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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

INSTITUTO DE FÍSICA
Laboratório de Fı́sica Moderna I
Professor: Dr. Lauro June Queiroz Maia
Acadêmicos: Nathan Augusto Ferreira n.o :084112
Rafael Peixoto de Amorim n.o :080829

BOBINAS DE HELMHOLTZ

Goiânia, 30 de maio de 2011


Bobinas de Helmholtz

1 Resumo

Este experimento foi composto de três partes. Nas duas primeiras partes, analisamos a
dependência espacial do campo magnético produzido por duas bobinas condutoras percor-
ridas por uma corrente de cerca 2,0 A. Utilizamos uma sonda Hall para fazer as medidas
do campo varrendo, inicialmente a região comprendida entre as bobinas e posteriormente
varrendo o diâmetro de uma delas. Ambas as medidas foram feitas variando a distância
de 1 em 1 cm e para as configurações onde a separação das bobinas era a metade do raio
das bobinas, igual ao raio e o dobro do raio.
Em seguida, construı́mos 6 tabelas com esta tomada de dados, 2 para cada distância
de separação (mapeamento axial e radial), construı́mos dois gráficos, um para as medidas
feitas ao longo do eixo das bobinas e outra ao longo diâmetro. Posteriormente, usando a
Lei de Biot-Savart, simulamos o campo axial para as três configurações e plotamos num
gráfico estas três curvas teóricas juntamente com as três experimentais.
Na última parte, utilizamos um tubo de raios catódicos para emitir elétrons dentro de
uma cuba com um gás e ajustamos a corrente para que a trajetória circular dos elétrons
tivessem raios de 2 cm, 3 cm, 4 cm e 5 cm. Começando com uma tensão de 100 V e
variando de 25 em 25 V até alcançarmos 300 V, fizemos medidas da corrente elétrica em
cada configuração para obtermos os raios supracitados. Finalmente, construı́mos uma
tabela contendo a tensão, a corrente e a razão carga/massa do elétron para cada medida
feita, em seguida calculamos a média de todas elas, o desvio padrão e representamos o
resultado final como: (razão carga/massa)±(desvio padrão).

1
Bobinas de Helmholtz

2 Introdução

Frequentemente é necessário produzir um campo magnético uniforme de baixa in-


tensidade sobre um volume relativamente grande. Para cumprir tal tarefa é, em geral,
utilizada a bobina idealizada por Hermann Ludwig Ferdinand von Helmholtz (1821-1894),
conhecida atualmente como bobina de Helmholtz, a qual consiste de duas bobinas circu-
lares, planas, cada uma contendo N espiras com correntes fluindo no mesmo sentido. A
separação entre estas bobinas e igual ao raio R comum a ambas. A corrente elétrica de
alimentação das bobinas pode ser continua (CC) ou alternada (CA). As aplicações da
bobina de Helmholtz são várias; por exemplo: determinação das componentes vertical
e horizontal do campo magnético terrestre; anulação em determinado volume do campo
magnético terrestre; calibração de medidores de campo magnético de baixa frequencia;
estudo dos efeitos de campos magnéticos em componentes ou equipamentos eletrônicos;
medidas de susceptibilidade magnética; calibração de equipamentos de navegação; es-
tudo de efeitos biomagnéticos; ajuste de tubos de raios catódicos; estudo da performance
de tubos de fotomultiplicadores em campos magnéticos; medidas de magneto-resistência;
desmagnetização de pequenas peças de materiais ferromagnéticos usados na ciência de
naves espaciais. Na área de ensino de fı́sica ela e usada principalmente em experimentos
para a determinação da carga especı́fica do elétron.
O campo magnético produzido por uma espira circular percorrida por uma corrente I
pode ser calculado a partir da Lei de Biot-Savart:

~ = µ0 I d~l × ρ~
dB (1)
4π ρ3

onde µ0 é a permeabilidade magnética no vácuo, ρ~ é o vetor a partir do elemento condutor


d~l ao ponto de medida do campo B, ~ e dB ~ é perpendicula a ambos os vetores ρ~ e d~l.
Como o vetor d~l é perpendicular aos vetores ρ~ e dB,
~ e ainda perpendicular ao plano da
figura enquanto que os outros dois vetores estão no plano, a equação (1) pode ser reescrita
como:
µ0 I I µ0 dl
dB = 2
dI = (2)
4πρ 4π R2 + z 2

sendo z a distância do centro da espira ao ponto onde estamos calculando o campo.


