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Piratas do Gol D.

Roger Tradutores

RECADO DO REI DOS PIRATAS


O artigo a seguir fala sobre talvez o ponto que os
libertários brasileiros mais estão deixando passar batido. Com o
imediatismo de desejar um território livre o quanto antes, o
movimento tem a cada dia perdido a consistência. Estamos em
2018, ano eleitoral, e é recorrente ver libertários defendendo
apoios à políticos e medidas paliativas à liberdade dos indivíduos,
quanto o mesmo movimento corre o risco de dar ao estado a sua
aprovação, e todas os conselhos que o mesmo precisa para se
eternizar. Nesta obra, Konkin III pontua passo a passo o que um
libertário precisa saber sobre como se livrar do nosso problema.
Ele ensina aqui conceito atrás de conceito a respeito de como é
possível sim, resistir à perversidade sem fazer uso de ainda mais
perversidade. É uma leitura de poucos dias. Então vá com calma
e deleite-se com essas ideias que para você podem ser
inteiramente novas.

Por último e não menos importante, desejo que


você curta e acompanhe nossa página no Facebook PIRATAS DO
GOL D. ROGER e se possível DOE AQUI em nosso website
(www.piratasdoroger.com/doacoes) para que nosso trabalho,
site, aquisições e distribuição de conteúdo, continuem com todo
o empenho e dedicação.

NOS AJUDE NESTA LUTA. Nosso adversário gasta


trilhões de reais anualmente contra nós para impressionar as
pessoas de como o estado é bonzinho e funciona. O que temos
para rivalizar é uma ideia pura, libertadora e consistente.
Contamos com seu apoio.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 2


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Esse livro é dedicado a Teny Rule


Fisher, Thelma Rule e John
Fragnito, sem os quais esse livro
jamais teria acontecido.

Acima de tudo, no entanto, esse


livro é dedicado ao meu filho,
Samuel Edward Konkin IV, para
quem eu ofereço essa planta da
liberdade como legado

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 3


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ÍNDICE

INTRODUÇÃO 6

1 ECONOMIA 11

2 ECONOMIA APLICADA 22

3 CONTRA-ECONOMIA 39

4 CONTRA-ECONOMIA APLICADA 46

5 LIBERTARIANISMO 54

6 LIBERTARIANISMO APLICADO 61

7 AGORISMO 73

8 AGORISMO APLICADO 93

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 4


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PREFÁCIO

Ideias evoluem e crescem. Em determinado


ponto, uma ideia se conecta com tantos outros conceitos que se
torna central para uma forma de pensar—uma ideologia.

Em algum estágio da vida de uma ideologia, entre


seu nascimento e sua morte, ela alcança tal nível de maturidade
que alguém é motivado a desviar seus esforços de expandi-la para
fora e em ascendência e começa a olhar para baixo. Isso é, o
teórico pausa para passar o conhecimento àqueles não
especializados em desenvolvimento teórico. Talvez o teórico seja
lembrado de para quem ele desenvolveu a ideologia em primeiro
lugar.

Agorismo é uma forma de pensar sobre o mundo


ao seu redor, um método de entender por que as coisas
funcionam da forma como funcionam, como o fazem e como lidar
com elas—como você pode lidar com elas.

Agorismo foi feito para melhorar muito para


todos, não de uma elite escolhida ou de uma suja subclasse. Por
isso um trabalho introdutório que apresenta ideias sem passar
por toda a longa história intelectual e conflito de ideias
concorrentes que as produziram. Como criador do Agorismo, é
mais importante para mim tentar reduzi-lo à inteligibilidade
básica. Espero que meus esforços encontrem alguma pequena
recompensa.

- Samuel Edward Konkin III

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INTRODUÇÃO

Agorismo pode ser definido de maneira simples:


é pensamento e ação consistentes com liberdade. Quando se lida
com “pensar”, “agir”, “consistência”, e, especialmente,
“liberdade”, as coisas se tornam mais e mais complexas.

Persista na virtude da consistência. A recusa a se


comprometer, se enganar, “se vender” ou “ser realista” criou o
Agorismo. Considere “ser realista”. Isso normalmente implica
que a teoria é boa para ser pensada, mas na prática deve-se lidar
com a realidade. Agoristas acreditam que qualquer teoria que não
descreva a realidade é inútil ou uma tentativa deliberada de
intelectuais para defraudar os não especialistas.

Quando alguém te impele a ser realista, você


pode pegar um livro Agorista para obter a melhor descrição que
encontrar sobre como o Agorismo realmente funciona. Se você
deseja encontrar livros e artigos que “falseiam a realidade” em
prol de desejos, caprichos, medos e rancor, busque por rótulos
como “liberal”, “conservador”, “socialista”, “comunista”,
“fascista” ou—o pior de todos—“centrista” ou “moderado”.

A realidade não conhece moderação; ela é—por


inteiro. Uma forma de pensar chegou perto do Agorismo e é
muito bem conhecida hoje; lidaremos com o Libertarianismo mais
tarde em detalhes. Ele foi uma ideologia de Liberdade, que teve
de escolher entre a consistência com a realidade e ser a “política
da liberdade”. Escolheu a última: a contradição de buscar obter

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poder político sobre outros para eliminar poder político sobre


outros.

Aqueles que continuaram a buscar liberdade


consistentemente e sem a contradição prática dos Libertários se
tornaram Agoristas. Essa é uma segunda definição histórica para
você.

Agorismo é uma ideologia, portanto, mas é


também uma forma científica e definitivamente materialista de
pensar. Não é uma visão religiosa—exceto que acredita que
liberdade absoluta é moral—tampouco pretende tomar o lugar
das visões religiosas de qualquer um—a menos que levem à
escravidão. O Agorismo não deseja “verdadeiros crentes” no
sentido de seguidores cegos. Como toda forma de pensar
baseada cientificamente, evoluirá conforme nosso entendimento
da realidade. Quem tiver fé em algo provado falso que já foi
princípio do Agorismo não é um agorista.

A realidade é nosso padrão. A natureza é nossa


legisladora. Em um sentido geral, o Agorismo é científico, pois se
baseia em observações verificáveis sobre a realidade. Mas é
científico em um sentido específico também. Pode ser difícil para
químicos, físicos e engenheiros acreditarem que uma “ciência
sólida” já foi desenvolvida em campos como economia ou ciência
política; mas a descoberta dessa ciência por mim—um duro
químico teórico, cínico de ciência “suave” — levou
eventualmente através do Libertarianismo para o Agorismo.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 7


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O estudo da ação humana (praxeologia)
produziu algumas observações repetíveis que merecem o título
de lei científica. A área da ação humana que lida com trocas entre
humanos agentes (cataláxia) cobre a mesma área de pensamento
que a economia deveria cobrir, mas frequentemente com
diferentes conclusões.

Esse tipo de economia (às vezes chamado de


economia austríaca) foi usado por especuladores como Harry
Browne e Doug Casey para investir em instrumentos de dinheiro
pesado, vencer os impostos e sobreviver quando a sociedade ao
seu redor está operando sobre irracionalidade e tolice. Tem essa
potência, uma ferramenta para sobreviver em meio a melancolia
e desgraça.

No entanto, pode ser mais. Aplicando esse


entendimento econômico a toda ação humana independente de
desejos, caprichos, medos e rancor do agente mais poderoso na
sociedade — o estado (governo coercitivo) — um novo campo
teórico que lida apenas com ações práticas emerge: A Contra-
Economia.

Finalmente, quando a teoria libertária encontra a


Contra-Economia, o que surge — em estrita consistência, tanto
externa quanto interna — é o Agorismo. Essa é outra definição.

E essa é a definição com a qual me sinto mais


confortável, a que os ladrões intelectuais acham mais difícil de
perverter ou roubar: Agorismo é a integração consistente da

1
Se essa área de estudo te atrai, vá de toda forma à fonte: Ação Humana, de Ludwig von
Mises. Você encontrará todos os termos estrelados aqui derivados e definidos em
detalhes.

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teoria libertária com prática Contra-Econômica; um agorista é


alguém que age consistentemente pela liberdade e na liberdade.

Um entendimento básico de Agorismo cai


naturalmente em quatro fases de integração ou quatro passos de
aprendizado. Além de compreender as premissas envolvidas,
deve-se ser capaz de aplicá-las. Lembre-se sempre que o
Agorismo integra a teoria e a prática. Teoria sem prática é jogo;
levada a sério, leva a um afastamento da realidade, a misticismo
e insanidade. Prática sem teoria é robótica; levada a sério, leva a
cultivar um solo fértil e aparecer para trabalhar em uma fábrica
fechada. Talvez ajude pensar na teoria como casada com a
prática, onde o divórcio leva à ruína. Ou o relacionamento pode
ser visto como o entre cérebro e estômago ou mente e corpo;
nenhum pode sobreviver sem o outro.

Então, quatro conceitos e quatro aplicações


levam naturalmente a oito capítulos.

O autor e editor acolhe com prazer suas


perguntas, pois elas indicarão onde nós podemos clarificar e
melhorar edições posteriores.

Com a prática Contra-Econômica; um agorista é


aquele que age consistentemente para a liberdade pela
liberdade. Uma compreensão básica do Agorismo cai
naturalmente em quatro fases de integração ou quatro etapas de
aprendizado. Além de compreender as premissas envolvidas,
deve-se aplicá-las. Lembre-se sempre de que o Agorismo integra
teoria e prática. Teoria sem prática é jogo; se levada a sério, leva
à retirada da realidade, misticismo e insanidade. A prática sem
teoria é robótica; se levada a sério, leva a cultivar em solo infértil

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e aparecer para trabalhar em fábricas fechadas. Talvez ajudaria


pensar na teoria como casada com a prática, onde o divórcio
levaria à ruína. Ou a relação pode ser vista como aquela entre
cérebro e estômago ou mente e corpo: nenhum deles pode
sobreviver sem o outro.

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CAPÍTULO 1
ECONOMIA

A economia é uma ciência sombria. Aqueles que


entendem certos conceitos econômicos lucram
extravagantemente. Economia é uma ferramenta que
corporações e governos usam para controlar a sociedade.
Aqueles que compreenderam esses conceitos econômicos
derrubaram governos que se recusaram a enfrentar os mesmos
conceitos. Economia é meramente um exercício escolar.
Especuladores que compreendem economia fazem milhões de
dólares e salvam outros da ruína financeira. Aqui está o nosso
problema: todos os itens acima citados são verdadeiros.

Se isso faz você pensar que há uma inconsistência


no uso da Economia, você está correto. Com um “e” minúsculo,
economia é o estudo das relações de troca entre pessoas que
envolvem bens e serviços. Com "E" maiúsculo, a Economia é uma
instituição financiada principalmente pelo governo e suas
fundações com privilégios fiscais. Com o dinheiro da fundação,
essa instituição controla - no entanto imperfeitamente - aqueles
que iriam aprender e ensinar economia nas escolas públicas ou
faculdades particulares.

Talvez isso pareça ser um grande negócio feito


com muito pouco; afinal de contas, não seriam a química e
astronomia e matemática também institucionalizadas? Imagine o

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caso em que apenas a ‘’ química pro-governo", ‘’ astronomia


conservadora’’ ou ‘’ biologia socialista’’ foram ensinadas e
aqueles que tentaram ensinar a ciência objetiva foram
menosprezados como malucos. Fantástico? A pseudobiologia de
Lysenko foi ensinada na União Soviética, porque estava mais de
acordo com a teoria marxista do que com a genética. Atualmente,
o aquecimento global causado pelo homem está se aproximando
de um status de ‘’ climatologia aprovada pelo estado’’ com
dissidentes calados pelo grito, sem financiamento, manchados e
rotulados de poluidores por apologistas, e até ameaçados da
rescisão de seus graus acadêmicos.

Talvez você conclua que o governo possa usar seu


controle em escolas e faculdades para ensinar uma versão
distorcida de economia. Poderíamos, então, melhorar o ensino da
economia se o governo for melhorado? A resposta é: "Sem
chance!"

Como você verá no Capítulo Seis, se as pessoas


entendessem economia, governos coercivos não poderiam
sobreviver. (E governo não-coercivo é uma contradição em
termos.)

O que desejamos realizar neste capítulo é


simplesmente lhe dar uma compreensão básica da real economia.
Não, isso não é apenas para ajudar a explicar o resto deste livro;
até mesmo com um entendimento elementar de economia,
poucos jogadores espertinhos podem defraudar você -
especialmente aqueles que apostam alto, do tipinho político.

Vamos começar com porque as pessoas agem


economicamente.

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Valor:

Bem lá no fundo, vamos começar...

Seres humanos agem. Por quê? Ludwig Von Mises


disse muito bem: “Para remover a sensação de desconforto.” Se
você estivesse plenamente contente, nada nem ninguém
incomodando você, e você sabendo que se você não fizer nada,
você poderá continuar contente, você se mudaria? Lembrando,
sair desse estado aumentaria a infelicidade. Claro que você não se
colocaria em movimento. Mesmo se você dissesse que iria se
mudar para aliviar o tédio, você estaria violando a hipótese. Você
ficaria mais entediado se movendo desde que isso implica um
aumento na infelicidade.

“Ah! Mas isso não é uma contradição?” Se você


pensou nesta questão, está correto. E se uma suposição leva a
uma contradição, está errado. Nossa suposição era de que você
poderia alcançar um estado de facilidade; portanto, esta
condição humana é impossível. Na realidade, o homem sempre
tem razões para sentir desconforto: se alimentar, vestir-se,
abrigar-se, reproduzir e alimentá-los, abrigar e vesti-los, divertir-
se e assim por diante. O desconforto não pode ser eliminado.
Pode, no entanto, ser reduzido. Também pode, infelizmente, ser
aumentado.

Se você procura passar fome ou se aborrecer,


você aumenta seu desconforto. Algumas ações que você executa
alcançam objetivos negativos; outras alcançam resultados
positivos. Aqueles que removem o desconforto são valores.

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Se outra pessoa tiver algo que removerá seu mal-


estar, mas levando-o a aumentar o dele, nós temos um conflito
nos valores. Este conflito nos valores não precisa surgir do
confronto direto. Supondo que são oferecidos uma sobremesa
deliciosa a você e ao outro, e o outro está desesperadamente
fazendo dieta. Você valoriza a sobremesa; o outro a desvaloriza.

O valor é subjetivo. Esta visão simples, feita por


Carl Menger (professor de Von Mises), revolucionou a economia
primitiva e curou muitos dos problemas que assolaram a ciência
desde Adam Smith. Se Marx tivesse seguido Menger, o socialismo
teria sido abandonado. O valor subjetivo leva ao individualismo.
Isso também explica tão poderosamente porque as pessoas
trocam coisas entre si e isso destrói teorias de "exploração".
Antes do valor subjetivo, Marx poderia olhar para o trabalho de
Adam Smith — que pensava que o valor surgia da quantidade de
trabalho que alguém colocava em produzir algo — e não ver
nenhum papel produtivo para ninguém além dos trabalhadores,
concluindo que todos os outros são parasitas. Existem parasitas
em nosso sistema, a economia nos diz isto, e vamos usar nosso
novo entendimento para investigá-los no próximo capítulo.

Finalmente, quando as pessoas negociam, elas


estão agindo para remover a sensação de desconforto em ambas
as direções. Você pode desistir de um valor menor para um maior,
mas nunca o de outra forma, a menos que seja forçado a isto. Se
você está disposto a deixar seu irmão trabalhar por você e pagar
a ele "mais do que ele vale", você sabe que isso demonstra que
para você ele vale mais por que é seu irmão. Você ainda ganhou
um valor maior.

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Se os valores não fossem subjetivos, por que


alguém entraria no comércio? Todos nós valorizaríamos as coisas
igualmente e nos contentaríamos com o que tivéssemos. Bem,
não inteiramente; nós também poderíamos querer mais do que
um valor. Então, vamos para o próximo conceito econômico
poderoso...

Utilidade Marginal:

Supondo que você é um pastor, tem dez ovelhas,


e um bom casaco de lã que você fez com muita dedicação da tua
décima primeira ovelha. Alguém aparece e oferece-lhe um casaco
como o seu em troca de sua décima ovelha, você diz para ele cair
fora. Junto vem um pastor rico e vê o seu casaco. Você diz a ele
como você conseguiu e até mesmo diz a ele como fazer um. Ele
pode pensar em coisas melhores para fazer do que fazer um
casaco, mas ele gostaria de ter um. Ele lhe oferece uma ovelha
em troca de um casaco. Subjetivamente, ainda não é a melhor
jogada, você se recusa. Ele te oferece duas ovelhas e você sabe
que agora com doze ovelhas está à frente: você pode fazer outro
casaco e ficar com onze ovelhas novamente. Enquanto isso, o rico
pastor preferiria ter 98 ovelhas e um casaco, do que cem ovelhas
e nenhum casaco.

Mas este exemplo até agora ainda é de valor


subjetivo. O rico pastor finalmente oferece-lhe três ovelhas. Com
alegria, você aceita e agora possui treze ovelhas. Ao sair, você se

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depara com outro pobre pastor com dez ovelhas e um casaco.


(Parece que isso acontece muito por lá.)

Ele oferece-lhe um casaco em troca de ovelhas e


está disposto a aceitar duas ovelhas pelo trabalho. Você ainda
está à frente – ainda fica com onze ovelhas e o casaco! E você não
precisa mais fazer por você mesmo. Barbada!

