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Administração Judicial na Falência

O novo sistema falimentar brasileiro inaugurado pela lei 11.101, ele sucedeu o decreto lei 766
que ate então regulava os processos de falência e os processos de concordata. E os processos
de falência e de concordata, na vigência do decreto lei 766, exigiam órgãos nomeados,
constituídos pelos juízes, que tinham funções semelhantes as que hoje se concentram no
administrador judicial. Não se falava em administrador judicial na falência anterior. A figura que
auxiliava o juiz, na vigência do antigo decreto, era o sindico. E no caso das concordatas (processo
que já foi extinto no nosso ordenamento), existia a figura concordatário. Não existem mais
concordatários e não existem mais síndicos. A lei 11.101 reuniu ambos os órgãos da antiga
legislação falimentar na figura do administrador, de modo que o administrador judicial é assim
denominado tanto para os processos de falência, atualmente, como também para os processos
de recuperação judicial que são também regulados pela lei 11.101, e vocês estudarão na
sequência.

Portanto, o administrador judicial ou a administração judicial é um órgão ou agente auxiliar da


justiça criado para interesse público e para a consecução dos fins do processo falimentar.

O administrador judicial, seja ele na recuperação judicial, seja ele na falência, ele será investido
a partir de uma livre nomeação do juiz responsável pelo processo de falência. Para que o juiz
possa definir o seu administrador judicial (afinal de contas o administrador será o auxiliar do
juízo), assim como ele se utiliza de critérios objetivos previstos na própria lei, ele se utiliza
também de critérios subjetivos. Quais são os critérios subjetivos? A própria confiança. O juiz
nomeia o administrador judicial a partir da confiança que ele possui naquele profissional ou
naquela empresa. Para isso, devera o adm judicial ter idoneidade. Este é um critério subjetivo
que o juiz deverá utilizar para escolher o seu adm judicial. A lei 11.101 sugere que o juiz, ao
definir o seu adm judicial, escolha um desses profissionais: contador, adm de empresas,
advogado, podendo ser ainda uma empresa especializada, ou até um economista. O juiz não
está preso a definir o seu adm judicial dentro de um desses profissionais, é uma sugestão. Já vi
casos por exemplo de um juiz nomear um engenheiro como adm judicial. Um engenheiro
altamente qualificado, idôneo, conhecedor de regras de administração. A lei apenas dá um norte
para que o juiz defina o seu adm a partir de conhecimentos temáticos que sejam necessários,
suficientes para o desempenho correto do papel que ele irá desempenhar. Então, em relação
aos critérios para a nomeação do adm judicial temos o seguinte: 1) livre nomeação do juiz. 2)
ter idoneidade. 3) devera preferencialmente ser contador, adm de empresas, advogado, uma
empresa especializada, ou um economista.

Em falências muito grandes, muito complexas, a nomeação do adm judicial pode ser inclusive
compartilhada em diversos administradores. A título de exemplificação, embora não seja uma
falência, que é o que estamos tratando agora, na recuperação judicial da Oi o juiz nomeou 3
administradores judiciais. 3 empresas de alto renome para fazer o trabalho de adm judicial,
definindo para cada empresa especializada suas funções, suas atribuições. Mas as 3
desenvolveram a função de adm judicial.

Pergunta de Daniel: em se tratando da remuneração, já que as pessoas que estão exercendo


essa função de administrador devem ser remuneradas por esse papel desempenhado por elas,
quem é que paga? O Estado? Uma empresa? Resposta: boa pergunta, está em um dos tópicos
da nossa aula, mas já adiantando, eu lhe digo que na falência quem irá remunerar o adm judicial
será a massa falida. Na recuperação judicial quem irá remunerar será a empresa recuperanda.
Pergunta 2: e se você for nomeado, você não é obrigado a aceitar ser adm judicial não é?
Resposta: sim, não é obrigado. Desde que ele aceite, ele cera remunerado na forma que
determinar o juiz. Tem os critérios também de remuneração que veremos daqui a pouco.

Uma vez nomeado o adm judicial, ele pode recusar ou pode aceitar a nomeação. A regra é que
o juiz, ao nomear o adm judicial, já defina por exemplo os critérios de remuneração do seu
trabalho, para que o adm judicial possa analisar a conveniência de aceitar ser adm ou não.
Muitas vezes isso não acontece. Muitas vezes o juiz primeiro nomeia o adm e depois define a
sua remuneração, o que traz para o adm, de certa forma, um desconforto, porque uma vez
nomeado, pode ser que o juiz defina uma remuneração muito baixa, uma remuneração que
inviabiliza o seu trabalho e ele fica na dúvida se irá renunciar ou não, por conta da pouca
remuneração. Mas uma vez que ele aceite a nomeação, ele deverá assinar, no prazo de 48 horas,
um termo de compromisso. Então em 48 horas da sua notificação ele tem que assinar. Ele
receberá no seu endereço, em casa, uma notificação judicial informando que ele foi nomeado
para aquele cargo. Ele tem um prazo de 48 horas para, requerendo assumir o cargo, assinar o
termo de compromisso. O que acontece se ele não assinar? Ora, se não assinar, se entende que
ele não aceitou a nomeação. Então o juiz fará a nomeação de um outro adm judicial. Mas uma
vez aceito o encargo, ele deverá comparecer ao cartório e assinar o termo de compromisso no
prazo de 48 horas.