Como mostrado na figura dB ~ pode ser dividido em duas componentes, uma radial dB ~r
~ Para qualquer elemento d~l que escolhermos na espira a componete
e outra axial dBz.
~
dBz do campo terá sempre a mesma direção, podendo, portanto serem somadas, já as
componetes dB ~r se anulam aos pares. Sendo assim o campo radial é nulo como podemos
ver na figura 1:

Br = 0 (3)

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Bobinas de Helmholtz

Figura 1: Campo mangético produzido por uma bobina circular.

e o campo dado ao longo da direção z é dado por:


µ0 I R2 µ0 I 1
B = Bz = 3/2
= 3/2 (4)
2 (R + z )
2 2 2R
  z 2
1+
R
O campo magnético de uma bobina circular é dado multiplicando-se o número de
espiras N pela equação acima:
 
µ0 I 1 1
B(z, r = 0) = N + (5)
2R (1 + A21 )3/2 (1 + A21 )3/2
z − a/2 z + a/2
onde A1 = e A2 = . Quando z = 0, o campo magnético tem o valor
R R
máximo para a < R e mı́nimo para a > R. A próxima figura mostra que a dependência
de B com a posição ao longo do eixo axial das bobinas é virtualmente uniforme para o
−R R
intervalo < z < , quando a = R, como mostra a figura.
2 2

Figura 2: B(z, r = 0) em função de z com o parâmetro a.

O campo B no ponto médio entre as bobinas quando a separação das mesmas for igual
ao raio R é dado por:
µ0 I 2 I
B(0, 0) = N  3/2 = 0, 716N µ0 (6)
2R 5 R
4
onde se foi escolhida como origem do sistema de coordenadas o ponto médio entre as
bobinas sobre o eixo axial, para uma bobina com N = 154 espiras, raio R = 20 cm e
corrente I = 3, 5 A, o valor de B é dado por:
B(0, 0) = 2, 42mT (7)

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Bobinas de Helmholtz

através do gráfico da figura acima, o campo medido foi de 2, 49mT . Mostrando a eficiência
do arranjo de Helmholtz para a produção de campos magnéticos de baixa intensidade e
uniformes em um volume relativamente grande.
São inúmeras as aplicações deste arranjo que ficou conhecido como Bobinas de Helmholtz
e o mesmo foi utilizado em 1897 por J. J. Thomson para determinar a razão (e/m) do
elétron. Se um elétron de massa m0 é acelerado por uma diferença de potencial U , sua
energia cinética é dada por:
1
eU = m0 v 2 (8)
2
onde v corresponde a velocidade do elétron. Se o elétron penetrar uma região com campo
magnético de intensidade B, ~ a força do campo sobre o elétron é dada por:

F~ = e~v × B
~ (9)

que é a força de Lorentz.


m0 v 2
 
Quando a força de Lorentz é igual à força centrı́peta , a velocidade do elétron
r
é:
e
v= Br (10)
m0
de onde podemos associar (10) com (8) e obter:

e 2U
= (11)
m0 (Br)2

3 Objetivos

Este experimento que está divdido em duas partes tem como objetivos principais
primeiro mapear o campo magnético produzido por um par de bobinas circulares planas
verificando a uniformidade do campo magnético numa região relativamente grande en-
tre as bobinas. A segunda parte consiste em usar este arranjo para determinar a razão
carga/massa do elétron a partir das trajetórias observadas de um feixe de elétrons pro-
duzido por um tubo de raios catódicos.