Usando o casaco de lã como nosso meio de troca,


descobrimos algo interessante. Ovelhas são ovelhas (no que diz
respeito a este exemplo) ainda assim, enquanto você negociou
sua décima primeira ovelha por um casaco e não teria negociado
sua décima, você negociou ambas a décima segunda e a décima
terceira ovelha por um casaco. Este princípio em que você
valoriza cada unidade adicional um pouco menos, é chamado de
utilidade marginal. (Você está operando na margem e “utilidade”
é uma palavra antiga para valor.) Todas as ovelhas (e dólares)
não são iguais; os marginais são mais baratos. Além de nos dar
uma ideia em economia, de como podemos lidar com mais, e
também nos ajudar a detectar fraudes como a redistribuição de
impostos (veja o próximo capítulo), a utilidade marginal leva
diretamente ao próximo conceito...

Divisão do Trabalho:

O valor subjetivo pode nos levar a pensar que é


preferível produzir alguns bens em vez de outros, ou transportá-
los, negociá-los, servi-los ou armazená-los. No entanto, é a
utilidade marginal que nos diz por que essa especialização

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funciona. Se eu produzir dez hambúrgueres por hora e você


produzir doze, e acontecer de comermos a mesma quantidade, é
óbvio de quem terá mais estoque para comercializar, e vai estar
ansioso para fazer isso. Eu deveria verificar outras linhas de
produtividade ou mudar para um local menos desejável (pelo
menos para você) onde eu pudesse competir. Esse processo, no
qual somos levados a nos especializarmos por maior
produtividade e maior recompensa (busca de valor), é chamado
de divisão do trabalho. Von Mises especulou que era a cola que
mantinha a sociedade unida; e se você pensa na sociedade como
maior que uma família nuclear, ou seja, um casal e seus filhos
dependentes, considerados como uma unidade social básica, ou
uma família mais extensa, ele está certo.

Se Jane canta lindamente, e nós não, a divisão do


trabalho acontece, é por isso que eu estou escrevendo este livro,
enquanto como seus hambúrgueres, ouvindo a linda voz de Jane
no rádio.

Noções Básicas:

Com as noções básicas das ideias como aquelas


sobre comércio, troca, bens e serviços trazidas para esta
discussão (e espero que você também as leve com você),
adicionadas aos conceitos de valor subjetivo, utilidade marginal e
divisão do trabalho, você está devidamente armado para
entender o Agorismo. Há muito mais na economia para ser

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descoberto e a ser escrito pelos tipos certos de economistas


(muito poucos).

Antes de prosseguir, há uma especialidade


econômica que merece alguma atenção extra. Desde que a muito
está na mente de todos, você provavelmente adivinhou que é
Dinheiro...

Dinheiro

O dinheiro é muito confuso e não é difícil perceber


porquê. “Um tolo e seu dinheiro logo se separaram” é uma
obviedade quase tão antiga quanto o próprio dinheiro. Se você
pode ficar confuso sobre o que é dinheiro ou como funciona, você
pode se separar dele por aqueles que sabem o que é dinheiro.

Lembra do nosso exemplo das ovelhas? Nós


chamamos o casaco de lã de um meio de troca para mostrar os
diferentes valores de uma ovelha. Mas se tivéssemos muitos
casacos de lã e uma ovelha sendo trocada, poderíamos usar o
mesmo exemplo para mostrar a utilidade marginal da décima
primeira ovelha (ou qualquer número que quiséssemos trabalhar)
e o uso de ovelhas como meio de troca.

O comércio direto de bens para bens – ou


escambo - é bruto, e problemas relacionados a mudanças são
difíceis de resolver. Carneiros morrem e casacos de lã se
desgastam; eles não são bons para reservar valor. E - como o valor
é subjetivo - as mudanças em suas necessidades, gostos e

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circunstâncias alteram seus valores de qualquer maneira. Nada


pode armazenar uma quantidade sempre variável ou, como
diriam os matemáticos, fixar uma variável.

Seria agradável para nós termos algo que faça


mudanças, armazene seu valor e seja universalmente aceitável
(todos querem isso, o tempo todo). Para ser franco, não existe tal
coisa e nunca haverá, embora todos os diretores de bancos,
congressistas e comissários possam decretar o contrário. O valor
subjetivo nos garante que nunca haverá.

Mas suponha que alguma substância possa ser


dividida em seus átomos sem mudar, ser mais resistente ao
desgaste e à corrosão do que qualquer outra coisa, ser facilmente
reconhecida e facilmente verificada quanto à pureza, ser
valorizada já por muitas pessoas por sua utilidade e ter boa
aparência. Suponha ainda que ela "funcione melhor" do que
qualquer outra coisa oferecida na competição de conter valor.

A maioria das pessoas não passaria a usar essa


coisa como dinheiro? Nenhuma lei precisaria ser aprovada ou
instituições fundadas ou campanhas publicitárias conduzidas
para fazer isso real, pois a natureza cuidaria disso. A segunda,
terceira e quarta melhores opções ainda poderiam ser usadas,
mas a primeira seria o padrão pelo qual as outras seriam medidas.

Tal substância é conhecida há milênios. O ouro e


seus parentes químicos próximos, platina, prata e cobre,
continuam sendo a escolha de um livre mercado. Mesmo em um
mercado não livre, onde o dinheiro é imposto pela força contra a
vontade dos comerciantes (que é, por decreto) o ouro continua a

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 19


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ser o dinheiro da "economia subterrânea" e da "economia do


exterior" trabalhando em torno da moeda decretada.

Por que existe dinheiro fiduciário e o que isso tem


a ver com a inflação é um tópico importante em nosso próximo
capítulo.

Economia livre de valores

Até agora, evitamos termos carregados como


“livre mercado”, “economia competitiva”, “livre comércio”,
“comércio justo” e assim por diante. Os economistas austríacos
(Menger, von Mises, Eugen von Böhm-Bawerk e seus estudantes)
acreditavam que a economia deveria ser uma ciência livre de tais
termos, uma ciência 'livre de valores' (wertfrei).

A ciência tem valores; tente se envolver em


pesquisa sem um compromisso com a verdade ou uma afinidade
com a realidade. Muitas pessoas detêm valores impossíveis de
realizar na realidade e são frustrados - eles se machucam. Muitas
pessoas buscam obter valores representando de maneira
incorreta a realidade para os outros; quando são desafiados, eles
acusam os expositores de manter valores diferentes e
concorrentes. Assim, os 'cientistas livres de valor' - incluindo os
economistas - descobrem que não podem permanecer para
sempre neutros em suas torres de marfim.

No entanto, na medida em que tentam manter


seus próprios valores subjetivos fora do caminho, eles realizam

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 20


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muito. O método científico funciona. E os faz ser capazes de dizer


às pessoas menos favorecidas que roubar de todos e, em seguida,
devolvê-las menos do que foi tomado é o que as tornam menos
favorecidas, não importa quão impopular isso soe.

É aqui que entra a aplicação da economia.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 21


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CAPÍTULO DOIS
ECONOMIA APLICADA

Agorismo é mais que economia, mas


compreender o pensamento agorista é impossível sem
compreender essa base. Apenas aplicando o básico de economia
que aprendemos até agora podemos varrer para longe muitos
equívocos e eliminar muitas das confusões sobre como o mundo
funciona. Nós também podemos lidar com alguns dos trabalhos
enganosos de Economia, explicando por que é tão distorcida,
então terá que esperar para aplicarmos Libertarianismo mais
tarde.

O livre mercado

O Agorismo defende o livre mercado. Para


entender o porquê, primeiro é preciso saber o que é o livre
mercado e quais são suas alternativas. Mais uma vez, por que é
deixado para depois. O termo 'Agorismo' é derivado da antiga
palavra grega agora, significando um mercado aberto.

O mercado não é um único lugar ou centro. Bens


e serviços são trocados na loja da esquina, na bolsa de valores,
em um encontro de trocas, em seu quintal ou através da Internet.
Jogando um jogo com um amigo não é uma transação de

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 22


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

mercado, mas o tempo que cada um de vocês poderia gastar


trabalhando, comprando ou vendendo, é sem dúvidas, uma
transação de mercado.

Toda interação social tem um componente de


mercado. A economia pode estar muito mais difundida do que
nós pensamos. É difícil imaginar como poderíamos ter uma
sociedade livre – como deveríamos desejar – sem termos um
mercado livre. Talvez devêssemos ser claros com referência ao
que entendemos por 'livre'.

Livre significa a ausência de coerção. Coerção


está na ameaça de violência contra alguém em ordem para fazê-
lo entregar ou fazer algo. Então, estritamente, a ação humana
coercitiva te coage a ceder algo de menor valor, para que não
perca algo de grande valor (como por exemplo sua empresa, seu
sustento ou sua vida). Você não ganha nada, mas perde menos.

A aplicação repetida da coerção destrói valores. O


coator ganha sem produzir nada de valor e a vítima sempre perde.
Trocas voluntárias, como vimos, ocorrem quando ambos sentem
ter tido um ganho em valor subjetivo. O desconforto é aliviado
em ambas as direções. Em transações coercitivas, o desconforto
da vítima é doloroso.

Recuperar seus bens do coator com o uso de


força ou ameaça levaria bastante tempo e geraria alguns
problemas extras, o que pelo menos, anularia sua perda, embora
deixasse o coator original com uma cadeia de perdas. Neste
ponto, ele finalmente poderia se tornar consciente do valor de
destruição que possui a coerção. Ou ele pode simplesmente
decidir que precisa de uma força ainda maior. (A maior força de

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 23


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

todos em uma área é geralmente o estado, mas nós vamos chegar


a isso mais tarde.)

Estritamente falando, o livre mercado é a


ausência de toda essa coerção. Se houvesse apenas alguns
“ladrões privados” e eles fossem geralmente presos e forçados a
fazer a restituição dos bens roubados, algo muito perto de um
mercado livre existiria. As pessoas ainda teriam muros, cercas,
alarmes e apólices de seguro com seu agente de proteção, mas
agiriam voluntariamente, no sentido de que eles são livres para
desistir, a qualquer momento, de sua propriedade para aqueles
de sua escolha e ainda aceitar a propriedade daqueles que lhes
decidissem entregar voluntariamente. Não seria fácil manter um
negócio sempre bom para todos os clientes e interessados, já que
as pessoas costumam mudar de ideia o tempo todo, mas
poderiam fazer contratos (trocando um bem aqui e agora por um
ser entregue mais tarde) para que, no caso de alguma das partes
mudarem de ideia, elas sejam compensadas.

Planejamento e Caos

Logo fica claro que o planejamento é muito mais


possível em um mercado livre do que em um mercado coagido.
Se a coerção se tornar regular e previsível, pessoas inovadoras
encontrarão maneiras de contornar isso e em breve o suficiente
para unir forças para fugir dos regulamentos coercitivos,
frustrando e/ou privando o coator. (Vejo o próximo capítulo.)

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 24


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Então novas formas de coerção devem ser


trazidas e o planejamento econômico é interrompido novamente.
Alguns argumentam que um mercado livre é o Caos; eles não
veem ninguém dando ordens e assim pensam equivocadamente
que não há uma ordem. Na realidade, um mercado
completamente livre é uma ordem altamente descentralizada.
Cada 'dente' na grande máquina mantém-se bem oleado e
procura se engrenar com as outras engrenagens encaixando-se
cada vez melhor. Um exemplo ainda melhor é o corpo humano.
Enquanto o cérebro tem a direção geral, ele não pode instruir
várias células para percorrer seus caminhos entrega de sangue e
construção de tecidos e músculo e transmissão de energia. Uma
doença ou parasita pode 'direcionar' algumas células para uma
tarefa comum - mas isso resulta em perturbação da ordem
natural. Mesmo sem um 'invasor estrangeiro', se o cérebro
pudesse forçar algumas células a agir diferente de naturalmente,
o corpo inteiro sofreria com essa ordem imposta e o corpo
poderia morrer.

A falácia na 'economia planejada' é o erro de


presumir que a ordem é imposta. Os cientistas são cientes de que
ordem é algo que você procura na natureza - já está lá.

Economia nos diz que tentativas de impor ordem


por coerção são destrutivas e caóticas, mas planejamento
econômico' do tipo imponente é comum a quase todas as escolas
de economia. Começamos a ver onde a diferença entre a
economia e a falsa economia reside.

Concorrência e Monopólio

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 25


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Se você deseja comprar algo é legal quando mais


de uma pessoa se oferece para negociar a mesma coisa com você.
Você geralmente consegue um melhor acordo. Quando mais de
um vendedor oferece bens de consumo idênticos ou quando mais
de um comprador pretende adquirir os mesmos bens, existe pura
concorrência.

Se apenas um comprador ou vendedor estiver


disponível, o comprador ou o vendedor possui um monopólio.

A competição é sempre boa no sentido de que


maximiza as trocas de valor. Embora seria preciso tomar mais
teoria para provar isto, a maioria das pessoas têm tido
experiência suficiente para aceitar o precedente como uma
declaração factual.

Mas todo monopólio é ruim? Se todos nós


baníssemos os monopólios, em seguida, Leonardo da Vinci seria
forçado a desistir de pinturas que só ele poderia pintar. E os
Beatles teriam de parar de compor o que só eles poderiam
compor. De fato, se houver um pouquinho de 'arte' para
distinguir os bens, a competição pura já é impossível, pois os
produtos não seriam produtos idênticos.

Ainda, por seus efeitos subjetivos, você pode não


ver diferença que valha a pena pagar por entre todos os tipos de
mercadorias. E elas não precisam ser tão semelhantes. Com
quinze dólares, você pode optar por comprar um livro que você
pretendia passar a noite lendo. Ao encontrar o livro na loja, você
pode mudar de ideia e considerar um filme em ao invés disso. As

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 26


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

linhas são muito longas, então você compra um pacote com seis
em vez disso e vai para casa.

Outro alguém teria diferentes bens competindo


pelos mesmos quinze dólares, mesmo se ele inicialmente
pretendia comprar o mesmo livro.

Se eu te dissesse neste ponto que alguns


economistas definem um ' mercado livre ' como sendo
'perfeitamente competitivo', você pode se perguntar se eles
ficaram loucos. Afinal, se as pessoas querem produzir diferentes
coisas (Lembre-se de divisão do trabalho) e são mais produtivas
ao fazer coisas diferentes, você não vai conseguir uma 'perfeita
competição' no mercado livre. Você terá muitas concorrências,
dando o máximo de cada agente humano livre para explorar seus
valores e encontrar alternativas.

Agora nós sabemos que esses economistas dizem


que se um mercado não é 'perfeitamente competitivo', deve ser
usada força para fazê-lo assim. Você provavelmente está
começando a me perguntar se eu fiquei louco. O que os
economistas defendem não é um mercado livre. E na verdade o
mercado não gerará quaisquer ganhos, no momento em que os
valores genuínos são sempre destruídos por coerção.

Adam Smith definiu o monopólio como uma


concessão de negociação exclusiva pelo rei. Era um privilégio real;
ou seja, o estado coagiu algumas pessoas a não produzir bens,
para que não competissem com o amigo do rei ao fazê-las. Ao
final estes “monopólios forçados” foi uma questão de estudo
para os amantes da liberdade e justamente por isso.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 27


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Os problemas surgiram quando as pessoas


pararam de pensar claramente — ou tinham seus pensamentos
“embaralhados” por economistas. Monopólio tornou-se mau,
não porque ele foi coercitivo, mas porque não é competitivo.
Pensar com clareza e consistência nos levam facilmente a
perceber que o oposto do monopólio forçado e da concorrência
forçada é monopólio natural e livre concorrência. A oposição
correta é o mercado coagido versus o livre mercado.

Cartéis

Um problema com monopólio parecia ser


negligenciado: não deveria ser evitado que as 'grandes empresas
ficassem ainda maiores' e as 'pequenas fossem expulsas'? Mesmo
em um ambiente em que o mercado foi deixado para se regular
sozinho? A resposta é óbvia empiricamente: historicamente, tais
coisas nunca aconteceram. Há extensa literatura pelo melhor tipo
de economistas, e muitos exemplos históricos onde as empresas
eram acusadas de formação de ‘trusts’ (confiáveis) — isto é, a
tentativa para monopolizar a indústria por meio de cartéis.

Na maioria dos casos, quando ‘trustbusters’


(caçadores de confiáveis) do estado foram introduzidos para
'quebrar' uma grande empresa, foi comprovado que só tomaram
essa atitude após serem instigados por empresas menores que
visavam atrapalhar um concorrente mais eficiente.

Cartéis, como Dr. Murray Rothbard tem


belamente demonstrado, tendem a separar-se de forças de

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 28


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

mercado. O membro mais eficiente do cartel pode vender mais


de seus produtos e tem um tremendo incentivo para 'sabotar' o
acordo de cartel. Ele pode 'roubar' os clientes de seus colegas e
logo o faz, por 'debaixo 'da mesa. Após a descoberta, os demais
membros do cartel lutam para reduzir o preço de corte e
reconquistar seus clientes e o cartel se desintegra.

Em um mercado coagido, no entanto, o cartel vai


se socorrer de alguém para forçar a conformidade com o cartel,
em qualquer mercado não-livre de verdade, o estado. E mais uma
vez estamos de volta para o forçado monopólio do estado.

Lucro e Empresas

Às vezes os termos 'livre iniciativa' e ' capitalismo'


são usados para dizer 'mercado livre'. Capitalismo significa a
ideologia (ismo) do capital. Antes mesmo de Marx, o puro livre-
marqueteiro Thomas Hodgskin já tinha usado o termo
capitalismo como pejorativo; os capitalistas estavam tentando
usar coerção — o estado — para restringir o mercado.
Capitalismo, então, no contexto utilizado por Hodskin, não
descreveria um mercado livre, mas uma forma de estatismo (ver
capítulo 5), como o comunismo.

A livre iniciativa só pode existir em um mercado


realmente livre e é um sinônimo aceitável. Ainda enquanto o
termo mercado cobre todas as transações humanas, empresa
parece limitado a determinados tipos de negócios. E ao lucro!

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 29


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Seria o resultado da 'exploração' empresarial, trabalho duro ou


outra coisa?

