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Engenharia Civil – Mecânica dos Fluidos – Prof.

Lyvio

AULA 1

Mecânica dos Fluidos é o ramo da Mecânica Aplicada que se dedica ao estudo do comportamento físico
dos fluidos (líquidos e gases), tanto em equilíbrio quanto em movimento, e das leis que regem este
comportamento.
Aplicações:
 Ação de fluidos sobre superfícies submersas. Ex.: barragens.
 Equilíbrio de corpos flutuantes. Ex.: embarcações.
 Ação do vento sobre construções civis.
 Estudos de lubrificação.
 Transporte de sólidos por via pneumática ou hidráulica. Ex.: elevadores hidráulicos.
 Cálculo de instalações hidráulicas. Ex.: instalação de recalque.
 Cálculo de máquinas hidráulicas. Ex.: bombas e turbinas.
 Instalações de vapor. Ex.: caldeiras.
 Ação de fluidos sobre veículos (Aerodinâmica).

Definição de Fluido:
Antes de apresentarmos uma definição formal do conceito de fluido, tente responder às perguntas: O que
é fluido? Quais as diferenças entre um sólido e um fluido?
Do ponto de vista da análise da estrutura molecular, podemos pensar:
Sólido: moléculas são pouco espaçadas e estão sujeitas a forças intermoleculares intensas coesivas. Esta
propriedade permite que o sólido mantenha sua forma e lhe confere a propriedade de não ser deformado
facilmente (aço, concreto, etc.).
Liquido: o espaçamento entre as moléculas é maior e as forças intermoleculares são fracas. As moléculas
apresentam maior liberdade de movimento, e assim, os líquidos podem ser facilmente deformados, ser
vertidos em reservatórios ou forçados a escoar em tubulações (água, óleo, etc.).
Gases: apresentam espaços intermoleculares ainda maiores e as forças intermoleculares são desprezíveis.
Livre movimento das moléculas. Conseqüentemente os gases podem ser facilmente deformados e sempre
ocuparão totalmente o volume de qualquer reservatório que os armazene. A liberdade de movimento das
moléculas é ainda maior do que àquela nos líquidos.
Podemos explicar o comportamento de um fluido através de suas estruturas moleculares, mas podemos
também distinguir seu comportamento (como eles se deformam) sob a ação de uma carga externa.

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Seja um solido preso entre duas placas planas, uma inferior fixa e outra superior onde será aplicada uma

força tangencial Ft (na direção do plano da placa), como na figura 1.

Mantida a força Ft constante, nota-se que o sólido se deforma angularmente até alcançar uma nova
posição de equilíbrio estático. Nessa posição, as tensões internas equilibram a força externa aplicada e

somente uma variação da força Ft faria com que houvesse uma modificação da nova configuração do
solido.
Pode-se dizer, então, que um sólido, solicitado por uma força tangencial constante, deforma-se
angularmente, mas atinge uma nova configuração de equilíbrio estático.
A mesma experiência será agora realizada colocando-se um fluido entre duas placas. Suponho que seja
possível, por exemplo, por meio de um corante, visualizar um certo volume ABCD do fluido (figura 2.a).

Sendo a placa inferior fixa e a superior móvel, ao se aplicar a força tangencial Ft na placa superior, esta
ira se deslocar.

A primeira observação importante nessa experiência é que pontos correspondentes do fluido e da placa
continuam em correspondência durante o movimento; assim, se a placa superior adquire uma velocidade
 
v , os pontos do fluido em contato com ela terão a mesma velocidade v , e os pontos do fluido em contato
com a placa fixa ficarão parados junto a ela. Tal observação conduz ao chamado principio da aderência:
Os pontos de um fluido, em contato com uma superfície solida, aderem aos pontos dela, com os quais
estão em contato.

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Então, o que se observa é que o volume ABCD e fluido, sob a ação da força Ft , deforma-se
continuamente, não alcançando uma nova posição de equilíbrio estático, supondo-se as placas de
comprimento infinito.
Essa experiência permite a distinção entre sólidos e fluidos, pois, enquanto aqueles se deformam
limitadamente sob a ação de esforços tangenciais pequenos, estes se deformam continuamente sem
alcançar uma nova posição de equilíbrio estático.
Pode-se dizer que:
Fluido é uma substância que não tem forma própria, e que, se estiver em repouso não resiste a tensões
de cisalhamento (deforma continuamente quando submetida a uma tensão de cisalhamento de qualquer
valor).

OBS.: A tensão de cisalhamento (força por unidade de área) é criada quando uma força atua
tangencialmente numa superfície.