Impedimentos: Nós vimos quem poderá ser adm judicial. Mas a lei traz um rol dos
impedimentos para que o juiz escolha o adm judicial. Existem alguns critérios que o juiz deverá
observar para escolha, definição, nomeação do adm judicial. E alguns profissionais estão
impedidos de assumir esse encargo de ser adm judicial. Quem são esses profissionais que não
podem ser administradores judiciais? Primeiro são aqueles impedidos por lei, ou seja, juízes,
promotores, alguns servidores públicos. Então todos aqueles que tiverem algum impedimento
legal não poderá exercer a administração judicial. Também não poderá exercer a adm judicial
aqueles administradores que tenham sido destituídos da função de adm nos últimos 5 anos.
Como assim professor, se ele está sendo adm judicial agora, como ele pode ter sido destituído?
O adm judicial, em recuperações judiciais ou falências anteriores, ele poderá, por desídia ou por
qualquer outra causa que leve a destituição, poderá ter sido destituído. E a destituição de um
adm judicial também tem uma função punitiva. Pune o adm judicial, impedindo-o de assumir
aquele encargo pelos próximos 5 anos. Então é um perigo um adm judicial ser destituído, porque
ele não poderá mais ser adm judicial pelo menos pelos próximos 5 anos, como medida punitiva.
Existem alguns adm judiciais, que por conta da ausência de remuneração, e a coisa mais
corriqueira que existe é o adm judicial não receber, afinal de contas estamos falando de falência
judicial, ou seja, processos que envolvem crise empresarial, e a crise empresarial decorre da
falta de liquidez, então se não tem condição de pagar o funcionário, não tem condição de pagar
o próprio advogado, vai pagar o adm judicial? E muitas vezes esses adm judicias simplesmente
desistem do processo. “olha, não estou sendo remunerado, não tenho como remunerar
também os meus auxiliares, não tenho como desempenhar essa função”. Muitas vezes, pela
desídia do adm judicial nesses processos dos quais ele não vem sendo remunerado, o juiz resolve
destituir esse adm, exatamente porque ele não está cumprindo com o objetivo do instituto. Essa
destituição trará para o adm judicial, além da inadimplência que ele já estava sendo vítima, um
impedimento de figurar como adm judicial nos próximos 5 anos. Portanto, pessoal, a destituição
de adm judicial é muito perigosa, é um ato de natureza punitiva e trará essa consequência. Desse
modo, não poderá ser adm aquele que teve a pena de destituição.
Também não poderá ser adm judicial aquela pessoa ou o representante da empresa
especializada que tenha vinculo de parentesco com o devedor de até 3º grau. Digamos que o
juiz tenha nomeado o adm judicial. O adm judicial é irmão do devedor. Não pode. É tio do
devedor. Não pode. Então vinculo de parentesco de até 3 grau é causa impeditiva para o
exercício da nomeação do adm judicial.

Função do adm judicial: E o que é que esse cara faz na falência? O adm judicial é
fundamentalmente um auxiliar do juízo. Mas esse auxilio que o adm presta ao juízo não é um
auxílio jurídico. Embora o juiz possa nomear um advogado para figurar na qualidade de adm
judicial, o objetivo do instituto não é trazer, nomear um consultor jurídico. O juiz tem que ter
conhecimento do funcionamento do processo de falência e não precisa de um auxiliar para
ensinar o trabalho dele. A função do adm judicial de auxilia-lo diz respeito aquelas previstas na
lei 11.101 e não tem nada a ver com aconselhamento, com consultoria. Na pratica, isso acontece
muito, principalmente em alguns Estados (inclusive na Bahia), os nossos juízes não tem muita
vivencia de processos falimentares ou recuperacionais, pois não existe no Tribunal de Justiça
Varas especializadas em falência e recuperação, coisa que já existe em Fortaleza, Recife, SP, BH,
mas aqui não existe. Isso faz com que os juízes muitas vezes não tenham a experiencia para
presidir um processo de falência como deveria. E muitas vezes os juízes fazem o que? Por conta
dessa deficiência, nomeiam um adm judicial que além de auxiliar com funções típicas de adm,
ainda poderá prestar uma consultoria para ele desenvolver o seu trabalho judicante. Embora
isso não seja a função prevista na lei.

