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SQUAT: ESPAÇO DE SOCIABILIDADE E (RE)

INVENÇÃO DO SOCIAL

ANDRESSA LÍDICY MORAIS LIMA

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

1. ASTÚCIA E SUBVERSÃO: A ARTE DA OKUPAÇÃO

O processo de construção de uma squat1 requer tempo e ação pautados


principalmente na associação livre entre pessoas que colaborem com o coletivo, com a
possibilidade de uma nova moradia, moradia esta construída por todos e todas que nela
queiram viver recompondo um ambiente antes inutilizado, deteriorado às vezes pontos
de fluxo para usuários de drogas e ladrões. Eram chamados de Centros Sociais, que
almejavam transformar socialmente o espaço urbano. Para minha surpresa esses centros
eram criados seguindo os princípios anarco-punk2. Percebi que estendia minhas
inquietações para investigar um "movimento curioso” que pretendia transformar
espaços vazios e destinados ao abandono em moradia e atividades educativas e culturais
para a população. Fiquei estimulada desde o início, não sabia muito acerca dos
propósitos da ocupação e confesso que inicialmente não fiz a devida distinção entre
"ocupação" e "invasão" - essencial para o entendimento da palavra Squat. O objeto de
estudo do presente trabalho são as squatts, realizadas por pessoas ligadas ao movimento
anarco-punk, em três cidades de três regiões diferentes do Brasil (Região Nordeste,
Sudeste e Sul) e interligadas por “redes sociais”, compreendidas aqui como “processos
sociais que envolvem conexões que transpassam os limites de grupos e categorias”

1
Casas ou prédios abandonados, que são transformados em locais de moradia e centros culturais e sociais.
Urgência das ruas: Black Block, Reclaim the Streets e os Dias de Ação Global/ Ned Ludd (org.). São
Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2002. A palavra squat deriva da língua inglesa. Traduzida para o
português significa grileiro (a), posseiro (a). Em francês “squatter”, em italiano “occupatore abusivo”, em
espanhol “ocupante ilegal” e em sueco “husockupant”. Quando perguntei a Bruno Cosmopolita (que
atualmente é aluno de Ciências Sócias da UFRN e faz parte do Coletivo Cosmopolita em Natal-RN, um
novo projeto de okupação que está sendo desenvolvido) sobre o motivo de se escrever a palavra okupa
com a letra “K”, ele disse que poderia ser influência de alguma língua estrangeira ou por que os “punks”
gostam de escrever errado mesmo. Uma maneira de contrapor as regras ortográficas. Mas sinalizo que na
maioria das traduções (exceto no sueco e no francês) o sentido atribuído à palavra vem acompanhado da
noção de subversão às normas.
2
Há uma junção das palavras Anarquia e punk, mesmo questionando os participantes desta pesquisa
acerca de um conceito sobre esta junção, não houve nenhum conceito estabelecido. Para um conceito
mais amplo do Movimento Punk ver:
CAIAFA, Janice, “Movimento Punk na cidade: a invasão dos bandos sub”, Rio de Janeiro: Jorge Zahar
Ed.,1985.
(BARNES, 1987, p. 163). Squat são locais onde pessoas (chamadas “ocupas”)
reabilitam imóveis que estão abandonados, para a construção de um novo espaço
dedicado a área de moradia, bem como a construção de espaços alternativos para
educação e cultura de caráter comunitário. Funcionam com programas de organização
comunitária e ações educativas que visam garantir sua manutenção a partir do trabalho
realizado pelos moradores e ocupantes, onde o principio básico é atender as
necessidades humanas, transformando espaços vazios em alternativas sociais para
aqueles que compreendem que a moradia é algo vitalmente necessário e, sobretudo um
direito. O trabalho de pesquisa aqui apresentado representa: de três anos (com intervalos
de campo, Casa Viva 7 meses, N4 12 meses e Flor do Asfalto 1 mês) de investigação
antropológica, e objetiva analisar este movimento de ocupação urbana, que tem a
especificidade de ser construído por pessoas ligadas ao Movimento Anarco-Punk.
Esta pesquisa começou na cidade do Natal, estado do Rio Grande do Norte, onde
pude conhecer a problemática das squatts em 2005 quando estava sendo construída, a
Squat Casa Viva, a partir da ocupação de um prédio situado a Rua Gustavo Cordeiro de
Farias nº 148, bairro de Petrópolis (zona leste da cidade). Acompanhei esta squat até sua
dissolução em 04 de junho de 2006. Contando com mais duas pesquisas de campo;
seguindo ordem cronológica de ida a campo temos no ano de 2007 a Squat N4
localizada na cidade de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul ficando situada à
Rua Padre Diogo Feijó s/n no bairro de Humaitá. Em meados de outubro do ano de
2008 na cidade do Rio de Janeiro, estado do Rio de Janeiro localizamos3 na Rua
Rodrigues Alves n° 535, em sua zona portuária, bairro Santo Cristo: Squat Flor do
Asfalto. Apresento neste trabalho um fragmento desse movimento que é global e conta
com fundamentos políticos e sociais inspirados na autonomia, autogestão, anarquia e
não-propriedade. Evidentemente este trabalho abarca questões sobre três redes em seus
contextos específicos em sua perspectiva política, como alternativa de luta social para
(re) invenção desses espaços como uma resposta às instituições políticas oficiais. Uma
visão “multisituada” 4 é fundamental para a compreensão do contexto estabelecido entre
essas “redes sociais” considerando aqui os campos de observação e análise desta
pesquisa.

