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DIREITO CIVIL DE PORTUGAL


MANUEL BORGES CARNEIRO

Obtido a: 15.09.2018 18:57


DIREITO
CIVIL
DE

PORTUGAL,
CON1'END0 TRES LIVROS:

1,DAS
PESSOAS,
li, D~\S ln,DAS
COUSAS, 0BRIGACÕE
..
E ACÇÕES:
POR

11,~NUEL BORGES C.tl.R:NEIRO.

TOMO I.

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LISBOA,
TYl', DE HAUU. DA MADRE DE DEUS, RVA DA. VllfRA lf,º 38
(AO BAIRRO ALTO),

1858.
Yende-se no arma:em de liv,·os de Bot·el, Borel e C,ª
rua de 8. Julião (vulgo dos Algibebes), N.º 23.
Mens et animtts et consilium ct senlenlia Givitai
sila cst in legibus •••• Lcgum ideo omnei servi sumus
beri esse pouimus.
CrcEll, PRO ÜLUEN1".
AOEXCELSO
IMPERADOR
E REl
O SENHOR

D. PEDRO IV.
• lUAGNANIMO; REI IMIIORTAL;
PAI DA PA.TRIA;.
DELICIAS DE PORTUGAL E DO BRASIL;

DEDICA O AUTOR

POR

PERMISSÃO REGIA.(•)

1•
(•) Manda a Senhora INFANTA REGENTE
em Nome d-'ELREI participará Mesa do Desem-
bargo do Paço para sua intelligencia que, A Hen-
dendo ao que lhe representou o Desembargador Ma~
nue) Borges Carneiro, Membro da Camara dos De-
J>Utadosda Nação Portugucza, Ha por bem permit-
tir que elle possa dedicar a Sua l\lagestadc a obra
que pretende publicar, e que-intitula Direito Civil
de Porltlflal. Palacio d~ Ajuda em sete de Novem-
bro de 18126. -Francisco Manuel Trigozo de Ara-
gão Morato.
Em Certidáo da Secretaria da Mesa do Desem·
bargo do Paço d.e 17 Novembro dito.
PREFAÇÃO ..

Pelo titulo Direito Civü eu intento excluir <lesta.


obra J. 0 o Direito Publico, !2.0 o Criminal, 3. 0 o que
pertence á competencia e á ordem do juízo, que os
Francezes incluem cm um Codigo do Processo. Com-
tudo alguma cousa toco daquellas materias, quando
ellas leem relação immediatacom oJusprivatum, ou
com os interesses individuaes dos Cidadãos.
A obra está dividida em tres Livros, das Pe$.-
soas, Cousas, e Obrigações, tres o~jectos de Direi-
to, cuja ordem foi a<lopta<la pelo Direi to Romano,
e é certamente boa e preferivel a algumas novas
thcorias.
Livro 1. As pessoas e seus consequentes direi-
tos estão classificadas pela sua naturalidade, quali-
dade ou condição, .estado, consangui.piclade, sexo,
idade, e por varios accidentes, como demencia, pro-
digalidade, ausencia, infamia, etc. Segue-se o tra-
tado das pessoas moraes ou Corporações. - Livro
II. Na primeira Parte se trata do direito geral elas
Cousas, a que pertence o domínio, posse, servidão,
hypothcca; as heranças testamentarias ou legitimas,
e a s1:1acollação e partilha. A segunda Parte trata
das cousas que se regem por Direito especial, con-
vém saber, bens ecclesia.sticos, publicos, da R. Co-
roa, emphyteuticos, ccnsiticos, de morgado ou ca-
pclla, casas e causas pias. -. Livro Ili. Trata Lº
das obrigações que nascem da Lei, ou ele um facto
licito ou illicito: Q. 0 das acções e sua cxtinccão. Se-
gue-se um Appcmlice <laslle9ras geraes de JJireito.
A doutrina vai provada com os textos adequa-
dos: erubescimus süie lege wqui. Quando muitas Leis
VI

conteem disposições diversas ou contrarias sobre o


mesmo objecto, as refiro chronologicamente; o quo
importa muito á sua intelligencia, segundo a regra
Si clistinguas tempora, conciliabis jura.
Na falta de Lei Portugueza ali ego as Romanas,
visto estarem regularmente recebidas em Portugal ;
e por evitar a multiplicidade de citações, cito a Hei-
neccio ou outros Autores que referem as ditas Leis,
bem como na citação de um ou outro Autor incluo
a de muitos por clle allcgados. O que especialmen-
te succede com o Repertorio das Ordenações, o
qual, posto que contém os extractos dellas mui in-
fieis, e a ordem alphabet.ica mal executada; tem
comtudo excellentes notas e copiosa allegação de
textos e autoridades, e por isso foi justamente ro-
commendado do Regim. 13 O,d. 17ól. t. l. §. 7.
Entre os Autores prefiro os do nosso Reino, es..
pecialmente nas materias que se regem mais pelas
particulares disposições e costumes delle, que pelo
Direito Romano : bem como exponho sómente o Jus
constittttum, omittindo geralmente as opiniões novas
que podem pertencerao Jus constituendiem.
Nà'.o cito os Jogares em que se podem ver os
diversos artigos da Legislação, por estarem decla-
rados no Indi.ce lVtronologic_o,e nos meus Mappa
Chronologico e Resumo de Leis, e seus A.dcl!ltame11,..
t<1s,·e em outras obras.
O texto é ·concebido em estylo conciso; porém
acômpanhado de Notas tendentes a 1.0 prov-á-loou
expli"cá...Jo, quando esta prova ou explicação inter-
romperia o seu seguimento; !.ºreferira Legislação
anterior; 3. 0 mostrar as diffcrenças de DireHo Pa-
, trio e Romano. Satisfazendo a estas indicações eu
pub)íco cm resumo fiel muitos documentos ineditos,
que outr'ora extrahi dos Archi,•os puhlicos.
A utilidade desta obra não se mallogra com as
itlteraçõcs que se possam fazer na Legislação pelos
VIJ
novos Co<ligos, e cm consequencia da Carta
Constitucional, desta Lei sagrada,
Por quem o Nosso AUGUSTO, o Nosso TITO
Mandou que fosse a Patria afortunada;
pois 1. 0 contém a mesma obra os princi pios gera~s e
immudaveis daJurisprudencia; !. 0 trata muitas ma-
terias que não pertencem aos Codigos; 3.ºserá ~m-
pre proveitoso ter presentes as vari~s da Legisla-
ção, e poder conferir as novas disposições com as an-
teriores; e taes são as Cmtferencias dos J urisconstJl-
tos Bornier e Dufour. Além disto 4. 0 será facil citar
nos Jogares respectivos as alterações que succeder~IJJ.
Se deste meu trabalho resultar .áP~tria 4,lgion
proveito, não espero outro galardão; e sir,a este de-
seja de desculpa aos ~rros em que houver incorrido.
Taboa al,plmbclica de algumas abreviatwras qu,e !ta
nesta obra.
AI. Alvará. eia (SecretarwGeraldas
A rch. R. A.rckivo Real da Ordm14 quanto aos nu.).
1'orre do Tom"bo. Const. A. Carta Cmisti-
A rg. L. Por argumento tucwnal, artigo.
deduzül,o da Lei. C. R. Carta Regia.
Ass. Assento da Casa da D. Decreto.
Sttpplicaçâo ou do Porto. De. Decisáa.
Av. Aviso. DD. Doidores.
Benth.Jeremi,a,sBent/1.am. D. R. Direito BomanQ.
C. Cocligo. Dsb. f)esembargo do Pa-
Cab. Cabedo. ço { Secretaria das ~1,s-
Cas. spec. Em caso espe- tiças, quanto aos ms., li-
cial. vro de Decretos ou de
Ca v. I. Cavallarius ( Do- Consultas).
minicus) lnst. Jur. Ca- E<l. Edital.
non. t. 1. Espcn. Van Espen Jtt-
Cons. Consulta. 1·isp. Eccles.
Consc. Mesa da Comc:ien- ff. Digesto.
''III
Filang. Filangieri la Sci- -- Crlm. O mesmo nu
enza clella Legislazione. parte crlminal
}'od. I. Francisco Manuel -Class. O mesmo nas
Fodéré. Medicin. Leg. classes elos crimes.
tom. 1. Pr. principio ou prowgo
Hei. III. Heineccz"oElem. de Lei.
fur. civ. sec. <Yrd.Pan- Rep. IV. vb.peculiop. I.
deei. pt. 3. Repertorio das Ordena-
H. L. lwJtts libri. ções tom. 4. verbo pecu-
i. L. !O Julho, indica-o a lio pag. I. da ediçáo ele
L. ~oJulho (para dis- Coimbra.
tinguir as proposiçõesin- Rieg. Ili. Biegerlnst.Ju-
cidentes da Lei, das po- risp. Eccles. pt. 3.
sitivas e expressas). Res. Resoluçáo de Ccm-
Inst. III. Instit. deJiesti- sulta.
nia,w w. 3. Say. João Baptista Say
Mell.l.Mello Freire lnst. trat. ele Economia Po-:-
· .Titr. Civ. lv. I. litica.
Mezes. J7áo indicados as- Se. Scilicet,convémsaber.
.sim: Jan. Fev. Mar. Sg. Seguintes.
Abr. Mai. Jun. Jul. Ag. Suppl.Supplicaçáoliv. do
Set. Out. Nov. Dez. registro das Leis ou De-
Mont. I. MontesquieuEs- cretos.
pi1·üo das Leis liv. 1. Vai. Y alasco ( .Alvaro ).
O. II 1. Ordenações lv. 3. V. Yicle.
P. pagina. V. C. verbi causa, por
Per. de. ou M. R.: Pe- exemplo.
reira eleCasfro Decisões, X: Decretaes{livroelas).
ou de Alanu Regia. Zach. qt. 6. Paulo Za-
Per. So. I. Pereira e Sou- c!tias questões Medico.-,
sa prim. lin/i. tom. 1. Legaes.
">

INTRODUCÇAO
SOBRE A

,JURISPRUDENCIA
PORTUGUEZA..
Pt. I. Especies de Leis patrt".as.

§. I. Da Jierisprmlencia e Lei.s em geral.

1 J'urisprudencia é a sciencia do justo e do in-


justo. ]lei. I. §. 18.
~ A J urisprudencia Portugueza consiste no es-
tudo do Direito Portuguez, cscripto ou consuetudi-
nario. {a)
3 Direito escripto ou Lei é o preceito do Sobe-
rano, que obriga os Cidadãos a conformarem com
e11cas suas acções. Hei. l. §. 91. 9~. 107. (b)
4 Sómente pois o Rei póue fazer a Lei. O. III.
t. 7õ. §. 1. (e)
(a) Este estudo~ cm logar de subtilezas e cspeculac;ües vãs,
tendentes a embrulhar os intendimentos e a ostentar agudeza
<lcingenho, de intelligencias divinatorias e ccrebrinas, deve
unicamente consistir em indagar o verdadeiro sentido das
Leis, as genuínas razões de deci<lir, e as ditliculdades que
forem solidas. L. !28 Ag. 177\2. lo. 1, t. 3. cap, 1. v. §. 7.
1\2. n. 7. 1&.l.
(b) Lei em sentido amplissimo comprehende lambem o
Direito Consuetudinario, que é a vonta<le tacita do Sobera•
no; em sentido menos amplo comprehende s6 o DirciLOes-
cripto, Hei, l. §. 91.
(e) Sendo portanto presente a El-Rei copia de cinco Leis
que havia feito o Vice-Rei da lodia para aquelle Eatado,
\! Introd. Pt. I. Especies
r, Hoje o poder Legislativo compete ás Côrtes
com a sancção do Rei. Const. A. 13. e74. §. 3.
- A ellas pertence fazer as Leis, interpretá-las,
suspendê-las, revogá-las. A. ló. §. 6.
-As Leis se propõem, discutem, sanccionam, e
promulgam na fórma prescripta no .A..46. sg.
- Os Decretos, lnstrucções, e Regulamentos ade-
quados á boa execução das Leis são da compelen-
cia do Rei. A. 76. §. U. (a}

declarou n Res. Cons. Dsb. 8 Mar. 1688. que os Vice-Reis


não podem fazer Leis, mas s6mente Provisões interinas para
os casos urgentes, as quaes se obsen·am provi&<>rinmentcem
quanto El-Rei não as manda examinar. No D,b. lv. 10.
de Cons. fl. Hii. i,,
(o) A regulação da faculdade legislath•a e dos outros Po-
deres Políticos depende inteiramente da Lei fundamental de
cada Et:tado, a qual constitue a fürma do seu governo. Não
é do projecto desta obra escrever sobre as tres especies ou
f6rmns de Governos e Estados Soberanos, se., Monarchico,
Jlepublicano, e Despotico, sobre que se pódc ver Montesq.
}[. cap. I. sg. Yattel I. §. 3. sg. M. sg. Com tudo não omitti-
rci dizer que o Go\·erno Monarchico Constitucional e mode-
rado, qual teve Portugal no&tempos da sua gloria, ora fe-
Ucissimamente instaurado com as alterações convenientes
pcln Magnanimidade do Immortal Rei o Senhor D. PfiDRO
JV, Pai da Patria, é excellente entre todos os Governos;
c:omo aquelle que contém a essencial separação dos Poderes
Polilicos elementares. v. Morilesq. Y. cap. II. H. Pattct
J. ~. !6. ,g. Benlh. I. cap. 10, 21.: e que mais se confor•
ma com a l{eligião Christã . .Monlesq. XXIV. cap ·3. sg.;
a qual augmenta admiravelmente a sua for~a, e corrige
sempre os incon,·enientes das Leia fundamentaes. cap. 14.
)6. 1'7. Por estas gov.erna o Rei na Monurchia, com .o po•
der intermediaria e subordinado da Nobreza, a qual entra
na sua e&1encia. A honra é o seu principio vivificante: a
corrupc;ão deste principio arrasta a sua ruina. Mont. II. cap.
4. •K. Yll[. cap. 6. sg. - Quac:a sejam as propriedades
dislinctif"as do Governo Monarchico v. lo. Yl ll. cap. 17. sg.;
e illuslres exemplos de Monarchias antigas XI. cap. 7. sg.
Em nossos tempos florece a ingleza pelu Sabedoria de sua.
de Leis Patrias. §. l.

§. !!. Leis compiladas º" extravagantes.


1 As Leis ou estão compiladas em Collecção au-
thentica ( Codigo), ou fóra ,lella (extravagantes).
1 O Codigo actual é a nova recopilação das Or-
denações Filippinas, publicadas em 11 Jan. de 1603.
no tempo da violenta intrusão dos Reis Catholicos
no Governo destes Reinos ( a), confirmada crevali-
dada pelo Senhor D. João IV na~. !9 Jan. 1643.
Constituição, cujas excellencias v. no cit. lv. XI. cap. 6.
Yattel I. ~- 24. sg. Em Portugal se exerceu o poder Legis•
)ativo em Côrtes desde o seu principio, e foram então glo,
riosos m seus annaes. Seguiram-se depois seculos de arbitra•
riedade, em que ludo se cuufundiu e destruiu. v. Mell. Hiat,
e lo. l. I, ó. §. 17.
(a) EsteCodigo foi emprehendido porFilippell deCas-
tclla, ultimado em ló9á.; e publicado em 160:1, por Pedro
Craesbeck reinando já Filippe III. Seguiu-se o mesmo nu-
mero e ord<'m de livros que nas dos Senhores D. Manuel e
D. AtTonsoV, ajuntando,se-lhe alguns litulos e§§. tirados
das Leia dos Senhores D. Manuel, D. João UI, e D. Se,
bastião, que Duarte Nunes de Leão melteu na sua Colleo-
910: alteraram-se porém muitas disposições dos ditos Codi~
gos anteriores, especialmente árcrca dos privilegios e direi-
tos <los Ecclesiaslicos, segundo a Concordala e Leis do Se-
nhor D. Sebastião. v. Meti. Hisl. §. 89.90.-.Foram os prin•
cipaes collaboradores Paulo A ITonso e Pedro Barbosa, De-
sembargadores do Paço, com quem trabalharam Damilo
Aguiar e Jorge Cabedo, o que elle mesmo conta de si na
pt. I. de. !lll. O Al. !á Jan. 177õ. pr. attribue a empreza
dt'sla compilacão á influencia dos Jesuítas ibi " O. nocioo1
maquinadores da intempeslioa e super/ lua O>mpilaçáopuhli•
cada "° anno de 1603. " N ella se acham algum:u antino-
mias: por exemplo, o lv. 1. t. 9. §. 13. d. 40. pr. pugna com
o lv. tl. t. 1. §. 7.: olv. e. t. J. §.ó.com o§. 6.: ot.1.§.13.
com o t. 8.: o§. ó. com o t. 9. ~. 3.: o lo. :J.t. 4!. pr. com o
Regim. Dsb. §. 13. etc. v. Mell. cit. §. 91. 91.
Delln se fizeram varias edições, <lns quaes "· cit. Mell.
§. 100 A sua impressão seconced.eu por privilegio exclusivo
e determinado tempo aos Religiosos de S. Vice.ore de F6ra,
4 Introcl. Pl. I. Especies
3 Por esta Lei se revogam todas as Ordd. e Leis
anteriores ao dito dia 11 de Janeiro, excepto : I as
que estão em um livro da Casa daSupplicação, que
se não compilaram por versarem sobre objectos va-
riaveis : II outras semelhantes que até o presento
estão em observancia, e não offendem a liberdade e
franquezas da Coroa (a): III as Ordd. da Fazenda
R., os Artigos das Sisas, os Foraes, os Privilegios
de Particulares, e os Regimentos legitimamente fej.,.
tos e observados. cit. L. ~9 Jan. 1643. -O D. 6 Jul.
l69ó. (não 1693.) declarou isto mesmo quanto ao
Regim. da Fazenda e aos .t\rtigos das Sisa~.
4 Outras Collecções ou Codigos se emprehende ..
ram em diversos tempos. (b)
os quaes compilarnm na impressão a~ Leis extrnvagnntes sob
os respectivos 1'itulos. C. R. 14 Der.. 163!. Ultimamente se
encarregou a edição á Universidi,.de de Coimbra.
(a) Nesta conformidade oD . 9 Jul. 176 l. julgou ncces-
sario modificar os Al. !3 Dev.. ló8á. e 30 Jul. ló89. sobre
os Medicas de Partido, occorrcndo aos inconveuientes que
resultarnm da sua lilleral observancin. No Dsb. lv. 4. fl. 3.1.
(b) 1.º Uma Collecc;ão de Leis extravagantes foi coorde-
nada por Gabriel Pereira de Castro e auxiliada pelo Gover-
no. C. R.1. 13 JuZ. 1613. t. 0 O D. 13 Jul. 1679. , attenden.
do a que das muitas Leis publicadas depois da compilac,;ão
das Ordd., que andavam f6ra dclla procedia o serem conse-
guintemente ignoradas, mandou os tres Desembargadores
nelle nomeados fizessem uma nova Compilac,;ão com as fa-
culdades indicadas • .Arch. R. lv. ó. de LL. ft. ló3. 3.Q ~
JJD. 4 Mar. J684. e !O No,,, 1687. projectaram uma novn
Collecção. 4.º OD. 31 Març. 1778. considerando quanto é
difficil consPguir-se a boa administração da justiça no presen-
te estado de mulliplicidade e antiguidade de Leis, mandou
crear uma junta para examinar os Leis Extravagantes, e
coordenar um novo Codigo, cujn revisão foi determinada
pelo D. 3 Fev. 1789. 6. 0 Pelas mesmas razões em 16 de Se•
tcmhro l8!i se propoi o projecto e premio para o Codigo
Ch·il, e eni 14 /?ev, 1813. pnra o Criminal e Commercial.
Porém esta utilissima empreza estava reservada para serob-
jccto elo A. 146. §. 17. da Carta Constitucional,. e assim quiz
de Leis Patrias. §. 3. ó

f, As Leis extravagantes se dividem em Leis in


specie, Alvarás, Cartas Regias, Decretos, Resolu-
ç11csde Consultas, A visos segundo alguns, Assen-
tos da Supplicação, e Privilegios.

§. 3. Leis em especie, Alvarás, Regi·mentos,


Estatutos, etc.
Leis em especie,
I Fórma. As Leis, que muitas vezes se intitu-
lam Cartas, Cartas de Lei, Cm·tas Patentes, princi-
piam Dom F. pot· Graça de Deus etc.: assigna ElRei
com Gua rda. Antes d~ subirem á assignatura R. são
1

referendadas, se., assignadas pelo respectivo Secre-


tario d' Estado; ou, se se expedem em consequen-
cia de Resolução R., pelo Presidente do Tribunal,
e cm falta dcllc por dous Ministros do mesmo. (a)
\? Esta assignatura do Secretario ou Presidente
se faz por cima da Suhscripção (summario, extrac-
to), que oOfficial que o fez, põe no fim della. v. O.
/. t. 1. §. 43. t. 81. §. 19. Regim. Dsb. t. f>. O. lv. ó.
t. 11. §. 1. Os Ministros dos Tribunacs assignam
por baixo do dit.o summario. (b)

cmf11n o Céo que se obtenha um gran<le bem pelo qual ha


tanto tempo suspiram to<los os bons.
Sobre o plano geral do Codigo Civil e Criminal, e so-
bre um corpo completo de Legislação e Codigos particula-
res, como o Militar, Ecclesiastico, Mercantil, etc. v. Benth.
l. pt. !2. Comtuclo quanto ao melbodo deve-se dizer que a
divisão recebi<la de pessoas, cousas, e obrigações, é boa e
preferivel ás theorias deste illustre Jurisconsulto.
(a) O formulario <las Leis, Provisões, e mais papeis Di-
plomnticos foi instaurado como se usava antes de 11 de Jul.
18~1. pela Lei !2 Jun 182:t O mesmo se estabeleceu cohc-
ren temente ao reconhecimento da independencia <lo lmpe-
rio do Brasil. C. L. lf> Nov. l8~f>. Hoje o formulado das Leis
e <la sua promul~ação está regulado na Const. A. 61. 6)2.
(b) No pé das Cartas, Alvarás, D0ações e outras Provi-
G lntrod. Pt. /. Espeeies
3 Materi'a. As Leis contecm disposições cujo cf-
feito ha de durar mais de um anno; pois geralmen-
te os Diplomas Rcgios cujo cffeito ha de durar mais
tempo, devem expedir-se por Cartas Patentes, sem
bastarem Alvarás. O. II. t. 40. {a) Exceptuam-se
os Alvarás de mercês e promessas, de que trata o
cit. 40. j. Porém. Regim. Faz. cap. 141. §. 8.
4 Publicação. As Leis e Alvads publicam-Re
na ChancelJaria mór da Côrte e Reino. O. I. t. \!.
;. 1o. f. §. 11. /,. l.
.Alvarás.

r, Fórma. Os Alvarás, que tambem se denomi..


nam Provt'.sôeslleaes, Provisões em fórma de Lei,
principiam Eu ElRei: sua assignatura Rei· : · A
assignatura do Secretario; o surnmario, e a publica-
ção na Chancellaria, são como nas Leis.
6 Materia. Contém disposições, cujo effeito nff.o
ha de durar mais de um anno; porém elle frequente-
mente se perpctúa por expressa clausula em contra-
rio-· vakrá como Carta posto que seu effeito etc.
Então são Leis perpetuas, e tomam o nome de Alva-
rá de Lei, comforça de Lei, em fórma de Lei. (b)

süe~, que hão de ser ns1oignadaspor El Hei, deve o Official que


as fuz p6r mui fielmente toda a substancia do Diploma (p8r
wta, leoorvillln), aliás é o mesmo nullo e inexequivel, e o
Official punido segundo a O. IT. tt. 11. pr. O. cil. ~- 43, .&p.
li'. P·361. vb. Provisão.
(o) Intendem esta Ord. dos Diplomas que teem cffeito
reitero.vel i pois dos que o teein simultaoeo, se., consistente
em um só acto, como Provisão para citar Coocel~o etc.,
dizem poder-se usar inda depois do anno, e assim se tem jul-
gado. O mesmo ensinam dos Rescriplos ou Diplomas que
'Versam sobre ceusas de jullti(j8. &p. l. p. 146 . .oo.Alvarás,
e p. 7ot. oo.Cousas, e p. 346.
(b) Em geral todo o Diploma que não é limitado a tem•
po certo, dura perpetuamente. Feb. de. 167. "· 3. L.1. C.
de div. Rcs. script.
de Leis Patrias. §. 4. 7

llegimenlos, Estatutos, Pragmaticas, Foraes,


Concordaias, Privilegios.
7 llas Leis ou Alvarás não differem senão em o
objecto: I os Regimentos ou Alvarás de Regimento,
que estabelecem as obrigações e direitos de algum
Empregado ou Esta'<ão publica: II os Estatutos,
que prescrevem a de alguma Corporaçilo: III as
Prag-maticas ou Permaticas, que regulam o luxo dos
vestidos, lutos, funeraes, etc.: IV os Foraes, que
fixam os foros, direitos, portagens, etc. que os mo-
radores de cada Concelho, Terra, ou Alfandega de-
vem pagar á R. Coroa ou aos Donatarios della, e as
isenções dos mesmos (a): V. as Concordatas ou Tra-
tados; que se fazem com Potencia estrangeira so-
bre paz, alliança, commercio, entrega de criminosos
etc.: VI as Cartas de Oflicios publicos: VII os Pri•
vilegios ele que abaixo faJlarei. §. 8. li. l.

§. 4. Carias Regias, Decreios, Reroluções.


( Provisões, e Conmllas.)
Cat·tas Regias.
1 Fórma. As Cartas Regias são dirigidas a cer-
ta Autoridade ou pessoa, e começam pelo nome della
F. Eu ElRei vos envio muito saudar. Assignatura
Rei como nos Alvarás. Costumam-se remetter fe-
chadas em Aviso do Secretario d'Estado.
! .Autorida,de. Fazem parte de Lcgislaçito, quan-.
do tratam de objectos a ella concernentes. v. n. 6. e
§. 6. k. Z. AsCarl.as de rogo para os Concelhos afim
de se estabelecer nos bens delles tença a alguma
(a) Foram publicados pela maior parte em nome do Senhor
Rei O. Manuel em Iá13. Pdncipiam como as Leis Dorn F.
por Graça de Deus ••• A quantos esta Nossa Carta de Foral
dado ao Nosso Concelhode•.• virem etc. v. lv. II. I. dos Forac,.
8 Introd. Pt. I. Espedês
pessoa, não se cumprem necessariamente, sendo cnt
prcjuizo dcllcs, pois poderão ter sido passadas por
importunação dos requerentes. O. I. t. 66. §. ~o.
Peg. lm. n. :L
Decretos.

3 Fórma. Nos Decretos principia EIRei fallan-


do sem fórma determinada, e sem se dirigir a pes-
soa cmt.a: assigna com a rubrica.
4 Materia e autoridade. Muitas vezes tendem
a estabelecer providencias singulares ou a declarar
as já existentes; outras constituem Direito novo e
geral. Nesle ultimo caso, e sempre que não reca-
hem sobre determinada pessoa ou negocio, fazem
Lei geral. Hei. I. §. 113. 114-. v. n. 6. e§. 7. lt. l.
õ As Sentenças assigna<las por EIRei valem co-
mo Decreto para decidir casos semelhantes. O. III.
t. 64. §. 2. Rep. cit. v. Per. de. !6. n. 8.: do que te-
mos muitos exemplos nos Decretos sobre as aposen-
tadorias de casas. v. fo. III. das aposentadorias.
Publicaçâo. São remetti<los á Autoridade ou
Repartição competente, e esta participação supprc
a falta da sua applica~io.

Resoluções de Consultas.

G Fórma. As Resoluções das Consultas dos Tri-


bunaes são escriptas á margem dellas nesta fórma
" Como parece á Mesa, ao Consellto, ou ao Depu-
=
tado F. ou Não obstante o parecer da Afesa. "
Quando o Tribunal não dá parecer, se passam em
fórma de Despacho ou Portaria. O Soberano assi-
gna com a rubrica, ás vezes com a palavra Rei. 'J7.
C. R. ~o Out. 1614. Tambem as ha assignadas pe-
lo Secretario d'&tado.
7 Autoridade. Fazem Lei sómente para o caso
.de que tratam: salvo: I se expressamente consti-
de Leis Patrias. §. 4. 9
tuem Direito geral, ou: II se mandam que assim
se pratique em casos semelhantes. Hei. I. §. 109.
110. lU. (a): III Se ellas ou o Decreto se dão
sobre proposta do Regedor (ou de outros Tribunaes
ou Autoridades), tendente a decidir algum caso ex-
traordinario por ser omisso na Legislação Patria,
pois ficam sendo Lei para casos semelhantes. O.
III. t. 6·1. §.4,. L.18.Ag.1769. §.11.j. Equando.
J-[ei. J. §. 1 Hl.
8 A publicaçâo que lhes falta, muitas vezes se
suppre por participações que faz o Tribunal ás Au-
toridades competentes.
Fórma e regras das Consultas.
9 Nas Consultas deve apurar-se de tal sorte as
ma.terias, que cheguem á R. Presença com a il-
lustraç,io úeccssaria para bem se poderem resolver.
C. ll. 8 Fev. 16~8,: e portanto: I referir-se pon-
tualmente a substancia dos·papeis ou documentos
importantes. C. B. Ili. 3 Feu. 1616. : II fazet-se
menção de Decreto ou Resolução que haja sobre
aquclla mafcria; aliás a Resolução que se tomar
contra o já disposto fica nulla e inexequivel; e mes-
mo achando-se já cumprida, se desfaz a execução.
(a) Sirva <lc exemplo a Res. 11. !6Jun.1688. sobre não
se fazer penhora nos ren<limentos dos Officios publicos. "Era
esta mnleria, diz a Cousultn, para uma Lei gera], para não
succe<lcr o mesmo que com outras disposic;ões, que se passa-
ram por Decretos, os quaes se ficaram observan<lo nesta Ci-
<la<le,e não nns outras terras do Reino" Dsb. lv. 10. Cons.
fl. !?.?38.V. Collecç. System. do Doutor Yicente discurs. pre-
lim. §. 19. ~o.
Conseguintemf!nte as Resoluc;ões não revogam Leis ge-
me;;; e neste sentido diz o Ass. 7. Fev. 1793. "pois que pe-
lo §. 3. do dito Alvará, .. , . se haviam autorisado os ditos
Artigos com força de Lei , •. , quando antes sómente hauiam
sido CJpprovadospela dilu Resolução particular."
PART, i. ~
10 lntrod. Pt. 1. Especies
D. 16 Mai. 1661. j. h. l. §. n. 13. sg.: III ver•
11andosobre dispensa, declarar-se a prohibição que
faz esta necessaria. D. !ó Jan. 1641.: IV não se
tratar na mesma Consulta negocios diversos; porém
fazer-se Consultas separadas. CC. RR. I. 10. Nov.
u;g9, 11 Sei. 1618. ! Nov. 163i. Res. Cons. Dsb.
30 Julk. 1687. no lv. ~o.fl. 70.
10 Sendo a materia de jurisdicção (hoje geral·
mente) se dá primeiro vista ao Procurador da Co-
roa. D. u À[J. 1637.
11 Deve votar-se nellas com grande inteireza e
justiça. Res. Cons. Dsb. 30 J-ul. 1687. no lv. lO.fl. 70.
H llavendo discrepancia de votos, se declaram
os nomes dos Ministros discordantes. C. R. I. !J. Ag.
1616. C. R. II. !t ltfar. 1616. a Out. 16Ió.
13 Logo que assignadas, se fazem subir á R.
Presença. D. u, Ja,i. 1644.: não se entregando po-
rém ás Partes. D. H Mai. 1707. Àv. 7 Nov. 1799.
14 Depois de ser presente a ElRei a Consulta
do Tribunal competente segundo a materia de que
se trata, muitas vezes manda S. Magestade consul-
tar em ultimo Jogar o Dsb. do Paço, e então resolve.
-Em g_u_!casos se requerem. J" . .Av. BJul. 17óõ.
16 ~:tfeilo. A Consulta não suspende a execu-
~ de sentença. D. 17 Ag. 1719. Por estylo anti-
go logo que os Procuradores Regios ou algum dos
Ministros do Tribunal requer consulta, se suspen-
de a decisilo do negocio. Y. D. 18 Ag. 1111.
Provisões dos Tnõunaes.
16 1'órma. As Provisões se expedem pelos Tri-
bunaes sobre as materias da sua competencia. Prin-
cipiam Dom F. por Grafa de Deus, etc. São assi-
gnadas pelos Ministros do Tribunal. Regim. Dsb.
§. 11 ó. Quando se passam em consequencia de Re-
solução ou Decreto, se accrescenta nellas " O man-
de Leis Patrias. §. 4, 11
tlou por sua ,mmcdiata Resoluçáo, e a data desta
ou do Decreto se declara no fim.
17 .A.utoriclacle.As que se passam pelo expedien-
te do Tribunal leem autoridade sómente no caso de
que tratam; e não podem alterar Lei, nem confe-
rir jurisdicção a quem não a tenha. i. Res. 8 Mai.
1709. em Prov. Cons. Ullr. 17 Jan. 1800. arg. CC.
RR. 6 &t. 1616. !6 Al»·. 1617. Hei. 1. §. 1 u.
18 Sendo passadas cm consequencia de Resolu-
ção ou Decreto, tcem a mesma autoridade que estes.
19 Quaes sejam as materias que os Tribunaes,
especialmente o Dsb. do Paço, despacham pelo seu
expediente, e quaes por Consulta, ou que hajam de
subir á R. assignatura, consta dos seus Regimen-
tos, especialmente do .A.lv. 14 Jul. 1713.
§. f>. Doutrina commum elosDecretos, ResolUfóes,
Provisões, e a outros Dipwmas.
1 Em D. R. as palavras }Jtpislola, Decreto, Res-
cripto, Etlicto, Mandato, Privil,egio, Pragmalica,
não teem rigorosamente o mesmo sentido que entre
n6s. Hei·. }. §. 108. 109. (a)

(a) Os Decretos, se., uecis,'if's tomadas entre.Partes com


previo conhecimento de <·ausa, fazem Direito s6mente entre
ellas. Hei. I. §. l ll. J J!.: sah·o I. 0 se interpretam a Lei
escura: '2.0 se o Imperante expre~samentedeclara que assim
se observe em casos semelhantes. §. ll!2. -- Os Rescriplo•,
se., decisões dos lmperaclores conseguidas a requerimen-
to de alguem sobre proposta ou consulta de uma Autorida-
de ou Tribunal, fazem Direito para o Imperante sómente.
Hei. I. §. 109. 110.: e mesmo a elle não aproveitam, 1.0
se os impctrou oh-e suhrepticiamente, faltando na supplica
á verdade. Hei. §. 110.: \2.0 se elles dispõem contra o di-
reito adquirido de terceiro ou contra a utilidade publica.
Hei. §. 110. - Os .E'dictos,se., determina<jÕes do Impe-
rante tomadas de seu proprio moto, e não dirigidas sobre
determinadas pessoas, são verdadeiras Leis. -Se versam

'*
Introd. Pt. I. Especies
t Expediente. Quaesquer Ordens ou Determi-
nações Regias se devem expedir pelas Estações
competentes. (a)
3 A communicaçáo das Resoluções R R. de um
para outro Tribunal, quando deve ter logar, se faz
remettendo o Escriv[1o ou Secretario ao outro copia
authentica em nome do Tribunal. Alv. i6 Jan.
1811. v. D. !6 Jan. 164,1.

Transito na Chancellaria.
4 As Cartas e Alvarás d'ElRei (o mesmo com
as que p:tssam os Desembargadores e mais Autori-
dades declaradas na O. JI. t. 39. pr. e§. ult.) por
que se concede alguma Graça ou l\1ercê, ou se man-
da alguma cousa pertencente á justiça, assim entre
a Coroa e o Povo, como entre Partes; v. e., desem-
bargos, quitas, ou esperas de dividas Reaes, scn-
sobre pessoa dellirminnda ( Mand<itci), só fazem direito a
respeito della. §. li :1.114. --As Proi,isóes dos 'l'rihunaes
( Decreta Curiarum) não leem força de Lei. llei. l. §, 11!2.
(a) 1. 0 Para que as Ordens e Resoluções RIL se expc-
c;;amcom a devida regularidade, acautelou o Alv. !1 Jul.
1794. que não se cumpram, não. sendo expedidas pelas re-
partições autbenticas que podem mune.lartim nome de S. Ma-
p;estade, como são os Tribunaes, os Genernes, e Governa-
dores por Ordens ou Provisões, os Secretarios d'Estado por
A visos ou Portarias em os negocios da respecti vn com peten-
cia: devendo quaesquer outras Ordens extraordinariamente
expedidas ter s6mente o effeito de serem informadas, para
S. Magestade resolver sobre a informação. Na Supplic. lt,,
11. fl. 38. j.
1 No caso de recurso extraordinario ou queixa ao So-
berano (a qual nunca se exclue. h. l. §. 73. n. 1. ,g.) man-
da Elle regularmente consultar o Tribunal respcctivo; ou
informar al1um M agir.trado, ou,·ida a Parle; e decide por
Decreto ou A,·iso passado pela compelente Secretaria d'Es-
tado, ou resolvt>ndo n Consulta, então se expede Provisão
pelo mesmo Tribunal.
de Leis Patrias. §. ó. 13
tcnças finaes, etc., serão selladas e passadas na
Chancellaria; e sem isso : I não teem execução. O.
II. t. 39. pr. §. 3. b. Begim. Faz. cap. !41.: II o
empregado ou outra pessoa que as cumprir, é cas-
tigado. cit. t. 39. §. 1. !. 3.: III chegando a ser
apresentadas cm Juizo, se pronunciam por nullas,
e não se restituem ao apresentante. §. 4. ( a)
ó Eff eito. O Chanceller-mór ao transitar na
Chancellaria vendo que as Cartas ou Provisões de
Graça, são contra os direitos da· Coroa, contra o
Povo ou Clero, ou contra o direito adquirido de ter-
ceiro, não as sclla; mas propõe as suas razões a EI-
Rci. O. 1. t. !. §. 4. Sendo Diplomas dos Tribu-
naes ou das Autoridades nomeadas na cit. Ord., e
constando delles mesmos serem contra as Ordd. ou
Direito expresso, lhe põe glosa, e a vai decidir ao
Desembargo do Paço na fórnm do cit. §. !. 3. iunt.
O. III. t. 7ó. pr. e§. ~. .
Diplomas viciosos e embargaveis..
1. Contrari°osa Direi.to, ou ao bem commum.
6 Os Alvarás, Cartas, Provisões, ou Privilegios,
11assados contra alguma Ordenação não são exequi-
veis, se ncllcs se não fizer summaria menção da dis-
posição dclla, ou expressa dcrogação da mesma. O.
II. t. ,J,4. Rep. Ill. p. 8s?4. vb. Ordenação; posto
<JUelevem clausula que se cumpram sem embarga
das Ordenaçôes em contrario; ou que se passaram
de certa sciencia. cit. t. 44. - Quem impetrar os
(a) Esla Legislação fica muitas v~zesdestruida pPla clau-
sula contraria que se piie nos ditos diplomas. No Osb. do
Paço não se p.í<lc com ludo expedir Pro,·isão qut~ lenha clau-
sula de não pauar pela Chanccllaria, saho por parecer da
Mesa nos lermos do Regim, Dsb, §, C>• .Alv. i4 Jul. 1713.
§, ~-
14 Introd. Pl. 1. Especies
ditos Alvads etc. incorre nas pennas (t. 43.) dos
que os impetram subrcpticiamente. cit. t. 44.
7 As Provisões, Mercês, e outros Diplomas con-
trarios ao Direito ou á utilidade publica, podem ser
embargados e tornar-se inexequiveis; por se presu-
mirem passados contra a intenção e vontade do So-
berano. Hei. I. §. 110. Peg. 6. for. cap. 176. L.
3. L, rescripla, C. deprecib. Imp. nffer. n. 14. Cab.
de. 93. n. 3. pt. !. de. 94,. Mend. I. lv. !l!. eap. 3.
n. 9. ,g. 'V. Arouc. áL. l. C. Const. Princip. n. 4.
II. Offensioos ao direito de tereeit·o.
8 O mesmo succede com os que offendem o di-
reito adquirido de terceiro; pois nunca se presume
querer o Soberano prejudicar áquclle direi to; antes
se intende que sempre o quer salvar. Alt1. ó, Mai.
176!. Ass. ti Out. 1778. §. este caso. Hei. I. §.
11 o. Yal. Cons. 130. n. 33. 34. Feb. de. 94. 11. ó.
Mend. I. lv. !!. cap. 3. n. 8. (a)
9 Conseguintemente as restituições de graça
que o Principe faz reintegrando um desnaturalisa-
<lo, não prejudicam a terceiro, nem comprehendem
os bens que outrem se acha já possuindo por justo
titulo . .Ass.13 .Ag.1777. confirm. por D.13 Out. dito.
10 As Provisões etc. de que póde resultar pre-
jui-zo a terceiro, não se concedem segundo a praxe
do Reino sem preceder audiencia dos interessados.
Yal. Cons. io. 11. 1. e n. 3. no fim.
11 Quando houve esta audiencia, e o Diploma
deroga expressamente ao referido direito, cessa a
faculdade de o embargar. Cab. pt. I. de. 6. n. 7.
U Se o Diploma. R. expressamente resalva o

(o) Uomo contrarios ao direito de terceiro e obrepticios


foram unnullados a requerimento de parle os Alv. l:i D,, ..
I6U. e 14 Out. 1641. pelo Alv. 193Out. 1613.
de Leis Patrias. §. ó. ló
preJu1zo de terceiro, este se emenda sem necessi•
dade de nova Resolução Regia. (a)
III. Ob-e su.brepticios.
13 As Cartas, Provisões, Alvarás e outros Di..
plomas Regios, que alguem impetrou ob-e iubrepti ...
ciamente, sendo apresentadas a algum Juiz ou Com-
missario, elle em logar de as cumprir, as pronuncia
por nullas e subrepticias, e condemna ex officio ao
impctrante ou ao apresentante (á escolha da parte)
em vinte cruzados, e nas custas pessoaes para a Par.
te, o que pagará da cadeia : o mesmo perde q.ual-
quer emprego que tiver, e fica sujeito a maiores
penas ao R. Arbitrio. O. II. t. 4!. Hei. I. 110.
Rep. III. p. 738. vb. nulla he. J. p. 340. oo.Carw
tas. Yal. Cons. 11. 69. e 130. n. 9. e Cons. 69. a
n. ó. Per. de. 60. u. ~- e 6õ. a n. 1. (b)
14 O Diploma se diz oh-e subrepticio quando
se calou alguma verdade ( suhrepçoo J, ou se affir-
mou alguma falsidade ( obrepçáo J, taes que a não
ser isto não era verosimil a concessão. O. cil. I. 41.
cit. Rep. III. p. 7i8. Hei. §. 110.
--SC., que não só se impediria, mas sedif ..
ficultaria. cit. Rep. III. p. 738. J. cit. p. 341. Yal.

(a) Pretendendo :F.que .HIRei mandasse suspender, por


lhe ser preju<lidal, uma Re,;olução Uegia pasaad.a a favor
de F. sobre consulta do Senado da Camara de Lisboa, foi
esta prelenção indeferida pela Res. Con,. Dsb. !! Abr.
1690. " porque, diz a Consulta, como a dita Resolução tem
expressa a clausula scmprefui'l.o d,. terceiro, 11emesta a im-
portar uma condição, ver1í1r.ada a qual fica a Resoluc;ão
nulla e sem effeito em tudo nquillo em que qualquer ter-
ceiro mostra ler prt:juizo: pelo que em o Supplicante o mos•
trando perante o Senado, fica cessando aquella Mercê,•
Dsb. lv. 11. de lóns. fl. 99.
(b) Se aquelle que diz mentira a EJRei e111prejuizo de
16 Introd. PI. 1. Espec,ies
Cons. 130. n. 8. (a) v. c., se não se fez menção <lo
litigio que pendia sobre aquelle negocio, indaque
pendesse no possessorio sómente. Y al. Cons. 11.
lõ A clausula de certa sciencia, etc. não purifi-
ca o vicio da obrepção; pois esta e semelhantes
clausulas geraes se intendem segundo o que se ai-
legou e exprimiu. Yal. Cons. 130. n. 33. 34.
IV. Suspeitos de falsos.
16 Se o Diploma está raspado, entrelinhado, etc.
em parte substancial, tem Jogar as regras ordinarias
sobre os documentos falsificados. Mend. l. lv. ~. cap.
3. n. 10. sg. V. o. III. t. 60. §. 3. Silv. ibi. r. t.
:-,a.§. 1. Mell. crim. §. rn.
V. Referente sem o 'referido.
17 Se no Alvará ou Carta Regia ( o mesmo em
outros Diplomas) se faz menção de alguma escrip-
tura ou assignado, não se faz obra por clle cm pre-
j uizo de outrem, não se apresentando o documento
mencionado. 0.111. t. 60. §. 1. Rep. IY. p. 360. vb.
Provisáo.
Quem conliece dos embargos.
18 Querendo alguem embargar com algum dos
nlgumn Parle, não chega a conseguir Alvará sobre negocio
em que mentiu, é degradado e multado. O. Y. t. 10.
(a) Como pois seja esta uma obrigação do supplicante,
fica duvidosa a doutrina dos que opinam que o ,·icio da
obrep-;ão cessa: 1.0 se á concessão do Diploma precedeu in-
forma-;ão de Magistrado ou Consulta de Tribunal: no Rep.
III. p. 740. 11b.nulla he. ]. 'P· 340. oo.Cartas impelradas:
O conl.rario ibid: t. 0 Se o Soberano tinha conhecimento ge-
ral do caso, ou a qunlidade ou circumstancia calada era
notoria na Corte: :J.0 Se E:ranullo o aclo que se supprimiu.
Cit. Rep. [. p, 340. 341.
de Leis Palrias. §. ã. 17
referidos fundamentos alguma Carta, Alvará, Provi-
são, ou outro Despacho emanado de Decreto, Re-
solução de Consulta, ou de Despacho de Tribunal,
deve o Executor dar vista do proprio Diploma, e
negando-a se póde aggravar para a Relação. Rep.
!te. I. p. a40. vb. Cartas im-
III. p. 738. vb. 11!1.tlla
petradas.
19 Em nenhum J uizo porém ou Relação se pó-
de conhecer dos ditos embargos, indaque sejam de
oh-e subrcpção; mas se remettcm ao Tribunal res-
pectivo. Al. 30 Out. 17ól. (a)
~o O Tribunal, parecendo-lhe que devem ser
disputados contenciosamente, os faz remetter ao
Juízo da Coroa, ou são ouvidas as partes. Al. 30
Oul. 17ól. (b)

Se os embargos sttspendem?
!iH Os embargos se remettem com suspensão ou
sem ella, segundo o estado em que se ach~r a exe-
cução. cit. Al. 30 Oul. 1761., se., em quanto não
se faz a execução, se dá vista do original Diploma
e autos com suspensão dos seus effcitos: depois de
feita a exccuç:io, se dá em auto separado. Cab. Feb. •

(a) Os embargos ou requerimento impugnatorio contra


qualquer Diploma Regio, se devem remeller ao Soberano.
arg. V. 23 Ag. 1694. Pelo estylo e Legislação anterior o Juiz
podia conhecer dos embargos de obrepção, ou remellê·los. O.
lll. t. 78. §. 3. Il. t. 43. pr. cit. &p. Ili. p. 739. L cil.
p. 340. Regularmente os remetlia: 1.0 sendo oppostos na
Chancellaria, não assim na execução, ex O. If. I. 43. pr.
Peg. ibi. n. 14. O. I. I. 6ó. §. 18.: !2.0 quando se fundam
em negar o poder do concedente. cit. Rep. l. p. :141. Do seu
despacho ou sentença se recorria para a Uelação do districto
com elTeito suspensivo. Cab. de. :i8. cit. &p. 111. p. 740.
No caso do presente §. ó. n. 17, parece não ter logar are-
mcua; bem como no caso do mesmo §. n. 11.
(b) Já a C. R. 14 (nãot6J Ag. 1618. dispoz que anui-
18 . lntrod. PI. 1. Especies
Peg. Franç. em Per. So.11. not. 601. cit. Bep.111.
p. 738. Peg. For. cap. 18. n. óO. ( a)
li -Pelo simples cumpra-se do Juízo Execu-
tor não se intende começada a execução. Per. cit.
not. 601.-A suspensão tem sempre Jogar quando
da execução se seguiria damno irreparavel. ibid.
13 O Dsb. do Paço com justa causa póde sus.
pender até dous mezes a execução de alguma Provi-
são. Begim. §. 101.; porém a execução de sentença
por tempo nenhum a póde mandar suspender. §.
J 1. Bep.11. p. 66. vb. Desembargador.Tambem não
se passa provisão para suspender litigio, salvo com
causa gravissima. /Tal. Cons. ól. n. 30. "· k. l. tit.
dos ausentes.
§. 6. Avi"sos e Porta.rias.
1 Fórma. Avisos são as Ordens que os Secreta-
rios d'Estado expedem com a sua assignatura, em
nome do Soberano. Vão dirigidos a um Tribunal,
Magistrado, Corporação, ou mesmo a uma pessoa
particular, com quem o Secretario falia. Differem
das Cartas dos Secretarias ou Portarias de que tra-
ta a O. II. t. 41. em que estas não fallam com deter-
minada pessoa, mas principiam Manda ElBei N. S.
! Autoridade. Os A visos ou Portarias conteem
Ordens verbaes do Rei, e como taes se devem cum-
prir. O. 11. t. 41. no fim ibi
do por Nós verbalmente.
=
sem lhe ser manda-

)idade ou obrepc;ão, quando se disputasse contenciosamente


entre Partes, se tratasse 11aHelação e não em o Dsb. do
Paço. JT. Cit. Re.p. I. p. 341.
(a) Antes dociL, Alv. era estylo suspenderem os embar-
gos de obrepc;ão sempre n execuc;ão, indaque o Diploma
fosse passado com informação previa. Fe.b.De. 41. n. J. 2.
7. Me.nd.pt. 1. lv, !. cap. 3, n. li. 13. Barb. á 0.111. l.
4.9. §. 1. n. 6.
de Leis Patrfus. §. 6. 19
- O que se intende quando não se duvida
c1ue verdadeiramente EIRei ordenou o que o Secre-
tario affirma, e quando está em Jogar onde facilmen-
te se possa recorrer a S. Magestade sobre a verda-
de do facto. v. DO. no Rep. Ill. p. 784. t,b. ol>ra.
Não regulam senão ocaso de que tratam, nem
podem prejudicar a terceiro. Res. Cmu. Dsb. 16
Nov. j. 167!. lv. 6. Cons. fl. H•l. (a)
§. 7. Assentos da Supplicaráo.
l .Autm·idade. Quem os toma. São tambem par-
te de Legislação e teem toda a autoridade de Lei
os Assentos tomados na Mesa Grande da Casa da
Supplicação, sobre a intelligencia ou interpretação
de algumaOrd. ou Lei do Reino. L. 18 Âf/· 1769.
§. 4. o. I. t. á. §. 6.
t Sómente o Rei (hoje as Côrtes) p6de inter.
J>retar, ampliar, ou restringir a Lei Portugueza, ou
quaesquer Ordens Regias. C. B. 11. 6 Set. 1616 •
.Al. ló Jul. 1763. 10 Out. 1763. §. 6. li Mai. 1769.
L. 18 .Ag. 1769. §. 1. .AI. u,Jan. 1777. Ziegl.J°ur.
Mag. cap. 6. §. 10.
(a) Qual seja a autoridade dos A visos tem sido contro-
vertido. A 0.11. t. 41. prohibe a todos os empregados pu•
blicos dar cumprimento a Portarias que lhe sejam dadas da
parle d' ElRei; posto que sejam de seus Officiaes ou de pes-
soas acceitas a S. Magestade. No mesmo sentido oAlr,. 13
Des. 1604. excitando o de IC>&t. 1601. probibe fazer obra
alguma por Porturias ou Cartas dos Secretarios (d'F.stado
ou do Governo) ou de quaesquer outros Ministros ou Pes•
soas, ou por Provisões passadas em coosequencia das ditas
Portarias ou Cartas, sob nullidade do que se obrar, e per-
dimento do Officio para quem as cumprir. Comtudo como
os Secreta rios modernos são tambum Ministros d' Estado, com
maior autoridade que os antigos, é frequenlissimo o uso dos
Avisos, e não faltam exemplos de se confirmarem por elles
dispo&igõesnovas, e mesmo de se .derogarem e alterarem
!O lntrocl. Pl. 1. Especies
- Esta attribuição Regia foi peJo Senhor Rei
D. Manuel commettida á Casa da Supplicação, que
a exercita por seus Assentos. O. 1. f. f>. §. f>. Yal.
Pari. cap. 10. n. 11. 13. Cab. Dec. U!. n. 6. {a)
3 -- Nas Relações subalternas, se., do Porto
e do Ultramar se tomam Assentos na mesma fó.r-
ma; porém deJlas ha recurso para a Casa da Sup-
plicação, onde os ChanceJlercs deJlas os remeUem
para ahi serem approvados, ou reprovados, na fór-
ma da ci.l. L. 18 Ag. §. 8. As partes que intendem
ser prejudicadas nestes Assentos, podem tambem
recorrer. cit. §. B.
4. Quando. Os Assentos se tomam em conse-
quencia: I de glosa do Chanceller, por lhe parecer
que alguma sentença é dada contra Lei do Reino
ou Direito expresso. O. 1. t. 4. §. 1. L. 18 Ag. §.
1. !. 3.: II de duvida de algum dos Desembarga-
dores Juizes da causa, ou conlroversia entre Advo-
gados della, as quaes o Juiz Relator deve pro pôr.
O. I. I. f>. §. f>. L. 18 Ag. §. 4. f>. 6. s. (b)--
0 que não procede na interpretação declarativa,
justa, e racionavel. "· §. H. n. 6. 1,..• l.
ó -Pelos Assentos não deve comtudo am-
pliar-se ou restringir-se a Lei, fóra do seu verda-
deiro sentido ; pois nenhum Tribunal p6de alterar
a Lei. cit. L. 1769. "· §. 13. n. 4. k. l.

Leis: e por isso leem sido considerados por alguns como ar-
tigos de legislação. o. Discurs. prclim. de Vicente §. !2!2.13.
!24.Maced. de. !l!O.n. f>. Com tudo muitas vezes nisto se pro-
cedeu mais de facto que de Direito, especialmente quando
se passaram A visos contrarios ás Leis, ou que as nllernram.
(tJ) Já o D. !O Jun. 1703. declarára que interpretar as
Leis não pertence ao Dsb. do Pa~o; mas ú.Mesa dos Aggra-
vos por Assentos.
(b) O Desembargndor que, em Jogar dt? propôr ao Juiz
Relator a duvida da Lei, se intromelle a interpretá-la, é
&uspenso. O. e L. prox. cit.
de Leis Patrias. §. 7. 11
6 Como. Os Assentos se fazem na fórma dacit.
O. ]. t. ó. §. ó., e são assignados pelo Regedor e
Desembargadores que votaram. cit. L. 1769. §. 4.
ó. No votar não se guarda ordem. ll.ep. li. p. 73.
vb. Desembargadores. Os Desembargadores podem
pedir tempo para deliberar. arg. O. I. t. I. ~- li.
cit. Rep. .
7 As partes não teem contra eUcs outro recurso
senão o immediato ao Soberano, que nunca é ex-
cluido. cil. L. §. 9.
3 Dos Assentos (JUC em cada anno se fazem na
Supplicação, se deve remetter copia authentica á
Secretaria d'Estado dos Negocios do Reino . .Av. !O
Jan. 1774. na Sttppl. lv. 18. fl· óó.
9 Materia. Sendo pois a mterpretação da Lei
todo o objecto dos Assentos, elles não constituem
Direito novo: e portanto os casos verdadeiramente
omissos nas Leis do Reino, deve o Regedor fazer
sabê-los a EIRei. cit. L. §. 11.
10 -- Segundo o estyJo sempre praticado se
decidem por Assentos da Mesa dos Aggravos da
Supplicação as duvidas sobre precedencia ou anti-
gnidade movidas entre os Desembargadores della.
D. 3 Fev. 1765. na Suppl. lv. H, jl. 178. j.

Assentos cl'autos.

11 Destes Assentos são diversos os Acordãos


chamados Assentos d' autos que se tomam em algu-
mas causas na fórma ela O. 1. t. ó. §. 6. em pre-
sença do Regedor.
1g Elles se devem observar, salvo quando con-
tivessem injustiça notoria. D. 4. Fev. 1684.
13 Sómente podem ter Jogar antes de votar-se,
e não depois de vencido o feito. i. Al. 6 Dez. 1813.
--São embargaveis, ou sejam de revogação ou
.
de confirmacão. Ass. 16 Jun. 18Hl .
Inlrocl. PI. I. Especies

§. 8. Dos Privilegios.
1 Definição. Privilegio é a Lei especial ('priva
lex) que concede alg·um favor ou beneficio a alguma
pessoa, corporação, ou causa. Hei. 1. §. 108. 115. ( a)
~ Concessáo. Sómente são concedidos pelo Sobe-
rano, e não pelas Autoridades, as quaes não podem
ser mais severas ou moderadas que as Leis. Hei. §.
116. E portanto se declarou: I que a Casa da Sup-
plicação, Al. 13 Mai. 16lõ., e a Mesa da Conscien-
cia, Al. l4Àbr. 16U. não podem nem mesmo am-
pliá-los : II que os Donatarios ou outras pessoas da
mais alta condi<tão não podem conceder Cartas, Al-
varás ou Mandados de pri vilegios, ou de isenções
dos encargos dos Concelhos ou de outros quaesquer,
sob penas contra o agraciado que pretender usar de
tal privilegio, e contra os Empregados Publicas que
o cumprirem. O. II. t. 46. §. :n. 40.; e que sómen-
te á Rainha e ao Principe é permittido nas suas
terras conceder escusas dos encargos dos Concelhos.
cit. §. 37. j. ult. : III que a Eôrte de Roma não pó-
de pelos seus Breves derogar os privilegias concedi-
dos por ElRei. C. R. to Jan. 16lõ.
3 A expediçáo da Carta do Privilegio ás pessoas
a quem elle compete por Lei, pertence ao Dsb. do
Paço, não sendo sobre materia de Fazenda Real. O.
I. t. 3. princ. E portanto elle as passa aos Fidalgos.
Regim. Dsb. §. 119.; aosCarreteiros e Estalajadei-
ros. §. 19!0.; aos Autores e inventores para só elles
poderem vender as suas obras e inventos. Al. 7 Jan.
J760. §. 1.; aos Reguengueiros. cit. §. l.
4, Confirmação. Tambem o direito de confirmar

(o) Em D. R. se chama lambem privilegios os que tra-


tam de irrogar alguma pena extraordinariamente, e esta é
a differença de privilegios fa,•ora,·eis ou odiosos. cit. Hei.
de Leis Palrias. §. 8.
os privilegios é privativo ela Soberania, e nunca póde
competir a Donatarios por mais qualificados que se-
jam. Re,. Cons. Dsb. ó Out. 167.{). lv. 6.fl. 3Ió. j.
r, A Confirmação se expede peloDsb. do Paço. ( a)
6 -. - Os privilegius iucorporados nas Ordena-
ções não precisam ele confirmação. (b)

Especies de Privilegios.
7 Pessoaes, reaes. I Os privilcgios e isenções ou
recahem sobre uma pessoa {pessoaes), ou sobre cer-
ta causa ou materia (reaes). Hei. I. §. 116.
8 - Os pessoaes expiram com a pessoa privi-
legiada, a não serem concedidos expressamente tam-
bem para seus successores. Hei. YII. §. 3!23.: os
reaes passam aos herdeiros. Hei. I. §. 118. ao. Rieg.
JI. §. 70. Os concedidos a uma Corporação ou Colle-
gio duram perpetuamente com clla. Hei. cit. §. 3!23.
9 Incorporados, ou avulsos. II Os priviJcgios ou
são incorporados em Direi tCl, ou se conteem em Di-
pJomas particulares e avulsos. O conhecimento dos
primeiros se suppõe como o das Leis: os segundos
é necessario que se allcgucm e apresentem. Rep.
IY. p. t58. vb. privilegio para.
10 -- Os primeiros não se intendem dcroga-
dos pela clausula mio obstante qualquer privilegio
ou por outra semelhante phrase geral; mas é neces-

(a) Pedindo os M oedeiros pelo Conselho da Fazenda a


Confirmação dos seus privilegias, declarou a Rei;, Oms. Dsb.
10 Ag. 1687., que a conf1rmação de quacsquer privilegios
se de,e requerer e expedir pelo D~b. do Pa<_;o, ouvido o
Procurador da Coroa. No Dsb. lv. 18. de Cons. f'l. 30.
(b) Assim o declarou a cil. Res. 10 Abr. 1687. tralnndo
dos prhilegios dos Moedeiros; "pelo que, diz: são os Juizes
obrigados a guardá-los como Lei, por virtude de ~eu officio
e juramento," -- sobre a confirmação dos privilegios 11.
lv. I/. das Mercês.
!4 ile I..eis Patrias. §. 8.
saria especial menção e derogaçiio. Feb. de. 146. ,i.
4. H. Barb. pt. 1. áL. l. sol. matr. n. H. e áL.
quia ta'le, n. 16. ff. Sol. matr. Cab. de. 94. an. l.
Barb. á O. Ili. t. 11. §. !2. n. ~-
11 -- Os primeiros n~o carecem de confirma-
fião. "· n. 6. h. §.
H --Uns e outros se podem renunciar. "·
n. 36. sg. ( a)
NatureUJ restrictiva dos Privi'legios.
1 3 Os Privilegios são de natureza restrictiva; e
d'ahi manam as regras seguintes:
Não devem ser interpretados extensivamente,
se, além da sua leUrà, salvo com sufficiente razão
juridica. Hei. I. §. 119. Rieg. JI. §. 7!2. i. Al. !O
&t. 1768. E portanto não se podem: I trazer para
exemplo. Hei. 1. §. 116.: nem: II estender-se do
uma aoutra pessoa. i. Al. !O Set. 1768. Lll. IOFev.
17ó7. §. 4. (b)
14 -- Com tudo quando a causa ou ma teria é
indivisível e commum, o privilegio de um aproveita
(a) O Al.·! Mai. 1733., que declarou nullas as senten-
'sªs proferidas nas causas dos Moedeiros em outroJuizo que
não st>jao do seu Privilegio, fundou-se nas Leis que inhi-
biram a outro qualquer julgador o conhecer <laquellas cau-
sas, e não mencionou em a sua parle dispositiva que alle-
garam os Moedeiros na sua pctic;ão, se., o ser irreouocia-
vel todo o privilegio incorporado em Direito.
(6) Nesta conformidade diz o Ass.Jl. de !:JJul.1811.:
" Como a maleria é de privilegio, se não de,·e estender a
mais do que áquelles, que expressamente se acham contem-
plados nas respectivas Leis, que não devem ser intendidas
além das materias de que tratam e que fizeram o objecto
das suas decisões." "Os privilegios (diz Espen. tom. 6. p.
80. col. i. §. I. e p. 81. col. 1.) são tanto mais odiosos,
quanto mais infringem a \·irtude e.lasLei:.. Os conlrarios a
ellas se devem rejeitar como obrepticios, ou extorquiuos."
de Leis Pa.trias. §. 8. !á
ao socio ou consorte. i. 0.111. t. 80. §. 3. J. 88.
§. 4õ. cas. espec. Rep. IY. p. 644. á4á. vb. Res-
titw"çáo. 111. p. 60. vb. individua.
1:, Não podem existir contra o bem commum
e utilidade publica. i . .A.l. !!O Oul. 1763. §. 7.1!&
Mai. 177 I., se., para o fim de deverem ser re-
vogados pelo Rei.
1.6 Nunca se julgou que o Soberano os con-
cedesse, ou os tolere contra si mesmo. i . .A.l.!7
Mai. 177:2. §. 1. : contra a arrecadação da R. Fa-
zenda. cit. §. 1. : ou contra a Sua Real Preroga-
t.iva e independencia . .Al. 18 &I. 1784.
17 Os privilegios antigos são inuteis, se não
chegaram a pôr-se em prática pelo uso recebi-
do. Espen. tom. 3. p. uo. edif. Yenem, col. J. n.
a. Silv. á O. 111. t. 71. §. 3. t. i . .A.l. 11 Out.
1786. pr. 1"bi.-presumindo ter privilegias que
Jª náo existem. -- A L. t'l.9_Jan.1643. mandou
conservar os Privilegios anteriores nas pessoas
particulares. ·
18 O privilegio não aproveita a quem o pro-
curou, e impetrou com dólo ou obrepção. i. D.
14 .A.g. 17~3. Estai. 6 .A.g. 17õ7. ~- 7. -- "·
L. 6 Dez. 161!2. §. 10. llegim. 1 Jun. 1678. §.
~6. (a)
I 9 O privilegio concedido em razão de algum
Officio ou occupação, não aproveita a quem nel-
le não tem effectivo exerci cio, e se perde em dei-
xando de o servir. L. 6 Dez. 1611. §. 9. Regim.
7. &t. lf>90. §. 31. DD. t3 Set. 1719. el 4 .A.g.

(a) Do privilegio de aposentadoria por velhice ou


doença, obtido com d6lo, especialmente manda a O. J.
t. 58. §. f>\2.que não se guarde, e que o Corregedor as.
sim o fac;a verificar. Dos privilegios obrepticios se inten•
de o mesmo que das Provi11õesAlvarás. cit. Rep. IP.
p. !f>9. "· §. ó. n. 13. sg. h. l.
PART. I. 3
16 lntrod. Pt. I. Especies
1713. Eslat. 16 Dez. 1766. cap. 4. cap. 18. §.
3. Al. 10 Fev. 1757. §. !2. Res. 8 .Ag. 16Bf>.
!O O privilegio não prejudica ao que tcm_igual
privilegio, se~undo a regra que "o privilegiado
não usa do privilegio contra igual privilegiado"
Hei. I.}· 119. Rep. IY. §. !á4. vb. privikgiado .
.A. O. . t. 88. §. 4f>. v. ult. e 111. t. f>. §. 3. o
reconliece a respeito dos Desembargadores, or-
pháos, e vim,as, qt1ando litigam tms com outros.
Rq,. JY. 'P· 91!. vb. viuva não. Feb. de. 70.
n. 6. (a)
!21 Aquellc que obteve um privilegio contra
outrem, é obrigado a usar delle contra si. i. O.
r. t. 91. §. !. cas. espec., e se funda na regra
dos correlat.ivos. l. I. .ff. quod qu,isq.j'llr. in alt.
llat., eod. J'Ur. tdat. Rep. IY. p. ~f>9.
li Para os privilegiados poderem usar do p1·i-
v ilegio: I deviam ter lança de vinte palmos com
as declarações da O. 11. t. 61.: II ter em fa-
zenda o valor determinado nà L. !~ 011t. 1611.
A.l. !20 Fev. l 6!f>.
!U Os privilegios exclusivos são regularmen-
te prejudiciaes, e sómente se concedem por es-
peciaes motivos do bem commum. Const. A.. Mó.

(a) Neste caso pois nenhum dos privilegiados usa do


privilef"io, e fica o caso na disposição geral de Direilo.
Rep. 1/T, p. !l!f>f>.e portanto tratando-se de privilegio
de fôro, prevalece o do réo. Rep. cit., e lal é a dispasi-
fiJo doa c:U. Ord. t. 88, §. f>4,,e t. b. §. 3- -- Exccp-
tua-se: 1.0 o privilegio da restituição in intcgrum que
aproveita contra igual privile,tiado. Ass. 30 Ag, 1779. v.
l11,III. da real. in inl'l".·: ao que accrescentam, !'l.0
quando um dos dous privilegiados trata de evitar dam-
110, e o outro de obter lucro, no qual caso dizem que pre-
valece o privilegio daquelle. Cald. Guerr. etc. no cit.
&p. p. tóf>. : a.0 se um tem privilegio duplicado. Rcp.
cit. p. 'lóf>.
de Leis Pafrias. §. 8. !7
§. ~4.: v. Al. ~8 Abr. 1809. §. 6. sobre os in-
ventores. ( a)
!!4 Pela sua natureza reslrictiva e odiosa aca-
bam emfim de ser abolidos todos os privilegios
c1ue não forem essencial e inteiramente ligados
aos Cargos para utilidade publica. Const. À.
14ó. §. ló.

Exemplos de restricçóes de Privilegios.


!b Nenhum privilegio, sem expressa declara-
ção, escusa de servir os cinco Officios de Juiz,
Vereador, Procurador do Concelho, AlmotaceJ,
e Depositario do cofre dos Orphãos, salvo com
expressa menção. O. 1. t. 67. §. 10. "· 1,,, l. tit.
das Camaras.
9Z6 --nem de pagar as fintas para defesa
da terra, ou para obras publicas e limpeza das
ruas. O. II. t. ó8. §. 4. I. t. 66. §. 43. e 46.
t. 68. §. 1~- Rep. JY. p. \!ó6. vb. privilegia.dos.
!7 -- nem das penas das Posturas das Ca-
maras e Almotaçarias. Al. !3 Out. 1604. 18 &t.
1610. 27 Set. 1613. v. lv. JII. dos damnos.
~8 Os privilegios de captivos, SS. Trindade,
etc. sómente escusam dos Carg·os da Camara nos
termos declarados n. s?ó. li. §.
~9 O privilegio para trazer armas defesas,
não aproveita para as trazer de noutc fóra de ho-
ras. O. Y. t. ao. §. 10.
30 O privilegio para não se tomar bêsta a

(a) Pretendendo F. licença para construir um forno


com exclusão dos mais moradores, foi esta pretenção in-
deferida pela Res. Cons. Dsb. 17 Jun, 168ó., "por ser
este privilegio, diz a Consulta, contrario á liberdade dos
Vassallos, e pouco util á Fazenda H.., e não dever im-
pedir-se nos mais moradores ter fornos e ganhar assim
suas vidas." No lv. 9. de Cons. fl. 18. v. II. do, edificio,.
3.
!B Jntrod. Pt. 1. Especies
algu~m, não se intende das que se costumam
alugar. i. O. I. t. ó8. §. 48. lI. t. óO. §. !. e I.
68. pr. j. ult. etc.

Guàrda e infrac.çâo dos Privilegias.


31 Os que quebram o privilegio a quem o
tem, incorrem nos encoutos, se. , nas multas e
mais penas impostas aos infractores. O. I. t. ó:l.
§. 8. 14. lI. t. 6!. §. 6. cas. spec.
ai Da infracção e dos encoutos conhecem
os Almoxarifes do Iogar da infracção, ou, não
os havendo, os Juizes Ordinarios, ou os Corre-
gedores do Civel da Corte, sendo J uizes Privati-
vos do Privilegiado. v. o; 1. t. õ9. §. 14. Rep.
11. p. 478. vb. citar. -Sendo sobre materia de
direitos RR. pertence o conhecimento aos J ui-
tes dos Feitos d'ElRei. O. cit. §. 8. t. 9. §. 9.
Cost. stit . .Ass. !2õ. - Para quem se possa aggra-
var. i,, Leit. tract. I. qt. 6. ( a)
33 O uso de censuras ecclesiasticas para con-
servação dos privilegias é illegitimo, como so-
bre causa temporal. .AZ. 9 Jul. 164!2. (b)

(a) Pretendendo F. Thesoureiro da Bulia ser isento


de certo encargo, decidiu a Res. II. Cons. D,b. ló Mar.
1676. que devia usar do meio ordinario de aggravar para
a Mesn do Desembargo do Paço, como se observa a
respeito dos mais privilegiados; pois de outro modo se
induziria confusão, não podendo bem averiguar-se a qua-
lidade do privilegio. L". 6. de üms. fl. l334. f. "· n.
33. Rei. 9Jul.167t. Sendo a<luvida sobre a intelligen-
cia do privilegio, pertence á Casa da Supplicação o
interpretá-lo.
(b) 1.º Fulminando o Conservador da Bulla com
censuras a certos Officiaes sobre pretexto de ha,•erem que-
brado a isenção temporal de um Mamposteiro, declarou
a Rer. Cons. Dsb. tó Mai. 1676. que houvera nisto abu-
so de jurisdicção, pois o Conservador a não tem para
de Leis Pafri'as. §. 8. !9
34 O privilegiado para a conservação do pri.
vilegio póde usar de <leclinatoria, ou pedir Çar ..
ta precatoria ao seu Juiz. i. L. 13 Oiet. 176~.

Como se exting'lJem.
36 O privilegio acaba: I cessando a qualida-
de ou causa por que se concedeu. Hei. l. §. UO.
Rep. IY. p. 2ó8. vb. privilegio. O. li. t. õ8. §.
3. t. 63. §. ~- 3. cas. spec. O que se intende:
1. 0 quando a dita causa cessa, não parcialmente
em um ou outro caso, mas a respeito de foda a
corporação, ou pessoa que delle gozava._ Fe'•. de.
l 4á. n. ti. /. adi.gere §. quamuis .ff. jur. pa-
tron. j. acima n. 19. ~ t. 0 se a Lei expressamen-
te não dispõe o contrario, como na viuva que
ie recasa, etc. v. t. das viuvas li. l.
36 II Pela renuncia do privilegiado. I-Iei. I.
§. no. llieg. II. §. 73 ..
37 --Não se póde renunciar o privilegio
concedido por interesse publico do Estado. i. Ass.
14 Jan. 1788. Feb. de. J4.5. n. 18. O que esten-
dem ao privilegio concedido a uma corporação
ou classe de pessoas, o qual dizem não poder ser
renunciado por um dos seus individuos., v. e.,
a homenagem pelo Nobre. Feb. de. 48. n. 3. l.
impôr censuras neste caso; e os privilegiados devem usar
do meio compelente, que é o de aggravnrem para o Cor-
regedor do Civel. Dsb. lv. 6. fl. :lói. j.
!!. 0 Poroccasião de proceder o Conservador da Bu11$
<la Cruzada com censuras contra o pretendido infraclo{
úe um privilegio da mesma, declarou a Res. Co.ns. Dsb.•
9 Jul. HiH., que o Al. 10 Dei. 16~6., que o privilegia-
do que se julgar aggravado, deve recorrer no Pro\'edor
da Comarca como Conservador dos Privilegiados, e delle
para a Helação do Districto, segundo o At. 5 Nov. 1613.,
excitado pela Res. Cons. Dsb. 4 Mar. 167f>., e que ~s-
sim se observe para o futuro. No Dsb, lv. 6. Cons.fl. 30,
ao Int. Pt. I. Esp. de Leis Pat. §. B.
Jus publicum ff. de pact. -- E daqui deduzi-
ram a irrenunciabilidade do fôro clerical, sobre
que v. §. 68. n. 9. /1,, l.
38 -- A quem uma vez renunciou o seu pri-
vilegio ou direito, não se permitte regresso. l.
14, §. sic. ff. redil. edict. Rep. II. p. 6!9. O.
III. I. 37. §. 3. cas. spcc.
39 III Pelo não-uso de dez aunos do privi-
legioaffirmativo, se., consistente em fazer algu-
ma cousa; pois pelo decurso deste tempo se in-
duz renuncia tacita. Hei. 1. §. HO. Rieg.11.1.
73. Feb. de. 33. n. 10. Gam. de. !28!2. ,i, 3. .
41. t. 18. pari. 3. Silv. á O. Ill. t. 71. §. 3.
11. 10. 11. Rep. II. p. 618. vb. graça.
-se., Se não deixou de usar por legiti-
mo impedimento. :F'eb.de. 33. ,i, H!.
40 - No privilegio negativo cumpre que
preceda prohibição e acquiescencia a ella, ou
não-uso por tempo immcmorial. Silv. ao cit. §.
:J. n. H. 13.
41 IV Por actos e uso contrario do privile-
giado, pois induzem tambem renuncia tacita.
Silv. ao cit. §. 3. n. 33. Rep. II. cit. p. 6t8. i.
O. 111. t. 38. pr. ibi. -ou porque, cas. esp.
4! V O concedido sob condi.ções, faltando-se
a qualquer dellas. i. Al. !!!! Ag. 1766. v. Al. 9
Jitn. 1761.: e daqui vem a doutrina do Official
que não serve : acima n. 19.
43 VI Os em pregados nas Armadas da Co-
rôa desertando dellas, além das mais penas, per-
dem qnaesrpier privilegios <1uetiverem, e nunca
mais os podem haver. O. 17. t. 97. pr. cit. etc.
31

Pt. II. Natureza das Lei~.


§. 9. Fim, e virtude das Leis.
1 A Felicidade nacional consiste nas boas
Leis e na sua exacta observancia. v. J?atlel I.
§. H>8. sg., e conseguintemente em ter bons Ma-
gistrados. §. 163.
!2 -- A inviolavel observancia das Leis é
o alicerce das Monarchias. i. Al. 16 Nov. 177 J.
O firmamento do Throno do Rei é a justiça, da
qual procede a felicidade dos povos : a falta dei-
la produz aruina dos Imperios. D. 13 NO't),1(;61 •
.3 - O fim das Lei~ é a tranquillidade e
felicidade dos povos : estas não podem existir
sem a boa administração da justiça, e a fiel ob-
servancia <las Leis. Al. !20 Out. 1798. L. 19
Jun. 1790.
4 -- O grande principio de UTILIDADE
GERAL, deve ser todo o ohjecto do Legisla-
dor. Outros princípios deram muitas vezes nas-
cimento ás Leis, corno o ascetismo, a sympa-
thia, a antipathia, etc. v. Bentli. I. cap. 1. õ.
sg. 13.
f> A Lei é igual para todos, quer proteja,
quer castigue. Const. À. l4á. §. U.
6 É <la intenção do Legislador que as pro-
v idencias das Leis se estendam desde a primei.,.
ra até á ultima classe dos Cidadãos. L. !29 Nov.
177 ó. : e que protegendo a uns, não façam a ou,,.
tros miscraveis. L. 4 De!(,.177ó.
7 As Leis elevem ser conformes: I ao Di-
reito natural. JJlontcsq. XXVI. cap. 3. sg. 9. v.
Bcntli. I. cap. 13. §. 10.: II á Religião da Na-
(;ào e como. "· cit. Moniesq. XXVI. cap. B. sg.
XIX. cap. ai... Fil,ang. I. cap. 17.: III á fórma
31 Intt-o<l.PI. II. Natureza
e principio do seu Governo. Fi'lang I. cp. 10. I 1.
· Montesq. P. cap. 1. sg.: IV ao seu genio, indo-
Je, ou espirito geral, se., ao seu clima, costu-
mes, usan"as, exemplos, etc. v. FUang. I. cap.
U. 14. sg. Mont. XIX. cap. 4. sg. Benth. I.
cap. 9. (a): V aos tempos e Jogares; e portan-
to se devem mudar, quando se alteram as cir-
cumstancias destes. Benth. 111. p. 449. Filang.
I. cap. 7. Al. 1ó Jan. l 77f>. He.i. I. §. 95. (b):
VI ao principio da utilidade. Bentl,. II. pt. I.
cap. 17.
8 Não se deve confundir a Legislação com
a Moral: quaes limites as separem. v. Renth. I.
cap. J!!. Hei. Jur. Nat. cap. 8. §. 16!. Boe/1mer.
exerc. 94. cap. ~. §. 3. P1ffffJnd. of.fic. liom. II.
oap. 13. §. 11. sg.
9 As Leis devem ser simples, quanto o per-
mitte o Governo Monarchico. v. Montesq. PI.
cap. J. sg. e consequentes entre si. Benth. II. pt.
1. cap. 17.
-- a sua multiplicidade cmpecc ao seu
mesmo fim. (e)
(n) As Leis devem mesmo respeitar até certo ponto o
humor social, a vaidade e orgulho da Nação. Monlesq.
XIX. cap. 6, sg.; contribuindo comtudo circumspecta-
mcnte para formar o seu caracter e cosi umes. cap. GJ.7.
Cumpre mesmo que ella esteja preparada para receber
as boas Leis. cnp. t.
(b) Não deve teMe por inconciliaYel com esta regra
a outra, que ns Leis se firmam em principios geraes;
com attençãa ao que mais frequentemente succede, e
sem contemplação de circumstancias parliculares de pes-
soa, tempo, ou logar em l/ei. 1. §. 9á. i. Al. li Mai.
1769.
(e) Havendo-se proposto a EIRei, pela reitcrnção dos
crimes que se commettiam com pistolas. que se fizesse
uova Lei, decidiu a &s. Cons. Dsb. !!6 Set. 1676., que
as Leis existentes proviam baslantemenle sobre esta ma·
elas Lets §. !>. 33
10 A exacta redacção e connexão das Leis é
da. maior importancia. v. Benth. 1. cap. 13. e
11. pt. 1. cap. 17. Montesq. XXIX. cap. 1.
sg.: no que muito se tem peccado entre nós.

§. 1O. Autoridade das Leis.


1 Princi'piosgeraes. As Leis Portuguezas pre-
valecem a todo o Direito humano, e são o nosso
Direito commum. L. \28 Ag. 177t. lv. !I. t. t.
cap. !. 3. Silv. á O. 111. t. 64. pr. n. !. v. §.
16. /1,, l.
t Tem igual autoridade as Leis quer com-
piladas, quer extravagantes: són:iente as segµn-
das estão expostas a ser em alguns casos igno-
radas; e com este fundamento mandava fazer o
Codigo o D. 13 Jul. 1679.
3 Para obrigar a Lei não carece de ser rece-
bida. Cab. de. 184,. n. !a.; diversamente dos Ca-
nones e de outras disposições Ecclesiasticas.
4 Todos devem veneração e obediencia ás
Leis: é este um dever sagrado dos Cidadãos. Al.
16 Ja,i. 1768. §. 6. L. t4 Out. 1764.
ó Ninguem póde conhecer da justiça ou in-
justiça da Lei, ou arguir o seu merecimento. i.
L. !23 Nov. 1770. §. lá. (a)
6 --Nem mesmo hesitar contra a sua dis-

teria; que a administração da Justiça e quietação pu-


blica não consiste na multiplicação das Leis, mas na
sua observancia; que antes novas Leis sem execução pro-
duzem precisamente o effeito contrario; e qu~ de pouco
serve a Lei quando fica impune o transgressor, Pelo que
se promoveria o processo dos réos, etc. Dsb. lv. 6. de
Lons. fl. 4~3. j.
(a) Não se prohibe porém, e menos em tempos cons-
titucionaes, npôr sisuda e moderamente os defeitos <la
Legislação, e propôr as reformas convenientes.
34, Introd. Pt. 11. Nalitreza
posição, quando esta é expressa. i. Ass. eo Dez.
J770.
7 Os Procuradores da Côrte, e das Casas da
Supplicação e do Porto, e quaesquer pessoas que
nellas litigarem, se por palavras ou escripto ai-
legarem ou requererem contra alguma Ord. (ou
Lei Patria), dizendo que se não deve guardar
por ser contra Direito Commum ou Canonico,
incorrem ipso facto na multa de !O cruzados (ho-
je o tresdobro) para a respectiva Relação. O. I.
t. 48. §. 6. Rep. JY.p. 197.vb. procurad-Or qtre.
8 Os Advogados que aconselharem contra
as Or<ld. ou contra Direito expresso, incorrem
nas penas dos que julgam contraDireito expres-
so. o. ]. t. 48. §. 7.
9 -- E fazendo petição de aggravo ou em-
bargos, manifestamente contra Direito expresso
ou contra os autos, pagam! $ 000 rs. para as des-
pczas da Relação. O. cit. §. 7. 1. t. b. ~- 7. t.
6. §. 11. v. Ass. 16 Nov. 1700.
10 As Leis não podem ser embargadas na
Chancellaria por pessoa ou Autoridade alguma,
e menos pelo Juiz do Povo. D. 16 e Bes. 17 l'ev.
164,!t.
11 -Nem se póde fazer réplica ás Reso-
lm;õcs tomadas por ElRei. C. B. 7 Out. I6i6.

A quem obrigam.

1i As Leis obrigam a todos os Cidadãos no


fôro externo, e no interno. Hei. 1. §. 98. Al. l
.Ag. 1774.
13 -- e mesmo aos Estrangeiros que resi-
dem temporariamente no Reino, em quanto alli
residem. Bei. 1. §. 98. v. §. !7. k. l.
14 -- e aos Ecclesiasticos nas materias
temporaes, proprias da suprema e independente
das Leis. §~ 10. 3b
jurisdicçilo do Soberano. Al. J 6 Ja,i. 1768. §.
6. Hei. l. §. 98. v. §. á9. n. 7. sg. /1,. l. -
e noJuizo ecclesiastico nos termos abaixodecla-
rados. §. 68. n. tlõ. sg. h. l.
1 r, A Lei por o Hei feita não o obriga a
Elle, senão cm quanto fundado em razão e igual-
dade quizer a elJa suhmetter seu Real poder. O.
IJ. t. 3b, §. t J. j. Porque. Hei. }. §. 97. R!P,
111. p. 367. 11b.ley. 0.111. t. 6. pr. Bep. JY.
p. if>!. vb. Principe. ( a)
J6 As Leis e disposições dadas geralmente
para Portugal, compreheudem as Ilhas adjacen-
tes, como parte deste Reino. Bes. Com. Dsb.
!I Abr. 1689. Dsb. lu. 10. de Cons. fl. 388.
As Leis geraes em que EJRei não falia co-
mo Grão-Mestre, não comprehendem os bens e
Beneficios das Ordens militares. AI. t7 Mar.
1788.
17 As Leis regularmente não se estendem
aos bens situados fóra do Reino. Yal. Cons. 18!2.
,i.14. 11. nos estrangeiros.

A.cios contrarias ás Leis.

18 O acto contrario á Lei prohibintc é nul-


lo, posto que clla expressamente não o annullc.
l. 5. C. de kg. Rieg. li. §. ~1. Port. Gov. 1. !6
.Ahr. 1617. i. o. I. t. b3. §. !. 1. t. 66. §.19. t.

(a) Em que &entiJo se possa dizer que o Uei s,ja


sujeito á Lei 1.1, Yaltel [, §. 49. Esta doutrina fica um
pouco alterada depois que o Poder Legislativo !'e divi-
diu entre o Rei e as duas Camaras, pois não póde elle
só mudar a Lei. Tambem cumpre nesta ma Leria distin-
guir entre a Lei fundamental, e as Leis secundarias.
-- Quanto á Haioha e ao Principe v. DD. no Rep.
cil. p, 367. e lbS!.
86 lntrod. Pt. 11. Natureza
68. §. 17. Yin11,.1. Seler.t. cap. 1. Rep. 111. p.
7UL vb. Nullos são. ( a)
19 -E assim, quando a Lei dá fórma ao
acto, ás Posturas, ao testamento, á escriptura,
preterindo-se ella em causa substancial, o acto é
nullo. Bep. 111. p. 368. vb. Lei não. e p. 7!U!.
1Jb.nullos são. v. lv. 111. t. das Begr. ger.
!O -- Com tudo muitas vezes a Lei prohibe
o acto, irrogando pena ao transgressor, sem com-
tudo o annullar ( Lex minus qttam perfecta) ; e
então o acto póde subsistir, do que ha frequen-
tes exemplos. v. Hei. 1. §. 99. Httber ibi cit.
Bep. 111. p. 7~~-
t J -- Se a Lei é estabelecida em favor de
alguma pessoa, e esta não oppõe a nuJJidade, re-
gularmente o acto subsiste. Barb. á O. 111. t.
!4. pr. ri. 8. v. lv. 111. tit. Begr. ger.
!21! -- A nullidade do acto contrario á Lei
ou se verifica ipsojure, ou de:eois de sentença do
Juiz, segundo o theor da Lei. Bieg. li. §. bO.
!'l3 .A sentença dada contra a Lei Portugueza
ou contra Direito expresso, é nulla : Como, se
julgar que vale o testamento do impubere. O. 1.
t. b. §. 4. 111. t. 76. pr. Per. So. 1. nol. 666.
Hei. Pll. §. !280. Bep. III. p. 7!21. oo.nullos
são. 11. p. 71.. - a III. p. 760. vb. nulla.
-- Contraria a Direito para o fim de po-
der ser revista, se diz sómente sendo contra Lei
Patria. L. 3 Nov. 17f.8. §. 3.
!!4 -- A que é dada contra direito de Par-
te, se., com erro no facto, não no direito, v. c.,
julgando que o impubere é pubere, é injusta não
nulla. O. t. 76. §. !. Per. cit. not. 666.

(a) As Leis mandam, prohibem, permittem, ou cas-


tigam. ]lei. 1. §. 9\!., e daqui as denominações de Lei
preccptiva, prohibitiva, permisaiva, punitiva.
elas Leis. §. to. 37
!6 Glosa. O Chanceller da Supplicação (o
mesmo com o do Porto. 0.1. t. 36. §. 1.) cons-
tando da mesma Carta ou sentença da Relação
ser contra Lei ou Direito expresso, não a sella;
mas lhe põe glosa e propõe esta na Relação para
se decidir na fórma da O. 1. t. 4. §. 1. "· Bep.
I. p. 436. vb. Chanceller do Porto. Port. Gov.
J. !26 .A.br. 1617.
!6 -- A glosa segundo o estylo se decide
com tres Desembargadores, se é Carta passada
por despacho de um só Desembargador; e por
cinco, se é passada por Acordão. Bep. 1. p. 43!2.
vb. Chanceller.
t7 - Se se approva a glosa, ha exemplo de
se admittir ainda o adversario a embargar. Bep.
I. p. 4!7, vb. Cl,anceller mór. Cab. ib.
!8 Responsabilidade do Jitlgador. Todo o
Juiz que julgar contra Lei Portugueza, sendo-lhe
allegada, fica suspeito ás Partes, e é suspenso e.
multado; além da nullidade do julgado. O. 1.
t. 6. §. 4.
--Os Juizes (subalternos ás Belaçóes)
que julgam ou obram contra Lei, são responsa-
veis á in<lemnisação <la Parte, e cogdemnados
em Relação ·nas custas, indaque o fizessem por
simples culpa ou ignorancia, sendo Lettrados;
se são leigos, sómente havendo malicia. 0.1. t.
(iá. §. 9. Yal. Cons. iG. Cab. l. ar. H>. e de. 39.
n. 1. sg. Peg. ó.for. cap. 108. n. l. sg. 16. (a)
(a) Quanlo á indemnisação, tem pois a Parle acção
contra o Juiz para indemnisnção. O. cit. §. 9. Peg. 6.
For. cap. I08. n. 1. ló. 16. rat. lons. ~6. n. 7. -
Comtudo n cit. O. t. ó. §. 4,, s6mcnte sujeita o Juiz á
multa de !O cruzados pnrn a Parte lesa, e a cit. O. C.
6f>.§. 9. falia <losJ uizes territoriaes subordinados ás Re-
lações, e portanto p6<lesustentar-se o Ass. !'29Noi,. 1634'.
que declarou não poder demandar-se o Desembargador
38 Iutrod. Pt. 11. Natureza
i9 -- As penas destas Leis se impõem na
Relação pelo meio do aggravo de Orclenaçâo 'lllÍO
guardada, que a Parte lesa póde interpôr por pe-
ti9ão ou in~trurnento de todo o Julgador que in-
frmge a Lei. v. 0.1. t. ó. §. 6. 111. t. s?O. §. 4G.
Rep. li. p. Só. 1. p. 71. vb. aggravar.
30 Os Privilegios, e mais Diplomas cont.ra-
rios a Direito são nullos, e glosa.dos pelo Chan-
celler-mór. v. §. ó. n. 6. sg. li. l.

§. 11. Publicaçoo das Leis, e seus effeitos.

1 Necessidade. A publicação das Leis é es-


sencial e neccssaria, e sem ella não podem ser
obrigatorias. Espen. tract. de promnlg. leg. no
tom. 9. ex p. 107. cap. l. Hei. I. §. 94. llent/i.
Ili. p. !74. t84.

pelns sentenças que se dizem ser injustas; declaração


que querem estender a todos os J uizes, ao menos duran-
te seus qfficios. Rep, III. p. ~M6. vb. Jufr. r,áo.
Quanto á condemnação officiosa das custas, noto
que : I não costuma verificar-se senão em caso de d6lo,
salvo quando uma Lei Patrin impõe pena. Yal. cit.
n. 7,: li se ó Juiz lrigo accidentalmeote fôr Lettrado,
não perde comtmlo a contemplação desta Lei, que como
penal não deve estender-se. Yat. cit. n. 7.: III a dita
condrmnação se foz na Relação com a presença do Pre-
sidente. O. 1. t. 6ó. §. 9. Yal. Cons. SW. n. 3.: e por es-
tylo ainda sem elle: l.º nas cousas que os Aggravista:;
despacham pôr tenções. Cab. de. :J9.n. ~. 3. : ~-º sen-
do o Julgador Almotacel, a quem o Corregedor ou Pro-
vedor podem lambem condemnar. Ass. 1 Ab,., 171>1.:
IV na sentença da condemnação costuma inserir-se n
clausula que dentro <k trinta dias Poderá allegar cm-
bat·gns a não pagar as ditas custas, salvo se a justiça é
evidente, poi:; então nãQ é admittido a isso. Cab. de. 39.
n. 4. Rcp. III. p. ~08. vb • .Tt,iz de /!ora.
das Leis. §. 11. 39
t --E cumpre que se faça tambem nas
provincias. Esp. cil. cap. 1. ( a)
3 Como se .faz. As Leis e Ordenações são
publicadas na Chancellaria-mór do Reino na fór-
ma da O. I. t. 2. §. 10.
4 -- Destas remettia o Chanceller· mór tras-
lados authenticos aos Corregedores das Comar-
cas. O. cit. §. 10. Hoje a R. Officina Typogra-
phica de Lisboa (a quem pertence exclusivamen-
te a impressão e venda das Leis, Decretos, e ou-
tros Diplomas. Al. 9 Mar. 18!4.; bem como da
Carta Constitucional. D. 14 Jitl. 18!6.) remette
exemplares dellas ao Sub-inspector do Correio
da mesma Cidade para se repartirem pelas A u-
toridades della e das provincias do Reino. Estas
Autoridades os fazem encadernar em Collecções
annuaes, que se conservam nas Camaras, sob a
inspecção dos Correg·e<lores, tudo na fórma do
cit. Al. 18\'!4. ampliativo do Av. e Instr,,cç. 16
.Abr. 1806. queampliaramaProv.13 Fw. 1797.,
occorrendo á despeza dos Caminheiros e aos er-
ros das copias. .
6 --Os Corregedores, segundooAv. óNov.
1807. , tccm de prcm io por esta remessa ó por
Joo da sua irnportancia, e seus Escrivães outro
tanto. A despeza dos impressos e da remessa se
faz pelos bens do Concelho ; em sua falta pelo
sobejo das Sisas. Cit. Al. 1806.

