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O que é Política Contábil, Mudança de

Estimativa e Retificação de Erro?


ELVIS DERMONI ATUALIZADO EM: 12/03/2018 0
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TEMPO DE LEITURA: 12 MINUTOS

Saiba o que é Política Contábil, Mudança de Estimativa,


Retificação de Erro e Evento Subsequente para Informes Mais
Confiáveis.

Neste post vamos conhecer o que são políticas contábeis,


mudanças de estimativas, retificações de erros e eventos
subsequentes.

Tudo isso, segundo a contabilidade brasileira e as normas


internacionais de contabilidade.

Os dispositivos NBC TG 23 (R1); CPC 23; IAS 8; NBC TG 24


(R1); CPC 24; IAS 10:

Tem como objetivo determinar critérios de seleção, mudança,


tratamento e divulgação nas políticas contábeis, mudança de
estimativas, retificação de erro e evento subsequente.

Com intuito de produzir mais confiança e qualidade nas


informações contábeis.

A vivência profissional não nos deixa dúvida:

Que o aumento da qualidade dos demonstrativos


contábeis possibilita aos usuários da contabilidade melhores
condições para compreender a real situação econômica,
financeira e patrimonial da empresa.

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A produção de informações relevantes e fidedignas são
fundamentais para:

O crescimento da taxa de assertividade nas tomadas de


decisões, quer elas sejam atividades operacionais,
investimentos e/ou financiamentos.

A finalidade da NBC TG 23 (R1); CPC 23; IAS 8; NBC TG 24


(R1); CPC 24; IAS 10:

É elevar a qualidade dos demonstrativos contábeis, à padrões


internacionais de contabilidade, em atenção as características
qualitativas das demonstrações contábeis, que são:

 Relevância;
 Representação fidedigna;
 Comparabilidade;
 Verificabilidade;
 Tempestividade; e
 Compreensibilidade.

Políticas Contábeis
Compreende-se políticas ou práticas contábeis, como:
Os princípios, as bases, as convenções, as regras e práticas
específicas aplicadas pela entidade na elaboração e na
apresentação dos demonstrativos contábeis.

Completando o entendimento, as políticas contábeis são:

Orientações, tratamentos próprios, métodos e práticas que a


contabilidade se utiliza para o reconhecimento, mensuração e
evidenciação do patrimônio.

Consisti em como a contabilidade será utilizada no processo de


gestão de uma organização.

É fundamental conhecer as políticas adotadas pela


administração para que se tornem compressíveis as
informações contábeis divulgadas por uma empresa.

O processo de escolha de suas políticas contábeis, deve a


administração considerar inicialmente o conjunto de normas:

 IAS;
 IFRS;
 Legislação Societária;
 CPC;
 CFC, e
 Outros atos normativos que venham regular um fato
específico.

Na ausência de uma norma ou interpretação específica, pode a


administração realizar julgamento próprio para desenvolver e
aplicar políticas contábeis.

Desde que apresente consistência em seus demonstrativos


financeiros e patrimoniais como um todo.

Para que uma política contábil seja confiável, é preciso:

 Ser relevante e representar adequadamente os informes


contábeis;
 Refletir a essência econômica das transações;
 Manter a neutralidade nas avaliações de ativos e passivos
– isentando-se de tendências;
 Recepcionar prudentemente as práticas normalmente
aceitas pela contabilidade e que estejam completas em
todos os aspectos materiais.

E para promover mais confiabilidade e melhor compreensão


aos usuários da contabilidade, quanto aos demonstrativos
contábeis, surge então, um complemento por força normativa,
denominado:

Notas Explicativas, que tem por objetivo divulgar:

Informações complementares essenciais sobre os elementos


patrimoniais, econômicos e financeiros da entidade.

Estimativas Contábeis
Estimativas contábeis, propriamente dita, é:

Quando uma empresa se vê diante de situações que obrigam


que seus valores de ativos ou passivos sejam determinados –
avaliados, em virtude das incertezas inerentes ao seu processo
de mensuração.

Normalmente, isso é motivado:

Pelas incertezas ligadas a eventos futuros, onde sua


mensuração é baseada no conhecimento prévio que se tem do
item patrimonial em avaliação.

Mudanças em estimativas contábeis são:

Ajustes nos saldos contábeis de ativos ou de passivos ou do


montante de consumo periódico de um ativo.

Que decorre da avaliação da situação atual e dos benefícios


futuros esperados e das obrigações associadas com ativos e
passivos.