3
Se conhecemos a existência de ocupações em muitas outras cidades já é sabido, estas são aquelas com as
quais tive a oportunidade de conviver.
4
Multisited Ethnography (Etnografia multi-localizada ou multisituada) termo utilizado por George
Marcus, ao se referir às etnografias construídas à medida que se tecem seus deslocamentos, não apenas
geográficos, mas dos etnográficos. Onde se é reconhecida a autoridade do sujeito, numa interlocução.
2. TRAVESSIAS URBANAS

Há muito tempo a Antropologia deixou de ser entendida como a ciência


responsável pelo campo fixado dos estudos de sociedades primitivas, termo que
particularmente não me agrada, e para além deste “primitivismo” e demandas tribais a
Antropologia ganhou um composto para suas pesquisas: o meio urbano. O estudo
antropológico deste meio nos coloca diante de uma antropologia em cidades, onde esta
passar a ser o contexto que abraça a existência de vários fenômenos sociais sendo assim
“Estamos preocupados em estudar situações que ocorrem em cidades sem que
tenhamos, forçosamente, de explicá-las pelo fato de estarem ocorrendo naquele quadro
especial. Estaremos fazendo ciência social na cidade e não da cidade” (VELHO;
MACHADO, 1977, p. 71). Compreender a dinâmica que envolve o indivíduo no espaço
urbano requer cuidados que serão redimensionados para que possamos situar o
surgimento deste contexto, desde a construção das chamadas “cidades modernas” à luz
de Le Corbusier. Segundo o autor na A Carta de Atenas, a cidade moderna não pode ser
apreendida como um todo único, mas que tem distintas funções, partes e componentes
onde “O advento da era da máquina provocou imensas perturbações no comportamento
dos homens, em sua distribuição sobre a terra, em seus empreendimentos, movimento
desenfreado de concentração nas cidades a favor das velocidades mecânicas, evolução
brutal e universal sem precedentes na história. O caos entrou nas cidades” (LE
CORBUSIER, 1987). Tal parcela de caos será compensada pela ordem na circulação de
automóveis, de mercadorias, a rua em formato de corredor, a calçada para os pedestres,
a residência vertical, tudo é projetado para atender as atividades produtivas. Mas essa
estrutura não conseguiu ser eficiente em estratégias que atendessem as necessidades dos
indivíduos que a habitam, deixando lacunas que são progressivamente aumentadas pelo
desenvolvimento técnico-estrutural e o conseqüente desenvolvimento social da cidade
em contexto urbano. A cidade não dá conta daquilo que faz dela um espaço público, sua
estrutura funcional não atende ao funcionamento do espaço urbano projetado para uma
cidade que, deveria ser pelo menos uma via de acesso ao espaço público, a cidade e o
urbano se relacionam, mas são particulares em sua existência:

La ciudad tiene habitantes, lo urbano no. Lo urbano está constituido por


usuarios. Por ello, el ámbito de lo urbano, autonomasia, su lugar, es no tanto
la ciudad en si misma como su espacio público. Es el espacio público donde
se produce la epifania de lo que es especificamente urbano: lo inopinado, lo
imprevisto, lo sorprendente, lo absurdo... La urbanidad consiste en esa
reunión de extraños, unidos por la evitación, la indiferencia, el anonimato y
otras películas protectoras, expuestas a la intemperie, y al mismo tiempo, a
cubierto, camuflador, mimetizados, invisibles. (RUIZ, 2000).

São inúmeras as comunidades que se desenvolvem dentro, em volta da cidade. A


diversidade se apropria do espaço urbano para construir seus “pedaços” (MAGNANI,
1984), suas “cliques” (WHYTE, 2005). Os grupos se dimensionam junto ou a margem
da cidade, sempre no urbano.

