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Resumo Psicologia

1º teste – 7º período

Tema I: Antes de Mim – A genética e o cérebro

1. Definição e objeto de estudo da Psicologia

A psicologia é uma área da Filosofia, que se demarca da mesma por se afirmar como ciência, uma vez que
recorre ao método experimental. Centra-se nas ações e no compotamento humano, bem como em todos
processos mentais subjacentes.

2. Genética
Todos os indivíduos herdam dos seus projenitores um conjunto de informação genética que consiste em
potênciais caracterísitcas que pode vir a desenvolver. Toda esta informação genética herdada em conjunto
com as características genéticas prórpias do indivíduo (nem toda a informação genética é herdada)
constituem o genótipo.
Essa informação que reside no indivíduo em potência não se manifesta na sua totalidade e está sempre
sujeita aos estímulos do meio. Assim, todas as características genéticas que se expressam fisicamente
designam-se por fenótipo.

Hereditariedade
Designamos por heritariedade específica as transmição de características genéticas que ditam que o indivíduo
gerado desenvolverá características humanas. Este tipo de hereditariedade é comum a todas as pessoas e
transmite as características que nos distinguem das outras espécies.
Por outro lado, a hereditariedade individual consiste na transmição de características genéticas que são
relativas apenas a nós e que nos moldam de forma distinguível das outras pessoas.

Performismo e epigénese
Há duas correntes que interpretam a relação entre o genótipo e o fenótipo, ou seja, entre o património
genético e as características que realmente se manifestam.
O performismo defende que as características evidenciadas por um indivíduo são uma mera amplificação do
genoma das suas células primoridiais. O nosso desenvolvimento estava, assim, já predeterminado após a
nossa conceção nos genes que herdamos. Esta visão está associada ao determinismo biológico.
Por outro lado, a visão epigenética acredita que o desenvolvimento do indivíduo é condicionado não só pelos
genes que este herda, mas também pela ação de fatores externos de ordem vivêncial, cultural e biológica.
Desta forma, a hereditariedade não tem um papel exclusivo no desenvolvimento da pessoa e é rejeitado
qualquer tipo de determinismo.

Estudo da influência da hereditariedade e do meio no indivíduo

É muito difícil investigar com rigor a influência do genótipo e dos fatores externos naquilo que somos devido a
diversos fatores, entre eles, os obstáculos éticos e metodológicos.
Estes obstáculos impõe-se, pois não podemos sujeitar um indivíduo a qualquer tipo de experiência para testar
todas as situações, uma vez que tem que ser preservada a dignidade e integridade do mesmo. Assim, estes
obstáculos não nos permitem manipular livremente a parte genética e o ambiente a que os indivíduos
estariam sujeitos, não sendo portanto possível averiguar sobre a influência da hereditariedade no indivíduo.
Assim, são benefíciadas as experiências invocadas, onde acontece o aproveitamento de situações já
decorrentes e futura análise dos resultados, de forma a inferir esta influência. Por outro lado, as experiências
provocadas devem obedecer a uma série de parâmetros uma vez que são previstas e acontecem em
laboratório.

Filogénese e Ontogénese
A filogénese é o conjunto de todos os processos que deram origem e desencadeiam a evolução de uma
determinada espécie. Já a ortogénese entende-se como o conjunto de fatores e processos a partir dos quais
se desenvolveu e evoluiu um indivíduo em paticular.

Teoria da Recapitulação (Relação entre filogénese e ontogénese): Nesta teoria Haeckel, apoiando-se nos
conteúdos de Darwin, defende que “a ontogénese recapitula a filogénese”, ou seja, que o indivíduo atravessa
etapas de desenvolvimento pessoal, depois de recuperar aspetos da evolução filogenética. Assim, este
cientista acreditava que durante o nosso desenvolvimento intrauterino atravessavamos estátios de
desenvolvimento de organismos menos complexos até alcançarmos a nossa espécie (filogénese), o que
permitia a ontogénese.
A teoria da seleção natural dá-nos bases sobre a relação da ontogénese com a filogénese mas muito
diferentes do modo como Haeckel pensava.

Tipos de Programação Biológica


O programa biológico consiste no conjunto de informações sobre o funcionamento e desenvolvimento do ser
vivo que é encerrado no seu código genético. Assim, podemos distinguir programas biológicos/genéticos
aberto ou fechado.
O programa fechado está presente em seres que nascem com hiperespecialização, ou seja, com competências
específicas altamente desenvolvidas e com pouca margem para interferência dos fatores externos. Assim,
estes indivíduos têm respostas pré-programadas pelo seu genoma e estão sujeitos a uma maior limitação e
padronização dos seus comportamentos.
Por outro lado, os indivíduos com programação biológica aberta conseguem dar um amplo leque de respostas
livres e aprendidas a determinada situação. Deste modo, temos menos hiperespecialização e menos
comportamentos prédeterminados pelos nossos genes. Esta autonomia dá-nos uma maior capacidade de
adaptação e resiliência.