Aplicar conhecimento econômico aqui resolve o


problema claramente, mas isso levará um pouco de esforço para
seguir. De acordo com a Economia (Austríaca), existem três
funções produtivas no mercado: trabalho, capital e
empreendedorismo. Na economia mais simples, primitiva, capital
consiste em ferramentas, comida que você armazenou para
mantê-lo até sua próxima colheita ou que você pode vender,
como sapatos que você fez e montras ou carroças para leva a
produção para o mercado. Trabalho são os afazeres aplicados na
agricultura ou na fabricação de um calçado ou qualquer outra
coisa.

Empreendedorismo é a direção, as rédeas da


operação, decidir onde investir o capital e quais e quantos
trabalhadores a contratar. Como o mercado progride para maior
riqueza e complexidade, podemos ver que os componentes
importantes do empreendedorismo são a responsabilização de
correr riscos e inovação. Os especuladores, os inventores e
artistas (sem patronos) são os mais conhecidos, e 'puros'
Empreendedores. Eles assumem riscos, criar (1) um produto que
não existia antes, que acaba por ter demanda; (2) um produto
melhor para substituir aquele que existia antes, que supre
demanda de forma mais satisfatória; (3) um método mais barato
de produzir ou um marketing para mesmo produto, suprindo
mais uma vez a demanda.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 30


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

O ganho resultante do puro empreendedorismo é


o lucro. Lucro não é o retorno diário sobre o investimento –
despesas que um empresário aufere mensalmente.

Lucros aleatórios ocorrem quando há uma súbita


mudança em condições de mercado, tais como tempo, destruição
de colheitas ou produção de colheitas abundantes, importação
ou exportação de minerais ou petróleo ou — quando o mercado
não é livre - a interferência do governo no mercado. Aqueles que
fazem o maior esforço para antecipar o inesperado tendem a
fazer mais lucros.

Correr riscos significa, também, apostar em


produtos que ninguém quer, inventar dispositivos que
aparentemente são lixos desnecessários. Incorrer em tais
criações, gera uma receita negativa contrária ao lucro (prejuízo)
e, infelizmente, isto é, tão comum, historicamente, quanto o
lucro.

No entanto, sem empreendedorismo —


empresas — a economia iria estagnar com as pessoas a continuar
a investir o capital no mesmo caminho, mais e mais, e os
trabalhadores continuam nos mesmos empregos. Quando
trabalhadores qualificados começam a ser escassos, tais como
minerais em minas ou novas florestas para a madeira, a economia
regrediria e colapsaria.

Todos são parte trabalhador, capitalista, e parte


empreendedor, mas pela divisão de trabalho tendem a
especializar-se. Não há nada para impedir-nos de todos sermos
ricos (algum dia, de qualquer modo) e usar nosso dinheiro (como
James Garner colocá-lo então bem no filme The Wheeler Dealers

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 31


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

– Em português “Simpático, Rico e Feliz” de 1963) como uma


forma de pontuar no investimento de capital. E capital, na forma
de computadores mais inteligentes, pode reduzir o trabalho de
uma atividade vestigial (tão necessário como o apêndice
humano). O Empreendedorismo, por outro lado, é incentivado e
desincentivado, por um mercado progressivo. Quanto mais nossa
sociedade torna-se complexa e rica, mais as pessoas
especializam-se em diversas atividades empresariais e muito mais
pessoas devem ser livres para fazê-lo.

Empreendedorismo não pode ser forçado.


Quando burocratas 'planejam', eles gastam seu tempo
encontrando maneiras de cobrir as próprias bundas e repassam
as despesas para os contribuintes. Eles temem a própria
substituição e como colhem pouca ou nenhuma recompensa pelo
o sucesso, tornam-se tímidos sobre correr riscos reais, e gastam
seu tempo criando embaraços burocráticos projetados para
bloquear a inovação.

Regulação

Aqui não há nada de positivo para dizer sobre


regulação. Regulamentação é coerção. Previne valores subjetivos
de ser satisfeitos, 'protegem' só aqueles que não fazem por onde
merecer proteção e penaliza os outros que aceitam a lei.
Regulamentação destrói a inovação, reprime a iniciativa.
Regulamentação estagna o mercado. Regulamentação pode

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 32


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

matar pessoas quando os reguladores negam as vítimas o direito


ter uma chance com o assim chamado “medicamento arriscado”.

Regulamentação é motivada pelo medo, inveja e


colossal ignorância. Não há nada que possa proteger pessoas
inocentes mais do que uma educação completa e uma
perseguição vigorosa da fraude; a regulamentação de
publicidade e experimentação destrói a transferência de
informações e a regulamentação de qualidade meramente
certifica os 'profissionais' incompetentes e os protege de
acusações de fraude.

Se todas as regulamentações passadas em


qualquer país que você desejar, forem completamente
obedecidas e coercitivamente impostas, estaríamos todos
mortos.

Considere um caso particularmente patológico


nos estados Unidos da América. Se você cobrar um preço para
seu produto maior do que seus concorrentes, isto é tomado
como evidência pelo Sherman Anti-Trust, alegando que você tem
um monopólio e sanções. E que por isto, encargos podem ser
impostos contra você. O mesmo problema surge se você cobrar
o mesmo; isto é considerada evidência de um cartel, você e seus
concorrentes podem ser todos multados. Finalmente, se você
cobrar menos do que seu competidor (dumping), você está
violando as leis de 'Comércio justo' na maioria dos estados e pode
ser preso e multado. É impossível obedecer a todas as regras.

Tributação

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 33


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Tributação é uma questão moral séria que vamos


deixar para mais tarde. Agora basta reconhecer que a tributação
leva algo de alguém contra sua vontade e que a mesma é uma
violação de valores subjetivos. Qualquer específica forma de
tributação direciona recursos contrários ao empreendedorismo.
Em suma, não há tributação em nenhum lugar em um mercado
livre.

Juros

Aqui estão três conceitos muito entrelaçados na


economia, e eles têm a ver com: o capital, terras e dinheiro.
Costuma-se dizer que o capital ganha uma taxa de retorno sobre
o investimento (Lembre-se, apenas os empreendedores obtêm
lucros), a terra ganha aluguel e o dinheiro ganha juros. Com um
meio eficiente de troca, um empreendedor rapidamente mudará
de bens de capital de um tipo para outro se a taxa de retorno for
maior em um setor do mercado do que no outro. A terra é uma
forma fixa de capital e - se estivermos em um mercado livre -
devemos esperar que a renda iguale a taxa de retorno como em
outros investimentos - assumindo que não há riscos (onde o lucro
seria adicionado ou subtraído). E assim também é quando se trata
de dinheiro e de juros.

Interesse originário é o dinheiro ganho se você


emprestar a um empreendedor sem risco. Quando você aceita
arriscar-se, você pode adicionar um componente de risco, uma

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 34


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

forma de lucro. Os mesmos níveis de risco, em um mercado


altamente desenvolvido, fazem as taxas de juros estabilizarem e
diminuírem lentamente — conforme a riqueza aumenta.

Somente se algo tornar-se poderoso o suficiente


— coercitivo o suficiente — monopolizado (forçosamente) todos
os meios de troca (ou dinheiro fornecido) e então aumentá-lo
para que o valor de cada unidade decline, aparecerá outro
componente para aumentar a taxa de juros (independentemente
do risco). É concebível que poderia diminuir a oferta de dinheiro
para que o valor aumentasse e os lucros recebessem descontos.
Em um caso extremo, este inflacionário componente, poderia
conduzir as taxas de juros para zero ou negativo — ou seja,
alguém te paga para tomar o seu dinheiro e devolve-lo mais tarde.
A deflação é rara, pois há muito pouco incentivo dos
controladores da oferta monetária para desinflar.

Inflação

Compreender como funciona a inflação e o que


fazer sobre isso, fez as fortunas dos 'bugs de ouro' e analistas de
investimento mencionados anteriormente. Embora haja um
nevoeiro considerável e uma confusão gerada em torno deste
assunto, a inflação é bastante simples de entender, para você que
segue nossa lógica passo a passo e (sempre!) percebeu as
inconsistências.

No capítulo 1 aprendemos o que o dinheiro é.


Mercado livre e dinheiro poderiam ser afetado por, digamos, uma

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 35


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

greve de ouro ou, se, por alguma razão, o ouro fosse todo
mantido em um 'Fort Knox', e fosse atacado por Goldfinger, de
James Bond. Mesmo neste caso, haveria um breve mergulho ou
pulo no “preço do ouro” (o preço do dinheiro é simplesmente o
inverso dos preços de tudo que é comprado com ele), e a
estabilidade seria retomada no novo nível. Em um mercado
mundial, o efeito – do ataque ao Fort Knox - seria quase
imperceptível.

A inflação é o aumento da oferta de dinheiro. A


inflação só ocorre quando a força mais poderosa da sociedade - o
estado - comanda um sistema monopolístico de moeda fiduciária,
cria leis de curso legal (este curso legal leva ao monopólio, e
contratos não podem mais ser mantidos em outra “oferta” ou
dinheiro) e - com Exército e polícia para apoiá-lo – agora é possível
rebaixar outras formas de dinheiro que até então eram aceitáveis
no mercado.

Os estados que impuseram a moeda fiduciária de


zero (tais como em novos emergentes, países de terceiro mundo)
tem seu dinheiro rapidamente rejeitado diante de moeda
estrangeira e ouro. O itinerário habitual da inflação leva quatro
etapas: 1) substituição de dinheiro por certificados pelo dinheiro.
Um peso de ouro ou prata é substituído por um certificado
alegando uma onça de ouro ou Libra de prata em alguma joalheria
ou 'Banco'. 2) definição jurídico de posse do certificado como
equivalente a possuir a riqueza. (O governo recebe no ato.) 3)
restrição em todas as demais trocas (exceto o escambo primitivo)
para os certificados legais; isto é a criação de curso legal. 4)
emissão de certificados sem o ouro correspondente para lastreá-
lo. Neste ponto nós temos dinheiro fiat e inflação.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 36


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Inflação leva a quebras (alemão em 1923) e


depressões (EUA em 1929). Esta análise é um pouco mais
complicada e é melhor deixar isto como alguns dos cenários
cataclísmicos que apresentaremos perto do fim do livro.

Oh, e como você provavelmente adivinhou, um


resultado da inflação é um aumento geral no nível de preços.
Observe que alguns preços sobem mais rápido do que outros, e
alguns até parecem cair. Apenas a distorção é comum em todas
as alterações de preço.

Um pouco de conhecimento

Se você dominou os dois primeiros capítulos,


parabéns! Você rapidamente descobrirá duas coisas
simplesmente lendo seu blog diário, ou jornal, ou notícias, ou
batendo papo com seus conhecidos.

Em primeiro lugar, você vai descobrir o terrível


nível de ignorância com que a maioria da sociedade está. Cuidado
— algumas pessoas ficam muito irritáveis quando desafiado por
alguém que sabe o que está falando. Uma pessoa experiente
pode ser tentada a usar seu conhecimento para desiludir os
ignorantes. Muitas pessoas com apenas um pouco de
conhecimento também tentam isso. No entanto, existem
maneiras morais para lucrar por sua compreensão e, por favor, vá
e faça.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 37


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Em segundo lugar, você vai descobrir que a


terrível rede do estatismo está controlando— ou tenta controlar
— quase todos os aspectos da ação humana. Você
provavelmente vai se sentir sufocado e isso não é surpreendente.
Você também pode sentir vontade de desistir e ceder — mas a
sobrevivência narra o contrário.

Sobrevivência — deixe a prosperidade sozinha—


exigências que rasgam a rede das legislações e contradizem as
leis da natureza. Você deve abandonar a economia para os
reguladores e os políticos 'empresários' quem joguem ‘o jogo
deles’. Você tem a seguinte alternativa: se sufocar e morrer de
fome ou abraçar Contra-Economia.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 38


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

CAPÍTULO 3
CONTRA-ECONOMIA

Vemos que quase todas as ações são


regulamentadas, tributadas, proibidas ou subsidiadas. Muito
desse estatismo – pois, apenas o estado que detém tal poder - é
tão contraditório que mal funciona. Se você não puder obedecer
às leis (do estado) e cobrar menos, mais do que, ou o mesmo que
o seu concorrente, o que você faz? Você sai do negócio ou quebra
a lei. E se pagar os impostos seja o que falte para quebrar seu
negócio? Você sai do negócio - ou você infringe a lei.

As leis do governo não têm nenhuma relação


intrínseca com o certo e errado ou bom e o mau. Historicamente,
a maioria das pessoas sabia que os decretos reais eram para o
bem do rei, e não deles. As pessoas iam junto com o rei porque a
alternativa parecia pior. Esta linha do pensamento leva ao
Capítulo Cinco, portanto somente observaremos aqui que até
hoje a sociedade reconhece o objetor de consciência: o
divergente religioso à leis, que a sua divindade o proíbe de
obedecer, o homem ou a mulher que segue a Lei de Deus ou
natural contra o monopólio da força na sociedade. Estes
divergentes preferem morrer a se submeter desde sempre, uma
sociedade que consegue restringir seu governo da repressão
pesada, é a sociedade que terá muitos destes objetores.

Mas todos são uma resistência na medida em que


sobrevivem em uma sociedade onde as leis controlam tudo e dão

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 39


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ordens contraditórias. Toda ação humana (não coercitiva)


cometida em desafio ao estado constitui a Contra-Economia.
(Para facilitar a análise posterior, excluímos assassinato e roubo,
que são feitos com a desaprovação do estado. Como a taxação e
a guerra abrangem quase todos os casos de roubo e assassinato,
os poucos atos independentes deveriam ser classificados como
outras formas de estatismo). Desde que algo que o estado não
licencia ou aprova é proibido, não há nenhuma terceira
possibilidade.

Um Contra-Economista é:

(1) Qualquer um praticando um ato Contra-


Econômico;

(2) Quem estuda tais atos.

A Contra-Economia é a (1) prática ou o (2) estudo


de atos Contra-Econômicos.

O tamanho da Contra-Economia

A Contra-Economia é vasta. Nosso breve estudo


sobre economia nos diz que isso não deveria ser uma surpresa.
Quanto mais controles e impostos um estado impor a seu povo,
mais eles irão evadir e desafiá-lo. Como os estados Unidos são um
dos países menos (oficialmente) controlados, e a Contra-
Economia aqui é razoavelmente grande, a Contra-Economia
global deveria ser ainda maior - e é.

As estimativas do governo dos estados Unidos


sobre o tamanho apenas da evasão fiscal (parte da Contra-
Economia) é praticada por entre vinte e quarenta milhões de

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 40


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

pessoas. A Contra-Economia da Europa Ocidental é maior; na


Itália, grande parte dos servidores públicos ficam em escritórios
do governo durante o começo do dia e, em seguida, entram em
atividades, negócios e empregos privados à tarde e à noite.

O comunismo entrou em colapso em grande


parte devido à Contra-Economia. Quase tudo estava disponível na
Contra-Economia, com apenas produtos de má qualidade e
escassez na economia socialista oficial. Os soviéticos chamavam
os bens Contra-Econômicos de “mão esquerda” ou nalevo e
linhas inteiras de fabricação manufaturada de nalevo coexistiam
com as indecentes indústrias do estado, no mesmo chão de
fábrica. Os “capitalistas” Contra-Econômicos vendiam ações de
suas empresas e passaram férias em resorts no Mar Negro. Os
gerentes de fazendas coletivas que precisavam de um trator, com
pressa, compravam pela Contra-Economia, em vez de verem seu
kolkhoz (uma espécie de rancho soviético) em colapso à espera
de uma entrega do trator do estado. Atualmente, o governo
russo busca restabelecer o controle estatal sobre a economia,
concedendo monopólios a comparsas e aprisionando executivos
de empresas. Tal como acontece com o comunismo, este flerte
com o fascismo está fadado ao fracasso.

Nada funciona no comunismo de “mão-direita”;


tudo funciona no livre-mercado da mão-esquerda.

De apartamentos no mercado “negro” dos Países


Baixos a habitações “negras” na Argentina, a Contra-Economia é
bem conhecida das pessoas do mundo como o lugar para obter
coisas que de outra forma seriam inatingíveis - ou manter as
coisas que alguém merece. Inflação gera fuga de moeda

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 41


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

fiduciária; os controles cambiais criaram taxas de câmbio duplas


em quase todos os países do mundo. Qualquer que seja o número
de unidades monetárias locais que um turista pode obter por seus
dólares à taxa de câmbio oficial, ele pode conseguir mais pelo
mercado negro.

O contrabando é tão comum que quase todos os


turistas perdem suas compras se passarem por agentes
alfandegários sem pensar. Talvez 20% a 30% dos americanos
deixem de declarar rendimentos tributáveis (na verdade, quase
100% deixam de informar pelo menos alguma coisa); mas, nos
países latino-americanos, quase 80% não são cobrados e o estado
se sustenta com uma inflação cada vez maior da oferta monetária
fiduciária.

A fronteira entre Hong Kong e a China comunista


e até mesmo o estreito oceânico entre Taiwan e o continente se
agitam com o comércio ilegal. DVDs e calças ocidentais já estavam
disponíveis ilegalmente na maioria das províncias da China —
agora eles estão produzindo-os lá!

Saigon, renomeada como cidade de Ho Chi Minh,


continua sendo o centro do mercado negro do Vietnã. O que é
ainda mais revelador é que ela produz a maioria dos bens e
serviços de todo o Vietnã. A economia oficial rigidamente
controlada por Mianmar (Birmânia), de acordo com o Manchter
Guardian, não passa do papel e todo o mercado se tornou negro.