E quais são as funções previstas na lei 11.101? 1) Maximizar os ativos da massa. Uma vez
decretada a falência, existe um objetivo fundamental que é o de esvaziar o patrimônio da massa
através da realização do ativo, para fins de pagamento dos credores, seguindo a ordem prevista
no art 83. Um adm judicial diligente não vai por exemplo esperar o fim do processo de falência
para buscar a realização do ativo. Tem ativos (massa) que são perecíveis e tem ativos que se
desvinculam com uma velocidade muito grande com o decurso do tempo. Trago, por exemplo,
uma falência de uma empresa agrícola. A empresa agrícola teve sua falência decretada e tem
um segmento cheio de soja. Será que o adm vai precisar esperar toda a arrecadação do
patrimônio para somente depois fazer a venda da soja? Se fizer isso, aquela soja já apodreceu.
É uma das funções do adm judicial então maximizar os ativos. De que forma? Analisar o que é
que pode esperar a venda futura e o que não pode esperar. Aquilo que não pode esperar, ele
precisa vender logo. Ex2: uma transportadora com diversos ônibus, diversos caminhões. Esses
caminhões vão ficar la estacionados, se depreciando, perdendo valor no mercado para esperar
a arrecadação total? Não pode. Eles tem que ser vendidos imediatamente e essa é uma das
funções do adm judicial: maximizar os ativos do falido para que a massa possa arrecadar o
máximo possível, visando atender os interesses dos credores. Esta, portanto, é uma das funções
do adm judicial. O adm judicial, além da função material de maximizar os ativos, ele deve
observar outras duas funções bem definidas: função judicial e função administrativa. 2) Funções
judiciais: dentre as funções judiciais, se destacam as seguintes: 2.1) arrecadação dos bens do
devedor. A arrecadação dos bens é a pesquisa que o adm vai ter que fazer para saber onde é
que tem bens da massa. Vocês concordam comigo que o falido pouco interesse vai ter em
colaborar com o adm judicial para localização de patrimônio? Sim. Terá pouquíssimo interesse.
O falido tem que ter um altruísmo muito grande para colaborar, ou então em um caso de
autofalência. Mas mesmo assim, uma vez decretada a falência, o empresário falido tem
pouquíssimo interesse em colaborar com o adm judicial. O adm judicial vai ter que se virar para
achar patrimônio. E existem métodos, técnicas de busca de patrimônio. Existe inclusive
empresas as quais ele pode se socorrer, contratar auxiliares, desde que autorizado pelo juiz,
para fazer a busca desse patrimônio. Ex: o adm judicial nomeado na falência do banco Santos.
O banco santos nomeou um adm judicial que foi buscar patrimônio em Luxemburgo. Descobriu
patrimônio em tudo que era país. Existem sistemas informatizados que acham até gente
desaparecida ai do devedor. É impressionante. Então o adm judicial tem como uma de suas
funções judiciais promover a arrecadação desse patrimônio. Ex 2: Depósitos recursais na justiça
do trabalho são muito comuns de acontecerem. Ao longo de muito tempo, as empresas faziam
depósitos recursais de processos trabalhistas e no momento em que ela tem a quebra
decretada, os depósitos recursais ficam lá. Os créditos trabalhistas são habilitados na falência
para o pagamento, na ordem, desde que haja patrimônio, e os depósitos recursais ficam lá
perdidos. Em depósitos vinculados aqueles processos trabalhistas. É trabalho do adm identificar
esses depósitos recursais e trazer esse dinheiro para a massa, para esse dinheiro auxiliar na
formação do bolo para o pagamento, até o limite das possibilidades. Então tem a arrecadação.
2.2) Indicação de peritos avaliadores e contadores: também é uma função do adm judicial. O
adm judicial tem como uma das funções, e não só uma função, mas também um dever, a
prestação de informações aos credores. O adm judicial deverá sempre estar prestando
informações do seu trabalho aos credores, afinal de contas os destinatários de um processo de
falência são os credores. Todo o processo se desenvolve para os credores. O objetivo é satisfazer
os credores na medida das possibilidades patrimoniais do devedor. O adm tem uma função
também importantíssima, e também judicial, de 3) promover a classificação dos créditos: a
classificação dos créditos na falência é realizada em duas etapas. Não sei se vocês já tiveram
essa aula de classificação dos créditos, mas eu já adianto, porque acho que é pertinente. A
classificação dos créditos na falência será realizada em duas etapas. Em primeiro lugar, o que é
classificação dos créditos? Ora, quando a falência é decretada, se instaura um juízo universal
(todas as execuções contra aquele devedor são suspensas e todos aqueles créditos que estão
espalhados em diversos juízos de diversas competências são deslocados para o juízo da falência.
Afinal de contas, é na falência que o pagamento de todos os credores irá ocorrer). Quem é quem
na falência? Quem recebe o que, em primeiro lugar? Como é feita a ordem de preferência para
recebimento dos créditos? Será que o credor trabalhista vai concorrer com o banco, no
patrimônio do devedor? Será que o fisco vai concorrer com o fornecedor de materiais? Quem é
que define isso? A lei falimentar traz uma definição especifica no art. 83. Existe uma lista com
uma ordem de preferência de pagamento, de modo que ao final, esgotando o pagamento do
preferencial, do número 1 da lista, passa para o pagamento do numero 2. Se ainda assim sobrar
patrimônio, passa para o pagamento do numero 3 da ordem e assim sucessivamente. Ao se
deflagrar uma falência, o juiz abre a possibilidade para os credores apresentarem ao adm judicial
os seus créditos. Para que o próprio adm judicial, exercendo uma das suas funções judiciais,
promova a classificação dos créditos. É o adm judicial que vai pegar a habilitação de credito
daquele credor e vai definir: olha, esse credor deverá ser incluído nessa categoria de credores.
Este outro credor deverá ser incluído nessa categoria de credores. Se o credor é um credor que
decorre da categoria do trabalho, ele será incluído na categoria dos credores trabalhistas. Se
aquele credor é um banco, tem por exemplo uma nota promissória ou um cheque, sem qualquer
garantia real, ainda que eventualmente ele tenha uma garantia pessoal, mas sem garantia real,
ele poderá ser incluído por exemplo na categoria dos credores quirografários. Se um
determinado credor tem como garantia uma hipoteca, ou seja, uma garantia real, ele será
incluído na categoria, na classe dos credores que tenham garantia real. E quem define isso? Na
primeira fase, ou seja, no primeiro momento da classificação dos créditos, quem faz isso é o adm
judicial. O adm judicial tem essa função de reunir todas as habilitações de credito dos credores
e formar lista de credores preliminar, a lista do adm judicial. A segunda fase da classificação dos
créditos é a partir da publicação da lista feita pelo administrador, quando então eventuais
credores insatisfeitos poderão impugnar judicialmente aquela lista. Observem! Existem duas
fases distintas de classificação de créditos na falência. A primeira fase é administrativa, é dirigida
diretamente ao adm judicial e a segunda fase é uma fase judicial. É a partir da publicação da lista
do adm judicial, o resultado do trabalho do adm judicial que os credores eventualmente
insatisfeitos poderão ajuizar (passa-se a fase judicial) as impugnações para retificação da lista
do adm judicial. Somente depois do julgamento de todas essas impugnações de credito é que o
adm judicial irá constituir o que se chama de quadro geral de credores. Então repetindo, de
forma resumida: fase administrativa- apresentação de créditos por cada credor diretamente ao
adm judicial. O adm judicial reúne todas as habilitações e forma a sua lista de credores, de
acordo com os critérios que ele próprio utiliza para elaboração da lista. Essa lista é publicada.
Os eventuais credores insatisfeitos tem o prazo de 10 dias para promover ajuizamento de
impugnações. Essas impugnações serão dirigidas não mais ao adm judicial, mas sim para o juiz,
que julgará e ao transito em julgado de todas essas impugnações de crédito, se constituirá o
quadro geral de credores. Quadro este que nada mais é do que aquela primeira lista feita pelo
administrador retificada pelas decisões judiciais proferidas nas respectivas impugnações.
Portanto, é também função do adm judicial, função esta judicial, 2.3) a classificação dos créditos
na falência. Existe ainda uma outra função judicial do administrador e esta talvez na falência seja
uma função que distingue bastante o adm da falência e o adm da recuperação judicial, quando
vocês forem estudar. Essa função é 2.4) a representação em juízo da massa. Caberá ao adm
judicial da falência representar a massa ativa e passivamente em juízo. Se alguém quiser entrar
com uma ação de indenização contra a massa falida, a citação deverá ser dirigida ao adm judicial.
Porque o adm judicial é um representante legal da massa. Ele deverá promover ações judiciais
em favor da massa e deverá defender a massa de ações judicias. Vocês vão ver, quando vocês
estiverem estudando recuperação judicial, que o adm da recuperação não representa a
recuperanda! Ele tem uma função muito mais de fiscalização do processo do que de
representação do devedor. Não há, na recuperação judicial, representação da recuperanda pelo
adm judicial. Mas na falência existe. Quem representa a massa falida é o adm judicial. O adm
que gere, que faz a gestão daquele patrimônio. Se vai ser vendido um patrimônio, um bem
imóvel ou um bem móvel, se não vai ser vendido, se vai ser alugado, quem define essas coisas
na falência é o adm judicial. Naturalmente, autorizado pelo juiz. Ele não tem uma carta branca
para administrar a massa da maneira que ele bem entender. Ele tem também responsabilidades
pela gestão e essas responsabilidades estão sendo observadas não só pelo juiz, como pelos
credores e pelo próprio MP, que são os fiscais do adm judicial.

