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A História do BURZUM

Parte I - As Origens e os Significados


Como este é um website do Burzum, acredito que Você tenha um certo interesse
pelo Burzum, então contarei a Você algumas coisas sobre o Burzum que nunca
foram ditas antes. Todas as bandas têm uma origem, um começo e uma razão de
existir. Então começarei dizendo a Você por que o Burzum surgiu e também por
que terminou da maneira que terminou.

Uruk-Hai (por John Howe)

Em 1988 ou 1989, quando já estava tocando guitarra havia um ou dois anos,


fundei uma banda chamada Kalashnikov, juntamente com dois outros caras. Nós
batizamos a banda de Kalashnikov porque, entre outras coisas, esse era o nome
de meu fuzil de assalto favorito. Eu costumava jogar RPGs (Role-Playing Games)
e, quando estávamos jogando "Twilight 2000", eu sempre equipava meu
personagem com uma AK-74 (Avtomat-Kalashnikov 74). Mas eu também jogava
RPGs estilo fantasia, como AD&D ("Advanced Dungeons And Dragons") e MERP
("Middle-Earth Role-Playing") com regras GM ("Game Master"), então eu fui muito
influenciado pelo fantástico mundo da Terra-Média. Por causa disso, uma de
nossas músicas foi chamada de "Uruk-Hai" e logo mudamos o nome da própria
banda para Uruk-Hai. Não me lembro da letra daquela música, mas não acho que
era muito profunda ou avançada (o refrão era: "Uruk-Hai! You will die" [N.: “Você
vai morrer”] , ou algo parecido...). "Uruk-Hai" é, como a maior parte dos fãs de
Burzum devem saber, o nome dos "High-Orcs" de Sauron, e sua tradução é "Raça
dos Orcs", e vem da Língua Negra, o idioma de Mordor.

Na minha interpretação de adolescente eu sempre via os Hobbits como crianças


ou simplesmente personagens maçantes. Os anões me lembravam porcos
capitalistas gananciosos e eram também muito maçantes. Suas regras eram legais
e Moria era um lugar maravilhoso, mas eu odiava a ganância deles – e, além de
tudo isso, quem é que deseja ser pequeno? Os elfos eram fascinantes, belos e,
principalmente, sua imortalidade e proximidade da natureza eram características
interessantes, mas eles eram um pouco burros e lutavam pelo lado errado. Então
eu senti uma atração natural por Sauron, que era a pessoa que, antes de tudo,
dava ao mundo aventura, adversidade e desafios. Seu Olho, seu Anel e a torre de
Barad-Dur são atributos similares aos de Odin [N.: Deus dos deuses na mitologia
nórdica]. O Olho de Sauron era como o Olho de Odin, o Anel de Sauron era como
o Anel de Odin, Draupnir ("O Emissor"), e Barad-Dur era como o trono de Odin,
chamado Hliðskjálf ("Local de Rituais Secretos"). Seus Uruk-Hai e Olog-Hai ("Raça
dos Trolls") eram como guerreiros vikings, os Warges eram como lobisomens
criados por Odin, e assim por diante. Eu podia me identificar facilmente com a fúria
das “forças das trevas” e me satisfazia com a sua existência, porque eles tornavam
um mundo pacífico e chato mais perigoso e interessante.

Eu cresci lendo tradicionais contos de fadas escandinavos, nos quais deuses


pagãos eram apresentados como criaturas “malignas”, como "trolls" e "goblins", e
todos sabemos como a Inquisição transformou Freyr (Cernunnos/Dionísio/Baco et
cetera) [N.: Deuses associados à fertilidade e aos prazeres] em "Satã". Tolkien não
foi melhor do que eles. Ele transformou Odin, Sauron e meus ancestrais pagãos
nos guerreiros Uruk-Hai. Para mim, as “forças das trevas” atacando Gondor eram
como os Vikings atacando a França cristã de Carlos Magno, as “forças das trevas”
atacando Rohan eram como os Vikings atacando a Inglaterra cristã. E devo
acrescentar que os vikings acabaram perdendo essas batalhas, assim como
Sauron e os orcs – não me importo em apoiar o lado derrotado. Eu sempre
acreditei que deveria fazer o que achava certo, apesar das conseqüências e, se eu
estivesse lutando por uma causa perdida, isso não me importava. Eu prefiro morrer
lutando pelo que acredito a viver por qualquer outra causa.

Entretanto, ele não usou apenas a língua dos vikings e as línguas nórdicas para
criar os orcs e seu idioma. A palavra "Orc" é, na verdade, o nome de uma tribo que
viveu na Escócia em tempos remotos, nas Ilhas Orkney (também conhecidas como
Órcadas). "Orc" é uma palavra do idioma gaélico que, até onde sei, significa
"javali". Os cultos guerreiros das tribos nativas das Ilhas Britânicas provavelmente
usaram javalis da mesma forma que os cultos guerreiros escandinavos dos
“berserks” [N.: Algo como guerreiros implacáveis] e dos lobisomens usavam javalis
e lobos. Os "Orcs" eram parte de um grupo de tribos conhecido desde a era
romana até a época dos vikings como Pictos ("Aqueles que se pintam").

Portanto não chega a surpreender que um inglês católico como Tolkien tivesse
usado, entre outros, “Bárbaros escoceses loucos, ruivos e que brandiam pesadas
espadas” e “‘berserkers’ escandinavos furiosos, que queimavam igrejas” como
modelos para alguns de seus vilões e, por causa disso, eu me senti mais atraído
para esses vilões do que para os mocinhos. Eu tinha pouco em comum com
personagens “cristãos”, como os cavaleiros “ingleses” de Rohan ou o povo
“francês” de Gondor. Eu tinha pouca admiração por um “santo” como Aragon.
Mesmo os elfos eram como estrangeiros, já que Tolkien usou o finlandês quando
criou a língua deles e usou os finlandeses como modelo quando os criou. Eles
realmente têm muito em comum com os Elfos, já que vivem no que é basicamente
uma grande floresta (Finlândia), a leste das montanhas escandinavas (“As
Montanhas Cinzentas”). Antes eles viviam no norte da Rússia, na vasta floresta
("Myrkwood", [Negra]) a oeste dos montes Urais. Eles também têm boa aparência
(são loiros) e, como os elfos, são um pouco quietos, melancólicos, diferentes e
distantes. Misteriosos, por assim dizer. Para mim, a linguagem dos elfos soa
estrangeira e incompreensível – assim como o finlandês é incompreensível –
enquanto o idioma dos orcs e a Língua Negra obviamente foram baseados no
idioma de meus ancestrais. Então Uruk-Hai foi uma escolha lógica para o nome da
banda.

O baterista e o baixista do Uruk-Hai eram pessoas que encontrei mais ou menos


por coincidência. Eu já tinha encontrado o baterista antes, quando tínhamos (mais
ou menos) uns 12-15 anos e ele apontou um revólver Magnum .375 carregado
para minha testa na noite de Reveillon, porque ele achava que eu havia chamado
ele de “gorducho” (uma ótima desculpa para apontar uma arma para a cabeça de
alguém, é claro...). Eu não tinha chamado ele, e sim seu amigo, de “gorducho” e
contei pra ele – e foi isso o que aconteceu. “Hm, okay”, ele disse, e saiu sem mais
problemas (há, há). Seu interesse em tocar música era, eu acho o “normal” – ou
seja, ter “sexo, droga e rock’n’roll”. O outro cara do Uruk-Hai tocava baixo só pra
dar umas transadas – ele era, em outras palavras, um "rock'n'roller" estereotípico.
O ideal seria que ele tivesse tocado guitarra, já que os guitarristas são, por alguma
razão bizarra, mais populares com as garotas, mas ele nem conseguia tocar o
baixo, então...

Em 1989 encontrei os caras do Old Funeral, que eram músicos excelentes e


sérios, e abandonamos o projeto Uruk-Hai. Os outros dois membros do Uruk-Hai já
estavam brigando por uma garota e, por isso, paramos de ensaiar, então não foi
difícil acabar com o Uruk-Hai. Eu toquei com o Old Funeral por dois anos e, nessa
época, o Old Funeral deixou de ser uma banda Techno-Thrash bem legal e virou
uma banda de Death Metal chata. Isso não foi minha culpa, porque eles já tinham
mudado do Techno-Thrash pro Death Metal quando me juntei a eles. Essa foi a
razão pela qual deixei o Old Funeral, já que eu queria tocar meu próprio tipo de
música, algo mais original e pessoal do que aquilo que tocávamos no Old Funeral
naquela época (1989-1991).

(Você deve ter notado como o nome era idiota: Old Funeral. Mas, a favor deles,
devo dizer que acho que eles se chamavam originalmente apenas Funeral. Então
descobriram que outra banda também se chamava Funeral, mas eles já tinham
usado aquele nome antes da outra banda Funeral, então eles mudaram para Old
Funeral. Eles eram, em outras palavras "the old Funeral" [N.: o “velho” Funeral], e
não Old Funeral, então o nome não é tão idiota como parece à primeira vista).

Ao invés de reiniciar o projeto Uruk-Hai, eu mudei o nome e decidi fazer tudo


sozinho, embora tenha usado alguns riffs do Uruk-Hai. Eu não queria tocar ao vivo
e meus motivos para tocar música eram bem diferentes da tradicional motivação
“rock’n’roll”. Enquanto tocava no Old Funeral eu mantive meu interesse por RPGs
e ainda era muito influenciado pela magia da fantasia. Acho que já disse antes que
o conceito do Burzum baseava-se o ocultismo, mas o mais correto a dizer é que se
tratava de um conceito mágico, ou um conceito construído sobre a magia
fantástica. Tudo que se referia ao Burzum não era deste mundo, até o nome.

Como eu disse antes, quando os cristãos chamaram os deuses de meus


ancestrais de “demônios”, "trolls", "goblins" e tudo o que era considerado
“maligno”, eu naturalmente me senti atraído por tudo que era visto como “maligno”
pelos cristãos. Essa é uma reação um pouco imatura, talvez, mas eu era
adolescente, então não via problema algum. Eu ainda tinha essa atitude em 1991,
e Uruk-Hai era um excelente nome, mas eu sentia que estava começando tudo de
novo, então eu precisava também de um novo nome. Como a grande parte dos fãs
de Tolkien deve saber, "burzum" é uma das palavras que estão escritas em Língua
Negra no Anel de Sauron. Se bem me lembro, a última sentença é "ash nazg
durbabatuluk agh burzum ishi krimpatul", que significa "um anel para atrair todos
eles e uni-los através da escuridão". A “escuridão” dos cristãos era, claro, minha
“luz”. Portanto, para mim foi natural usar o nome Burzum.

Muitas bandas (exceto Old Funeral, é claro ) tinham nomes ingleses “maneiros”,
como Immortal, Mayhem, Darkthrone, Destruction, Celtic Frost, Enslaved,
Pestilence, Paradise Lost, Morbid Angel, Death, e assim por diante. Eu não queria
isso e essa foi uma das razões que me levaram a escolher os nomes Uruk-Hai e
depois Burzum. Naquela época – antes do lançamento dos filmes da série “Senhor
dos Anéis” dirigidos por Peter Jackson – seu significado era praticamente solis
sacerdotibus: só os iniciados, por assim dizer, sabiam o que significava. Somente
pessoas que tinham um interesse especial no mundo de Tolkien sabiam, e isso era
legal – era assim que eu pensava. Isso permitia que os ouvintes se sentissem
especiais e percebessem que Burzum era feito especialmente para eles (e era).

A idéia por trás do Burzum não era somente fazer música original e pessoal, mas
também criar algo novo – um pouco de “escuridão” num mundo “luminoso”, seguro
e maçante demais. Diferentemente de 99% de todos os músicos, eu não tocava
música para me tornar famoso, ganhar dinheiro e dar umas transadas. Eu não
tinha interesse em fama ou dinheiro e minha visão sobre as mulheres era muito
ingênua e romântica, uma visão quase medieval (ou de um mundo de fantasia)
sobre as mulheres, então eu não tinha nada além de desprezo pela atitude
estúpida “sexo, drogas e rock’n’roll” do resto do pessoal do metal. Ao invés disso,
minha motivação era um desejo de experimentar a magia e tentar criar uma
realidade alternativa usando a “magia”. Se o poder espiritual de muitas pessoas
pode ser “reunido” em um pote, ou transferido através de um objeto ou ser mágico
(em norueguês chamamos isso de fylgja ["seguidor", "espírito guardião"]), ele
poderia ser usado para criar algo real. Isso é um pensamento puramente mágico e,
ao invés de ser baseado em ocultismo é baseado em magia e fantasia – e isso é
algo sobre o qual é interessante pensar. Burzum foi criado para ser esse pote, a
arma mágica (ou se Você preferir, o anel mágico), por assim dizer. Devo enfatizar
(no caso de Você pensar que acabei de descrever tudo que se passava em minha
mente) que esse era um projeto experimental que tomava apenas parte de meu
tempo, já que eu também fazia outras coisas na vida (como me preparar para uma
guerra de guerrilha no caso de uma invasão da Noruega pelos EUA... ).

Se as pessoas soubessem que o Burzum era apenas a banda de um adolescente,


isso poderia arruinar a magia e, por essa razão, eu achei que precisava
permanecer anônimo. Então eu adotei um pseudônimo, Count Grishnackh, e usei
uma foto minha que não parecia nem um pouco comigo no álbum de estréia, para
fazer o Burzum parecer mais estranho e confundir as pessoas. E devo acrescentar
que a entrevista que gerou todas aquelas manchetes em janeiro de 1993 também
foi feita anonimamente e nunca deixei jornal algum usar meu nome ou minhas
fotos até tempos depois, quando já era tarde demais para permanecer anônimo.
Não era minha intenção tornar-me famoso (ou “infame”...) e, até quando usaram
meu nome verdadeiro na época, Kristian (do grego "Kristos", que significa "Cristo")
Vikernes, ao invés de meu pseudônimo, fiquei horrorizado – e isso foi o que
realmente pesou na balança e me fez mudar meu nome legalmente. Eu nunca
deixaria a magia do Burzum ser “arruinada” por algo assim...
Então quando arruinaram minha condição de anônimo eu tive que abandonar essa
idéia e parei de usar o pseudônimo. Eu queria que o Burzum fosse famoso, não
eu, mas isso obviamente não funcionou do jeito que eu havia planejado.

Como as pessoas envolvidas com o assunto já sabem, magia é tudo relacionado a


imaginação, simbolismo, visualização e força de vontade. Se Você imaginar algo
acontecendo em Sua mente, Você fará tal coisa acontecer – isso é, se a Sua força
de vontade for suficientemente forte ou se Você possuir “poder espiritual”
suficiente. Se um objeto simboliza um certo poder, ele se torna tal poder. É por
isso que nossos antepassados entalharam runas em rochas e pedaços de
madeira, porque as runas simbolizavam certos poderes. Isso também explica
porque os solstícios [N.: 21 ou 23 de junho (solstício de inverno no hemisfério sul e
de verão, no hemisfério norte)] e os equinócios [N.: Momento em que o Sol, em
seu movimento anual aparente, corta o equador celeste, fazendo com que o dia e
a noite tenham igual duração. Ocorre em 20 ou 21 de março e 22 ou 23 de
setembro] de inverno e de verão são tão importantes, porque eles simbolizam
eventos especiais, que são descritos em nossa mitologia. E é por isso também que
começamos a usar bijuterias, porque os diferentes metais e pedras simbolizavam
diferentes poderes no universo.

Burzum deveria ser tal símbolo. Burzum era uma tentativa de criar (ou “recriar”, se
Você preferir) um passado imaginário, um mundo de fantasia – que, por sua vez,
era baseado em nosso passado Pagão. O próprio Burzum era um feitiço. As
músicas eram como feitiços e os álbuns eram elaborados de maneira especial,
para fazer os feitiços funcionarem. O Burzum não foi concebido para shows ao
vivo e sim para ser escutado à noite, quando os raios de sol não podiam vaporizar
o poder da magia e quando o ouvinte estivesse sozinho – de preferência em sua
cama, prestes a dormir. Os primeiros dois álbuns foram feitos para o formato LP, o
que significa que cada lado é um feitiço, portanto eles não funcionam em CD, a
menos que você programe o CD player para tocar somente as faixas de um lado
do LP de cada vez. Já os últimos álbuns foram criados para CD, portanto eles não
funcionam tão bem em LP. A primeira faixa serve para acalmar ou “preparar” o(a)
ouvinte e torná-lo(a) mais suscetível à magia, as músicas seguintes levam o(a)
ouvinte à exaustão e colocam-no(a) em um estado de transe e a última faixa
“acalma” o(a) ouvinte e leva-o(a) para o “mundo de fantasia” – quando ele ou ela
adormeceria. Esse era o feitiço, a magia que tornaria o passado imaginário, o
mundo de fantasia, real (na mente do(a) ouvinte). Se Você analisar os álbuns do
Burzum e como eles são feitos, Você entenderá o que quero dizer. A última faixa
do “feitiço” (no lado do LP ou no CD) é sempre uma faixa calma (muitas vezes de
sintetizador). Se isso funciona ou não é, obviamente, outra questão, mas essa era
a idéia.

A arte gráfica dos dois primeiros álbuns foi inspirada por um módulo do AD&D (1ª
edição) chamado "The Temple Of Elemental Evil", e as artes gráficas do terceiro e
do quarto álbum foram inspiradas por tradicionais contos de fada escandinavos. Eu
nunca cheguei a ler livro algum sobre Satanismo, então aqueles que acreditam
que fui influenciado pelo Satanismo estão simplesmente enganados. Embora eu
tenha dito que era satanista durante um curto período de 1992, eu nunca fui um
satanista. Na verdade, apenas usei o termo para provocar as pessoas e marcar
minha hostilidade com relação ao Cristianismo – e enfatizar a necessidade de
“escuridão” no mundo (já que “luz” demais não ilumina nossos caminhos e nos
aquece e sim cega nossos olhos e nos queima – conforme foi claramente dito nos
álbuns "Hvis Lyset Tar Oss" e "Filosofem" [Se Você quiser saber mais sobre essa
filosofia, sugiro que leia meus artigos ou livros sobre Paganismo]).

O que me inspirou a compor a música em si também é um tanto estranho. Quando


eu era adolescente, meus amigos de RPG e eu algumas vezes pegávamos
bastões de madeira, lanças e espadas e íamos para o campo lutar entre nós. Não
tínhamos nenhum outro motivo para lutar além da diversão e ninguém tentava
machucar ninguém. Nós nunca tentávamos atingir a cabeça de nossos oponentes
ou outras áreas “vulneráveis” (onde se localiza o “cérebro” do homem...) e não
usávamos muita força. Mesmo assim nós nos machucávamos por acidente e a luta
nunca parava até que pelo menos um de nós sangrasse, quase sempre nos dedos
ou punhos, ou que um de nós achasse que já tinha sentido dor demais por um dia.

Nós lutávamos principalmente em três lugares: Um era na floresta, perto de um


velho e isolado cemitério para vítimas da lepra, da gripe espanhola ou da Peste
Negra, não me lembro exatamente. A floresta era bem fechada e o terreno era
acidentado, então nós freqüentemente caíamos, ou rolávamos, pelas encostas de
pequenos montes, pelos arbustos e caíamos em árvores apodrecidas – enquanto
tentávamos evitar os golpes de nossos oponentes.

O outro lugar era uma colina arborizada com um antigo horg (um monumento de
pedra pagão) a cinco minutos a nordeste de onde eu fui criado. Era uma floresta
decídua [N.: que mudava conforme a estação], então era muito diferente da outra
floresta (de pinheiros) na qual costumávamos lutar, e era um local fascinante. É
claro que trazer armas para um local sagrado e lutar nele não é, teoricamente,
uma coisa boa, de acordo com as antigas tradições, mas as armas eram feitas de
madeira e não tinham sido feitas para machucar pessoas, então aquilo não era
algo muito sério (elas estavam mais para varinhas de mágicos do que para outra
coisa).

O terceiro “campo de batalha” eram as ruínas de um velho monastério que ficava a


uns três ou quatro minutos a sudoeste do local onde o pessoal do Immortal foi
criado. O monastério foi incendiado pelos vikings no séc. VIII, pelo que me lembro.
A propósito, aquele foi o primeiro monastério construído na Noruega – e não chega
a ser nenhuma surpresa que sua existência como monastério tenha sido curta. Os
monges (provavelmente britânicos) foram esquartejados ou jogados em um
pântano nos arredores para se afogarem.

Era sempre muito bom voltar pra casa e tomar um banho quente depois dessas
lutas: suados, encharcados, com hematomas, sempre sangrando e com espinhos
ou folhas de pinheiro em nossas roupas (e até no cabelo). Eu me sentia como se
tivesse voltado pra casa depois de uma batalha real. Exausto – e me sentindo vivo.

Entretanto, as pessoas que viviam no local reagiam um pouco à nossa presença.


Uma vez eu pulei de um arbusto – depois de esperar para emboscar os outros
caras – e surpreendi uma família que estava apenas caminhando. Meu cabelo era
longo e tinha alguns pedaços de musgo e espinhos de pinheiro, eu estava usando
roupas escuras com temática Death Metal e ainda tinha um bastão nas mãos,
então eles não ficaram muito contentes em me ver. Devido ao risco de encontrar
gente “normal” desfrutando da liberdade da Mãe Natureza, fomos forçados a lutar
quando o risco de encontrar gente “normal” fosse mínimo. Em outras palavras,
esperávamos até tarde da noite. Nós às vezes trazíamos tochas ou acendíamos
uma fogueira, para podermos ver na escuridão e também, é claro, as noites de
verão escandinavas não chegam a ser muito escuras, e continuávamos lutando.

Inicialmente eu praticava esse jogo de luta com alguns amigos de RPG mas,
quando encontrei os caras do Old Funeral (e do Amputation, depois Immortal), nos
também começamos a fazer isso. Esse era um evento social para nós e durante os
intervalos falávamos de música, alguns planejavam shows ao vivo e nós
geralmente inspirávamos uns aos outros – antes de chegarmos em casa no meio
da noite e tocarmos música!

(Devo acrescentar que, quando fui preso por matar Euronymous, essas lutas foram
descritas como “rituais satânicos noturnos” pela mídia, só para dar a Você um
exemplo de como eram ridículos e falsos os rumores e as acusações de
“Satanismo” propagados pela mídia).

O clima da floresta, o clima da noite, o clima do antigo local sagrado, a dor dos
hematomas e pequenos ferimentos, o gosto dos espinhos dos pinheiros, da terra e
do sangue, e o cheiro da madeira queimando: Essa era a nossa (ou pelo menos a
minha) inspiração. Sempre que voltava para casa, depois que já tinha passado dos
17 anos e troquei meu ciclomotor [N.: bicicleta dotada de motor] por um carro, eu
tocava música bem alto no som do carro e sempre dava longos passeios pelos
vales e florestas durante a noite, e através da cidade ou zonas rurais, antes de
finalmente chegar em casa. O som monótono do motor do carro e a música alta
eram hipnóticos e, é claro, eu era influenciado pelas endorfinas também, já que
meu corpo estava lutando contra a dor dos hematomas e outros ferimentos. Essa
era uma “escuridão” positiva em nosso mundo de “luz” – e isso me inspirou, além
de me fazer sentir vivo.

Nesse primeiro período do Burzum – entre 1991 e 1992 ou agosto de 1993 – eu


praticamente compus toda a música de todos os álbuns. Os álbuns "Dauði Baldrs"
e "Hliðskjálf" são, em sua maior parte, reconstruções de riffs esquecidos ou
versões de sintetizador de velhos riffs de guitarra do Burzum ou até mesmo velhas
músicas não lançadas, então eles também foram feitos praticamente nesse
período. De certa forma essa pode ser considerada a Era de Ouro do Burzum –
que teve seu fim esperado quando fui preso em agosto de 1993.

