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Coletânea com apenas questões de Direito pertinentes para PCF.

1 – Defensoria Pública de São Paulo – Estagiários - 2008

Letra D
Trata-se do princípio da legalidade, um dos princípios da administração pública.

Letra B
A é incorreta, pois o arrependimento posterior tem como um dos requisitos a reparação do dano, e
no caso de roubo tentado não se consuma o dano, portanto não se pode falar em arrependimento
posterior. B é a correta – verificado o arrependimento posterior deve aplicar-se a redução de pena
obrigatoriamente. A reincidência não exclui o arrependimento posterior. D é incorreta. O sistema
trifásico é estabelecido no Artigo 68 do CP: primeiro se fixa a pena base, em seguida a pena-
intermediária levando-se em conta as situações agravantes e atenuantes, e por último a pena final,
considerando as causas de incidência e aumento da pena. O arrependimento posterior não é uma
situação atenuante (a previsão destas situações está no Artigo 65 e 66 do CP) e sim uma causa de
diminuição da pena, sendo portanto aplicada na terceira fase do sistema trifásico.
Letra A
A é o que é estabelecido pelo CPP, Artigo 5º. B é incorreta, pois o CPP estabelece que se o órgão
do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito
policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as
razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este
oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no
pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender (Artigo 28). Persecução
Penal é o nome que se dá ao procedimento penal, composto pela investigação criminal e o
processo criminal. O inquérito não é indispensável, conforme afirma o Artigo 39, § 5º e existem
inquéritos não iniciados pela autoridade policial. Os prazos em D estão incorretos. De acordo com
o Artigo 10 do CPP, para prisão em flagrante o prazo é de 10 dias e 30 dias se estiver solto.

Letra C
A é incorreta, pois o CPP não contém tal rol, mas apenas a previsão de que as provas ilícitas não
serão aceitas (Artigo 157). O CPP estabelece o sistema de livre convicção para o magistrado
(Artigo 155) onde o juiz é livre para apreciar as provas produzidas e tomar a decisão, justificando-a.
Para o júri existe o sistema de intima convicção, pelo qual os jurados não são obrigados a
fundamentar sua decisão. C é correta (Artigos 158 e 167 do CPP). D é incorreta por conta da
previsão da necessidade de prestar compromisso sob pena de falso testemunho, não contida no
CPP.
2 – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – Analista de Comércio
Exterior - 2008

Errado
O ato judicial típico, que é a sentença ou decisão, enseja responsabilidade civil da Fazenda
Pública, na hipótese do Artigo 5º, LXXV da CF/88.Há controvérsia na doutrina e na jurisprudência
sobre este assunto, mas o STF tem entendido pela irreparabilidade dos danos causados pelos atos
próprios do Poder Judiciário, exceto nos casos previstos em Lei. A corrente que assim entende vê
a necessidade deste posicionamento para defender a coisa julgada.

Correto
A Constituição fala em responsabilidade do Estado pelos atos de seus agentes. Como agentes
entende-se todas as pessoas envolvidas na realização de algum serviço público, em caráter
permanente ou transitório. Para a vítima é indiferente o vínculo do causador do dano com a
Administração, sendo necessário apenas que esteja a serviço do Poder Público para que se
aplique a responsabilidade do Estado.

Correto
A jurisprudência tem entendido no sentido de que caso se comprove a culpa da Administração, e
apenas assim, pode-se responsabilizar o Estado nas depredações causadas por multidões.

Errado
Segundo o Artigo 37 da CF/88: “A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados
por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as
respectivas ações de ressarcimento”. O Direito de regresso prescreve em 20 anos. A previsão
destacada em negrito é feita de forma que a ação de ressarcimento seja imprescritível.

Errado
Nos atos de gestão o estado estrangeiro responde por seus atos de acordo com o Direito Interno
do país, nos atos de império há imunidade de jurisdição (esta questão não é totalmente pacífica).
Em qualquer dos casos, só se atribui responsabilidade à União caso esta também tenha culpa no
dano provocado por estes atos.
3 – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) – Técnico de Nível
Superior

Errado
Há a possibilidade do judiciário controlar o mérito do ato administrativo quando este extrapole a
Lei. Esse controle encontra fundamento nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, hoje
presentes no ordenamento pátrio a fim de flexibilizar o principio da legalidade, permitindo maior
fiscalização da discricionariedade administrativa, de modo a evitar o abuso de poder, e
conseqüente desvio de finalidade, retirando do mundo jurídico o ato administrativo despido de
interesse público. O principio da razoabilidade é um desdobramento da legalidade, importando
dizer que a sua violação traduz ilegalidade do ato.