A menina pediu para repetir algo e ele diz: bom, o adm judicial na falência representa a massa,
ativa e passivamente em juízo. Ele faz a gestão de todo o patrimônio. Na recuperação judicial
essa função não existe, o adm judicial não representa a empresa recuperanda. Na recuperação,
ele tem uma função muito mais fiscalizadora. Ele fiscaliza o processo de recuperação judicial. Na
falência, além de fiscalizar, ele representa a massa falida, representa aquela universalidade de
bens que é a massa.

Resposta a uma pergunta: quando o juiz nomeia o adm judicial... esses critérios de impedimento
do adm judicial podem ser suscitados por todo e qualquer interessado, seja pelo próprio falido,
seja pelo credor ou pelo próprio MP. Essa decisão que nomeia um adm judicial pode ser
combatida por todo e qualquer legitimado para fazê-lo, com base em alegações que possam
comprometer a idoneidade e a isenção do adm judicial para o exercício daquela tarefa. Se ele
tiver uma inimizade, por exemplo, com o devedor, pode ser suscitado isso e ele ser destituído
ou ate substituído e ai não teria uma função sancionadora. Pode substituir. Existe uma grande
diferença entre substituição de adm e destituição de adm. É evidente que aquele que tenha
interesse em impugnar a nomeação o faça tão logo conheça as causas que justifiquem aquela
impugnação. Se você conhece uma causa, sabe que ele tem uma inimizade, por exemplo, e não
faz nada, só la no meio ou no fim do processo você quer impugnar, sabendo que essa causa
existia la atrás, isso pode comprometer inclusive as chances de substituição do adm judicial.