3. OCUPAR X INVADIR: ALGUNS ESCLARECIMENTOS SEMÂNTICOS

Com o passar do tempo, o processo de modernização, bem como as implicações


do imperialismo tornaram mais agudas as disfunções sociais da cidade, que cresce de
modo cada vez mais desordenado nas sociedades capitalistas, sistema construído para
atender somente a suas necessidades de acumulação gerando fosso onde indivíduos/
grupos que não estão aliados ao sistema são imediatamente colocados em posição
“marginal”, por ser um “crítico ativo da sociedade”, como nos expõe Janice “O sentido
sociológico primitivo de marginal referia-se especificamente a um indivíduo oriundo de
uma subcultura subalterna que rejeitara seu próprio grupo mas não fora aceito pela
cultura dominante”(PERLMAN, 1977, p. 128). O sentimento de pertencimento de um
okupa o coloca numa situação marginal, deliberada, pois ele não é condizente com o
modelo social/ político vivido em sociedade. Se o universo em que ele vive é
considerado marginal, por ele e pelos demais indivíduos da sociedade, as razões de cada
um são distintas. Para o okupa anarco-punk ele é marginal sim, por uma escolha que se
revela em suas roupas, nos seus zines5, na sua fala. Para os demais indivíduos a
marginalidade é um atributo exterior: são eles quem são “marginais”, um
distanciamento vivido e enxergado na existência do outro (okupa). Aquele que ocupa
uma propriedade privada é considerado um marginal, não porque está ocupando, mas
porque “invadiu” cometeu uma ação ilegal, o Estado reforça essa idéia com o desalojo,
com a ação da polícia. A observação da própria realidade nos coloca em encontro direto
com o que é produzido culturalmente. Assim quando nos encontramos com os
rompimentos e posições dos indivíduos, conhecendo seus segredos, sua “visão de
mundo” e mais além “visões” que surgem a partir dessas “visões de mundo”, sem

5
Um tipo de publicação alternativa feita em papel A4, onde são utilizados elementos de imagem, textos,
escritos geralmente em próprio punho e reproduzindo na década de 1970 a cena punk. Atualmente
utilizado para uma diversidade de assuntos.
interesses classificatórios, mas procurando pensar as possibilidades de definição
indicadas pelas palavras “ocupar” e “invadir” esboçamos possíveis abordagens
utilizando concepções variadas nas quais parecem cruzar-se idéias baseadas no senso
comum e na experiência cotidiana do mundo okupa. O termo ocupar6 sugere estar ou
ficar em posse de alguma coisa, preencher, aproveitar algum lugar no espaço. Existe,
portanto uma gama de definições, que, no entanto parecem dar conta de uma idéia
semelhante onde ocupar implicaria numa conquista de espaço, diferentemente do termo
invadir7 que expressa algo hostil, e revela uma resistência interna: ocupa-se um espaço
vazio e invade-se um espaço ocupado. Existe, portanto uma diferença semântica nas
duas ações. A primeira abordagem estaria voltada para uma filosofia da okupação, uma
aproximação de indivíduos suscitando interações possibilitadas pela ocupação, numa
relação mútua. Ao contrário disso (ainda que haja uma aproximação entre as palavras),
o segundo termo se apóia em variáveis institucionais, indicando a relação hostil entre as
partes. O termo ocupação aparece com duplo sentido para os okupas; ele está mais
próximo do termo “ocupar” acima descrito, mas também aparece como atividade,
serviço ou trabalho, ali desenvolvido. Portanto trabalhar com a idéia de okupação
significa trabalhar de maneira articulada com a idéia de ocupar e ocupação (a ação que
vem depois de ocupar). Alertando para devidas distinções entre as definições já
delineadas sobre estas noções (ocupar, ocupação, okupação e invadir) contextualizamos
ações ligadas a essas palavras. Num processo de ocupação o primeiro passo é localizar o
lugar. Em andanças casuais individuais ou coletivas pela cidade o grupo observa e ao
encontrar um possível espaço a próxima etapa é identificar este imóvel, fazendo um
levantamento de dados sobre o lugar. Quem tem a sua posse, há quanto tempo está
abandonado, por que, o que funcionava no espaço, porque foi desativado e
principalmente qual a sua situação jurídica. Este levantamento é importante para que se
identifiquem os pontos favoráveis para viabilização da ocupação. Se o imóvel está
abandonado porque tem dívidas com Estado provavelmente ele está bloqueado, inativo
não podendo ser vendido, alugado ou emprestado até que se conclua um processo
jurídico, sendo que muitos desses casos ficam anos sem uma sentença final e o imóvel
inutilizado por longos períodos, gerando sua ociosidade e a especulação imobiliária.
Geralmente há dívidas que o dono não sanou, e assim o Estado pode receber o imóvel

