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Objectivo e metodo em filosofia

OS ELEMENTOS ESSENCIAIS PARA PENSARES FILOSOFICAMENTE

Como nunca estudaste filosofia na escola, talvez tenhas uma ideia vaga ou até errada sobre
o assunto. Ou talvez não tenhas ideia nenhuma. Como é natural, ficarás a saber melhor o
que é a filosofia depois de a teres estudado correctamente. Mas é conveniente dar-te já uma
ideia do que é a filosofia.

Provavelmente, estás habituado/a a definir as ciências como a História ou Física em termos


de objecto e método. Por exemplo:

 A aritmética elementar estuda as principais propriedades da adição, da


subtracção, etc. O seu método é a demonstração matemática.
 A biologia estuda as propriedades dos organismos vivos. O seu método é a
observação e a elaboração de teorias que depois são testadas, por vezes em
laboratórios.
 A economia estuda as relações económicas. O seu método é a análise de dados
estatísticos e a tentativa de produzir modelos explicativos das relações
económicas.

A filosofia, tal como todas a áreas do conhecimento, tem umobjecto e um método de


estudo. A filosofia tem como objecto os conceitos mais básicos que usamos nas ciências,
nas artes, nas religiões e no dia-a-dia. A filosofia estuda conceitos como os seguintes: o bem
moral, a arte, o conhecimento, a verdade, a realidade, etc. O seu método é a troca de
argumentos, a discussão de ideias, a reflexão.

Algumas questões filosóficas:

 Será que tudo é relativo?


 Será que a vida tem sentido? E se tem, qual é?
 Como se justifica a existência do Estado, das Leis, e da Polícia?
 Será que não faz diferença fazer sofrer os animais?
 O que sou eu, na verdade? Será que sou apenas um corpo? Ou tenho uma alma?
 Será que Deus existe realmente, ou será que os ateus têm razão e os crentes
estão enganados?
 E se o mundo inteiro fosse uma ilusão e nada fosse real? Como é que eu posso
ter a certeza que o mundo não é uma ilusão?
 Quando digo que uma acção é boa estou apenas a dizer que a sociedade em que
vivo aprova essa acção ou essa acção continuaria a ser boa mesmo que a minha
sociedade a desaprovasse?

OS CONCEITOS
São representações mentais, abstractas e gerais que reúnem as características comuns dos
seres/objectos da mesma espécie, permitindo distingui-los dos seres/objectos de outras
espécies.
Os conceitos funcionam em filosofia como as peças funcionam para um puzzle. Só que em
filosofia cada peça pode assumir multiplos significados. O mesmo significante pode assumir
diversos significados consoante o contexto em que os usamos.

A primeira coisa a fazer perante uma afirmação filosófica, como «Tudo é relativo», é tentar
saber exactamente o que estamos a dizer, o que significam os conceitos que
usamos. «Tudo» refere-se a quê? E o que quer dizer «relativo»? No estudo da filosofia, este
trabalho de interpretação é crucial. Temos de saber com precisão o que realmente está a
ser afirmado para podermos discutir essa afirmação. Se me perguntares o que quer dizer
«tudo» e «relativo» no contexto da minha afirmação, posso responder assim:
«Tudo» refere-se a todas as verdades. O que eu defendo é que todas as verdades são
relativas. E «relativo» quer dizer que as verdades mudam, ou variam; não são coisas fixas.

OS JUÍZOS

Os juízos são relações entre dois ou mais conceitos. Agora já compreendemos melhor o que
quer dizer o juízo «Tudo é relativo». Mas será então que, nesse sentido, é verdade que
«Tudo é relativo»? Que razões temos para aceitar esta ideia?

Já estás a ver que não basta interpretar e compreender a afirmação «Tudo é relativo». É
preciso ter uma atitude crítica em relação ao que foi dito. Será que tenho razão? Porquê?
Ou será que estou enganado? E porquê?

OS RACIOCÍNIOS OU ARGUMENTOS

Quando fazemos estas perguntas, estamos a exigir argumentos. Será que os argumentos
em que me baseio ao pensar que tudo é relativo são suficientemente fortes para apoiar esta
ideia? Ou são apenas confusos e desinteressantes? A argumentação é o coração da filosofia
e é por isso que a filosofia é uma atitude crítica.

Em filosofia, tens a liberdade de defender as tuas ideias. Tanto podes defender que Deus
existe como que não existe; tanto podes defender que o aborto deve ser permitido como que
não o deve ser. Até podes defender que a filosofia é uma ilusão e um absurdo.

Nesta disciplina, não te pedimos que te limites a repetir o que diz o teu professor. O que
pedimos é que aprendas a pensar. E pensar implica apresentar argumentos. Tens a
liberdade de defender o que quiseres, mas tens de adoptar uma atitude crítica. Isto significa
o seguinte:
1. Tens de sustentar o que defendes raciocinando com bons argumentos.
2. Tens de aceitar discutir racionalmente os teus argumentos.

O objectivo é que sejas tu a pensar filosoficamente; mas para poderes pensar


filosoficamente terás de saber usar um conjunto de instrumentos que te permitirão pensar
de forma mais organizada e sistemática. Trata-se de saber dizer de forma clara, articulada e
fundamentada, com bons argumentos, por que razão determinadas afirmações estão certas
ou erradas. Aí já estarás a fazer filosofia.

SENTIDO CRÍTICO

 Ser crítico não é «dizer mal». Ser crítico é olhar com imparcialidade para todas
as ideias — quer sejam nossas, dos nossos colegas ou de filósofos famosos. E
olhamos para elas com imparcialidade para podermos avaliar se são verdadeiras
ou não.
 Ser crítico não é ser extravagante. Uma pessoa pode ser perfeitamente crítica e
seguir as convicções da maioria. Ser crítico não é dizer «Não» só para marcar a
diferença. Ser crítico é dizer«Sim», «Não», ou até «Talvez», mas com base em
bons argumentos.

Apoio bibliográfico "A Arte de Pensar"

publicado por ideias-em-movimento às 20:53


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3 COMENTÁRIOS:
OBJECTO DA FILOSOFIA

JEREMIAS a 4 de Março de 2014 às 12:59

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Bastante sugestivo, mas ainda me inquieta a validade ou não da filosofia como ciência. Está a defender-se

filosofia como ciência por se ser especialista ou tal como outras ciências que possuem um método e um

objecto, assim também acontece com a filosofia?

parece-me que o objecto de estudo da filosofia é bastante abstracto. tudo isso acontece por ser uma

ciência? teorética ou há outras razões que talvez eu desconheça?

Avelino a 16 de Abril de 2014 às 14:17

responder | link do comentário | discussão


Obrigado pela questão, Avelino.

Na verdade, pretende-se defender a ideia de que no aspecto formal, a Filosofia, tal como as ciências , tem o

seu método e o seu objecto . Contudo, na especificidade que a caracteriza, o método reflexivo tem uma

abrangência de abstracção muito mais elevada pelo grau de complexidade que lhe está associado. Na

verdade, ao reflectir sobre a própria ciência, enquanto forma de conhecimento, as ramificações associadas,

transportam-nos para múltiplos domínios do saber, desde o domínio gnoseológico até ao axiológico,

estético, ético, metafísico, etc. Neste contexto estamos já a analisar o seu objecto cuja complexidade

conjunga complementarmente com o potencial evidenciado pelo seu método. Assim, se quanto à forma

podemos identificar objecto e método, já quanto à sua especificidade, temos que considerar esta vasta

complexidade associada.

ideias-em-movimento a 17 de Abril de 2014 às 14:23

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