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SAÚDE MENTAL

NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Uma introdução
OBJETIVOS
➤ Apresentar uma reflexão sobre Saúde Mental na
infância e adolescência a partir do conceito da
Organização Mundial de Saúde;
➤ Listar as principais influências ambientais para o bem-
estar mental de crianças e adolescentes;
➤ Trazer um panorama de como está a Saúde Mental
infantojuvenil na sociedade brasileira;
➤ Apresentar um modelo de Atenção Psicossocial em
rede, orientado a partir da ideia de intersetorialidade;
➤ Listar os principais fatores de risco e proteção para a
Saúde Mental de crianças e adolescentes.
O QUE É SAÚDE MENTAL

De acordo com a OMS, SAÚDE MENTAL é um


estado de bem-estar em que o indivíduo:
➤ percebe suas próprias habilidades;
➤ pode lidar com as tensões normais da vida;
➤ pode trabalhar produtiva e frutiferamente;
➤ é capaz de contribuir para sua comunidade.
O QUE É SAÚDE MENTAL

No que diz respeito às crianças, a ênfase é


colocada em aspectos do desenvolvimento, tais
como:
➤ senso positivo de identidade;
➤ capacidade de gerenciar pensamentos e
emoções;
➤ capacidade de criar relações sociais;
➤ aptidão para aprender e adquirir uma
educação que lhe permitirá participar
ativamente na sociedade.
SAÚDE MENTAL IJ - ALGUMAS REFLEXÕES
➤ Do ponto de vista da saúde mental, cada criança e
adolescente é um sujeito singular e deve ser
abordado a partir dessa condição.
➤ Isso significa dizer que cada um tem sua própria
história, seu jeito de ser, seu modo de aprender as
experiências pelas quais passa, suas questões
subjetivas, familiares e sociais, suas dificuldades,
e suas tentativas de solução.
➤ Mesmo que tenham diagnósticos semelhantes,
crianças e adolescentes são pessoas únicas, que
vivem sob dinâmicas familiares próprias e, por
isso, devem ser tratadas e respeitadas.
SAÚDE MENTAL IJ - ALGUMAS REFLEXÕES