6
Segundo Aurélio B. Holanda ocupar seria estar ou ficar na posse de, [...] tomar ou encher (algum lugar
no espaço), preencher, empregar, aproveitar [...].
7
Segundo Aurélio B. Holanda invadir seria entrar à força ou hostilmente em, [...] tomar. Dominar.
como pagamento de impostos, taxas de água, energia, multas, dívidas com os ex-
empregados, enfim inúmeros motivos que também mantém o imóvel inativo. As
pessoas que ocupam o espaço também se movimentam para (re) significar abandono,
quando entram em ação os “coletivos” (ou comissões) que (re) fazem uma casa, um
prédio, um galpão, um novo espaço de sociabilidade política. Tendo em vista as
condições de vida dos okupas, e sua situação de vulnerabilidade, reforça-se o estigma
econômico, social, cultural e político que lhe atribui às etiquetas de “invasor”,
“marginal”, “delinqüente”. Esta aplicação parte da sua própria auto-exclusão do sistema
social dominante8: o estar fora do funcionamento padronizado da sociedade. Se as
construções sociais variam de acordo com as pessoas e a sociedade na qual estão
vivendo, o movimento não é tratado sempre da mesma maneira alterando entre as três
realidades que conheci de perto

4. A ATRAÇÃO EXERCIDA PELA REAÇÃO.

Foi durante o século XIX, que o Anarquismo lançou-se ao mundo como uma
alternativa de emancipação e liberdade individual à procura de um esforço coletivo que
dispensasse o Estado (MARX; ENGELS, 2002), o monopólio e a burguesia, oferecendo
o conhecimento como produto de um coletivo. A busca por direitos iguais entre
indivíduos já se mostrava através da perspectiva de luta por homens e mulheres
praticando igualdade, fortalecendo sempre a idéia de um desenvolvimento livre entre
indivíduos em grupos. O período de explosão da Revolução Industrial e as plataformas
urbanas geradas por ela despertaram nos ácratas9 idéias alternativas para frear o
desenvolvimento urbano segregado, desigual e que não seria acompanhado por um
desenvolvimento social. A história das idéias anarquistas deixa claro que não há espaço
para o poder autoritário sendo este execrado, pois o que deve prevalecer é a “vontade do
povo”. Este então seria o passo principal, ou talvez o mais importante para que assim
pudesse ser alcançável a sonhada sociedade libertária, deixando para trás a opressão.
Ultrapassá-la seria fundamental para a aplicação dessas idéias, desde a Revolução
Francesa (1789). Questionando o Estado, seus líderes e seguidores procuravam a
democracia, o ideário de liberdade e igualdade positivista, como maneira de se

8
Atitudes sedimentadas através da tradição histórica e da institucionalização.
BERGER, Peter, LUCKMAN, Thomas. A construção social da realidade. Rio de Janeiro: Vozes, 1985
9
Ácrata termo alternativo utilizado como sinônimo para designar anarquista. Além deste temos acracia e
acratismo que referem-se respectivamente a anarquia e anarquismo. (RODRIGUES, 1988, p. 16).
contrapor ao Estado. Para os anarquistas o Estado abusa da força como meio de impor
sua vontade, e o faz através de sua capacidade de adquirir e manter esse poder, impondo
a dominação em longo prazo. Neste processo de dominação a legitimidade é principal
fator, garantida pelos meios materiais, mas também pela própria crença na dominação.
Max Weber (1982) nos apontava para a legitimidade enquanto uma estabilidade dessa
crença, por haver uma continuidade dessa dominação ela consegue manter-se
dominando. Conhecendo esse domínio e desprezando este tipo de comando, os
anarquistas não hesitaram em aplicar suas idéias manifestando-se publicamente, e
denunciando o abuso do Estado e das desigualdades mantidas por ele. Começaram pelo
movimento operário, disseminando as idéias e partindo em busca de um novo modo de
vida, reunido em torno de um trabalho coletivo, cujos frutos seriam partilhados por
todos.

5. ARTES DE FAZER

O título desta seção é uma apropriação feita de um dos títulos de utilizados por
Michel de Certeau (1994) em a Invenção do Cotidiano. O Movimento Okupa surge no
final da década de 1960 na cidade de Londres, na Inglaterra, dentro do contexto contra-
cultural se afirmando enquanto uma resistência cultural através destas “zonas
autônomas temporárias”. As squatts surgem com jovens de classe operária e de classe
média, viverem buscando formas alternativas de vida e uma posição marginal diante de
uma sociedade de consumo que extrapola a “produção de mercadorias” (MARX, 1985).
A partir de Londres o movimento expandiu-se da Europa até chegar à América
Latina. No Brasil, as primeiras intervenções com estas características datam os anos
1990. Um dos praticantes desta pesquisa me relatou “Até onde eu sei a primeira ocupa é
a Casa da Ponte em Florianópolis-SC, em 1993 ou 94” (Vincent, N4: Porto Alegre-RS).
Uma força que não é passível de esgotar-se, por ser autônoma, por concentrar entre suas
características a possibilidade de “invenção do cotidiano”, a qual nos propõe Michel de
Certeau para abrir caminhos mediante suas estratégias. Sendo assim as squatts, na
definição de Certeau corresponde ao “espaço”.