Na época em que comecei com o Burzum ainda não tinha ouvido falar do Venom,
então logicamente o Burzum não foi – como alguns alegaram – influenciado pelo
Venom, de forma alguma. Quando eu dirigia de volta para casa depois das lutas
de “espada”, ouvindo música, eu costumava escutar uma fita demo do Paradise
Lost, lançada em 1989 ou 1990 eu acho; "Hammerheart" e "Blood. Fire. Death”, do
Bathory; a fita demo do Old Funeral, chamada "Abduction Of Limbs" (...);
Pestilence (uma banda holandesa de Death Metal, pelo que me lembro) e algumas
outras bandas underground de Death Metal que não me lembro hoje. Ouvia ainda
house underground e techno (mas apenas quando estava sozinho, porque fãs de
metal não parecem gostar desse tipo de música) e, é claro, eu ouvia Burzum. Os
outros caras gostavam de Entombed e Morbid Angel, mas eu nunca gostei e nem
ouvi. A propósito, ninguém ouvia Venom mas, no final de 1991, começamos a
ouvir Celtic Frost e Destruction antigos, os primeiros do Kreator ("Pleasure To Kill"
e "Endless Pain") e (também os primeiros) álbuns do Bathory que, a propósito,
todos nós achávamos que era Thrash Metal. Entombed e outras porcarias do
Death Metal que estavam na moda foram esquecidos por eles. Sei que os caras do
Emperor ouviam Merciful Fate e King Diamond ao invés das, ou talvez além das,
bandas que mencionei acima, coisas que eles escutavam nos anos 80, então não
se pode sair por aí afirmando que alguém devia ouvir essa ou aquela banda.
Escutávamos aquilo de que gostávamos. Em 1992 eu (e pelo menos um dos caras
do Emperor) também começamos a escutar Dead Can Dance, "Within The Realm
Of A Dying Sun" e outros sons desse tipo. Nós estávamos simplesmente cansados
das hordas maçantes, modistas e repetitivas de bandas de Death Metal que
produziam toneladas de álbuns ruins que soavam todos da mesma forma e
voltamos a ouvir o que ouvíamos antes ou tentávamos encontrar outro tipo de
música. É claro que continuei escutando bons lançamentos de Death Metal, como
a demo do Paradise Lost que mencionei antes, e sei que os outros ouviam o "Altar
Of Madness", do Morbid Angel, e Deicide (quando eles lançaram seu álbum de
estréia, em 1992, eu acho).

[N.:
“Drifting
In the Air
Above a Cold Lake
Is a Soul
From an Early
Better Age
Grasping for
A Mystic Thought
In Vain...but Who's to Know
Further on Lies Eternal Search
For Theories to Lift the Gate
Only Locks Are Made Stronger
And More Keys Lost as Logic Fades
In the Pool of Dreams the Water Darkens
For the Soul That's Tired of Search
As Years Pass by
The Aura Drops
As Less and Less
Feelings Touch
Stupidity
Has Won too Much
The Hopeless Soul Keeps Mating”.

“Movendo-se
No ar
Sobre um lago gélido
Há uma Alma
De velhos
E melhores tempos
Ansiando por
Um pensamento místico
Em vão... mas quem sabe
Adiante estará a busca eterna
Por teorias que abram o portal
Somente fechaduras são mais fortes
E mais chaves são perdidas quando a lógica desaparece
No lago de sonhos a água escurece
Porque a Alma está cansada de procurar
Os anos passam
A aura some
E cada vez menos
Os sentimentos tocam
A estupidez
Está dominando
A Alma desamparada continua procurando seu par”]

Isso era, na verdade, tudo o que eu tinha pra dizer e as outras letras do Burzum
eram apenas comentários sobre esta. O último verso era "the hopeless soul keeps
mating", mas na capa estava escrito erroneamente "the hopeless soul keeps
waiting" [N.: “A Alma desamparada continua esperando”] devido a um erro de
Euronymous, que administrava a gravadora (DSP) que lançou o álbum pela
primeira vez. Aparentemente minha letra de mão era difícil de ler. Além disso, a
música "Ea, Lord Of The Deeps" [N.: “Ea, Senhor do Abismo”] foi mudada para
"Ea, Lord Of The Depths" [N.: “Ea, Senhor das Profundezas”], mas obviamente
Euronymous achou melhor mudá-la.

A magia era necessária somente porque eu não estava satisfeito com o mundo
real. Não havia aventura, medo, trolls, dragões ou mortos-vivos. Não havia magia.
Então percebi que eu mesmo precisava criar a magia. Porém, foi muito triste ver
essa magia ser arruinada ou pelo menos enfraquecida em 1993, quando a mídia
começou a escrever sobre ela, e ver muitas antigas bandas de country, rock e
Death Metal da Noruega subitamente tingirem seus cabelos e começarem a usar
“corpse-paint” e a tocar Black Metal; para ficarem famosas, ganharem dinheiro e
darem umas transadas – e não para mudarem o mundo. Com certeza eles não se
importavam com a magia, mas, em sua defesa, devo dizer que nunca mostraram
muita magia para eles. A mídia distorceu demais as coisas, como sempre fazem.
As novas bandas fizeram que o Black Metal se tornasse parte do mundo moderno,
ao invés de uma revolta contra essa realidade, que é o que deveriam ter feito
Talvez eles tenham se sentido atraídos porque a magia funcionou, porque se
sentiram atraídos por algo que era especial. Eu não sei. Só sei que não gosto de
ver no que isso tudo se transformou: somente uma outra subcultura do tipo “sexo,
drogas e rock’n’roll” sem imaginação e que é parte do mundo moderno. Isso se
tornou parte da política “pão e circo” dos opressores – tornou-se parte do
problema.

Minha esperança era de que o Burzum pudesse inspirar as pessoas a desejar uma
nova e melhor realidade no mundo real e a fazer alguma coisa a respeito. Talvez
se revoltar contra o mundo moderno, recusando-se a participar do estupro da Mãe
Terra, recusando-se a participar do assassinato de nossa raça européia,
recusando-se a se tornarem parte de alguma dessas subculturas “rock’n’roll”
criadas pela mídia e construindo novas e saudáveis comunidades, onde a cultura
Pagã – e a magia, se Você assim preferir – possa ser cultivada.

Obrigado pelo seu interesse no Burzum.


Varg Vikernes

Dezembro de 2004

“A Europa não é um termo geográfico, e sim biológico”.


Parte II - A morte de Euronymous
De certa forma, tem sido interessante ver como algumas pessoas sentem a
necessidade de criar histórias sobre o motivo pelo qual eu acabei matando
Euronymous. Mas é triste ver que essas pessoas criam histórias somente porque a
verdade é inconveniente para elas.

Euronymous sem a maquiagem

Em 1991 a maior parte dos músicos de metal da Noruega acreditava que


Euronymous era um cara legal, mas no segundo semestre de 1992 a maior parte
de nós percebeu que ele não era assim. Quando a DSP (Deathlike Silence
Productions), sua gravadora, lançou o álbum de estréia do Burzum em março de
1992, ele teve que fazer um empréstimo para poder pagá-lo. Ele não tinha dinheiro
para isso, então ele tomou emprestado de mim. Quando vendeu todos os álbuns
do Burzum ele pagou suas contas particulares ao invés de prensar mais cópias –
ou devolver o dinheiro que me devia (e, a propósito, eu também nunca vi o
dinheiro dos royalties). Então depois de vender tudo ele não tinha dinheiro para
prensar mais cópias. Essa é provavelmente a razão que levou muitos a
acreditarem que eu o matei por dinheiro, mas certamente eu não conseguiria meu
dinheiro de volta matando ele. Quebrar as suas pernas poderia ter funcionado,
mas matá-lo não. Eu sempre posso ganhar mais dinheiro se quiser, mas eu nunca
invisto mais do que aquilo que posso perder. Tenho uma relação bem tranqüila
com o dinheiro, então esse rumor é simplesmente estúpido, mesmo porque
estamos falando de apenas umas 36.000 coroas norueguesas (por volta de 5.100
dólares, equivalente a um salário mensal médio na Noruega).
Eu agüentei as conseqüências de sua incompetência e estupidez e fundei meu
próprio selo, chamado Burznazg (que, na Língua Negra de Tolkien, significa “Anel
Negro”) e que depois (no final de 1992) foi mudado para Cymophane (em grego:
“Acenar para aparecer”, o nome de uma pedra que tem a forma de um olho) e
decidi fazer tudo sozinho. Eu não precisava dele. Tudo o que ele fez foi sentar sua
bunda gorda em sua loja, beber Coca Cola e comer kebab [N.: espetos de carne
estilo árabe]. Sua loja estava indo por água abaixo e era apenas uma questão de
tempo antes dele (e portanto da DSP) ir à falência.

Mas ainda não tínhamos cortado relações com ele, não completamente, e, como
última tentativa de manter sua loja funcionando, concordamos que eu deveria dar
uma entrevista a um jornal para atrair alguma atenção para o metal. Ele não tinha
mais álbuns do Burzum, mas ainda tinha outros álbuns para vender em sua loja.
Quando eu dei a entrevista anônima em janeiro de 1993 eu exagerei bastante e,
quando o jornalista foi embora, nós – uma garota e eu – demos umas boas
risadas, porque ele não pareceu ter entendido que eu estava zoando com ele. Ele
levou tudo muito a sério. Infelizmente, ele procurou a polícia no dia seguinte (19),
fui preso e, no dia 20, seu jornal publicou a sua versão do que eu tinha dito, e isso
enquanto eu estava encarcerado e incapaz de dizer a alguém que aquilo era
somente um monte de asneiras que eu tinha dito para atrair algum interesse para
um certo gênero musical – e para ajudar Euronymous a ganhar alguns fregueses e
alguns trocados.

Euronymous com a maquiagem

Porém, a parte interessante foi que, quando eu estava preso, Euronymous fechou
a loja, ao invés de tirar proveito da situação, porque seus pais acharam que a
atenção era inconveniente demais! Então o “maligno” herói do Black Metal fez o
que sua mãe e seu pai mandaram! Sim, realmente patético mas, agindo assim, ele
também fez com que todos os meus esforços fossem em vão. Eu passei seis
semanas preso por causa disso e tudo o que ele fez foi fechar a loja! Choveram
fregueses, que encontraram a loja fechada! Isso não é estúpido?!

Quando eu saí da prisão eu estava bastante desiludido por tudo o que tinha
acontecido na mídia e a polícia bagunçou tanto a minha vida quando fez a batida
em meu apartamento que foi difícil levar a Cymophane pra frente do jeito que eu
tinha planejado. Enquanto isso, a DSP assinou (provavelmente devido ao alvoroço
da mídia) um contrato de distribuição com uma empresa de Oslo [N.: capital da
Noruega] e conseguiu voltar a prensar e vender seus álbuns.

Euronymous agiu como um completo imbecil ao fechar a loja, e a maior parte de


nós concordou que ele era um grande bundão e um idiota. Eu estava furioso por
ele não ter tirado proveito da situação, que foi o que me levou a dar aquela
entrevista idiota, e não queria mais nada com ele. Não dava pra fazer negócios
com ele. Ao invés disso, consegui um contrato com uma empresa de distribuição
em Oslo para a Cymophane, e continuei sozinho.

Para mim ele nem existia mais. Quando ele me telefonou para me perguntar se
eles, os caras do Mayhem, poderiam ficar em minha casa enquanto estivessem
nos estúdios Grieghallen para terminar o álbum do Mayhem, eu disse não. E
ninguém mais em Bergen queria dar a eles um lugar para ficarem, então eles
precisaram alugar um quarto em um motel. Ninguém tinha nada contra
Hellhammer, o único outro membro do Mayhem na época, mas nós simplesmente
não queríamos nos envolver com Euronymous. Eu sempre tive um bom
relacionamento com Hellhammer, e ele também não estava muito impressionado
com Euronymous, por assim dizer. Em 1992, quando gravamos "De Mysteriis Dom
Sathanas", ele até brincou dizendo que deveríamos matar o cara!

Mayhem: Dead e Euronymous

Por alguns meses esse sentimento de desprezo por Euronymous espalhou-se pela
cena do metal, já que cada vez mais pessoas percebiam o quanto ele era idiota, e
ele me culpava por tudo isso, então começou a me odiar. Ele acreditava que o fato
das pessoas terem perdido o respeito por ele era culpa minha. De certa forma ele
estava certo, já que eu não mantinha minhas opiniões em segredo, mas acredito
que ele fez isso para si mesmo. Ele simplesmente se revelou através da maneira
pela qual reagiu aos problemas. Ele se fez de tolo. Além disso, quando a mídia
publicou todas aquelas asneiras sobre mim, ele se sentiu menos importante. De
repente ele não era mais o “personagem principal” da cena metal hardcore. Ele
acreditava que isso também era minha culpa. Essa foi provavelmente a razão pela
qual as pessoas alegaram que o assassinato foi o resultado de uma luta pelo
poder entre duas figuras importantes da cena, mas a verdade é que isso era
importante apenas para ele. Eu não dava a mínima pra isso. Eu nem mesmo me
relacionava com tanta gente ligada ao metal assim e, quando saía, preferia ir a
festas house e a um clube techno underground em Bergen chamado "Føniks"
(Fênix), enquanto a maioria dos caras do metal ia a algum local de rock'n'roll. Na
verdade, eu ia ao clube techno para fugir de todo aquele pessoal novo do metal,
porque eu não gostava da atenção que recebia deles. Eu preferia a atenção das
garotas, por assim dizer.
Algum tempo depois o Mayhem chamou um novo guitarrista, Snorre W. Ruch of
Thorns, de Trondheim, e quando ele se mudou para Bergen eu o deixei dormir em
uma cama para hóspedes na sala de meu apartamento até que ele conseguisse o
seu próprio. Nesse momento Euronymous começou a conspirar contra minha vida.
Ele queria me matar. Para ele eu era o problema, então me matando ele
acreditava que o problema desapareceria.

Snorre

Mas o problema era que ele incluiu algumas pessoas ligadas ao metal em sua
conspiração para me matar, e eles me contaram. Ele disse que contou a eles
porque ele confiava neles mas, obviamente, eles gostavam mais de mim do que
dele, podemos dizer assim. Certo dia ele telefonou para Snorre, que vivia em meu
apartamento, e Snorre me deixou ouvir o que Euronymous tinha a dizer. Ele disse
a Snorre que "Varg precisa desaparecer de uma vez por todas" e coisas desse
tipo, confirmando os planos que outros me contaram antes.

Muitos alegaram que eu exagerei em minha reação, até porque Euronymous era
um bundão mesmo, e ele não teria coragem nem para tentar me matar. Claro, ele
era um bundão, mas daquela vez ele não contou seus planos para todo mundo,
como ele costumava fazer. Mas eu levei aquilo a sério porque ele contou somente
para algumas pessoas em quem confiava, seus amigos mais próximos – ou
aqueles que ele acreditava que eram seus amigos mais próximos. Além disso, em
agosto de 1993 ele estava prestes a ser preso por quatro meses, depois de ser
condenado por ferir duas pessoas com uma garrafa quebrada, porque eles tinham
“olhado para sua namorada” em um ponto de ônibus. Ele não era um cara muito
simpático e, quando ele sentia que estava sendo posto contra a parede, ele era
bem capaz de executar seus planos. Quando sentem muito medo, mesmo os
maiores covardes tornam-se perigosos.

No mesmo dia em que ele contou a Snorre sobre suas intenções de me matar (e,
indiretamente me contou, já que eu estava ouvindo a conversa), eu recebi uma
carta dele, na qual ele fingia estar sendo bem amigável e dizia que queria me
encontrar para discutir um contrato que eu não tinha assinado ainda. Essa era a
única desculpa que ele tinha para me encontrar e parecia que ele estava armando
uma pra cima de mim. De acordo com seus “amigos”, o plano era me encontrar,
me nocautear com uma arma de choque, me amarrar e me colocar no porta-malas
de um carro. Depois ele dirigiria até uma floresta, me amarraria a uma árvore e me
torturaria até a morte enquanto gravaria tudo em vídeo.
Varg Vikernes

Minha reação foi, naturalmente, raiva. Quem diabos ele pensava que era? No
mesmo dia decidi ir de carro até Oslo, dar a ele o contrato assinado e
simplesmente dizer a ele “f*da-se” e, ao fazer isso, eliminar todas as desculpas
que ele tivesse para me contatar de novo. Mas tenho que admitir que não deixei de
considerar a possibilidade de dar umas porradas nele. Pouco antes de sair Snorre
me disse que queria ir junto, porque ele tinha alguns novos riffs de guitarra para
mostrar a ele. Eu pretendia continuar até Sarpsborg com um lote de camisetas do
Burzum (para o Metallion da revista "Slayer" pelo que me lembro) e apenas deixar
Snorre em Oslo com Euronymous. A propósito, o estranho (e desleal) Snorre não
parecia ter problema algum em ser amigo de nós dois, como uma pessoa normal
(de bom caráter) teria.

Deixamos Bergen por volta das 21:00 e chegamos a Oslo entre 03:00 e 04:00 (não
me lembro exatamente, já que isso aconteceu há mais de onze anos). Nós nos
revezamos na direção e, quando chegamos, eu estava dormindo no banco de trás.
Por causa disso eu tinha tirado meu cinto e, quando paramos, eu passei o cinto
para ele e pedi para colocá-lo em um lugar seguro. Eu tinha guardado uma faca no
cinto e ficar dirigindo com uma faca no banco de trás não é muito seguro.

Chegamos então à porta de frente do prédio e toquei a campainha. Ele estava


dormindo. Você poderia pensar que visitar pessoas no meio da noite é um pouco
estranho, mas era perfeitamente normal para nós. Muitas pessoas na cena metal
eram “criaturas noturnas”, por assim dizer. Ele perguntou quem era, e eu disse
meu nome. “Estou dormindo. Não dá pra Você voltar mais tarde?”, disse ele. “Eu
trouxe o contrato. Me deixe entrar”, eu disse e entrei rapidamente. Seu flat era no
quinto (ou quarto?) andar e comecei a subir as escadas. Snorre queria fumar um
cigarro e, como o fumo era proibido no apartamento de Euronymous (e no meu
carro), ele ficou no térreo fumando.

Euronymous estava esperando por mim na entrada, parecendo muito agitado, e


entreguei o contrato a ele. Devo acrescentar que ele estava, obviamente, bem
nervoso. O cara que ele planejava matar tinha aparecido em sua porta no meio da
noite. Então perguntei a ele que po**a ele queria e, quando dei um passo à frente,
ele entrou em pânico. Ele ficou histérico e me atacou com um chute no peito. Eu
simplesmente o joguei na porta e fiquei um pouco atordoado. Eu não estava
atordoado pelo seu chute, mas pelo fato dele ter me atacado. Eu não esperava
aquilo. Não em seu apartamento e não daquela maneira. Ele tinha começado a
treinar “kick boxing” havia pouco tempo e, como todos os iniciantes, achou que
tinha se tornado um “Bruce Lee” da noite pro dia.

Alguns segundos depois ele se levantou do chão com um pulo e correu pra
cozinha. Eu sabia que ele tinha uma faca na mesa da cozinha e pensei “se ele vai
pegar uma faca, eu também vou pegar uma faca”. A minha faca de cinto estava no
carro, porque estava no cinto que eu tinha deixado lá, mas eu tinha um canivete,
ou melhor, uma faca de bota (com uma lâmina de 8 cm) em meu bolso. Eu pulei na
frente dele e consegui pará-lo antes que pusesse suas mãos na faca de cozinha.
Nesse momento ele já tinha mostrado suas intenções então, quando ele correu pro
quarto, eu percebi que ele queria pegar outra arma. Algumas semanas antes ele
tinha dito a algumas pessoas que em breve a polícia devolveria para ele a
espingarda (a usada por “Dead” quando ele se matou), então eu percebi que era
isso o que ele estava tentando: pegar a sua espingarda (embora ele, na verdade,
não tivesse uma arma de choques ou uma espingarda em seu apartamento, eu
não sabia). Eu corri atrás dele, o esfaqueei e fiquei um pouco surpreso quando ele
saiu correndo do apartamento. Não fez nenhum sentido ele ter fugido e o que me
deixou zangado foi saber que ele tinha começado a briga mas, no momento em
que ele se deu mal ele decidiu fugir, ao invés de lutar como um homem. Isso é
algo que sempre detestei.

Euronymous

(Algumas pessoas alegaram que eu assassinei um homem indefeso e desarmado


mas, em primeiro lugar, ele tentou pegar uma faca antes de mim e certamente ele
poderia ter se armado se tivesse escolhido ficar, ao invés de fugir como um
covarde. Havia várias outras coisas em seu apartamento que ele poderia ter usado
para se defender quando ele não conseguiu pegar sua faca de cozinha).

Do lado de fora encontramos Snorre, que tinha terminado seu cigarro. Todas as
portas pareciam iguais e Snorre era um cara bem distraído, então ele acabou
subindo até o sótão, um andar acima, por engano. Confuso, ele desceu e usou seu
isqueiro para iluminar o número da porta, tentando ler para saber se era o
apartamento certo. Enquanto ele estava tentando ler o número da porta,
Euronymous saiu correndo de cueca, sangrando e gritando como um louco. Snorre
ficou tão surpreso e aterrorizado que ficou parecendo um fantasma, e pareceu que
seus olhos estavam prestes a saltar. De acordo com Snorre, ele ficou tão surpreso
e chocado que apagou e não se lembrou de nada até que momentos depois eu
perguntei se ele estava bem.

Euronymous desceu um lance de escadas e parou para tocar a campainha do


vizinho. Ele percebeu rapidamente que eu o estava seguindo, então ele continuou
a fugir escada abaixo, batendo nas portas e tentando tocar as campainhas dos
vizinhos conforme ia passando por elas, gritando por ajuda. Eu esfaqueei (três ou
quatro vezes) o seu ombro esquerdo enquanto ele corria, já que essa era a única
parte que eu podia atingir enquanto estávamos correndo. Ele então tropeçou e
quebrou uma lâmpada na parede, provavelmente com sua cabeça ou braço, e caiu
sobre os fragmentos de vidro – de cuecas. Correndo, passei por ele e esperei.
Snorre ainda estava no andar de cima e eu não tinha idéia de como ele reagiria a
tudo isso. Seria tudo uma armadilha e ele estaria participando? Ele poderia me
atacar também? Eu não sabia. Quando Snorre veio correndo ele pareceu bem
assustado e eu apenas deixei ele passar direto por mim. Aí eu percebi que ele não
fazia parte daquilo, então perguntei se ele estava bem (porque ele certamente não
parecia bem). Nesse momento Euronymous ficou de pé novamente. Ele pareceu
conformado e disse: “Já chega”, mas então ele tentou me chutar novamente e eu
acabei com ele enfiando a faca em seu crânio, pela sua testa, e ele morreu
instantaneamente. Seus olhos viraram e um gemido pôde ser ouvido enquanto
seus pulmões se esvaziavam depois que morreu. Ele caiu sentado, mas a faca
estava enfiada em sua cabeça, então eu o segurei enquanto tentava tirar a faca.
Quando puxei a faca de seu crânio ele caiu para frente e rolou por um lance de
escadas como um saco de batatas – fazendo barulho suficiente para acordar toda
a vizinhança (era uma escadaria barulhenta, de metal).

Isso pode soar como uma maneira estranha de matá-lo, mas minha faca era muito
pequena e apenas pontuda. A lâmina não era afiada. Era tão cega que eu não
conseguiria cortar um tomate em dois sem esmagá-lo. A única maneira de matá-lo
rapidamente com aquela faca seria perfurar seu coração ou crânio. De fato, eu
poderia ter sido capaz de matá-lo muito mais fácil e rapidamente se eu nem
tivesse uma faca e, ao invés disso, tivesse batido nele até a morte. A única razão
que me fez sacar a faca foi porque ele estava tentando fazer isso e eu imaginei
que seria justo se eu também tivesse uma faca, embora a que eu tinha não era
muita coisa.

Ele já havia mostrado sua intenção de me matar e, mesmo ele não sendo mais
uma ameaça direta contra mim naquele local e naquele momento, eu não senti
nenhum remorso por tê-lo matado. Sua covardia me deixou muito zangado e eu
não vi nenhum motivo para deixá-lo viver, não quando ele já tinha demonstrado
sua intenção de me matar. Se eu o tivesse deixado viver eu apenas teria dado a
ele a oportunidade de atentar contra minha vida mais uma vez no futuro.

Matar uma pessoa com uma faca cega de 8 cm é algo bem sangrento mas,
embora o sangue tenha espirrado sobre as paredes da escadaria conforme
descíamos correndo, não havia sangue no meu rosto. De qualquer forma, Snorre
tinha as chaves do carro então eu corri para impedi-lo de sair com o carro, me
deixando para trás em Oslo, encharcado de sangue. Eu peguei as chaves, abri a
porta, devolvi as chaves para ele e disse para dirigir. Eu entrei rapidamente no
saco de dormir que eu guardava no porta-malas, antes de entrar no carro, para ter
certeza de não deixar nenhuma marca de sangue no carro. Naquele momento eu
achei que era melhor tentar fugir. O que eu não sabia era que Snorre ainda estava
em choque, então ele apenas dirigiu a esmo em Oslo por 20 minutos e acabei
tendo que assumir o volante. Enquanto dirigíamos por Oslo, Snorre viu um agente
policial na estrada para Bergen nos arredores de Oslo, então tivemos que ir por
outro caminho. Dirigimos para o norte na direção de Trondheim e logo depois
desviamos para oeste. Eu parei perto de um lago e tirei todas as minhas roupas.
Eu amarrei pedras nelas e nadei até deixá-las afundar onde o lago era mais
profundo. Por sorte, eu ainda tinha as camisetas que pretendia vender em
Sarpsborg (como disse, para o Metallion, pelo que me lembro), e Jørn of Hades
tinha esquecido um agasalho de moletom (ironicamente, um moletom do Kreator,
com os dizeres "Pleasure To Kill" [N.: “Prazer de Matar”]), então eu também tinha
um moletom limpo (bem, não exatamente “limpo”, mas pelo menos não estava
encharcado de sangue). Finalmente, eu tinha uma calça muito, muito suja que
estava jogada havia muito tempo no banco de trás, então eu tinha um conjunto
quase completo de roupas. Dirigir como um “soldado” e sem meias não seria um
problema.

