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>>> Pergunta inicial: O QUE VOCÊ DESEJA COM A SUA ARTE?

(escrita individual e leitura para a turma)

ESTÉTICA

Estética Teatral exercesse a sua função precípua e se tornasse uma ferramenta útil para o
entendimento do fenômeno teatral pelos alunos em seu todo. Desde logo pareceu-me que não
poderia pensar a matéria, do ponto de vista do ensino, a não ser na sua relação com o produto
último, didático e artístico, de um curso de Teatro, ou seja, a obra teatral. E por obra teatral
entendia não apenas o escrito literário, os diferentes elementos que se cruzam e se condensam
nele, em termos dramatúrgicos, cênicos, comunicacionais e filosóficos (éticos, estéticos,
culturais, políticos e humanos), nem os gêneros teatrais que são teoricamente agrupados a
partir de modalidades literárias ou dramáticoespetaculares, porém a peça de teatro na sua
concretude final, isto é, na incorporação e consubstanciação que em todos os sentidos, e por
todos os componentes de captação pelo espectador, se processa em seu afloramento no palco.

Foi o filósofo Alexander Gottlieb Baumgarten (1714-1831), que utilizou a


palavra “estética”, no conceito moderno, pela primeira vez. Ele tinha o intuito
de estabelecer uma disciplina da Filosofia que se encarregaria de estudar todas
as manifestações artísticas. Assim, já na Grécia Antiga, outros filósofos já faziam
o uso da palavra “estética” que deriva da palavra grega aesthesis e que
significa sensibilidade. Deste modo, no sentido mais estreito do significado, a
palavra “estética” significa: “sensibilidade”.

Atualmente, seu significado moderno corresponde a: “doutrina do


conhecimento sensível”. Baumgarten definiu a estética como sendo uma
disciplina que deveria refletir sobre as emoções produzidas pelos objetos que
são admirados pelos seres humanos. O autor ainda afirmava que
a estética deveria ser abordada de forma subjetiva, ou seja, a partir da
consciência da cada indivíduo.

Este filósofo da arte entende que a única forma de se apreciar uma obra de arte
se dá pela sensibilidade do observador. Ela, a sensibilidade, só é possível
quando o observador se permite contemplar a arte a partir da sua própria
subjetividade.

A palavra filosofia

A palavra filosofia é grega. É composta por duas outras: philo e sophia. Philo deriva-se de
philia, que significa amizade, amor fraterno, respeito entre os iguais. Sophia quer dizer
sabedoria e dela vem a palavra sophos, sábio. Filosofia significa, portanto, amizade pela
sabedoria, amor e respeito pelo saber. Filósofo: o que ama a sabedoria, tem amizade pelo
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saber, deseja saber. Assim, filosofia indica um estado de espírito, o da pessoa que ama, isto é,
deseja o conhecimento, o estima, o procura e o respeita. Atribui-se ao filósofo grego Pitágoras
de Samos (que viveu no século V antes de Cristo) a invenção da palavra filosofia. Pitágoras teria
afirmado que a sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mas que os homens podem
desejá-la ou amá-la, tornando-se filósofos.

ARTE

A palavra arte vem do latim ars e corresponde ao termo grego techne, técnica,
significando: o que é ordenado ou toda espécie de atividade humana
submetida a regras. Em sentido lato, significa habilidade, destreza, agilidade. Em
sentido estrito, instrumento, ofício, ciência. Seu campo semântico se define por
oposição ao acaso, ao espontâneo e ao natural. Por isso, em seu sentido mais
geral, arte é um conjunto de regras para dirigir uma atividade humana qualquer.

Do latim, ars, artis significa: o “ato de fazer”. Para os Gregos Antigos,


a arte significava o domínio do ser humano de uma ou mais técnicas. Deriva daí
a ideia de que saber faze r algo muito bem feito é uma arte,por exemplo:
a arte da guerra, a arte da política, a arte de fazer parto, da medicina, do
direito, etc. Deste modo, arte é o ato de fazer a obra que será admirada, seja ela
uma canção, uma escultura, uma poesia, uma dança, uma arquitetura.
A estética será, portanto, a disciplina que irá estudar, analisar a relação
existente entre a arte e o homem.

Mas o que determinaria o ato de fazer uma obra de arte? A resposta mais
aceita é a personalidade do artista e o contexto histórico-cultural do qual o
artista faz parte e todas as influências que ele possa receber. Para Gallo (1997),
o próprio artista é quem determina a funcionalidade de sua obra.

