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FAET – FACULDADE DE ARQUITETURA, ENGENHARIA E TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL


TURMA I1
DOCENTE: VIVIANE LAYME
DISCENTE: JÉSSICA CLOVONI BERTO DOCKHORN

OS CICLOS DA NATUREZA

Cuiabá
2011
Os Ciclos da Natureza

A vida na Terra se desenvolve através de uma reciclagem constante. Os


elementos são continuamente recriados a partir dos átomos que circulam em
cadeias biogeoquímicas. Morte e decomposição são partes de um ciclo que
possibilita novas estruturações.
Entre os mais importantes ciclos da natureza estão o da água, do
carbono, do enxofre, do fósforo e do nitrogênio, sendo que a cadeia alimentar
pode ser entendida como um ciclo de energia.

Ciclo da Água
Também conhecido como ciclo hidrológico, é a contínua circulação da
água sobre o nosso planeta.

O sol aquece a água presente nos lagos, nos rios, nos mares e nos
oceanos. Ocorre então a passagem da fase líquida para a fase gasosa da
água, conhecida como evaporação. Também há transferência da água da
superfície terrestre para a atmosfera através da transpiração dos animais e das
plantas, conhecida como evapotranspiração. A sublimação é a passagem direta
da água da fase sólida (água das geleiras) para a de vapor.

A água em forma de vapor é transportada para as regiões mais altas da


atmosfera pelas massas de ar. Ao ser submetido a baixas temperaturas, o
vapor condensa e se liquefaz, e as nuvens são formadas. As partículas de
água existentes nas nuvens colidem e vão formando gotas cada vez maiores,
que caem do céu sob a forma de chuva, neve ou granizo.

A maioria das gotículas de água das nuvens precipita sob a forma de


chuva e se acumula sobre a terra formando fluxos de água e regatos. As que
caem como neve podem se acumular no topo de montanhas ou em geleiras.
Uma parte da água que cai sobre a terra é absorvida e se infiltra no solo
formando os lençóis freáticos, rios subterrâneos e aqüíferos.

Essa água subterrânea pode aflorar na superfície sob a forma de


nascentes ou olhos-d’água, formando, em conjunto com as águas da chuva e
do degelo, os rios que abastecem os oceanos, reiniciando o ciclo novamente.

Para que o ciclo não seja alterado, temos que conservar as florestas e
mananciais e estar atentos à poluição dos oceanos.

Ciclo do Carbono

O carbono está presente na estrutura de todas as moléculas orgânicas.


Na natureza o carbono se apresenta de diferentes formas na natureza: gás,
carvão, coque, negro-de-carvão, grafite e diamante.

O Ciclo do carbono está ligado ao ciclo do oxigênio. A fixação do CO2 é


feita pelos vegetais clorofilados através do processo da fotossíntese, que
produz glicose. Através da cadeia alimentar esse açúcar passa dos produtores
(vegetais) para os consumidores (herbívoros e carnívoros) e decompositores
(bactérias e fungos).
A respiração de plantas e animais e a decomposição dos seres mortos
devolve o CO2 à atmosfera. Através da combustão de madeira, lixo, carvão e
derivados do petróleo o CO2 retorna à atmosfera.

Ciclo do Enxofre
As proteínas dependem basicamente do enxofre. O enxofre é
encontrado no solo em combinações de sais de sulfato, sulfetos e minério. Nas
proximidades de vulcões, o enxofre é encontrado na sua forma original, razão
pela qual há muitas unidades de exploração nestas regiões.

Nos sedimentos, o enxofre permanece armazenado na forma de


minerais de sulfato. Com a erosão, fica dissolvido na água do solo e assume a
forma iônica de sulfato (SO4--); sendo assim, facilmente absorvido pelas raízes
dos vegetais. Na atmosfera, o enxofre existe combinado com o oxigênio
formando, cerca de 75% dele, o SO 2 (dióxido de enxofre). Outra parcela está
na forma de anidrido sulfídrico (SO3).

Esses óxidos de enxofre (SO2 e SO3) incorporam-se ao solo com as


chuvas, sendo então transformado em íons de sulfato (SO4--). Podem, também,
ser capturados diretamente pelas folhas das plantas, num processo chamado
de adsorção, para serem usados na fabricação de aminoácidos.
O único retorno natural do enxofre para a atmosfera é através da ação
de decompositores que produzem o gás sulfídrico. As sulfobactérias realizam o
processo inverso, com uma forma de obtenção de energia para a
quimiossíntese.

A queima de combustíveis fósseis que possuem enxofre em sua


composição produz SO2 e SO3, aumentando sua concentração na atmosfera
das grandes cidades, fortemente irritantes para os olhos e pulmões.