Effeitos da publicação.
6 Obrigar. A..s Leis, que são publicadas na
(a) Eruuilamenle rejeita portnnlo o cit. Espen. cap.
a. a promul~ação por alfixação nas portas da Igreja de
S. Pedro Jo Valicano (ad valvas Snncli Pctri); pela qual
pretendiam que as Bulias, ele. da Côrte de H.oma fos-
sem obrigatorias em toda a Christandade.
40 Introd. Pt. II. Natureza
Chancellaria-mór, começam a obrigar na Côrte
passados outo dias depois da dita publicação; nas
Comarcas passados tres mezes, indaque não se-
jam alli publicadas, e indaque levem clausula
que serão nellas publicadas. O. cit. §. 10. Rep.
III. p. 368. vb. Leis. No Ultramar regularmen-
te não obrigam senão depois de publicadas nas
Comarcas. L. !:» Jan. 1749.
7 --As outras disposições legislativas, a
que a Lei não marca prazo, obrigam desde o
momento da publicação. Hei. I. §. 94.
8 Effeito retroactivo. Portanto as Leis não
teem effeito retroactivo, se., dispõem para o fu-
turo, e não cornprehendem os casos pendentes
ao tempo da publicação, nem os preteri tos. Const.
.A..Uó. §.!.Hei. I. §. 94. i. A.ss. Y. ó Dez. 1110 •
.Ass. JY. !'A3Nov. 1796. A.l. 17 .A.br. 180\!. §. 4.
l. 7. C. de Leg. Portug. dor,,. I. cap. 10. n. 3.
Feb. 11. ar. 33.
9 -- Aquelle pois que no tempo da publi-
cação da nova Lei, tinha já um direito adquiri-
do, v. c. de succeder em um morgado, segundo
a Legislação então vigente, não póde ser priva-
do desse direito, mesmo quando não houvesse
ainda tomado posse . .A.ss.9 .A.br.1771.
10 - Quanto aos casos ou litígios penden-
tes, se ha já sentença da primeira lnstanêia, se
deve na superior julgar pela Legislação que re-
gía no tempo em que se deu aquella sentença.
Nooell. lló. Porlt,g. cap. 10. n. 119. 1!20. D.
17 Jul. 1778. ( a)
(a) Em conformidade com estas proposições este D.
17 Jul. 1778., que suspendeu muitas Leis do Reinado
antecedente, declara I. 0 que as suas disposições se
guardem da sua data em diante, sem respeito algum
no preteri to: e mesmo !l?.0 que ninguem possa intentar
de novo ac~ão alguma sobre o direito que lhe poderiam
das Lels. §. 11. 41
t J. -- Exceptua-se desta doutrina : I se a
nova Lei expressamente declara o contrario; 011
faz expressa menção dos casos presentes ou pre-
teritos. Hei. cit. §. 94. cit~ .Ass. e :Ass. 9 Á.br.
1771. Porfog. cit. cap. 10. n. llá.: o que algu-
mas vezes faz por motivos de utilidade publica.
dar as Leis suspensas, ainda com o motivo de o ter ad-
quirido em tempo habil: 3.0 que as causas ja findas
por sentença passada cin julgado ou por transacção, fi-
quem estas cm toda a sua força: 4. 0 que quanto ás
causas pendente;;, adaptando a disposic,;ão do O; R.;
não havendo ainda sentenc.;a da primeira instancia, se
decidissem pelo presente Decreto; e havendo-a; se jul•
gasse na superior lnstancia pela Legisfaçlo que regía
no tempo em que a senienc,;a se proferiu.
Na mesma conformidade, havendo a L. 9 Set. 1769.
restrin~ido a liberdade de testar, decidiu o .Au. Y. ó
Der.. 1770. que ella não comprchendia os testamentos
dantes feitos e consummados com a morte do testador:
"pois, diz, não é regular annullar-se ul'.htestamento que
se re~ulou segundo us Leis que regiam quando foi feito.,)
No mesmo sentido suppôe o .Ass. II. 9 Al>r. 1791.
que em materia de testamentos, relativamente a uma
Legislac;ão nova, se ha de attender áquella que regía no
tempo da morte do te~tador; tempo em que se defere a
herança; e decidiu portanto que uma fêmea chamada
á successão de morgado pelas antigas instituic,;ões, fal-
lecendo o ultimo pomlidor antes da L. :1 .Ag. 1770.,
devia com tudo tn o morgado cm vida; pois que no tem ..
pa do dilo falkcimen to inda lhe era permiuida a suc-
cessão.
Quando porém o testamento, senlenc;a, etc. confor-
mes á Legislação vigente, se não acham executados ao
tempo da publicação da nova Lei que lhe resiste, se de-
liberou que se julgue pelo theor della, se podem inda
ter execução na parte cm que estiverem por cumprir.
E portanto se assentou: 1 ° que não deviam executar-se
as sentenças da annexac;ão de terça a morgados que
estavam por cumprir ao tempo <la publicação da L. 3
.Ag. 1770. que as prohibiu. Ass. 10 Dez. 1770.: !2.0 que
os testamento;; com iustituic,;ão da alma por herdeira,
PART. 1, 4
4.1 Italrod. Pt. 11. Natureza
i,. Al. u Ag. 1688. Al. 3 Noo. l 7õ7. L. ~sJan.
1766. (a)
--Porém mesmo então não comprehende
os casos preteritos, que já estiverem extinctos
por sentença, transacção, etc. Portug. I. cit. cap.
10, n, 118.
l! -- II Se a nova Lei é declaratoria de
outra, se., trata de fixar a sua intelligcncia.
Hei. 1. t. §. 94. Cald. pot. elig. cap. 11. n. 30.
Portug. cap. 10. n. 116. Rein. obs. 14. n. 3.
---E então comprehende mesmo os despachos
e sentenças proferidas na causa ainda penden ..
te. (b)
lgnorancia e prooa da Lei.
13 Da Lei uma vez publicada não se descul-
não cumpridos em todo ou em parle ao tempo da pu-
blicação da L. 9 Set. 1769. que os annullou, não de-
l'iam executar-se. Ass. ]. 19 Mar. 17i0. Aas. IY. b
Der.. 1770. Âss. 1. Abr. 177i ; sobre cuja justiça tu
cogita.
Finalmente em conformidade com a presente pro..
posição decidiu o Asa. 7 Feu. 1793. j. ull. que as cau-
sas dos Seguros que ao tempo da publicação do Al. 11
Ag._1791. se achavam propostas já no Juizo de IHdia
e Mina, proseguissem nelle, posto que por aquelle AI.
todas pertenciam á Casa dos Se1turos.
(a) Exemplo na L. 6 Out. 1784. §. 10., que mencio-
nou os esponsaes preteritt,s que em tres mezes não fossem
ajuizados.
Hoje pelo Art. 146. §. !2. Const. é prohibido fazer
UIO d,esla excepção.
(b) Assim quando algum Assento interpreta uma
Lei, as sentenças ou despachos proferidos em causas que
inda pendem ao tempo da feitura do Assento, se se pro-
feriram contra a interpretnc,;ão, se reduzem aos termos
desta, rt>querendo-o as Parles. Exemplo no Ass. 16 Fev.
lWl. nojim.j. Eporque estas. e no .Ass.17 Mar.17~!.
j. E qm devendo.
das Leis. §. 11. 43
pa a ignorancia ou erro; antes esta prejudica a
quem a tem. Hei. III. §. b6. 66. n. 3. D. 9 &t.
1747. Yal. Cons. 83. sob. n. !4. Rep. lII. p. 13.
vb. Ignoranci'a. ·
14 -- Mui to mais prejudica a ignorancia da
Lei: I quando por ella já efl'ectivamente se per-
deu o direito: II quando se trata não de evitar
damno, mas de adquirir lucro.v. Hel. IJT. §. 146,
Ir, Ha porém pessoas a quem, inda tratando-
se de lucro, se desculpa e não prejudica a igno-
rancia de Direito, como são os menores, mulhe-
res, rusticos, e soldados. Hei. IJT. §. 146. IIL
§. 66. n. 4. (a)
16 AqueJJe ~ue erra no Direito, não perde
comtudo a boa fe necessaria, v. e., para pres-
crever, para lucrar os fructos. l. !. C. Si quis ign.
rer11,.min. Feb. de. 60. n. 7. Gam. de. !H7.
17 -- A ignorancia de facto não prejudica,
e se desculpa, salvo sendo mui crassa (supina);
ou de facto proprio claro e perccptivel. Hei. L
§. 146. III. §. 66. 66.
-- A ignorancia e erro são como synony-
mos em Direito. Hei. IY. §. 146. v. lv. III. I.
Regr. ger.
(a) Modt"rnamenle se tem opinado que esta excep-
ção deve ser a regra geral, e que a todos é desculpavel
ignorar a Jurisprudencia, muito mais quando está tio
complicada, e dependente da Romana e Canooica, con•
ccbidas em lingua estranha. Mell. JY. t. 4. §. 10. j.
ult. Schilt. exerc. !!!4. §. :li. 33. 34.: e nesta opinião
coincidem os que ampliam a escusa da ignorancia do
Direito: 1.0 quando o caso é escuro e intrincado: !. 0
quando se consultou Jurisperitos e se errou com elles.
Gloss. ao§. l. 111st. de obtig. ex quas. delict. Yal. cnp.
83. no fim, e n. !:L H. §. Creterum. Quando porém a
referida opinião seja fundada, não deve certamente es-
tender-se ás Leis Patrias, saho nos termos do beneficio
da rcstituigão in integrnm.
4•
4"4 lntrod~ PI. li. Natureza
18 ProtJa. Outro cffeito da publicação da Lei
é que ella, e geralmente todo o Direito escri p-
to, mio necessita de provar-se e se suppõe sàhi-
do pelo Juiz. Hei. 1'17. §. 119. O. llI. t. b3. §.
7. Per. So. I. not. 419.
19 --O que não se intende do Direito sin-
gular, como o Municipal, Posturas, Privilegios,
nem do Costume ou Direito consuetudinario,
pois estes consistem em. facto que deve provar
quem nelles se funda. Hei. cit. §. 119. i. O. t.
b3. §. Silv. ibi. Per. So. cit. not. 419.
~. HL Interpretação das Leis.
lrllerpretaçáo das Leis Portuguezas.
i As Leis Patrias se devem intender e exe-
cutar litteralmente, sem as ampliações que as
respectivas matcrias tcem no Direito Romano: fi..;.
cando reprovada a falsa regra "que as ditas Leis
se devem restringir quando são corrcctorias da-
quelle Direito, e que quando são com elle con-
formes, devem receber todas as suas ampliações
erestric"ões. » OsJuizes e Advogados que trans-
gredirem esta regra são castigados. L. 18 .Ag.
1769. §. 10_. Cab. de. ~11. ti. ~.
!2 . -- Exceptuam-se desta disposição asam-
pliações e rcstricçõcs que se comprehendcm no
espírito das Leis Patrias, e que são fundadas em
boa razão. cit. L. §. 11. ( a)
(a) A mente desta Lei §. 10., segundo as palavras
do seu preambulo, refere-se especialmente áquellas Leis
Patrias, que ad,•ertidamcnte quizeram emendar o D.
R., ou adoptar delle o que era de boa razão; ou que,
ainda quando parecem a elle conformes, se fundaram
comtudo em razões nacionae!_;ou especificas: portanto,
e pela disposigão do§. 11, não devem intemler-se rejei•
das Leis. §. l!. 4r,
3 Nas Relações, quando al~um dos Desem-
bargadores Juizes da causa duvida sobre a intel-
ligencia de alguma Lei Patria ou Estylo, o Juiz
Relator propõe a duvida ao Presidente para se
tomar Assento: e se o Desembargador em logar
desta proposta, ousa interpretar ;,1.Lei, é suspen-
so. L. 1s Ag. §. 6. O. 1. t. ó. §. ó. "· ult. -~
A mesma proposta e Assento deve haver quan-
do a duvida é entre os Advogados da causa. cit.
L. §. 6.
4 Sendo o caso extraordinar.io, ou não se
concordando os Desembargadores ao tomar do
Assento, o Regedor o fará presente a ElRei. cit.
L. §. 11. O. t. 64. §. 1. I. t. ó. §. ó. j. E se.
ó Os Advogados, que dolosamente interpre-
tam as Leis, implicando-se em sophismas e racio-
cínios frívolos, são punidos com multas, e perd~
elos gráos Academicos, segundo as reincidencias;
e mesmo com degredo para Angola, se fizerem
assignar suas allegaçõ~s clandestinamente por
outrem. cit. L. §. 7. ·
6 A referida prohibiç!o de interpretar a Lei
Patria procede: I quando esta é \'erdacleiramen-
tc duvidosa: II quando a interpretação é frivola
e capciosa, pois o intender a Lei segundo as re-
gras da verdadeira interpretaç.:.lodoutrinal, é es-
sencial obrigaç_ão do Juiz e do Advogado. Yal.

tadns as restricçües ou ampliações Romanas, que, pos.


to que não expressas na Ord., elln comtudo us suppüe,
fazendo para ns mesmas remissão, no menoti tacita, sen-
do aliás fundadas em boa razão, ou recebidas no fôro
Portuguez de tempo antigo. Se rf'jeitnmos e~ta doutrinn,
a J urisprm]encia Portugu~za se tornará inda mnis arbi-
traria: e a querermos foliar francamente diremos que.
n conciliação en\re a arbitrariedade e a escrupulosa nd-
l1esão ao D. R. não se póde obter sem os novos Cod~·
gos, ha tanto tempo desejados e emprchendidos.
46 lnlrod. PI. 11. Natureza
Cons. 4!!. n. 7. Rep. 11. p. 74. vb. Desembarga-
dores que.
Interpretação doutrinal das Leis.
7 A interpretação doutrinal consiste nas re-
gras seguintes : (a)
8 Interpretar é deduzir a força e poder da
Lei das suas palavras e da sua razão, tendo at-
tenção ao fim ou causa final que a Lei teve em
vista. i. L. 9 Set. 1769. §. 11. L. 3 .Ag. 1770. §.
18. Ass. !3 Nov. 1769. Hei. 1. §. to. (b)
9 Nesta combinação das palavras da Lei com
a sua raziio se observam os seguintes preceitos:
(n) 7'iradas rk Crisloph. Hmriq. l!.'ckhard,,J/erme-
neu&. Buehm. Exerc. 3. ad Pand. Melt. Ilist. Jur. Civ.
cap. 13. Rieg. I. §. óí28. sg. sobre a necessidade e uso du
l..Hlica. ibi Yattet li. §. 161. sg. ele.
(b) Com a interpretac,;ã.o litteral s~ deve sempre unir
a cliscuraivaou logica, que considera n razão da Lei, a
11uadata, occasião, e causa final, o 11:enio do seculo e
do Legislador, e os costumes e opiniões daquclle tem-
po, as Leis e textos analogos, e as fontes proximas ou
remotas da Lei: e tal é a regra "o que é conforme ao
espirito e lettra da Lei, se comprehende na sua disposi-
~ão. C. R. !U Out. 17ó7. L. 18 Ag. §. _11. Al. 4 De.,..
1769. Hei. cit. §. H." Pelo que se vê quanta luz dê
á intelligencia daJurisprudencia Portugueza o conheci-
mento e estudo do D. H.., Cnnonico, Gothico, e Hespa-
nhol, fontes de muitas Leis nossas. Os que attendem
16menle ás palavras, não á razão e ao espirito e fim da
Lei, são lfl$1Jleios, não J urisconsultos nem interpretes.
Hei.l.cit.~.IO. Noeffeito é o mesmo interpretar contra
a Lei, ou contra o espirito da Lei: no I. 0 caso se diz
obrar contra a Lei: no t. 0 em fraude da Lei. Hei. I. §.
100. Os que fraudam as Leis rom interpretagões violen-
tas, são máos interpretes e máos Cidadãos. "· cit. L.
l8 Ag. §. 7. L. i9 Out. 17ó4. Al. 26 Jan. 17óó. Se a
Lei éclarissima, cessa ooílicio do interprete, e são ocio•
sas quaesqucr explicações.
das Leis. §. H. 47
10 I Se as palavras da Lei são conformes
com a sua razão, não ha mais que tomá-las no
sentido litteral (interpretaçáodeclarativa). Hei.
I. §. U. L. 19 Nov. 17ó3. §. 6. L. 6Jan. 1766.
L. 18 .Ag. 1769. §. 11.
11 -- O sentido Jitteral consiste na signifi-
cação ohvia e natural que teem as palavras, se-
gundo o Jogar e materia sujeita, e o tempo da
redacçã'.o da Lei. Hei. 1. §. !l. Mell. Hist. §.
U!. {a)
H II Se as palavras da Lei são mais amplas
que a sua razão, a intelligencia da Lei se res-
tringe (restrictiva). Hei. 1. §. ti. e (Í lnst.
1:1 III Se pelo contrario a raz!o da Lei é
mais ampla que as suas palavras, a sua disposi-
ção se estende além destas (ampliativa). Hei.
§. H.
Explicação destas tres especies de interpretaçã.o.
14 Cumpre antes de tudo que o texto daLci
esteja correcto, e não interpolado ou viciado. v.
cit. Eckhard. Hermen. (b J
(a) Mui tos exemplos se poderiam aqui adduzir de
significações de palavras empregadas em a!i nossas Leis
antigas e hoje desusadas. "· Mcll. cit. §. 111. not.
(b) Disputas e escuridudes intermina,·eis leem re11ulta•
do dos texloi interpolados. Alguns erros textuaes ela nossa
Legislação notei no meu Hesumo de Leis : outros vão
apontados nesta obra em seus Jogares. Aqui cito os
exemplos seguintes. Na O. 1. t, Hl. §. ó. j. E o mes-
mo ibi, do Juir.o da Coroa lê do Jui~o dos Aggravos •. v.
R. 111. p_.Hiá. vb. Jui'I. dei Coroa. I Y. p, !287, vb. Pro·
curador da. -- Na O. JY. t. 9ó. §. 1. j. ull. ibi, o.
marido deve ficar em pnsse lê não deve, -- Na O. lY.
t, 91; §. 17. ibi, que dellc procedessem lê que delles --
Na O. JV. t. 96. §. 14. ibi, o irmáo que náo está em
posse... p6dc requerer ao que estiver cm posse lê o irmâo
48 Introd. Pt. 11. Nati,re~a
lá No texto elaLei se intende não haver phra-
se, nem mesmo palavra inutil e sem effeito. .Ass.
t~ Otd. 1778. (a)
l6 DQ seqtido litteral não nos deve.mos apar-
tar, salvo seguindo-se visivel al>surdo, ou cons-
tando clara~ente ser outra a mente do Legisla-
dpr. l;!ei'. L §.. ~ 1. Eckliard. cil. .
1 '( -:-- digo claramente; pois não basta pa,ra,
~os afastarmos do sentido litteral poder-se pre-
sumir que o Legislador no caso actual disporia
(>Utracousa. ~- prospexit. 'lf. qui et aquib. arg.
:L.quidam c;u,m.ff. de harecl. inst.
18 Deve-:-seevitar ~ sup~rsticiosa observan-
cia da Lei que, olhando só a lettra della, destróe
a sua intenção. Ass. 1O Jun. 1817. cas. spec.
(!,llt_tdindoao Ass. 17 Ag. l 811. (~ J
que está em po11e póde requerer ao que não estiver · err,
posse; pois este~- faz excepc;ão ao§. lt. -Na O. Y.
(. 17. -~. 3. ibi, ço,n ba,:aço e prtgão na audiencia lê
com baraço e pregão, ou com pregão na aurliencia. v.
&p. [. p. 76á. vb. cunhndo. -- Na C. R. U .fun.
1617. sobre a occupação das temporalidades, depois da!I
palavras e os moueis que se acharem jóra de suas casas
faltam as seguintes prender os escravos que 11eacharem
Jóradellas e outrosietc. v. noDsb. lv. del617.jl.198.
-.- A C. R. J. 7 &t. 1617. sobre os Ministros paren-
'les está toda interpolada: v. no meu Resumo de Leis.
Na L. 3 Nov. 1671. §. 3. sobre amizades com Freiras
ibi, tres devassas em ciul.aum anno Jê v.ma em cada um
anno, como se vê abaixo ibi, as ires deuassas no triennio~
--Na L. 4, Ou.t. 1649. sobre armas de fogo ibi, de
quatro palmos até trcs e meio lê nté um e meio. -- Na
L. 19 Jul. 169~. sobre fogo de polvora, depois das pn-
J.avràs e ~endoplebeus faltam as seguintes, cinco annos
de Africa e !0,8 réis de condemnação; e os que o la1lf(l-
rem tenham t.ambein, etc. etc.
· (a) Esta proposic;ão é mais applicavel ás Leis moder-
:r:ins,do que a algumas dos seçulos precedentes, em cuja
réd.acsão nem sempre houve o cuidado que cumpria. .
(b) S1,1mmo~ireito é suma,a injustiç~. O J,1iz mui
das Leis. §. n. 49
19 Não é da intenção do Soberano que a Lei
se intenda e execute por modo mui oneroso ás
Partes. i. Al. lõ Jul. 17õõ.
!O A Lei sempre se intenderá de modo que
o dólo fique repellido e não victorioso. L. 1. Jf.
de dól,o.
!21 A praxe e estylo de julgar, as decisões
dos Arestos, e a prática geral, são o melhor in-
terpretedas Leis. Àss. !3 Mar.1786. lOJun.1817.
ti 'fambem cumpre ter presentes as Leis
analogas, pois por umas se declara o espirita das
outras. i. L. 4 Jt1,l. 1768. L. 14 De-z. 1774.
!3 Os textos de diversas Leis se devem con.
cordar de modo que as suas disposições estejam
conformes, e não contradictorias ; pois é inad-
rnissivel a contradicção e incompatibilidade en-
tre ellas. i. L. 3 Ag. 1770. §. 11. L. ló Dez.
1774.
14 -A Lei ampliatoria ou deelarat.iva de
outra, se deve intender por ella. i. Ass. !29 Mar.
1770.
24- a. Os textos da mesma Lei se intende-
rão uns por outros: as palavras antecedentes e
subsequentes declaram o seu espirito. i. Al. 18
Fev. 1766. (a)
!6 As proposições enunciativas ou incidentes
da Lei, e as suas razões de decidir não teem a

rigido ~a administração da justiça offende a prudente


intenção do Legislador, e incommoda os povos. o. l.
III. t. Re,gr. gcr.
(e,) Assim pelo contexto se deve intender a palavra
a Nós, para Nós, que na Ord. commummente significam
o Dsb. do Paço, porém muitas vezes, como na O. t.
6!. §. !., n Pessoa d' El Rei. Deve porém o redactor evi-
tar s·emelhantes variações de significação, e tomar umn
palavra na Lei sempre na mesma acccpção. v. Bcnth.
J, cap. 13.
:-,o Introd. Pt. 11. Natureza
mesma força que as suas decisões, nem a mes-
ma autoridade decisiva que os Assentos da Sup-
plicação. i. Ass. 14 Jun. 1740. v. L. 14 Jul.
1768. §. 3. (a)
\!6 Quando a Lei não faz distincção, tam-
bem o interprete não a deve fazer. i. Ass. ó Dez.
1770. e taJul.1811. Alvv. ~iDez.1774. §. 17.
!6 Jan. 1777.
Sobre ampliar, ou restringir a Lei, especial-
mente tem logar as regras seguintes:
!27 Onde ha a mesma razão deve haver ames-
ma disposição, ou, a Lei deve reger nos casos
semelhantes. Hei. I. §. H. Rep. II. p. 149. vb.
disposição. Aug. Barb. axiom. 197. n. 3.: ou,
o caso omisso na lettra da Lei se comprehende
na sua disposição, quando ha razão mais forte ou
força de maior razão ( argumento afort-iori). i.
C.R.tl Out.17õ7.L.t40ut.1764. §.1. (b)
t8 --Esta regra cessa a respeito das Leis
penaes; pois não se estendem fóra do caso e das
penas de que tratam. Ass. 4 Mai. 17ó4. 8 Ag.
I7ó8. 13 Nov. 1769. Peg. For. ó. cap. 81. n. 31.

(a) Da mesma sorte que a plena prova é a força


dos documentos publi.cos se intende das cousas disposi-
tivns ou assertivas que elles conteem, não das enunciati-
vos ou narrativos. Struv. Excrc. t8. Thes. 30.
(b) O uso de~ta regra dos casos semelhantes em rigor
mais pertence ao Legislador que ao interprete; e por-
tanto tem verdadeiramente lagar quando a mesma Lei
expressamente assim o declara, como na assignação de
dez dias ao dote. O. Ili. t. ~5. §. 5. j. ult.: no caso
de appellação de interlocutoria. O. lll. t. 69. pr. j.
ult.: nos actos por que se consente na sentença. O. 111.
t. 80. §. t. : na allegação de segundos embargos á sen-
tença. 0.111. t. 88. pr. ibi-ou em que haja a mesma
ra!lián,. no capacidade de fazer testamento. O. JY. t.
81. §. 4. ibi, nem outros semelhantes a estes : outros exem-
plos ha na O. JY. t. (il. §. 3. 4. t. 78. §. 6. etc.
das Leis. §. lt. ól
Rep.111. p. 368. vb. Leis. - Indague haja maio-
ridade de razão. cit. Rep. !J68.: não obstante a
opinião contraria. ibitl.
!9 As disposições dadas para Repartições ou
Estações particulares, não se podem regularmen-
te generalisar: e portanto sem razão se tem que-
rido .tirar, v. c., do Regimento do Reguengo de
Tavira, e da L. f.OAl>r. 1776. sobre os bens do
Hospital das Caldas, regras geraes de Legislação.
30 As Leis que tendem ao maior commodo
das Republicas, se intendem extensivamente. i.
Âss. f. Mar. 1786. _
31 As Leis que se afastam das regras ordi-
narias de Direito (exorbitantes), não se devem
estender. L. qua,. act. C. de Sacr. Eccl. Barb.
á L. si constante pr. n. 96. ft. sol. matr.
Si Sobre a falsidade da regra "que a Lei nas
cousas favoraveis se deve ampliar, e nas odiosas
restringir" "· Mell. Hist. §. 130. DD. ibi.
§. 13. Cessaçáo da Lei.
1 A Lei cessa: I pela revogação, se., quan-
do é alterada por Lei posterior em todo (abro-
gaçáo), ou em parte (derogaçáo). i. L. 29 Jan.
1643. -- ou seja por ella expressamente alte-
rada, ou se torne com ella incompativel. i. D. 6
Jul. 1693. Mor. lv. 1. càp. 4. §. 1. n. 3. {a)
t Os Alvarás, Cartas, Provisões, e Privile-
(a) Coherenlemenle declarou o D. 6Jul. 169á. que
quando o Hegim. ou Or<l<l. <la Fazenda se encontrar
com as Ordena<;Ões, se observem estas como posteriores.
-Amplos exemplos de Leis rc\'Ogatorias se costumam
,·êr nas épocas <le mudanças <le Governos ou de H.ei-
nados, como nos casos <las LL. 11 Jan. 1603. e L. !9
Jan. 1643. D. 17 Jul. 1778. Al. ó Jun. 18H. t e 19
.Abr. 18!26.
ót lntrod. Pt. Il. Naturetz.a
gios não podem alterar Leis senão nos termos
acima. §. 5. n. 6. sg.
3 Os Decret.os e Resoluções Regias sómente
podem alterá-las nos termos em que podem cons-
tituir Direito. v. §. 4. 1. sg. li. l. (a)
4 Quem. Sómente o Rei pôde revogar, alte-
rar, 4ispensar as Leis e quaesquer Ordens suas.
C. R. II. 6 Set. 1616. e~w Abr. 1617. Hei. I. §.
97. Bieg. II. §. 60. O. II. t. 3õ. §. it. IJI. t. 66.
pr. i. t. 76. §. 1. Rep. IV.p. 668. vb. Rey lle. Al.
to Out. 1763, §. 6. Al. ló Jul. 1763. i. Ass. u
Jun. 1777.
-com exclusão de qualquer Tribuna],
ou outra alguma Autoridade. CC. RR. li Set.
1616. !26 Abr. 1617. !29 Ag. 16!24. Rep. IJ7. p.
361. vb. Provisáo.
-- Hoje pertence esta faculdade ao Poder
Legislativo.
ó A doutrina de se revogar ou alterar as Leis
segundo as circums(ancias, procede principal-
mente a respeito das Leis secundarias; pois as
Fundamentaes deve o Rei respeitá-las e mantê-
Jas, e a sua mais pequena mudança arrasta a ruí-
na da Monarchia. v. Mont. VIII. p. 14. Vattel
1. §. 34. 46. sg. --Hoje estão previstas na mes-
ma Constituição A. 140. sg. as solemnidades e
cautélas com que se póde proceder a reformar
(a) O Senhor Hei D. Pedro li, considerando a cau-
sa de ha,·er declinado a Justiça era o haverem-se alte-
rado os Regimentos dos Tribunaes por Decretos e Or-
dens particulares, ordenou ao Hegf'<lor (o mesmo aos ou-
tros Tribunaes) que se receber algum Decreto seu que
altere o Hegimento delle Regedor ou dos Desembarga-
dores, não ocumpra sem embargo <lequalquer clausula
que contenha, porque sua tenção é não alterar os di~os
Jtegimenlos em causa alguma, havendo desde j<'Í por
nullo tudo o que contra clles dispozer. D. l t6 Nov.
1667.
das Leis. §. 13. 63
algum dos artigos constilucinaes. 'V. /7attel I. §.
!6. sg.
6 II Por dispensa. A respeito de uma pessoa
particular cessa a Lei por dispensa. Rieg. II.§. fJ7.
7 --Sómente o Rei a pócle conceder. 11. 4.
A. §. Mend. 11. pt. 1. n. 19. --0 Dsb. do Pa-·
ço por Commissão d'ElRei a concede nos casos
do seu Regimento e nos do Á.l. !4 Jul. 1713.;
e geralmente passa Provisões naquelles que não
forem mais graves que os alli expressos. "· §.
114. C. R. 29 Ag. 164,i. (a)
8 -- Sendo a dispensa sobre serventia de
Officio de Fazenda, compeie ao·Conselho delJa
julgar da idoneidade do Official dispensado, po-
dendo ficar inutil a dispensa se elle tôr incapaz.
Res. 6 Ag. 179i. no Cons. Faz. Repart. dos Ar-
mazens.
9 -- A dispensa se concede com justa cau•
sa, como, quando o Soberano restitue os con-
demnados. "· lv. III. Rest. in inlegr. : quando
perdôa a delinquentes. lv. III. . . . e em outros
mui varios casos. v. Rieg. II. §. 6. Feb. II.
ar. 186.
10 III Por desuso. Tambem cessa a Lei pelo
desuso ou costume contrario: o que não se póde
hoje intender das Leis Patrias. "· §. ló. n. 8.
sg. h. l.
J l IV Cessando a sua ra~âo. A Lei cessa
quando a sua razão cessa i"n tofom; não quando
cessa sómente em alguns casos. Hei. 1. §. ~3.
cita,ido a Huber. Late Barb. axiom. 136. n. 9.
i. Al. 17 Out. 1768.
1 S! -- Esta proposição não pódc tão facil-

(a) Os emolumentos dos Ministros e Officiaes do Dsb,


do l 1 aço pelas dispensas, etc. foram accrescenla<los pelo
D. b Fcv. 1816.
õ4 I,itrod. Pt. 111. Direito Consuet.
mente applicar-se ás Leis universacs, como ás
que se fundam em presumpção de facto e perigo
particular, cessando esse facto. Rieg. li. §. f>!.
f>3. Grotius deJur. B. lv. l. cap. 4. §. 3. n. a.
13 V Por necessidade. A Lei regularmente
cessa nos casos de necessidade extrema ; pois não
slo a ella sujeitos, como, nos casos da O. 17. t.
101. §. 10. 13. lf>. 16. v. DD. Rep. 111. p. 670.
t,b. necessidade.
14 VI Por pactos contrarios. Finalmente a
Lei cessa quando as Partes fazem contractos di-
versos ou mesmo contrarios a ella, nos casos em
que isso é permittido; como, renunciando á Lei
ou ao beneficio concedido em seu favor. v. lv.
1Il. dos Contract. e Regr. ger.
ló --as cousas que são de Direito publico
não podem alterar-se por pactos particulares. l.
38. jf. de pact.

Pt. III. Direito Consuetudinario, Romano,


Canonico, Opinióes, e .Arestos.
§.. 14. Estylos.
Do Direi to Consuetudinario sã.o especies os
Estylos e o Costume.
1 .Autoridade. Os estylos da Curte sendo bons
e legitimamente estabelecidos, constituem Lei,
e se devem observar como tal. O. Ili. t. 64. pr.
§. 1. i. Silv. a esfe §. n. li. 0.1. t. 1. §. 37. Rep.
lf. 6Ul. vb. cosfomes. Per. So. I. not. f>66. Rieg.
1 .p. 136. Feb. de. 64. n. !. (a)
(a) Por estylos da C8rte se intendem os da Casa da
Supplicação. Os da Casa do Porto se mandaram guar-
<lar na da Supplicac;ão em quanto applicaveis; que
esta coníormnsse os seus c:om os daquella em quanto
fosse posshel; e que cada uma conservasse os bons.
Rwian. Canon. etc. §. 14. [>á

2 Hoje sómente são havidos por taes os que


houverem sido estabelecidos e approvados por
Assento tomado em Mesa Grande, na fórma da
C. R. 7 Jun. 1605. §. 8. L. 18 A9. 1769. §. 14.(a)
3 Pro,,a. O estylo carece de ser provado. §.
1 I. n. to. li. l. : o que se faz por altestações dos
Desembargadores e dos Advogados da Casa. l'eb.
de. 64. n. ó. Rep. II. p. 348.; ou por depoimento
dos Escrivães da mesma. Ass. ~7 Nov. 1711. (b)
4 Requisitos. Cumpre: I provar-se repetição
e uniformidade de actos, v. c. , de sentenças con-
formemente proferidas nas Relações ou Tribu-
naes. v. Rep. 11. p. 100. vb. determinaçáo. Silv.
á O. III. t. 64. §. 1. n. 13. t4. tt>.
--ou ainda de actos extrajudiciaes e n:lo

C. R. 16. Jun. 160!J. Ass. 10 Mcir. 1640. C. R. 3 Ag.


1643. Os da dita l'asa do Porto foram redigidos pelo
Governador Henrique <le Sousa em 9 Mar. 161~; e 1·e·
formados em 6 Jun. 1614. v. Tom.11. do Resumo de Leis
ann. de 16111.
Os eslylos particulares das Relações, sendo exor-
bilautes das regras de Direito, uã.o podem estender-se a
outros Jogares. i. Au. 13 Fev. 17óó.
(a) .Esta C. R. ~- 8. manda ao Regedor e Chaucel•
ler que façam iruartlur in\'iola\'elmente os estylos anti-
gos da Casa <laSupplicação; e que, movendo-se duvida
ácerca delles, se resolva por Assento tomado em Mesa
Grande pernnte o Regedor. Esta<lispo~ição tende a ata-
lhar as fraudes que se faziam á Lei, cobrindo-as com
as doutrinas dos que escreveram sobre cstylos, ou com
certidões extrahidas dos Auditorios. cit. §. 14. Assim os
estylos mais se devem hoje considerar como Direito es•
cripto.
(b) "O estylo antigo, rliz este Assento, e com os re-
quisitos necessarios, provado pelo depoimento dos Escri•
,·ães da Casa chamados para isso á Mesa, tem força
não s6 para interpretar, mas para revogar a Lei; prin•
cipalmente se são relativos ao ordinario, não aodecisorio
dos processos." Silr,, ao cit. §. 1. n, ló, 16,
õ6 Introd. PI. III. Direito Con~uel.
contenciosos. Rep. l.p. 694. Guerr. invent. lv; 1.
cap. 7. an. !!6. i. Ass. fJ.ODez.17ó7.
ó -- II que consistam em boa razão. i. Ass.
!ODez.17ó7. 0.111.t.64.pr.
6 -- III que não sejam conlrarios á Lei do
Reino; pois contra ella não podem prevalecer.
i. Ass. 91.0Dez. 1783. Rep. l. p. 691.: e assim se
deve intender o Ass. 10 Mar. 1649. quando diz
contra a Ordenagáo... e Direito claro, se., Di-
reito Patrio.
-- Prevalecem porém ao Direito Romano.
0.111. t. 64.pr. Rep.11.p. 348. I.p. 38!!.
7 Estas regras da prova e requisitos dos es-
tylos hoje se referem sómente ao fim de poderem
ser ou não approvados pelos dilos Assentos.

§. ló. Cosfome.
Autoridade e naturell!a.
1 Na falta de Lei Portugueza e estylo da Côr-
tc rege o costume do Reino, com prcferencia a
quaesquer outras Leis e Direitos. O. III. t. 64.
pr. L. 18 Ag. 17 69. §. 9. ibi usos dos meus Reinos
legitimamente approvados: - e §. 1t. ibi os louva-
t1eis costumes. Hei.].§. lOó. enot.pr. Bep. J. p.
694. vb. costume: ep. 38i. 418. vb. cessa. Cab. de.
UI.n.ó.
!"l -- Especialmente: I os negocios mercan-
tís se decidem mais pelo conhecimento prático
das maximas, usos e costumes do maneio do Com-
mercio, que pelas regras de Direito e doutrinas
dos Jurisconsultos. Al. 16 Dez. 1771. §. ó. Peg.
For. 4. cap. óO. n. 18.
3 --II Muitas causasmaritimasdevem ser
decididas pelo Direi to Publico das Gentes, e pela
prática de julgar adoptada pelas Na<tões maríti-
mas. Al. 6 Nov. 1810.
Roman. Canon. ele. §. H,. ó7
4 --- O costume ú o melhor interprete das
Leis. Hei.].§. lOã. v. lo.!. n. ~I. li. l.
ó -- Elle se annulla por Lei escripta ou
por costume contrario. Hei. 1. §. 1 Oó.
6 Definição. O Costume ou Direito Consue-
tudinario em cspccie, Direito náo escripto, se
induz sem promulgação pelo uso; e adquire for-
ça de Lei pela tacita approvação do Soberano.
Hei.1.§. 16. 101. 10~ . .Rieg.JJ.§.lló.117.---
Se o costume se reduz aescripto, conservacom-
tudo a natureza de costume. Hei.].&. 103. --
Inconvenientes deste Direito t', em 1Jentk. 1II.
p. 174. 9l84.
7 Prova. A sua existencia é quesUlo de fac•
to que se deve provar pela frequencia e duração
de actos uniformes. Hei. I. §. 103. JY. §. 119.
P al. Cons. 16i. n. 9. sg. "· §. 11. n. iO. h. l.
-- Esta prova incumbe a quem allega o
costume, e nelle se funda. Hei. §. HO .
.Requisitos.
8 O costume para ser legitimo deve ser: I
conforme á boa razáo abaixo definida. §. 16. n.
1. : II não contrario á. Lei do Reino: III exce-
dente a cem annos. L.18 .Ag. 1769. §. 14. "· Ri'eg.
11. ex§. 118. Hei. l. §. 17. 104. sg. ( a)
9 Faltando algum destes requisitos é antes
abuso e corruptéla, que não se póde allegar ou
seguir impunemente. cit. L. 18 .Ag. 1769. §. 14.
"· L. 11. Dez. 17 48 . .Ass.'29 Mai. 17 õ 1. L. 17 .Ag.
1761.§.3.
10 A respeito destes requisitos noto, quanto
(o) Tal é o costume que a cil. L. 18 Ag. §. 9. chama
legilimmnente approvado. Já o D. 4 Out. 16!28. declarára
que ns Hcsoluçõcs com n clausula swdo costume se in-
tendem do costume assentado, fix.o, não contrario a al-
guma Ordem, e confmnado por muitos netos concordes.
PART. I. Ó
68 lnlt-od. PI. 111. Direito Consuet.
ao I, ~uc já o D. R. reprovava o costume con ..
trario a boa razão ou ao Direito Natura!, ou in-
troduzido por erro, clandestinidade, ou violen-
cia. Hei.].§. 17. 104.
11 -Quanto ao II, que antes da cit. L.
18 Ag. o costume podia prevalecer contra a Lei
escripta e antiquá-la; do que ha muitos exem-
plos. (a)
U --- Quanto ao III, que para induzir cos-
tume se requerem actos uniformes, como fica di-
to do estylo. Mor. li. cap. 8. n. 19. praticados
por muito tempo ( diufornitas). Hei. §. 101.: o
qual a cit. L. 18 Ag. fixou cm cem annos.
§, 16. Direito Romano.
l Autoridade. Na falta de Lei Patria, Esiy-
lo ou Costume do Reino, rege e tem força de Lei
o Direito Romano ou Cornrnum, sendo fundado
em boa razão. L. ~8 Ag. 177!2. lv. ~. t. ~. cap. 3.
§. 4. i. Al. 30 Jan. 1802. t. 1. §. 3.
(a) Segundo o D. H.. o costume por isso mesmo que
tem força de Lei, p6de antiquar o Uireito escripto. l/ei.
I. §. lüá. not. Noodt. ibid. A nossa Legislação anterior
suppõe isto mesmo: e portanto em muitos casos cuidava
declarar que em nenhum tempo ocostume contrario po-
deria prevalecer contra a sua disposição; como se \'ê nos
casos de fazer despeza dos bens do Concelho com procis-
sões, Confrarias, t:tc. O. I. t. 6!. §. 73. : de levar sala-
rios não legnlisados, ou almotacerias. O. I. t. 67. §. 4.:
de levar mais direitos que os do Foral. O. 11. t. 4á. §.
66. etc. Achamos mesmo esta doutrina expressamente
i\pprovada, como, no caso do D. 19 Abr.17:>7. sobre ar-
recada~ão dos direitos do carvão, que approvou a posse
immemorial, e não o Regimento· que considera por ella
tlerogado: no caso do Al. SO Out. 1793. sobre a prova
dos escriptos e le!temunhas no Brasil que mandou se-
guir o costume com preferencia á Lei, etc. Assim tam-
bem o Al. 4 Jun. 1789. fallando de um Alvará nntigo,
diz: "Tendo-o o costume legitimo e a necessidade e utili-
Roman. Canon. ele. §. 16. õ9
-- Por fundado em boa razáo se intende
o ser conforme ao Direito Divino, Natural, ou das
Gentes; ou sendo rnaterias políticas, economi•
cas, rnercantís, e maritirnas, ás Leis que as
regulam hoje nos paizes Christãos. L. 18 Ag.
§. 9. (a)
~ Corollarios. Portanto: I Nesta conformida-
de se deve hoje intender a regra "que o caso
omisso fica uas disposições de Direito Commum.
L. 1O. ff. de lib. et postlmm."
3 II Nos casos expressos nas Leis Patrias na-

dade do lbmmercio ha muito tempo antiquado,, E o mes-


1110 podemos dizer de outras muitas Leis hoje antiqua-
das, sem que fossem por outra revogadas.
(a) Segundo a O. lll. t. 64. pr. j. E quando, na fal-
ta <la Lei, Estylo, ou Costume do Heino, rege o Direito
Homano ( Lt:is imparciacs) pela boa raiâo em que é fun-
dado; e só por esta bna ra:áo, não por autoridade ex-
trinseca. O mesmo é na Hcspanha, cujos antigos Reis
haviam prohibi<lo o uso das Leis Romanas para abolir a
sujeição ao Imperio Homano. v. Rep. lll. p. 369. vb, Leis
Imperiaes. Ora a mente da pr~sente Lei 18. Ag. §. 9.
(como se vê do seu prcambulo e da excepção contida
no §. l l.) não foi revogar a cit. Or<l. ; mas restringí-
la, e fixar a sua intelligencia, defmimlo a palavra boa
rm,áo, afim ele se rejeitarem nquellas Leis Romanas,
que 1.0 leem com ella l'ishel incompatibilidade; ou!.º
não tcem razão alguma que as possa sustentar; ou 3.º
leem por unicas razões os interesses das diversas seitas e
partidos da Republica, ou lmperio Romano, ou razões
derivadas dos particulares costume!õ e superstições da-
quelle povo, afim de se desterrar o pernicioso abuso de
se invalidarem as Leis do Heino com ar 1 0'umentos exco-
gilados nas vastas compilações das Leis fomanns. L. 4i
:Jul. 1776.
Portanto pela disposição doscit. Al. de 1772. e 180!.
se deve com estas restricções considerar o D. R. subsi-
diariamente como authentico em o nosso Reino, e o con-
trario induziria na J urisprudencia Portugueza uma no-
civa arbitrariedade e incerteza do direito das Partes.
õ•
60l1úrod. Pt. III. Direito Consuet.
da vale a diversa disposição elo Direito Romano.
L. ~3 Dez. 1761. t. ~-§. 34.
4 III Nos casos em que as Leis Patrias ex-
pressamente o approvam, elle tem 1.oclaa auto-
ridade. Ass. 17 Nov. 1791.
6 IV Leis dos Rânos visinlws. Exceptuam-se
da referida disposição: I as materias politicas,
economicas, mercantís, e marítimas ; pois a res-
peito dellas é mais racionavel recorrer na elita
falta ao subsidio proximo dos paizes Christãos,
que ao D. Romano. L. 18 .Ag. §. 9. v. Yal. Part.
cap. 19. n. 11. e 27. Cab. de.~ 11. n. 8. Guert·. in-
vent. ad. a. p. riebric. ex. n. 60. Os quaes DD.
dão maior amplitude a esta exccpçfío: II as ma-
terias sobre minas e forrarias, nas quaes o Di-
reito Publico Metallico ele Alemanha é subsidia-
rio, como o D. R. o é nas outras materias. Al.
aoJan. 180\?. t. J. §. 3.
6 · Em ultimo logar. Na falta da Lei Roma·
na racionavel, e de Lei elo Reino visinho nos
termos expostos, sendo o caso extraorclinario,
dará o Regedor da Supplicação conta a EI Rei
para se decidir, restringida assim a generalidade
da O.JII.t.64. §.t.pelaL. IaAg.1769, §.11.
j. E quando.
7 O Direito Feudal é absolutamente estra-
nho neste Reino, e opposto aos fins por que se
permittem os Morgados. L. 3 .Ag. 1770. §. 9. -
Sobre este Direito v. Yal. qt. emph. 33. 39. 40.
Mont. I,,d. vb.Fiefs. Mell. JII. t. 1. §. 4. t.11. §. õ.
§. 17. Direito Canonico.
1 Autoridade. O Direito Canonico não tem
uso no foro civil ; e sómente o tem no ecclesias-
tico nos devidos termos, e nas materias da com-
petencia do mesmo foro : ou materia traga pec-
cado ou não; revogada a differença feita na O.
Rommi. Canon. etc. §. 17. 61
Ili. t. 64. pri"11c.,e reprovada a supposiçito que
no foro externo se possa conhecer dos peccados,
conhecimento que só toca ao fôro interno da Igre,.
ja. L. 18 Ag. 1769. §. Hl, {a)
i Esta disposição sendo genérica comprchen-
de igualmente: I o Concilio Tridentino (b): II
(a) Os Ministros e Consistorios ecclesiasticos nos ne-
gocios civís e temporaes devem regular-se pelas Leis
do lleino, porque o fôro episcopal externo e temporal
(não assim o espiritual e sagrado) provém e depende to-
talmente da Autoridade R. cit. §. H. MeU. I. t. 1. §. 10.
e not. j. §. 68 n. tó. sg. h. l.: e sempre assim i.e praticou,
ao menos quando o liligio é entre Leigos. Cald. de ernpt.
cap. I. n. 9. à.e.71. n. 9. Sitv. á O. Ili. t. 64. princ.-Con-
sequentemente mandou o Al. 9 Dew..1783. prender nas
cadeias do Limoeiro até nova ordem de S. Mageslade a
dous Advogados que em uma causa de esponsaes peran-
te o Arcebispo de Lucedemonia sustentaram, que as Leis
Hegias e Ordenações do Heino não leem autoridade e
obsen·ancia nos A uditorios ecclesinsticos, ainda nos nti-
gocios que não con Leem espiritualidade, e que w mesmos
A uclitorios devem reger-se pelos SS. Canonea. Na Sup-
plic. lv. 19.Jl. lló. j.
Comtudo segundo a prática as Constituições dos
Bispados e o Direito Canonico teem ainda algum uso e
autoridude sobre o processo e appellação das causas agi-
tadas nos J uizos ecclesiasticos. v. §. 68. n. !tá. sg. h. l.
(b) Poslo que o Alv. l!2 Sei.- ló61r. mandat:&ea todas
as Autoridades do Jleino e Dominios, que dessem toda
a ajuda e favor que pelos Prelados lhes fosse requerida
para execução dos Decretos do Concilio 'fridentino, man-
dados guardar pela Bulla lá Janeiro do dito anno, a
qual se havia com elles publicado na Sé de Lisboa; e
posto que o D. 8 Abr. ló69. acceitasse nova e indistinc-
tamente o dito Concilio, e o mandasse inteiramente pra-
ticar neste Reino e Conquistas; com tudo estns Leis, de-
vidas á educação do Sr. Rei D. Sebastião, que contava
então dez annos de idade, e á. nociva influencia dos Je-
suitas, nunca se pozeram em observancia, bem como
nem o mesmo Concilio assim indistinctamente. Pois nas
materias temporacs nã.o podiam ser valiosas tantas no-
vidades contrarias ás Leis, Costumes, Concordatas, e Ue•
6!2 lntrod. Pt. 111. Direito Consuet.
as BuIJas e Breves de Roma, as quacs (como to-
dos os mais Di piomas daquella Côrte) não podem
ter execução sem o Beneplacito Regio. §. óO. n.
8. sg. h. l. (a): III as Constituições dos Bispa-
dos. A(ell. J. t. 1. §. 10. e not. (b)
§. J 8. Opinióes e Arestas.
1 Opinióes. Em quanto houver Lei, Estylo,
gnlias de Portugal, dependentes da Soberania, e não do
Poder espiritual : e esta mesma sorte te\'e o Concilio cm
Veneza, Napoles, Flandres, pelas Ordens de Filippe 11
de MJul. 1:iG[>.v. L. 16Jun.16ô8. D.3NoD.1776. Es-
tat. Ord. Avi'l.t. ó. defin. ~::,. Espcn. trat. depromulg. lcg.
cap. ~- §. 2. no tom. 4. Deducç. Chron. ]. divis. 4,, §. 77.
78. divis. ó. §.7õ. sg. l ~õ. HB. a 1:1~.,e pt. ~- dcmonstr.6.7.
(a) A respeito das Bulias ou Breves Romanos são es-
peciaes as Leis seguintes: [ Todo o Diploma impetrado
na Côrte de lloma contra alguma Graça, Bulia, ou Bre-
ve concedido por ella a EIRei ou á Rainha, é inexequi-
vel, e a Parte que os impetrou, e quem com elle n;que-
1cr, é desnaturalisado e preso, e perde seus bens. O.][.
t. ló. Rep. 11. p. 630. vb. Grnçllsque. Per. M. R. cap. 630.
Esta Ord. 1. 0 comprehende Lambem as Graças conce<li-
das a EIRei como Grão-Mestre das Ordens Militares.
çlt. cap. 63. exn.13.; não obstante a opinião contraria no
Rep.cit,p.630.: !.ºProcede lambem contra oi.1que im-
peliam em Roma Benelicios de Padroado R. Rep. JY,
p. 358. vb. Pro1Jisão: 3.° Como e;;ta Ord. hou\'esse caído
em inobservancia, mandou a C. R.. !20 Jan. 1611'>.,que
:.e observasse exactamente, e que o Juiz e Procurador
da Coroa a façam executar nos casos occorrentes, posto
que não haja .Parte que requeira: II Se algum estran-
geiro apresenta Bulia para pedir esmola ou publicar in-
dulgencias, as Justiças não a cumprem; antes a remet-
tem a Elllei para a mandar examinar. O. 1. t. 69. §.
1. j. ult.
(b) Pela C. R. 16 Mai. 1774. se mandaram reformar
~s Constituições dos Bispados, por se acharem semeadas
de erro,; e principios falsos, tirados da Bulla da Ceia.
Já a C. R. 11. li Dez. l6lá. acautclára que não se im-
primissem sem serem revistas no D~b. do Paço.
Roman. Canon. etc. §. 18. 63
ou legitimo costume do Reino, é prohibido com
penas aos Advogados ou Juizes citar em suas a}..
legações ou sentenças, textos ou autoridades de
Doutores. L. 18 Ag. 1769. §. 9.
! - Na falta da Lei ou costume rege a boa
ra~áo acima definida, e não as glosas ou opiniões
de Accursio e Bartholo e de seus sectarios, que
fica prohibido allegar ou seguir em Juizo, revo-
g_ada a 0.111. t. 64. §. 1. cit. L. 18 Ag. §. 11. j.
E quando. (a)
3 Com tudo no caso da referida falta, não tem
sido excluida a lição e opiniões dos Doutores,
necessaria para fixar a vagueza da noção de boa
razoo. (b) ·
(a) Depois do Seculo XIV era tamanho o imperio
forense de ,\ccursio e Bartholo e dos Glosadores, que
prevalecia m~smo sobre as Leis. v, Fulgos. á L. 6. C.
oblig. el act. - A O. cit. §. 1. seguiu estas nogôes, u. Rep.
Ili. p. 819. vb, opinião. Mais modernamente, restituída
a e~cbola Cujaciana, caíu aquelle erro •. Com tudo o Re-
gim. da Relação do Rio de Janeiro 13 Out.17ól, t. 1.
§. 7. ainda recommendn a Accursio e Bartholo, bem co-
mo ao Reperlorio das Ordd.
(b) l.º O Al. 28 Ag. 177!. lv. 1. t. 3. cap. 1. que pros•
crcveu <lo estudo da J urispruc..lenciaas escolas de I rnerio,
Accursio, e Bartholo, adoptou em seu logar a Cujacia-
na fundada no principio do Seculo XVI por André Al-
cinto, e amplificada depois porCujacio •. t. 0 A cit. L.18
.A;;. cm quanto reprova as glosas de Accursio e de Dar-
tholo, <lerogada a O. 11[. t. 64. §. I., não derogou este
mesmo §. 1. na parte em que elle nos casos omissos
manda guardar a commum opinião dos Doutores com
preferencia ás ditas G loàas. Em verdade seria temeridn ...
de e nrrogancia querer cada um medir pelo seu parti-
cular pensamento as ideias vagas da boa rm,áo e do Di-
reito Natural, postergando os bons Escriplores as~im Es•
trangeiros como os Portuguezes, que, especialmente no
Scculo X VI, culli\'aram felizmente em Portugal a Ju-
risprudencia, não menos que as Bellas Lettras e a mes~
ma Theologia, sobre o merecimento dos quaes "· Me.li.
64 lnt,·. Pt. 111. Dir. Cons. etc. §. 18.
4 .Arestos. Os Arestos ou casos julgados não
teem autoridade senão sobre o caso, e entre as
Partes, em que recaíram, ou seus loco-tenentes;
pois se deve julgar pelas Leis, não por exemplos.
L. 63 . •tf. reJiul.. l. !. C. quib. resj'ud.
ó Comtu<lo as sentenças das Relações, sendo
coherentes aos princi pios da J urisprudencia, fo-
ram sempre mui attendidas para a decisão de
casos semelhantes, assim em Portugal como na
antiga Roma. Gam. Dec. !-28. Cab. dec. ! 1!l?.n.
3. 4. ó. Yal. Cons. 68. n. 4. Barb. á O. 111.t. 64.
pr. n. 6. Feb. pt. l. de. 4~. n. 8. Rep. l.p. 383. vb.
casos. l.felicesff. ad leg. Cornel. defals. ibi sic
enim inveni Senatum ccnsuisse. l. J ••ff. de Offic.
p1·ref.prret. ibi extarentque excrnpla.
--Hequere-se porém muita aHenção em
avaliar a semelhança do caso, pelas mui diver-
sas circumstancias de que commummente se re-
vestem os factos.
6 Sendo as sentenças de Relação muitas e
conformes, induzem estylo nos termos do §. 14.
n. 4. /,. l.
Epilogo.
Regem portanto no foro civil successivamen-
te: I a Lei Portugueza: II o Estylo: III o Cos-
tume: IV o Direito Romano, as Leis das Nações
visinhas, e a boa razão, nos termos expostos.
FIM DA INTRODUCÇÃO.

Hist. §. 113, sg. -Não é esta lição e doutrinas ns que


as Leis reprovam; mas sómente as argucias e subtilezas
que postergam ou estiram as Leis, e induzem com isso até
perturbações do socev;opublico. i. AI. 3 Mar. 1770. §. 13.
v. Al. !óJun. 1760. §. !O. L !8 Ag. 177!2.lo. 2. t. 3. cap.
J. "Deve evitar, diz bem Per. So. 1. not. 664., o caír
em outro extremo igualmente vicioso, que é o não citar
jámais textos alguns, cspecialmc11Lelatinos; opinião nas•
cida da ignoraucia, e nutrida pela prcguic,;u."
DIREITO CIVIL
DE

PORTUGAL.
LIVRO I. DIREITO DAS PESSOAS.

TITULO J.
NATUREZA DAS PESSOAS E SUA CLASSIFICAÇÃO.

§. 19. Do lwmem por nascer, nascido,


ou morto.

l Quem sáopessoas. Pessoa é o homem con-


siderado em seus direitos, qualquer que seja a
sua idade, sexo, condição. llei. I. §. Ili. sg.
1 Os filhos familias e os escravos são pois ver-
dadeiras pessoas. v. h. l. t. de uns e outros.
3 Embryóes. Em o numero das pessoas se con-
ta tambcm o feto apenas formado no ventre ma-
terno ( embryo, venter, nasciturus). Hei. 1. §. l !4.
4 -- EJle se reputa como nascido para tu-
do o que é de seu proveito, e conserva todos os
seus direitos para o tempo do nascimento. Hei.
1. §. If4. U5. Y. §. H. e not. Rep. II. p. 17ó.
Pcg. For. cap. 4. n. 106. .
ó -- Este direito começa desde o momen-
to cm que o feto se formou em embryão. Hei. I.
§. Uó. {a)
(,1) Sobre a formação e crescimento do embryão v.Mo,-
nuel Fodéré Me.d. le.g.tom. I. §. !33. sg. Quaes sejam os
cffcitos e verdadeiros signacs da conccic,;ãoe prenhez, e
66 Liv. 1. t. 1. Natur. das pessoas
6 Posthumo. Portanto nascendo depois da
morte do pai {posthumo de postremus), se con-
sidera como se nascesse antes della, sem diffcren-
ça. i. O. IV. t. 8~. §. 6. Mell.111. t. 6. §. 39. Hei.
Y. §. !H. e not. (a)
7 --Cumpre porém que o embryão nasça
vital, indague morra logo; ou indague fosse ti-
rado artificialmente do utero. Nascendo abortivo
e não vital, reputa-se como se não nascesse, nem
o seu nascimento produz alguns effeitos civís.
Rep. li. p. 176. vb. doaçáo v. Amplia1.º Barb.
á O. lY. t. 8!. §. 6. n. a. Rep.111. p. 66!!. vb.
uascimento do. (b)
8 --Quem mata oembryão ou promove o
8CU aborto, é sujeito a penas graves, inclusiva-

os erros vulgares nesta maleria §. !44. !266. sg. !76. A


inspecção do ventre s6 depois do quarto mez p6de ser
decisiva §. !67. !68. O examinar a existencia da gravi-
dação é importante em muitos casos §. !'278. sg.
(a) O D. H. faz nisto differença se o poslhumo nas-
ceu de filho ou de filha; se estes eram já emancipados
ou não. Hei. V.§. H. e not. á lnst. 6~3. Estas distincções
~ublís são boje inuteis. text. prox. ci.tt.
(b) O termo do parlo regularmente é o prazo de !280
dias (9 mezes e de,: dias) depois da conceição. Fod. I.
§. 316. O menino que então nasce, é perfeito: nascen-
do antes, é immaturo. §. 3~~- 3!4. -- O que nas<'e no
seplimo mez solar, é vital: nascendo antes, não é vital,
mas abortivo, e morre logo. §. :no. a 3~1. Hippocrat.
Galen. ibi Rcp. lll. p. 66:2. vb. nascimento do. Pelo que
se deve ter por infundada a opinião "que nem ainda é
vital o nascido no outavo mez, salvo se saíu vivo sem
auxilio externo, precedendo dôres e os outros signaes do
parlo maduro: no Rep. Ili. p. 663. II. p. 175."
A questão, se a criança nasceu viva ou morta, é
interessante na Jurisprudenciu, ns:-im civil como crimi-
nal, v. e., para o effeilo da successão da mãi, no caso
de in fanticidio, etc. : os signaes para decidir sobre ella
v. no cit. Fod. §. ~8[>.sg. Per. So. Class. crim. p. 9l97.§. 6.
e sua classffic. §. 19. 67
mente a de morte. o. I. t. 73. §. 4. i. o. r. t. 3f>.
Hei.1711. §. HlB. Rep. l.p. 746. vb. crime clelw-
micidio. Do infanticidio e abortov. Per. So. class.
crim. p. !9,Ji. sg. : da exposição do feto v. h. l. t.
dos expostos.
9 Gemeos. Algumas vezes nascem duas crian•
ças de um parto (gemini), e duvidando-se qual
nasceu primeiro, se deve isso averiuuar por al-
guns signaes physiologicos. v. Fod. 'J.
§. 366. Se
não póde ter resultado esta averiguação, o varão
se presume ter nascido primeiro que a fêmea;
e sendo ambos do mesmo sexo, ficam igualados
em direitos. L. 1!2. t. 33. Partit.7. fallando dos
morgados. Gom. á L. 40. Taur. n. 68. e assim
está recebido no Fôro. Mell. 111. t. 9. §. 10. v •
.AI. 9 Jan. 1788.
10 Dos monstros (ostenta) v. Hei. l. §. U6.
11 Defunctos. O morto tambem póde ser con-
siderado em seus direitos. Contra elle se póde
commetter injuria, e ser vindicada pelo seu her-
deiro. LL. RR. e text. no Rep. 111. p. 77. vb.
in,juria. Per. So. Class. p. !2f>9.
-- O seu cadaver póde ser privado de se-
pultura: esta ou o ca<laver podem ser violados.
v. lv. 11. elas Sepulturas. ( a)
U -- Contra o defuncto se podem irrogar
censuras ecclesiasticas, tendentes a execrar a
sua memoria. v. Cavall. Ir. cap. 40. §. 19.: re-
laxar-lhe as que se lhe impozeram em vida. e.
44. §. 8.

(a) Havendo a Relação do Porto absolvido os réos


F. e F. pronunciados pelas injurias que naquellaCida-
<le se haviam feito ao cada ver de F. Visconsul da Nação
Inglcza, mandou o D. 16 DC'l..1717., que os autos fos-
sem novamente ,·i~tos e sentenciados na Supplicação.
No Suppl. lv. 1~. ft. lf>.
&8 Li,v. I. t. 1. Natur. das pessoas
13 -- O defuncto não p6de ser accusado.
Hei. '/711.§. 16~. v. lv.111. da prescripçáo.
14 --É nulla a sentença civel ou criminal
proferida contra o defuncto. Hei. YII. §. !80. v.
lv. 111. da habilitação.
ló --A alma não se póde considerar como
pessoa. São nullas as disposições e convenções
mortis causa ou inter vivos em que esta é insti-
tuída herdeira. L. 9 Set. 1769. §. !l. addic. pelo
Al. 10 Mai. 1796. v. lv. 11. dos herdeiros.
16 --Todo o homem se presume morto de.
pois da idade de cem annos. L. ó6.jf. de usufr.
Covarr. var. cap. 6. n. 7. .
17 -- Se duas ou mais pessoas morrem no
mesmo accidente, como, em naufragio, terremo--
to, ruína, se presumem morrer no mesmo mo-
mento. Hei. §. 191. ff. tit. de reb. duh.
-- Porém se morre pai ou mãi com o fiJho,
este sendo impubere se presume expirar primei-
ro, sendo pubere depois do pai ou da mãi. Estas
disposições variam se o pai e filho morreram na
guerra. Hei. cit. §. 191. cit. t.ff. v. Stryk. tract.
de Success. ab. in,i.diss. 10. Per. So. not. ó3!l.l. ( a)

(a) Esta questão qual dos dous falleceu primeiro, é


muitas rnzes inlcressante; v. e., nas successões ab in-
/cglato. O D. H.. não a tratou perfeitamente. Elia se
p6de ás \'ezes decidir pelas regras da physica animal,
indagando qual foi a funcção, cuja interrupção produziu
a morte; qual o estado <lc violencia em que se acham
os cada,•eres, v. e., a c[racção de uma \'Íscera princi-
pal. Zacliias, lu. ó. t. 2. qt. H!. consil.12. 3õ. Fod. I. §.
398. a 39:2.401. sg. -- Outras presumpções e razões de
decidir são tiradas do estado pbysiologico dos defunctos,
da sua idade Fod. § õ9:J.; sexo 39õ.; temperamento 396.;
força 397.; sau<le, qualiua<le da <loença 399. Se a mài
e filho morreram no parto, ti in<lagação é clifficultosa.
V,~. :H~.
e sua class'ific. §. 20. G9

§. !20. Pariedades.
1 Identidade da pessoa. Muitas vezes se du-
vída se urna pessoa, v. c. , que se perdeu ou au-
sentou, é a mesma de que se trata. Para verifi-
car a sua identidade servem : I os Registros pu-
blicos e outros documentos : II a posse continua
do mesmo nome e sobrenome : III alguns signaes
corporaes, como cicatriz, aleijão: IV a semelhan~
ça de familia (parecença) e outros signaes phy-
sicos. Focl. 1. §. 365. sg. onde exemplos nota-
veis. (a)
! A sentença proferida com legitimo contra-
dictor sobre o estado de alguem, se. , sobre ser
livre, escravo, cidadão, estrangeiro, filho, etc.,
induz direito de cousa julgada, inda a respeito
de outras pessoas, que não fossem os litigantes;
o que é excepção da regra geral. i. Al. !24 Jan.
1771. l. ~ó.jl. stat. lzom. Stryk. "· M. P. L. 4!. t.
1. §. !9. Gam. dec. !283. 11. !2.
3 Todo o homem no estado civil se presume
bom. L. bl.:Jf.prosocio. Struv. exerc. 18. tltes. !28.
4 Nenhuma pessoa se póde vender para lu-
crar o preço, nem o sotfrem os costumes Chris-
tàos. Yal. qt. empli. 37. n. :l.
§. !21. Classes de pessoas. Prospecto d.esteLit1ro ].
I As pessoas e seus consequentes direitos se
(a) Os signaes physicos de sPmelhança, nem sempre
conteem presumpção segura; pois elles e mesmo a face
humana podem alterar-se, tanto pela idade, ar, alimen-
toti, paixões, doenças, e por outros acci<lentes da vida,
que o mesmo homem si>ja totalmente desconhecivel.
Fod. §. 379. 380. sg. Zack. qua:st. consil. 6 l. A infamia e
a escravidão destroem a physionomia e a magesta<le do
homem füre. §. 38f>. e 8ó.
70 Li'IJ. ]. t. 1. Natur. das pessoas
podem classificar pela sua: I Naturalidade (na-
cionaes, estrangeiros): II Qualidade ou condi-
ção {livres, escravos, nobres, peáes): III Estado
( ecclesiasticos, seculares; aquelles Clerigos, Re-
ligiosos ; estes solteiros , casados, viuvos) : 1V
Sanguinidade (pai'.s, filhos, e parentes): V Sexo
(homem e mull,er): VI Idade (maior, menor):
VII por varios accidentes (se., dementes, pro-
digos, ausentes, captivos, mz"seraveis, i1ifames,
indignos). (a)
1 Tal é a ordem dos titulos deste primeiro
Livro, aos quaes segue o tratado das pessoas
moraes ou corporações. -- Nesta classificação
as differenças provenientes do sexo, idade, con-
sanguinidade, derivam da natureza; as outras
das instituições civís. (b)
Connexáo.
·A I classe de pessoa (naturalidade) com-
(a) A c6r não induz differença sobre os direitos do
homem. "Sendo mui conveniente, diz o Al. 17 De.'I..
1801. ~- 16., ao meu R. seniço e aos principies de Di-
reito Natural, desterrar a odiosa preoccupação com que
muitos consideram a ditferenc;a de côres como um prin-
cipio de que devam resultar diversos direitos, e queren-
do dar a meus Vassnllos pretos e pardos do Brasil uma
prova irrefrngavel de que os considero habilitados para
todas as honras e empregos militares (dos quaes se tra-
tava) segundo o seu pessoal mert>cimento, etc."
Com tudo os pretos foram excluidos dos OfficiosPu-
blicos, menos do de Homens da Vara. D. !20De'I..169:J.
(b) O metbodo de tratar a;; materias é sempre arbi-
trario: não defendo que este seja o melhor. O D. R.
classifica as pessoas simplesmente pelo estado de liber-
dade (liores, escravos), de cidade (Cidadãos, Estrangei-
ros>, de familia (pais e filhos familias), Os que perdiam
algum destes tres estados e seus direitos, se diziam sof-
frer a capitis minutio, ma.xima, media ou minima. Hei.
I. §. 131. sg.
e suas classific. §. ~l. 7J
prehende os naturaes do Reino ou Estrangeiros.
v. §. U. n. 1.: e é a matcria do titulo seguinte.

TITULO II.

DOS NATUBAES OU ESTRANGEIROS, E DOS VISINHOS.

Pt. I. Naforaes.

§. !!. Noção do Reino ele Portugal.


1 Quando se trata de nat uraes do Reino, se
intende por esta palavra os Reinos de Portugal
e do Algarve, e os seus Dominios. O. II. pr.
ibi Reinos de Porfogal e Senlwrios delles.
! A palavra Portugal comprehende tambem
as Ilhas Adjacentes, se. , dos Açôres, Madeira,
e Porto Santo, que se consideram como parte e
provincias delle. i. A.l. !26 Fev. 1771. Cmist. A.
!?. §. 1.
O Algarve, pelos serviços que seus habi-
3
tantes fizeram á Coroa, goza das prerogativas de
Reino em tudo o que é favoravel: no mais é re-
gulado como nas outras provincias do Reino. tJ.
L. 4 Fev. 1773. §. 4. Rep. Ili. p. õ86. vb.
moradores.
4 O t.erritorio do Reino está declarado na
Const. A.. ]. Nesta conformidade toma o Rei os
seus Titulos. Const. A. 73.
ó O Brasil deixou de se contar entre os Do-
minios de Portugal, e finalmente se separou des-
te Reino. (a)
(a) O Brasil fazia parte dos Dominios ou Colonias
Portuguezas alé a L. 16 Dez. 1816. que o elevou á.gra-
duação, categoria, e preeminencias de Reino, unindo-o
nos de Portugal e Algan·es com o titulo de- Reino
7! Liv. 1. t. II. Naforaes, Esfrang.

§. ~3. Quem são Natiwaes ou náo.


l Quaes sejam os Cidadiios Portuguezes está
declarado na Const. A. 7. v. J7attelI. §. ~•~- sg.
Segundo a Legislação anterior a naturalidade se
regula pelas regras seguintes:
\2 I São Portuguezes e gozam dos privilegias,
graças e liberdades a elles concedidos, aquelles
que nasceram em Portugal ou seus Dominios de
pai natural do Reino, indaque a mãi fosse es-
trangeira. 0.11. t. M.pr. §. 1. v. ull. §. 3. (a)
3 II Não são naturaes os que nasceram em
Portugual de pai estrangeiro, indaque a mãi fos-
se Portugueza, salvo se o pai tivesse no Reino
domicilio e bens, e vivido nelle dez annos con-
tinuos pelo menos. O. §. 1. cit. Rep. II. p. f>lfJ.
4 III Não são naturaes os que nasceram fóra
do Reino, posto que nelJe casem com Portugue-
Uni<l-0de Portugal e do Brasil e Algarves. - A L. 13
Mai. 1816. designou as suas armas, e as incorporou cm
um s6 escudo Real, para symbolo da...união dos tres Rei-
nos. De.Eis ElRei o Senhor D. JOAO VI cedeu o seu
direito aquelle Reino, e o transmittiu n seu Augusto Fi-
lho o Senhor D. PEDRO DE ALCANTARA, creando
e reconhecendo a sua independt'ncia com o tilulo de I m-
perio, e reservando para Si o Tilulo de lmperodor do
Brasil, e Rei de Portugal e Algal'Ves, etc. pelo Tratado
do Rio de Janeiro de '29 Ag. 18~5; ratificado pela C. L.
15 Nov. 184!5.
A successão do Reino se devolveu segundo as Leis
fundamentaes ao Senhor D. PEDRO IV, que abdicou
a Coroa na Pessoa de Sua Augusta Filha a Princeza do
Grão Pará, a Senhora D. MARIA DA GLORIA; sob
as duas condições declaradas na C. L. t Mai. l8!1i.
(a) Desta O. §. 1. se segue que os filhos quanto á
naturalidade regularmente seguem o pai não a mãi; e
esta é tambem a disposição do D. Commum. v. Rep.
lll. p. &lá. vb. Filhos cú. Jll. p. 665. vb. natural.
Pisinl,os. §. U. ?'3
za, e tenham ahi domicilio e bens. O. pr. §. 1;
3. Bep. Ili. p. 66(i. vb. natu,·al náo.
ó -Salvo: 1. 0 se ao tempo da Conceição
estavam no Reino; i:;egundo a regra que os em-
bryões no que lhes é favoravel, se reputam nas ..
cidos. cit. Rep.111.p. 666.: E portanto tambem
se o pai depois da conceição soffreu a desnatu-
ralisação, esta não prejudica ao filho. cit. p. 666.
6 -!2. 0 Se no tempo do nascimento esta-
va seu pai em paiz estrangeiro ou ia de cami-
nho cm serviço do Estado; pois se reputa nasci-
do dentro do Reino. O.§. !2. cit. Bep, 111.p, 667.
7 - Esta segunda e:xcepção estendem os
DD. ao caso em que o pai ia ou estava em Rei-
no estrangeiro para commerciar, ou obrigado
por causa necessaría, mesmo para se evadir a
castigo; e assim se tem julgado. i, O, cit. §. 3.
ibi-po1· sua vontade. Mend. I. cap. t. n. 14,
Mell.11. t. !. §. 3. not. v. cit. Rep. llI.p. 667.
8 IV Estas regras se intendem dos filhos Je--
gitimos ou naturaes in specie. Os espurios são
Portuguezes quando em sua mãi concorrem as
qualidades, que a respeito dos legitimos ou na-
turacs, se requerem nos pais por esta Ordena-
ção. O. 11. t. M. §. 4, DD. no Bep.11, p, 340,
vb. espurio.
9 V Tambem são havidos por naturaes do
Reino os meninos queforam expostos dentrodel-
le; os estrangeiros que obteem no Reino Prela-
zia ecclesiastica, os que no mesmo se converte-
ram á Fé Catholica. cil. Bep. 111. p, 667. Por-
tug. don. 11. cap. ló. n. ó,

§. çz4, Direitos e obri!Jaçôeselos Naturaes.


Direitos.
1 O Reino e os seus Naturaes ou Cidadãos
fART. I. 6
74 Liv. 1. t. li. ]Vat11raes, Eslrang.,
teem varios direitos, priviJegios, e prerogativas;
uns dos quaes são estabelecidos pela natureza da
instituição social, outros expressamente conce-
didos pelas Leis, Doações Re_gias, Foraes, e cos-
tumes. Hei. l. §. 141. Mell.1.1. Hl.
1 Quaessão. Os direitos civís e políticos pro-
cedentes da instituição social teem por base a
liberdade, a segurança individual, e a proprie-
dade. Cond. .A..14-ó. Bentk.11. pt. l. cap. 6. sg.
a A inviolabilidade destes direitos é garan-
tida pela Const, nos termos do cit . .A.. 14á. Ne-
11humaAutoridade ha que possa suspender o seu
uso, salvo no caso de rebellião ou invasão de ini-
migos nos termos do cit . .A.. 14ó. §. 33. 34.
4 .A.liberdade consiste em não poder obrigar-
se o Cidadão a fazer ou deixar de fazer alguma
~ousa senão em virtude da Lei. Const. cit . .A..
14ó. §, 1. - O exercicio pois deste direito é
inteiramente subordinado ás Leis e á Moral. "·
Montesq. lv. XI. XII.
ó - A Carta Constitucional especialmente
garante ao Cidadão a liberdade de: I commu-
nicar- livremente seus pensamentos por palavra
ou escripto, ainda pela imprensa . .A. 14ó. §. 3.:
li não ser perseguido por motivos de Religião
com as modificações do §. 4.: III conservar-se
no Reino ou saír delle, e levar comsigo os seus
bens nos termos do§. ó. (direito de emigração.)
O. 11. t. óó, §. 3. cit. Rep. III. p. 667. "· "J7
attel,
J. §.110. ,g. "· I,,· l. t. dos ausentes.
6 A ,eguranfa se refere á pessoa do Cidadão.
Especialmente se lhe garante : I ter em sua casa
um asylo inviolavel nos termos do cil . .A..146. §.
6. :- II não poder ser preso sem culpa formada
e ordem escripta da Autoridade competente, com
as declarações do §. 7. 9.: III inda com culpa
formada não ser conduzido á prisão, se der fian-
f7isinlios. §. \!4. 75
ça nos termos do §. 8.: IV não ser sentenciàdo
por Commissões §. 16. (11,); mas s6mente pela
Autoridade competente, e em virtude dé Lei
anterior. §. 10. 11. lt. : V ser isento de pena
cruel e confiscação, e de ser punido ou infama-
do por crime de outrem. §. 18. U.
7 A propriedade consiste no pleno dominio
e fruição dos bens, com a unica excepção do cil .
.A.. 14:,. §. !!l. Say, 1. cap. 14. v. no lv. 11. t.
do dominio.
- Especialmente se garante aos Cidadãos a
liberdade de qualquer trabalho, industria ou
commercio, com a modificação do· ;.13.: as des-
cobertas ou j>roducções aos inventores ;. 14. : a
inviolabilidade do segredo das cartas no Correio
§. 16.: as recompensas pelos serviços feitos ao
Estado, e o direito adquirido a ellas §. !6.
8 Outros direitos. Todo o Cidadão p6de apre-
sentar por escri pto ao Poder Legislativo e ao Exe-
cu ti vo queixas ou petições, e requerer competen-
temente contra as infracções da Carta· Constitu-
cional . .A.. 14ó. §. !28.
9 -Todos podem ser admittidos aos Cargos
publicos sem outra differença que não seja a de
seus talentos e virtudes. Const . .A. 146. §. 13.
10 - Sómente os Cidadãos sã'o aptos para
obter Officios publicos, Beneficios ecclesiasticos,
bens da Coroa, Tenças, ou Commendas, em re-
muneração de serviços civís ou militares, feitos
ao Estado na conformidade das Leis. Mell. 1. I.
l!. v. §. !28. 11. 6. sg. A. l. (b)
(a) Sobre a injustiça e perigos das Commissões v.
Monlesq. XII. cap. ~2.
(b) Entre os direitos, mercês, graças, e privilegies
concedidos ao Reino e seus Naluraes, principalmente se
contava a sua capacidade para obter as cousas acima
referidas. Delles se póde vêr uma relação na C. Pal. U'>
6•
9'6 Liv. 1. t. li. Naturaes, Esirang,;
11 - Sómente elles teem voto nas eleições
dos Deputados de Côi'tes tendo os requisitos da
Consl. A. 64. sg.
Hl - Os moradores do Algarve gozam dos
ptivilegios de Cavalleiros, indaque sejam peães,
ou que não tenham armas ou cavallo. O. li. t.
60. pr. e Rep. p; 398, vb. Cavalleiros. O que hoje
se ha de intender segundo a restricção dos pri-
vilegios feita na Consl. A. 146. §. ló.

Obrigaçóes.
13 As obrigaçõesdo Portuguez (além das que
nascem do particular estado ou officio de cada
um) são: professar e venerar a Religião Catho-
lica Apostolica Romana, que é a do Estado.
Consl. Â. 6. Â, 14ó. §. 4.: amar a patria. "· Yat-
tel, J. §. 119. ,y.: seguir a virtude, detestar o vi-
cio. §·.116, 118.: obedecer ao Rei e ás Leis. §.
63. sg.: não offender os seus Concidadãos, nem
mesmo a outra Nação ou aos Cidadãos della. li.
§. 7!. 78.
Nm,. lb8!2., identicos aos contidos na C. Pat. das respos-
tas que ElRei Filippe havia mandado dar aos Tres Es-
tados nas Côrtes de Thomar; entre os quaes ioclue os
que concedêra o Senhor D. Manuel em 1499.
E taes são por exemplo: Que S. Magestade juraria
guardar todos os foros, uso~, costumes, privilegias, e li-
berdades concedidas n estes Reinos pelos Senhores Reis
delles: Que as Cortes nunca se convocariam f6ra do Rei-
no: Que todos os Officios publicos s6men te se proveriam
em Portuguezes, e bem assim Prelnzias, Beneftcios, e
Pensões ccclesiasticas, e Commendas: Que nenhuma Ci-
dade, Villa, Jurisdicçio, direitos HR., bens de Coroa,
se dariam senão a Porluguezes, etc. o. C. R. 10 Mar.
1461.
Os Senhores Reis no seu levantamento costumam
promeller com juramento e soh graves imprccnções n
observancia dos privilegios do Reino. v . .A.l. 9 Sct. 1647.
J'isitihos. §. 1r,. 77

§. tá. Como cessa a naturalidade.


1 Perde os direitos de Cidadilo: 1 o qu.e se
naturalisa em paiz estrangeiro (a): li o que sem
licença do Rei acceita emprego, pensão 00: con-
decoração de Governo estrangeiro. Consl. Â. 8.
{b): III o banido por sentença. Const. .A..8. {e)
(a) Coherentemente pela Legislação anterior opinam,
l .º que perde a naturali<lade aquelle que por vontade
vai estabelecer o domicilio em Reino estranho, se., o
que ,•iver alli com animo de permanecer, transportando
sua familia e a maior parte de seus bens, assistin.do lá
por dezannos. arg. O. li. t. 66. §. 1. &p. IIL natural,p.
667. j. Cum libere 668.: o que se auReblou _por nece&Si-
dade, conserva a naturalidade. cil. Rep. IIL p. 667. v.
§. t:I. n. 7. h. l.
1. 0 Que a mulher que casa í6ra do Ueino com ma-
rido estrangeiro, perde a naturnliJade, e se faz natural
do Reino donde o marido é natural; porém que conserva
os bens e proveitos que lhe proveem da sua patria. ~it.
Rep. Jll. p. 666. j, Et an.
(b) Sobre não poder o Cidadão sujeitar-se áJurisdic•
ção de Paiz estrangeiro v. Rep. II. p. 'l.7. t>b,demandar.
t>, li. l. t. elos ausentes.
(e) Segundo a Legislação anterior incorre em desna-
turalisação ou proscripção: 1.0 aquelle a quem alguma
Lei impõe esla pena: ~. 0 o banido propriamente tal:
3. 0 o condemnado á pena de morle civil, se., a prisão
perpetua ou a degredo perpetuo para as galéa ou para f6ra
de Portugal e Algarves. Per. So. Class. crim. p. !6. e
<..Htn.not. 37, Feb. Pav. Barb. ibi. -Esta é a opinião
mais seguida: e intendem para este ftm por degredo
perpetuo em passanJo dez annos. Re.p. ]V, 'P·60. sg. 1Jb.
pena ~ morte civil. "· Feb. de. láá. Outros opinam que
é neceuario o de~redo perpetuo com confiscação ou per-
dimento de bens. cit. Rep.
Hoje seguindo o cit. A. 8. 9. o degredo ou prisão
(não havendo banimento) s6mr.nle suspende o exerci;.
cio dos direitos de Cidadão. Sobre o degredo e bani•
mcnto, e seus elTeitos v. Yattel, 1; ~. 118. sg.
78 Liv. I. I. II Naturaes, Estrang.,
t E.ff eilos. A desnaturalisaçã'.o ou prose ri pção
induz: I expulsão do Reino e seus dominios. i .
.A.l.!6 Mar. 17 46. : II inhabilidade para as hon-
ras, dignidades, Officios, e Beneficios ecclesias-
ticos. O. JJ. t. ló. cas. spec. Mell. li. t. t. §. H.
13. nol.: Ili perdimento dos direitos civís rela-
tivos ao estado publico, como privilegios, graças,
isenções, e franquezas de que por Direito ou Cos-
tume usam os Naturaes do Reino: IV as outras
pe~as que pelas Ordd. estão imposf.as aos desna-
iur~lisado.s. i. O. 11. t. 13. pr. i . .A.l. 16 Mar.
1746. cit. Mell.
· -Quanto aos direitos privados e pessoaes,
o desnaturalisado ou exterminado não pódc fazer
testamento. Hei. Y. §. 10. Egid . .A.rouc. ,zo Rep.
JY. p. Sõ9. vb. Prot•issáo de: o contrario Pi._
nheir. ibül. u. lv. 11. dos testamentos: nem ins-
tituido herdeiro.' Mell. III. t. ó. §. a 1. n. t. , por
~e equiparar ao deportado: nem p6de querelar
dos crimes publicas como pessoa do povo. O. Y.
t. 117. §. 14. (a)
3 Comtudo modernamente se opinava favo-
ravelmente a respeito dos naturalisados. (b)
(a) P.or D. R. 011 relegado, e os interdictOll, ,e., re-
~ovidoa para as ilhas ou outro Jogar perpetua ou tcm-
porariamer;ite, sahos porém os direitos de Cidadão, os
conservam; não se lhes conliscam seuli bens; podem fa-
zer testamento, etc. Hei, Pll. ~- !2M. !áf>. Pelo contra-
. rio os deportados ou degradados (ezsules) perdem a qua-
liJade e,direitos de Cidadão e os bens, e não podem les-
t_ar. Hei. Pll. §. táó. P. ~. 10.
N~sta conformidade pedindo o Conde de Mesquilcl-
la desterrado nos Estados da lndin, faculdade pura ur.ar
da mercê que tinha de poder renun.ci.ar a Fortaleza de
Sol.ala, decidiu a Res. Cons. Dsb. 17 Mar. 1671. que o
podia fazer, porque segundo Direito não é i&so prohibi-
do aos desl<'rrados. Dab. lo. 6. de Cons.fl. 9. j.
(b) "Hoje, diz Mcllo, pela dcportasão ou relcgnc;ão
Yisinl,os. §. ló. 79
4, - A desnaturalisação póde cessar poragra-
ciação do Rei. Hei. Yll. §.166. Comi. Â. 741. §.
7. v. lv. III. da rest. i,i int.
e, O exercício dos direitos políticos se suspen-
de: I por incapacidade physica ou moral : II por
sentença condemnatoria a prisão ou degredo, em
quanto durarem os seus effeitos. Const4 Â. 9.

Pt. II. Estrangei.ros.


§. 26. Admissáo dos Estrangei1·os
em Portugal.
1 Regra geral. Os Estrangeiros nos negocios
publicos teem a exclusão abaixo indicada: nos
privados e pessoaes gozam regularmente dos di-
reitos e com modos, de que pelo costume ou Leis
das Nações cultas gozam os naturaes dellas.
Mell.11. t. t. §. 11. v. Yattel, li. §·.99. sg. ( a)
(que presentemente são synonymos) degredo, banimeli-
to, condemnagão mesmo perpetua a prisão ou trabalhos
publicos, não se perde o estado de Cidadão, nem por
consequencia os direitos privados e pessoaes, como, ne-
gociar, adquirir, estar em Juizo, a propriedade dos bens,
a habita<_;ão,o poder palerno, a aptidão para ser ou ins-
truir herdeiro, e os mais que forem compativeis com a
condemna<_;ão; salvo se e~pressnmente se declarar o con-
trario. Mell. ll. t. !. §. Ht. 13. enot. e t. b. §. ti. nol. o.
JTattel, I. §. HB. sg. Thomas. á lnsl. I. tk cap. dimin.
Stryk. us. mod. ao t. tk her. insl. §. !. Comtudo eata
doutrina poderá pertencer em parte aojw comtituendum,
e! o mesmoMell./l/.t.ó.§.31. ensina que odegradndo
não póde ser instituido herdeiro.
{a) Por antigo D. n. eram os Estrangeiros privados
itcralmente dos direitos dos Cidadãos, quer relativos ao
Direito privado, quer ao publico. Esta odiosa difTerenc;a
foi porém posteriormente abolida pelos Imperadores Ca.
racala, Justiniano, e Frederico; e os Estrangeiros ad•
mittidos á parlicipngão de muitos direitos civís. Hei.L
~- 141. 14!8.
80 Liv. 1. t. li. Naturaes, Eslrang.,
g Elles são admittidos, recebidos, e tratados
humanamente em Portugal como prescreve o Di-
reito das Gentes, e teem aqui asylo, protecção,
e aquella hospitalidade que esteve sempre em
honra nos povos cultos. cit. Mell. Yattel, II. §.
99. sg. 104. ( a)
Esta benigna recepção é sujeita ás restric-
ções seguintes:
3 1 Ficando salvas as Leis de sã Politica. (b)

(n) Não eram assim favoraveis aos Estrangeiros as


nossas Leis dos seculos passados, segundo as opiniões e
o estado politico daquelles tempos. v. Rep. Jll. vb. Mou-
riscas, p. ô96. A O. P. t. 69. prohibe com penas entrar
no Hei no os Ciganos, A rmenios, Gregos, Arnbios, Per-
,as, e os de outras Nações sujeitas ao'furco, e os Mou-
rl,:;cns de Granada. v. A/.. 9 Des.1609. e !3 Mar. 16~1.
-Pela O. Y. t. 94. os Mouros e Judeus não podem cs-
1.ar no Reino sem licençu H..; e então dP.vem trazer o
signal determinado na mesma Ord. &p. III. p. 133. vb.
Judeu que. - Contra os Ciganos, Armenios, Arahios,
de. se publicaram as Leis na Collecção I. á O. Y. t.
69. p. 166. sg. e Reporl. Geral das Leis. vb. Ciganos. -
Dos Judeus v. h. l. t. dos infames.
(b) Como deva o Governo de um Reino proceder
rom os Estrangeiros que alli entram, viajam, ou se de-
moram .,, Yattell..11' ~. 99. sg. 104. sg. Pelas nossas Leis
os que veem a t'ortugal devem apresentar-se com seus
passaportes ou cartas de legitimação aos Ministros das
Fronteiras, e em Lisboa aos Ministros dos Bairros, e sa-
tisfazer ás declaraGÕes, que as Lei~ exigem para se lhes
permiltir entruda ou residencia no Reino. Al. lá .Tun.
1760. ~.11.13, 14,, Ord. H Mar. 1807. §. 1. Port. Gou.
8 Feu. 1817. e .Ao. Gou. 6 Mar. 1810. t. t. §. l. ~.-Este.
Au. 6 Mar, 1810, t. 1. e!. contém um Regulamento de
Policia, o qual posto que feito em tempo de guerrn,
contém excellenLes cautélns e providencias permanen-
tes sobre os que entram no Reino por terra ou por fo1.,
e sobre sua legitimação, pura servir de declaragão no Al.
!á Jun. 1760. v. o Av. Circu.l. da lnt. Pol. aos Corre-
gedores, de H Mai. J 807,
17isinhos. §. !6. 81
4 II Corsarios epresas. Havendo guerra en-
tre duas Nações alliadas de Portugal, não se ad-
mittem os Corsarios dellas e suas presas nos por-
tos Portuguezes, salvo nos casos de natural hos-
pitalidade, e nos termos dos DD. 30 Ag. 1780.
3 Jun. e 16 Ag. 1803. C. R. 19 Fev. I80ó. v. lt1.
II. das presas.
ó III l'ranquia dos NatJios. Aos navios es-
trangeiros se concede pelos Tribunaes e Ministros
rcspectivos franquia e hospitalidade nos portos
do Reino, nos casos, na fórma, e pelo tempo de-
terminado nas Leis. For. ló Oul. 1787. cap. 4.
sg. Regim. to Jun. 1703. cap. 6. sg. AltJ. 1 Jun.
1713. D. 9 Set. 1747. Al. 13 Not1. 1806. D. Á.tJ.
10 Fev. 1780. - Fóra dos ditos casos a concessão
da hospitalidade e franquia pertence sómente ao
Soberano, como um direi to Real de segunda or-
dem. D. 9 Set. 1747. - A franquia e hospitali-
dade se costuma conceder com a condição de pa-
garem 4 por 100, excepto se o navio entrou obri-
gado pelo inimigo, força do mar, ou necessida-
de de reparo. D. 8 Set. 1747. v . .Al. 13 Nov. 1806.
6 IV Criminosos. A admissão dos criminosos
que de outras Nações, especialmente de Hespa-
nha, se acolhem a Portugal, teem as restricções
estipuladas nas Concordatas 18 Fev. ló69. e 1
J,,,l. 169!. no fim da Ord. lv. r.v. 1,,. l. tit. dos
ausentes.
§. 17. Sua suJ'eiçáoás Leis e Autoridades.
I Posto que os Estran<reiros residentes em
Portugal continuam a ser Cidadãos da sua Na-
ção 17attel, II.§. 107.;
- com tudo em quanto aqui viverem, são su-
jeitos ás Leis, Governo, e Autoridades Portu-
guczas, salvo no que lhes fôr concedido ou dis-
81 Liv. 1. t. Il. Naturaes, Estt-aug.,
J>ensado por Lei especial. D. tJ.ODes. 1661. Bes.
ao .Ag. 1786. Mell. II. t. !2. §. 11. Hei. I. §. 98.
! - E regularmente a Lei, não fazendo dis-
tincção, com prehende os Estrangeiros em quan-
to se acham no Reino. l. t. C. quematltn.testam.
aper. Moraes, 1. cap. ó. n. ól. Yattel, Il. §.
101. (a)
3 Encargos. Portanto o Estrangeiro deve re-
gularmente supportar certos encargos, e coope-
rar para a defesa do Reino segundo as circums-
tancias. Yattel, II.§. 105. 106.
4 Nos seus negocios.Conseguintemente os ne-
gocios que occorrem em Portugal entre Estran-
geiros, ou entre Estrangeiro e Portuguez, como,
testamentos, contractos, ele., se fazem segundo
as Leis de Portugal, e são decididos pelos Juizes
Portuguezes. Yal. (Ã. 18!. n. l. 7.·l. 3. nofim,
Jf. testam. Hei. l. §. 98. Pattel, I . §. 103. 110.
- salvo quanto a bens de raiz sitos em ou-
tro Reino. Hei. I. §. ~8. Yattel, cit. §. 103. 110.
11. text. prox. cit. O contrario. Yal. Cons. 181.
n. 10. (b)
(a) Esta disposição se intende principalmente: l.º
das Leis geraes, tendente, á boa ordem, e que não se
referem á qualidade de Cidadão ou subdito do Estado.
Yattel, cil. §.101.: t. 0 das relalivas ápessoa do l!stran-
geiro e aos seus bens de raiz situados em Portugal, os
quaes são absolutamente sujeitos ás Leis do Reino, o
aos impostos como os dos Portuguezes: pois elles os m.1-
quirem e conservam por permissão d' ElUei. Yattel, cit.
§, 103. 110. 114. Mor. cit. n. ól. Hei.1. §. 98.
(b) Quanto nos testamentos, parece ser nece1aaria
mais alguma declarac.,ão, e distinguir-se entre a f6rma
e as disposições do testamento. A f6rmn ou 1olemnida-
de parece dever seguir as Lei.- do Reino onde se fez o
testamento, se este ahi ha de ser aberto, ao menos quan-
do a Lei do Paiz do E!trangeiro que lesta, não dispõe
o cont;rario. Quanto ás disposições testamentarias, as que
Pisi,i/ios. §. t7. 83
b Reciprocamente o Portuguez que contl'acta
em Reino Estrangeiro, se deve conformar _com
as Leis desse Reino. L. sifundus:ff. de evkt.
Yal. Cons. 138. n. 8 sg. t1. lv. ll. t. dos Contrac-
tos. (a)
6 - Quanto aos testamentos, o Portuguez
que testa em mar ou porto adjacente a Portugal,
ou nos mares da navegação Portugueza, deve
testar segundo as Leis de Portugal. P al. Cons.
181. n. 17. 18.
7 - Se testa em Reino Estrangeiro ou nos
seus mares ou portos, se opinou que, quanto á
fórnia externa deve testar segundo as Leis desse
Reino, ou mesmo com duas testemunhas sómen-
te, segundo o Direito Natural; porém quanto ás
disposições internas como instituição de herdei-
ro, legitimas dos filhos, etc. , que deve precisa-
mente guardar as Leis de Portug~l onde o tes-
tamento ha de ter o seu effeito. Yal. Cons. 181.
n. 11. sg. "· w.11. t. dos testammloi.
o Sobre a aptidão dos Estrangeiros para tes-
tar acti va e passivamente "· Mell. Ill. t. 6. §. i3.
"· lv. II. t. dos testadores. - Por D. R. sómente
respeitam a bens de raiz devem conformar-se ás Leis do
Paiz da situa(ião: quanto aos moveis existentes f6ra da
sua patria, se distingue entre as Leia cujo elTeilo não
p6de estender-se fúra de Portugal, e aquellas que alTec-
tam propriamente a qualidade de Cidadão. "· Yallel,
li. ~. 3. Yal. Cons. 18:2. n. 11. sg. No Trat. 10 Nov.
1787. se estipulou indistinctnmenle que os Lestamenlos
uosPortuguezes residentes em Sardenha, e os dos Sar-
dos moradores em Portugal, se fariam segundo as Leis
do respectivo Paiz.
(a) Exceptuam desta regra quando os Portuguezes
estão com ElRei fúra do terrilorio Portuguez na guerra,
pois observam então as Leis deste Reino como se esti ..
Yessem.dentrodellP.. arg. O. Ili. t. 69. ~.1. ibi-emczr ..
raiai, ele. J(,ep.lY. p. 313, vb. prova,
84 Liv. 1. t. II. Ncituraes, Estrang.,
os Cidadãos podiam ser instituidos herdeiros.
Hei. P. §. 38.
9 Successáo de bens. Na mesma conformida-
de os bens do Estrangeiro por sua morte se de-
volvem aos que são seus herdeiros segundo as
Leis do seu Paiz; salvo quanto aos bens de raiz,
que seguirão as Leis do Reino onde forem situa-
dos. Yattel, II.§. 11 o. Hei. §. 14~. "· Mell. 11. t.
1. §. 11. (a) ·
10 No crime. Semelhantemente os delictos
que os Estrangéiros commettem neste Reino, são
·punidos segundo as Leisdelle. Hei. l. §. 98. Yat-
tel, li. §. IOi. 108. Per.&. class. crim. cap. t.
not. !9. no fim. Boehmer., Puttman. ibi. (b)
11 - E posto que a desnaturalisação seja a
pena mais branda, e no mesmo tempo mais effi-
caz para os seus delictos, comtndo os mais gra-
ves se expiam com as penas legaes do Paiz que
os viu commetter. Per. So. class.p. !ó. {e)
(a) Da doutrina até aqui exposta se ,·ê a injustiça
com que o Fisco em alguns Estudos se senhoreia dos
bens que ficam por morte do· Estrangeiro, prática fun-
dada nc, direito cl'aubaine Uusalbinagii), pelo qual os
Estrangeiros são excluidos de receber herança ou legado
assim de Estrangeiro como de Portugut'Z. "· Yattel, li.
§.1112.-Já o 1). R. quunto á successão dos bens havia
abolido a differença entre os Cidadãos e Estrangeiros
pl'!la Authent. Omnes, C. OJmm. de success., a qual pa-
rece opposta ao cit. direito d'albinagio. 1', Hei. ~- 141,
(b) Algumas Leis criminaeil fazem mesmo expressa
menc;ílo dos Estrangeiros, como a L. Pragmatica de !M
Mai, 174"9.cnp, 19, sobre o luxo. Al. 11 Ag. 1Võ3-. so-
bre o contrabando dos diamantes, etc.
(e) Exemplos. Assim 1.0 o D. ~r, Jun. 1663. mandou
transportar para Angola os Estrangeiros que haviam sido
aprisionados fazendo pilhagens em um barco nas costas
do Algarve. Supplic. lv. lO.fl.lil,j.-!. 0 OD.8Jan.
176!. mostra o exemplo de dou:; lnglezes condemnados
á morte, e contiscação de bens por crimes a que as Leis
Pi"sit1lios.§. 17 . 8á
H - Comtudo são punidos mais brandamen-
te quando delinquem por ignorancia do Direito
Portuguez, não assim do N aturai ou das Gentes.
Gaill, lv.1. obs. 48. n. ta. Berger. elecjur. crim.
cap. 1. §. !. n. 3.
13 Elles podem ser condemnados em degre-
do por um discreto e bem regulado arbitrio dos
Juizes com o parecer do Regedor : e como nas
occasiões da monção para a lndia se costumam
commutar degredos para Moçambique, não de-
vendo os réos estrangeiros ir para aquellas par-
tes, podem seus degredos commutar-se na fórma
referida para Angola, Benguela, ou para outro
algum Presidio ou Certão. Av. 6 Mar. 1806. ao
Beged. na Suppl. lv. tJ.3.ft. 49. ( a)
§. t 8. Leis especiaes sobre os Estrangeiros.
1 · As Leis especiaes a respeito dos Estran-
geiros tendem : I a conceder-lhes privilegios e
isenções: II exclusões: III a estatu1r outras dis-
posições singulares.
dt'ste Reino impõem estas penas; mas a quem EIHei
perdoou totalmente por comprazer com a represcntagão
d'ElHei da Grã Bretanha. Na Supplic. lv. lt. fl. 63. -
a.0 O .Acorà. Suppl. 6 Mai. 1769. condemnou em penas
vís e degredo perpetuo para as golés tres Estràogeiros ·
réos de atrozes falsidades.
(a) Quanto ao dito arbilrio é de notar que este A vi-
so se conforma com a conta e parecer do Regedor, o qual
propoz que não havia incon,·eniente em se degradarem
Estrangeiros para as Conquistas, sendo poucos e iodo
para Conquistas distantes das que teem as Nagões a que
elles pertencerem: o que especialmente deveria verifi-
car-se nos réos a quem se <.'Ommutar a pena de morte
nos referidos degredos, e em outros que por alguns res-
peitos não convenha ficarem na Capital servindo nas ga-
lés. cit. Av. A C. R. 31 Jan. 1626. prohibíra absoluta-
mente degradarem-se Estrangeiros para as Conquistas.
86 Lit1. J. t. li. Naluraes, Estrang.,
1 l Privi'legios.Ftwo. Aos Estrangeiros, V as-
sallos das Nações alliadas, se concedeu o fõro
privativo de Juizes Conservadores para as suas
causas civeis e crimes pelas LL. cit. em Per.&.
,iot. 81. e crim. ,zot. ! 1. a 16. Este privilegio pro-
cede não só nas causas do Commercio, mas em
outras quaesquer. Der. :,Fev. 1669.: mesmo nas
de concurso de cré~o!es sobre freferencia. .Ass.
17 Mar. 179t. Per. ibi. v. Rep .. p. 119. 11b • .Ale-
mães. Sobre a sua preferencia concorrendo com
outros pri.vitegiados "· cil. Per. ( a)
3 lsençôes. Os Estrangeiros foram declara-
dos isentos do dobro das sisas pela Prov. R. 10.
llev. 1708.
4 Os Negociantes Estrangeiros foram decla-
rados isentos da decima do maneio, não da con-
tribuição de defesa. Port. Gov. 1 Jul. 1811. §. ó.
e 18 Jul. 1814.
· ó - Os Estrangeiros nlo naturalisados, in-
dague em-pregados no serviço do Reino em Con-
soles ou Vice-Consoles das Cidades maritimas
da Europa e America, não gozam da redoeção
de direitos das Alfandegas estabelecidos no D.
l l Jun. 1808., por ser mercê restricta aoCom-
mercio naeional, e aos Estrangeiros· naturalisa-
dos. A.v. 11 Mar. 1817.
6 II Exclusões 011 prlvaçóes. Os Estrangei-
ros são excluidos: I dos bens da Coroa. O.·/].
t. 36.pr. ibi entre seus vassallos. Rep.11. vb. es-
trangeiro,,. 3ãt. v. w.II. t. dos bens da Coroa.
7 - 1 de Beneficios ecclesiasticos e suas
(a) Os logleRls· tinham por Juiz o Ouvidor da Alfan-
dega. O. I. t. 6-. ~- 9~ Este privilegio ae lhes concedeu•
por contracto oneroso,. e posto· que vel'lJava·aobre as cau-
sas de mercancie s6meote, se estendeu depois a todas as
suas causas crimes e civeis, e aos outros Estrangeiros. "·
LL. no &p. Ili. p. 66. t,b. lngle,.e,.
P-isinlws. §. 18. 87
pensões, e das Commen<las: .e tal é o antigo cos-
tume do Reino. Feb. de. 67. n. 11. lt. Rep. Il.
p. 3f>l. tib. estrangeiro. ( a)
(a) Em prova e illustração desta proposição, refiro
aqui chrooologicamente os Diplomas seguintes:
O .Al. 18 Fev. lólt prohibiu com pena!i ás Autori-
dades competentes dar a Estrangeiros posse de Benefi-
cios neste Reino e Senhorios por Lettras 9ue elles impe-
trassem de Roma, não havendo para isso especial Bene-
placito Regio.
Des. HiO:J. declarou nullas e obrepticins
A C. R. f!J.7
as collaçõe~ de Beoef1cios ecclesiasticos e ,uspcnsões a
favor de Estrangeiros, ou sejam feitas pelo Papa ou pt.'-
]os Ordinarios, como contrariai aos privilegios Aposlo-
licos, e á posse do Reino.
- A O. ll. t. 13. ~. 1. prohibe com penas, l.º acceitnr
por qualquer titulo Beneficio ecclesiastico de Estrangei-
ro; t. 0 acceitar procuração de Estraugeiro que lenba ac-
ceitado Beneficio no Hei no, para em seu nom~ o reque-
rer e demandar.
As CC. RR. 13 Jul. 1616. !9 Set. 16!23. excluem os
Estrangeiros das Commendas da Ordem de Malta.
A C. R. I. 11 Set. 1618. argue a nullidac.fe do pro,·i-
mento de uma Commenda conferida por Bulia a um
Estrangeiro, e da renuncia que este della fizera em Por-
tuguez, como cousas contrarias aos privilegias do Reino
e á O. II. t. 13.; e manda proceder nesta conformidade.
Dsb. lv. de l(il8.fl. 200.
A C. R. I. ~9 Set. 1613. diz, que segundo as Leis e
observancia deste Reino não p6dc prover-se em Es-
trangeiros Commenda ou outro Beneficio ecclesiastico;
e que esta prática é igualmente observada nos outros
Reinos, e fundada mesmo no DireitoCanonico e Rl'gras
da Chancellariu.
A Res. 30 Mai. 1643. prohibe conferir Commendas
a Estrangeiros, salvo por dispensa concedida com servi-
~os relevantes. - Havendo-se dado em Roma uma Co-
nesia da Sé de Coimbra e um Beneficio em Beja ao Car-
deal Ursino Prolector da Coroa deste Heino nnquella
Côrte, decidiu a Rcs. Cons. Dsb. 8 Ag. 1668., que, por
st!r esta novidade mui prejudicial á mesma Coroa e aos
seus Va~sallos e otfensiva das Concordatas e reiteradas
88 Liv. 1. t. li. Nal'ltraes, Estra,zg.,
8 - III dos Officios publicos, tambem por
antigo costume do Reino. Feb. de. 67. n. 1 I. H,
Bynckerslweck, li. ql. J°ur.publ. cap. 11. Mend.
pt. 1. lv. l. c 1.
t. n. ~3. !4. Rep. 1. vb. Castellta-
no, p. 388. J . vb. estrangeiro Escriváo, p. :JãL
p. !76. vb. escriptura. v. O. J. t. 73. §. 3. {a)
9 -. IV de ser Deputado de Côrtes, indaque
sejam naturalisados. Const. À. 68. §. !t.; e Con-
selheiros d'Estado. A. 168.
- Sobre poder-se nomear Portu~uez para
servir de Visconsul em Paiz estrangeiro v. Al.
16 Mar. 1789.
10O Governo p6de prohibir ou círcumscre-
ver os matrimonios dos Estrangeiros, se elles se
tornam perigosos ou nocivos a Portugal. É uma

ltesoluções quP. ,·edam conferir Benef1cios a Estrangei-


ros, se escrevesse aos Cabidos de Coimbra e Evora para
não instituírem ou darem passe de Beneficio ou Pensão
alguma a quem não fõr natural deste Reino, sem primei ..
ro darem conta a ElRei; e ao Embaixador ern lloma
para ad,·ertir o Cardeal nesta conformidade, declaran-
do-lhe que par outra via lhe mandaria Ellki com pôr to-
do o prejuízo que por esta causa tivesse. Dsb. lo. b.fl. !243.
(a) Sobre ii1to refiro as Leis seguintes: A 0.1. t. 81.
prohibe aos Estrangeiros fazer escripturas e mais actos
de Tabell,iães 1 indague tenham Cartas de Offic:ioscom
clausula que poderão fazer taes escripturas; e estas serão
nullas, além <le outras penas.
O Al. lá Jul. 1671. pruhihiu ao Senado da Camara
de Li~boa conferir oílicios ou senentias a pessoas de Na-
c;ãoinfecta, e a Estrangeiros que não hajam sido natu-
ralisados por EIRei. A sua disposic;ão foi geral, posto
que no prenmlfalo tralaslie sómente dos Omcios de Tra~
tadores de mercadorias e de l•'reladores da Cidade a re-
querimento <lellei1mesmos.
A Rea. Cons. Dsb. !6Ju,•. 1631.dispensoucomoBa-
charel 1''. natural de Lisboa, porém dei1cendente de pai
e avós :Francezes, para ler no Dsb. <lo Paço vistos os
exemplos que allegou. Dsb. lv. 8. Cons.fl. 96.
Pisinlws. §. 30. 89
prohibiçito quasi geral o casar o Naciona] com
uma Estrangeira de Religião differente. Yatlel,
II. §. llõ.
11 Das exclusões dos Hebreus v. li. l. t. dos
iiifames.
III As dispos-içóessiugulares relativas a Es-
trangeiros são principalmente as seguintes:
I i São citados na Côrte, sendo alli achados.
O. III. t. 3. O que se intende nos termos de Di-
reito Commum, se., na raz."iode contracto, de-
licto ou rei sitre, segundo Per. de. ~- n. 7.
13 Sendo autores não são ouvidos, e se ab-
solve o R. da instancia, sem darem fiança ás
custas. O. III. t. !O.§. 6. Rep.11.p. 349. l.p. B.
vb. absoluto. O que hoje é Direito gera).
14, Se querelam e se ausentam, o querelado
estando preso, é logo solto. O. r. t. Ut. §. 7.
15 Prohibiu-se-lhes severamente occupar-se
nas marinhas de sal do Reino, e mesmo ir ob-
servá-las; e aos donos ou feitores dellas o con-
sentí-]o . .A.l.!7 Mar. 1696.
-Bem como aos Naturaes se prohibiu ir a
Reino Estrangeiro trabalhar no fabrico do sal.
L. 1.õ Fev. 169f>.
lG Aos que veem éÍ Universidade de Coim-
bra (bem como aos Nacionaes) que fizeram estu-
dos em Universidades Estrangeiras, se ]hes le-
vam em conta pelo modo prescripto nos Estai.
velli.111. t. 68. §. 1. sg. enoPlan. !3 Mai. 1800.
relativo aos Medicos.
17 Apresentando Bu11as de Roma para pedir
esmola ou publicar indulgencias, não se cumprem
sem serem primeiro examinadas no Dsb. do Pa-
ço. o. r. t. 69. §. 1.
18 Seus filhos não podem ser baptizados por
força. L. 3 Ag. 1708.
19 Segundo as Leis de policia: I os quadri-
PART. I. 7
90 Li"v. 1. t. li. Naturaes, Esl1·ang.,
1heiros devem informar-se <lo que fazem os Es-
trangeiros, e sendo suspeitos, levá-los ao Juiz,
que procede segundo a 0.1. t. 73. §. 3.
!O - II Proviu-se sobre os que são achados
no Reino sem modo de vida conhecida, e sem
darem justa razão da sua estada. O. 1. t. 73. §.
3. L. H Mar. 1603. §. ó. .
U -III Aos vagabundos se prohibiu vender
bebidas, comestiveis, quinquilharias, ou fazen-
das pelas ruas; nem as Camaras lhes dão para
isso licença. Al.19 Nov. 17ó7.