O teatro na Grécia antiga teve suas origens ligadas a Dionísio, divindade da vegetação,
da fertilidade e do vinho, cujos rituais tinham um caráter orgiástico. Durante as
celebrações, que duravam seis dias, em honra ao deus, em meio a procissões e com o
auxílio de fantasias e máscaras, eram entoados cantos líricos, os ditirambos, que mais
tarde evoluíram para a forma de representação plenamente cênica como a que hoje
conhecemos através de peças consagradas.
Seu florescimento ocorreu entre 550 a.C. e 220 a.C., sendo cultivado em especial
em Atenas, que neste período também conheceu seu esplendor, mas espalhou-se por
toda a área de influência grega, desde a Ásia Menor até a Magna Grécia e o norte
da África. Sua tradição foi depois herdada pelos romanos, que a levaram até as suas mais
distantes províncias, e é uma referência fundamental na cultura do ocidente até os dias de
hoje.

As palavras mecânica e máquina vêm do grego e significam estratagema


engenhoso para resolver uma dificuldade corporal. Assim, a alavanca ou a polia
são mecânicas ou máquinas. Qual é o estratagema astucioso? Fazer com que
alguém fraco realize uma tarefa acima de suas forças, graças a um instrumento
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engenhoso. Uma alavanca permite deslocar um peso que uma pessoa, sozinha,
jamais deslocaria. A técnica pertence, assim, ao campo dos instrumentos
engenhosos e astutos para auxiliar o corpo a realizar uma atividade penosa,
dura, difícil.

A partir da Renascença, porém, trava-se uma luta pela valorização das artes
mecânicas, pois o humanismo renascentista dignifica o corpo humano e essa
dignidade se traduz na batalha pela dignidade das artes mecânicas para
convertê-las à condição de artes liberais. Além disso, à medida que o
capitalismo se desenvolve, o trabalho passa a ser considerado fonte e causa das
riquezas, sendo por isso valorizado. A valorização do trabalho acarreta a
valorização das técnicas e artes mecânicas.

A primeira dignidade obtida pelas artes mecânicas foi sua elevação à condição
de conhecimento, como as artes liberais. A segunda dignidade foi alcançada no
final do século XVII e a partir do século XVIII, quando distinguiram-se as
finalidades das várias artes mecânicas, isto é, as que têm como fim o que é útil
aos homens – medicina, agricultura, culinária, artesanato – e aquelas cujo fim é
o belo – pintura, escultura, arquitetura, poesia, música, teatro, dança. Com a
idéia de beleza surgem as sete artesxi ou as belas-artes, modo pelo qual nos
acostumamos a entender a arte.

A distinção entre artes da utilidade e artes da beleza acarretou uma separação


entre técnica (o útil) e arte (o belo), levando à imagem da arte como ação
individual espontânea, vinda da sensibilidade e da fantasia do artista como
gênio criador. Enquanto o técnico é visto como aplicador de regras e receitas
vindas da tradição ou da ciência, o artista é visto como dotado de inspiração,
entendida como uma espécie de iluminação interior e espiritual misteriosa, que
leva o gênio a criar a obra. Além disso, como a obra de arte é pensada a partir
de sua finalidade – a criação do belo -, torna-se inseparável da figura do público
(espectador, ouvinte, leitor), que julga e avalia o objeto artístico conforme tenha
ou não realizado a beleza. Surge, assim, o conceito de juízo de gosto, que será
amplamente estudado por Kant. Gênio criador e inspiração, do lado do artista
(fala-se nele como “animal incomparável”); beleza, do lado da obra; e juízo de
gosto, do lado do público, constituem os pilares sobre os quais se erguerá,
como veremos adiante, uma disciplina filosófica: a estética.

Todavia, desde o final do século XIX e durante o século XX, modificou-se a


relação entre arte e técnica. Por um lado, como vimos ao estudar as ciências, o
estatuto da técnica modificouse quando esta se tornou tecnologia, portanto,
uma forma de conhecimento e não simples ação fabricadora de acordo com
regras e receitas. Por outro lado, as artes passaram a ser concebidas menos
como criação genial misteriosa e mais como expressão criadora, isto é, como
transfiguração do visível, do sonoro, do movimento, da linguagem, dos gestos
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em obras artísticas. As artes tornam-se trabalho da expressão e mostram que,


desde que surgiram pela primeira vez, foram inseparáveis da ciência e da
técnica. Assim, por exemplo, a pintura e a arquitetura da Renascença são
incompreensíveis sem a matemática e a teoria da harmonia e das proporções; a
pintura impressionista, incompreensível sem a física e a óptica, isto é, sem a
teoria das cores, etc. A novidade está no fato de que, agora, as artes não
ocultam essas relações, os artistas se referem explicitamente a elas e buscam
nas ciências e nas técnicas respostas e soluções para problemas artísticos. A arte
não perde seu vínculo com a idéia de beleza, mas a subordina a um outro valor,
a verdade. A obra de arte busca caminhos de acesso ao real e de expressão da
verdade. Em outras palavras, as artes não pretendem imitar a realidade, nem
pretendem ser ilusões sobre a realidade, mas exprimir por meios artísticos a
própria realidade. O pintor deseja revelar o que é o mundo visível; o músico, o
que é o mundo sonoro; o dançarino, o que é o mundo do movimento; o
escritor, o que é o mundo da linguagem; o escultor, o que é o mundo da
matéria e da forma. Para fazê-lo, recorrem às técnicas e aos instrumentos
técnicos (como, aliás, sempre o fizeram, apesar da imagem do gênio criador
inspirado, que tira de dentro de si a obra).

