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Aula 11

Noções de Direito Constitucional p/ TCE-SC -AFCE (com videoaulas) - Todos os Cargos


(exceto Direito)

Professores: Nádia Carolina, Ricardo Vale


Direito Constitucional p/ TCE-SC
Profa. Nádia Carolina / Prof. Ricardo Vale
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!
AULA 11: DIREITO CONSTITUCIONAL

Sumário:
Ordem Econômica e Financeira ...................................................................... 1
1- Introdução: ............................................................................................ 1
2- Fundamentos e Princípios gerais da Ordem econômica: ......................... 2
3- Política Urbana: .................................................................................... 19
4- Política agrícola, fundiária e a reforma agrária: .................................... 23
5- Sistema Financeiro Nacional: ................................................................ 27
Questões Comentadas ................................................................................. 28
Lista de Questões ........................................................................................ 34
Gabarito ...................................................................................................... 37

Ordem Econômica e Financeira

1- Introdução:

A ordem econômica consiste em um conjunto de normas que regulam o


sistema econômico do País, definindo, dentre outros pontos, a forma de
intervenção do Estado na economia.

A disciplina constitucional da ordem econômica forma aquilo que a doutrina


denomina “Constituição econômica”, que, nas palavras do Prof. Uadi
Lammêgo Bulos, “consiste em um microssistema normativo, integrado à
própria carta constitucional positiva, em cujo esteio erigem-se normas e
diretrizes constitucionais que disciplinam, juridicamente, a macroeconomia”.1

Há que se destacar, ainda, que a “Constituição econômica” não se esgota no


texto constitucional: ela também se manifesta por meio de normas
infraconstitucionais. É a partir disso que se pode fazer a distinção entre
Constituição econômica material (núcleo essencial de normas que regem o
sistema econômico, quer constem ou não do texto constitucional) e
Constituição econômica formal (normas que regem o sistema econômico e
que estão positivadas no texto constitucional, ainda que não dotadas de
relevância material).2

A constitucionalização da ordem econômica foi um movimento que ganhou


força com a Primeira Guerra Mundial. Em virtude daquele conflito, o

1
BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional, 6a edição. Ed. Saraiva. São
Paulo: 2011, pp. 1490.

! CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional, 6ª edição. Ed. Juspodium.
Salvador: 2012, p. 1276 – 1277. !
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Estado teve que assumir um papel mais ativo na regulação da economia, o que
se acentuou ainda mais com a Crise da bolsa de Nova York (1929) e com a
Segunda Guerra Mundial.

Constata-se que a inserção da ordem econômica nos textos constitucionais foi


uma das características da transição do Estado liberal para o Estado
social. O Estado liberal era eminentemente não intervencionista; o Estado
social, por sua vez, é marcado pela maior atuação governamental, seja
intervindo na economia, seja ofertando prestações positivas em favor dos
indivíduos. Dessa forma, a constitucionalização da ordem econômica é
resultado do aparecimento da ideia de Estado de bem-estar social.

No Brasil, a Constituição de 1934 foi a primeira a trazer em seu texto a


disciplina da ordem econômica, o que se deveu à forte influência da
Constituição alemã de Weimar (1919). Destaque-se que a Carta de 1934
também tratou com pioneirismo a disciplina da ordem social, que está
intimamente relacionada à ordem econômica.

Na CF/88, a ordem econômica e financeira é dividida da seguinte forma:

- Princípios Gerais da Ordem econômica (art. 170 – art. 181)

- Política Urbana (art. 182 – art. 183)

- Política agrícola e fundiária e a reforma agrária (art. 184 – art. 191)

- Sistema Financeiro Nacional (art. 192)

Essas normas, que consubstanciam a chamada “Constituição econômica”,


podem ser classificadas, segundo a doutrina do Prof. José Afonso da Silva,
como elementos socioideológicos. São elementos socioideológicos o
conjunto de normas que refletem a existência do Estado social,
intervencionista, prestacionista.