§. ~9. Naturalisaçáo dos Estrangeiros.

1 Os Estrangeiros podem ser naturalisados,


se., aggregados ao corpo <la sociedade Politica
por graça do Rei, que lhes póde conceder Car-
ta de naturallsaçáo na fórma da Lei. Const. A.
7õ.§. 10. v. Vattel, 1. §. U4.
t Edfeito. Os EstranO'eiros naturalisados são
Cidadãos Portuguezes. /!onst. A. 7. §. 4. ( a)
3 Economia. Esta graça. tem sido concedida
com mais ou menos facilidade segundo os <liver-
sos tempos. (b)
(a) A naluralisaçã.o confere ao Estrangeiro muitas
isenções e privilegios: v. exemplo na G. !O Mar. 14óf.
A Res. 21 Jun. 1667.prox.cit. suppõe mesmo queella os
habilita parn os bens da Coroa, llenef1cios, e Commen-
das. Quanto aos Officios publicos "· DD. no Rep. II{ ,ib.
natural nâo, p, 666. Al. lf>Jul. 1671. "· §. !8. n. 8. h. l.
Hoje parece cessar esla questão pela generalidade
da cit. Const.
{b) 1. 0 O Al. 8 Jun. 1433. prohibiu passarem-se Car-
tas a Estrangeiros para serem havidos por naturaes deste
Reino, e por visinhos da Cidade de Lisboa; pelo incom-
modo que resultava aos naturaes das isenções que con-
tinhnm aquellas Cartas, aliás contrarias aos usos e Or-
denanças antigas: t. 0 O D. !!!t Av. !4,Mai.176~. per-
Vi'sinlws. §. ! 9 • 91
4 A sua frequencia tem parecido antipoliti-
ca. (a)
ó Aos Francezes naturalisados por occasião
da guerra se permittiu poderem desnaturalisar-
sc, entregando as suas Cartas de naturalisação.
Av. H J,m. 1764.

Pt. III. Yisinllos.


§. 30. Qttem é visi,,,1,o.

.1. É visinho de alguma Cidade, Villa ou Jo-


gar, e goza dos privilegios e liberdades de visi-
mi ui u naturalisnrem-se todo&os nascidos em França ou
Castella, sendo domiciliados neste Reino, e requerendo
u Carta de naturalisac,;ão dentro de qunrenla dias: 3. 0
O D. 9.9 Mai. 1801. mandou passar Curln de naturalisa-
ção aos que n quizessem, sem pagarem direitos ou emo-
lumentos. A mesma remissão se havia concedido pelo
D. 9.Jul. 1774., inclusivamente as justiftcac,;õea de iden-
tidade de pessoas, que seriam gratuitas.
(a) Por occasião do Decrelo de naturalisação passa-
do ao Ahbnde F. de Saboia, reprt'Sentou o Dsb. do Pa-
ço, "que as acçl>esgloriosas feitas ha tantos seculos nes-
te Reino se de,·iam a haverem os Senhores Reis delle
tratado sempre seus V nssallos como filhos: e por quan-
to cm Reino tão pequeno não podiam haver bastantes
premias para gratificar tantos sP.rviços, probibíra n O.
11. t. óó. que os Estrangeiros fossem havidos por natu-
raes delle, afim de que os Beneficios, Commendas, e
bens da Coroa fossem incentivo e premio dos naturaes,
e na mesma conformidade probibíra a C. R. 9.6Jan. 1610.
e um Al. do mesmo anno consultar-se petições de Es-
trangeiros para serem havidos por naturaes: o que mais
logar tinha no tumpo presente em que o Reino estava
exbausto por tão vivas guerras."
Responde ElRei pela Res. !l Jun. Hi67. que, por
quanto das referidas mercê,.; resulta prejuizo á sua Co-
roa e serviço, fica advertido para assim se observar para
o futuro; devendo porém passur adiante o Decreto con-
7 *
91 Liv. ]. t. II. Naturaes, Eslrang.,
nho, aquelle que segundo o .Foral della o deve
ser. o. r. t. 56. §. 3. {a)
! Em falta de Foral é visinho : I o natural
desse logar ou do seu Termo. O. li. t. 56.pr. v.
Hei. P'II. §. 310. Rep. JP'. vb. privilegio de, p.
271. (b J: II o que tem naquelle Jogar Dignida-
de ou Officio publico que o sustente, morando
alli mesmo. O. cit. pr. dt. llcp. IP'. p. ~71.: III
o que nesse logar foi livre da escravidé'io, ou per-
filhado por algum morador delle, sendo a perfi-
)hação confirmada por EIRei. O. cit. pr. Hei.
P'II. §. 310. Rep. lY. cit. p. t7~. {e): IV aquel-
Je (ainda sendo Estrangeiro) que casou com mu-
lher desse Jogar, morando ou tendo ahi a maior
parte de seus bens, com tenção de permanecer.
O. §. 1.: sem esta tenção em nenhum tempo
adquire visinhança. cit. Rep. IP'. p. !!73. Este,
se regressar ao primeiro Jogar e viver nelle qua-
tro annos continuos, recobra a antiga visinhan-
ça. O. §.1. j. E se. v. cit. Rep.: V aque1le que
com a sua mulher e a maior parte da fazenda
se mudar para outro Jogar, não é visinho deste
senão depois de residir ahi quatro annos conti-
nuamente. O. §. t.
3 Da visinhança differe o domicilio para de-
mandar ou ser demandado, e deJle tratarei. li. l.

cedido ao dito Abbade por conveniencias que disso ba-


'Via. No Dsb. lv, õ. Cons. ft. 14!.
(a) O Foral da Cidade de Lisboa de 7 Ag. lf>OO.
declara quaes por Lei geral sejam os visinbos de algu-
ma Cidade, Villa, ou logar.
(b) Tudo o que esta Ord. di?. da Cidade e Villa, se
intende lambem do seu Termo. Rep. IV. p. !72.
(e) Esta disposição ampliam os DD. l.º ao infiel
que se converte á Fé; pois fica visinbo do logar onde se
baptizou. Rep. I/7. vb. privilegio de, p. 37!.: !.º ao en-
jeitado que o é ao Jogar onde foi exposto. Rep, cit. p. !73.
Yisinlws. §. 30. 93
tit. dos ausentes. v. Yaitel, 1. §. !US. Bei. Pll.
§. 308.
4 Aos Ciganos se nfio podem dar Cartas de
visi nhança . .A.l.7 Jan. 1606. eL. 13 Set. 1613.
§. 31. Eff eitos da visi11,/U1,nça.
A visinhança traz algumas isenções e privi-
legios ao visinho.
1 lsençóes. Sómente os visinhos acima defi-
nidos gozam da isenção dos direitos Reaes, de
que os visinhos forem isentos por Foral ou pri-
vilegio. O. cil. t. 56. §. !2. j. ull. ( a)
t - Quanto á isenção dos encargos e servi-
dões dos Concelhos, se guardarão as antigas usan-
ças delles, as quaes não silo derogadas pela pre-
sente Lei. O. §. 4.
3 Privikgios. As Cidades, Villas, e Concelhos
teem diversos privilegios e liberdades segundo as
diversas concessões e posses de cada uma. (b)
4 Estes privilegias principalmente respeitam
aos homens bons e da governauça. A relaçiio
delles se póde ver na C. ~9 Jan. 1600. relativa á
Villa de Guimarães; v. c., não serem mettidos
a torm~nto, nem presos senão em homenagem
como os Fidalgos ; serem isentos de servir na
guerra, e bem assim os seus caseiros, lavradores,
etc. e cm geral os priviJegios de que goza a Ci-

(a) Assim são isentos de portagem por privilegio ou


foral os visinhos das Cidades, V illns, e Jogares declara-
dos no Foral du Lisboa, trazendo cerlidão da Camarn
respectiva. cit. For. de 7 Ag. lbOO.
(b) Assim por exemplo as C:C. RR. 18 Feo. 1773.,
creando as Villas <le Alagôn e Alcoutim, declaram que
cllas gozarão ele toclos os pr'ivile.gios, liberdades, distinc-
çi1es, e precminenci.as de que gO'.;amas outra• f/illas destes
R<:inos, concorrendo com citas cm todos os aclos publico,,
94 Liv. 1. t. II. Naforaes, Estrang.,
dade de Lisboa, e de que antigamente gozavam
os lnfançõcs e Ricos-homens. (a)
ó Semelhantes exemplos se acham em outras
muitas Leis. (b)
6 Requisitos. Para o effectivo uso destes pri-
vilegios, em quanto não são confirmados, cum-
(e&) Qual seja o privilegio <losInfn11çü~sv. Cab. 11. de.
107. Delle gozam os Cidadãos de Lisboa por concessões
Regias. Pt.g. tom. 7. cí 0.1. l. 90. ~. t.glos. 4. sobn. ó.
(b) Retiro chrooologicameole as seguintes: os Cida-
dãos de Cocbim leem os mesmos privilegios que os da
Cidade do Porto. C. R. 19 Mar. 16!1!9.Dsb. lv. de 16!!9.
fl. \'243.
Foi indeferida a Carla da Camara da Cidade da
Bnhia em que pedia se concedesse nos Cidadãos delln o
privilegio de Infnnç~es. C. R. I. 11 Ag. 163!.
Á V illa de San tarem se con<:ederam os mesmos pri-
vilegios da Villa de Guimarãe,. 111.18 Mar.1641.
As Villas Notnueis leem esta denominação por mer-
cê Real de que pagavam os novos direitos do Regim.
11 Abr. 1661. §. 73.
Aos Cidadãos do Rio de Janeiro se concederam os
privilettios dos do Porto. Al 10 Fe1J,l64t. l'rou. R. 1"
Out. 1670.
Foram confirmados, sem embargo da opposição do
Procurador da Coroa, os privilegios da Villa de .l\felga-
c;o, entre 01 quaes é o de não se poder executar nem
prender os culpados, que vierem á feira que se faz na
dita Villa todos os mezes nos tres dias ddla. Res. Cons.
Dsb. !l?óJul. 1683. No Dsb. lu. 8. de Cons. fl. 330. j.
Em LM1oa algum J uizes do Crime e Civel, e mui-
tos Escrivães sem embargo de não serem nobres, gozam
dos privilegios de Cidadãos. i. Res. Cons. Dsb. 14 Dez.
1690. no Dsb. lv. 11. fl. !00. j. - As duas Cidades de
Lisboa Odental e Occidenlal se reuniram em uma s6 e
com um s6 Senado, abolida a divisão que fizéra o At.
H>Jan. 1717 ., assim como já estavam unidas por Bulia
Je 13 Der.. 1740. quanto ao regime ecclesiastico. AI.
31 Ag. 1741. -0;; Cidadãos de Li~boa não podem ser
presos senão em homenagem, nem mcllidos a tormento,
ele. ,,..Jt.3 Mai. 17áO., ele.
Yisi11,/,os.§. 31. 9;,
pre: I que hajam sido concedidos por EIRei :
II que as Villas estejam em posse delles : III
que não sejam contrarios ao bem commum ou
R. serviço. (a)
7 Tambcm os visinhos leem o direito de pas-
to mutuo e pastos communs nos termos declara-
dos ,io lv. II. do dominio.
C01znexáo.

A II classe de pessoas ( qualidade ou condi-


ção) comprehende os homens livres ou escravos,
nobres, plebeus, e dá materia aos dous Titulos
seguintes.
TITULO iII.

DOS LIVRES OU ESCRAVOS, E CAPTIVOS.

P t. I. Livres ou Escravos.
§. S!. Favor da liberdade.
1 Todo o homem se presume livre: a quem
requer contra a liberdade incumbe a necessida-
(a) Havendo os Procuradores de algumas Cidades e
Villus feito petição em Côrtes para se contirmarem as
graças e privilegias a ellas outorgados, permittiu a Pror,,
R. 8 Mar. 1641. que continuassem n. usar e gozar das
Cartas de privilegias, que pelos Seohorf's H.cis seus An-
tecessores lhes houvessem sido concedidos e de que es,
tivessem de posse até se publicar o despacho das Conlir-
mnçõcs Gemes; e que nesta conformidade se lhes passas-
sem pelo Dsb. do Paço Alrnrás para subirem á H. As-
signatura: de,•endo porém o Tribunal, constando-lhe
serem alguns contrarias ao bem commum ou ao B.. scr-
,·iço, consultar primeiro n EIRei. Neste theor se passou
a favor da Villa de San tarem o AI. 18 Mnr. 1641. Arch.
,.
'96 Liv. I. l. 1/I. Escravos
de de provar. i.l.6Jun.17ôô. §.13.l.4.fl'.just.
etj,er.
1 Àcçáo liberal. Quando se questiona se al-
guem é livre ou escravo (liberalis causa, Jt,di-
cium liberale), esta acção ou excepção goza de
muitos privilegios concedidos em favor da liber-
dade. Hei. Yl. §. H>4. 166. v. Bent/1,.II. pt. 3.
cap.1. late Peg. ó. For. cap. 107. (a)
S - A favor do pretendido escravo não só
póde requerer elle mesmo, mas qualquer pessoa
(assertor), aindarepugnandoelle. Hei.§. lóó. sg.
4 - A causa da liberdade não admitte esti-
mação, por ser ella de valor inestimavel. .A.l. 16
Jan. 17:>9. l. 107.ff. reg.Jttr. Cab. I. ar. 76.
-O que não procede quando se t.rata do
prejuizo do valor do escravo . .A.l. 16 Jan. l 7f>9.
ó -Esta questão é prejudicial, se se deve
decidir primei10, com todas as que versam sobre
o estado de alguem. Hei. IY. §. 164. sg.
§. 33. Escravidão e seus effeitos. Direitos
do Senhor.
1 <J.ueméeseravo.Éescravodealguem aquel-
le que nasceu de escrava sua, segundo o axioma
o parto segue o ventre. Hei. 1. §. 136. 139.
!.2 -Se a mãi era livre no tempo da concci-
ção, no do parto, ou em qualquer momento in-

B, Suppl. ~ Cort. mac. :J, n. 3. fl. 4. v. lv. 11. t. das


Merd1.
(a) O LI". 3 Nou. 1783. declarou que as pretas que
se achavam presas em cadeia publica, em quanto se li-
tigava sobre sua liberdade, fossem por esta ser mui fa-
,·ora vel transferidas para deposilos parliculnres, onde seus
contendores as sustentassem durante o litigio. Na Suppl,
lv. 19. fl. 146, f.
e Captivos. §. 33. .97
termedio, isso basta para o filho ser livre e in-
genuo. Hei. 1. §. 140.
3 -Tambem se caía naescravidlo pelo cap-
tiveiro; pela condemnação a pena capital "· in-
.fra §. 37. 38.; e pelos outros modos estatuidos no
D. R. Hei. I. §. J 36. á Inst. §. 81. sg., os quaes
são desconhecidos na Europa moderna.
4 Effeitos. Os escravos, segundo D. R., não
são pessoas, mas cousas, e se reputam mortos.
Hei. l.p. §. 133. -São incapazes de todos osac-
tos relativos ao Direito publico e particular. Hei.
I3ó. Peg. 6. For. cap. 109. ex n. 31.: como, de
servir qualquer Officio publico, menos o de Ho-
mens da tJara; exclusão commum aos escravos,
pretos, e captivos. D. IODes. 1693. (a); de ser
tutor, indaque fosse nomeado em test.amento. O.
JY. t.I0\2. §. l. Rep. I. tJb.escrat1anáo,p. H.; de
ser testemunha, salvo nos casos exceptuados em
Direito. O. III. t. 66. §. s. Rep. JY.p. 8!!0. tJb.
testemiml,a náo; ou se era tido por livre. O. IY.
t. 86.pr. "·O.Ili. t. ó6. §. :J.
r, Outras prokibiçóes. Além disso as nossas
Leis prohibiram aos escravos com penas viver
em casa separada, mesmo com licença do Senhor
O. Y. t. 70. pr.: fazer ajuntamentos, bailes e
tangeres com outros §. 1 . : andar nas ruas de
Lisboa depois de noute cerrada t. 79. §. 1.: tra-
zer espada ou páo feitiço, não indo com seu Se-
nhor t. 80. §. 7.: jogar dados ou cartas t. 67. §. 11.
6 Aos negros, mulatos ou lndios, ainda for-
ros, e a outros semelhantes, se prohibiu apren-
der o officio de ourives do ouro, e usar delle, sob
pena de 60 cruzados, em que tambem incorre
quem para isso cooperar. Al. 1. !20 Out. l 6!21 .

{a) Dispensou-se com um preto para ler e ser Advo-


gado na Supplicac;ão. D. \28 Jan. 1696. ·
98 Liv. 1. t. 111. Rscravos

Direitos do Senltor.

7 O Senhor tem sobre seu escravo a juris-


dicção e imperio domestico (fus vitre et necis).
Hei. I. §. 13.
8 Castigá-lo. Póde castigá-Jo moderadamen-
te, não maltratá-lo, e é responsavel pe]o castigo
excessivo. O. V. t. 36. §. 1. Rep. ]. p. 390. O
que o mesmo D. R. novo assim dispozéra. Hei.
cit. §. 134.
- Maltratando-o, ou querendo vendê-lo por
vingança nos termos da Prov. Q!) Nov. 1779.,
póde ser comprado pe]a Irmandade de S. Be-
nedicto.
9 - Sendo o escravo preso por mandado do
Senhor, ou por caso leve, não deve ser posto em
ferros, nem com mais aperto do que baste para
sua segurança. D. 30 De:r. 1693. Al. 3 Out. 1658.
1o Vendê-lo. O Senhor póde vender o escra-
vo. Hei. lnst. §. 77.: sendo Mouro captivo, póde
ser constrangido a vendê-lo pelo justo preço, pa-
ra ser trocado por Christão que esteja captivo.
O. }V. t. II.§. 4.: Ord. que se não deve esten-
der a outros casos. Rep.111. vb. Mourocaptivo.
11 Adq1eirir. O escravo regularmente adqui-
re para si mesmo. Hei. VI. §. ~9. e I. §. 138. á
Inst. §.851. Por D. R. velho tudo adquiria para
o Senhor. cit. §. 134., e podia estipular a bene-
ficio delle. Hei. Vil.§. tf>. sg.
U -Sendo instituído herdeiro pelo Senhor,
é seu herdeiro necessariamente. Hei. Y. §. 88.
sg., e fica livre; sendo instituido por outrem,
adquire a herança para o Senhor. Hei. P. §. 37.
á lnst. §. ,1,10.
1 :J Fugir. It punido o escravo que foge ao
e Captivos. §. 33. 99
Senhor, e qualquer pessoa que lhe der ajuda para
fugir. O. Y.t. 63. (a)
14 - O escravo fugitivo em nenhum tempo
se prescreve. Cah. l. de. 196. n. 4.
ló Baptismo. O Senhor deve fazer baplizar
o escravo de Guiné, sob pena de o perder, e os
filhos das escravas. O. r. t. 99. pr. e§. t. Prohi-
be-se baptizar os prelos contra sua vontade. C.
R. l Dez. 1698.

§. 34. Alf01-ria, e sem direitos.


1 Especies de alforria. O escravo con~egue
a liberdade ( alforria, manumissio) por benefi-
cio da Lei ou do Senhor. v. Hei.]. §. 140. YI.
§. 136. a 163. á lnst. §. 93. sg.
!2 -O escravo forro se chama li1,ertino, e a
respeito do que foi Senhor liberto: o Senhor que
o manumittiu Padroeiro (Palronus). Hei. cil. §.
14,0. 136.
3 - A alforria por beneficio da Lei se veri-
fica ipsojure nos casos por ella previstos, os quaes
refere Hei. ]. §. 147. sg. Assim ficam lambem
forros: .1 os que professam em Religião. ,,. §. 76.
n. ó. li. l.: II os pretos e escravos resgatados
com o dinheiro da Redempção dos captivos;
exemplos nas Prov. RR. 18 Mar. 1676. e !lH>Jan.
17!1. na Cons. lv. !!. deProv.fl. 6ó.j.: Ili os
que manifestam diamante de 14 quilates, e en-
tão se dão '!ZOO$ ou 400 $ réis de indemnisação
aos seus Senhores. L. !4 Dez. 1734.
4 - O Senhor r.óde conceder a liberdade por
(a) Sobre a e§Limação do damno que devia pagar ao
Senhor nquulle que lhe corrompia o escra~o, receptan-
do-o ou induzindo-o para fugir, ou para qualquer cou-
sa má v. ff. tit, de servo corrupto. Hei. li. §. t.18.
sg. !2b4. li{!.
100 Liv. 1. t. III. Escravos
testamento, fi<leicommisso, ou por outros modos
legaes. v. Hei. VI.§. 138. sg. ua. sg.
ó Direito do Pad,·oeiro. O Senhor que d,í
liberdade ao escravo, fica havido como em Jogar
de pai, ou ao menos de agnado a respeito .do li-
berto, e goza sobre elle de alguns direitos, que
da parte do mesmo são obsequios e serviços de-
vidos ao seu patrono. v. Hei. PI. §. 39. sg. õt.
63. IY. §. 306. Rep. I. p. uo. vb. alforria. -En-
tre estes direitos é: I o do beneficio da compe-
tencia. Hei. Yl. §. 144.: II o de succeder-lhe
(ou seus filhos) em seus bens, se o liberto mor-
ria abtºntestato sem herdeiros seus, e ainda quan-
do fazia testamento. Hei. l. §. 49. sg.1/7. §. 306.;
e de poder revogar a alienação fraudulosa que
elle fizesse dos bens ( actio Faviana, Calvitlana).
§. 66. 66. Isto porém caíu em desuso.§. ól. 64. sg.
6 - O Padroeiro póde revogar a alforria por
ingratidão do liberto. O. 117.t. 63. §. 7. Hei. Yl.
§. lô6. Rep. l.p. UO. vb. alforria.
7 Ejfe#os. Os libertinos ou libertos são ha-
vidos por livres. Bei. l. §. 136. sg. á lnst. §. 93.
sg. -Elles podem ser elevados á condição de in-
genuos por graça do Soberano (restifotio nata-
lium), ficando mesmo extinctos os direitos do
Padroeiro. Hei. Yl. §. lM>..
§. 36. Extincçáo da escravidão.
. 1 Causas. A escravidão, objecto de tantos
titulos do D. R., e apoiada por tantos Legisla-
dores da antiguidade, é comtudo opposta á dig-
nidade da natureza humana; induz ao Estado
indecencia, confusão e odios entre os Cidadãos,
e inutilisa os daquella infeliz condição para os
empregos publicos e para prestar outros serviços
ao Estado. Al. 16 Jan. 1773. (a)
(a) Já o Al. 1 Abr. 1680. reconhccêra que são mais
e Captivos. §. 35. 101

I Dos lndios elo Brasil.


~ Em consequencia destes princi pios se pro-
mulgaram primeiro muitas Leis em favor da li-
berdade dos lndios do BrasiJ. v. LL. ~o Mar.
1570. 11 Nov. ló9ó. ó Jim. 160ó. 30 Jul. 1609.
10 Set. 1611. 9 Abr. 16óó. 1 Abr. I 680. Al. 14
Out. 17ó 1.
3 As LL. 6 e 7 Jun.17 l'>I'>.prohibiram captivar
os lndios do Maranhão, e deram outras provi-
dencias para firmar a sua liberdade. Estas pro-
videncias foram estendidas a todo o Brasil pelo
Al. 8 Mai. 17ó8. (a)
II Em Portugal.
4 Estas Leis serviram a preparar à grande
obra da extinc'<ão da escravidão em Portugal,
onde a liberdade se firmou pelas seguintes Leis,
dignas ela humanidade do nosso seculo :
ó I Toda a pessoa nascida em Portugal nas-
ce livre, posto que sua rnãi ou avó seja escrava;
e como tal fica habil para as honras e Officios,
sem a nota de liberto. Al. 16 Jan. 1773.
6 II Prohibiu-se carregar no Ultramar pre-
tos, pardos ou mulatos, para os descarregar em
fortes as razões que ha pela liberdade, que pela escra-
vidão. Sobre os inconvenientes e desvantagens do estado
de escra\'os v. Benlh, Jl. pt. 3. cap. ~.
(a) Por .Avv. t7 Out. e 6 Ag. 17ó9. se remetteu á
Casa da Supplicação, para ahi se guardar em cofre, a
Collecção e seu Supplemento dos Breves Pontificios,
Leis, Instrucções e mais papeis, relativos á execução do
Bre\'e de !20 Dev.. 1741. e das Leis consequentemente
promulgadas em 6 e 7 Jun. 17óó., tendentes a restituir
os Indios do Brasil á sua natural liberdade, de que diz
os ha,·iam privado as violencias dos Jesuítas.
10! Liv. I. t. 111. Escravos
Portugal : aquelles que chegarem a este Reino
ficam ipsofacto libertos e forros, sem dependen-
cia de outra alguma diligencia, mais que certi-
dão <los Officiaes da Alfandega do Jogar onde
· aportarem, a qual cJles lhes darão logo, sob pe-
na de suspensão. Quem comprar, vender, oure-
tiver em seu serviço violentamente algum dos
sobreditos, incorre nas penas dos que fazem car-
cere privado, e dos que sujeitam homem livre ao
captiveiro. L. 19 &t. 1761. .Av. 7 Jan. 1767. (a)
7 - E para que os escravos do Ultra~ar não
desertem para Portugal em busca da liberdade,
devem os pretos livres, que vierem, trazer Car-
tas de Guias das respectivas Camaras dos Joga-
res donde saírem, aliás serão recambiados á cus-
ta de quem os trouxer em sua companhia ou em-
barcação. L. 19 Set. 1761.

III Em todo o UUramar.


8 Em conformidade com a civilisação e hu-
manidade do presente seculo, se promove por
Leis e Tratados a progressiva extincção da es-
cravidão mesmo nos Dominios Ultramarinos. Pro-
hibiu-se portanto o commercio de escravos em
todos os portos da Costa d' Africa ao norte do
Equador, e em alguns ao Sul desta linha pela

(a I Esta Lei 1.0 não comprehende os escravos pretos


ou pardos que ~iercm em scrvi,;o de na\'ios commercian-
tes, sendo matriculados nas listas das equipngcns dcllcs,
e ,·oltando para o Ultramar. Al. 10 Mar. 1800. v. Avr,.
~! Fer,, 1776 7 Jan. 1788. !. 0 não comprehende a con-
duc,;ão dos escravos de umas para outras partes do Ul-
tramar. Os de Cabo negro na Costa d' Africa s6men te
se exportam para o Brasil. Al. 18 Ag. 1807. A con<luc-
~ão delles para o Hio ele Janeiro foi regulada no Al.
!! Jan. 1810.
e Captivos. §. :37. 106
quer que sejam, pois esta Ord. fallou exempJifi...
cativamente. Rep.1/7. vb. servo,p. 669. "· w.li.
t. dos testadores.
3 Sobre as questões, se podem nomear pra-
zo? se podem dispôr de bens estantes fóra do
Reino. v. cit. Rep. l.p. 671.
4 Estas prohibições de testar, etc. intende
Cald. nomin. qt. 6, n. !'21. sómente do condemna-
<lo que está preso, não do que anda ausente, ou
que se domiciliou em outro Reino. v. cit. Rep.
J. p. 671. O contrario Farinac. ql. IOi. i11s.!.
ampl. 4. (a)
ó Os filhos (niio as filhas) dos condemnados
por lesa Magestade, não podem adquirir bens
alguns, com as declarações da O. Y. t. 6. §. 13.
14. v. 11. t. do clominz'o
.
.Appendice sobre a pena de morte.
6 A pena de morte deve ser em pregada pelo
Legislador e pelo Juiz com grandissima mode-
ração, e esta é a voz da natureza. Filang. IY.
cap. !9. sg. DD. em Mell. Crim. t. l. §. 16. nol.
7 O deshumano desperdicio que a Ord. fez
do uso desta pena, convida a publicar aqui em
resumo os seguintes Decretos ineditos que mi-
tigaram aquelle rigor:
8 Attendendo S. A. R. a acharem•se e esta-
rem entrando nas Cadeias muitos réos de pena
ultima e de outras, que sem otfensa da justiça
se podem commutar com vantagem da socie-
dade em trabalhos publicos perpetuos ou tempo-

(a) Com tudo ,,, Mell. II. t. 1. §. 11. e not., onde en-
sina que os condemnados á morte, não se fazem hoje
escravos da pena; ficção que me.;mo as Leis Romanas
posteriores haviam abolido.
PART. 1. 8
104 Liv. 1. t. 111. Escravos
4 - O que se não intende dos que a isso se
obrigaram por contracto seu, ou daquelles cujos
herdeiros forem ; pois podem ser constrangidos
a cumprir o contracto. cit. O. t. 41. j. ult. v.
cit. Yal.
b Semelhan temen le : II todo o homem livrc
póde viver com quem quizer. O. 1'17.t. !8.; e
quem constranger alguem a viver comsigo ou
com outrem, é punido segundo as circw11stan-
cias. cit. t. ~8. j. ult. v. Silv. Me.
6 - Exceptuam-se: I os que por Justiça são
dados por soldada, conforme a Lei. O. cit. t. 18.:
II os escravos. cit. t. i8. iúi homem livre: III os
criados, aprendizes, marinheiros, etc. que se
ajustaram com os amos, e mestres, etc. v. l. IJL
t. dos criados, etc.

§. 37. Escravidáo dos condemnados á morte.


l Os réos condemnados á morte ficam escra-
vos da pena, e como taes privados de todos os
actos de Direito Civil. ll. no Rep. JY. p. 669. vb.
servo. i. O. JY. t. 81. §. 6. Bep.111. p. 779. vb.
mdlo he : como, de receber herança, assim ab
inlestato, como ex testamento. Hei. Yl. §. G. ; e
da faculdade de fazer testamento. O. cit. §. 6. e
t. 8~.L§. !. Rep. l. vb. condemnadoám<Yrle,p. 671.
l>7!2. Hei. ri.§. 6.; e tanto que, se o houverem
antes feito, elle se invali da e rompe pela con-
demnação. O. cit. §. 6. cit. Bep. p. l>71.
1 - Comtudo em o nosso Reino se lhes per-
mitte por piedade poder dispôr da terça de seus
bens para obras pias. O. cit. §. 6. cit. Rep. quaes-

ou trunsversaes daquelles que os tinham tomado, por


. serem havidos como adscripticios a esses casaes, posto
que não fossem seus herdeiros.
e Captivos. §. :n. 106
quer que sejam, pois esta Ord. füllou exempJifi.
cativamente. Rep.1Y. vb. servo,p. 669. tJ. w.11.
t. dos testadores.
a Sobre as questões, se podem nomear pra-
zo? se podem dispôr de bens estantes fóra do
Reino. 11. cit. Rep. 1.p. ó71.
4 Estas prohibições de testar, etc. intende
Cald. nomin. qt. ó, n. tl. sómente do condemna-
do que está preso, não do que anda ausente, ou
que se domiciliou em outro Reino. v. cit. Rep.
1. p. 671. O contrario Farinac. ql. 10\l>..ins. !.
ampl. 4. (a)
ó Os filhos (não as filhas) dos condemnados
por lesa Magestade, não podem adquirir bens
alguns, com as declarações da O. Y. t. 6. §. 13.
14. v. 11. t. do clomini"o
.
.Appenclice sobre a pena de morte.
6 A pena de morte deve ser empregada pelo
Legislador e pelo Juiz com grandissima mode-
ração, e esta é a voz da natureza. Filang. 1Y.
cap. !29. sg. DD. emMell. Crim. t. 1. §. ló. not.
7 O dcshumano desperdicio que a Ord. fez
do uso desta pena, convida a publicar aqui em
resumo os seguintes Decretos ineditos que mi-
tigaram aquelle rigor:
8 Attendendo S. A. R. a acharem•se e esta-
rem entrando nas Cadeias muitos réos de pena
ultima e de outras, que sem offensa da justiça
se podem commutar com vantagem da socie-
dade em trabalhos publicos perpetuos ou tempo-

(a) Comtudo v. Mell. II. t. 1. §. li. enot., onde en-


sina que os condemnados á morte, não se fazem hoje
escravos da pena; ficção que me5mo as Leis Romanas
posteriores haviam abolido.
PART. 1. 8
106 Liv. ]. t. 111. Escravos
rarios, autorisou a Supplicação para fazer esta
commutação, exceptuados os réos de crimes enor-
rnissimos. D. U Dez. 1801. e 8 Jun. 180~. Na
SuppUc. lv. 9.tJ..fl. 111. j. !14. jr.
9 Havendo-se proposto a S. A. R. a com-
mutação das penas de muito~ réos que se acha-
vam incursos na de morte, permittiu (com a cle-
mencia que ,!em immortalisado o reinado do Se-
nhor D. JOAO VI.) que a Relação as podesse
commutar em outras, mais ou menos asperas se-
gundo a gravidade dos crimes e o tempo de pri-
são: não se intendendo porém isto com os réos
de crimes atrocíssimos. Áv. 19 Dez. 1809. na
Supplic. lv. 13. fl. 181">.jr.
10 - A mesma permissão se lê no D. 14
Jan. 1799. na S'llppli'c. lv. H.fl. 16. j.; D. i
Mar. 1801. C. B. 16 Jún. dito, quanto á Bahia
ibid. D. H Dez. 1801. fl. 67. t. D. 8 Noo. ibi. fl.
84. D. li Jan. 180\!. D. 17 Out. 1803.ibi.fl. i79.
D. 10 Out. 1804. D. 11 Jan. 1806. 7 Jan. 1807.
11 -Em al~uns destes Diplomas está a com-
mutação determmada em penas certas, como ga-
lés, degredos perpetuos ou temporarios.
1t Por crimes enormissimos ou atrozes para
este effeito se intendem os roubos nas ruas do
Lisboa e seus suburbios, e nas estradas do Rei-
no; mortes e furtos feitos em casas com vio]en-
cia, e quaesquer outros crimes revestidos de cir-
cumstancias aggravantes. D. 11 Jan. 180!'!.
13 Semelhantemente por muitos Decretos da-
dos em determinadas causas de crimes de pena
capita], se permittiu aos Juízes condemnar em
pena extraordinaria, por não haver prova bas-
tante para a ordinaria. D. 13 Ag. 177!. na Sup-
pUc. lv. 18. fl. u. D. t8 Fev. 1775. fl. 84. D. 7
Jan. 177ó.fl. 81. D. 9 Mai. 1778.fl. 179 .. ,~. D. 19
Jitl. 1777.fl. ló~. y. etc.
e Captivos. §. 38. 107
14 A praxe dos embargos e do recurso im-
mediat.o á R. Pessoa que formam os condemno.•
dos á morte, foi regulada no D. 6 Jul. 176!. ,ia
Supplic. lv. 14. fl. 164., e estendida á Relaçffo
do Porto pelo Av. !l Jul. noDsb. lv. 4. deDecr.
fl. 56.
P t. II. Dos CaptitJos.
§. 38. Os captivos e Refe,zs são livres.

1 Os prisioneiros de guerra ou caplivos, sem


excepção dos Turcos ou Sarracenos, e bem assim
as pessoas que se dão ou tomam em refens, não
cáiem hoje na escravidão; são porém detidos no
capliveiro até serem entregues, trocados, ou re-
midos. Hei. 1. §. 139. Mell.11. t. 1. §. 6. 7. Yaltel,
111. cap. 8. §. lML !17. sg. (a)
!ll Os refens não são escravos ; mas ficam co-
mo penhor em poder do Soberano a quem se de-
ram, até se cumprir o que se prometteu. Yatlel,
11. §. !46. sg.
3 Por D. R. e costume geral das Nações
( Jus Gentium) uns e outros se tornavam escra-
vos, e portanto eram reputados mortos, e per-
(a) A O. IY. t.t4.pr., oAt. :mJul. lf,00, e a L. l~
.Abr. 1680 , consideram o captiveiro contrario a D. Na-
tural, e s6 cm alguns casos admissivel. A L. 9 Abr.
16áá. reprova os injustos captiveiros dos lndios do Bra-
sil, excepto em quatro casos; e geralmente em todos o
Al. 6 Jan. 1691. A cit. L. 1 Alw. 1680. reputa mnis po-
derosas as raz~es que ba para prohibir o captlveiro em
todos os casos, que as que ha para os ndmittir em al-
guns. O Al. 16 Jan. 1773. declara que o captiveiro, quan-
do fosse permittido, não poderia estender-se além dos
netos. São notorias e recentes a5 contendas de Inglater-
ra com Argel por esta Regencia reduzir a escravidão os
prisioneiros Christãos contra n convenc;ão feita por Lord
Exmouth.
8•
108 Liv. 1. t. Ili. Escravos
diam todos os direitos. Hei. I. §. 136. YII. §. ~93.
!294. á lnsl. §. 81. sg. (a)
4 - O que não procedia com os aprisiona-
dos em guerra civil, ou pelos ladrões. Hei. cit.
§. 193. not.
6 Portanto sem dependencia das ficções da
Lei Cornelia e do direito do postliminio vale ho-
je o testamento dos captivos ou prisioneiros de
guerra, ou fosse feito antes 011 depois do capti-
veiro ; quer elle morresse na patria, quer em po-
der do mimigo, quer se houvesse evadido para
um paiz neutral. Em todos os casos se lhes con-
serva illeso o direito de dispôr de seus bens, o
poder paterno, o vinculo do matrimonio, etc.
Yattel, 111. cap.14. §. 117. sg. Coccei.a Grac. lv.
3. deiur. bell. cap. 9: §. I. Covarr. cil. cap. Pec-
Catum. MeU. l. t. 11. §. 9. {b)
6 - Igualmente subsistem as suas obrigações
e contractos, e sómente se suspende o seu cum-

(a) Este rigor porém se mitigou: 1.0 pelo beneficio da


Lei Cornelia que fingia morrer na patria aquelle que
morrêra no captiveiro. 1/ei. cit. ~. 294,.; e portanto o
testamento, contracto, etc. que havin feito na patria,
"Valiaposto que elle morresse nocaptiveiro. ~. y9:,.: t. 0
pelo direito do poatliminio, que no caso de ocaptivo re-
gressar á patria ou a al~uma Nagão alliada fingia que
nunca fôra captivo. cit. ~. !1!94..!96.; e portanto recobra-
va todos os direitos como se nunca houvéra sido capti•
vo. ~- !97. v. Yattel, lll. cp. 14.
(b) Por D. R. o testamento do captivo é nullo, sal-
vo quando p6de sustentar-se pelo beneficio da Lei Cor-
nelia ou do postliminio. Hei. Y. §. 9. A Ord. suppõe
ainda este direito, pois considera escravos aoscaptivos.O.
IY. t. 88. §.16. ibi -ef8r posto em liberdade, sem o que
não p6de testar: f. Só. pt'. ibi- o e1crat10••• mas aedepois
ae achasse ser capfü,o: e e.83. ~- 4i. lhe probibe testar ibi
- nem outro• semelhantes. - As pessoas dadas em refe ns
s6 por esperial graça podiam testar. Hei. Y.§.10.
e Captivos. §. 38. 109
primento durante o aprisionamento, bem como
se suspende o exercicio de seus direitos. cit. Y at-
tel, §. !I. sg.
7 Os bens do captivo que não deixou pai sob
cujo poder estivesse, nem mulher, são postos na
administração de Curador sob cuidado do Juiz
dos Orphãos, como se pratíca com os ausentes.
O. I. t. 90. pr. "· /1,.l. t. dns ausentes.

RESGATE DOS CAPTIVOS.


§. 39. Favor e inconveniente do resgate.
1 A redempção dos captivos se considerou
como a obra mais pia e meritoria, e nella se em-
penharam exemplarissimamente os Senhores Reis
de Portugal. .A.l. 16 Mar. 16!27. Ordenou-se por-
tanto aos Tribunaes e Magistrados que favore-
çam as cousas da rcdempção dos captivos; lhes
deem todo o justo auxilio ; e guardem inteira•
m~nte os seus privilegios e Provisões. C. R. I.
lOMar. 16rt7. Regim. 11 Mai. H>60. cap. 39. 40.;
e encommendou-se aos Prégadores e Parochos
as promovessem, especialmente as suas esmolas.
cit. Regim. e. 14. 39. 40.
g Inconvenientes. Com tudo, havendo mostra-
do a experiencia que crescia o numero dos cap-
tivos com a facilidade do resgate e augmento do
seu preço, pois os Mouros e Turcos faziam disso
materia de commercio; e os Christãos se lhes
entregavam talvez com menos resistencia pela
facilidade com que esperavam ser resgatados: I
encommendou a C. R. 11. 14 Ag. 1614. aos Reli-
giosos da SS. Trindade e aos da Mercê (unicos
que se occupam na Rcdempção) que se commu-
nicassem reciprocamente sobre os preços dores-
gate, afim que este se fizesse pelo menor preço
110 Liv. J. t. 111. Escravos
possivel; e mandou a C. R. 'l8 .Tt,l. 1618. que se
consultasse sobre a moderação que convém ha-
ver em materia de resgates, para se evitarem
aquelles inconvenientes. Consc. lv. f>. de CC. RR.
jl,. 1!27. "· Mell.11. t. l. §. 8. enol. Yattel, IIJ. §.
163.: II reconheceu a L. 4 De~. 177ó.pr. que
as Graças e Mercês que se concederam aos cap-
ti vos, especialmente no cit. Hegimento do Se-
nhor D. Sebastião, chegaram a um ponto exces-
sivo, prejudicial á causa publica, que é a supre-
ma Lei.

§. 4,0. Dos Resgates geraes e particulares.


1 Geraes. Sómente são permittidos os resga-
tes geraes, que fazem os Religiosos da SS. Trin-
dade com Escrivão e Thesoureiro nomeados por
ElRei, conforme o contracto que por Ordem do
Senhor D. Sebastião se fez com os ditos Reli-
giosos, confirmado por S. Santidade. Provv. R.R.
8 Jul. 1673. !ló Ag. 160!2. 9 Jim. l63f>. 8 Jul.
1668. {a)
~ Sua f órma. O resgate geral se faz na fór-
ma do Regimento que serve de instrucções aos
ditos Religiosos Redemptores, e ao seu &crivno
e Tbesonreiro, e se renova nas occasiões deres-
gate. Este se publíca antecipadamente por edi-
taes para os devotos concorrerem com esmolas, ao

(o) Esta Proo. 163l>. corre erradamente com o nnno


de 1618., e tambem com o de 16!20.; porém como o de
163;,. está na Cons. Rgt. de Prov. Jl. 49. O Al. )3 Jul.
1614. ideotico ao de 6 Jul. 1607. excilou a Proo. R. 8
e
Jul. 1:,73., mandou que as pessoas que se intromettem
em resgates, ou recebem dinheiro para elles, ou tendo-o
recebido o não entrP.garem logo no Cofre geral da Re-
<lempção, paguem óOOcruzados para caplivos e accusa-
<lor, além das penas da cit. Prou.
e Captivos. §. 40. ll l
que são convidados com indulgencias. Os Reli-
giosos instruidos com os documentos convenien-
tes partem para o logar de seu destino em Africa;
publicam alli o resgate, e o fazem, ajustando-se
com os Mouros pelos preços convenientes, que
logo lhes pagam; preferindo entre os captivos
os meninos e mulheres, etc.; e de tudo dão con-
ta á Mesa da Consciencia, que d2' as providen-
cias opportunas. "· llegim. 8 Fev. 1601. CC. RR.
100ut. I603. eaM-ai.1607. cil. Prov. R.9Jun.
16a5. llegim. 4Jun. I71B. naConsc. lv.baiot.fl.
!2. dó resgate que se ltavia defazer em Mequiriez.
llegim. Geral de f>Jun. 1716. fl. 30., e de 3 Set.
1718. fl. â7. e Edil. 1716.fl. 91. Trai. 6 Jul.
1810.
3 · Particulares. Ninguem póde pois intromet-
ter-se a resgatar captivos nestes Reinos ou nas
terras dos Mouros ou Turcos, salvo com licença
d'ElRei, que a concede por causa urgente; e
então se procede nestes resgates particulares na
fórma da Prov. 13 Jul. 1614. cil. Proo. 8 Jt,l.
1573. cit. Prov. 1636. Esta prohibição insta es-
pecialmente quando ha todos os annos os resga-
tes geraes. Regim. 8 Fev. l 60i. pr. cap. 3.
4 Deve porém qualquer pessoa resgatar ao
seu ascendente captivo ; e sendo nisso negligen-
te, se este fallecer no capliveiro, fica excluido
da sua herança: e se o captivo chegar a obter
liberdade, o póde desherdar. O. JY. t. 88. §. 16.
junl. §. 18. et 89. §. 6.i11,nt.§. 8. Rep. 1. t1b.cap-
tivo, p. 391.
- O filho maior de dezouto annos póde con-
tractar, e mesmo alienar os bens do pai captivo
para o resgate, segundo a opinião no Rep. II. p.
f>H. Guerr. Pinli. ibi, etc. 111. 687. vb. negli-
gente.
f> O captivo resgatado por pessoa particular,
11! Liv. I. t. IIl. Escravos
deve pagar-lhe o preço do resgate ( tvtros) : e
sem isso não gozava do postliminio. Hei. YII. §.
196. Mell. I. t. 11. §. 10.
6 AqueJle que resgatou o captivo tem hypo-
theca em seus bens, e prefere aos outros credo-
res pelo dinheiro do resgate. Hei. YI. §. t63.
lY. §. to.
7 O Dsb. do Paço concede Provisão aos cap-
tivos de Mouros que saíram do captiveiro sem
licença, para poderem levar a esmola que se dá
aos captivos . .Al. tJ.4Jul.1713. §. 3i.
§. 41. Bens applicados ao resgate.
1 Sendo pois o resgate obra tão pia, se lhe
applicaram os bens seguintes:
1 I .As esmolm que se lançam nos cepos ou
arcas publicas das Igrejas, Ermidas, Romagens,
etc. L. 4Dez. 1776. §. 4. 9. 10. cit. Regim. 1660.
cap. r,.; ao que devem os Prelados e Parochos
exhortar aos Fieis no primeiro Domingo de cada
mez. cit. L. §. ó. Regim. cap. 39. (a)
3 II Os rosiduos, 'legadosou encargos de Ca-

(a) Entre as esmolas pertencenles aos captivos t.am-


bem se conta, 1.0 o dinheiro das Cartas dos Confrades,
que pagam dez réis nnoualniente Rcgim. cap. H., e o
das Cartas das indulgencias cap. IS., que arrecadam os
Mamposteiros-móres; t. 0 as esmolas eordinarias que os
Rendeiros das rendas da Cidade do Porto desde tempo
immemorial costumam dar para obras pias, quando se
lhes rematam as ditas rendas. Proo. 18 Jan. 16W. Al.
16 Mar. 16\17.; 3. 0 as ajudas com que na occasião dos
resgates geraes costumam <'Oncorreros Prelados, Miseri-
cordias, e Camarns; para o que se lhes escreve pelo Go-
"Vernoe dão conta de suas olTertas pela Mesa da Cons-
ciencia. C. R. 8 Ag. 164!.
Além disto se faziam peditorio!; para o resgate nas
Igrejas, Homagens, eiras, ele. dosquacs v. §. 43. n. t. sg.
e Captivos. §. 41. 113
pellas, que se deverem cumprir. cit. L. 1774. §.
~-O. I. t. 6!. §. 126.
4 III .As heranças náo addidas e os bens que
vagarem por falta de successão. cit. L. 177 4. §. 7.
-pois pertencem á Coroa. O. II. t.16. §.
17. JY.t. 94. nofim; eforam pelos Senhores Reis
dados aos captivos. O. I. t. 90. §. 1. (a)
ó IV .As penas que pela O. Y. I. 136. e por
outras Leis se lhes mandam applicar. cit. L.
1774. §. 8 . .Al. 26 .Ag. 1801. (b)
6 - Pertence-lhe pois : I a parte das penas
e dos intestados que as Leis applicam á Arca da
Piedade e á R. Camara, indague nellas se diga
para ElRei ou para a Coroa. Regir,1,.cap. 7. j.
(a) Das cousas achadas sem dono e applicadas aos
captivos leem os Procuradores delles pelo Regimento em
premio do seu trabalho a outava parte, a qual se liqui-
da segundo a Prov. Q,nsc. !!l Jun. 17!'U,. nu lv. baio
!. fl. !26. j.
(b) Por esta O. I. 136. se manda a todas as Justiças
que teem poder de pôr penas pecuniarias, que appliquem
metade para os captivos, e a outra para as obras do Con-
celho: e que se arrecadem pela f6rma alli declarada.
pr. e~ 14. Rep. I. vb. captivos se, p. 393. Esta concessão
de metade de todas as multa& a favor dos captivos ha-
via já sido feita pelo cit. Regim. 1660. cap. 18., e por
outras Leis, que lambem autorisam os Mamposteiros-
móres para executar em seus b1ms os Julgadores, que
condemnando deixarem de fazer a dita applicação. Al.
19 (náo ló) Out. 1641. D. 6 Ag.1669. Al. 17 Si:t. 1669.
excitados pela L. '20 De'I.. 177:J. e pelo Der. 11 Oul. 1761.
Ra Supplic. lu. 14. fl. l:J6. Com o mesmo fim devem os
Escrivães, quando fazem conclusos a fmal autos crimes,
ajuntar por traslado o cit. cap, 18. do .&gim. e o cit. D.
11 Ont. 17ól.; como lambem já dispozéra o cit. Al. 9.7
8et. e cit. L. \20 Dez.: sobre o que mandou a &s. ó Out.
17ál. cm Prov. Cons. ó Nou. que os Mamposteiros-m6res
nas correições examinem os ditos autos e procedam con-
tra os Julgadores omissos, ·e deem conta pela Mesa da
Consciencia, lv. baio 3.Jt. 79. j.
114 Liv. 1. t. Ill. Escravos
E isto, cap. 4t.: II metade das penas das man-
cebas dos Clerigos, e dos barregueiros accusados
pelo povo. e. 9.: III as penas dos que contrac-
tam sobre heranças do Ultramar. Al. !27Ju.l. 1765.
§. 3. etc. Quanto ás penas das Posturas, não se
podem applicar para os captivos. Prov. B. 3 Dez.
1603. Al. 18 Jan. 1613. v. Al. H .Ahr. 1578. e
Prov. 8 Nov. 1777. (a)
7 - Sem se mostrar paga a parte da pena
pertencente aos capti vos, não podem os condemna-
dos ser soltos ou desembargados. O. Y. t.136. §. 3.
8 - Se EIRei perdoar a alguns condemna-
dos, nunca se intende perdoada a pena pecunia-
ria pertencente á Redempção. cit. Begim. cap.
43. O. cit. t. 136. §. ó.

§. 41. Empregados 11<1 arrecadelfáo destes betis.


1 Para arrecadar os referidos rendimentos, e
conhecer dos mais negocios dos captivos, se crea-
ram os Mamposteiros-móres e Pequenos com o
cit. Begim. 11 Mai. 1 f>60., que regulou o seu nu-
mero, provimento, e privilegios. cap. I. a 126., e
a arreeadação e remessa dos ditos rendimentos.
cap. ó. sg.
i Os Mamposteiros-móres conheciam das
questões sobre a dita arrecadação, com recurso
(a) Assim se intende boje, I. 0 a C. R. 8Jul. ló91.,
que fez aos caplivos mercê da metade de todas as coi-
mas e p,mas impostas pelas Camaras, em Posturas ou
por outro modo com applicac;ão para os Concelhos, Chan-
cellaria, Meirinhos, ou para outras quaesquer pessoas;
devendo a R. Terça deduzir-se s6menle da outra meta-
de que ticasse aos Concelhos; t. 0 a C. R. II. 18 Jun.
1601., que declarou que nas coimas e penas impostas
pelas Camaras, sómente tenham os captivos metade na-
quelles Concelhos em que para isso houvesse especial
Provisão, sentenc;u ou posse.
e CaptitJos. §. 4i.
para os Desembargadores J uizes Privativos dos
Residuos e Captivos, que havia na Casa do Cí-
vel. Begim. cap. 7. 17.
3 - O Provedor e mais Officiaes da R. Fa-
zenda eram, não menos que os da Justiça, obri-
gados a cumprir os Precatorios dos Mampostei-
ros-móres. Begim. cap. 41. Prov. Con,c. !7 Jul.
1633. Na Consc. lv. e.ft. 130. 1.
4 - Os Magistrados que syndicavam dos Cor-
regedores das Camaras, o faziam tambem dos
Mamposteiros-móres pelo Regimento e Interro-
gatorios contidos na Prov. Consc. li De•. 11:11•.
no lv. baio 1.fl. 119.
ó Os Mamposteiros Pequenos ·e Pedidores cui-
davam de arrecadar as esmolas. Eram eleitos pe-
las Camaras, e propostos ao Mamposteiro-mór :
deviam ser pessoas de bem, abonadas, de mais
de 30 annos de idade. cit. Begim. Prov. Consc.
II. 16 Mar. 173õ. nolv. baio t. fl. 163. j. A L.11
Out. 1611. prohibia nomear a quem tivesse mais
de 100 I réis de fazenda: se a Camara não no-
meava depois de intimada pelo Mamposteiro-
mór, se devolvia a este a faculdade de nomear.
P1·ov. Consc. iõ Jan. 1669. 71elaBes. 11 Jul.1686.
ua Consc. lv. i. de Prov.fl. Iõ7.
6 Os Mamposteiros Pequenos serviram de
Procuradores e Solicitadores dos captivos nas ter-
ras onde não os havia, e do que faziam arreca-
dar á sua custa tinham de premio a quarta ou
outava parte. Begim. cap. 19. sa.
7 - Muitos abusos que se haviam introduzi-
do nas Mamposterias e peditorios foram corrigi-
dos por Prou. B.18.Âg.17:!4. naConsc. lv.baio
t.jl. 17. ,.
8 Os prfoilegios dos Mamposteiros Pequenos
·e Pedidores dos captivos (de que lambem gozam
os da Ordem da SS. Trindade, e os dos men>nos
116 Liv. 1. t. 111. Escravos
orphãos de Lisboa) são declarados nas suas Car-
tas, cujo theor está no cit. Regim. cap. 3 • .Al. 10
Mar. ll>6!. e !4 Set. ll>66. excitados por outros
.Alvv. Provv. no Repert. de l'r'l(,. Thoma'l(,kltra
C. n. 60\'2. eL. ao &t.1778 • .Al. toNov. 17l>l. Na
Canse. lv. baio 3.fl. 80. (a)
9 -Gozavam destes privilegios aindaque ti-
vessem mais de too$ rs. de seu. Prov. 3 De'!(,.
173 7.: comtanto porém que mostrassem por cer-
tidão annual do Parocho o effectivo exercício de
seu ministerio. L. li Oul. Ha 1. Os Provedores
das Comarcas eram os seus conservadores . .Al. 6
.Abr. 170:l. De cada privilegio não podia haver
mais qu~ um só Pedidor em cada Freguezia,
Mosteiro, ou Ermida de Romagem notavel. L.
1! Out. 1611.
10 -O que fica dito dos Mamposteiros Pe-
quenos dos captivos e seus privilegios, se inten-
de tam bem de outros semelhantes Pedidores e
Privilegiados. cit. L. !'.LaOut. 1611.

Hqj'e.

11 Os Officios de Mam posteiros-móres e Pe-


quenos, Escrivães, Thesoureiros e mais Officiaes
do J uizo dos Capti vos foram abolidos, e a sua
jurisdicção e obrigações traspassadas em Lisboa
ao Provedor dos R.esiduos; nas provincias aos
das Comarcas, e onde os não ha aos J uizcs dos
(a) Entre estes Alvv. é ode 13 Mai. 1713. (na O:>nsc.
lu. baio t. fl. 116.) o qual comtudo não equipára estes
privilegios aos da Bulia da Cruzada e do Tabaco; mas,
occorrendo ao quebrantamento que delles se fazia sob
pretexto de não haverem sido confirmados, mandou que
se guardassem tão exactamenle como os do Tabaco, e
da Bulia.
e CapUvos. §. 4~. 117
Residuos; e nas terras da Rainha aos Contado-
res das Comarcas. L.14Dez.177õ. §. 1.1. 14'.
H - Estas Autoridades exercitam a referi-
da jurisdicção, como pelos seus Regimentos o fa-
zem ácerca dos residuos e mais negocios da sua
competencia. cit. L. §. !. i, • .A.l. 18 Jan. 1788. e
!6 .A.g. 1801.
13 - Podem encarregar aos Juizes de Fóra
quaesquer diligencias e ordens. cit. L. 177ó. §. 3.
14 -Das suas sentenças sobre habilitações
e pagamentos, em que possa ser prejudicado o
direito dos captivos, devem appellar ex officio
para o Juízo daCoroa e Fazenda, nos casos que
por sua qualidade o mereçam. Porl. Erar. ló
Fev. 1807. rgl. noEr. li,. de 1807.fl. 318.
1 õ - Elles e seus Officiaes vencem os mes-
mos ordenados e emolumentos que tinham os ex-
tinctos Mamposteiros-móres. Res. 30 Set. 180!.

§. 43. Mooo da arrecadQfâo.


1 A arrecadação destes rendimentos, que se
fazia pelos Mamposteiros-móres na fórma do seu
Regim. cap. ó. esg. foi novamente regulada pela
maneira seguinte.
~ As esmolas não se podem já pedir ás Por-
tas das Igrejas, mas serão lançadas pelos Fieis em
cepos ou arcas pregadas que devem haver em
todas as Igrejas, Mosteiros, Ermidas, etc. cit.
L.1776.§. 9.Regim.cap. lõ. (a)
(a) Pela Legislagão aoterior os Mamposleiro, Pe-
quenos tinham obrigagão de pedir esmolas nas Jgrejas,
Mosteiros, Ermidas de Romagem, etc. de que tiravam
de premio a decima parte cap. 36., e languvam o pro-
dueto nas arcas ou cepos das Igrejas cap. 33. 'fambem
pediam generos nos tempos das eiras e lagares do vinho
e azeite, de que tiravam de premio a quinta parte; ven-
118' Liv. 1. t. 111. Escrauos
3 - O Provedor em corrcição abre estas ar-
cas com assistencia de dous Escrivães e do Juiz
de Fóra, e assigna o assento do seu producto, o
qual se registra no livro da Camara. cil. L. §.
10. (a)
4, Bedricçáo dos peditorios. A li herdade de
pedir esmolas tccm as seguintes restricções em
beneficio da Redem pção :
b - l Os Mordcnnosdas Confrarias nilo po-
dem, nos termos da O. Y. t. 103. e docit. Regim.
cap. ió. , pedir esmolas fóra das Igrejas e seus
adros, sem licença d' ElRei ou do Mampostei-
ro-mór: dentro dellas, podem pedir com licença
dos Bispos, sob pena de as perderem para os
captivos. Pelo que se mandou aos Mampostei-
ros-móres que não consintam os peditorios em
outra fórma e sem asditas licenças. Prov. Consc.
~6 Ja11. 1689. pela Bes. 11 Jul. 1686. na Canse.
lv. i. de Provv.fl. H>7.
<i - Portanto costumam as Confrarias com-
pôr-se ( avençar-se) com os Mamposteiros-móres
em prestações certas annuaes, que pagam pelas
ditas licenças, para o que estão elle~autorisados.
Prov. Come. e Nov. 1689. w.1.de Prov.fl. 161.
e Prov. to Otd. 1717. lv. baiot..fl. 61.
7 - Destas composições sito isentas as Con-
frarias do SS. Sacramento e as Casas de Mise-
ricordia . .A.l.9 Jul. 1610. C. R. JY. e Jim. 16H.

dillm o resto passados lres mezes, e entregavam o pro-


dueto ao Mumposteiro-m6r cap. 34, Das esmolas certas
deixadas & Redempção nlo tinham premio algum cap.
36. Estes peditorios haviam sido regulados em varias
Provv. da Mesa da Consciencia, como as de 18 Jun. e
13 &t.1731. nolu.baiol.Jl.-84.
(a) A abertura dos cepos ou arcas, se fazia perante
os Officiaes da Camara e do Parocho na f6rma do Re-
gim. cap. 6,
e Captivos. §. 43.
8 II Os Religiosos da SS. T,-indade por au-
toridade R. se concertaram com a Redempção
dos captivos sobre o exercicio deJJa, e sobre a
terça parte das esmolas, que lhes pertenciam ; e
se lhes permittiu por isso ter em cada Igreja
uma Confraria ou pessoa que lhes arrecade as
esmolas; tudo na fórma do .Al. 10 Mar. lõ6!!.
9 III Os Administradores de Casas de Santos
não podem constituir Mamposteiros ou Pedido-
res de esmolas para as ditas Casas e Santos, sob
prisão e perdimento das esmolas; salvo por de-
terminado tempo, e com especial licença d'EI-
Rei. cit. Begim. cap. !2õ. (a)
10 Ârrer.adaçáo dos oulros rendimentos. Os
legados, bens vacantes, e as penas se cobram
executivamente como Fazenda Real. Os Prove-
dores são Juizes destas execuções: eJJes e seulil
Ofliciaes vencem emolumentos como os Conta-
dores da Fazenda. Delles compete appellação e
aggravo para os Juizes dos Feitos da Fazenda
da Supplicação. cit. L. 1776. §. 11.
Disposiçóes sobre a arrecadação antenºores
á L. de 177õ.

11 I A presente disposição, quanto aos lega-


dos ou esmolas deixadas aos captivos, não se in-

(a) A concessão de licenc;a para pedir esmolas para


cnpth·os pertence á Mesa da Consciencia ou aos Mam-
posteiros-m6res: as outras ao Dsb. do Paço quanto ao
Reino, e ao Conselho Ultramarino quanto ao Ultramar.
Res. Cons. Dsb. li Set. 1(;74. no lo. 6.fl. !219.j. Pelo que,
havendo-se passado pela Mesa da Consciencia Alvará
de licença pnra se pedir esmola para o Hospital R. de
S. Tingo, deddiu a C. R. IJ. !6 Nor,. 16!3. que ao Dsb.
do Paço pertencia passar taes licenças. No Dab. lu. de
16!:!3. ft. 949.
HO Liv. 1. t. 11.1.Escra,.'os
tende dos que são deixados para o resgate de
determinados captivos, ou daquellcs que deter-
minar o herdeiro ou testamenteiro; pois estes
não pertencem á arrecadação da Mamposteria-
mór; mas deve o herdeiro ou testamenteiro an-
tes de fazer a applicação dar parte á Mesa da
Consciencia com a copia authentica da verba do
testamento, codicillo, etc. para se lhe determi-
nar como os deve despender com igualdade pro-
porcional : e sem essa parte os Provedores não
lhes abonam a distribuição que fizer . .Al. 13 Mar.
1648. excit.pel,a Prov. R.16Mar.1677. naConsc.
lv. to. de Prov.fl. 63.
H II O Mamposteiro-mór, hoje o Provedor,
fazia cumprir as Capellas em que houvessem obri-
gações relativas a captivos na fórma do Regim.
cap. 11.
13 III Os creditos doados pelos credores aos
captivos, podem ser cobrados por parte destes,
fazendo as Autoridades competentes execução
nos bens dos devedores ; sem que a isso obste a
L. J 641, (parece fallar do .Al. !! Mai. 1647 .) P1·ov.
Consc. 6 Out. 1710. e 18 .Ag. 1714. cit. na de 13
Fev. 1734. naConsc. l". baiot.fl.141.
14 IV As heranças jacentes são inventaria-
das, para que apparecendo dividas hereditarias,
não seja a Redempção responsavel a mais do que
tiver recebido. Regi"m. cap. 8.
ló V . cobrança das esmolas e mais dividas
dos captivos não se póde fazer por Caminheiros.
Os Mamposteiros-móres, depois de fazerem a pos-
sível diligencia pela cobrança, a devem deixar
encarregada aos Juizes de Fóra, onde os não
houver aos Corregedores, e nos Jogares peque-
nos aos J uizes Pedaneos para a fazerem no tem-
po que lhes assignar: ao que ficam responsaveis
sob culpa em suas residencias quanto aos pri-
e Captivos. §. 43. lU
rneiros, e na correição quanto aos ultimos. C. R.
Ill. ao .Abr. 16tõ.
16 VI Quanto ao dinheiro dos captivos que
se arrecada pelo Juizo dos defunctos e ausen-
tes, se proviu no .Al. 9 .Ag. 17ó9. §. 7. 8.
Remessa ao Tkesouro.
17 Os Provedores remettem o dinheiro da
Redempção ao R. Erario nos mesmos prazos e
sob a mesma responsabilidade, que regem com
a R. Fazenda. cit. L. I 77ó. §. U. O dinheiro
se recebe em cofre separado. §. 13. (a)
Connexáo.
Pela condição ou qttalidade são tambcm as
pessoas Nobres ou Plebeus. §. 21. n. l. : e esta
é a materia do Tit. seguinte.

TITULO IV.

DOS NOBRES E PLEBEUS.

§. 44. Noções geraes sobre a nobrew.


1 A honra é o principio vivificante da Mo-
narchia. Montesq. YIII. cap. ó. 6. 7.
(a) Pelo A/.. iJul. 1774. se extinguíra com os Con-
tos da .Mesa da Consciencia e Contadoria dos Mestra-
dos das Ordens, a 1'hesouraria Geral dos Captivos com
seus rP.spectivos cofres, e se mandárn fazer estas arreca-
dações no H. Erario segundo a Lei fundamental delle,
em escripturação separada; ficando pertencendo á dita
Mesa a jurisdicção voluntaria ou contcnciosa sobre os
negocios das Ordens e dos Cnptivos. - Os dinheiros do
PART. 1. 9
UI Liv. 1. t. IV. Nobres
1 -A Nobreza, e as prerogativas dos Fidal-
gos, do Clero, e das Cidades ou ViJJas entram
essencialmente no Governo Monarchico : aboli-
das ellas se corrompe o principio Monarchico, o
apparece logo um Estado despotico. Montesq.
11.cap.4. YIII.cap. 6. sg.
3 - Portanto a C. Constitucional garantiu a
nobreza hereditaria e suas regalias. Const. A.
14ó. §. 31.
4 Convém ao serviço do Soberano, que a no-
breza se perpetue nos Cidadãos. L. 3 Ag .1770. pr.
ó O verdadeiro ponto da honra consiste no
melhor emprego do R. servi(io, e na defesa da
Patria. D. !2 .Abr. 176!2.
6 As pessoas nobres se presume obrarem bem
e fielmente., e serem virtuosas. O. 1. t. 74. pr.
Bep. Ili. 11b.Nobres.
7 -A decencia e modestia lhes são virtudes
indispensaveis. Al. l Dez. 1767. §. 8.; bem como
a obrigação de dar bom exemplo. Al. 14 Nov.
1767. §. ó.; pois os exemplos dos Grandes instam
aos pequenos . .Al. 16 Noo.1771. .Al.13 Mar.177\ll.
8 A nobreza não deve servir para deixarem
de se castigar os delictos segundo a Lei. C. B.
13 Mar. 1637.
9 As regras da s3 Politicaexigem que as hon-
ras não se vulgarisem nem confundam. i. O. JT.
t. 9!.pr. L. !29 Jan. 1739. pr.
10 O privilegio da nobreza se perde por cri-
me em que tenha Jogar a pena vil. O. JT.t. 138.
§.1.; ou a tortura. t. 133. §. 3. i,. Ordd. concor-
dantes no Bep. JY. t. !67. 11b.privilegws da.
cofre daRedempc;ão(bem como os mais subordinados á
Mesa da Consciencia) nlo se podem tirar deli e por em-
preslimo para diversa applicac;ão, salvo por expressa or-
dem d'ElRei; aliás o The!õOureiroincorre em penu de
morte, C. R. 10 Out. 1603. Al. H Mai. 1608,
e Plebeus. §. 4,á.

§. 4:-,. Quem sáo os Nob,.es e Plebeus.


1 Titulares. A primeira ordem da nobreza
comprehende os titulares, se., Duques, Marque-
zes, Condes, Viscondes, Barões, Senhores de
terras. Os titulos são com Grandeza ou sem ella.
i . .Al. 17 .Abr. 1809!. §. H. Sobre cada um destes
titulos v. DD. em Barb. á 0.1. t. !. §. li. n. I.
sg. Mell. II. t. 3. §. 6. sg.
! Os Grandes do Reino que teem mercê de
Parente tiram novo Alvará e teem maior assen-
tamento. D. !4 .Abr. J 6õ7.
3 Os Titulares se assentam e cobrem na pre-
sença d'EIRei. Mell.11. t. 3. ~. 8. not.
4 Fidalgos. Sómente são Fidalgos: I os as-
sentados por taes nos livros da Casa Real (filha-
dos): II os que são feitos taes por especial Mer-
cê d' ElRei : III os filhos ou netos de Fidalgos
por parte de seus pais ou mãis. O. Y. t. 91. §. 6.
ó - Se alguem além destes se achar Fidal-
go em algum documento, ou apresentar algum
em que lho chamem, ou dcllc usar, paga 100
cruzados (hoje 300) e as custas em tresdobro de
todas as demandas que tiver, indaque as vença.
o.§. 6.Junt.§. 3. (a)
6 Especies defóros. Os fóros são por sua or-
dem os seguintes : Fôro de Fidalgo, Moço Fidal-

(a) Os Fidalgos são de diversas especies, qualidades,


e preeminencias, mencionados pela Ord. em diversos lo-
gnrcs ; como, :Fidalgos de solar ; de ~olar conhecido ou
grande; de linhagem, se., procedentes de nntepnssndos
:Fidalgos; filhados ou n~sentados nos livroi d' ElRei; de
cola d'armas; Fidalgos por especial Mercê d' ElRei; Fi-
dalgos nota veis. v. Rep.11. p. 4õ0. vb. Ficlcilgos. Ordd. e
DD. ibi, - Sobre os nobres de Porlugnl v. Mor. lo. 4.
cap. a.n. 11!. 133. sg.
9.
Hl4 Liv. I. t. IV. Nobres
go, Fidalgo Escudeiro, Fidalgo Cavallciro, Fi-
dalgo da Casa com moradia de Escudeiro ou Ca.
valleiro, Escudeiro Fidalgo, Cavalleiro Fidalgo.
i. Al. 11 .Abr. 1sot. §. u. ( a)
7 - A quem competem e como. Aos filhos lc-
gitimos pertence o mesmo fôro de seus pais e
avós, e nesta conformidade se lhes passam seus
Aluarás de.filliamento. Begim. do Mordomo-mór
de ló7f/.. cap. 7. 8. 9, v. cit . .Al. 180!. §. li. -Aos
.filhos legitimos dos Fidalgos de Solar antigo, cu-
jos antepassados estão matriculados como taes,
compete o fôro de Moço Fidalgo com certa mo-
radia. Begim. das Moradias, 3 Jún. 1õ7~. cap. 4.
- As outras pessoas se tomam no fôro de Fidal-
gos Escudeiros, com a competente moradia cap.
f>.; ou no de seus pais e avós, ou no que tive-
ram antes de ser accrescentados cap. 11. 1 ó. -
Os filhos de Officiaes mechanicos não são tomados
em fôro algum, salvo dos Officiaes mechanicos da
Pessoa ou Casa R., aos quaes se costuma dar o
fôro de Cavalleiro simples. cit. Rcgim. cap. 11.
Iõ. i. D. 10 Jtm. 1649.
8 -Aos filhos illegitimos não pertence o fô-
ro dos pais : declarações i. cap. 11.; nem hão
filhamentos senão por serviços pessoaes, e com
a terça parte menos da moradia dos pais. cap. 7.
9 - Os filhamentos se fazem por Consultas
(a) Escudeiros. Ha quatro especies de Escudeiros: 1.0
dos que leem o fôro d'Escudeiro na Casa R. O. I. t.
6ó. §, 30,: !. 0 Escudeiros por carta ou privilegio d' El Rei
sem fôro, O. li. t. 4õ. §. 39.: 3. 0 Escudeiros de Senho-
res, Fidalgos, ou Prelados. O. I. t. 66. §. 4~. e II. t. 4õ.
§. 38. Y. t. 139. pr,: 4.º Escudeiros de linhagem, que
descendem de alguns dos das tres especies precedentes.
0.1. t. 66. ~. 4!. t. 17. § 1. V. t. 16. §, I. Rep. Jl. vb. Es-
cudeiros que, p. :JH.
Entre peão e Escudeiro não se considera estado me-
dio. Res, 9,7Mar. 17!e8.11. Al. 6 Abr. lf>38.
e Plebeus. §. 46. Hf>
verbacs do Mor<lomo-mór, segundo o serviço e
merecimento dos pretendentes. Begim. do Mor-
domo-mór, cap. 6.; e das M<Yf'adias,cap. 13. Os
accrescen tamen tos no fôro de Fidalgo se conce-
dem segundo o Begim. do M<Yf'domo-mór, cap.
8, 9. JO.
Outras classes de Nobrem.

10 Extensáo da nobreza. Nos primeiros tem-


pos de Portugal a nobreza parecia ser privativa
da profissão militar: os cargos publicos eram me-
nos prezados (ocornrnercio indecoroso. i. O. lY.
t. 16.). Depois que sereslabelecera:m tempos pa-
cificos, a ideia da honra e as Leis deram grande
e justa extensão á nobreza, e attribuiram diver-
sos gráos della aos Empregados Publicos, aos
Professores de scicncias ou Artes liberaes, aos
Proprietarios que vivem de suas fazendas de gros-
so trato, e aos que exercitam algum considera-
vel ramo de industria. v. Mell.11. I. 3. §. 14. 16.:
pois ha um gráo de nobreza indeterminavel, que
distingue os que a teem dos gremios da plebe. i.
L. l Jul. 1776. §. 4. ; e pelo costume do Reino
são nobres os que entre elles e na opinião com-
mum são havidos como taes, e que estão em fa-
ma publica de o serem. Feb. de. 14. n. 8. Bep.
III. vb. nobreza, p. 134. 1Jb.JugaJa.
Nisto se podem distinguir as seguintes clas-
ses:

Nobres P<»'ordens, empregos, profissôes,


agricultitra, etc.

11 I Por ordens. Os Clerigos de Ordem sacra


são havidos por nobres, e equiparados aos Ca-
valleiros. Feb. 9!. ar. 181. Yaz, alleg. 6. n. 1. e
ttlt. Cab.1. de. 13 9. Const. do Bispado da Guarda,
Hl6 Liv. 1. t. 1/7. Nobres
Ili. t. 13. cap. ó. e do Porto III. t. 13. Const.
H. : não assim os de Ordens menores. arg. O .
.IY. I. 9~. §. l. j. ult: e§. 3. Rep. !l. vb. Filho na-
tural, p. 474. /. p. 483. vb. Ckrigo: salvo tendo
Beneficio ecclesiastico. O. 1. t. 91. §. 8. cit. Rep.
11.p. 474. Trid. Sess. ~~. cap. 6.
11 - Os Bispos gozam de distincfa nobreza
e de muitas honras e privilegios. §. H. n. 9.
sg. h. l.
13 - As Dignidades e Conegos da S. I. Pa-
triarchal teem os privilegios e preeminencias
constantes do Motu Proprio do Papa, que eri-
giu a Capella R. em Igreja Metropolitana Pa-
triarchal; gozam das honras e privilegios que
teem os Bispos: cm quaesqucr actos fóra da Sé
precedem uns aos outros do mesmo modo que
dentro della.; e seguem-se immediatamente ao
Bispo mais moderno, constituindo com os Bispos
um só corpo. Al. \!14Ders. 1716. na :J-Iistor. Ge-
tieal-Og.Prov. Y. p. 196.
14 II Por Empregos civís. Os Desembargado-
res teem distincto l~__gar entre as pessoas nobres e
privilegiadas. O. l.l. I. f>9. §. 13. J. t. H. §. 10.
111.t.b.§.7.Per.dc.l.n.7. Hei.J. §.198.101.
tratando do, Senadore, Romanos que comtudo
differr"am mt1,i/odos nossos Magistrados.
15 -Os Desembargadores do Paço sempre
tiveram a honra de Conselheiros natos, e o fôro
de Fidalgos da Casa R. : para gozarem destas
honras não necessitam de fazer requerimento ou
diligencia alguma, porém cm. consequencia do
Decreto de nomea"ão se lhes expede logo pela
Secretaria d' Estado a Carta de Conselho, e pela
Mordomia-mór o Alvará dofôro. D. 14Jul. 1768.
tl,()Dsb. lv. 4. deD.jl. U9.
16 - Os Officiaes de Justiça do Desem bar-
go d'EIRci são nobres. O. 111. t. f>9. §. H>.;e os
e Plebeus. §. 46. 117
Escrivães da Côrte ou da Fazenda e Camara
Real; e desde tempo antigo se nomearam de en-
tre as pessoas nobres. O. P. t. HO.pr. i. O. L t.
14. §. 1. et. 96. §. !. Rep.1I. vb. Escriváo da, p.
19f>. fJ97.
17 - Os Vereadores teem alguma nobreza
nas Villas onde os peães não servem promiscua-
mente este cargo. Rep. 111. p. 134. 11b.Jit.gcula:
pois "ha um gráo de nobreza que distingue os
Cidadãos dos gremios da plebe. n .A.l. 1 Jun.
1776. §. 4.
18 - Os filhos dos Officiaes da Casa e Ban-
deiras dos Vinte e Quatro são babeis para os Jo-
gares de Lettras • .A.l.29 Mai. 166f>. D. 18 Mai.
1663.
19 III Pela Profissâo Militar. A profissão
das armas se alimenta particularmente do espi-
rit.o da nobreza, e esta lhe era no principio co-
mo privativa. v. Mell, 11. t. 3. §_.14. ( a)
to - Os Marechaes de Campo e os Tenen-
tes Generaes são tomados em consequencia da
promoção por Fidalgos da Casa R., e se lhes
expede Jogo o Alvará pela Mordomia-mór sem
dcpendencia de outro despacho: esta mercê não
entra em contemplação de seus serviços: o que
se estabeleceu em honra da Profissão militar, e
ao exemplo da Magistratura. D. 13 Mai. 1789.

(a) "Nos antigos tempos deste Reino, diz a L. ló


Mai. 1776. ~. 1. a Nobreza compunha-se dos Escudeiros
e Ca,•alleiros armados pelos Reis, ou pelos Capitãea nas
guerras d' A frica e Asia, e dos Vassallos" Hoje estes Ca-
,·alleiros feitos pP.losCapitães de A frica e lndia não leem
nobreza como tae~, e lhe succedem os filhos naturaes.
D. lO Jul. 1694. Rep. Ill. vb. jugada pagar.
Os Vassallos goznm <le diversas honras, privilegias,
e liberdades conforme suas respectivas graduagões e ca•
bedaes. L. GJu.n. 17bf>.§. 6. v. Mell.11. t. 3. §. 6.
UB Liv. 1. t. lY. Nobres
!l - Os Officiaes que teem Patente assigna-
da pela R. Mão, e os Sargentos-móres das Or-
denanças, são nobres e babeis para os cargos que
exigem nobreza. Av. H Mai. 180õ. declarando a
L.18Fev.1763. E portanto: I os Alferes de Or-
denanças pelo Regimento das Companhias go-
zam do privilegio de Cavalleiros: não eram com-
tudo escusos de jugada. Rep. Ili. vb.jugada pa-
gão, p. lf>l.: II os Cavalleiros das Ordens Mi-
litares são nobres. i. o. r. t. uo.pr. "· §. 86. n.
3. sg. h. l.
!2 IV Pelas Sciencias sito nobres : I os Dou-
tores em Theologia, Canones, Leis ou l\iledici-
na. O. Ili. t. õ9. §. 16. 17. t. rno.pr.: o que hoje
se estende ás outras Faculdades Acadcmicas:
II os Bachareis nas ditas Faculdades por exten-
ffivainterpretação dos Doutores. v. Rep. 1. p. f>7:'>.
vb. Condemr1,adoá: III os Advogados. ll. Bom.
e text. em Per. So. I. rwt. 144.
!U V Por .Artei Liberaes. I Os Mestres Re-
gios do Primeiras Lettras, e os Professores de
Latim, Grego, e Rhetorica gozam dos privile-
gios de Nobres incorporados em Direito Com-
mum, especialmente no Cod. I. de Professor. et
Medic. Al. taJun. 17f>9. §. u. sg., v. e., de isen-
ção dos Cargos publicos. Prov. t9 Fev. 1778.;
de homenagem. D. 14 Jul. 177õ. Res. !6 Jan.
1674. (a)
14 - II Isto mesmo procede nos Professores

(a) Achando-se preso na cadeia do Tronco F. Pro-


fessor R~gio de Rhetorica em Li!iboa por queréla de de-
florac;ão ealeivosia, mandou o D. 14Jul.177õ. que fos-
se logo solto e se livrasse como seguro, attendendo a
gozar dos privilegios concedidos t'm direito aos Professo-
res publicos, entre osquacs é o da nobreza. Na Supplic.
lv. 18. ft. 96.
e Plebeus. §. 45. 1!29
e Substitutos das Aulas de Desenho. Al. !23 .Ag.
1781. §. !U,.
!ó - III Segundo o costume do Reino tem
alguma nobreza (tratando-se á Lei della), e soo
como nobres isentos da jugada que os peães cos-
tumam pagar, os Boticarios. Rep.111. vb. Juga-
da se, p. 134. (a): os Cirurgiões que não forem
tambem Barbeiros, os Pintores, os Ourives. Rep.
cit.p. 134. i. Al. ~o Out. 16\21.: os Mestres de na-
vio. C. R. ~o Ag. 16Qõ. i. O. Y. t. 139. 1. t. 34.
pr. e t. 90. §. ~- llep. 111. p. 539. vb. mestre de:
e geralmente os Mestres de Artes liberaes. i.
Res. Cons. Dsb. 8Jan. 1664. No lv. 4.fl. 99. j,
Rep. li. p. 8!6. vb. escusos.
t 6 VI Pela agricultura. O exerci cio da agri-
cultura é por si mesmo honrado. i. Al. 17 Ag.
1758. §. 17. Filang. lI. cap. lá. Mell.1. t. 7.
27 - É um dos primeiros deveres do Gover-
no honrar a agricultura, animá-la, favorecê-la,
como a occupação primitiva do homem, e a mais
fecunda origem da riqueza e da prosperidade. v.
Yattel, I. §. 77. sg. Fil,ang.11. cap. 15. Say, I.
e.!. 4. {b)
28 -Outras Leis em favor da agricultura.
v. em Mell. 1. t. 7. e no Rep. ger. de Leis extra-
vag. vb. agricultura.
~9 VII Pelo Comme,·cio. Tambem é nobre a
(a) A L. !l~ Abr. 1449. concedeu aos Bolicarios todos
os privilegios, graças e i,enções de que gozam os physicos
(Medicos), como, honras dos Cavalleiros, prisão em ho-
menagem, faenção de ser tutores (daticos), e de quadri-
lheiros, etc.: o que procedeu do adiantamento que en-
tão se queria dar a esta arte. v. nn meu Resum. de Leis
tom./.
(b) Cohcrentemente se dispoz que ns pessoas mecha-
nicas que lavram tres arrobas de seda em rama, gozem
de nobreza e sejam hnbeis para servir os cargos que are-
querem. At. 6Jan.lB0:2. Cond.19. !20. !21, L. !OJ?ev.176!,
130 Liv. ]. t. IY. Nobres
profissão <lo Commercio grosso. L. 30 .Ag. 1770.
L. !9 Nov. l 77ó. §. 3. Sobre a nobreza, honra,
verdadeiro espirito, Leis, e historia do commer-
cio interior e exterior, e obrigação que tem o
Governo de o honrar e excitar, sem comtudo to-
mar parte nelle v. Montesq. XX. cap. J. sg. /7at-
tel, 1. §. 83. 7.· Filang. JI. cap. 1.7. sg. Say, I.
t:ap. 9. Mell. . t. 8. ( a)
30 -Os Negociantes teem privilegio do foro
da Conservatoria do Commercio. .dl. 16 Dez.
1771. §. 4. : para o que : 1 não basta a qualida-
de de Negociante matriculado: II dos Mercado-
res da Mesa do Bem Commum só teem est.e pri-
vilegio os Deputados <lella, não os outros Merca-
dores . .Ass.11. !23 Jul. 181 J.
31 VII Por 'industria. Geralmente está uni-
do algum gráo de nobreza a todos os ramos de
industria que se exercita em grosso; e o Gover-
(a) Não se deve ter s6mente por Negociante de gros-
so trato aquelles de que folia o §. !2. do Al. H Nov.
J77ó.; poi.i se refne a um caso especial. O negociar nas
Companhias doCommercio não prejudica a nobreza, an-
tes habilita para ella, comtanto que depois se não ven-
da em lojas ou tendas por miudo. Al. 7 Jun. 17áb. §.
39. Al.10Set.17ó6. §.39.-Conseguintemenle: 1. 0 o
Provedor, Deputados, Secretario, e Procurador da Junta
do Commercio estão habilitados para adquirir nobreza
e receber habitos das Ordens; e os filhos do Provedor e
V ice-Provedor para ler no Dsb. do Paço. A l. 16 De'!..
1766. cap. 18. §. 6.: \2,0 O Provedor, Deputados, Conse-
lheiros, Administradores e Caixeiros da Companhia dos
Vinhos, lendo nella dez acções com que originariamen-
te entrassem (náo cessionarios, compradores, ele.) gozam
<lo privilegio de Nobres, e de isenção de pagar rações,
outavos, ou outros encargos pessoaes • .Al. !4 Noo. 1761.
v • .Al. 10 Fev. 17ó7.: 3. 0 Os Capitalistas da Companhia
das fiações e tecidos da seda gozam de nobreza, sem de-
pen<lencias de habilitagão. Al. 6 Jan. 180:2. wnd. 19.
~o.iu.
e Pkbem. §. 4,á. 131
no deve bonrar e animar todas as artes, manu-
facturas, e trabalho, fontes da riqueza nacional.
"· Filang. II. cap. 16. Say, 1. cap.1. sg.11. cap.
7. sg. Yattel, 1. §. 76.
31 -Toda a industria, commercio, e cultura
licita está garantida pela Const Â. 164. §. U .14.
Transmissão e communicaçáo da nobreza.
33 Entre pais e filhos. O pai transmilte a
nobreza a seus filhos legitimos. O. Y. t. 91. pr.
Rep.11.p. 4692. vb. Fidal,go. lP'.p. l!'ll. tJb.pre-
so. Feb. dec. 164. Cab.11. de. 36. n. 14. Per. So.
crirn. ,wt. 189.
34 - Os filhos illegitimos, mesmo espurios,
sendo reconhecidos ou perfilhados no testamento
ou em escriptura publica ou particular, gozam
da nobreza e dos privilegios do pai, e usam das
armas delle; porém com a quebra da bastardia:
e este é o costume do Reino. O. Y. t. 91. §. 4.
tzojim. Yal. Cons.17. Mell.11. l.6. §. 6. enol.
Per. So. crim. not. Mn. Silv. á O. III. t. 69. §.
ló. n. 64. 67. Rep. I. vb. bastardos, p 9271. e vb.
armas dos, p. t09. ( a) Quanto aos espurios, não
sendo legitimados, nega. Reinoso e Portitg. no
cit. Silv. n. 6f>. 66. : porém a cit. Ord. não dis-
tingue, e tal é o costume do Reino. DD. cit. v.
Po1·tug. don. lv. ri. cap. 17. ex n. 61.
Só -A mãi tambem transmitte a sua nobre-
za aos filhos, contra o que dispunha o D. Cano-
nico. i. O. Y. t. 9!. §. 6. ibi-de seus pais ou
máis. Rep. 111. p. 70t. vb. nobre:::a.Feb. dec.

(a) A Res. Cons. Dsb. 16 Sel. 1666. declarou que o


ser o Bacharel F. filho illegilimo, não lhe senin de im-
pedimento nas inquirições para a sua habililnção. Dsb.
lr,, b. de Consc. ft. C,(i, j.
131 Liv. 1. t. IP. Nobres
1 M, . .A.ddic. Rep. II. p. 4:,7. vb. Fidalgo. Por-
tug. lv. l. pt. !. cap. 17. exn. 33.
36 - e ainda aos espurios, pois não sendo
meretriz não perdeu a nobreza. L. !!6. ff. de poen.
37 - Reciprocamente o filho que adq1.1ireno-
breza, a communica tambem ao pai. Feb. li.
ar. 76. de. 164. §. Generaliter, n. 10. Gani. de.
lU!. Per. So. crim. not. 189. cit. Rep. 11. p. 4ó!Z.
38 A nobreza hereditaria e suas regalias está
garantida na Const. .A. 146. §. 31.
39 Con}uges. O marido communica á mulher
a sua nobreza. L. ult. C. denupt. arg. L. !U Jan.
1769. §. IJ.: e isto ainda para depois da sua
morte. v. li. l. til. das viuvas.
40 - Pelo contrario a mulher nobre que casa
com marido plebeu, longe de lhe communicar a
nobreza, a perde ella mesma, segundo a regra
"que a mulher segue a condição do marido."
i. O. I. t. 91. §. 7.111. t. 86. §. u. Mell. lI. t. 7.
§. 6. nol. /..feminre 8 .•ff. Senator. 1wi.Arouc. n. ta.
38. ó7. l'eb. dec. 17. n. 10. Portug. lv. '2. cap. 16.
n. 20. 21.
Nolweza concedida por ElRei.
41 Até aqui da nobreza dada pela Lei. Ao
Rei pertence conceder titulos, honras, e distinc-
ções em recompensa de serviços. Const. .A.. 7l>.
§. 11.
41 No que cumpre haver muita economia
para não se amortecer a verdadeira nobreza. L.
9.9Jan. 1739.pr. O. Y. t. 9'2.pr.
As consultas dos requerimentos sobre preten-
ção de nobreza pertencem ao Dsb. do Paço. (a)
(a} Requenmdo F. fabricador de seda pelo Conselho
da Fazenda que se dispensasse com elle no defeito da
mecbanica, para poder ser admiuido aos Cargos da Ca-
e Plebeus. §. ,1,5. 133

Plebeus.