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Bobinas de Helmholtz

4 Material Utilizado

Neste experimento utilizamos os seguintes equipamentos:

• Primeira Parte:

– Duas bobinas condutoras


– Um multı́metro
– Uma fonte de tensão CC
– Um teslâmetro
– Uma sonda Hall sobre um
trilho
– Uma régua milimetrada Figura 3: Aparato experimental uti-
lizado na primeira parte.

• Segunda Parte:

– Um tubo de Raios Catódicos


– Duas bobinas condutoras
– Duas fontes de tensão CC
– Dois multı́metros
Figura 4: Aparato experimental utilizado na
segunda parte.

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Bobinas de Helmholtz

5 Procedimento Experimental

O material utilizado (para mapear o campo magnético produzido por bobinas circu-
lares) é mostrado na figura 3.
Inicialmente conectamos as bobinas em série. Prendemos a sonda Hall em um suporte
com base móvel e a nivelamos com o eixo das bobinas e predemos as duas réguas na
bancada e movimentamos a sonda sempre na mesma direção.
Por razões de simetria o campo magnético tem componente somente na direção do
eixo z, logo montamos o experimento como o mostrado na figura abaixo e medimos a
R
componente axial do campo para: a = R, a = e a = 2R.
2

Figura 5: Esquema experimental utilizado para medidas axiais do campo magnético.

Para medirmos o campo com as bobinas separadas nas três configurações, soltamos os
espaçadores que prendem as bobinas.
Em seguida medimos a dependência do campo com a direção radial conforme mostrado
na figura 4 a seguir:

Figura 6: Esquema experimental utilizado para medir o campo radial

Na última parte do experimento utilizamos o arranjo mostrado na figura 3 (essa parte


do experimento consiste na determinação da razão carga-massa do elétron). Conectamos
as bobinas em série com a fonte de corrente contı́nua que utilizamos no exemplo anterior.
A corrente máxima permitida foi de 5A.
As luzes do laboratório foram desligadas e ligamos as fontes de tensão e corrente,
percebemos que a polaridade do campo magnético estava correta por um feixe curvo e
luminescente estar visı́vel. Variando a corrente nas bobinas, ou seja, variando a intensi-
dade do campo magnético e a velocidade dos elétrons, o raio da órbita pode ser ajustado,
de maneira que coincidiram com os traços luminosos no interior do tubo. Quando o feixe
de elétrons colidiu com os traços, apenas metade do cı́rculo foi observado. Os raios das
trajetórias circulares foram de 2, 3, 4 ou 5 cm.

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Bobinas de Helmholtz

Montamos uma tabela com os valores de U (potencial acelerador variando de 100 a 300
V de 25 em 25 V ) e de I (corrente nas bobinas, que foram ajustadas para cada potencial
U) para cada raio. Calculamos para cada media o valor da razão e/m e obtivemos ao final
um valor médio apontando a incerteza da medida.

6 Resultados Obtidos

As medidas realizadas através da sonda Hall estão nas seguintes tabelas 1, 2, 3, 4,


5 e 6, abaixo. Cada qual para uma configuração diferente das bobinas. As tabelas 1,
2 e 3 correspondem as medidas do campo na direção axial e as tabelas 4, 5 e 6 para o
campo na direção radial. Posteriormente temos a tabela 7 que contém os resultados das
medidas feitas no espectrômetro, cujo campo magnético foi produzido por duas bobinas
cuja separação entre elas era igual ao raio das mesmas.