Sistemas de Unidades:
O estudo da Mecânica dos Fluidos envolve uma variedade de características. Assim, torna-se necessário
desenvolver um sistema para descrevê-las de modo qualitativo e quantitativo. O aspecto qualitativo serve
para identificar a natureza, ou tipo, da característica (como comprimento, tempo, tensão e velocidade)
enquanto o aspecto quantitativo fornece uma medida numérica para a característica. A descrição
quantitativa requer tanto um número quanto um padrão para que as várias quantidades possam ser
comparadas.
As grandezas físicas (tudo que se pode variar quantitativamente) são divididas em dois grupos:
fundamentais e derivadas. Existem vários sistemas de unidades em uso, mas nós consideraremos apenas
dois:
Sistema Britânico:
Neste sistema, algumas das grandezas fundamentais são:
 Comprimento: pé (ft)
 Tempo: segundo (s)
 Força: libra força (lbf)
 Temperatura: grau Fahrenheit ( ° F )
 Massa: slug

Sistema Internacional (SI):


A décima - primeira Conferência Geral de Pesos e Medidas (1960), organização internacional responsável
pela manutenção de normas precisas e uniformes de medidas, adotou oficialmente o Sistema
Internacional de Unidades. Este sistema, conhecido como SI, tem sido adotado em quase todo o mundo e

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espera-se que todos os países o utilizem a longo prazo. Neste sistema, a unidade de comprimento é o
metro (m), a de tempo é o segundo (s), a da massa é o quilograma (kg) e a de temperatura é o Kelvin (K).
A escala de temperatura Kelvin é absoluta e esta relacionada com a escala Celsius (C) através da relação:
K = °C + 273,15

A unidade de força no SI é o newton (N) e é definida como a segunda leie de Newton, ou seja,
1N = (1kg )(1m s 2 )

Isso diz que uma foca de 1 N atuando numa massa de 1 kg provocará uma aceleração de 1 m s 2
Neste sistema, algumas das grandezas fundamentais são:
 Massa (quilograma)
 Comprimento (metro)
 Tempo (segundo)
 Corrente elétrica (àmpere)
 Temperatura termodinâmica (kelvin)
 Quantidade de substância (mol)
 Intensidade luminosa (candela)

E algumas grandezas derivadas:


 Força (newton) m.kg/s²
 Velocidade (m/s)
 Aceleração...

As tabelas 1 e 2 trazem os fatores de conversão entre os dois sistemas.

Prefixos utilizados no SI:

fator prefixo símbolo fator prefixo símbolo

10¹ deca da 10⁻¹ deci D

10² hecto h 10⁻² centi C

10³ quilo k 10⁻³ mili M

10⁶ mega M 10⁻⁶ micro μ

10⁹ giga G 10⁻⁹ nano N

Análise Dimensional:

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Todas as equações teóricas são dimensionalmente homogêneas, ou seja, as dimensões dos lados esquerdo
e direito da equação são iguais e todos os termos aditivos separáveis que compõe a equação precisam
apresentar a mesma dimensão. Nós aceitamos como premissa fundamental que todas as equações que
descrevem os fenômenos físicos são dimensionalmente homogêneas. Se isto não for verdadeiro, nós
estaremos igualando quantidades físicas diversas e isto não faz sentido.
Na análise dimensional a descrição qualitativa é convenientemente realizada quando utilizamos certas
quantidades primárias:
L: comprimento
T: tempo
M: massa
Estas quantidades primarias podem ser combinadas e utilizadas para descrever, qualitativamente, outras
quantidades ditas secundarias, por exemplo: área = L2 , velocidade = LT - 1 , etc. Nós também podemos
utilizar um conjunto de dimensões básicas composto por L, T e F, onde F é a dimensão da força.
A tabela 3 apresenta as dimensões das quantidades físicas normalmente utilizadas na mecânica dos
fluidos.
Por exemplo, a equação V = V0 + at é dimensionalmente homogênea, veja:
V = V0 + at
LT - 1 = LT - 1 + LT - 2T
LT - 1 = LT - 1 + LT - 1

Exercícios:
1) Verifique as dimensões, tanto no sistema FLT quanto no MLT, das seguintes quantidades que aparecem
na tabela 3: (a) aceleração, (b) tensão, (c) momento de uma força e (d) volume.
2) A equação usualmente utilizada para determinar a vazão em volume, Q, do escoamento de liquido
através de um orifício localizado na lateral de um tanque é
Q = 0,61A 2 gh

onde A é a área do orifício, g é a aceleração da gravidade e h é a altura da superfície livre do liquido em


relação ao orifício. Investigue a homogeneidade dimensional desta equação.
3) A força exercida sobre uma partícula esférica (com diâmetro D) que se movimenta lentamente num
liquido, P, é dada por P = 3pm DV onde m é a viscosidade dinâmica do fluido (dimensões FL-2T ) e V é a
velocidade da partícula. Qual é a dimensão da constante 3p . Esta equação é dimensionalmente
homogênea?

