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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ

CENTRO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA – CEAD

COORDENAÇÃO DO CURSO DE HISTÓRIA

UNIVERSIDADE ABERTA DO PIAUI – UAPI

DISCIPLINA: TEORIA DA HISTÓRIA II

ALUNA-DAMIRIS RODRIGUES CAMÊLO

Relatório do documentário Nós que aqui estamos por vós esperamos

FLORIANO, 26 DE MAIO DE 2018


O filme inicia mostrando a imagem de um soldado sendo assassinado um
tiro na nuca seguido da imagem de um cemitério, essa imagem representa um
século marcado por guerras.

São mostradas pinturas modernas, em seguida a frase: o balé já não era


clássico. Em seguida imagens de uma cidade ondem circulam aos automóveis
recém-criados com a legenda “A cidade já não cheirava a cavalos”, fábricas, rede
de energia elétrica, rede de telefonia, inovações de mudaram a rotina da
sociedade no início do século XX. Ruptura nas artes, na psicologia, avanços em
diversos campos do saber, a exemplo da física com Albert Einstem e sua teoria
da relatividade, mostra que foi um século de grandes transformações.

Difusão da fotografia o advento da indústria audiovisual, realmente o


século XX foi o século das revoluções.

Henri Ford inventou as linhas de produções em série, modelo de produção


que revolucionou a indústria automobilística e as demais, o tempo de produção
de um carro foi reduzido de 14h para 1h e 33 minutos. Nesse ponto o
documentário mostra um operário da fábrica de automóveis, Alex, que nasceu
em 1882 e morreu aos 37 anos vítima de gripe espanhola, ganhava 22 dólares
por semana, 88 dólares por mês e trabalhava 12 horas por dia, incluindo os
sábados e nunca teve um dos carros que ajudou a produzir. O avanço beneficiou
os empresários, não os operários, a produção em série aliena o trabalho dos
operários, não se valoriza a mão de obra destes, sua importância fica
desapercebida diante de tantas fases de produção.

O filme também conta parte da história da família Jones que teve três
gerações marcadas por guerras do século XX. Tom Jones, o Bisavô serviu e
morreu aos 21 anos na 1ª Guerra Mundial, Paul Jones, morreu aos 29 anos, em
1945, servindo seu país na 2ª Guerra Mundial, Robert Jones morre com a mesma
idade em que o pai morreu, aos 29 anos, no ano 1971, na Guerra do Vietnã.
Robert Jones Jr teve seus bisavô, avô e pai mortos em guerras, nem um deste
viu os filhos crescerem. Nesse ponto do filme mostra um pensamento que é
válido destacar: “Em uma guerra não se matam milhares de pessoas. Matasse
alguém que adora espaguete, outro que é gay, outro que tem uma namorada.
Uma acumulação de pequenas memórias...” de Cristian Boltanski.

A partir daí o filme mostra muitos trabalhadores do metrô em 1903, todos


de bigode. Mostra também mulheres empacotando cigarros em uma fábrica,
Leningrado 1926, na legenda conta sobre Martha Vertovska 1982-1945 que
empacotou milhões de cigarros e depois virou telefonista.

Em 1930, Nova York era uma grande cidade em franca expansão, lá vivia
George Gotmam (1906-1962) que construiu diversos edifícios nessa cidade. Já
em moscou viveu Lev Pankratov 1905-1973, ele era operário padrão e
apaixonou-se por uma turista italiana, mas não pode viver a paixão pois
discordou do partido e morreu na Sibéria pouco tempo depois. No Chile Pablito
Mendoza 1895-1967 jogava dominó aos domingos e era coveiro. Enquanto isso
na Alemanha, em 1961 Hermann e Rainer construíram centenas de metros do
muro de Berlim.

Na China em 1971, Ling Yan (1948-1992) tinha como trabalho principal


montar bicicletas e seu livro preferido é O Vermelho de Mao Tsé-Tung, durante
a Revolução Cultural(foi uma profunda campanha político-ideológica levada a
cabo a partir de 1966 na República Popular da China, pelo então líder do Partido
Comunista Chinês, Mao Tsé-tung, cujo objetivo era neutralizar a crescente
oposição que lhe faziam alguns setores menos radicais do partido, em
decorrência do fracasso do plano econômico Grande Salto Adiante) ele executou
três professores de matemática.

Já no Brasil, na Serra Pelada funcionava um garimpo gigantesco, nele


trabalhavam cerca de 8.237 Joãos, 12668 Pedros, 9525 Josés, todos atrás de
Ouro. Dentre eles 1 Antônio (1945-1980).