43 Todos os que não entram em algumas das


referidas classes de Nobres, se podem chamar
Plebeus ou Peáes, e especialmente o são os que
trabalham por jornal, ou que servem artes illibe-
raes, ou:officios chamados mechanicos. Mell. dt.
§. 14. ló.
-pois a nobreza é incompativel com o exer-
cício ou officio mechanico, tanto que quem a tem
perde-a, se usa de1le. i. D. 10 Jmi. 1649. Rep. I.
p. 349. vb. Cavalleiro. Al. 10Fev.17ó7. §. 4. (a)
44 A occupação de Moço da Estribeira da
Casa R. e m~smo de Titulares, não é incompati-
vel com a nobreza, antes são elles isentos de pe-
na vil. O. Y. t. 139. Rep. Ill. p. ó46. vb. Moço
d'estribeira. (b)
45 Quem seja peão para o pagamento das
jugadas e outavos v. Al. 9.0 .A.br.l 77ó. §. 63. elv.
II. t. dasJugadas.
mara e ~azar dos privilegias da nobreza, declarou n Res.
t'ons. Dsb. ~! Ag. 1687. que este requerimento não to-
cava ao Conselho da Fazenda, mas ao Dsb. do Paço,
por onde o Supplicante o poderia intentar. No Dsb. lt,.
10. de Cons. ft. 456. j.
(a) Coherentemeote os Officiaes mechanicos da Casa
R. a quem se costuma dar o fôro de Cavalleiro simples,
para lograrem essa tal qual honra ou nobreza, e ter nel-
les Jogar a O. IV. t. 91. §.1., cumpre que deixem ooffi-
cio e exerci cio mechanico. D. J O Jun. 1649. (nâo de 1694.
nem de Jul.)
(b) Nesta conformidade pretendendo o Bacharel F.
habilitar-se para os logarec; de Lettras, e sendo-lhe re-
provadas as habilitações por haver seu avô sido Moço da
estribeira, declarou a Res. Cans. Dsb. !2Jun. 1688. que
esta occu pação não dá nem I ira nobreza, nem por conse-
quencia obsla á habiliLação. No lv. 10. de Cons.fl. 180, j.
134 Lfo. I. t. l r. Nobres
§. 46. Armas, Appellidos, Dom, 1'itulo
do Conselho d' ElRei.

1 Aos Nobres pertencem as armas e appel·


lidos da familia ; o Dom ; Titulo de Conselho ;
tratamento; precedencias : privilegios e direitos
singulares, de que agora trata o presente §.

Armas e Appellidos.

t Os Blasões d'armas e appcllidos são signaes


e prova da nobreza e honra dos que por seus fei-
tos os s-anharam, e dos seus descendentes: foram
institmdos para distinguir as famílias a quem
portanto pertencem. O. Y. t. 9il. pr. Re.p. JY. vb.
pessoa que, p. U4.
3 Conseguintemente : I póde qualquer oppôr-
se a que outrem use das suas armas ou appelli-
do, pois se lhe faz nisso injuria. De Luc. de
prrem. disc. 4f>. n. 16. Hep. lr. vb. pessoa que,
p. 1!4. I. p. !09. vb. armas.
4 -II Quem toma armas que por Direito
não lhe pertencem, perde os seus bens para o
accusador e captivos, e toda a honra e privilegio
de nobreza, e fica havido por plebeu. O. cit.pr. j.
Pel.oRep. Lp. ~09. vb. armas. O D. R. o punia
como falsario. Rep. cit. p. U4. Quem deixa as
suas armas, as perde. O. §. J. Quem nellas ac-
crescenta ou diminue alguma cousa indevida-
mente, é degradado e multado em f>O cruzados.
§. t. Além disso quem as toma, accrescenta ou
diminue indevidamente, paga as custas em tres-
dobro para o seu contendor em qualquer litígio
que tiver, indaque vença. §. 3.
e Plebem. §. 46. l3á
ó Leis d' Armaria. O chefe da linhagem de-
ve trazer as armas direitas da linhagem ou linha-
gens de que fôr chefe, sem mistura de outras.
Os irmãos e mais pessoas da linhagem, as tra-
zem com a differença ordenada no officio da Ar--
maria; declarações O. Y. I. 9!. §. 4.
6 - Podem-se tomar estremes as armas da
parte das mãis. cit. §. 4.
7 - Os bastardos trazem as armas com sua
quebra de bastardia. cit. §. 4. j. ult. Rep. I. cil.
p. !Z09.
8 -Ninguem póde trazer as armas do Rei-
no direitas e sem differença, posto que sejam
misturadas com outras. cü. O.§. 6.
9 Para se conservar a pureza e ~enuidade das
armas, e prevenir a confusiio e mistura de pe~
soas plebêas com as princi paes famílias do Rei-
no: I não se podem julgar blasões d'armas sem
que os justificantes produzam, além das testemu-
nhas, documentos authenticos, que próvem le-
galmente pertencerem ás fümilias com quem se
querem entroncar. Res. em Prov. Dsb. 3 Jul.
1807.: II Ninguem póde sob certas penas im-
primir, ou introduzir no Reino livros d'armas,
linhagens, e gerações da Nobreza nacional, es-
tampar escudos d'armas, ou outra qualquer cou-
sa pertencente ao officio d' Armaria, sem primei-
ro serem approvados pelo Rei d' Armas Princi-
pal. Al. 8 Abr. 160b. (a data II Mai. 1607. é a
do registro.)
10 Appellidos. Quem tomar appellido de Fi-
dalgo de solar conhecido, que tenha terras com
jurisdicção, sem lhes pertencer e sem proceder
dessa linhagem, perde os bens e a nobreia. O.
Y. t. 9~. §. 9. Rcp. I. vb. appellülo, p. 193.
11 - Exccptuam-se os que novamente se
convertem á Fé, que podem tomar para si e para
136 Liv. 1. t. IY. Nobres
seus filhos sómente, os appe1lidos de qualquer Ii-
n hagem. O.§. 9. j. ult. (a)
J! Os administradores de vinculos que teem
clausula de usarem dos appellidos da familia, silo
a isso obrigados, sob pena de passarem os mes-
mos aos immediatos successores. L. 9 &t. 1769.
§. !.!3. ,4.
13 Estas Leis occorrem ao abuso com que
muitos se chamam Fidalgos e tomam appellidos
de linhagens arbitrariamente. O. r. t. 18. §. 4.
Dom.
14 Quem o tem. I Sómente podem usar de
Dom: I os Bispos; os Condes; as mulheres e
filhos de Fidalgos matriculados nos livros da Ca-
sa Real: as dos Desembargadores, e os filhos
dos Títulos, indaque sejam bastardos. L. 3 Jan,.
1611. Do titulo Dom "· DD. no Rep. III. vb.
marido póde, p. 433. (b)
· (a) Por D. ll. era permittido mudar o nome; salvo
se se fizesse com d6]o ou em prejuízo de terceiro, como,
para usurpar os bens ou direitos de alguma familia, to-
mando indevidamente titulas de honra, dignidade, in-
sígnias de alguma Ordem. "· Per. So. Class. ,. 146.
(b) Pela O. Y. t. 9!2. §. 7, s6mente tem Dom, 1.0
aqueltes a quem por Direito pertence por via de seu pai
ou avô paterno; !!.º ou por mercê d'Elllei: 3. 0 os que
o tem nos livros das Moradias. As mulheres podem além
disso tomá-lo de seus pais, mãis, ou sogras, que o tive-
rem. Os bastardos, indaque legilima<los, pelos pais, não
o podem tomar. qt. §. 7.
Pelo que se vê ser illegal o ha,·er-se julgado no Rep.
Ili. cit. p. 433. terem Dom as mulheres e filhas dos J ui-
zes de F6ra, e as dos Fidalgos de geraçá.o e Cota d' Ar~
mas, se estes não são matriculados. -O costume de to-
marem Dom os filhos espurios dos Prelados, allestndo
por Feb. de. f>ó. no fim, p6de sustentar-se por serem es-
tes equiparados aos Titulares. Pelo costume do Ueino
e Plebeus. §. 46. )37
ló li As pessoas a quem ElRei conceder
esta mercê. O. r. t. 9!!. §. 7.; como o Deão de
Braga. D. 7 Mai. 1799.
16 -A mulher que tem Dom, o não perde
casando com homem peão. Feb. de. 17 . .Add. a
Reinos. obs. 3. n. 3. Rep. Ill. vb. marido póde,
p. 433. O contrario Guerr. depriv. cap. b. n. 3b.
17 Uso illegal. Quem tomar Dom illegalmen-
te, ou consentir a seus filhos ou filhas usar delle,
paga cem cruzados (hoje 300) para captivos e
accusador, e é degradado por dous annos para
Africa : pela segunda vez incorre nas penas da
O. 17.t. 92. §. 7. j. E quem. L. aJan. 1611. (a)
18 - O Corregedor do Crime da Cidade mais
antigo, e nas províncias os Corregedores das Co-
marcas devem tirar cada anno devassa dos que,
contra a cit. L. 1611., tomam Dom ou consen-
tem a suas mulheres (b ), filhos e filhas usar del-
le, e proceder contra os culpados, sob culpa na
residencia. L. 3 D~. 1611.

to<losOi bnstardos doa Fidalgos usavam de Dom. Rep.


lll, p. 944. As mulheres e filhas <los Cavalleiros das
Tres Ordens Militares o tinham pelo Al, 18 Mai. 1b8b.
(a) As penas desta Ord. §. 7. são as de perder ot
bens, a nobre~a, e o direito em qualquer causa que tt.
'Ver, presente ou futura. "· &p. J. pr. 38. 11b.aclor que.
Por esta mesma O. §. 8. os pais sómente incorrem
nas ditas penas consentindo chamar-se de Dom a seus
f1lho;imenores de dezesele annos, ou a suas filhas que
estiverem em sua casa solteiras, A cit. L. calou esta
<lifferença. •
(b1 Esta L. 3 Der.. menciona as mulheres, suppon-
do que a L. 3 Jan. tratára lambem dos maridos,. o que
ella não fez. Parece portanto que estes niio respondem
pela mulher, e assim opina F,b. de. 16.
PART. J. 10
138 Lfv. ]. t. IY. Nobres

Tilul,o do Consellio de S. Magestade.

19 Este titulo compete aos Secretarios d'Es-


tado, pois são Conselheiros d'Estado natos. Av.
!O ,Mai.·e 4 Jul. 1796. : ao Intendente Geral da
Policia. Al. 16 Jan. 1780. §. 1. : aos Desembar-
gadores do Paço. §. 46. n. ló. h. l.: ao Juiz As-
sessor do Conselho de Guerra. D. 16 Mai. 179 3.
cit. no Al. 31 Jan. 1797.: ao Juiz Relator dos
Conselhos de Guerra e Justiça, que se formam
segundo osAl. !6 Out. e7 Dez. 17'96.: no Conse-
lho do Almirantado. Al. 31 Jan. 1797. : aos Con-
selheiros do Almirantado que tiverem Patente
de Chefe d'Esquadra ou outra maior. Al. 30 Ag.
1796.: aos Deputados da Mesa da Consciencia.
D. 3 e ÀtJ. ó Fev. 1801.: aos do Conselho Ultra-
marino. D.19 .Abr. 17~3.: aos do Conselho Ge-
ral do Santo Officio. Al. !O Mai. 1769.: aos da
Junta dos Tres Estados. D. 30 Jun. 1789.: aos
Vereadores do Senado da Camara de Lisboa. D.
1. HJul. 1801.; graça que primeiro se concedê-
ra sómente aos dous mais antigos. D. 24 e Al. ti'>
Jtm. 1796.: aos Porteiros da Camara e Guarda-
joias. Al. 19 Dez. 1808.: aos Priores Geraes da
Ordem de Christo em quanto o são. Al. 6 Abr.
178!.: aos Priores da R. Collegiada de N. Se-
nhorada Oliveira de Guimarães. Al. 4.Abr.1796.:
ao Prior de S. Cruz de Coimbra, Cancellario da
Universidade. Al. Ili. li> Ág. 1806.: ao Reitor
do R. Collegio de Nobres da Cidade de Lisboa .
.Al. 11.17 &t. 1766. no dito Colkg. lv. dos Der.
Jl. 7. Os Condes não teem este Titulo sem gra-
'iª especial. C. B. 3 Jun. 161 ó.
to - Os que o teem, recebem cortezia da
tropa quando passam. D. 18 Dez. 1649.: e pre-
cedem aos que o não teem: entre si precedem
e Plebeus. §. 4,7. 139
pela antiguidade das Cartas . .Al. !O Nov. 1786.
v. §. 48. n. t. sg. li. l.
§. 47. Tratamentos.
1 Aos Nobres se devem os tratamentos se-
gundo o seu estado, distincção, e na.scimento.
Al. H,Jan. 1759. L. ~9Jan. 1739. -Elles foram
principalmente regulados pela L. ,9 J0111.. 1739.,
que dcrogou nesta parte a de 16 Set. ló97. (a)
Excellencia.
Tem o tratamento de Excellencia por es-
cripto e palavra:
! Casa R. e Titulares: os Grandes do Rei-
no Ecclesiasticos e Seculares. L. !9 Jan. 1739.
§. 1. (No alto dos papeis e nos sobreescriptos se
põe aos primeiros, Ex.,no e]R.m0 Senhor: aos s~
gundos, lll."'° e Ex.""' Senhor. cil. §~1.) osGr«o
Cruzes das tres Ordens Militares. L. 19 Jun.
1789. §. 17.: os Veadores da Casa R . .A.l. 1. !ó
Abr. 1804.: os Gentís-Homens da Camara, ain-
da os não titulares . .Al. ló Jan. 17 ó9. : as Cama-
reiras-móres; as Aias; as Donas de Honor; as
Damas do Paço. L. 1739. §. 1~ ..
3 Ecclesiasticos : os Bispos como Grandes do
Reino n. 0 proximo. Os que assistirem em J>or--
tugal não sendo nomeados por EIRei, teem Se-
nhoria lllustrissima : e no alto dos papeis e nos
sobreescriptos se lhes põe lll.mo e ll.mo Senhor.
L. 1739. §. ó. Isto mesmo se pratíca com os Mi-
nistros da S. Igreja Patriarchal de Habito Pre-

(a) Os tratamentos devidos a EIHei e ás Pessoa, da


Familia R. foram regulados nacit. L.16 Set. ló97. que
nesta parte não foi derogadà pela de 19 Jan. 1739.
10 111
140 Liv. I. t. JY. Nobres
laticio. Os Conegos que não teem o dito habito,
tem Senlwria. cit. L. §. ó.
4 Em_pregadosCivis : os Secretarios d' Esta-
do. cil. L. 1739. §. 1. Al. 18 Jul. 1736. : os Em-
baixadores de Portugal que forem ou tiverem
sido nasCôrtes estrangeiras, e os destas em Por-
tugal. cit. L. §. 3. : os Enviados ou Residentes
actuaes ou preteri tos de Portugal nas Côrtes es-
trangeirasou vice-versa, teem sómente &nhoria.
cit. L. §. 7. : o Regedor da Supplicação, Gover-
nadores da Relação do Porto, Vedores da Fazen-
da, Presidente do Dsb. do Paço, da Mesa da
Consciencia, do Conselho Ultramarino, do Sena-
do da Camara de Lisboa, dentro dos respectivos
Tribunaes: fóra delles se lhes póde dar este tra-
tamento e nunca menos de &nhoria. cit. L. §. !.
Quanto ao dito Presidente do Senado da Camara
de Lisboa 11• .Jl. tf> .A.br.ló98. Al.10 Mai. 1769.
Ao mesmo Senado se conservou o tratamento,
que se lhe costumava dar. cit. L. 1739. §. H,.
6 Militares: os Vice-Reis da India ou do
Brasil actuaes ou preteritos , os Governadores
-das Armas, o Almirante da Armada R., os Ca-
pitlles Generaes, dentro dos districtos dos seus
Governos, no exercito, provincia, ou náos onde
governam: fóra delles se lhes póde dar, e nunca
menos de &nlwria. cil. L. §. 4. O mesmo com
os Tenentes Generaes, chamados dantes Mes-
tres de CampoGeneraes . .Al. H,Jan. 17á9. §. 3.
D. e,Abr. 1761. cil. L. 1739. §. 4.
Senhoria.
Tem trâtamento de Senlwria :
6 Casa B. e Titukwes : os Officiaes da Casa
R., das Casas das Rainhas e Princezas ; os Gen-
tís-Homens da Camara dos Infantes; e os filhos
e fiJhas Jegitimos de todos estes. cit. L. §. 6.: os
e Plebeus. §. 47. 14.1
Moços daCamara da Guarda Roupa. Âl. tb Ãl>r.
1804. : os Moços Fidalgos que tiverem liceD4i&
R., por escripto para servir no Paço no exerci-
cio deste fôro. cit. L. §. 6.; e suas irmãs e filhas
legitimas. §. 13. : as Donas Moças da Camara
e ~~afatas. Âl. 17 Mai. !777.: os filhos e _filhas
leg1t1mo&dos Grandes. cil. L. §. 6. : os V1scon~
des e Barões, e seus filhos e filhas legítimos.
cil. L. §. 6.
7 Ecclesiasticos : os Bispos não nomeados por
EIRei; e os Ministros e Conegos da S. Igreja
Patriarchal com as declarações acima &. 4.7. n.
3.: o Administrador da Jurisdicção ecclesiastica
de Thomar. cil. L. §. 9.: o Administrador Epis-
copal de Moçambique . .Al. 4Sel. 1769.: oCom-
missario da Bulia da Cruzada. L. §. 9.: os Ca-
bidos das Igrejas archiepiscopaes ou episcopaes
cm Sé plena ou vacante. cit. L. §. 9.: o Cabido
da Collcgiada de N. Senhora da Oliveira de Gui-
marães . .A. to Set. 1768. §. ó.: as Dignidades
e Conegos da Basilica de St.ª Maria. Âl. II. ló
Ag. 180ó.: os das Cathedraes de Braga . .Al. 13
Mar'..182ó.; de Evora. Âl. !7 Nov. 18!4.; do Por-
to. D. 6 Fev. 180J6.; daCapella R. do Rio de Ja-
neiro . .A.l.~l Dez. 1808.: os Thesoureiros-móres
da R. Capella e Insigne ColJegiada de Villa Vi-
çosa. D. 6Fev. 18!6.: o Dom Abbade Geral de
S. Bernardo e o seu Substituto, como-compre-
hendidos no .Al. ló Jan. 17 ó9. diip. Âl. to Jtm.
1764. : ( o Geral Esmoler-mór tinha Paternidade
Reverendissima. cit. L. §. 10.): os Priores-móres
das Ordens de Aviz e S. Thiago. cit. L. §. 9.
O Dom Prior da Ordem de Christo, bem como
os Reformadores e os Geraes das Ordens Reli-
giosas teem o tratamento de Palern,idade Reue-
rendissima. Aos Provinciaes se póde dar este
tratamento. cit. L. §. 10.
141 Liv. 1. t. JY. Nobres
8 Empregados civís : os Ministros que teem
Titulo do Conselho . .Al. IóJan.17óU.: osChan-
celleres das Relações de Lisboa e Porto . .Al. I.
11. H Jan. 1811. ( A respeito do Chanceller do
Porto já assim o havia declarado o .Ass. 4 Nqv.
1660. por estar elle nessa posse): o Reitor da
Universidade. cit. L. §. 9., e o Vice-Reitor . .Al.
1 ó .Ag. 1805. .Al. HJ Jan. 1811. : as Camaras das
Cidades do Porto . .Al. 13 Mai. 1804., do Rio de
Janeiro e de Macáo . .Al. 1. 11. 6 Fev. 1818.: os
Enviados e Residentes. n. 4, prox. : a Junta dos
Vinhos do Alto Douro, e tem o Titulo de lllus-
trissima . .Al. ló Ag. I80ó .
.!) Militares : os Governadores interinos das
Armas das Províncias, em quanto duram os seus
Governos. .Al. ~ Mai. 17 8~. : os Governadores
subalternos de Ultramar, durante os mesmos Go-
vernos~ Bes. ló Mai. 1799.: os Governadores in-
terinos da India e Bahia no tempo e districto de
seus Governos. cit. L. §. 8.: os Sargentos-móres
de Batalha .Al. lá Jan. l 7ó9., quando os havia.

Disposifóes geraes sobre tratamentos.


10 Algumas pessoas teem Senhoria ou outro
tratamento por especial mercê d'ElRei. cit. L.
1739. §. ló. (a)
11 As mulheres casadas teem o tratamento
de seus maridos, se pela Lei o não ti verem maior.
cit. L. §. 11.
lI Os Governadores elas Praças e Capitanias
do Reino e Senhorios teem no tempo e districto
de seus governos o tratamento que lhes tocar en-
(a) Assim se mando.u dnr Senhoria ao Barão d'Al-
vito. Al. !8 Out. 1609.; ao Principe de Ar1'8cão. Al. 11
Jan.1646; Excellencia noDuqued'A\'eiro. At.~OJmi.
1606; Alteza ao Conde de Lippe. At. iõJan. 1763. ele.
e Plebeus. §. 4,7. 143
tre os Militares segundo a graduaçtlo de seus
postos. cit. L. §. 8.
J 3 Aos Militares se permittiu continuarem os
tratamentos que entre si praticavam. cit. L. §. 16.
14 Os respectivos tratamentos ordenados na
cit. L. 1739. não se podem dar ás pessoas nella
declaradas, se casarem sem licença Regia por es-
cripto; nem aos filhos e filhas procedidos desse
casamento. cit. L. §. 4.
J:, A nenhuma pessoa se póde pôr no prin-
cipio da Carta. Senlwr Meu ou Meu Senhor. cit.
L. 17atl. §. 1.
16 Os Membros das Corporações, a quem
compete o tratamento de Senhoria, não podem
usar delle sem ter Alvará individual daquella
mercê . .Al.toSet. lB!õ. §. !.
17 Os Alvarás de Mercê <le tratamento de
Senhoria se passam pela Secretaria d' Estado dos
Negocios do Reino depois de pagos os novos di-
reitos. Al. !O Set. §. 1. 3.
J8 Os ditos Alvarás, depois da R. Assigna.:.
tura, e <le referendados pela Secretaria d' Estado
dos Negocios do Reino, são sellados, registrados
na Secretaria das Mercês, e transitam na Chan~
cellaria-rnór. cit. Al. §. 4.
19 1'·raictmento illegal. Ninguem póde dar
ou acceitar tratamento que por esta Lei não per-
tença. cit. L. 173\). §. 16. Aquelle que o fizer, pa-
ga para accusador e captivos I oo $ réis sendo Ca-
valleiro ou de maior qualidade, e ~oo$ réis,
com desterro para fóra do logar, não o sendo:
estas multas se aggravam pela reincidencia, e
se substituem por prisão não havendo bens. §.
16. 17. Os Corregcdorns do Crime da Cidade de
Lisboa e os das Comarcas perguntam em Cor-
reição pelos transgressores desta Lei. §. 18.
~o Faltando-se a alguem com o tratamento
14,4 Liv. 1. t. I/7. Nob1·es
que lhe pertence, póde elle requerer que isso se
lhe estranhe, ou que seja punido. D. 7 Mai. 1799.
11 Pela Prov. H, Jul. 1744. se mandou lace-
rar os livros em que se dá tratamento indevido.
§. 48. Precedencias.

1 As precedencias são principalmente regu-


ladas pelo arbítrio do Soberano. D. 19 Mai.
1750. (a)
! A precedencia que procede de Dignidade,
exclue a que procede de antiguidade: esta só
rege entre iguaes. Âss. 14 Jun. 1740. e Âg. 1748.
3 Desta regra se deduzem pela maior parte
as disposições seguintes: os Conselheiros d'Es-
tado nas occasiões de seu officio precedem a to-
das as pessoas que o não são. D. 9 Oul. 1691.
na Hist. Geneal. Proo. lY. p. 764.
4 Os Ministros que teem o titulo de Viscon-
de precedem nos Tribunaes Regios aos outros,
indaque mais antigos, e são precedidos pelas pes-
soas que tiverem o titulo maior de Conde, Mar-
quez, Duque . .Al. 16 Jun. 1786.
ó Os Ti talares nos actos publicas precedem
segundo o D. 19 Mai. 1750.: os Gentís-Homens
da Camara teem assento com os Titulas depois
do Conde mais moderno. Al. 1ó Jun. 17 51>. So-
bre a precedencia entre o Mordomo-mór e Guar-
da-mór o Camareiro-mór e outros Officiaes da
Casa R. "· D. 4 Set . .Ass. 18 Sei. e !27 Nov. 1648.
(a) Decidir as questões de prccedencia e antiguida-
des entre Desembargadores, pertence á. Mesa dos Aggra-
vos da respecth•a Relação, ouvidos os interessados. Res.
Cons. Dsb.17 Der.. 1666. Dsb. lv. ó. Jt. 80.: o que se in-
tende s6menle dos Miniilros da Casa; pois dos de fJra,
não conhece sem expressa l{csolugão de S. Magcstadc.
Au.17 J,in. 1747.
e Plebeits. §. 48. 146
6 As pessoas que teem Titulo do Conselho
d'EIRei, precedem nos Tribunaes Regios e nas
Juntas aos que o não teem, indague mais anti-
~os. .Al. !tO Nov. 1786. D. 10 Jan. 1706. (a)-
Sendo Conselheiros de Guerra, precedem entre
si pela antiguidade da Carta de seu Titulo . .Al.-
fJ.ONov. 1786. C. R. 10 Sei. 1636. "· D. 18 Mai. e
8 Out. 1644. e H Oul. 1667. D. 8 Out. 1699.; sal-
vo se um delles é Conselheiro d'Estado ou Pre-
sidente de Tribunal. cil. D. 8 Out. 1699.
7 A precedencia entre Ministros de diversos
Tribunaes e Grandes Ecclesiasticos e Seculares
concorrendo em alg__uma Junta se regulou no D.
8 Mai. 1613. CC. RR. 10 e 17 Sei. 1630.: a dos
Bispos com os Governadores do Brasil no .Al. 30
Jun. 1688., ez cit. pelo de 4 Der.. 1604.: a dos
Desembargadores entre si no .Ass. 14 Jun. 17 40.
D. 16 Mar. 180\'2.: a dos Magistrados menores
entre si no .Ass. 19 Jul. 1747.
§. 49. Privil.egios, isenções, e regalia, dos Nobres:
1 Os Nobres gozam de diversos privilegios
e isenções, segundo o gráo da sua nobreza : o
que hoje se ha de intender segundo o .A. 146. §.
1-õ. da Const. que aboliu todos os privilegios que
não forem essencialmente ligados aos Cargos para
utilidade publica junto o §. 31., que conservou
as regalias da nobreza hereditaria. (b)
(a) Pela Legisl11c;ãoe costume anterior se observava
isto mesmo nas Juntas que se convo('am para alguma
deliberação; porém nos 'fribunaes, o Ministro que en-
trava <le novo, indague tivesse Cl\rta de Conselho, não
precedia aos mais antigos. Res. de Oins. Dsb. !O Nov.
1687. nolv. 10. de Cons.fl.124.v. D. l!!Jan l717. O D.
!!ll Ag. 164!. declarou que os que leem Carla <lo Con-
selho, indo ao Dsb. do Paço, tecm assento no mesmo
banco dos Desembargadores em ultimo logar.
(b) Pela O. li. t. 61. nenhum Privilegiado goza de
146 Liv. J. t. JJ/. Nobt·es

PritJi'legiosdos Fidal,gos, Desemba1·gaclores, etc.


• Os Fidalgos, Doutores, e mais pessoas de-
claradas na O. 1. t. 66. §. 4!. a44. são escusos
das fintas dos Concelhos, não sendo para fontes,
pontes, muros, etc., se., do mesmo Concelho.
cü. O. Rep. II. vb. esci,sos de, p. 3!!7.
3 - a qual isenção estendem ás mulheres e
viuvas dos sobreditos. cit. Rep. II. p. 316. "· §.
46. n. 39. h. l., e aos Mestres das Artes liberaes.
cit. Rep. p. 3i6. "· §. 46. n. i6. /,,. l.
4 Os Escudeiros gozam sómente das liberda-
des e ii;enções concédidas na- sua Carta ou Al-
vará. O. II. t. 4õ. §. 39.
ó Hoje estas e semelhantes isenções se in-
tendem pelo A. 146. §. 14. da l"onst., segundo o
qual ning'!!em é isento de contribuir para as des-
pezas do Estado em proporçã'.odos seus haveres.
6 Os l'idalgos, e os que teem o titulo do Con,-
selho, communicam aos seus Lavradores, Casei-
ro, Mordomos, e Criados as isenções declaradas
na O. 11. t. 68. pr. e§. 4., v. e., dos encargos
dos Concelhos, da tutéla dativa, dos Oflicios do
Concelho menos os cinco, de aposentadoria pas--
siva; de se lhes tomarem mantimentos, etc. Rep.
J. vb. Caseiros, p. :-178. ( a)
seu privilegio sem ter lança <le \20palmos. Os Cavallei-
ros e os que leem o privilegio <lelles, não gozam dos mes-
mos sem terem cavnllo de estado e armas, salvo passando
de GO annos de idade, ou sendo moradores do Algarve.
O. II. t. 60. pr, Os Cavnlleiros feitos pt>losCnpilães <le
A frica não gozam delles sem lhes serem confirmados por
:ElRei. O. §. 1. ~.
(a) Estas isengões não são e_xlensirns f6ra da lellra
<ln Lei, e portanto não comprehendem as collectas pro-
,·euicotcs de contmctos, arg. O. II. t. 1">9.
z1r, nofim. llcp.
e Plebeus. §. 49. 147
7 - Estas isenções competem s6 aos Lavra-
dores encabeçados nas herdades dos sobreditos.
O. cit.pr. v. Rep. JII.p. 313. vb. lavradores; aos
Caseiros que viverem principalmente das quin-
tas delles e morarem nellas. O. §. 1. v. O. 1. t.
66. §. 43. t. 67. §. 10.; aos Mordomos e Criados
que com elles viverem sem dólo. O. pr. §. 3.: e
não mais que a um só Mordomo em cada casa
ou quinta. O. §. i.
8 -Cumpre que os Fidalgos, etc. tenham
carta destes privilegios passada na Chancella-
ria. O. cit. p.
9 Os Desembargadores e os outros Officiaes
declarados na 0.11. t. 69. são isentos dos encar-
gos e contribuições alli declaradas, e teem os
privilegios dos §§. !2. 7. 9. U. 14. v. Guerr. pri-
vil. cap. !l. n. 13. sg.: osquaes não se estendem
á isenção das coimas, e responsabilidade por
damnos. Al. 18 Set. 1610.; nem das almotace-
rias. Al. !3 Out.1604. v. lv. Ili. dos damnos; nem
a materia dos linhos canhamos. v. D. 9 Mar.
1684. noRep.11.p. 143. vb. encoutos.
10 - Estes privilegios não se intendem de-
rogados senão por especialissima menção. O. t.
á3. §. 14. Rep.1/7. p. ~63. Se EIRei conceder a
alguem os privilegios dos Desembargadores, se
intende esta concessão com as rest.ricções da cit.
o. §. 16.
11 -Entre os ditos privilegios é o dofôro,
se., de terem aos Corregedores da Côrte por
Juizes privativos nas causas civeis ou crimes
em que forem autores ou réos, nos termos da O.
11. t. ó9. pr. §. 10. 11. 13. 14. 111. t. 6. pr.
§. !2. J. t. 8. §. 7. Cab. de. ~6. Rep. I. p. G61.
III. p. 313. J. p. 378. vb. Oiseiros; nem as contribuições
para a guerra, ou outros impostos geraes. cit. &p. p. J78.
148 Liv. 1. t. JY. Nobres
,b. Corregedor elo, e 6á9. IY. p. !60. tJb. pri-
ilegio. (a)

(a) Posto que este privilegio se ache hoje (como to•


os os do fôro pessoal) abolido pela Conal. A.. 14á. §.
6., noto com tudo aqui sobre elle o seguinte:
A quem. Compele lambem aos Deputados de todos
s Tribunaes. O. pr. cit. Rep. IfT. p. 161. P~. \'!. For.
~p.11.n.ló9.: e portanto aos Conselheiros deGuerra.
'.). 13 .dg. 16óó., e aos do Ultramar. &p. cit. p. 161.:
.o Governador da Relac;ão do Porto, mesmo depois de
á não servir, D. 13 Mai. 161ó. cit. Rep. p. 161.: aos
;onselbeiros da Fazenda de Capa e Espada. cit. Rep.p.
161.: aos Desembargadores aposentados, Rep. cit. p. i6l.:
.os Officiaes das Secretariai d'Estado. At. 9 Mar. 178!2.:
10s Gentís-homens da Camara H.. Al. 17 Ag. 1737. -
,ão compete aos Corregedores do Civel, ou do Cdme
la Cidade, pois não são Officiaes da Côrte nem a se-
;uem. Rep. cit. p. 161. posto que ibid. ae julgasse o con-
rario: nem aos Desembargadores Honorarios. arg. Asa.
'Jun. 163(;, Rep. cit. p. !61., onde lambem o contrario:
1cm aos sobreditos Olfü:iaes quando estão suspensos de
eus Officios. Cab. li. ar. 88. Rep. IIT. p_.BOá.: nem aos
\dvogados numerarios da Côrte. Rep. li/. p. 80ó.: nem
10sLavradores, Caseiros, Mordomos, familiares, criados
: pnniguados dos Desembargadores e dos ditos Officiaes,
>Oisnenhuma Lei os menciona. arg. O. li. t. ó9, §. ló.
4ss. 1608. na Esfer. fl. 37ó. e Ass, ck 1609. ibid, /l.186.
1osto que o contrario se leia no Rep. lfT. p. !66. 167.
tb. prtvilegios.
Qumido. Procede este privilegio indaque os réos
norem no districto de outra Relação. 0.111. t. 6. pr_.e
!· 1. t.; ou na& terras de quaesquer Donativos. Rep. JY.
,.161. v. L.19 Jul.1790. §.14 . .Av.16 Mar.1792. a,. lu. II.
lo, Donatarios: indague o privilegio sobrevenhn corren-
lo a causa. C:ab.]. de. 2ó. cit. Rep.IfT. p. !261.!fi!. Elle
>refere aos outro;i pri ,•ilegios do fôro, como ao das viu-
1as, orphãos, miseraveis, estudantes, etc. O. cit. t. 69.
>·13. 14. Rep. T['. p. 161. ; com a declaração da O. Ili •
. 6. pr. §. 6. - E irrenunciavel. Cab. I. de. !13. Feb. II.
lec. 146. Per. de.!. n. 19. de. 9).
Cessanas causas sobre direitos H.R. O. II. t. 19. §.
e Plebeus. §. 49. 149
H As viuvas dos Desembargadores, vivendo
honestamente, gozam dos privilegios delles, ex-
cepto o do fõro. O. II. t. ó9. §. ló. Bep.111. p.
6t6. t,b. m-ulheres.
- O que parece não dever esten<ler-se ás
viuvas dos outros privilegiados de que falia acit.
Ord.; comtudo commummente fazem esta exten-
são ás viuvas de todos os Nobres, quanto aos pri-
vilegios concedidos em razão da nobreza. Bei-
tzos. Obs. 3. n. 7. e 11. Cab. pt. l. de. 98. t,. Bep.
cit. p. 6'26.
13 Os Lavradores, Caseiros, Criados, Mor-
domos e Paniguados dos Desembargadores e dos
ditos Ofliciaes gozam dos privilegios e isenç&s
contidos na cit. O. I. 69. §. 1. 3; 4. r,.. 7. Bep.
IP. n. 164. vb. privikgios ; v. c. , isençilo de
tutoria não sendo legitima, aposentadoria passi-
va. §. 6. etc.
Outras isenções.
14 De ittgatla. Os que teem os privilegios
de Nobres, são isentos de pagar rações, outavos,
e quaesquer encargos pessoaes das fazendas, on-
de os Foraes as impõem sómente aos peães. AI.
10 Fev. 17ó7. e 24 Nov. 1764. v. lv. 11. I. das
Jitgadas.
ló De pena vil. Silo escusos de pena vil os
Nobres, e as pessoas que teem alguma distinc-
ção, mencionadas na O. '/7. t. 138., como, Pro-
a. v. ~- 6:'>.n, 31. sg. h. l.; almotacerias, L. \2:J°!,'t,1604.,
e 9 Mar. 1678. v. §. 6ó. n. 46. sg. h. l.; caudelanas. D. 18
Jun. 1681. H Abr. 174,1.; delictos contra a Pragmalica
de !4 Mai. 1749. cap. \29. - ;, E nas causas de inventario
e partilhas? Julgou-se que sim pela generalidade desta
Ord. no Re.p. cit. p. !61.; porém parece haver aqui _pri-
"Yilegiode causa, que prefere ao da pessoa . .Add. a Olio.
mun. Pror,. cap.l. n, !O, 19. "· §. 6ó. n. 16. h. l.
160 Liv. 1. t. JY. Nobres
curador do Concelho ; Mestre ou Piloto de na-
vio de gávea; amo ou collaço de Desembarga-
dor ou de Cavalleiro de linhagem; Mercador de
negocio que valha 100 $ (hoje :wo$réis); pessoa
que costume ter cavalJo de estado indaque peão
seja, etc. Esta isenção é pois extensiva aos que
teem alguma distincção, posto que não sejam
precisamente nobres. Rep. 1. JJ·f.?6.!7. vb. açou-
tes. Rep. 1. p. 166. vb. amos de. Per. So. crim.
,wl. bll.
16 - A estas pessoas se comniuta a pena vil
na fórma do cit. t. 138. pr. j. Eem: e§. 1.
17 - Cessa este privilegio nos crimes decla-
rados na cit. O.§. !2. ; na traição e aJeivosia. O.
Y. t. 37. §. 3.; contrabando. O. J7. t. 66 . .A.l. 13
Noo. 1756. Regim. tahac. §. 16.; monopolio de
trigo . .A.l.fJ6 J'ev. 1771. (a)
18 - Nestes casos se o réo é Militar ou Ca-
valJeiro das Ordens, não se executa nelles a pe-
na vil sem proceder degradação das honras e uni-
formes. C. A. ta Fev. 1771.
19 - São penas vís a forca. Per. So. crim.
not. Hl. e 631. : galés. Per. ib. i. cit: ~e.5.168!'2.
(b): açoutes. O. Y. t. 138. pr. Per. ibi,, i . .A.l. ló
Jul. 1776. §. H. Feb. de. 18. n. 6. (e): baraço e

(a) Em descaminho de tabaco, os collaços e amos


de Fidalgos e outros privilegiados, não são isentos de
agoutes e galés por se conter naquelle crime falsidade e
furto de direitos. Res. Om,. Dsb. 1 &t. 1681, no lv. B.
Jl. 141. ,.
(b) A C. R. I Abr. 1631. pela necessidade de se re-
forgerem as galés de Hespanha, declarou que não fosse
infamante a pena de galés e de servir ao remo e sem
soldo, e que assim se publicasse.
(e) Acl. Apost. cap_.ft, n. tá. ibi: Dicit Centurioni
Paulus : ,i hominem Romanum el indemnalum licet i;o-
bis flagell<1re. Hoje os nc;outes, a tortura, a marca de
e Plebeits. §. 49. lól
pregão que acompanha o degredo, se., cadeia
ao pescoço. O. Y. t. 1:s8.pr. Per. crim. not. 691.
(a): cortamento de membro, e marca nas-cos-
tas. Per. cil. ,zot. f>IJ. Não se tem por pena vil
·a exposição da cabeça do degollado. Bep. 1. p.
676. tJb. condemnado á.
10 - Em irrogar a pena vil devem as Leis
proceder com a maior circumspecção e econo-
mia, por se lhe seguir infamia e inhabilidade
para o serviço do Estado. Bes. Cons. Dsb. 19 Set.
167!. no lv. 6. p. 66,
!'H - Portanto os degradados para Moçam-
bique e lndia são alliviados desta pena, porque
vão. alli ser empregados no serviço da Coroa.
Per. So. crim. not. f>3!1. (b)
t!I Da tortura. As pessoas nobres mencio-
nadas na O. Y. t. 133. §. 3. são ísentas da tortu-
ra. v. Bep. JY. p. 841-. vb. tormento. li. p. 456.
vb. Fwalgos. Hei. Yll. §. 139.
13 - Excepto nos crimes que fazem. perder
o privilegio da nobreza, declarados na cit. O. §.
3.,comosodomia, alcoviteria, furto, testemunho
ferro quente, e as mai. penas crucis estão ubolidas pela
Con,I . .A. 14f>.~. 18.
(a) Pelo que o Nobre (que hão morre enforcado,
masdegollado) em logar debaraço e pi;egão, leva cadeia
no pé. Per. So. crim. not.ó~l. eó:lt .. Res; tDes.1716.
O pregão em audiencia que acompJinha 'o degredo,
parece ser pena vil. arg. Defin. Ord. Chritt. 1'•a. t. 6. ~.
2. j. Com tudo Rep. L 'P• 267. vb. baraço. IY. p. 7. tJb.
pena de baraço.
(b) A Ra.111. Cons. Dsb. !21Mar. 1664. tratando de
presos que se deviam sentenciar para a lndia, excluia
011 réos de crimes atrozes, e mandava que não se lhes
impozesse pena de açoutes, barnço e pregão, ou outra
pena vil, afim de não ficarem inhabilitados para servir
naquelle E~tado, antes hnbeis para merecer honra no R.
se.rviço. No Dsb. lv. 4. Cons.fl.118. j.
lG! Liv. 1. t. lY. Nol»·es
falso, falsidade, aleivosia, moeda falsa, etc. Rep.
IY. 1.1b.privilegio ck Fidalguia, p. !267. 11. vb.
Fidalgos não, p. 4ó6. ; e lesa Magestade. Hei.
YIJ. ;. 139.
14 - A tortura ou tormento que se dá ao
indiciado de crime, para o confessar, inventada
para os escravos, nelles mesmos offende a natu-
reza, a humanidade, e a justiça, que não soffrem
impôr-se pena antes de sentença. EJia foi aboli•
da pela Const. .A. 146. §. 18.; e já ha muito o
fôra na Inglaterra sem resultar inconveniente.
Mmitesq. YI. rap_.17. Hei. YII. §. 113. sg. "· O.
cit. t. 133. Mell. lnst. crim. t. 17. §. ló.

Homenagem.
ló Outro privilegio dos Nobres é a 1,omena•
gem, se., não serem presos em cadeia publica,
mas em sua casa; no Castello, ou em toda a Ci•
dade, Villa, ou Logar. O. Y. t. HO. Per. So.
crim. not. 184.
16 - Elle pertence aos Fidalgos, Doutores,
Desembargadores, Cavalleiros Fidalgos, Caval-
leiros das Ordens Militares, Escrivães da R. Ca·
mara ou Fazenda; e ás mulheres e viuvas de
todos estes. "· O. Y. t. 110. Per. So. crim. not.
184.: aos Professores de Latim. Res. 16 Jan.
1674. "· D. l4Jul. 1776.: aos Deputados daJun-
ta do Commercio . .A.l. 16 Dez. 1766. cap. 18. §.
3. : aos da Companhia dos Vinhos . .A.l. 10 &t.
1766. §. 39. etc.
17 - Os Doutores e o uso forense o esten-
dem aos Licenciados, Advogados, aos que teem
privilegio de Infanções, aos Ofliciaes da Ordenan-
ça, e aos mais no Rep.11.p. 4ót, e4ó3. vb. Fi-
,lalgos. Cab. dr.. 107. "· Per. So. crim. §. 76. "· li.
l. §. 46. n. 10, sg.
e Plebeus. §. 4!).
18 - ao pai pela nobreza do filho, ou reci-
procamente. Bep. cit. p. 45!. e IP. p. l!l. oh.
preso em.
19 -Não teem este privilegio os Fidalgos
de Cota d'armas. cit. Rep. 11. p. 46c>. Per. So.
Crim. not. 186.; nem os CavaJieiros simples, co-
mo são os moradores do Algarve. cil. Per. So.
,wt. 187. Yaz, ibi. O D. R. oconcéde a todas as
pessoas nobres, ou constituidas em dignidade
maior. Hei. f/Il. §. 168.
30 CC$sa este privilegio: I nos crimes que
merecem morte natural ou civil. cil. O. pr. Bep.
11.p. 4Ml.: Ilnaquellcs em que as Leis ~:xpres-
samente o negam, como, amizade illicita em
Conventos de Freiras . .Al. J a Ja11. 160:J.; desafio.
L. 16 Jun. 1668.; descaminho de tabaco. Bes.
C01zs.Dsb. 17 Nov. 1678., que ma,uloiifazer Lei
nesta conformidade. Dsb. lu. "/. Cons.fl. 116.; de-
floração, segundo aopin. noRep. ll.p. 464. etc.
v. mais cast,s no cit. Pe,·. So. n. 1. : III naquel-
les cm que os Nobres são sujeitos a pena vil,
pois que perdem por elles o privilegio da nobre-
za. '-:·§. 49. n. 17. e ~3. li. l. : IV quando se pede
depo111da sentença que condemnou.· Feb. II. ar.
J áO. Per. cit. : e quando a prisão é pena irrogada
na Lei. Rep. 11. p. 4f>4. vb. Piclalgos não, onde
outras excepções; porém parece que nestes ca-
sos a Lei não intenta cassar a homenagem, que
é verdadeira prisão. arg. O. Ili. t. 9. §. li. e t.
7. §. !. Rep. IY. p. !H. vb. preso.
:H Aproveita nos casos civeis em _9_ueinda
póde ter Jogar a prisão. Rep. li. vb. Fitlalgos,
p. 4,b~.
- e aindaque se renunciasse, pois seria nul,;.
la a renuncia. i. O. cit. §. v. com tudo Rep.
11.p. 4l>f>.
a2 C01icessáo. A homenagem é concedida
fART, I. 11
164, Liv. I. t. IP. Nobres
pelo Juiz da culpa. O. 'JT.I. no. Per. So. cit. nol.
184·. Depois de concedida não póde alargá-la,
salvo se delle não ha recurso. O. cit. §. 6. sobre
oquefJ.DD. noRep. II. vb. homenagem,p. 666.,
onde que o Regedor a póde ampliar.
33 Quebramento. Quem quebra a homena-
gem é preso em cadeia publica, e perde para
sempre este privilegio. O. t. HO. §. 6. Julgou-se
que saír de casa a acudir a uma briga, inccndio,
etc. não induz quebramento. Bep. cit. p. 6õ7.
Segundo a praxe é necessario que o quebramen-
to se prove por testemunhas inquiridas com ci-
tação do preso; ou achando-o o Juiz fóra do lo-
gar da homenagem ; ou não o achando nelle, e
fazendo-se disso auto legal, e que se siga sen-
tença do quebramento. Rep.11. vb. Homenagem,
p. 6ó6. O infractor póde impetrar perdão e res-
taura"ão do privilegio: graça que não concede
o Dsb. do Paço pelo seu expediente. Rep. 11.
JJ• 667. ra~,alleg. 13. n. ~37.
34 O mais de homenagem v. em Per. So.
crim. §. 74. sg.
ÂlltmfÓea devidas aos Nom-es.

36 Cit~áo. Algw1s Grandes do Reino teem


o privilegio de não serem citados para causa no-
va, estando fóra da Côrte, senão por Carta da
Camara. 0.111. t. 1. §. 19. Rep. J.p. 449. vb. ci-
lafáo, e 463. Cab. l. dec. 179. n. J. i. (a)
(o) , Quaes são estes G randtis? A cil. Ord. diz " Os
Infantes, Duques, Marquezes, e outros Grandes do Rei-
nozque por antigo estylo e costume da Corte .•. são ci-
\ados por Carta" O .Al. IO Mai.1617. declara que por
Carta de Camara sio s6mei1te citados os Arcebispos e
Bispos que aliás se deviam citar por ellas; os parentes
proximos d'EIRei, e outras pessoas de tal prceminencin
e Plebeus. §. 49.
36 - P1·axe. A parte requer ao Dsb. do Pa.,
ço, o qual manda passar Carta para o Grande
ser citado : esta se lhe cn trega pessoalmente por
um Julgador, que passa certidão da entrega.
Rep. I. p. 463. vb. citaçáo. A formula destas Car-
tas v. em Barb. á O. IIJ. I. J. §. 11lt.Leit. fin.
,·eg. cap. 8. n. 1 J.
37 -Este privilegio cessa nas cita~ para
execução de sen lcnça, ou para correr a causa.
circúmducta, etc. cit. O. §. 19. Rep. l.p. 463.
38 ·-Os outros Nobres costumam citar-se
por uma Carta missiva do Escrivão, á qual res-
pondem por escripto, ou sendo elle. certo da en-
trega passa certidão da citação. Peg. á ·O. III.
t. l. §. ult. f?'anguerv. II. cap. 1. n. 9.
39 Inqttiriçáo: Cl,amacla. As pessoas egre-
gias e illustres não se comprehendem na O. III.
t. 7. que autorisa o Juiz a fazer comparecer pes-
soalmente cm audiencia para perguntas. DD. ,,,o
Rep. I. p. 46ô. ,,b. citado: e assim ·se.tem jul-
gado. ibid.
40 - Os Bispos, e mais pessoas egregias, ha-
vendo de prestar juramento judicial, ou o dão
no seu Palacio, onde irá o Juiz da causa, ou po-
dem mandar Procuração especial com instruc-
ções assignadas . .Av. 18 .Ag. 1787.
41 - Os Conselheiros d' Estado não podem
ser obriS'ados a jurar em devassa alguma: e sen~
do referidos, envia-se-lhes o referimento por es-
cri pto para responderem á margem delle em se-
gredo e com juramento. C. R. 31 Out. 1603.
4! -Os que teem fôro de Fidalgo, havendo

que tenham para isso especial pti\'ifo11:io. - A Rainha


Ocit. §. 19. no .fim. Mell. JP. I. 9. §. H. eo Al'cebispo de
Braga Cab. l.dc.179.n. 3. Barb. aocil. §.19. são 11ern":'
pre citados por esta Carta.
11 •
166 Liv. 1. t. IP. Nob,·es
de ser inquiridos por testemunhas, o são na casa
da Camara, e chamados pelo Escrivão ou por es-
cripto, não em rol geral. C. B.11. 16.llfar. 1633.
43 -Quando algum Magistrado dos Tribu-
naes supremos vai á Relação convocado pelo Re-
gedor 011 pelo Chanceller servindo de Regedor,
eleve na entrada e saída praticar com elles o mes-
mo ceremonial, que praticam os Ministros da Ca-
sa . .Âv-. I8Nov. 17~1. naSuppl. lv. !O.jl,. HO.
44 Penhora. Aos Fidalgos, Cavalleiros, Des-
embargadores, e ás suas mulheres não se penho-
ram os cavallos, armas, livros, vestidos do·cor-
po, e camas do seu uso, indague não tenham ou-
tros bens ( bent'Jiciode competencia). O. 11I. t.
86. §. !23. Per. So III. not. a10. Bep. 11. p.
378. tJb. execuçáo ; salvo se a execução proce-
der de delicto. O. cil. §. 13.
46 - Nas casas dos mesmos, e dos Escudei-
ros não podem entrar os Ofliciaes; a penhorar
moveis nellas existentes, salvo pedindo primeiro
de fóra que lhos deem, e não os havendo fóra.
cil. O. §. l!.
46 Prisáo. Os Capitães da Ordenança, segun-
do antigo estylo, por culpas militares não podem
ser presos senão por Officiaes da Milicia; e pelas
civeis, tocantes ao fôro civil, senão pelos Juízes
do Crime, ou por outros Ministros superiores, e
não.por Alcaides ou Meirinhos . .Al. 18 Mai.1648.,
que aindaque falla dos Capitáes dos Terços ou
Ordenanças da Côrte, teem clausulas re'lativas a
todo o Reino.
Quanto aos Empregos civís e á Profissáo Militar.
47 Empregos civís. Para ler no Dsb. do Paço
se requer alguma nobreza. Os Bachareis de bai-
xo nascimento não são admittidos, salvo se o me-
Plebeus. §. 49.
e 167
recerem por lettras e virtudes, e entilo precedem
aos simplesmente nobres. C. R. 10 .Ag. 1616. (a)
48 -Os filhos dos Conselheiros d'Estado na
Magistratura são logo promovidos aos Tribunaes
sem servirem os primeiros Logares. i. D. t4Jun.
1800.
49 - Em algumas terras sómente as pessoas
nobres são admissiveis aos Cargos de Juiz, Ve-
reador, e Alrnolaccl. v. /1,.l. t. das Cam(was. As
pessoas da primeira nobreza são inelegiveis para
Procuradores do Concelho. Res. Cons. Dsb. 13
Alar. v. Camaras. Por D. R. basta a profissão
de Arte liberal para eximir dos cargos cJoConce-
Jho. Hei. Yll. §. Ht. Os criados dos Fidalgos
não podem ser AJmotaceis em Lisboa. Regam~.6
Set. Ib7l. §. 31.
óO Os que gozam dos privilegios de nobres
-
são admissivcis aos Habitos das Ordens Milita-.
res, sem dispensa de mechanica. AJ. 10 Fev.
17ó7. e ~4 Nov. 1764. v. §. 86. n. 3. sg. A. l.
ól Profissão Militar. AOB Nobres compete
especialmente o exercicio e serviço da Cavalla-
ria militar, pelo qual se lhes prometteram recom-
pensas . .Al. 6 Fev. 164~.
bt - Os que aspiram a ser Cadetes em qual-
quer das tres Armas do Exercito devem fazer
primeiro justificação de nobreza por pais e por
seus quatro avós, sem fama em contrario . .AI. 16
Mar. 17b7 . .Av. '1.0 Set. 18ló. D.18Mai. 1797. -
Sendo Moços Fidalgos ou de fôro maior, ou fi-
lhos de Sargentos-móres ou Mestres de Campo
(Tenentes Generaes) escusam fazer esta próva~
(a) A leitura e habilitações dos Bachareis abolida em
9 .Mai. 13!2l., foi instaurada pelo D. 30 Set. 18!:J. Ella
está regulada nos DD. 14 Mai. 1673. 13.Jul.1776. li
Mai. 4Jun., e Avv. 1:, Jun., tO &t. 1789. Na Suppl. lo.
20. fl. 111. f. e J H. y.
H>B Liv. J. t. Jr. Nobres
.A.v.3 Nov. l 7ó7. - Esta justificação da nobreza
se faz perante os Auditores do Exercito na fór-
ma das lnstrucçóes t Out. e Av. ~o Set. 1815 •
.A.v.3 Nov. 1757. - Deve além disto o habilitan-
do, para manter seu tratamento nobre, ter lam-
bem a quantia annual de 144 I réis; a qual se
consistir em doação, se deve verificar perante os
Corregedores do Ci vel, e nas províncias perante
os das Comarcas. cit. lnstrucç. 18ll'>. Os filhos
segundos das casas vinculadas basta mostrarem
por um instrumento justificativo julgado por sen-
tença, que leem a dita quantia, sem ser necessa-
rio apresentar escripturaalimenticia. D. 13 Fev.
18i6.
53 - Ninguem é a<lmiUido a Guarda-Mari-
nha sem ter fôro de Fidalgo por pai ou mãi, e
provar que seus pais viveram á lei de nobreza.
D. 13 Nov. 1soo.
b4 - Os filhos dos Conselheiros d' Estado que
assentam praça, tendo a precisa idade, são logo
promovidos ao posto de Capitão, assim como na
da Magistratura.. são logo promovidos aos Tribu-
naes. JJ. !4 Ju,1,, 1806.
Privilegios varios.

bfJ Os A]varás ou escriptos elos Nobres de-


clarados na O. 111. t. 59. §. Iõ., fazem prova con-
tra elJes nos termos da mesma. Rep. II. p. 4õõ.
vh. Fidalgos de ... v. lv. II. t. dos Contractos.
{>6 - A declaração jurada do amo nobre de
haver 11ago a soldada ao criado, faz prova nos
termos da O. JY. t. a3.pr. j. ult.
õ6 - a - Os delictos elos Nobres são punidos
mais brandamente. Feb. de. 18. n. 4. e sg. v. §. 45.
n. 8. h. l.
57 O réo Cavalleiro ou de maior qualida<le,
e Pkbeus. §. 49. U9
sendo condemnado á morte, regularmente nio é
executado sem primeiro se dar parle a ElRei.
O. I. t. 1. §. 16. v. O. Y. t. 36. §. 1. t. 138. §. 1. no
fim. Rep.11.p. 664. vb. komicidw.
-O que especialmente se determinou nos
casos de forçamento ou seducção de mulher. O.
r. t. 18. §. 4.; adullerio. t. ló.pr.; e bigamia.t.
19. §. 1.
· f>8 Na provincia da Extremadura s6mente po-
dem casar as pessoas que teem aquelle gráo de
nobreza, que distingue os cidadãos dos gremios
da plebe. Al. l Jun. 1776. §. 4.
ó9 Sómente pessoas de distincta nobreza, ou
recommendaveis por outros principios, podem
instituir morgado. L. 3 Âg. 1770. §. 16. sg. "· lo.
II. t. dos morgados.
60 Os Nobres, e Magistrados gozam dobe-
neficio de competencia. Mell. IY. t. ó. §. 7. "· §.
49. n. 44. h. l. e lv. III. t. dos credores tultmedore,.
. . • especsaes
§• óO. D IS_pos'foes . reKNH1GI
J-4.
ao,
'IIT-~--
.n~.

I Da injuria feita a alguem por Fidalgo, Ca-


vallciro, Escudeiro, ou criado de Grande ou de
Prelado, se o injuriado se queixa e dá sua inqui-
rição, indaque depois desista ou perdôe, procede
o Juiz officiosamente ; julga como se o injuriado
accusasse ; e lhe applica a pena da injuria. O.
1. t. 66. §. 30.: a qual applicação é singular nes-
te caso. Âss. !UJ Fev. 17!1.
i O Corregedor da Comarca, como Juiz dos
Poderosos póde avocar as causas dos nobres. O.
]. t. 53. §. ~~-
:J É nulla a cessão do direito ou acção, feita
cm Fidalgos e outros poderosos. O. 111. t. 39. v.
lv. li. da cesscw.
160 Liv. /. t. l Y. Nobres

Dotes elas mulheres nobres.


4 Os Nobres não podem dar a suas filhas,
por grande que seja a qualidade dellas, dote maior
de- doze mil cruzados, sob pena de 6car o exces-
so ipsofacto perdido para a R. Fazenda. Nesta
quantia não entram as legitimas e heranças que
JlOr qualquer via se devolvam á dotada . .A.l. 14
.A.g. 164:'>. cmiforma,ul.o-se com o cap. 31. propos-
to pela Nobre~a na.s Côrtes 18 Jan. 17 4i. occor-
rendo aos excessivos dotes das casas nobres.
Dotaçóes nupciaes de certos Fidalgos.
ó As pessoas, que tiverem ioro de Moço Fi-
dalgo ou outro maior, e bens vinculados ou da
Coroa e Ordens que juntos excedam a tres con-
tos de renda annual, ao casar suas filhas, não po-
dew fazer com ellas mais despeza que a do en-
xoval de roupa branca, que não passará de qua-
tro mil cruzados : e além desta quantia não se
lhes póde dar cousa alguma em bens de raiz ou
movci1:1,joias, alfaias, etc. a titulo de dote ou ou-
tro qualquer ; sobre nullidade do contracto, per-
dimento dos bens doados, e para o Tabellião per-
dimento do Officio. L. J. 17 .A.g.1761. §. 4.junt.
§. 1., occorremlo á disposiçâo das casas da priri-
cipal Nobreza.
- O que procede indaque na herança não
haja bens livres; e que as difas futuras esposas
hajam de ser dotadas pelos proprios bens dos pais
e irmãos. §. 6.
6 Exceptua-se sómente: I se as ditas pessoas
forem Damas da Rainha: II se forem herdeiras
das suas casas, ou das de seus parentes ; pois
nestes dous casos, casando como herdeiras, po-
e Plebeus. §. bO. 161
derão como senhoras das casas dotar-se livremen-
te com os bens que tiverem. §. 6.; e estipular·
com seus esposos, assim para a vida como para a
morte, as reservas e condições quequizerem. §. a.
7 Os ornamentos nupciaes das ditas esposas
para o tempo do matrimonio, se lhes hão de dar
por conta dos esposos, ou sendo menores pela de
seus pais e tutores; porém uns ou outros não po-
derão dar a suas esposas ou de seus filhos cousa
alguma (por qualquer titulo) salvo nos dias de
primeira visita ou das escripturas; e as joias e
ornatos que então se lhes derem, não excederão
a outo mil cruzados, sob as penas docap. 16. tJa.
Pragm. de 14 Mai. 1749.; ficando em seu arbi- '
trio escolher a qualidade e numero dos ditos or-
namentos. cil. L. §. declarado pelo D. 17 J?JI.
1778.
a Para o caso deviuveiz teem as ditas espo-
sas segura a sua congrua sustentação ·Damesma
casa onde vão casar, e vem a ser a decima par-
te dos rendimentos annuaes della; que lhe será
Jogo adjudicada pelo officio do respectivo Juiz,
a titulo de apanágio ou de aJimentos nas rendas
mais solidas do casal, indaque provenientes de
bens ele morgado ou da Coroa na falta de outros
(a). Na posse e fruição destes bens adjudicados
ficam as viuvas com o privilegio de preferencia
e o~ mais concedidos aos bens dotaes, cuja na.:.
tureza ficam tendo : por sua morte ou segundo
casamento revertem os bens á casa donde saí-
ram. Na referida adjudicação se procede de pla-
no e sem ordem judicial : em quanto ella se não

(a) Os prazos vitalicios lambem entram em conta


para calcular esta decima; e ficando salva nos successo-
res n nomeação, os recebem com este encargo, L. 4 FefJ.
]76ó. §. 4.
lH Liv. 1. I. lY. Nobres
faz, conserva a viuva a posse civilissima de to-
dos os bens do casal, inclusivamente os da Co-
roa e Ordens. cil. L. 1761. §. 7.
9 - No caso de haverem as ditas esposas ca-
sado com filhos-famílias, e de fallecerem estes
em vida dos pais (antes de succederem nas suas
casas), levarão as viuvas as mezadas estipuladas
nas escripturas dotaes para os seus alfinetes ou
alimentos, e as disfructarão em quanto se não
recasarem. L. 4 Fev. 1766. §. 1. - Isto mesmo
se guardará no caso de ficarem as ditas viuvas
com filhos, até que pelo fallecimento dos sogros
ou senhores das casas se lhe possa separar adi ta
decima parte acima mencionada. L. 1766. §. !.
Estes alimentos ou alfinetes se cobrarão execu-
tivamente e de plano peloofficio do Juiz, a quem
se apresentar a escriptura dotai. L. 176:>. §. 4.
Concorrendo no mesmo casal duas viuvas, não
será elle gravado com duas decimas; mas a viu-
va do primogenito terá a <lecima; e a do segun-
do ou terceiro sómente os ditos aJfinetes ou ali-
mentos. cit. L. §. 3.
10 - Quanto ás ditas Damas do Paço no es-
tado de viuvez, haverão por toda a vida a deci-
ma parte dos rendimentos annuaes de todo o ca-
sal, as suas tenças, apanagios, e alimentos. L.
1761. §. 8. Os sogros ou esposos devem fazer o
assentamento destas tenças dentro do anno _se-
guinte ao contracto dotai, sob responsabilidade
por seus bens. L. 1766. §. 6. (a)
(a) Os§§. 4. ó. fi. 7. 8, desta Lei.[. 17 Ag. foram con-
servados pelo D. 17 Jitl. 1778., fa1.eodo-se ao 7. a de-
claragão referida. - Pelos §§. 1. !. 3. da mesma Lei, as
herangas dos referidos Fidalgos se repartiam s6mente
pelos filhos nuões, cxcluidas as filhas, a quem apenas
competiam alimeulos para sua decente suitentagão, ou
umn prcstni;ão necessaria para sua accommodação em
e Plebeus. §. 60. 163

I.JUXotzos casamentos e luto nos Nobres.


11 Casamentos. Os Fidalgos §. 60. n. ó. que:
teem pelo menos o fôro de Moço Fidalgo e 06
ditos tres contos de réis de renda, não podem
fazer na Côrte casamento publico, assim na sua
celebração, como no acompanhamento dos noi-
vos: sómente podem concorrer nestas funcções
os padrinhos, pais, e irmffos dos contrahentes,.
sob pena do R. desagrado. L. li. 17 Ag. 1761.
§. l. occorrencw ás dispendiosas ostentafâes dos
casamentos dos Fidal,gos. ( a)
1t Lttto. Ás vi uvas das pessoas distinctas é
prohibido encerrarem-se pelo fa.Jlecimento de seus
maridos em camaras escuras, ou mesmo em to-
das as casas da sua habitação ; porém logo no
dia do fallecimento se retirarão para outra casa
da Côrte ou do campo ; e não tendo para isso
commodidadc, se lhes prohibe fechar as janellas
da sua casa; estender o nojo por mais de outo
dias, e o encerro em sua casa a mais de um mez,
usar de luzes e camas aos cantos das casas ou
no ch,lo, tudo sob pe~a do R. desagrado e dous
mi) cruzados de multa. cit. L. §. 3.
caso de quererem mudar de estado. Tendo porém aquel-
]cs ~- sido suspensos pelo cit. Decreto, ficaram as fi-
lhas restituhlns ás suas legitimas, ioda aquellas filhas,
cujos pais tinham fallecido antes da data deste Decre-
to. cil. D. no fim.
(a) Pelo§. t. deste, L., suspenso pelo D. 17 Jul. 1778.,
<lc,·iam os referidos contrahentes ,;ob as mesmas penas,
1aír no mesmo dia do casamento duas leguas pelo menos
para alguma ca~a de campo fórn de Lisbon por dt-z tlim;
pelo menos, e não receberem lá \'isitas senão Jos paren-
tes do primeiro gráo.
lista é urna Lei sumptunria: sobre taes Leis, ,~ ge-·
ralmente sohrc o luxo e sua influencia nos Estados o.
Monlesq f/'J/. wp. l. ,g. M,, 1õ. Fil,mg. lll. cnp. 38. 39.
164 Liv. 1. t. IY. Nobres
13 - Isto mesmo se observará nos enterros
e nojos dos parentes em primeiro g·ráo por todas
as outras pessoas de ambos os sexos; em quan-
to fôr applicavcl. §. 4.

Administração das casas nobres.


14' Ás casas que formam o corpo da Nobreza
da Côrte e Reino concede ElRei muitas vezes
uma administração judicial, afim de prevenir a
sua dissipação, ou extraordinario apuro.
l õ - O Juiz nomeado administra os bens da
casa com a nccessaria faculdade e jurisdicção
administrativa; arbitra decentes alimentos á casa;
separa com prudente arbitrio rendimentos para
o pagamento das dividas, e pratíca as mais regras
convenientes. v. D. 7 &t. 1774. na S11ppl.lv.
18.fl. 71. j. {a)
16 Novissimamente o D. 30 Jitn. 18!4. :fixou
as regras por que se devem reg·ular taes admi-
nistrações. Os Juizes administradores recencciam
as contas todos os annos. Os credores podem re-
querer a imposição da pena docit. D. §. g, v. D.
ta .Ag.18!26. Porém depois que a Const. .A. 14f>.
§. 16. aboliu as Commissões especiaes, ficaram
os ditos Juízes reduzidos ás funcções meramen-
te economicas e administrativas, e todo o con-

(o) Por este Decreto nomeou ElHei um Desembar-


gador e um Homem <le Negocio para administrarem a
casa da viuva F., que representára o seu apuro e con-
fusão, por haverem os credores apprehen<lido os rendi-
mentos dn casa ao ponto de não reslarem alimentos para
~i ti seus filhos. As regras estabelecidas neste Decreto fi-
caram servindo de base ás outras semelhnnles ndminis-
traçõe!, ele que por este tempo se achnm muitos exem-
plo!, como, no/), 3 Fev. 1761. na Siippl. lv. 16.fl. IG?.,
qric lambem eonté,n regras de administração.
e Plebeus. §. 50. 16á
tencioso passou aos Juizes competentes. cil. D.
1816. (a)
17 Estas Cornrnissõcs com administração das
casas não se conferem a Desembargadores dos
Aggravos, nem a Corregedores do Civel da Côr-
te, como improprios de seus laboriosos logares;
sendo sem administração, se podem conceder com
moderação aos Aggravistas, não aos Corregedo-
res: salvo por Ordem R. passada com revogação
expressa do D. 11 Mar. lõ9-t.
§. õl. Cousas proltibidas aos Nobres.
1 Prohibe-se aos Fidalgos as cousas seguintes:
Elles, e os Cavalleiros ter bens nos reguen-
gos, em que se deva morar pessoalmente. O. 11.
t. 17. Regim. Faz. cap. ~!9. §. 1. i,. Port.11. cap.
43. n. 30. 31. v. lv.11. dos bens reguengos.
~ El1es, ou os seus Mordomos pousar nas
Igrejas e l\'losteiros, oh tomar-lhes suas casas e
mantimentos. O. li. t. ! 1. tirada da Concordata

(C1) D'untes estes Juizes tinham jurisdicção privali•


vu, e avocavam as causas de qualquer Juízo. cit. D.
1774.; salvo sendo causas <los que th·cssem pri\'ilegio do
fôro incorporado em Direito, como orphãos, Desembar-
gadores, etc., pois e5te se não intendia <lcroga<lo sem
expressa menção, nem era <ln ll. intençã<> que aquelles
Juizes merecessem mais a H. con6ança que os outros
J uizes privilegiados que lhes são anteriores. D. 13 Jan.
1780. na Suwl. lv. 18. p. !!7õ. j.
O qual· b. 13 Jan. posto que falle especialmente
dos ditos Juizes Administrati\'os, se <le\'e cslend1·r a ou.
lros quaesquer Juizes de Com missão pela pala na ibi:
muitos Julgadores, especialmente os Jui'l.cs administrado.
res das casar nobrc:s: e na consulta do Dsb. Ja Paço que
)he precedeu ibi : muitos Julgadores i11terprelando ••• a
seu arbitrio ••• que esta interpretação arbitraria chegavaa
maior. excessonos Juiics adminhtradorcs elas casasnQbres.
16G Liv. I. t. JY. Nobres
de D. Sanc/10 II. em Per. M. R. no llep. II.
p. 461. vb. Fidalgos, 4f>3.
3 Fazer nas suas terras defesas de que venha
prejuizo ás rendas ou bens das Igrejas e Mos-
teiros, ou impedir por qualquer modo o livre a1·-
rendamcnto e arrecadação das mesmas rendas.
O. 11. t. !3. pr.
• 4 Elles, ou os Prelados lançar pedidos. O.
11. t. 49. Bep. IY. p. 3. vb. pedidos.
ó Elles, e quaesquer Poderosos fazer malfei-
torias, tomar generos, etc., o que os Juizes de-
vem impedir, e fazer-lhes pagar o damno, sob
responsabiJidade. O. I. t. 6õ. §. 17.
6 Ellcs, e os Senhores de Terras abusar da ju-
risdicção que teem da Coroa, ou levar a mora~
dores direitos não devidos ; sob pena de irem á
Côrte responder pessoalmente a EIRei ou ao Dsb.
do Paço, e serem punidos. O. 111. t. 7. §. 1.11.
t. 4f>. §. ó. 7. a. 13. lõ. 17. 11. 34. t. 49. r,o. Per.
M. R. cap. ~7. n. tl.
7 Os Amos que criam os filhos delles e dos
Senhores de Terras, pedir aos moradores generos,
aves, etc. para lhes levarem quando lhe acabam
de criar os ditos filhos : costume punido pela O·
Y. t. 90. §. 1.
8 Elles, e os Prelados ou Senhores de Terras
não fazer Honras e Coutos novos, nem accres-
centar os velhos de que já usavam seus anteces-
SQres. O. li. t. 48. pr. Y. t. 104. pr. Bep. J. p.
706. vb. Coutos. De que jurisdicções e direitos
possam usar nestas Honras e Coutos decJara a
ci.t. O. t. 48. §. 1. sg. v. lv. 11. cws Donalarios. ( a)
(n) Que estes Coutos não foram cessados pela L. 10
J,r,a, 1691., a qual falia dos Coutos dos malfeitores, e
que a deroga~ão que nella se fez desta O. e. 48. se es-
crevêra por equivocação, opina o Desembargador Oli-
,·cira consultor da dita Lei no Rep, J. vb. Coutos, p.106.
e Plebe1,s. §. á 1. 167
9 Elles, e os Prelados acoutar malfeitores ou
homiziados em suas casas, bairros, ou terras. O.
Y. I. 104. Rep. II. 16. vb. delinquentes. Os Offi-
ciaes de Justiça indo em seu seguimento, se el-
les se acolherem alli, entram livremente, e pon-
do-se-lhes impedimento, procedem segundo a O.
I. t. 73. §. 7. 8. 9. 10. e t. 7ó. §. 16. Regim. l!!
Mar. 1603. §. 7. O. que não se intende dos laga-
res sagrados eimmunes. O. cit. §. 8. v. lv. II. da
immunidade. Nas casas dos Fidalgos de qualquer
prcemincncia entram os Ministros a apprehen-
der descaminhos e contrabandos. Al. 14 Nov.
17õ7. §. ó.
10 Elles, equaesquer pessoas poderosas fazer
coutadas nos montes, rios, maninhos ; excluindo
os moradores da caça, pesca, lenhas, etc. O. TT.
t. 91.pr. §. l. v. lv.11. das Coutadas.
11 Elles, os Prelados Seculares e Regulares,
Commendadores, e mais Donatarios apropriara
si as casas ou terras que ficam ermas; pois se
devem dar de sesmaria. O. JY. t. 43. §. J 5. Rep.
II. 11b.Fidalgos qtte, p. 467. v. lv. 11. das ses-
marias.
H Elles, e os Cavalleiros advogar, procurar
em Juizo, salvo por seus domesticas, caseiros,
amos, mordomos. O. II1. t. !8. 1. t. 48. §. il. sg.
Rep. 1. p. 67. vb. Advogado, e p. 401. vb. CavaZ...
leiros : porém se de facto o fizerem sem a Par-
te se oppôr, o processo é válido. Bep. 11.p. 465.
vb. Fidalgos.
13 Assistir á eleição das Justiças. O. I. t.
67. §. l!.; e ás Vereações e posturas das Cama·
ras. 0.1. I. 66. §. 30. 11. /i. l. t. das Camaras.
14 Elles, e os CavaUeiros comprar· para re-
vender, ou usar de regataria. O. 1/7. t. 16. cit.
Bep. J. p. 401.
ló Casar com Christãos-novos. Ç. ll. 18 D~.
168 Liv. 1. t. r. Ecclesiasticos
16J4. D. !29 De%. 164!.; e a alguns casar sem
licença d'EIRei. v. k. l. t. dos Casados.

Connexáo.

A III classe (estado) comprehende primeiro


os Ecclesiasticos, Seculares ou Regulares. §. u.
n. 1. : cujo tratado dá materia aos tres Tilulos
seguintes.
TITULO V.

DOS ECCLESIASTICOS.

Pt. I. Quanto á Pessoa.


§. 61. BisJH>s,e suas prerogativas.
Stla nomeação, c01rfirmaçáo, tra,is'lafáo, ele.

1 Nonzeaçáo. Os Bispos são nomeados por


ElRei, e confirmados pelo Papa : Direito prati-
cado desde a origem do Reino. Const. .A. 7õ. §.
t. M•ll. I. t. ó. §. 3. ( a)
(a) Os Bispos e mais Ministros do culto eram unti-
gnmente eleitos pelo po\'O, no que havia frequentes al-
vorolos e outro,; inconvenientes. Cavall. ll. ccip.t.H.§. 1.
sg.; ou pelo M ctropoliln e Bispos provinciaes. L cap. 8.
§. C,, Por Direito novo se elegeram pelos Cabidos Ca-
lhedraes na fórma prescripta. cit. cap. !'!l. §. 14. sg. O
consentimento dos Priocipes nestas eleições era nccessn-
rio, ~. IO.; e mesmo desde o seculo VI. elles os nomea-
vam com frequencia. ~. 10. Posteriormente os Papas
reservaram a si as eleições dos Bispos, e as collações de
quasi todos os Benclicios ecclesiasticos. cil. ~· !21.tt. e IV.
eap. 47.; até que em muitos paizcs por Concordatas ou
Indultos A postolicos úcaram os Reis com o direito de
11omenros Bispos, e o Papa de os confirmar, II. ~- !3,
1. Quanto á pessoa. §. MJ. 169
! Tambcm EIH.ei nomeia os Bispos Titula-
res, se., que se ordenam a titulo de uma Igreja
em que não servem, nem podem servir: sobre
cuja origem, e inconvenientes v. Cav. 11. cap.
!7. §. 14.
3 Para a ordenação ou sagração do Bispo se
requerem outros tres, se., o Consagrador e dous
Assistentes. t•. Cav.11. cap. !3. §. á. 7. J'an-Es-
peu, cit. t. 13. 14.
4 Juramento. O Bispo antes da sagração pres-
ta juramento de fidelidade ao Papa, e de obedien-
cia aos Canones. A formula deste juramento de-
rivada <los feudos, se intende sempre salvos os
costumes e privilegios do Reino. Cav. 11. cap.
~4. §. !!. JTen-Espen, pt. 1. t. ló. cap. !. n. !!ó., e
sem prejuizo dos direitos temporaes da Coroa.
Av. €1.6Jan. 1796. e 18 Out. 1771.
ó A Bulla da Confirmação é paga á custa do
Bispo nomeado, ou da sua Igreja. ( a)
6 Translaçáo e cessáo. O Bispo urna vez sa-
grado não póde ser trasladado para outro Bispa-
do senão por causa de utilidade da Igreja: pelo
Direito antigo difficultosamente se permittia a
translação. Cav. 11. cap. ~8. §. 1. sg.
7 -Tambem não póde ceder ou renunciar
o Bispado sem justa causa, e então o fará pura-
mente, e não cm favor de determinada pessoa
(fofavrwem). cit. cap. ~8. §. 4. sg. IY. cap. 63.
e cap. ~2. §. 6. 9. Assim se estabeleceu tambem em Hes-
pnnha e Portugal, não tanto pelo Indulto da Papa Ha·
driano VI. como pelo direito de Padroado. cit. ~. !!3.
wvaruv. ao cap. possessor, pt. 2. §. 10. n. ó. fl'an•Espen,
pt. I. t. 13. 14. ló. Mell. cit. t. ó.§. a. Cab. Palron. cap.
37. Per. M. R. cap. t!~. n. 14. 43. e cap. 6:J. a n. !!. "· /r,,
li. do Padroado R.
(a) Pretendendo o nomeado Bispo de Gôa que se lhe
pagasse a Bulla á custa da Fazendo. n., foi esta preten•
gão escusada pela C. R. !2õJul. 16~16.
PART, I. l'?
170 Lfo. 1. t. J7. Ecclesiasticos.
8 - A translação e renuncia carecem de se-
rem autorisadas pelo Papa: direito que até o sc-
culo X pertenceu ao Sy_nodoProvincial. Cav. cit.
cap. ta. §. 7.
Seus privilegios, e precedencias.
9 Honras. Todos os Dispos, Arcebispos, e
o Patríarcha são Pares do Hei no. D. 30 Abr. 1826.
10 -Teem Carta e Titulo do Conselho d' El-
Rei, já desde D. Affonso II. ou III. Mell. J. t.
f>. §. 17.
11 - São Grandes do Reino, mesmo os Ti-
tulares, sendo nomeados pelo Rei. i. L. !!9 Jan.
1739.
H -Tambem são Grandes os Principaes da
S. I. Patriarchal. .Al. tJ.4Dez. 1716.; e o Patriar-
cha que goza de todas as honras e privilegios,
que teem os Cardeaes da S. I. Romana. D. 17
~·ev. 1717.
13 Precedencias. O cerernonial e etiqueta en-
tre os Governadores e os Bispos das Ilhas Adja-
centes se regulou pela Res. e Formulario 18 Jun.
l 806.
14 -Os do Ultramar precedem sempre a
qualquer pessoa secular, ainda aos CapitãesGe-
neraes, e se lhes presta todo o auxilio para se
lhes conciliar attenção e reverencia. C. R. i9
Jan. 1741. (a)

(a) As duvidas que os Capitães e Governadores das


Ilhas Adjacentes, Africa, e Brasil moviam aos Bispos
daquelles Estados sobre precedencin, assentos, e ceremo-
nias, na occasião dos Officios Divinos, haviam ilido re-
solvidas pelo .Al. 30 Jun.1688. C. R. I. 30 Abr. 1604. e
.Al. 9 .Fto. 1600., que mandaram observar o novo cere-
monial ordenado pelo Santo Padre, e Alvará do Reina-
do antecedente, e conservar aos Prelados nas suas Igre-
jas a preeminencia que se lhes deve, etc.
1. Quanto á pessoa. 171
1 ó - Indo o Bispo nas Procissões, o seu Cau-
datario irá diante da Camara servindo seu mi-
nistcrio. C. R. H? Jan. 1607. j"allando do Bispo
elo Porto.
16 -Nenhum outro Ecclesiastico póde oc-
cupar aquclle Jogar, pois pertence á Camara. ( a)
17 Altençóes. Aos Bispos nas terras e praças
das respectivas Dioceses se devem fazer as mes-
mas cortezias militares que á R. Pessoa; e quaes
estas sejam v. C. R. i7 Pev. 1743. excit. peloAv.
~ 8 Jun. 1777., dirigido ao Governo das Armas do
Alemtej'o no Offic. 19 Abr. I 7 43.
18 -Nas suas entradas e posse, bem como
nas dos Governadores, mandam as Camaras, se-
gundo o costume, que os moradores iJJuminem as
suas casas ; não deve porém esta iJJuminação fa-
zer-se nos edificios publicos á custa da Fazenda
R. D. QI Jan. 18\'ZG. Sobre oceremonial das suas
(a) Ha,·endo um Clerigo, Juiz da Confraria do SS.
Sucramenlo de Setubal, pretendido tomar nas Procis-
sões o Jogar immediato atraz do Pallio com preferencia
á Camara ;- a qual prelenc;ão era apoiada pelo Vigario
Geral, tambem com o fundamento de uma lransac4.são,
pela qual a Camara dimittíra aquelle logar a favor da
lrmamJade, se expediu a Prov. Dsb. $?! Nov. pela Res.
t8 Set. 17f>6. làrdial Patriarcha, para que advertisse ao
Vigario Geral que se abstivesse de impedir á. Camara
occupar o dito logar que lhe pertencia, não obstante a
posse em conlrario, á. qual resistia a Proo. 1 Jun. 1733.,
e o costume geral do Reino fundado na preeminencia
das Camaras em taes func4.sõcs,que são actos proprios
das Cidades e Villas: razão esta pela qual lambem o
Juiz Ecclesiastico não podia intrometter-se n dirigí-las
senão no que toca ás pessoas Ecclesiasticas, como dispoz
o Al. 20 Jun. 1608.; sendo por outra parte nulla a de-
sistencia que a Camara fizéra, assim por não poder ella
sem Autoridade Regia ceder das suas prerogativas, co-
mo por se acbar derogada pela cit. Prov. 1733, Na dita
Càmara, '"· Mat.Jl.199.
H•
17!! Liv. I. I. Y. Ecclesiasticos.
entradas. V. e. R. 8 Jan. 1611. e. R. 15 .A.br. e
Prov. !6 Mai.1741. C. R. ~aFev. 1743. Rep. ge-
ral lettra B. ,i. 316. sg.
19 - Tendo um Bispo de jurar em J uizo, se
procede com a attenção do §. 49. n. 40. li. l.

§. ó3. Privilegios, e isenções dos Ecclesiasticos.


1 Privilegios. Os PriviJegips dos Clerigos se
intendem hoje com respeito á Const. .A.. I4ó. §. ló.,
que aboliu todos os que não forem essencialmen-
te ligados aos Cargos para utilidade publica.
!2 - Os CJerigos de Ordem Sacra, e os Bene-
ficiados posto que de Ordem menor se equipa-
ram aos Cavalleiros. §. 45. n. 11. li. l.
3 -São isentos da tortura. I-Iei. Yll. §. 9.39.
4 - Gozam do beneficio de competencia. cap.
OduardusaX:solut. Mell. l Y. t. ó. §.7. Boeltmer.
ibi. v. lv. III. t. dos credores.
ó -A injuria feita a Sacerdote (ou Benefi-
ciado) se reputa atroz, como feita a pessoa no-
bre. Ílep. 111. p. 83. vb. in;i,ria.
6 -Quem põe mãos violentas em Clerigo,
fica ipso facto excommungado vitando, sem de-
pendencia de denuncia e publica"ão da excom-
munhão (privilegio do Canon Siquis suadente dia-
bolo): o que é contra as regras e principios re-
guladores desta censura. v. C~v. YI. cap. 41.
§. 16. 8. 9. H. Y. cap. ó. §. 13.
7 - O Cleri~o estando na Igreja em cele-
braçlo dos Offic1os Divinos não póde ser citado
(bem como nem o leigo que ahi estiver assistindo
a elles). 0.1. t. 9. §. 7. Yal. Cons. 81.
8 - O Clerigo de Ordem Sacra vota nas As-
sembleias primarias, inda sendo menor de vinte
e cinco annos. Const. .A..6ó. §. 1.
9 - O Clerigo que perdeu o privilegio do
1. Quanto á pessoa. §. 63. 173
ffiro, não parece perder por isso os outros privi-
legios clericaes. v. opin. contr. em Cav. Y. cap.
5. §. 13.
Isenções.
I o As isenções concedidas aos Clerigos, ou
são relativas ásua pessoa (imm11nidade pessoal),
ou aos seus bens (immunidade real). Estas im-
muni<lades foram mais ou menos amplas nos di-
versos tempos, segundo a devoçiio dos Principes
ou a influencia do Clero na ordem publica. "·
Yan-Espen, pt. t. sect. 4. t. 4. Cav. IY. cap. 66.
§. 3. sg.
II Pessoal. Os Ecclesiasticos pelas conces-
sõeS"de Constantino M. e Leis posteriores, rece-
bidas por uso geral da Europa, são isentos- de
todos os mumis publicos, e encargos sordidos, co-
mo são, embargos de suas bêstas, aboletamento
de soldados em suas casas, tomada destas ou de
suas adegas e celleiros, de concorrer pessoalmen-
te para os encargos publicos, etc. Yan-Espen,
pt. 'l. sect. 4. cap. 1. n. l. sg. cap. 1. n. 34. sg. v.
Cav. JY. cap. 66.
11/J - Exceptuam-se pelo mesmo uso os casos
ele necessidade urgente. Yan-Espe,i, prox. cit.
cap. 1. 2. C. ll. 11 Abr. 176i. (a)
13 Os bens e causas dos Ecclesiasticos não
são por si isentos da jurisdicção civil, nem dos
impostos communs, com tanto que não se falte
(a) Esta C. H. participou aos Bispos que mandas-
sem prevenir os Ecclesiasticos de suas Dioceses, que du-
rnn tc a presente urgencia de se aquartelarem e prove-
rem as tropas, haviam suspender de todo a pretenção
de iscn~ão de suas casas, adegas, cclleiros e outras offi-
cinas nos logares onde cslivessem as ditas tropas e suas
,•isinhanças. v. C. R. 18 Abr. dito. - Estas duas CC. RR.
sobre os nboletamcntos se repetiram em C. R. !28 Mai.
1801. ao Provedor do Crato.
174 Liv. 1. t. Y. Ecclesiasticos.
ao culto Divino, e á sustentação dos Ministros
do Altar. Os ditos bens só teem as isen"ões que
lhe forem concedidas pelos Reis ; e assim se usa-
va no principio em Portugal. Bieg. l. §. 4-50. sg.
Cav. JY. cap. 66. §. ~- Mell. J. t. õ. §. ~9. (a)
14 - Porém a direcção e administração <las
cousas ecclesiasticas pertencem á Igreja. llieg.
I. §. 111.
ló Obras publicas. Portanto: I não são es-
cusos de pagar como os Seculares para a limpe-
za das ruas e obras das calçadas, fontes, estra-
das, etc. i. 0.1. t. 68. §. 19. Bep. I/7. p. !õ6. Ed.
(a) Os bens dos Clerigos e das Igrejas foram desde
os primeiros scculos pdas Leis civís sujeitos aos tribu-
tos communs, com a unica excepção dos pa$Snes das
Igrejas. /Tan-Espen, pt. 2. Sccç. 4. t. 4. cap. 1. n. 13. sg.
Cat,. cil. cap. ó6. §. !. sg. S6mente no SeculoXII. foram
os bens das Igrejas geralmente isentos de tributos pelas
<lisposigões dos Pontifices, que desde então legislaram
sobre esta materia até então s6 competente aos Sobera-
nos, e fulminaram com excommunhão e mais censuras a
quem impozesse tributos aos ditos bens, ou os arrecadas-
se. Cao. cit. cop. 66. § 7. Rep. IP. p. 118, 119. vb. pessoas
ecclesiasticas. Cap. Quanqua,n x: in 6. -O que não pro~
cedia, J.0 a respeito dos Clerigos de Ordens menores,
que não fossem Bene6ciados. &p. cit. p, ll8.; t. 0 nem
Jos bens privados dos Clerigos, aos quaes bens não se
estenderam assim aquellas isengões. Cav. cap. ó6. ~-
8, ,g.
Porém não obstante as ditas isençüt's, 1. 0 as Jgrn-
jas e Clerigos davam ao~ Principes certos serviços e pres-
tagões annunes (annua dona) v. e., langas, cavallos,
etc. cit. cap. 66. §. 11.; !. 0 nos casos de neces~idade pu-
blica davam e devem dar aos Principcs subsidios volun-
tarios. /Tan-Espen,cit.t.4. cap.3.n.6. sg. G"au.cit.cap.
f>6.~- 71 ; que depois passaram a ser contribuição ordi-
naria. cil. Yan-Espen, n.46.47. Deslacontribuição, vo-
luntaria ou nccessaria, diz o cit. Yan-Espen, cap. 3. n.
47. 6!., "deveriam ser isentos sómente os bens dotae;;
e os passaes das Igrejas, e as congnrns Parochiaes,"
1. Quanto á pessoa. §. 63. 17ã
3 Ag. 1766. Mend. pt. ~- lv. 1. cap.1. n. li. (a)
16 - O que restringem ao caso de serem as
ditas obras de absoluta necessidade, e tendo o
Clerigo no districto bens que se lhe penhorem.
Yan-Espen, cit. t. 4. cap. !. ex n. 46.
17 - Esta penhora e execução será feita pelo
Juiz secular, posto que o contrario, segundo as
opiniões dos tempos passados, ensinem os nos-
sos Escriptores. cit. Mend. Cab. 1. de. 91. Yal.
Cons. p. 176.
18 Despezas do Estado. II Os bens dos Cle-
rigos, e mesmo os da Igreja devem ser propor-
cionalmente sujeitos á defesa e mais despezas
do Estado. Yattel, I. §. ló!. Consl. .A. 14:;,. §. 14.
11• .Al. tt Jun. 180!. Mell. I. t. ó.§. 19.
19 - e conseguinteniente ao subsidio mili-
tar da decima, cuja arrecadação se encarregou
aos Prelados Seculares ou Regulares . .Al. 1!2 Mar.
1797. 31 Mai. 1soo.
!20 - Com tudo os Senhores Reis teem pre-
ferido em todo o tempo receber esta contribui-
ção como offerecimento do Clero e subsidio 110-
bmtario, a impô-lo por ordens coactivas. (b)
(a) Pertence aqui o exemplo da excommunhão irro-
gnc]a em seculos tenebrosos pelo Colleitor ao Senado da
<..:amara de Lisboa, por haver mandado cobrar dos Ec.
clesiasticos o real d'agua destinaJo para a limpeza e
ca]çadas das ruas, da qual excommunhão s6 pôde ser
absolvido mui tarde pe]o Breve de Urbano Vlll. em
Hi!i>.7."· Deducç. Cliron. pt. 1. §. 300. sg.
(b) Segundo a proposta das Côrtes approvadn pelo
Regim. ~8 Ahr. 1646. pr. se assentou que a decima s~ de•
, ia Jnnçar ~ui igual e ajustadnmente sobre as rendas
de to<las as pessoas dos Tres Estados e.loClero, Nobre-
za e Porn, sem excepc;ão alguma; ficando prohibido em
tempo algum fazer avença com as ReJigiões e Commu-
nidades para deixarem de contribuir como as demais
pessoas dos Trcs Estados. - Para a guerra de 1664 con-
176 Liv. I. t. Y. Ecclesiasticos.
U Para a divida publica. Os rendimentos
das Mitras, dos Beneficios, Prestimonios, Caval-
Jeiratos, e Pensões pagam para a extincção da
divida publica a decima ou decimas prescriptas
no Al. 17 De~. 18i6.
li Sisa, decima, portagem. Não são isentos
da sisa; mas a pagam (bem como os Cavalleiros
das Ordens Militares) sem differença alguma dos
Seculares, assim pelas compras e vendas como
pelos arrendamentos, derogada a O. 11. I. 11. e
o cap. 43. do B.egim. dosencabeçamentospelos A.l.
t40ul.1796. e8Ji,l.1800. (a)
correu o Estado ecclesiaslico com 150 I cruzados, f6ra
a decima dos ,eus bens patrimonines. Rcgim. 9 Mai.
1664. e t. !'l. §. t. ó. -Em 176! os Ecclesiasticos do Ar-
cebispado de Evora otfereceram óOI cruzados annuacs
em quanto durasse a guerra. C. 12 Mai. 176!. -A C.
R. e Av. ló Out. 1796., desejando dever ao zelo e amor
<los Ecclesiaslicos seus vassnllos aquelles subsidios que
por legitima e inauferível autoridade podia haver, sig-
nificou aos Bispos que na urgellcia da presente guerra
seria muito proprio do seu zelo, que elles e os ecclesins-
ticos Seculares e Regulares de suas Dioceses (inda os
isentos da sua jurisdicc;ão delles) soccorram de boa von•
tade o F..stado com uma decima de todos os seus rendi-
mentos, de cuja cobranga os encarrega. - Finalmente
os Ecclesiasticos foram igualmente comprehendidos em
a~ novíssimas contribuições de defesa, creadas e declara-
das pelo Al. 7 Jun. 1809. Port. fl Ag.1810. 17 Mai. 31
Jul. e 7 Nov. 1811. ! J1,l. e Hl De!.. 18 l!. :l Abr. 181:J. 8
Mar. el8 Jul.1814., supprimidas pela Port. 3 e 9Jul, e
11 °"'·
1814.
(a) Pela cit, 0.11. t.11. pr, ecit. cap. 43. as ígrejas e
:Mosteiros, os Clerigos de Ordem sacra ou Beneficiados,
e os Religiosos de ambos os sexos, eram ise~tos <le dizi-
ma, portagem (e da respectiva sisa) de, que conduzem,
compram ou vendem para suas necessidades, e dos que
com elles continuadamente vivem; e do que venderem
de bens ou rendas suas. v. Rep. I. p. 49!.!.sg. 1/7. p. 117.
vb.pessoas ecclesiasticas.IL vb. Clcrigospagando, e p. 167.
I. Quanto á pessoa. §. l>S. 177
13 Não são isentos do Novo Imposto creado
pelo Al. 7 Abr. 1781. §. 11.
~4 Dos seus Beneficios e Dignidades _quando
vagam, pagam o Anno de JJforto imposto pela C.
R. 9 JJlar. 1801 . em consequencia do Breve Hanc
esse, que foi regulado pelo Al. 3 Jul. 1806. dado
sobre o Breve Dilecte Fili.
tl> Outros Impostos. São isentos dos quatro
e meio por cem. Res. 19 J-un. 1698., e das juga-
dns nos termos. lv. II. t. clasfugadas.