De baixo dos narizes das forças americanas, as


tribos Afegãs cultivam, processam, e embarcam heroína por
tonelada métrica.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 42


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

A evasão fiscal, a evasão à inflação, o


contrabando, a livre produção e a distribuição ilegal ainda
representam apenas metade da Contra-Economia. O trabalho flui
tão livremente quanto o capital, à medida que as hordas de
“estrangeiros ilegais” atravessam fronteiras de regiões
econômicas mais estatistas para regiões menos estatistas.

Substâncias que alteram a consciência e até


medicamentos não comprovados, como o dicloroacetato e o
Laetrile, constituem uma fração bem conhecida, mas pequena, da
Contra-Economia. As drogas são cultivadas em enormes
plantações, refinadas em dezenas de fábricas e laboratórios,
distribuídas por frotas de barcos, aviões, caminhões e carros, e
vendidas a clientes por regimentos de atacadistas e exércitos de
traficantes de rua.

A imposição de códigos morais de algumas


pessoas pelo estado leva ao contrabando de Bíblias em estados
ateus e à publicação de pornografia em estados religiosos
conservadores. A “profissão mais antiga do mundo”, como foi
chamada a prostituição sexual, também é - se esse título for
verdade - a indústria Contra-Econômica mais antiga do mundo.

As feministas que buscam o controle de seus


próprios corpos olham para a Contra-Economia para obter
contraceptivos e encontrar parteiras para encontrar lares para
seus bebês na Contra-Economia.

Ninguém trabalha em qualquer lugar que não


esteja conectado com a Contra-Economia. Aqueles que procuram
uma lista mais exaustiva de atividades Contra-Econômicas, são
convidados a ler o próximo livro do autor, “Contra-Econômicos”.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 43


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Informação

Duas indústrias Contra-Econômicas são


destacadas por sua importância para o Agorismo. Justiça é uma
mercadoria; seu modo de distribuição define um sistema social e
será abordado em detalhes no Capítulo Sete.

O outro mercado é o da informação. A explosão


da Internet levou o estado americano - por enquanto, pelo menos
- a lançar seus tentáculos na regulamentação da indústria da
informação. Cada sessão legislativa, no entanto, traz novas
tentativas de tributar e controlar a World Wide Web. Mas
considere isto algo bom: a Contra-Economia deve vencer o
problema da informação, isso praticamente eliminaria o risco em
que incorre sob a ameaça do estado. Ou seja, se você puder
anunciar seus produtos, alcançar seus consumidores e aceitar
pagamentos (uma forma de informação), tudo fora das
capacidades de detecção do estado, qual aplicação do controle
restaria?

Na vanguarda do desenvolvimento da Web,


atualmente, está à criptografia. Pesquisadores avançados
desenvolveram métodos de “bloquear” dados em bancos de
memória que desafiam qualquer “invasão”. Ou seja, o estado não
pode alcançar as faturas, listas de estoque, contas e assim por

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 44


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

diante do Contra-Economista. Uma área da sociedade imune ao


poder do estado merece o nome - se é o caso - de Anarquia. O
estado, no entanto, continua a tentar penetrar na privacidade
com métodos de computação quântica para quebrar até mesmo
os esquemas criptográficos mais complexos. A Contra-Economia
responderá com criptografia quântica? Fique ligado - a corrida
está quase no fim.

Isso nos leva a duas questões cruciais: o que


acontece se o estado for abolido e se tivermos um livre mercado?
E por que a Contra-Economia já não sobrecarregou a economia já
existente? Essas questões nos trazem de volta ao campo da teoria
onde o Libertarianismo responde à primeira pergunta e ao
Agorismo à segunda.

Antes de lidarmos com eles, consideremos


algumas aplicações de práticas de negócios Contra-Econômicas e
interações sociais, que ilustrarão nossas descrições e
possivelmente trarão algum lucro para você e para os seus.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 45


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

CAPÍTULO 4
CONTRA-ECONOMIA APLICADA

Contra-Economia é aplicação. As pessoas têm


descoberto e agido de uma maneira Contra-Econômica, sem
entender o que e porque estão fazendo, e até mesmo negando
que estejam agindo Contra-Economicamente.

Entender o que você está fazendo geralmente


ajuda, e aplicar a Contra-Economia sistematicamente e
consistentemente maximiza seu lucro e liberdade. Além do mais,
a fórmula básica Contra-Econômica não é mais difícil do que a
simples aritmética contábil usada em todos os negócios.

A lei básica da Contra-Economia é trocar risco por


lucro. Feito isso, o próximo passo naturalmente será tentar
reduzir os riscos (ao agir para remover desconforto). Se você
reduzir seus riscos enquanto outros continuam a enfrentar riscos
mais altos que os seus, você naturalmente competirá e
sobreviverá por mais tempo e terá lucros.

Qual é o risco?

É possível fazer uma estimativa razoável dos


riscos que você está assumindo na atividade Contra-Econômica, e
surpreendentemente com precisão melhor que muitos

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 46


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

empreendimentos comerciais. O próprio governo reúne


estatísticas sobre a apreensão de 'criminosos' e os publica. As
agências policiais fazem alarde de como poucos casos são
resolvidos e de quão rápido a 'taxa de criminalidade' está
crescendo para justificar orçamentos cada vez maiores.

No entanto, a maioria dos supostos 'crimes' não


são reportados e logo não são detectados, de modo que as
estatísticas do estado passam a ser um limite máximo de
apreensão. Ou seja, seus números são úteis como um indicador
de risco máximo. A maior taxa de apreensão para os crimes mais
violentos raramente atinge 20%, uma indicação da eficácia do
governo na manutenção da ordem pública.

Vale a pena?

Suponha que você deseje fazer algo Contra-


Econômico. Para ser específico, você pode comprar algo por US$
10.000 e vendê-lo por US$ 20.000. Sua sobrecarga regular é de
US$ 5000. Seu lucro líquido sobre o investimento é de US$ 5.000
(em um investimento de US $15.000, que é 33%, extremamente
alto), mas, como há um risco, como você pode saber se vale a
pena?

Digamos que o governo afirme que ele pega 20%


daqueles que fazem o que você quer fazer. Se você for pego, a
penalidade será uma multa (máxima) de US$ 50.000 ou seis
meses de prisão. Sua “desvantagem-arriscada”, então, é de 20%
de US$ 50.000 ou seja, US$ 10.000.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 47


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Neste exemplo, não valeria a pena: ganhar US$


5.000, mas arriscar perder US$ 10.000. Se a taxa de apreensão
fosse de 10% e a multa de US $ 25.000, seu risco seria de US$ 2.500
para um ganho de US $5.000. Como é óbvio, você poderia ser
pego uma vez em dez, pagar suas multas e ainda sair à frente.
Naturalmente, todos esses cálculos fazem certas suposições
sobre seus valores subjetivos. Você pode temer riscos à ponto de
adoecer, e logicamente que qualquer risco para você é demais.
Mas também você pode amar frustrar o estado e assumir altos
riscos por ganhos mais baixos apenas para se divertir.

Na verdade, uma estimativa de risco mais realista


incluiria o preço de um advogado para vencer suas acusações e a
probabilidade de ser condenado após a apreensão.

Suponha que o adiantamento pelo seu advogado


aumente sua sobrecarga em US$ 1.000 por transação. Agora, sua
recompensa é de US $ 4.000, mas a taxa de condenações (com
barganha e atrasos nos tribunais) é de apenas 20%. (Novamente,
isso é alto em muitas jurisdições; muitos casos são descartados
muito antes de serem julgados.)

Agora seu risco, usando nossos primeiros


números, é 20% de 20% de US $ 50.000, ou US $ 2.000. Com um
lucro de US$ 4.000, uma perda de US$ 2.000 deteria poucos
empreendedores. Se você quiser uma fórmula simples para o seu
próprio negócio, tente isto:

Pagamento Contra-Econômico = Lucro - perda =


(Preço prometido) menos (custo mais2 despesas gerais) menos

2
Nota do Tradutor – A fórmula do autor original abate despesas gerais do custo.
Porém é logicamente dedutível que quanto mais despesas você têm menos você lucra,

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 48


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

((penalidade ou multa) x (probabilidade de prisão) x


(probabilidade de condenação))

Se positivo, vá em frente. Se negativo, não vá.

Diminuindo riscos

Tomar medidas razoáveis para ocultar suas


atividades de descobertas acidentais, aprender a falar apenas
com amigos de confiança, identificar riscos insatisfatórios ou
agentes do governo reduz o risco e aumenta a sua recompensa.
Ao desenvolver técnicas para diminuir o risco, você aumentará
suas atividades Contra-Econômicas e elas se tornarão mais
lucrativas.

Esses efeitos colaterais incluem a criação de uma


sociedade agorista. Veremos mais sobre isso no Capítulo Sete.

Contra - Economizando

Embora seja verdade que você não pode


obedecer a todas as leis inconsistentes do estado e, portanto, ser
completamente do 'mercado branco', você pode viver

então seria mais inteligente somar os custos às despesas gerais. A fórmula original do
autor é a seguinte: Pagamento Contra-Econômico = Lucro - perda = (Preço prometido)
menos (custo menos despesas gerais) menos ((penalidade ou multa) x (probabilidade
de prisão) x (probabilidade de condenação))

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 49


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

completamente Contra-Economicamente e ser completamente


do 'mercado negro'.

Em meados da década de 1970, o governo federal


aprovou um regulamento impondo um limite máximo de
velocidade nas rodovias norte-americanas de 55 milhas por hora.
Com a ameaça de cortar os fundos federais para estados e
municípios, todos os condutores desaceleraram para um rastro
rastejante ou fez o seguinte?

Considere o seguinte cálculo: A 55 milhas por hora


um caminhoneiro pode dirigir 55 milhas em uma hora, 550 milhas
em dez horas e 2200 milhas em 40 horas. Em média de 70 milhas
por hora. Ele faz 700 milhas em 10 horas e 2800 milhas em 40
horas.

Para ser ainda mais claro, assuma que um


caminhoneiro ganhe US$ 1000, já descontado custos, por cada
600 milhas corridas. Ele faz quatro corridas legalmente por US$
4000 em uma semana normal, ou US$5000 se estender suas
horas ou trabalhar aos fins de semana. Em 70 milhas por hora, ele
faz (grosseiramente) US$ 5000 em suas 40 horas por semana.

Com esse tipo de incentivo, a corrida se manteve


rápida independente das leis e o limite de velocidade de 'duplo
níquel'3 foi escarnecido. Mas ser pego e multado poderia acabar
com essa vantagem. Suponha que você cobre à parte o
combustível extra que fosse consumido, suponha também que
você cobre uma taxa extra de 200$ para dirigir na velocidade mais

3
Nota do Tradutor: duplo níquel fala a respeito de duas moedas de 5 centavos, no caso
'55'. Uma metáfora para o limite de velocidade imposto pelo governo.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 50


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

alta e que os valores médios de multas fossem 200$. Se fosse


parado pela polícia quatro vezes por semana já não valeria a pena.

Neste mesmo período veio o Serviço Rádio do


Cidadão4. Aplique $ 200 ou $ 400 uma vez em um investimento
desse rádio, reduza suas paradas para uma vez por semana, e
você está de volta aos negócios. E isso, claro, é o que aconteceu.
Os caminhoneiros “mantiveram” uns aos outros, formaram
comboios e frustraram os assaltantes sobre rodas do estado
“Smokey Bear”.

Considere os efeitos colaterais:

 Caminhoneiros encontraram “solidariedade”


economicamente, culturalmente e anti-politicamente

 A cultura do rádio-cidadão explodiu na cultura popular


com a música clássica “Convoy” de C. W. McCall

 Os não-caminhoneiros que estavam dispostos a


comprar um radioamador e aprender a cultura
(especialmente a linguagem) foram aceitos livremente
na anarquia da autoestrada. Houve mais evasão de
regulações seguidas e a Contra-Economia cresceu.

 Os caminhoneiros, muitos de formação conservadora,


tornaram-se consideravelmente mais tolerantes e
dispostos a ajudar outros “infratores da lei” quando
seu inimigo comum, Smokey, proferiam ameaças a
eles.

4
Um serviço de rádio não oficial com até 40 canais. Com este serviço os caminhoneiros
poderiam se informar sobre blitz, radares, onde abastecer mais barato, além de poder
se engajar na causa da abolição do limite de velocidade tão baixo e improdutivo.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 51


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

A explosão do rádio-cidadão não significa aqui um


modelo, no sentido de esperar que o estado desencadeie a
rebelião em massa por uma lei notoriamente estúpida. Este foi
um caso particularmente espetacular, mas não mais do que o
súbito salto na Contra-Economia quando a Lei Seca foi aprovada
na década de 1920, ou quando o projeto levou à escravidão de
dois anos, e possível morte, em 1964. E o estado não aprende com
os seus erros, pois há esforços recentes para reimpor o limite de
55 milhas por hora e tentativas de reativar o projeto novamente.

Contra-Economizando você mesmo

Seja qual for o serviço que você oferece ao


mercado, você sabe como Contra-Economizar. Você sabe melhor
quais regulamentações devem ser evitadas primeiro para obter
uma taxa máxima de pagamento-do-risco. Você sabe quais
fornecedores pode confiar e quais não pode. Você sabe quais
clientes confiar e quais não pode. A divisão do trabalho, o valor
subjetivo e a individualidade humana contribuem para tornar seu
caso (e de todos os demais) único.

Se você procurar ou quiser conselhos sobre a


melhor forma de Contra-Economizar, você precisa de
aconselhamento pessoal (similar ao aconselhamento sobre
investimentos). Mas, considerando as centenas de milhões de
pessoas que Contra-Economizam com sucesso e que muitas delas
possuem desvantagens educacionais e culturais em relação às
outras, o desafio não é tão grande assim. Você precisa
principalmente da vontade de fazer. (E talvez também de um

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 52


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

pouco da 'Psicologia Contra-Econômica', uma parte importante


que trataremos no Capítulo Oito.)

Sem dúvida é mais fácil estender sua Contra-


Economia quando todos os outros também estão praticando ela.
A maioria das pessoas é um Contra-Economista, mas de maneiras
pequenas e diferentes.

Ainda assim, se você pudesse ganhar mais


fornecedores e clientes de confiança e fazer com que eles Contra-
Economizassem, eles não apenas resistiriam a entregá-lo, mas
também desenvolveriam uma tendência a não vazar segredos e,
portanto, diminuiriam seu risco e aumentariam seus lucros nos
dois sentidos.

Este fato é a força motriz para a expansão da


Contra-Economia. Essa força é o que o Agorismo desencadeia
contra o estado.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 53


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

CAPÍTULO 5
LIBERTARIANISMO

A premissa básica do pensamento agorista é que


a Contra-Economia fracassou em libertar a sociedade porque a
Contra-Economia carece de uma estrutura moral que apenas um
sistema filosófico completo possa proporcionar. Neste capítulo,
lidamos com a outra metade desse problema: uma ideologia
desconectada da realidade, onde a Contra-Economia é uma
aplicação sem teoria e o Libertarianismo é teoria sem aplicação.

Muitos Deuses, Uma Moralidade

O Libertarianismo difere de todas as outras


filosofias por seu pluralismo. Ele não pergunta como você chegou
à premissa moral fundamental: revelação religiosa, observação
ateísta, teoria do direito natural ou muitos outros. Cristãos,
taoístas, objetivistas e pagãos percorrem diferentes rotas para
chegar a um código moral em comum: a iniciação da coerção, ou
a ameaça da violência, é imoral. Este é o princípio libertário.

Duas coisas derivam desta frase: (1) não há


exceções, portanto, o Libertarianismo afeta toda a ação humana
com essa formulação; (2) é formulada para negar algo, de modo
que qualquer outra coisa, exceto a iniciação da coerção ou

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 54


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

ameaça da violência, é um comportamento humano permissível,


embora cada aderente possa achar outros atos imorais ou
contestáveis.

O cristianismo produz uma resposta ‘sim-não’


para todos os aspectos da atividade humana; e também o
marxismo, o islamismo, o objetivismo e muitas outras
compreensões da natureza do mundo. Nestes sistemas, qualquer
coisa não proibida é de certa forma uma obrigação. Você deve ou
não deve. O Libertarianismo responde apenas que você pode ou
não pode, deixando a escolha para você.

Qualquer religião ou ideologia que jure não coagir


os outros a agir de acordo com seus preceitos é compatível com
o Libertarianismo. Todas as religiões e ideologias que usam a
força para qualquer coisa, exceto autodefesa (no sentido restrito
e imediato, excluindo 'agressão preventiva' e outras
racionalizações) são inimigas do Libertarianismo.

Sociedade Libertária

O pluralismo do Libertarianismo impede que


alguém atribua qualquer característica unânime aos libertários.
Todos eles querem a Liberdade, mas por diferentes razões, e
veem diferentes maneiras de alcançá-la. Alguns tomariam o
controle do estado e “forçariam as pessoas a serem livres”,
outros nem mesmo recorreriam à violência para se defenderem.
Dando a todos esses grupos um certo enriquecimento do
pensamento e da vida libertária com uma variedade maior do que

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 55


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

qualquer outra ideologia, a aplicação rigorosa da consistência (à


qual os agoristas e este livro aderem) resolve algumas questões.

Uma sociedade livre é aquela em que o homem é


limitado apenas pela natureza não-pensante. É uma sociedade
em que seus iguais o deixam em paz. É também a qual este
homem deve agir de acordo, podendo acolher aqueles que o
apoiam e expelir todos os que não apoiam. Mas não se pode
impedir alguém de cometer uma agressão, só se pode lidar com
isso depois do fato.5

Os estatistas advogam a criação de um criminoso


maior, uma grande instituição monstruosa que irá aterrorizar
quase todos, inocentes ou culpados, até a submissão. Esta
organização criminosa extrairá alguma forma de aceitação de
seus “cidadãos” e, após isto, os saqueará à vontade (por meio
dos impostos). A organização criminosa controlará seu
comportamento e até mesmo seu pensamento, embora alguns
estatistas busquem colocar algumas restrições sobre essa
organização supercriminosa. Alguns dos que defendem
restrições mais fortes para esta organização (de acordo com o
que eles podem perceber) se autodenominam “libertários de
governo limitado”. Desde que eles busquem um estado pequeno
ou uma “mini” -arquia, eles são minarquistas.