O espaço é um cruzamento de móveis. É de certo modo animado pelo


conjunto dos movimentos que aí se desdobram. Espaço é o efeito produzido
pelas operações que o orientam, o circunstanciam, o temporalizam e o levam
a funcionar em unidade polivalente de programas conflituais ou de
proximidades contratuais. O espaço estaria para o lugar como a palavra
quando falada, isto é, quando percebida na ambigüidade de uma efetuação,
mudada em um termo que depende de múltiplas convenções, colocada como
o ato de um presente (ou de um tempo), e modificado pelas transformações
devidas a proximidades sucessivas. (CERTEAU, 1994, p.202).

E utilizo esta noção de Certeau por ela estender-se ao mais abstrato possível em
relação ao tempo e a dimensão espacial, que nos sugere a coexistência destas duas
dentro de uma squat. Dessa forma,

[...] o espaço é um lugar praticado. Assim a rua geometricamente definida


por um urbanismo é transformada em espaço pelos pedestres. Do mesmo
modo, a leitura é o espaço produzido pela prática do lugar constituído por um
sistema de signos – um escrito. (CERTEAU, 1994, p. 202).

A existência ou permanência de uma squat é incerta podendo com perenidade


estender-se numa apropriação do tempo tão relativa quanto o espaço ocupado: ao ocupar
o lugar e permanecer nele, se constitui um espaço de tempo e um espaço de atuação
sobre ele. A instabilidade temporal permite também a construção de um espaço nômade,
onde o lugar desejado é planejado, limitado e transportável, é a identidade com o espaço
vivido que permite a esta ocupação conceber a sua continuidade. O grupo é o mesmo
(okupas), mas o espaço de atuação (squat) pode ser novo. Trata-se como vemos, de uma
posição política, tanto a criação, fusão e permanência, embora haja desalojo não se trata
de um fim, o libertário é livre e mais tarde estará ocupando outros espaços. É essa
mobilidade que tem garantido a existência do Anarquismo, mesmo sem uma
estabilidade espacial.
A autogestão vivenciada dentro das squattss todos trabalham em benefício da
coletividade, com tarefas distribuídas entre os okupas a partir de divisão e formação de
grupos ou comissões10 que realizam suas atividades em conjunto para garantir o bem-
estar de toda a squat. Na prática, isso auxilia a organização de todo o grupo, sem
sobrecarregar ou concentrar atividades numa única pessoa. Esse tipo de organização
sugere podermos pensar que a squat guarda especificidades no que diz respeito aos
objetivos que serão alcançados: longe de almejar a apropriação para o excedente de
produção, os okupas ao plantarem suas hortaliças, por exemplo, não o fazem para ter
um excedente, mas para consumo interno, não sendo comercializado. Essas atividades
não acompanham um sentido de produção para efeito de aceleração capitalista, onde se
produz mais em menos tempo. A autogestão como efeito de organização pressupõe
10
Este termo era utilizado especificamente entre os okupas da Casa Viva. Não ouvi em nenhum momento
ser utilizado na N4 ou na Flor do Asfalto.
ainda ausência de “autoridade”, “hierarquia”, “centralismos” ou “representação”,
acontecendo a partir de idéias que acenem para o coletivo a ações em que envolvem
seus moradores e são levantadas, questionadas e resolvidas por todos em conjunto em
discussões abertas, as assembléias coletivas. A ocupação urbana, não somente a squat,
mas outros movimentos deste tipo de ocupação como MLPM (Movimento de Luta Pela
Moradia) ou MSTC (Movimento Sem-Teto do Centro, São Paulo-SP), é uma forma de
intervir diante das especulações imobiliárias, do contexto urbano estruturado pelo
Estado (MARX; ENGELS, 2002) com suas taxas e regras rígidas e, sobretudo frente aos
avanços do capitalismo. A squat compreende este estado de vivência coletiva adotada
livremente, onde a produção, o consumo e a educação devem satisfazer as necessidades
de cada um e de todos, por uma organização voluntária (RODRIGUES, 1988). Dessa
maneira se reúnem pessoas com intuito de comungar de uma filosofia de vida, marcada
pela busca constante da sociedade autogestionada.