Z (cm) B(mT) Z (cm) B(mT)


0 1,59 7 1,70
1 1,62 8 1,68
2 1,65 9 1,66
3 1,68 10 1,62
4 1,70 11 1,60
5 1,70 12 1,54
6 1,71 – –

Tabela 1: Tabela com os valores de B medidos na direção axial para a = 10cm

Z (cm) B(mT) Z (cm) B(mT) Z (cm) B(mT) Z (cm) B(mT)


0 1,20 6 1,27 12 1,25 18 1,23
1 1,22 8 1,26 13 1,25 19 1,22
2 1,24 9 1,25 14 1,24 20 1,22
3 1,25 10 1,26 15 1,23 21 1,21
4 1,27 11 1,25 16 1,25 22 1,20
5 1,28 12 1,25 17 1,24 23 1,18

Tabela 2: Tabela com os valores de B medidos na direção axial para a = 20cm

Z (cm) B(mT) Z (cm) B(mT) Z (cm) B(mT) Z (cm) B(mT)


0 0,96 7 0,89 14 0,67 21 0,59
1 0,97 8 0,86 15 0,66 22 0,59
2 0,98 9 0,83 16 0,65 23 0,59
3 0,98 10 0,80 17 0,63 24 0,61
4 0,97 11 0,77 18 0,62 25 0,66
5 0,95 12 0,74 19 0,60 – –
6 0,92 13 0,72 20 0,59 – –

Tabela 3: Tabela com os valores de B medidos na direção axial para a = 40cm

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Bobinas de Helmholtz

D (cm) B(mT) D (cm) B(mT) D (cm) B(mT) D (cm) B(mT)


0 1,44 10 1,82 20 1,69 30 2,04
1 1,75 11 1,78 21 1,70 31 2,07
2 1,96 12 1,76 22 1,72 32 2,08
3 2,01 13 1,72 23 1,75 33 2,02
4 2,03 14 1,70 24 1,80 34 1,91
5 2,02 15 1,69 25 1,81 35 1,67
6 1,97 16 1,68 26 1,86 36 1,28
7 1,94 17 1,67 27 1,89 – –
8 1,88 18 1,66 28 1,95 – –
9 1,86 19 1,67 29 1,98 – –

Tabela 4: Tabela com os valores de B medidos na direção radial para a = 10cm

D (cm) B(mT) D (cm) B(mT) D (cm) B(mT) D (cm) B(mT)


0 0,64 10 1,27 20 1,30 30 1,26
1 0,76 11 1,27 21 1,28 31 1,20
2 0,86 12 1,29 22 1,29 32 1,16
3 0,97 13 1,29 23 1,28 33 1,10
4 1,05 14 1,29 24 1,28 34 1,04
5 1,13 15 1,28 25 1,29 35 0,95
6 1,17 16 1,30 26 1,28 36 0,86
7 1,19 17 1,29 27 1,26 37 0,74
8 1,23 18 1,29 28 1,26 38 0,60
9 1,26 19 1,28 29 1,25 39 0,64

Tabela 5: Tabela com os valores de B medidos na direção radial para a = 20cm

D (cm) B(mT) D (cm) B(mT) D (cm) B(mT) D (cm) B(mT)


0 0,27 10 0,52 20 0,59 30 0,47
1 0,29 11 0,53 21 0,58 31 0,45
2 0,32 12 0,55 22 0,57 32 0,44
3 0,35 13 0,56 23 0,57 33 0,40
4 0,38 14 0,57 24 0,56 34 0,38
5 0,41 15 0,59 25 0,54 35 0,37
6 0,43 16 0,59 26 0,52 36 0,31
7 0,46 17 0,59 27 0,51 37 0,31
8 0,48 18 0,60 28 0,50 38 0,28
9 0,50 19 0,58 29 0,47 39 0,26