5
Nota do Tradutor: Como libertário entendo o que ele disse, porém penso que se você
pode impedir um ataque terrorista de acontecer desrespeitando alguém, imagino que
você deva fazê-lo e que deva se desculpar e restituir os danos depois, se for o caso de
infelizmente ter pisado na bola. Mas jamais deveria ter o comportamento de merda, de
esperar alguém fazer o terror para então apontar culpados. Porém você não pode culpar
um terrorista por centenas de vítimas, se você o impediu antes. Tampouco você poderia
penalizar ele como se ele tivesse matado centenas de vítimas. (Caberá a ele uma
penalidade compatível a de um planejador cruel e disposto a tirar vidas de gente
inocente, e que faria isto se tivesse oportunidade, afinal o risco que essa pessoa oferece
é altíssimo.)

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 56


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Libertários consistentes não veem lugar para os


criminosos, nem mesmo para lutar contra outros criminosos. Eles
acreditam que os métodos de livre mercado (totalmente
voluntários) cuidarão dos poucos criminosos; em encontrá-los
(investigação), em prendê-los (proteção delegada), em julgá-los
(arbitragem) e em restaurar a perda de valor para a vítima dos
agressores (restituição). Os meios para realizar isso variam de
poder em comum entre as agências de negócios altamente
tecnológicas e competitivas, e outros intermediários, como
associações de bloco de bairro. Tais “libertários não
governamentais” são chamados anarquistas. Os libertários
pacíficos que se recusam a defender-se devem ser classificados
como anarquistas.

É amargamente irônico que a propaganda pesada


do estado tenha convencido muitas pessoas de que os
anarquistas lançam bombas, já que a maioria dos movimentos
anti-guerra, grupos de resistência, desarmamento e resistência
fiscal foram organizadas por anarquistas de um tipo ou de outro.
Talvez 0,01% daqueles que se chamam anarquistas ao longo da
história tenham usado uma bomba; porém ironicamente 100% de
todos os estados usam bombas, granadas e metralhadoras
regularmente como se fosse algo natural.

Uma sociedade libertária é aquela que se


aproxima de uma sociedade livre, exceto por uma pequena
porcentagem de agressão criminal, que é controlada por
mecanismos voluntários. Uma sociedade na qual a agressão fica
fora de controle é uma com estado ou governo: uma sociedade
estatista.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 57


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

O Libertarianismo e o Livre Mercado

Poucos libertários defendem comunas ou bairros


sociais com "Propriedade" coletiva entregue de forma voluntária.
A maioria dos libertários adotaram o livre mercado e a
compreensão econômica desenvolvida no capítulo um. Assim
sempre que há um conflito entre a economia de
intervenção/confisco do governo (estatismo, para abreviar) com
a livre iniciativa emergindo no debate público, libertários se
posicionam em defesa do indivíduo ou dos grupos não-estatais.

Libertarianismo frequentemente confundem


estatistas da ala esquerda e da direita por se opor aos dois.
Libertários veem o conflito como total "socialismo" e marcham
com muitos esquerdistas contra isso. Ainda a oposição ao
estatismo pode também provocar aliança entre libertários e
algumas pessoas de direita.

Mas estatistas de esquerda e direita são


facilmente distinguíveis de libertários em qualquer coligação:
Para isto, apenas ameace a existência do estado e observe suas
reações.

Os conservadores vão preferir desistir da livre


iniciativa ao invés de querer ver a abolição do governo; liberais
desejarão ir para a guerra ao invés de ver o governo ser abolido e

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 58


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

os libertários irão abolir o estado e acabar com o socialismo e a


guerra.

O Libertarianismo e a Contra-Economia

Libertários divergentes, de professores polacos


até estudantes americanos, compõem um campo intelectual de
Contra-Economia. Um teórico da Iugoslávia, crescido na tradição
marxista, é chamado para remover a política do socialismo e
abraçar uma economia de mercado.

Parece que há uma afinidade natural entre os


filósofos da liberdade e os praticantes de Contra-Economia. Com
efeito, alguns libertários negariam a correção moral do último.
Um primeiro slogan que alguns libertários radicais lutaram com
unhas e dentes foi "Defender o mercado negro." Libertarianismo
nos estados Unidos traça sua história do movimento abolicionista
para libertar os escravos, um ato de Contra-Economia humana.

E ainda, enquanto muitos abolicionistas criaram


e mantiveram uma estrada de trem informal para ajudar
escravos que se libertaram Contra-Economicamente6, outros,

6
6 Nota do Tradutor: Neste curto trecho, o autor passa a ideia de que juntos, os
libertários rebeldes abolicionistas Contra-Econômicos (que unidos construíram ferrovias
secretas para dar liberdade à homens negros), e os ‘libertários políticos’ (note as aspas)
conseguiram abolir a escravidão por trabalharem juntos, no campo legal da palavra.
Porém convido aos leitores refletirem que, se a lei não tivesse sido mudada pelos
‘libertários políticos’, uma das possibilidades seria a rebelião total dos poderosos
libertários que unidos já tinham rotas de trem, como também uma rebelião popular ou
mesmo a queda total do estado. Porém dado o teor de estado bonzinho que o
‘libertários políticos’ fizeram os libertários Contra-Econômicos acreditar, os fizeram
parar de lutar pela causa da escravidão. E hoje mais de séculos mais tarde, não são
apenas os negros, e sim todos os seres humanos trabalhando para dar vida fácil para um
bando de safados improdutivos.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 59


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

chamados para defender a lei, trabalharam dentro do sistema e


se engajaram na política para assumir o governo e passar leis para
libertar escravos. A mesma divisão entre ativistas e reformadores
aflige libertários modernos — e muitos outros movimentos
ideológicos.

George Orwell, que veio para um tipo de


Libertarianismo-ativista no movimento socialista da década de
1930, sofreu quando alguns de seus colegas socialistas o
penalizaram por se recusar a sujar as mãos lutando de verdade
por suas crenças nos campos de batalha da Espanha. Autor de
1984 e A Revolução dos Bichos observou que os seus colegas
delinquentes hipócritas tinham a tendência de se pendurar em
salas de visitas inglesas e discursar eloquente para a causa
socialista contribuindo pouquíssimo com qualquer outra coisa.
Ele os chamou de "Parlor Pinks."

Libertarianismo é afligido com mais do que


consegue compartilhar em suas “Biblioteca Livres" hoje. Alguns,
estão terrivelmente paralisados pela pergunta: "como
conseguirmos uma sociedade livre?

Esta combinação de paralisia estratégica, cansaço


moral, confusão honesta devido à rica variedade de pluralismo
libertário, e muito “se vender”, enfraqueceu o Libertarianismo ao
ponto de o que hoje é chamado de “Movimento Libertário” pode
não ser mais confiável para defender a Contra-Economia e
alcançar uma sociedade libertária. O próximo capítulo mostra
porquê.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 60


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

CAPITULO SEIS
LIBERTARIANISMO APLICADO

Uma breve história de liberdade

A história do movimento libertário pode ser


dividida em quatro períodos históricos. O primeiro período cobriu
a maior parte da nossa história, quando muitos homens e
mulheres derivaram as ideias de liberdade e defenderam a
liberdade como eles entendiam sobre isso com uma pequena
compreensão dos mecanismos da ação humana. Alguns deles,
como os “Quakers da Pennsylvania”, estabeleceram colônias fora
do estatismo predatório e desenvolveram paz e comercio entre
os nativos.

A revolução americana estourou no ano em que


Adam Smith publicou o primeiro trabalho básico sobre economia.
Os ainda confusos revolucionários americanos permitiram os
estatistas federais restaurarem um forte governo central, com
uma pequena trapaça chamada “Constituição”, um pedaço de
papel que supostamente garantia conter o novo estado. A
maioria dos Revolucionários - quase todos os signatários da
declaração de independência, por exemplo – se opuseram a
constituição. Muitos americanos foram convencidos pelos

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 61


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

trabalhos vendidos por estatistas e abandonaram as armas que


os defendiam, praticamente em troca de uma garantia no papel.

Assim que o novo governante foi eleito, um


homem chamado William Godwin, pegou as ideias dos
Revolucionários Americanos, adicionou sua conclusão logica e se
tornou o primeiro anarquista. Por volta de 1830, na cena
intelectual europeia, um homem chamado Max Stirner combinou
anarquismo com a defesa de livre mercado (como foi chamado
por Adam Smith) e criou a filosofia do egoísmo ou individualismo
total. Por um tempo, ele contestou com Marx e Engels pela
lealdade dos hegelianos nos clubes alemães. Eles escreveram dois
volumes de sua teoria contra Stirner (A Teoria Alemã)

Nos estados Unidos, Josiah Warren continuava a


tradição anarquista em Massachusetts. Um de seus seguidores
abolicionistas, Lysander Spooner, finalmente desenvolveu o
mortal argumento contra o estado dos EUA em seu notável
tratado de direito natural, No Treason: The Constitution of No
Authority. Infelizmente estava quase um século atrasado, porque
o estado estava entrincheirado o suficiente para lutar a guerra
civil e destruir as restrições internas remanescentes em seu poder
– naturalmente sobre o pretexto de aumentar a liberdade
abolindo a escravidão. Spooner viu através dessa cortina de
fumaça e apoiou tanto a abolição como a secessão dos estados
do Sul. Seu seguidor, Benjamin Tucker, descobriu o individualismo
europeu de Stirner e combinou as duas tradições. O auge do
Anarquismo Individualista, durante a publicação de Tucker na
Liberty magazine, de 1881 a 1908, poderia ser chamado de o
segundo período do Libertarianismo. George Bernard Shaw, por
exemplo, invadiu a cena literária americana através da Liberty. (A

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 62


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

manchete no jornal de Tucker foi “Liberdade: A mãe da ordem,


não a filha.”

Tucker ainda tinha problemas econômicos, não


entendendo subjetivamente a validade de aluguel, juros e lucro.
Dispostos a aceitar qualquer coisa livremente, ele e seus
associados gastaram suas energias em coisas paralelas e
controvérsias inválidas. Quando a Primeira Guerra Mundial
estourou, eles perderam o centro do palco da história para os
socialistas por meio século.

Ao mesmo tempo que o próprio Tucker saía de


cena, o brilhante economista austríaco Ludwig Von Mises
escrevia sua tese de doutorado (1910), A Teoria de Dinheiro e
Credito, que explicava o interesse, inflação e ciclo de negócios.
Sua análise levou a uma explicação fácil (e previsão) da Grande
Depressão, mas foi ignorada. Em 1949, Mises publicou seu
Magnus Opus, Ação Humana. Ao longo do caminho, ele levou
economistas comunistas ao pânico ao provar que o cálculo
econômico era impossível, uma vez que os estatistas socialistas
destruíram o sistema de preços do livre mercado.

A filosofia vive, mas em desespero. Um dos


estudantes de Nock, Frank Chodorov, chegou a um dos alunos de
Mises, Murray Rothbard. Em 1950, Rothbard conectou-se com a
tradição anarquista americana, e estágio libertário moderno
começou.

Outra das alunas de Nock, Suzanne LaFollette,


inspirou muitas feministas libertárias modernas. Mais mulheres -
Rose Wilder Lane e Isabel Patterson Mantiveram o
Libertarianismo vivo nos anos 1940.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 63


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Durante vinte anos, Rothbard vendeu


incansavelmente sua visão libertária consistente nos círculos
intelectuais e foi expurgado da direita, dos objetivistas, da
esquerda, e vários outros grupos, sempre levando mais alguns
com ele, nunca se desesperando. Em 1959, durante o calor da
revolta estudantil contra a Guerra do Vietnã e seus projetos, tanto
esquerdistas, alunos de uma sociedade democrata, e direitistas,
jovens americanos em prol da liberdade, se dividiram
internamente. Os anarquistas da SDS juntaram-se aos
marqueteiros livres da YAF em uma convenção convocada pelo
Dr. Rothbard, e milhares de jovens ativistas foram libertos nos
campos para lutar pela pura liberdade.

Em poucos anos havia um milhão de libertários na


América do Norte, e pequenos grupos na Inglaterra, Espanha e
Austrália. Libertários se formaram e iniciaram negócios, ou
entraram em universidades de alto nível, trazendo reforços ao Dr.
Rothbard e seu corpo anteriormente pequeno. Repórteres
libertários, autores, e até mesmo apresentadores se espalharam
pela mídia.

Robert LeFevre, outro educador libertário


contemporâneo com Rothbard, graduou centenas de
empresários e milhares no Rampart College. Leonard Read e sua
equipe alcançaram muitos de todos setores sociais em sua
Fundação para Educação Econômica. Novas Fundações e
instituições surgiram.

No início de 1971, um grupo de californianos


começou um "Partido Libertário" como uma fachada para a
distribuição de literatura e apelou por tempo igual na mídia local.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 64


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Em dezembro de 1971, David F. Nolan convocou uma convenção


fundadora de um Partido Libertário em sério debate. Rothbard
zombou da ideia de uma festa tão descontroladamente
prematura.

Em 1972, um candidato a governador do Partido


Libertário conseguiu poucos votos, mas agradeceu aos
renegados eleitores republicanos da Virgínia. Jonh Hospers,
professor de filosofia da Universidade do Sul da California,
recebeu um voto eleitoral. Sua companheira de eleição, Toni
Nathan tornou-se a primeira mulher a receber um. Roger
MacBride seria o nome do partido libertário para concorrer em
1976.

O Partido Libertário emergiu de duas fontes:


impaciência e inconsistência. Em 1972, o movimento estudantil
entrou em colapso, mas os formandos precisaram de anos para
afetar a sociedade, trabalhando seu caminho através do sistema
e construindo alternativas fora dele. Esse desejo de obter
resultados agora - ficar rico rapidamente - foi expresso no retorno
de muitos que rejeitaram o sistema estatista para entrar nele
novamente, embora a maioria dos que ingressaram no Partido
Libertário não fossem veteranos politicamente cínicos.

Os recrutas mais brutos do Libertarianismo


tinham pouca experiência direta com a política e assim aceitavam
argumentos que o partido iria espalhar a palavra para as pessoas
acostumadas a recebê-lo através do processo eleitoral bienal.
Embora metade dos recrutadores do partido tenha jurado que o
mesmo era uma ferramenta educacional e nunca venceria uma
eleição e tomaria o poder, a outra metade prometia a

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 65


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

substituição dos republicanos pelo novo partido e a


transformação da sociedade de cima para baixo.

Durante 1973, a ameaça do partido tornou-se


séria e o movimento libertário começou a se dividir. Os libertários
anti-partidários se chamavam de vários nomes, como os Novos
Libertários, Libertários de Esquerda (mais consistentemente
radicais), Libertários Radicais e nomes exóticos, como os
Voluntários. O objetivo comum desses ativistas era desviar o anti-
princípio do Partido Libertário nas mentes e corações da maioria
dos libertários e perseguir os objetivos originais da Liberdade em
formas libertárias - isto é, anti-políticas. Os Partyarchs (nome
dado a aqueles que professavam ser governados pelos desejos
do partido, mas ainda assim se chamavam anarquistas) e seus
aliados minarquistas eram pequenos em número, mas tinham
uma vantagem em obter cobertura de jornal e televisão.
(Campanhas libertárias radicais como a Contra Campanha de 1976
"Vote em Ninguém" recebeu publicidade em várias centenas de
estações de rádio e 50% dos eleitores americanos registrados não
votaram.)

Mais e mais libertários "puros" desistiram do


rótulo à medida que a palavra era cada vez mais identificada com
um grupo que assumia o poder político - em vez de aboli-lo. Os
novos libertários descobriram que muitos que concordariam em
viver livremente e negociar sem agressão foram repelidos pelo
nome do Libertarianismo.

Finalmente, em 1983, o Movimento da Esquerda


Libertária, a Nova Aliança Libertária (NLA) e outros decidiram
abandonar inteiramente a etiqueta Libertária. Alguns escolheram

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 66


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

o nome Voluntariado. Aqueles que desejam promover a ideologia


completamente consistente descrita neste livro escolheram o
nome agorista.

Durante a luta de 1973, os desafios para uma


estratégia alternativa à política foram respondidos pelo fundador
da NLA que descobriu e cunhou o termo Contra-Economia (vista
no capítulo três). Em 1980, o NLA publicou o Novo Manifesto
Libertário, que explicava o Agorismo e além dos ativistas
libertários.

O fracasso libertário

Libertários eram e ainda são um grupo pluralista.


Diferentes interpretações da Liberdade e como alcançá-la foram
alegremente toleradas em sua maior parte. O surgimento de uma
“linha partidária” era um anátema para esse espírito de variedade
viva. A questão principal mudou de “qual nova teoria libertária
funciona e qual não funciona? ” Para “qual candidato “Libertário”
pode ser eleito? ”.

Para muitos, o Libertarianismo era uma boa teoria


sem uma prática óbvia. Existem muitos caminhos para a liberdade
(verdade) e cada indivíduo deve escolher o que ele acha mais
viável. Um que foi escolhido engoliu os outros (Como isso foi
simples: vinculou a concessão de monopólio pelo estado a
ideologias que formam um “partido político” centralizado e
então os porta-vozes dessa ideologia são automaticamente
representados como servidores ou funcionários daquele partido,

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 67


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

mesmo quando negam veementemente qualquer conexão, pela


mídia estatista).