2- Fundamentos e Princípios gerais da Ordem econômica:

2.1- Princípios constitucionais da ordem econômica:

A doutrina considera que a Constituição Federal de 1988, ao tratar da ordem


econômica, estabeleceu princípios e soluções um tanto quanto
contraditórios. Ao mesmo tempo em que consagra a liberdade de iniciativa, a
CF/88 busca, em diversos momentos regulamentar a atividade econômica.
Assim, liberalismo e intervencionismo se alternam na formulação dos
princípios da ordem econômica, o que demonstra o resultado consensual de

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um debate entre as diversas correntes que participaram da formulação da
CF/88.3

Segundo o art. 170, CF/88, a ordem econômica, fundada na valorização do


trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos
existência digna, conforme os ditames da justiça social. Por meio desse
dispositivo, a CF/88 consagra a existência de uma economia de mercado, de
índole capitalista. Isso fica claro ao estabelecer-se que o fundamento da ordem
econômica é a livre iniciativa; com efeito, a livre iniciativa é característica
central do sistema capitalista.

Ao mesmo tempo, percebe-se que o art. 170, CF/88, estabeleceu que a


finalidade da ordem econômica é promover a existência digna de todos,
conforme os ditames da justiça social. Nesse sentido, busca-se compatibilizar
o desenvolvimento econômico com o princípio da dignidade da pessoa
humana.

Os princípios constitucionais da ordem econômica são os seguintes:

a) Soberania nacional. A soberania é um dos fundamentos da


República Federativa do Brasil (art. 1º, I). Aqui, ela aparece no sentido
de “soberania econômica”. Com isso, o legislador constituinte quis deixar
claro que o Brasil deve buscar o seu desenvolvimento e evitar a situação
de dependência em relação aos países industrializados.

b) Propriedade privada. A propriedade privada dos meios de produção


é a grande característica do sistema econômico capitalista.

c) Função social da propriedade. O direito à propriedade não é


absoluto; em outras palavras, a propriedade é garantida, desde que
cumpra sua função social. Nos termos do art. 5º, XXIII, “a propriedade
atenderá a sua função social”.

d) Livre concorrência. A livre concorrência é um princípio que deriva


do princípio da livre iniciativa. Ao estabelecer a livre concorrência como
um princípio geral da ordem econômica, a CF/88 reconhece,
implicitamente, a tese de que mercados competitivos geram maior
eficiência econômica, possibilitando maior bem-estar e qualidade de vida
aos cidadãos.

Destaque-se, entretanto, que, embora o legislador constituinte tenha


optado pela livre concorrência, esta não é absoluta. O Estado possui
diversas formas de intervenção na economia. A intervenção estatal
pode ser direta (como no caso de monopólios em setores estratégicos)
ou indireta (através da regulação econômica).

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! MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil Interpretada e Legislação
Constitucional, 9ª edição. São Paulo Editora Atlas: 2010, pp. 1875-1877. !
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Em consonância com o princípio da livre concorrência, o art. 173, § 4º,
dispõe que “a lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à
dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento
arbitrário dos lucros.” Perceba que a livre concorrência é a regra geral
na ordem econômica do Estado brasileiro, admitindo-se a intervenção
estatal para reprimir condutas anticoncorrenciais, caracterizadas
pelo abuso do poder econômico.

Segundo o STF, os regimes jurídicos sob os quais, em regra, são


prestados os serviços públicos importam em que essa atividade seja
desenvolvida sob privilégio, inclusive o da exclusividade. Por esse
motivo, o privilégio de entrega de correspondência da ECT (Empresa de
Correios e Telégrafos) não violaria a proteção à livre concorrência4.

A jurisprudência do STF nos traz alguns entendimentos


importantes relacionados à proteção da livre
concorrência. Destacamos os seguintes:

1) Súmula Vinculante nº 49: Ofende o princípio da livre


concorrência lei municipal que impede a instalação de
estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em
determinada área.

Dessa forma, será inconstitucional lei municipal que


proíba dos estabelecimentos comerciais do mesmo ramo
de se instalarem em uma determinada área.

