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A previsão da demanda consiste numa das bases do planejamento

estratégico, sendo muito relevante para as organizações, desempenhando uma


função fundamental no planejamento da produção, constituindo parte do
processo de tomada de decisões. A previsão da demanda consiste na etapa
inicial do planejamento das atividades, tais como, fluxo de caixa e produção,
sendo empregado com mais intensidade por empresas cuja atividade esteja
relacionada à bens de consumo. Quando as organizações não dispõem de
dados para implementar as previsões de demanda, não será possível utilizar-se
deste recurso para elaboração do planejamento quanto à futuros eventos
repentinos, sendo possível, apenas, a reação a tais eventos.
As metodologias de previsão apresentam propriedades comuns entre si,
sendo estas: o uso da demanda anterior como base para a demanda futura; e o
resultado da demanda prevista por diferentes metodologias não são exatos,
podendo ocorrer erros em virtude de aspectos aleatórios cuja abrangência não
foi possibilitada.
Pode-se estabelecer a previsão da demanda por meio de diversas
metodologias, contudo alguns aspectos precisam ser considerados:
a) Disponibilidade de dados, tempo e recursos: Há metodologias mais
aprimoradas que demandam especialistas com domínio pleno para
lidar com os modelos e recursos necessários;
b) Horizonte de previsão: Algumas metodologias apresentam
resultados mais eficientes quando empregadas para a previsão à
longo prazo.

Os métodos de previsão estão subdivididos em dois grupos, os métodos


qualitativos e os métodos quantitativos.
Os métodos qualitativos consistem naqueles nos quais a previsão é
efetuada de maneira subjetiva pelos especialistas ou previsores, baseado nas
suas intuições, experiencias e conhecimentos. Há vários tipos de métodos
qualitativos da previsão, os mais comuns são: a opinião dos executivos; o
método Delphi e a pesquisa de mercado.
Os métodos quantitativos fazem uso da modelagem matemática, e
necessitam de informações quantificáveis para efetuarem as previsões,
produzindo a previsão por meio deste conjunto de informações. Tais métodos
dividem-se em: séries temporais; e métodos causais.
Os métodos de séries temporais, partem do princípio que os dados
necessários para a realização de uma previsão, encontram-se numa série
temporal dos dados, que se constitui de observações dos determinados períodos
de tempo. Tais métodos podem ter comportamento sazonal ou cíclico, e para
cada um destes há uma metodologia específica.
Os métodos causais presumem que a variável desejada tenha relação
com as demais variáveis do contexto, sendo relevante saber de que modo se
relacionam, e utilizar-se dessas informações para prever o futuro.
Para realizar este trabalho, optou-se pela utilização do método de séries
temporais com sazonalidade, devido ao comportamento das informações
hipoteticamente fornecidas, estar mais adequado a este método. A sazonalidade
trata-se de mudanças na demanda em períodos regulares de tempo, existindo
uma motivação para tal mudança e posterior reincidência desta.
A forma mais usual de inclusão da sazonalidade nas previsões da
demanda, consiste em obter o índice de sazonalidade para os diversos períodos,
empregando a média móvel centrada, e aplicá-los sobre o valor médio (ou
tendência) previsto para o período em questão.
A Tabela 1 apresenta a demanda de vendas de batata chips, os dados
abrangem o período de outubro de 2017 a setembro de 2018.

Tabela 1: Demanda de vendas Out-17 a Set-18

MÊS TOTAL DE VENDAS


OUT-2017 22.000
NOV-2017 24.000
DEZ-2017 28.000
JAN-2018 31.000
FEV-2018 26.000
MAR-2018 30.000
ABR-2018 30.000
MAI-2018 28.000
JUN-2018 24.000
JUL-2018 26.000
AGO-2018 31.000
SET-2018 29.000

A partir dos dados desta tabela, gerou-se o gráfico da demanda de vendas


de batata chips, o qual está representado na Figura 1. Neste gráfico observou-
se que a variação da demanda se dá em ciclos de quatro períodos. Assim, é
possível efetuar a previsão da demanda para os períodos relacionados a outubro
de 2018 até setembro de 2019.

Figura 1: Gráfico da demanda de vendas Out-17 a Set-18

TOTAL DE VENDAS
35,000

30,000

25,000

20,000

15,000

10,000

5,000

Assim, com base nestas informações, calculou-se o índice de


sazonalidade médio destes períodos, cujos valores são apresentados na Tabela
2.

Tabela 2: Índice de sazonalidade médio

IS MÉDIO
IS-1 1,062662
IS-2 0,890672
IS-3 0,994366
IS-4 1,054338

Obtidos dos índices de sazonalidade, possibilitou-se efetuar a previsão da


demanda, cujo os resultados são demonstrados na Tabela 3.
Tabela 2: Previsão da Demanda de vendas de Out-18 a Set-19

MÊS DEMANDA MÉDIA DEMANDA REAL DEMANDA PREVISTA


OUT-2018 27859,38 22.000 29605,10
NOV-2018 27859,38 24.000 24813,57
DEZ-2018 27859,38 28.000 27702,42
JAN-2019 27859,38 31.000 29373,19
FEV-2019 27859,38 26.000 29605,10
MAR-2019 27859,38 30.000 24813,57
ABR-2019 27859,38 30.000 27702,42
MAI-2019 27859,38 28.000 29373,19
JUN-2019 27859,38 24.000 29605,10
JUL-2019 27859,38 26.000 24813,57
AGO-2019 27859,38 31.000 27702,42
SET-2019 27859,38 29.000 29373,19

Com os resultados dos cálculos realizados para a previsão da demanda,


possibilitou-se gerar um gráfico para comparar a demanda real com a demanda
prevista, o qual está ilustrado na Figura 2.
Figura 2: Gráfico comparativo
35,000

30,000

25,000

20,000

15,000

10,000

5,000

Pode-se observar neste gráfico que há uma proximidade entre os valores


da demanda real e da demanda prevista, apesar da existência de alguns erros.
Assim, evidencia-se a relevância da previsão de demando para o sucesso no
planejamento das organizações, propiciando a previsão dos possíveis
comportamentos futuros nas vendas, assim, poderá haver uma preparação para
acolher todas as solicitações do mercado.
REFERÊNCIAS

GAITHER, N.; FRAZIER, G. Administração da Produção e Operações. 8ª. Ed.


São Paulo: Pioneira, 2002.
MAZUCO, F. Análise e previsão de demanda: estudo de caso em uma
empresa distribuidora de rolamentos. 2003. 142 f. Dissertação (Mestrado em
Engenharia com ênfase em Logística) – Escola de Engenharia, Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegra, 2003.
REID, R. D.; SANDERS, N. R. Previsões. In: REID, R. D.; SANDERS, N. R.
Gestão de Operações. LTC, 2002. p. 141- 164.
STEVENSON, W. J. Previsões. In: STEVENSON, W. J. Administração das
Operações de Produção. LTC, 2001. p. 62-110.
TUBINO, D. F. Planejamento e controle da produção: teoria e prática. São
Paulo: Atlas, 2009.