Ciclo do Fósforo

Substâncias químicas são também necessárias para os depósitos e


processos de um ecossistema. Um dos nutrientes mais importantes para a
construção de organismos é o fósforo. Se o sistema florestal não reciclasse o
fósforo, este poderia ficar tão escasso, que limitaria o crescimento das plantas
da floresta.

As plantas obtêm fósforo do ambiente absorvendo os fosfatos


dissolvidos na água e no solo. Os animais obtêm fosfatos na água e no
alimento.
O retorno do fósforo ao meio ocorre pela ação de bactérias fosfolizantes,
atuando na decomposição de animais mortos. O fósforo retorna ao meio na
forma de composto solúvel, sendo, portanto facilmente carregado pela chuva
para os lagos e rios e destes para os mares, de forma que o fundo do mar
passa a ser um grande depósito de fósforo solúvel.

Nessa etapa que podem ocorrer sérios danos ao meio ambiente, pois se
um excesso de componentes nitrogenados e fosfatados, que são largamente
utilizados como fertilizantes, entra em um lago ou rio, esses nutrientes podem
causar aumento da população bacteriana e de algas verdes (fotossintéticas),
originando um processo conhecido como eutrofização das águas.

As aves marinhas desempenham um papel importante na restituição do


fósforo marinho para o ambiente terrestre, pois ao se alimentarem de peixes
marinhos e excretarem em terra firme, trazem o fósforo de volta ao ambiente
terrestre.

Ciclo do Nitrogênio
O principal nitrogênio é encontrado principalmente na atmosfera (78%
desta é composta por nitrogênio), onde se encontra sob a forma de gás (N2).
Outros repositórios consistem em matéria orgânica nos solos e oceanos. O
nitrogênio é usado pelos seres vivos para a produção de moléculas complexas
necessárias ao seu desenvolvimento, tais como aminoácidos, proteínas e
ácidos nucléicos.
A maioria dos organismos não consegue reter e aproveitar o nitrogênio
na forma molecular. Ele é absorvido por bactérias de vida livre que vivem no
solo e por outras que vivem em simbiose nos nódulos de raízes de plantas
leguminosas. O nitrogênio molecular é transformado em nitrato (NO3) e em
nitrito (NO2).

Depois disso, ele é incorporado ao solo, constituindo a fonte desse


elemento para os vegetais superiores. É através da atividade metabólica da
planta que os nitratos se convertem em proteínas e outros compostos
complexos que são consumidos em parte como alimento pelos animais.

Para que o nitrogênio retorne ao ambiente são necessários os processos


da decomposição e da desnitrificação. As bactérias e fungos presentes no solo
decompõem aminoácidos de organismos mortos transformando-os em amônia.
As bactérias desnitrificantes liberam o nitrogênio da amônia, dos nitritos e dos
nitratos, devolvendo-o para a atmosfera.

A fixação atmosférica ocorre através dos relâmpagos, cuja elevada


energia separa as moléculas de nitrogênio e permite que os seus átomos se
liguem com moléculas de oxigénio existentes no ar, formando monóxido de
nitrogênio (NO). Este é posteriormente dissolvido na água da chuva e
depositado no solo.

Relação Entre Ciclo Natual e Engenharia Civil

O setor da construção civil é um dos mais promissores na sociedade


contemporânea. Para manutenção das atividades do setor, as organizações
devem estar atentas às exigências do mercado para as questões ambientais, e
atuar de forma ativa para o desenvolvimento da responsabilidade sócio-
ambiental e sócio-econômica.

Reuso da Água
Tendo em vista a degradação dos recursos hídricos e a conseqüente
escassez de água em todo o mundo, torna-se importante o seu racionamento.
As empresas estão investindo cada vez mais em pesquisas para descobrir
formas de reaproveitar a água doce, sendo que o reuso da água em
edificações é perfeitamente possível, desde que a água reutilizada não seja
misturada com a água tratada.
O sistema de reuso de águas pluviais abrange desde a captação,
condução, tratamento, armazenamento, tubulações sob pressão até a sua
utilização. E encontra muitos empecilhos em sua execução, entre eles a
intensidade pluviométrica da região a ser aplicada e a área de cobertura do
telhado; estes influem na quantidade de água a ser captada. No entanto,
apesar destas desvantagens a adoção do sistema trás benefícios como:
racionamento e gerenciamento eficaz da água potável e redução na
possibilidade de posteriores enchentes.