6. (DE) BATENDO A PROPRIEDADE

No Segundo Tratado Sobre o Governo, John Locke (1979) discorria sobre a


condição do homem ao abdicar de seu estado de natureza, onde ele é tão livre, para
sujeitar-se ao domínio e controle de qualquer outro tipo de poder. Pois seria interesse
principal deste homem assegurar sua propriedade, preservá-la ao unir-se junto aos
outros homens para viver em comunidade, não por boa vontade, mas para conservação
da vida. Esse indivíduo faz-se então valer da condição de proprietário movido por
interesses. Entre o dom e o contradom podemos refletir sobre as motivações de
indivíduos que se agrupam em ocupações para livre vivência coletiva, abandonando os
princípios utilitaristas em relação à posse de uma propriedade. Discorre ainda Locke
(1979), que ao abrir mão de sua liberdade para conservar sua propriedade, a sociedade
condenou sua autonomia, pois a partir daí ela é obrigada a viver sob regras econômicas
e políticas que não são horizontais. Tal pensamento também é retomado por outros
sociólogos contemporâneos, como Pierre Bourdieu (1996), que diz:

Mas a incerteza, mesmo a angústia ligada à antecipação do efeito do destino,


não seriam tão fortes (sobretudo no dominado, por exemplo a mulher na
relação de sedução) se a relação de comunicação que se instaura não
contivesse sempre a potencialidade de uma relação de dominação. O caráter
exótico dos objetos aos quais foram aplicadas as análises de troca, como o
potlatch, levou a esquecer que as relações de troca na aparência mais
gratuitas e menos onerosas – como a redistribuição de solicitude, de
gentilezas, de atenções ou de conselhos, sem mencionar os atos de
generosidade irretribuíveis como a esmola - , quando se estabelecem em
condições de assimetria durável (sobretudo porque aqueles que elas reúnem
estão separados por defasagens econômicas ou sociais intransponíveis) que
excluem a possibilidade de uma verdadeira autonomia, são de natureza a criar
relações de dependência duráveis, variantes eufemizadas, pela subjetivação,
da escravidão por dívida das sociedades arcaicas.. (BOUDIEU, 1996).

Aos okupas não foi dada a escolha, pois quando resolveram existir enquanto
movimento autônomo de liberdade e contra o Contrato, este já estava estabelecido como
uma obrigação. É dessa condição que será gerada a ilegalidade da ação de ocupação,
pois os okupas fazem o caminho inverso, abrindo mão da propriedade e do utilitarismo
da sociedade capitalista para viver em liberdade, e retomar o controle sobre sua vida
sem que a propriedade possua valor maior que sua liberdade. Não se trata de ter o
direito de propriedade reconhecido, mas de ocupar espaços ociosos. Os okupas
participantes desta pesquisa rejeitam qualquer tipo de concessão ou ajuda de políticos e
do Estado, sob a justificativa destes estarem camuflando “ajudas interessadas”. Neste
sentido pensando sobre as relações entre o dom e o contradom (BOURDIEU, 1996) e
precedendo esta discussão, Mauss (1974) nos aponta para as trocas de dádivas, os
okupas teriam sempre uma dívida se aceitassem acordos de pagamentos para realização
de suas atividades ou mesmo para sua manutenção. Para Mauss (1974) que discorre
sobre a dádiva no potlatch o dom implica contrapartidas: as ofertas devem ser
compensadas com dádivas, os contra-dons. Tais trocas não carregavam, para os índios
da costa oeste da América do Norte, o aspecto mercantil que se encontra hoje na
sociedade capitalista, tais como okupas que não esperam lucro ou ganho com a
estruturação de uma okupação. Para Bourdieu (1996) a dádiva não é desinteressada,
mas motivada, antes de tudo pelo interesse pelo outro; identifica-se com a existência do
outro, com seus pensamentos. Assim o dom por si só carrega uma obrigação: a
iniciativa de oferecer ajuda, o que no caso de um político negociando seu status de
homem público tal ação, tem uma certeza, motivada pela visibilidade de sua iniciativa.
São essas trocas interessadas que o Movimento de Okupação evita e recusa
lutando pela sua liberdade, sem acordos interesseiros e utilitaristas, afastados dos seus
princípios do Movimento. Considerando a moradia como princípio fundamental aos