Errado
Quando se trata de ato ilegal não se fala em revogação e sim em anulação. A anulação pode ser
feita pela Administração e pelo Poder Judiciário. Já a revogação é restrita a própria Administração,
e se faz por motivo de conveniência e oportunidade.

Errado
Conforme o Artigo 54 da Lei 9784/99: “O direito da Administração de anular os atos administrativos
de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data
em que foram praticados, salvo comprovada má-fé”.

Errado
O caráter discricionário do Poder disciplinar reside na aplicação, baseada em conveniência e
oportunidade, de uma das sanções previstas em lei e/ou regulamento; e também no juízo subjetivo
da infração, diferente do juízo penal. Porém a aplicação da pena é um poder-dever, e seu caráter
discricionário encontra limite na obrigação que se impõe à administração de, uma vez tendo
conhecimento da falta praticada pelo servidor, imediatamente instaurar o respectivo procedimento
adequado à sua apuração e, conforme o caso, a conseqüente aplicação das penas cabíveis. Não o
fazendo, incide o superior em crime de condescendência criminosa (art. 320 do CP) e ainda em
improbidade administrativa (art. 11, II, da Lei nº 8429/92).
Errado
O princípio enunciado não é o da continuidade dos serviços públicos, e sim o princípio da
igualdade dos usuários perante o serviço público.

Correto
Artigo 11, II, da Lei 8429/92. Constitui ato de improbidade administrativa contra os princípios da
Administração Pública.

4 – Ministério do Meio Ambiente – Analista Ambiental

Anulada
A Lei 8112/90 fala em 2 anos, mas com a emenda constitucional nº 19 o prazo é realmente de 3
anos de exercício. A perda do cargo só pode ser então conforme mencionado (Artigo 22 da Lei
8112/90). A anulação se deveu a outro dispositivo previsto na EC19.

Errado
Os prazos estão errados. A Lei 8112/90 fala em qüinqüênio e não decênio e o prazo é de até 3
meses. Além disso os prazos não são acumuláveis (Artigo 87).

Errado
Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver impedimento legal, delegar parte da
sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente
subordinados, quando for conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social,
econômica, jurídica ou territorial. Porém não podem ser delegadas as matérias de competência
exclusiva do órgão administrativo (Lei 9784/99, Artigos 12 e 13).
Correto
Esta é uma das vedações enumeradas no item XV do Código.

5 – Ministério Público do Estado do Amazonas – Diversos Cargos

Correto
Apesar de só ter sido acrescentado à Constituição pela EC19/98 (que realmente é chamada de
reforma administrativa) o princípio da eficiência já estava presente na legislação infraconstitucional.
O princípio da eficiência não deve ser confundido com apenas boa administração ou moralidade. A
eficiência envolve o atendimento do cidadão de forma ágil, com adequada organização e
aproveitamento dos recursos disponíveis.

Correto
Assim como pode, por conveniência e oportunidade, revogar atos que considere como não sendo
adequados ao interesse público.

Errado
Pelo princípio da continuidade do serviço público e pelas clausulas exorbitantes, que caracterizam
a supremacia do poder público sobre o particular, não pode o particular invocar a exceção do
contrato não cumprido. O particular precisa recorrer ao Judiciário e existe previsão legal para o
caso da inadimplência em prazo superior a 90 dias, evitando ônus insuportável para a empresa
prestadora de serviço.
Correto
Dependendo da importância do ato seria interessante a divulgação em jornal diário de grande
circulação.

Correto
As cláusulas exorbitantes fazem com que a Administração tenha privilégios unilaterais, que não se
pensariam em um contrato particular. Exemplos de cláusulas exorbitantes são retomada de objeto,
rescisão unilateral, dentre outras.

Errado
Diz-se que um bem está afetado quando está sendo utilizado para um fim público determinado,
seja diretamente pelo Estado, seja pelo uso de particulares em geral. É a atribuição a um bem
público de sua destinação específica. Pode ocorrer de modo explícito (Lei) ou de modo implícito
(não determinado em Lei). Para ser alienado, o bem não poderá estar afetado a um fim público.

Correto
No princípio da legalidade a Administração nada pode fazer senão o que a lei determina. Trata-se
de uma relação de subordinação para com a lei. Pois se assim não o fosse, poderiam as
autoridades administrativas impor obrigações e proibições aos administrados, independente de lei.
Daí decorre que nessa relação só pode fazer aquilo que está expresso na lei. É diferente do
particular, que pode fazer tudo, desde que não aja contra a Lei. Conforme a CF/88: “ninguém será
obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (Artigo 5º, II).

Errado
Fere o princípio da moralidade e não o da eficiência.
Errado
Segundo o Artigo 37, § 6º : “as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado
prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou
culpa”. Portanto, apenas as pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público são
atingidas pela responsabilidade civil objetiva. As empresas públicas e sociedades de economia
mista respondem por responsabilidade civil subjetiva. Há de se observar também se o ato foi
comissivo ou omissivo.