(Snorre depois mostrou à polícia onde eu tinha jogado as roupas, mas tudo o que
eles conseguiram achar foi uma camiseta com a figura de um viking e o texto:
“Noruega: Terra dos Vikings”, que não tinha traços de sangue. Tudo o mais havia
desaparecido e mesmo mergulhadores não conseguiram encontrar coisa alguma.
Eles não tinham absolutamente prova nenhuma de que a camiseta pertencia a
mim [e quem neste mundo esperaria que eu usasse uma camiseta com esse
tema?]. As outras peças de roupa provavelmente tinham afundado na lama
espessa do fundo do lago, como era de se esperar).

Um amigo nosso ainda estava em meu apartamento. Quando decidi ir a Oslo


estávamos assistindo a alguns vídeos e comendo pizza e, quando saímos, permiti
que ele ficasse para terminar de assistir aos filmes e de comer. Naquele momento
eu queria que ele saísse do apartamento, no caso da polícia já estar sabendo do
que tinha acontecido. Paramos em Hønefoss perto de uma cabine telefônica,
apenas para dizer ao cara para sair de meu apartamento. A primeira cabine que
vimos estava rodeada de adolescentes, e não queríamos que ninguém nos visse
no leste da Noruega naquele momento, então continuamos andando até achar
outra cabine telefônica. Como eu estava dirigindo, Snorre saiu para telefonar,
quando um carro da polícia passou descendo a estrada. Aparentemente os
adolescentes tinham arrebentado a cabine telefônica antes de irem arrebentar a
seguinte e alguém chamou a polícia. Quando o policial chegou e nos viu ele
pensou que éramos as pessoas que ele estava procurando (esse foi ou não foi um
bom exemplo da “Lei de Murphy” em ação?). O telefone estava quebrado e Snorre
voltou pro carro. Eu dirigi, com a viatura a uns noventa metros atrás de nós, e
percebi que, se ele nos parasse e simplesmente anotasse nossos nomes, seria
impossível conseguir um álibi. Então eu acelerei cada vez mais, com a viatura logo
atrás na mesma velocidade e, quando chegamos à estação de trem em Hønefoss
eu virei à direita e dirigi como um completo maluco (pneus cantando, rodas
patinando, saindo de traseira em cada curva e tudo o mais que se poderia esperar
de uma fuga típica de filme “B”). Eu estava dirigindo um VW Golf e estávamos indo
tão rápido que, antes que percebêssemos, estávamos na auto-estrada para
Bergen novamente – e tínhamos nos livrado da polícia. Ele provavelmente nem
tinha se preocupado em nos perseguir (ou, o que é pouco provável, não tinha
conseguido nos acompanhar), já que uma investigação posterior (feita pela polícia)
mostrou que ele nem mesmo relatou o incidente para seus superiores.

Naquele momento eu achei que eles poderiam já estar nos procurando e, para o
caso de já estarem, eu sugeri a Snorre que eu deveria deixá-lo em uma estação de
trem, num local chamado Gol, a caminho de Bergen. Se a polícia me parasse eu
estaria sozinho e ele não teria problemas. Ele recusou a oferta e voltamos para
Bergen sem quaisquer incidentes. A primeira coisa que fiz foi visitar uma gráfica
para conseguir um álibi e depois fui me encontrar com o cara que havia ficado em
meu apartamento, para dizer a ele que precisávamos conversar, para também
conseguir um álibi. Snorre já havia dito a ele pelo telefone que “algo havia
acontecido” em Oslo, quando paramos em uma cabine telefônica perto de Voss,
algum tempo depois de termos saído de Hønefoss. Inventamos uma história e tudo
parecia bem.

Então eu pude finalmente ir pra casa e dormir um pouco. Depois de uns 20


minutos de sono, a campainha tocou e apareceu um jornalista que queria falar
comigo sobre a morte de Euronymous, que já havia sido descoberta (por volta das
11:00) e eu disse a ele que eu estava muito cansado para conversar com ele.
Afinal, eu já estava sem dormir havia bastante tempo (embora eu não tenha dito
isso a ele...). No dia seguinte, lemos nas primeiras páginas que “O ‘Conde’ [N.: de
‘Count Grishnackh’] está desconsolado! Ele ficou tão triste ao ouvir as notícias
sobre a morte de seu melhor amigo que ele nem conseguiu falar conosco sobre o
assunto”. Bastante irônico, Você não acha? Isso serve para mostrar como não dá
para confiar nas histórias contadas pela mídia!

Algumas pessoas, por alguma razão bizarra, alegaram que eu matei Euronymous
por causa de uma garota e, portanto, devo acrescentar que minha namorada da
época (e de abril de 1993 até 1998) nem sabia quem ele era. Ela nunca tinha
ouvido falar dele até eu matá-lo (e posso dizer que ela não era nem mesmo uma
“metalhead”, mas uma garota “comum” que ouvia música pop). Então ela,
obviamente, não tinha nada a ver com tudo isso e eu com certeza não o matei por
causa de uma garota. Até onde eu sei Euronymous nunca teve uma namorada,
então essas pessoas que estavam espalhando esse boato idiota não poderiam
estar falando de sua namorada.

Mesmo as pessoas que me criticam por ter matado um conterrâneo norueguês


estão erradas. Euronymous era, na verdade, lapão [N.: Originário da Lapônia,
região do norte da Europa que abrange partes da Noruega, Suécia, Finlândia e
Rússia], o que pode ser claramente visto pelas fotos dele. Suas feições de lapão
(mongóis) são claramente visíveis, seu cabelo era tipicamente lapão (fino e reto) e
sua estatura também era reveladora (como a maior parte dos lapões, ele era muito
baixo).

O problema era que Snorre ainda estava em choque. Tenho que admitir que nada
disso me afetou. Não se tratava de um grande problema; um criminoso que tinha
planos de me matar estava morto. E daí? Não vejo nenhuma razão para ter pena
de uma pessoa que planejava me torturar até a morte enquanto gravava tudo para
sua própria diversão.

A polícia queria falar comigo – já que eles acharam desde o primeiro dia que eu
era culpado – e me convocaram para ir a Oslo para ser interrogado Eu concordei e
falei com eles, apresentei o álibi que tínhamos criado após o assassinato e me
liberaram. Em seguida eles passaram a investigação para minha cidade natal, por
razões óbvias, e começaram interrogar os outros também. Eles não tinham
qualquer evidência contra mim, então eles tinham que fazer alguém falar para
poderem me pegar. Eles entenderam rapidamente que Snorre era o elo fraco da
corrente, por assim dizer. Seus nervos estavam à flor da pele e eles pegaram
pesado com ele. Eles telefonaram para ele na noite em que eu não estava lá,
fazendo perguntas, sempre as mesmas perguntas, até que, depois de nove dias,
ele não agüentou. De acordo com um relatório da polícia, ele estava tão abalado
emocionalmente que precisaram esperar várias horas antes que pudessem
conseguir algum tipo de declaração dele. Aparentemente aquilo foi uma
experiência bastante traumática para ele. Ele contou que eu havia matado
Euronymous e onde eu estava. Naquele momento eu estava em um clube noturno
e, quando eu saí (entre 02:00 e 03:00, em uma sexta-feira, 19 de agosto de 1993),
me prenderam.

Depois perguntaram meu nome e eu me recusei a dizer. Eles tiraram a minha


roupa, me jogaram em uma cela, mantiveram a luz acesa 24 horas por dia, 7 dias
por semana e não me deram sequer um cobertor ou lençol para eu me deitar. Eu
já esperava por isso, então não houve um grande problema e eu só ria das suas
tentativas patéticas de me abalarem mentalmente; porém, o “álibi” em meu
apartamento teve o mesmo tratamento, porque contaram que ele estava sendo
acusado de assassinato mas, estando completamente despreparado para isso, ele
ficou tão atordoado que confessou tudo imediatamente. Algo tinha acontecido em
Oslo, ele disse, e eu acabei matando Euronymous. Ele disse a eles o mesmo que
Snorre tinha dito antes.

Porém eles ainda não tinham evidência concreta contra mim. A única coisa que
eles realmente poderiam usar contra mim era a confissão de Snorre, mas ele nem
mesmo tinha me visto esfaquear Euronymous. Seu testemunho provava que ele
havia estado em Oslo, mas a única coisa que me ligava ao crime era seu
testemunho. Eles até tinham uma gravação dele em fita, feita pela câmera de
vigilância de um posto de gasolina em Hønefoss naquela noite, quando ele estava
reabastecendo o carro no caminho para Oslo. Eu, por outro lado, não podia ser
visto em lugar algum. Ele estava sozinho no carro. Se eles não tivessem feito nada
a respeito disso, eles teriam sido forçados a condená-lo pelo assassinato, e eu
ficaria livre. Ele estava com a corda no pescoço!

Então o que Você acha que aconteceu? Eles de repente alegaram – dois meses
após o assassinato e dois meses após eu ter me tornado suspeito (e eles já tinham
minhas digitais, da prisão em janeiro de 1993) – que haviam encontrado minhas
digitais em sangue na cena do crime. Eu estava usando luvas quando o matei,
então eu sabia que aquilo era uma grande asneira, mas ninguém mais sabia, e
Snorre erroneamente acreditou que eu tinha dito a ele que eu não estava usando
luvas quando o matei. Então, subitamente, Snorre e o outro cara mudaram suas
histórias e alegaram que nós havíamos planejado tudo. Disseram pro cara no
apartamento que eu tinha cometido o crime mas, se ele não cooperasse com eles,
então Snorre seria condenado em meu lugar. “Você quer que Snorre vá para a
cadeia por algo que Varg fez?”. Tudo estava preparado para me pegarem e para
livrarem Snorre mas, nesse processo, eles inventaram uma história que era muito
pior que a verdade. Eles alegaram que Snorre tinha planejado seu álibi dando seu
cartão eletrônico (cartão de crédito) para o outro cara, que o usaria no meio da
noite em Bergen, deixando assim evidência eletrônica de que ele estava em
Bergen e não em Oslo naquele momento. Mas o único problema era que ele nunca
deu ao outro cara seu cartão, então o outro cara obviamente nunca deixou rastro
eletrônico algum em Bergen, então qual o motivo de fazer tal alegação? Eles
alegaram que alugamos filmes que já tínhamos visto antes então, se alguém nos
perguntasse sobre os filmes, seríamos capazes de dizer do que se tratavam. Eles
também alegaram que o cara em meu apartamento tinha estado lá para fazer
barulho, assim os vizinhos acreditariam que eu estava em casa. Disseram ainda
que ele havia saído do apartamento usando minha jaqueta, para fazer as pessoas
que ele encontrasse na rua acreditassem que ele era eu, usando o cartão de
Snorre para deixar evidência eletrônica. Entretanto, ele nunca pegou o cartão de
Snorre e ninguém disse que o tinha visto se passando por mim, então... Snorre
teria me acompanhado para enganar Euronymous para que me deixasse entrar
em seu apartamento, eles também alegaram, embora tenha sido eu quem tocou a
campainha e falou com ele. Finalmente, eles disseram que eu havia dado uma
faca a Snorre, que havia ficado no carro, no caso de eu precisar de sua ajuda.
Essa, claro, era a faca de cinto que eu havia pedido a ele que colocasse no porta-
luvas, porque eu não queria uma faca jogada no banco de trás do carro.
Naturalmente, eu não a coloquei no cinto porque é ilegal andar por Oslo com uma
grande faca no cinto e eu poderia ter sido preso se a polícia me pegasse. Eles
distorceram tudo completamente e fizeram parecer que eu havia planejado o
assassinato.

Eu não sei se isso é embaraçoso ou apenas estúpido, mas o cara no apartamento


costumava realmente dizer que era eu quando saía. Ele chegava a dizer “Oi, eu
sou o ‘Conde’” como chamariz quando estava paquerando as garotas (?!). Sei
disso porque algumas garotas me contaram. Então se ele realmente usou minha
jaqueta e andou por Bergen tentando fazer as pessoas acreditarem que ele era eu,
isso não significava necessariamente que ele estava tentando me dar um álibi.
Isso na verdade é uma prova do quão patético ele era – e o quão baixos alguns
seres humanos podem ser para conseguirem transar. Devo acrescentar que eu
não vejo como esse chamariz poderia ter dado certo, considerando que seria muito
fácil para as garotas perceberem que ele não era “o Conde”. Bergen é uma cidade
muito pequena de apenas 130.000 (ou 250.000 se você incluir toda a
municipalidade) pessoas e praticamente todo mundo naquela época sabia qual era
a minha aparência, então onde é que ele estava com a cabeça?! Ele nem era
natural de Bergen (e sim de Lillehammer, no leste da Noruega), e qualquer um
poderia perceber isso no momento que ele abria a boca.

Na verdade, eu chego até a ficar envergonhado pelo fato de ter feito amizade com
essas pessoas, tanto esse cara quanto Snorre – e por algum tempo também com
Euronymous. Há um ditado que diz: “Diga-me com quem andas que te direi quem
és”. Se isso é verdade eu certamente fui um completo idiota... Mas em meu favor
devo salientar que eu também tinha outros amigos, bons amigos (pôxa!).

Eles nunca conseguiram explicar porque Snorre poderia querer matar


Euronymous. Ele tinha acabado de se juntar ao Mayhem como guitarrista, algo que
era o sonho de muitos guitarristas de heavy metal, tenho certeza, e era um amigo
de infância de Euronymous, então isso não faz sentido algum. Além disso, eles
alegaram que eu havia planejado “cortar sua garganta” (provavelmente porque
aquilo fazia com que eu parecesse muito cruel) mas, se fosse esse o caso, porque
então eu traria uma faca cega que era somente pontuda? Eu poderia ter
simplesmente tentado cortar sua garganta com uma colher. Isso também não faz
nenhum sentido – e sabemos ainda perfeitamente que eu não cortei sua garganta.

Eles e a polícia estavam tão interessados em inventar coisas para me condenar


que, no final, Snorre também acabou condenado, por me ajudar a planejar um
assassinato e por me ajudar psicologicamente (sim, “claro”). Porém, o outro cara,
que alegou ter participado ativamente do planejamento do “assassinato” e do meu
álibi, passou um total de uma única noite numa cela. Ele nunca foi acusado de
coisa alguma, o que é bem estranho. Se a polícia tinha acreditado seriamente na
teoria maluca que ele apresentou, ele deveria ter sido condenado também, mas
eles sabiam que aquilo era um monte de asneiras criadas para me pegar, e então
deixaram ele ir. E devo acrescentar que não temos um sistema de recompensas
para informantes aqui na Noruega, como eles têm nos EUA e possivelmente em
outros países também. Não há maneira de negociar para sair livre se você
cometeu um crime na Noruega. O fato é que eles simplesmente não queriam
condená-lo por algo que ele não tinha feito. Ele estava mentindo, e eles sabiam
disso, porque eles disseram a ele para inventar aquelas mentiras!

O próprio advogado de defesa de Snorre (que era Maçom) até mesmo


testemunhou contra seu próprio cliente, já que ele estava muito interessado em me
“pegar”, e, quando Snorre foi condenado até o júri pareceu triste (“sinto muito, mas
temos que condenar Você também”) e eu não acho que alguém esperava aquilo.
Foi uma mudança inesperada para todos nós.

No tribunal eu disse a eles que Snorre não tinha nada a ver com aquilo e que ele
estava no lugar errado e na hora errada mas, no dia seguinte, Snorre estava
testemunhando e alegou que eu estava errado. Eu tinha planejado tudo e ele sabia
porque ele era parte do esquema. Toda a sua estratégia de defesa baseou-se em
demonstrar que eu não podia culpá-lo, mas eu sequer tinha pensado nisso (e levei
um bom tempo para entender que essa era sua preocupação). Se ele tivesse dito
a verdade, ele teria se livrado da condenação mas, ao invés disso, ele insistiu em
sua mentira – porque seu advogado de defesa convenceu-o a fazer isso – e ele
pegou 8 anos por fazer absolutamente nada.

A mídia divulgou que o assassinato foi o resultado de uma “luta pelo poder” em um
“movimento satânico” e que eu o tinha matado para tomar o seu lugar como líder
(?). Mas isso não faz o menor sentido. Então é assim que a coisa funciona? Você
mata alguém para tomar o seu lugar? Se Você quiser ser indicado como diretor de
uma firma, Você não consegue tal coisa matando o diretor atual. Em que tipo de
mundo esses jornalistas vivem? Seria num bando de animais ou coisa desse tipo?
Isso simplesmente não faz sentido algum. Mas essa era a teoria deles, sua única
teoria. O jornalista “dominante” (Michael Grundt Spang), que escrevia para o maior
jornal da Noruega, até mesmo gastou seu tempo escrevendo sobre meu cabelo e
sobre minha aparência em geral. De acordo com ele, eu “jogava” meu “rabo-de-
cavalo castanho” de um lado pro outro “como uma garota” e não possuía “brilho
diabólico” ao meu redor, como seria de se esperar de um “satanista diabólico”
como eu, e assim por diante. Ele ficou, obviamente, bastante desapontado pelo
fato de eu não parecer “diabólico”. Aparentemente nunca passou pela cabeça dele
que eu poderia não parecer um “satanista diabólico” simplesmente porque eu não
era um “satanista diabólico”... Snorre foi simplesmente descrito como “uma versão
menor, mais magra e mais pálida do Conde”. O jornalista certamente não tinha a
intenção de que aquilo soasse engraçado, mas certamente soou, simplesmente
porque era incrivelmente idiota.

Os outros caras da cena naturalmente ficaram furiosos comigo, já que eles


também começaram a acreditar na teoria do jornal sobre uma luta pelo poder,
então eles também – com algumas poucas exceções (como Fenriz do Darkthrone
e os caras do Mayhem)– fizeram de tudo para me crucificar e, nesse processo,
eles deduraram uns aos outros e finalmente, por causa deles, a polícia resolveu
quase todos os crimes cometidos pelos caras do black metal na Noruega entre
1991 e 1993. Eu falei com alguns deles depois e disseram-me que, se eles
soubessem da verdade, eles nunca teriam me atacado (e, com isso, atacado-se
mutuamente) como fizeram. Eles foram manipulados pela mídia e, claro, pela
polícia. Mentiram para eles, como para todo mundo e, infelizmente, eles não foram
capazes de enxergar além das mentiras.

Fui condenado a 21 anos, a pena máxima na Noruega, e o juiz alegou que eu tive
“um motivo incompreensível” para matá-lo. É realmente tão difícil assim entender
que eu o matei porque eu soube que ele tinha planos de me torturar até a morte e
depois me atacou? Que parte disso o juiz não entendeu? Inicialmente era
autodefesa mas, quando ele começou a fugir, eu não estava mais numa situação
de vida ou morte então, naquele momento, não era mais autodefesa e sim
homicídio doloso e, na minha opinião, aquilo foi um ataque preventivo, para que
ele não tivesse uma segunda chance de me matar. Por isso minha pena deveria
ter ficado apenas entre 8 e 10 anos! Ao invés disso, eu peguei 21 anos e Snorre
pegou 8 anos por fazer absolutamente nada!

Eles também tentaram apresentar o assassinato como brutal e alegaram que ele
morreu porque seus dois pulmões tinham sido perfurados. Eles ainda alegaram
que eu o esfaqueei 23 vezes. Em primeiro lugar, eu sabia muito bem que ele havia
morrido quando eu o esfaqueei na cabeça. Em segundo lugar, ele caiu sobre uma
pilha de fragmentos de vidro estando de cueca. Naturalmente, ele se cortou muito
– até mesmo sob um de seus calcanhares, já que ele se levantou depois de cair.
Eles também sabiam disso, porém alegaram que eu o tinha esfaqueado 23 vezes,
só para fazerem as pessoas acreditarem que eu era muito cruel, bestial e brutal.
No tribunal mostraram fotos da autópsia a um júri perplexo. As fotos mostravam
Euronymous nu sobre uma mesa, com todo o cabelo raspado, seus olhos ainda
abertos e todos os cortes numerados a caneta sobre sua pele. Eu sabia que foi
humilhante para ele ter sido morto mas, quando eles mostraram as fotos da
autópsia no tribunal, aquilo foi certamente muito pior. Matar babacas é uma coisa,
mas eu nunca humilharia alguém daquela forma.

Ah, e, claro, o juiz incluiu na sentença que: "Varg Vikernes acredita em Satã",
embora eu tenha repetidamente afirmado no tribunal que eu não acreditava nem
em “Satã” e nem em “Deus”. Eles ignoraram a verdade e criaram a sua própria
realidade, por razões políticas.

Falando do júri, eu tive o “privilégio” de ter o único “curandeiro” cristão da Noruega


em meu júri. Ele aparentemente já tinha aparecido na TV, dizendo ser capaz de
“extrair o mal do corpo com a ajuda de Jesus” e, dessa forma, “curar” as pessoas.
Seria isso uma coincidência? Seria coincidência o fato do único “curandeiro”
cristão da Noruega (naquela época) ser escolhido para o meu júri? Ele estava
relacionado como “secretário” e eu fiquei sabendo que ele era um “curandeiro”
cristão muito depois, em 1995, quando um jornalista me contou sobre isso – e ele
também contou que pelo menos outros dois membros do júri eram maçons. Os
outros eram todos pensionistas, com exceção de uma ou duas mulheres. Todos
eles eram meus “pares”, sem dúvida... O advogado de defesa de Snorre era
maçom, como já mencionei, um dos psiquiatras do tribunal era maçom e judeu
“sobrevivente” de Auschwitz (ele era um dos três que viviam na Noruega na
época), o outro psiquiatra era um extremista de esquerda, meu advogado de
defesa era 100% incapaz de ter um emprego remunerado (devido a um problema
cardíaco) e, de acordo com o jornalista com quem conversei, pelo menos um dos
três juízes também era maçom.

Os incêndios de igrejas quase não foram mencionados no tribunal. Em cada caso,


eles apresentaram uma testemunha, que alegou que eu queimei essa ou aquela
igreja, e foi só. “Culpado”. Apenas isso. Esse processo foi repetido quatro vezes e
eu fui considerado culpado de atear fogo em quatro igrejas, três delas tendo sido
completamente queimadas. Não havia uma única evidência sequer em qualquer
um desses casos. Eu fui condenado somente devido ao testemunho de uma única
pessoa em cada caso. Todas essas testemunhas eram amigos de Euronymous!

Até o meu incompetente advogado não se preocupou em argumentar sobre os


incêndios, alegando que “isso não era importante”. “Você não vai receber uma
pena muito alta por isso, de qualquer forma”, ele pensou. Outra coisa interessante
é que nenhuma impressão digital, ou qualquer outra evidência técnica, foi
apresentada no tribunal. Quando fui preso eu tinha uns 3.000 cartuchos de
munição (a maioria .22LR, 38 Special, 7,52N, 7.92 mm e calibre 12) em meu
apartamento, mas a maior parte não foi nem mesmo incluída na lista de objetos
confiscados. Os policiais simplesmente pegaram o que quiseram. Para eles era
“munição gratuita”. Eles até roubaram meu capacete de aço da SS, embora eu só
possa imaginar porquê.