➤ É necessário percebermos que se tornam cada


vez mais frequentes os problemas infantis de
foro psiquiátrico;
➤ Um número significativo destes problemas
podem ter um mau prognóstico e muitas das
perturbações da idade adulta têm as suas raízes
em fatores de risco da infância;
➤ Uma intervenção inicial na promoção de
competências que visem aumentar o bem-estar
pode ter efeitos preventivos importantes, como
é o caso do aumento da autoestima e da
diminuição do comportamento antissocial.
INFLUÊNCIAS AMBIENTAIS NA SAÚDE MENTAL
DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Os fatores encontrados como determinantes da saúde mental de
crianças e adolescentes referem-se, em sua maioria, a fatores familiares:
➤ história de doença mental materna,
➤ níveis elevados de ansiedade materna,
➤ perspectivas parentais limitadas,
➤ interação limitada entre a criança e a mãe,
➤ chefe de família sem ocupação qualificada,
➤ baixa escolaridade materna,
➤ famílias de grupos étnicos minoritários,
➤ famílias monoparentais,
➤ presença de eventos estressantes e famílias com quatro ou mais
filhos.
PANORAMA ATUAL
➤ A saúde mental infantil tem sido bastante negligenciada, tanto
pelas políticas públicas quanto pelos estudiosos e profissionais
da área.
➤ É recente o reconhecimento de que crianças e adolescentes
apresentam problemas de saúde mental e de que esses problemas
podem ser tratados e cuidados.
➤ Tem havido esforços no sentido de ampliar o conhecimento sobre
tais problemas e sobre suas diversas formas de manifestação.
➤ Há um consenso sobre a necessidade de ser construída uma rede
de serviços e de ações, capazes de responder pela complexidade
de questões envolvidas na saúde mental de crianças e
adolescentes.
➤ No Brasil ainda não há uma política para saúde mental das
crianças e adolescentes, exceto para transtornos mentais graves
através dos CAPSi(s).
PANORAMA ATUAL
➤ Na maioria das vezes o termo Saúde Mental fica restrito ao
atendimento psiquiátrico, desconsiderando a abrangência e a
contribuição de várias disciplinas no atendimento a crianças e
adolescentes como problemas emocionais e comportamentais.
➤ Estudos epidemiológicos apontam que problemas de saúde
mental em crianças e adolescentes são comuns: atingem cerca
de 10% a 20% deles.
➤ Em relação aos tipos de problemas encontrados, verificou-se
que os mais comuns são:
ANSIEDADE 5,2% – 6,2%
PROBLEMAS DE CONDUTA/COMPORTAMENTO 4,4% – 7,0%
HIPERATIVIDADE 1,5% – 2,7%
DEPRESSÃO 1,0% – 1,6%
AUTISMO E PROBLEMAS CORRELATOS abaixo de 1%
PANORAMA ATUAL
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE)
de 2012, apontaram que
➤ 71,4% dos alunos já havia experimentado bebida
alcoólica, sendo que
➤ 27,3% referiram consumo regular de álcool e
➤ 9,0% problemas com uso de álcool;
➤ 8,7% informaram experimentação de outras drogas.
ATENÇÃO PSICOSSOCIAL - MODELO BRASILEIRO
➤ Com a implantação do ECA em 1992, a concepção da
atenção a crianças e adolescentes avançou exigindo
prioridade absoluta por parte da família, da sociedade e
do Estado, para as necessidades delas.
➤ Como sujeito de direitos especiais, esse grupo etário,
pela sua condição de pessoa em desenvolvimento
físico, moral e psicológico, deve ser obrigatoriamente
protegido por todos.
➤ O quadro a seguir apresenta os setores da sociedade
que são considerados estratégicos para uma atenção
psicossocial possível direcionada a crianças e
adolescentes:
Ambulatórios de saúde Dispositivos de atenção especializada aos indivíduos
mental e Centros de necessitados de atenção psicossocial, oferecido a partir
SAÚDE MENTAL
Atenção Psicossocial de equipe multidisciplinar composta por psiquiatra,
CAPS (CAPSi) enfermeiro, psicólogo, assistente social, entre outros.

Unidades Básicas de Dispositivo estratégico para ações de promoção,


SAÚDE GERAL Saúde / Programa de prevenção e detecção precoce de episódios ligados à
Saúde da Familia saúde integral.

Instituições fundamentais para detecção dos primeiros


Escolas e Instituições sinais e sintomas de distúrbios emocionais. Essenciais
EDUCAÇÃO
filantrópicas na estrutura de um projeto terapêutico para indivíduos
necessitados de estímulo e atenção especializados.

Têm por finalidade o desenvolvimento de ações de


Centros de Referência da
ASSISTÊNCIA proteção em áreas de vulnerabilidade social, articulando
Assistência Social (CRAS
SOCIAL com os vários dispositivos de apoio disponíveis no
e CREAS)
território.

Estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do


JUSTIÇA / DEFESA Adolescente (ECA), em 1990, são encarregados de zelar
Conselhos Tutelares
DE DIREITOS pelo cumprimento dos direitos da população infantil e
juvenil
INTERSETORIALIDADE
➤ Aplicada à SM infantojuvenil, é a noção de uma rede pública
ampliada de atenção em saúde mental para crianças e adolescentes,
onde vários setores, instituições, profissionais, meninos, meninas,
jovens e comunidades se corresponsabilizam em nome da
construção de uma vida menos atormentada para cada um, segundo
as possibilidades que lhes são próprias.
➤ O território é o lugar psicossocial do sujeito, a partir do qual seu
cuidado ganha sentido e relevância.
➤ Particularmente com crianças e adolescentes, é comum que
diferentes instituições e setores públicos estejam envolvidos na sua
história, a começar pela família.
➤ A intersetorialidade é um princípio que deve orientar parcerias
permanentes com todos os implicados, especialmente com a
educação, a assistência social, a justiça e os direitos – setores
historicamente relevantes na assistência às crianças e aos
adolescentes brasileiros.
FATORES DE RISCO E DE PROTEÇÃO PARA
SAÚDE MENTAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
DOMÍNIO
FATORES DE RISCO FATORES DE PROTEÇÃO
SOCIAL
– Cuidado parental inconsistente;
– Discórdia familiar excessiva; – Vínculos familiares fortes;
Família – Morte ou ausência abrupta de membro da família; – Oportunidades para
– Pais ou cuidadores com transtorno mental; envolvimento positivo na família.
– Violência doméstica.