Vale ressaltar!
Que mudanças nas estimativas contábeis decorrem de novas
informações ou de novos desenvolvimentos e não são
correções de erros.

Uma mudança na estimativa contábil é um ajuste do valor


contábil de ativo ou passivo, ou do valor do consumo periódico
de ativo (exemplo, depreciação).

Decorrente da avaliação da posição corrente e esperada dos


benefícios futuros e obrigações futuras associados com os
ativos e passivos.

As alterações nas estimativas contábeis resultam de novas


informações ou novos desenvolvimentos e, portanto, não são
correção de erros.

Resumindo: é prospectiva (apenas p/frente)

Segundo a NBC TG 23 (R1); CPC 23; IAS 8., não são


consideradas mudanças de políticas contábeis:

 A aplicação de políticas contábeis para transação,


eventos ou circunstâncias que diferem, em essência,
daqueles anteriormente ocorridos;
 Como também, a aplicação de uma nova política para
transações, eventos ou circunstâncias que não ocorreram
anteriormente ou que eram imateriais.
Revisões de Estimativas

A mudança de um determinado procedimento na organização


pode levar a revisão de estimativas futuras.

Um exemplo é a mudança da estimativa de vida útil de um bem


para cálculo do seu valor em uso.

O que ocasionaria efeitos em valores já estimados e


contabilizados a partir da aplicação do impairment.

Deste modo, percebe-se que quando for possível avaliar e


mensurar os efeitos das estimativas futuras, há de se divulgar
estes dados.
As estimativas contábeis poderão ser necessárias, por
exemplo, para:

 Estoques obsoletos;
 Vida útil ou padrão esperado de consumo de benefícios
econômicos de ativos depreciáveis;
 Obrigações decorrentes de garantias;
 Valor justo de ativos ou passivos financeiros;
 Créditos de liquidação duvidosa;
 Entre outros.

Omissões ou Divulgações Incorretas

A norma assim, descreve:

São consideradas materiais se elas puderem, individual ou


coletivamente, influenciar as decisões econômicas dos
usuários dos informes contábeis.

Entende-se, segundo disposto na norma propriamente dita que:

A materialidade depende do tamanho e da natureza da


omissão ou da informação incorreta avaliada de acordo com as
circunstâncias que a geraram.

O tamanho e a natureza do item, ou uma combinação dos dois,


pode ser o fator determinante.
Retificação de Erro
Segundo a norma, os erros podem ocorrer:

 No registro,
 Na mensuração;
 Na apresentação: ou
 Na divulgação de elementos que compõem as
demonstrações contábeis.

Enfim, não estão de acordo com as práticas (políticas)


contábeis adotadas no Brasil e correlacionadas com normas
internacionais (IASB/IFRS/CPC).

Os informes contábeis não estarão em conformidade com as


normas, interpretações e comunicados técnicos do CFC:

Se contiverem erros materiais ou erros imateriais cometidos


intencionalmente para alcançar apresentação da posição
patrimonial e financeira, do desempenho ou dos fluxos de caixa
da entidade.

Erros cometidos e identificados dentro do exercício corrente


devem ser corrigidos antes da elaboração e divulgação das
demonstrações contábeis.

Contudo, o erro pode ser identificado em exercício


subsequente.

Nesse caso, o erro deve ser corrigido nas informações de


exercícios anteriores apresentadas para fins comparativos.

Erros de Períodos Anteriores


São considerados erros de períodos anteriores segundo a NBC
TG 23 (R1):

Omissões ou distorções contidas nas demonstrações contábeis


de um ou mais períodos anteriores, resultantes de falhas no
uso ou do uso errôneo de informações confiáveis que:

1. Estavam disponíveis quando as demonstrações contábeis


de períodos anteriores foram elaboradas;
2. Seria razoável concluir que poderiam ter sido conhecidas
e levadas em consideração por ocasião da elaboração e
divulgação daquelas demonstrações contábeis.

Tais erros incluem os efeitos de erros matemáticos, de


enganos na aplicação das práticas contábeis, de
desconsideração ou má interpretação de fatos, e de fraudes.

Deverá promover a correção no balanço de abertura do


período subsequente ou do período mais antigo apresentado,
evidenciando suas características e origem em nota explicativa.

Realizada a correção, a entidade deve divulgar:

1. a natureza do erro;
2. o valor da correção para cada rubrica afetada;
3. na medida do possível, o valor da devida correção no
período anterior mais antigo;
4. uma nota explicativa, caso seja impraticável determinar os
valores como antes mencionado.