Resposta a outra pergunta: as execuções fiscais não são deslocadas para o juízo da falência,
porque a competência das execuções fiscais é uma competência absoluta. Mas os créditos fiscais
são enviados através de certidões para o processo de falência. Não é dizer que os autos das
execuções fiscais serão mandados. Não é isso. Os autos das reclamações trabalhistas também
não são. Mas os créditos trabalhistas, assim como os créditos fiscais são habilitados na falência.
Eles não poderão seguir sendo cobrados no juízo de competência originaria. Essas ações serão
suspensas, quando não serão extintas, e esses créditos serão trazidos para a falência através de
certidões e os credores habilitam. O procurador da fazenda deverá habilitar o credito na
falência. Peticiona ao juízo falimentar, junta o comprovante do credito, no caso certidão da
dívida ativa, ou alguma sentença judicial que tenha reduzido eventualmente um credito que
esteja sendo cobrado, através dos embargos, e este credito é habilitado na falência. Mas os
autos permanecem no juízo de origem e de la seguirão para arquivo.

Além das funções judicias, o adm judicial também possui funções administrativas. 3) funções
administrativas: quais são elas? Bom, existe aqui um rol exemplificativo das funções do adm
judicial: A) pratica de atos conservatórios de direitos- o adm judicial deverá gerir a massa de
modo a prevenir direitos da própria massa e de credores. Isso faz parte da gestão do patrimônio.
O adm deve ainda B) comunicar-se e representar ao juiz sempre que necessário. Se algum credor
estiver atuando de forma irresponsável, algum credor estiver buscando objetivos ilícitos, caberá
ao adm judicial informar não apenas ao juiz, mas também ao Ministério Publico. É uma das
funções dele. O adm judicial deve também C) apresentar as contas demonstrativas. Se ele faz a
gestão patrimonial, ele deve minimamente prestar contas. O adm judicial poderá, desde que
autorizado pelo juiz, contratar auxiliares. Ex: o juiz nomeia um contador para ser o adm judicial.
Mas nós vimos agora que o adm judicial exerce a função de representação da massa
judicialmente, correto? Em uma eventual citação de uma ação trabalhista contra a massa, o adm
judicial contador tem condição de promover aquela defesa? De forma nenhuma, ele terá que
contratar portanto um advogado. E essa contratação desse advogado tem que ser
primeiramente autorizada pelo juiz e deverá ser objeto de prestação de contas. Você não pode
contratar um advogado a qualquer preço, senão seria uma maravilha, uma bela maneira de sair
desviando dinheiro da massa. Ah, vou contratar auxiliares, esvaziando o patrimônio da massa
com o pagamento de honorários e quando os credores chegarem para receber alguma coisa,
não terá mais nada para eles. Então a gestão tem que ser proba, idônea e acima de tudo o adm
judicial tem que prestar contas de toda e qualquer despesa que ele realizar na gestão daquele
patrimônio. Nós vamos ver, ao final do processo de falência, o adm judicial também deverá
apresentar D) seu relatório final. Relatório das atividades realizadas, de como foi feita a
arrecadação do patrimônio, de que modo foi realizado esse patrimônio, para quem se pagou,
qual quantia. Esse relatório final é também uma das obrigações do adm judicial que não se
confunde com a prestação de contas periódica e que ele deverá apresentar ao final do processo
de falência.

Par concluir esse ponto, em que pese o adm judicial possa contratar auxiliares, pode contratar
um engenheiro para eventualmente fazer uma obra em um prédio que está desabando, ele pode
contratar um advogado, ele sendo por exemplo um advogado pode e ate deve contratar um
contador, para promover as declarações fiscais, mas em nenhuma hipótese o adm judicial está
autorizado a delegar sua função a quem quer que seja! O adm judicial é aquele nomeado pelo
juiz e somente o próprio juiz competente poderá designar um novo administrador ou até mesmo
repartir as funções entre 2 ou mais administradores judiciais. O adm não pode de forma alguma
delegar a função de administração para qualquer que seja o seu auxiliar! Ele pode ate nomear
preposto para comparecer a uma audiência, mas isso não significa que ele esteja delegando a
função de administrar a falência.

Destituição do administrador judicial: como eu já adiantei pra vocês mais cedo e aqui eu reforço
dizendo que há uma diferença entre destituição do adm e substituição do adm e para ratificar,
eu complemento dizendo que a destituição tem função punitiva, sancionadora. E estará sujeito
a destituição o adm judicial que deixar de cumprir com suas obrigações, atuar contra os
interesses dos credores ou ainda funcionar com desídia. A nova falência que surgiu com a lei
11.101, embora o processo de falência já existisse antes, ela nasceu com alguns princípios
basilares e um desses princípios é o da celeridade, maximização dos ativos da celeridade. É bem
verdade que os entraves judiciais, a máquina publica, as vezes compromete a celeridade do
processo de falência. Mas o processo de falência, como está positivado na lei 11.101, ele foi
feito para ser um processo rápido. E a reforma da lei de falência, que está sendo construída,
provavelmente será apresentada ainda esse ano, vai trazer ainda mais celeridade para a falência.
Uma das propostas, pro exemplo, é que todo o patrimônio seja vendido em ate 180 dias,
estabelecendo critérios. Vai se vender por avaliação judicial, se não conseguir ninguém pra
comprar, diminui 50% do preço em 30 dias, se não tiver ainda ninguém pra comprar, diminui
mais e pode vender a qualquer valor, porque o que não pode é a falência de perenizar. No
momento que o adm judicial, seja por desídia ou por qualquer outro motivo, ele contribui para
que a falência se eternize, ele está agindo de modo contrário aos interesses, não apenas dos
credores, mas dos interesses presentes na própria lei 11.101. Então poderá ser destituído aquele
adm judicial que não estiver atuando de modo a atender aos objetivos e aos princípios do
processo falimentar, dentre os quais a celeridade e a maximização dos ativos.