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A seguir vamos definir e discutir algumas propriedades dos fluidos, aquelas que definem seu
comportamento.

Propriedades importantes na análise e comportamento dos fluidos:


Quando discutimos os corpos rígidos, estamos interessados em concentrações de matéria como blocos de
madeira, bolas de tênis ou barras de metal. As grandezas físicas que utilizamos nesse caso e em termos
das quais expressamos as leis de Newton são a massa e a força. Podemos falar, por exemplo, de um bloco
de 3,6 kg submetido a uma força de 25 N.
No caso dos fluidos, estamos mais interessados em substancias sem uma forma definida e em
propriedades que podem variar de um ponto a outro da substancia. Assim, apresentaremos a seguir
algumas propriedades que definem o comportamento dos fluidos.

1 - Massa especifica ():


É a massa de uma determinada substância contida numa unidade de volume. No SI sua unidade é kgm3.
m
r=
V
OBS.: Os diversos fluidos podem apresentar massas especificas bastante distintas. Normalmente, a massa
especifica dos líquidos é pouco sensível as variações de pressão e temperatura. De modo diferente dos
líquidos, a massa especifica dos gases é fortemente influenciada tanto pela pressão quanto pela
temperatura.

2 - Volume especifico ( v ):
É o volume ocupado por uma unidade de massa da substância considerada.
1
v=
r
3 - Peso especifico ():
Peso da substância contida numa unidade de volume.
W
g=
V
No SI sua unidade é N/m3.
O peso especifico esta relacionado com a massa especifica através da relação:
g = rg
onde g é a aceleração da gravidade local.

4 - Densidade (SG):

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A densidade de um fluido é definida como a razão entre a massa especifica do fluido e a massa especifica
da água numa certa temperatura. Usualmente, a temperatura especificada é 4 C (nesta temperatura a
massa especifica da água é igual a 1000 kg/m3):
r
SG =
r H 2O @ 4 ° c

Lei dos Gases Perfeitos:


Os gases são muito mais compressíveis do que os líquidos. Sob certas condições, a massa especifica de
um gás está relacionada com a pressão e a temperatura através da equação
p = rRT
onde
p é a pressão absoluta;
r é a massa especifica;
T é a temperatura absoluta;
R é a constante do gás;
A pressão num fluido em repouso é definida como a força normal por unidade de área exercida numa
superfície plana. A dimensão da pressão é FL- 2 . No SI sua unidade é N/m2 (Pascal).

OBS.:
A pressão que deve ser utilizada na equação de estado dos gases perfeitos é a absoluta, ou seja, a pressão
medida em relação a pressão absoluta zero (a pressão que ocorreria no vácuo perfeito). Por convenção
internacional, a pressão ao nível do mar é 101,33 kPa (abs) ou 14,696 psi (abs). Esta pressão pode ser
arredondada para 101,3 kPa na maioria dos problemas de mecânica dos fluidos. É habitual, na engenharia,
medir as pressões em relação a pressão atmosférica local e, nestas condições, as pressões medidas são
denominadas relativas. Assim, a pressão absoluta pode ser obtida a partir da soma da pressão relativa com
a pressão atmosférica local. Por exemplo, a pressão de 206,9 kPa (relativa) num pneu é igual a 308,2 kPa
(abs) quando o valor da pressão atmosférica for igual ao padrão.

Exercícios:

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1) O peso especifico de um certo liquido é igual a 85,3 lbf ft 3 . Determine a massa especifica e a
densidade do liquido.
2) Um tanque de ar comprimido apresenta volume igual a 2,38 x 10 -2 m3. Determine a massa especifica e
o peso do ar contido no tanque quando a pressão relativa do ar no tanque for igual a 340 kPa. Admita que
a temperatura do ar no tanque é igual a 21C e que a pressão atmosférica vale 101,3 kPa (abs). Considerar
a constante do gás (ar padrão) igual a 2,869 x 102.
3) A massa especifica do oxigênio contido num tanque é 2,0 kg/m3 quando a temperatura no gás é igual a
25 C. Sabendo que a pressão atmosférica local é igual a 97 kPa, determine a pressão relativa no gás.

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