Finalmente, fui condenado por roubar e armazenar por volta de 150 kg de


explosivos (a maior parte dinamite e um pouco de glynite) e três sacolas de
detonadores eletrônicos e também por invadir algumas cabanas nas montanhas –
das quais eu, de acordo com eles, roubei uma bandeira da Noruega (?!) e um livro,
enquanto procurava armas. Eu nunca fui condenado por profanação de sepulturas,
como muitos parecem acreditar, ou por atear fogo na Igreja Fantoft Stave. Eles
não acharam nenhum “metalhead” burro que pudesse mentir e dizer a eles que
tinha me acompanhado no incêndio da igreja, como nos outros casos, então eles
não tinham evidência alguma contra mim naquele contexto, e eu tinha até mesmo
um álibi, já que uma garota de Oslo tinha passado a noite comigo (mesmo assim
meu advogado de “defesa” nem se preocupou em pedir a ela que testemunhasse
em minha defesa!). A acusação foi toda baseada em boatos. Além disso, quando o
júri não me considerou culpado por incendiar a Igreja Fantoft Stave, a juíza
principal ficou tão zangada que disse que era “óbvio” que eu tinha feito aquilo
também, mas isso não importava, já que eu receberia a pena máxima mesmo – e,
surpreendentemente, ela disse isso antes dos três juízes e membros do júri
começarem a discutir sobre a pena, então, obviamente, eles já haviam decidido de
antemão que eu deveria pegar 21 anos de qualquer maneira. Eles queriam me
usar como exemplo, para mostrar à juventude da Noruega que não se deve brincar
com “a Mãe dos Porquinhos”.
O assassinato de Euronymous foi uma bênção para eles. Finalmente eles tiveram
uma desculpa para se livrarem de mim (ou foi nisso que eles acreditaram: as
pessoas tendem a acreditar que até mesmo um ano na prisão significa “o fim” de
tudo). Eu não acho que tudo isso teria acontecido se a mídia não tivesse publicado
tantas mentiras sobre mim, porque foram essas mentiras que fizeram Euronymous
querer se livrar de mim em primeiro lugar: Eu ganhei tanta atenção que ele ficou
com inveja. Portanto o sistema de justiça me condenou a 21 anos porque a mídia
me deu tamanha atenção que eu me tornei mais importante e influente do que eu
era no início e porque eles foram tão intensamente provocados pelos incêndios
das igrejas que perderam a cabeça completamente.

Varg Vikernes quando de sua prisão

Em resumo, fui atacado por um criminoso condenado, me defendi e peguei 21


anos por isso. E como se isso não fosse suficiente, mudaram as regras depois que
fui condenado, o que significou oficialmente que devo cumprir 2 anos a mais do
que eu deveria. 21 anos significam que eu seria solto depois de 12 anos mas, há
alguns anos (em 2000 ou 2001), as regras foram mudadas, logo, de acordo com
eles, agora devo cumprir 14 anos, porque a nova lei é retroativa! Porém, é ilegal
criar leis retroativas como essa, de acordo com a constituição da Noruega e leis
internacionais, mas quem se importa? Em 1945, quando a guerra acabou, não
tínhamos nem mesmo pena de morte em tempos de guerra na Noruega, mas o
sistema judiciário que temos hoje criou uma nova lei, fez com que seja retroativa e
executou doze pessoas (em tempos de paz!). Não sou um “pobre” imigrante afro-
asiático nem um extremista de direita, ou um cristão fracote implorando por
misericórdia, então de maneira alguma a mídia dará algum tipo de apoio a mim.
Sou simplesmente persona non grata na Noruega, um país que muitos europeus
ocidentais conhecem como “a última república Soviética”. Eu ainda posso pedir a
condicional depois de 12 anos apenas mas, pela minha experiência com o sistema
judiciário da Noruega, não estou muito otimista a esse respeito. Há uma diferença
entre Þórr e Loki, como dizemos aqui na Escandinávia.

Estou furioso com tudo o que aconteceu, mas sei que darei a volta por cima no
final e acho que isso é o que realmente importa. Eu nem mesmo os odeio, apenas
tenho pena deles. Acima de tudo sou grato por não ser como eles. Recuperarei
minha liberdade um dia, mas eles provavelmente não terão melhorado nem um
pouco. É como no caso do gordo e do feio: o gordo sempre pode perder peso, mas
o feio sempre será feio.

Obrigado pela sua atenção.


Varg "o vilão" Vikernes

Dezembro de 2004

Corruptissima re publica plurimae leges (Cornelius Tacitus) (Quanto mais corrupto


é o Estado, mais leis existem)

Hodie mihi, cras tibi (Eu hoje, Você amanhã)

Parte III - A campanha de mentiras


É muito difícil, para mim, escrever sobre biografias, artigos e entrevistas a respeito
do Burzum, porque há muita coisa a ser dita. Há basicamente duas categorias:
aquelas escritas por pessoas pró-Burzum e aquelas escritas por pessoas anti-
Burzum. Nunca vi qualquer biografia, matéria ou entrevista escrita de forma
objetiva, embora a maior parte das biografias, dos autores e dos entrevistadores
anti-Burzum tendam a se retratar como se fossem muito objetivos, enquanto as
biografias pró-Burzum nunca tentam esconder o fato de que são pró-Burzum.

É um tanto estranho ver que alguns jornalistas e escritores pedem informações


sobre mim para o pessoal da Antifa (um tipo de organização terrorista "anti-
fascista"), do Monitor (um serviço particular de inteligência dedicado a monitorar
toda a atividade e os dissidentes de direita na Noruega) ou do Antirasistisk Senter
(Centro Anti-Racista). Eles poderiam simplesmente me pedir informações sobre
mim ou minhas idéias mas, ao invés disso, eles procuram essas pessoas e ainda
fingem estar escrevendo artigos “objetivos” e “confiáveis” sobre a minha pessoa. É
como pedir à Gestapo [N.: polícia secreta da Alemanha nazista] informações sobre
dissidentes na Alemanha de Hitler e esperar conseguir algo imparcial e objetivo.
O que mais me surpreende, porém, são todas as entrevistas forjadas que estão
por aí. Ao invés de me entrevistar de verdade, algumas pessoas simplesmente
fingiram ter me entrevistado e publicaram essas coisas, inventando respostas para
suas próprias perguntas. A mais conhecida das entrevistas falsas é provavelmente
aquela incluída no livro "Lucifer Rising" mas, infelizmente, não é a única.

Outro tipo bastante peculiar de “entrevistas” são aquelas baseadas em uma


entrevista real mas que, fora isso, são pura bobagem. Uma dessas é
(parcialmente?) incluída em um artigo chamado "Music, Murder And Fire - Black
Metal The Scandinavian Way" [N.: “Música, Assassinato e Fogo – Black Metal à
moda Escandinava”]. O artigo inteiro é basicamente pura ficção, mas eu reconheço
partes dele de uma entrevista que concedi em 1994 ou 1995 para um alemão, que
trabalhava para a “Tempo”, aparentemente uma popular revista alemã,
possivelmente sediada em Hamburgo. Mas no fim do artigo intitulado "Music,
Murder And Fire - Black Metal The Scandinavian Way" o autor é apresentado
como "Ilde" (um pseudônimo?), e isso foi aparentemente publicado na revista
"Nieuwe Revu" , algo que soa bem holandês para mim – e eu nunca tinha ouvido
falar dela antes.

O cara da "Tempo" me descreveu como parecendo ein Bisschen wie ein Engel (um
pouco angelical), como a pessoa chamada Ilde fez, só que em inglês, mas Ilde
acrescentou que: "[Vikernes] olha pela janela, e através das árvores ele tem a
visão de um muro alto com torres de vigia e luzes de busca", e isso apenas é
prova de que essa é uma entrevista forjada. Em primeiro lugar, eu falei com o
alemão da "Tempo" na prisão de Bergen em 1994 ou 1995 e, pelo que me lembro,
não havia janelas naquela sala mas, se eu estiver errado e houvesse realmente
janelas, a única coisa que Você poderia ver através delas seria outro bloco da
prisão (e certamente nenhuma árvore). Além disso, não há torres de vigia com
luzes de busca em nenhuma prisão da Noruega. As prisões norueguesas
simplesmente não são construídas dessa forma (e devo acrescentar, em resposta
a um tolo artigo de 2003 que alegou que eu havia sido atingido pelo tiro de um
guarda da prisão, que os guardas das prisões também não portam armas). Então
sobre que diabos esse Ilde estava falando? A entrevista inteira é, obviamente,
outra fraude. Ele nunca falou comigo! Nem sei quem ele é – ou talvez quem ela é!

Portanto há pessoas por aí que realmente falsificam entrevistas e as publicam em


revistas e na Internet. Elas baseiam suas entrevistas fajutas em outras entrevistas
fajutas e, claro, também em entrevistas reais, acrescentando algum toque pessoal
para ficarem do jeito que desejam, mesmo desconsiderando a verdade.

A propósito, a entrevista original da "Tempo" também foi um monte de asneiras e a


ridícula e totalmente falsa informação de que meu pai costumava bater em minha
mãe e em mim vem dessa revista. Ele – o alemão – provavelmente inventou essa
história por conta própria, por alguma razão desconhecida.

Onde pessoas como esse alemão conseguem essas baboseiras? Se não têm
nenhuma base na realidade, então devem estar inventando tudo por conta própria.
Por quê? Por que inventar histórias quando você pode simplesmente falar comigo
para saber a verdade?

O resto do artigo/entrevista "Music, Murder And Fire - Black Metal The


Scandinavian Way" segue o mesmo estilo. É tudo um monte de asneiras. Parte é
pura ficção e parte baseia-se em outras entrevistas que foram publicadas por
pessoas que queriam apenas me demonizar. Se eu sorria para os jornalistas, eles
descreviam como “desprezo” e, se eu não sorrisse, eu era “frio como gelo”. Não
importava o que eu dizia ou fazia, eu estava sempre errado e eles ainda distorciam
tudo. No tribunal eu disse que não era um satanista e que eu considerava
satanismo uma idiotice judaico-cristã, falei sobre Óðinn e Þórr e, mesmo assim, o
juiz escreveu que "Varg Vikernes acredita em Satã" e as manchetes diziam que eu
era um satanista. Até mesmo em 2001 a diretora do departamento de justiça da
Noruega (surpreendentemente) escreveu a mesma coisa em uma carta para um
psiquiatra e um psicólogo, que deveriam escrever um relatório sobre o fato de eu
ser um psicopata ou não (e, a propósito, eles disseram que eu não era). Então a
diretora do departamento de justiça também alegou que eu era um satanista e que
"Varg Vikernes acredita em Satã". Mas até mesmo as pessoas que trabalhavam na
prisão em que eu estava na época ficaram chocadas pela ignorância (ou até
malícia) da diretora do departamento de justiça. O psiquiatra e o psicólogo também
reagiram negativamente à declaração e, naturalmente, se perguntaram por que ela
faria tal coisa.

Então o que se pode esperar de otários que escrevem na Internet ou em alguma


revista sem conteúdo? Como podemos acreditar nas diferentes biografias, artigos
e “entrevistas” que existem por aí, quando até mesmo os juízes do sistema
judiciário e a diretora do departamento de justiça da Noruega inventam ou repetem
mentiras como essa?

Resumindo, todas as biografias, matérias e a maior parte das entrevistas estão


repletas de mentiras. Ao invés de falar a Você sobre as mentiras dentro de um
fluxo incessante de artigos como esse que mencionei, direi simplesmente que não
confie em nada do que Você ler sobre mim, a menos que tenha sido escrito por
mim.

Infelizmente, não podemos confiar em nada do que tenha sido dito e escrito sobre
outros dissidentes também. Os dissidentes são sempre demonizados e os que
apóiam os que estão no poder sempre são glorificados. A história não é nada além
de uma ferramenta usada pelos poderosos para fazerem com que as massas os
adorem e os sigam e também para terem certeza de que essas pessoas rejeitem e
trabalhem contra seus inimigos ou adversários.

Até no ensino fundamental/ médio de hoje crianças e adolescentes ingênuos na


Noruega aprendem sobre o “adorador do diabo” e “satânico” Varg Vikernes. Se um
sistema diferente ou pelo menos a honestidade prevalecesse, eu provavelmente
seria descrito mais da forma como eu me vejo, uma pessoa que rejeitou a tentação
de ter uma vida confortável em um país rico, porque eu preferi fazer o que achava
certo. Eu me recusei a participar do estupro da Mãe Terra e me revoltei contra o
mundo moderno.

Hoje sou visto como nada além de um criminoso, então não posso esperar que os
simpatizantes desse sistema podre digam a verdade sobre mim e, é claro, não sou
o único sofrendo esse tipo de campanha de mentiras. Todos os que se revoltam
contra o mundo moderno e contra esse sistema doentio passam mais ou menos
pelo que estou passando. Eles são demonizados, ignorados, caluniados e assim
por diante. Até mesmo o adolescente comum passará por isso em sua
comunidade se ele ou ela fizer algo que é considerado anti-social ou politicamente
incorreto (ou apenas usar roupas especiais). Todos os que se revoltam contra o
mundo moderno devem estar preparados para enfrentar as conseqüências, mas
isso não significa que devemos simplesmente aceitar o fato das pessoas estarem
espalhando mentiras, nos ignorando ou nos caluniando. Devemos sempre reagir,
nunca desistir. Não importam as conseqüências.

Quando os poderes “ocidentais” apóiam dissidentes em outros países, seja em


Myanmar, na China, no Zimbábue ou em qualquer outro lugar, eles os chamam de
dissidentes ou oposicionistas, mas todos os dissidentes no mundo “ocidental” são
chamados de criminosos ou simplesmente de terroristas. Eles nem mesmo
reconhecem que há uma razão legítima para se revoltarem contra o mundo
“ocidental”, porque eles querem estabelecer como um fato indiscutível que a sua
tão falada “democracia” é a melhor maneira de governar um país. Argumentar
contra isso é como argumentar contra a teoria da macroevolução com cientistas
ou, o que é pior, questionar a veracidade da teoria do Holocausto na frente de seu
professor de história. Não importa o que você diga, eles verão você como um
completo idiota e recusarão até mesmo a escutar o que você tem a dizer.

Um fanático é simplesmente um idealista de quem você discorda e um idealista é


simplesmente um fanático com quem você concorda. Portanto, os “idealistas”
ditam as regras no mundo “ocidental” e os “fanáticos” como eu são perseguidos. É
assim que as coisas são e Você deve sempre ter isso em mente quando ler algo
sobre gente como eu. As regras do jogo ainda são deles. Você também deve ter
sempre isso em mente quando não ler coisa alguma sobre gente como eu.

Obrigado pela sua atenção.


Varg "O que persevera na Vida" Vikernes

(Escrito em dezembro de 2004, atualizado em abril de 2005)

Fama crescit eundo! (Os rumores crescem com o tempo)

Parte IV - O Burzum na Noruega


Freqüentemente tenho encontrado fãs de Black Metal, ou recebido cartas de fãs
de Black Metal na Noruega, reclamando para mim sobre o fato de que eles não
conseguem encontrar álbuns do Burzum em nenhuma loja de discos da Noruega.
A explicação para isso é que o Burzum não é distribuído na Noruega, e tem sido
assim desde 1993, porque ninguém na indústria fonográfica da Noruega quer
distribuir ou vender álbuns do Burzum, muitas vezes por medo de também serem
perseguidos por extremistas de esquerda se assim o fizessem ou, como acontece
com mais freqüência, porque eles próprios são extremistas de esquerda (ou são
judeus/ cristãos). Então, para poderem comprar álbuns do Burzum, os
noruegueses precisam importá-los ou ir até outro país e comprar os álbuns nas
lojas de lá. Ou seja, muito estranhamente, os álbuns da banda norueguesa
Burzum não estão facilmente disponíveis para fãs de Black Metal na Noruega.
Há mais ou menos um ano foi lançado na Noruega um programa semanal
dedicado ao metal na TV, no qual as pessoas podem votar em vários vídeos a
serem exibidos e, sempre que podem, entram em um chat, através de SMS. Na
época eu estava trancado 24 horas por dia na cela, mas todo dia eu precisava sair
por um minuto ou dois para pegar o jantar e pão para o resto do dia e, ao fazer
isso, eu passava por outros prisioneiros no corredor. E todo dia eu passava em
frente de um cara chamado René, de Bergen, que costumava assistir a esse
programa de metal e, em uma de nossas conversas diárias de 10 segundos, ele
me disse que sempre havia uma discussão sobre o Burzum no chat board, então
eu decidi ver um dos programas. O que estava acontecendo é que muitos fãs de
metal queriam que eles tocassem Burzum, mas a apresentadora do chat alegou
que "Não há vídeo do Burzum" e, quando os fãs mencionaram a ela o vídeo
"Burzum" (Título em alemão: "Dunkelheit". Título em inglês: "Darkness" [N.:
“Escuridão”]. Título original: "Burzum") ela disse a eles algo do tipo “Nós fingimos
que ele não existe” ou “Nós intencionalmente esquecemos esse aí”. Então até
mesmo um programa dedicado a tocar metal boicotava o Burzum, exatamente
como os programas de rádio na Noruega têm feito pelos últimos doze anos. A
razão pela qual eles me boicotam na Tv e no rádio é, aparentemente, o fato de eu
ter opiniões políticas “erradas”.

Sigurd Wongraven (Satyricon) Jørn


Stubberud (Mayhem)

Recentemente foi exibida uma série na TV norueguesa sobre a história do rock na


Noruega, e um dos programas foi dedicado a gêneros especiais do rock, incluindo
Black Metal. Eles entrevistaram Sigurd Wongraven do Satyricon, Jørn Stubberud
do Mayhem e, muito brevemente, Fenris do Darkthrone. Além dessas, eles
também mencionaram brevemente o Dimmu Borgir mas, por alguma razão
obscura, não disseram uma única palavra sobre o Immortal e o Burzum.
Aparentemente Burzum e Immortal não tiveram participação alguma na cena Black
Metal, nem mesmo nos primórdios. Mais uma vez o Burzum deixou de existir,
dessa vez em um documentário sobre as “primeiras” bandas de Black Metal na
Noruega.

Assim é o Burzum na Noruega: oficialmente ele não existe e nunca existiu e, caso
realmente tenha existido, certamente não teve papel relevante em contexto algum.
Burzum foi apagado da história do metal na Noruega, pelos extremistas de
esquerda que controlam a mídia norueguesa. Mas, de certa forma, isso é
fascinante, já que estamos realmente testemunhando o processo de falsificação da
história.

Eu tenho consciência de que sou persona non grata há muito tempo, mas não
sabia que a situação era tão ruim assim. Eu não imaginava que precisaria gastar
meu tempo convencendo as pessoas de que ainda estou vivo ou que
testemunharia a mídia na Noruega fingir que o Burzum não existe e que nunca
existiu, ou que os fãs do Burzum teriam que enfrentar obstáculos como aqueles
descritos acima.

Eles estão, obviamente, tentando remover a memória do Burzum e de mim e


somente o tempo dirá se terão sucesso ou não. Meu conselho a eles seria esperar
pelo menos até que eu morra e não possa mais me defender... Ainda estou aqui, e
Vocês sabem disso! Vocês não deveriam tentar remover a cicatriz até que a ferida
esteja curada, e a Sua ferida ainda está sangrando!

Fenrir

Varg "Fenrir" Vikernes [N.: Na mitologia nórdica, Fenrir é um lobo gigantesco que
também é filho de Loki, deus do mal. Durante o Ragnarök, o apocalipse da
mitologia nórdica, Fenrir cresce tanto que consegue escapar do controle dos
deuses e mata Odin, o deus dos deuses, para em seguida ser morto por Vidar,
filho de Odin].

(Dezembro de 2004)

“História é a fábula defendida pelo vitorioso” (Napoleão)


Parte V - Satanismo
Quando pessoas na Noruega ouvem meu nome, normalmente pensam em
satanismo e incêndios de igrejas. A imprensa teve bastante sucesso ao fazer o
que os judeus e cristãos têm feito rotineiramente desde o início da Idade Média e
convenceram todos de que o dissidente perseguido em questão (neste caso eu) é
um louco e perigoso adorador do diabo.

Eu poderia argumentar que nunca fui um adorador do diabo, mas penso que é
melhor simplesmente provar que a adoração do diabo é produto da imaginação
dos judeus e cristãos. Quando você sabe que nunca houve qualquer forma de
adoração do diabo na Europa, então você também deve entender que nunca
houve adoradores do diabo. Quando você sabe disso, fica claro que também não
há a possibilidade de eu ser um adorador do diabo.

Uma escritora inglesa, Margareth Murray, publicou um livro em 1921 chamado


"The Witch-Cult In Western Europe" [N.: “O Culto das Bruxas na Europa
Ocidental”]. Ela afirmou que a adoração do diabo na verdade não era, de forma
alguma, adoração do diabo, mas um culto pagão e, embora criticado, seu livro tem
sido usado por bruxas fajutas (especialmente no Reino Unido) numa tentativa
feminista de reviver o culto das bruxas. Mesmo que seu livro seja inútil como fonte,
em um ponto ela tem razão. Os adoradores do diabo eram na verdade pagãos
praticando sua antiga religião. O conceito de “adoração do diabo” como o
conhecemos foi criado pelos cristãos na Idade Média, principalmente por pessoas
como os autores do livro "Malleus Maleficarum" ("O Martelo das Bruxas"), Jakob
Sprengler e Heinrich Kramer, sendo ambos padres católicos e um deles sendo um
judeu messiânico.

Da mesma forma que não sabemos exatamente o que significa “pagão”, ninguém
sabe exatamente por que eles chamaram essas pessoas em particular de “bruxas”
– ou Hexen (alemão) ou hekser (norueguês). Mas o que sabemos é que esse
também é um termo judaico-cristão e que nunca foi usado pelos pagãos. O
Sabbath é um dia santo judaico e não tem relação alguma com nossa cultura
européia.

Esse é o problema aqui: tudo o que as pessoas sabem sobre esse culto é o que os
desprezíveis judeus e cristãos nos contaram. Eles demonizaram tanto esse culto
que pensamos no tão falado "Black Sabbath" como alguma cena maluca ou
nojenta, com as “bruxas malignas” indo para Blokkbeg ou alguma outra montanha
para adorar Satã. De acordo com os judeus e cristãos, elas faziam isso na sexta-
feira 13 para zombar de Jesus Cristo, porque havia 13 pessoas presentes na
Última Ceia; o próprio Satã era um demônio, com chifres na testa, que mancava
porque tinha pés de cabra ou cavalo; “bruxas” eram acusadas de sacrificar
crianças pro demônio e fazer sexo com ele. Por causa disso, os cristãos
enforcaram e queimaram as “bruxas”, ou as executaram de outras maneiras e, até
o século XVIII, assassinaram centenas de milhares de “bruxas” e outras pessoas
de quem não gostavam na Europa.

Ao invés de expressar o que penso sobre tudo isso, direi a Você o que esse culto
e, em particular, o mistério da Sexta-Feira 13, realmente significavam. Isso poderá
surpreender muita gente, mas sabemos perfeitamente bem o que esses rituais
significavam, por que eram praticados e até mesmo quem os praticava.
Naturalmente, eu não posso descrever todos os mistérios de uma antiga religião
em um artigo como este, mas espero poder dar a Você uma breve e abrangente
explicação sobre o mais demonizado de todos os mistérios, o conhecido "Black
Sabbath", que originalmente era um festival da fertilidade, celebrado na Sexta-
Feira 13 de cada mês do calendário antigo (que consistia do Dia do Ano Novo e de
13 meses, cada um formado exatamente por 4 semanas).
Genealogia dos deuses
nórdicos

As quatro fases da vida são: reencarnação, nascimento, vida e morte; noite,


manhã, dia e entardecer; inverno, primavera, verão e outono, et cetera. As
semanas em cada mês também são divididas em quatro fases: a primeira semana
é a da reencarnação, a segunda é a do nascimento, a terceira é a da vida e a
quarta é a da morte. Cada dia da semana também tem um significado especial:
domingo é o dia das divindades solares, segunda-feira é o dia das divindades
lunares, terça-feira é o dia das divindades celestes, quarta-feira é o dia das
divindades da magia, quinta-feira é o dia das divindades da agricultura, sexta-feira
é o dia das divindades do amor e da fertilidade, e o sábado é o dia das divindades
da reflexão (isto é, o dia no qual as pessoas analisavam os eventos da semana,
antes que a semana seguinte começasse). A primeira sexta-feira de cada mês no
calendário antigo é sempre dia 6, a segunda é sempre dia 13, a terceira é sempre
dia 20 e a quarta é sempre dia 27. Portanto a segunda sexta-feira de cada mês,
Sexta-Feira 13, é um dia especial dedicado ao amor, à fertilidade e ao nascimento.
Em outras palavras, é o dia mais importante do ano em relação à fertilidade
humana. É isso o que as “bruxas” celebravam nesse dia e isso, naturalmente, não
possui relação alguma com Jesus ou com o número de pessoas presentes na
última ceia. A crença judaico-cristã e seus símbolos não possuem relação alguma
com essa antiga celebração!