2) Ao debater a aprovação da Súmula Vinculante nº 49,


os Ministros do STF deixaram claro que esta deveria ser
encarada como um princípio geral, não devendo se
aplicar a todos os casos.

Nesse sentido, o STF reconhece a constitucionalidade


de lei municipal que fixa distanciamento mínimo entre
postos de revenda de combustíveis, por motivo de
segurança.5

3) “O princípio da livre iniciativa não pode ser invocado


para afastar regras de regulamentação do mercado e de
defesa do consumidor."6 Esse entendimento deriva da
lógica de que não há princípios absolutos em nosso
ordenamento jurídico. Assim, regras de regulamentação
do mercado e de defesa do consumidor não violam a livre
iniciativa.

((
!ADPF 46, Rel. Min. Marco Aurélio, 05.08.2009.
)
!RE 566.836, Rel. Min. Cármen Lúcia. 27.11.2008.

!RE 349.686, Rel. Min. Ellen Gracie, 14.06.2005.
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e) Defesa do consumidor. A ordem econômica tem como finalidade
assegurar a todos uma existência digna; dito de outra maneira, ela visa
garantir a dignidade da pessoa humana. É justamente nesse contexto
que se busca assegurar a defesa do consumidor, que é a parte
hipossuficiente em uma relação de consumo.

f) Busca do pleno emprego. Conforme já comentamos, a ordem


econômica tem como um de seus fundamentos a valorização do trabalho
humano. Nesse sentido, a busca do pleno emprego é diretriz
constitucional que tem como objetivo assegurar que toda a força de
trabalho disponível seja utilizada na atividade econômica.

g) Redução das desigualdades sociais e regionais. Nos termos do


art. 3º, III, um dos objetivos fundamentais da República Federativa do
Brasil é “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais”.

h) Defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento


diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de
seus processos de elaboração e prestação.

i) Tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte


constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e
administração no País. Esse tratamento diferenciado se materializa no
art. 179, CF/88:

Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios


dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte,
assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a
incentivá-las pela simplificação de suas obrigações
administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou
pela eliminação ou redução destas por meio de lei.

O Prof. José Afonso da Silva chama de princípios de


integração os seguintes princípios da ordem
econômica:

a) defesa do consumidor;

b) defesa do meio ambiente;

c) redução das desigualdades sociais e regionais;

d) busca do pleno emprego.

Essa denominação se deve ao fato de que esses 4


(quatro) princípios têm como objetivo resolver os
problemas da marginalização regional ou social.

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SOBERANIA NACIONAL

PROPRIEDADE PRIVADA
PRINCÍPIOS DA ORDEM ECONÔMICA

FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE

LIVRE CONCORRÊNCIA

DEFESA DO CONSUMIDOR

BUSCA DO PLENO EMPREGO

REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES REGIONAIS E SOCIAIS

DEFESA DO MEIO AMBIENTE, INCLUSIVE MEDIANTE


TRATAMENTO DIFERENCIADO CONFORME O IMPACTO
AMBIENTAL DOS PRODUTOS E SERVIÇOS E DE SEUS
PROCESSOS DE ELABORAÇÃO E PRESTAÇÃO

TRATAMENTO FAVORECIDO PARA AS EMPRESAS DE PEQUENO


PORTE CONSTITUÍDAS SOB AS LEIS BRASILEIRAS E QUE
TENHAM SUA SEDE E ADMINISTRAÇÃO NO PAÍS

Há que se mencionar também o que estabelece o art. 170, parágrafo único,


CF/88. Segundo esse dispositivo, é assegurado a todos o livre exercício de
qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de
órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. Trata-se do princípio da
liberdade de exercício de atividade econômica.

Todos esses princípios devem ser interpretados em conjunto, em harmonia,


evitando contradições aparentes entre si. Neles, verifica-se que o constituinte
adotou o modelo capitalista, porém não se esqueceu da finalidade da
ordem econômica: assegurar a todos a existência digna, conforme os ditames
da justiça social.

(TRE-MA – 2015) A defesa do meio ambiente, inclusive com


tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos
produtos e serviços, constitui princípio que orienta a atividade
econômica.