E, novamente, talvez não. “Libertário” pode vir a


significar “membro do partido libertário”, mas os agoristas,
voluntaristas, libertários de esquerda e outros ainda superam os
poucos milhares de membros do Partido Libertário e até mesmo
os milhões de votos que seu candidato, Edward Clark, recebeu em
1980 em sua corrida presidencial.

Se o Libertarianismo falhou ou morreu – ao ser


pervertido - tão perto de 1984 (o prazo de Orwell para o triunfo
da tirania... na forma de um partido todo-poderoso) ou foi
simplesmente um estágio na evolução do Agorismo, construindo
uma teoria para explicar e defender moralmente a Contra-
Economia, é um ponto discutível. Ambas as posições são, em
certo sentido, verdadeiras. Agorismo está aqui de como uma
forma de aumentar sua liberdade totalmente viável para aqueles
que desejam viver tão livremente como possível agora e no
futuro. O que hoje se chama "Libertário" não pode honestamente
oferecer isso mais. Aqueles que entenderem isto vão rejeitar o
partido "Libertário" e outras soluções políticas para o problema
estatal; aqueles que aceitarem o Partido Libertário desperdiçarão
seu tempo, energia e riqueza na construção de uma nova forma
de manter as pessoas em cativeiro sob o domínio do estado.

O Insight e a falácia libertária

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 68


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

A teoria libertária forneceu a percepção crucial do


porquê a Contra-Economia é moralmente correta, bem como
(obviamente) prática e muito lucrativa. A questão crucial era a do
estado, sua natureza e sua evolução.

O paradigma mais fácil (modelo curto) para a


origem do estado foi oferecido por Franz Oppenheimer, um
sociólogo alemão, e adaptado ao Libertarianismo americano no
livro de 1935 de Albert J. Nock, Our Enemy, The State. Todos os
exemplos históricos se encaixam nesse paradigma simples:

Quando a maioria da humanidade se estabeleceu


em comunidades agrícolas pacíficas, com talvez mercados
maiores (lembre-se da ágora original da Grécia) nas cidades,
algumas pessoas descobriram um meio de sobreviver
parasiticamente da produtividade dos outros. Eles formaram
bandos de ladrões e atacaram cidades e assentamentos,
saqueando, estuprando e assassinando.

Esses grupos itinerantes eram uma pequena (ou


teriam morrido junto com suas vítimas), mas grandes em
comparação a uma única cidade ou vila. Em algum lugar ao longo
do caminho, um deles descobriu que eles poderiam permitir que
os camponeses vivessem com o suficiente para sobreviver e
voltar na próxima colheita para outro ataque.

Então, esses invasores tiveram outra ideia: eles


permaneceriam nas mesmas cidades, roubariam pouco, mas
regularmente, assassinariam o suficiente para manter os
camponeses e os produtores na linha e viveriam bem. Outras
áreas, vendo esses reinos mesquinhos surgirem, decidirão
submeter-se a seus próprios senhores da guerra caseiros, para

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 69


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

que não fossem vítimas de guerreiros estrangeiros (O Livro de


Samuel no Antigo Testamento descreve o profeta anarquista
Samuel tentando convencer os israelitas de que eles realmente
não queriam um rei, porém Samuel finalmente cedeu ao povo).

Parasitas devem permanecer em minoria ou


matar seus hospedeiros. Então, eles descobriram a religião (e
mais tarde a ideologia) como um meio de intimidar os
camponeses e ganhar a importantíssima aprovação da vítima
(uma frase apropriada de Ayn Rand). Bandidos brutais se
tornaram “reis por direito divino” e alguns estatistas muito
poderosos chamados imperadores, faraós ou czares eram
considerados divinos, a escolha imparável dos deuses.

E assim, esses invasores bárbaros


institucionalizaram o saque (tributação), o assassinato (execução
e guerra) e até o estupro (Direito da primeira noite, por exemplo).
Eles assumiram o controle das estradas para saquear as
caravanas (pedágios, tarifas), suprimiram todas as gangues
criminosas rivais com as suas próprias (polícia) e estabeleceram
suas próprias igrejas, escolas, juízes e até filósofos, menestréis e
artistas para trabalharem em suas cortes reais.

Assim nasceu o estado

Quando as pessoas entendem essa situação, e


especialmente questões importantes sobre consciência que são
divididas pelas religiões e ideologias, os conflitos se reduzirão. O
estado aprendeu a sobreviver através da adaptação. Usando seus
pensadores da corte (intelectuais) para encontrar novas
maneiras de mistificar o povo.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 70


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Os reis se “limitaram” e compartilharam seu


saque com aristocratas e certos comerciantes favorecidos. Assim
nasceu o mercantilismo (que Adam Smith desafiou). Então até
camponeses e trabalhadores foram autorizados a saquear seus
companheiros comerciantes, agricultores e trabalhadores. Isso
foi chamado de democracia. Permitia-se que os grupos se
organizassem para lutar por quem deveria roubar de quem
(embora uma elite de burocratas e homens de negócios muito
ricos continuassem, independentemente de quem fosse eleito) e,
portanto, constituíssem partidos políticos.

A análise libertária explicou soberbamente a


história política do mundo e - combinada com a economia de livre
mercado - analisou depressões, guerra moderna e revoluções,
descrevendo suas causas e prevendo a futilidade de soluções
políticas.

Quando o Libertarianismo começou a se


organizar, grande parte do movimento foi comprado por um
partido político.

Para entender a falácia libertária, considere sua


percepção em outros termos. Oppenheimer e Nock apontaram
que havia apenas duas maneiras de adquirir riqueza (comida,
abrigo, ferramentas, entretenimento). Pode-se produzir e
comercializar para os outros - ou podem-se roubar os produzidos.
Essas são todas as escolhas que existem. Eles nomearam o
caminho produtivo, os meios econômicos e o caminho
parasitário, os meios políticos.

Murray Rothbard, seguindo a Ação Humana de


Ludwig Von Mises com seu próprio tratado econômico Man,

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 71


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Economy and State, acrescentou essa visão sobre a economia


austríaca nos capítulos finais. A demanda por elucidação foi tão
grande que ele escreveu, em detalhes, um livro inteiro sobre o
assunto: Poder e Mercado.

É incrível que, por algum tempo, até mesmo


Rothbard tenha esquecido sua própria lição. A escolha foi poder /
política versus mercado / economia. Usar meios políticos para
alcançar fins de livre mercado é autodestrutivo.

O reconhecimento da incompatibilidade
Libertária com os meios estatistas aos fins anti-estatistas foi o
primeiro insight agorista. Depois disso, os novos agoristas
procuraram os meios apropriados para alcançar uma sociedade
livre ou pelo menos uma sociedade totalmente libertária. Eles
procuraram apenas os meios de mercado.

O autor deste livro e seus companheiros


encontraram a Contra-Economia “ os encarando bem na cara
deles antes que eles pensassem em procurar.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 72


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

CAPÍTULO 7
AGORISMO

Para entender completamente o Agorismo e o


comparar com as formas de pensar competidoras, é necessário
saber duas coisas sobre ele: seu objetivo e o caminho para este
objetivo. Esse conhecimento é crítico para avaliar todas as
ideologias. O objetivo é viver na Ágora e o caminho é expandindo
a Contra-Economia. Lembre-se que nossa constante, foca em
consistência, tanto internamente quanto com a realidade. O
Agorismo deve ter um caminho consistente com seu objetivo e
um objetivo consistente com seu caminho.

Os axiomas do Agorismo

Uma sociedade livre é o objetivo de muitas


pessoas, nem todas agoristas, nem mesmo libertárias. Agoristas
não podem ver nada além de um livre mercado em uma sociedade
livre; afinal de contas, quem ou o que vai preveni-lo?

O primeiro axioma do Agorismo:

O mais próximo de uma sociedade livre é uma Ágora incorrupta.


(Mercado aberto)

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 73


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Um axioma é um princípio ou uma premissa de


uma forma de pensar. É alcançado através de introspecção,
indução e observação da natureza. Teoremas são alcançados
dedutivamente de axiomas neste livro. O axioma “número zero”
do Agorismo pode ser:

“Não existem contradições na realidade e a teoria deve ser consistente


com a realidade”.

Axiomas conhecidos na filosofia são “existência


existe” e “A é A”. Axiomas matemáticos bem conhecidos são
“Coisas iguais à outras coisas são iguais a si mesmas” e “Uma
afirmação que entra em contradição com um teorema ou axioma
é falsa”.

Os primeiros seis capítulos deste livro


precederam a real apresentação do Agorismo para dar a você, o
leitor, entendimento suficiente sobre economia, Contra-
Economia e Libertarianismo para ver de onde as introspecções
que produziram o Agorismo foram geradas. Elas não foram
escolhidas arbitrariamente, mas através de anos de experiências
amargas e, em alguns casos, batalhas furiosas e atos de
resistência. Os agoristas “hardcore” tinham que ter algo pelo
qual valesse a pena morrer, e muito mais importantemente, algo
pelo qual valesse a pena viver.

O segundo axioma do Agorismo:

“A Ágora se autocorrige quando houver pequenas perturbações de


corrupção. ”

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 74


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Esse axioma nos leva à uma imagem bem mais


detalhada de como a nossa sociedade quase livre se parecerá. Ele
significa apenas que entidades do livre mercado protegerão o
livre mercado. Pessoas tem que escolher fazer isso, é claro, mas
o incentivo (oferecido pela satisfação subjetiva) vai estar
presente para motivá-los a fazer isso e será o suficiente para
motivar pessoas a proteger o livre mercado. Criminosos
ocasionalmente serão descobertos, procurados, encontrados,
apreendidos, julgados, sentenciados, compelidos a dar
restituição, e (se possível) impedidos de cometer essas ações no
futuro.

O terceiro axioma do Agorismo:

“O Sistema Moral de qualquer Ágora é compatível com o


Libertarianismo puro. ”

Esse axioma significa que vida e propriedade


estão protegidas de todos aqueles que agem moralmente nessa
sociedade. Nós vamos descrever isso na próxima seção, mas
vamos completar os axiomas primeiro.

O quarto axioma do Agorismo:

“A Ágora em parte é a Ágora em completo; numa aproximação que


funciona, a corrupção da Ágora aumenta os custos de proteção e
riscos. ”

O uso deste axioma vai ficar cegamente claro


quando nós falarmos do caminho.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 75


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

O Agorismo tem mais teorias, porém, elas são


derivadas desses axiomas. Para os intelectuais profissionais
viajando pelo Agorismo pela primeira vez eu preciso adicionar
mais um axioma:

“As teorias do Agorismo são um sistema aberto. ”

Isso simplesmente significa que nós podemos


descobrir e adicionar outros axiomas e então checar o quão
consistente eles são com o que já temos.

O objetivo do Agorismo

Com aquela pequena erupção filosófica na última


seção, nós estamos prontos para imaginar a sociedade que
estamos buscando. O objetivo do Agorismo é a Ágora. A
sociedade de mercado aberto humanamente mais próxima de
não ser contaminada por assalto, roubo e fraude é o mais perto
de uma sociedade livre que pode ser obtida e uma sociedade livre
é a única na qual todos nós podemos satisfazer nossos valores
subjetivos sem destruir os valores dos outros através da violência
e coerção.

É um pouco tarde para perceber, talvez, mas se


seus valores mais importantes requerem assassinato e roubo,
você não vai gostar da Ágora. Ainda assim, você não gastou seu

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 76


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

tempo, já que acabou de ler uma introdução para o pensamento


do seu pior inimigo.

A ficção científica nos deu muitos retratos


convincentes de sociedades futuristas, da mais grotescamente
tirânica (1984) para uma transicional-à-liberdade (The Moon Is a
Harsh Mistress, Kings of the High Frontier) até as anarquias de livre
mercado que acidentalmente emergiram (The Syndic, The Great
Explosion, The Probability Breach). Uma até mesmo retrata um
cenário para uma possível revolução agorista! (Alongside Night).

Ainda assim nós não podemos prever ou


antecipar todas as mudanças. Felizmente, nós podemos ter um
bom retrato de uma sociedade agorista ao pensar nas mudanças
(de nossas atuais sociedades estatistas) que devem ocorrer (pois
se não ocorrer, não teremos o Agorismo). Nossos axiomas nos
dão isso.

Estados irão sumir, estradas serão administradas


por empresas competidoras e serão reparadas (para variar) para
atrair mais pessoas. Entretanto, até onde sabemos carros
poderão levitar no futuro, ou usar túneis para preservar o cenário.
Se você pode pensar em uma razão para fazer uma coisa de
algum jeito, um livre mercado vai tentar isso e muitos jeitos
funcionarão por razões diferentes.

Os Correios desaparecerão e a carta - se não


substituída pelo e-mail completamente - vai ser barata e
eficientemente entregue de forma ainda mais rápida.

Guerras vão desaparecer. “Orçamentos de


defesa” desaparecerão. Impostos não existirão. Você vai pagar

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 77


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

pelo que você quiser quando você quiser - a não ser que seja um
presente.

Eu repito e não consigo enfatizar


suficientemente: as oportunidades na liberdade explodem até o
inimaginável. A quantidade de todas as escolhas possíveis vai
para o infinito quando as restrições são removidas.

Vamos focar por um momento em apenas um


negócio no mercado totalmente livre.

Justiça

Justiça é um negócio. Não é grátis; alguém tem


que pagar para ela funcionar. Enquanto a justiça em abstrato não
é uma questão econômica, a obtenção de justiça é um serviço
econômico.

Considere essa ilustração: seu centro de mídia é


roubado da sua casa. Você notifica a Empresa de Seguro &
Proteção Laissez Faire imediatamente. O mais rápido possível
você recebe uma tela idêntica, receptor, estação de jogos, caixa
de som, cabos e um saco com controles remotos para substituir
os originais, com o download de qualquer programa de tv que
você perdeu no meio tempo. Você alcançou restauração
completa do seu valor subjetivo para a condição em que você
estaria se não tivesse acontecido um ato de agressão. Com
certeza esse é o objetivo da justiça.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 78


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Agora, como isso é pago em um livre mercado


consistente com nosso entendimento de economia e da
moralidade libertária? A posição moral primeiro: você delegou a
empresa como seu agente para usar força defensiva para
recuperar sua propriedade perdida. (Se a empresa tentar extrair
mais do ladrão, eles estão sozinhos. A empresa de seguro e
proteção do ladrão poderá defendê-lo).

Os custos são pagos em três maneiras. Primeiro,


como seguro: um número pequeno de criminosos pode enganar
até mesmo as agências de proteção mais eficientes, competitivas
e super-tecnológicas do futuro agorista. O seguro é só o
compartilhamento do risco de algo acontecer com todos os
outros clientes que são protegidos pela mesma empresa.
Conforme as chances de um ladrão escapar impune se
aproximam à zero, o preço deste seguro também se aproxima à
zero. Segundo, como proteção: Você instala fechaduras,
detectores, alarmes e talvez até armadilhas. Como o preço do
seguro vai diminuir conforme você se proteger de agressões, a
proteção vai contar com um custo extra mínimo. Terceiro, como
restituição: o agressor, quando apreendido, paga à empresa (1) o
custo de substituir os bens roubados ou destruídos; (2) juros pelo
tempo que os bens foram roubados; (3) qualquer custo
relacionado com a apreensão, incluindo taxas para os
investigadores, agentes de prisão, árbitros (juízes do mercado) e,
se ainda necessário, custos dos agentes de lei para recuperar sua
propriedade.

Note todas as diferenças entre estatismo e


Agorismo. Primeiramente, em um estado, você não pode esperar
nada da polícia ao denunciar um criminoso. Talvez algum dia você

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 79


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

tenha sua propriedade de volta se o criminoso for capturado e


quando eles terminarem de usar os componentes como
evidências. Já que as chances da polícia fazer isso são menos de
10%, os custos do seu seguro (se o governo ainda permitir
empresas de seguro) refletem o compartilhamento do alto risco
de roubo mais qualquer imposto que o estado cobra, mais as
ineficiências e custos adicionais da regulação governamental da
indústria de seguros. Você já tentou coletar um seguro? Perceba
o preenchimento de documentos e a burocracia - igual todas as
outras burocracias do governo impostas em uma empresa
supostamente livre.

Segundamente, em um estado, você está sob o


controle do estado em um processo criminoso - mesmo que você
seja a vítima! Você vai ser dito sobre quando aparecer, onde ir e
vai ser forçado a ver o caso até o final, mesmo que você mude de
ideia. Na Ágora, se o caso for para a arbitragem, você vai precisar
reportar o que foi perdido, já que você quer uma restituição. Só
isso. O roubo pode até ter sido gravado em vídeo, mas mesmo
que não, os detetives da agência de proteção fazem todo o
trabalho. Você se afasta (e vai fazer o que quiser) e deixa eles
fazerem o trabalho deles. Isso é tudo. Talvez você nem receba a
notícia que o ladrão foi capturado, julgado e forçado a pagar a
restituição. Se a empresa precisar de mais depoimentos seus, ela
vai pedir para você comparecer na arbitragem e se eles errarem,
eles vão pagar pelo erro. Se eles precisarem de você
constantemente, eles vão pagar pelo seu tempo - ou te deixarão
ir e abandonar o caso, caso você peça demais pelo seu tempo.

Terceiramente, em um estado tudo é


monopolizado; você sempre vai recorrer à um juiz que trabalha

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 80


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

para o estado. Na Ágora, competições e escolhas estão por toda


parte. Existem diversas empresas de proteção e de seguro para
escolher, todas desejando fazer negócio com você. Elas podem
escolher de um grande número de detetives experientes, todos
competindo para se mostrarem os melhores investigadores. Se o
caso for para a arbitragem, existirão diversos árbitros
competindo pela posição, esperando mostrar que são os mais
justos e dignos de serem escolhidos como árbitros.