O dia santo conhecido como Walpurgisnacht (alemão), Valborgsnatt (norueguês),


Beltane (gaélico), et cetera, é a Sexta-Feira 13 do sétimo mês do ano, quando o
inverno (e seus seis meses) se encontra e se casa com o verão (e seus seis
meses) no meio do antigo calendário de 13 meses, isto é, no sétimo mês. De
acordo com os cristãos, essa é a noite na qual as “bruxas” vão às montanhas para
copular com “Satã”. Essa noite é, portanto, chamada de “a noite das bruxas” mas
era, originalmente, o dia tradicional para casamentos na era Pagã. Esse era o dia
no qual pessoas se casavam na Terra, da mesma maneira em que os deuses
(como Njörðr) e as deusas (como Skaði) se casavam no Céu e nós, portanto,
chamamos essa noite de Lua de Mel – a noite na qual os deuses se uniam às
deusas no céu. (Nota: Mel é um símbolo dos æsir e ásynjur [respectivamente, os
nomes escandinavos dos deuses e das deusas].) Além disso, a maior parte das
pessoas sabe que é perfeitamente normal que pessoas casadas copulem na noite
em que se casam, então não há nenhum problema nisso.
Freyr

Valkiria

Dizem que as freiras católicas casam-se com sua divindade e essa prática tem
suas origens nos cultos Pagãos, nos quais as sacerdotisas Pagãs casavam-se
com sua divindade. A grande diferença era que a divindade Pagã era representada
na Terra por um sacerdote Pagão. As sacerdotisas pagãs podiam, em outras
palavras, dar à luz crianças e ser realmente úteis aos seus semelhantes e à sua
comunidade, diferentemente das freiras Católicas, que rejeitam a vida quando se
recusam a ter filhos. Para se tornar um sacerdote Pagão, a pessoa precisava ser
escolhida pelas sacerdotisas (que na Escandinávia eram freqüentemente
chamadas de valkyries ["as que definem os escolhidos"]) para ser seu sacerdote
Freyr e, para isso, elas organizavam diferentes tipos de competições para escolher
o homem mais bem preparado para essa tarefa. Os mais conhecidos desses
eventos são, obviamente, os Jogos Olímpicos da Grécia, que eram originalmente
um “mercado de carne” para virgens (mulheres solteiras), que exigiam que os
homens competissem entre si despidos (nus) para que elas pudessem ver todas
as qualidades físicas deles antes de decidir com quem iriam casar. Não havia
sentido na participação de mulheres nesses jogos, pois serviam principalmente
para que as mulheres encontrassem o melhor homem, ou o homem de quem mais
gostaram. Os jogos eram organizados a cada quatro anos, duas vezes para cada
pentagrama perfeito (o símbolo do amor) formado no céu pelo planeta (que
conhecemos como) Vênus (que na antiga Escandinávia era conhecido como
Freyja). Outras competições semelhantes eram organizadas por toda a Europa e
sua finalidade era a mesma: separar os fracos dos fortes.

Os vencedores das várias competições eram considerados os melhores homens e


recebiam, dos vários grupos de mulheres ("conciliábulos" ou “assembléias de
bruxas”), a função de sacerdotes Freyr. Devido a isso, nós aqui na Noruega ainda
chamamos os casamentos de bryllup, que deriva do Norueguês antigo bruðhlaup,
que se traduz como "corrida das noivas" – e devo acrescentar que "bride" [N.: em
inglês, “noiva”] é, na Noruega, também o título do noivo (isto é, "bride-groom" [N.:
em inglês, “noivo”] ["bride" significa "o(a) prometido(a)", "groom" significa
"homem"]). Mas ele também precisava ser um sacerdote Freyr, e tinha que passar
por vários rituais de iniciação, que não discutirei aqui, para provar também sua
força espiritual (porque possuir força física não era motivo suficiente para ser
escolhido pelas sacerdotisas). Ele também tinha que participar da batalha
espiritual que conhecemos como Ragnarök, que acontecia a cada ano no 7º dos
13 dias do Yule – quando as forças de Hel encontram as forças de Ásgarðr
(Paraíso) no campo de batalha (e, por isso, ainda celebramos esse dia, atualmente
com fogos de artifício, como se fosse uma guerra simbólica, durante o que seria a
Véspera de Ano Novo no calendário Juliano [N.: Usamos atualmente o calendário
Gregoriano]).

Vidar matando Fenrir


Nessa batalha, os iniciados tinham que, assim como o deus Víðarr, matar o lobo
Fenrir e, como sabemos, isso era feito colocando-se um pé na mandíbula inferior
do lobo, agarrando-se a mandíbula superior e arrebentando a boca do lobo. Víðarr
tinha um sapato especial para isso, a fim de proteger seu pé dos dentes e do fogo
da boca de Fenrir. Então quando os sacerdotes faziam isso – todos os anos – eles,
naturalmente, machucavam seus pés e freqüentemente começavam a mancar ou
mancavam porque usavam esse sapato especial. Em outras palavras, o sacerdote
Freyr que fazia sexo com a sacerdotisa Freyja na Sexta-Feira 13 não tinha pé de
cabra, cavalo ou coisa parecida: ele era simplesmente um sacerdote Freyr manco
ou que usava um sapato especial em um dos pés, fazendo com que mancasse!

As sacerdotisas Freyja não se casavam simplesmente com um homem mas, como


eu disse, casavam-se com um homem que representava o deus Freyr. Sabemos
perfeitamente bem que os Pagãos gregos representavam e personificavam seus
deuses colocando máscaras, nas várias peças de teatro e mistérios, mas isso
também era feito no resto da Europa. Quando eles colocavam uma máscara que
representava uma divindade, eles transformavam-se e tornavam-se tal divindade.
Conhecemos Freyr de fontes Gaélicas como Cernunnos, chamado de "deus com
chifres", e entalhes em pedras na Escandinávia retratavam essa divindade como
um homem com chifres de cervo. Ao contrário da crença popular, os guerreiros
escandinavos (como os vikings) nunca usavam capacetes com chifres, mas os
sacerdotes Freyr usavam, ou usavam máscaras com chifres e, portanto, o “Satã”
que fazia sexo com as sacerdotisas Freyja na Sexta-Feira 13 é descrito pelos
judeus e cristãos como um “demônio com chifres”.

As sacerdotisas Freyja também representavam uma divindade e, portanto, tinham


títulos especiais. Uma sacerdotisa chamada (por exemplo) Helga receberia o nome
(em alemão) de Frau Helga ou (em norueguês) Fru Helga, porque Frau/Fru (isto é,
"Sra", "madame") é uma abreviação do nome Freyja (Fraujo em língua germânica
antiga). Quando se casava com (um sacerdote) Freyr ela já não era mais apenas
Helga, mas sim Freyja-Helga, e passava a representar a deusa Freyja na Terra.
Hoje em dia Frau/Fru significa simplesmente “esposa” ou “mulher casada”, mas o
uso bastante disseminado desses títulos dá testemunho da abrangência desse
culto Pagão no passado.

O fato de que as “bruxas” beijavam a masculinidade do sacerdote Freyr, nesse


mistério que estou discutindo, é explicado pela necessidade de mostrar submissão
perante seu deus – assim como os católicos hoje em dia beijam o anel do papa
quando se aproximam dele (pela mesma razão). A acusação feita pelos judeus e
cristãos de que havia sacrifícios de crianças é explicada pelo fato de que as
sacerdotisas Freyja queriam somente crianças saudáveis e, portanto, eliminavam
as crianças com sérias deficiências colocando-as na floresta para serem comidas
por lobos, ou algo semelhante. Elas basicamente faziam o que a maioria das
mulheres grávidas faz hoje em dia quando – se elas descobrem que há algo de
errado com sua criança ainda não nascida – (normalmente) fazem um aborto. Para
um Pagão, e para todos os outros seres humanos de mente sã e corpo são,
qualidade é o que realmente importa.

Portanto, as assembléias de “bruxas” fazendo sexo com “Satã” eram cultos de


amor e fertilidade. Tratava-se de um culto elitista, porque somente os melhores
homens eram aceitos como sacerdotes e, portanto, o melhor sangue das várias
tribos era cultivado, diferentemente do que se faz hoje em dia. Esses cultos
raramente eram grandes e havia, naturalmente, muitos desses sacerdotes Freyr
por toda a Escandinávia e também pelo resto da Europa. Eles eram provavelmente
conhecidos como (sacerdotes) Cernunnos em áreas nas quais se falava gaélico,
Veles nas áreas eslavas, Potrimpos nas áreas dos países bálticos, como Dionysus
nas áreas gregas, como Bacchus nas áreas romanas, et cetera.

Embora esses cultos pagãos aparentemente tenham deixado de existir no sul da


Europa desde a Antiguidade, eles sobreviveram no norte da Europa até o século
XVIII, e mesmo até o século XIX, e é por esse motivo que pessoas como eu1
sabem tanto a esse respeito. Nós não somos enganados pelas mentiras dos
judeus e cristãos porque sabemos a verdade!

Portanto, aquilo que os judeus e cristãos chamam de “Satanismo” ou “adoração do


diabo” é, na realidade, nossa própria religião Européia! Meu interesse no assunto
deve ser analisado sob essa óptica. Além disso, meu desejo adolescente de usar
brevemente o termo “Satanista” para descrever a mim mesmo também deve ser
visto sob essa óptica. Mas eu nunca fui um “Satanista”, da mesma forma que
nossos antepassados também nunca foram “Satanistas”. Eu sou e sempre fui um
Pagão. “Satanismo” ou “adoração do diabo”, da maneira como os judeus e cristãos
descreveram, simplesmente nunca existiu. A crença na existência do “Satanismo”
ou “adoração do diabo” é apenas ignorância e também um resultado da campanha
de mentiras. As “bruxas” foram assassinadas pela igreja não porque elas
adoravam “Satã” ou qualquer outra divindade ficcional de origem hebraica, mas
porque elas continuaram praticando nossa religião Européia, contra a vontade dos
judeus e cristãos. A única razão pela qual eles pararam de assassinar esses
nobres homens e mulheres é o fato de que eles ficaram sem pessoas para
queimar, ou falharam em encontrar outras. Isso também explica por que tantas
“bruxas” foram assassinadas no norte da Europa e na Alemanha, em comparação
ao número de pessoas assassinadas no sul da Europa. O sul da Europa foi, em
termos gerais, cristianizado quinhentos ou até mesmo mil anos antes que o norte
da Europa e a Alemanha o fossem e, naturalmente, havia muito mais Pagãos nas
partes da Europa que foram cristianizadas depois. Mais mulheres do que homens
foram assassinados simplesmente porque havia mais sacerdotisas do que
sacerdotes. Cada assembléia tinha apenas um homem mas, frequentemente,
várias mulheres – desde algumas até dezesseis.

Não sei muita coisa sobre a perseguição aos Pagãos na Europa, mas sei que, da
mesma forma que no norte europeu, o Paganismo permaneceu forte no leste
europeu por muito tempo, e os últimos grupos de poetas (que consistiam
frequentemente de pessoas “aleijadas” [como homens que mancam...]) não
pararam de espalhar sua cultura na Rússia até a revolução Bolchevique de 1917.
Eles viajavam, muitas vezes como mendigos, contando histórias para as pessoas,
fazendo profecias ou cantando em troca de comida e abrigo. Muitas das
tradicionais músicas festivas ainda usadas na Rússia são essas músicas (!).

Na Noruega, a música de uma poetisa foi registrada no século XVII ou XVIII. Uma
senhora que viajava pela região de Telemark chegou a uma fazenda e se ofereceu
para cantar uma música em troca de comida e abrigo, como era de costume. Ela
cantou os 52 versos de uma canção chamada Draumkvædet ("a canção dos
sonhos"). A canção descrevia em detalhes como um iniciado, Olav Åsteson (Olav,
"o filho do amor"), viajou pelo mundo espiritual nos 13 dias de Yule e encontrou as
divindades no Paraíso. A canção é um pouco cristianizada, algo que os bardos
precisavam fazer na era judaico-cristã a fim de não serem perseguidos ou mesmo
assassinados pela igreja, mas ainda é bem interessante e expressiva. A velha
mulher foi uma das últimas trovadoras conhecidas da Noruega.

O Paganismo não está morto e, portanto, nem mesmo precisamos reconstruí-lo.


Ele nunca morreu de verdade. Ele sobreviveu no submundo, na Noruega e em
outras partes de Europa. Da mesma forma que o Sol nasce no leste a cada
manhã, o Paganismo nascerá novamente. A luz Européia inevitavelmente banirá a
escuridão asiática que conhecemos como Judaico-Cristandade, e os puros entre
nós encontrarão as runas (isto é, os segredos) de Óðinn – mas somente se eles
escolherem caminhar por entre os velhos caminhos de nossos antepassados.

Notas:

1 Como curiosidade, devo acrescentar que o sobrenome de minha tetravó era


Quisling (ás vezes grafado como Qisling ou Qvisling), que deriva do norueguês
antigo Kvíslingr e traduz-se como "ramo de Ingr". Ingr (proto-norueguês InguR,
germânico Inguz) é uma forma do nome de Freyr (e tanto "Freyr" e "Ingr" são
traduzidos como "amor", mas também significam "senhor" e "chefe").
Naturalmente, eu não descendo do deus Freyr, mas de um sacerdote que
personificava o deus Freyr. (A propósito, o nome completo de minha tetravó era
Susanne Malene Qisling. Ela era da região de Telemark na Noruega, nasceu em
1811 e morreu em 1882).

Varg Vikernes
"Picketed and Pilloried"
(June 2005)

A verse from Draumkvædet:

Bikkja bit, og ormen sting,


og stuten stend og stangar –
de slepp ingjen ivi Gjallarbrui
som feller domane vrange.
For månen skin'e,
og vegjine falle so vie.

(The dog [Garmr] bites, and the worm [Jörmungandr] stings,


and the ox [Himinbrjótr] gores –
they don't let anybody who convicts wrongly
across the Gjallarbru [the bridge that leads to Hel].
Because the Moon shines
and the roads [to Hel] are so wide.)

(O cão [Garmr] morde, e o verme [Jörmungandr] pica,


E o boi [Himinbrjótr] perfura com seu chifre –
Eles não deixam passar alguém que tenha condenado injustamente
pela Gjallarbru [a ponte que leva a Hel].
Porque a Lua brilha
E as estradas [que levam a Hel] são muito largas).
PS. Quem souber norueguês (ou melhor, o rústico dialeto de Telemark') pode
conseguir uma cópia da Draumkvædet em qualquer biblioteca decente e acho que
valeria a pena para os falantes de russo que tiverem interesse no assunto ler livros
como "Istoritjeskie korni velsjebnoj skazki" (???????????? ????? ?????????
??????), de Vladimir Propp, publicado em Leningrado em 1946 ou talvez até
mesmo "Poétika sjuzjeta i zjanra: period antitsjnoj literatury" (??????? ?????? ?
?????: ?????? ???????? ??????????), de Olga Frejdenberg, publicado em
Leningrado em 1936. Eu não li esses livros, então não tenho certeza se são
realmente bons, mas podem ser. Os que falam alemão podem achar tais
informações em "Die Geburt Der Tragödie Aus Dem Geiste Der Musik" (1872), de
F. W. Nietzsche. E os que sabem inglês podem talvez ler "The Golden Bough" [“O
Ramo de Ouro”], de James Frazer. Não espere encontrar algum conhecimento
pagão secreto, mas não fique surpreso se Você encontrar algo interessante
nesses livros. Se Você estiver apenas interessado em antigas religiões e cultura
pagã, recomendo que leia meu próprio livro, "The Mysteries And Mythology Of
Ancient Scandinavia" [“Os Mistérios e a Mitologia da Antiga Escandinávia”],
quando (se?) for publicado.
Parte VI - A Música
Nos últimos oito meses tenho recebido muitas cartas de pessoas interessadas em
saber, entre outras coisas, quais instrumentos usei nas gravações dos álbuns do
Burzum. Pessoalmente, não estou nem um pouco interessado nessas coisas e,
portanto, não tenho motivação para responder a essas cartas. Para mim, isso é
como um eco do passado, quando “todo mundo” na cena Death Metal
underground falava sobre essas coisas. O foco nos instrumentos, marcas, estúdios
de som e “produção” é, na verdade, uma das coisas contra as quais me rebelei em
1991. Mas como as pessoas que nunca obtiveram uma resposta reclamaram
sobre a minha falta de vontade para responder a elas, escreverei um artigo sobre
esse assunto que, espero, responderá a todas as suas perguntas.
Nas gravações de todos os álbuns do Burzum, eu usei uma velha (acho) guitarra
Weston que comprei bem barato em 1987 de um conhecido meu. O baixo que usei
era o mais barato que havia na loja e nem sei de que marca era. Eu nunca
verifiquei e nem mesmo pensei sobre isso. No caso da bateria, eu simplesmente
pegava emprestado um kit do baterista do Old Funeral (depois do Immortal), ou de
outro músico que morava por perto e, “claro”, também não tenho nem idéia de que
marca era.

Já no caso dos amplificadores para guitarra, todos os caras ligados ao Death Metal
diziam-me que a única maneira de conseguir o som “correto” (da moda) era
usando amplificadores Marshall mas, como eu não gostava daquele som, eu usava
um amplificador Peavey. No "Filosofem" eu nem cheguei a usar um amplificador
para guitarra; ao invés disso, usei somente o amplificador do aparelho de som de
meu irmão (que, claro, não tinha sido projetado para esse uso) e alguns velhos
pedais empoeirados.

Para “cantar”, eu usava qualquer microfone que o técnico de som me fornecia ou –


quando gravei "Filosofem" – eu pedi o pior microfone que ele tinha e acabei
usando o microfone em um headset.

Para gravar o álbum de estréia (em Janeiro de 1992), gastei somente 19 horas no
total, desde o momento em que cheguei no estúdio com os instrumentos até a
masterização (!). O número de horas gastas (em 1992) no "Det Som Engang Var"
(DSEV) foi um pouco maior, 26, porque não havia ninguém para me ajudar a
transportar os instrumentos e coisas desse tipo e, portanto, tive que carregar e
preparar tudo sozinho. A gravação de "Hvis Lyset Tar Oss" (HLTO) aconteceu em
Setembro de 1992 e levou algo entre 20 e 30 horas (não me lembro), mas isso
incluiu gravar duas músicas que nunca foram incluídas no álbum (uma versão
muito ruim da faixa "Burzum" ["Dunkelheit"] e uma outra que nunca usei).
"Filosofem" foi gravado (em Março de 1993) em apenas 17 horas, mas isso se
deveu principalmente ao fato de eu ter usado um kit de bateria que já estava lá –
no estúdio, e que tinha sido usado por alguma banda de jazz ou rock no dia
anterior – então isso me poupou muito tempo. Além disso, naquele momento eu já
havia passado pelo processo de gravação de um álbum algumas vezes, então
toda a parte técnica já havia se tornado rotina.
A razão para eu ter usado o estúdio Grieghallen era que tínhamos usado aquele
estúdio quando gravamos um EP com o Old Funeral, acho que em 1990, então eu
conhecia o técnico de som (um cara bastante positivo, habilidoso e gente fina que
morava em Bergen), e ficava localizado a apenas 1,5 km de meu apartamento em
Bergen. Se eu morasse em outra cidade eu, obviamente, usaria outro estúdio.

Quando gravei o álbum de estréia, tanto Øystein Aarseth ("Euronymous", do


Mayhem) quanto Harald Nævdal ("Demonaz", do Immortal) estavam presentes na
maior parte do tempo e eles me ajudaram a carregar os instrumentos – e, por
gozação, deixei que Aarseth tocasse um solo de guitarra na faixa "War". Ele
também (além de mim) “bateu com os punhos” em um grande gongo no
Grieghallen para fazer algum som. Isso foi usado como som ambiente na faixa
"Dungeons Of Darkness" e na intro do DSEV.

Quando gravei os outros álbuns, eu normalmente estava sozinho com o técnico de


som. Porém, Samoth (Thomas Haugen, do Emperor) estava presente quando
gravei duas das faixas do mini-LP "Aske" e partes do HLTO. Ele tocou baixo em
duas faixas do "Aske" e estava presente quando gravei as partes de bateria do
"Aske" e do HLTO. Ele tocou baixo em "Aske" porque, por um curto período em
1992, eu cogitei a idéia de tocar ao vivo e, portanto, ensaiei uma ou duas vezes
como banda (um cara chamado Erik Lancelot, dos arredores de Oslo, deveria tocar
bateria). Mas eu rapidamente acordei da “psicose de tocar ao vivo” e, felizmente,
mudei de idéia e continuei como antes, como uma banda-de-um-homem-só que
não precisava de músicos de estúdio.

Com exceção de uma música no HLTO e outra no "Filosofem" eu gravei tudo na


primeira tentativa. O problema com a música do HLTO era técnico e eu tive que
gravar a bateria da faixa título duas vezes e, na faixa "Jesu Død" do "Filosofem" eu
tive que gravar uma linha de baixo novamente porque eu estava cansado depois
de ter gravado as duas faixas de guitarra (meus “dedos de burguês” não estavam
acostumados a todo aquele trabalho...).

Os erros cometidos em algumas das faixas durante as gravações poderiam ter


sido evitados facilmente se eu tivesse me preocupado em regravar certas partes,
mas naquele momento o que eu queria era me rebelar contra a música (Death)
Metal polida e convencional. A principal motivação da rebeldia musical era não
fazer álbuns “perfeitos”, não fazer música com “esta ou aquela” marca de
instrumentos, era não ir a um determinado estúdio para conseguir “esse ou aquele
som” e também era não soar como outras bandas. Alguns poucos erros tornam a
música mais viva e pessoal, o que simplesmente dá à música “alma” e
originalidade, então nunca me preocupei em corrigir coisa alguma. A música nos
álbuns do Burzum é simplesmente uma honesta, sincera, simples e clara
representação da minha pessoa. Certamente não sou perfeito ou livre de erros, e
nem minha música.

Havia uma ideologia por trás disso; era a aceitação da honestidade e a apreciação
do que era puro e natural. Se o som não é definido como bom por algum músico
de queixo empinado (frustrado) que trabalha para alguma revista de música, isso
não significa coisa alguma para mim. O natural é sempre o melhor, seja quando
estamos falando de música ou de qualquer outra coisa. A música natural e de
melhor qualidade é (da forma como vejo) música com “alma” e não música que foi
trabalhada por meses em um estúdio para remover até mesmo os menores erros
(peculiaridades).

Mesmo em 1990 a maior parte das bandas de Death Metal seguiu a corrente, foi
incorporada na indústria da música comercial e perdeu toda a sua “alma”. As
assim chamadas bandas de Black Metal logo em seguida seguiram essa tendência
e, (até onde eu sei) com exceção de Fenris do Darkthrone, todas elas se
venderam e deixaram de honrar as idéias originais do Black Metal. As bandas mais
jovens da Noruega, que surgiram em 1993 ou depois, em razão da cobertura da
mídia sobre nosso mundinho, nunca souberam coisa alguma sobre essas idéias
então, ironicamente, elas nunca se venderam realmente. Entretanto, chega a ser
um pouco idiota o fato de fazerem essas coisas e terem uma certa aparência sem
nem saberem por quê. Elas apenas se juntaram a um bando e nunca souberam de
onde esse bando surgiu ou onde esse bando esteve antes de se juntarem a ele.
Em resumo, podemos dizer que as tão faladas bandas de Black Metal também se
comercializaram.

Neste ponto devo lembrar a Você daquilo que escrevi no começo deste artigo;
pessoas me perguntavam coisas, como quais instrumentos eu usei nas gravações
dos álbuns do Burzum. Tais perguntas são tão irrelevantes e desinteressantes
para mim quanto perguntas sobre que marca de calça ou de cueca eu usei quando
gravei os álbuns. Será que realmente importa saber que instrumentos eu usei? Eu
não acho, e penso que é importante não se preocupar com essas coisas. Eu usei a
minha guitarra e, se eu tivesse outra guitarra, teria usado essa outra. É simples
assim. Eu usei o que estava à mão e minha principal prioridade era fazer música
honesta e original – e eu poderia ter conseguido isso com qualquer tipo de
instrumentos, não importando sua idade, preço e marca. É simples assim.

Eu gostaria de agradecer a Você pelo seu interesse no Burzum e pela sua atenção
mas, por favor, não espere que eu dê prioridade a cartas com perguntas sobre
instrumentos, detalhes técnicos ou outras coisas pelas quais não tenho interesse
algum. Se Você acha essas coisas interessantes, para mim tudo bem, mas não
espere que eu tenha os mesmos interesses que Você.