Tabela 6: Tabela com os valores de B medidos na direção radial para a = 40cm

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Bobinas de Helmholtz

R =2cm R =3cm R =4cm R =5cm


e As e As e As e As
U (V ) I(A) × 1011 I(A) × 1011 I(A) × 1011 I(A) × 1011
m kg m kg m kg m kg
100 2,35 (1, 89 ± 0, 04) 1,54 (1, 95 ± 0, 04) 1,09 (2, 19 ± 0, 06) 0,826 (2, 44 ± 0, 08)
125 – – 1,76 (1, 87 ± 0, 04) 1,30 (1, 93 ± 0, 05) 1,05 (1, 89 ± 0, 05)
150 – – 1,98 (1, 77 ± 0, 03) 1,45 (1, 86 ± 0, 04) 1,19 (1, 77 ± 0, 04)
175 – – 2,11 (1, 82 ± 0, 03) 1,58 (1, 83 ± 0, 03) 1,30 (1, 73 ± 0, 04)
200 – – 2,23 (1, 86 ± 0, 03) 1,71 (1, 78 ± 0, 03) 1,39 (1, 73 ± 0, 03)
225 – – – – 1,81 (1, 79 ± 0, 03) 1,45 (1, 78 ± 0, 03)
250 – – – – 1,92 (1, 77 ± 0, 03) 1,54 (1, 76 ± 0, 03)
275 – – – – 2,01 (1, 77 ± 0, 02) 1,63 (1, 73 ± 0, 03)
300 – – – – 2,10 (1, 77 ± 0, 02) 1,69 (1, 75 ± 0, 03)

Tabela 7: Tabela com os dados obtidos utilizando o espectrômetro e a razão carga/massa do elétron.

O valor médio da razão carga/massa do elétron, obtido através dos dados da tabela 7
foi de (1, 86 ± 0, 2) × 1011 (As/kg), onde a incerteza da média é dada pelo desvio padrão
das medidas realizadas.

7 Discussões e Análise dos Resultados

Utilizando as tabelas 1, 2 e 3 plotamos o gráfico a da figura 7 e usando os dados das


tabelas 4, 5 e 6 plotamos o gráfico da figura 8.

Figura 7: Gráfico do módulo do campo Figura 8: Gráfico do módulo do campo


magnético axial em função da distâcia magnético radial em função da distâcia

A partir da figura 7, podemos ver a dependência espacial do campo magnético axial,


percebemos que para o primeiro caso a = R/2 = 10cm, o módulo do campo magnético
varia mais significativamente com a distância, ao passo que para a = R = 20cm a região
onde o campo magnético é constante é muito maior. Para a configuração de a = 2R
o campo tem um valor máximo nas proximidades de uma das bobinas, passando por
um mı́nimo na distância média entre elas e depois aumentando novamente quando nos
aproximamos da bobina oposta.
Como as bobinas são circulares e estão separadas por uma distância a, podemos imagi-
nar um volume cilindrı́co que encerra o campo magnético produzido por elas. Analisando

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Bobinas de Helmholtz

os gráficos das figuras 7 e 8 e as tabelas de 1 à 6, podemos determinar um volume


cilindrı́co para o qual o campo magnético em seu interior permanece praticamente con-
stante em todos os pontos. Para a primeira configuração, a = R/2, percebe-se que 3 à 7
cm de distância da primeira bobina temos uma valor praticamente constante, que varia
de 1, 66mT à 1, 71mT . Comparado com os valores da tabela 4, percebe-se que para a
distância radial da extemidade da bobina de 13 à 22 cm temos uma variação correspon-
dente. Para estes valores temos um cilindro de diâmetro d = (22 − 13) cm = 9, 0 cm e
altura h = (7 − 3) cm = 4 cm, que nós fornece o seguinte volume:
 2  2
d 9, 0cm
Va=10 =π ×h=π × 4, 0cm = 254cm3 (12)
2 2

De modo semelhate, para a = 20 cm obtemos um diâmetro d = (30 − 9) cm = 21 cm e


altura h = (13 − 4, 0) cm = 9, 0 cm, que corresponde à um volume:
 2
21cm
Va=20 = π × 9, 0cm = 3, 12 × 103 cm3 (13)
2

E finalmente, para a = 40 cm obtemos um diâmetro d = (23 − 15) cm = 8, 0 cm e altura


h = 2 × (21 − 18) cm = 6, 0 cm (o fator multiplicativo ”2” se dá pelo fato de varrermos
apenas metade desta região, como será explicado na próxima seção), que corresponde à
um volume:  2
8cm
Va=40 = π × 6, 0cm = 3, 02cm3 (14)
2