Além do mais, se o número de crimes cometidos


na sua vizinhança subir, é interesse da sua empresa de proteção
(e das empresas dos seus vizinhos) contratar protetores (ou
guardas) para patrulhar a área. A não ser que você ataque um
vizinho, os protetores dele nunca vão te ameaçar.

Quartamente, em um estado, tem chances da


polícia te prender por ter cometido um crime que não tem
vítima7. Não existe crime sem vítima na Ágora.

Quintamente, os direitos do criminoso, nunca


passarão por cima dos direitos da vítima (você). Sob justiça
agorista, o árbitro julga baseado nas evidências se você irá
receber, ou não, restituição de bens (ou até mesmo partes do
corpo, se a tecnologia tornar isso possível), juros por tempo
perdido e os custos da agência de proteção, incluindo os custos
de detecção e apreensão. No momento em que se passa a extrair
mais do ladrão do que o necessário, você ou a sua empresa se
tornam os agressores e a agência de proteção do ladrão poderão
o defender. (Todos os contratos de proteção e seguro em uma

7
Nota do Tradutor: Crimes sem vítima se tratam de todo crime sem qualquer dano físico
a ninguém. Como por exemplo: dizer quem alguém de pele negra, é negro. Isso dá cadeia
e se trata de um crime sem vítima.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 81


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

sociedade agorista vão estipular que você não pode ser protegido
de processos de restauração depois que a empresa de proteção
te defendeu até uma arbitragem justa. Esse ideal, raramente
respeitado pelo estado, é chamado de “devido processo legal”.)

A diferença entre a proteção agorista e estatal


tem muito mais características, porém essa lista te dá uma boa
ideia. Não há nada que o estado posso te oferecer em proteção
moral que o mercado não consiga; e o livre mercado vai funcionar
melhor e mais rápido que o estado. É verdade que
ocasionalmente, uma empresa do mercado possa ser indesejada,
mas você sempre terá a opção de trocar para um competidor
melhor. Sob um estado, você sabe que seu serviço de proteção
será sempre o mesmo - horrível e sem alternativa.

O estado só oferece uma coisa que o livre


mercado não pode e nem vai oferecer: agressão. Se você quiser
atacar seus vizinhos, você vai precisar da polícia do estado para
atacar eles pelos crimes de pertenceram ao grupo religioso
“errado” ou por ter usado o tipo “errado” de intoxicantes ou até
mesmo por fazerem sexo de um jeito que você não aprova. E
claro, seus vizinhos vão precisar da polícia do estado para te
atacarem por cometer “delitos” parecidos. Se você quiser atacar
vizinhos mais distantes, irá precisar do exército do estado.

Ou talvez você queira viver em paz e segurança e


fica satisfeito somente com proteção e defesa.

Algumas palavras sobre defesa nacional

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 82


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Agorismo total obviamente não precisa de


“defesa nacional”. Não existe nações para defender e nem
nações para atacar. Proteção local contra crimes ocasionais é o
suficiente.

De vez em quando, criminosos podem se juntar


para oprimir uma única agência de defesa. Tudo que é necessário
é que a agência de defesa oprimida contrate outra agência de
defesa para a ajudar.

Similarmente, se uma empresa de proteção “se


corromper”, algumas das centenas de outras empresas seriam o
suficiente para apreender os agentes “corruptos”. Mas na
verdade, as forças do mercado iriam sugar o poder dessa
empresa, muito antes de chegar nisso. Agências de detetives e
investigadores iriam terminar seus contratos com essa empresa.
Árbitros iriam constantemente ser contra a empresa e seus
movimentos agressivos. Agentes trabalhando com a empresa
iriam se demitir e ir para outra. Secretários e ajudantes iriam
preferir sair da empresa do que serem associados com ações tão
não agoristas. Até mesmo restaurantes e supermercados iriam se
recusar a vender para os agentes corruptos ou iriam aumentar o
preço, para mostrar a perda adicional de valor subjetivo ao lidar
com tais lixos coercitivos.

Talvez a empresa-virando-estado pague preços


maiores para manter os empregado e suprimentos ou substituir
eles. Mas de onde eles tirariam o dinheiro? Eles perderiam
consumidores no momento em que eles começassem a agir como
um estado. Eles têm a mesma chance de colapsar se eles
tentassem viver através do roubo (cobrança de impostos) já que

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 83


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

eles seriam obrigados à força (de outras empresas) para parar e


desistir das agressões contra os clientes da outra empresa.

Pessoas criadas e educadas para amar uma


sociedade agorista não seriam enganadas a pagar impostos. E se
elas forem, nós vamos descer na estrada de corrupção e opressão
até o nível de estatismo… que nós “desfrutamos” hoje em dia!

Ainda é necessário falar sobre a preocupação que


a maioria das pessoas têm quando eles ouvem falar em algum
tipo de anarquia. Como o não-estado se protege dos estados que
ainda existem?

Primeiramente, o contexto não deve ser


esquecido. O governo não deixará de existir até que ele seja
rejeitado pela grande maioria das pessoas sob sua autoridade. É
bem improvável que as outras pessoas, em outros estados ao
redor do mundo, não sejam afetadas caso a América do Norte
decida abolir seu estado através desta invasão libertária. Uma
Internacional Libertária formada em 1980, teve sua primeira
convenção em Zürich em agosto de 1982 e até hoje continua
como a International Society For Individual Liberty (SIL). Muitos
membros desse grupo poderiam agir como quinto colunistas8,
para impedir que seus países ataquem as anarquias obviamente
pacíficas.

8
Uma quinta coluna (do original ‘fifth columinist’) é qualquer grupo de pessoas que
minam um grupo maior de dentro, geralmente em favor de um grupo ou nação inimiga.
As atividades de uma quinta coluna podem ser abertas ou clandestinas. Forças reunidas
em segredo podem se mobilizar abertamente para auxiliar um ataque externo. Este
termo também se estende a ações organizadas por pessoal militar. As atividades da
quinta coluna clandestina podem envolver atos de sabotagem, desinformação ou
espionagem executados dentro das linhas de defesa por simpatizantes secretos com
uma força externa.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 84


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Segundamente, mesmo que não


desconsideramos “agressões nuas”, é necessário lembrar que
guerras são causadas por ambos os lados. Tem um campo inteiro
de teoria libertária que nós pulamos em fazer nessa apresentação
(na verdade mais de uma) que se chama História Revisionista, que
arranca a máscara da propaganda de guerra do governo e revela
a caveira brilhante por debaixo. Os Estados Unidos, por exemplo,
não estiveram envolvidos em uma única guerra, desde a primeira
revolução, que não poderia ter sido evitada. Também não esteve
em nenhuma que teria custado a liberdade dos cidadãos
americanos se tivesse sido evitada (liberdade que eles já estavam
perdendo para o próprio governo). Diversos livros já foram
escritos sobre cada uma dessas guerras, sob perspectivas do
Establishment e dos Revisionistas, mas deixe eu listar aqui as
conclusões simples e você pode pesquisar se eu estou certo ou
não.

Guerra de 1812 - “Warhawks” dos EUA


procuraram uma ocupação de terras no Canadá. Pretexto:
“Alistamento obrigatório de marinheiros americanos” para
navios que lideravam o bloqueio britânico de Napoleão (De fato
é verdade, porém é trivial em comparação com a guerra e seu
custo em vidas e liberdade).

Guerra do México - Os interesses do sul dos EUA


buscaram a apropriação de terras do Texas e outros territórios
mexicanos para formar mais 'estados escravistas' para equilibrar
os novos estados 'livres' do Norte. Pretexto: O México atacou a
República do Texas e, portanto, o solo dos EUA. (Provavelmente
não; e o Texas ainda não era solo dos EUA).

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 85


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

A guerra entre os estados - o Norte desejou


escravizar o Sul; O Sul (justificadamente) queria estar livre do
Norte. Pretexto: Abolição da escravidão no sul. (O Norte manteve
a escravidão no Território do Norte; também abolicionistas
apoiaram tanto a secessão do Sul quanto a abolição da escravidão
como a mesma questão da liberdade).

Guerra hispano-americana - Os interesses


americanos agarraram colônias espanholas (Cuba, Filipinas) para
exploração e transformaram o estado dos EUA em um império do
velho mundo. Pretexto: o couraçado americano de Maine foi
'atacado' em um porto cubano. (Apesar de inocente, a Espanha
se desculpou de qualquer maneira e se inclinou para trás para
evitar a guerra).

Primeira Guerra Mundial - os interesses dos EUA,


especialmente dos bancos, apostaram na Grã-Bretanha e
mudaram-se para os EUA para poupar seus investimentos quando
os russos saíram da frente da Alemanha. Pretexto: os submarinos
alemães atacaram o navio britânico que transportava
americanos; declaração de zonas de guerra submarina irrestritas
pela Alemanha (Trivial em relação à guerra, e os navios dos EUA
deveriam ter “arriscado” correr grandes riscos por altos lucros ao
penetrar os bloqueios. A Grã-Bretanha estava bloqueando a
Alemanha e outros interesses queriam repetir 'Guerra de 1812' e
atacar a Grã-Bretanha).

Segunda Guerra Mundial (Europa, 1939) - A Grã-


Bretanha deu à Polônia um “tratado de cheque em branco” onde
eles detinham 99% do território de Danzig - o último ajuste do
Tratado de Versalhes (que encerrava a Primeira Guerra Mundial)

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 86


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

que penalizou a Alemanha. Além disso, a Grã-Bretanha e a França


recusaram a aliança com a Rússia contra a “ameaça fascista”
(embora a Rússia bolchevique estivesse seriamente ameaçada
pela agressão nazista, ao contrário da Polônia sem Danzig, para
não mencionar a longínqua Grã-Bretanha) e assim empurrou a
URSS para o lado alemão com medo. A Polônia estava em
desvantagem numérica e ainda se recusava a devolver Danzig à
Alemanha. Pretexto: a Alemanha invadiu a Polônia sem
provocação (absurdo; propaganda de guerra aliada. A Polônia
ficou tão surpresa que eles já estavam totalmente mobilizados e
em pé na fronteira em setembro de 1939).

Segunda Guerra Mundial (Pacífico, 1941) - A


administração do New Deal dos estados Unidos buscou entrada
no teatro europeu (acima) e exigiu um “ataque”, já que 80% dos
americanos se opunham a “socorrer a Grã-Bretanha” novamente.
Japoneses foram estrangulados pelo bloqueio britânico auxiliado
por navios norte-americanos “neutros”; Fundos japoneses nos
EUA foram apreendidos pelo governo dos EUA, e emissários
japoneses pela paz foram insultados e desprezados. Pretexto: o
Japão atacou a instalação naval de Pearl Harbor – pouco se sabe
se qualquer cidadão inocente dos EUA se machucou (o Japão
sabia que seria arrastado para a guerra e perderia; primeiro
atacou o inevitável. O código japonês “bushido” (código de honra
de um samurai) foi ofendido - deliberada e provocativamente -
por estatistas dos EUA).

Guerra da Coréia - Divisão Artificial da Coréia


(Segunda Guerra Mundial) entre um ditador comunista do Norte
e um sulista, pró-EUA. Ditadura do estado; EUA entraram para
sustentar colônias, a França e o Japão estavam abandonando o

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 87


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

sudeste da Ásia por vários motivos de interesse corporativo e de


contenção soviética. Pretexto: Agressão comunista que envolveu
a China e a Rússia (a China atacou os EUA depois que as tropas
americanas ameaçaram cruzar o rio Yalu na China. A Rússia
recuou e vendeu armas - como os EUA haviam feito antes de
desembarcar tropas).

Guerra do Vietnã - Os EUA tentaram impedir que


a antiga Indochina francesa passasse para o bloco oriental (Veja
Guerra da Coréia; isso foi uma continuação de 1954). Como ficou
óbvio logo depois, quando a China mudou para o lado dos EUA,
os países “comunistas” não eram necessariamente ameaças ao
EUA. Pretexto: Defesa do sul Vietnamita, que queria um estilo
ocidental democracia, da forma comunista de estatistas (Os sul-
vietnamitas foram divididos e nunca houve nada tão “livre”
quanto à democracia sob os vários generais e a ditadura de Diem).

El Salvador - Algumas indústrias e bancos dos


EUA têm investimentos pesados nos países da América Latina e
temem sua expropriação por governos comunistas ou marxistas.
Pretexto: os salvadorenhos queriam democracia, não comunismo
(os salvadorenhos votaram nas eleições monitoradas pelos EUA
e conseguiram um genuíno governo fascista [partido ARENA de
Roberto D'Aubuisson] e houve um massivo assassinato de
“democratas” - muito menor que de comunistas - por esquadrões
da morte da ARENA. Os EUA então rejeitaram os resultados de
uma eleição que eles mesmos exigiram em primeiro lugar).

A Primeira Guerra do Iraque – Os EUA tentaram


preservar seus interesses nos campos de petróleo da Arábia
Saudita, temendo que, se o Kuwait caísse e o ex-aliado dos EUA

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 88


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Saddam Hussein se enriquecesse com os lucros do petróleo, a


Arábia Saudita poderia ser a próxima. Pretexto: o Iraque invadiu
Kuwait (separado do Iraque pelos britânicos em 1932) para
recuperar seu porto e tomar campos de petróleo com base na
teoria de que eles estavam usando uma broca para 'beber o milk-
shake' dos campos de AL-Rumaila do Iraque.

Guerra Afegã - EUA e Reino Unido tentam


capturar o Afeganistão para proteger um gasoduto proposto do
Turcomenistão ao Paquistão e Índia, passando pela província de
Kandahar. Isso, em um esforço para neutralizar o comércio de
energia russo-iraniano na região. Pretexto: O Taleban deu ajuda e
conforto ao coordenador de ataque do 11 de Setembro, Osama
Bin Laden, oprimia mulheres, e serviu como refúgio de
treinamento para terroristas islâmicos fundamentalistas.

Segunda guerra do Iraque - os EUA continuaram


a perceber o Iraque como uma ameaça aos interesses petrolíferos
no Oriente Médio, especialmente após a retirada da terra
queimada do Iraque dos campos de petróleo do Kuwait em 1991.
Além disso, os rancores pessoais podem ter desempenhado um
papel, já que o pai do presidente em exercício fora alvo de
assassinato por Hussein. Pretexto: o repetido desdém de Saddam
Hussein em várias resoluções da ONU e rumores de que o Iraque
ainda buscava alcançar armas de destruição em massa.

Por sinal, essas explicações rápidas não tem a


intenção de te convencer que os Estados Unidos estavam errados
e o outro lado estava certo. O ponto de vista agorista é que
ambos estavam errados. Algum deles ou ambos poderiam ter
evitado qualquer uma das guerras acima.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 89


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

E, antes que nós esqueçamos, tem uma terceira


forma óbvia de como os não-estados se protegeriam dos estados.
As empresas de proteção formam um Sindicato maior do que no
caso que mencionamos acima de uma empresa de proteção se
tornar renegada. Se todas as agências de proteção estivessem
sendo ameaçadas com invasão, elas iriam juntar todos os seus
recursos (e melhor tecnologia, julgando pela performance
anterior do livre-mercado) para defender o território agorista.9

Quartamente, as pessoas se uniriam para formar


milícias ou exércitos guerrilheiros para defender sua sociedade
agorista incrivelmente livre. (Existiu uma situação parecida,
quando o Exército Anarquista sob comando do Nestor Makhno,
não teve problemas em juntar uma milícia para proteger os
camponeses dos Vermelhos e dos Brancos durante a Revolução
Russa).

Quintamente, a maioria das guerras tiveram um


componente econômico forte. Muitas vezes o acesso à bens ou
recursos naturais foram barrados por políticas protecionistas dos
estados. A anarquia iria ter troca livre completa com acesso
completo. Qualquer um querendo alguma coisa produzida na
anarquia da América do Norte, facilmente poderia comprá-la -
Sem impostos ou tarifas e mais barato do que em qualquer outro
lugar. (Perceba como a China Comunista gigante fez o impossível
para não conquistar Hong Kong, mesmo que o Reino Unido
estivesse pronto para jogar Hong Kong para eles à qualquer

9
Nota do Revisor: A visão do Konkin III ao dizer que conflitos podem ser evitados está
correta, porém, quem nunca viu outra pessoa fazer uma merda colossal, mesmo que
fora da lógica, só para bagunçar com a vida dos outros? É importante lembrar que líderes
de nações não são diferentes. Por último e não menos importante, a Piratas do Roger já
traduziu um artigo sobre defesa militar onde aborda o tema de maneira mais profunda
e exata. Para mais informações leia: A lei libertária e a defesa militar.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 90


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

momento que eles pedissem. Até hoje, Hong Kong não viu
tanques chineses andando pela rua para destruir os capitalistas.
Na verdade, muito da China se tornou um espelho de Hong Kong,
com os líderes do Partido e do Exército Popular de Liberação se
enriquecendo com as atividades do mercado branco, cinza e
negro. Também perceba os pequenos portos livres e cidades
como Mônaco, Andorra, Liechtenstein Singapura e San Marino.

Por último, os estados vão lutar contra eles


mesmos. Já que a Anarquia não ameaça nenhum estado
diretamente (segundo ponto) (apesar que em longo termo
ameaça, como um exemplo brilhante de condições melhores),
mas outros estados com exércitos gigantes ameaçam o tempo
todo, que outro estado iria querer os recursos fáceis de acessar
da anarquia (quinto ponto) fossem cortados por outro estado?
Isso poderia levar à guerra - porém entre os estados, enquanto a
Anarquia livremente vende para todos os lados sem favorecer ou
penalizar.