direitos individuais, a questão central que toma corpo e ganha espaço no Movimento
Squat é a seguinte: o valor material de um bem está acima do direito de moradia de um
indivíduo comum? A isso se opõe o Anarquismo, reforçando a desobediência e a recusa
a sair de onde mora, de sua própria casa, recusando-se a fazer acordos ou trocas. Para
Proudhon (1873), a propriedade assinala uma perversão sócio-econômica, uma vez que
ela utiliza dispositivos de força e onde sua garantia de posse é concebida em razão de
uma apropriação econômico-política, e mais: juridicamente ele é um princípio do
governo e das instituições, o que a tornam um “efeito sem causa”, “Alguns ensinam que a
propriedade é um direito civil, originado da ocupação e sancionado pela lei; outros ostentam que
é um direito natural, tendo sua fonte no trabalho: e essas doutrinas, por opostas que pareçam,
são fomentadas, aplaudidas”. Denegar a propriedade privada não é apenas possibilitar uma
atividade autônoma, é estimular a (re) invenção de uma forma de organização social,
por uma sociedade mais justa e igualitária. O Movimento Okupa tem como principal
aspecto estrutural o questionamento da propriedade privada, surgindo como resposta
política à Autogestão e o Anarquismo. Dizer que a propriedade é em última instância, a
usurpação de uns sobre outros é afirmar que a apropriação em si não permite a uma
pessoa ter mais direito legal sobre alguma coisa. Seria mais justo que ela tivesse
necessidade dela, e não podendo por isso utilizá-la para exploração de outro. Uma
okupa também é uma ação contra a especulação imobiliária, onde se rompe o ciclo da
oferta e da demanda, próprio das relações econômicas. Ao okupar não é o direito de
propriedade que está sendo exigido, busca-se o direito de utilizar aquilo que está
abandonado, uma vez que seus proprietários legais não atribuem uso social sobre a
propriedade. A okupação de imóveis que não cumprem com sua função social é feita
para moradia estabelecendo um uso do espaço com propostas de revitalizá-lo. Tal
atitude é inclusive legalmente amparada pelo artigo 1276 do Código Civil Brasileiro
que diz sobre as propriedades vazias e abandonadas que sejam revertidas para o poder
público municipal. O que garantiria a expropriação de propriedade e desapropriação a
partir dos dispositivos legais relativos ao abandono e ao abandono presumido. Na
Constituição brasileira, o capítulo reservado à ordem econômica e financeira, tanto o
direito de propriedade como a sua função social são submetidos a um objetivo expresso:
assegurar a todos existência digna, em conformidade com os ditames da justiça social
(artigo 170, caput e incisos II e III). A função social está ligada a um objetivo maior:
alcançar a justiça social, entendida esta como a necessidade de uma igualdade de
repartição de riquezas. Esse projeto só se viabiliza porque é feito por todos e para todos,
já que as atividades são paralelas e complementares e voltadas para algo maior: a casa,
que precisa de água (o sistema de abastecimento está sempre suspenso) e nem sempre
possui instalações hidráulicas, precisa de reparos (portas, janelas, banheiros, etc.) ou
mesmo de material para sua reconstrução, não conta com instalações elétricas em estado
de uso e por isso estão atentos a novas formas de energia e construção auto-sustentável
de uma okupa. A okupação não só se habilita como toma para si a responsabilidade de
atuar com transformações sociais sobre estes espaços, mas num contexto mais amplo
favorecer inclusão dos jovens inclusive. As relações de força produzidas numa squat
geram influências no habitus da população local? Sim, uma vez que o imaginário social
é diferenciado e tende a ser modificado pela introdução dessas squatts. O que está sendo
alterado é a vizinhança (PARK, 1979), o imaginário dela. Neste sentido a squat pode
contribuir para uma mudança cultural, tendo em vista que através da interação, o
habitus poderá ser alterado por um processo de transmissão de significados, valores,
conhecimentos, crenças, atitudes. Ocasionando a mutabilidade da cultura, maneiras de
ser, ver, pensar e de organizar a comunidade, construindo um outro imaginário social e
em conseqüência disso uma alteração em seu modo de vida.