§. 64. Proltibiçóes, e exclusóes proprias


dos Ecclesiasticos.
1 É prohibido aos Ecclesiasticos pelas Leis
ou pelos Canones :
! lmpetrar Beneficio de homem vivo. 0.11.
t. 13.pr. Al. !2 Out. 1603. JJfell. I. t. f>. §.ló. enol.
"· lv. Ill. dos Benefi.c. Ecclesiast.
3 Trazer armas defesas: sendo achados com
ellas, se lhes tomam pela Justiça secular, sem
t1b.escolha; com as declarnçõe.s da cit. O.§. l. \2. 3, 4, 6,
Rep, I. p. 49\2. "b. Clcri.gos; sobre o que eram obrigados
a jurar. O.§. l>.- Esta isenção compclin. tnmbem, J,0
ás Pro,•incius dos Eremitãcs que leerp. voto de profissão,
e a esses Hrl'mitães. O. pr.; ~.0 nos Cavulleiros da Or-
dem do Christo que leem commen<la ou tença com o
hal>ito. O. §. 7. - Esta isenção fôrn concedida aos Cle-
rigos pelo Senhor D. Manuel em 1498, e estendida de-
pois aos Cavalleiros da Ordem de Christo em ló04. em
/.,cáo, pi. ó. t. ~. L. rn. 13. p. 184. CJ,ron. do dito Se-
nhor, cap. 13, ·
Conforme a dita restricção da isenção se <leclnrou
que os Ecclesiaslicos pagassem direitos dos escrnvos que
tirassem de Angola. Al. l>Sel. IG14.; e que os Clerigos
do Bispado de Malaca, que recusavam pagar na Alfan-
di>ga os direitos de entrada ou saída das fazendas cm
que negocinvnm, os pagassem sem dilTcrcnc,;n dos Secu..
lares. Al. 6 Abr. 16!8. ...
178 Liv. I. t. 'f/. Ecrlesiasticos.
ella lhes impc,r outra pena. O. li. t. l. cil. §. 16.
Y. t. 80. §. 11. Rep. 1. vb. clerigo que (a): v. §.
67. n. 3f>. li. l.
4 Jogar jogos de parar. Yan-Espen, pt. 1. I.
!2. cap. b. Cav. 11. cap. 30. §. 8.
ó A caça sendo frequente ou clamorosa. Cav.
cap. 39. §. f>.
6 Assistir aos theatros e espectaculos. cap.
30. §. 10.
7 A bebedice. cap. 30. §. 9. : o luxo e a im-
modeslia nos trajos. Cav. §. 13. ecap. 31.
8 Não sómente o trato illicito ou familiar com
mulheres. Cav. cit. cap. 38. §. f>. sg.; mas ainda
o matrimonio, pois são ligados ao cP.libato: sobre
a historia, vicissitudes, e juizo desta disciplina
v. Cat,. II. cap. 34. Christian. Lup. diss. de La-
tin. lppiscop. el Ckric continentia no tom. 4. 'f/at-
tel, I. §. 149.
9 Ingerir-se em negocios seculares. Pan-Es-
pe11,,pt. 1. t. ~. cap. 6 .. Rieg. III. p. H. e JY. §.
b31. Cav.11. cap. 33.: E portanto:
. J O Frequentar estudos seculares ou profanos;
o que comtudo se permitte nos termos babeis,
ou se lhes dispensa, ainda a respeito da Medi-
cina theorelica, e do Direito Civil. Cav. cap. 31.
§. 4. 7. 8. Pan-Espen, cit. cap. 6. n. 7. sg.
11 Negociar publicamente, e comprar para
revender (se., os de Ordem Sacra ou Beneficia-
dos), e fazendo-o as Justiças sequestrarão as mer-
cadorias e as remetter,'io com os autos aos J ui-
zes Ecclesiasticos. O. JY. t. 16. Rep. 1. p. \!84.
/1.p. 49!2. vb. Clerigos. Cav. !. cap. a3. §. !!. (b)
(a) Comtudo um Clerigo achado com armas fóra
d'horos foi mondado conservar preso no Limoeiro pelo
D. 1:'JJul. 1644,
(b) Ha,·endo o contractador do Tabaco da Ilha da
Madeirn lra!lpassndo o estanque em um Clerigo, man•
I. Quanto á pessoa. §. 64. 179
I !! Administrar negocios de pessoas secula-
res. Cav. r.ap. 33. §. 3.
13 Servir a profissão das Armas. Cav. cap.
33. §. 6. 7.
Exercer officios ou munus sordidos e
14
vís, como, de taberneiros, padeiros, etc. cap.
33. §. 4.
1 f> Servir officios e governos puhlicos secula-
res, e exercer jurisdicção civil. cit. Yan-Espen,
Cav. cap. 33. §. 6. sy. i. L. 7 Jun. 175õ.
16 - especialmente: I aquelles que conteem
jurisdicção criminal, e cooperar para se impôr
pena de sangue, de que lhe resulta a irregulari"!'
dade ex defectu lenila.tis. Cav. cap. 33. §. lO.
17 -II os de Juiz daCoroa ou Fazenda. D.
á Mar. 1643. (a)
18 - III o de Chanceller-mór do Reino, in-
daq ue o Clerigo seja o Desembargador do Paço
mais antigo, e assim se tomou Assento: hacom-
tudo exemplos em contrario. Rep. J. p-.4!26. vb.
C/1anceller-mó1·.
J9 - IV os que são prohibidos pelos Senho-
res de Terras. O. li. t. 4,J. §. 4.J..: prohibição que
procede tambem com o de Promotor dos Resi-
<lou a Rcs. Cons. Dsb. 7 Nov. 1689., que se revoga~se
aquclle tra~passe, e que para o fuLuro a Junta da A<l-
mi nistra<;ão <lo Tabaco lllhirla aos contracta<lores que
nunca façam os <lilos trnspasi:es em Clerigos, pelas ve-
xações que costumam fazt>r apoiados em suas isenções.
No Dsb. lv. 10. de lons. fl. 4~3.
(,,) Esta exclusão procedeu dns frequentes contro,·er-
~ias movidas com os Ecclesiasticos sobre jurisdicc_;ão ou
F:11.cnda H., e <la diminuição que esta padecia, mesmo
com os poucos Clerigos que havia nn Hclação. Cons.
Dsb approvada pela Rcs. ][. '26 Nov. 1666. nolv. :,. Com.
fl. 77. j. O mesmo D. á Mar. manda lambem que a
serventia <los <litos dous Officios se proveja sempre em
pessoas de toda a satisfnc;ão e lettras, '
180 Li·v. 1. t. r. Ecclesiasticos.
duos, guc é 1~rovidopela !\'lesa da Consciencia.
Rep. IY. p. G~l. vb. Senhores.
-Quaes officios seculares possam servir v.
DD. no Rep. 11. p. i90. vb. Escriptura de.
to Advogar nos A u<litorios seculares, salvo
por causa sua, da sua Igreja, ou de pessoas mi-
seraveis. v. Cav. cit. cap. 33. §. 1~. O. I. t. 48.
§. U. sg. Rep. 1. p. ó7. vb. advogado, advogar:
no que comtudo dispensa o Dsb. do Paço, com
fiança . .Al. t4Jul. 1713. ~. 16. (a)
!l - Ser Procurador em Juízo, salvo pelas
ditas pessoas. O. IlI. t. j8. §. Rep. l. vb. Clerigo
náo. Cav. cap. 33. §. H?.
lH Servir tutoria, como munus publico ; ex-
cepto as legitimas, que lhes permittem as Leis
e os Canones, menos aos Bispos. Cav. cap. 33.
§. 11. Yan-Espen, cap. 6. n. 7. sg. v. lv. II. dos
tutores.
!l3 Largar o clericato ou a vida Religiosa
(apostatas), e fazendo-o incorrem em graves pe-
nas, impostas pelos Canones e Leis. v. Cav. JY.
cap. 36. §. ló. 16.
'" Os Clerigos por crime grave podem ser
depostos do clericato, ou degradados das ordens
pelo Bispo ou seu Vigario Geral, mediante sen-
tença e os ritos determinados em direito. v. Cav.
YI. cap. 46. §. ó. sg.
(a) Aos Escrirães <la Côrle e Cidade de Lisboa e da
Casa da Supplicação ~e prohibiu com suspensão conti-
nuar Feitos n Advogados ecclesiasticos, cm quanto não
derem suas fianças, perante o Guarda-m6r <la Relação.
Port. Reged. ó Jut. 17ó~. na Suppl. lv. 16.fl. 144, j .
.-Sã.o frequentissimos os exemplos destas dispen-
sas, mesmo por cau5as leves, como, por ser o pretenden-
te pobre. Res. Dsb. Q-2Fev. 1690.; por não haver na ter-
ra Bachnrci~ formnclos e ter o supplicante esta qualida-
de. Rcs. 7 Fcv.1690. Al. 8 Dc~.171!. na Suppl. lv, ll.
fl. !!3\2. etc.
1. Quanto á pessoa. §. áó. 181

§. 66. Outras disposifóes especiaes.


· 1 Quem der de arrendamento alguma terra
ou commenda a pessoa ecclesiastica, perde a ren-
da para a Coroa, e incorre nas penas dos que
desobedecem ás ordens d'EJRei. Al. U Jun,.
1670. (a)
t Os livros ecclesiasticos de baptismos, ca-
samentos, obitos, são documentos aulhenticos, e
teem fé publica. i. O. 111. t. ~ó. §. ó. Silv. ibi. n.
9. O. Y. t. 38. §. 4. Horn. diss. de prob. plen.
Boel,m. ao t. de testib. §. 11.; bem como a cer-
tidão do texto litteral delles passada pelo Paro-
cho: não assim os livros censuaes das Igrejas ou
Conventos. Per. So. not. 664.
3 O Clerigo não incorre irregularidade ex de-
f ectu lenilatis em dar certid,1o de baptismo, in-
<laque por ella se prove que o réo é maior de 16
annos, e portanto condemnavel á morte. Decr.
Sacr. Congr. 10Dez. 1661. noBep. 111. vb. Me-
tio,· que, p. ó!I.
4 A C. B. Y. 9 Nov. 16!29. declarou á Mesa
da Consciencia que, quando houvesse de pedir
informação sobre pessoas ecclesiasticas, a não
commettesse a l\'linistros seculares. No mesmo
sentido está concebido o Al. II. 17 Abr. 1647 .:
monumentos devidos á escuridade dos tempos.
(a} A razão desta Lei é o escandalo que disso se se-
g·ue e prejui10 aos Rcaes direitos; o que parccfl alludir
principalmente ás sisas, de que os Clerigos hoje não teem
isenção, e portanto parece cessar hoje esta Lei. -O D.
U. Lambem prohibe aos Clerigos dar ou tomar arrenda-
mentos. v. Hei. 111. §. 319.; e ser fiador por pessoa se-
cular; como migocio ci\'il e ,·iril. Ilei. P li. §. 34. No-
vell. H3. cap. 6. §. 1., proposição que não foi recebida
ua Peninsula Hispanica. v. lv. 111. da fiança.
18! Lfv. 1. t. Y. EcclcsiasUcos.

Pt. II. Qimnlo aos bens.


§. ó6. Acqidsiçáo, disposição, e succcssáo
de ~ns dos Clerigos.
l Natureza. Os bens do Clerigo, salvas as
disposições abaixo declaradas, se regulam pelo
Direito ordinario; e portanto sobre a prescrip-
ção, 1-estituição in integrum, etc., não gozam
dos privilegios concedidos aos bens das Igrejas.
Feb. dc.19. n. 8. 9. Covarr. var. lv. l. cap. 4. n. 4,.
!2 Adquirir. Os Ecclesiasticos do Clero secu-
lar ou regular, e as corporações delles, não po-
dem possuir bens nos Reguengos, com as decla-
rações da O. li. t. 16. v. Il. t. dos Reguengos.
a -em adquirir ou traspassar bens de raiz
são sujeitos ás Leis de amortisação. v. li. l. t.
da amortisaçáo.
4 Dispôr. Os Clerigos, sejam Beneficiados ou
não, podem livremente dispôr dos seus bens, co-
mo os Seculares, assim inter vivos como por acto
de ultima vontade. Yan-Espen, pt. !'l. secç. 4. t.
1. cap. 1. n. 30.
ó - e isto ou os bens sejam patrimoniaes,
ou lenham· sido adquiridos por Beneficio eccle-
siastico ou ministerio clerical ( profecticios) : e
tal é o costume geral na Europa e Hespanha,
confirmado pelas Constituições dos Bispados e
praxe de julgar. 0. t. 18. §. 5. ibi-porqual-
1//.

quer titulo adquirido: e §. 7. j. E isto. 1'fend.


annon. civ. notab. 10. n. 4. Cav. l Y. cap. Só.§. 7.
Yan-Espen, t. l. cap. 7. n. ló. a 23. e cap. 1. ti.
30. Yal. Cons. 108. n. H. sg. H. e 33. e cons. 16ó.
n. 10. Part. cap. :U>.n. l. sg. 9. (a)
(n) Chamam-se patrimoniaes ou quasi-patrimoniaes
os bens que o Clerigo adquire, tem ou possue como pcs•
11. Quanto aos bens. §. f>G. 183

6 - Sobre esta livre faculdade de dispôr, se


eleve com tudo notar: I que a respeito dos ditos
bens peculiares, ella se restringe ao foro exter-
no; pois no da conscicncia devem os Clerigos,
que testam dos ditos bens, fazê-lo para usos pios.
J7an-Espen, cit. cap. 7. n. ~9. sg. Yal. Part. cap.
3f>. n. lf>. Gam. dec. 313. n. 7. 10.:
7 - II que os Clerigos no moclo de fazer seus
testamentos, devem seguir as fórmas ordinarias,
soa secular por titulo secular: o, que adquire com os
da Igreja, ou por contemplação e respeito della (inluitu
.Ecclesire) indague não sejam rendimentos de Beneficio
ecclesia~tico, se., por via de Beneficio ou do ministerio
sagrado, se chamam peculiares ou profeclicios do Cleri-
go, pois constituem segundo o Direito Canonico o seu
peculio. Van-Espen, cit. cap. 1. n. 17. sg. Os bens que o
Clerigo ou Beneficiado comprou, não em o seu nome,
mas no da lgrPja, são desta e não do Clerigo. V,m-Es-
pen, cit. Cl'T'· 8. n. ~!. Dos patrimoniaes ou quasi, tem
o Clerigo pleno dominio, e púde livremente dispôr, mes-
mo por D. Canonico. Cav. IV. cap. bf>.§. 1. sg. Van-Es-
pen, cit. cap. 1. n. :10. Os segundos (profecticios) são con-
siderados pelo referido Direito o peculio do Clerigo, e re-
gulados pelo Direito e na tu reza do pecu lio profecticio
dos filhos-familias. Portanlo o seu <lominio pertence áº
lgreja; o Clcrigo tem nelles sómente a administração.
Van-Bspcn, cif.cup.1.n 17.sg. e osde,'e gastar nos pie-
dosos objectos a que u mesma Igreja os destina, se., sus-
tentação do Clerigo, dos pobres, e fabrica da Igreja.
cit. cap. Q, 3. 4. 6. - Conseguintemente não podia testar
destes bens por Direito antigo Ecclesiaslico e Chil. Yar,,-
Espen, cit.cap.7.n. l.sg. Cav.JP.cap.bb.~.3.; porém
posteriormente pelas frequentes dispensas que se pediam
e impetravam, e pela difficuldade de os distinguir dos
patrimoniaes ou quasi, de que nasciam innumeraveis li-
tigios, se estabeleceu o costume de poderem os Clerigos
testar destes bens, mesmo para fins profanos: costume
~eralmente recebido na Hespanha e mais Nações. Van-
Espen, cit. cap. 7. n. lf>. sg. L. 3. t. !U, Partit. 1. Per. M.
R. cap. 64,, n. t7. e dec. 9õ. Pal. Part, cap. 3b. Rieg.
III.§. 403.
18 4- Liv. 1. t. Y. Ecclesiasticos.
como cidadãos sujeitos ás Leis. Mell. 111. t. 5.
§. ti. e not. Rie[J. 111. §. 59. v. lv. li. tit. dos tes-
tamentos. E sem razão opinou o contrario Pal.
Cons. 74. n. 13. illudido com oD. Canonico.

Successáo ab intestato.
8 Não dispondo o Clcrigo em vida, lhe sue-
cedem em uns e outros bens os seus parentes le-
gitimos, segundo as regras geraes da successão
ab intestato. O. II. t. 18. §. 7. fbi-e se os ditos;
e j. E isto mesmo : sobre a qual Ord. v. Cald.
deempliyt. cap. 8. n. 46. Gam. dec. 34,l. Per. dec.
95. eM. ll. cap. Iõ. a n. 30. Cav.11". cap. õb. §.
7. Yan-Espen, cit. secç. 4. t. I. cap. a. n. 18. 19.
24. Rieg. III.§. 430. L.fin. t. B. lib. 5. Ordinam.
Molina, Sarmient. etc. em Yal. Part. cap. 3b.
n. 13. 14, ( a)
9 - Com declaração que os fructos do anno

(a) Pelo Direito Canonico quaesquer bens do Cleri-


go inlcslado se devolviam á Igreja, ou a quem lhe suc•
cedia no Beneficio ou Dignidade. /i'an-hspen, cit. cap.
8. n. 1. sg., e assim opina ainda Yal. Cons. 16b. n. 10,
·11. Partit. cap_. 3á. n. 1, sg. e n. 13., citando tambcin a
C••o,utit. d,e Lisboa tit. 10. §. 1. e d,eEvora tit. !O. I>os-
tcriormcote se introduziu o costume, confirmado por In-
dultos A posto1icos, de os Bispos occuparem os bens mo-
veis ou o espolio do Beneficiado fallecido ab intcstato.
Yan-Espen, cit. n. 9. sg. (',av. IV. cap. óó. §. 4, li.
PinalmenLe, cxclui<lo o Cabido, Igreja ou succes•
sor, se estabeleceu o costume geral nn Hespanha e Eu-
ropa de quaesquer bens do Clerigo inlesla<lo sem <litTe-
rença alguma ae devolverem aos seus proximos paren-
tes, havendo-se por nullas e abusivos as Constituições
ou Estatutos em contrario. /i"an-Espen, cit. cp. 8. n. 18.
19, Rieg. 111. p. 4'JO. Per. dec, 9ó.; e isto inda quanto
aos fructos do Beneficio percebidos e por perceber. Yan-
Espen, n.19. H.
Este costume, J.0 deve proceder indaque evidente•
mente -conste que a intenção e vontade do Clcrigo de-
li. <J.ttanloaos bens. §. 66. l8f>
do fallecimento do Beneficiado, se dividirão en•
tre os seus herdeiros e o successor no Beneficio
pt·o rata do tempo que este viveu, á maneira
dos fructos do. dote. Yan-Espen, cit. cap. 8. 14.
Peg. 6.for. cap. 131. ,i, 111. v. Beneficias.
10 - bem que em algumas Igrejas se conta
o anno desde o S. João. Yan-Eipen, n. 1:,.; e
em algumas ha o anno de graça, se., de perce-
ber o Cabido os fructos de um anno. Yan-Es-
pen, cit. cap. 8. n. !29. 30,
11 - Se o Clerigo faJlece sem deixar herdei-
ro escripto, nem parentes até decimo gráo, Jhe
succede o Fisco segundo a regra ordinaria. Po.
rém sendo o Clerigo Beneficiado, é controverso
se em Jogar do Fisco lhe deve succeder a Igre-
ja a que· eJJe pertencia, e conseguintemente s6
póde o Bispo occupar a herança ao Parocho faJ-
Jecido, com sujeição ás Leis de amortisação. (a)
li Do exposto resulta !]Ue napartilha e col-
lação dos ditos bens pecuhares do Clerigo, se

functo era outra, uma vez que não disp<>zlegalmente;


contra o que dispõe o O. Canonico em Yan-Espen, cil.
cp. 8. n. !3.: t. 0 o mesmo costume se intende quanto ao
fôro externo, pois na consciencia os bens que assim se
devolvem aos herdeiros do Clerigo, passam com o onus
inseparavel da sua natureza. /Tan-.&pen, cit. cp. 8. n. 33.
Rãqr. lll. 1'·430. Yal. Part. cap. 36, n. ll,, c.áo, cil. cap.
3á.~.7.noftrn. ·
(a) A favor do Fisco opina Mell.111. t. 8. 6. 11, pela
dita regra geral, e por não se induzir um F11co eccle-
siastico sem autoridade ll.. Como porém a L. 10 C. de
.Episc, decide a favor da Igreja, parece fundamentada
a segunda opinião, á maneira dos leigos a quem na fal•
ta de herdeiros e de conjuge succede a corporagão de
que foram membros. l. C. de ha:red. decurion. o. Peres
ibi. cil. Yan,..&[K,n, cap. 1. n, :11. Guedelin,jur. nou. lb.
1. cap. 16. n. 11. H!. Cav. 1Y. cap. :,f,. §. 3. e 6. "· Ritg. e
Porlug. no cit. Mel/,
PART, 1, 13
186 Liv. 1. t. P. EcclesiasUcos.
,bservam as regras geraes e ordinarias. Pal.
~arl. cap. 36. n. 1. sg. e n. H?.
13 Tambem resulta não ter hoje Jogar : I o
1ireito de espolio, pelo qual mandava o Papa ou
is Bispos tomar para si os bens dos Clerigos ou
los Beneficiados fallecidos ab intestato, direito
lUe nunca foi recebido em Portugal, antes ge-
almenté rejeitado. Pan-Espen, cit. cap. 8. n. 9.
'I· en. 38. Mell. JII. t. 8. §. 8. Per. dec. !ló. {a)
14 Luctuosa. II nem o direito de luctuosa,
,elo qual os Bispos pretendem optar para si um
iem movei ou semovente do Parocho que falle-
:e. Mell. III. t. 8.§.11. {b)
(a) Depois do seculoXII começaram os Papas a oc-
upar o espolio <losBispos e Benefu:iéldos fallt•cidos, para
1 que enviavam Colleitores nos diversos Hdnos Christãos;
1ovidade que foi rejeitada em muitos <lelles. "· Cov. [Y.
ttp, óõ. ~. 8, Em Portugal este uso, pouco depois <le
nlroduzido, foi emtim rejeitado ucomo inaudito e es-
andaloso." Pan-Esptn, cil. cap. 8. n. 38. A C. R. I. 9
,el. 1609. re,Provou a pretenção do Colleitor para se
1propriarem a Camara A postolica os espolios dos Bispos
: Clerigos seculares, inda a respeito <los bens que elles
1ouvessem adquirido por negociação, pretenção contra-
ia á posse immemorial do Reino: pelo quo os bens que
,e achavamembargados sob pretexto de espolio, se en-
regariarnlogo a quem pertencessem.
·Quanto aos bens dos Religiosos apostatas que mor-
-em f6ra da clausura, diz esta C. U.., ser mui duvidoso
,e a Camara A postolica tem direito a elles; porém que
><>deriao Colleitor seguir o que intf'ndesse ter, sem se
.be opporein os Ministros Regios. "· CC:. RR. 16 De't>,
1600~e 16 Nm,, 1611., que não admittiram os Sob-Col-
leitores. Rt1p.1. t,b, L"lerigo•tendo.p. 49b.
~b) Mello se funda, l.' 1 em uma Ord. 6 Der.. 14.J9. ;
1.0 na regra geral de direito que devolve aos successo-
res doClerigo todos seue bens sem excepção; 3, 0 em ser
inutil a contraria disposição de algumas Constituições
z.,.
~e Bi,pados (o. e., a Conat. 8. do Pcwto, 4. t. 10.) co-
mo versando sobre moleria temporal. Comtudo ao me-
11. Quanto aos bens. §. bG. 187
16 Successâo acliva. Reciprocamente·o CJe-
rigo succede aos seus parentes fallecidos ai, .in-
testato, sem differença dos seculares., segundo 8'
regras geraes da successão. L. f>6. §. 1. C. de
Episc. el Cler.
16 - É porém insuccessivel e incapaz de pos-
suir bens de morgado. L. 9 Set. 1769. §. 11. "· ltJ.
II. t. dos morgados.
17 - e da Coroa. O. II. t. 3f>. §. 10. "· w.11.
t. bens da Coroa.
18 Tudo o que fica dito da successão e alie-
nação de bens por Clerigo, se intende salvas as
Leis de amortisação. v. li. l. t. da amorli,.
§. 67. Palrimomo dos Ckrtg.o.,.

1 Os bens que serviram como de dote ao Cle•


rigo para se ordenar (patrimonium ad ordlnes),
são bens inteiramente seus e patrimoniaes.
g - O CJerigo não os póde alienar sem licen-
ça do Bispo. Trid. &ss. H. cap_.,. ubi. .A.u.g.
Rarb. '/Tal. Pari. cap. 13. n. 79. Feb. dec. 19. ,1-
..
u. Peg. a.for. cap. 34. n. 401.
3 - salvo: I se tem Beneficio ecclesiastico
de que se possa sustentar, se., que renda .a taxa
do Bispado : II se reserva o uaufructo em sua
vida. Peg. ci't.n. 401.: ou III se :tem outr:os_ben11
equivalentes, e licença do Bispo. . Peg. a.for.
cap. 36. n. 633.
nos em :alguns Bispa<Josestá em vigor e costume· este di-
reito, resto da ~cu pagão absoluta acima mencio'1ada; e
para o Brasil expressamente o approvn a Prov. ·11 Fcv.
1719. em quanto declara que os Bispos s6meote ,podem
levar luctuosa dos Parochos, não dos .outros Clerigos.
FAle mesmo direito de luctuosa tem a O~dem de Mal\a
nos bens do Commendador, Eslat. 4. 19. i8. t. ·f>, dei
Commum Tesoro. ·
la.
188 Liv. 1. t. P. Ecclesiaslicos.
4 Estes bens não se podem penhorar nem re-
natar, salvo no excesso sobre a pensão annual
'.axada em cada Bispadoj pois esta deve ficar
,empre salva. Pe,.. So. J1I.11ot. 80!2.

§. 68. Dos Bispos quanto aos bens.


l Bens patrimoniaes. Os Bispos, Arcebispos,
:, Patriarchas teem, como os CJerigos, pleno do-
minio e livre disposição, assim por acto inter vi-
t1os, como por testamento, dos seus bens patri-
moniaes; ou os tivessem antes do Episcopado,
)U adquirissem depois delle por titulo secular.
N'ooell. 131. cap. 1:1. Peg. 6.for. cap. l:J!li!. n. 3.
t,9. 61. 111. Ya11-Espen, pi. 6J..secç. 4. cap. 7. n.
16.cap.8.n.!!.!23. (a)
t - E se delles ou de seus rendimentos gas-
taram com a Igreja e serviço della ou em sua
sustenta«tão, podem tomar outro tanto do rendi-
mento da mesma, e dispôr delJe por testamento
ou outro acto. Peg. n. ó!2. !06. !09.; porque taes
despezas são a cargo della, indaque o Bispo ti-
vesse bens patrimoniaes. Peg. n. Ia. 14. 16. ia.
37. 63. 113.
3 - porém isto não procede se o Bispo fal-
leceu ah inteslalo, ou reservou os bens patri mo-
niaes que assim gastou ou os rendimentos del-
les ; pois então não se presta ao herdeiro a esti-
<ª>Eobvio que isto lambem se intende dos bens se-
guintes como patrimoniaes: se., os que alguem por ami-
zade, etc. deu ou deixou ao Bispo. Peg. cil. cap. 1Si. n.
91. : os prov•mientes de mE"rcêRegia. Peg. n. 116.: os
adquiridos com os rendimel)los dos patrimoniaes. Peg.
n. 116. 116.: as bemfeitorias e augmentos feitos com os
rendimentos dos patrimoniaea. Peg. n. 61. - Os bens
pontificaes etc. tambem .Pertencem ao herdeiro do Bispo;
pois não foi recebida a Bulia contraria de Pio V. Pe.g.
n. 110. Portug. ibi.
II. Quanto aos bens. §. 68. J 89
maçlo dos consumidos, mas sómente os bens
existentes ao tempo da sua morte. Peg. n. 10.
4 - Quando a Igreja deve pagar os bens
consumidos, se estimam pelo valor do inventario
que o Bispo fez ao entrar no Episcopado. Peg.
H. lU. sg. Uó.
ó .Ab intestato. Não dispondo o Bispo dos bens
patrimoniaes, lhe succedem nelles os seus legiti-
mos parentes ab intestato. Peg. n. 13. 94. sg. 111.
Mell. III. t. 8. §. 8. Yan-Espen, cit. cap. 8. n.
!O.: os quaes os recebem noeslado actual~ Peg.
n. 94. sg.
6 - Os fructos destes. bens- do anoo do .fal-
lecimento, se dividem entre o herdeiro e a Igreja
pro rata temporis. Peg. n. 111. V·,§.ó6. n. 9-. h. l.
7 Bens peculiares. Os bens adquiridos depois
do Episcopado pelos rendimentos delle, ou peto
ministerio sagrado ( intuitu Ecclesia ), pertencem
· á Igreja : o Bispo não póde dispôr delles por·acto
inter mvos ou testamentario; e por soa morte se
devolvem ao seu successor ; pois o costume aci.
ma exposto sómente se refere aos Clerigos, e não
se estende aos Bispos. Yan-Espen, pt. !. secç. 4.
t. l. cap. 7. n. tá. e !6. Mell. Ili. t. 8. §. 8. &nt.
Dsb. t9Mai. 1609.por CC.BB. a0Set. l60ó. e
13.Mar.1616.
- Porém podem testar deites, mesmo para
usos seculares, com licença do Papa. Yan-Es-
pen, cit. n. !ó. !6. Covarruv. ibi. Bieg. 111. §.
401. Yal. Part. cap. 3ó. n. ló. (Na Belgica tes-
tam sem esta licença. Yan-Espen, cit. cap. 7. ,a. !'ló.)
8 Ora todos os bens, que se acham pela mor-
te do Bispo, se presumem adquiridos no Episco-
pado intuitie Ecclesire; e tem a Igreja a elles in-
tenção fundada. Peg. cit. cap. i. 13!2. n. 38. Gam,
dec. 313. "17al.Cons.166. n. ló. ·
9 - salvo: I se o defuncto antes de assumir
190 Liv. 1. t. Y. Ec:cle$iastic:os.
:>Episcopado e a administração da Igreja, foz
inventario dos seus bens patrimoniaes, o qual
impede o confundirem-se com os da Igreja. Peg.
11. 1. 60. 77. Gam. dec. 313. (a): II Se o herdei-
~ provàr clarissimamente que taes bens eram
~alrimoniaes do Bispo. Peg. n. 38. 10!. sg.
H> Ao Bispo transferido de uma para outra
[greja, qual dellas succeda nestes bens peculia-
res., i,; 11-eg.ca,,.cap.13i.n.tõ9..
., • DD . i'b.
z.

Quanto aos Bispos e:r:-Regulares.


11 A doutrina exposta se intende dos Bispos
1eculares: os que foram assumidos dentre os Re-
~ulares, não ficam livres do voto da pobreza, e
JOrtanto não fazem seus os rendimentos; mas to-
los os bens pertencem á Igreja, sem que possam
Lispôrde cousa alguma. Peg. <.:it.cap. 13~. n.
!f>O.sg. Portug. don. 1. pr<.elud.!!2.§. 7. n. a. sg. v.
llorae.s, lv. 4. cap. 8. n. ltO.
I ! - nem succeder-lhe os parentes ab intes-
ato; mas sim os seu8 successores. cit. Peg. lles.
;cnis.Consc.17 .Abr.1793. 18 Out. 1799. em.Prov.
!6 Jan. 1800. (b)
13 ~ Com tudo gravissimos DD. opinam o
(a) Este inventario ode,·e fazer perante oJuiz sccu-
ar. Peg. n. 8.; ou mesmo s6mente por um Tul,elliiio,
om juramento. n. 30. 80. : e mesmo na opinião de ul-
·uns basta uma descripção jurada, feita pelo Bispo ex-
rajudiciulmente. Pcg. n. 6. 6. 7.
(6) Eslus Iles. íullnm slmeote do Bispo ex-ílegular
ue fallc:ce ab inlestato; porém a rnzão é a me3ma qunn-
u ao outro caso de dispo.i5ão ern vida ou testamenla-
ia. O extràcto dellas se põde ver no meu Addit. 1. -
ÃJbereotemente a C. R. II. li'>.Noo. 1616. bavia decidi-
.o que a fazt"nda do defuncto Bispo de S. 'l'homé devia
,assar ao no,·o Prnlado seu successor: e idenlica dispo-
içâo deram a respeito do espolio do Bispo do Pará u.
'ruv. ~ .llui 17ó3. e a C. R.. 7 Jun. 17Bi.
JI. Quanto aos bens. §. 68. 191
contrario, se., que os Bispos pela dignidade epis-
copal ficam soltos da regra monastica; e portan-
to que podem dispôr dos patrimoniaes .em vida
ou por morte. Yan-Espen, cit. cap. 7. n. ta~ DD.
em Pe,g.cil. cap. 131. n. tó7. 158. ; e que não dis-
pondo, Jhe succedem nelles os parentes. Yan-Es-
pen, cap. 3. n. !20. v. infra, t. 8. k. l.
Quanto aos Bispos que vencem corigrua.
14 Os Bispos que vencem congrua certa, co-
mo são os do UItramar, usam do mesmo Direi lo
dos Clerigos; e portanto sem distiocção. de bens
patrimoniaes ou peculiares podemHvremenle dis-
pôr; e não dispondo, se devolvem suas heranças
aos proximos parentes : o que se intende dos Bis-
pos seculares, não dos Regulares. cit. Res. 17
Âbr. 1799. declarada pela de 16 Out. 1799.

Dividas dos Bispos.


Da doutrina acima exposta se segue :
ló I que o herdeiro do Bi~po s6mente é res-
ponsavel pelas dividas, que elle contrahiu em res-
peito dos bens patrimoniaes, e não pelas· que são
relativas á Igreja ou ao Episcopado, as quaes fi-
cam a cargo della ou do successor. Peg. 6.for.
cap. l3sL n. 37. 117. Jlell.111. t. 8. §. 8.
16 Estas são por exemplo as soldadas que
se ficam devendo aos criados. Peg. n. 7!. sg.; as
pensões não pagas. n. 73. 74.; as despezas do
funeral. n. 7ó. 113.
17 Não chegando os bens que ficaram á Igre-
ja. por morte do Bispo para pagar as dividas da
dita segunda classe, rui paga o successor pelos
heus da mesma Igreja. Peg. n. 119. (a) ·

(a) Nesta conformidade, havendo o Conde Aposen-


taJor-m6r como herdeiro do Arcebispo de Braga, obli-.
191 Liv. 1. t. '/7. Ecclesiaslicos.

J,iventario pm- morte do Bispo.


18 Por fallecimento do Bispo costuma ElRei
prover á boa arrecadação dos bens da Igreja,
commettendo o inventario delles a um Ministro
1ecular. Peg. 6. for. cap. J 32. n. a. 9. 30. 79.
Cah. dec. 84. Per. dec. 9f>. Rep. 1. p. 308. vb.
Bispos. (a)
19 Este Ministro costuma ser por estylo um
dos Corregedores da Côrte em Lisboa ; nas pro-
vincias orespectivo Corregedor da Comarca. Bep.
Ill. p. 118. vb. inventanofa1t.em. (b)
!20 O Ministro encarregado do inventario cos-
tuma ser especialmente autorisado para pagar as
soldadas e salarios dos FamiJiares do Bispo, e as
outras suas dividas, para cobrar os creditas, etc.
Bep. JY. p. 684. 11b.soldada dos. 1. p. aua. Cab.
dec. 84. n. 4. (e)
do no Juizo do Civel da Cõrte senlença contra o Cabi-
do sede vacante, para lhe pagar uma consideravel quao ·
t.ia que excedia o valor d06 bens do espolio do defunclo
Arcebispo, os quaes estavam inventariados, decidiu o D.
8 .Ag. 1737. que a dita sentenc;a se executasse sómente
nos bens do espolio, licando ao dito credor direito salvo
para demandar pelo resto o futuro Prelado em Juizo
competente. Na SupPl. lo. l'l.Jt. lf>8.
(a) É antiquis11mo o costume de mandarem os Reis
.~omsr c.o~ta dos bens. das !irejas vngns, para obsta,em
·a sua d1ss1pação, v. Cat•, IY. cap. 66. §. f>.
(b) Estes 1nventarlo1 não s~guem distribuição entre
os ditos Corregedores da Côrle, mas nomeia S. Mnges-
tade um delles: seguem-no porém quanto aos Escrhães
dante elle. A,., 18 Mar. 1643,
(e) Nesta conformidade pretendendo a Junta das
.Miss~es, que se lhe pagasse o que lhe ficára devendo o
defuncto Bispo de •••, decidiu a Rei. Con1. Dsb.11 Feu.
1683. que, como se ordenára já ao Corregedor da Co-
marca, que segundo a Lei e cstylo fizesse o in,·entario,
e poze!se em arrecadação os bens do Bispo, assim se lhe
11. Quanto aos be,is. §. óS. 193
Sobre os inventarios dos Bispos no Ultramar
"· h. l. t. elosausentes.

TITULO VI.

JURISDICÇÃO ACTIVA E PASSl\'A DOS ECCLE-


SIASTICOS.

§. ó9. Distincçáo das materias temporaes


e espirituaes. lndepe,ulencia do Sacer-
docio e lmperio.
1 A Jurisdicção dos Bispos e mais Autorida-
des ecclesiasticas como taes, é por sua natureza
espiritual, unica propria da Igreja e intrínseca
ao Sacerdocio : os seus objectos não podem ser
senão espirituaes. Cav. P. cap. l. §. 2. sg. cap. 6.
§. ,z. 3. Rieg. I. cap. 1. §. 6. õó. sg. Bieg. 1. §. 1"66.
sg. 173. sg. 11. §. 7bl. 1 Y. §. 131. D. 10 Mar.
1764 • .Al. 7 Jun. 17óó. pr. (a)
1 - &ta jurisdic<tilo espiritual é exclusiva-
mente da Igreja : o Poder secular não póde ter
escre\'esse que, requerendo-lhe a Junta o dito pagamen-
to, lbe deferisse conforme o direito, No lv. 8. de Cons.
fl. !97.
(a) São pois os seus objectos, v. e., ensinar n definir
n Fé e a Moral, e fazer Canones relativos a estes dous
objectos; administrar Sacramentos, e instituir os seus
ritos e as ceremonias do culto; dispensar o~ revogar os
Canones de Direito humano; in'>Lituir e remover os Mi•
nistros do culto; admoestar os peccadores, e impôr-lhes
penitencias e penas espirituaes; consagrar Igrejas; pro-
fessar Freiras; cnnonisnr Santos; conferir, unir 011 sepa-
rar Beneficios ecclesinsLicos; e outros semelhantes actos
tendentes á salvação espirilunl dos homens. Sobre estas
materias tem a Igreja jurisdicc;ão propria por Direito Di·
,·ino. Gw. Y. cap. l. §. t. sg. ecap. 6. §. !. 3,
194 Liv. l. l. VI. Jurisdi'cçáo acl. epass.
autoridade alguma <lirecta sobrn matcrias espiri-
tuaes. Cav. V. cap. 1. §. 9. sg. Rieg. l. §. 4!3. sg.
:J -Tambcm estajurisdicção, diversa do im-
perio civil, consiste mais em ministerio que em
coacção; em exhortar e orar, que em constran-
ger por força. Cav. Y. cap. 1. §. ó. sg. Rieg. l. §.
166. sg.
4 Reciprocamente a jurisdicção temporal e
externa pertence exclusivamente ao Poder civil:
sómente os Príncipes e seus Magistrados podem
legislar ou conhecer das materias temporaes :
este conhecimento é absolutamente alheio dosa-
cerdocio. Rieg. p. I. cap. l. §. 6, 176. sg. Eybel,
lv. 1. de rnut. üidep. cap. I. §· 87. Res. ~6 Dez.
1809 . .A.l. 16 Jan. 1768. §. 6. L. ~ .A.br.1768. pr .
.A.ss.9 Jun. 17 ót>.pr.
á Portanto a jurisdicção civil e externa cm
as Monarchias só do Rei póde manar: todas as
pessoas seculares ou ecclesiasticas que a exerci-
tam, o fazem pelo Rei e em nome delle, por sua
com missão e como donatarios da Coroa, e na con-
formidade das Leis. Hei. l. §. 24,7. O. li. t. 4ó .
.Al. 18 Jan. 176b. ibi. "no caso de pertencer a
causa ao fôro ecclesiastico, como esta competen-
cia só lhes vinha do privilegio d-0fôro que Nós
lltepermittimos" .A.l. 11 Out. 1786. §. 11. ~o J-lai.
177 4. §.... l;leml. I. lv. 1. cap. \2. n. 1. (a)
6 Pelo que os dous Poderes ecclesiastico e
secular são independentes um do outro nas ma-
(a) l•'oi com o andar dos tempos, por consentimento
dos Principes, e mediante lambem documentos apocry-
ph<>!I,que accresceu ao Sacerdocio e se augmen tou enor-
memente a jurisdicção temporal e externa, <'Onsistente
principalmenlt: em conhecer de causas civís e criminaes
<los Clerigos e Leigos no fôro externo. A historia desta
novidade na Igreja v. em Cav. Y. cap. !e. e o. ~- 64. n.
!il. sg. h. l.
elosEcclesiasticos.§. 6"9. 196
terias competentes a cada um. Rieg. J. §. 466.
!!01. 167.Res. t6Dez.1809.: e nisto consiste a
devida e consoante harmonia do Sacerdocio e
lmpcrio, sem a qual não podem elles subsistir,
nem o bem <los Povos. p,,.ov. 18 Jan. 17ftf>. L. 4
Dez. 1769. L. :, Abr. 1768. §. 3. Bieg. l. §. 466.
-Quaes sejam os limites destes dous Poderes
v. Rieg. l. §. 171. sg. (a)
7 Destes principios resulta: I que os Eccle-
siasticos, considerados cidadãos nas materias tem-
poracs e externas, são absolutamente sujeitos ás
Leis civís, ao Rei, e ás Autoridades publicas;
e sómente por conccssflo das mesmas Leis podem
gozar de isenções e privilegios temporaes. Bieg.
J. §. 448. sg. lf>9. sg. 163. 170. Hei./.§. ue~Mell.
1. t. 3 §. 13. n. !. e§. \28. !29. //al. Cons. lOO. n. i,
sg. Yan.-Espen, pt. a. t. I. Yattel, 1. §. 143. lf>O.
sg. Cav. Y. t. 3. cap. 4,. §. 6. {b)
(u) De não se conhecer bem a ditfcrença dus mate-
rias tem poraPs e espirituaes, e os limites dos dous Po-
deres que regem o mundo, mana mm muitas Concorda-
tas entre os l::-enhores Hds e, os Papati, ou os Bispos so-
bre jurisdicção e malerias seculares, e outras disposições
ccclcsiaslicus, que amplif1carum enormemente o poder
ecclesiastico, contra os uso, primitivos da Monarchia
Portugueza. Sina por todas de r.xcmplo a Con<"Ordata
e Leili do Senhor D. Sebastião de 18 Mar. ló78. em Per.
Mcm. R. I. p. 491. e em Leiú>,Il. t. 1. L 13. e IP. I,
H. L. ó. ; a omnimoda acceituc;ão do Concilio Triden-
lino, ele.
(b) O pequeno conhecimento do Direito Publi<:o, e
o excessivo poder dos Ecclesiasticos no tempo da com-
pilação do Codigo actual, deu logar a serem os mesmos
considerados f6rn da jurisdicc;ão do Hei e das Autorida-
des publicas, e chamados pessoas que não sâo da nossa
jurisdicçáo. Com1udo esta noção éopposla ao fim da so-
ciedade chil, e á individuidade da Soberania, uoica
fonte do poder temporal: os Clerigos segundo o costu-
me anliquissimo juram nas Côracs ol>cdicncia n EIRei,
19 6 Liv. ]. t. P 1. Jurisdicçâo act. epass.
8 - E com effeito desde o principio da Igre-
ja não eram cllcs isentos da jurisdicção das Au-
toridades civís, até que pelos Principes se lhes
concedeu o privilegio do fôro, que com o andar
dos tempos se augmentou, mediante tambem al-
guns diplomas apocryphos. Cav. Y. cap. 3. §.
3. sg. e cap. 4. §. 6.
- II Que reciprocamente os Seculares, sem
excepção dos Principes e Magistrados, nas ma-
terias espirituaes são sujeitos ás disposições· e
Autoridades ecclesiasticas e ao poder espiritual
da Igreja. Cav. Y. cap. 1. §. 8. PJ. cap. 40. §. 18.
Dupin, de anl'iq. Eccles. diss. 3. cap. ~. Rieg. I.
§. ó6, sg.
9 Connexâo. Destes principios manam as se-
guintes doutrinas, cerca os direitos Magestaticos
sobre pessoas e cousas ecclesiasticas, e cerca a
jurisdicção episcopal.
§. 60 . .Alguns direitos e deveres Magestaticos
sobre ob:jectos.da Religião.

1 Pertence pois a ElRei: I mandar castigar


os Clerigos refractarios ·: o que os Senhores Reis
sempre praticaram, mais ou menos severamente
segundo a gravidade dos casos e a diversidade
dos tempos. Jfell. ]. t. f>. §. !6. not. v. li. l. §. G7.
n. !23. sg. 39. sg.
t II Limitar o numero dos ordenados. Rieg.
como os outros dous Estados da Nobreza e Povo: "nem
lhe compete, diz o Al. 16 Jan. J768. ~- 6 , isenção algu-
ma a quaesquer respeitos, que fazem os objectos das mi-
nhas Regias disposiçõe~, sobre materias meramente tem-
poraes." O .Re.gim.1 Fev. 1641. §. 16. os considera su-
jeitos á, Leis geraes relatir,as ao bem publico e defensâo
do Reino, etc. Sobre n pretendida independencia, immu-
ni<lndes, e prclcnções enormes <losEcclesiaslicos v. Yal-
tcl, l. §. l bO. ~g.
elos :Ecclesiasticos.§. 60. 197
1. §. 448. 470.; especialmente em tempo de guer-
ra. Exemplo no D. 19 Out. 1644. (a)
3 III Promover a solida instrucção do Cle-
ro. (b)
4 IV Proteger a Religião do Estado e a Igre-
ja : ao que em todos os tempos satisfizeram os
bons Principes. Const. .A. 6, Cat.•.Y. cap. I. §. 13.
Rieg. 1. §. 439. sg.
- pois a Relig-iã'.oe a piedade influem essen-
cialmente na felicidade da Nação, e nada ha tão
proprio para fortificar a virtude. A piedade po-
rém deve ser illustrada, e sem superstições. v.
Yattel, 1. §. 14õ. sg.: e é um dever do Rei im-
pedir que se abuse deUa. cit. Y attel, §. 140. Cav.
cit. §. 13. (e)
(a) Havendo-se porém tornado odiosa, as licenças
singulares para Ordens, dizpoz o Al. 10 Mai. 180b, §.
10., que os Prelados regulem o numero necessario dos
Clerigos, e remettam á H.. Preseoçn esla regulação, a
qual sendo appro,•ada, fica levantada a prohibição de
ordenarem sem licença Regia.
(b) Para a boa instrucção do Clero dizpoz o Al. 10
Mai. 180b. que os Prelados Metropolitanos mandem
cada anno dous Clerigos, e os Suffraganeos um dos seus
Seminarios, a fazer um curso complelo de Theologia na
Universidade de Coimbra, os quaes prestarão fmnça ao
seu bom comportamento. §. 1. t. 3. 4. li. Que os Prela-
dos, em cujas Dioceses não houver Seminarios, tratem Jo-
go de os fundar. Em cada Seminario haverá um curso do
tres annos de estudos Theologicos e Canonicos, regulado
pelo da Universidade, e acompanhado dos mais estudos
proprios do Clero. §, ó. 6. H. O Seminario será dirigi-
do por Sacerdotes seculares, e não pelos Regulares. §.
7, Ninguem seráordenado deSacerdote sem haver feito
o curso completo no Seminario ou na Universidade.§. 9.
(e) Qual deva ser a inspecgão do Rei sobre os nego-
cios de Religião e sua autoridade sobre os mioistrosdel-
las; qual a circumspecçilo nas Leis relativas aos ditos ne-
gocios 11, Yattel, J, §. 139. ,g. Fúang. tom. 8. lv. Y. sg.
19 8 Liv. I. t. PI. J11riscllcçáoacl. e pass.
ó V Promover a observancia dos Canoncs re-
cebidos na Igreja Lusitana; e proteger os pre-
ceitos e disciplina ecclesiastica contra quem os
violar, firmando-os com Leis ·e penas temporaes;
debeJJando as heresias, prohibindo livros perni-
ciosos, sopitanclo as disputas theologicas, etc.
Cav. Y. cap. I. §. 13. PI. cap. 34. §. 7. 9. 10.
Rieg. 1. §. 4'28. sg. ( a)
XXY. Rieg. ]. §. 413. sg. Sobre a tolerancia <le cultos
"· §. 66. n. 9. 10. h. l. .
(il} E.xem'Plos.Assim a C. R. I. 31 Out. 16!27.encom•
mendou aos Bispos o cuidado de visitarem as suas Dio-
cese~, e promoverPm nellas toda a reforma e bom exem-
plo A C. R. 9 Out. 178H. lhes rccommendn o ensino do
Cathecismo uos povos; a admi~são de pessoas dignas ao
8acerdocio e ao minislerio de Parochos, Confessores, e
Prégadores; o respeito nos templos, e o trajo modesto
dos ecclcsiasticos. O Al. 10 Mai. 180:'>.§~11 lhes encom-
menda que nas contas que dão sobre o Clero, tratarão
tambem dos Sacerdotes mnis dignos, para EIHei O!I at-
lender no provimento dos Empregos ecclesiasticos e Be-
neficios de Padroado Real.
Outros exemplos dão os Senhores Reis e as suas
Leis em promoverem a observancia dos dias santos de
guarda: e assim prohibiu a O. Y. t 88. 6, 8. e l. t. 74. §.
ti. pescar sem licen~a dos Prelados nos bomingos e em
certos dias tantos de guarda, e nas noutes antecedente~,
etc. "· &p. IP. p. 11!1. "6. peaca.-A O. r. t. 8\2. §. 10.
prohihiu jogar a bola nos dias de guarda antes da M is-
sn do dia. v. Rep. IP. p. 1ft. vb. pessoas. Sobre a qual
transgressão dos dias santos tambt-m as Camarns pod~m
impôr coimas em suas Po11turas. Cab. pt. l. dt:c.87. Rr:p.
f. p. 1-07. ob. Alcaidt}-mór. Não podem porém os Princi•
pes esta~lecer dias santos de guarda. &ned. XIP. no
eit. ·Rq,. p. lM. - Item em fazer baplizar os escravos.
O. Y. t. 99. : impt>dir que se constranjam a baptizar os
filhos <los hel'f!jes.· L. 3 Ag. 1708.: ordenar dias de•Pro-
cissões. Q. l. I. 66. f: 48. L. ló Ma,. U6f>.: pro_hibir n
venda e penhorn dos omainentos sagrados. O. 11. t. !4,
AI. 6 Jul. 1776.: punir os roubadores dos templos. O.
Y. t. fiO.~- 4. : prolt-ger ns Jgrf'jns dn vexa1:;ãoelos Pode-
dos Ecclesiaslicos. §. 60. 199
6 VI Influir para 1uc as disposições eccle-
siasticas sejam uteis á gr~ja e ao Estado, pre-
cavendo-se o prejuizo dos Cidaditos. Rieg. I. §.
440. sg.
7 VII Consentir na celebração dos Concilios
ou Synodos ecclesiasticos ; influir nelles em ter-
mos babeis. i,. Cai,. Y. cap. 14.; e confirmar,
ou suspender a publicação das suas disposições
nos mesmos termos. cap. 14. §. J l. sg.
8 VIII Conceder ou negar o Beneplacito aos
Decretos . dos Concilios, Lettras A postolicas, e
quaesquer outras Constituições ecclesiasticas que
não se oppozerem á constituicão, precedendo ap-
provação das Côrtes, se contiverem disposiçilo
geral. Const. A. 7õ. §. 14.
9 -Sem este Bcncplacifo e prévio exame,
os referidos Diplomas não podem publicar-se nem
executar-se; e tal é o antiquissimo costume des-
te Reino, derivado da natureza do Poder Mages-
tatico. LL. 3 Out. ló78. ó &t. 1760. 6 Mai. 17Gó.
pr. etJ.8 .Ag. 1767. §. 14. DD. 4Ag. 1760. 6Jill.
17!8. 16 Ag. 1663. LL. ria Ord . .Affo,zs. 11. t. 9.
f/"an~Espen, tract. de p1·omulg. leg .. cap. :J., e de
Recurs. ad princip. cap. ó. §. 1. t. Eybel, lv~ !.
cap. i. §. 110. Rieg. pt. l. §. 446. sg. Dedticç.
Ckron. pt. !. demonstr. 6. §. !8. sg. 63. sg. 74~
sg. v. Recurso de José de Seabra na cit. demonst'r.
6. (a)
rosos. O. li. t. tl. e t:J.: determinar a quantidade dos
bens que possuam as Igrejas e os Eccl~sia$licos. Rieg.
I. §. 461. v. h. l. t. de mnorti".i.: dt'struir as heresias, v. <',,
a seita dos Beatos, Jacobeus, Sigillistas, debellados pela
L. HJul.1769.~.t,lt.elc.
(a) .. Segundo o costume do Reino é primeiro ouvido
o Procurador da Coroa. L. 6 Mai. 176á.
Foi este um dos meios efficazes por que se cohibiu
o abuso do poder dos Papas, e se remediaram os incon-
venientes que nascem de poder uma Côrtc cstrangeir~
too Liv_. l. t. PI. J11ris<licçáo
acl. e pass.
1o - O que nito procede com os Rescri ptos
da Penitenciaria. C. R. e A.v. 13 Ag. 1770. ( a)
J 1 -Os Frades tambem não podem execu-
tar Breves de Roma sem primeiro darem parte
a .EJRei. D. H Mar. 16H. A.v. U A.g. 1770.; e
sem licença da Mesa do Melhoramento. D. 19
Nov. 1791.
H - Para se conseguir o R. Beneplacito se
apresenta o Diploma original na respecliva Se-
cretaria d'Estado.
13 - O Benep]acito se nega quando o Di pio-
ma é contrario ás Leis, costumes, direitos, ou
graças do Reino, ou aos Canones nelle recebi-
dos. i. O. P. t. 6!L §. 1. Rep. II. p. 331. vb. esmo-
la. v. text. supra cit. Deducç. Cltro'llt.pt. !, cil.
demonstr. 6. (b)
14 - Em Jogar da negação do Beneplaci to
tambem se usa do meio de reter o Diploma na
coníerir empregos importantes, e regular negocios consi-
dcravcis: sobre o qual abuso e seus inconvenientes "·
Yatttl, I. §. 146. sg.
Assim foi repro,•ndo o Bretoe Apostolicum pascendi
pela L. 6 Mai. 1766.: o Animarum saluti pela L. 18 Ag.
1767. §. 13.: o de Clemente XIV &obreo Jubileu das
Ermidas do Senhor do Monte pelo Edil, li Abr. 1774 :
a Bulia Sanctissimi Domini pela L, 30 Abr. 1768.: os
lodices Expurgatorios e a Bulla da Ceia (que excom-
mungava todas as gerações presentes e futuras da terrn)
pela& LL. g Abr. 1768. e 4 Des. 1769. o. Deducç. Chron.
pt. Q, demonst, ó, e 6. §. 18. sg. e pt. 1. diois, 8, §. 180. sg.
!289. li(. ele,
(a) - Rata C. R. e Av. exceptua tombem os Re&criplos
ordinarios, pertencentes a nt>goc:iosentre particulares,
quando nelles &enão iin·olve cousa que ioterésse a tran-
quillidade publica; porém a Prov. li Out. 1793. dá co-
mo derognda estn excepção.
(b) Contra os que impetram em lloma Diploma con-
tra as Graças do Ueino proviu a O. 1[. t. 16. Sobre o
que o.~- 17. n. 3. li. l.
elosEccle1imlicos. §. 60. 101
Secretaria d'Estado, como para representar os
ditos inconvenientes ao Papa. text. prox. cil.
ló IX Limitar os poderes dos Nuncios ou.
Legados do Papa, quando veem ao Reino. Mell.
1/7. t. 7. §. 34. {a)
16 - Sobre os N uncios ou Legados do Papa.
e seus direitos e autoridades 11. Coo. I. cap. 13.
Mell. 1 Y. t. 7. §. 34.
17 - Exemplos de excesso desta autoridade,
e dos meios repressivos empregados em 'todos os
tempos pelos Senhores Reis, até o da expulsio
"· na Deducçáo Cliron. pt. !. demomlr. 6.
UI. sg.

(a) Entre as medidas restrictivas daquelles poderes


é notavel o Av. 14Jun. 174-4. que limitou ao novoNun-
ciu os poderes das suas lnstrucc,;ões, para os conformar
com os usos do Heino; com declaragão que, pratican ..
do elle ou permillindo que se praticasse de outro mo-
do, se tomaria disso o conhecimento como de violencia,
no J uizo da Coroa ~- 1. E portanto nlo poderia visitar
a~ Cathedrnes; conhecer de causas algumas em primei-
ra instuncia princ.; no caso de se interpôr delle Recur-
so para o Juizo da Coroa, faria remetter os autos com
suspensão de todo o procedimento ~- l.; não consentiria.
levar no J uizo da Legacia maiores salarios que nos Au-
ditorios da Côrte §. 1.; nomearia para Promotor a um
Portuguez §. ~.; não tomaria conhecimento de materias
pertencentes ao governo economico intra claustra dos Re..
guiares dt~ ambos os sexos; nem de Recursos que elles
ioterpozessem, salvo em grão.de appellagão §. t.; di1-
pmi«são esta que se participou aos Prelados Regulares
em .Av. ló Jun. 1744.
Estas insioua«sôes mais ou menos re~trictivas, 1ecos-
tumaram sempre fazer aos Legados Romanos na suache--
,rada ao Reino, como, no Colleitor Paloto na C. R.11
&t. 16!4., que ampliou as que se haviam feito ao Col-
leitor Acorambono na C. R . ••• Hil6., e ao Colleitor
Landinelli na C. R. l. ló Dez. 16!0.
PART. 1. 14,
~01 LitJ. 1. t. Y l. Jiwisdi'cçáoacl. epass .
.§. 61. Jurisdicçáo dos Bispos e Jid~es
ecclesiasUcos.
. N<>fâo geral do Episcopado.
1 Poder dos Bispos. Os Bispos successores
qos Apostolos, são instituidos por Deus. Cav. 1.
cap. b. §. 1. 4. para regerem a sua Igreja §. ó.
com º/ºder de ordem e de jurisdicçào §. 1. sg.
J)ieg. . §. 1ó. ó9. 141. sg. : nelles está a plenitu-
de do sacerdocio §. 3. e nenhum Fiel por Direito
ordinario é isento da sua jurisdicção; nem no
principio houve isenções algumas do seu po<lcr.
Cav. §. 13. Rieg. l. §. ló. ó9. 141. 14~.
i Malerias exceptuadas. Posto que no Epis-
copado esteja a plenitude do saccrdocio, comtu-
do pelo andar do tempo tiraram os Papas aos Bis-
pos o conhecimento de muitas materias e causas
ecclesiasticas, chamadas maio,·es ou ardttas, as
quaes foram reservadas á Sé Apostolica. Quan-
do e como se induzisse na Igreja esta nova dis-
t?iplina v. Cav. Y. cap. B. ( a)
3 Metropolita e Papa. O Bispo que presi-
<!eaos pegocios de toda uma Provincia, se diz
Metropolitano; os outros Bispos della, Suffraga-
neos. Os direitos e autoridade do Metropolita se
diminuiram com os teinpos : e quaes sejam hoje
v.Cav.l.cap.8.9.10.
(a) Estas causas são principalmente as da Fé, a de-
posigão, translação, renuncia, e confirmação dos Bispos,
a creação, união ou dhisão de Igrejas Cathedrnes, cn-
nonisaçio de 1anlos, isenções de autoridade episcopal,
dispensa dos Canones em materia grave, absolvição de
alguns delictos graves, fundação de Ordens Heligiosus
ou de Igrejas Collegindaa, creaçio de Dignidades, con-
cessão de coadjutor aos Bispos, etc. Caa,.Y. cap. B. ~. 6.
j. Alteserr. dejurisd. lo.10. Da erecção ou divh,ão de
Bispados, em que cumpre concorrer lambem a autori-
dade do Soberano v. exemplos nos Al. 3 e 17 Mar •.1770.
dos Eccksiasticos. ~- q1. 103
4 - O Bispo de Roma é o Pastor universal
da Igreja, sobre cujo primado, autoridade, e di-
reitos v. Cav.1.cap.11. ltfell. Ht."sl.cap. 6. §. 43.
not. Rieg. 1. §. IOó. sg. 1óó. sg.
ó AppeUaçáo. Das sentenças dos Bispos se
appella para o Metropolita, que, sendo a causa
grave, conhece delJa no Sy!K>~º?rovio~ial. Cm,.
I. cap. 8. §. ó. Segundo ad1sc1pbna antiga seap-
pellava para o dito Synodo. Cav. YI. cap. 33. ;.
3. sg. Pelo decurso do tempo se admittiram tam-
beru as appellações para o Principe Romano. cil.
cap. 33. §. 8. sg.: o que restringiram as nossas
Leis. v. §. 68. n. 1. sg. h. l.
6 Sé Yaga. Vagando o Bispado pela morte
do Bispo, ou por outra causa, succede o Cabido
na sua jurisdicção, e a exercita nos termos ex-
postos pelos Canonistas. v. Yan-EspeH, pi. l. t.
9. cap. 1. 2. 3. Rieg. li. ex.§. 184. Das Dignida-
des e gráos dos Cabidos v. cit. Yan-Espm, I. 10.
11. U. {a)
7 - O Cabido Sede tJacanle rege j>oiso Bis-
pado por direito proprio; não póde porém exer-
cer os actos de ordem, nem mesmo alguns de ju-
risdicção que os Canones lhe r,rohibem. Cav. I.
cap. 19. §. 23. sg.· Elle deve eleger um Vigario
Capitular que tenha o exercicio_ da jurisdicção
episcopal. §. t6. e DD. prox. cil. . ,
8 - O Cabido deve conservar Sede uticanlt:

(a) Nas Catbedraes em que nlo ha Calfüloa~ ou quan-


do estes não nomeiam em tempo o· Vigario Capitular
ou Governador d<>Bispado, pertence a norhêoçãoaoMe-
tropolitano; e deve nomear para Gov~rrlador' o·Bispo
mais vizinho, que haja de é:itercilat os· poderes· de juris.
dicção e de ordem. C. R. 13Nor,. 1799. no Réparl~ Ger.
vb. Bispados "ª!los. O cap. 1.0 No sede t:~ca.ntenunca
teve força neste Reino, nem em algum da Chmtandade.
D. 11 Jul. 177!.
!04 Liv. I. t. PJ. Jurisdicçâo act. e pass.
os Ministros existentes. lles. Cons. Cúr. Patr. 6
Jun. 18lf>. no Addit. 1.
Actos da jurisdicçáo espiritual.
9 Os direitos e obrigações dos Bispos ou Juí-
zes ecclesiasticos, segundo os princi pimi acima
expostos, todos se reforem á ordem espiritual.
Quaes elles sejam v. Cm,. I. cap. 6. 7. Rieg. I.
§, 144~ sg. Aqui indico sómente os seguintes que
teem relação com o fôro externo :
. 10 I Censurar os livros que se hão de impri-
mir, para não se introduzirem erros na Fé.
lJ -Este direito se limita a censurar a dou-
trina, e não se estende a permittir ou prohibir
a impressão <lo livro. L. 921Jun. 1787. §. 11. (a)
U - As Pa~toraes e Mandados dos Bispos,
segundo o costume geral dos Bispados do Reino,
não se podem imprimir ou ao menos publicar
sem Beneplacito Regio. C. R. 9 Dez. 17GB. Al.
aoJul. 1793. §. 13. (b)
(a) A censura dos livros e de quaesquer escriptos que
se houverem de imprimir, se regula pflla L. 17 Dei.
1794. e Al. 30 Jul. 1795., ficando sómente excepluados
os escriptos de menos de tres folhas de impressão que
são licenciados segundo o§. 6. do cil. Al. 179f,. D. 6
Mar. 1814. -A subscripção e introducção dos Periodi-
cos ou Folhetos impressos em língua Portugueza em paiz
estrangeiro, foi severamente prohibida pelo D. la Nov.
18!!3.
(b) Em Av. de~4,Jun. 1750. se disse ao Cardeal Pa-
triarcbaque, poslo que os Prelados ordinarios costumem
fazer imprimir sem licenças os papeis pertencentes ao
Officio episcopal, como Pastornes, etc. (costume que
,uás não se fundava em Direito expresso), não podia
elle e1tender-11enos arrazoados das suas causas, e a ou-
tros popeia que directamente não pertencem ao dito Of-
6cio: e que ainda quanto nos primeiros, deve o impres-
sor ter ordem escripta do Prelado. No Dsb. lo. 4. ck
Der. fl. 1.
dos Eccleslaslicos. §. 61. 106
13 - Hoje livre a imprensa de toda a cen.
sura prévia, salva a responsabilidade legal dos
Autores Const. .A.. 146. §. 3., cessou o presente
direito de censura. Sobre as utilidades publicas·
resultantes da liberdade de philosophar, e escre-
ver "· Y attel, I. §. 114. .
14 II Visitar as freguezias do Bispado por si
ou por outrem, para plantar ou restituir nelle a
sã doutrina, moral, e disciplina ecclesiastica.
Cav. I. cap. 7. §. 3.
-direito que se estende ainda ás pessoas e
Jogares isentos nos termos babeis. Cav. §. 6. "·
§. 88. n. f>.sg. li. l.
ló - Nas visitas se procede de plano e sem
as solemnidades judiciaes. Cav. §. 11. 1\!. Mell.
crim. t. 13. §. 19. not.: porém contra pessoas se-
culares se devem guardar. "· O. II. t. l. §. 13.;
se., formar processo regular, e implorar o auxi-
lio do braço secular. Rep. 1/7. p. 186. 116.Prelo,-..
dos. v. §. sa. n. 18. sg. k. l. {a)
16 - Se na occasião deltas alguem ofl'ender
os denunciadores ou as testemunhas, e o Prela-
do se queixar ao Dsb. do Paço, a Mesa lhe de-
ferirá logo, sem preceder informação de Minis-
tro algum, salvo se houver particular razão em
contrario . .A.l. II. ~7 .A.br. 1647. deferindo aos
Prelados que pretendiam que os Corregedores.
inquirissem dos ditos casos.
17 III Regular a policia interna dos Tem ..
plos. D. tõ Fev. e .A.l.9 Mar. 1643. v. lv.11. das
lgre,las : e as festas do culto Religioso. "· Mon ..
tesq. XXIY. cap. i3.
(a) Porlanlo pretendendo o Estudo ecclesiastico nas
Côrtes de I 6,J,1. que o;; Prdados e seus V isiladorr.s fos-
sem efficu1.menle ai.1xiliados em suas visitas pela Justiça
secular, resolniu coherenlemente o Al. 11. 17 Abr. 1647.
que eslava baslanlemenle provido nas Leis do Reino.
!06 Liv. 1. t. PJ. Jurisdicçáo ac:l. epass.
18 -. Não podem com tudo: I impedir as cor-
ridas de touros, etc. nas festividades, nem que
por essa causa se faça a funcção de Igreja. C. R.
16 .Ag. 1767. : II nem nas Procissões intender
(elles ou os seus Vigarios) senão no governo das
pessoas ecclesiasticas; nem saír do Jogar das Cru.,.
zes e do espaço onde vão os Ecclesiasticos, ex-
ceplo no unico caso de se fazer entre os Leigos
alguma irreverencia ás cousas sagradas. Al. ~o
Jun. 1608.
j§. H. Uso elas censuras ou penas espirituaes.
1 Pertence IV aos Bispos e J uizes ccclesias-
ticos impôr penas espirituaes, medicinaes, e pc-
nitenciaes; unicas conformes ao fim da Igreja,
pois as temporaes e externas são alheias <la sua
competencia, e só proprias do poder civil. Cav.
Yl. cap. 40. §. 9. sg. Van-Espen, pt. 3. t. 11. cap.
:1. sg. Mell. Crim. t. 10. §.a.Per. So. Class. crim.
L. tl Jun. 1787. §. 11. Rieg. 1. §. 16ó. sg. 117.
§. 131. (a)
e Quaes são. &tas penas espirituaes, cha-
madas tambem censuras, consistem exactamen-
te na privação de bens espirituaes; e portanto
se conteem naexcommur1,háo tomada em sentido
amplo: ellas se r~duzem a excommunhào pro-
priamente tal, interdicto, suspensão. Cav. P 1.
(a) Nos primeiros oulo a nove seculos não irrogou a
Igreja e_os Canooes penas temporaes. Depois, por oc{·a-
sião de um Canon apocrypho, comec;aram as Autorida-
des ecclesiaslicas a irrogá:-la,, e pela muila ignoraocia
da idade media se desconheceu que nisLo se usurpava a
jurisdicção chil. v. Cm,. f/ 1. cop. 40, §. 7. 8.
As mesmas penitencias publicas ou privadas, em
fjUanlo csth·eram em uso, não se obriga,·a n cumprí-las
por forc;n. Rie.g. IP.§. M,t, Eybel 1 inlrocl. lv. 3. cap.~. sg.
dos Ecclesiasticos. §. 6!. 10-7
C'ap.40. §. 4. sg. cap. 41. sg. Yan-Espen, pt. S. t.
11. cap. 3. õ. Rieg.111. §. 563. (a)· ·
3 A irrogação e absolvição das censuras el11
a nova e actual disciplina pertence ao fôro ex-
terno da Igreja, e só compete ás Autoridades
ecclesiasticas, que exercitam jurisdicção por di~
rei to ordinario ou delegado; e não aos Parochos,
Arcediagos, etc., e menos ás pessoas seculares. u.
Cav. cap. 40. §. 1~. sg. Yan-Espen, cit. cap. !2. sg.
4 .A quem. Sómente se podem irrogar ao
Christão bapt.izado, que seja réo de crime grave,
e sujeito ao poder da Autoridade que as irroga-.
Cav. cap. 40. §. 17.
-sem excepção dos Empregados e Autori~
dades publicas, ainda as maiores. Cav. cit. §. 18.
v.§.61.n. 16. 17.h.l .
ó .A excommunháo é uma pena gravíssima,
e que produz gravíssimos efl'eitos, assim no fôro
interno como no externo. Cav. PL cap. 41. §. 6.
sg. 10. sg. 18.; entre elles o de privar ·ó exéom.i.
mungado do commercio e trato civil nos· termoa
babeis. (b)
6 - Portanto se requer para se poder irro'-
gar esta pena, que haja : I crime grave; e se se
. (a) Excommunhão tomada em sentido amplo signi:-
f1ca a pri,·açf10 ou de toda a communhão ecclesiaslica,
ou do sagrado ministerio, perpetua ou tempor~riamen •
te, ou da participação das preces e mysterios sagrados:
v. Cav. V 1. cap. 40. §. 4. ó. ·
(b) Segundo a antiga e constante disciplina, a ex-
communhão não privava dos olTtcios ou actos 'que são de
direito e obrigação; mas sómente dos que são volunla ..
rios e livres. v. <:ai,.§.ll.1'2. la.
Ainda hoje se permilte tralar com o excommunga-
<lo quando o pe<le a necessi<la<leou utilidade, ou quan•
do se ha de cumprir alguma obrigação. Cav. §.. 14. Po-:
rém para o excommungado ser vitando, se requer irroga-
c;ão por sentença, e publicação nominatim. o. Qu,: §.. 16.
toe LitJ. 1. t. YJ. Jurisdicçáoact. epass.
irro~a por causa leve, ha ahi abuso do poder ec-
cles1astico. Cav. cil. cap. 41. §. 19.: II crime ma-
nifesto e legalmente provado em Juizo compe-
tente. §. 10.: III contumacia e obstinação no
crime, tendo precedido ao menos duas admoes-
taqooscanonicas. Trül. Sess. ló. reform. cap. !.
Cav. §.ti.: requisito este, que mal se pó<leac-
commodar com a excommunhão lwle senlentire,
desconhecida nos primeiros doze seculos da Igre-
ja. "·§.ti. 8. 9.: IV que se hajam primeiro ap-
plicado cm vão, e esgotado todos os outros re-
medios. Catt. §. t3.: V inda então se devem as
Autoridades Ecclcsiasticas abster desta censura,
se se prevê que deJJa póde vir á Igreja mais mal
que bem. Cav. §. 14. v. Deducç. Cl,.ronol.pt. i.
demonslr. 4. §. 38. e 41. sg. e pl. I. divis. U. §.
613. sg. Yan-Espen, tract. decensur. tom. 9. cap.
J. seg. Rieg. §. 671. sg.
7 -É portanto injusta a excommunhão, quan-
do se emprega para cobrar foros ou outras divi-
das, não só pela falta dos ditos requisitos, mas
pela manifesta violencia que ha na fórma de pro-
. ceder, começando a causa pela execução ; e por
isso cabe aqui o Recurso á Coroa. J>er. M. R.
pt. 1. cap. 14. 11. ló. 'J.3. Rep.111. p. 166. vb. Juiz
da."·cil. Res. a Out. 1776. (a)
a lnterdiclo. Isto mesmo procede no lnter-
dicto, pena tambem gravíssima. v. Cav. Yl. cap.
41, O interdicto geral, que se põe a um povo,

(a) Sobre a praxe dos Mmiitorios de excommunhão,


com que se costumava proceder 1-ummariamente no Jui-
zo F..cc)esiastico "· Yangven,. li. cap. 34. 36. ó7., como
nas Visitas, das quaes ibid. cap. 36. 36. Da excepção de
excommunbão como e quando se nppõe nos autos; ap-
p_ellafáodella, etc. "·O.III. I. 49. ~. t. sg.11. t. 10. Rep.
li. p. 3f>7. vb. c.xceiráode; 360. sg. 36:;. sg. vb. c.rcom•
,nungado~: I p. 184. vb. <1ppcllanfes.
elos &clesiasticos. §. Gt. 109
província, etc., foi desconhecido na antiga Igre-
ja, e não póde fundar-se em boas razões. Cau.
cit. cap. 41. §. 4. sg. Yan-Espen, tràct. decensvr.
tom. 9. cap. l I. Rieg. III.§. 616. ( a)
9 A suspensâo,se., do Officio ou Beneficio
clerical (v. Cav. /7I. cap. 48.J não requer causa
tão grave, como a excommunhão e o interdicto;
quando porém se impõe para emenda, deve pre-
ceder contumacia, e admoestação canonica, e
declarar-se a causa por escripto. Cav. cap. 43. §.7.

Extincçáo elas censuras. Repulsão das inimlas.


l O A censura cessa por absolvição, que se
póde dar no tôro interno ou externo, de cuja for-
mula e especies v. Cav. cap. 44. §. 1. sg. Yan-
gtter. II. cap. 34. sg.
-A absolvição ou relaxação do fôro inter-
no não basta para extinguir os effcitos externos
e civís da censura, que foi irrogada judicialmen-
te. Cav. §. 3. Esta absolvição se concede pelo
mesmo Juiz que a infligiu, ou pelo recurso ao
seu superior nos termos de Direito. Cav. cap.
44. §. 4. sg.
11 A excommunhão injusta ou destituída de
justa causa, se a injustiça é notoria e manifes-
ta, póde ser "impunemente desprezada pelo ex-
(a) A C. R. ll. H Out. 1613. mandou declarar ao
Dsb. do Paço, que convém não haver interdiclos neste
Reino, pelos grandesdamnos quedelles resultam. Seme-
lhante disposição ha na C. R. t:J Feu. 16!21. A C. R. 11.
!O Out. 1610. ao Bispo de Tangere, lhe encommenda
que inleirnmenle não ponha interdictos, sem primeiro
dar conta a EIH.ei, visto ficar por elles privado o povo
dos sacr11mentos, sacrificios, e <la sepulLura ecclesiastica;
e quanto á excommunhão que não a irrogue naquella
Fronteira sem muila causa e consideração, pela proxi-
midade dos lnfieis; e por não ser jm1tomolestar-se o po-
,·o, quando a ella não deu occasião.
-
rno Liv. I. I. PJ. Jm·isdicçáo act. epass.
commungado : aliás deve elle como bom Chris-
tão guardá-la no foro externo. Cav. cap. 41. §.
ru,.Can. 46. catts. 11. qt. 3. Yan-Espen, fom. 9.
tract. de censttr. cap. 8. sg. §. 6~. n. !i?l. h. l.
H O censurado póde appellar logo perante
o mesmo Juiz que o censurou, e esta appcllação
suspende todo o efl'eito da censura. "· praxe em
Y anguer. pt. ! . cap. g. n. 77. e 78. ept. l. p. 83.
Rep. 1. p. 184. vb. appellanle.
13 Todo o Cidadão que é vexado com censu-
ra injusta sobre materia temporal ou com vio-
Jencia manifesta, póde recorrer ao Juizo da Co-
roa. f/'an-Espen, tract. de censiw. cap. 8. §. 4. sg.
v.h.l.§.70.n.8.sg.
14 Quando pelas censuras, ou inhihitorias,
ou por outro modo a Autoridade ecclesiasticaex-
cede a sua jurisdicção contra pessoas seculares,
sobre observancia de privilegios, o Procurador
da Coroa deve promover contra ellas officiosa-
mente segundo a O. II. t. 6. §. 6.: o que a respei-
to dos Conservadores ecclcsiasticos da Religião
de Malta dispoz o Al. 9 Júl. l64l2. §. 4.
16. Tambem em caso de censuras injustas
manda EIRei algumas vezes encommendar aos
Prelados que as façam cessar. (a)
(a) &empl-0s. SenJo presente a ElRei que o Arce-
bispo de Braga obrigava com censuras os moradores Je
Lamas de Orelhã1> a pagarem-lhe os rntos de S. Tiago,
mandou a Res. Cons. Dsb. 8 Out. 1676. que logo se lhe
c.iscrevesse p11ra fazer cessar aquelle procedimento, pelo
c.lumno que cau~am semelhantes vexações geraes, que
pervertem e confundem os po,·os e as suas consciencias.
Dsb. lu 6. Oms. fl. 384. j. ou 4!23. j.
Havendo os Officiaes e.la Camara de Arraiolos im-
petrado do Arcebispo de Evora uma Pastoral, para re-
medio das cen,;uras E'cclesiasticas irrogadas sobre ma-
teria temporal, em que o A rcebi!ipo se não devia intro-

..
melt~r, mandou a Res. I. Cons. Dsb. 18 Mai. 1683., que
dos Ecclesiasticos. §. 6!!. !11
&ndo contra Empregados publicas.
16 Todos os casos de excommunhão fulmi-
nada contra Empregados publicos sobre materia
de seus Officios, são reservados ao immediato co-
nhecimento d'EIRei. D.11. 10 Mar. 1764. ( a)
no A rechispo se escrevesse nesta conformidnde; e que
os ditos Olliciae!.' fossem em prazados á COrte a dar a ra~
zão por que assim haviam consentido e cooperado para
a usurpação da jurisdicção Real. No lv. 8. de Cons. fl.
318. j.
(a) Por este Decreto considerando RI Rei 5er neces-
sario sustentar, assim as justas immunidades da Igreja
de que é Protector, como a independencia do Poder so-
berano que não reconhece superior no temporal, e fazer
ce~sar os escaudalos que coslumum causnr as censuras
fulmiuadas defactu coutra os Empregados publicos, com
as quaes não s6 são estes injuriados na pre:,euça dos po-
vos, mas se impede e usurpa a suprema jurisdicção
Real.. .. , conformando-se com as disposições dos Direi-
tos Divino e Natural, e com o que praticam as maii
ca lholicas Monarchias da Europa, a respeito das censu-
ras fulminadas, não só pelos Ecclesiasticos seus Vassal-
los, mas pela Cu ria Homaua, quando recáiem s<,bre ma-
teria temporal, no quul caso são estranhas ao Sacer<lo-
cio, e offensivas ao lmperio, reserva ao seu immediato
conhecimento todos os casos de excommunhào fulmina-
da contra os Tribunacs Hegios, Ministros e OfTiciat>sde
Justiça sobre matt>ria de seus Ollicios, parn re90her o
que convier depois de tomar as prudenlissimas conside-
raçõf's que pede a gru vidude da materia. Na Su:ppt. lo.
16.Jl. ?67.
Deu occnsião a este Decreto um Recurso á R. Pes-
soa, interposto pelo Corregedor da Comarca de Pinhel,
do qual constou que, havendo a Ca~a <la Supplicação
commellido ao dito Corregedor a execução de uma sen-
tença obtida contra o A blmdc F. sobre causa de força
nova, foi intimada ao dito Corregedor uma inhibiloria
do J uizo Ecclesia;Lico pelo Coucgo F. da Sé da Guar-
da, pura se abster da execu<;ão por si e seus Officiaes,
sob pena Je excommunhão maior; e com clTcito se affi-
xou depois uma Declaraloria cm que se denunciou aquel-
!lt Liv. l. I. PJ. Jurisdicçáo act. e pass.
17 Esta disposição tende a prevenir a humi-
liação das Autoridades, e os embaraços da jus-
le Ministro por publico excommungado, pondo-o parti-
cipantes; e por fim se lhe com minou um interdiclo lo-
cal, pessoal, edeambulatorio, pelo que se viu elle obri-
gado, para evitar o escaodalo pusillorum, a ficar recluso
em sua ca11a,em quanto recorria á Protecção Heal. Em
oonsequencia se passou a ll. Provisão annullatoria 10
Marc;odeste anno que, attendendo a haver-se posto com
aquelle procedimento em commoc;ão o socego daquelles
povos; impedido a e:i..ecuc;ãoda sentenc;a do. Supplico.-
~; atropellado a autoridade da cousa julgada, e usur-
pado a jurisdicção R .... ; e attendeodo a que, além de
serem semelhantes iohibitorias prohibidas por LP.i e cos-
tume do Reino, não havia no presente caso materia 1-0-
bre que podesse recaír censura ecclesiastica, pois o Cor-
regedor não peccarn nem venialmente em cumprir as
ordens superiores, a que devia obedecer; nem conseguin-
temente contumacia .•• : e pertencendo-lhe, como Prin-
cipe e Senhor soberano, proteger os seus Vassallos, re-
pellindo o abuso da espada da Igreja, quando tão estra-
nhamente se desembainhava ... ; pois, assim como segun-
do a sentença dos SS. PP., ns censuras justas são for-
mida,•eis áquelles contra quem se fulminam; assim as
irritas, vãs, e nullas s6 são tremendas para os que as
infligem ... ; e pertencendo-lhe portan lo soccorrer os op-
primidos com cen$uras uullas publicadas de facto, desa-
busando os povos enganados com semelhantes apparen-
cias de censuras, onde realmente não ha nem sombra
dellas; por estes motivos declara a r~forida inhibitoria,
declarntoria, e mais procedimentos do Conego recorrido
por simuladas, irritas, vãs, e de nenhum etTeito; man-
da que por taes sejam ha,•idas para não produzirem ef-
feilo algum ; e prohibe a todos os seus Vassallo,; eccle-
siasticos ou seculares, Ministros ou pessoa~ particulares,
dar-lhe nllcnção ou credito, sob pena de incorrerem na
sua R. tl gravissima indignação, em confiscação de
todos os bens, e nas mnis peoas que reserva ao seu R.
Arbitrio. Na Suppl. lv. 16. (l.168. j.
Pela C. R. "29&t. 1617. o Empregado publico inti-
mado por monitorio do Juiz Ecclesinstico para allegar
os embargos que tivesse a ser declarado cxcommunga-
dos Ecclesiasticos. §. 6!. 113
tiça, de que haviam fornecido muitos exemplos
os tempos passados. ( a)
do, de,·ia allegá-los perante elle, e s6 depois do despa•
cho sobre os embargos é que podia recorrer ao Juiz da
Coroa; posto que o contrario se praticou muitas vezes,
se.,recorrer logo do monilorio, e haver provimento.
Rep. JII. p. 161. vb. J"iz da Cor. j. E't nol.
(a) Os Prelados da antiga Igreja sempre se houve-
ram com modernc;io extrema em fulminar com censu-
ras as Autoridadt!S seculares: do que regularmente re•
sulta á Igreja maior mal. v. Cav. P'l. cap. 40. §. 18. Em
seculos posteriores se abusou muito da ext:ommunbão
contra os Empregados publiros, e mesmo contra os Reis,
acompanhadas de ubsohic;ão do juramento de fidelidade
que seus subdilos lhes haviam prestado; arma formida-
vtl entre ignorantes supersticiosos, que não sabiam dis-
tinguir o uso do abuso. v. P'attel, I. §. ló3. sg.
Entre os exemplos nola\'eis de excommunhües ful-
minadas contra Autoridades, é o inlerdicto geral publi-
cado em 1601'>pelo Papa Paulo V. contra o Doge e Re-
publica de Veneza, rcpellido por uma Annullatoria do
Senado. v. Fra Paolo 8ar'[Ji,tom. 3. e //'an-E,pen, tracl.
de promulg. lcg.: a excommunhão irrogada pelos Lega-
dos do Papa Gregorio V II. ao Imperador llenrique IV.,
e as duras condições com que conseguiu sua absohição:
a excommunhão com que Pio V IJ. pelo Breve 10 Jun.
1009. fulminou os autores e cooperadores da usurpação
do Domínio de Horna e dos mais Estado;, da Santa Sé,
feita por Napoleão e seus fautores, etc.
Em Portugal não leem sido menos frequentes e es-
trondosos procedimentos semelhantes: v. c., a excom-
munhão e interdiclo geral com que foram fulminados
os Juizos e Tribunaes, e depois todo esle Reino pelo Col-
leilor Bispo de Ninastro, e pelo Papa Urbano VIII.
por occasião da observancia ela O. II. t. 18., que diziam
feita em odio de Deus. v. as tres CC. RR. 3 Fev. 1637.
e Deducç. Chron. pt. 1. §. 308. sg.: a excommunhão irro-
gada ao Senado da Camara de Lisboa por cobrar o Real
d'agua elosEcclesiasticos, da qual foi absolvido por Bulia
de Urbano VIII. de 1617.: a que se impoz pelo Col-
leitor aos Desembargadores do Paço, por lhe haverem
mandado occupar ns temporalidades, da qual mandou a
<21,1, Liv. I. t. p·1. Jurisdicr;<ío acl. e pass.
18 Se pois consta que a censura ou inhibito-
ria contra o Empregado publico recaíu sobre ma-
teria temporal, ou se infligiu de facto e com
abuso da jurisdicçào ecclesiastica, passa-se Pro-
visão annullatoria, que as declara irritas e nul-
las, prohibe a todas as pessoas eccJesiasticas ou
seculares dar-lhe attcnção ou credito, sob pena
de incorrerem cm confiscação, desnaturalisação,
etc. cit. D. e Prov. 10 ltfar. 1164. v. Deducç.
C/,ron. pt. !. clemonstr. 4. §. 38. sg. edemonsfr. 6.
n. 113. 138. Yan-Espen, tom.4.p. 373. ecit. Re-
curso de Seabra na Deducç. pt. \!.ex.§. 4,1.
19 .Esta disposição procede tambem a favor
de qualquer pessoa, que vai em auxilio <lo Em-
pregado, como os homens apenatlos para algu-
ma diligencia. Res. QO Mai. e Prov. Dsb. do Bra-
sil, de fl.OJun. 1814. ( a)
C. R. ][, !t9 Set. 1617. que fo~sem absolvidos ad caute-
lam naf6rma e Jogar conveniente á sua autoridade (Des-
ta absolvição ad cautelam e da cum reincidencia v. C<1v.
PI. cap. 44. §. 6. 7.): a excommunhão publicada pelo
Nuocio Acorambono contra o Juizo da Coroa, e o con-
sequente interdicto local e pessoal, pela occupaçno que
se lhe mandára fazer da, temporalidades. Deducç. Chron.
pt. l. diu. 7. §. !67. sg.: o interdicto posto na cidade de
Lisboa pelo Colleitor, por occasião da prisão de um Cle-
rigo, e as subsequentes censura~, CUJa revogação se re-
commendou pela(;, R. ~9 Sel. 1617.: as censuras de que
trota a C. R. /7. 8 Jun. 16~ l. ele. etc. v. Deducç. Chron.
pi, 1. divi,. 8. §. 30ó. sg. e pi.~. demonstr. 4. §. :i7. sg.
(a) Esta Res. mandou proceder do mesmo modo con-
tra as excommunhc'".es poslas pelo V ignrio de V ilia Nova
do Principe a .eis Milicianos, que auxiliaram a prisão de
um· Clerigo; accrescentando que o Bispo respectivo re-
prehendesse severamente o Vigario, e lhe 6ze~se assignar
termo de· se abster de taes procedimentos. - Já cm se-
culo anterior, havendo o Colleitor c~nsurado ao Com-
misserio Geml da Bulia, mandou a Porl. Gov. 8 Dei.
lfü?ó., que este comlu<l.o col'\).inunsse a aisistir na Mesa
dos Ecclesiasticos. §. 61. 116
10 Este procedimento dos Principes secula-
res sobre as censuras injustas, póde ter logar in-
da fóra do caso de serem fulminados contra Em-
pregados puhlicos. v. Rieg.111. §. 663. sg. Yan-
Espen, cit. tract. decensur. cap. B. §. 4. sg•.text.
cit. acima.
! l Pela Legislação anterior o Capellão-mór
conhecia das censuras irrogadas aos Magistra-
dos, os quacs não eram por ellas suspensos do
exercicio de sua jurisdicção. Breves eleLeáoX.
eJulio 111. em Per. ltl. R. cap. 65. n. lá. Osor.
Patr. Reg. eResol. 64. Bi. 84.
§. 63. Uso de penas e Ot1,lrosmeios temporaes.
I Não sendo pois as penas tem poraes da com-
petcncia da Igreja e de seus Ministros §. 61. n.
1. sg. h. l. não póde cIJa fazer uso: I de pena de
degredo, nem jámais o fez ; pois não tem terri-
torio para fóra do qual expulse os réos. Cav. JY.
cap. 4:». §. U. tt. Sómente póde o Bispo remet-
ter os Clerigos dyscolos de outro Bispado ao Bis-
pado proprio. §. !21•
!2 - nem : I l de multas ou penas pecunia-
rias, salvo contra Clerigos. Cav. cit. 4f>. §. to.
Bieg. 111. §. 601. (a)
3 - Destas multas rarissirnas vezes devem
da Consciencia, sem ser e,·itado pelos outros Ministros,
em quanto não havia decisão d'EIRei, por não ter o
Colleitor jurisdicção sobre o Commissario Geral.
(a) Depois da separagão dos dous f6ro. ,·omec_;aram
os JuizesEcclesiasticos a impôr multas por occasião das
esmolas que determinavam penitencialmente no fôro in-
terno; e o Concilio Tridentino Sesa. ~:,. Ref. e. 3. e &SB.
4. cap. insupcr lhes permiltiu impô·las mesmo a Leigos
nas causas temporaes pertencentes ao fõro <la Igreja; po-
rém esta disposic_;ãonão foi recebida em muitas Nagões.
v. C:av.cil, ~. fO, Cab.J. dec. 86.
il6 Liv. J. t. J'l. Jurisdicçâo act. e pass.
os Ecclesiasticos fazer uso; e menos podem ap-
plicá-las a proveito seu, mas sómente a obras
pias. Cav. cit. §. to. {a)
4 -nem: III claprisáo. Comtudo depois da
separação dos dous fóros teem. os Bispos nljubes
seus por permissão e consentiniento, ao menos
tacito, dos Soberanos. O. 11. t. to. §. 3. t. 90. §.
l. AI. !BAbr.1647. llieg. lY.p. 111. Jll. §. 60õ.
sg. Cav. YJ. cap. 46. §. 18.
ó - Nas cadeias publicas ou civís não teem
autoridade alguma, nem dellas podem usar ; as-
sim por serem inaptas para penitencia Cav. cap.
46. §. 18.; como por haver nisso usurpação da
jurisdicção civil: e portanto não devem as Jus-
tiças seculares rec~ber nellas pessoa alguma se~
cular ou ecclesiastica, que seja presa por man-
dado do Juiz ecclesiastico; salvo em algum caso
de urgente necessidade, em quanto não se con-
duzir ao a)jube, e sendo-lhes previamente depre-
cado. Prov. Dsb. i4Mai. 1633. sobrequestáocom
o Yigario da Yara da Yilla de Setubal. (b)
(a) A C. R. 11 Fev. 1609. eocommendou no Bispo <lo
Algarve que escusasse fazer condemnagões pecuniarias;
e que quando algumns se fizessem, fossem applicndas a
obras pias, e não á Camara episcopal, como já o Senhor
llei D. Sebastião encommenclára ao Bispo de S. Thomé.
(b) &emplos. 1.0 Havendo o Vigario Geral repre-
sentado não hnver aljube na tilla de Setubal, se lhe res-
pondeu em Prou. Dsb. !t Nou. 1766. pa111adapela Res.
ta &t., que para os seus presos serem admittidos nas
cadeias da dita \'illa cumpria, que elle e cada um de
seus successores o deprecassem ao Juiz de Fóra, e a cada
um de seu, successores 110 principio de suns Judicaturns,
para que os Ecclesiasticos não presumam ter tambE"md~
minio nas cadeias publicas. Na Cam. de &tub. l". Ca,-
trim fl. 199.
!.º Havendo o Arcebittpo do Estado do Brasil man-
dado tirar uma mulher da cadeia, arrombando-se as por-
tas della; e pretendendo fazê-la embarcar pendente o
dos Eccksiadicos. §. 63. 117
6 - Aos Clerigos criminosos costumaram
sempre, e inda hoje os Bispos fazer encerrar pe-
nitencialmente em Conventos ( detrusio iti mo-
nasterium). Cav. cit. cap. 46. §. 18. (a)
Prender, censurar, penhorar Leigos.
7 Os Bispos e J uizes ecclesiasticos não p<r
dem proceder a prisão, excommunhão, ou de-
gredo conlra pessoas seculares, por simples pro-
Uecurso á Coroa, decidiu a R,s. Con,. Dsb. !4 &t. 1689.
que o Arcebispo obrára illegalmtmte, sem juri11dic9ão,
e escandalosamente: pois como Prelado não tem nas ca-
deias seculares mais poder que o de se r~ceberem nellas
ns pessoas que mandar prender; e como Governador,
nada podia innovar pendente o Recurso; e a titulo de
auxilio ou ajuda, devia esta ser dada pelos meios ordi-
narios da ju~tiça: e que nesta conformidade se escre,es-
se ao Arcebispo para se abster para o futuro de seme-
lhantes violencias; e se mandasse repôr a mulher na ca•
Con,.
<leia até a decisão do llecurso. No D,b. lr,. l l. <k
fl. 18.
3. 0 Pretendendo o Bispo de Macáo que os presos do
Juízo Ecclesiastico fossem recoibidos nas cadeias publi-
cas, com responsabilidade dos Carcereiros, sem o que
pedia licença para renunciar o Bispado; e constando
que fazia pôr em reclusão as mulheres de erro em um.
Jlecolhimen to, rfütringindo-lhes a communicação ás ees•
soas da proximidade do mesmo Bispo, declarou a Res.
9 Mai. 179~). em Prou. Cons. Ultr. 17 Mar. 1800, que a
sua pretenção é injuriosa á Religião, em quanto füz de-
pendente o Episcopado do direito da forga, que o Evan•
gelho e o exemplo dos Apostolos exclue.,., sendo por
outra parte imposshel que por taes meios possa attrabir
os povos ao suave jugo da Religião: nem contra a O.
II. t. 8. que estabeleceu a implornc;ão do auxilio secu-
lar, podia prevalecer qualquer posse abusiva, nem as ai•
legadas Pro,•isões do Conselho Ultramarino, que não po-
dem dar jurisdicção, nem abrogar Leis.
(a) Na antiga disciplina lambem os Bispos usaram
da flagellaçáo contra os Clerigos moc;os. cit. Cau. cap.
4:'>.~- l(i.
PART. •• l:'>
118 Liv.1.1. YJ. Jurisdicçáo act. e pass.
nuncia, resultante de devassa, visita, ou denun-
cia ; mas sómente : I depois de processo regular
e sentença condemnatoria: II implorado então
o auxilio de braço secular. E assim se intende e
pratíca. O. 11. t. 1. §. 13., de ciy'a conciliação
com o I. 7. v. Rep. JY. p. 186. sg. vb. Prelados,
e p. 9ó. vb. pen/tora se. I. i86. Cab. dec. 8f>.
Mend. pt. I. lv. !. cap. 4,, n. 19. sg. Mell. J-Iist. §.
DL not. Rep. JY.p. 193. vb.prenderpóde. 11.p.
18ó. vb. bem de. Pe,·. M. R. cap. 34. n. 18. Peg.
á 0.11.t. 8.pr. e§.1. {a)
8 Sem estes dous requisitos tamhem não po-
dem penhorar ou embargar os bens de pessoa
secular, nem executar contra ellas suas senten-
ças, mesmo civeis: mas devem implorar o dito
auxilio. O. cit. §. 13. e t. 8. 9. text.prox. cit. Mell.
J. I. ó.§. ó4. bf>. e Crim. I. t. §. 10. not.
9 Donde resulta que os Officiaes de Justiça
nã'.odevem fazer diligencia alguma por ordem das
Autoridades ccc)csiasticas: pois quando a estas
for necessario, hão de implorar o auxilio secular.
Prov. 6 Out. 1744,. C. R. 123.Ag. I7ú3., e neste
sentido se lia de intender o D. lf> Mai. 1778. no
lnd. Cl,ron. 11.p. 1!28.
10 O mesmo Nuncio o deve implorar. Mell.
IY. t. 7. §. 34. _
11 A necessidade· desta imploração cessa: I
se em algum Bispado houver legitima posse con-
traria, immemorial e adquirida com positivo con-
sentimento dos Senhores Reis. O. li. t. 9. §. 1.
(o) Coberentem~nte declarou a Pro". Dsb. !24Mai.
1633. illegaea e injustas as prisões que o Vigario da Va-
ra de Setubal mandava fazer pelo seu Meirinho de mui-
tas pessoas, sem haverem sido judicialmente convenci-
das: e pela C. R. !6 Jan. 1719. se mandou reprehen-
der um Vigario da Vara por prender Leigos sem culpa
for.mada.
dos Ecclesiaslicos. §. 63. U9
(a): II nos crimes, mere ecclesiasticos ; pois se
opina que a regra exposta procede sómente nos
casos mi:r.tif ori. Per. dec. 117. n. 6. sg. Rep. I.
p. 90. vb. ajuda, ep. 693. v. O. II. t. I. §. 9. ibi-
casos civís. - Esta opinião comtudo parece in ..
sustentavel, porque a punição ecclesiastica por
direito proprio é só espiritual e penitencial. v.
§. 6!. n. 1. sg.
H - Aos Ecclesiasticos seus subditos podem
prender pela pronuncia, antes de sentença; e
sem a imploração do auxilio secular. Rep. JY.
cit. 888. sg.
1 a - Pelo contrario nos casos em que os CJe..
rigos respondem perante o Juiz secular, este exe-
cuta a sua sentença nos bens do Clerigo, como
faria nos do Leigo; pois a sua jurisdicção sobre
o principal se estende igualmente á execução e
suas depcndencias. O. li. t. 7. Rep. l. p. !28ó. vb.
bens dos. 1 /7.p. 94. vb. pe,i/iora. Per. M. R. cap.
68.n. 9. O que é visto não se intender com bens
que sejam da Igreja. O. cit. t. 7.
Ajuda de Braço Secular.
14Quem a concede. O auxilio de braço se-
cular se pede por carta precatoria do Juiz eccle-
siastico, passada a requerimento de Parte, e di..
rigida ao Juiz secular competente. C. B. t.3 Ag.

