é arrecadar alimentos para suprir os necessitados. Essa também é uma
maneira de ajudar. Mas, se a sua igreja tem um programa prático, organizado e
operacional, ajude lá. A verdade é que todo mundo, dentro de suas possibilidades, tem
a oportunidade de demonstrar hospitalidade, compaixão e doação de alimentos para
aqueles que sofrem de privações nessa área de comida. A ajuda pode ser feita durante
todo o ano, pois a ajuda mantém um cadastro para as pessoas que são ajudadas. Elas
recebem por um período e são encorajados, ajudadas a procurar emprego. Uma vez
empregadas e capazes de se manterem, elas são substituídas por outras no cadastro.

Antes de finalizar esta seção, queremos mencionar outra categoria de insegurança


alimentar que existe nos Estados Unidos, e que diz respeito aos idosos. Um artigo de
revista trazia a seguinte material: "A Piloto por Trás de Refeições Sobre Rodas". A
matéria fazia um retrato falado de Helen Barnes que, com a idade de 58 anos, ajudou a
fundar a organização Refeição sobre Rodas, em 1971. Aos 90 anos ela ainda dirige
duas rotas de Refeição sobre Rodas cada semana e se levanta toda segunda-feira de
manhã às 4:30 para assar pãezinhos e outras guloseimas para os mais de cinquenta
voluntários de Refeições sobre Rodas. Como o artigo mostra, mais de 65 por cento de
seus clientes moram sozinhos, e o voluntário pode muito bem ser a única pessoa que
um cliente verá durante todo o dia. Usar o conceito de Refeição sobre Rodas é uma
maneira perfeita para os crentes aplicarem Mateus 25.40, ao providenciar tanto
sustento físico como espiritual para aqueles que sofrem de insegurança alimentar!
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H. OUTRO OLHAR SOBRE AS BEM-AVENTURANÇAS


Mateus 5.1-12 e Lucas 6.20-26 são passagens das Escrituras que são comumente
citadas como as Bem-Aventuranças ou Beatitudes. Ao descrever as Bem-
Aventuranças, John MacArthur escreve que bem-aventurado literalmente significa: 89
"feliz, afortunado, e ditoso".

Isto fala de algo além de uma emoção superficial. Jesus estava descrevendo o bem-
estar divinamente concedido, que pertence apenas aos fiéis. As Beatitudes
demonstram que o caminho para a bem-aventurança divina é oposta ao caminho do
mundo, que é normalmente procurado pelas pessoas em busca de felicidade. A idéia
do mundo é que a felicidade é encontrada nas riquezas, merecimento, abundância,
lazer, e coisas do gênero. A verdade real é justamente o oposto. As bem-aventuranças
dão uma descrição de Jesus do caráter da verdadeira fé.

Como conclusão deste estudo, gostaríamos de compartilhar uma palavra cunhada para
simbolizar este conteúdo: hospitalitude; ela é tirada da palavra hospitalidade,
significando almejar o amor de estranhos, e de beatitude, significando o caráter da
verdadeira fé. Nossa oração é que você seja estimulado a praticar a hospitalidade
bíblica para que as Hospitalitudes sejam evidentes na sua vida.

AS HOSPITALITUDES

Bem Aventurados aqueles...

 Que praticam a hospitalidade bíblica, porque ao fazer assim, estão


demonstrando seu amor por Deus (I João 3.17-18).

 Que "procuram amar os estranhos", pois eles estão escolhendo obedecer aos
mandamentos de seu Pai celestial e modelando seu caráter (Romanos 12.13b).

 Que estão na liderança da igreja que praticam hospitalidade, pois eles permitem
que outros os observem em suas casas onde seu caráter é mais graficamente
revelado (I Timóteo 3.1-2; Tito 1.5-8).

 Que incluem as pessoas de todas as raças e culturas em sua lista de


convidados, pois desta maneira estão demonstrando o expansivo amor do Pai
celestial (João 3.16).