Arte e Filosofia

Do ponto de vista da Filosofia, podemos falar em dois grandes momentos de


teorização da arte. No primeiro, inaugurado por Platão e Aristóteles, a Filosofia
trata as artes sob a forma da poética; no segundo, a partir do século XVIII, sob a
forma da estética.

Arte poética é o nome de uma obra aristotélica sobre as artes da fala e da


escrita, do canto e da dança: a poesia e o teatro (tragédia e comédia). A palavra
poética é a tradução para poiesis, portanto, para fabricação. A arte poética
estuda as obras de arte como fabricação de seres e gestos artificiais, isto é,
produzidos pelos seres humanos. Estética é a tradução da palavra grega
aesthesis, que significa conhecimento sensorial, experiência, sensibilidade. Foi
empregada para referir-se às artes, pela primeira vez, pelo alemão Baumgarten,
por volta de 1750. Em seu uso inicial, referia-se ao estudo das obras de arte
enquanto criações da sensibilidade, tendo como finalidade o belo. Pouco a
pouco, substituiu a noção de arte poética e passou a designar toda investigação
filosófica que tenha por objeto as artes ou uma arte. Do lado do artista e da
obra, busca-se a realização da beleza; do lado do espectador e receptor, busca-
se a reação sob a forma do juízo de gosto, do bomgosto. A noção de estética,
quando formulada e desenvolvida nos séculos XVIII e XIX, pressupunha: 1. que a
arte é produto da sensibilidade, da imaginação e da inspiração do artista e que
sua finalidade é a contemplação;
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2. que a contemplação, do lado do artista, é a busca do belo (e não do útil,


nem do agradável ou prazeroso) e, do lado do público, é a avaliação ou o
julgamento do valor de beleza atingido pela obra; 3. que o belo é diferente do
verdadeiro. De fato, o verdadeiro é o que é conhecido pelo intelecto por meio
de demonstrações e provas, que permitem deduzir um particular de um
universal (dedução) ou inferir um universal de vários particulares (indução) por
meio de conceitos e leis. O belo, ao contrário, tem a peculiaridade de possuir
um valor universal, embora a obra de arte seja essencialmente particular. Em
outras palavras, a obra de arte, em sua particularidade e singularidade única,
oferece algo universal – a beleza – sem necessidade de demonstrações, provas,
inferências e conceitos. Quando leio um poema, escuto uma sonata ou observo
um quadro, posso dizer que são belos ou que ali está a beleza, embora esteja
diante de algo único e incomparável. O juízo de gosto teria, assim, a
peculiaridade de emitir um julgamento universal, referindo-se, porém, a algo
singular e particular. Desde o início do século passado, todavia, abandona-se a
idéia de juízo de gosto como critério de apreciação e avaliação das obras de
arte. De fato, as artes deixaram de ser pensadas exclusivamente do ponto de
vista da produção da beleza para serem vistas sob outras perspectivas, tais
como expressão de emoções e desejos, interpretação e crítica da realidade
social, atividade criadora de procedimentos inéditos para a invenção de objetos
artísticos, etc.

Essa mudança fez com que a idéia de gosto e de beleza perdessem o privilégio
estético e que a estética se aproximasse cada vez mais da idéia de poética, a
arte como trabalho e não como contemplação e sensibilidade, fantasia e ilusão.

A estética ou filosofia da arte possui três núcleos principais de


investigação: a relação entre arte e Natureza, arte e humano, e finalidades-
funções da arte.

>>> DUCHAMP / CABARÉ VOLTAIRE

O conceito moderno de arte estaria contido nos trabalhos de Kant.


Basicamente, o filósofo fez a seguinte diferenciação: arte e natureza de arte e
ciência. Para a primeira, distingue-se o significado de arte no sentido de haver
uma arte da mecânica, na qual o ser humano teria a capacidade de fazer algo a
partir do seu próprio conhecimento. Para a segunda, desenvolveu a
terminologia de arte estética, que tem por finalidade a contemplação do
sentimento de prazer, ou seja, do aprazível, que significa algo agradável e
alegre. Daí o significado de Belas Artes.