Efeito Estufa e Aquecimento Global

A construção civil é reconhecida como uma das atividades de maior


pegada ecológica em nosso planeta. Segundo dados das Nações Unidas, a
construção consome 40% de toda energia, extrai 30% dos materiais do meio
natural, gera 25% dos resíduos sólidos, consome 25% da água e ocupa 12%
das terras. Infelizmente, a construção também não fica atrás quando se trata
de emissões atmosféricas, respondendo por 1/3 do total de emissões de gases
de efeito estufa.

O efeito estufa é um processo natural, que ocorre quando uma


parte da radiação solar refletida pela superfície terrestre é absorvida por
determinados gases presentes na atmosfera. Como conseqüência
disso, o calor fica retido, não sendo liberado ao espaço. O efeito estufa
dentro de uma determinada faixa é de vital importância para a
sobrevivência dos seres vivos.

O uso excessivo dos combustíveis e ainda as queimadas sem


controle, liberam CO2 para a atmosfera. Os gases ficam concentrados
em determinadas regiões da atmosfera formando uma camada que
bloqueia a dissipação do calor. Outros gases que contribuem para este
processo são: gás metano, óxido nitroso e óxidos de nitrogênio. Esta
camada de poluentes funciona como um isolante térmico do planeta
Terra. O calor fica retido nas camadas mais baixas da atmosfera
originando um fenômeno conhecido como aquecimento global.
Este fenômeno está levando a terra ao desgelo, aumento do
volume de água, mudança no clima e perda de referência nas estações
do ano.
Chuva Ácida
As queimas de carvão ou de petróleo liberam resíduos gasosos, como
óxidos de nitrogênio e de enxofre. A reação dessas substâncias com a água
forma ácido nítrico e ácido sulfúrico, presentes nas precipitações de chuva
ácida.

Os poluentes do ar são carregados pelos ventos e viajam milhares de


quilômetros; assim, as chuvas ácidas podem cair a grandes distâncias das
fontes poluidoras, prejudicando outros países.

A chuva ácida pode ser responsável pela corrosão de pedra, metal ou


tinta. Praticamente todos os materiais se degradam gradualmente quando
expostos à chuva e ao vento. A chuva ácida acelera esse processo, destruindo
estátuas, prédios ou monumentos. É importante saber que reparar os estragos
causados pela chuva ácida em casas e prédios pode ser extremamente caro;
além do mais, muitos monumentos encontram-se já muito degradados e a sua
recuperação ou substituição muitas vezes é impossível.
Uma forma de minimizar a emissão de enxofre e azoto é utilizar
catalisadores nas chaminés e tubos de escape, de forma a eliminar estes
gases. Pode-se também minimizar os riscos, usando mais os transportes
públicos.

Eutrofizacao das águas

O aumento da concentração de nutrientes pode ser devido às


escorrências provenientes de zonas suburbanas, do cultivo agrícola, atividade
mineira, construção civil, descargas de detergentes e esgotos municipais, entre
outros. Estes fatores contribuem para o aumento da concentração de nutrientes
em lagos e faz com que haja um aumento exponencial de organismos.
Quando o ambiente já se encontra totalmente cheio de organismos, o
consumo de oxigênio é superior à sua produção, ou seja, há uma diminuição
do oxigênio na água, e por sua vez, a maioria dos organismos morre. Além
disso, o oxigênio é produzido, majoritariamente, por algas, se elas morrem, o
oxigênio do meio irá baixar drasticamente.

Esse consumo provoca a morte de todos os seres aeróbios, peixes, por


exemplo, contribuindo ainda mais para o aumento da quantidade de matéria
orgânica a ser decomposta. Como não há mais oxigênio, os organismos
decompositores que se desenvolvem são anaeróbios, que lançam uma
quantidade muito grande de toxinas alterando totalmente as propriedades
químicas do meio aquático, invibializando todas as formas de vida.

Os contínuos processos de exploração dos recursos naturais, madeira e


matéria-prima do cimento (calcário, argila, minério de ferro e gesso)
contribuem expressivamente para o aumento da entropia nos ecossistemas.
Esta análise decorre de um ciclo vicioso que perdura há centenas de anos,
aumento da população mundial e conseqüente crescimento da exploração
dos recursos naturais.
O setor de construção civil é responsável por uma enorme parcela de
contribuição para diminuição da qualidade ambiental, já que uma de suas
características é o desperdício de matéria-prima e insumos utilizados nos
processos construtivos.
Os estudos evidenciam a importância da preservação ambiental,
principalmente das fases iniciais da cadeia alimentar, captação de energia
solar e fotossíntese, para manutenção da vida no planeta. Para tanto, é
necessário racionalizar o consumo energético, evitar desperdícios, reduzir a
geração de resíduos e reciclá-los, sempre que possível.

"Na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma." Lavoisier.