 Que desenvolvem habilidades de administração hospitaleira, pois dessa maneira


eles são capazes de ser fiéis mordomos de tudo aquilo que o Senhor
providencia para eles (I Coríntios 4.2).

 Que intencionalmente estendem a hospitalidade para "os outros" — solteiros,


viúvas, os enlutados, e aqueles passando por insegurança alimentar — pois eles
estão escolhendo viver a compaixão bíblica (Tiago 2.14-16).

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 Cujos lares são tanto um lugar de refúgio como um centro para evangelismo,
pois eles estão glorificando seu Pai celestial com suas ações (I Pedro 2.11-12) e
cumprindo Suas instruções "de fazer a obra de um evangelista" (II Timóteo 4.5).

 Que não se tornam desiludidos em praticar a hospitalidade bíblica, pois eles


entendem que no devido tempo eles vão colher se não desfalecerem (Gálatas
6.9).
90
 Que reconhecem que eles são incapazes de praticar a hospitalidade bíblica por
sua própria força, pois assim eles aprendem que o poder de Deus supera as
suas fraquezas e permite-lhes se tornarem vasos usados para Sua honra e
glória (II Coríntios 12.9-10; Filipenses 4.13)!

CONCLUSÃO
A Bíblia deixa bem claro que só é verdadeiramente cristão e filho de Deus quem ama e
quem serve. Amor necessariamente tem nome próprio. Não se ama em geral. O amor
deve ser direcionado para pessoas concretas, as quais devemos procurar conhecer,
acolher e amar.

Neste estudo vimos como o amor e o cuidado devem ser profundos componentes da
essência da vida cristã. Deve ser mais vivido que falado.

Ao concluir este estudo, gostaríamos de enfatizar ainda que o Reino de Deus está à
espera de servos que possuam capacidade de se relacionar e de se identificar com
todos os homens, e acreditar que eles podem ser transformados pela graça de Deus
em pessoas melhores. Ele busca ainda homens e mulheres que tenham paixão pelo
que fazem e capacidade de superar obstáculos sem perder a esperança.

Bons diáconos e consolidadores se alegram com o processo e não apenas com os


resultados. Eles são desapegados de bens materiais e dos símbolos de "status", mas
são guiados pelos valores do reino de Deus. São idealistas, acreditam na
possibilidade de mudança e sabem aonde desejam chegar. Eles também têm sua
motivação e inspiração fundamentadas na revelação bíblica, e na roda-viva diária não
descuidam de seus momentos de comunhão com Deus, mas diariamente esperam
Nele como principal fonte de reconhecimento.

Bons diáconos e acolhedores são cristãos que sabem que "devem servir aos fracos
não porque eles mereçam, mas porque Deus estendeu seu amor a nós quando nós
merecíamos o oposto e que enquanto a escada do poder sobe, a escada da graça
desce", como diz Philip Yancey.

Assim veremos, com certeza, a Casa de Deus sendo cada vez mais a casa de todos
nós, e um espaço onde todos podem experimentar o amor, a graça, a presença e o
amor de Cristo, através de Seus santos servos.
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BIBLIOGRAFIA 91

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Terra, 1980.

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acolhida. Jornal Visão Cristã da Atualidade. Nº 737. Belo Horizonte: 20 de julho de
2003.

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Manhood & Womanhood. Vol. 11, No. 2. Louisville, KY, USA: 2009.

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www.adoraiaosenhor.com.br/estudo-biblico-o-cuidado-dos-pobres-e-necessitados-
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http://br.geocities.com/momentoscomjesuscifras/textos/dons_diaconia.htm. Capturado
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RCC – Grupo de Oração Ruah. Serviço de acolhida no grupo de oração. Igreja São
Tarcísio. Framingham: MA, USA.

RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA DO PARÁ. Acolhimento no grupo de oração.


Disponível no site: www.rccpa.com.br/formacao/Comunicacao/manual_acolhe.doc.
Capturado em 15 de outubro de 2009.

ROPER, David H. The Boxcar Wall. In Our Daily Bread. 30 July 2002.

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