Varg "????" [N.: “O Lobo”] Vikernes


(Julho de 2005)
Aurum nostrum non est aurum vulgi!
(O nosso ouro não é como o ouro do homem comum)

Parte VII - O Fantasma Nazista


Como muita gente deve saber, já fui muito criticado por ter utilizado vários termos
“politicamente incorretos” para descrever minha formação ideológica, como
Satanismo, nacionalismo, racismo, Paganismo ou até mesmo “nazismo”.

Alguns dos termos que já utilizei são bastante imprecisos e percebo que as
pessoas reagem aos diversos termos de maneiras diferentes, dependendo de sua
origem ou de quem são. Um escandinavo, por exemplo, não tem um grande
motivo para reagir negativamente ao termo “nazismo”, mas entendo que um eslavo
[N.: da Europa central e oriental] tem bons motivos para agir dessa forma.
Enquanto os “nazistas” alemães tiveram comportamento exemplar na Dinamarca e
na Noruega durante a Segunda Guerra Mundial, eles certamente não agiram
assim na Polônia ou na antiga União Soviética. Na Noruega, apenas 0,03% da
população foi morta durante a guerra (e a grande maioria foi, na verdade, morta
pelos Aliados) enquanto, por exemplo, na Bielo-Rússia aproximadamente 25% da
população foi morta – e isso teve muito a ver com a visão incrivelmente simplista e
surpreendentemente ignorante dos alemães em relação aos eslavos e sua cultura.

Você poderia imaginar que a estúpida visão dos alemães sobre os eslavos é uma
coisa "nazista", mas (infelizmente?) parece ser mais uma visão germânica e suas
raízes datam pelo menos da Idade Média, quando alguns cruzados alemães
veteranos, os Cavaleiros de Maria e os “Swordbrother Knights”, juntaram suas
forças (e formaram a Ordem Teutônica) e começaram a cristianizar os primitivos
pagãos (bálticos e eslavos) na Prússia, Memel, Kurland, Livland, Estland, Polotsk,
Pskov, Ingermanland, et cetera.

Entretanto, os “nazistas” noruegueses nunca tiveram uma visão negativa dos


eslavos e mesmo os voluntários da SS norueguesa reagiram negativamente ao
comportamento dos alemães na União Soviética. Então, como norueguês, eu
nunca pensei muito sobre o fato de que eu poderia ter ofendido os eslavos quando
eu – um norueguês – eventulmente usei o termo “nazismo” para descrever minha
formação ideológica. Naturalmente, eu nunca tive a intenção de ofender ou alienar
os eslavos. Pessoalmente, eu tenho uma visão bastante positiva dos eslavos e da
cultura eslava e acho triste que as pessoas pensem de outra forma.

A razão pela qual eu ter sido atraído e às vezes ter expressado apoio ao “nazismo”
se deve principalmente ao fato de que muitos dos “nazistas” noruegueses (e
alemães) adotaram nossa religião Pagã como nossa religião de sangue e
rejeitaram a Judaico-Cristandade como heresia judaica – e eles foram os primeiros
a fazerem isso depois de muito, muito tempo! Eu também notei que a maior parte
das pessoas que apóiam a minha pessoa ou aquilo que represento também são
chamadas de “nazistas” – enquanto quase todos os outros simplesmente me
condenaram e boicotaram, assim como tudo o que fiz. O que me faz diferente dos
“nazistas” são, basicamente, três coisas: ao contrário deles, não sou socialista
(nem mesmo em nível nacional), não sou materialista e acredito na (antiga)
democracia (escandinava!).

Portanto, como não sou um “nazista”, comecei a usar outro termo, já no final dos
anos 90. Fiz isso não somente para evitar confusões, mas também para encontrar
um termo mais adequado e preciso do que os outros que já usei. Esse novo termo
é “odalismo”, do norueguês antigo óðal ("terra natal", "alódio" [N.: qualquer bem
isento de direitos senhoriais], "lei alodial", "nobreza", "nobre", "bens herdados",
"terra pátria", "propriedade da terra", "família distinta", "distinto", "esplêndido",
"semelhante" e "a nação"). Esse termo inclui tudo o que é positivo sobre todos os
outros “ismos” que já usei, englobando o Paganismo, nacionalismo tradicional,
racismo e ambientalismo. Ele não somente é mais preciso, mas também muito
mais inclusivo e pode ser utilizado por todos os europeus (e outros povos
também). Finalmente, e talvez o que é mais importante, esse não é um termo
deturpado pela história.

Se tivermos uma relação positiva com nossa terra natal, com nosso sangue, com
nossa raça, com nossa religião e com nossa cultura, não destruiremos nada disso
com a moderna “civilização” (isto é, capitalismo, materialismo, Judaico-
Cristandade, poluição, urbanização, mistura de raças, Americanização, socialismo,
globalização, et cetera). O “fantasma nazista” assustou milhões de europeus e fez
com que não se preocupassem com seu sangue e sua terra natal durante
sessenta anos; portanto, já é tempo de esquecer esse fantasma e começar
novamente a pensar e cuidar das coisas que (gostemos delas ou não) são
importantes para nós.

Varg Vikernes (Julho de 2005)

Blóð ok Óðal! (Sangue e Alódio)

Parte VIII - Por Caminhos Pedregosos


Há muitos caminhos pelos quais podemos conduzir nossa vida, mas a grande
maioria escolhe seguir o rebanho pela estrada ampla e bem pavimentada que
somente leva à mediocridade espiritual e à estagnação. Ao final da jornada, eles
não deixaram traços de sua existência e simplesmente passam para o
esquecimento. Como gado, eles seguem o indivíduo na frente deles, sem pensar
muito no que estão fazendo, e caminham diretamente para o nada. Eles escolhem
esse caminho porque é o que oferece a menor resistência e a vida mais
confortável.

Porém, há outros caminhos que o homem pode percorrer em sua vida.


Naturalmente, os caminhos de nossos antepassados estão pedregosos e cobertos
por vegetação hoje em dia. Ninguém percorreu esses caminhos por muito tempo e
a natureza selvagem retomou a maioria deles. Precisamos procurar com cuidado
até para descobrir se existem realmente. Entretanto, esses caminhos não são
fáceis. Aqueles que seguem pelos caminhos pedregosos irão, em sua jornada,
tropeçar em pedras cobertas de musgo, raízes em florestas negras e,
freqüentemente, escorregarão e cairão na lama, ficarão presos nos brejos e terão
que atravessar perigosas correntes a nado. Fora um ou outro andarilho que
poderão encontrar pelas florestas, esses também são caminhos bastante
solitários. Você provavelmente andará sozinho.

Quando os caminhos pedregosos cruzam a estrada pavimentada do rebanho, o


viajante solitário – fedido, sujo e vestido de trapos – encontrará uma chuva de
linguagem abusiva, zombaria, desprezo, medo e até ódio. O gado está
acostumado a seguir obedientemente o indivíduo na frente deles sem ser
perturbado. Um indivíduo que viaje por outra direção, ou que cruze a estrada,
sempre causará confusão e incerteza entre a multidão de massa cinzenta limitada.

O rebanho não encontra mistérios, segredos, iluminação espiritual ou culturas


antigas na estrada pavimentada. As runas e as peças de ouro dos deuses
somente podem ser encontradas na grama verde ou sob o musgo dos caminhos
pedregosos e cobertos de vegetação. A iluminação somente será alcançada pelo
indivíduo que parar de seguir os passos da pessoa na sua frente e olhar para o
céu, em busca de mudança. A cultura antiga somente será aprendida por aqueles
que andarem por onde os ancestrais já andaram e agirem como nossos
antepassados agiram.

Não é fácil encontrar saídas que levem aos caminhos pedregosos fora da estrada
pavimentada. A maior parte das pessoas passa rapidamente por eles sem nem
perceber que estão lá. Você precisa procurar por eles, muitas vezes nos lugares
mais improváveis, e mesmo assim poderá não encontrá-los. Outros têm mais
sorte, pois seguiram as informações de outros. Destino é, talvez, tudo o que
importa e aqueles que são predestinados a encontrar os caminhos pedregosos
conseguirão, um dia, encontrá-los. Quer eles gostem ou não.

Eu estou andando num desses caminhos pedregosos e talvez seja por isso que às
vezes é difícil as pessoas entenderem o que estou dizendo, fazendo ou pensando
e talvez seja por isso também que muitos reagem com repugnância ou medo, não
importa o que eu faça ou diga. Mas e daí? Eu sei o que é essencial na vida e só
me importo realmente com os “heróis e heroínas espirituais”, os Einherjers [N.:
Guerreiros mortos recolhidos pelas Valquírias para irem ao palácio de Valhala,
onde viverão em banquetes e fartura até o derradeiro dia do Ragnarok] e as
Valquírias, que ocasionalmente encontro nas florestas e que encontraram sua
própria saída da estrada pavimentada. Eu só me importo realmente com indivíduos
fortes que estão procurando as runas e o ouro dos deuses na relva verde. Eu
realmente só respeito os outros que gostam de mim e andam por caminhos
pedregosos. As massas medíocres não importam nem um pouco. Valhalla não é
para as ovelhas.

Varg "Loki" Vikernes (December 2004)

Varg "Loki" [N.: Figura complexa da mitologia nórdica, era um dos filhos de Odin e
pode ser considerado, entre outras coisas, como um símbolo da maldade]
Vikernes (Dezembro de 2004)

Aurum nostrum non est aurum vulgi!


(O nosso ouro não é como o ouro do homem comum)

Parte IX - O Amanhã
Há muitos personagens chamados de Varg Vikernes na Noruega. Um deles é um
demonizado, alienado, ridicularizado e isolado “bicho-papão”, que foi denunciado
pela imprensa de viés judaico e pelo famigerado sistema judiciário da Noruega. Ele
não é real, ele nunca foi real e nunca será real, mas é vagamente baseado em um
adolescente de 19 anos real que, em 1993, expressou publicamente sua fúria
contra um mundo moderno que enlouqueceu. O mundo moderno e doente seguiu
em frente na direção do Inferno por uma estrada pavimentada de boas intenções,
mas Varg Vikernes congelou no tempo e foi forçado a viver na imutável e fictícia
realidade criada pela escória da imprensa de viés judaico e pela “inquisição
Norueguesa”. Nem os que promovem a campanha de mentiras na mídia e nem os
“inquisidores” conseguem se ajustar à realidade neste contexto então, mesmo
hoje, podemos ouvir, de tempos em tempos, os gritos dos porcos da imprensa
marrom: “bruxo!”, ”bruxo!”, “queimem-no!”, “queimem-no!”, e as pessoas do
sistema judiciário certamente não são melhores que isso.

Outro Varg é o prisioneiro que escreve artigos, como este, para manter a sanidade
e para não deixar que as falsas acusações e a campanha de mentiras e
informações tendenciosas fiquem sem resposta. Ele é real, mas somente enquanto
os ataques continuarem. Se as mentiras pararem de vir da escória jornalística e se
o famigerado sistema judiciário parar com seus processos que correm fora da
realidade, ele cessará de existir e passará ao esquecimento. Ele é real somente
porque precisa ser. Ele é simplesmente o muro que protege a sanidade, a honra e
a vida do real Varg Vikernes. Como as fortalezas da Europa, esse muro não foi
construído por diversão, mas por necessidade.

O personagem fictício Conde, baseado no adolescente anti-social Varg, é, talvez,


infinitamente mais interessante e atraente (e não menos comercializável) do que
eu mesmo aos 33 anos (em 2006), mas ele não é real! O retrato de Varg "the
Count" Vikernes apresentado pela mídia, especialmente para os noruegueses, é
um retrato falso e já é hora de vocês perceberem isso. Seja você um fã, inimigo ou
amigo, você deve se basear na realidade e não em algum personagem criado
pelos jornalistas por razões também comerciais. Parem de me dar crédito ou
críticas por algo que nunca fiz, por algo que nunca fui, por declarações que não
eram minhas ou por defender uma ideologia ou religião que eu nunca conheci.
Parem de me atacar, ou mesmo de me defender, com base em falsas aparências.
Quando sou atacado ou defendido por outros, quero que façam isso somente se
tiverem uma boa razão para agir assim e não porque acreditam nas mentiras da
mídia ou do famigerado sistema judiciário.

O Varg Vikernes real não é tão interessante assim, eu acho, e não há muito a ser
dito sobre mim e, em qualquer caso, quando eu sair da prisão, seja isso quando
for, eu certamente desaparecerei da vista do público. Eu penso que sou prisioneiro
de um navio (o “Sodoma e Gomorra”) – o mundo moderno – que navega direto
para o desastre e, quando eu for solto do cativeiro, saltarei do navio e voltarei
nadando para terra firme o mais cedo possível... Não quero nada dessa
famigerada e completamente doente civilização, então farei o melhor possível para
fugir de tudo. Não haverá mais artigos como este, comunicações (estritamente
falando) desnecessárias com estranhos do mundo moderno ou entrevistas.
Publicarei alguns livros, provavelmente sob algum pseudônimo, para permanecer
anônimo, e talvez um ou dois álbuns do Burzum, mas só isso.

Eu digo isso porque me disseram que algumas pessoas esperam muito de mim
assim que for solto. Bem, não esperem coisa alguma. A menos que Você leia
meus livros ou ouça meus álbuns, nunca espere ouvir mais nada de mim
novamente. Eu não quero mais saber de Você ou do mundo completamente
insano no qual Você vive. Não contem comigo. Eu vou para casa, para os campos
noruegueses, para a natureza, para o ar puro, para uma vida saudável na fazenda
e para o abraço da Mãe Terra. Você pode ficar com o Seu bordel urbano imundo e
com o Seu Inferno na Terra mestiço e doente.
Lif e Liftrasir

Se Você de fato tem as mesmas idéias sobre esse assunto, ótimo, e saúdo Você
por isso mas, diferentemente de mim, Você pode fazer algo a respeito e não
entendo por que Você não fez nada ainda. Estou na prisão então, infelizmente,
não posso escapar da influência da moderna Sodoma e Gomorra ainda. Qual é a
Sua desculpa?

Varg "Lífþrasir" Vikernes (24.02.2006) [N.: “Lífþrasir” significa "o que segura a
vida". Depois do dia de Ragnarok em que deuses, monstros e homens batalham
pelo destino do universo, Liftrasir será um dos sobreviventes. Juntamente com Lif
será o responsável pela repovoamento humano de Midgard (Terra)].

Meglio soli che mal accompagnati.


(Antes só do que mal acompanhado)
Parte X - Entrevista com Varg Vikernes
Esta entrevista, datada de 12 de agosto de 2004, não faz parte da biografia do
Burzum publicada originalmente no site da banda (www.burzum.org);
acrescentamos a mesma como um epílogo a esta série.

A PRISÃO

Quando você tentou escapar da prisão em outubro de 2003, muitos jornais


noruegueses falaram sobre o assunto. De acordo com a declaração dada por
seu advogado John Christian Elden ao "Aftenposten", você não tinha planos
concretos, exceto o de “sair da Noruega” e “ir para algum lugar no qual
pudesse viver sem ser tratado como um leproso” devido ao seu passado. E é
por isso que você pensou em entrar para a Legião Estrangeira Francesa. Mas
ninguém ouviu mais nenhuma palavra sua. Então, se possível, você pode
dizer qual foi a sua real motivação para escapar da prisão e o que você
planejava fazer?

Você nunca deve confiar naquilo que é divulgado pela mídia. A primeira prioridade
deles é espalhar boatos e a segunda é ganhar dinheiro. Eles nunca se preocupam
realmente em dizer a verdade. Quanto à minha real motivação, discutiremos isso
mais tarde.

Como você se sente agora na prisão? Se possível, descreva o seu dia-a-dia:


O que você pode e o que não pode fazer? Você é muito ameaçado pelos
outros prisioneiros e pelos guardas?

Não, não sou ameaçado por ninguém. O sistema prisional da Noruega é


razoavelmente civilizado, pelos padrões mundiais, e assim também são os
prisioneiros e os guardas. Eu me dou bem praticamente com todo mundo.

Recentemente, eu recebi um computador em minha cela e começarei a estudar


programação de computadores no ano que vem. Fora isso, pouca coisa acontece.
No meu bloco, ficamos 23 horas por dia em celas individuais e passamos uma
hora no pátio. Temos uma TV na cela e, uma vez por semana, podemos ir até a
biblioteca. Na verdade, isso é tudo o que há para ser dito. Se eu quiser fazer
alguma coisa, preciso fazer em minha própria cela ou durante a hora em que
ficamos no pátio. Faço algumas flexões, levanto algumas garrafas cheias de água
e coisas do tipo para ficar em forma, e corro no pátio.

Pergunta de Ann, da França: Fale algo sobre sua família. Como estão a sua
esposa e sua filha? Elas estão bem? Você as vê com freqüência?

Meu pai é um engenheiro eletrônico que trabalha como gerente de segurança em


uma empresa, meu irmão é um engenheiro civil formado e está trabalhando na
administração de alguma empresa de segurança, minha mãe tem uma formação
chata e complicada (então não vou escrever aqui) e está trabalhando em uma
grande companhia petrolífera. Minha filha ainda está no ensino fundamental... Eu
não vejo minha filha com muita freqüência (duas vezes desde 1993, para ser
exato) e, na verdade, não vejo ninguém da minha família desde outubro do ano
passado, mas isso se deveu a “problemas na prisão”. Depois que fui transferido
para a prisão de Trondheim no mês passado, eu posso receber uma visita por
semana. Eu tenho um bom relacionamento com minha família, embora minha filha
não me conheça muito bem, obviamente.

Quanto à minha esposa, não sei do que você está falando. Eu nunca fui casado
com a mãe da minha filha e também nunca fui casado com ninguém. Você poderia
dizer que ainda estou esperando por uma princesa que caia do céu no meu colo...

Pergunta de Mark, da Polônia: Qual é o seu grande anseio enquanto está na


prisão?

Nada em especial. Sou um ser humano racional e não vejo razão para ansiar por
coisas que não posso ter. Eu me adapto à situação, apenas isso.

Quando exatamente você sairá da prisão?

Meu palpite é agosto de 2006, mas não sei ao certo. Eles mudam as leis e as
regras a todo o momento, então ninguém sabe realmente.

MÚSICA

Muitas pessoas me pediram para fazer a seguinte pergunta a você: Por que
você encerrou o Burzum e há alguma chance de que ele seja ressuscitado no
futuro?

Há muitas razões para isso. Em primeiro lugar, eu estava muito cansado de ouvir
boatos idiotas sobre o Burzum e percebi que a melhor maneira de calar as
pessoas era dizer que o Burzum não existe mais e esperar todos esquecerem o
assunto. Em segundo lugar, é muito difícil continuar enquanto eu estiver na prisão.
Claro, consegui gravar dois álbuns de música eletrônica, mas não achei que
valeram o esforço, podemos assim dizer. De qualquer forma, toda a inspiração que
eu ainda tinha praticamente acabou por causa dos muitos rumores idiotas
relacionados ao Burzum e a mim. Em terceiro lugar, eu não quis ser associado às
famigeradas novas bandas de "Black Metal". Elas me envergonharam e eu estava
cansado de ter que explicar a todo mundo que eu não tinha nada a ver com essa
gente, com sua imagem ou com qualquer coisa que eles fazem. Na verdade, eu
me senti manipulado pela mídia e vi o crescente movimento "Black Metal" como
resultado das mentiras da mídia e de sua ridícula representação minha e de
outros. Além disso, eu fiquei intrigado com o fato de meus álbuns de música
eletrônica terem sido colocados nas prateleiras de “Black Metal” das lojas de
discos (foi isso que me disseram). Parecia que, não importava o que eu fazia, as
pessoas preferiam ficar com o retrato (errado) que a mídia criou para mim em
1993. Então pra quê continuar?

Por fim, devo dizer que não era nada inspirador ver milhares de novas bandas
emergirem do nada e começarem a tocar exatamente a mesma música que eu
tocava. Por que eu iria querer tocar esse tipo de música, quando tantas outras
bandas também faziam isso? Até onde eu sei, eles até faziam melhor do que eu
jamais fiz! Então por que eu ainda deveria continuar a me interessar por isso? Nós
realmente precisamos de milhões de bandas tocando a mesma música? Não basta
ter apenas um Paradise Lost, um Das Ich, um Vangelis, um Dead Can Dance, ou
um Pink Floyd, um Iron Maiden e assim por diante? Por que precisaríamos de
milhares de clones?

Eu achei que, se eles queriam copiar as primeiras bandas de "Black Metal", pra
mim tudo bem. Há outras coisas que eu posso fazer, então eu segui em frente.

Se há alguma chance de uma ressurreição no futuro? No caso de eu lançar outro


álbum, será algo completamente novo. Se soar como alguma outra banda, não
lançarei nada. Por ora, eu só tenho algumas músicas novas, mas eu acho que não
é improvável que eu componha mais música no futuro.

Pergunta de Karlis, de Ventspils, Letônia: Se você tivesse permissão de ouvir


música agora, que tipo de música você normalmente ouviria?

Se eu pudesse ouvir música agora, eu ouviria Das Ich ("Die Propheten"),


Tchaikovskij (especialmente "O Quebra-Nozes" e "O Lago dos Cisnes") e música
clássica em geral, Dead Can Dance ("Within The Realm Of A Dying Sun"), The
Uppsala Jesters (isto é, "Juculatores Uppsaliensis", ou algo do tipo), Goethes
Erben, música house e rave, Jean Michelle Jarre, Vangelis, Kraftwerk, música
folclórica russa, antigas marchas alemãs e soviéticas, um pouco de ópera e
possivelmente um pouco de metal, do tipo que desperta meu lado “emocional” –
como Paradise Lost (algumas músicas em "Lost Paradise" e em sua demo tape de
1989 ou 1990) e Burzum.

Nos últimos anos houve um grande crescimento das bandas NSBM (National
Socialistic Black Metal), que baseiam sua ideologia e música nas idéias
nacional-socialistas, nazistas, pagãs e arianas. Qual é a sua opinião sobre
elas?

Não sei muita coisa sobre isso, mas o que sei é que, pelo menos, esses caras têm
a coragem de ser diferentes e politicamente incorretos, diferentemente das bandas
molengas e poser da cena “Black Metal”. Pelo menos o NSBM tem um argumento
diferente daquela atitude idiota tipo “sexo, drogas e rock’n’roll” do resto da cena
metal.
Há muitos rumores na imprensa sobre um álbum chamado “Sorg”, que você
gravou na prisão não faz muito tempo. Isso é verdade ou não?

Esse é o tipo de boato que me fez abandonar o projeto Burzum. Eu nunca gravei
um álbum chamado “Sorg”.

Outro grande boato é que as guitarras e a bateria em "Filosofem" foram


tocadas e gravadas por Fenriz e Nocturno Culto do Darkthrone. Você pode
confirmar ou negar isso?

Bem, quem é que inventa esse boatos? Por qual motivo Fenriz e Nocturno Culto
tocariam bateria e guitarra no álbum "Filosofem"? O álbum foi gravado em 1993,
em Bergen, e tudo foi tocado por mim. Eu mesmo carreguei os instrumentos até o
estúdio e gravei o álbum sozinho.

Já que estamos falando sobre "Filosofem", você mencionou certa vez que
não ouviu a versão final desse álbum. Você já o escutou, só por curiosidade?

Pelo que me lembro, eu estava muito cansado de responder perguntas sobre o


que eu achava desse ou daquele álbum, então certa vez eu simplesmente escolhi
a saída mais fácil e respondi que não tinha ouvido a versão em CD, ou coisa
parecida, então eu não podia responder à pergunta dele (parece que Varg se
refere a um cara que tinha feito a pergunta – ed.). Essa foi uma resposta estúpida,
é claro, já que quase não há diferenças entre a versão masterizada da gravação e
o CD prensado, mas eu disse aquilo a ele porque estava de saco cheio de
responder esse tipo de pergunta e esperava que ele e outros percebessem isso e
parassem de me enviar tais perguntas. Eu tinha o álbum finalizado e masterizado
em fita na minha cela, mas não o CD, então, obviamente, eu poderia ter
respondido a pergunta dele adequadamente se eu quisesse. Aparentemente
minhas respostas estúpidas às vezes criam apenas rumores igualmente
estúpidos...

Pergunta de Peter Vishnakov, de São Petersburgo, Rússia: Quando você


parou de tocar música relacionada ao metal, você explicou que a razão era
que o metal tinha suas raízes na música negra. É por isso que os dois
últimos álbuns do Burzum foram compostos com sintetizadores. Mas o
sintetizador foi inventado em São Petersburgo, Rússia por um judeu, Leo
Termen, em 1920. O primeiro sintetizador foi chamado "termenvox" (a voz de
Termen). O que você tem a dizer sobre isso?

Comparar um instrumento com uma cultura musical é um tanto estranho, eu acho.