Na figura 9 temos uma superposição dos


gráficos de B axial experimental (pontos
azuis) com B axial teórico (pontos pretos) cal-
culados através da Lei de Biot-Savart con-
forme a equação 2. Percebemos que para
as trẽs configurações utilizadas neste exper-
imento, obtivemos uma curva bastante semel-
hante à curva teórica. Se somassemos aos
gráficos experimentais da figura 9 um valor
de cerca de 13mT terı́amos as curvas teóricas
e experimentais se superpondo. Acreditamos
que este valor de campo seja produzido pelos
diversos materiais do laboratório que podem
Figura 9: Campo axial teórico (pontos pretos) e interferir neste experimento, tais como: celu-
experimental (pontos azuis). lares, fios condutores transportando corrente,
materiais ferromagnéticos nas próximidades
das bobinas, entre outros. Estes materiais provavelmente produziram um campo re-
sultante em sentido contrário ao das bobinas circulares utilizadas, pois tivemos um
decréscimo no valor medido do módulo do campo magnético.

10
Bobinas de Helmholtz

8 Conclusão

No gráfico do módulo do campo magnético axial para a = 40cm utilizamos o fato de


que, como as bobinas são idênticas, o campo magnético deve variar de um máximo no
centro de uma bobina até um mı́nimo na posição média entre elas, depois a configuração
começa a se repetir. Percebemos através da tabela 3 que o valor mı́nimo é de 0, 59mT , que
corresponde as medidas de 21 e 22 cm, após 22 cm o módulo do campo magnético começa
aumentar novamente. Desta forma, consideramos até a medida de 21 cm e reproduzimos
os valores seguintes de acordo com as medidas feitas em ordem decrescente. Percebe-se
quando se faz isto os valores para 22, 23, 24 e 25 cm são bem próximos dos valores das
medidas de 21, 20, 19 e 18 cm respectivamente. Devido a esta simetria ocorre o fator 2
no calculo do volume onde o campo magnético é constante (eq. 12).
Apesar das tabelas apresentarem uma numeração crescente da distância, quando plota-
mos os gráficos fizemos uma translação de eixo de forma que a distância fosse medida a
partir do ponto médio entre as bobinas, para as medidas do campo axial, e a partir do
raio, para as medidas do campo radial. Desta forma, as bobinas estariam na posição
a a
z = − e z = + , para qualquer configuração axial.
2 2
Através do gráfico da figura 9 podemos perceber a imensa precisão deste aparato
experimental para medidas de campo magnéticos, pois apesar de termos uma diferença
no módulo do campo, as curvas têm a mesma aparência. Diante deste fato, podemos
concluir que houve um campo magnético resultante contrário ao produzido pelas bobinas,
devido à alguns materiais contidos no laboratório que produzem campos magnéticos.
Para a determinação da razão carga/massa do elétron, percebemos que a medida
que aumentamos a tensão se torna mais difı́cil obter os raios menores, pois necessitamos
de uma corrente cada vez maior. Entretanto, calculando a média de todos os resultados,
conseguimos obter um resultado de (1, 86± 0, 2) ×1011 (As/kg) que engloba o valor teórico
de (1, 758803 ± 0, 000005) × 1011 (As/kg).

9 Bibliografia

[1]. CARVALHO, J. F.; SANTANA, R.C. apostila de laboratório de Fı́sica Moderna I.


Instituto de Fı́sica/UFG. 2011.

[2]. WALKER, J. HALLIDAY/RESNICK Fundamentos de Fı́sica. Volume 4. 8a edição.


Rio de Janeiro. LTC. 2009.

[3]. YOUNG, H.D.; FREEDMAN, R.A.; Sears e Zemansky Fı́sica II. 10a edição. São
Paulo. Pearson Addison Wesley. 2003.

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