Errado
O Artigo 109, I da CF/88 diz: “Aos juizes federais compete processar e julgar: I - as causas em que
a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de
autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as
sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho”. Como se vê, as sociedades de economia com
mista não se enquadram entre aquelas que receberam foro privilegiado. Segundo a Súmula 517 do
STF: “As sociedades de economia mista só tem foro na justiça federal, quando a união intervém o
assistente ou opoente”.

Errado
O sistema jurídico brasileiro não adota a teoria do risco integral, embora alguns a enxerguem na
CF/88, e sim a teoria do risco administrativo, pela qual quando há comprovada culpa exclusiva da
vítima, caso fortuito e de força maior não se responsabiliza a Administração.
Errado
Prova real é aquela que envolve bem extrínseco e distinto do indivíduo (cadáver, arma, vestígios,
etc.) e prova pessoal é aquela que depende da conduta humana para existir (confissão,
testemunho, conclusão pericial). Portanto, o laudo é uma espécie de prova pessoal. Uma
observação se faz necessária nesta questão. Até este ano o Artigo 159 do CPP dizia ser
necessário que as perícias fossem feitas por dois peritos oficiais. Porém, com a Lei 11690 de 9 de
Junho de 2008, a nova redação é: “O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados
por perito oficial, portador de diploma de curso superior”.

Errado
O princípio da liberdade de prova pode ser definido como o direito que têm as partes dentro do
processo penal, de provar através de qualquer meio de prova, todos os fatos relevantes ao
processo, sempre e quando a incorporação dos mesmos. Este limite, porém, não é absoluto sendo
limitado pela Lei, conforme nos mostra a redação dada recentemente ao Artigo 157 do CPP, pela
Lei 11690/08: “São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas,
assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. § 1º: São também
inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de
causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte
independente das primeiras”.

Errado
Fatos incontroversos são aqueles aceitos expressa ou tacitamente pela parte contrária. No
processo penal, ao contrário do processo civil, em face do princípio da verdade real, que obriga o
juiz a procurar a verdade dos fatos, independentemente da verdade formal produzida nos autos do
processo. Assim, mesmo os fatos admitidos pela parte contrária não dispensam dilação probatória.
Pelo mesmo motivo, no processo penal, a confissão não constitui prova absoluta, devendo vir
reforçada por outros elementos probatórios.

Correto
É o que se entende da leitura dos Artigos 5º, §3º; 27 e 46, §1º do CPP.
Errado
Segundo o entendimento do STF, na Súmula 608: “No crime de estupro, praticado mediante
violência real, a ação penal é pública incondicionada”. Portanto não é necessária a representação
para a ação pública. Porém, neste caso está presente a representação e portanto a ação pública é
condicionada. Quanto à ação pública o Artigo 225, §1º do CP diz: “Procede-se (no caso dos crimes
citados anteriormente, entre os quais o de estupro), entretanto, mediante ação pública: I - se a
vítima ou seus pais não podem prover às despesas do processo, sem privar-se de recursos
indispensáveis à manutenção própria ou da família...”

Correto
O famoso Artigo 171 do CP diz que estelionato é “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita,
em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer
outro meio fraudulento”.

Errado
Como diz o Artigo 157 do CP, roubo é “Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem,
mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido
à impossibilidade de resistência. §1º: Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a
coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade
do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.”

Errado
Segundo o Artigo 329 do CP, crime de resistência é “Opor-se à execução de ato legal, mediante
violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando
auxílio”.
Correto
Nesta teoria culpa e dolo não são relacionados com a culpabilidade, mas sim vistos como parte
integrante do fato típico. Assim, os elementos subjetivos são tirados da culpabilidade. Dolo e culpa
passam a ser parte do fato típico. A teoria finalista foi desenvolvida pelo alemão Welzel na década
de 30.

Correto
O crime de rixa é caracterizado no CP, Artigo 137: “Participar de rixa, salvo para separar os
contendores”. Para a consumação da rixa é desnecessário que resulte em lesões a qualquer dos
rixosos. Pelo princípio da autonomia a rixa é punida em razão do perigo que sua prática produz.

Errado
Mera questão de definição. Crimes monossubjetivos são os que podem ser cometidos por uma só
pessoa. Exemplos: roubo, furto, homicídio, falsificação documental, evasão de divisas etc. Crimes
plurissubjetivos é que configuram crimes de concurso necessário (de pessoas). Exemplos são o
crime de quadrilha ou bando.

Correto
Esta previsão está no Artigo 61, II, L.