Neotenia e Inacabamento Biológico


O ser humano é uma espécie que, devido ao seu programa aberto, não se encontra apta a sobreviver nos
primeiros momentos de vida. Somos portanto uma espécie inacabada, na medida em que precisamos de
algum tempo para aprendermos a sobreviver e a protegermo-nos, o que se traduz num prolongamento do
período de infância.
Mesmo assim, a nossa infância prolongada resulta numa grande flexibilidade e capacidade de adaptação e
também em de inovação e aprendizagem. Todos estes aspetos derivados do proglongamento da infância são
preservados na idade adulta, o que torna distinto o ser humano. A esta tenência de preservar aspetos
característicos da infância, como capacidade de aprendizagem e adaptação, na idade adulta dá-se o nome de
neotenia.

3. Cérebro
Funciomanento do sistema nervoso central:
- Cérebro: Ações deliberadas e conscientes
- Espinal medula: Atos reflexos, ações não deliberadas são levadas a cabo antes que a informação chegue ao
cérebro.
A frenologia, estudo primordial do cérebro anterior à neurologia, mostrou no séc XVIII que do cérebro
derivavam todos os processos mentais responsáveis por comportamentos específicos.

Teoria dos três cérebros


Esta prespetiva defende que a evolução cerebral ocorreu de dento para fora, estando o cérebro dividido em
três zonas. Desta forma, defende-se que durante o processo evolutivo da espécie surgiu, em primeiro lugar, o
tronco cerebral (parte mais interior). Esta zona seria responsável pelas funções básicas e pelos mecânismos
instintivos de sobrevivência, aparecendo também nos répteis.
A segunda zona, também prezente nos mamíferos, controlaria a memoria e a afetividade, designando-se por
sistema límbico. De facto, nesta zona estão estruturas importantes para a regulação do corpo (complexo
hipotálamo-hipófise) e para a memória (hipocampo) e ainda a amígdala. Este pequeno órgão é responsável
pelas emoções e em parte também pela memória.
Por fim, a terceira camada, o córtex onde se localizam as capacidades intelectuais, artísticas e linguísticas.
Lateralização Hemisférica
O nosso cérebro é dividido em dois hemisférios, sendo cada um deles responsável pelo controlo motor do
lado oposto. O cérebro possui assim lateralidade cruzada, ainda que nenhum dos hemisférios funcione da
maneira independente. Além disso, sabe-se que o hemisfério direito está vocacionado para a criação artística,
para a criatividade e ciências sociais e pensamento divergente. Por outro lado, o hemisfério esquerdo é
responsável pelo raciocínio, cálculo, ciências exatas e pensamento convergente.

Especialização Cortical
O cérebro está dividido por lobos, cada um deles vocacionado para uma certa atividade. Além disso, também
podemos distinguir áreas primárias de áreas secundárias. As áreas primárias são responsáveis pela receção
dos estímulos internos ou externos e também pela emissão de ordens ao corpo. As áreas secundárias
assumem a integração e interpretação do estímulo, estabelecendo uma ponte ente a memória e as
informações recebidas.
Lobo occipital: Visão
Lobo temporal: Audição. Área de Wernicke responsável pela interpretação e compreensão do discurso oral
Lobo Frontal: Movimentos. Área de Broca responsável pela coordenação dos músculos da fala, capacidade de
expressão verbal
Lopo Parietal: Tato
Áreas pré-frontais: responsáveis pela pela tomada de decisão, preservação e constância da personalidade e
capacidades intelectuais mais complexas. É uma área exclusiva ao ser humano.
No processo de decisão, além do cortex pré-frontal, também está envolvida a amígdala, tratando-se de um
processo de ponderação em que pesam as emoções e a racionalidade.

Integração Sistémica
Apesar do cérebro poder ser dividido em estruturas com foco em atividades específicas, estas não podem ser
dissociadas e não trabalham autonomamente. Aliás, uma certa atividade ativa diversas regiões cerebrais,
mesmo tendo foco numa zona específica. Assim, devemos ter o cérebro como uma unidade funcional/sistema
integrado que atua de modo coordenado e partilhado. Além disso, é possível que devido a uma lesão numa
zona do cérebro, a atividade em que essa zona estaria focada, pode ser assimilidada por outra região cerebral
não atingida. Desta forma, a faculdade perdida é retomada por estruturas vizinhas, o que se designa por
função vicariante.
Lentificação e Indivudualização
O cérebro humano tem um processo de maturação mais lento do que a generalidade das espécies. A este
facto dá-se o nome de lentificação, o que significa que toda a lentidão no processo de aprendizagem e
desenvolvimento do indivíduo dá ao cérebro uma imensa capacidade de se reorganizar (plasticidade),
constituindo uma vantagem adaptativa.
Além disso, a individualização consiste na progressiva aquisição de características que distinguem o indivíduo
dos demais da sua espécie.