Já disse a vocês que a pena prevista é o impedimento de ser novamente nomeado adm judicial
pelos próximos 5 anos. Observem que tem muita gente, muita empresa, muito profissional que
se especializou na atividade de administração judicial, criou uma grande estrutura
administrativa operacional para isso e de repente ele pode se ver impedido de figurar como adm
judicial, pelos próximos 5 anos. Não são raras as vezes que o adm judicial é administrador
concomitantemente de algumas falências. A destituição de uma decorrerá na destituição de
todas! O juiz que o destitui poderá oficiar os demais informando a punição daquele adm judicial.
E ai o prejuízo para ele será enorme, ele terá que arranjar nos próximos 5 anos outra coisa pra
fazer, não pode mais administrar.

Substituição do administrador judicial: diferentemente da destituição, a substituição não tem


caráter punitivo. E a substituição do adm judicial pode acontecer por diversas causas, desde a
não assinatura do termo de compromisso no prazo de 48 horas, hipótese em que o juiz então
interpretará aquela ausência como uma negativa de assunção do encargo, ate mesmo a perda
da confiança do juiz naquele adm judicial. Observem que eu disse a vocês que um dos critérios
definidores da nomeação do administrador é a confiança do magistrado. Muitas vezes o juiz já
tem aquele profissional de sua confiança para atividade de pericia, por exemplo. Perito
contador, toda Vara tem. O juiz tem a lista de peritos que ele procura quando uma causa exija a
produção daquela prova técnica. As vezes ele tem também o banco de dados de adm judiciais
que são da sua confiança. O critério é muito subjetivo para a nomeação do adm judicial. E já que
o critério é subjetivo para nomear, assim também o é para substituir. De repente o juiz não
confia mais naquele profissional.

Pergunta: se houver a perda da confiança, esse administrador será remunerado? Resposta:


certamente, nós vamos ver a remuneração do adm judicial. Sendo substituído, ele receberá ate
o limite do trabalho desenvolvido. Sendo destituído, não! ta certo? Se for destituído, não
receberá.

A substituição não acarretará em uma sanção ao adm judicial, mas poderá ter diversas causas.
O próprio adm judicial poderá renunciar ao cargo. Isso é muito comum quando o adm está
prevendo uma destituição, ai ele se antecipa e pede a renúncia. Ele ta vendo que o juiz está
promovendo atos preparatórios para a sua destituição. O MP começa a investigar o adm judicial.
O que ele faz para se proteger? Ele renuncia. E uma vez renunciando a função de adm judicial,
o juiz deverá substitui-lo por outro. Portanto a substituição tem diversas causas, causas
subjetivas do próprio administrador, causas que podem ser do próprio juiz e que nao acarreta
nenhum tipo de sanção. A remuneração do adm é garantida ate o limite do quanto trabalhou e
o novo adm nomeado pelo juiz seguirá o trabalho dali em diante.

Na concordata antiga existia um negocio muito curioso que era o seguinte... não existia adm
judicial na concordata, eu disse a vocês. Existia um cara chamado concordatário. O que era o
concordatário? Era simplesmente alguém que iria organizar os pagamentos, que iria organizar o
recebimento dos valores, fazer a fiscalização mais direta das atividades da concordatária. E este
comissário, nomeado pelo juiz, em regra, era um credor, de preferência o maior deles. Então
começava a concordata. Quem são os credores aqui dessa concordatária? Ah, tem esse banco
aqui enorme. Ai o juiz então nomeia o comissário o banco tal. O banco dizia: não, Excelência,
muito obrigado, uma honra a nomeação, mas não tenho interesse. O comissário não era
remunerado. As vezes uma concordata demorava 3, 4 anos para alguém aceitar a função de
comissário, porque não era remunerado, so tinha responsabilidades, quem é que vai aceitar essa
bomba? Ninguém. Vou aceitar esse encargo, o Mp em cima de mim, o juiz em cima de mim, não
vou ganhar nada.. ninguém queria. Esse era um dos problemas da concordata. Já agora o adm
sera nomeado com uma remuneração definida e não será nenhum dos credores!