(a) füta excepção difficultosamente se poderá reali-


1ar por sP.r a juri$dicção Real imprescripti vel e insepa-
ravel da Soberania. O. II. t. 4b. §. 10. e ult. v. Mell.1.
t. ó.§. M, óá. Rep. cit. p. 188. 189. I. p. 693. "b. co,tume
ac. Assim a Pror,, Dsb. !4 Mai. 163:t, depois de decla·
rar corno cousa decidida que o Arcebispo de Evora e os
seus Vigarios Geraes não podiam mandar fazer prisões
pelos seus Meirinhos, senão pedindo ajuda de braço secu-
lar, accrescenta "por não haver no Arcubispado suffi-
ciente posse t,m contrario·"
lõ.
!!O Liv. l. t. YI. Jttrisdi'cçâo act. e pass.
1763. Cab. J. dec. 9. n. 10. Jfor. lv. 6. cap. t.
n. t4. Mend. I. e 11. lv. t. cap. Hl. n. 13.
ló -O Juiz competente é os Desembarga-
dores dos Aggravos da respcctiva Re]ação, sen-
do no districto della, e excedendo a condemna-
ção civel a 30 i (hoje 90 $) réis: fóra do dito dis-
tricto ou em quantia menor, bem como nos ca-
sos crimes, é o Corregedor da Comarca, subsi-
diariamente o Juiz de Fóra, e onde os não ha,
o Provedor da Comarca. O. II. t. 8. §. 1. sg. 1. t.
6. §. 19. Bep. 1. p. 88. vb. aJ"ucla.11. p. 89. vb.
Desembargador. v. Cab. l. dec. 9. n. 7. sg. Feb.
dec. U4. n. 17. ( a)
16 - O Corregedor do Crime da Côrte a con-
cede no caso da O. cit. §. t. j. ult.
17 -Tam bem póde mandar-se conceder o
auxilio por Decreto. (b)
18 Quando. Nos casos criminaes que o Juiz
ecclesiastico processa ordinariamente, e nos em
que procede por via de visitação ou de inquisi-
ção, deve remetter ao Juiz secu]ar o tras]ado do
processo e a sentença, e no segundo caso o sum-
mario das testemunhas ; para se ver : I se proce-
deu regular e legalmente, aliás não se concede
o auxilio. 0.11. t. 8. §. 1. t. I. I. 61. §. 41. Barb.
aocit. §. 1. n. 1. Mend. cap. H. "'· 10. ept. !. n.
16.Feb.dec. H4,.n.4. (e): II seasentençacon-
(a) Esla Ord. procede quando se trata de se cumprir
sentenga ou mandado do J uizo ecclesiastico; pois os
simples precatorios por estylo são cumpridos por qual-
quer Juiz, a quem se depreca. Fcb. dec. 124. n. 18. se.g.
(b) Assim o D. 6 Ag. 1648. mandou que o Hegedor
désse auxilio na f6rma da Ord. ao Provincial de S. Do-
minttos para realisar a visita do Convento de Bemfica,
que o Provedor deste lhe impedia.
(e) Exorbitou pois das rettras jurídicas o Al. 18 Jan.
1614., mandando que os Juizes seculares procedessem
contra os relaxados por sodomia pelo Santo-OITicio con-
dos Ecclesiasticos. §. 63. 111
tém injustiça notoria e manifesta. Cab. l. dec. 9~
n. 4. v. comtudo Mend. cit. cap. 11. n. 13.: III se
o Juiz ecclcsiastico era incompetente. Cab. cit.
n. b. sg. Barb. cit. n. l. 1'fend. cit. cap. H.: IV
se pende appellaçào da sentença no Juízo eccle-
siastico ou Recurso á Coroa: V ou se o Precat~
rio se impetrou dolosa e obrepticiamente. Mend.
cit. cap. 12. n. 4. ( a) .
19 Como. O Juiz secular antes de concessão
ou negação ouve as Partes. ,,. O. J. t. 6. §. 19. sg,
II. t. 8. §. 1. Q. Per. So. Ili. not. 76ó. Per. cit. ,,.
!t6. Mend. p. 2. n. 14.
to - A Parte póde embargar a concessão do
auxilio com os fundamentos acima referidos; e
dos embargos conhece o Juiz secular. Mend. cap.
H. n. 10.
U - Da concessão, negação, ou excesso fei-

forme as sentenças desle Tribunal, sem que se lhes re-


mellam os autos.
(a) Exemplo. Havendo-se concedido por Acordão dá
Relação auxilio ao Visitador Geral da Ordem de S. João
de Deus para serem presos dous Religiosos, resolveu o
D. 30 Ag. 1706. que o auxilio fôra illegalmente conce-
dido, 1. 0 porque, diz, conforme as Leis do Reino cum-
pria que as Parles fossem citadas, e se apresentassem os
autos, e se visse se estavam legalmente proces,mdos;
para que acaso não succeda dar-se no R. nome ajuda
para se executar uma causa formada nulla e illegalmen-
te; t. 0 porque segundo oestylo e uso do Reino, nãode-
-viaconceder-se auxilio a um Juiz A postolico sem que este
primeiro deprecasse aoJuiz ordioario; 3. 0 porque quan-
do se concedeu, tinham os ditos Religiosos recorrido ao
Juizo da Coroa, sendo constante prática do Reino não
poderem os J uizes ecclesiasticos, de quem se recorreu,
proceder ulteriormente na causa, mas deverem aguardar
n sentença do ditoJuizo. Manda portanto soltar os Re-
ligiosos, e estranhar aos Desembargadores a concessão do
auxilio contraria ás Leis e estylos do Reino. Na Suppl,
lv. ll.p. ló6. y.
!!!2 Liv. l. t. Yl. Jurisclicçâoact. e pass.
to pelo Juiz secular, se póde aggravar para o seu
superior. Mend. cap. H. n. 11. ept. t. n. H>. Cah.
I. dec. 9, n. 7. lleb.pt. t. dec. Hó, Per. M. R.pl.
1. cap. ó!. n. !.
!!!! - Quando se pede para tirar alguma mu-
lher depositada em Jogar seguro para casar, se
procede de plano como nos Precatorios. Tliemud.
pt. t. de,c. 189. n. H. Barb. á O. li. t. 8. §. t.
t3 FJ.feilo. O Juiz deprecado, concedido o
auxilio, executa diligentemente a sentença civel
ou criminal do J uizo ecclesiastico, sem appella-
ção nem aggravo. 0.11. t. 8. §. 3.
!24 -Se o executado oppõe embargos na exe-
cução, os remctte ao Juiz ecclesiastico. Gam.
dec. t07. n. 6. Silv. á O. 111. t. 87. §. 13. n. 8.
!ó - No caso de excommunhão publicada,
se o excommungado não se absolver no tempo
assignado, oJuiz secular, concedido o auxilio, o
prende e procede contra elJe com multas na fór-
ma da O. t. 8. §. õ.
- Isto mesmo tem Jogar quando alguem 'é
excommungado por divida que deve a pessoa ou
corporação ecclesiastica. O.§. 6. "· §. 6t. n. 7. li. l.
-Porém este procedimento da prisão e mul-
tas não tem logar se o excommungado é Juiz ou
outro Official de Justiça. O. §. 6.
!86 Da autoridade dos Bispos sobre as Mise-
ricordias e Jogares isentos v. /1,.l. das Corpora-
fôa, Sobre as Ordens Militares "· ihià.
Ter O.fficiae,.
!7 A natureza da jurisdicção espiritual ex-
clue a ideia de Officiaes publicus ; porém depois
que, separado o fõro interno e externo da Igreja,
as Autoridades ecclesiasticas fizeram audiencias
e exercitaram jurisdicção externa sobre as cou-
sas da sua competencia, se lhes permittiu ter os
dos Ecclesiasticos; §. 63. IU
<litos Officiaes, e a estes trazerem varas. v.. O.
J]. t. iO. JJJ. t. !JO. §. 1. (a)
!8 Os Officiaes de que os Prelados ou seus
Vigarios se servem no exercicio da sua jurisdic-
ção, sobre cumprimento de testamentos, Capel-
las, e Hospitaes devem ser Clerigos e não Lei-
gos. 0.1. t. 6!. §. f>. (b)
t9 O Vigario Geral, Provisor, e outros Mi-
nistros ecclesiasticos, o podem ser sem ter ordem
sacra. Res. Cu,·. Patt-iarcli. 6 Jtm. 18ló. no
.Addit. 1.
30 Os Escrivães dos Vigarios ou Mosteiros
não podem fazer escripturas. O. JI. t. to. Rep.
111. p. 737. tJb. Nullas sáo. JI. p. 189. vb. Es-
cri'ptura de: nem approvar testamentos. Rep.
11.p. 3li>. tJb. Escrivão d'ante.
3 l Seus escri ptos não fazem fé senão nas cau-
sas meramente ecclesiasticas e espirituaes. v.
Mell. l. t. 5. §. ~8. not.
3! Dos erros commettidos pelos Notarios e
mais Officiaes do Juiz ecclesiastico em seus Of-
ficios, inclusivamente a falsidade, não se conhe-
ce no Juizo secular. cit. Rep. 11. p. 3Ió.; salvo
do caso de excesso de salarios, sendo Leigo o
(a) O Al. Ili. !28 Abr. 1647. promette aos Prelados
que proveria para ha\'er Meirinhos oas Cidades, Villas,
e Logares, onde houver A rchi prestes ou Viga rios da Va-
ra, e para lhes conceder usarem de vn ra branca; deven_.
do ell6S porém recorrer para isso ao Desembargo do Pa-
c;o,que lhe deferirá segundo as razões que para isso hou-
ver. Nesta conformidade a Res, Cons. Dsb. ó Set. 1680.
concedeu ao Bispo da Gunrda licenGa para os Meiri-
nhos da sua jurisdicção e das cabeças dos Archipresta-
dos poderem trazer e levantar varas brancas no exerci-
do de seus officio,, por terem assim mais respeito para
os servirem. Dsb. lv. 8. Cons.fl. 6. j.
(b) Esta Ord. não está em uso por Pro,·isão contra-
ria. v. Rcp. lll. vb. Leigosnao, p. 319.
17'1.Jurisdicçáo act. e pass.
!?14 Liv. I. t.
Notario ou Escrivão. O. li. t. !20. §. 1. cit. Rep.
- Dos Escrivães e Notarios ecclesiasticos
e Apostolicos e dos Mosteiros v. Moraes, 117. cap.
3. n. 8. sg.
33 Os Meirinhos dos CJerigos podem nas di-
ligencias trazer armas não defesas nos termos da
O. 11. t. 1. §. !26. : hoje com sujeição ás mais leis
sobre armas.
Conn.exáo. Dos principios geraes acima in-
dicados se deduz a doutrina sobre a competen-
cia do fôro ecclesiastico, civel e criminal, assim
de causa como de pessoa.

§. 64. Fôro ecclesfastico cível de causa.

1 Espiriluaes 0tt annexas. Pertencem pois ao


fôro da Igreja as causas ou materias espirituaes
ou mere ccclesz"asticas,ou annexas a espirituaes,
nas quaes tem a Igreja fôro proprio, privativo,
e exclusivo, proveniente da natureza do Saccr-
docio. Cav. cap. l. §. \!. sg. cap. 6. §. :L 6. J7an-
Espen, pt. a. t. !2. cap. l. n. l. sg. J7al. Cons. 159.
n. 7. 8. 14. O. li. t. f.O.pr. j. E sómente. Mend.
pt. t. lu. 1. cap. 4. n. 1. 11. Rieg.11. §. 78f>. sg.
Hei. II.§. 39.
~ - O que se intende quanto á sua natureza
e substancia; pois sobre a policia externa, mo-
dos, e circumstancias accidentaes pódc muitas
vezes ter Jogar a inspecção d' EIRei, e d~ seus
Magistrados ; como, sobre o modo, tempo, to-
gar, numero, e sustentação dos Ministros sagra-
dos, etc. cü. Yan-Espen. Cav. cap. 6. §. f..
3 - Das ditas causas differem as ecclesiast.i-
cas não mere; as quaes são de sua natureza tem-
poraes e profanas, e foram reservadas ao Juiz
ecclesiastico por concessão ou consentimento dos
Principes. J7an-Espen, e#. cap. 1. n. I.
elos Ecclesiasticos. §. 64. lló

Quaes são.
Entre as referidas causas se contam :
4 I As sacramentaes. Cav. cit. cap. 6. §. 3. 6.
cit. Yan-Espen, n. 4. sg. Rieg. II. §. 787. sg. : e
conseguintemente as matrimoniaes. cit. Cav. §.
7.; com tanto que não sobre as suas dependen-
cias e accessorios, como, dote, doações nupciaes,
etc. Cav. cap. j, §. 14. v. l,. l. §. do matrimonio. ·
ó II As Beneficiarias, como, sobre collação,
privação, erecção, união, divisão, etc. de Bene-
ficio ecclesiastico, qualidades do Beneficiado,
etc. Cav. cit. cap. 6. §. 8. Yan-Espen, cit. t. 1.
cap. 1. n. 31. Ri,eg.11. ex§. 791,
-e portanto sobre Padroado como cousa
annexa ao Beneficio. O. li. t. l. §. 7. Mell. I. t.
ó.§. 44,. not. Cav. cit. cap. 6. §. 9. 10. Men<l.pt.1.
lv. I. cap. 1. Yan-Espen, cap. 6. 1i. 31. L. 66. t.
6. Parlit. 1.
6 - isto indaque o Leigo não reconheça; pois
a cit. O. não distingue: o contrario Mell. cit.
not. por arg. cit. O.&. ó. -Quanto ao Padroado
da R. Coroa v. lv. fl. do Padr. R.
7 - Por Beneficio ecclesiastico não se inten-
dem os legados pios e Capellas mere leigas. v.
Cav. cit. §. 8.
III As causas sobredizimos. 11. lv. II. t. dos
dizimos.
8 IV Sobre oblações, esmolas de Missa, e be-
nezes ou direitos de estola. Per. M. Reg. cap.
14. Barb. á O. II. t. 1. §. 9. Cav. cit. cap. 6. §. 14.
v. llfell. I. t. ó. §. 38. n. 7. not. j. Ad decimas.
9 - posto que a cobrança se exige no J uizo
secular, lambem porque mais frequentemente se
trata do possessorio. Mell. cit. not. Per. cit. cap.
14. Cav. cit. §. 11. Yan-Espen, cit. cap. \'!. n.
31. no fim.
!!6 Liv. 1. t. 171.Jurisda'cçdoacl. e pass.
10 V As funera,:ias, como, sobre concesstlo,
negação, eleição de sepultura, exequias, direitos
funerarios. Cav. 17.cap. 6. §. 11. Yan-Espen, pt.
3. t. !. cap. 1. n. 31.
- posto que se~undo o uso das Nações a
cobranç_adestes direitos ou benezes se deve fa-
zer no Juizo secular. Cm,. cit. §. li.
11 VI Sobre cousas da lgreJ'a, quando o Lei-
go demandado reconhece o dominio della ; pois
se o nega, se remette logo o processo ao Juiz se-
cular, onde, achando-se que negou sem causa,
é multado. O. li. t. l. §. ó. j. E assi. (a)
11 Se a Igreja tem sómente o dominio direc-
to na causa demandada, conhece o Juiz secular:
se tem sómente o dominio util, conhece o eccle-
siastico, indaque o réo negue o dominio da Igre-
ja, salvo se este não se prova, no qual caso a
causa se remette ao Juizo secular. v. 0.11. t. J.
§. 6. (b)
13 - &ta disposição se deve intender da rei-
(a) Havendo-se disputado, se os bens que o Bispo de
Miranda ad«Juiríra com os rendimentos deste Bispado,
pertenciam a Igreja Jelle ou á do Porto para onde de-
pois foi trasladado, e onde morreu, julf>U a &n.t. Dsb.
~9 Mai. 1609. que esta causa não podia aer tratada no
J uizo secular, mesmo por com missão Regia, por versar
sobre bens pertencentes immediatamente á Igreja, em
cujo dominio ficaram por fallecimento do Bispo, devol-
vendo-se ao successor. Proferida em consequencia das
CC. RR. 30 Set. 160i>.e 18 Mnr. 1606.
(b) Esta Ord. adaptou pois a opinião que quando a
jurisdicgio de um Juiz se funda em certa qualidade,
elle mesmo conhece della. Rcp. 11. p. !19. "6. Juir.
eccleaiaslico.
Sobre conciliar este §. 6. com o ó. e sua intelli-
gencia "· Mell. J. t. ó,§. 36. not. e Hist. §. 91. nol. Barb.
aocit. §. 6. Pal.jur. emph.qt.17. n.11. ef'..ons.134. n,
17. Yan-Espen, pt. :S. t. g, cap, 3, n. l. ,g. cit. Rep. II. p.
~19. e p. !23. vb. demandado.
elos Eccksiaslicos. §. 64. 117
vindicaçilo, e não quando se trata de acção pes-
soal sobre as ditas cousas, ou sobre servidões
dellas. Yan-Espen, cit. n. 8. 9. 10. O. cit. §. 6. ib.
- diizendo que sáo seus. -
14 - As causas sobre bens que silo patrimo-
nio de Clerigo pertencem ao J uizo secular. Bep.
I.p. l>OO.; onde tambem o contrario.
l l> VII Sobre renda ou pensão de arrenda-
mento ou emprazamento de predio da Igreja,
sendo a acção intentada dentro do tempo do con-
tracto, ou até dous annos depois. O. JI. t. 1. §.
9. Per. M. R. cap. 31. Hep. III.p. 330. Concord.
ibid. (a)
16 - o que procede sómente a favor da Igre-
ja, não do Clerigo, v. c., do Bene_ficiadoque ar-
rendou o Beneficio, ou a quem se paga alguma
pensão ou alimentos. cil. Rep. III. p. 330. Mell.
1. t. :,. §. 38. i. O. cit. §. 1'. ibi-de alguma Igre-
Ja-: nem entre dous rendeiros ou seus socios.
cit. Rep. p. 330. : M.ello exceptuou tambem os
Syndicos ou administradores, e os arrendamen-
tos perpetuos. cil. §. 38. Contra o socio do Ren-
deiro da Igreja procede. Rep. ciJ.p. 330.
17 VIII Sobre os moveis qtte se costumam sa-
grar, como, calices, vestes, indaque não este-
jam sagradas ; estando porém já em poder da
I_greja ou de Clerigo. O. 11. t. l. §. 10. v. Rep.
Ili. p. 33!. v. Leigo. - Sobre os que não secos-
tumam sagrar, como, cruzes, thuribulos, casti-
çaes, para conhecer o Juiz ecclesiastico, cum-
pre que o Leigo reconheça o domínio da Igreja.
(a} Por Direito Commum não p6Je o Leigo ser de-
mandado no Juizo ecclesia!õlico por acção pessoal de
contrncro, e inda hoje é esta a prática de muitos paizes.
Yal. jur. emph. qt. 39. n 14. Per. M. R. not. á Concord.
46. n. 119. Yan-h,'spen, pt. 3. t. l. cap. 6. n.18. sg. Rep.
111. p. 3:JO.vb. Leigo.
!!8 Liv. l. t. YI. Jurisdi"cçáoact. epass.
cit. O. v. Rep. ci"t. p. 33~. Sendo questão sobre
uns e outros moveis, julgou-se que não se divi-
disse, mas se remettesse ao Juiz ecclesiastico.
nocit. Rep·. p. :3:LI.Sobre imagens sagradas tem
conhecido indistinctamente o Juiz ecclesiastico;
o que parece pouco conforme á O. v. cit. Rep.
p. 333.
18 IX Sobre edifi.car rm 'reparar Igreia, e
sustentar os seus Ministros, ao que podem os
Prelados constranger os Leigos nos termos da O.
I. t. 6!!. §. 76. Trid. Sess. t. Ref.cap. 7. v. lv. li.
t. dos Templos. (a)
19 X Sobre contas dos testamentos, e cum-
primento dos legados, em mezes alternados com
o Juiz secular. Pan-Espen, pt. 3. t. t. cap. '!l. n.
31. 33. O. 1. t. 62. §. 4. v. lv. II. t. dos testa-
menteit-os.
iO XI -e dos encargos pi'os de Capellas,
Hospitaes, etc. nos termos da O. 1. t. 6:2. §. 39.
40. 41. v. lv. II. t. dos encarregados pios.

Outras re_jeüadas.
il Outras muitas causas denominadas mix-
tas se chamaram pelo Direito das Decretaes ao
fôro ecclesiastico, sob pretexto depeccado, jura-
mento, supprimento de justiça, perhorrescencia,
miserabilidade dos litigantes, testamento, causa
pia de emendar a negligencia dos Magistrados,
ou ile interpretar e decidir o Direito controver-
{a) "Esta Ord. (diz (Mell. 1. t. b. §. 39. not.) não
tem uso, assim como o Concilio Tridentino, donde foi
tirada, não foi geralmente recebido nas materias tempo-
rnes. Os Bispos devem antes exhortar do que constran-
ger os Parochianos, uo menos sem obterem auxilio do
Soberano ou dos Magistrados." Em verdade depois <la
institui~ão dos dizimos é inadmissivel este constrangi-
mento.
dos Ecclesiasticos. §. 64. 2t9
so: pretextos, com que quasi todas as causas dos
Leigos eram levadas ao Juizo ecc1esiastico. Esta
monstruosa doutrina está hoje proscripta em toda
a Europa, nem a jurisdicção ecclesiastica em
materias tem poraes se póde estender além dos
casos expressos nas Leis Patrias. v. Cav. Y. cap.
~. §. 1'2. a ~o. Yan-Espen, pt. 3. t. !l. cap. 3. n.
19. sg. Rieg.11. §. 777. 794... sg. 804. Mell. l. t.
ó. §. 41. sg.
22 -Sobre o que sómente notarei: I que a
raziio de peccado só pertence ao conhecimento
do fôro interior e espiritual da Igreja, não aos
Tribunaes. L. 18 Ag. 1769. §. H-: II que a ques-
tão de ;'uramento pertence á Igreja quando se
trata se é licito e obrigatorio, como cousa do
fôro interno. Mend.pt. 2. lv. Q. cap. 4. n. 7. e lv.
1. cap. 1. n. ó. Rieg. 11. p. 799.: e que para re-
mover o dito pretexto prohibiu a O. IY. t. 13.
aos Tabelliães inserir clausula de juramento nas
escripturas dos contractos: III que as causastes-
tamentarias, inda nos testamentos ad rias cau-
sas, pertencem hoje por uso universa ao Juiz
secular. Prov. 18 Jan. l 76ó. ibi ".A competencia
só l/1e vinha do privilegio do f ôro que nós llie
permiitimos, e não da natureza da cama testa-
mentaria que é meramente temporal." Y~n-Es-
pen, C'it. t. 2. cap. ~. n. 6. sg. Cav. pt. 3. cap. 7. §.
!t. Rieg. li.§. 79ó. sg. IV que tambem indevida-
mente se pretendeu chamar ao Juizo ecclesiasti-
co os votos de S. Thiago. Mell. 1. t. ó. §. i l. v.
Per.M.R.cap.13. v. lv.11. destes votos.

Dijferença do peditorio e possessorio.


t3 A competencia das referidas causas ao
Juizo ecclesiastico, .se intende sendo a questão
sobre a propriedade ( petitorio ); pois sendo sobre
a posse (possessorio), se., no interdicto unde vi
i30 Liv. l. t. PJ. Jurisdicçáo acl. e pass.
ou recuperandre possessümis, conhece o Juiz se-
cular. Prov. 101'.far. 1764. {a) Al. 'f!.Mai.1647.
i'bi "que é o q'llepossofazer sobre a posse. " Val.
Cons. 93. n. 4,. b. Cons. lb9. n. 2. Cons. 1 I. n. ~-
Yan-Espen, pi. 3. t. !. cap. 4. n. !. 39. Mend. p.
\!. w.!. cap. 4. n. J 6. Cab. pt. 1. ar. 10~.
!4 - Porque a posse, mesmo elas cousas sa-
graclas, espirituaes, e ecclesiasticas, é causa tem-
poral e da jurisclicção secular, como consistente
em mero facto. Al. t Mai. 1647. Yal. Cons. 94.
n. 4. e Cons. 1 I. Cab. dec. 8t. n. t. Mend. pt. I.
lv. t. cap. 4. n. 14. ept. !. n. a. Yan-Espen, cit.
n. 2. 39.
tb -e este é tambem o uso das outras Na-
ções. Cav. J7. cap. 6. §. 13. 14. cit. J7an-Espen,
cap. 4. n. 6. sg. n. U. L. 10. t. 1. lh. 3. Recopil.:
segundo o qual até no Juizo secular se exami-
nam os titulos da posse, com tanto que a senten-
ça recáia sómente sobre esta, e fique salvo o di-
reito para se intentar a via ordinaria no Juizo
ecclesiastico. cit. Cav. §. 13. {b)
!6 Esta proposição procede: I indague a cau-
sa seja entre dous Clerigos ou entre Commenda-
dores. Val. cit. n. 4. Cab. dec. 8!. n. 'l.Rep. Ili.
p. HO. vb. Juiz secular. Peg. n. !.for. cap. 1 I. n.
176. cit. Prov. 10 Mar. 1764. Barb. á 0.11. t. I.
§. t. n. 6.: o que se controverteu no cit. Rep.
!7 - II indague a cousa seja sagrada ou ec-
(a) Esta Prov. fallando da posse em que um Bene-
ficiado esla\·a de receber de outro a pensão imposta no
Beneficio, diz : " segundo a Lei e inalteravel costume des-
tes Reinos as causas de esbulho e força nova, ainda entre
pessoas ecclesiaaticas, foram sempre julgadas nos Juir.os se-
culares e Tribunaes Regios." Na Suppl. lv. 16.fl. 168. j.
(b) Desta doulrina procede n prática em muitRs Na-
gões de se tratar sempre no Juizo secular Rs causas de
dizimos, Beneficios, ele, Yan-Espen, pt. 3. t. !. cap. 4·.
n, 40. sg.
dos Ecclesiasticos. §. 64. 131
clesiastica, como Beneficio, dizimos, etc. Ca.b.
cit. n. !. Per. M. R.pt. \!. cap. i4. Mend. cit. pi .•
t. cap. 14. Peg. 'l.Jor. cap. 11. n. 176. Yal. Com.
11. n. !2. Rep.111. cit.p. i!!O.
\!8 - Não procede no interdicto adipiscendm
(v. lv.11. da posse), que mais se aproxima ácau-
sa da propriedade. Cav. r.
cap. 6. §. 13. Yan-
Espen, pt. 3. t. !!. cap. 4. n. 39. "· llep. IY. p.
537.; indaque alguns DD. estabelecem em regra,
que sempre que a questão seja sobre o facto, e
não sobre o direito, deve conhecer o Juiz secu-
lar. Pan-Espen, p. 3. t. 1. cap. 6. n. 13.
!29 - A respeito do CJerigo espoliador, pro-
cede sómente quanto á restituição do eshulho.
0.11. t. 1. §.1. Rep. l.p. 484. vb. Clerigo. Cor-
deir. interd. dub. ó!2.
§. 6ó. Fôro ecclesiasti.cocivel de pessoa.
1 O privilegio pessoal do foro civel ou crimi-
nal dos Clerigos está abolido pela Const. Â, 146.
§. 16. Comtudo nãodeixarei deexpôr aqui a Le-
gislação inda vigente.
Quem gorr.adelle ou não.
!2 Os Clerigos de Ordem sacra teem o privi-
legio pessoal do foro ecclesiastico. O. li. t. J. §.
4. Barb. ibi. L. !. t. 4. lv. l. Recopil. Cav. Y. cap.
ó. §. 10.: nas causas civeis em que são réos. O.
111. t. 11. §. 6. Peg. !.for. cap. '11. n. 119. Rieg.
11.§.868.Cav.cil.cap.3,§.4.6. (a)
(a) O fôro pessoal dos Clerigos não lhes compele por
direito proprio, mas por privilegio dos Principes. Cau.
cil. cap.3. §.3.sg. Yan-Es-pen, pt.3. l.l.cap.3.e4.n.
!O, sg. e t. 3. cap. !2. n. 9. 10. Rieg. 11. §. 807. ,g. 830. sg,
Antigamente não eram os Clerigos isentos da jurisdic-
c;ão dos Magistrados: em seculos modernos se diminuiu
t 3t Liv. 1. I. Y l. Jurisdicçâo act. epass.
3 Não tem este privilegio: I os Clcrigos de
ordem menor. 0.11. t. 1. §. 4. Barb. ibi.: e po-
dem portanto ser compellidos pelo Juiz secular
a acudir a incendio, arruidos, invasão de inimi-
gos, a prisões, etc. O. li. t. 1. §. U. Yaz, .A.lleg.
47. n. 13. seg. Rep. l.p. b09. vb. Clerigos.
4 - II os Prelados e outros Ecclesiasticos
seculares ou regulares, que não teem no Reino
Superior ordinario. Elles são demandados peran-
te o Juiz secular competente, ou o Corregedor
da .Côrte, ou o Juiz das Acções Novas. O. li.
t. l. pr. e§. 6. nofim. O. 1. t. 8. §. 3. 111. t. 6. §. ó.
C. R. !O Jun. 1618. Rep. I. p. ~04. vb . .A.rcebis-
p_os,e p. 6ó9. vb. Corregedor do. 1/7. p. 119. vb.
Pessoas. I. p. 308. vb. Bispos: ou, nas Provincias,
perante o Corregedor <la Comarca. Peg. 6. for.
cap. 13i. n. 89. ex O. 1. t. ó8. §. !H. e li. t. l.
pr. ibi- perante quaesquer Julgadores leigos.
ó - A escolha entre estes J uizes toca ao au-
tor, não ás referidas pessoas ecclesiasticas. arg.
0.11. I. l.pr. Ili. t. 6. §. ó. Peg. 2.for. cap. 11.
n. 171. Rep. JY.p. 119. {a)

esta isenc.;ã.o: o Papa não a póde conceder por derivar


do poder Real. Cav. cit. §. 3. 8. 9. ccap. á. §. a. sg. f?an-
~n, cil. cap. ó. n. 4. sg. Rie.g. ex§. 8!23.
Por este privilegio se consideram os Clerigos como
totalmente isentos da ju risdicção das Autoridades secu-
lares. O. lll. t. ób. ~- 11. ibi-pe.ssoas qtte não são da
nossa jurisdicçáo. E portanto o Juiz secular não os com-
pelle a depôr como testemunha. O. cil, §. 11., que nliás
não quiz declarar o que se fará neste caso. A praxe es-
tabeleceu remetter o Juiz secular carta precaloria ao
Ecclesiastico e_ara inquirir o Clerigo, e lhe remetler o
depoimento • .nep.IY. p. 817. t,b. Testemunl,a que.
(a) Explicarão. Esta Lei comprehende tambem, J •0
os Patriarchas e Cardeaes. Sili,. á O. III. t. b9. §. l ;;, n.
17. sg. Peg. ibi.: !2.0 os Bispos Suffraganeos, posto que o
Metropolita é seu superior. l'eg. 6. For. cap. 13t. n. IH.
elos Ecclesa'asticos.§. 66. !33
6 - III os Donatarios da Ordem de Malta.
O. II. t. !2. pr.; ou de outra. Barb. á cil. O.
Mend. ibi. Rep. 11. p. 189. vb. Donalos.
7 - IV os irmãos das Confrarias ou Ordens,
salvo se viverem em communidade com autori-
dade ecclesiastica. O. 11. t. !. §. 1. Barb. ibi.
Rep.111. p. Hl6. vb. lrmâos. Por Direito Cano-
nico gozam deste fôro. Cav. J/. cap. b. §. 6.
8 -V os eremitães. Rep.111.p. Hl7. Barb.
á cit. O. n. 34.
9 - VI os Administradores e Ofliciaes dos

ig.; ocontrario 110(},.jor. cap. ll. n.166. ,g.: 3. 0 osCa•


bidos Sede vc1canle.Peg. ci.t. cap, 13!?. n. 89. ecit. cap. 11.
n. lb7. : 4. 0 os Regulares, inda quando Linhnm Conser-
vador ecclesi astico; pois o fôro de seus Supt>riores con-
cedido no Trid. sess. !23 de Regular. cap. 14. se refore ao
regimen monustico. v. Rep. I. p. 6b9.: elle abrange os Lei•
gos e Noviços, que pertencem como os muis Regulares
ao fõro da Igreja. Barb. á O. ll. t. i. ~. l. n. 6. 10. Peg.
for. cap. to. n. 1. Cem.P. cap. 6. ~. 6.
Hlla procede indague esteja no Reino Legado n La-
tere ou outro Juiz dos isentos, Peg. cit. cap. 11. n. lbB.
Per. dec. 118. - Não procede, sendo a questão sobre bens
ou dividas da Igreja; pois tem então logar o fôro da
causa. cit. Peg. n. l6b. Rep. I. p. !04,: mas sendo sobre
bens ou dividas patrimoniaes ou qunsi patrimoniaes das
referidas pessoa~, damnos civelmente demandados, di-
reitos ou jurisdicção Real. cit. II. t. l. pr. e~. li.[. l. 8.
~. 3. l'eg ..for. cit. cap. 11. n. Ib6. lb9. 16!. 177. 178. tot.
Rep. 1. p. 308. Digo civelmente intentados; porqúe o co-
11hecimento doscrime3 das ditas pessoas compete ao Jui-
zo ecclesiastico. Peg. cit. cap. ll.n.163. Rep.I. p.659.
t,b. Corregedor: ab.iixo ~- 67. -Se a questão com os Pre•
lados, ele. suppõe n qualidade de Donatarios da Coroa,
e versa sobre o u~o da jurisdicção dclla, ou cobrança de
direitos Heaes, o litígio pertence no J uizo da Coroa 011
Fazenda. O. Jl[. t. 6. ~- (i. v. §. lib. n. 30. sg. h. l.
Das cill. Onld. se deduz o direito de fazerem os
Corrt'gedores de Lisboa e da~ Comarcas os inventaries
dos Bispoa fallecidos. v. acima §. f>8,n. IS.
PART. J. 16
t34 Lw. l. I. ri. Jw·isdicçáo acl. e pass.
Hospitaes e logares pios, pois não teem este nem
outro algum. pri viJegio clerical, indaq ue tragam
habito diverso do secular. Yal. Com. 106. n. a~.
. .JO · - VII os domesticos dos Clerigos, ou Fa-
miliares e Officiaes dos Bispos, nem ainda no
crime. L. 6 Dez. 16h?. §. 7. Yaz, alleg. 44. ,i. ~I.
seg. Rieg. 11. 3 ó7. ; e é este o uso das Nações,
não obstante a contraria disposição do Direi lo
Canonico em Cav- Y. cap. ó.§. 9.
11 -VIII os Clerigos matriculados nos li-
vros da Casa R., nos crimes civelmente intenta-
dos ; pois respondem perante o Corregedor do
crime <la Côrte. v. O. li. t. 4. I. t. 7. §. 3á. Rep.
I. 498. vb. Clerigos. Per. M. R. cap. 49. dec.
f>8. n. ~8. ·
- hoje o Capellão-m6r da Capella R. tem
jurisdicção privativa e exclusiva sobre todos os
Capellães, Cantores, etc. da R. Capella, e suas
causas e privilegios. Bullas em Cab. J1atr. R.
cap. 43. Mend/t. l. lv. fJ. cap. l. ,i. 8. ept. ti. ti.
f~. !?3. Mell. . t. õ. §. ~3. not. (a)
12 - IX os Clerigos degradados das Ordens;
pois ficam reduzidos ao direito dos Leigos; o que
não procede nos depostos ou suspensos. Rieg.
11. §. 866. t•. cap. 10. :,;.judie. (b)
13 Ao Clerigo que perdeu o privilegio do fü-
ro, por largar o Clericato, é permittido regres-
sar a elle livremenle. v. Cav. Y. cap. 6. §. 11.
(a) Sobre a jurisdicçâo e autoridude do Capellão-
m6r, que costuma ter o caracter episcopal"· Rieg. lll.
§, 68i. sg. Bened. Xl/T. Syn. Dioces. lv. 13. cap. 8. §. 11.
li. -Sobre os privilegfos dos Clerigos da Cnpella H.. e
sua isen9ão "· Rüg. ~. 683. sg. Cat1.pt. l. ca7,. 3§!. §. 8.
Trid. sess. ti. cap. 8. Ref.
(b) Pela Concordata do Senhor D. AtTonso JII. art.
7. sg. lambem não gozam do privilegio do fôro os Cle-
rigos negociantes, jogadores, feitores de pessoas secula-
res, etc. "· Mell. ], t, ô. §. ![).
,los Rcclcsiasticos. §. 6;,. 2:lô

Em que casos e causas cessa.


Cessa este privilegio pessoal do fôro civel:
14 I No caso de autoria, se., quando o se-
cular demandado chama a ella o Clerigo. O. II.
t. J. §. 11., que decidiu a contt-oversia que nisto
/,avia. v. Rcp. 111. p. 714. vb. ,zomea1ido. I. p.
501. vb. Clerigo.111. p. a34. vb. Leigo que. Cav.
r. cap. ,. §. 3.
lf> -o que não se intende quando o procu-
rador, rendeiro, ele. do Clerigo, sendo citado,
o nomeia á demanda ; pois então o Clerigo é o
verdadeiro senhor. 0.111. t. 4ó. §. 10. Rep. JIL
p. 7 ló. vb. Nomeando.
16 II No. caso de t·econvençáo, se., quando
o Clerigo demandando o Secular no fôro deste,
é por elle reconvindo. 0.11. t. l. §. 1., que te1·-
minou a questão que nisto havia. v. Rep. III. p.
331. vb. Leigo: caso este, em que nenhum pri-
vileg·io de foro aproveita. Silv. á O. III. I. 33.
pr. n. 3~. 33, Rep.1.p. 499. vb. Clerigoque. Cav.
r. cap. 7. §. 10.
17 - indaque o Clerigo desista da acção;
pois prosegue com ludo a reconvenção no J uizo
secular. Rep. cit.; ou que a reconvenção verse
sobre renovação de prazo. Silv. cit. n. ó3.
18 - Cessa esta disposição se a reconvenção
versar sobre cousa espiritual, porque é então
improrogavel ajurisdicção doJuizosecular. Silv.
cil. n. 37. Cav. cit. §. 10.
19 - ou sobre crime do Clerigo, menos no
que toca sómente á satisfação civel da injuria ou
damno. cit. Silv. exn. 39. arg. 0.11. t. !?. §. 1. ibi
- satiifaçáo de infuria. v. Cav. cit. §. 10.
to III Na causa começada com o defuncto,
de quem o Clerigo foi herdeiro, pois continúa no
mesmo Juizo. 0.11. t. 1. §. 8. Cav. pt. 3. cap. 7.
16 •
136 Liv. J. t. Yl. Jm·isdicçáoacl; epass.
§. 9. Rep. J. p. 49!). vb. Cler1'go.11. p. 641. vb.
herdeiro segue.
! 1 - Quando a demanda começou depois da
morte do defuncto, segue-se o fôro do herdeiro,
quer seja o Clerigo herdeiro do Leigo, quer o
Leigo herdeiro do CJerigo, e asaim se intende a
0.111. t. II.§.!. Rep. I. p. 4(i9. vb. citado.
!H IV Na causa começada com aqueJle que,
pendente ella, alienou a cousa litigiosa no Cleri-
go. Cav. Y. cap. 7. §. 7.
~3 V Na causa para a qual o Clerigo já ha-
via sido citado antes de se ordenar. O. II. t. 1.
§. 3. Rep.111. p. 3~3. I. p. 433. Cav. Y. cap. 7.
§. 9. 9. Rep. I.p. 4,83. vb. Clerigo.
-salvo se essa citação se annullar, ou pe-
recer essa insfancia. Rep. cit. p. 328.
!4 VI Na reivindicaráo intentada dentro de
anuo contra o Clerigo (fôro rei sita). O. 111. l. 11.
§. 6.Rep.l Y.p.168. l.p. óOó. 506. vb.Clerigo. ( a)
!ó VII No interdicto Unde vi intentado den-
tro de anno, para tudo o que não seja impôr pe-
na ao Clerigo. O. li. t. 1. §. !2. Barb. ibi. n. 10.
Peg. fJ..for. cap. 11. n. 173. 189. 193. Rep. I. p.
484. IY. p. óS7. vb. Respmuler. Cab. dec. 8!8. n.
4. como, para inteira restituição da posse, in-
demnisação, fructos, custas. DD.prox.C'itt. (b)
(a) Em muitas Nac,;õescessa o prhilegio do fõro ec-
clcsiasti<'o cm todas as acc,;õesrenes e de reivindicac,;ão.
Yar,,.Espen, pl. :1. t. 1 cap. 6. n. 7. sg. Rieg. II.§. 863. sg.
(b) E;q,lica,çáo. Esta Lei procede, 1.0 iodaquc a
questão seja entre dous Clerigos; ou t. 0 verse sobre pos-
se de cousa ecclesiaslica ou espiritual, como Beneficio,
Commenda, innovação de dizimos, preeminencia, ele,
Barb. á O. li. t. 1, §.1. n. 4. sg. Rep. cil.
· 3. 0 Na forc.;aclandestina, e não-violenta. Pe,g. cit.
cap. 11. n. 181. sg. "· Yal. Cons.93. n. ult.
Não procede nos outros dous interdictos adipi.scenda:
,t retinenda: possessionis, e tal é o e&tylode julgar. Rep.
dos Ecclt:siasticos. §. 6S. 137
!6 VIII Sohre preferencia em concurso de
credores ; pois todos, por mais privilegiados que
sejam, seguem o Juit.o do inventario ou do con-
curso. Peg. !. for. cap. 11. n. 147.; e porque o
Clerigo credor faz alli vezes de autor. Rieg.11.
§. 8ó9. St1-yck a Brunn. tr. de concu,•s. cred.
cap. 1. §. !.
!27 IX Sobre levantamento de sequestro feito
por Juiz secular. Peg. cit. cap. 11. n. 144.
!!8 X Sobre embargos de terceiro oppostos á
sentença ou despacho do Juiz secular. Peg. cap.
11. n. I4ó.
!9 XI Nos casos da L. düfamari, porque o
C1erigo diffamador é considerado como autor.
Cm,. r. cap. 7. §. 6.
30 XII Sobre bens ou direitos da Coroa, in-
daque o Clerigo seja donatario della; ou sobre
jurisdicção Real. O. li. t. 1. §. 17. Ili. t. 6. §. 6.
1. t.9.pr.111. t.ó. §.ó.Peg.! . .for.cap. 11. n.
13ó. seg. Cab.11. arrest. 4. e 8õ. Rep. ]. 607. vb.
Clerigo. 111. p.161. seg. vb. Jui'J!da Coroa. (a)
1 Y. p, ó37. i. O. cit. ibi - força nova, cksfaser a força.
Provis. 10 Mar. l 76i. ibi - espolio e força nova. Yal.
Cons. 93. n. ult. Peg. ~.for. cap, 11. n. 190. sg. Rep. lf?.
p. ó37., onde muitas rnzes ~e julgou. Comludo o con-
trario opinam Cab. dec. 8!. Mell. J. t.-ó. §. !24. Barb. á
cit. O. n. !. 3. Cald. ibi. 1'hemud. no cit. &p. JY. p, 637.
- nem na força velho, se , intentada f6ra do anno:
Cab. dcc. 81. n. 6. l'eg. fm-. cap. 11. n. 184. cit. O. : salvo
se a questão fôr com menor, e este se restituir conlra o
lapso do anno. Rep. I. p. 484,. vb. Clerigo.
(a) As causas em que se trala de interesse da R. Co-
roa ou Fazenda, indague remoto e minimo, pertencem
exclushamente nos J uizes da Coroa ou Fazenda, com
assistencia dos Procuradores llegios. O. III. I. b, pr. [,
t.9.§.10. Al. I:!Set.1784.pr.
-ou ao Conselho ou a outras Hepartições da mes•
ma Fazenda. Al. !OMc1i. l80t. L.!!Des.1761.§.1. o.
Per. So. l. nol. 61.
i38 Liv. ]. t. J?I. Jurisdicçáo acl. e pass.
31 XIII Sobre Fazenda Real, e cousas tocan-
tes ao Juízo dos Feitos clclla. O. li. t. 1. §. 17.
Bep. Ili. p. 174. vb. Juiz da. 1/7. p. õa9. vb.
Responder.
- e indague o Clerigo negue a qualidade
de Fazenda R. ou a divida . .!,fell. l. t. ó.§. 35. n. u.
E portanto:
3! -Sobre impostos das Alfandegas, Ter-
ças dos Concelhos, ou outros direitos Heaes. O.
IJ. t. l. §. 19. Peg.for. cap. 1 J. n. 138. Mell. ]. t.
õ. §. tf>. n. 8. Bep. IY. p. 539. vb. Responder.
33 - contrabandos, e descaminhos. i. O. li.
t. I. §. 19. Peg. cap. 11. n. 141. Rep. l.p. ~08. vb.
Clerigo; pois o CJerigo incorre no commisso, e
as fazendas descaminhadas ou prohibidas lhe são
tomadas pelas Justiças e Officiaes seculares. Rep.
Ill.p. !98. vb. Lá náo, p. ó07. Per. M. R. cap.
38. n. 14. H>. - Este conhecimento pertence ao
Juiz Geral dos Contrabandos . .A.l. 16 Des. 1771.
!o ~fai. 1774. v. Per. So. 1. not. 6.
34 - bens Reguengos ou pensões <lelles. O.
li. ,.1. §. 16. 18. Rep.1/7.p. 538. vb. Responder.
111. p. 14. vb. lgre;'as que.
Sb XIV Sobre cousas tocantes ao Juizo de
Jndia e mina. Bep. Ili. p. 188. 190. Jui':f.d' ln-
clia. v. L. 3 .A.g.17!9. O contrario em Ftb.pt. 1.
arr. 14.
36 XV Sobre soldadas, jornaes, salarios de
officiaesouobreiros. O. li. t. 1. §. !O. Peg. tJ..for.
cap. 11. n. 139.
37 XVI Em muitas Nações sobre cobrança
de foros e censos. v. Peg. cap. J 1. n. ló!. Yan-
Espen, cit. t. 1. cap. 6. §. ló, 16.
38 - e sobre heranças e fidêicommissos. Cav.
r. cap. 7. §. 12.
39 -sobre direito de retracfo (onde o ha)
se., de serem os visinhos ou parentes preferidos
dos Ecclesiasticos. §. 6 6. !3,
no predio que se vende ou afóra. Cav. r. cap.
7. §. 4.
40 XVII Sobre administraç:lo de officio ou
cargo publico secular, como, tutor, procurador,
correio, depositario judicial, ou outro que o Cle-
rigo servir por autoridade do Juiz secular. Ya.n-
Espen, pt. 3. t. I. cap. G. n. i6. sg. Peg. !.for.
cap. 11. n. lóO. J b3. Cav. Y. cap. 7. §. 8. Bep. I.
p. óOO. t.tb. Clerl'.goque. arg. O. f/'. t. tfJ.O.pr.Res.
1/I. 16 Jiui. 1688.
- ao menos para dar contas e satisfazer os
alcances e indemnisações. v. ci"t. Cav. §. 8.
41 -pelo que póde o Juiz multar o Cleri-
go Advogado que não entrega o feito, nos ter-
mos da O. Ili. t. !!O.§. 4€>. Rep. JY.p. !83. vb.
P1·octtrador que; onde tambem o contrario.
4! XVIII A proposição precedente (n. XVII.)
segundo o uso de muitas Nações, se estende aos
administradores extrajudiciaes de negocios de
pessoas seculares. cit. Pan-Espen, n. i?6. !7. v.
cit. Res. g6 J,,n. 1688., e á rnercancia publica,
se a exercitarem. Peg. cap. 11. n. 13!. v. Con-
corcl. acima.
43 XIX Sobre nomear tutor e fazer inventa-
rio ao Clerigo menor, demente, ou prodigo. Rep.
I. p 768. tJb. Curador. v. h. l. t. dos dementes.
44 XX Sobre Condado, Baronia, etc. que o
Clerigo obteve. Rep. JY. p. 539. vb. Responder.
4f> XXI Sobre ma terias pertencentes ao J ui-
zo dos Residuos; e XXII testamentarias. Peg.
11.for. cap. 11. n. 130. lóf.>.
46 XXI II Sobre cousas tocantes ao J uizo de
almotaceria, quanto á pena cível e indemnisa-
ção, não quanto á pena crime. O. II. t. 1. §. l!O.
llep. JP.p. b39. vb. Responder.
47 - O que se intende de todas as ditas cou-
sas sem excepção, como, serventias de edificios
~40 Liv. ]. t. PJ. Jurisdicçá.o acl. epass.
urbanos indague sejam ecclesiasticos, limpeza
de ruas, apprehensão de seus gados para a im-
posição de coimas, affilação de medidas, coimas,
etc. pois em taes causas ninguem tem isenção
do dito Juizo. O. 111.t. 6. §. 9. t. 68. §. H. LL.
!3 Oul. 1604,. 14 .Abr. 161!. 17 Jan. 1640. 6 .Ag.
164!. 9 ltfar. 1678. Al. 26 Out. 174-i>. Peg. cit.
cap. 11. n. 13!. Rep. I/7. p. 639. 640. vb. Respnn-
tler. J. p. õ03. õ04. vb. Clerigo póde.111. p. 487.
seg. vb. Medr"das.
- sobre nullidade do processo feito em ou-
tro J uizo e responsabilidade do Escrivão. cit. L.
!6 Out. 174-õ.
48 - O que tambem procede no embargo
de nova obra (nuntiatio 1wvi operis); indaquan-
do este se requer em Juizo diverso do da Almo.
taceria porque então o Juiz Ordinario faz fre-
quentemente vezes rle AlmotaceJ, e porque a no-
tificaçilo se faz aos obreiros; e embargada assim
a obra, fica o Clerigo fazendo vezes de autor e
obrigado a requerer o levantamento. Cav. V. cap.
7. §. õ. "· Peg.for. cap. 11. n. 144.
49 Nos casos até aqui referidos e pertencen ..
tes ao Juizo secular, sendo Partes Abbades ou
Priores, póde o Corregedor da Comarca, como
Juiz dos Poderosos, conhecer da causa ou avo.
cá-la do Juiz Ordinario. O. I. I. 68. §. i!.
Fôro pessoal sendo o Clerr"goautor.
60 Em dous casos o Clerigo goza do fôro cc ..
clesiastico, sendo autor: I sobre roubo ou força.
0.11. I. 1. ~- 6. tirada do cap. si Cleri'gosx: for.
compet. : If sobre injuria real ou verbal. O. 11.
t. g, §. 3., que o Leigo lhe fizesse.
61 Primeiro caso. Quanto ao primeiro caso
noto: I que esta Lei exorbitante não se deve es-
tP-nder ao furto simples, nem á invasão de bens
dos Ecclesiasticos. §. 6;";. 141
de raiz. Mell. I. t. b. §. 3 i. 33. que tambem opina
não poderem por ella pôr-se penas temporaes ao
Leigo no J uizo ecclesiastico, e lhe faz outras r~
tricções: II que cumpre provar-se que a força
foi qualificada e notoria. Per. M. R. cap. 7. n. 5.
Mend. pt. !. lv. ~. cap. 3. n. !6. seg. /7al. Com.
100. n. 3. Cons. lb\1!.: III que da sentença con-
demnatoria do J uizo ecclesiastico, não póde o
Leigo recorrer ao J uizo da Coroa, e assim se jul-
gou muitas vezes. Rep. I. p. 500. vb. Clerigo 9u.e.
Ml - Sobre esta Orcl. v. cit. Mell. cit. Rep.
p. 600. e Per. :hl. R. cap. 27.
63 Segundo caso. Quanto ao segundo caso
ela injuria se observa o seguinte : Esta Lei não
procede no Clerigo de Ordem menor, salvo ten-
do Beneficio ecclesiastico. O.§. 3. 4. (e o mesmo
se deve intender no caso precedente), nem na
injuria verbal dita na ausencia. Rep. 1. p. 601.
JY.p. 868. v. Peg. ácit. Ord.
54 - O Clerigo injuriado póde escolher o
Juizo ecclesiastico ou secular: em escolhendo,
não póde variar. cit. O.§. 3. Rep. I. p. óO!. tJb.
Clerigo de. Se o Juiz secular tirar devassa (por ser
caso della), e fôr pronunciado o Leigo, cessa a
dita escolha e procede o Juiz secular. O. cit. §. 3.
6f> - O Juiz ccclesiastico não póde tirar de-
vassa, prender, ou ter outro procedimento crimi-
nal, indaque o injuriante s~ja Clerigo. Àss. Dsb.
de 1687. e 1707. no cit. Rep. Nem o Promotor
ecclesiastico póde proceder officiosamente; pois
a Ord. $Ó dá acção ao Clerigo otfendido. Rep.
1. p. 603. Quanto ao sacrilegio e á excommunhão,
se procede no Juizo ecclesiastico. O. cit. §. 3.
66 Resistencia. Esta Lei e doutrina mlo é
extensiva á resistencia ou offensa que o Leigo
fizer ao Meirinho ou OHicial do Juizo ecclesias-
tico; pois dellas conhece o .Juiz secular, e as
!Hi? Liv . .l. t. VI. Jurisdicçdo act. e pass.
pune como se fosse1ú foitas aos Officiaes de Jus- .
tiça. O. li. t. 9. §. 4. llep. 1/7. p. ó3á. vb.
Resistencia. 1. p. 7õ3. vb. Crime ele.
- lndaque o Official resistido seja Clcrigo.
cit. Rep. p. 7 i>4.
§. 66. Fôro ecclesiastico criminal de causa.
Crimes eccksiasticos.
l A Igreja tem tambem fôro criminal de cau-
sa (real), ao qual pertence o conhecimento de
certos crimes, inda quando o réo é Leigo. Estes
crimes ou são puramente eccksiasficos, ou mixti
fori. /7an-Espen, pt. 3. t. 4. cap. l. n. 19. seg.
Cav. Yl. cap. 36. O. IY. t. G7. §. 9. L. 18 .Ag.
1769. §. 1\2. (a)
~ Crimes ecclesiasticos são a apostasia, he-
resia, schisma, simonia, profanação ele Sacramen-
to, revelaçfio do sigillo penitencial, e outros se-
melhantes, que offendcm directamcnte a Fé e a
Religião. Cav. /71. cap. 36. §. 4. cit. Yan-Espen.
(a) Depois que na Igreja, além do seu fõro interno
e penitencial (a que pertence conhecer de lodos os cri-
mes e peccn<los), se instituiu no seculo XII um fõro ex-
terno e judic-ial com po<ltlr de formar processos, e de im-
pôr pen;1s quasi semelhantes ás que irrogam os Magis-
trn<los, prelenderam os Ecclesiasticos conhecer de todos
os crimes dos Leigos, pela razão de pecca<lo. Pela oppo-
~ição <los Legistas e .Magistrados se fixou a differcnc;a
de crimes que offendem <lirectamenle u Religião ou os
Canones (crimes ccclesi<t8licos),e estes ticaram perten-
cendo 110 fôro Ecclesiastico, como cousa espiritual : ou-
tros em que 11econsiderou como menos <lirecla a offen-
sa da Religião ou dos Canones (commum 016 ,ni.xto,), e
ficaram ao conheFimento de ambas as autoridades civil
e ecclesiasticn: outros finalmente que nada teem com
,1qucllcs dous objecto;. (mermnente cil>Ís), e se deixaram
ao Poder secular. Van-Espen, cit. cap. l. n.. 19. ,g. Cuv.
cil. cap. 36. e P. c<tp.6. §. ló,
,los Ecclesittsticos. §. 66. 943
3 - O conhecimento destes crimes pertence
ao Juiz ecclesiastico, indaquando o réo é Lei-
g·o. v. Cav. cit. cap. 36. §. 1. seg. e Y. cap. 6. §.
15. 16. Yan-Espen, pt. 3. t. 3. cap. 1. 11..8. seg. e
t. 4. Rep.11.p. Gõl. vb. here,jes; quanto á here-
sia e apostasia.
4 -Por Juiz ecclesiastico se intende o Bis-
po ou o seu Vigario Geral, niio os Archiprestes
· ou Vigarios da Vara, pois não teem jurisdicção
criminal. Trid. Sess. \U. Ref. cap. ~o.
õ Quando os Principes legislaram sobre este
fôro, não o instituiram; mas sómente o firmaram
e apoiaram. cit. Cav. cap. 4. §. 6. v. ll. i'bi.
6 Sobre a natureza, penas, e processo destes
crimes noJuizo ecclesiastico v. O. Y. l. J. seg. v.
Cav. cap. 36. §. ó. e seg. cap. 37. 39. 40. Mell.
C1·im. t. t. Filang. r. cap. 44,. Montesq. XII.
cap. 4,. ó.
7 A referida competencia dos Juízes eccle-
siasticos se deve porém intender sómente para
a imposição das penas Canonicas, ficando sem-
pre aos Magistrados o direito de impôr as civís.
Cav. Y. cap. 6. §. lõ. 16. Yan-Espen, prox. cil.
lffell. Crim. t. ~- Filang. Y. cap. 44. (a)
8 - E dahi veio a praxe de os J uizes eccle-
siasticos entregarem os hercjes depois de senten-
ciados á Justiça secular (relaxá-los). Cav. ci!,
§. 16. - Do que se viram tão horríveis, como
frequentes exemplos depois de iõstituida a In-
quisição da Fé. (b)
(") · A <lisciplinn mesmo <leconslrnnger coucth•amen-
le os peccn<lores publicas ás penitencias Cunonicas, se
poz em <lcrnso, como pouco co11forme á natureza <la mt•s-
mn peniLencia. v. Cuv. li[. cap. ~O. sg.
(b\ O conhcdmento das causas e cootrovcr,;ias da Fé
pertence essencial e originariumcote no:1Bi11pos, que são
pela out urcza <lo t'piscopado os J uizcs Inquisidores uatoa
!44 Liv. l. t. PJ. Jurisclicçáo acl. epass.
9 Hoje ninguem póde ser perseguido por mo-
tivos de Religião, uma vez que respeite a do Es-
tado, e não otfenda a moral publica. Const. A.
14ó. §. 4. v. lllontesq. XII. cap. 4. ó. Filang.
r. cap. 44.
10 Os Estrangeiros podem ter o exercicio par-
ticular de seus cultos nos termos da Const. A. 6.
-Sobre a liberdade de consciencia, estabe-
Jecimenlo publico e tolerancia de cullos v. f7at-
tel, 1. §. H7. seg.11. §. 6!. Bieg. I. §. 4á4. 473.
Montesq. XXY. cap. 9. 10.
Crimes mi:xlos ou communs.
11 Dos crimes cornmuns ou mi:xti fori co-
nhece promiscuamente o J ui zo secular ou o eccle-
siastico, segundo a prevenção: o que se cs(abe-
lcceu .depois que os Ecclesiasticos conseguiram
exercer o direito de os punir, mesmo com penas
1emporacs. 0.11. t. 9.pr. e§.!. Cav. Y. cap. 6.
§. 17. Rep.111. p. !84. tib, ;urisdir.çáo. i D. !l6
11.fai.1689.
1t Quaes são. Estes crimes se referem na O.
li. I. 9. pr. IY. t. 67. §. 9. "· Rep. I. p. aso.
Mend. pt. 1. lv. !. cap. 4. n. 19. sg. Cav. IY.
cap. S6. §. 4.
ácl'rca dellas: com tudo a Cu ria ltomana, havendo-as
ri•servado a si como causas maioru ün,. Y. cap. 8. §. 7.
sg. ecap. 18., creou depois do seculo XI os Inquisidores
da Fé, e lhes commetteu este conhecimento. Entre elles
foram os Dominicanos que mais se enfureceram lo~o
desde o principio, alé que n Inquisição munida de Of-
f1cines e de carcl'res e Lorluras na Peninsula Hispnnica,
e em outro11Paizes onde se póde estabelecer, os encheu
de 11anguc, de fogueiras, e de crueldades, cuja historia
por todn a parle despertou contra ella os grilos da hu-
manidade. ,,. C'..av.Y. cnp. 18. Mell. lrim. t. 2, ~ 4. sg.
Monte11q. xxr. cap. 13. Rm Portugal foi este barbaro
Tribunal enfreado pelo Al. 1 Set 1774"., e finalmente
extincto no plausivel dia 30 Mar. 18:U.
dos Eccksia,lico_,. §. 66. 14á
- Entre elles é a bigamia. D. IS Mal. 1689.,
e o concubinato, sendo a concubina teuda e man-
teuda com publico e geral escandalo. i . .Al. 16
&t. 1769. "· Per. M. R. cap. 63. n. 11. 34. Bep.
111. p. 4ló. vb. Manceba. (a)
13 - Para o crime se reputar mixto, e poder
conhecer delle o Juiz ecclesiastico, deve ser pu-
blico; aliás nem o Visitador deve mandar escre-
\'er os depoimentos das testemunhas. cit. O. ibi
-publicas adulteras, barregueiros, etc. -publi-
cas delictos -tabolagens-infamados; e I. 8. §.
!. ibi-infamados publicamente. Trid. cit. cap.
8. Rep. 1. p. 380. vb. casos mia:ti.
14 Em Lisboa o conhecimento dos peccados
publicos pertence aos Corregedores 40sBairros
pelo Al. !ó Dez. 1608. §. fl. ~!!.
ló A prevençáo se induz: I por citação pes-
soal. Rep. 111. p. t84. vb. j'-wrisdicçáo !te. Cab.
dec. 14~. n. 1.: II pela prisão do réo. cit. Rep.
e Cab. n. 6., ou, sendo muitos co-réos, pela de
qualquer delles. cit. Rep.
16 Prevendo o conhecimento por um Juiz,
já o outro não póde conhecer; salvo se ·o Juiz
secular dever emendar a impunidade permiltida
pelo Juiz ecclesiastico, ou punir o réo com pena
temporal. O. cit. pr. Me,ul. pt. 1. lv. !. cap. 4. n.
17. 18. Rep. 1. 381. Ili. p. 3 94. livre por.
17 FJ!eito. O conhecimento do Juiz eccle-
siastico, segundo a natureza de seu poder, deve _
tender sómente á imposição das penas Canoni-
cas, e mais á emenda futura que ao castigo da
(a) O caLaloJ?Odos crimes mixtos não c;e de,·c csten•
der além dos referidus nas Leis Patrias. Mend. pl. ~- n.
19.; antes "seria para desejar (diz Mell. I. t. ó. §. 49.
nol,}, que se proscrevesse do Fôro n doulrinn das causas
mixtas, originada das preoccupaç,fos dos Decrelalistas,
n qual lauto tem vexado os Estndos,"
!4G Liv. 1. t. F1. Jurisdicçcío acl. e par.s.
culpa preterita. Cav. pt. 3. cap. ~. n. 17. llep
III. p. 416. vb. ft'lanceba. ( a)
18 - Nem fóra das ditas penas espirituaes
poderia o Juiz ccclesiastico executar a sua sen-
tença contra Leigo sem implorar o auxilio secu-
lar. O. 11. t. 9. §. 1. v. §. 63. n. 7. li. l.
19 - Isto se dispoz especialmente áccrca da
mancebia, na qual é além disso necessario que
precedam as tres admoestações Canonicas, com
os intervallos convenientes. O. 11. t. 1. §. 13.
Trid. sess. !26. ref. cap. 3. e cap. 8. n. 4. Mencl. pt.
,. lv. ~- cap. l. Cab. 1. dec. 8:>. As mancebas dos
Clcrigos são punidas pelo Juiz secular. O. t. r.
30. Rep. 111.p. 416.
~o Do a<lullerio não póde o Juiz ecclesiasti-
co conhecer senão para decrefar a separação do
thoro ; nem se fórma processo cri mi na) senão a
requerimento do outro conjuge. O. r. t. 1~[>. §.
3. Jfell. crim. t. 10. §. 6. Al. i6 &t. 1769.

§. 67. Fôro ecclesiastico criminal de pessoa.

l Os Clerigos gozam do fôro ecclesiastico, e


da isenção da jurisdicção civil em todos os seus
crimes, que não forem exceptuados. 0.11. t. 1.
~. 19. Y. t. 88. §. 16. L. i. t. 4. lv. 1. RecO'pil.
Barb. á O. II. t. 1. §. t7. P'an-Espen, pt. 3. t. 8.
cap. 4. n. 1. ecap. 16. n. !2!2.!24. seg. {b)
(a) O Decreto Trid. Sess. ~4. Reform. matr. cap. 8.
que dá aos Bispos direitos de impôr penas temporaes
aos concubinarios, e de desterrar ns concubinas publicas,
não foi receLido em muitos Reiao .., como opposto á ju-
risdicc;ão Real, Coo. Y. cap. 6. ~.17.
(b) Sobre os crimes civís dos Clerigos tem o Sobera-
no o mesmo direito de punição, que sobre os dos outros
cidadãos, e n ellc só com pele esse direito, que deriva da
n ntureza da sociedade civil. Mell. ]. I. á. §. iG. not. Cai,.
r. cap. ,1.• §. 1. i.g, Vim-Espcn, pt. 3, t. 3. cap. 1. n. 1. sg.
tios EcC'lesiaslicos. §. 67. 147
1 -inclaquc a pronuncia lhes resulte de Al-
çada, J?ois não perdem por isso o seu Jôro. ( a)
3 Se a culpa do Clerigo é relativa ás Couta-
das RR., se remette ao CapeJlão-m6r segundo a
Uulla em Peg. tom. 13. á O. Ili. t. b. pr. ti. 96.
Bep. IY. p. 111.
4 O Clerigo quando accusa, não tem o pri-
vilegio do foro. Rieg.11. §. 860.; nem mesmo é
admittido no J uizo secular a querelar ou accusar
sem dar fiança nos termos da O. Y. t. 1 J 7. §. o.
Bep. 1. §. 1'101. vb. Clerfgo.
b Quem o te,11,. Os Clcrigos de Ordem me-
nor, que não são Beneficiados, para gozarem do
fôro, hão de trazer habito e tonsura clerical no
tempo do delicto e no da prisão cumulativamen-
te. O. li. t. 1. §. 4. 11. H. U. Barb. a este§. i7.
E esta foi a disciplina dos primeiros outo seculos da
Igreja. cit. Yan Espcn, n. 9. sg. ecap. !. n. 4. sg. cit. C.àv.
A jurisdicc;;ão punith·a da Igreja por Dir,•ito proprio
é restricla no fôro interno e ás penas Canonicas e peni-
lPnciaes. cit. Üiv. §. 3. sg. cit. Yan Espen, cap. !. n. 4. ,g.
Toda a que os Bispos exercitam no fôro externo e usan-
do de penns externas, é meramente temporal e pro,·c-
niente do prh-ilegio dos Principes. cit. Cm,. §.4 sg. cil.
JJ!ell. Foi com o andar dos tt!mpos, e mediante alguns
documentos espurios e outros estratagemas, que os Ec-
clesiusticos poderam adquirir e augmentar esta jurisdic-
c;;ãoe a isenção do furo secular parn os seus crimes. Cai,.
Y. cap. 4. §. ó. sg. 911.: augmento que depois decaíu um
pouco. §. 13. P6de pois o Soberano alterar, diminuir,
derognr n dita jurisdicc;;ão externa, e sujeitar ao seu co-
nhecimento ou so de seús Magistradoa os crimes civis
dos Clerigos, como muitas ,·ezes se tem praticado em Por-
tugal e nos outros Paizes. cit. Cav. §. 4. sg. cit. Mell. nol.
(a) Um Clerigo culpado em uma A Içada e preso
pela Justiça secular, lendo promdo a excepção declinn-
toria, se mandou remetter ao Juízo ecclesiastico, com
recommendação que nhi seria tido em prisão segura, e
que a sentença antes de se publicar se remetteria a EI..
llei. Rcs, Cons. Dtib, 3 /./g.1680. no lv. 7.fl. 198.
~U,8 Liv. 1. t. PJ. Júri1Jdicçáoacl. epass.
n. 6.17mvEspen,pt. 3. t. 3. cap. 4. n. 30. Cav. Y.
cap. l>. §. 4,. Rep.1.p. 485. vb. Ckrigos.
-Se falta este requisito em qualquer dos
dous tempos, não tem logar o privilegio. Barb.
il. n. 6. 10. v. cit. O. ( a)
6 - Para constar pois deste requisito devem
os officiaes r1ue prendem a qualquer homem, fa-
zer mdo de J,abito e tonsura na fórma e sob as
penas da 0.17. t. Ul. B.ep. JY.p. 209. vb.preso.
II. p. t98.
7 -Os Minoristas Beneficiados são nisto (e
em outras cousas) equiparados aos Clcrigos de
Ordem sacra, e não precisam de trazer o habito
e tonsura. i. cit. O. 11. t. l. §. ~;z. Cav. 17.cap. ó.
§. 4. Sacr. Congreg. ibi.: comlanto que tenham
posse do Beneficio. Barb. á 0.11. t. J. §. !.!. n. l.
8 - O l\'linorista casado com uma só mulher
virgem goza do fôro nos termos da O. cit. §. \27.
Pan-Espen, cit. cap. 4. n. 8. seg. Cav. Y. cap.
ó. §. 5. v. Rep. 1. p. 48á. 487. vb. Clen'"gosde
Ordens.
9 - O que não é achado em habito e tonsu-
ra, perde o privilegio só.mente por aquella vez:
se os abandonou, o perde para sempre. Ya,,-Es-
pen, cit. §. !3. 31. H. "· Cav. cap. ó.§. 10. 11.
(a) O Direito Canouico não designa tempos: o dei-
xar de trazer o habito e tonsura uma ou outra ,·ez não
priva do privilegio. 17an-Bspen, 1. t. t. Cflp. !2."· 7. 8. O
habito clerical varía segundo os tempos e logares. Van-
.E.pen,n. ó.: se se duvidar se o é, loca ao Juiz secular o
decidir. Pan-Espen, n. 9.
O mesmo Direito concede o presente privilegio s6-
mente aos Minoristus addidos no serviço de alguma
Igreja, Semioario, ou Eschola. Trid. Sess. !23. llef. cap.
6. Barb. aocit. §. 7. "· 11. P'un-kspen, cil. cap.4. n. U.
,g. Ca11.cap. ó. §. 4.; e intende por M inorista lambem
o que tem s6rnente tonsura. Yan-Espen, cil. cap. 4. n. á,
,g. Cai,. Y. cap. á. § 10.
,101Ecclesiasticos. §. 67. rl49
10 -Bispos. Os crimes e mais causas dos
Bispos, e mesmo as dos Metropolitas, foram sem~
pre tratadas e julgadas no Synodo Provincial,
até que nisso se ingeriu a Sé Romana, e as re-
servou a si ou aos seus Delegados, como causa,
maiore,; para o que muito cout.ribuiram Diplo-
mas apocryphos. "· Cav. Y. cap. a.§. 9. seg. Yan•
Espen, pt. 3. l. 3. cap. ó. n. 1. seg.
11 - Pela posterior disposição do Concilio
Tridentino se deixaram ao Synodo Provincial 011
aos seus Commissarios os crimes que não che-
gam a merecer deposição ou privação do Bispa-
do, ficando os que merecem esta pena reserva-
dos ao Papa (bem como a renuncia e tras)açlo
do Bispo). Esta disposição quanto a esta ultima
parte, não foi com tudo recebida em França e ou-
tras Nações, onde não se permittc citar alguem
para fóra do Reino. Cav. §. 17. J. cap. 8. §. 6. Y.
1. cap. 4ô,' §. ô, ecap. aa. §. ti. cil. Ya11-Espen,
,i, 36. 37. "· §. 68. n. 1. li. l. ( a)

Em que crimes tem logar.


a Este privilegio tem ainda logar: 1 nos cri ..
mcs civelmente intentados. O. 11. I. 1. §. 4. cit.
Barb. e Becopil. Silv. á, O. 111. t. 3:J. pr. n.
38. seg.
J 3 II nos commettidos antes de o Clerigo se
(n) Exemplo. Coherentemenle sendo presentes a El-
Rei varias Consultas e documentos, de qúe se mostrava
que o Bispo do llio de Janeiro vexava ha muitos annos
os seus Vassnllos por meios illicitos e violentoi, ao pon-
to de ser absolutamente preciso removê-lo daquella Dio•
cese, mandou a &s. O>n,. Dsb. 1 Mar. 1689., que com•
tudo por ser o Bispa immediato á jurh,dicção Pontifieia,
seria escrupuloso removê-lo s6 pela autoridade Real sem
intervenção de S. Santidade, e que portanto o Chancel-
ler da Relação se informasse das ditas queixa• para que
ElRei por via de informação extrajudicial pedisse a s.
PAllT. J, 17
tóO Liv. 1. t. PJ. Jurisclicçdo a,:t. e pass.
ordenar, obter Beneficio, ou professar em Reli-
gião. i. O. 11. t. I. §. 3. ibi- sendo a materia ci-
vel. Yal. Cons. 48. Rep. Ili. p. 3~8. e 3:.!9. vb.
Leigo. 1. p. 489. vb. Clerigo de. arg. L. ló Mar.
166!. e Al. 16 Mar. 1746. {a)
14 -Neste caso o Juiz secular remette a
culpa e o processo ao Juizo ecclesiastico, inda-
que o Clerigo se ache já sentenciado, e sómente
em pena pecuniaria. Pal. Cons. 48. ti. 6. 7. Rep.
J. p. 484. vb. Clerigo, j. Âd verbas: a qual sen-
tença o Juiz ecclesiastico não é obrigado man-
ter. cit. Yal. n. 10. seg.
ló - Porém o criminoso que para illudir a
jurisdicção secular fôr fóra do Reino com Reve-
renda falsa tomar Ordem sacra, fica ipso facto
desnaturalisado. Al. 126 Ma.r. 1746. L. ló Ma1·.
1663~
Crimés e casos e:xcepluados.
16 Em tedos os tempos se exceptuaram do
1õro ecc]esiastico alguns delictos, que se sujei-
taram á jurisdicçiio elosPrincipes e dos seus Ma-
gistrados. Yan-Espen, pt. 3. t. 3. cap. 3. n. 14.
,eg. Cav. JT.cap. 4. §. U. seg. E taes são:
17 I Os crimes privilegiados ou atroi:ses,que
perturbam directamente a ordem e socego pu-
blico, a jurisdicção Real, as regalias e costumes
do Reino, são pelo uso geral das Nações reser-
vados ao conhecimento do Soberano ou de seus
Tribunaes, que punem os Clerigos delinquentes
com desnaturalisação, degredo, mullas, privação
Santidade a remoc;ão do Bispo e a permissão de nomear
·outro. D,b. lt,. 10. Cons.fl, 3:,7. -
(a) O contrario opinam outros, muito mais se se or-
denou maliciosamente pnra subterfugir a jurisdic~ão se-
cular. Peg. li. fo,,. cap. J 1. n. 1f>f>,"· cit. Rep. P an-Es-
1'ffl,pt, 3. t. 8. cap. 4. n. $?9.; a qual fraude fica provada
se se ordenou logo depois do delicLo, cit, Yan-.Espcn.
dos Ecclesiadicos. §. G7. 261
das cousas que teem da Coroa, etc. ran-Espe,1,,
cit. cap. a. n. U. 3~. 36. seg. 4:J. 56. ó7, v. Rep. l.
p.48;,. D. 3 eRes. 1:,Dez.1768.
J 8 - Esta doutrina se usa tambem na Hes-
panha. P'an-Espen, cit. cap. :1. n. 11. ó6. seg. cit.
D. 1768.: e é antiga na Igreja. Yan-Espen, n.
!2!. 31. ( a)
19 Entre os ditos crimes se conta especial-
mente o de Jesa-Magestade, pelo qual o Clerigo
perde ipso facto o fundamento da immunidade
ecclesiastica, e fica reduzido á condição de ou-
tros quaesquer réos, por não se fJOder presumir
que os Principes quizessem conceder privilegios
contra si mesmos. D, 3 e Res. ló Der,. 1768. Cav.
r. cap. 7. §. 11.
!O - Não se conta: I a fals.idade. Yan-Es-
pen, pt. 3. cap. I. n. ~7. : nem os Decretos que
estabeleceram a Commissão do Juízo elas Falsi-
dades derog·aram o privilegio que as Leis do Rei-
no concedem aos Clerigos. Ass. 11. 916Mar. 1814.
O que procede mesmo po depoimento ou jura-
mento falso, dado perante o Juiz secular, pois o
deve remelter. v. dfoersas opin.. no Rep. 1. p.
7 ó7. vb. crime de dar.
~ 1 - nem : II o assassínio; recebido entre
nós o Direito das Decretaes, que não o excep-
tua. T7an-Espen, ct>p.I. n. t6.; posto que o con-
trario se pratique em outros Reinos CJ;i,ristãos.
Cav. cap. 7. §. l\l?.
!U - Esta excepção do$ crimes privile9iados
não se e~tendcq aos Bispos, que devem comtudo
(a) Segundo Õ uso das Nações dá-se grande e:Úensão
a esta doutrina, a qual comprehende a lesa-M11gesta<le,
moec;la falsa, hornicidio deliberado, rnpto, falsidade, la•
trocinio, offensa á justiça, equasi lodos aquelles crimes
que merecem pem• corporal. Cav. J?.cap. 4. §. 13. Fteury,
Jur. &cl. lv. J. cap. 14.
17 •
tH Liv. J. I. YI. J11risdicçáoact. e pass.
ser julgados dentro do Reino onde delinquiram.
Cav. Y. cap. 7. §. 13. Yan-Espen, cap. ó. n. 38. e
pt. 3. t. 3. cap. 4, O contrario indicou a C. R.
9 Dez. 1768. tratando do cri'.-mede lesa-Mages-
tade. (a)
i3 II Supprimento. Quando o Clerigo delin-
quente ou outra pessoa isenta, não é justamente
punido no seu Juizo, póde ElRei mandar desna-
turalisá-Io, tirar-lhe as cousas que tivesse da R.
Coroa ou Fazenda por graça ou mercê, e tratá-
Jo como for justo. 0.11. t. 3.pr. 1. t. b8. §. 18. v.
O . .A,ffonsin.lv. 3. t. lf>. Mend.pt. I. lv. t. cap. 4.
n. 18. Cav. cit. cap. §. lo. 13. Rep. l.pag ... t,b.
Clerigos culpados, e p. 497. (b)
i4 -Destas duas Ordd. vem a prática de
encommendar ElRei aos Prelados seculares ou
Regulares que façam processar o seu subdito de-
Jinquente, e lhe remettam copia authentica da
sentença; cuja praxe e exemplos v. no Rep. ].
11b. Clen"gos culpados, e p. 4,~)7.
-o que muitas vezes se tem praticado com
os que perturbam o socego publico. arg. cit. O.
e 1.1. 58. §. 18. Rep. 1. p. 497 .; e nos crimes mix-
tos. Rep.111. p. 394. vb. Uvre por. v. §. 66. n.
17. 18. h. ,.
ló - Para este supprimento de punição deve
ouvir-se o réo, e seguir-se condemnação, ou com
(a) Esta C. R. declarou lambem que o Bispo F.,
que havia incorrido notoriamente na lesa-Magestade fi-
cára, mesmo sem necessidade de stintença, reputado
morto, e vago o Governo do Bispado; pelo que devia o
Cabido eleger logo Vigario Capitular sem alguma re-
serva de jurisdicc;ão.
(b) O que nesta Ord. t. 3. se diz que EIRei o p6de
fazer niro 'Por tmJ de jurisdicçâo nem de jui!.O, mas como
Rei e. &n.hor, procedeu da confusão qu11se fazia do po-
der tempornl e espiritual, e de crimes ecclesiasticos e ci-
-vís,v. Cav. cit. cap, 4.
,los Ecclesiasticos. §. 67. 163
Resolução de S. Magestade, ou por sentença de
seus Magistrados, promovendo contra elle o Pro-
curador da Coroa. Oliveir. ,w cit. Bep. p. 497.
!!6 Ill As infracções nos casos tocantes áal-
molaceria, quanto á pena civel v. acima.
!7 1V Os erros ou delictos commettidos em
officio secular, e esta é a Praxe. //"m,,-Espen,pi.
3. t. 3. cap. 3. n. Ml. 1'>3.i. O. Y. t.10. L. 6 Dn.
l 6H!. §. 7. e ahi Yai, n. 63. seg. v. §. 6ó. n. 40. h. l.
!!8 V A incorrigibilidade, se., quando algum
Clerigo se tornou notoriamente incorrigivel. Rep.
I. vb. Clerigos revoltosos, p. 677. opin. comm. : e
tal se intende ser lambem o Minorista que foi já
remettido duas vezes ao Juízo ecclesiastico, e
delinquiu terceira. Brev. cit- noRep.1.p. 487.;
e o Minorista' facinoroso, posto que tenha Be-.
neficio. Rep. cit, ·

Casos em que a junsdwçâo secular se ltmita


á prisáo do C'leri.go,ou a oulros actos.
!9 Em flagrante. I Quando o Clerigo é apa-
nhado em flagrante delicto, o Juiz secular o deve
prender e remetter com a culpa ao. lõro delle.
O. II. t. 1. §. !!9. Rep. IY. p .. 193. 194. vb. pren-
der póc.le.Mend. pi.!!. lv. t. cap. 4. n. 8. Per·. M.
B. cap. 10. 11. 6.
30 - Como, se resisti"r á Justiça ou lhe fizer
outra offensa. cit. Bep ..p. 194 • .A.l,14 Out. 176.4.
0.11. t. l. §. ~9. Bep. I.p. 491. vb. Clerigos. v.
IY. p. 33ó. vb. Resistencia.
31 - O mesmo é com os Freires das Ordens
Militares. AI. 11 Ottl. 1630. Bep. cit.p. HJ4.
3~ lst.o mesmo procede: II nos casos que in-
duzem prisão, se o Clerigo está suspeito de fuga .•
Muitos DD. no Rep. cit. p. 194.
33 Procede: III se o Clerigo rematou em pra-.
ça sem dinheiro á vista, mas com fiança idonea
!f>4 Liv. 1. I. YI. JuriS1.licçcfoacl. e p(l,ss.
segundo a L. flOJmi. 1774. §. 16, seg. O. JY. t.
49. §. 1. e t. 76. §. ó., e sendo notificado com pena
de prisão, nã'.osatisfaz. Per. 111. e not. 864.
34 IV Nas transgressões das Leis sobre caça
e pesca, a Justiça secular faz sómente apprehen-
sllo das armadilhas e redes prohibidas; e remet-
te o Clerigo ao seu Juizo. O. Y. t. 88. §. 16. Rep.
JY. p. 11:2. vb. pescar.
36 O mesmo : V quando o Clerigo é achado
com armas defesas. "·O.li. t. l. §. !26. Y. t. 80.
§. 11. Rep. I. p. 207. oo.armas. J. 1!· 608. "· §.
64. ,i. 3, li. l.
36 VI As Justiças seculares achando algum
Frade com mulher fóra do Convento, o remet-
tem a seus superiores, sem ser leva<lo á cadeia.
o. r. t. s1.
- Fóra deste caso não procedem contra Fra-
de ou Clerigo por terem barregã, salvo a reque-
rimento de seus Prelados. O. r. t. 31. (a)
3 7 VII Este mesmo procedimento teem os
Corregedores com os EccJesiasticos escandalosa-
mente relaxa.dos. (b)
38 VIII Os Corregedores achando Clerigos

(t1) Dos Ecclesiaslicos seculares ou Regularei culpa-


dos na~ dnassas por entrarem escandalosnm~nle em cn-
tms de mulheres mandou a L. !ó Des. 1608. §. !Ili. qu<~
se désse parle secreta aos seus Prelados.
(b) A Ord. Circul. da lntend. Ger. da Polic. de, •••
:Nov. 1800. mandou aos Corregedores que premiam os
ccclesiaslicos Hegulares ou Seculares que romperam na
escandalosa relaxac;ão de trazer quasi fechada a coroa,
e crescido o cercilio; de frequentar as casas de jogo, e
de prostitutas;. de usar de chinél11s corn bicos á Jnco-
hina e fitas á Republicana : e que os Hegulares fossem
logo conduzido!! aos seus Prelados ou aoConvento mais
,·ir.inbo com uma carta civil; e os Clerigos recolhiJos
no n]jube ou em custodia, e <lahi iemettidos ao Bispo:
o que assim se ficaria obscrrnndo para o futuro.
,los Ecclesiasticos. §. 61. 166
revoltosos e travessos, avisarão aos Prelados, e
não os castigando elles dariío parte a EIRei. O.
I. t. óB. §. 18. Per. M. R. cap. 43,
Poderes MagestaUcos sol>reos Eccksiasticos
delinquentes.
39 Póde ElRei por virtude do poder politico
e economico, e para o fim de proteger os Cida-
dãos: I Mandar desnaturalisar e expulsar dõRei ..
no os Ecclesiasticos perturbadores da ordem pu-
blica. i. O. I. t. 73. §. 9.11. t. 3. Y. t. 69. §. 1. t.
103. Rep. 1. vb. Clerigos revoltosos, e p. 676. 11b.
Correged<»"da. (a)
40 II Encommendar aos Prelados que façam
reprimir ou castigar os Clerigos delinquentes. (b)
(o) .Exemplos. O D. 10 Out. 1710. mandou extermi-
nar e expulsar muitos Frades e Clerigos que davam oc-
casião a perturbações no districlo de Minas, e Capita-
nia de S. Pnulo. No Dsb. lo. 3. tk Dcr.fl. 6. j.
Pelos annos de 17ó0. se acham nos livros do Dsb.
do Paço muitos Decretos mandando exterminar do Rei-
no Frades e Clerigos por culpas de que se fazia queixa ..
ao 'fhrono: e nessa conformidade se affixavam Edilacs.
Dsb. lv. 4. fl. 11. ló. !O. !3. j. !24. 4ó, de. Alguns destes
exterminados foram restiluidos a instancias do Cardeal
Palriarcha. D. afl. 47,
Aqui pertence a expulsão e desnaturalisação dos
Jesuilas. L. 3 Dez. 17ó9.; dos Religioso, de Ullramar
que passam para ns Ordens Militares de Pai•es ealran.
geiros. D. !!4 Out. 1761.; dos Hcclesiasticos que infrin-
gem as Leis da Companhia do Alto Douro, .At. 16 Noo.
1771. §. 4. etc.
(b) &cmplos. 1.° Conhecendo-.se por uma devassa
<lo Juizo secular que os Ecclesiasticos do Arcebispado
de Brnga eram os mnis escandalosos em corromper QI
vinhos de embarque, até aconselhando os Freguezes que
não são obrigados no fôro interno a obedecer ás Leia so-
bre aquelle objecto, declarou a C. R. l!ll Sct. 1771. ao
Arcebispo, que devia prover para fazer cessar aquellc,
abusos tendentes á. iní1delidade e á rebellião.
~66 Liv. l. I. PI. Jtwisdicçáo acl. epass.
-'l III Mandar ás Autoridades ecclesiasticas
comparecer na Côrte em certo prazo a dar razão
de seu procedimento. (a)
4!2 ou: IV Mandar-lho estranhar. (b)
43 V Mandar tomar informação dos excessos
dos Clerigos, e mesmo dos Bispos, por inquiri-
ção de testemunhas: o que tambem podem fa-
zer os Magistrados para dar a EIRei conta fun•
damentada. Rep. I. p. 48ó. vb. C'lerigos.
44 VI Fazer Leis que irroguem aos Eccle-

!2.0 Occorremlo ás vexações que faziam ns Juntas


ccclesiasticas do Estado do Maranhão, mandou a Res.
Cons. e Dsb. 14 Jun. 1687 ., que se escre\'esse ao Bispo
para fazer guardar as Concordatas e Leis respectivas; e
ao Ou\'idor Geral e Go,·ernador para darem conta do
efTeito desta recommendação, com declaração que no
caso de continuarem a haver excessos, os impedissem;
pois "quundo no J uizo ecclesiastico, diz esta Consulta,
se falta á admini,;trnção da justiça, p~de o Principe pro-
,•er á defe3a de seus Vassallos. Nos Logares dist:rntes do
Throno sempre é difficil <lar remedio a taes dnmnos."
No Dsb. lu. 10.fl. ô8.
s.0 Havendo o Bispo do Maranhão nomeado para
Visitador do Bispado um Clerigo de máos costumes e
de poucas lcttras, mandou a &s. Cons. Dsb. 14 Nov.
1688. que se escrevesse ao Bispo, para que nomeasse
um \'isitador idoneo, e que no caso de o Clerigo conti-
nuar na visita, o Go,•ernador ou Ouvidor o remellesse ao
Reino em o primeiro navio. No Dsb. lt,, 10. Cons.fl. 314.
(a) Em todos os tempos ha exemplos deste empraza·
menlo. Aos Governadores do Arcebispado de Braga, que
tinham deixado de cumprir uma Ordem Regia, e me1•
mo deixado de responder, se escre\'eu para que em vin•
te dias viessem á Côrle dar a razão do não-cumprimen-
to • .&s. Cons. Dsb. 18 Out. 1681. No D,b. l". 8.fl. l3S.
(b) Entre muitos exemplos refiro o do ÂfJ. 28 Ag.
1790. que mandou estrnnhar mui seriamente pelo Cor-
regedor da Comarca ao Cabido de ••• a falta de respei•
to e obediencia que tivera ao seu Bispo, constituindo-se
um corpo acéphalo, etc.
dos Ecclesiastico,. §. 67. 167
siasticos penas adequadas, do que adduzo aqui
os seguintes exemplos:
41'> - Os Clerigos e Religiosos que em suas
casas e Conventos recolherem furtos, contraban-
dos, ou contrabandistas, ou a isso derem ajuda
e favor, são exterminados para 40 a 80 leguas
fóra do Jogar, e pela terceira vez desnaturalisa-
dos. Os Magistrados criminaes lhes apprehen-
dem as cousas <lescaminhadas. Al. 14 Nov. 1767.
§. 3. 4,, v. Al. 14 Fev. 1.77!. Contra os culpados
em crime de tabaco se procedia a temporali-
dades e sequestros em seus bens pela Res. 16
Abr. 1666. -Sobre as penas dos Clerigos recep-
tadores de ladrões, etc. "· Rep. 1. p. 706. oo.
Coutos. O. 11. t. 48.
- 46 - Os Ecclesiasticos atravessadores de pa·
lha são punidos segundo o Al. I Jul. 17 f>!. §. 7. :
os de outros generos ou fazendas segundo o D.
tó Jan. 1679. -Os transgressores das Leis da
Companhia dos Vinhos segundo o Al. 16 Jan.
i 768. §. 6., e até com desnaturalisação e exter-
minio. Al. 16 Nov. 1771. §. 4. (Nos districtos
della são os Ecclesiasticos reputados como lavra-
dores a respeito da factura da aguardente. Al.
10 Abr. 1773. §. 10.)
47 - Os que dão asy lo a desertores são pu-
nidos segundo o Al. 6 Set. 176ó. ;. b. 6.
48 - Dos que sáiem do Remo sem licença
Regia v. k. l. t. dos ausentes.
49 - Os Confessores sigillistas foram sujei-
tos ás disposições Pontificias, e mesmo a penas
temporaes pela L. l! Jmi. 1760.
óO Os criminosos que para subterfugirem ao
castigo, vão fóra do Reino ordenar-se com Reve•
rendas falsas, ficam z'psofacto desnaturalisados.
Al.16 Mar. 1746. L. ló Mar. 1663. Rep.111. p.
:J!l9. vb. leigo que.
~58 Liv. I. t. VI. Juriscli'cçcíoacl. epass.
§. 68. Disposiçóes varias sobre o foro eJurisdic-
çáo ecclesiastica.
Tendentes pela maior parte a prevenir a
usurpação da jurisdicçào secular.
1 Citar parafóra do Reino. Quem fizer ci-
tar a gutrem para responder na Côrte de Roma;
quem appellar para ella; quem impetrar Juizes
Apostolicos fóra do Reino, ou requerer perante
eUes, incorre nas penas da 0.11. t. 13. Mell. I.
t. ó. §. lf>. Rep. l.p. 477. vb. citar não. (a)
t -Se a referida citação for de algum Be-
neficiado sobre impetraçào que alguem tenha do
seu Beneficio, o impetrante incorre nas penas da
cit. O. pr. Rep. cit. p. ,i.77. ; e o Procurador da
Coroa promove officiosamente contra elle. O. ].
t. BL §. 3. L. 7 Ag. lõ6!l.
3 - Nenhuma pessoa secular póde ser cita-
da para ir responder perante alguns Mestre-Es-
cholas ou Reitores de Universidades fóra do Rei-
no. O. li. t. 14. §. 1.
4, lnhlbiioria. Se alguem publicar, sem pre-
ceder beneplacito Regio, alguma inltibiloria, se.,
prohibição de qualquer Autoridade ecclesiastica
para o Juiz secular não conhecer de alguma cau-
sa, aquelle em cujo favor se impetrou a inhibi-
toria, é multado e perde o officio ou tença. O.
li. t. 14. pr. Rep. 111. p. 66. vb. inliibitorias. v.
Man. Pract. cp. '!ó. n. 3. sg. (b)
ó - Nem o Juiz secular se póde dar por in-

(a) Hu,·enJo o Colleitor feito intimar ao Prior da


Igreja <le Oui<lo;iuma citatoria para responJer em Ro-
ma, mandou a C. R. 1. !8 Out. J 61b. representar a S.
SanliJa<le as razões por que não se podia levar á dita
cidade aquclla causa nem outra alguma, e Jizer-se ao
Colkitor qui, sobrccstivcsse na citntoria.
(h) Exemplo Jc incivil e allenlalira inhibiloria hou-
dos Ecclesiadicos. §. 68. · 169
hibido, e fazendo-o se aggrava delle para o Jui-
zo da Coroa. O.]. t ... §. l I. Rep.111. p. ló 8. ub.
Ju.izo ela Coroa, e cit. p. 66.
6 - Esta doutrina procede indaque o Juiz
secular se intrometta a conhecer de causa perten-
cente ao Juiz ecclesiastico. Yal. Cons. Jó9. n. 14.
7 Se algum Juiz ecclesiastico pretende im-
pedir com censuras a· execução de sentença ou
Ordem da Relação, promove contra isso o Pro-
curador da Coroa. O. 1. t. rn. §. 3.: pois um dos
principaes deveres deste Officio é defender a ju-
risdicção Real. O. l. t. l!. §. ó. 6. Rep. JY. p.
!ô!88. vb. Procurador ela Coroa.
8 Os Juizes seculares que constrangem os
Clerigos a responder no fôro secular em caso in-
competente, são fulminados pelo D. Canonico
com excommunhão e outras penas {tiiolaçáo do
foro clerical): comtudo não póde esta disposição
ter effeito, porque a jurisdicção dos Juizes ec-
clesiaslicos nas causas temporaes, lhes vem do
Soberano. "· Cav. Y. cap. b. §. H.; e porque a
transgressão dos privilegio~ e mercês concedidos
pelos Reis á Igreja, deve ser punida pelos Ma-
gistrados. i. Prov. 18 Jmi. 1766.
9 Renunciar ofôro. O Clerigo póde, mesmo
expressamente, renunciar ao privilegio do seu
fôro, e consentir no Juizo secular, não sendo a
materia espiritual ; pois nisso n~o faz senão re-
nunciar a um beneficio seu, e reverte a jurisd.ic-
<;ão ~ sua origem. Cav. Y. cap. ~- §. 16. 17. Cu-
Jac. rb. O . .Affons. 111. t. ló. Rzeg. 11. §. 8á~.
e tzot. ( a)
Vt? na que a Rota Romana publicou em !O Fev. 16Jó.
coDlra II Ca,;a da Supplicnção, para não conhecer de
um embargo dt! no\'a obrn, t? remetler os autos áquellc,
Tribunal. v. Dedur,ç. Chrcmol. pi. l. dids. 7. §. t>.61.sg.
(n) Esta é a opinião de bons Autores, e a disposi~
160 Liv. I. t. PJ. Jurisdicçdoact. epau.
10 -Pelo contrario o Leigo não póde renun-
ciar o J uizo secular, nem consentir no ecclesias-
tico nos casos em que não lhe é sujeito; pois a
jurisdicção ccclcsiastica é improrogavel, indaquc
ambas as Parles consintam. Peg. cit. cap. 11. n.
!lt6. O. II. t. l. §. 14. Rep. l. p. 31. vb . .A,ttor
que, ep. 4,7f>.vb. Cilanclo. Ya11-Espen, pt. 3. t. ~-
cap. 8. n. 17. 18. Cav. P. cap. t. §. 20. Pai.
Cons. 6f>.
11 Effeitos da incompetencia. Se o Juiz ec-
clesiastico toma conhecimento de caso incompe-
tente, indaque as Partes- consintam, é o proces-
so e a sentença nulla e inexequivel, e compete
recurso ao Juizo da Coroa. Peg. i.for. cap. 11.
n. t. Pan-Espen, pt. 3. t. !i?.cap. 3. n.17.18. Rep.
1.p. 31. vb . .Autor. i. 0.11. t. 1. §. 14. Rep. J. p.
470. r,oo.JJ. p. 374. vb. execUfáO ,ião. (a)
li - porém segundo a praxe louvavel, neste
e semelhantes casos de remessa de autos de um a
outro Juizo por incompetencia do primeiro, sub-
siste o processo e as provas, annullada sómente
a sentença (se já a havia), salvo se algumas das
Partes o impugna por algum prejuizo. Pal. Cons.
66. §. Memoro. Yanguerv.pt.4. cap. 3t. n. 8. seg.
Cab. tlec. 36. n. ult. dec. f>9. n. l. Bep.11. p.160.
tJb. erro do.
c_;ãodo D. H. na L. l29. C. de pact. L. ól. C. de Episc.,
e do Direito Canonico antigo. Cav. cit. cap. f>. §. 14. sg.
C1yac,Stryck. Hei. ibi. Com tudo as Decrelaes prohibiram
a renuncia expressa de~te privilegio. cap. 1!. :e. for.
compet, v. Yan-Espen, pt. 3, t. J. cap. 4. n. ló. sg. Cav.
cap. b § 14.. ló. e cap. 6. §. !M. !!6., e as seguiram os nos-
sos D D. e alguns dos estrangeiros. Peg tJ,,for. cap. 11.
n. 1!f>. Barb. ibi.
(n) Não p6de portanto o Juiz secular executar tal
sentenga. O cit. §. 14. &p.11. cil. p. 374., e mal opinou
o contrario T'al. Cons, 48. n. 9., illudido com o cap.jin •
.:r. ta:ccpt. in 6.
elos Ecclesiasticos. §. 68. i61
1 a - e portanto antes de tudo manda o novo
Juiz dar ás partes. cit. Yal.
14 Quem demanda a outrem no Juizo ec-
clesiastico em caso incompetente, paga 30 cru-
zados e as custas em tresdobro. O réo, contes-
tando a dita causa, incorre em igual pena. O.
li. t. t. §. 14. Rep. 1. p. 31. e 11. p. 16. tJb,
demandar.
ló Nos casos em que o Juiz secular tem ju-
risdicção sobre o Clcrigo, a tem igualmente para
a execução da sentença e suas dependencias,
~omtanlo que esta não se faça em bens da I_gre-
.1ª· 0.11. t. 7, Peg. !i!. for. cap. 11. n. 203. Rep.
J. P· t8ã.
- a disposição contraria rege no caso op-
posto, se., quando o Juiz ecclesiastico tem ju-
risclicção sobre o Leigo. §. 63. n. 7. seg. li. l.
16 Aquellc que julga ter direito para se re-
metter a causa ao Juiz ecclesiastico, deve pro-
pôr no secular a declinaloria; e não deve impe-
trar advocatoria ou inhibi toria do Juiz eccles1as-
t.ico :· o que especialmente se praticava a respei-
to dos Conservadores ccclesiasticos. arg. 0.11.
t. 1. §. !23. ll7. Bep. 11.p. 189. vb. Donatos.
17 Os Tabelliães do Judicial ou Notas não
podem trazer coroa aberta, sob perdimento do
Officio. 0.1. t. 80. ;. 4.
18 Questâo de JUrisdir.fáo, A questão sobrE
competencia de jurisdicção entre o Juiz secula1
e o ecclesiastico, pertence ao J uizo da Coroa.
0.11. t. I. §. 16. J. t. 9. §. 11. Cab.11. dec. 118.
ear. 4. Peg. 'l..jor. cap. 11. n. t. E assim se usa
tambem nos outros Reinos. Yan-Espen, pt. 3. t.
3. cap. !!. n. 11.
19 - Se a questão versa sobre mero facto,
como, se o· litigante é Clerigo ; se goza do privi-
legio; se deve ser remettido, conhece o Juiz se,
2füJ Liv. I. t. ri. Ju,·üdic:çâo ctc:l.e pass.
cu lar, quando ella incide no seu J uizo, e tal é a
praxe geral, não obslante a contraria disposição
das Decretaes. Cav. /7. cap. 7. §. 14. /7an-Es-
pm, pt. 3. t. 1. cap. 6. 11. ~l. i3. i. O. li. t. 1. §.
t. v. Bep. 1. p. 486. 4HO. vb. C'lerigo de; onde
sem razão 1ambem o conlrario. Barb. á O. 11.
t. 1. §. 17. n. 3. 4,. DD. ibi. -Pois o Clerigo ci-
tado pelo Magistrado deve comparecer e allegar
seu privilegio. Yan-Espe11,, cil. cap. 6. n. tõ.
Cav. cit. l. 14. Feb. pt. t. ar. 100. Rep. I.p. 486.:
o que a rcspeilo do Clerigo Minorisfa é expres-
so na O. 11. t. 1. J. ! 1. ·
!O - Se a questão fosse sobre a validade da
Ordenação, devia rernetter-se logo no Bispo.
Cav. cit. §. 14. Barb. ao cit. §. !27.n. a. 4.
11 Sustentação dajuri"sdicçáo R. I Os Pre-
lados e Juizes ecclesiasticos que usurpam n ju-
risdicção Real, são chamados a dar no Desem-
bargo do Paço a razão do seu procedimento, nos
termos da O. 1. t. u. §. 6. Rep. II. p. 46. vb.
Desembm·gadores do Paço. I11. p. 118. vb. Juiz
ecclesiastico.
~! - II Os J uizes Ordinarios e de Fóra não
devem consenlir que os ditos ecclesiasticos usur-
pem a jurisdicção R., ou impidam a arrecada-
ção dos direitos RR.; e darão parte aEIRei. O.
1. t. 66. §. I 6.
!3 -·Tambem os Corregedores devem man-
ter illesos os direi los da Coroa e a jurisdicção R.
contra as usurpações dos ecclesiasticos, e se in-
quire disso em suas Residencias. O. 1. t. ~o. 1.
b. seg. Rep. JY. p. bl7. vb. Residencia se.
t4 -Nisto devem porém proceder civilmen-
te e segundo as Leis . .Av. to Mar. J78!l.: pois
em regra . aos n:iesmos ecclesiasticos toca o des-
fazer a violencia ou abster-se da usurpação, e
não ás Autoridades seculares. O. I. l, u. §. 6.
elos Eccksiasticos. §. 68. 263
ibi-ndo quiurem desistir. Rep. li. p. 46. vb.
Desembargadores. (a)
!!ó Processo ecclesiastico. A Igreja não tendo
nas materias temporaes autoridade nem fôro pro-
prio Cav. Y. cap. 6. §., foi o seu fôro por onze
seculos meramente interno e sacramental : de-
pois se introduziu tambem o externo, que se
exercita com as formulas e estrepito forense, por
concessão ou consentimento dos Principes secu-
lares. Cav. cit. §. õ. v. §. 66. §. 1. 6i.?. n. I. li. l.
!6 -Portanto as causas tcmporaes movidas
no Juizo ccclesiastico, inda entre CJerigos, de-
vem ser processadas e decididas peJas Leis. i .
.Al. li O,,t. 1786. §. li. Ba,·b. á O. II. t. 10.11. J.
t. Cab.11. dec. 11. 71, 3. e/. dec. 17. n: 4. L. 4.1.
7. lv. 3. Recopil. JJlell.IY. t. 7. §. 33. et. S?3. §. !21.
not. Yal.fur. emph. qt. 7. n. !õ. (b)
17 - As appcllações nas mesmas causas de-

(a} As Justiças ordinarias não devem contrariar ou


impedir a usurpação da jurisdicção H. ou outros excc~-
sos dos Prelados directnmt>ntt': ,., e , sol lar o Leigo qu,!
oJuiz eccle~iastico incompetentemenle fez prender; pois
eS&aautoridade compele uo ,Juizo da Coroa, e assim se
de,·e intender n cil. O I. t. (if>.§. 16.; mas s6mente de,
vem dar parle a ElHei, e ern ll~rmos habeis m·isar ur-
lianamente ao Bispo, protestar, ele. Rep. }li, p. 24i.
vb. Jui1 náo. arg. O. ll. t. 9. §. 1. ibi - contradictada p<>r
nossos Officiaes. - Per. Pr.g. etc. no cit. Rep.
Aos Corregedores comtud1> parece permillir mais
algumaautoridade acit O.I.t.60.§, 6.7.et.ó8.§. ló.,
ao menos quando hn perigo na demora."· Rep. JY. p. !b7.
(b) Comtudo s,•gundo n disciplina presente nos Jui-
zo~ ecclesiosticos em parte se processa segun<lo as Cons-
tituic;ões dos Bispados e os E&tntutos <los seus Tribunaes.
Yan-Espen, pt, 3. l. 7. cap. 1. n. 17.: e sómente se obser-
vam algumas Ordd., como, sobre concessão de Cartas
de seguro, citnc;ão por edictos, e geralmente nas causas
contra Leigos. v, Oliv. Por. Eccle"s.qt, S7. a n. t, Thcr,md.
dec, 71, n. 8, 9. Menà.pt, 1. ei, lv, !t.
!64 Liv . .l. t. 1'1. Jm·isdicçúo act. e pass.
viam subir ás Relações seculares. Mell. 1/7. t.
13. §. II. not.; porém segundo a disciplina rece-
bida, vão ao respectivo Metropolitano, ou omisso
medio ao Legado do Papa; e na sua interposi-
ção e seguimento ha muitas singularidades, de
quev. Mend. lv. 1. cap. 1. seg. Peg. tract. decom-
pet. pt. t. cap. 74.
!1!8 - No processar das ditas causas devem
os Juizes ecclesiasticos usar de multas, lança-
mentos, e outras penas legaes contra os contu•
mazes, e não de censuras ; pois exercitam juris-
dicção temporal provinda do Principe; reprova-
da a prática dos monitorios e de munir os des-
pachos com ameaça de censuras. v. cit. Al. 18
Jan. 1765. j. " Que ainda que as censuras. "
Mell. 1. t. 6. §. f>3. e not.
t9 - doutrina extensiva á Nunciatura. v.
Mell.1/7. t. 7. §. 34. enol. DD. ibi.
:JO - Sendo a causa contra Leigos, não os
podem os Juizes ecclesiasticos prender, penho-
rar, ou executar suas sentenças ou quacsquer pe-
nas temporaes, senão implorando o auxilio secu-
lar. O. II. t. 8. §. 1. i. Mell. I. t. õ. §. f>4,. f>5. v. h.
l. §. 63. n. 7. seg.
3 l O Clerigo não é admittido como autor no
Juizo secular sem dar fiança ás custas, aliás se
àhsolve o réo da instancia. O. Ili.· t. !lO. §. 6.
Silv. ibi. Rep. 1.p. 8. vb. absoluto.
- nem a querelar elepessoa secular sem dar
fiança ás custas e á indemnisação. O. Y. t. 117.
\. a., sob nullidade na queréla. Bep. I. vb. Cle-
rigo querendo.
Ditas sobre o f ôro ecclesiaslico criminal.
31 No processo criminal deve guardar-se a
mesma ordem legal, que fica exposta cerca o ci-
vel: e portanto preceder devassa, queréla, ou de-
,los Ecclesiaslicos. §. 68. 166
nuncia com seu summario. O. Y. t. 117. §. 1. t.
119, t.1 !26. §.11. I. U9. ~.1. Í . .Al. !OOtd.1763. §.1.
33 lnquirindo o Jmz secular testemunhas em
alguma devassa ou denuncia, se ellas depõem
contra Clerigo, remette os seus depoimentos ao
Juizo ecclesiastico. O. II. t. 1. §. 14. Y. t. 88. §.
16. Rep. ]. vb. Clerr"gosestando.
34 _ACarta de seguro concedida ao CJerigo
pelo seu Juízo, se lhe deve guardar no secular.
0.11. t. 1. §. ~,. llep. I. p. ó08. 1:b.Clerigo.
3ó Ao Clerigo livre por sentença do Juízo
ecclesiastico mandam os Corregedores da Côrte
guardar a sentença, constando que é Clerigo de
Ordem sacra ou Beneficiado. O. IL t. 1. §. 1~.
Per. M. R. cap. 4!.
36 Remessa do r'éo. O CJerigo de Ordem sa•
era ou Beneficiado, preso por crime, deve o Juiz
secular remeUê-]o immediata e officiosamente ao
seu fôro, apresentada que lhe seja a Carta d'Or-
dens ou do Beneficio, e não obstante appellação
ou aggravo. 0.11. t. l. §. !3. 17._19 . .Al. 21 Oul.
J76a. §. !. :1. Rep. l.p. 486. e 490.
37 -Tambem esta remessa póde fazer-se
por achocatoria do Juízo ecclesiastico, na qual
se insira a Carta d'Ordens. O. II. t. J. ·§. !.7.
Per. clec. ó8. n. U. e M. R. cap. 4ó. Rep. ]. p.
4,86. vb. Clerigo quando.
38 -Não precisa pois de formar excepçlo
declinatoria, salvo se se duvída de ter aquellas
qualidades, ou de as haver obtido depois ao de-
Jicto. 0.11. t. 1. §. !21. Rep. l. p. 489. : e duran-
te esta questão se é Cleri,go, se goza doprivilegü,,
é conservado na prisão secular. Rep. J.p. 491.
39 - E não estando preso, deve ser re~et-
tido sem ir á cadeia. Bep. I. p. 490. vb. Ckri-
gos. O que comtudo se deve regular pela quali-
dade da culpa.
PART. •• 18
!66 Liu. l. I. PI. Jttrisdicçdo acl. e pass.
40 Pelo contrario a remessa do Minorista
nunca se faz officiosamente, nem por Precatorio
do Juizo ecclesiastico, mas de\re elle formar a
excepção declinatoria; ajuntar Cartas d'Ordens;
e provar os tequisi tos acima §. 67. n. 4. seg. pe-
rante o Juiz secular. O. JI. t. 1. §. !7. Rm·b. ibi.
Y. t. H4. §. 13. Rep, JY. p. 486, J. p. 490. vb.
Clerigo ele.
41 -- Para formar esta excepção, deve apre-
sentar-se na prisão, ou o Juiz secular o manda
prender; cousa que deve praticar sempre que o
que se livra no Juizo secular declina para o cc-
clesiastico ( c/1amar-se ás Ordens) ; pois ha de
ser remeUido preso; se tiver Jogar a remessa. O.
P. t. H4, §. 13, 11. t. l. §, i4. !ó, llcp. I. p.
4!4. (a)
41 --- E portanto se se livrasse sobre Carta
de seguro ou Alvará de fiança, se lhe t}uebra lo-
go o seguro. O. Y. t. l2ó. §. 13.; e perde a fian-
ça, para o Hospital de Todos os Santos. O. Y.
I. 13'2. §. !2. cit. Rep. l. p. 4~U..; e tendo Officio
secular, o perde pelo facto de se chamar ás Or-
dens. O. li. t. 3. §· 1. cit. Rep.; e neste caso os
Procuradores Reg1os, e nas Provincias o Juiz da
causa devem procedersegundo aL. 6 Dez.161!2.
§. 16. -Se o Promotor do Juizo ecclesiastico é
quem requer a remessa das culpas que o réo tem
no Juizo secular, este não as remette sem dar
conta a EIRei. cit. §. 16., o qual§. comtudo nem
sempre se tem observado. "· Rep. 111. p. ó34.
tJb. rMrcêsque.
43 -- Não formando o Minorista a excepção,
fica prerogada a jurisdicção doJuizo secular. O.
11. 'l. 1. §.17.
(a) F.1ta Ord. se limila no Cavalleiro das Ordt-ns e
Commendador que se remelte solto no seu foro. Rep.
p. 4H. "6. chamando-se com. Per. ibi.
tios Ecrlesiaslicos. §. 69. 167
44 - A parle pódccontestar esta excepçlo.
O. Y. cit. §. '1.7.
45 -Até ,, decisão é conservado na prisão.
O. Y. t. 114. §. 1a. Yaz, .Alleg.19. n. 11. Rep.
J. p. 491.
46 -Se o Juiz secular julga provada a ex-
ccpção, appella officiosamente da sua decisão.
u. li. t. 1. §. ~8. t. 6. \. 9. o.t. 114. §.
47 Em todos os casos se remctte com o réo
a culpa por traslado concertado e cerrado. O.
II. t. 1. §. 24. Y. t. 88. §. 16. I. t. !24. §. 34.: se o
processo subiu já a superior instancia, se trasla-
da o accrescido. O. cil. §. 34.
48 - A n les da Remessa pa_gao réo as cus-
tas do processo e pessoaes. O. III. I. 67. §. ó. I.
cit. t. t4. §. 3-a,. Barb. á O. II. t. 1. §. t4. Rep.
I. p. Hó.
Connexáo.
Para se conf.er nos justos limites a jurisdic-
ção dos Ecclesiasticos, e se manter ilJesa a au-
toridade do Hei e dos seus Magistrados, se ins-
litui u o rcmedio do Recurso, de que agora tra ..
tarei.
TITULO VII.