7. (RE) INVENTANDO-SE, PERMANECENDO EM MOVIMENTO...11

Essa pesquisa trouxe a discussão a respeito do espaço construído pelo


Movimento Okupa dentro das ciências humanas, que começou recentemente. A
valorização deste aspecto se torna importante uma vez que estendemos um pouco no
trato dessa questão. Oportunizando observar os distintos trânsitos entre seus praticantes
da cidade (DE CERTEAU, 1994). A discussão caminhou alguns passos em diversos
pontos, cabe continuar avançando. Resgatando aqui o desafio apoiado na pesquisa de
campo, ao descrever outras relações entre os distintos movimentos de ocupação e as
fronteiras possíveis entre eles. Diante de uma antropologia multisituada a análise foi
tecida a partir das percepções do sujeito okupa, e de própria posição em campo da
pesquisadora, os praticantes dessa pesquisa em sua maioria homens, também têm
predominância universitária. Convivendo dentro dos espaços ocupados e apropriados os
okupas tecem suas redes de pertencimento e ampliam os limites da sociabilidade, estes
estendidos dentro e fora destes espaços, onde o encontro entre pessoas se desenvolve a
partir da vida social que se forma nesse meio. Mostrar a existência de um “fenômeno
urbano” que traz manifestações de “patologia social” tais como sub-habitação,
delinqüência, marginalismo e choque cultural, bem como problemas de planejamento
urbano em geral (VELHO, 1979) que tem desconstruído ou pelo menos questionando a
11
Adam Porter, Urgência das ruas.
propriedade privada como um direito absoluto, assentada numa distribuição de riqueza,
nos permite ampliar a dimensão política adquirida pelo conceito de sociabilidade, este
largamente estendido ao aparecimento de uma socialidade (MAFFESOLI, 1998)
manifestada nas entrelinhas desta pesquisa. Os participantes desta pesquisa freqüentam
estes espaços ocupados, entendendo que eles são transitórios, fluídos, nômades. Para
cada desalojo uma okupa. O modo de fazer uma okupa tem suas especificidades
escancaradas na própria dinâmica das urbes que o grupo está inserido. A busca pela
ocupação pelos participantes desta pesquisa é exposta no encontro entre a possibilidade
de sociabilizar seu espaço de moradia antes privado e agora torná-lo público como meio
disponível de um núcleo cultural de identidades alçadas pelas “redes sociais”
(BARNES, 1987). O okupa caracteriza o espaço urbano criado via a intervenção e
apropriação feita por ele da espacialidade. No qual ele não é e nem poderá ser reduzido
a uma derivação, pois a squat é um espaço que comporta possibilidades, onde sua
trajetória é informada pelo acaso. A identidade do local permite abrir espaços para
outros sujeitos, outras culturas que se sintam a vontade para intervirem ali a partir de
uma interação: a sociabilidade, responsável por reabilitar o prédio e (re) inventar o
social. A simultaneidade de atividades desenvolvidas e observadas durante as sucessivas
idas a campo, é o que permitiu-nos justificar a capacidade de (re) fazer um prédio e (re)
significá-lo através da sociabilidade vivida. Em termos interacionais a sociabilidade
permitiu ao “abandono” elevar-se a uma condição de “identidade cultural” de um
espaço. A squat é assim um procedimento subversivo disposto a penetrar no código do
domínio, da propriedade privada, fazendo com que ele pelo modo como emerge, de uma
anarquia anticapitalista, ganhe “espaço” político, social e cultural. A reconstrução
temporária desses “espaços” ocupados consegue resultados absolutamente impossíveis
de compreensão sem que haja disponibilidade de aceitação (leia-se uma relativização)
ao que está fora da regra, numa disposição a aceitar o sujeito “marginal”, a aceitar o
outro. Sujeito este que (re) constrói com autonomia seu “espaço ocupado”. A squat seria
a possibilidade que um projeto tem de atingir uma problemática social através de uma
movimentação alheia às condições institucionais estabelecidas. A relação entre a
pesquisadora olhar a squat deles, e deles mostrarem sua casa, seu espaço, permitiu uma
visão complementar, unida entre quem quer ver e quem quer se mostrar, ou o que quer
ser mostrado. É entre essas visões que está narrativa foi sendo construída. Não
escapando a um tom político utilizado pelo próprio discurso dos participantes da
pesquisa. É um processo que vem de fora, e que tem essa visibilidade presente numa
rede densa de informações, movimentada pela dinâmica cibernética, sobre a qual existe
um reconhecimento de grupos, que percorrem um círculo diferente do qual ele é
influenciado e do qual ele vive. Existe uma construção individual da okupa a partir de
quem sabe que está construindo sua própria identidade. Essa identidade encontrada na
squat, não se trata mais de quem é antes de ser alguém que habita aquele espaço. Por
mais conflitos que possam existir, por mais deteriorada que seja uma squat, será sempre
o/um espaço de pertencimento coletivo, de trocas, (re) inventado através de sua vivência
lúdica, e que aparece bastante clara nas falas destes okupas, que se reconhecem nas suas
transformações individuais e na (re) invenção do social que habitam. Esse texto resulta,
portanto em uma abordagem acerca das práticas de convívio coletivo situadas pelos
sujeitos okupas – a partir dos quais realizamos descrições e interpretações presentes
aqui – permitidas por uma posição no espaço social que se faz ponto de vista
(BOURDIEU, 2005). Percorrer com o olhar. Foi nessa direção que experimentei o fazer
etnográfico com suas fantásticas vivências e suas cruéis dificuldades em companhia dos
praticantes da cidade. O cerce da questão para esses atores sociais é o espaço urbano
como uma prática de intervenção, questionando e tencionando a rigidez constitucional,
gerando a partir dela às ações subversivas e “ilegais” mediando à utilização do espaço
urbano como uma possibilidade de aproximação do anarquismo a uma atuação social
mais profunda junto marginalizados da sociedade. Desta etnografia também resulta
lacunas, questionamentos e alguns pontos que poderiam ter sido aprofunadados. Mas na
condição de pesquisadora o compromisso assumido dificulta em relação ao tempo de
vivênciar as experiências e etnografá-las, o fato de identificar quanto tempo será
necessário exige uma distância social, psicológica e física. Enquanto pesquisadora se
voltasse a campo hoje, não escaparia a uma abordagem mais densa diante dos desalojos.
Dessa relação conflituosa, dona de uma tensão permanente e das fronteiras que ela
estabelece, sem abusos de assimétria. As narrativas tendem a nos insuflar uma
intervenção, uma vontade de tomar partido, isto é, de envolversse com o que é nos dito.
É preciso pausar... abrir olhos e ouvidos, silênciar e trabalhar a mente com a ajuda das
mãos. Descreva!
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