– Atraso escolar;
– Oportunidades de envolvimento
– Falência das escolas em prover um ambiente
na vida da escola;
interessante e apropriado para manter a assiduidade
– Reforço positivo para conquistas
Escola e o aprendizado;
acadêmicas;
– Provisão inadequada-inapropriada do que cabe ao
– Identificação com a cultura da
mandato escolar;
escola
– Violência no ambiente escolar.
– Redes de sociabilidade frágeis; – Ligação forte com a comunidade;
– Discriminação e marginalização; – Oportunidade para uso
– Exposição à violência; construtivo do lazer;
Comunidade
– Falta de senso de pertencimento; Experiências culturais positivas;
– Condições socioeconômicas desfavoráveis. – Gratificação por envolvimento
na comunidade.
FATORES DE RISCO E DE PROTEÇÃO PARA
SAÚDE MENTAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES (CONT.)
DOMÍNIO FATORES DE RISCO FATORES DE PROTEÇÃO

– Habilidade de aprender com a


– Temperamento difícil; experiência;
– Dificuldades significativas de – Boa autoestima;
Psicológico
aprendizagem; – Habilidades sociais;
– Abuso sexual, físico e emocional. – Capacidade para resolver
problemas.

– Anormalidades cromossômicas;
– Exposição a substâncias tóxicas na
gestação;
– Desenvolvimento físico
– Trauma craniano;
apropriado à idade;
Biológico – Hipóxia ou outras complicações ao
– Boa saúde física;
nascimento;
– Bom funcionamento intelectual.
– Doenças crônicas, em especial
neurológicas e metabólicas;
– Efeitos colaterais de medicação.
QUE REFLEXÃO NOS RESTA?
Todos nós temos uma história.
Ser criança é viver intensamente a construção dessa narrativa,
nos seus aspectos mais essenciais:
ser amado, aceito, protegido, cuidado, conduzido,
é a estrutura fundamental deste livro chamado Vida.

Cientes da complexidade da construção da nossa própria história,


nos tornamos aptos a cuidar do outro.
Às vezes cuidar do outro é o que nos torna conscientes
dessa complexidade que é a narrativa da nossa vida.

Uma criança, além de sujeito de direitos que garantam sua saúde integral,
o que demanda a participação de todos os atores da sociedade,
é herança do Senhor Criador, é dádiva, é uma nova chance,
para este mundo e pra quem dela cuida.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
➤ WORLD HEALTH ORGANIZATION. Mental health action plan 2013-2020.
WHO Document Production Services, Geneva, Switzerland, 2013. Disponível em:
<http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/
10665/89966/9789241506021_eng.pdf?sequence=1> Acesso em 20 de agosto de
2018.

➤ BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de


Atenção Básica. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Cadernos de
Atenção Básica, n. 34. Saúde Mental. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. 176 p.
Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/
caderno_34.pdf> Acesso em 20 de agosto de 2018.

➤ SANTOS, Patricia Leila dos. Problemas de saúde mental de crianças e


adolescentes atendidos em um serviço público de psicologia infantil. Psicol.
estud. [online]. 2006, vol.11, n.2, pp.315-321. ISSN 1413-7372. Disponível em:
<http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722006000200010.> Acesso em 20 de
agosto de 2018.