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PERCURSOS EM

PARELHEIROS
AMBIENTE E LOCALIDADE NA PERIFERIA DA METRÓPOLE

H E N R I Q U E P R I MO N

P R O F E S S O R E S M A R TA D O R A G R O S TE I N E J O R G E B A S S A N I

F A C U L D A D E D E A R Q U I T E TU R A E U R B A N I S MO D A USP

MA I O D E 2014

SÃO PAULO
I N TR O D U Ç Ã O

Pensamentos metropolitanos na cidade de São Paulo possuem tipicamente as marcas de planos


compreensivos. O gigantismo, a escala dos mapas e a funcionalidade de zonas representam as heranças
do modo modernista de planejar conteúdos programáticos para as cidades. A macrorregião e suas
macrozonas são os grandes alvos de instrumentos urbanísticos caros aos estudiosos do assunto, e é para
elas que recai boa parte das quantizações realizadas no sentido de ordenar as cidades, quais sejam,
coeficientes de aproveitamento, recuos, taxa de impermeabilização, entre outros. O nível da mesorregião
ainda recebe alguma atenção, em casos específicos. A localidade, entretanto, termina por passar ao
relento de muitas das práticas de urbanismo.

O fato não é fortuito. Representa, antes, uma forma de pensar inerente a seu tempo: a primazia dos
espaços de fluxos, em detrimento dos espaços de lugar, como explicou Manuel Castells no já clássico “A
Sociedade em Rede”. O plano compreensivo à modernista é, pois, um plano de zonas com ligações de
acesso. A questão da acessibilidade torna-se fundamental no contexto em que as zonas são desiguais. E
uma vez que a acessibilidade se torna alvo de planos, projetos e ações (notadamente alvo de operações
urbanas), termina por reforçar e aprofundar a desigualdade dessas zonas. E nesse paradoxo, o espaço de
fluxos tende a ser reforçado, em constante detrimento do espaço de lugar.

Este trabalho propõe avaliar, no espaço de lugar, as implicações de planos, e notadamente de planos
viários e paisagísticos contidos no Plano Regional Estratégico da Subprefeitura de Parelheiros.