A partir daí o filme mostra fábrica de TV no Japão em 1977, onde


trabalhavam muitas mulheres, dentre elas uma Midoru Uyeda que adorava o
Elvis. Mostra também uma fábrica na Argentina em 1983, onde trabalhava Daniel
Escobar que apertou 9.872.441 parafusos para veículos Renault. Enquanto isso
na Índia Nehru Gulta(1978-1997) e na Bolívia Juan Domingues, trabalhador do
campo (1903-1995) nunca viram uma televisão.

Vemos em seguida uma imagem de Nova York em 1929, o ano que a


Bolsa quebrou, há muitas pessoas desoladas pelas ruas, filas de pessoas
aguardando para pegar comida que era distribuída nas ruas. Paul Davis(1895-
1955) ,um engenheiro, vende maçãs na rua.

Em 1914 Hans e Anna se casaram, um dos 2000 casais que se casaram


às presas antes dos maridos recém casados irem à Guerra. Anna era operária
em uma fábrica armas.

Mariko Takano (1923-1945), faziam bolinhos de arroz como ninguém.


Tákio Takano, exímio carteiro, ambos casados e tinham dois filhos, Takao(1944-
1945 e Naki(1943-1945), morrem todos em 1945, ano dos bombardeamentos
nucleares em Hiroshima e Nagasaki.

“Os homens criam as ferramentas, as ferramentas recriam os homens”.


McLuhan.

Um kamikaze pede, por escrito, desculpa aos pais por morrer antes deles,
ele se mostra incerto quanto ao sentido da guerra mas diz que não lutar seria
para ele uma humilhação. Seu nome é Kato Matsuda, foi um dos kamikazes que
atacou Perl Habor.

No sudeste asiático um monge budista protesta contra a Guerra no Vietnã,


como ele o faz? Ateando fogo ao próprio corpo, ele se chama Tashi
Iungten(1925-1969).

China, 1980, na Praça da Paz Celestial, em um protesto contra o governo


autoritário, um homem se põe diante de um Tanque de Guerra, Chen Yat-sen
1932-1998, professor de literatura.
Adolg Hitler, Mao Tse-Tung, Mussoline, Pol Pot, Franco, Salazar, Idi
Amim, Ceausescu, Ferndinand Marcos, Pinochet, Reza Pahlevi. Videla, Médici,
Mobuto. Sec. XX foi um século repleto de ditadores, em todos os continentes do
mundo.

Ralf Vetter (1925-1979) fez parte da juventude nazista e depois veio criar
coelhos no Brasil, morreu obsessivo e brigado com os vizinhos.

Surgiram nesse século grandes astros da música, cinema e esporte, Elvis


Presley, Mané Garrincha e outros.

Foi uma século marcado pela revolução feminina, as mulheres lutaram


por seus direitos, e conseguiram o direito ao voto e outros direitos: ter liberdade
para se vestir, trabalhar e ter autonomia em todos os sentidos. Dentre elas
Sandra Michael (1878-1939), ela é mostrada fumando seu primeiro cigarro.

Os métodos contraceptivos revolucionaram o modo como as mulheres


viviam a sexualidade. Em 1960 foi criada a mine saia que mudou o modo de
muitas mulheres se vestirem.

Luz Elétrica, o Rádio , a Aspirina, a corrida espacial, fast food, televisão.


Nem todas as pessoas tiveram acesso às inovações na mesma época. O fato é
essas inovações mudaram o modo como a maioria das pessoas vivia.

O documentário mostra diferentes religiões e o conceito de Deus que cada


uma tem, o Budismo venera Buda, Judaísmo a Deus, Islamismo a Alah,
Religiões Africanas aos Orixás, Indianos a elementos da natureza.

Ao final são mostrados vários túmulos, dando a entender que não importa
quem nos somos, qual nosso país, nossa religião, vamos todos morrer um dia.

“Nós que aqui estamos por vós esperamos”


O documentário conta a história do século XX, conta os fatos históricos
mostrando pessoas, indivíduos que participaram desses acontecimentos
históricos e que foram muitas vezes vítimas deles, o soldado que morreu, o
garimpeiro, a mulher que quebrou padrões, todos participaram da história,
fizeram a história, eles e muitos outros que também eram pessoas únicas, com
sentimentos, ideologias, hábitos singulares, sonhos, etc. O fato que une a todos,
sem exceção, todos os retratados morreram, a morte iguala a todos os seres
humanos.

Claramente um trabalho que relata a história olhando o indivíduo, histórias


individuais dentro de eventos coletivos, claramente seguindo o que apregoa o
gênero historiográfico Micro História.