Resposta a uma pergunta: o adm judicial tem legitimidade recursal contra decisão que o
destituiu. Evidente que esse recurso do adm judicial não pode visar a recondução ao cargo.
Porque afinal de constas, a manutenção dele la depende da confiança do juiz. Se o juiz o
destituiu e o juiz fundamentou a decisão, um eventual recurso do adm judicial não pode
requerer a recondução ao cargo, mas sim a inexistência ou a inocência para fins punitivos. O
recurso do adm devera se limitar a buscar a anulação dos efeitos punitivos daquela decisão.
Claro que eventualmente o adm judicial pode ate pedir no seu recurso a recondução, mas não
entendo como sendo possível isso. Porque o juiz poderá simplesmente substituí-lo. Olha, você
agravou da decisão que eu o destitui, seu agravo foi procedente, eu portanto te restitui para o
cargo, mas agora eu vou te substituir. Então não faz sentido ao adm judicial recorrer para a
recondução, mas sim recorrer para anular os efeitos punitivos da destituição (o impedimento
de administrar novas falências pelo período de 5 anos e garantir a remuneração pelo trabalho
desenvolvido até então). Na verdade, seria um recurso para substituir a destituição pela
substituição.

Remuneração: O adm judicial será remunerado pela massa falida. Ora, tem muita gente que se
confunde. Como assim pela massa falida? Quando o juiz decreta a falência de uma determinada
empresa e encerra as suas atividades... na verdade, o juiz pode ate manter provisoriamente as
atividades de uma empresa, provisoriamente! Mas a regra é que se encerre as atividades. A
empresa não tem receita para pagar ninguém. Como vai pagar o adm judicial? Na falência, o
pagamento do adm judicial ocorrerá a partir da realização do ativo. A massa tem um carro, bora
vender o carro. Vendeu o carro, paga o adm judicial. A massa tem um imóvel. Vendeu o imóvel,
tira o percentual do adm judicial. E que percentual é esse? Diz a lei 11.101 que não há limite
mínimo para a fixação da remuneração do adm judicial, porem, existe um limite máximo! E este
limite é de 5% do valor total da realização do ativo da massa falida.

Pergunta: isso é definido pelo juiz? Resposta: sim, é definido pelo juiz. Não existe na lei 11.101
critérios objetivos para definição da remuneração do adm judicial, o que traz uma insegurança
muito grande para essa fixação. As vezes há desproporções, as vezes tem honorários enormes.
Você vê decisões pra todo lado. Ou honorários absurdamente altos ou honorários
absurdamente baixos. Já vi em uma falência o adm ser nomeado com honorários fixados em
0,1%. Já vi ser nomeado com 5%. Ontem teve a queda de uma grande empresa aqui na Bahia,
uma empresa que tem um patrimônio avaliado em mais ou menos 300 milhões de reais e o juiz
fixou os honorários do adm em 3,5%. Esse dai ta com a vida resolvida. (Dá mais ou menos 10
milhões e meio de reais ao adm judicial. Basta que venda o patrimônio). O adm da Oi foi 3% e o
patrimônio da Oi era 65 bilhões de reais.

Pergunta: e na recuperação judicial, a remuneração do adm também é assim? Resposta:


também limitada a 5%, mas não sobre o patrimônio. Na falência, o critério fixador, a base de
calculo é o patrimônio vendável. Na recuperação judicial é um percentual sobre o total de
créditos sujeitos a recuperação judicial.

Essa remuneração do adm não pode ser paga de maneira aleatória. A lei define que o adm
judicial somente poderá receber 40% do total da sua remuneração ao final do processo, após a
sua prestação de contas, após a apresentação do seu relatório final. No entanto, 60% da sua
remuneração poderá ser paga, ou melhor, será antecipada ao longo do processo de falência. Se
dos 300 milhões dessa grande empresa que teve sua falência decretada ontem, 10 milhões e
meio, 60% disso dá 6 milhões. Ele poderá receber até 6 milhões de reais no curso da falência.
Depois que ele apresentar seu relatório final, desde que suas contas sejam aprovadas, o juiz
poderá autorizar o levantamento dos outros 40%.

Doutores, embora pareça ser muito legal essa remuneração do adm judicial, existem algumas
causas que fazem com que ele perca o direito de receber seus honorários. E ai dá um pânico
total para o adm judicial. Ele ganha na mega-sena e depois perde. E quais são essas causas?

Causas de perda do direito de remuneração: 1) renuncia sem razão relevante; 2)


descumprimento de obrigações legais; 3) destituição; 4) quando ocorre a desaprovação da sua
prestação de contas. Ao final do processo de falência, ele tem que prestar contas, inclusive para
receber o saldo de 40%. Se suas contas forem rejeitas, ele perderá o direito de receber essa
remuneração faltante.

O adm judicial na falência é o representante judicial da massa, ativa e passivamente. Então seja
no polo passivo, defendo a massa de ações, seja no polo ativo. E tão logo ele seja o
representante da massa, ele assume responsabilidades pela gestão daquele patrimônio.
Patrimônio da massa é gerido pelo adm judicial. E todo e qualquer ato que possa vir a causar a
massa ou aos credores algum prejuízo será responsabilidade do adm. Ele irá responder. E nesse
caso, eu não to falando da representação da massa em juízo, e sim da acusação do próprio adm
para responder perante a massa. O adm judicial poderá contratar advogados para a massa. Mas
no caso dele ser o acusado de estar cometendo atos contrários ao interesse da massa, a
contratação do advogado sera uma responsabilidade dele, do próprio adm. Não imputará a
massa esse ônus, essa despesa.