É como comparar letras com línguas. Eu posso usar letras latinas quando escrevo
em russo e ainda será russo, certo? Mas se eu escrever em outra língua com
letras russas, não será mais russo. Entende o que quero dizer? "Eta nje harasjo
pitch samnoga vodki!" (É ruim beber tanta vodca - ed.) ou "Panjemaesh pa
germanskamo?" (Você entende alemão? - ed.) ainda é russo, mesmo se eu usar
letras latinas! (Bem, um russo bem macarrônico, mas acho que dá para você
entender o que quero dizer). Portanto, se eu usar um instrumento feito por um
judeu para tocar música européia, a música ainda será européia. Pela mesma
razão, estas respostas não são americanas, mesmo que eu esteja usando uma
invenção americana – o PC – quando respondo estas perguntas. Certo?
Eu posso ver a ligação entre a música clássica e certos tipos de metal, mas minha
principal objeção era, e ainda é, que a cultura relacionada ao metal é “negra”. Os
"metal heads" tendem a se comportar como um bando de “negros brancos”,
digamos assim, com sua cultura de sexo, drogas e rock'n'roll.

VISÃO DO MUNDO

O que você está fazendo agora? Você tem escrito livros ou artigos
ultimamente? Publicou algo em revistas? Você ainda faz pesquisa em
mitologia e história européia e ariana?

Sim, ainda leio livros e tento ampliar meus horizontes. Não tenho escrito muitos
artigos ultimamente; na verdade, o único que escrevi no ano passado é aquele que
enviei a você há algumas semanas sobre o livro “Lords Of Chaos”. Nos últimos
três anos, mais ou menos, tenho estado muito isolado, por diferentes razões, e não
estive em condições de escrever muitos artigos ou de fazer algo realmente
relevante. Sim, eu escrevi alguns livros desde 1998, mas alguns não valem a pena
ser publicados e outros serão incluídos em trabalhos posteriores depois de terem
sido traduzidos para o inglês. Provavelmente o primeiro livro será publicado no
começo do ano que vem e será em inglês, a propósito. Você saberá mais a
respeito depois.

Hoje em dia você é um membro da AHF [N.: Allgermanische Heidnische


Front, organização internacional que defende o paganismo e é acusada de
ser neonazista e anti-semita]? Por que você teve que deixar a AHF? Quais
foram as razões para isso? Você foi forçado a sair ou foi sua própria
decisão?

A NHF [N.: Norsk Hedensk Front, ou Frente Norueguesa do Paganismo] foi


perseguida na Noruega pela Antifa [N.: organização antifascista] e pelo Monitor
[N.: serviço particular de inteligência dedicado a monitorar a atividade e os
dissidentes de direita na Noruega], que sempre diziam que a NHF era neonazista e
que seu líder era Varg Vikernes, e assim por diante. Mesmo quando a NHF disse a
eles que Varg Vikernes não era o líder da NHF ou da AHF, eles continuaram
dizendo as mesmas coisas. Até a polícia secreta afirmou categoricamente que eu
era o líder da NHF quando eles entrevistaram um dos caras da NHF (quando ele
tentou obter uma licença para uma pistola 10mm H&K). Ele disse a eles que eu
não era o líder, mas eles simplesmente o ignoraram e confiaram em suas próprias
fontes.

Depois de certo tempo eu percebi que seria interessante ver o que essas pessoas
fariam se eu nem mesmo fosse um membro da NHF. Será que eles ainda
alegariam que eu era o líder? Não importava se eu era um membro ou não, já que
eu estava na prisão e incapacitado de participar de qualquer uma de suas
expedições até velhos fortes nas colinas, ou coisas desse tipo. Por essa razão eu
deixei a AHF/NHF, para ver como os idiotas da Antifa/Monitor e a polícia secreta
agiriam. Na prática, eu nunca fui um membro, então os caras da NHF nunca
notaram qualquer diferença (de fato, eu não me encontrei nem com metade deles)
e, se eu quiser escrever artigos para a revista deles, eu posso fazer isso de
qualquer maneira, sendo membro ou não.
A AHF/NHF nunca me pediu para sair e não houve briga alguma entre nós. Eu
simplesmente saí, pelos motivos mencionados acima.

Pergunta de Helen, de Petropavlovsk-Kamchatskiy, Rússia: Que livros você


está lendo agora? Como e onde você os obtém?

No momento, estou lendo "Gjennom Lysmuren" (Através do Muro da Luz), por


Bente Müller, e "Historien om Europe" (A História da Europa), por Karsten Alnæs.
Mas não posso recomendar nenhum deles. O livro de Alnæs é – como seus outros
livros – muito ruim. Suas reflexões são tão politicamente corretas (ignorantes) e
chatas que é difícil não cair no sono. O outro eu apenas comecei, mas também
não parece bom.

Nós podemos ir à biblioteca aqui uma vez por semana e pedir para o bibliotecário
livros de qualquer outra biblioteca na Noruega. Fora isso, eu às vezes recebo livros
de minha bondosa mãe, que é membro de um clube de livros, ou de amigos.

Você já leu The Book of Veles [N.: O Livro de Veles, que fala de cultura e
história eslava, mas que tem sua autenticidade contestada]? Qual é a sua
opinião sobre ele?

Não, eu não o li, mas li um review escrito por Sverd em uma revista norueguesa
(KultOrg. Skandinavio [Ooops, esqueci como é que eles escrevem isso...]) e
gostaria de lê-lo (essa revista é conhecida como "KulturOrgan Skadinaujo"; mais
informações aqui: www.kultorg.com - ed.). O problema é que ainda não encontrei o
livro em nenhuma biblioteca da Noruega. Por alguma razão estranha, ultimamente
também tenho tido problemas para encontrar livros sobre mitologia grega...

Pergunta de Sventevith, de Kosice, Eslováquia: Qual sua opinião sobre as


nações eslavas (do leste europeu) e seu possível (futuro) lugar na Europa?

O possível lugar das nações do leste europeu na Europa? As nações do leste


europeu nunca tiveram um lugar na Europa? Ou talvez você esteja se referindo à
União Européia? Se você estiver se referindo à EU, posso dizer que tenho uma
visão bastante negativa sobre ela e nunca aconselharia ninguém a se juntar
àquela união completamente corrupta, extremamente burocrática,
predominantemente católica e totalmente caótica.

Bem, de qualquer forma, tenho uma visão geralmente positiva sobre as nações do
leste europeu, tanto as nações eslavas quanto as bálticas, e posso acrescentar
que tenho uma visão muito mais positiva sobre o leste do que o oeste ou o sul da
Europa. Há mais cultura aborígine européia na Lituânia, por exemplo, do que há
em todo o oeste e sul da Europa.

Como sou da Rússia, qual a sua opinião sobre os russos e nossos vizinhos –
ucranianos e bielo-russos?

Até onde sei, Ucrânia significa algo como “na fronteira” e, claro, Bielo-Rússia
significa “Rússia branca” porque há mais pessoas loiras lá do que no resto da
Rússia então, para mim, vocês são basicamente iguais – como os dinamarqueses,
suecos e noruegueses são basicamente iguais. E isso é, na verdade, um elogio a
todas essas nações, já que tenho uma visão bastante positiva sobre a cultura e a
população russa (e escandinava). As mulheres russas são bonitas, a música russa
é bonita e a história nos diz que os russos são corajosos, fortes e orgulhosos.

Pergunta de Durbwakh, da Rússia: Você concorda com o fato de que os


russos são descendentes de antigos escandinavos – os varengues, já que a
palavra “Rússia” deriva do nome das tribos Ross/Russ? Isso significa que os
deuses pagãos alemães/ escandinavos e russos são os mesmos, mas têm
nomes diferentes?

Todos os deuses pagãos europeus são os mesmos, nós apenas os chamamos por
diferentes nomes, como Svarog, Uranos, Wotan e Óðinn (Ódhinn), ou Perun, Zeus,
Jupiter, Donar e Þórr (Thórr), e assim por diante. Há pequenas diferenças em
diferentes partes da Europa mas, basicamente, os deuses são os mesmos – e
originalmente eles eram idênticos (da mesma forma que nossas línguas indo-
européias).

É claro que muitos russos têm sangue escandinavo e vice-versa. Mas eu não acho
que o fato de que muitos escandinavos, principalmente suecos, se estabeleceram
na Rússia/ Ucrânia/ Bielo-Rússia na era Viquingue tenha algo a ver com o fato de
que temos deuses pagãos em comum. É errado acreditar que os russos não
tinham uma religião e uma cultura pagã antes dos escandinavos chegarem à sua
região. Como disse antes, todas as tribos aborígines na Europa tinham uma
religião pagã comum e, da mesma forma que nossas línguas se desenvolveram
com o tempo, também o nosso paganismo se desenvolveu.

Outra pergunta de Durbwakh, da Rússia: As nações européias descendem


dos hiperbóreos [N.: De acordo com a tradição da mitologia grega, os
hiperbóreos eram um povo mítico vivendo no extremo norte da Grécia]. De
quem você acha que os hiperbóreos descendem?

Bem, eu não usaria o termo “hiperbóreos”, mas acho que isso é irrelevante.
Obviamente, não posso dizer com certeza, mas aparentemente os hiperbóreos, se
formos usar o seu termo, vieram da Atlântida para a Europa quando a Atlântida
estava coberta de gelo, há uns 80.000 anos. O mais provável é que as ruínas de
Atlântida estejam sob o gelo da Antártica (dessa forma, afundando num “mar” de
gelo), e um desastre natural forçou os hiperbóreos a se mudarem para outras
partes do mundo (deve ter ocorrido um erro de impressão aqui, porque a
Hiperbórea seria localizada no Ártico – ed.). Alguns lugares em que eles se
estabeleceram eram desabitados e outros eram habitados por outras raças.
Algumas tribos foram assimiladas por populações maiores de outras raças (como
na América, entre 10.000 e 20.000 anos atrás), outras pereceram e a única tribo
que sobreviveu “imaculada” foi aquela que foi para a Europa. Essa foi a tribo que
originou todos os povos (“brancos”) europeus e essa é, obviamente, a tribo a que
me refiro quando digo que todos tivemos a mesma língua e religião no passado.

De acordo com pesquisas modernas, os antigos arianos chegaram até a


Índia vindos do território norte dos Montes Urais e trouxeram sua crença –
que depois foi chamada de Hinduísmo. Depois se mudaram para o oeste e
exploraram a Europa e o norte da África. Você vê alguma conexão direta
entre o hinduísmo, o budismo e as crenças germânicas/ escandinavas?
Não, não vejo e devo dizer a você que a teoria da “invasão” indo-européia da
Europa é muito duvidosa. Os arianos eram um povo que chegou ao vale do rio
Indo, tudo bem. Eles tinham origem européia e trouxeram sua cultura ao vale do
Indo. Depois de certo tempo eles foram assimilados pelas populações de nativos,
que eram maiores, e então sua cultura avançada desapareceu. Em outras
palavras, a tribo ariana desapareceu devido à mistura de raças. Ainda vemos que
a casta (que, a propósito, significa “cor”!) mais alta ainda tem algum sangue ariano
pois, às vezes, ainda nascem crianças com olhos azuis ou cabelo loiro nessa
casta.

O que você está mencionado é uma teoria que diz que houve uma migração de
indo-europeus, ou arianos, para a Europa há 4.000 anos. Eles baseiam essa teoria
na disseminação de armas de bronze, em especial de um certo tipo de machados
de bronze (machados de guerra). Isso pode parecer razoável, mas é, na verdade,
um absurdo. Não houve “invasão” da Europa pelos arianos. O que vimos foi a
disseminação da tecnologia do bronze, que foi rapidamente adotada por todos os
povos europeus (os outros “arianos”).

A teoria do “Povo do Machado de Guerra” e de sua invasão da Europa há 4.000


anos é, na verdade, muito tola. Podemos comparar o que aconteceu com a
disseminação do feudalismo na Idade Média e, obviamente, aquilo também não foi
uma invasão de uma nova e diferente tribo – e sim a disseminação de uma nova
maneira de organizar a sociedade. Isso também não significa que a disseminação
da “Microsoft” por todo o mundo deveu-se ao fato de que certa tribo americana
conquistou a Terra nos anos 80 e 90, como poderia ser deduzido por futuros
arqueólogos que possam utilizar essa mesma lógica para explicar a disseminação
mundial daquilo que aconteceu quando todas as tribos européias subitamente
começaram a produzir artefatos de bronze. Arqueologia é uma ciência muito
imprecisa e frequentemente suas conclusões são extremamente ignorantes.

No que se baseia o seu ponto de vista sobre a política no mundo moderno?

Intuição...

Pergunta de Tetsuro Yoshioka, do Japão: O que você pensa sobre o


terrorismo muçulmano moderno?

Essa questão é complicada. Há muitos aspectos a serem considerados. Por um


lado, a maior parte das pessoas vai concordar comigo quando digo que “O que vai,
volta”. Você colhe o que planta, certo? O terrorismo ao qual os EUA estão
expostos hoje em dia não é nada comparado ao terror dos bombardeios que eles
lançaram sobre a Alemanha e o Japão na última guerra mundial, e eles tinham
civis como alvo, da mesma forma que os terroristas muçulmanos. A única
diferença é que os EUA eram certamente mais habilidosos e competentes no
assassinato em massa de civis do que esses caras com “toalhas na cabeça”
jamais poderiam sonhar em ser.

Por outro lado, quem é que esses muçulmanos pensam que são? A própria
sobrevivência deles depende da boa-vontade do mundo ocidental. Eles deveriam
estar contentes pelo fato do mundo ocidental não decidir arrasá-los completamente
e, considerando essa possibilidade, provocar os EUA com terror não é uma idéia
muito boa. E eles já arrasaram povos antes (os nativos americanos, por exemplo).
Já há pessoas argumentando que deveríamos bombardear Meca toda vez que
algum desses muçulmanos peida na direção errada. Também vemos pessoas
dizendo que deveríamos simplesmente deixar Israel fazer o que quiser “naquelas
paradas”. Por que deveríamos nos preocupar com o que acontece a eles quando
esses muçulmanos ameaçam a vida de nossos filhos? De qualquer forma, os
árabes não têm direito àquela área: as culturas mesopotâmicas/ babilônicas,
egípcias e assírias não foram construídas pelos árabes. Os árabes chegaram a
essas áreas vindos da península saudita no século VII, ou seja, centenas de anos
depois que a última dessas culturas antigas que mencionei já tinha deixado de
existir. Pelo menos os israelenses possuem direitos históricos sobre aquela área,
até eu entendo isso. Chamar os árabes de “palestinos” não muda esse fato.

O problema não é a ameaça do terror, mas como os governos do ocidente reagem


a ele. Eles usam isso como desculpa para restringir os direitos de seus próprios
cidadãos, com todo tipo de vigilância e outras medidas de segurança. Eles
basicamente introduzem um estado policial no qual a liberdade dos cidadãos é
bastante reduzida. O que eles deveriam fazer, é claro, seria remover
completamente a ameaça do terror expulsando todos os muçulmanos. Que diabos
esses muçulmanos estão fazendo lá?

Bem, eu posso dizer o que eles estão fazendo lá: praticando sua religião. O Islã é
uma religião imperialista e eles sabem que a única maneira deles dominarem o
mundo é fazer com que seus seguidores se mudem em massa para países
civilizados, poderosos e ricos. Eles se reproduzem como ratos e, se os deixarmos
ficar, seria apenas uma questão de tempo antes de se tornarem maioria e, se isso
acontecer, eles não precisarão de poder militar para tomar o poder. Nossa
“democracia” fraca e tolerante torna isso possível. Em Oslo, 40% de todas as
crianças já são imigrantes como esses!

Na minha mente paranóica, parece que alguém está deixando esses muçulmanos
chegar e ficar somente porque eles querem nos manter reféns, por assim dizer.
Por que alguém deveria temer o terror muçulmano se não houvesse muçulmanos
em nossos próprios países? É claro que não! Eles são uma ameaça apenas
porque eles vivem entre nós. Agora, quem se beneficia com isso? Israel com
certeza sim, já que cada vez mais pessoas entre nós estão inclinadas a deixar os
israelenses fazer o quiserem “naquelas paradas”, porque temos medo ou estamos
cansados da escória muçulmana (como sempre, uso termos bastante
diplomáticos...). Além disso, os governantes ocidentais também se beneficiam
disso. Eles são capazes de assegurar seu poder, reprimir sua oposição e todos os
que discordam deles, usando a ameaça do terror como desculpa para fazer isso.

Portanto, o terrorismo muçulmano moderno é um estratagema mesquinho e


podemos e devemos resolver esse problema expulsando todos os Muçulmanos de
volta para seus países de origem – e dar um tiro na cabeça deles caso se recusem
a ir voluntariamente (ou se eles não forem rápidos o suficiente). Se necessário,
poderemos sempre tomar o que quisermos, como petróleo, dessa escória – como
o Japão fez em 1941 na Indonésia e os EUA no Iraque recentemente. O que eles
poderão fazer a respeito, jogar pedras em nós? Eles só conseguem retaliar se nós
deixarmos. Interprete esse comentário como Você quiser...

Quando isso for feito, poderemos também expulsar os turcos da Europa e devolver
aquela área para os gregos... (Seria isso o que chamamos “jogar lenha na
fogueira”? Se não tivéssemos noção alguma, alguém poderia pensar que eu sou
britânico...).

Pergunta de Gert Pedersen e seu amigo de Esbjerg, Dinamarca: Como você


vê a sociedade escandinava moderna? Se você pudesse, o que mudaria?

A sociedade escandinava moderna? Está bastante bagunçada, com certeza, mas


todos os problemas têm origem principalmente nos imigrantes não-europeus. Há
tanto a ser dito sobre esse assunto que eu nem saberia por onde começar. Em
relação ao que eu mudaria, posso dizer que gostaria de ver a Dinamarca e a
Suécia saírem da União Européia. Ironicamente, parece que a população
dinamarquesa e a sueca concordou comigo nesse contexto por um certo tempo,
mas eles ainda são membros. (E por aí vai a “democracia”). Os três países
escandinavos deveriam simplesmente tornar-se um, Escandinávia. A Noruega
possui petróleo e peixes, a Suécia é avançada no campo da tecnologia, indústria e
ciência e a Dinamarca possui... bem, desculpe minha ignorância, mas o que Vocês
têm?... Em qualquer caso, uma Escandinávia unida seria um cenário de sonho.

Há muito o que precisa ser mudado se quisermos que nossa civilização sobreviva.
Em primeiro lugar, precisamos nos livrar de todos os imigrantes não-europeus.
Não tenho a intenção de insultar os europeus do sul, mas veja só o que a mistura
de raças fez a eles! Se não houvesse a mistura de raças (e o Cristianismo), a
Grécia, por exemplo, ainda estaria produzindo brilhantes filósofos e uma bela
cultura. O que resta de tudo isso hoje? Você precisa até procurar bastante para
achar um banheiro que funciona quando você está nessa região. Há tanto crime lá
que qualquer escandinavo normal cairia da cadeira estupefato se alguém dissesse
o quanto a situação é ruim lá. E todos conhecemos a “bênção” que a herança turca
deixou para o resto dos bálcãs. Eu não diria que essa é a área mais harmoniosa
do mundo. Então, em primeiro lugar, precisamos de uma Escandinávia “somente
européia”. Sangue europeu e religião (isto é, pagã) européia. Quando isso for feito,
nós não teríamos muitos problemas ainda por resolver, na verdade... o resto viria
naturalmente.

Tendo dito isso, eu admito que, comparada ao resto do mundo, a Escandinávia é


um paraíso, mesmo hoje. Como o oeste europeu, temos uma boa economia e,
como o leste europeu, temos uma cultura européia rica e forte – e garotas muito
bonitas...

FUTURO

Pergunta de Zoltan Fekete, da Hungria: Você planeja escrever um livro de


memórias sobre o passado, os anos na prisão e o futuro?

Possivelmente.

Sei que você é bastante inspirado pela música folk européia e eslava. Você
tem algum plano de compor esse tipo de música e lançá-la no futuro? Ou
você já teve a chance de compor material novo?

Bem, eu compus material novo, mas não é música folk. E nem planejo compor
música folk. Eu adoro esse tipo de música mas, de alguma forma, não vejo razão
alguma para eu mesmo tocar esse tipo de música. Se eu faço algo, tem que ser
algo especial, que eu não possa conseguir de nenhuma outra banda, entende o
que quero dizer? Não acho que eu tenha algo para contribuir para a música folk e
eles estão muito bem sem mim.

Isso, na verdade, tem a ver com o problema do Black Metal. Esses caras tocando
em bandas bem que podiam ficar satisfeitos em ouvir Black Metal, ao invés de
formar suas próprias bandas. Por que todo mundo precisa tocar? Não é suficiente
ouvir a música? Se você não faz algo diferente do resto, então não vale a pena
compor música... é o que eu acho.

Quais são seus planos para o futuro próximo?

Além de programação de computadores, traduzir livros e coisas do tipo, eu planejo


comprar uma pequena fazenda em algum lugar da Noruega e viver lá quando eu
sair da prisão – em uns dois anos, eu acho. Fazendo isso, eu terei um lugar onde
poderei escrever livros, compor música se eu quiser, apreciar a natureza, ter um
pouco de paz e sossego e assim por diante. Eu gosto do trabalho manual, então
fazer a manutenção de construções e outras atividades relacionadas é como
minha xícara de chá. Viver uma vida saudável, basicamente. Nada especial, eu
acho.

Varg Vikernes
Trondheim, Noruega
12 de agosto de 2004

Parte XI - Aves Voando Juntas


Varg Vikernes escreveu um novo artigo para o Burzum.org, intitulado "A Burzum
Story: Part XI - Birds Of A Feather Flock Together" (Tradução livre: Uma estória do
Burzum: Parte XI - Aves de um grupo de penas juntas), no qual responde diversas
acusações sobre suas observações feitas no artigo anterior.

Veja a resposta de Varg:

"Quando eu falo através do www.burzum.org eu sempre imagino que falo apenas


para fãs do Burzum. Se não é um fã do Burzum, por que você visitaria este site?
Julgando pela resposta ao 'Uma estória do Burzum: Parte X - O Deus Branco', este
não é o caso. Ou talvez seja, pois eu tenho muitos fãs na mídia.

Quando estes aparentes fãs do Burzum na mídia escrevem notícias que o Burzum
lançará um outro álbum, a reação é meio estranha. A maioria deles são honrados
o suficiente para escrever o artigo inteiro, ou pelo menos a maior parte dele, e
dizer aos seus leitores de onde eles conseguiram essas notícias. Isso é jornalismo
correto e legal, quando lidando com material protegido por direitos autorais.
Aplausos a vocês por isso.

Aparentemente minha comparação de black metallers com o estereótipo Negro e


homosexual não foi levado de forma leve no 'mundo real'. Devido às minhas
observações impensadas eu sou, de acordo com eles ou seus leitores, um
desprezível racista e homofóbico, e deveria ser apedrejado até a morte por ser
intolerante. Naturalmente.
O problema é que minhas obsrvações não são realmente homofóbicas. O que eu
faço é simplesmente apontar os óbvios fatos; alguns black metallers se vestem,
andam, falam e parecem como o estereótipo de homossexuais. Tanto os black
metallers em questão quanto os esteréotipos de homossexuais obviamente
compram suas roupas, sua maquiagem e jóias nas mesmas lojas. Eles vestem as
mesmas roupas, a mesma maquiagem e as mesmas jóias. Então eles se vestem e
parecem como o estereótipo de homossexuais. Fim de discussão.

O engraçado é que eu nunca disse se isso era uma coisa ruim ou não. Talvez eu,
de fato, pense que se vestir e parecer 'gay' seja okay, mas talvez não para black
metallers, que se enxergam e tentam se mostrar como uma espécie de 'guerreiros
das trevas'? Quem pode dizer? Eu certamente nunca disse nada sobre isso em
meu artigo. Então, quando os leitores de minhas palavras reagem tão fortemente é
porque ELES são homofóbicos; ELES obviamente pensam que se vestir e parecer
como homossexuais é algo ruim. Talvez eles devam olhar no espelho e pensar
sobre isso por um minuto antes de me atacar por ser homofóbico?