RECURSO AO JUIZO DA COROA.

§. 69. Legilimidade e ,iatt1resa deste recurso.


Este recurso funda-se no direito e obriga-
ção que tem o Soberano de prote~er os Cidadãos
ecclesiasticos ou seculares das vtolencias feitas
pelos J uizes ecclesiast.icos, e de manter illesa a
jurisdicção Real: o qual direito e dever são in-
separaveis da Soberania. v. 0.1. t. 9. §. lt. Mell.
I. t. :,. §. 57. :,a.JY. t. t3. §. t9. Yan-EB'J'ffl,
18.
!68 Liu. 1. t. PI/. Recurso
lract. de recurs. ad Pn1u:ip. cap. l. no tom. 10.
Salgad. de Reg. protect. pt. 1. cap. 1. e de Sup-
plic. ad Sa,ictiss. pt. 1. cap. l. n. 109. seg. Por-
tug. don. lu. i. cap. 31. ri. 3. seg. Rep. III. p.
H>8. seg. 11b.Juiz da Coroa. Covarruv. qt. Pract.
cap. 36. (a)
t É remedio universal, praticado desde tem-
po immemorial em Portugal, e nos mais Estados
Christãos desde remotissimos seculos da Igreja.
Res.-lOJuZ. 1668. Mend. cap. 1. n. 7. Cau. PJ.
cap.34.§. l.õ.7.8.9. (b)
·3 Os mesmos Nuncios Apostolicos reconhe-
ceram sempre a sua legitimidade, na occasião
de apresentarem os seus Breves Facultativos.
Res. !BO.Jul. 1688. (e)
4 A suajõrma e praxe é diversa nos diver-
(a) Neste sentido se den)m hoje tomar as pala nas da
cit. O. t. 9. §. 11. -que o Rei r&âoconhece pur via de .iu-
ri,dicçáo, mas como Rei e Senhm·. 1.1.cit. Rep. II/. p. ló9.
(b) Tem diversas denominações nos ditrerentes füta-
dos. Na França se chama appellatio ab abusu; na Bel-
gica Recurso ao Principe; na Hespanha Regia Protectio.
Cav. cit. cap. 31, §. 1. 6. sg.
Este rt'medio se tornou mais necessario depois que
caíram em desuso os Synodos Provinciues, que se reu- ,
niam duas 'Vezesno anno; e depois que ns causas eccle-
siasticas são tratadas s6 no J uizo do Bi~po ou do seu
Vigario, e não nos Synodos ou no Presl,ytt!ri<>;mostran-
do lambem a experiencia que o remedia dn appellação
para o superior do J uia: ecclesiaslico é mui moroso, e
que mais ve.zes apresi•nla exemplos de indulgencia para
com elle, do que de recta justic,;a. "· Cau. §. t6. P an-Es-
?", cil. ':°!'·'I. ~- 6.
· (e) Portanto havendo o Nuncio mandado prender
dous Frades por terem recorrido do seu Auditor, se man-
dou eatranhar a este ,erbalmente na Secretaria de Es-
tado o seu procedimento, advertindo-lhe que, se tornas,e
a praticar taes violencias, se teria com elle maior de-
monstração. cit. Re,. Cons. D,b.!OJul.1688. no lu.10.
fl. !66. ,.
ao Ju·izo tla Coroa. §. 69. 169
sos Estados. Em Portugal pela piedade dos Se-
nhores Reis se concederam aos J uizes ecclesias-
ticos nos Recursos mais amplas faculdades, e
uma fórma mais favoravel que nos outros Paizes
Catholicos. D. 4 Out. 1686. .Av. ó Jul. 1671.
na Suppl. lv. 10. jl. 18i. j. Cav. cit. §. 34. §. ó.
seg. ( a)
(a) Por occasião de preteuder o Nuncio que se désse
norn fórma aos Hccursos, decidiu a Rcs. Oins. Dsb. 3
J,il. 167\2., que se consenasse a f6rma antiga inaltera-
velmente, e que nesta conformidade se e~crevesse ao
N uncio. Nessa Consulta, approvada pela cit • .Res., se
expoz a legitimidade e pratica dos Recursos, e poa:o
quanto é luminosa, dou aqui o seu fiel resumo: .
I "Havendo elita Mesa visto o incluso papel .do
Nuncio actual sobre a nova f6rma que pretende se dê
aos l{ecursos á Coroa, se lastíma que tendo elle pro•
mellido obsennr as Leis e Estvlos deste Reino sem in-
nova<são, comece animosamente a perturbá.-lus na ma-
teria mais melindrosa da jurisdicção Real; e com laola
felicidade para o seu intento, que coo§eguiu já fazer sus-
pender o Recurso á Coroa, despojando a V. A. desta
preemincncia de Principe Soberano, e ao, seus Vassal•
los da natural defesa, ficando expostos a todo o genero
de violencias, com que o Auditor do mesmo N uncio se
quer fazer arbitro ab~oluto dos Juiaos eccle:.iaslicos. É
tal a materiu, que merecia que o Nuncio não sómente
não fosse ou,·ido, senão lambem reprehendido pela ani-
mosidade do seu intento; pois praticando-se o Recurso
ao J uizo da Coroa neste Reino desde o seu principio até
o presente, não se lê que algum Legado a latore, Nun-
cio, ou Colleitor até agora pedisse allernção ou reforma
~obre um meio, pelo qual os Soberanosdefendern os seus
V assallos das oppressões e forças que &.e lhes fazem nos
Juizos ecclniasticos; oque é tãoinherente aoPoderMa-
gestalico, que elltis de si o não podem derniltir, porque os
Vassallos voluntariamente r,·nunciaram n sua liberdad~,
e se lhe sujeitaram para serem por elles amparados e
defendidos: direito este que deriva dn mesma natureza
da Soberania e do Direito Natural e Divino, e que por
consequencia não ·necessita de privilegi•> da Sé Aposto-
St70 Liv. I. t. Yll. ·Recurso
:, E se recommenda aos Juizcs da Coroa que
se hajam nelle com grande circumspecção, e o
admiltam sómente nos casos legaes: o que as-
lica ou de Concordata .•• e é ol,rigac;ão <lo, mesmo, Prin-
cipes zelar sempre com muito cuidudo a conservação da
jurisdicgão de que estão de posse, especialmente n rns-
peilo da Sé Apostolica (Curit1 Romana) com quem con-
tendem com armas desigunes, peln veneração a que os
sujeitam as Rei.oluções dns Papas.
II Quanto á fórma praticada nos Uecursos ao J uizo
da Coroa, ella caminha com tanto vagar e meditação
que nada deixa desejar a qurm buscar a justiça e ,·er-
dade. Poi~ primeiramente se encommenda em nome de
V. A. ao Juiz ecclesinstico, que mostre não ser funda-
mentada a queixa '10 Recorrnnte, pela verdade do fac-
to, ou pelas razões de Direito, Se assim o moslrn na
sua resposta e que o seu procedimento foi lt!gal, não se
defere ao RecuNo; se pelo cunlrurio se dá ndle prO\·i-
mento, &e encommenda e roga ao <lilo Juiz que desi~la
da violencia que faz: é permittido ao Juiz replicar:
examinados os fundamentos <laréplica, se expede st>gun-
da Carta rogatoria: se esta lambem se não cumpre, re-
mellem-se os nulos ao Desemlmr~o do Paço, onde ou-
vido o Juiz ecclt>siasli<'o, o da Voroa, e o Procurador
-desta, se toma Assento com Luota consideração, c1ue na
Judda se JeciJe sempre a favur Jo Juiz ecclc5Í:istico.
Ili Tão pouco fundameulo é o e,crupulo do Nun-
c:io a respeito dos Magistrados que julgam o Recurso;
pois são os Juizes e Procurador da Coroa, a cujos Ioga•
res não a&cendem senilo os de melhores Jellras e proce-
dimento, e largn pratica da matt>ria de &J?;gravos;e tem
sempre os Regedores cuidado de lhes dar por Adjuntos
Uli melhores Lcttrados. - Sobe finalmente o proce,;so ao
Desembargo do Paço, que rt>gularmentc ,;e compõe dos
Magistrados muis provectos, inslruidos por largu upe-
riencla ndquirida nos maiore1 Jogares de lettrns.
IV Tal tSa natureza e praxti do Recurso instituido
e conservado pelos Predecessores de V. A. com o con-
selho dos mais doutos Lettrados do lleiuo, e usado com
pequenas dilTeren(ias em tudos os EstadOII da christamfa-
de. E por taes razões, bem como por ser um a:'(ioma po-
lítico, que 110 governo civil naJu se deve iunuvur sem
ao Juizo da Corôa. §. 69. 171
sim se usa tambem nos outros Estados Catholi-
cos. Cav. cap. 34. §. !2. ló. (a)

grande necessidade; quão grande absurdo não é querer


o Nuncio, induzido por um Amfüor que não passa de
Grammalico, que se<lecidam os Recursos em uma Jun•
ta sem experiencia, na qual elle venha a ser Juiz em
causa propria, e que se dê logar a duvidar-se da juris.
dicc;â'.odo Juizo da Coroa e do Desembargo do Paço,
para se pedir supprimento ao Papa, o qual acaso pode-
rá duvidar sobre a concessão da Junta, sobre o modo da
sua organisação, ou sobre os Ministros de que se deva
com pôr, fazendo-os 'iaír füra dos Tribunaes, onde, segun-
do a expressão do Senhor D. João IV. de saudosa memo-
ria, até as paredes ajudam a fazer justiça?" No D,b.
'"· 6. fl. 63.
Em consequencia desta Res. se dirigiu no Nunclo
o seguinte Al. ó Jul. u Mandando S. A. Vt'r pelos Tribu-
nae:1 compelentes e por outros Ministros de inteireza e
satisfação o papel que V. lllustrissima lhe offereceu, sobre
a nova f6rma que pretende se de aos Recursos á Coroa,
foi o meimO Senhor servido resolver que não deve alte.
rar-se a fórma quA presentemente se usa, que é ~ mes•
ma que sempre si! praticou desde o principio do lteino
com consentimenlo dos Legados a kitere, Nuncios, e
Colleitores, e a que se pratíca em todo, os lleinos Ca-
tbolicos, st·m oulm ditTerença que a de ser em Portugal
mais fa,•oravel nos Minislros eccle1,insticos, O que o mes..
mo Senhor manda participar a V. lllustrissima para a~
sim o ter intendido, e não intentar ionovor a este re~
peito cousa alguma." Na Supplic. lo. 10.fl. 181, 1.
(a) O D. ló Jun. 1744. allendendo a queixar-se o
Nuncio e os Prelados ecclesiasticois de se terem admit ...
tido pelos Juizcs da Coroa facilmente Recursos frivolos
e sobre malerias privativas da jurisdicção espiritual, de ..
clarou que os ditos Jui?.es se hajam nisso com tal cir.
cumsprcção, que, sem faltarem ao reparo das violencias,
não deem aos Prelados ju~ta razão de queixa. - O .Al.
18 &t. 1801. pr. manda temperar o uso do, llecursos do
modo que por uma parle se evite a vexação dos Cida-
dãos e se conserve illcso o poder Real ; e pela outra se
não abuse delle para se subtrabirem á legilima jurisdic ..
972 L-iv. 1. t. PJI. llec11rso

§. 7 o, Em que caso compete.


1 Os casos de Recurso não são individual-
mente determinados em Direito, e o mesmo sue-
cede nos outros Reinos. v. Mell. cit. not. ao §.
67.n.6.
t Geralmente tem Jogar : I quando o Prela-
do ou Juiz ecclesiastico usurpa ajurisdicção R.,
exercitando a sua sobre pessoas ou casos, em
que não lhe compete. O. 1. I. Hl. §. 6. t. 9. §. li.
11. I. I. §. 14. H>. Mell. l. t. 6. §. õ7. Cav. Yl.
cap. 34. §. i. õ. Al. 11 Ottt. 1786. §. 6.
3 - II Quando faz força ou violencia a al-
gum Cidadão ecclesiastico ou secular ; poster-
gando o Direito Natural, a ordem regular do
processo, ou os Canones recebidos na Igreja Por-
tugueza. 0.1. t. 9. §. l!. Mell. l. t. õ. §. :,7. enol.
Cav. cil. §. ~- ló. 10. H. B.ep.111. p. 161. vb.
Jieiz da Coroa. (a)
4 -. Cumpre porém que o referido abuso elo
Juiz ecclesiastico seja notorio, e cm maleria gra-
ve: bem que no caso de usurpação de jurisdic-
9ão eccleaiastica dentro de seus justos limites. Esta dis-.
po11igãose repetiu no Al. 6 Mar. l8i.f.,
(a) Estes dous cnsos são expressos no clt. Al. 1786.
~. 6. ibi ..- da molencia, exasso, ou falta de jurisdicçáo
ila parte dos .Ecclesiastico1.-Coherentemente no Al.13
Ag. 1770. se disse ao Nuncio: "que tudo o que prati-
casse ou permittisse praticar-se em offensa das Leis e
louvaveis costumes e privilegios deste Reino, ou de que
se haja de seguir perturbac;ão ao socego publico ou á
administrac,;ão da jusliga, se tomaria conhecimento no
Juizo da Coroa,,, NaSu:ppl. lr,.17 ..fl.197.: e o Ar,.14
Jun. 1744. §. 1. e D. ló Jun. cod. declarac;ão, que no J ui~
zo da Coroa se conhecerá do que no da Legacia se pra•
ticar contra as Jimitac,;ões que se fazem aos Breves Fa~
cultathos dos Nuncios.
ao Jui,:,oda Coroa. §. 70. 173
ção R., se não requer a notoriedade. i. O. cit. §.
9. Cav. cap. 34. §. i. ló. Rep.111. p. 160. 11&:
Jui'l da Coroa.
ó - Neste caso de usurpação de jurisdicção,
e em alguns outros o Procurador da Coroa deve
interpôr o Recurso officiosamente. O. 1. t. U. §.
3. Per. M. R. cap. 60. n. 44.
(; De que actos. O Recurso procede qualquer
que seja o acto, em que se verifique algum dos
ditos dous casos de usurpação ou violencia, e
quer o pratiquem como 1.Winistrosda Igreja, quer
como Delegados do Soberano, v. c., despacho,
sentença, mandado, assento, decisão tomada em
Constituição do Bispado, Concilio Provincial, Vi-
sita, Pastoral, etc. Mell.1.1. ó.§. 67. not. ,i. Jll.
Pedr. Marc. Concord. lv. 44. cap. !W. n. 6.
7 -quer o gravame seja judicial, quer ex-
trajudicial. Per. So. not. 66,J..: e qualquer que
seja a causa, espiritual ou temporal, e qualquer
a instancia. cit. not. 664. Rep. 111. p. 168. ub.
Juiz da Coroa. Cav. cit. cap. 34. §. 6. ( a)
8 - Como : I quando procedem por censu-

(a) Neste sentido se ha de intender o Al. ló Ju.n.


1790. que modernamente dt!clnrou não compelir Recur-
so dos despachos do;, Bispos, tendentes á observancia ou
dispensa das Leis ecclesiasiicas. O J uizo da Coroa não
conhece do Direito, principnlmeole sendo a meteria es-
piritual ou sugrada; mas do fa<'to, se., se o Juiz eccle-
siastic-o fez violencia; se usurpou a jurisdicção; se o seu
despacho olTenJe os Canones recebidos ou as Leis. U,-
tmrrm,. pract. qtirest. cnp :J:'>.Cav cit. cop. :l4. §, !O. 21.
Yan-E$pen, Recurs. ad Princ. cap. :J, §. 7. ; e portanto
quando modernamente diz o Al. 6 Mar. 18~-i. , que não
se admiuam Hecursos sobre malerias que locam priva-
tivnm1mte á jurisdicção espiritual, se deve intender ou
copulnLirnmente com a outra circumslancia ibi-,endo
f,·ivolo, -, ou para o lim de se conhecer do Direito e
não simplesmente do facto.
174 Li"v. 1. I. Y 11. Rec11,rso
ras injusta ou incompetentemente. Yan-Espen,
tract. de recurs. cap. !.: no qual caso o Juiz da
Coroa, conhecendo simplesmente dofacto, de-
clara nulla a censura se ella é contraria aos Ca-
nones recebidos na Igreja. v. Al. 10 Mar. l?(i4.
e 18 Feu. 1766. i. O. li. t. 14. Mell. cit. not. n.
Ylll. "· lt. l. §. 7t. ,i, seg. (a)
n - ou : II quando de facto perturbam o
possuidor na sua posse. Yan-Espen, tract. de rec.
cap. 1. 4.
10 Não se admitte Recurso: I sobre paga-
mento de dizimos. D. 3 Abr. 1766. na Supplic.
lv. 14. jl. !6f> . .t ., intendido não sómente a res-
peito do Ultramar, mas lambem deste Reino
pelo D. 16 &t. l 76li. no lv. 16.fl. 9.67. (b)
11 - II sobre lançamento ou cobrança da
decima dos Beneficios e de outros bens ecc)e-
siasticos, da qual os Prelados se acham encarre-
~ados: ficando salvo aos collectados o Recurso
1mmediato a EIRei. AI. 18 Sei. 1801. §. !.
U - e bem assim : III sobre os objectos de
(a) A C. R.9.9 Set.1617. decidiu que oU>lleitor não
fizéra força em mandar citar um Alcaide de Lisboa para
ullt'gar os embargos que tivesse a ser declarado excom-
mungado, por hnver prendido urn Beneficiado; porquan-
to, diz, devia o Alcaide allt'gnr sua:; razôes pernnte o
Colleitor, e se este comtudo o declam~se excommunga•
do, lhe ficava então lugar de recorrer ao Juizo da Co.
roa. &ta decisão em um caso purlicular não constituiu
regra, e muitas vezes se ficou julgundo o contrario. v,
&P...111. p. 161. vb Juii da Corou.
(b) Este D. 17M. considP.rando, "que entre Uli af-
fectadas demuras com que ns Ordtms Religiosas do Ul-
lramar embarac;avam o progresso das causas sobre u obri.
gação que leem de pagarem dizimo dos fructos de suns
fazendas (os qunes por Bullas Pontilicias pertencem ás
Tres Ordens Militares), é uma a do!i cavillo:;os Recur-
sos que interpõem para o Juizo da Coroa; prohibc que
nelle se conheça c.le recursos sobre as ditas causas."
ao Juizo Ja Coroa. §. 71. 17'1
administração e arrecadação dos bens das Ordens,
que corre pela Mesa delles. cit. .A.l. §. 1.
§. 71. De quem se fnterpôe; e por qt1em.
1 O Recurso á Coroa se interpõe de todos os
Prelados, Tribunaes, Corporações ou Juizes ec-
clesiasticos, de qualquer ordem que sejam, ordi-
narios ou cornmissarios; sem excepção do Nun-
cio ou de seu Auditor, ou de qualquer outra Au-
toridade que obre cm nome do Summo Pontifice •
.A.t•.H>Jun. 1744. §. 1. i. D. 16 Dez. 1676, i. O./.
t. 9. §. U. Mell. l. ,. 6. §. 67. not. lY. 13. §•.uU.
not. Ger,on. tom. 3. p. !7. te:i:t.l. supra cil. §.
t 9. n. l. 1. k. l.
! -E portanto: I do mero executor que de
facto cumpre a sentença ou despacho cioJuiz ec-
clesiastico: doutrina controversa. t•. DD. tzo Rep.
Ill. p. b96. vb. Meirinlws.
3 - II da Mesa das Ordens e dos seus Juízes
e Conservadores. Res. 16, 30 Mai. 1643. e 18
Jun. 1670. "· D. 18 Nov. 1690. Mell. IY.,: !3. §.
uU. not. Peg. tom. 3, á 0.1. t. 9. §. l!. 11. 6!24.:
1

salvo sobre os ohjectos de administração e arre-


cadação dos bens das Ordens ; pois nelles e nos
outros rendimentos especificados 110§.13. ilo.A.l.
2 Jun. 1774. tem a dita Mesa toda ajurisdicção •
.Al.18&1.1801.§.1. (a)
4 Não se admiHe: I dos Tribunaes Regios.
i. D. 7 Mai. 1699., corno, da Mesa da Conscien-
cia. cit. D. Mell. JY. t. !3. §. ult. not.: do Coo-
(t1) A Res. Cons. Di;b, 18 Jun. Hi70. in<leforiu a pre-
lt!nç:10 que tinha a Mesa <las Ordtins para se não ad•
millir <lella Recurso para o Juizo da Coroa, pelos fun•
danrnnlos fortemente cxpen<lidos na Consulta, e por es-
tar já. assim dcci<lido pelas Res. !6 e 30 Mai. 1663. Dllb.
lv. b. fl. 391.
!76 Li·u. 1. t. Pll. Recurso
selho da Fazenda. L. ~! Dez. 1761. t. 1. §. 1. :
do Conselho Geral do Santo Ofiicio. D. 166i.
emPeg. tom. 3. á O. I. t. 9. §. ui. n. 6~1. Mell.
cit. &.tt.lt. not. declarado Tribunal Regio pelo .A.l.
iO Mai. 1769.
- l E sendo em causa dos Officiacs da In-
quisição, e dos outros Tribunaes della? v . .A.l.iO
Jan. H>80. eRep.111.p. 160. vb. Juiz ela Coroa.
r, - Nem: II dos Prelados Regulares sobre
os procedimentos de correcção ou punição, que
tiverem com os seus subditos 'intra clatistra. O
que não se intende dos procedimeatos que nas
causas delles tiverem os Juizcs Apostolicos. D.
9 Out. 16f>l. e 9 Mai. l6J4. v. cit. Rep. 111. p.
I 58. lf>9.: o que está assim recebido especial-
mente na Peninsula Hispanica. Salg. Suppl. ad
Sanct. pt. !. cap.11. n_.104. Cav.YI. cap.86. §. lf>.
6 - Nem : III do Juiz executor das Bulias e
Indultos da Santa Igreja de Lisboa, em quanto
se não mandar o contrario. D. i8 Set. 1761. na
·supplic. lv. 16. fl. ~ 1\\?. j.
7 - Nem : IV da Junta da Bulia da Cruza-
da e de seus Deputados, cuja jurisdicçào é ci-
vil e temporal pelo Regim. 10 Mai. 1634. §. 11.
D. :, Jul. 1696. Per. M. R. ca_p.8. n. 3. Mell.
ci'I. not. ao§. !3. O que não se mtende doCom-
missario Geral, como Delegado do Papa em quan-
to exercita jurisd icção ecclesiastica. Per. cit. n. 3.
Salg. cit. n. 38. Mell. cit. v. Rep.111.p. 160. (a)
(a) Sobre n interposição de recursos doCommissario
Geral da Bulia mandou n C. R. Ili. !8 Set. 16':29. que
se guardasse n Provisão que hn sobre os privilegios delln;
e que, se além do;1casos alli decl11rados acontecer algum
em que se haja de recorrer ao Juizo da Coroa, se dê
primeiro conta a ElRci suspendendo-se entretanto todo
o procedimento por ambas as parles. v. C. R. Ilf. ~Ul
Fev. 16!9.
ao Jui,;o ela Coroa. §. 71. 177
. 8 Quem. Todo o Cidadão ecclcsiastico ou
secular póde interpôr este Recurso. Cav. cil.
cap. 34. §. 14. ·
- O Procurador da Coroa o interpõe offi-
ciosamente nos casos do §. 70. n. ó. h. l. 1.
§. 1!. Praxe do Reci,rso.

No Juizo da Coroa.
1 A praxe do Recurso já acima indicada na
Consulta e Res. 3 Jul. 167i. é a seguinte:
O queixoso representa no J uizo da Coroa
por petição circumstanciada a usurpação ou vio-
Jencm.commettida pelo Juiz ecclesiastico: a este
se dirige Carta para responder e rcmelter os au-
tos. O. 1. t. lt. §. ó. Per .. So. nol. 664-.
t Com n sua resposta ou sem ella se manda
por Acordão dar visla ao Procurador da Coroa,
e com a resposta delle se fazem os autos conclu-
sos, e se decide lambem por A cordão. L. aoJt,l.
1694. D. 16 DfJ'r..1676.
! Se o Recurso não parece fundado, nega-se
provimento ao recorrente, e se mandam remetler
os autos ao Juizo Ecc1esiastico. Per. So. not. 664.
4 - O recorrente paga as custas do processo
ou pessoaes: o Juiz a quo nunca é condemnado
nas primeiras. Rep. 111. p. toa. vb. Jrliz de Fóra.
O contrario em caso de dó)o, segundo Mell. tzol.
ao dt. §. 67. ,wjim. ·
ó Se pelo contrario parece fundado o Recur-
so, dá-se provimento ao recorrente : I declaran-
do-se nuJJos os actos praticados pelo Juiz eccle-
siastico sem jurisdicção, ou manifestamente con-
trarios aos Canones recebidos, ou ás ]eis e cos-
tumes do Reino; pelo que se chama lambem
este Recurso remedia ele cassaçáo. P an-Espen,
cit. tract. cap. 6. Cav. cap. 3.J,. §. 23.
!78 Liv. I. t. f7Il. Recurso
6 - ou : II declarando haver o Juiz a qtto
feito força e violencia, para que a desfaça e della
se abstenha : e então se manda conservar o re-
corrente na posse e fruição dos bens ou direito
cm questão, até que competente e legalmente
se decida a quest.fio da propriedade (manutençáo,
manutenencia). Cav. cap. 34. §. U. Yan-Espen,
c-it. cap. f>. (a) .
7 Então se expede em conformidade do Acor-
diio Carta ao Juiz a quo, na qual se lhe roga e
encommenda (b) no R. Nome que desista da
usurpaçiio ou violencia, e na mesma se manda
ás justiças seculares que naquella parte não cum-
pram a sentença ou mandados do Juiz eccle-
siastico.
8 Este póde deixar de cumprir a Carta, e
impugná-la em sua resposta: e então, parecendo
ao Juizo da Coroa não serem attendiveis as suas
(a) Esta manutenção de posse se estende mesmo ás
cousas e actos espirituaes, v. e., se o Beneficiado foi pri-
vado dos fructos ou do exercicio do seu Beneficio; se o
Parocho por censuras violentas foi suspt>nsodas funcções
pastoraes: no que o Juízo da Coroa não invade a com-
petencia dos Ecclesiaslicos, porque conhece s6menle do
cap. 34. §, n. Pan-E,pen, cit.
facto 011 da posse. C..c.n,.
cap. 4. ~- 3.
, E p6de o J uizo da Coroa ~entenciar a causa prin•
cipaJ, ou commettê-Jn ao Juízo ordinario compelente
pura que a decida? All'lrmatirnmente em caso de noto-
rio abuso ou usurpação de jurisdicção ensina Mell. cit.
not. no fina, fundado na precminencia e instituição do
Juizo da Coroa, em a natureza da jurisdicção R., e em
exemploa estranp;eiros apoiados em um Ediclo expresso
de Luix XIV de lb9á. Conformam-se as doutrinas do
cil. Qu,. ~. t:J. Pan-Espen, cit. cap.6.
(b) Estas Carlas se chamam rogativas e commenda-
licia,: o que procedeu da noção recebida nnquelles tem-
pos de não serem os Ecclesin~ticos pessoasda jurisdicçá.o
Real.
ao Juiro da Coroa. §. 7!. ~79
razões, manda tambcm por Acordão passar ao
recorrente certidão com traslado dos autos para
com ella recorrer no Desembargo do Paço, que
é a ultima lnstancia em que se decide definiti-
vamente a questão por Assento. L. !8 Jul. 16~0.
D. 4 Out. 1686. cit. Res. 3 Jul. 167~. Al. 61llar.
18!4. Jlell. 1. t. ó. §. óS. enot. Rep.111. p. 166.
vb. Juiz da Coroa. Pe1·. So. not. 66,J.. Late. Yan-
gueru. pt. 3. cap. 12. (a)
H O Acor<lào sobre o Recurso não póde ser
embargado . .Ass. 30 Mm·. 1694.

Observaróes sobre esta praxe.


10 O Recurso pertence ao Juizo da Coroa da
Relação do respeclivo districto. O. I. t. t. §. H.
1. I~. §.ó.e t. 40.
11 A Carta para o Juiz ccclesiastico respon-
der, se manda passar por A cordão: na Relação
do Porto se praticou passar-se por despacho do
Juizo da Coroa. Rep.11. p. 3\t!O. vl,. Escrivão não.
H O Juiz da Coroa e seus Adjuntos, que
mandam passar a Carta, ficam certos para co-
nhecer da resposta do Juiz ecclesiastico, e man-
darem passar a certidão . .Ass. IOMar.1640. i. O.
I. t. 1. §. !4.; não obstante o cstylo contrario.
13 Nos Recursos não se admi Uem suspeições,
ou ellas se opponham ao Juiz <la Coroa, ou aos
seus Adjuntos, ou aos que o hão de ser no As-

(a) Em todos os Eslados estP.s Hecursos são julgados


pelos maiores Magistrados da N nção. Cat•. cap. 34. §.
l!!. -Antes do cit. Al. 6 Mar. 18!4., não cumprindo o
Juiz ecclesiastico a Carta Hogatoria, se passava segun-
da dirigida ao Corregedor da Comarca, para lhe inti-
mar que a cumprisse; e se elle ainda o não fazia, se
mandava então passar a cerlidão. O que em ,erJaJe só
tendia a protelar mais um processo, que em todos os
Paizes é summario e de plano. v. Cav. cap. 34. ~. 17.
!80 Liv. 1. t. J/"JI.Rec ur10
1

sento do Desembargo <lo Paço. D. 4 Out. 1686,


e á Mai. 1708. Se a parte tiver pejo no Juizo da
Coroa, o póde representar ao Presidente da Re-
lação, que fará sentenciar a causa em sua pre-
sença com Adjuntos, em quem não cáia suspei-
ção. D. 4 Out. 1686.
14 Nas Cartas se põe sempre o nome doJuiz
da Coroa primeiro que o do Juiz a qt10, porque
quanto aos Recursos se reputa sempre superior
e os Ecclesiasticos inferiores. D. 18 NutJ. 1690.
tratando da Mesa das Ordens, que pretendia o
contra,·io.
1 á Logo que o Recurso interposto se inti-
ma ao Juiz ecclesiastico (indaque seja o Nuncio
ou seu Auditor), deve elle suspender todo o ul-
terior procedimento, e sem innovar nada na cau-
sa, aguardar a decisão do J uizo da Coroa : e tal
é a pratica constante e universal. C. R. circul.
aos Prelad. 13 &t. 1706. regist. nallelaç. Rio Ja-
neiro. Av. 14,Jun. 1744,. §. 1. D. 30Ag. 1706. Av.
<J.3Ag. 1770. Rep. 1. p. 164. Ass. ti Mai. 1783.
Mell. JY. t. t3. §. ~9. ( a)
16 -Se innova alguma cousa, se manda im-
mediatamente desfazer, como attentado. Mend.
pt. 1. cap. !. n. a. Cav. cap. 34. ;. 4. Rep. J. p.
164. vb. appellaçáo; e illi CC. BB. em que se
disse ao N uncio que se innovasse, EJRei man-
daria proceder Jogo com temporalidades.
(a) Na França sendo o caso sobre disciplina e emen-
da do Clerigo recorrente, ou sobre outra cousa mera-
mente penoal, não se suspende a jurisdic<;ão do Juiz
ecclesiastico, para não se demorar a correc<;ão do delin-
quente. Cm,. 1·4. - Pelo contrario se tem Lambem pra-
ticado poder oClerigo censurado injustamente, logo que
interp& o Recurso, e se põe debaixo da protecção H. ,
continuar ar. funcçõe~ da Ordem, não obstante a censu-
ra como nulla por si mesma. v. Yan-Espen, tract. de
Recurs. cap. 7,
ao Juiw da Coroa. §. 71. 181
17 - Deve tambem remetter os autos origi-
naes, com a dita suspensão. Cav. cap. 34. §. 17.
Yan-Espe,z, rec. ad pri,u:. cap. 3. 9. 8. Â.tJ. 14'
Jun.1744. §.1.,j'unt.D. ll>Jun. eod. Âv.13Âg.
1770. C. B. H Set. 1617. (a)
- sem ficar traslado; contra o que se pra-
tica nas appellações e aggravos ordinarios. De-
cidido o Recurso, descem os mesmos autos ori-
ginaes. L.18.Ag.1747.j. E o mesmo intendida
pelo Ass. ~I Mai. 1783.
18 O Recurso não é sujeito aos trinta dias
dos aggravos de instrumento, ou outro prazo de-
terminado; mas se conhece deJJe em qualquer
tempo que se apresente. Per. So. not. 664. Peg.
ibi. Cav. cap. 34. §. 3. Per. M. B. cap. 11. n. l.
19 É nelle ouvido o Recorrente, o Juiz eccle-
siast.ico, e o Procurador da Coroa. C. R. 30 Jul.
1694. derogando o Ass. 30 Mar. eod. segundo o
qual tambem se ouvia o recorrido. (b)
(n) Os Avv. e CC. cilt. foram pela maior parle diri-
gidos aos N uncios e outras Autoridades ecclesinsticas,
que atTcctávnm desconhecer estes prindpios, A cit. C. R.
1617. recommendou ao Colleitor, que devia dar os au-
tos pnrn se ver se tinha feito força, e obedecer no• As-
sentos do Desembargo do Paço, não obstante qualquer
posse contraria, "por ser, diz, o Recurso meio insepara-
vel da juris<licção que aos Reis compele para conhece-
rem das oppressões que se (izetem aos seus Vassnllos: e
que não se prestando a isso, se havia de proceder a com-
pulslo por todos os meios legaes. "
(b) Os Bii;pos podem responder por lellrn alheia,
comtanlo que assignem a resposta. Al. !27 Feo. 1793.
Nos Recursos interpostos da Mesa das Ordens, deve ella
mesma responder, e não mandar (como íi1.éra) respon-
der o Juiz l-ieral. D. I. 18 Noo. 1690. -Queixando-se
o Patriarchn Je haver o Juiz da Coroa mandado riscar
como incivil e innovada uma resposta que n Rela«sio
Patriarchal havia dado a uma Carta rogatoria, mandou
o D. li Mar.1719., que o Uegedor estranhasse aquelle
PART. le 19
!81 - Liv. 1. t. J/11. Recurso
10 Se o Juiz ecclesiastico recusa responder
ou entregar o processo, se procede por diante:
deve porém justificar-se o gravame, sem bastar
esta renitencia ou revelia para elle se haver por
justificado. D. Hi Dez. 1675. fallando do Nun-
cio; v. n. 19.
11 Dado provimento no Recurso, póde oJuiz
da Coroa ao mandar passar a certidão para o
Desembargo do Paço, reformar officiosamente o
primeiro Acordão, indaque o Juiz ecclesiastico
não responda, ou não cumpra a Carta. v. Bep.
III. p. 167. vb. Juiz da Coroa.
!H Algumas vezes se tem praticado mandar-
se rever e sentenciar de novo na Casa da Sup-
plicação os Recursos sentenciados na do Porto.
cil. Bep. 111. p. 169.: o que é exorbitantíssimo.

Praxe no Desemhargo do Pa,ço.


ta Assento. Com a referida certidão do Juizo
da Coroa requer o Recorrente ao Desembargo
do Paço que se cite o Juiz eccJesiastico para as-
sistir á tomada do Assento no dia que a Mesa
designar. A citação se faz por Carta de Cama-
ra, que sobe á R. Assignatura: mas por est.ylo
se expede A viso pela Secretaria d' Estado dos
Negocios do Reino ao respectivo Corregedor para
fazer a intimação ao Juiz ecclesiastico. O Cor-
regedor a faz com o seu Escrivão, e remette cer-
tidão que assigna. Baixando á Mesa a certidão
da intimação, se manda dar recado ao Juiz ec-
clesiastico e ao Procurador da Coroa para o dia
aprazado. Per. So. ,iot. 664.
· !24 Então examinado o processo, se toma As-
sento sobre se a Carta doJuizo da Coroa foi bem
facto aos J uizcs, e que quando reparassem na novidade,
n deviam representar a EIRei pela veneração devida á
diln Relação.
ao Jttizo da Coroa. §. 7!. 183
ou mal passada, e se deve cumprir-se ou não.
cit. Per. So.
tá Ao tornai' do Assento assiste o Juiz da
Coroa, e são ouvidos na Mesa o Procurador del-
Ia, e o Juiz recorrido, ao qual é permittidocom•
parecer para sustentar o seu procedimento. D.
4 Out. 1686. Res. Ccms.Dsb. 9 Ag. 1670. tiolv. ó.
fl. 437. Per. M. R. cap. 4. n. 3. cap. U. n. ó.
tG O Juiz da Coroa sustenta alli a Carta ro-
gatoria, indaque sobre ella fosse vencido em vo-
tos. Rep. 111. p. 1(i8. vb. Jttiz da Coroa.
!7 O Procurador da Coroa e o Juiz recorri-
do não assistem ao votar, mas se retiram em aca-
bando a discussão. Res. Cons. Dsb. li Des. 16áG.
18 Ao Juiz ecclesiastico se dá na Mesa Jo-
gar mui decente. (a)
29 Não comparecendo o Juiz ecclesiastico no
Dcscm bargo do Paço, e não tendo remettido os
autos originaes ao Juizo da Coroa, se procede á
sua revelia. v. 11. ~O. li.§. (b)
30 Do assento não se admitte revisão por
mais J uizes, ou elle se haja tomado pro ou con-

(a) NaC,onsulta que deu logar á cit.Res.~7 Abr.1689.,


tratando-se do i\ uditor do Nuncio, se diz "logardecentis-
1imo com pendendo ao Jui'I. e Procurador da (oroa," con•
tra o part'cer do doulissimo Desembargador João Lam·
preia de Vargas, que ,•otou se escrevesse "l<?Çardecente
entre o Jui!$ e Procurador da O,.,.oa" pois, diz, é este o
logar que se dá por costume aos Vigarios Gemes e De•
lt•gaJos A postolicos, por mais aulorisados que sl'jam.
(b) "Como o A u<litor, diz a Consulta sobre que se
emiltiu a cit. Res. !27Abr.1689., não remelteu os nulos
originaes ao Juízo da Coroa, nem quiz comparecer no
Desembargo do Paço, se ficou pela sua conlumr,cia pre-
sumindo, segundo o costume, ser justa a sentença do
J uizo da Coroa, visto não constar dos fundamentos da
do Auditor, e não querer elle mostrar os autos. n No
Dsb, lv. 10. Cons,fl. :188. y.
19 *
184 Liv. 1. t. YII. Becitrso
tra o julgado do Juizo da Coroa: salvo a reque-
rimento do Procurador desta, quando o caso por
mui grave o pedir. Res. Cons. Dsb. 9 Mai. 1674.
No'"· 6.fl. 144, "· Bep. 111.p. 169. 1Jb.Juiz da
Coroa. (a)
(a) &e"'f'lo, Sendo presente a EIHei em Consulta
do Dsb. R Carta que o Nunrio escreveu ao Arcebispo
Primaz, na qual se queixava de um Assento que se to-
mára naquelle Tribunal contra o seu Auditor, declarou
a Res. Con,. Dsb. 27 Abr. 1689. que, nlo obstante ser
contra a prática fundada em boa razão o proceder-se a
requerimento dos J uizes ecclesiasticos a rever e decidir
<>i Assentos por mais Juízes; comtudo em obsequio á
Sé Apostolica e attenc;;lo á pessoa do Nuncio, houvéra
por bem mandar se-lhe escrevesse que, remeltendo o Au-
ditor os autos e comparecendo n defender a r.uu causa,
concednia o que pede, se., mandar examinar novamen-
te a questão por mais Juizes, para se confirmar, re\'0-
gnr, ou modificar o Assento como fosse justo. No Dsb.
lv. 10. Cons.fl. 388. j,
" Não p6de (diz esta Consulta} conceder-se ao Nun-
cio a sua pretenção de se tomar novo Assento, re,•endo-se
a causa por outros ou por maisJuizes; pois sómente no
Procurador da Coroa, e não ao Juiz ecclesiastico se per-
mitte, segundo a prática, poder embargar os Assentos,
e sendo causa de grande importancia pedir mais Juizes
para a decisão dos embargos : porque o Assento que con-
firma a sentença do Juiz da Coroa faz vezes de revista,
pois nelle se examinou a questão tres vezes (hoje duas)
e se se permittisse ao Juiz ecclesiastico a revisão do As-
sento confirmntorio, se admittiria revista de revista e
um processo intioito: razão que cessa a respeito do Pro-
curador da Coroa para poder pedir novo exame quando
o Assento revogou o julgado do Juizo da Coroa ... E se
na presente questão sobre julgar o Auditor em primeira
lnstancia a causa de um Frade, se batalha ha tantos
imnos; que remedio será o Recurso, não a pobres Fra-
des, mas aos Vassallos mais opulentos, se se permittir
ainda aos ecclesiastioos oppugnar um Assento no primei-
ro Tribunal do Reino, confirmativo de tres sentenças
do Juizo da Coroa!!!"
ao Jui~ da Coroa. §. 71. 186
31 O Procurador da Coroa p6de pedir vista
do Assento, e embargá-lo : o que restringem ao
caso de ser elle tomado contra a Carta do Juizo
da Coroa, não quanto se conformou com eUa.
cit. Rep. Ili. p. 169 ( a).
H Se depois de tomado o Assento a favor
do recorrente, o seu adversario interpõe tambem
recurso do mesmo despacho, deve o Regedor fa-
zer logo remetter· os autos ao J uizo ecclesiasl ico
sem embargo de quaesquer embargos. D. 14 Jun.
1707. ,ui S,ppl. lv. 11.fl. 116. j. ibi-e assim se
pratique para o futuro em casos semelhantes.
E:xec,,çáo do .Assento.
33 Sendo o recorrente provido no Assento re-
quer com sentença delle o cumprimento do juJ...
gado ao Juiz recorrido. Per. So. not. 6G4.
34. Este não póde reter a sentença; mas a
deve immediatamen.te cumprir, e mandar repa ...
rar a usurpação ou. vio)encia, ou pondo nella o
cumpra-se, ou por mandado, ou por despacho
que se entreguem ao recorrente: e não o fazen-

(a) .&empb.>a.. 1. º Tendo o Procurador' da Coron op-


posto embargos a um Assento do Deaembargo do Pac,;o,
ordenou a C. R. Ili. t.8 Jun. 1630., que para o Juiz ec-
clesiaslico responder nos <litos embargos fosse chnmadc.>
por Cart:a assignada por ElRei, e que assim se proceda.
f:m casos semelhantes. ·
!i. 0 Tendo o Procurador da Coroa. pedido vista de
um Assento que se tomárn no Dsb, do Pac,;oem Recu.r-
110 á Coroa, para o embar:gar, mandou a &s. Cons. Dsf>.
13 A.br. 1683., que logo enviaase os autos á Mesa: "É
conlrn a boa adminislrac,;ão da justiça, d.iz esta Consul-
to, que os Procuradorer. Hegios, que pela preemineocia
de seu olficio, não são constrangidos a dar os feitos nos
termos ordinarios (os quaes no presente caso são de 24
horas) hajam de vexar as partes com dilações affectadQs,
No Dsb, li,, 8. Cons.fl. 317. "· nol. proJ:,preced.
286 Liv. ]. t. f/11. llec-urso
do assim immediatamente, se procede a occu-
par-lhe as temporalidades: e tal é o costume im-
memorial do Reino, que emfim se reduziu a Di-
reito escripto; taes as Concordatas e Privilegios
Apostolicos, e a prática dos outros Estados Chris-
tãos. C. R. !t 1 Jun. e 10 Jul. 1617. LL. ta Jul.
16to. 4 Out. 1686. D. 7 Jan. 1699. na Sttppl. lv.
11.fl. 66. j. cit. Res. 167!!. Deducç. Clironol. pt.
1. divis. a.§. 3!!!. seg. Mell. I. t. :,, §. f>8. not. ( a)
Só Nesta occupação se procede pela ordem
e maneira seguinte. ,C. R. u Jun. 1617. : logo
que o Desembargo do Paço manda a ordem a
qualquer Magistrado (commummentc ao Corre-
gedor da Comarca), este faz sequestrar as rendas
do Juiz ecclesiastico, ou sejam patrimoniaes ou
proíecticias, e os moveis existentes fóra da. sua
casa ; prender os escravos que se acha,rem f óra
della, e embargar-llte as cavalgaduras (b ), e bês-
tas em que actu::i.lmenle não forem a cavallo; e
notificar os seus criados seculares que não con-
tinuem a serví-Jo, sob pena de serem presos e
castigados segundo a desobediencia: as quaes
temporalidades o Magistrado empregará simul-
tanea ou successivamente segundo as circums-
(a) Sobre o direito e seu uw immemorial que teem
os Principes de c:ompellir o Prelado ou Juiz ecclesiasti-
co em caso de recusação, com multas, sequestro, e con-
fiscação de seus bens temporaes, desterro, e desuatura-
li:.ação assim pelo H.ecurso no Juizo da Coroa, como por
outra& vias"· Cao. VI. cap. 34. §. lá. Yan-Espen, tract,
de recura.cap. ó. 6. Salgad. Reg. P,·otect. pt. 1. cap. 1. n.
ló9. e epil. proem. Dedi,,cç. Chron. ckmonstr. 6. §. 9á, e
&curs. de &abra ibicl. na pt. !!. e:en. 14. Mm·ca concord.
'" 4. cap. 19. §. 6. seg. &p.111. p.
,iastico.
,,a.
i,b, Juilll eccle..
(b) As pnlavrns aqui escriplas em grypho faltam no
texto vulgar, e se acham no rcgi&tro desta C. R. no Dsb.
t,;, de1Gl7.fl. 198.
ao Juízo ela Coroa. §. 71. 187
tancias. Se o ecclesiastico persiste na desobe..
diencia, sendo simplesJuiz, aMesa o póde des-
naturalisar e expulsar do Reino ; e sendo Collei-
tor ou Prelado, dá circumstanciada conta a El-
Rei. cit. C. R. !21 Jun. 1617. C. R. I. 4 Mai.
1611. Mend. pt. 1. cap. !2. n. 7. 8. Per. M. R. á
0.1. t. u. §. 6. Rep.111. cit.p. !218. ecit.p. 168.
36 - Se elle procede com censuras contra o
Desembargo do Paço (como posteriormente fez
o Colleitor em 16!0) póde ser lançado do Reino
sem dependencia de especial Ordem Regia. C.
R. !lBJill.16'!0. {a)
37 Deste modo se procede até eft'ectiva exe-
cução do Julgado. D. 16 De~. 1676.
38 Tal é a praxe do Recurso, conservada no--
vissimamente pelo .Al. 18 Set. 1801. §. 3. e pe'lo
.Al. 6Mar. 18~4.
.Abreviatura.
39 Quando a demora que deste processo ne-
cessariamente resulta, é mui prejudicial ao re-
(a) A C. R. 9 Set. 1616. ezcit. pela de 3 Des. eod.
mandou publicar como Lei a Hesolução que ElRei seu
Pai tinha tomado (cit.C. R.11 Jun. 1617.) sobre o modo
de proceder contra os Colleitores e Prelados remissos em
sujeitar-se nos Assentos do Dsb. do Paço, com declara-
ção que a clausula "que nâo se chegasse a deitar o Col•
leitor Jóra do Reino sem primeiro se dar conta a El&i"
se não inserisse na Resolução, mas ôcasse em lembran-
ça particular parn o Governo.
Exemplos. Pela C. R. lll.tf,Jul. 1616. foi oCor-
regedur da Côrle a casa do Colleitor buscar o Auditor
para o levar fóra do Reino, e lhe mandou quebrar a ,
porta do aposento pela sua desobediencia ao Assento do
Desembargo. - O Collcitor, Bispo de N icastro, foi ex-
pulso do lleino por não querer repôr as cousas no anti-
go estado, e se mandou formar o manifesto deste caso
para se rnmcller a Roma. "· C. R. !i.!8Nov. 1639., etc.
A historia dos nossos Recursos á Coroa é a historia de
combales entre as Auloridades seculares e ecclesiasticas.
!!88 Liv. 1. t. Yll. Rec1trso
corrente, se· tem algumas vezes mandado prover
extraordinariamente em seu favor. ( a)

No Ultramar.
40 No Estado do Brasil afim de facilitar os
Recursos, sem necessidade de requerer aos Jui-
zos da Coroa do Rio de Janeiro e da Bahia, se
mandaram estabelecer Juntas de Justiça nas ter-
ras onde ha Ouvidores, para deferirem aos Re-
cursos: e se passa á occupação das temporalida-
des, logo que se decidiu ter sido bem passada a
primeira Carta . .Al. 13 Jan. 176á. (b)
41 No Reino de .Angola servem os Ouvido-
res de Juizcs <la Coroa, como já se accrescen-
tou o cap. !! do Regim. dos Ouvidores do Ma-
ranhão, afim de obstar mais facilmente ao abuso
das censuras nas Conquistas : e os J uizes cccle-
siasticos não cumprindo as Cartas se devem apre-
sentar, não no Conselho Ultramarino, mas no
Desembargo do Paço, onde se toma assento na
fór,:na costumada. Res. Cons. Dsb. 9 .Ag. 1670.
D~b. lv. á. Cotis.fl. 4,37.
· 1a) · Por Acordão Rf.laç. Porl, 4 Oul. 1603. sobre o
Recurso interposto por um preso no aljube ecclesiastico
UlegalmeQte por mancebia, !le inseriu na segunda Carla
clausula que, não o mandando logo soltar oJuiz eccle-
sinstico, o Corregedor da Comarca o fizesse soltar. Se-
melhantemeote se houve a Relação em tempo do Bispo
Ayres de Sá, e pelas custas se apprehedeu uma mula ao
Vig;ario Geral. lfa outros exemplos. "Este remedio (diz
Mell. çit. ~. 68, not.) é tão moroso e dispE:ndioso que se.
:ri11a desejar se mandasse estender ao Reino a praxe es..
tabelecida para o Ultramar pelo AI. 18 F,,,.176f>."
(b) PelQ Legislação anterior ~ tomavam os Assen•
tos na Mesa da Relação. Regim. 13 Out. 17ól. §. 94.;
e passadas as trea Cartas, se o Vigario Geral as não
cumpria, era logo e111prazadopara se embarcar no pri-
meiro navio para o Reino, e comparecer no Desembargo
do Pago. Al. II. 31 Jul. 1611!.v. cit. Rep. III. p. 168.
ao J11i1.0ela Coroa. §. 73. !!89

§. 7 3. Outros remedios contra o procedimento


dos Ecc'lesiasUcos.
Recurso immediato.
1 Além do Recurso ao J uizo da Coroa com-
pete tamhem contra a oppressão feita pelos Ec-
clesiasticos o Recurso immediato á R. Pessoa,
do qual em nenhum caso são privados os Cida-
dãos; antes está sempre patente a todos. L. 18
.Ag. 1769. §. Ht. Porfog. d-On.lb. t. cap. a. n. 43.
Cah. pt. !. dec. 60. ,i, 4,, Cav. Yl. cap, 34. §.
6. 8. 9.
-mesmo quando não compete appel1ação.
arg. 0.111. t. 78. pr. Rep.11. p. õ3. vb. Desem-
bargadores do Paço. v. O. 1. t. 6õ. ~. ta.
i - Hoje é um dos direitos politicos de todo
o Cidadão o apresentar por escripto ao poder Le-
gislativo e ao Executivo reclamações, queixas,
ou petições. Coost. A. 145. §. !!8.
3 El Rei póde por Si immediatamente desfa-
zer a violencia, como o Juiz da Coroa. Decis.
no Rep. JY. p. 63õ. vb. Resistenda: do que ha
frequentes exemplos. Porém deste Recurso im-
mediato não deve usar-se, senão depois de em-
pregado o Recurso ao J uizo da Coroa, e da sua
inteira execução. D. 16 Des. 1676. (a)

(a) llepresentando o Desembargo do Paço que não


convinha deferir á pretenção de F. por caber ella na ju-
risdlcção ordinaria dos JulgaJores; e ponderando nova-
mente os inconvenientes que resultavam de se tomar
nas Secretarias d" Estado conhecimento dos requerimen-
tos, que pertencem ao expediente ordinario daquelle
Tribunal e dos outros Ju]gadores, declarou a Res. üm,.
Dsb. 19 Set. 1664., que havie por bem tomar em consi-
deração a referida reprt>sent11ção; posto que a lentidão
com que em alguns Tribunaes se procede cm alguns ne-
Q90 Liv. I. t. Pll. Recut·so ao Juiz da Coroa.

Cartas tuitivas appellatorias.


4 Se o Juiz ccclesiastico pretende executar
a sua sentença, não obstante a appellação (o que
ás vezes faz sob pretexto de ser a appellação frí-
vola, reprovada por O. Canonico, ou de haver a
clausula appellatlone remota), póde o appellante
requerer ao Desembargo do Paço lhe conceda
Carta tuitiva, para ser mantido em sua posse, e
para não se proceder contra elle em quanto pen-
der a appcllação. O. li. t. 10. 1. t. 3. §. 6. 7. v.
Rep.111. p. 34,3. vb. Cartas tuitivas, e p. 348.
Regim. Dsb. §,.116. O. 111. t. 86. §. 1. .Rep.11.
p. 68. vb. DesembargaclO'l'·eselo Paço.
ó Na petição ao Desembargo do Paço se de-
vem declarar os requisitos legaes, e ajuntar com
ella os documentos convenientes. O. 11. t. 10. §.
1. ~. Regim. Paç. §. 116. O. 111. t. 8f>, §. l. v.
text.prox. cit. Rep.111.p. 344. Yanguerv. pt. 4.
cap. i9.
6 Esta Carta tem Jogar em todas as appcl-
lações, mesmo nas extrajudiciaes, ou a acção
seja real, ou pessoal; cível ou criminal. O. cit.
t. 10. v. Mell. ]. t. f>. §. ó6. e ,wt. Bep. 111.
cit. p. 343. .
7 -Não o tem nos casos em que a appellação
é meramente dcvolutiva. Rep. 111. cit. p. 344.
8 A parte a quem não se recebeu a appella-
çito, póde em Jogar da Tui tiva, usar do Recurso
ao Juizo da Coroa. Rep. 111. cit. p. 344.; onde
tambem o contrario: e por isso teem ellas caído
em desuso. Rep. cit. p. ó44.; e II. p. 69. vb. Des-
emhargadores do Paço.

godos, obriga a proceder a informações, sem ser pela


via orJinaria. No Dsb. lv. 4,, Cons. Jl. '27õ. j,
Liv. l. t. Ylll. Relig. l. Quant. ápess. §.74. 291

Connexão.
As pessoas ecclesiasticas pertencem ao Clero
secular ou regular. Segue-se tratar destas ultimas.

TITULO VIII.

DOS RELIGIOSOS.

Pt. I. Quanto á pessoa.


§. 7 4. Noção historica da instituiçdo Religiosa.
1 A.Instituição ou vida monastica, commum
a ambos os sexos, destinada á penitencia e aos
excrcicios asceticos, deve a sua origem princi-
palmente á cruel perseguição, que rebentou con-
tra os Christãos sob o Imperador Decio pelo
meio do seculo III. Estabelecida no Egypto, se
propagou no Oriente até a Ethiopia e Persia ;
ao passo que no Occidente ainda no meio do IV
scculo era aborrecida e desprezada : porém des-
de então pela autoridade dos SS. Athanasio e
Jeronymo começou a ser honrosa, até que tomou
uma fórma augusta sob a direcção de S. Bento
fundador do Mosteiro de Cassini pelos annos de
630., a quem deu a sua celebre Regra que de-
pois se generalisou no Occidente. Desde então
os Monjes e Monjas se multiplicaram e enrique-
ceram demasiadamente, o que produziu a sua
dccadencia; porém depois de muitas vicissitudes
a disciplina monastica se restaurou no seculo XI,
cm que os Monjes assumiram o Clericato. Cau,
II. cap. 36. §. 1. a ~o.
'! Os Monjes originariamente eram leigos,
pois a sua instituição é diversa da clerical: com-
!92 Liv. 1. t. Yl1J. Religiosos.
tudo quasi desde o principio começaram alguns
a ordenar-se, e a ter as suas Capellas e Orato-
rios privados. Cm,. li. t. 40. §. 1. seg.; até que no
seculo XI geralmente assumiram o Clericato;
tiveram Igrejas publicas, e se deram ao exerci-
cio publico do ministerio sagrado : o que alterou
grandemente a disciplina monastica, e suscitou
muitas lides com os Bispos e Clerigos seculares.
cit. cap. 40. §. 6. seg. Os Abbades monacaes ti-
veram mesmo desde então o uso das insignias e
direitos Pontificaes, e o poder de conferir as Or-
dens menores. v. §. 10. seg. -Os Regulares ad-
mittidos ao Clericato fóra dos Conventos conser-
vam comtudo o habito monastico, e sendo ele-
vados ao Episcopado devem conservar pelo me-
nos a côr delle. Cav. §. 13.
3 Dos Monjes se distinguem os Mendican-
tes, de instituição mais moderna. Elles vivem
de esmolas e são destinados a ajudar os Parochos
e ao ministerio clerical ; e se dividiram com o
tempo em muitas Ordens, como, Menores, Pré-
gadores , Carmelitas , .Agostinianos , Mina·mos,
Jesu.itas, etc. Cav. cit. §. 13. seg.
4 Sobre a origem, progresso, e natureza da
vida religiosa, e geralmente sobre Regulares v.
Cav.11. cil. cap. 36. seg. Yan-Espen,pl. 1. t. 14.
pt. :1. clesdeo§. 641. Rieg. 111. §. 141. seg. Eu es-
creverei sómente algumas cousas, que podem ter
relação com a sociedade civil.
§. 7 ó. lnstitui.fáo ou suppressâo das Ordens
ou dos Conventos.
1 A livre faculdade de instituir Ordens Re-
ligiosas de ambos os sexos, tendo-as feito multi-
plicar em demasia, fez com que se prohibisse
fundá-las sem licença da Sé A postolica, e que
1. Quanto á pessoa. §. 7b. 193
esta mesma supprimisse muitas das já existen-
tes. Cm,. li. r.ap. 36. §. 19. (a)
! A funda~ão de Conventos depende da au-
toridade Regia, a qual se concede moderada-
mente. (b)
(a) A historia da suppressão de muitas Ordens v. no
Breve de Clemente XIV Dominus ac Redemptor, ,u
il Jul. 1773. que extinguiu a Companhia de Jesus, ap-
provado pela L. 9 Set. do mesmo anno. O qual Breve
tendo sido revogado por outro Solliciludo omnium de 7
Ag. 1814., se mandou pelo Ar,, 1 Abr. J8lf>. declarar á
Curia Romana a invariavel determinação do Governo
Porluguez em manter o dilo Breve e Lei da extincçlo
daquella Ordem, No mesmo Breve se referem a11di8po-
11içõe1Caoonicas que prohibem iostiluir novas Ordens
Religiosas sem especial licença da Sé A postolica, pela
confusão que já resultava da sua nimia dh·ersidnde, e
bem assim refere muitos exemplos de se reformarem ou
supprimirem com a mesma autoridade as inuteis ou
nocivas.
(b) Sirvam de exemplo os seguintes Diplomas: A
C. R. l. 12Sd. lf.03. prohibe 09 Conventos de Preiras no
Brasil e Judia, por não convirem ao R. serviço e ao
nccrescenlamento daquellt!s Es1ados. - Posleriormenle
se renovou muitas ,•ezes n prohibição de fundar novos
Conventos sem licença Regia e causas mui urgentes,
por 09 muitos que já ha,·ia, mandando-se auspender os
que se esta mm edificando e comminando dt?monslraçilo
ás Justiças que o consentiam. CC. RR. 14 Fw. e I Out.
1630. C. R. J. JI. 16Jan. 1636. C. R. 19 &l. 1638. Ru.
3 Fco. 16M.. e C. R. 18 DB. Ui86, _;_ A mesma probibi-
~ão se fez para o Estado da lndia nas CC. RR. 6 e H
Mar. 1617.
Comtudo a Res. Cont. Dsb. 13 Jan. 1670. deu licen-
ça ao Marquei de Marialva para fundar em Lisboa o
Convento de S. Pedro de Alcanlarn, segundo o voto
que í1zéra; não servindo de exemplo esta mercê pelos
muitos inconvenientes que rernltnm de ~e multiplicarem
os Conventos. Dsb. lo. fJ.fl. !287. j.
· O D. 8 Ag. 1718. deu licenga a F. para fundar em
Lisboa e no Bispado de M irnnda dous Conventos da Or-
!9-' Liv. 1. I. '17111.Religiosos.
3 - E tem a R. Coroa posse de mandar fun-
dar em qualquer Jogar do Reino e seus Domi-
nios, Igrejas e Conventos de Religiões que se-
jam approvadas pela Sé Apostolica, sem depen-
dencia do consentimento dos Ordinarios, dos Pa-
rochos, ou de quaesquer outras pessoas eccle-
siasticas. D. 1. 14 .A.1»-.
1767. Na Suppl. lv. 16 •
.ff. ó7.
{a)
4 Tambem compete a EIRei o direito de sup-
primir Conventos; ou de acordar o R. Benepla-
çito aos Breves que os supprimem (b ). Novissi-
mamente se concedeu estedireito áMesa do Me-
lhoramento. v. §. 79. n. 8. h. l.
dem da SS. Trindade da Ue<lempgão dos Captivos. Na
Gaseia de 1718. n. 33. -O D. !23 Nov. 1741. mnnduu
fundar no sitio de H.ilbafollcs um Convento da Congre-
gação da Missão, iastiluida por S. Vicente de Paula, e
dotá-lo com rendas impostas em certos Almoxarifados,
etc. No Oms. Faz. Rgt. ref. fl. J 808. j. - O D. IO Jan.
l7á6. coní1rma por graça especial a fundac,;ãoda Casa
Conventual dos Padres <la Congregação de S. Vicente
de Paula que fizera o Padre José Simões na sua quinta
da Cruz junto a Guimarães, e a dotação que lhe fizéra
de seus bens, os quaes lhe permitte possuir, ele, No
D,b. l". 4. eleDec. f. lOá. j,
(a) Este Decreto havendo ordenado que se edificasse
uma Cai.a Regular com Igreja publica paraConvento dos
Clerigos da Religião de S. Camillo, manda que o Procu-
rn<lorda Coroa assis,tn aos ditos Clerigos nas causas que
sobre isso se moverem t>nlrc ellcs e o respticlivo Parocho
e Beneficiados, pnra defender a referida posse <la Coron.
(b) A C. H. IY. JO Abr. 1618. ordenou a suppressão
de um Convento de Freiras em Lisboa "pois, diz, ha
nesta Cidade tantos Conventos e Recolhimentos que se
impossibilitam uns aos outros, não podendo as esmolas
abastar a todos." - Concedeu-se o Beneplacito Regio
aoBreve13 .Ag.17ó6. que ordenou a união e suppressão
dos Conventos de Freiras de Portugal que não podeuem
subsistir por arruinados ou faltos de rendas, ou nimia-
mentc individados, etc.
1. Quanto á pessoa. §. 76. t95

. §. 76. Natureza da vida Religiosa.


1 Naforeza. A vida monastica é por sua na-
tureza entregue aos exercícios asceticos. Cav.
li. cap. 36. §. 1.; e á oração. cap. 39. §. 11.; pe-
nitente e austera no jejum, no comer e beber.
cap. 39. §. 9. 10.; e no vestir. cap. 38. §. 3. 4.
!! O que constitue porém a sua essencia é a
profissá.o, que se faz com certas formalidades.
Cav. 11. capit. 38. §. !2.
3 Novidado. Á profissão deve preceder um
anno de prova inteiro e continuo (Noviciado),
durante o qual é livre o regresso para o seculo.
Trid. Sess. 24. Regular. cap. 15. 16. A falta do
Noviciado annulla a profissão, indague o Con-
vento e o Religioso desejem que ella valha. Yan-
Espen, pt. 1. t. !ilõ. cap. i. n. 17. seg. e cap. 3.
Cav. II. cap. 37. §. ~. seg.
4 -Os Superiores não podem acceitar No-
viços sem licença da Mesa do Melhoramento das
Ordens Regulares. D. !9 Nov. 1791. Prov. ó
Set. 17H7.
5 Pessoas habei'.s.Os filhos-famílias, e os es-
cravos podem segundo as Leis de Justiniano abra-
çar a vida monastica sem consentimento <los se-
nhores e dos pais, e conseguem assim a sua eman-
cipação e alforria : disposição que contrastou a
antiga disciplina, e diminuiu os poderes pater-
nos e dominical. v. Cav. cap. 38. §. 8. Yal. Cons.
!4. n. i, Cald. nomin. qt. t. 19. n. ~,.
6 - Os conjuges depois de consummado o
matrimonio podem por mutuo consentimento
abraçar o mona.cato, e com tanto que a façam am-
bos, ou pelo menos que o que fica no seculo emit-
ia voto de castidade ( de náo casar). Cav. §. 1o.
- Antes da consummação póde cada um dos
!96 Liv. 1. t. 17111.Religiosos.
conjuges livremente entrar em Convento; inda-
que o outro não consinta; e então é livre ao que
fica no secu]o passar a segundo casamento. Cav.
§. 11. : e mesmo para deliberarem sobre isso,
não são obrigados a consummar o matrimonio
nos primeiros dous mezes depois delle. cap. 7. :x·
Convers. conJ't,gat. Cav. cit. §. 10. 11.
7 - Os Militares, e os Empregados publicos
implicados nas contas da sua administra~, não
são Jivremente admittidos ao monacato. "· Cav.
cap. 38. §. 9.
Profissâo Religiosa.
8 A profissão contém os tres votos so]emnes
de pobreza, castidade, e obediencia, e a estabi-
lidade ou permanencia na Ordem. Yan-Espen,
pi. 1. t. '1.7. cap. 3. Cav. 11.cap. 39.
9 Além destes votos a!gumas Ordens emit-
tem quarto voto, v. c., as MiJitares de defender
a Religião com armas ; a da SS. Trindade de
cuidar da redempção dos Captivos; a doa Jesui-
tas de obedecer ao Papa devotamente; etc. Cav.
cap. 39. §. 1.
10 Pela obediencia se obrigam os Religiosos
a depender em tudo da sua Re~ra e da vontade
de seus Superiores, e esta obed1encia posto que
cega, não exclue comtudo a discrição. Cav. cap.
39. §. 1. Yan-Espen, pt. I. I. !28.
11 A pobreza consiste na abdicação de todas
as cousas temporaes, por minimas que sejam.
Van-Espen, pt. 1. t. ~9. cap. 1. Cav. JI. cap. 36.
§. 3. Elles p<>11suem tudo em commum; adqui-
rem tudo para o Convento não para si ; e as cou-
sas que recebem da massa commum, não as po-
dem ter como proprias, sob vicio de proprieda-
tk. Cav. cap. 39. §. 3. "· §. 83. n. 1. seg. /1,.l.
11 Os bens e rendimentos assim communi-
cados se administram por economos ou adminis-
l. Quanto á pessoa. §. 76. 197
t.radores amovi veis a arbilrio dos Superiores, cil.
§. 3. Sobre esta administração proviu o .A11.7
Nov. 1798.
13, A castidade induz a abstenção não s6 de
toda a impureza carnal, mas do matrimonio: com•
tudo at.é o seculo XII os seus matrimonios posto
que nefarios, eram comtudo valiosos. Cav. cap.
39. §. 6. .
14 O outro cff eito da profissão é o da esla-
biUdade ou permanencia na vida Religiosa. Os
que a deixam ( apostatas, transfugas) commet•
tem o grande crime de romper as promessas fej ..
tas solemnemeote a Deus; e são sujeitos a pe-
nas graves. Segundo a presente disciplina incor-
rem em excommunhão até reverterem áOrdem,
onde são admittidos e presos em carceres. CatJ,
cap. 38. §. 17. f/"an-Espen, pt. 1, t. 16. cap. 4.
1 ó - Os Monjes podem inda sem Iicença do
Superior (a qual comtudo devem pedir) passar
para Ordem mais apertada. Para Ordem mais
larga ninguem póde passar senão· com licença
Pontificia, a qual sómente se concede por doen-
ça. Os Mendicantes não podem sem a mesma li-
cença passar para Ordem dos não-Mendicantes,
excepto para a dos Cartuxos ( Carthusiani ). Trid.
Sess. tóRegul. cap. 9. Cav. cap. 38. §. 17. Yan,.
Espen, cit. 16. cap. ó.
16 -O Religioso qoe passou de uma para
outra Ordem ( tramlato ), sempre se considera
como filho da primeira onde professou; e por este
principio se devem decidir as duvidas occorren-
tes. Peg. for. cap. 20. n. 108. vê Reinos. Oln.
li, n. 11.

Nullidade e reclamação da profi.ssáo.


17 Causas. É nulla a profissão do homem ou
mulher: I se se emittiu antes do anno inteiro
P.ART, f, ~O
198 Lw. I. I. rIIJ. Religwsos.
do Noviciado. v. §. 16. n. 3.: ou II antes de de-
zeseis annos de idade completos. Trid. Sess. tf>.
r
Reg. cap. l õ. an-Espen, pt. l . t. 2 7. cap. ez.Peg.
6.for. cap. 131. n. R. 4.; quando as Constitui-
ções das Ordens não requeiram maior idade. O
Concilio Trid. intentava fixar a idade de dezou-
to annos, e conviria ainda maior. v. Cav. cap.
38. §. ó. Esta nullidade cessa se o Religioso ra-
tificar depois a profissão. Peg. n. gf>.: III se o
Religioso foi constrangido por ameaças, violen-
cia, ou medo grave: o medo reverencial não
basta. Peg. ri. 19. 3~. 178. 18<!. 183. seg. i31.
T7an-Espen, pt. I. t. !26. cap. 6. n. !2. 3. Cav. cap.
38. §. 6. seg. H!. O Concilio Trid. excommunga
a quem constranger alguma mulher á vida mo-
nastica: nos antigos seculos foi mui frequente o
constranger áquella vida. cit. Cav. : IV se o Re-
ligiuso foi a<lmittido sem consentimento do Ca-
pitulo. Peg. n. l 9Q.
18 Reclamaçiú:>.O Frade ou Freira que quer
reclamar a profissão, o ha de fazer dentro de cin-
co annos depois della. cit. Peg. n. 6. 14. 161.
Trid, cil. cap. 19. J7an-Es-pen,p. 1. t. !6. cap. 6.
n. 9. a. Cav. cap. S8. §. ! 1. ·
· ·1,n :..:....salvoseobtiverdispensa Pontificia com
justa causa, ou por via de .restituição in inie-
grum, corno, sendo menor, ou durando o impe-
dimento de notorio facto permanente. Peg. n. 7.
8. 83. J7an-Espen, cit. cap. 6. n. 6. seg. Cav. cit.
§. t! 1. Posto que muitos opinam que a restitui-
ção só póde obter-se do Papa. cit. Peg. n. 40.
111. U6 .• 139. 146. lól. v. Cav. cit. §. ~l.
to - O quinquennio não corre em quanto
dura o medo ou violencia. Peg. n. 34.; ou se o
professo extrajudicialmente reclamou ou protes-
tou. n. 81. ~la. seg. 'V. Cav. cit, §. tl.
!l -O Juiz desta causa é o Prelado ordi-
1. Quat1to á pessoa. §. 76.. 999
nario do Bispado em que está o Convento ·a que
pertence o Religioso reclamante .. Troid..càp. 19,
cit. Peg. n. 73. J U. Yan-Espen·, cit. cap. ó.' 11.
11. e seg. :
t!2 -Para a reclamação é citado o Prelado
local (e as Discretas, sendo Freira) do Conven-
to onde o Religioso reside, para ver julgar a pr<r
fissão nulla e entretanto não o molestar: .não se
oppondo o Prelado segue a causa os termos or-
d inarios com o Promotor. Peg. n. ~ól. Yang. cap.
14. n. 4. seg. Yan-Espen, cap. (i. n. 11. seg.
!3 -O reclamante deve conservar o habito
até final sentença, sob pena de não ser ouvido;
e se já o largou o ha de primeiro reassumir~
J>eg.,i. J 30. 131. Yan-Espmi, cit. cap. 6. n. 16.
17. Trid. Cav. §. ~ 1. ·
i4 - Se pela sentença se annulla a profissão,
reverte o Religioso livremente ao seculo; e sen-
do Freira se lhe manda restituir o dote. cit. Peq.
n. !2ól.
ió - Neste processo não ha custas, ou as
paga ex causa o ReHgioso que obteve a demis-
são. Peg. n. ss. 173. 161. ··
!6 -Annullada a profissão por sentença;
podem os parentes ou outros interessados appel-
lar desta? Opina.se e julga-se que não, sem em-
bargo da O. 111. t. 81. pr. Rep. I. p.187. tJb.
A.ppellar. IY. p. 644. ,ih. Senter,ra dada. O
contrario ibid.
§. 71. Da clatJsuraBeliginsa.
Clausura do, Frades.
1 Clausura acti"va. O Monje deve permane-
cer no Mosteiro onde professou, para se occupar
nas cousas do seu insti tQto. Elle não póde mu-
!O •
800 Liv. 1. t. YIII. Religiosos.
dar-se para outro sem licença do seu Abbadc.
Cav. 11. §. 38. §. 16.
1 - Sómente póde saír delle por causa de
necessidade da Igreja ou do Convento, com li-
cença e benção do Superior e na companhia de
outro. Cav. cil. §. 16. "· Yan-Espen, 1. t. !7. cap.
4. Os Camaldunenses e Cartuxos inda observam
esta disciplina; menos os Benedictinos; e quasi
nada os Mendicantes, como destinados a ajudar
os Parochos. Cm,. cit. §. ló. (a)
3 Passiva. Por clausura se intende tambem
a prohibição de ent.rarem nos Conventos pessoas
de fóra. "· Yan-Espen, t. 30. cap. •J.. Ás mulhe-
res foi sempre prohibido entrar nos Conventos,
e mesmo nos Oratorios dos Frades: porém prin-
cipalmente depois da installação dos Mendican-
tes, as Igrejas delles, e mesmo as dos antigos
Monjes: se patentearam áquelle sexo, não sem
al_g'Wlsinconvenientes. Cav. cap; 39. §. 8. v. Yan-
Espen, cit. cap. 4.

Clausura das Freiras.


4 Àcliva. A lei da clauaura é mais rigorosa
quanto ás Freiras. Na antiguidade não havia
(a) · Pela Pastoral do Nuncio dirigida ads Prefodos
Regulares, P. apoiada pelos DD. 3 Ag. 1691. e l &t.
)691. se prohibiu nos Frades andar pelas ruas de Lis-
boa sem companheiro da mesma Ordem, ioda com li-
cença de seus Superiores; exceplo os que forem em seje
ou cavallo; os leigos coo versos e dona tos; os que pe-
dem esmola com i;acco; os que leem indulto de habito
retento; os que vão ou ,·cem de f6ra com licença dos
Superiores. Os transgressores seriam presos e reclusos
na cella por um mez, e desterrados por um nono para
f6ra de Lisboa, a qual pena se nggrava pelas reinciden-
cias. Os citt. Der; maúdavam no Regedor que fizesse
dar ajuda de braço secular para os transgressores serem
entregues a seus superiores.
1. CJ.ttanto á pessoa. §. 77. 301
nisto regra geral, e ellas saíam facilmente dos
Conventos. Emfim se lhes prohibiu sair, salvo
por doença contagiosa ou por outra legitima cau-
sa approvada. pelo Bispo. Cap. :x. l. stat. regt1l.
in 6. Trid. Sess. ló. Regular. cap. ó. u. Cau~
cap. 38. §. 16. Yan-Espen, pi. 1. t. 30. cap. s.·
ó Segundo as nossas Leis : I é punido gra-
vemente quem agasalha ou recebe alguma Frei-
ra sem licença d'ElRei, e é caso de devassa. O.
1. t. 6ó. §. 63. 64. Y. t. tf>. §. 3. u. LL. noRep.
11.p. 108. vb. devassas. II O que recolhe em sua
casa Freira que saísse seml icença d'ElRei, posto
que a tenha do seu Prelado, é degradado e mul-
tado: sendo porém pai, mãi, ou irmlo, basta a
licença do Prelado. O Corregedor tira devassa
deste caso, e aremette aElRei. L. 3 Jan. 1603.
III A observancia da sua clausura foi provida;
e ellas prohibidas de divagar fóra dos Conventos
sob pretexto de ares e banhos. CC. RR. lá Mai.
16f>3. u &e. 166:J. e ta A"br. 1664,. Comtudo IV
o Dsh. do Paço lhes concede pelo seu expedien-
te licença para ir ás Caldas, precedendo a dos
Prelados e as informações necessarias. .Al. ~4,
Jul. 171:J. §. 31.
6 Passiva. Quanto á outra parte da clausura
relativa ao ingresso nos Conventos das Freiras
li.§. n. :1.; e ás amizades Hlicitas com ellas, são
notaveis as Leis seguintes:
7 Os Corregedores cm correição tiram secre-.
tamente devassa dos homens que vão aos Con-
ventos das Freiras, e teem nelles conversações
illici tas; fazem-lhes assignar termo de lá não vol-
tarem; e quebrando-o, os prendem em cadeia
fechada: e remettcm os autos e a dita devassa
a EIRei. 0.1. t. r,s.§. 3!!. L ..13 Ja11. 1603. Rep.
II. p. 10~. vb. devassa. (a)
(a) Aos que haviam sido implicados nas devassas
301 Liv. 1. t. Y 111. Religiosos.
8 A L. 30 Abr. 1663. aggravou as penas dos
que costumam assistir com excesso nas grades
dos Conventos de Freiras ; estendeu aos Reco-
lhimentos as Leis promuJgadas a respeito dos
Conventos; e fez este caso de devassa, devendo
os Julgadores dar conta a EIRei no fim do anno
das que tirarem. - Estas providencias se exa-
cerbaram depois, estabelecendo-se maiores pe-
nas, devassas, informações secretas, e outros pro-
cedimentos ,na L. 3 Nov. 1671. Prov. 18 Jun.
1711, Âl. Circul. 3 Ma,-. 1716. Contra os infrac-
tores se mandou proceder camarariamentc pela
C. R. u, Ji,l. 17 H., e obrigá-los a assignar ter-
mo na fórma prescripta no .Av. 3 Mar. 17~:,. E
constando que sem embargo de tudo isto conti-
nuava o mal, se apertaram as referidas provi-
dencias pelo Der. 16 Mar. 17tó., e se mandou re-
novar as devassas, informa~ões secretas, etc., o
assignar os suspeitos um termo segundo a for-
mula aJli inserta. No Dsb. l. 3. de Dcr.fl. U. j.
"· D. i I Jul. 1679. e 3 Mar. 17U,. Prov. 18 Jtm.
17U. Per. So. Class. p. !!46.
9 O Desembargo do Pa(iO conhece privativa

que se tiraram dos que frequentavam os Conventos de


:Freiras, mandaram as CC. RR. tl Noo. o li Des. Hiló.
que fossem intimados sob certas comminac,;ões para não
tornarem a elles nem ás suas Igrejas. -Outras prticau-
c,;õcsse tomaram nas ditasCartas e na li I00ul.161ô.,
especialmente sobre Fidalgos e Fradet-. O Al. 4 Mai.
16:13. ordenou que o Bispo de Coimbra e o Heitor da
1Jniversidade Lirem annualmente informac,;õesparticula-
res dos Esludunlt>s, que frequentam 0:1 Conventos das
Freiras com devas&idão e escandalo, ou ijão de costumes
escandalosos, e deem conta 11 ElHei para serem risca-
dos da Universidade e excluidos de todo o servic,;oHeal
e Cargos publkos. Sobre o modo de proceder <'OOlra os
Estudantes de Coimbra Freiruticos v. a Prov. R. ~J Ag.
1681, na Cons. lv. t.?.de Prov.Jl. lOG j.
]. Quanto á pessoa. \. 77. aoa
e exclusivamente das devassas, e as faz proces-
sar e julgar na fórma da Rei. 4 Mar. 1681. No
Dsb. lv. s.fl. 64. 1. (a)
10 Violação de Freira. Aquelle que entrar
no encerramento de Convento de Freiras em Jo-
gar que pareça ser para acto iJlicito; aqueJJe que
tirar Freira de Convento, ou a induzir para que
sáia, e estiver só com ella: aquelJe que acompa-
nhar qualquer dos referidos, incorre em pena ca-
pita) e em uma multa de óOO cruzados: este ul-
timo se sómente Jhe levar carta ou recados, é
açoutado e degradado. AqueJle que dormir com
li'reira que estivesse f6ra do Convento, é degra..;
dado e multado ou açoutado. - Em todos estes
casos os Corregedores tiram devassa e a remet-
tem a ElRei, e disso conhecem os seus syndi-
cantes. L. 13 Jan. 1603. ampliando a O. /7. t. ló.
-O estupro, e o rapto de Freira teem pena ca-
pita) tambem por D. Comm. Rep. 11. p. ó96.
vb. Freira. v. L. aNov. 1671. e Per.&. Cla,s.
p. i46.
§. 7 8. Regimen e jt.irisdz'cçâo activa e passiva
dos Regtilares .

.Autoridade dos Superiores.


1 Os Prelados e os mais Superiores dos Re-
gulares exercitam sobre elles toda á autoridade
e jurisdicção temporal, e espiritual; é conhecem
(a) Assim se intendeu, por mandarem as ditas Leii
r.emeller as devassas, informações, etc. a ElRei: e con-
sequentemente a Rcs. Oms. l.)sb. 14 Ag. 1681. de.clarou
que o HeiLor <la U niversidu<le illegnlmenle man<lára sol-
tar uns Estudante~ implicados em amizades escandalo-
sas com Freiras, por ser lodo o conhecimento sobre este
delicto da exclusiva competencia do Osb. do Pago sem
cxcepgão alguma. Dsb, lv. 8. ft, 1ló.
304 Liv. 1. l. Ylll. Religiosu1.
de seus crimes. 1'ritl. Sess. tá. Re9ttl. cap. 14.
Cav. II. cqp. 41. §. !. seg. e§. !ó.
1 Esta autoridade no principio residia sómen-
te nos Abbades e outros Superiores: hoje o re-
gimen monastioo é temperado com certa aristo-
cracia., pois se requer lambem o assento dos Dis-
cretos, ou do Capitulo, segundo a diversidade
dos negocios. Cat,. cap. 6. §. 6. 7. No exercicio
desta autoridade elles usam de certas penas, ou
espirituaes, consistentes na excommunhão e em
outras privações, ou temporaes, como jejum,
abstinencia; e segundo a nova disciplina tam-
bem a prisão em carceres, a qual substituiu a
:flagellação outrora muito usada. Na applicação
destas penas elJes se devem haver como pais,
não como senhores. Cav. cap. 41. §. 8.
3 -.Nos Conventos pois p6de haver carce-
res, destinados sómente para o fim de correcção
e emenda. v. Rie9. l Y. §. 6tt. not. Os Correge-
dores das Comarcas devem examinar todos os an-
nos se nelles ha presos, e por que culpas; ou-
vindo-os a elles e aos seus Prelados, e dar Jogo
conta ao Dsb. do Paço no caso de se dever soo-
corrê-los contra a oppressão que lhes façam os
Prelados. Res. ti Mai. em Prov. Dsb. 13 Jul.177ó.
4 A autoridade economica e administrativa
se entrega a Economos e outros Officiaes claus-
traes sob a inspecção dos Superiores. Cav. cap.
41. §. 4, se9.
ó A faculdade de administrar não se estende
a alienar ou hypothecar os bens dos Conventos,
o que sómente se p6de fazer com o consentimen-
to do Capitulo e mais solemnidades. Yan-Espen,
pt. t. t. 31. n. '26.
6 Associação. Os Conventos da mesma Or-
dem estão associados e sujeitos a um Superior o
Capitulo geral ou provincial e á sua visita: dis-
I. Qumito á peuoa. §. 78. 301»
ciplina posterior aos primeiros nove seculos em
que cada Convento era independente. Cat1. cap.
41. §. 9. ,eg.
7 Eleifáo. Os Superiores assim geraes como.
locaes são eleitos pelos Religiosos que teem vo-
to, na fórma prescripta em suas Constituições e
em Direito. v. Cav. cap. 41. §. 13. seg.
8 -Os Seculares que se intromet.terem por
si ou por outrem nestas eleições, incorrem em
!00 cruzados, e dous annos de degredo para Afri-
ca, e devem os Ministros criminaes tirar devassa
deste caso. L. Hi Ag. 1608.
9 Os Abbades depois de eleitos são benzidos
ou consagrados á semelhança dos Bispos, e usam
de ornamentos e direitos Pontificaes, sobre o que
v. Cav. cap. ·41, §. 18. ecap. 40. §. IO. seg.

Sua suJeiçcíoaos Bispos, e ao Papa.


10 Aos Bispos. Os Regulares por Direito são
sujei tos aos Bispos da Diocese, o qual tem inten-
ção fundada á jurisdicção sobre elles, cm quanto
não provarem que lhes foi concedida isenção.
Cav. 11. cap. 41. §. 19.
11 - Estas isenções do poder canonico dos
Bispos lhes foram concedidas geralmente depois
do seculo X pelos Papas, que os sujeitaram im-
mediatamente á Sé Apostolica, commummente
sem os Bispos o saberem, ou reclamando taes
isenções: cuja historia, causas, e inconvenientes
v. no cif.. Cav. cap. 41. §. U. seg. Esta materia
foi emfim regulada no Concilio Trid. Sess. 6.
nif. cap. 3. e seg. !U. seg. Regul. que constitue
a disciplina hoje recebida. v. Cav. cit. §. tá.
Yan-Espe11,,pt. 3. t. h'.. (a)
(ci) A& conlinuas conlend:is de jurisdicção que havia
entre os Bispos e os Regulares do Ultramar, de que já
tralára a Prov. R.2f>Se.t.173:2. foram terminadas e de-
30G Liv. I. I. Y 111. Religiosos.
li -Os Regulares em sepultar os morlol,
(ou em outros taes actos) não podem p8r estola
fóra do adro dos seus Conventos. Yan-Espen,
pt. 1. secç. 4. t. 7. cap. 3. 11. 44. Clement. Du-
tlum. de Sepult.
J 3 .Ao Nimcio. Posto que os Regulares foram
geralmente sujeitos á Sé A postolica, não deve
comtudo o N uncio dispôr cousa alguma sobre as
materias pertencentes ao governo economico dos
Regulares de um e outro sexo, nem admitlir re-
cursos delles senão em gráo de appellação. ÁtJ.
13 Ág. 1770. dirigido ao Nuncio na Suppl. lv.
17. fl I 97. , occorrendo ao costume de interpo-
rem os Religiosos recursos abusivos para a N un-
ciatura e de pretenderem tutos accessos, absol-
vições, licenças, habitos retentos, com o fim de
frustrarem a correcção de seus Prelados, e de
se sublrahirem á obediencia mooastica. Nomes-
mo espirito se havia passado o outro Áv. 14,Jzm.
17•14. v. §. 71. 'li,. :,.

