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pedagogico-546602.shtml

Edição 192 | Maio 2006

Desafios do coordenador pedagógico


Mais do que resolver problemas de emergência e explicar as
dificuldades de relacionamento ou aprendizagem dos alunos,
seu papel é ajudar na formação dos professores
Silvana Augusto (gestao@atleitor.com.br)

SILVANA AUGUSTO "O coordenador


centraliza as conquistas do grupo
e assegura que as boas idéias tenham
continuidade." Foto: Gustavo Lourenção

Muito se tem falado sobre o papel do coordenador pedagógico.


Afinal, por que ele é necessário? Quem dera coordenar fosse
simples como diz o dicionário: dispor segundo certa ordem e
método; organizar; arranjar; ligar.
O coordenador pedagógico, muito antes de ganhar esse status, já
povoava o imaginário da escola sob as mais estranhas caricaturas. Às vezes, atuava como fiscal,
alguém que checava o que ocorria em sala de aula e normatizava o que podia ou não ser feito.
Pouco sabia de ensino e não conhecia os reais problemas da sala de aula e da instituição.
Obviamente, não era bem aceito na sala dos professores como alguém confiável para compartilhar
experiências.
Outra imagem recorrente desse velho coordenador é a de atendente. Sem um campo específico de
atuação, responde às emergências, apaga focos de incêndios e apazigua os ânimos de professores,
alunos e pais. Engolido pelo cotidiano, não consegue construir uma experiência no campo
pedagógico. Em ocasiões esporádicas, ele explica as causas da agressividade de uma criança ou as
dificuldades de aprendizagem de uma turma. Hoje o coordenador organiza eventos, orienta os pais
sobre a aprendizagem dos filhos e informa a comunidade sobre os feitos da escola.
Mas isso é muito pouco. Na verdade, ele se faz cada vez mais necessário porque professores e
alunos não se bastam. Além das histórias individuais que todos escrevemos, é preciso construir
histórias institucionais. É duro constatar a fragilidade de tantas escolas que montam um currículo e
uma prática efetiva durante anos e perdem tudo com a transferência ou a aposentadoria de
professores. Construir história nos torna humanos, e é de estranhar que, justamente na escola,
tantas vezes tudo recomece do zero. O coordenador eficiente centraliza as conquistas do grupo de
professores e assegura que as boas idéias tenham continuidade.
Além do que se passa dentro das quatro paredes da sala de aula, há muito mais a aprender no
convívio do coletivo - no parque, no refeitório, na rua, na comunidade. A dinâmica nesses espaços
deve ser ritmada pelo coordenador. É preciso lembrar ainda que só quem não está em classe,
imerso naquela realidade, é capaz de estranhar. E isso é ótimo! É do estranhamento que surgem
bons problemas, o que é muito mais importante do que quando as respostas aparecem prontas.
Só assim é possível que o coordenador efetivamente forme professores (e esse é o seu papel
primordial). Ampliando a significação do dicionário, eu diria que no dia-a-dia de uma instituição
educativa é preciso:
- dispor segundo certa ordem e método as ações que colaboram para o fortalecimento das relações
entre a cultura e a escola;
- organizar o produto da reflexão dos professores, do planejamento, dos planos de ensino e da
avaliação da prática;
- arranjar as rotinas pedagógicas de acordo com os desejos e as necessidades de todos; e ligar e
interligar pessoas, ampliando os ambientes de aprendizagem.
Esse é o sentido de ser um bom coordenador, não de uma instituição, mas de processos de
aprendizagem e de desenvolvimento tão complexos como os que temos nas escolas. Que os que
desejam se responsabilizar por essa importante função vejam aqui um convite para criar um estilo
de coordenar.

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Silvana Augusto é formadora do Instituto Avisa Lá e professora do Instituto Superior de Ensino Vera Cruz,
em São Paulo