Quando se fala sobre 'observações racistas' eu posso apenas pedir desculpas a


todos vocês. Eu obviamente vivo num mundo diferente, onde alguém pode discutir
a percepção de alguem sobre a realidade sem nenhum medo de perturbação; um
mundo de tolerância e respeito, um mundo de debate intelectual e honestidade.
Alguns de vocês aparentemente não vivem, então quando eu falo devo ser
cuidadoso. Eu devo dizer, no entanto, que se você não gosta do que eu digo para
meus fãs no www.burzum.org, então por favor não leia ou se refira aos meus
artigos. É um mundo livre, e você é livre para não ler meus artigos. Eu quero
destacar que minha tão chamada 'observação racista' na verdade não teve a
intenção de ser racista ou ofender ninguém a não ser os black metallers em
questão, os quais eu sei que tem algumas visões e opiniões fortes. Eu puramente
tive a intenção de chamar atenção sobre como artistas do black metal estão cada
vez mais agindo e vivendo um estilo de vida como dos indivíduos os quais eles, ao
menos em particular, afirmam desprezar.

No que se refere ao título do próximo álbum, 'O Deus Branco', isso não tem nada a
ver com 'raça' ou 'cor de pele' ou algo do tipo. Por favor parem com essas
besteiras sobre 'O Deus Branco' ser um álbum racista. Este álbum é sobre Baldr,
conhecido como 'O Deus Branco', porque ele é uma deidade solar e porque ele é
pálido após ter passado algum tempo na terra dos mortos. Eu não uso o nome de
Baldr porque quero falar para todas culturas diferentes da Europa, e todos temos
nossos próprios nomes para esta deidade. Os britânicos e outros o chamam de
Belenus, os Gregos o chamam de Apollon, os Romanos chamam de Apollo, os
Eslavos de Byelobog, e assim por diante, e antes deles todos nós o chamávamos
de Belus. No entanto, todos o conhecemos como o Deus Branco, e então eu uso
este nome para o título do meu álbum.

O próximo álbum será uma descrição da parte de nossa cultura que a maioria de
nós esqueceu a respeito. Eu sei que isso interessa a muito de vocês, ou ao menos
muitos dos fãs do Burzum (visto que muitos dos leitores daqui não são fãs do
Burzum). Talvez vocês devam esperar e ver por vocês mesmos, antes de
começarem a 'queimar livros', como certos antepassados na história.

Obrigado pela atenção, e por serem capazes de trazer alguma cor em suas vidas.
:)
Respeitosamente,
Varg Vikernes
(19.11.2009)"

Parte XII - Belus


Quando usei o nome "The White God" para o meu próximo álbum, não tinha ideia
de que isso provocaria tanto medo e tantas emoções irracionais. Para mim, esse é
apenas um apelido para Baldur, que é o tema do álbum. Nenhuma ambigüidade foi
intencional. A verdade é que anunciei o lançamento de "The White God" com
antecedência para diminuir a pressão no host de www.burzum.org., que estava
cansado de dizer às pessoas que o contatavam que ele não sabia quando o
próximo álbum seria lançado, qual seria o nome ou qualquer outra coisa a respeito.
O artigo solucionou esse problema.

Com um título que incluía a palavra “white” [N.: “branco”], aparentemente não foi
possível escapar do radar da mídia racista “ocidental”. Para eliminar a desculpa
usada por eles para espalhar sua campanha de ódio anti-Varg/anti-Burzum quando
(ou até antes) o álbum for lançado, decidi mudar o título. Esses tolos, sempre do
contra, não têm interesse na música mesmo e, devido a isso, não quero a atenção
deles – e não vou tê-la se usar um título que não dê a eles um motivo para me
atacar.

O novo título do álbum é, como você já deve ter adivinhado pelo título deste artigo,
é "Belus", o nome indo-europeu para Baldur/ o Deus Branco. Eu poderia ter usado
qualquer nome europeu para esta deidade, mas escolhi este porque é o mais
antigo nome conhecido e porque é pan-europeu.

"Belus" será lançado pela Byelobog Productions entre março e abril do ano que
vem e terá onze faixas novas: nove faixas de metal, além de uma intro e uma outro
estilo ambiente, o que dá aproximadamente 50 minutos de música (a longa outro
não está incluída). As letras são todas em norueguês, mas traduções em francês e
russo estarão disponíveis no site burzum.org o mais rápido possível –
possivelmente até antes do lançamento do álbum.

No momento, isso é tudo.

Respeitosamente,

Varg Vikernes

(Novembro de 2009)

“Cada gato no seu bando”

Parte XIII - Logos


Muitos de vocês me escrevem sobre “o logo do Burzum". Em 1991 ter um logo
“cool” era uma das coisas mais importantes para as bandas de Metal na Noruega.
O Immortal tinha um, o Mayhem tinha um, o Darkthrone também e assim por
diante. Eles eram cheios de cruzes invertidas e outros símbolos que eram
“satânicos”, “cool” e alguns eram até mesmo difíceis de ler – ou “interpretar”.
Inicialmente, quando saí do Old Funeral e reativei meu próprio projeto, mudando o
nome de Uruk-Hai para Burzum, eu também quis um logo, e uma amiga minha se
propôs a desenhar um para mim. Ela desenhou e tudo estava bem até que percebi
que eu estava seguindo uma tendência. Por que eu faria aquilo quando tudo o que
eu fazia era para ser uma revolta contra as tendências? Então decidi não ter um
logo e apenas usar uma fonte legal.

No final de 1991 eu não tinha acesso fácil a fontes de outros tipos que não os de
minha máquina de escrever. Aquilo foi antes da popularização da Internet. Eu tinha
que comprar algum tipo de fonte adesiva e só podia comprar poucos conjuntos
para depois usá-los para “construir” palavras, letra por letra. Por alguma razão,
seja porque as letras certas tinham acabado ou porque fiz de propósito – não
consigo me lembrar – escrevi o nome Burzum com letras maiúsculas e usei a
única fonte diferente que eles tinham na livraria: Gothic.

Quando lancei o álbum de estreia, pedi para a gravadora, a DSP, para usar esse
tipo de letra não somente para o nome da banda, mas para todos os outros textos
do álbum. O nome Burzum não era, em outras palavras, realmente um logo, mas
apenas o nome da banda escrito em letras Gothic juntamente com outros textos
em Gothic. Depois de um certo tempo parei de pensar sobre logos e, por alguma
razão, não mudei o tipo de fonte usada nos álbuns. Dessa forma, muitos
começaram a pensar que o nome “Burzum” em fonte Gothic era o “logo Burzum".
Mas nunca foi. Apenas o nome importava; a fonte era, e ainda é, irrelevante.

Para o álbum "Dauði Baldrs" ou "Hliðskjálf" (não me lembro qual) eu quis usar uma
fonte ainda mais comum, como Arial mas, por algum motivo, acabei não mudando.
Não me lembro por que não mudei. Algumas memórias perdem-se para sempre –
porque não importam realmente.

Para "Belus" eu finalmente decidi usar uma fonte diferente para enfatizar que o
Burzum não tem um logo e também para indicar que este é um novo começo para
o Burzum. Eu encontrei algumas fontes de graça na Internet e escolhi uma que era
adequada ao conceito do álbum: Belus, o deus do carvalho (e sua esposa, Eduno,
a donzela dos campos). A que decidi usar tem uma aparência florida, tipo fantasia,
e era exatamente o que eu estava procurando.
Tenho certeza que essa fonte já foi usada por outros antes de mim – qualquer um
na face da Terra pode fazer o download de graça – e não estou tentando ser
original. Cansei de ser original. Eu só quero fazer aquilo que me agrada, não
importa o que o resto do mundo possa ou não possa fazer, e eu não quero um
logo. Eu simplesmente usei uma fonte que se encaixa no conceito do álbum. Estou
sendo eu mesmo e não o oposto daqueles de quem não gosto.

A propósito, se um dia eu quiser criar um logo para o Burzum eu o farei. Nada está
entalhado na rocha: nem logos, nem decisões sobre logos e nem qualquer outra
coisa. Nem mesmo o nome Burzum está...

Varg Vikernes

(Dezembro de 2009)

Parte XIV - Para sempre indomado


Antigamente eu era um ser humano feliz. Jovem, ignorante e inocente. Olhos
azuis, honesto e totalmente bom. Em outras palavras, eu não havia ainda sido
“educado” pela sociedade. Porém, como muitos outros, eu havia nascido em um
mundo que não fora criado para mim. Eu havia nascido um ser humano livre, um
caçador-coletor da Idade da Pedra de uma linhagem genuinamente
européia,selvagem e indomado como um lobo. Eu não parecia nem um pouco com
as pessoas já domesticadas que me cercavam. Então eu as observei estupefato: o
que estariam elas fazendo e dizendo e por quê? Por que se preocupam com o que
os outros pensam das roupas que vestem, da música que escutam, das suas
brincadeiras? Eles estavam quase todos desesperados para se “encaixar” nos
moldes da sociedade. Eles queriam ser ainda mais domesticados do que já eram.
Nas palavras de minha esposa, eles estavam se auto-domesticando. Por quê?

Se você quiser continuar lendo, esperando encontrar uma resposta a essas


perguntas, você pode parar agora mesmo; eu ainda não sei a resposta, exceto
talvez que sei que agem assim porque são criaturas domesticadas. Domadas.
Quebradas. Aleijadas. Sem valor algum...

A vida seria melhor, ou pelo menos muito mais fácil, para mim pessoalmente se eu
também tivesse me domesticado mas, como o lobo, eu não posso. Eu sou
indomável. Então estou em constante conflito com o mundo em que vivo. Ele é
feito pelo homem domesticado e para ele, não para mim. Agora, se você estiver
lendo isto existe, é claro, uma chance de que você seja um homem livre, assim
como eu; você é indomado e provavelmente indomável. E, obviamente, você é
assim pela mesma razão que eu; yo nasceu um ser humano livre de linhagem
genuinamente européia. Não somos mestiços e, portanto, somos indomáveis. A
última fortaleza de esperança para a humanidade como espécie.

Porém, ao invés de continuar com esse tópico, eu explicarei por que isso é
mencionado no contexto do Burzum. Veja bem, o Burzum surgiu não porque eu
queria fazer música ou porque procurava fama e fortuna (como se eu tivesse
alguma dessas agora...). Não. O Burzum surgiu porque eu não tinha nada melhor
pra fazer. Nada me interessava. Por nada valia a pena trabalhar ou lutar. E – caro
Deus Pagão – eu certamente não queira passar o resto de minha vida entre
pessoas domesticadas. “Pessoas-ovelhas”. Naturalmente eu tinha a esperança de
que o mundo seria completamente destruído na III Guerra Mundial para que
pudéssemos recomeçar do zero e construir algo melhor sobre as ruínas do velho
mundo e, enquanto isso, eu tocava minhas guitarras no meu quarto de menino.
Mas, como bem sabemos, essa esperança foi esmagada quando o Muro de Berlin
caiu e a União Soviética deixou de existir. Tudo que me restou foi minha velha
guitarra e nada mais para fazer.

Mas eu, honestamente, gostaria de ter feito outra coisa. Algo mais particular. Algo
que eu não precisasse compartilhar com o mundo para poder tirar o meu sustento.
O único problema é que não consigo dizer o que poderia ter sido. Já era muito
tarde para me alistar nas Waffen-SS, e aqueles caras usavam uniformes, então eu
provavelmente não me encaixaria bem, e era certamente tarde demais para
embarcar num navio viking e ensinar aos apoiadores do Judaísmo em toda a
Europa que os europeus não devem ajoelhar-se na frente de falsos “deuses”
estrangeiros e especialmente não daquele bastardo e criminoso judeu chamado
Jesus.

Hoje em dia estou, de certa forma, de volta ao ponto de onde comecei: esperando
por este mundo ser destruído, não pela 3ª Guerra Mundial, entre os criminosos da
OTAN e do Pacto de Varsóvia, mas pela crescente turbulência, tumultos e guerras
civis, que levarão ao colapso total de todas as instituições de nossa sociedade. Eu
temo isso, porque não acho que será um período de mudança muito fácil para
nenhum de nós, mas sei que precisamos disso, então acredito que será algo bom.
Mesmo as “pessoas-ovelhas” precisam disso, caso contrário serão destruídas
pelos seus mestres judeus. É claro que os judeus escaparão do naufrágio com
todo o ouro que puderem carregar, isso se tiverem algum lugar para ir agora, mas
o resto de nós, pessoas-ovelhas e pessoas boas, sofrerão por um longo tempo
antes que as coisas melhorem novamente.

Então, caros amigos e inimigos, ainda estou com minha guitarra e sou forçado
pelas circunstâncias a permanecer como um mero músico. Não como um guerreiro
nórdico defendendo seus semelhantes e sua tribo. Não como um soldado da SS
lutando contra os serviçais dos judeus no leste ou oeste. Nada favorável, honrado,
divertido ou nobre; somente um mero músico... outro músico qualquer. Como se já
não houvesse muitos deles.

Varg Vikernes
Bergen, 11.11.2012

Parte XV - Sempre em uma fantasia


De todas as fascinações que tive na vida, acho que minha fascinação por RPGs foi
a que mais me influenciou, e essa fascinação é também uma parte importante do
surgimento do Burzum. Eu descobri o MERP (Middle-earth Role Playing, or RPG
da Terra Média) quando eu tinha 12 anos, e depois outros jogos também e, pra
dizer o mínimo, minha vida mudou pra melhor. Minha imaginação tinha um mundo
completamente novo para trabalhar, que era organizado e definido por regras
claras, e finalmente eu poderia passar meu tempo não apenas longe da sociedade
cinzenta, monótona e decadente da Noruega Marxista, mas até mesmo em um
mundo de fantasia! Eu já tinha (ilegais, é claro) rifles e munição, então eu estava
pronto para a 3ª Guerra Mundial, que eu esperava que mudaria o mundo;
enquanto isso, eu poderia escapar para uma fantasia maravilhosa. Exceto o tempo
que eu passava no ônibus ou (a partir dos 14 anos) dirigindo meu ciclomotor
(freqüentemente para a livraria para comprar novos livros de RPG), além de tocar
guitarra, eu passava praticamente todo o tempo preparando partidas, jogando ou
pelo menos pensando sobre RPGs. Eu cheguei a freqüentar aulas de artes
marciais algumas vezes por semana e ia semanalmente para o clube de tiro (pelo
menos para comprar munição para meus rifles ilegais), mas era só isso. Essa foi
minha vida, dos 12 aos 16 anos. Eu não fazia os deveres de casa e, quanto mais
perto eu chegava dos 16 menos, eu freqüentava a escola. Eu, na verdade, era um
estudante muito bem sucedido, mas por que me preocupar com isso se tudo
estava indo por água abaixo mesmo? Alguns diplomas escolares valeriam muito
pouco para mim quando as coisas começassem a esquentar. Meu capacete de
aço original da SS alemã, meu rifle e meus cartuchos de munição (que chegaram a
3000), por outro lado, seriam algo de muito mais valor no futuro...

O problema era que aqueles com quem eu jogava RPG realmente se


preocupavam com a escola e, por volta dos 16, o último deles parou de jogar. Eles
tornaram-se muito ocupados para viver a vida e passavam todo o seu tempo
estudando por uma oportunidade para tornarem-se endividados de bancos
controlados por judeus. Por alguns anos, provavelmente dos 16 aos 20, eu
continuei comprando livros relacionados a RPGs e, obviamente, eu tinha saudade
dos dias em que eu costumava jogá-los também. Quando eu tinha 17 anos eu
entrei em contato com a agora infame cena metal de Bergen mas, “é claro”, eles
eram todos – com o devido respeito – estúpidos demais até mesmo para perceber
do que se tratava um RPG. Penso que você precisa de um QI de três dígitos para
entender o básico até mesmo dos RPGs mai simples. Eles, na verdade,
costumavam se referir a eles como “jogos de poder do Varg”, achando que o seu
objetivo era você controlar os outros e tornar-se poderoso o suficiente para
governar o mundo. *suspiro* E eles também não compartilhavam o meu interesse
em equipamento militar. A única coisa que realmente tínhamos em comum era o
interesse em música (sim e, é claro, garotas...)

Como curiosidade eu poderia acrescentar que, quando eu fui preso em 1993, a


polícia usou meus mapas de RPG (da Terra Média e de outros reinos fantásticos)
que decoravam as paredes de meu apartamento, após falarem com os sub-
humanos da cena metal sobre os meus “jogos de poder”, para argumentar que eu
era um megalomaníaco que queria tornar-se o rei ou ditador da Noruega. Veja, eu
havia usado alguns mapas velhos do oeste da Noruega para uma partida muitos
anos antes e havia, entre outras coisas, um desenho da bandeira de Sauron em
um deles então... Obviamente eu era um megalomaníaco ansiando por poder a fim
de escravizar a Noruega sob minha vontade e ainda havia a “minha” bandeira do
olho, que era obviamente satânica. Excelente. Bom trabalho detetives! Se eles não
tivesse sido pelas conseqüências que isso teve para mim pessoalmente e para
minha imagem, teria sido hilário! Essa “evidência” foi realmente usada no tribunal
para demonizar-me e influenciar o veredito. Toda a Noruega estava em choque! E
eu acabei ficando com uma “carta” de doido megalomaníaco. (Eu ainda espero
ansiosamente por uma boa oportunidade de jogar essa “carta”...)

Devo ainda notar que um encontro que eu tive com a agência de desemprego em
Bergen também contribuiu para o rumor de eu ser megalomaníaco. Naturalmente
eu não queria um emprego e pagar impostos para aquele sistema por nada deste
mundo e queria estar absolutamente certo de que eu não seria empregado por
ninguém (sim, não conseguir um “emprego” totalmente sem sentido na Noruega
Soviética era um problema), então quando perguntado que tipo de emprego eu
queria eu disse “ditador da Noruega”. Ele parou e, sem dar qualquer sinal de que
havia entendido que eu estava tirando sarro, perguntou-me calmamente se havia
outros empregos que eu gostaria de ter (veja você, ele tinha dois espaços em
branco em seu formulário sob o título “opções de emprego” para preencher) e eu
então respondi: “Naturalmente, eu também não recusaria uma oferta para o
emprego de ditador do mundo”. (Por alguma razão eu nunca mais tive contato com
eles...) Mesmo os “metalheads” entenderam que era gozação mas, quando eu fui
preso, isso foi o que informaram para a polícia (aparentemente dizer nada para a
polícia nunca foi uma opção para aqueles caras) que, com maestria, encaixou as
peças (as outras eram os meus mapas de RPG) e voilá, eles haviam descoberto o
meu segredo. Eu era definitivamente um doido megalomaníaco e deveria ser
tratado como tal (e, como você deve saber, foi o que fizeram comigo desde então).

*Suspiro*

Eu gostaria de saber qual é a verdade por trás de todas as outras bizarras e


ilógicas notícias transmitidas para nós diariamente. Se meu caso é tão absurdo e
tão longe da realidade, por que os outros seriam diferentes?

Agora, bem, desculpe pelas minhas divagações. Voltarei ao tópico original deste
artigo.
O que aconteceu em seguida foi que, por algum tempo, não permitiram que eu
jogasse RPGs na prisão porque eles não permitiam nenhuma propaganda satânica
(...). Quando eu argumentei que aquilo não era nenhuma “propaganda satânica”
eles começaram a dizer que havia uma proibição de toda propaganda nazista (eu
acho que qualquer referência a “raças” diferentes tornava qualquer RPG algo
completamente nazista na opinião de qualquer representante domesticado da
espécie “Homo norwegicus”. A mera menção da palavra “raça” provavelmente
fazia seus sentimentos de culpa irem pras alturas. “Rememba da Holocaust!”
("Lembra da Holocausto!")). Então... Nada mais de jogos de poder nazistas para o
megalomaníaco Varg.

Como se isso já não bastasse, minha mãe, que obviamente culpava meus RPGs
por tudo o que aconteceu de errado em minha vida, rapidamente percebeu que
estavam tomando muito espaço em sua casa de três andares (e suas outras
casas, apartamentos e prédios de escritórios aparentemente também não tinham
espaço para eles), então ela jogou todos fora como se fossem lixo. Tudo o que já
tinha sido lançado de MERP até 1993. Todos os conjuntos D&D e toneladas de
suplementos. GURPS (Generic Universal Role Playing System, ou Sistema
Genérico e Universal para RPGs) com toneladas de suplementos. RuneQuest.
HârnMaster. Twilight 2000. Rolemaster com toneladas de suplementos, Conan
RPG, et cetera, et cetera, et cetera. Tudo desapareceu. Para sempre. Quase todo
o dinheiro que eu tinha agarrado com minhas mãos sorrateiras entre as idades de
12 e 20 foi gasto em RPGs. Eles eram meu refúgio mental, ou até mesmo minha
vida, por assim dizer, e mesmo assim eles foram muito facilmente jogados fora
como se fossem lixo pela minha própria mãe. Mas, obviamente, estando na prisão,
eu estava tão cheio de outros problemas (a maior parte do tipo “propaganda
satânica” [vulgo completos absurdos]) que não conseguia dar muita atenção ao
que acontecia do lado de fora. O maior pesar veio mais tarde, quando eu tive mais
tempo para respirar e pensar e, por mais tolo que isso possa parecer, ainda está
lá. Aquilo ainda me perturba. Eu realmente sinto falta de meus velhos RPGs e de
jogá-los.

Eu finalmente comecei a preencher o vácuo que aquilo deixou em minha vida por
volta de 2007 ou 2008 (eu acho), quando me permitiram encomendar uma cópia
do D&D 3.5 (o único RPG que eu sabia que estava disponível naquela livraria) e
mandar para a prisão em que eu estava, já que eu tinha curiosidade em saber se a
magia ainda estava lá. Mas, na verdade, não estava. Era como no tempo em que
eu era um garoto e tinha problemas em achar D&D (ou AD&D) muito intrigante. O
sistema de Classe de Armadura, Classes, Níveis de Experiência, Pontos de
Ataque, memorizar feitiços diariamente (quantas vezes você tinha que memorizar
um feitiço antes de saber de cor?) e assim por diante; simplesmente não fazia
sentido. E eles também não tinham feito nada com essas regras e conceitos
ilógicos. Ainda estava tudo lá.

Agora, é aqui que eu - finalmente, você poderia pensar – chego ao ponto; ao invés
de ficar desejando e perder meu tempo lamentando a perda da maior (ouso dizer)
alegria da minha (pelo menos da minha adolescência) vida, eu percebi que eu
deveria criar meu próprio RPG. Todos os meus velhos RPGs tinham falhas e
aspectos negativos, então por que não fazer um jogo exatamente do jeito que eu
quiser? Claro, outros ainda vão preferir outros jogos, e não há problema nisso,
mas eu gostaria de ser capaz de jogar – ou pelo menos ler as regras de (eu sou no
fundo um bastardo infeliz sem amigos) – um jogo com todas as características que
eu gostava e também sentia falta em meus velhos RPGs. Então eu comecei e
passei todo o tempo que eu deveria ter usado para estudar na prisão (...)
trabalhando em meu RPG, e tenho feito isso desde então Agora eu componho
música, que é meu ganha-pão, mas, para ter alguma satisfação extra na vida, ou
talvez simplesmente pela nostalgia e desejo, eu tenho meu RPG como hobby, se
você quiser chama assim. Se tudo acontecer de acordo com meu plano, eu
começarei a publicar online filmes curtos, artigos ou monólogos relacionados, para
promover o jogo. Ainda não está pronto e nem foi testado e, até onde sei, poderei
levar uma eternidade para terminá-lo, mas – tenha paciência – eu faço isso
principalmente por paixão, uma adoração por RPGs e por fantasia em geral. Não
preste atenção em meu jogo se você não quiser. Mas pelo menos agora você sabe
por que eu faço isso. RPGs são tão parte de mim quanto o Burzum e, de certa
forma, são os dois lados da mesma moeda. Quando o caos chega, ele chega pra
valer, mas até então eu desfrutarei de minha música e de meu RPG.

Quando estiver tudo pronto, se isso acontecer em breve, eu publicarei o jogo.


Agora, como você já deve saber, eu não sou um judeu que anda por aí com as
mãos nos bolsos somente quando está congelando, então eu planejo fazer um
jogo completo e incluir tudo o que você pode precisar (exceto dados, lápis e folhas
de papel) em um único livro. Em outras palavras, eu não planejo fazer uma
tonelada de suplementos caros com informações que já deveriam estar no livro
principal. Entretanto, isso também significa que há muito trabalho por trás deste
jogo e há ainda muito trabalho a ser feito para terminá-lo.

Agora eu devo acrescentar que eu não quero fazer um jogo para computadores,
por muitas razões, mas principalmente porque quando as lâmpadas apagarem em
nosso mundo, e todos os computadores desligarem, ainda poderemos ler um livro
de RPG e jogar não só durante o dia mas também à noite sob a luz de uma vela,
lamparina ou fogueira. Dados não precisam de eletricidade. Nem nós.

Obrigado pela sua atenção.


V.V.
Bergen, 11.11.2012

Si vis pacem, para bellum ("Se você quiser paz, prepare-se para a guerra").