Críticos da anarquia de mercado tem outras


dúvidas. Por exemplo, eles podem argumentar que existem
poucos estados - “o que acontece se os estados se juntarem? ” -
E ao mesmo tempo estados demais - “como uma anarquia pode
sobreviver em meio à tantos estados? ” Como no caso de
exemplos históricos com a França Revolucionária e a Rússia
Revolucionária, onde os estados em volta se juntaram para
destruir o novo tipo de estado, se o país for grande o suficiente,
vai sobreviver à uma interferência externa, mesmo no meio de
uma guerra civil - sem falar em uma paz agorista.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 91


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Táticas adicionais para defesa e razões para não-


agressão serão deixadas como um exercício mental para o leitor.

O Caminho Agorista

Sair daqui (estatismo) para lá (Agorismo) é a


segunda e talvez a característica definitiva do Agorismo.
Diferente do Libertarianismo, o Agorismo oferece tanto o
objetivo quanto o caminho como um pacote internamente
consistente.

A resposta curta é dada no Axioma Quatro. Uma


resposta mais longa é “aplicando a Contra-Economia em todas as
suas ações e se conectar preferencialmente com outros que
fazem o mesmo para criar uma Ágora ainda maior. ” Falar sobre
como isso funciona - e duas coisas para quais você precisa ficar
atento - é o jeito perfeito de acabar esse livro.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 92


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

CAPÍTULO 8
AGORISMO APLICADO
Neste último ponto, gostaríamos de unir tudo o
que aprendemos. Assim, podemos ver claramente o caminho a
ser tomado com o objetivo de acabar com uma nova habilidade:
compreender como cada um de nós pode trilhar este caminho
para nosso próprio proveito. Então, vamos começar visualizando
esse caminho.

O caminho para a Ágora

Uma vez que temos uma imagem de uma


sociedade agorista e uma imagem muito boa de uma sociedade
estatista, vamos conectá-los lentamente levando um ao outro.
Como normalmente é mais difícil ver como o “real aqui-e-agora”
se torna possível, vamos rodar o filme de trás para frente. Vamos
começar com uma sociedade agorista e correr de volta no tempo
para o que temos agora, uma sociedade estatista.

O estado existe por conta de um místico que lhe


confere a coação da vítima. Assim, cada um de nós devemos parar
de coagir o estado para que a Ágora seja destruída. Muito bem,
percorrendo o filme deste período intermediário para trás, isso
pode parecer que alguma “peste mental” está infeccionando os
agoristas para persuadi-los, um por um, a abandonar sua

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 93


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

liberdade e submeter-se ao controle de algum governo


embrionário (uma gangue criminosa com uma boa linha de
promessas políticas).

A princípio, o estado seria capaz de taxar e


mobilizar apenas seus seguidores. Seria uma organização
voluntária (sadomasoquista, com certeza, mas ainda tolerada
pelos agoristas não afetados). Toda vez que o estado tentasse
atacar os agoristas, ele seria levado à arbitragem e a restituição
forçada.

Ainda assim, contra toda a razão, a infecção


cresce e o estado é agora poderoso demais para que a restituição
seja aplicada. Alguns privilegiados ainda serão capazes de viver
com sucesso livres da pilhagem e serão protegidos pelos súditos
insensatos do novo estado que (logo) sacrificará suas próprias
propriedades e até mesmo suas vidas, para que alguns possam
viver à custa de outros (Lembre-se, isso é o oposto de como as
pessoas pensam de forma sã, pois estamos deliberadamente indo
para trás. Deve ser um conforto saber que esse caminho é
altamente improvável em uma direção para frente).

O estado agora tem sua elite de poder, classe


dominante, conspiração ou qualquer termo que você mais goste.
Eles podem distribuir parte dessa riqueza não adquirida para
subornar os agoristas que têm pouca convicção (e uma vontade
fraca) para que se juntem às massas infectadas. Agora, o estado
atinge um nível que permite não apenas afastar as empresas de
proteção, mas realmente atacá-las. Neste ponto, as empresas
tornam-se “clandestinas” ou Contra-Econômicas, ainda
cumprindo contratos entre os demais agoristas e aqueles que não

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 94


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

estão sendo muito bem defendidos pelo ineficiente aparato


estatal, assim como aqueles que não são a favor dos estatistas da
elite de alto nível. Caso contrário, as pessoas procuram, tanto
quanto possível, as aplicações estatistas e desenvolvem técnicas
evasivas para impedir que a sua fabricação, comércio e serviços
sejam detectados e capturados. Eles desenvolvem técnicas
Contra-Econômicas. E eles continuam indo.

Finalmente, o estado obriga seus novos cidadãos


a desistir de seu ouro por papéis inúteis; e então o estado se
divide em vários estados e mobiliza os cidadãos para conseguir
ver qual classe governante obterá a maior parte da pilhagem de
impostos. Soa maluquice imaginar alguém permitindo isso? É
verdade, mas infelizmente, essa imagem mais louca de tudo
descreve nada menos do que a realidade em que vivemos agora.

O caminho daqui para a Ágora se torna


cegamente óbvio. À medida que mais pessoas rejeitam as
mistificações do estado (nacionalismo, pseudo-economia, falsas
ameaças e promessas políticas) a Contra-Economia cresce tanto
vertical como horizontalmente. Horizontalmente, envolve mais e
mais pessoas que ativam cada vez mais suas atividades em
direção à Contra-Economia; verticalmente, significa que novas
estruturas (negócios e serviços) crescem especificamente para
servir à Contra-Economia (conexões de comunicação seguras,
árbitros, seguro para atividades especificamente “ilegais”,
formas iniciais de tecnologia de proteção e até mesmo guardas e
protetores). Eventualmente, o “subterrâneo” invade o subsolo,
onde a maioria das pessoas são agoristas, poucos são estatistas,
e a fiscalização do estado mais próxima não pode efetivamente
esmagá-los.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 95


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Esses adensamentos agoristas são altamente


vulneráveis quando expostos pela primeira vez, mas
provavelmente evaporam nas massas anônimas quando
seriamente ameaçados. Finalmente, um desses adensamentos
cresce o suficiente para defender-se contra o estado mais
próximo (veja o Capítulo Sete sobre as várias maneiras pelas quais
ele pode se defender). Outros se juntam a isso e aqueles agoristas
que ficam “em casa” sob o governo dos estados Unidos tornam-
se portos comerciais cada vez mais ricos, com o primeiro
adensamento agorista.

O rápido colapso da capacidade de tributação do


estado neste momento o levará a depender ainda mais da
inflação para se sustentar. Os Contra-Economistas abandonam o
dinheiro fiduciário cada vez mais rápido e usam ouro e recibos
de depósito de ouro de agoristas confiáveis10. A inflação
descontrolada se aproxima do que Ludwig Von Mises chamou de
“o boom do crack”, o papel-moeda é completamente
abandonado, como em 1923 com o marco alemão e 1781 nos EUA
Continental.

No ponto crítico, quando as empresas de


proteção podem proteger qualquer um que clame por uma
defesa e esteja disposto a pagar por ela, o estado perde o
monopólio da coerção legitimada. Uma vez que a elite do poder
perceba que “chegou a esse ponto”, eles jogarão toda a força
restante na Ágora. As companhias de proteção defenderão os
agoristas, os contribuintes irão fugir do estado para o livre

10
Nota do tradutor: É importante notar que esse livro foi escrito antes do lançamento
de qualquer criptomoeda. Imagino que se o autor soubesse soube moedas totalmente
independentes e relativamente anônimas ele mesmo teria fundado um Ágora (se é que
não montou algo assim, afinal o cara era defensor ferrenho do mercado negro)

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 96


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

mercado, os militares desertarão quando o estado ficar sem


pagamento e suprimentos para eles, e o estado entrará em
colapso.

Vendo tudo isso, ainda temos uma grande


questão sem resposta: por que isso ainda não aconteceu?

A Falsa Dicotomia

Dividir e conquistar têm sido um lema e tática


estatista desde Júlio César. A divisão do Libertarianismo e da
Contra-Economia tem muitas causas, mas várias podem ser
atribuídas ao encorajamento estatista da ilógica, da
irracionalidade e do puro misticismo. Em nenhum lugar isso é
mais evidente do que no próprio campo de pensamento que nos
confronta: filosofia moral e economia. (Vale a pena lembrar aqui
que o primeiro economista, Adam Smith, foi professor de
Filosofia Moral).

Moralmente, o estado separa o moral do prático.


Várias correntes de pensamento religioso, altruísmo kantiano, até
a adoração explícita de Hegel ao estado, disseram às pessoas que
se tentassem viver moralmente, sempre fracassariam; então o
povo devia deixar o estado (com as bênçãos da ideologia da igreja
estabelecida de estatista) puni-los.

Economicamente, os economistas da Corte


distorceram e mudaram as leis da economia para se adequar ao
grupo dominante. Mercantilismo, nacionalismo econômico,

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 97


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

fabianismo, fascismo, keynesianismo, monetarismo, socialismo,


democracia social, progressismo, new Deal, acordo justo,
negócio quadrado, nova fronteira, sociedade justa, grande
sociedade, comunismo de guerra são fraudes políticas e absurdos
econômicos. Na maioria dos casos, os sacerdotes, intelectuais e
governantes sabiam o que estavam fazendo e continuaram
fazendo isso até que o óleo de cobra não fosse mais vendido.
Então eles simplesmente deram um novo rótulo à mesma bebida
nociva.

A maioria das pessoas é economicamente


ignorante e permanece assustada com o assunto. A maioria das
pessoas acha que a moralidade é impossível, irrelevante ou algo
sobre o qual não se pode fazer nada, mas que acabará por
alcançá-los seja enquanto estiverem vivos ou após a morte. Como
muitos sábios repetiram, a verdade o libertará. Mesmo nos casos
em que a verdade era vagamente vista “como através de um
vidro sombrio”, os efeitos libertadores foram visíveis. As seitas
religiosas rebeldes frequentemente se transformavam em cultos
autoritários, mas algumas alcançaram incríveis liberdades, como
os batistas de Rhode Island, os quakers da Pensilvânia e os deístas
americanos, que avançaram a ideologia revolucionária
americana. Adam Smith e seus seguidores imediatos na Europa
criaram um impacto tão grande nas políticas comerciais do início
do século XIX que uma onda de prosperidade econômica varreu
o mundo com apenas uma redução das barreiras comerciais à
liberdade.

Depois veio a Primeira Guerra Mundial e o auge do


socialismo, justificado em grande parte pelo “fracasso” do livre
mercado. Com o colapso do socialismo e seus vários

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 98


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

descendentes, como o comunismo soviético e o liberalismo


americano, abriu-se um vácuo para uma ideologia que inspira e
guia as pessoas que pensam. Embora os estados do mundo
prestem homenagem a vários ideais socialistas, eles sabem (ou
seus círculos superiores sabem) que os ideais socialistas estão
perdendo sua capacidade de iludir. Talvez algo chamado
Libertarianismo, tendo desistido de seus laços remanescentes
com a Liberdade enquanto prometendo fornecê-lo através do
estatismo, seja a próxima garrafa de óleo de cobra que os
homens de confiança do estado oferecerão para manter nossas
aprovações.

O pensamento estatista

O estado tem armas e homens para usá-las. Como


vimos, ele não é capaz de coagir uma maioria rebelde, como não
também não consegue impedir uma minoria empreendedora de
profissionais do mercado negro e outros Contra-Economistas. O
estado deve ser derrotado na mente de cada pessoa. Uma vez
que você pessoalmente rejeite o domínio sobre você, você é tão
livre quanto sua inteligência, sua vontade de assumir riscos, e a
ajuda de seus aliados podem mantê-lo. Novos convertidos ao
cristianismo descrevem um processo semelhante, que eles
chamam de “renascimento”. Mesmo na Rússia ou na China mais
escuras, os empreendedores prosperam e - por um preço alto -
compram seu bem-estar e liberdade adicional. É claro que
qualquer interpretação norte-americana, australiana ou europeia

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 99


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

deve ter um tempo relativamente mais fácil e uma recompensa


maior.

O que pode ser necessário - além de espalhar a


palavra e vivê-la - é uma forma de Agorismo Psicológico. Talvez
possamos usar os exemplos de terapia para maus-tratos na
infância ou grupos de conscientização para feministas, gays e
outros grupos obviamente oprimidos. Todos podemos nos reunir
em pequenos grupos de amigos e aliados de confiança para
extirpar as contradições do nosso inconsciente. Podemos
expulsar o estado de nossas cabeças sozinhos ou juntos ou nos
dois sentidos.

Toda lei que você obedece deve ser reexaminada


com o pensamento, como ela protege a vida e a propriedade? Se,
como quase todas as leis do nosso sistema, ele realmente
restringe o mercado ou rouba diretamente, ela não deve ser
obedecida, salvo quando a força é relatada nas proximidades e
ameaça você diretamente.

Uma vez que você tenha organizado sua vida com


sucesso para viver na anarquia do livre mercado na medida em
que você pode aceitar os riscos - quanto maiores os riscos, maior
a recompensa, incluindo a liberdade - você pode e irá
naturalmente adicionar isso às suas classificações. Os riscos são
reduzidos por comerciantes confiáveis trabalhando juntos. Logo
todos saberão que os agoristas são os mais confiáveis de todos.
Vem a inflação e as depressões descontroladas, os
desempregados e falidos na economia do estado verão
empregos ilimitados e oportunidades empresariais, sem

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 100


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

mencionar a riqueza preservada para o capital, que a Contra-


Economia oferece e se juntam para não morrer de fome.

Lembre-se, um agorista é aquele que vive Contra-


Economicamente sem culpa por suas ações heroicas do dia-a-dia,
com a antiga moral libertária de nunca violar a vida ou
propriedade de outrem. Não há “cartão de membro” para
enganar você; um agorista é aquele que vive no Agorismo. Não
aceite falsificações.

Há agoristas tentando “viver de acordo com


isso”. Há, claramente, mentirosos que alegam ser qualquer coisa.
Como Yoda disse de maneira tão sucinta: “é fazer ou não fazer,
não existe o tentar”.

Isso é Agorismo.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 101


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

POSFÁCIO

ALÉM DO AGORISMO BÁSICO

Poucas palavras podem ser apropriadas aqui para


aqueles que gostaram deste livro, mas desejam avançar para as
coisas profundas. Existem dois caminhos a seguir.

Horizontalmente: pode-se mergulhar em


economia, Contra-Economia, História Revisionista e outras áreas
que não foram cobertas aqui, como a filosofia libertária,
psicologia e literatura. Existem muitas fontes para aqueles que
desejam checar algumas de nossas recomendações aqui ou se
especializar em uma área de entusiasmo pessoal.

Verticalmente há menos opções à serem


seguidas, pois poucas publicações emergiram até agora deste
movimento recente. Esse autor publicou o Novo Manifesto
Libertário (New Libertarian Manifesto) para aqueles que desejam
ir além de simples agoristas e virar ativistas, agentes de proteção
avançada defendendo a Contra-Economia através de relações
públicas, educação… e outros meios.

11
Websites como agorism.info e agorist.com
12
surgiram, criados por agoristas impacientes para transformar
teoria em ação prática.

11
É um site sobre alguns breves conceitos sobre o universo Agorista, com um monte de
links que dão numa página 404

12
Outro site, porém, este hoje em dia está no ar apenas para divulgar que tipo de
homem foi SEK III em tributo à sua morte.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 102


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

SOBRE O AUTOR

Samuel Edward Konkin III foi um teórico de


movimento vanguardista e ativista ferrenho desde a separação
histórica entre libertários e conservadores na conferência dos
Jovens Americanos Pela Liberdade (YAF) em St. Louis em 1969.
Nas três décadas seguintes, trabalhou como editor e publicitário
da mais antiga editoria libertária, começando como Laissez-Faire!
(1970), então como New Libertarian Notes (1971-75), New
Libertarian Weekly (1975-77, o semanal libertário mais antigo) e
New Libertarian (1978-1990). Ele escreveu o trabalho seminal de
Agorismo, O Novo Manifesto Libertário, em 1980.

Ele cunhou os seguintes termos e conceitos,


muitos dos quais apareceram em todas as publicações libertárias:
Contra-Economia, Agorismo, minarquia, gradualismo, anti-
princípios, Libertarianismo de Esquerda, anarco-sionismo,
Browne-out¹, mercado vermelho, Kochtopos² e mais. Ele
influenciou os trabalhos de autores como J. Neil Schulman
(Alongside Night) e Victor Koman (Solomon’s Knife), ambos
tiveram suas primeiras vendas profissionais de ficção nas páginas
de suas publicações.

Sr. Konkin trabalhou como Diretor Executivo do


Instituto Agorista, uma organização de divulgação que promulga
os princípios do Agorismo e da Contra-Economia. Ele foi
convidado de honra em convenções de ficção científica e
encontros libertários e também um experiente viajante do
mundo. Sua incompleta obra-prima, Contra-Economia, será
publicada em um futuro próximo.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 103


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

Sr. Konkin morreu em 23 de fevereiro de 2004.

N.E.¹: Browne-out é um termo usado para se


referir aos libertários que desistiram do ativismo político sob a
influência do livro de Harry Browne, How I Found Freedom in an
Unfree World.

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 104


Piratas do Gol D. Roger Tradutores

FICHA TÉCNICA
PIRATAS DO GOL D. ROGER

TRADUÇÃO

ALUIZ BATISTA

WALLACE DIOGO

DOMINIQUI ALVES

ALEFE SILVA

FILIPE SANDES

FELIPE OJEDA

REVISÃO

DOMINIQUI ALVES

EDIÇÃO
DOMINIQUI ALVES

LORENA GOMES MIRANDA

ORIGINAL
THE PRIMER AGORIST

Samuel Edward Konkin III - Uma Cartilha Agorista - 105