§. 7 9. Stta sufelçáo 0,0 Poder citJil.

l Posto que os Regulares se reputam mortos


para o mundo, não deixam comtudo de perten-
cerá sociedade civiJ, e de ser portanto sujeitos
e os seus copiosos bens ás disposições das Leis
e do Soberano, o qual póde prover sobre a dis-
ciplina monastica: do que sirvam de exemplo
muitas Leis de Justiniano, especialmente as No-
vell. ó. 1!7. e 133. v. Cav. cap. 41. §. !6.
g O exercido do poder Magestatico sobre os
cididas pelo D. 2l Jul. 1779., como, sobre os Parochos
Regulares t!Xercitarem a~ funcc;üe~ parochiues; os Hegu-
lares confessarem e prégarem; deliclos commettidos por
c&Lesf6ra Jo,. seus Con,·enlos, ele. 4ddit. J, 'P• 147. v.
Prov. 30Jul. 179:l.
1. Qua,zto á pessoc,. §. 7 o. 307
Regulares diminuiu muito, depois que e1les fo-
ram sujeitos immediatamenle á Sé Apostolica.
Cai•. cit. §. !6.
3 Comtudo elle se manifestou sempre e ma-
nifesta em : I proteger as Ordens ou Conventos
Regulares ; tomar alguns delles sob a sua im-
mediata protecção ; conceder-lhes isen<cões das
Autoridades civís, dos impostos, etc. 11. Cav.
cap. 41. §. t7.
4 II Em caso de oppressdo ou violencia que
lhes façam os seus Superiores, defendê-los ou
immediatamente, ou por via de Recurso aoJui-
zo da Coroa, o qual comtudo sómente podem in-
terpôr nos termos do §. ? 1. ri. 6. /,. l. ( a)
6" III Mandar punir os Regulares turbulen-
tos e refraclarios nos mesmos termos que o faz
com os Clerigos. §. 67. n. 39. seg. en. 13. (b)
6 IV Regular os esttu.ws das Ordens Religio-
sas; como se fez pela~ providentes Leis publica-
das desde 1769. até 1776. v. Re:port. Geral, letr.
E n. 584. {e)
(a) Não Coram recebidas em Portugal as Bullas Je
Bonif. VIII Gregor. XIII e Clem. V Jll no Bultar.
Nov. tom. 3. que prohibem sob gra\'es penas aos Hegu-
lurcs recorrer ou appellar para M agistrac.lo ou Tribunal
&l'cular, inda no dito caso de oppressão ou viol<lncia.
(b) Excmpws. O D. B Abr. 1736. pcrmilliu reco-
lher-se ao Heino sete C<7ncgm lfogulurcs de Santo Agos-
tinho que o D. 19 De2. 17~6. havia desnaluralismlo.
No Dsb. lv. 3. de D. ft. 8:1. j. -O D. i4 Out. 1761. no
Dsb. lv. 4. de IJcr.ft. 17t. j. desnaturulisu tlcstes Reinos
os Heligiosos que dus Heligiões do Ultramar se passa-
mm pura as Ordeus Militares tios Puizcs estrangeiros :
e mantla que sejam logo expulsos destes Reinos, com a
comminação de serem lmtados como rebeldes se rcgres-
san·m. No Dsb. lv. 4.fl. 17il.j.
(e) Os Hi·ligioso~ de 8. Francisco da Ob,errnncia
forum admittitlos pela Rcs. Cuns. Come. 14 Sct. ctn P,-ov.
19 Out. 17-:1:i.a gratluar-sc cm Thcologia na Uuivcrsi-
308 Liv. 1. t. Ylll. Religiosos.
7 V Promover geralmente o melhoramento
temporal dos Regulares para o que se creou a
Junta eloExame do estado actual e mellwramen-
to temp<Yral das Ordens Regulares, que conhece
dos negocios d&sOrdens Regulares de ambos os
sexos, e dos seus individuos, e os despacha pelo
seu expediente ou consultando a Sua Magesta-
de. D. i9 Nov. 1791. (a)
8 - Ella concede ou nega ás Ordens licença
para acceitar Noviços; tomando primeiro infor-
mações, entre as quaes as dos respectivos Pre-
lados Diocesanos. n. !9 Nov. 1801.
9 -Póde supprimir, unir ou incorporar os
Mosteiros das Ordens de ambos os sexos, sitos
em Portugal ou seus Domínios, nos termos do
BretJe .Apostolico, 3 .Ag. l 790.
1 o Os Diplomas da Sé Apostolica ou de seus
Delegados, relati vos ás Ordens Regulares ou aos
seus individuos não se executam sem preceder
exame e despacho da.Junta, á qual se remettem
da Secretaria d'Estaclo depois de escripto nelles
o Real Beneplacit.o. Der. !i9 Nov. 1791.

c.lade c.leUoirnhm, como se prnlicava na <le Salamanca


011de vão a cavallo nos Doutoramentos, e usam das in-
signias como O:i Religiosos das outras Ordens. Na Gmsc.
lo. baiofl. 10. j.
(a) Pelo Decreto dn creação e.lestaJunta de ti No1J.
1789. s6mente lhe competia consultar a EIRei ouvindo
os Prelados, sobre os meios de melhorar o estado tem-
poral dos Con \"CD los; <le pagarem suas dividas; cumpri-
rem os encargos impostos nas suas rendas; sobre quaes
<levam ~er unidos ,Ju supprimidos; e como os que são
Donalarios da Coroa usem <lc sua jurisdicgão.
1. Quanto á pessoa. §. 80. 309

§. 80. Algtms privileglos, exclttSóes, e prol,ibi,-


fóes relativas ao, Religiosos.

Privikgws.
l Impostos. Os bens dos Regulares são su-
jeitos aos impostos de que especialmente não fo-
rem isentos. v. §. ó3. n. 10. seg.
! - Ellcs pagam pois as duas Decimas de-
terminadas AI. 17 Dez. I8!2f>. com as declarações
ibicl. E podem fazer avença pela collecta com
que contribuam para a satjsfação da divida pu-
blica. v. D. 14 Nov. 18i3.
3 - Aos de Lisboa e Porto se dá livre de
direitos o vinho que jurarem ser-lhe necessario.
Al. 9 Ag. 1777. §. 6. Anleriormente se dava só
meia pipa para cada Frade, e o guisamento ne-
cessario para. a Sacristia . .A.l.!6 Out. 1766. §.17.
e Al . .16 lVov• .17.71.. §. 14.
4· '"'!":' É isento do subsidio litterario o vinho
produzido: emcercas muradas pertencentes á
clausura dos.Conventos. lnst. 7 Ju,. 1787. I. 1.:§.
,. Ed. 18 .A.g.1788, §. 1.
ó Outros varios. Os Religiosos Mendicantes
que possuem bens em commum, não são pessoas
miseraveis para poderem trazer seus contendo-
res á Côrtc. Ass. 7 .A.br. 1607. . .
6 O Convento do Santissimo Coração de Je-
sus tem exuberantes privilegios concedidos pelo
Al. l Jul. 178!2.; tem por Juiz privativo o Juiz
da Coroa·da primeira Vara. Al. ~6 Fev. 1799.;
em Jogar do Corregedor do Civel da primeira
Vara, que o era pelo cit. Al. l Jul. 178!2.
. Exclusões e proMbi'çóes. .
: 7 · Exclusões. Como os Regulares se reputam
310 Liv. 1. t. Ylll. ReUgiosos.
mortos. Cai,. li. cap. 36. §. 13.; são portanto
excluidos:
8 I De todos os Officios, mesmo ecclesiasti-
cos, e de todos os negocios seculares, salvo se
alguma vez forem mandados pelo Bispo. Cm,.
cit. §. 13.: e não podem portanto ser Commis-
sarios da Bulia da Cruzada. C. R. i:°>.Ttll. 161:',.
9 -sãocomtudo admiltidos aoensino publi-
co da mocidade e aos concursos das cadeiras de
Primeiras lettras, Grammatica, e Lingua Lati-
na; e Grega, Philosophia, e Rhetorica sem dis-
tincção dos Seculares, com as declarações do .Al.
10 Jun. 18!26., e leem igual direito de pedir apo-
sentadoria ou jubilação com todos os privilegios
o honras. cit . .Al. §. 14. ló.
1 O II Dos Beneficios ecclesiasticos seculares,
salvo por dispensa Pontificia. Os Benefieios Re-
gulares lhes pertencem, principalmente os que
são relativos ao regímen monastioo. "· Cav. lY.
cap. :,1. §. 2. Pan-Espen, pt. t. I. 17. cap. 3. "·
11. - Que o Regular dispensado para viver no
seculo com habito retento está apto para qual-
quer Beneficio opina Yal. Cons. 60. n. 14.
11 III De votar nas Assembleias primarias,
elles e os que vivem em Communidade claustral.
Consl. A. 66. §. 4.
1! IV De terem aldeias ou terras da Coroa •
.Al. ~4Dez. 1609.
13 P,-ohibifóes. Prohibe-se-lhes: I saír do
Convento sem companheiro. §. 77. n. t.; e co-
mer fóra delle sem especial licença do seu supe-
rior. Ca11.11. cap. 38. §. ló. - II entrar escanda-
losamente em casas de mulheres, do que na Jus-
tiças seculares avisam aos Prelados. L. ló D~.
1608. §. t I. Sendo achados com mulher, são Jogo
remei.tidos ao seu superior. O. Y. t. 31.pr. Rep.
11. p. :'>96. vb. Frade. - III sair do Reino sem li-
I. Q'llanlo á pessoa. §. ao. 311
cença Regia, posto que a tenham dos seus Su-
periores, sob pena de mandar EIRei proceder
contra elles com as penas que o Direito permit-
tir. v. D. 30 .Ag. 1636. excit.pela Bes. Cons. Dsb.
16 Out. 1686. No Dsb. lv. 9.fl. !1?37.- IV Os do
Brasil vir para Portugal sem licença dos Prela-
dos e approvação do Governo. C. B. ta .Abr.
1674-. - V Os estrangeiros (o mesmo com os Bis-
pos e Clerigos) embarcar-se para o Brasil sem
licença Regia. C. R. 41'ev.1694,.; ou para alo-
dia e mais Conquistas. C. R. !i Set. I6tO. e Bes.
tOJteu.164',?.-VI Os que t.omaram habito em
Reino estranho foram expulsos dos Conventos, e
se prohibiu a sua readmissão . .Av. ~6 Mai. 1769.
14 Nos actosfudiC'iaes: litigar em Juizo co-
mo autores, nem como réos, com as excepções
do §. óf>. n. ! 1. v. §. 84,. n. 7.
ló Nos casos em que o Religioso póde estar
em J uizo, não o póde fazer sem licença do Supe-
rior. Silu. á 0.111. t. 47. §. õ. n. 7. 8. 10. !tO. ~l.
Per. So. 1. §.. 4,t. 49. salvo: I se está fóra do
Convento com licença, e não ha alli Superior
que lhe dê a dita autoridade. Silv. n. 11. H.;
ou está tffo longe que ha perigo na demora. Silv.
tJ. 13. : II se litiga com o mesmo Prelado ou
Convento. Silv. n. 14. 16.: III se trata de im-
pugnar a profissão. Silv. ,i.17. 18.: IV se tem al-
gum Priorado ou outro titulo de Beneficio. Silv.
n. 16. Nestes casos não é mesmo necessario que
o Juiz suppra a falta da dita licença. Silv. n. 19.
16 -Os Conventos que não possuem bens
em commum, demandam e são demandados na
pessoadosSyndicos. Yatlguerr,. J/. cap . .31. n.·!3!.
17 - O ~atador de Frade para o JivramentQ
deve fazer citar os parentes do morlo, não o
Mosteiro. Rep. J. cap. 466. vb. citação. Cab. ibi.
18 - O Prelado póde vindicar a injuria fei-
31!2 Liv. 1. I. YIII. Religiosos.
ta a algum dos seus Religiosos. Per. Class. p.
168. §. 6.
Pt. II. Quanto ao, bens.

§. 81. Âcquisiçáo de bens pelas Orden,


ou Cmiveutos.

1 Os Monjes que originariamente viviam do


seu trabalho (pois era no principio desconhecido
o mendigar) adquiriram com o tempo immensos
bens e riqueza, pelos meios de que "· Ca11.li.
p. 36. §. lá.
i Os Mendicantes pela sua instituição não
podem possuir bens t.emporaes; e vivem de es-
molas, posto que a Regra de S. Francisco só
lhes permitte mendigar quando não poderem sus-
tentar-se pelo trabalho manual. Segundo adis-
ciplina presente, se lhes permitte fazê-lo modes-
tamenle, e com o consentimento da Autoridade
civil, uma vez que coadjuvem os Parochos, e
sirvam ao povo. Yan-Espen, pt. J.. t. 19. cap. ó.
n. 38. seg. Cav.11. cap. 36. §. !4.
a - Como porém as esmolas nã'.o lhes bas-
tassem, se lhes permittiu por Bulias Pontificias
e pelo Concilio Tridentino poderem, sem cUstinc-
ção de sexo, adquirir e possuir bens teinporaes
em commum, excepto os Capuchinhos e Meno-
res da Observancia, que nem bens moveis po-
dem possuir. Trid. &ss. !ó. Regular. cap. 3.
Cav.11.cap. 36. §. !i!6. Yan-Espen, cit. t. 29. cap.
ó. n. 19. 16. seg. Peg. ó. for. cap. 107. n. 44.
4 A acquisição porém de bens de raiz pelos
Conventos se restringe pelas Leis de amorlisa-
ção. t1. li. l. t. da amortisaçáo.
]J; ª"ª"'º ªº' bem. 9· 81, 313
§. 8!. Dotes e iençàs cio;Rel/giosôi.
1 Dotes. A profissão Religiosa deve ser graa
luita. Os dotes ou outras quaesquer presta~
que se exigem para a sustentação dó Noviço,
para as festas da profiss~o; etci aão simoniacas 1
e foram sempre reprovadas pelos Canones; airt-
daquando o Convento ou a Ordem são pobres:::
com tudo com ,este pretexto se palliam ha muitos
seculos, e geralmente estão em prática os dotes
das Freiras, e em alguns Paizes tambeni os dos
Frades. Yan-Espen, pt. 1. t. !6. cap. 1. 1. ft
dissert. de peculiarit. pi. 1, cap. 1. Cav. II. cap.
38. §. !20. _ _ . ..
t -- Não se deve porém confundir o que se
exige da parte do Mosteiro com o que o Noviço
voluntariamente offerece. Cav. cit. §. to.
:J - Em estabelecer os dotes das Freiras se
inandou observar a fórma da consignação de ten-
ças annuaes, que se pratíca no Convento de N.
Senhora da Luz. Brevé de 13 .Ag. 17õ6.
4 -OA.,,.t3Fev.1771. ordenou que se es-
tabelecessem tenças annuaes. _
· ó -""- Commummente se applicain a estes do-:
tes os favores concedidos aos de casamentoi pela
analogia do matrimonio temporal com o espiri-
tual. Siw. á O. 111. t. 1:;. §. õ. n. 6. Barb. á
mesm. ti. l. Mcw.lv. !. cap. 8. n. 4. a 17. .
6 --- Se a Freira morre no anno do Novida-
do, resÜtue-se o dote, Barb. á Àutii. Íngressi C.
Sacr. Eccks. n. ó. Pinatel, tom. l. Com. 366.
7 --- Uma Freira de um Mosteiro sendo obri-
gada a transferir-se para outro, o primeiro re..-
titue o dot~ ao segundo: no Rep. 1/T.p. 18&.vb.
Prel,ados que. _ . . ·
8 T~as. Os individuôs de qualquer Com-
mliiiidade Regular ou Secular podem receber por
PART. J. !l
314 Liv. 1. I. Ylll. Religiosos.
doação ou testamento a titulo de alimentos, ten-
ça vita:Iicia da quantia que aos testadores ou doa-
dores aprouver. L. tb Jun. 1766. §. 10.jmit. D.
17 Jul. 1778. §. Pelo que. (a)
9 - Estas tenças sáiem da herança do tes-
tador; e não da terça, nos termos do .Ass. U
Jun. 1777. •
10 - O dote e a tença se costumam estabe-
leéer por contracto entre o dotante e a Prelada
com as Discretas. A fórma desta escriptura e da
renuncia da filha t,. em Yang,,erv. pt. 6. cap. 3.
n. 176. seg.
11 - Ao ingresso das Noviças precedem in-
formações dos Prelados Diocesanos para legi ti-
maçã~ e segurança. das escripturas das presta-
ções vitalicias . .Av. 14 Jun. 1817.

§. 83. Âcqttisiçâo pelo Religioso.


1 Tudo o que o Religioso professo adquire
pe]o seu trabalho, doações de amigos, ou por ou-
tro qualquer tit.ulo, se incorpora logo no Conven-
to para uso e utilidade commum: nada póde re-
ter como proprio: alli tudo é nosso e vosso, nada
meu e tett : o Religioso é· incapaz de todo o do-
minio e posse. Yan-Espen, pi. 1. t. 19.· cap. 6.
Peg.for. cap. to. n. 31. 9ó. Cav.11. cap. 39. §. 3.

(a) Pelo cit. ~- 10., 1.0 se taxava a quantia que se


poderia deixar de alimentos vitalicios ao Religioso; i. 0
16menle se podiam deixar a filho, irmão, primo co-ir-
mão, ou sobrinho filho de irmão. -A primeira destas
circumstancias foi revogada pelo cit. D. 17 Jul. : a segun-
da parece que não, ibi - os alimenlos ou lenças vilali-
êias, 'l"e pelos pais, testadores, ou doaàares (arem deixa-
dos ou doados ás pessoas nelle (no cit. ~- 10.) contempla-
das. - Por vitaticios se inte11de, que não sejam além da
"ida do nli mentario.
11. Quanlo aos bens. §. 83. 31&
Mend. á L. cum oporlet, C. de bon. qua: lib. n.
1!29. ltlor. lv. !2. cap. a. n. 6. 18. ·
1 Està proposição procede indaque se~º""
tractasse o contrario; que o Religioso esteja f6ra
do Convento; tnesmo sem habito; que tenha fi-
lhos; etc. Yal. Cons. 14. n. t.
a As cousas adquiridas pei'tenceltl ao Con•
vento onde professou, do qual se considera como
filho. cap: in prresentia X. de prob. Cano,a siqU4
rn. qurest.fin. Cab. dec. 163. n. L
4 • - Se se traslaclar para outro de diO'erente
Ordem, para esle começa a adquirir. Can. ,iquii
jam, t l. qtirest.!2. Cab. n. ·:-,.7. l E sendo da me~
mal v. n, !. 3. 4. ·
f> Peculio, ~ào pois contrarios á profissão os
peculios monasticos, se., o que algum Religioso
ndquiriu pela sua poupança, trabalho, ou libera-
lidade de amigos, e o conserva parn seus usos,
separado da administração do Convento: nem o
escusa dizer que só tem o uso, e que a proprie-
dade pertence ao Convento, ou que o faz com
permissiio do Superior. l'at,. cap. 39. §. 4. 6.Trid~
Sess. !l!f>.Regular. cap. 3. Yan-Espen, dissert. ~
peculiarit. pt. I. cap. !. no tom. ó. e cit. t. t9.
cap. 1. .
6 - Se porém o Convento não lhe dá tudo o
necessario, póde usar do pecu1io, como de cousa
propria, Yan-Espen,-cü. t. !29. cap. 1. e cit_,
Dissert.
§. 84. Conlraclos e testamentos do Religioso.
Contractos.
1 O contracto feito com Religioso é nullo, e
não obriga nenhuma das Partes. Peg. tJ.for. cap.
10. n. 97. j. De co,iventione, e n. 98. j. Si er~,
e j. Eodem, e n. 106. Mor. lv. t. e. !O.
rll •
316 Lw. 1. t. Y/11. Rellgiosos.
1 - indague seja com o Prelado do Conven-
to. Peg .•cit. v. eodem eseg.; ou com o Procura-
dor. Peg. cit. n. 98. j. Nec ego.
3 -excepto: I se a obrigação ou divida foi
contrahida para utilidade do Convento, o que
deve provar o contrahente. Peg. n. !JB. cit. j.
Eodem seg. e j. Primus, secttndus, tertius : II se
o Religioso estava autorisado pelo seu governo
paracontractar. cit. Peg. n. '1.7. j. Decvnventi<>-
ne, e n. 98. cit. j. Primus, etc.: III se a obriga-
ção ou divida do Religioso foi contrahida antes
do &-eu ingresso, no qual caso passava para o
Convento, dentro das forças do que este herdas-
se ou adquirisse para elle ; e isto indaque não
fizesse inventario. Peg. cit. cap. ~o. n. 98. f.
Eodem, e n. 109!. Yal. Cons. õ!2. n. 47. Silv. á O.
Ili. t. su. e t3. n. ó3, ó4. L. to. t. (J,, partit. 3.
Hoje v. §. 86. h. l.
4 Permitte-se comtudo ao Religioso nomear
prazo (ben1 como ao condemnado á morte, ao
deportado), porque a nomeação consiste em fac-
to, não em direito. Peg. cit. cap. ~o. ,i. 14.
DD. ibi. Cald. nomin. qt. 6. 6. Mell. 111. t.
11. §. !:?4.
ó f: porém necessaria licença do Prelado para
o Religioso poder füzer acto ou negocio civil.
Peg. 1.f01·. cap. 1. ti. !i!07. ecit. !O.portot. como,
fazer cessão. ihid. : ser administrador ou testa-
menteiro. Peg. ó. for. cap. 81. n. 37. etc.
6 Para se dar dinheiro a juro a Convento ou
Congregação Religiosa, devem preceder as so-
Jemnidades estabelecidas pelo .Al. t:2 Jun. 1768.
a favor da Casa Pia em quanto forem applica-
'Veis; aliás é o contracto nullo e sem effeito al-
gum . .Al. 6 Jul. 1776. occorrendo ao abuso com
q1.1em,dtas 01·dens Religiosas tomat•am excessi-
t•os dinlu:iros a Jitro por sem Prelados locaes, e
11. Quanlo aos bens. §. 84. U '1
se viam gravadas de dividas, que ab,o1'1Jemseus
rendimentos até virem a f allir.
7 Pela obrigação feita validamente com o Re-
ligioso, deve ser demandado o Convento, pois
aquelle é incapaz de estar aJuizo. Peg. cil. cap.
20.n.97.v.~80.n. 16.16.k.t

Testamenlos.
a O Religioso professo não póde fazer testa-
mento, nem revogar o que houvesse feito antes
da profissão. O. IY. t. 81. §. 4. cap. !2. :x. de lei.
tam . .Authent. lngressi 17. Sacr. &eles. Peg. l.
for. cap. to. n. !2. 9. seg. Yal. Pari. cap. 16.
,,. 18. ( a)
9 -inc1aque: I expressamente reservasse esta
faculdade. Peg. n. 1\2. : II que seja elevado ao
Episcopado. Peg. n. (i. "· §. 8õ. n. ~. li. l. : ou III
secularisado. Peg. n. 11. v. Res. 16 Dez. 1809.
remeti. á Supplic. em Âv. 4.Dez. 181!2. v. cit. \,
8õ. "· !.
10 Sómente póc1e testar tendo licença Pon-
tificia. Yan-Espen., pt. !!. t, l. cap. 7. n. eé ,1.
opin. comm., se., sendo esta munida com o B~
neplacito Regio; pois concorrendo assim os dous
Poderes, ficam dispensadas as duas referidas pro-
l1ibições Canonicas e Civil. fb)
(a) Ante,, c.leJustiniano se lhe permiuia testar; o
que emfim Jbe prohibiu este Imperador, e o mesmo Oi•
reito Canonico. v. làv. ccip.36. §. 3.
(b) Exemplo na Lia. C'.ons. Dsb. !a6 Des..1809. que
negou o Beneplacito ao Rescripto de Roma, que per-
millin a F. Presby tero seculari1ado da Ord~m da Peniten-
cia o poder herdar e testar. - Nesta Consu ha se diz "que
posto que a grnça da seculari.suQão moderaue ou rela.:.
xasse alguns effeiloa da profmão Religiosa, aão podia
comtudo alterar a1 Leis civís, segundo as quaes o sup-
plicnnle ficára pela profissão iHhabilitudo para herdar e
testar; que quanto á faculc.lade de herdar, tinham jlÍ
318 Liv. 1. t. /7111. Religiosos.
11 A prohibição de testar não impede que o
Religioso possa declarar ou interpretar o seu tes-
tamento anterior. Peg. cit. cap. !O. n. 13. 3f>.
Jt Tambem se prohibe ao Religioso escre-
.ver em testamento ou codicillo, herança ou le-
gado para a sua Rei'/.' ião, sob nullidade . .Al.11.
t Mai. 1647. v. lv. 1 . dos testamentos.
13 Antes da profissão póde o Noviço fazer
-testamento ou doação mortis causa, e ~ubsistem
estes actos depois della. Pcg. cit. cap. !O. n. 16.
lti. 67. Mell, 111. t. ó.§. !4. /?al. Pari. cap. 16.
n. 17. Feb. dec. 136. n. 7!28.
-posto que o testador inda não cogitasse
de entrar em religião. l'eb, cit. n. 33. seg. DD.
·ibi. Contra Yal. cit. cap. 16. n. 17, ·
14 O testamento feito antes da profissão, con..
summa-se, e se deve abrir e cumprir logo que
esta se verifica, sem esperar a morte do testa-
dor. arg. L. 9 Set. 1769. §. 10 . .Addic. aFeb. dec,
136. Peg. t. for. cap. ~o. n. ·19, !O., onde se d6
por opi~i, comm. (a)
seu direito adquirido os legitimo& herdeiros dos paren-
tes, a quem o supplicante podesse succedt!r; e quanto a
testar, er~ com o Rescripto prejudicada a Coroa, para
quem vagavu a sua herança, porque nem lhe podia sue-
ceder o Convento depois de secularisp.do, nl'm elle tes-
tar pela prohibição da Lei." Estas propo~içõe:1não são
exactamente verdadeiras, como se verá nos respectirns
Jogares desta oura, e o citado Rescriplo valnia uma ve~
que obtiveiSe o beneplacito Regio, que muita!! vezes se
tem concedido em cusos i<lenticos.
(a) Hoje parece indubitavel esta proposição, pois se-
gundo a cil. L. §. 10. ficam pela profissão extinclos to-
dos os direitos do sn11gue, e os H.eligiosos reputados mor-
tos, sem que o Convento possa pretender direito aos bens
do Noviço. Não ignoro comludo quão graves sejam os
DO. que opinam o contrario, se., que se deve esperar
a morte <lo Religioso, e que entretanto o Com·enlo ad-
ministra os bens hcrcditarios 1 e n<lquire os seus fructos
II. Quanto aos be1u. §. 84'. S 19
lf> Qualquer obrigação ou renuncia (ialer
vivos) que fizer o Noviço antes da profissão, nãQ
vale senão sendo feita dentro dos dous mezes que
aella precedem, com licença doBispo ou do seu
Vigario. Trid. Sess. tf>. Regul. cap. 16. ~l,re o
que v. Cav.11. cap. 37. §. 7.
16 - Esta disposição não procede a respeito
dos testamentos e outros actos de ultima vonta-
de, e assim o declarou a Sagr. Congreg. do Con-
cil •.cit. Cav. §. 7. Yal. Part. cap. 16. n. lf>. Feb.
dec. 136. n. 3. 6. l~. 13.
17 - Sobre as renuncias da legitima, etc.
que fazem os filhos antes de entrar em Religião
v. Peg. cap. !!O. n. 86. Yanguerv, pt. 3. p. 80.
Guerr. Ir. 4. lv. a. cap. 17. y. §. 8ó. n. 10. seg. h. l.
18 -O pai que entra em Religião sómente
dispõe da terça, e não pócJeprejudicar aos filhos
na legitima. Yal. Cons. !J. n. 5.
§. Só. Successáo acliva e passiva do Religiosa.
Successâo activa.

l Ab inte~tato. Os Religiosos de ambos os


sexos, inda os professos nas Ordens que podem
possuir bens em commurn, são excluídos não só
de serem herdeiros ab intestato, mas das heran-
ças ou legilimas pat.ernas ou .maternas, repu•
tando-se os direitos de sangue extinctos pela pro-
fissilo. L. 9 Set. 1769. §. 10. mantido pelo D. 17
Jul. J 778. , revogada a O. li. t. 18. e as mais
por via delle. Mell. lll. t. ó. §. !4. Egid., De Luca,
Boehm. ibi. v. Peg. t.for. cap. 11. n. 59. cap. 19. to. !4,
ó8, ó9. 77. Nesta opinião porém se Jeve exceptunr, se o
Con,·tmlo é incapnz de ter bens; no qual cuso a herao•
ça e legado se devolvem logo pela protisslo. Peg. cáp.
!O.n.H.
ato Liv. 1. t. PIJI. Religiosos.
Leis e doutrinqs omllrarias, com penas a quem
J°ul,garo contrario. (a)
i - Esta exclusilo comprehende tambem os
Religiosos que foran_i, I promovidos ao episco-
pado. Yan-Espen, ctl. cap. t. n. 11.; ou II se-
cularisados ; pois o Breve de secularisação mo-
dera, não extingue a profissão. loit, lles, ~6 Dez,
1809. .
a Ex testamento. Os Religiosos tambem não
podem succeder ou herdar ex testamento; pois a
cil. L. 1769. §. 10. os considera como mortos. O
§. JO. da L. 'ló Jun. 1766. eensen,ado pelo n. 17
J"ul. 1778. sómente lhes permitte receber uma
tença fllimentaria nos termos acima, §. 8!!. n. 8.
~eg.·v. Mel/.!1II. t. ó.§. 31. n. I. - ... zE o legado
deix~do a uqi Convento vale 1 Eu opinaria que
siJD, s~v~ JI.SLeis de amorlisação; porque a cit.
~~ 1769. §. 10., fali~ sómente das heran'ias. (b)
4 lg~almente são os Religiosos exclu1dos de
~uçceder em morgado. cit. L. 9 Set. 1769. §. I J ~
Successâo p'1ssiva.

6 Ao Religioso succede o Convento como seu


herdeiro em todos os bens e direitos existentes
p.üfsqa IJJO?t~. :fev.t.for. cap.10. n. 89. seg. V,
(a) O O. R. admiLLe os Religiosos ás herençus legi ..
timas, as qqaes adquirem para o Mosteiro. L. ó6. C. de
$pi,ç. el Cler. Q11,. II. cap. 36. §. !2.: porém ·este Direito
Jtimsigo gerqhnenle revogado. lao. cap. 39. §. a. Yan-.
:,Iape,i,p_i.l. I. i9. cap. t. ·
· (b) Esta queatãq dijnles limitava-se aos legados de
benli d~ raiz, e ~ps Çap,Qc~Qs e l\fenores da Observan-
ci:-1,qqi, niio P.<><lempossuir bens em coqimµm ; e ,;e de-
cidia que o lega4o se deve vender logo e entregar-se o
produclQ? J>Qisesrn.s Orden! uão pod~~ pos,;uir nei:µ pelo
anno que concedem as Lea, de amorlt,;ação. v 1 .fe,g. ~:
for. cap. ll. 1ub.n. ~03. j. Sedha:c, cap.8!'!1. ·~·
11. Quatilo aos bens. §. 8õ. 3H
Mor. lu. t. cap. 8. n. 14. 1e9. Cav. 11. cap. 39.
§.6.(a)
6 Estes bens se chamam espoli'os (despojos),
porque depois da instituição dos Beneficios re-
gulares e Commendas, os Religiosos para se li-
vrarem da nota de propriedade costumaram no
tempo da morte despojar-se nas mãos dos Supe-
riores dos pingues bens que possuiram em resul-
tado dos ditos Beneficios e Commendas. Car,.11.
cap. 39. §. á.
"'I - A Sé A postolica pretendeu pela Bulia
de Gregorio XIII occupar os espolios dos Reli-
giosos aposta tas ou que morriam tõra do Conven-
to; porém aquella Bulia não foi recebida em Por-
tugal, nem o permiUe o costume geral deste
Reino. Rep. 1. p. 495. vb. Clerigos tendo. {b)
8 A successi bilidade do Com'ento ao Reli-
gioso é visto não proceder a respeito do Noviço,
que follece antes da profissão ; pois era inda Se-
cu lar, e como tal se regula ~ s'-"asuccessão. Mell.
111. t. 8. §. 9,
9 - Nem tambem procede a respeito dos
bens e direitos que o Religioso tinha antes da
profissão; pois nesses nada tem o Convento, mas
logo pela profissão pertencem a seus parentes
pr-oximos, ou n quem elle contemplar em suas
disposições. arg. cit. L. 9 Sei. 1769. §. 10. 11.
(a) Rigorosamenle não 1mp6JP. cli7.er que Lenha suc-
cessor quem nada lem seu : aquclles bens e dirP.itos con-
tinuµl)l depois da Q')Orte<loReligioso t\ ~er <loCon\'rn\o
como já Juntes eram.
(b) Coherenlemeute m;inqou n C. R. rn Abr. 1608.
que não se const·nlisse aos Colh:itorns tomar posse dos
r:spolios <los <litos Religiosos, por não h~,ver sido rt:ceui-
da em Porlug11l a rt>feriqp. Bulla; e que os Corregedo-
res dns Comarcas pozessem em arrecada~> aquelles es-
polios, e dessem parte u ElRci purn se cnlregur~m 4\
quem pertcucessem.
311 Liv. l. t. Y/11. Relig. II. Q. aos bens.§. 86.
1O llegra geral. Os direitos do sangue ficam
totalmente ex ti netos pela p,rofissão. Os que pro-
fessam reputados como se mortos fossem para o
mundo : e não podem mais apparecer. nelle, para
inquietarem as familias de seus pais e parentes.
L. 9 Set. 176!>. §. 10.
II Cessam pois hoje as seguintes doutrinas,
outrora vigentes: I Que a legitima do filho, cujo
pai ou mãi entrou em Religi'ão, sómente se lhe
deve pela morte, o não pela profissão; e que en-
tretanto desfruct.a o Convento a legitima. Peg.
I.for. cap. 20. n. 59. DD. ibi.
1!2 - Que o filho que entra e professa em
Convento (sem dispôr) transfere para elle todos
os seus bens adventicios, indaque o pai não con-
sinta na profissão. Autl,ent. lngressi C. Sa.cr.
Ecc'les. Cald. nomin.. qt. 19. n. i~ Mend. á L.
Cum oportet, n. 1!29.: ficando porém o usufruc-
to salvo ao pai em quanto vivo. te:xt.e DD. no
cit. Mencl. v. Per. dec. IOõ.
13 - III Que se o filho entrado em Conven-
to morre em vida do pai ou mãi, são estes pre-
feridos quanto á legitima nos bens que o filho
tinha quando professou. Feb. dec. 71. n. 16. Yal.
Cons. '24. ti, ó.
J4 - IV Que em quanto vive o Religioso,
pertence ao Mosteiro o usufructo de seus bens.
Feb. dec. 13. n. 8.
:Uv. J. I. IX. OrdensMilitares. §. 86. aiu

TITULO IX.

DAS ORDENS MILITARES,

§. 86. Quaes são, quem, e como se admitte


a ellas.
1 Quaes sáo. Entre os Regulares se podem
contar as Ordens Militares, que se ligam tam-
bem com os tres votos de obediencia, pobreza
e castidade, e se obrigam a defender com armas
a Fé e a Religião contra. os lnfieis. v. Cav. li.
cap. 36. §. ti. ( a)
\? Elias são tres em Portugal, se., de Chris-
to, de S. Bento de A viz, e de 8. Thiago da Es-
pada, verdadeiras Ordens ou Religiões, approva-
das pela Sé Apostolica com os tres votos, mes-
mo quanto aos Freires e Cavalleiros que vivem
fóra da clausura; corno da de Christo- ensinam
os seus Estatttt. pi. l. t. 6. 7., corifirrnados por
.Al. 30 Mai. 1627. : e é a princi pai obrigação dos
(t,) As primeiras Ordens Militarc., mui, cdch,es fo-
ram a dos 1'emplarios, do~ Hospilalm·ios, e dos 7e1tl,>ni·
cos, instituidas no tempo ,las Cruzadns ou expedigoos
para a 'l'errn Santa, e npprovndas pelo~ Papas O, Ca-
nlleiros deJlns vh•ium como os Conegos Hegulnres pela
Regra de Santo A gostinho; e se multiplicaram e enri-
quecernm demnsladamenle: até qUt~, sendo-lhes tomada
em 1\291 a Cidade de S. João d ·Acre, foram olirigndos
a abandonar os seus estabelecimentos nn Palestina, e a
procurá-los na Europa. ,\ dos Templndos foi emí11n tix-
tincta no Concilio Viennense pelos esforços de Filippe
oBcllo. As outras duas se consen•nm ainda com muitas
riquezas e Priorudos, Com mcqdns, e Buliados. Ao e~_cm•
pio destas se imtiluiram outras na Europa, como em
Portugal as lres de que a11ui se trata. v. Cav. cit. §. ~~-
314 Lfo. J. t. IX. Ordens
Cavalleiros pelejar contra os inimigos da Fé com
proposilo de morrer por ella. cit. Est. I. 11. "·
Mell. 11. t. a. §. 4ó.
1 - a. Estas Ordens, e o numero, insignias,
prerogativas, preferencias, e qualidade dos Grão-
Cruzes, Commendadores e ·CavalJeiros se refor-
maram e regularam pelaL. 19 Jun. 1789, Al. 10
J11n. 1796.
3 .Admissão. Para ser admiUido á Ordem é
neceeaa,ia nobreza e limp'eza de sangue .. Est.
Christ. pt. 1. t. ia.: para o que se tiram noJui-
zo das Ordens as provanças ou inquirições dos
habilitados segundo os cit. Est. t. 19.
,1, Na limpeza de sangue nunca se dispensa.
C. R. !8 .F~ev.1604,, (Hoje cessa esta qualidade.
v. 1,,, l. dos infames.) Com filhos illegitimos se
tem dispensado ~ exemplos nas CC. RR. 17 Jul.
lfil8. 3 Jul. If,!24.
:, Sem precederem as ditas habilita~• não
JlÓde ter effeito a mercê do Habito. D. i7 Mar.
17:L!. D. ~3 Nov. 1797.
6 -aquellc que as impelrou, devehabilitar-
sc~para professar dentro de lres mezes da data
da mercê. D. ao.Abr. 1793. "· C. R. !28 Fev.1630 ..
lles. H>Deiz.1746, D.taNoo.1797.
7 - Esta habilitação e a Portaria Provisio-
nal são neccssarias, indaquando a mercê contém
a faculdade do immediato uso da insignia. D. !3
Nov. 1797. Ed. !26 Fev. 1798. (a).
8 Aquelle que sem titulo usa das insignias
de qualquer das tres Ordens, é preso por lres
mezes; pága 4 I reis, etc. O. Y. t. 93. pr. v.
(a) · Por este D. e Edict. se as,ignou aos que usavam
doà Habitas c..lasOrdens sem se habilitarem, um prazo,
<lentro do qual recorreriam á Mesa, sob pena de mandar
ella tirar-lhe,; <>lihabitos, e ficarem excluidos da entra~
Jn SClll no,•a mcrcc,
Mili'tans. §. 86, 3iã
Bes. 13 O,,t. 1710. excit. pelo cit. D. !t Nov. "
Ed. iS Fev.
9 Sómente os Grão-Cruzes e Commendado-
res podem trazer chapas ou sobrepostos nos ves-
tidos. .Al. 1o Jtm. 17 !J6. §. 1.
Como, e a quem se cmtferem as distincçóes, Be-
neficias, e Commendas das Ordens.
10 Distincçóes e Digniclades. Nas Ordens Mi-
litares ha as distincções e Dignidades de Grão-
Cruzes, Commendadores, e Cavalleiros. L. U,
Ju,i. 1789. §. 4.
11 A precedencia entre os doze Grão-Cru-
zes foi regulada pelo .Al. ló Set. 1789., entre os
Commendadores pela L. l!J Jtm. 1769. §. ~l. ti.
li Estas tlistincções, e as insignias corres•
pondentes foram instituídas para satisfazer gran-
des serviços, especialmente os que se faziam na
guerra contra os Infieis. v. Repim. 3 Jun. lb7!l.
cap. ló. CC. BR. iB Fev. 1604. 6 Mai. 1614. 16
D~. 1636. et4De~. 1636. (a)
13 - F.sta ma teria se regulou novissimamen-
te, e foi destinado o provimento de Cavi,lleiro
da Ordem de A viz para premiar o corpo mili-
tar. L. 19 Jtm. 1789. §. '529. 30.; pertencendo o
habito com tença aos Officiaes desde Capitão até
Coronel nos termos do .Al. 18 De~. 1790. §. 18.
19. ; o provimento de Cavalleiro da Ordem de S.
Thiago se destinou para a Magistratura até Ag-
gravista da SuppJicação. C'it. L. 19 Jun. §. 31.; a
(a) Segundo os citt. Estai. Christ. as Commendas e
mais bens da Ordem s6menle se <.Iãopelo i:;enigo <le :l.
4. ou ó. annos em Africa ou nas A rmn<las, ou por servi-
ços assignalndos na InJin. Est. pl. 2. t. l. 4. 9.: e o ha•
bito pelos serviços declarados no t. 3. O Grilo-Mest.re
p6de fozer promessa de Commen<la por serviços já fei•
tos, ou pelos do pni ou avô. t. 6.
3tG Liv. I. t. IX. Ordem
Or~em de Christo para os cargos e serviços
maiores. §. 3!.
14 -Não se póde peclir mercê de Habito de
qualquer deJlas para o renunciar: póde-se só-
mente pedir licença para o renunciar em deter-
minada pessoa. §. 36.
I b Reneficios e Comme,ulas. Nas Consultas
sobre provimento das Igrejas e ~ais Beneficios
das Ordens, e nas info1·maçõesque se pedem aos
Priores,.m6res, se deve tratar da qualidade, vi-
da, e costumes dos pretendentes, como se pra..
tíca nas Igrejas do Padroado Real. C. B, I. li
Nov. J 637.
16 - Nos Editaes para o provimento se de-
clara que o Grão-Mestre ha de escolher um dos
tres que a Mesa das Ordens propozer. CC. RR,
4 Abr. 1637. ao Out. 1636. õ .Abr. 1636. ta
Jm,. 1636.
17 - Pela C.. R. ~3 Mar. !613. não podem
os Freires das Ordens ter mais de um s6 Be..
nc6cio dellas. Esta prohihição se modificou pela
C. R. Ili. !26 Out. 16!3.
18 -As CC. RR. 10 Out. 1608, e 10 Mar.
1609. prohibiram os Relis-iososda Ordem de Chris-
to ter Oflicios ou Benehcios f6ra da clausura.
19 -O provido em Igreja, Bene6cio, ou
Commenda da Ordem de Christo, não toma pos-
se sem pagar os tres quartos applicados ao Con-
vento de Thomar . .Al. 18 Ou,t. 1646.
to .- As Conimendas só podem ser providas
ctn naturaes deste Reino. Est. Christ. pt. 1. t.
1. C. R. 13 Jul. 1616, Quanto ás de Malta"·§.
13. n. 7. A. l.
! 1 - Ninguem p6de ter du~ Commendas;
mas póde ser melhorado em outra de maior ren-
dimento. "· Est. Christ. pt. t. t. õ,
!!2 -Quem acceita uma Commenda na sua
Mililares. §. 8(;. S!7
lotaç5o, não póde depois requerer melhoramento·
por dizer que ella ren<le menos da lotação em
que lhe foi dada . .Al. 30 Dez. 18ló. Regim. 9
Ja11. 1 ó7 l. §. !O.
!3 -O provido em Commenda, deve largar
a tença que tiver da Ordem. Al. ó Jari. 1606.
!4 - Não se permitte ao agraciado com Com-
menda ou tença traspassá-la em outrem, nem o
Secretario das Mercês póde acceitar petição ten-
dente a este fim. D. 18 Dez. l6i6.
!!ó Os agraciados com Beneficios e Commen-
das das tres Ordens, inda por successão, não as
podem de~fructar sem se haverem encartado e
tomado posse, com as excepções e declarações do
Al. 10De~. 18tó. Anteriormente se haviam man-
dado encartar dentro de um anno pelo .Av. 13
Out. 1790. v. D. U Jan. I77ó.
9W Os sequestros que se fazem aos Commen-
dadores para pagamento dos quartos, meias an-
natas, e mais despezas dos encartes, devem fa-
• zer-se sómente na quarta parte do rendimento,
segundo o .Av. 18 Nov. 179!.

§. 87. Jurisdicção sobre as pessoas e bens


das Ordens.

1 ElRei é Grão-Mestre das Ordens e seu


Perpetuo Governador e administrador, desde o
tempo do Senhor D. João III., pela Bulia 4 Jan.
15ó 1. Begim. Pac. §. 7. O. 1. t. 83. §. 7. Rep. l. p.
óiZ. vb. administrador. v. Mell. li. t. 3. §. 4ó. seg.
t A jurisdicção do Grão-Mestre é ecclesias-
tica, ordinaria, immecliata á Sé A postolica, e
separada do Poder Real. Est. Ch1·ist.pt. 3. ·t. 1.
3 O Juiz dos Cavalleiros, o Juiz Geral, o
Conservador, o Procurador Geral, e o Promotor
Fiscal das Ordens, exercitam sua jurisdicçilo e
3i8 Liv. 1. I. JX. Ordens
officios segundo os seus Regimentos nos EslaJÓ
C/1.rist.pt. t. t. !3. ept. 3. t. 1. t. 3.
4 O ordenado e saJarios do Juiz Geral e dos
Officiaes das Ordens está taxado no .A.l.13Mar.
l 7ó4, cap, 4, . . .
ó Ha tambem Juizes Jocaes que exercitam
em seus districtos certa jurisdicçã'.o. (a)
6 No Ultramar os Bispos são os Juizes Ge-
raes das Ordens nas respectivas Dioceses; co-
nhecem de todas as causas crimes e civeis dos
isentos; e delles se recorre immediatamente para
a Mesa das Ordens . .A.l. 11 Out. 1786l §. 9. e-Ul
.Abr. 1808, §. 6. (b)
7 Na 01·dem de Chrislo a jurisdicção espiri-
tual e quasi-episcopal reside no Administrador
da jurisdicção de Tbomar, que a exercita em
todas as causas crimes e civeis, e é nomeado pefo
Grã°'Me'Strc . .Al. H> Jan. 176f>. (e)
(a) A Re.s. Cem~. /Jsb. 14 Mai. 1680. colíciliando a
<liscordin entre o Vigario Juiz das Ordens e o Juiz de
I<'úra da ViHa deCn<:cm, decidiu: 1.ºque o Juiz deF6ra ~
acceite nn sua cadeia os presos que o forem por ordem
do Vignrio; sobre o que comlúdo 11. §. 63. n, ó. h. I.:
!l. 0 que este possa nomear pessoa idonea para as suas
<liligencias, e esfa usnr de va·ra no ack> dellas. Dr6. lri.
7. Com.fl. 174.
(b) No Estado da lndia o Conservador Geral dá com-
missão ao Vigario Geral <lo"A rceblspado de Gôa para
servir <le Coniervador <las Ordens Militares-: esta com•
mii;são é revogavel. Res. 7. em Prov. Consc. 8 Abr. 17!8.
No Lu. baio t.Jt. ó6. .
(e) Esta jurisdicção residin dantes no Dom Prior Ge·-
ral, que desde a sua creação· a exercitava em ambos os
foros com a qualidade nulliu, Diaicesis; de~is se fez a
referi<la separação por Bulia do Papa Julio III. "· cil •
.Al. -A Prelazia da Ordem foi unida á Dignidade de
D. Prior Geral. D. 19 Mai. 1798. Por quem e como se
exercita segundo os Estatutos a jurisdícc;io ecclesiaslica
sobre os Beneficiados, e pessoas da Ordem ó. Estai. pt.
3.l.9.seg.10.11. J!2.seg.
Milita.res. §. 88, 319
8 Quanto á Ordem de Màlta 11. §. 93. n. 10.
seg. k. l. ·

§. 88. Conflictosentre as Ordens e os Bispos.


1 Entre os Bispos e as Ordens Militares teem
havido prolongados e renhidos conflictos de ju-
risdicção {a), os quaes foram emfim terminados
pelas regras seguintes:
(a) Versaram especialmente sobre o dil'eito de visitar
as Igrejas das Ordens. C. R. 7 Nov. lõ94. C. ll. II. 18
.Abr. l60i. O Arcebh,po de Evora as visitava no seu dis-
tricto, e declarua que o fazia por direito proprio e epis-
copal. C. R. 6 Jut. 1698. Os Visitadores das Ordens lam-
bem as visitavam, não sem contestaçõe~ dejurisdicgão. C.
R. III. 19 Mai. 160:l. Os Eslat. Christ. pt. 2 t.13. procu-
raram fixar e!.õtajurisdicção:.como porém o Arcebispocon-
tinuaHe a vexar com excessivos procedimentos as Or-
dens e os Freirt's e mais pessoas della, se mandou ge-
ralmente que as Justiças seculares, sendo requeridas, as
defendessem de qualquer oppressão, que pelos Prelados
ou pelos Officiaes delles se lhes fizesse, nem consentissem
que fossem presas, pois que 116o podiam ser por ordem
d' EIRei como seu Uovernador e Perpetuo Adminhtra-
dor, excepto o caso cm flagrante: que sendo presas, as
fizessem logo soltar; e que se lhes guardassem todos os
seus privilegias. Prov. R. 11 Out. passada pela C, R. 11.
b Set. 1630., refo,·mada com o nome do Senhor D. Joáo
1 V, com a duta de 6 Mai. 16'13. no Arch. R, lo. 4. fl.
176. j.
· Os conftictos com o .\rcebispo foram emfim termi•
nados pela Sentc~a e Concordata de H Da,, 1631., que
decidiu as duvidas sobre visitur os lagares e Igrejas das
Ordens, receber matrimonias, assistir aos Synodos Dio-
cesanos, provimento de Beneficios, exame dos opposito-
res a elles, mudar de freguezes, passar cxcommunhões,
dar licença para. erigir Igrejas, Capellas, tomar conta
Üe encargos pios, etc. etc, - Algumu:i novas desintelli-
gencias entre os Bispos e as Ordens foram ajustadas pela
Omcordala 21 Jul. 1674., inclusa e mandada observar
na Prov. R.11 Ag. 1698. No lv. das F abr. Porto, fl. 8.
PART. 1. ~t
330 Liv. J. t. IX. Ontem
1 I Os Parochos, Freires e mais Beneficia-
dos curados das Igrejas, no que toca á cura e
ministerio Parochial (como administração de Sa-
cramentos, correcção de costumes, etc.), não
teem isenção alguma do Prelado Diocesano e do
seu fôro ecclesiastico, e devem conformar-se com
o rito e policia externa da Diocese. Al. li Out.
1786. §. 1. 3. -Salvo se as suas lgr~jas forem
inteiramente isentas nullfus Dia:cesis. §. l.
3 II Os ditos Parochos e Benetkiados, no que
não respeita ao officio pastoral, e bem assim os
Freires Clerigos que não são Beneficiados cura-
tos, são isentos da jurisclicção ordinnria dos Bis-
pos, e sómente sujeitos aos seus Prelados e aos
Juizes das Ordens. cit. Al. §. t. ( a)
4 III Os Bispos devem portanto visitar as
Igrejas e os Parochos das Ordens (não sendo
nullius Diacesil), e prover em tudo o que toca
ao officio pastoral, como, examinar o Sacrario,
e a pia do Baptismo, abençoar solemnemente,
devassar e conhecer das culpas dos Parochos e
Beneficiados curatos, indague não relativas ao
ministerio sagrado, etc. cit. Al. §. 4.,o pôr-lhes
Encommendados, aos quaes a Mesa das Ordens
j., e pelas &1. C..on1.10 Ag. 168€>., que, occorrendo 110
conflicto entre o Arcebispo de Evorn e o Juiz das Or-
dens, decidiu, quunto ao direito de visitar os Sucrarios,
n ra,·or do .Arcebispo, como já. íôra resolvido; quanto ás
confrarias, que se continuasse a observar a cit. Sent. e
Omcord. H Des, 1631. No Dsb. lv. 9 de Con•~fl. !01. v •
.Â'fJ, e D. 17 Jan.177!. Mell.11. t. 3 6. 46. 48.
Segundo o Breve de Gregorio XIII. !O Out. lá84.,
as questõe, entre os Bispos e as Ordens se devem deci-
dir pela Mesa Jellas. •
(o) A cit. Sent. H Det.. 163rl. tinha estabelecido em
regra que os Freires e Cavalleiros, e bem assim os bens
das Ordens, são isentos dajurisdic~ão dos Ordinarios: e a
isso tendem os Breves Pontifacios em Per. M. R. cap. 68.
Militares. §. 88. 331
foz logo pagar as suas congruas, e não são por
clla confirmados . .Al. §. 4. 7. (a)
ó - Podem tambem visitar as Ermidas e Ca-
pe1las das Ordens, não sendo ,mllius Dia:cesz·s.
cit . .Al. §. f>.
6 IV Os Bispos podem dar licença aos Bene-
ficiados para se ausentarem das Igrejas, a qual
não são obrigados a apresentar aos Ministros das
Ordens : os Beneficiados e Parochos Freires a de-
vem obter do Bispo e da Mesa . .Al. §. 11.
7 V Nos casos acima declarados em que não
ha isenção, os Beneficiados curatos aggravam
dos Bispos ou dos seus Ministros para os Supe-
riores ecclesiasticos dellas, ou para o J uizo da
Coroa: nos outros casôs vão os recursos á Mesa
das Ordens. cit . .Al. §. 6. 8.
8 VI Os Priores-Móres de S. Thiago e de
A viz podem usar de vestes Prclaticias, fazer Pon-
tificaes, conceder indulgencias, e abençoar so-
Jemnemente, não estando alli presente algum
Bispo. cil . .Al. §. H!.
9 VII Nos Jogares das Ordens não se podem
fundar Igrejas, Capc1las, ou Ermidas sem licen-
ça d'EJRei e do Bispo. cit . .Al. §. 6.
lo V JII No lntramar leem os Bispos sobre
os Beneficiados, Clcrigos, e povo a mesma juris-
<licção que os do Reino. cit . .Al. §. 8. Os Paro-
chos e Beneficiados nos casos não parochiaes, e ·
os mais Freires e Clerigos não Beneficiados si'ío
pois isentos da jurisdfoção dos Bispos, e sujeitos
(a) Porém os Visitadores dos Ordinarios não podem
tomar conln ás Fabricas das Ordens, por pertencer isso
aos das Commendns, com certa modif1cnção quanto ás
novas • .Al. 18 Abr. e Prov. R.19 .Abr. 163á. e 14. JJe,r
..
164,1.-0s Visitadores das Commeudas quando us vi-
sitam, não <le\'em lernr .:\'Jciriobo nem ,·ara. Porl. 16
Jun. 1616.
31Jt Liv. L t. IX. Ordens
á das Ordens, que para elJes é ordinaria. §. 9.
confirm. pelo .A.l. t!'l .A.br. 1808. §. 6.
11 -O Padroado das Igrejas e Beneficias do
Ultramar, unido á Ordem de Christo, é ampJis-
simo; e os effeitos delJe compe,tem a EIRei co-
mo Grão-Mestre deJJa, v. c., as renuncias, ces-
sões, divisões, uniões, augmentos, diminuições,
e outras regaJias cm que os Bispos não devem
intrometter-se, e a Mesa das Ordens as fará guar-
dar. cil. Âl. §. 10.
~- 89. Priºvileg,·os e isenriJe, das Ordens.
1 Os dous Priores de Pa)mP.IJa-e t.le A viz
teem lítlo Assento em Côrtes, não assim o de
Thomar. (a) ·
! Os Cavallciros das Ordens gozam de home-
nagem. O. J'. t. H!O.pr. Per. crim, not. 187.
a São isentos de pena vil, salvo nos casos ex-
éeptuados, sendo primeiro e:Xautorados. Estai.
Christ. pt. a. t. 6. §. \2. •
(a) Prelendendo o D. Prior da Ordem de Christo
do Convento de Thomar ser chamado ás Côrtes. como
os <c)eA viz e Pulmella, foi esta pretenção indeferida
pela Res. tons. Dsb.14 Nov. 1673 , como umn 110\lidnde
tendenle a abrir caminho a pretenderem o mesmo os
Prelados de outms Ueligiões. Dsb. '"· 6, Oms fl. 16:1.
O Procurudor da Coroa na resposta a esta Consul-
ta dá n razão da dilTeren«_;a entre o D. Prior da Ordem
de Christo e os das oulras duas Ordens. - Já a Rcs. /,
2óJan. )668. inJeferíra um semelhante requerimento Jo
D. Prior de Thomar, accrescentanJo que aos de Pal-
mella e A viz se ba,·ia concedido logor, po5Lo'que não
o th·essem nas Côrtes antecedentes. Hoje s6menle são
Pares aquelles que o Hei nomeia. O>nsl, .A. 39.
Por esta occasião refiro aqui, 1. 0 a Rts. U Nov.
1673. que concedeu representação em Côrtes no Estado
do Maranhão. Dsb. lv. 6.fl. 170.; t. 0 a Res. f:JJan. 1674.
que a ne~ou aos Estados do Rio de Janeiro e ao ele Ser-
gippe <l'ElRci fl. 17! • .V·
Militares. §. 8~. 333
4 Não sifo elegiveis para Procuradore~ dos
Concelhos. Res. Com. Dsb. !3 Mar. 1686. no lv.
9.j/,. tó4. ,t. v. h. l. t. das Camaras. .
ó Podem fazer procuração por sua let.tra. O.
IIl. t. t9.pr. Rep. J.p. 400. vb. Caval'leiros.
6 Outros privilegios da Ordem de Christo se
conf.eem nos seus Estai. pt. 4.
7 Não são porém isentos de pagar sisa, co-
mo nem os Clcrigos . .A.l. '" Out. 1796. e 8 Jt4l.
1800. v. §. ó3. n. ~,.
- nem julgada, salvo tendo sobre-Alvará.
D. ~4. Jan. 174!.
8 - nem dizimo dos seus bens patrimoniaes,
salvo havendo posse c.ontraria. 41. JY. ! Mui,
Hi.f,7.Mend.pt.tJ..lv.i.cap. l.ti.16. (a)
9 - nem decima; pois são a ella sujeitos os
mesmos bens das tres Ordens, sem distincçfü.>
alguma. DD. <!3 Out. 1641. to Mai. e t Ag. 24
Out. 1796. -Hoje as Commendas providas.'das
tres Ordens e da de Malta pagam duas ou tres
decimas, segundo o .A.l. 17 Dez. l8!l()._ A arreca-
dação destas decimas é incumbida á Mesa da
Consciencia. D. ~4 Qul. 1796. v . .A.l. :11 Mai.
1800. §. 6.
10 - nem coimas, com sujeição ao Juiz da
Almotaceria. Al. 18 Jan. 1613. v. lv. 111. t. doi
damuos.
(a) Pretendendo os Conimcnc.Judores t\Uavalleiros da
Or<lcm c.le Christo ser isentos de pagar dizimo dos 1eus
bens pa trimon iaes (q uan lo 4s Commcndall e bens da Or~
<tem não ha duvida) decidiu o .4l. 7 FeD. lóóO, que on~
de hou ,·esse pnsse <le o pagarem s«i conservasse; e que os
Corregedores das Comarcas, e nas terras onde elles nãu
entram, os Juizes de Fúra tomando summario con.beci..
menlo sobre n posse, com audiuncia e.las partes mante-
nham na dita posse as Igrejas que a tiverem, até sede.,.
cidir a questão da propricdnde. liste AI. foi ucitado pelo
dt. de 1647.
334 Liv. I. t. IX. Ordens
11 - nem de ter egua de lista, como nem
ós. Clerigos Freires. Res. 17 Fev. 1801.

Privilegios dofôro.
U Os Cavalleiros das Ordens que percebem
tença e mantença, teem por Juiz privativo nas
causas crimes cm que são réos o Juiz dos Ca-
valleiros. O.li. t. Il. §. l. L. 6Dez. l61!2. §.7 .
.Al. U Out. 1763. §. 4 . .Ass. 11 Fev. lb36. Mell.
11. t. 3. §. 48. lY. t. :23. ~- 18. (a)
13 O Cavalleiro novi<io, se., que ainda não
professou, parece gozar de~te privilegio, pois
dclle gozam os Noviços das outras Religiões,
salvo se houver perdido a tcnça. v. llep. lY. p.
!2G9. vb. Priuilegio.
14 Quando cessa. Cessa este privilegio: I
nos crimes ele lesa Magesladc. Prov. R. lb .A/Jr.
16-U. e 17 Jun. l 64f>. v. §. 67. ,i, 17. seg. h. l.
ló -Comtudo em caso particular e sem que
fizesse exemplo, mandou a cit. P,·ov. R. 1641.
que os réos fossem primeiro expulsos das Ordens
na Mesa dellas, na fórma alli declarada.
16 - II nos crimes tocantes á Fazenda R.
L. 6 Dez. 16U. §. 7. Nos de tabaco são julgados
nafórma do Begim. 18 Oul. 1701. §. ~o.L. 3 Jun.
1676. - Nos crimes militares na f6rma do .dl. 11
Out. 176:J. §.-4. e!!I Fev. 1816.

(4J) Sómente pois_gozam deste privilegio (bem como


llos mais annexos ao Habito) os que com clle leem ten-
c.;a, Comm~nJa, ou. Lal mant,·nga, com que se !lllsten,
tem, O. //. I. 1!. ~- t ; e estando effPcli vamente de pcme
clelln. Rep. "'1>.Uioolleirns náo, p. 3~t9. ep. 40!. Feb. dec.
8b. n. 6. Yn.l. lons. 131. n 9.
O AI. 7 Fev. 1b68. manJa,·a que os Vi,itadores, o
Dom Prior, Ocfi11idores, e J uii.cs da Ordem (de S. Thia-
go) expulsem Jas terras Jclla as mancebas do~ Priores e
Freires; e que nãu rcgre~scm senão por permissão Uegia.
Militares. §. 89. 336
· 17 - III nos delictos commettidos em ofli-
cio, que o Cavalleiro tinha d' EIRei, ao menos
quanto á imposi<tilode multas, indemnisaçito, e
privação do offic10. "· Rep. J. p. 397. c,b. Ca"a'l-
leiros; e III. p. 176. c,b.Juiz da 1/'azenda."· §.
67. ,i, !7. e§. 66. n. 40. k. l.
1 8 Os Freires e mais pessoas das Ordens não
podem ser presos por mandado dos Prelados ou
Juízes ecclesiasticos; mas sómente por ordem
d'EIRei como Grão-Mestre. Prov. R. 11 Out.
1630. repetida ,w .A.l. 6 Mai. 1643~
-Salvo em flagrante, no qual caso se obser-
va o mesmo que a respeito dos Clerigos. cr't.
Pro". 1630. "· §. 67. ti. 19. h. l. .
19 Renunciar. Segundo os Definitorios das
Ordens, os Cavalleiros de qualquer das Ordens
não podem renunciar este privilegio, e aquelles
que se livram cm outroJuizo que não seja o dos
Cavalleiros, incorrem em certas multas; e disso
se adrniUem nellc denuncias, com a terça parte
para o denunciante. Estai. Ord. Cllri~st.pt. 3. t.
7, Prov. R. l Dez. 1735. na Consc. lv. baio tJ.fl.
170.: sobre o que t•. §. f.8. n. 9. /1,.l.: e geral-
mente nesta materia são applicaveis muitas dou-
trinas, elasque ficam referidas ácerca dos Clerigos.
20 Nos casos civeis não teem os Cavelleiros
privilegio do fôro, e respondem perante as Jus-
tiças ordinarias. O. 11. t. U. §. l. L. 6 Dez. 161!2.
§. U. Rep. }. "b. Cavalleiros das, p. 397. Per.
So. not. 6ó. (a)
!21 - E portanto podem as Justiças secula-
res compellí.-lo~ a jurar como testemunhas. O.
11. t. l'i.?.pr. Estat. C/1rist. pt. 3. t. 8.
(a) Assim prevaleceu contra as fortes pretenções que
bourn, para que este furo se ampliasse tambem aos ca-
sos civeis, e a todos os Cavnlleiros indague não tivessem
tenc,;a ou mantenc,;a. v. Estat. Christ. pt. :J, t. 6.
3S6 Liv. 1. t. JX. Ordens
li - Impedir-lhes que negoceiem publica-
mente, o que lhes é prohibido. O. lY. t. J 6.
13 Não podem comtudo as Camaras obrigá-
los a ir na Procissão Corpus Cliristi com seus
mantos; pois essa jurisdicção é privativa do Grão-
Mestre. Prot 1 • Consc: lt Mai. 1730. no lv. baio
1.jl,. 79. j. -Sobre a obrigação de irem na dita
Procissão e como v. Prov. Consc. 19 Mai. 1730.
,w lv. baio 9..jl. 79.
§. 90. Direitos e obrigações dos Cavalleiros
nos bens das Ordens.
Natureza destes bens.
1 As Leis do Reino promulgadas por EIRei
sem a qualidade de Grão-Mestre, não costumam
comprehender os bens e Beneficios das Ordens,
se delles não fazem especial menção. Al. e7
Mar. 1788. ·
t - portanto nas Leis que se publicaram so-
bre os corpos de Mãomorta, não se comprehen ...
deram os ditos bens . .Bes. Come. 30 Dez. 1768.
"· Jnd. C/iron. 11. p. 81.
3 Os bens das Ordens não são bens da Co-
roa. D. to Ag. 17~8. ; porém os Mestrados deJ..
las lhe estão perpetuamente unidos. ibi. Al. 11
Out. 1800.: e portanto os bens de prazo perten•
centes aos Mestrados, reputam-se como bens da
Coroa depois de _incorporados nella. Res. 11. em
Prov. ao.ll[ar. 1787. v.cit. Al. ll Ag.
4 Hoje todas as Leis e disposições que regu-
lam odircito e fruiqão dos rendimentos dos bens
daCoroa, comprehendem tambem os rendimen-
tos das tres Ordens Militares, indague delles não
se faça menção. Al. JODez. 18~H>.§. 8. j, v. lv.
11. t. dos bens da Coroa.
b Como o Cavalleiro das Ordens possa sue-
Militares. §. 90. 337
ceder em bens da Coroa "· lv. li. t. befl.s da
Coroa.
6 É nulla a concessão de quaesquer bens das
Ordens impetrado cm Roma. Est. Christ. pt. !'t. t.
14,, §. 6.
Direito de testar e succeder.
7 Testar. Os Cavalleiros e Freires das Ordens
podem testar livremente, assim de seus bens co-
mo dos rendimentos dos da Ordem, e dos que
com elles adquiriram. Bullas ele lóf>ó. e 1600. em
.Carval/,. tom.1. p. 677. ep. 700. Estatut. da Ord.
lffell. III. t. ó. §. ló. ( a)
8_ Os da Ordem de Malta sómente podem tes-
tar com licença do Grão-Mestre. Estai. t. 18.
Estai. to. t. 8. Mell. cit. §. ió. Esta licença se
costuma conceder sómente para testar dos be·ns
patrimoniaes ou hereditarios: e portanto nunca
testam dos adventícios por qualquer modo adqui-
ridos. Mell. cit. §. !!lá. Gallemarl; Luca; ibi.
9 Succeder. Os Cavalleiros e Freires das Or-
dens succedem ab intestato a seus pais e paren les,
ou ex testamento, segundo as regras geracs da
successão : pois as nossas Leis não fizeram ácerca
deites especial disposição. J,fell. 111. t. 8. §. 6. -
Porém os Cavalleil'Os da Ordem de Malta sómen-
te succedem a seus paren les ex testamento ou ab
intestato no usufruclo de quaesquer bens que não
forem da Coroa ou de morgado, e por· sua morte
voltarão os ditos bens para as casas donde saí-
ram. Al. a 1'fai. 1778. §. f>. dispensada a L. 9

(a) Os Cava1leiros, etc. como Reli1tiosos 11ão podiam


tf'slnr: por e;;ta graçn que lhe concedeu n Sé Apostoli-
ca ficaram os da Onfom de Christo pagando por umn
,·ez trei quartos do rendimento do Beneí1cio, Comm~n-
da, r.tc. parn n fabrica do Co11,·ento <lc 'l'homar, Est.
, Christ. pt. !. t., 19.
338 Liv. I. t. JX. Ordens
&I. 1769. que compre/ie,uJ,iaesta Ordem como
Religiosa.
Direito de af o,·ar.
1 Os Commendadores não podem aforar os
bens da Commenda, ou renovar os aforamentos
extinc(os, senão guardando as solemnidades de-
terminadas nos Estatutos e Definitorios das Or-
dens para os aforamentos e 1masrenovações e con-
firmações. Sem esta confirmação são nuJlos os di-
tos ~foramentos e renovações. Al. 11 Ag. 1800.
derogado o§. 6. <lo.A. 7 Fev. 177!. que permit-
tia renovar sem licença.
11 - Exceptuam-se os terrenos- incultos os
quaes póde o Commendador aforar· até dez geiras
de terra sem licença nem confirmação . .Al. 27
Nm.,.100,t.. §. 10. .
U Deve pois preceder licença do Grão-Mes-
tre que se dá sobre Consulta da Mesa das Or-
dens ou da Assembleia, cujos termos nilo podem
ser excedidos pelo Commendador . .Al. 7 Fev.
1771. §. õ. G. Estat. C/irist. pt. t. I. 14. C. R. 14
Ja11. 1601.
13 Sobre o modo do aforamento e renovação,
• sobre as pessoas a quem se possa aforar, etc.
· ·se mandou __ guardar o direito Canonico e as dispo-
sições dos Est. C/irist. l. 14. §. 4 • .Avis, I. dJóin.19.
14 O aforamento não póde ser vitalicio, mas
sómente por tres vidas Estai. Cltrist.pt. !2. I. 14.
~- !!• .Aviz, t. õ. defin. 18. - Marido e mulher fa-
rão duas vi<l;is. cit. t. 14. §. 3.
ló O laudemio pertence ao Commendador.
Est. Cl,rist. pt. 'l. I. l. §. 4. Elle nunca exceder:í.
a quarentena do preço, não obstante qualquer
costume em contrario. cit. §. 4.
16 As renovações se devem fazer logo que
estão findas as vidas . .Av. 6 .Abr. 1780.
17 Os prazos se renovam com· as condições
Milt'lares. §. 90. 3:l9
e clausulas do antigo, e com o accrescentamenlo
do Juro que for justo. Est. Christ. pi.!. t. 16. §.
7. As Leis B 1lfai. e 4 Jul. 1768. sobre prazos
não se intendem com os das Ordens. Res. 30
Dez. 1768.
18 O Commenclador não levará dinheiro ou
cousa. alguma aos foreiros por lhe fazer ou reno-
nar o aforamento, sob pena de ficar este nullo;
de se <levo)ver ao Grão-Mestre o direi to de o
fazer por aquella vez; e de perder o foreiro o direi-
to á renovação, etc. Est. C!trist. pi. 'il. t. 14. §. 1.
19 Em quanto estiver vaga alguma Commen-
da, não se póde fazer novo aJuramento de seus
bens, nem admiUir-se para isso requerimento ou
Consulta . .Al. 7 Fev. 177!. §. !li. : pódc-sc porém
renovar, estando exti neto. §. 3. (a)
20 A confirmaçáo <loaforamento se eleve pe-
dir dentro <lc tres mezc:5. Est. Cltrist.pt. !. t. 14.
§. õ. de S. Tltiago, cap. 3õ.
!'l l - ella se passa pelo expediente da Mesa
das Ordens, e quanto aos emprazamen(os novos
dos bens, não costumados a aforar-se por Con-
sulta . .Al 7 Fev. §. 6. ecii . .Al. 1800.
!.!! O Contador é quem manda <lar posse ao
emphyteuta. Est. Cltrisl. pi.!. t. 14.
23 Durante o emprazamento não se póde obri-
gar os emphytcutas a fazer reconhecimentos,
nem expedir-se para isso ordens ou caminheiros .
.Al. 177!. §. 4.

Direi/os de liypoiliecar, penhorar, e arrendar.


14 Os bens das Ordens (o mesmo com os da
Coroa) não se podem sujeitar ao pagamento de
arrhas ou de semelhantes obrigc1ções, ainda na

{a) Pelos Edat. l1irisl. pl. '?l.t. 14-. cstao<lo vaga, to-
cu uo (ontu<lor fazer o aforamento.
340 Li·v. 1. t. IX. Orclens
falta de bens livres: nem se admitte petiçà'.o em
que se pretenda esta faculdade, ou a confirma-
ção de taes contractos. C. R. I. 20 Fev. 1640.
tá Conseguintemente as hypothecas feitas
nos bens dellas sem licença Regia, se declara-
ram nullas pelo Al. 6 Out. 180!. (a)
!6 Pelas dividas do Commendador se podem
penhorar os fructos e rendimentos da Commen-
da em falta de outros bens; devendo porém fi-
car-lhe salvas duas terças partes. O mesmo é com
os Beneficiados. Per. So.111. nol. 819. v. Al. 10
Dez. l Btó. §. 8. "· §. 90. n. 4. h. l.
t7 Arrendar. O Cornmendador não póde ar-
rendar a Commcnda por mais de tres annos, sob
nullidade quanto ao excesso deste tempo. Est.
pt. !2. t. ló. - Fallecendo durante o arrendamen•
to, o suceessor só é obrigado .a manter o oon-
tracto nesse nono. t. 16.

Frttclos, bemfeilorias, tomhos.


~8 Osfr11ctos da Cornmenda de qualquer das
Ordens, do anno em que morre o Commendador,
se faz na fórrna determinada no Difinit. de .A.vis,
t. ó. Dejhi. li. excit. pela Res. Cons. 17 Jul.
1791. ti. lv.11. t. dos Benef. Eccks. ·
~9 As bemfeiforias que o Commendador faz
na Commcnda pertencem a seus herdeiros, salvo
se o succcssor na Commenda quizer pagar-lhes
a estimação, liquidada pela Mesa. Estai. Cltrisl.
pt. ~- t. Hi. §. l. .Aviz, t. ó. clef.in.8. v. lv.11. t.
das bemfeito,·ias.
30 Tombo. O Commendador deve fazer tom-
bo da Commcnda (não o havendo) dentro dos
dous annos depois do provimento, sob pena de
(e&) Nus fianças a que se obrigam os Ca,·alleiros e
CommendaJorcs é a Ordem preferida a outro:; credores.
h'stat. G11:'zst,
11t.~. t. ~O.
Jt,Jilitares. §. 90. 341
o mandar fazer á custa deJle a Mesa das Ordens~
Eslat. C/,,,·id. pt. !. t.tt. C. R.111. 6J.ãJul.I62ó.
31 Nomearam-se Juizes e Escrivão para fa-
zer os tombos das Commendas e Mesas Mestraes
com Regimento e regula~ão de salarios pela C.
R. l .Abr. 1608. Sobre elles se proveu pelo D. !8
Fev. 1739. e D. !J Jan. 177l>.
§. 9 I. Commerzdasvagas.
l A arrecadação das Commendas vagas está
a cargo da Mesa da Consciencia, que as admi-
nistra ou arrenda segundo as Leis. O arrenda-
men f o dellas e dos mais bens a seu cargo se faz
na fórma do .Al. !l Jun. J774,. §.13. seg • .Av.!8
Set. l 77f>. D. !6 Jun. 1779 . .Av. 7 Fev. 1796. li
Mar. 1800.
! Os bens de raiz de certas Commendas va-
gas das Ordens se mandaram vender em praça
para as urgencias publicas, sob a inspecção da
dita Mesa, e o seu producto se subrogou por pa-
dfões de Juro Real, os quaes portanto ficam com
a denominação, natureza e encargos da mesma
Commenda. Os bens vendidos ficam livres e alie-
naveis, e só com o encargo de pagarem o dizimo
á mesma Commenda, e os direi los Reacs geraes:
pois os rendimentos das Commendas devem con-
sistir em dizimas. D. 10 .Ag. 17U8. v .. Condiç. 3
.Abr. 1799. D. 4 Out. 1799. - Destas vendas não
se deve sisa . .Av. ! Abr. 1799.
3 Sobre o aforamento das Commendas vagas
v. §. 90. n. 10. seg.
§. 9!2. Fabrica e reparo das lgre:1"asdas Orcle,is.
1 As fabricas das Igrejas e Commendas das
Ordens se taxaram por Breve Pontificio em cer-
341 Liv. 1. t. JX. Ordens
ta quantia annua1, que pagarão para as despe~
zas e encargos. C. R. 8 Dtz. 160!2. C. R. 11 Fev.
1601. Est. Christ. pt. t. t. Ja. - A C. ll. 20Jul.
ló98. taxou 6 $ 800 réis para as Igrejas matrizes,
3 $ réis para as annexas.
. !l Estas despezas e encargos são as dos orna-
mentos, da lampada, guisamentos, etc. ; e dei-
las estão desobrigados os Commendadores. Est.
Chr,·st.pt. t. t. 13. -Segundo a cit. C. R. 11'>98.
se devem satisfazer das fabricas todos os encar-
gos novos, e não chegando ellas para edificios
novos, madeiramentos, e retabu]os, se supprirá
o que faltar pela renda das Commendas. Ot1 en-
cargos velhos carregam sobre esta, não sobre as
fabricas.
3 A administração do dinheiro das fabricas
foi regulada na cit. C. R. de 11'>98. e nos Estai.
Christ. pt. t. t. 13.
4 A inspecção <los Conventos e l!!rejas das
Ordens pertence á Mesa dellas. C. lÍ. li. 18
Mai. 1633. Os Ordinarios não podem fazer se-
questros nos fructos das Commendas para reparo
das lo-rejas. C. R. IOJul. 170!.
f> No UUramar e /lhas como os dizimos per-
tencem á Ordem de Christo por concessão Apos-
tolica, é encargo a ellas inherente assim a con-
grua certa que se paga aos Ministros das Igre-
jas, corno toda a reedificação e preparo destas,
e o necessario fornecimento para o culto Divino.
Est. Christ.pt. :L t. 16. 17. (a)_

(a) A C. R. 10 Abr. 11'>66.tratando <las Igrejas das


Ilhas dos Açôres (de que era queslãt)) diz, que st>gundo
o antiquissimo co~tume a fahrica e reparo Ja capella-
m6r pertence ao Grão-Meslrt::: o corpo Ja Igreja aos
}"reguezes.
Militares. §. 9;1. 343

§. 93. Ordem de S. Joáo de Jer11salem.


1 Entre as Ordens ReJigiosas é a Ordem e
Cm,alleria Militar do Hospital de S. João de Je-
rusalem, denominada commummenfo a Ordem
de Malta. (a)
Setts Pril'ilegios.
~ Esta Ordem, os seus Cavalleiros, os lavra-
dores o caseiros das terras dcllas gozam de mui-
tos privilegias e isenções, contidos e confir1~a-
dos na Carta ele 6 de Mai. 1604., a qual tem sido
renovada e confirmada nos Reinados posteriores;
com a excepção porém daquelles privilegios que
houvessem sido derogados por Leis ou Ordens
Regias, ou abolidos pelo desuso. C. R. 18 Sei.
1718. e li Dez. 175\2. na Supplic. lv. 14.fl. 18-2.
j . .Al. ló Jul. 1777.; por exemplo, serem os di-
tos caseiros e lavradores isentos elas fintas e en-
cargos do Concelho, de se lhe tomarem manti-
mentos, generos, de pousada em suas casas, etc.
(v. cit. C. 1604. nomeu.Addit. JJ. Ger. ele Leis);
de serem elles e seus filhos recrutados para a
primeira o segunda linha . .Al. l !2Mai. 1771. §. 1.
(a) A Ordem de Malta começou nos Hospitaleiros,
que faziam voto <le ser\'ir aos enfermos no Hospital de
S. João de Jerusalem : porém no tempo das Cruzadas
(expedições á Terra Santa) i;e passaram ao senic;o des-
tas, e se tornaram uma Ordem Militar; e tomada a Ci-
dade <l'Acre em 1!91., se estabeleceram em Chipre, de-
pois em H.hodes, aonde expulsos pelos Turcos, recebe-
ram em fim a Ilha de Malta em ló30. por conct•ssão de
Carlos V., donde lhe veio a denominação <le .Jltlalle,zes.
Esta Ordem se propagou por toda a Europu. ramificada
em auto linguas ou regiões, em qutJ possue muitos Prio-
rados, Baliados, e Commrndas. v. làv. II. ~- H. Mell.
li. t. 3. ~- 13. 49. seg.
Das Commendas da Ordem de Malta se fez nova
divisão pela e. R. 1:, Ag. 1790.
· 34.1, Lio. I. t. IX. Ordetis
3 As rendas ou foros que se pagam á Ordem
são isentos de decima, bem como as terras quan-
do ella ou os Commendadores as trazem por sua
conta. cit . .Al. 1778. §. 1.
4 Não se podem fazer escripturas de aliena-
ção ou arrematações de bens pertencentes á Or-
dem, sem se mostrar Iicença do respectivo Com-
mendador, e certidão de se lhe haver pago o lau-
demio; sob pena de nullidade do contracto, e de
suspensão por dous annos ao Tabellião. .A.l. ti
Fev. 1779. em Prov. i Mar. 1786. (a)
ó A Ordem goza geralmente de todos os pri-
vilegias e liberdades concedidas á de Christo pe-
las Cart. 10 Fev. 1478. e 18 .A.br. ló96. disp . .Al.
1778. §. 3.
6 Por caseiros ou lavradores para este effeito
se intendem sómente os encabe'tados nas ditas
terras, que nellas vivem ou se sustentam a maior
parte do anno nos termos da O. II. t. ló . .A.l. 9
Jul. l 64t. §. 1. .A.l. li Mai. 1778. §. 1.
7 Guarda destes privilegios. Para que as pes-
soas seculares que teem os ditos privilegias pos-
sam gozar delles, cumpre terem Cartas seme-
lhantes ás que se passam aos caseiros e privile-
giados dos Desembargadores, Fidalgos, etc. cit •
.Al. 164"2. §. ttlt. -
8 -Os Juizes e Conservadores ecclesiasticos
da Ordem não podiam passar estas Cartas. e# .
.Al. §. ,,lt.; nem intrometter-se com a guarda dos
privilegios das ditas pessoas seculares, e muito
menos pelo meio <le censuras; porque como a
concessão e confirmação delles pertence ao So-
berano, assim a sua interpretação e observancia
ás suas Relações e Ministros. cit . .Al. §. 3.
-(a) Sc•mclhante privilegio se tem concedido a outras
Corporações, como, á Ordem de S. Bento. Prov. 10
Mar. 1779.; á Universidnde, á. Igreja Patriarchal, etc.
Milifores. §. 93,
9 - l>ela mesma rado é prohibido aos pri-
vilegiados, sob os procedimentos da 0.11. t. 14.,
impetrar censuras ou inhibitorias das Autorida ..
des ecclesiasticas contra os seculares sobre adi•
ta observancia, ou não as impedir. cit. Al. §. 4.
10 Privilegi.o do fôro. Os Cavalleiros da Or-
dem de Malta teem Juiz Privativo, assim para
as suas causas crimes, como para as civeis. v.
Per. &. Civ. not. 66. Crim. not. 10.
11 - Os Caseiros e mais pessoas seculares
da Ordem não tcem este privilegio nas causas
civeis. Al. 9 Jul. 164i. §. t.
1t - Os domesticos, escravos, e criados dos
CavalJeiros os teem nas causas crimes, se., os
que vivem com eJles de portas a dentro, ou que
deJles teem ordenado que os sustente ; e sómen-
te quanto aos crimes commettidos em quanto
estão cm sua companhia. L. 6 Deié.l6Jt. §. 6.
Al. 9 Ju,l. 164'2. §. !.
t 3 - O privilegio do fôro se estendeu aos
Officiaes e Soldados da Companhia da Côrte.
Dec. 19 Abr. 1780.
14 - Os Balíos, e Commendadores da o~
dem pelas BulJas-citadas no A.l. 6 Out. J783.,
teem faculdade de nomear nos districtos e suas
Baliagens e Commendas Juizes que conheçam
das suas caµsas, e são quanto ao espiritual os
Vigarios Geraes de seus districtos, e quanto ao
temporal os Juizes Conservadores, que nomeiam:
e uns e outros Juizes dão appelJação e aggravo
para· a veneranda Assembleia da Religião de
Malta residente em Lisboa. E por peti"ão que
fizeram a S. Magestade foi Elia servida nomear
para conservadores no Patriarchado o Provisor e
Vigario F. ; no Alemtejo o Vigario Geral de
Montoito : nas outras parles do Reino o da Ci-
dade do Porto. cit . .Al.
PART. 1. !3
~46 Liu. J. I. IX. Ordens Militares. §. g,.
ló -Do Juiz Ordinario da Ordem se appel-
la e aggrava para a Relação. Al. '17 Nov. 1797.
§. 1. O mesmo a respeito do Grão-Priorado do
Crato. cit . .Al. §. !. "· .A.l. 19 Jul. 1799. §. !O. H.
Per. So.
16 Twdo o que 6ca dito de privilegias, se
intende hoje em conformidade com a Carta Cons-
titucional.
Quanto á faculdade de testar, succedcr, etc.
"· acima I. 90. n. 8. 9. · ·
§. 94. Outras O~dens.
t Da Torre e Espada. As tres Ordens I\1i-
litares e a de Malta não sendo, como Religiosas,
aptas para premiar serviços feitos por pessoas
não Catholicas, o I). 1:J Mal. 1803. instaurou e
amplificou com estatutos e instrucções novas a
unica Ordem de Cavallaria puramente civil, in-
titulada da Espm:a que o ~enhor D. AffonsoV.
instituíra em 1459. O seu estabelecimento, crea-
c;.ãoe número de Grão-Cruzes, Commendadores,
e CavalJeiros, suas insignias e o modo de serem
lançadas pela Mesa da Consciencia, se regula-
ram por .Al. 6Jul.18Q9. e~3.Abr. 1810.
! - Crearam-se quatorze Commendas para
esta Ordem. Aos Commendadores é permittido
poder aforar os bens della a colonos sem as so-
lemnidades ordinarias . .Al. ~!l Nov. 1808, §. 9.
1 I. derogado o .Al. 11 Ag. 1800.
3 - Os Commendadores não podem exceder
o número de·vinte equafro. Al. t,Jul. 1809.§. I.
4 De Sanlal~abel.· Novissimamente foi ins-
tituida a R. Ordem de Santa lzabel, e se lhe
deram Estatutos pelo D. 17 ]Jez. 1801. Al. 11.
tl> .Abr. 1804.
Re%ende, !3 Setembro 18t6.
FIM DO TOJtV) 1.
IN-DICE.
Pag.
Introducçào Pt. !· Espccies de Leis Pa-
trias . . . . . . •
§. l. Da Jm·isprudencia e LeiS"em geral •
§. ~- ieis compiladas ou e:i:travayautes 3
§. 3. Leis em especic, Alvarás, Regimentos.,
Estatutos, etc. • . • •
§. 4. Cartas Regias, Decretos, Besoluçóe&
( Provisões e Com·ultas) • • • . • . 7
§. b. Doutrfoa commum aos Decretos, Re-
soluções, Pro,,isóes, e a 01,tros D:í'plomas 11
§. 6. · A·visos e Portarias . . . • • • 18
§. 7 . .Assentos da Supplicaçáo. 19-
§. 8. Privilegias. !1!'2
PI.. II. Natureza das Leis • 31
§. 9. Fim e .virtttde das Leis • 31
§. 10. ,4utoritlade das Leis. ·• • ' =ta
§. 11. Publicação das Leis e seus ejJeitos • as
§. 1!!. Interpretação elas Leis . •
§. 1 J. Cessação da Lei .
Pt. III. Direito Consueludinario, Ro-
mano, etc. . • , :,4,
~- 14. Estglot. • :,,1,
§. ló. Costumes • • • 66
§. l fi • ])irei/o Roma,io • 68
§. 17. Direito Canonico. 60
§. 18. Opiniões e .Arestos • .
Til. I. Natureza das pessoas, e sua clas-
sificação . 65
§. 19. Do homem por nascer, ~ascido, ou
mo,·to. 66
§. !O. Yariedades 69
S4fl In<l1ce.
§. ~ f. Classes de pessoas. Prospecto deste li-
vro 1. . . . . . . . . · · . 69
Tit. II. Dos Naturaes ou Estrangeiros
e dos visinhos . . . . . . . . . 71
§. H. Noçáo do Reiuo de Portugal. 71
§. 23. Quem sáo Naturaes ou r,âo . 7~
§. t4. Direitos e obrigaç1es dos Naluraes 73
§. !,>. Como cessa a naturalidade . . 77
§. t6. Admissâo dos Estrangeiros em Por-
tugal . . . . . . . . . . . 79
§. !7. Sua s,g"eiçooás Leis e .Autoridades. 81
§. !8. Leis especiaes sobre os Estrangeiros Bõ
§. !9. Nalttralisaçáo dos Esh·angeiros . • 90
§. 30. Quem é Yúilzho . • 91
§. 31. Ef feitos da visinhança . 9a
Tit. III. Dos Escravos e Captivos. 9[>
§. 3~. Favor da liberdade. . .
§. 3 3. Escravidâo e seus effeitos. Direitos
do Senhor . . . . . . . !)(i
§. 3,J., .Alforria e seus ef.feitos. 99
§. :\õ. Extiltcçáo da escrcividáo • • 100
§. 3 6. Servos adscripticios , Liberdade de
morar. • . 103
§. 37. Escravidáo dns condcmuados á rn01·te 104.
§. :w. Os Captivos e Refens sáo livres . . 107
§. :i!J. Favor e inconveniente do 'resgate . 109
~. 4,0. Resgates geraes e particulares 110
§. 41. Be1is applicados ao resgate ll'l
§. 4-i?. Empregados na arrecadação destes
bens . 114,
§. 43. Modo da, arrecadaçáo . . 117
Tit. IV. Dos Nobres e Plebeus Ul
§. 44. Noções geraes sobre a nobreza • . l!l
§. 4f>. Quem sáo os Nobres e Plebeus ua
§. 4,6. Armas, appellidos , dom , titulo do
Co11sellwd' ElRei . . . . . . . . 134
§. 47. Tratamentos . . 139
lnt.lico.
§. -1-B. Prccedeucias • • 144-
§. -19. Privilegias, isençúes, e regalias dos
]\'obres . . • 14:'>
§ M>. Disposiçúes especiaes, ·relativas aos
Nobres • • • 1ó9
§. 51. Cousas p,•ohibidas aos Nobres. . l 6ó
Til. V. Dos Ecclesiasticos • . 168
§. ML Bispos, e suas prerogativas . 168
§. b 3. Privileyios e iseuçúes dos Ecclesiasli-
cos . • . • • 17 !l
§. ó4. Proltibiçóes e exclusões proprfus dos
Ecclesiasticos • 17 7
§. óá. Outras disposiçóes especiaes . • . 181
§. 56. Acquisiçáo, disposiçáo, e succemío de
be1zsdos Ckrí'gos . • • • l 8i
§. f>7. Pat,,imonio dos Clerigos • - • • 187
§. ó8. Dos Bispos qumito aos bens • 188
Tit. VI. J uris<licção activa e passiva
<los Ecclcsiasticos . • . • • 1:13
§. ó9. Disti,wçáo das materias temporaes .e
espiritteaes. lndepende,u:ia do Sacerdocio
e lmperio. • . . • • • . • • • 193
§. 60. Alguns direitos e deveres Mageatati-
cos sobre ob_jectosda Reli'giáo • . • • 196
§. 61. Jm·isdicçáo dos Bispos e Jtcizes Ec-
clesiaslicos . tOI
§. 6.~. liso das censuras ou petws espirituaes fZO&
§. 63. Usodas penas e outros meios tem~aes 11 á
§. 64, Fôro eccksiaslico civel d.e ca"sa. . !!U,
~- 6ó. Fôro eccksiastico civel de pessoa. . '231
§. 66. Fôro ecr.lesiastico crimfr,al de causa t.241
§. 67. Fôro ecclesiastico criminal de pessoa t46
§. fi8. Disposições varias sobre o fôro e jttt-
risdicçáo ecclesiastica. . • • • • !ó8
Tit. VII. Do RecursoaoJuizodaCorôa 167
§. 69. Legitimi"daclee,ruúuremdesteRecurso '!267
§. 70. Em que casos compete . • !7t
3ó0 lndice.
§. 71. lJe quem se interpõe, e pur <Juem '27:,
~. 7-.!.. Pru;f. e cio Recurso . . • . . • '27 7
§. 7 3. Outros remedios contra os procecli-
mer,,tos dos Ecclesiasticos. . . . . . !.!89
Til. V III. Dos Religiosos . . . • !91
§. 7 4. Noção ldstorica d.a instituição Reli-
giosa • . . . . . . . !29 J
§. 7 ;,. Instituição ou suppressáo das Ordens
ou dos Conveutos . . . !!li
§. 7G. Natureza da vida Religiosa . • !9á
§. 77. Clausura Religiosa . . • • • • 199
§. 7 8. Regímen e jurisclt'cr.·âoacliva epassi-
va dos Regulares . 303
§. 79. Sua suJeiçáo ao poder civil . 30ti
§. 80. .dlguns privUegios, e.1:clusóes,p1·ohi- '
bi'çóes, 1·elativas aos Religiosos . . . 309
§. 81. Acquisii·áo ele bens pelas Ordens ou
Conventos • ;; J '2
~- 8::.!. Dotes e lenças dos Religiosos. 313
§. 8 3. Acquisi'çiio pelo Religioso . . 314.
§. 8-t. Contractos e testamentos do Religioso 31 á
§. 8ó. Successâo activa e passive, do Beligio_-
so . . . . . . ;J l V
Tit. IX. Das Ordens :Militares. . J!l:J
§. 86. Quaes são, quem, e como se admilte
a ellas. . 3~3
§. 87. Jurisdicçáo iobre w. pessoas e bens
das Ordens . . . :1~7
~. 8 8. Cmiflictos enfre as ordens e os Bispos ;Hw
~. 8!J. Privilegios e isenções das Ordens • 331
§. 90. Direitos e obrigações dos Cavallei-
ros nos bens elas Ordens . . -33 6
§. 9 J. Commenclas vngcis . . . 341
§. 92. Fabrica e reparo elas lgreJas das O,·-
dens . . . . . • • 341
~. !LI. Ordem de S. Joáo ele Jerusal.em. 34:J
~. ~H. Otttras Ore/cus . • 346
Obras q"e se vendem no me.~moarmazem
de Livros: rua dos Algibebes, n. 0 t:L

Arle de navegar, ou roteiro das costas maritimas de Gui-


né, Angola, Brasil e Judias, por Manoel Pimentel,
1819. foi.
Arte nova da viola, em que se ensina a tocá-la com fun-
damento mesmo ~em mestre, com estampas, por Ma-
noel da Paixão Ribeiro. 178!). 4. 0
A thalía trnp;ediu, trnd. dt> Rncine. 8.u
Curso de philosophin, por Viclor Cousin, vertido em
Portuguez, por A. H..figueiredo. Pernambuce, 1843.
3. vol. 8. 0
Diccionario Italiano e Portuguez, por A. Preíumo.
I8á3. 4. 0
-- da língua Portugueza, por Ant. de Morne!I Silva,
6.ª ~<lição accrescentada por Agostinho de Mcndon•
ça Falcão. 18á8. ~ vol. foi.
-- da maior parte dos tt'rmos homonymos e equh0e
cos da lingua Portugueza com suas etymologias; ada-
gios, trechos de historia, etc., por An_tonio Maria do
Couto. 184!. foi.
-- Francez e Portuguez, composto pelo capitão Ma-
noel de Sousa, e posto em ordem por Joaquim José
da Cmta e Sá: !.ª edição com synonymos, termos de
botanica, etc. pelo o.r Vicente Pedro Nolasco da
Cunha. lijll. 2 tom. l vol. 4. 0 gr,
N:B. E odiccionario Francez e Portuguez de maior
extensão nas ddinigües, e que contém maior número
de phrases, proverbios, etc. com it traducção Porlu-
guezn.
-- abre,•iado da Fabula para intelligencia dos poetas,
dos pnineis, e das e~tatuas, etc., por Chompré, trad.
do Francez, nova edição muito correcta. I8õ8. 4. 0
Elementos da arte oratoria, ou principios de rhetorica
Portuguezn, em que se expõe as passagens dos poetas
Latinos e Portuguezes, e dos mai~ celebres orndore•
de França e Portugal, por Frei .Bento de N. Senhora.
1791. 8.º
Epicos Bra&ileiros, contendo o Uraguny, o Caramuru,
com notas por F. A. de Varn-hagen. 1846, lt.
f:Jucidario de palums, termo!, phrases antigast que
em Portuguez antigamente se usaram, e hoje se igno-
· ram, por Frei Joaquim de Santa Hosade Vilerbo.1798,
! vol. foi.
Eufemia ou o triumpho da H.eligiào, drama de Arnaud
trad. por Barbosa du Bocage. J8!ó. 8. 0
G tnmmatica da lingua ILaliana e Portugueza, por Ant.
Prefumo; :J.ª edição nugmentada em l8f>8. 8, 0
-- d11lingua Portugueza, por Ant. de Moraes Silva.
18ó8. 4. 0 gr. ·
-- Franceza, por Lhomond, trad. para um Porlugucz
aprender o Francez. 1861. 8. 0
-- Hespanhola pEarauso dos Porlug. por M. B. C. Pei-
xoto. \i?.ª ed. com ,•ocabulario e phrases. J8ó8. 8. 0
Historia de Portugul desde o principio da Monarchia,
até ao reinado da rainha D. Maria J, trad. do lnglez
e annotada por Ant. de Moraes Silva (autor do Dic-
ciooario Portuguez); continuada até Abril J8:t9, por
José Maria de Sousa Montdro. 1828. e :19, 10 vol. 8. 0
-- antiga e modt>rna da Villa de Amarante, descle
360 annos antes da vinda de Christo até 1809. 8. 11
Jdylios e poesias pastorís de Salomão Gessner, trad. em
verso portuguez. 8. 0
Imaginação, poema de M .r· Delille, trad. por José Ma-
ria da Costa e Silva. 1817. 2 vol. 8. 0
Livro do povo ou de,·eres e tlireilos do cidadão, por La-
menais, trad em portuguez. 184-0 8. 0
Lusiadaa de Luiz de Camões, a que se ajuntam um
compendio da ~ida de Camões, e um argumento his-
torico da Lusia'da, ás estandas omittidas por Camões,
lições varias, e um indice ou tliccionario dos nomes
proprio, usados ne:ite poema. 1836. !3 tom. l vol. 1!.
Malaca conquistada, poema heroico, por Francisco de
Sá Menezes, etc. 1779. 4. 0
Motim litterario em f6rma de soliJoquios, por José Agos-
tinho de Macedo, edição acrre~centuda com a biogra-
phia do autor, por Ant. Maria do Couto. 1841. 4
vol. 8. 0
Obras de Gil Vicente: edição emendada porJ. V. Barret-
to Feio, ê J. fi. :Monteiro. Hamb. 1843 3 vol. 8. 0
-- poeticns de M. Maria de Barbosa du Bot'age com
a vida do autor, e as poesias satyricas, etc. 7 vol. 8. 0