Ao perceber erros na escrituração contábil, buscar-se-á a


devida correção, retrospectivamente.

A aplicação retrospectiva é a aplicação de uma nova política


contábil a transações, a outros eventos e a condições, como se
essa política tivesse sido sempre aplicada.

A representação retrospectiva é a correção do reconhecimento,


da mensuração e da divulgação de valores de elementos das
demonstrações contábeis, como se um erro de períodos
anteriores nunca tivesse ocorrido.

O ajuste retrospectivo refere-se a correção do registro inicial,


da valoração ou da divulgação de elementos das
demonstrações financeiras como se o erro não houvesse sido
cometido.

Evento Subsequente
Um evento subsequente pode ser favorável ou desfavorável a
uma companhia. Seu tratamento, critérios, identificação e
orientações contábeis estão dispostas na NBC TG 24 (R1);
CPC 24; IAS 10, que pelo qual apresento a seguir.

Evento subsequente, contabilmente falando, é aquele evento


favorável ou desfavorável, que acontece:

Entre a data final do período a que se referem as


demonstrações contábeis e a data na qual é autorizada a
emissão dessas demonstrações.

Dois tipos de eventos podem ser identificados:

1. os que evidenciam condições que já existiam na data final


do período a que se referem as demonstrações contábeis
(evento subsequente ao período contábil a que se
referem as demonstrações que originam ajustes);
2. os que são indicadores de condições que surgiram
subsequentemente ao período contábil a que se referem
as demonstrações contábeis (evento subsequente ao
período contábil a que se referem as demonstrações que
não originam ajustes).

O objetivo dos dispositivos NBC TG 24 (R1); CPC 24; IAS 10 –


Evento Subsequente, é:

Definir os casos em que a entidade precisa ajustar as


demonstrações contábeis em consequência de eventos
ocorridos após a data do balanço.

Definindo quais divulgações devem ser feitas sobre a data de


autorização das DC’s e sobre os eventos ocorridos até esta
data.

Eventos Após a Data do Balanço


Entre a data de encerramento de um período contábil e a data
em que as demonstrações contábeis estão autorizadas para
publicação podem acontecer:
Fatos importantes que seja necessário ser divulgados para os
usuários da informação contábil.

As divulgações de tais informações são consideradas


relevantes, mesmo que não venham causar impacto nos
números das demonstrações contábeis.

Haja vista a sua influência na tomada de decisão dos


investidores e demais interessados na entidade.

Eventos após a data do balanço são aqueles que ocorrem


entre a data do balanço e a data em que as demonstrações
contábeis estão autorizadas para emissão e publicação.

Os eventos que geram ajustes são os que fornecem evidências


de condições que existiam na data do Balanço.

Eventos que não geram ajustes são aqueles que tem


indicativos de que surgiram após a data do Balanço.

A Data da Autorização se refere à data em que as DC’s se


tornam legalmente aprovadas para a emissão.

Considerando os seguintes aspectos:

 A data da autorização será a data da emissão original em


que são disponibilizadas para aprovação dos acionistas;
 Também se aplica o mesmo procedimento quando as
DC’s são aprovadas para submissão ao um Conselho
Deliberador.
Exemplos que geram ajustes:

 acordo entre partes em um processo Judicial;


 venda de estoque a preço substancialmente menor após
o encerramento do exercício social;
 falência de um cliente;
 venda de ativo imobilizado a um preço líquido
substancialmente menor que o valor residual contábil;
 entre outros.
Exemplos que não geram ajustes:
 reclassificação de ativos mantidos para venda;
 queda no valor de mercado de investimentos;
 compra, alienação ou desapropriação de ativos após a
data do balanço;
 declaração de dividendos;
 início de Ação Judicial que ocorreu após a data do
Balanço;
 entre outras.

Ressalta-se, quando materiais, estes eventos devem ser


divulgados em notas explicativas.

A divulgação de eventos subsequentes é realizada avaliando a


importância do acontecimento para a companhia, em relação:

 a prejuízo material;
 imagem da empresa com consequente perda no valor das
ações;
 tempo estimado para voltar a produção normal; e
 indícios da continuidade normal da empresa.

Divulgar os eventos subsequentes é importantíssimo, pois


aumenta a qualidade e transparência das informações.

A omissão de informações relevantes pode caracterizar-se até


como fraude, não demonstrando a realidade da empresa.

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