Além disso, essa responsabilização do adm reclama a aferição de culpa ou dolo. Não se pode
presumir a culpa ou o dolo do adm judicial para atos que possam ser interpretados como
prejudiciais ao interesse da massa. É necessário para que ele seja responsabilizado que ele atue
com culpa ou com dolo. Vocês viram em empresarial que o gestor da empresa será responsável
pelos atos de gestão. Se ele agir com excesso de poderes, com confusão patrimonial, se ele agir
de maneira fraudulenta (gestão fraudulenta), atos atentatórios, ele responderá pessoalmente
pelos atos. Não sei se vocês chegaram a estudar essa parte exatamente dos administradores de
sociedades empresarias. Na falência, a responsabilidade do adm é muito parecida. É claro que
o gestor da falência tem que se valer de atos de gestão que possam otimizar o patrimônio da
massa. Para isso, ele tem que correr alguns riscos e esses riscos do negocio são riscos inerentes
a própria atividade. O que ele não pode é agir de forma dolosa ou de forma culposa, trazendo
para a massa prejuízo. Nesse caso, ele responderá e deverá indenizar a massa, restituir o valor,
podendo o MP ou qualquer credor, ou ainda o comitê de credores, se constituído, demandar
essa reparação. O adm é uma figura extremamente importante na falência. É ele que vai
direcionar a falência: o que vai vender, qual será o preço, contratar auxiliares, contratar
avaliadores do patrimônio. Os credores, através do comitê, deverão fiscalizar as atividades do
adm judicial. O juiz é um mero presidente do processo. ele simplesmente faz um controle de
legalidade dos atos processuais. O juiz não entra no mérito da falência, salvo na decisão que
decreta a falência, evidentemente. Mas a partir dai, a condução dos atos da falência é dada
basicamente pelo adm judicial. E esse adm judicial, além de guardar necessariamente a
idoneidade, tem que ter responsabilidade, porque ele está lidando com o patrimônio de dezenas
de credores, dentre os quais trabalhadores, pessoas que precisam disso, que se habilitaram e
esperam receber alguma coisa. É muito comum, e é uma pratica perniciosa, que alguns gestores
de falência, alguns adm judiciais busquem a eternização da falência para que dividas extra
concursais possam sugar o patrimônio da falência. O que são dividas extra concursais? O art 83
define a ordem de pagamento dos credores. E ele diz la: primeira classe de credores que tem
que receber são os credores trabalhistas, ate o limite de 150 salários mínimos. Se eu paguei a
todos os credores trabalhistas então eu passo para a segunda categoria, que são os credores
com garantia real. Se eu paguei a todos os credores com garantia real, eu passo para os credores
com privilegio especial. Então existe uma lista enorme com ate 8 ou 10 categorias. Mas vem a
lei e diz assim: antes de pagar aos credores concursais... por que são credores concursais?
Porque esses credores concorrem com o patrimônio do devedor. Todos ali são concorrentes,
todo mundo quer arrancar uma parte do patrimônio, cada um quer receber a sua parte primeiro,
por isso se fala em concurso de credores. E esses credores listados no art 83 são credores
concursais. Ai vem a lei e diz o seguinte: antes do pagamento dos credores concursais, deve-se
pagar os credores extra concursais. E quem são esses caras? Credores extra concursais são
aqueles credores que assim foram constituído após a decretação da falência. Eu vou dar um
exemplo para vocês de um credor extra concursal. O juiz decreta a falência, mas ele determina
a manutenção temporária das atividades daquela empresa. Para aquelas atividades se
manterem vivas de forma temporária, a empresa precisa manter alguns empregados,
concordam? Eu preciso ter um vigilante de noite pra ninguém invadir, preciso manter o aluguel
da sede, da filial, preciso continuar a atividade empresarial, ainda que temporariamente, e com
a decretação da falência ocorrida. Essas pessoas que tenham a receber da massa falida após a
decretação são credores extra concursais, credores que nasceram já com a falência existente. E
esses credores tem que receber antes dos concursais, afinal de contas eles acreditaram,
confiaram e trabalharam para uma massa falida. O que é que acontece com muita frequência?
se mantem empregados, se cresce o número de credores extra concursais, com o objetivo de
desviar o patrimônio da massa para essas pessoas, frustrando todos os outros credores
concursais. Imagine você que eu sou um adm judicial inescrupuloso e eu vejo que essa falência
de 300 milhoes de patrimônio eu posso pelo menos arrecadar muito mais do que a minha
remuneração. Eu começo a contratar, na qualidade de adm judicial, pessoas, empréstimos,
profissionais liberais, com o objetivo de criar uma grossa camada de credores extra concursais
e quando eu vender esse patrimônio da massa, eu tenho que necessariamente pagar essas
pessoas em primeiro lugar. Se o comitê de credores e o MP não estiverem muito atentos, isso é
um prato cheio para corrupção e desvio de patrimônio. Então o juiz, o MP e o comitê de credores
tem que estar sempre de olho no adm judicial para evitar esse tipo de excessivo ou qualquer
outro tipo de excesso que possa vir a trazer prejuízos. O adm judicial é bem remunerado, tem
possibilidade de fazer o seu trabalho com remuneração digna e não tem necessidade de traçar
caminhos corruptos.