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Comentários:

O art. 170, VI, CF/88, prevê que é princípio da ordem


econômica a defesa do meio ambiente, inclusive mediante
tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos
produtos e serviços e de seus processos de elaboração e
prestação. Questão correta.

(TRT 8a Região – 2015) Não poderá a lei dispensar às


microempresas e às empresas de pequeno porte tratamento
jurídico diferenciado, sob pena de violar o princípio da
igualdade, exceto se, em se tratando de empresas de
pequeno porte, estas forem constituídas sob as leis
brasileiras.

Comentários:

O art. 179, CF/88, prevê que os entes federativos (União,


Estados, Distrito Federal e Municípios) poderão dispensar
tratamento jurídico diferenciado às microempresas e às
empresas de pequeno porte. Não há que se falar em violação
ao princípio da igualdade. Questão errada.

(MPE-SP – 2015) A ordem econômica nacional tem por


finalidade assegurar a todos existência digna, conforme os
ditames da justiça social.

Comentários:

A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho e da


livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos uma existência
digna. Questão correta.

2.2- Investimentos estrangeiros no Brasil:

A disciplina dos investimentos estrangeiros no Brasil está prevista no art. 172,


CF/88:

Art. 172. A lei disciplinará, com base no interesse nacional, os


investimentos de capital estrangeiro, incentivará os reinvestimentos e
regulará a remessa de lucros.

A regulação do investimento estrangeiro é corolário do princípio da


soberania nacional. Note que a CF/88 não impede o ingresso de capital
estrangeiro no País; ao contrário, ela permite que sejam feitos
investimentos estrangeiros, uma vez que estes podem funcionar como
importante instrumento para o desenvolvimento econômico nacional.
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A legislação ordinária irá, portanto, disciplinar os investimentos de capital
estrangeiro, incentivar os reinvestimentos e regular a remessa de lucros
para o exterior.

(TRE-MA – 2015) São livres os investimentos de capital


estrangeiro no país, bem como a remessa de lucros ao
exterior.

Comentários:

Não se pode dizer que são livres os investimentos de capital


estrangeiro no país e a remessa de lucros ao exterior. A lei
regulamentará essas matérias. Questão errada.

2.3 – Empresa nacional x Empresa estrangeira:

A Emenda Constitucional nº 06/1995, a fim de incentivar a realização de


investimentos estrangeiros no País, acabou com a distinção entre empresa
brasileira de capital nacional e empresa brasileira de capital estrangeiro.
Agora, só há que se diferençar a empresa brasileira da empresa estrangeira.

E qual o conceito de empresa brasileira?

Empresa brasileira é aquela constituída sob as leis brasileiras e que


tenha sua sede e administração no País. Assim, não interessa se o capital é
nacional ou estrangeiro; caso a empresa seja constituída sob as leis brasileiras
e tenha sede e administração em nosso território, ela será considerada uma
empresa brasileira.

2.3- Atuação estatal no domínio econômico:

Embora a Constituição Federal de 1988 tenha estabelecido que a livre iniciativa


é um princípio geral da ordem econômica, desenhou-se, paralelo a isso, um
modelo de Estado intervencionista. A doutrina considera que há 3 (três)
formas de intervenção estatal na economia:7

a) Intervenção direta.

&
!CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional, 6ª edição. Ed. Juspodium.
Salvador: 2012, p. 1280. !
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A intervenção direta do Estado fica caracterizada quando o Estado explora
diretamente uma atividade econômica. Trata-se de situação excepcional,
regulada no art. 173, CF/88:

Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a


exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será
permitida quando necessária aos imperativos da segurança
nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em
lei.

O art. 173 consagra, assim, o princípio da subsidiariedade na atuação


direta do Estado na economia, ou seja, este somente atuará quando o setor
privado não tiver capacidade ou interesse de atuar em determinado setor
econômico ou, ainda, por imperativos de segurança nacional ou relevante
interesse coletivo.

É bastante comum que as bancas examinadoras digam que o


Estado somente pode explorar diretamente atividade
econômica em caso de imperativo de segurança nacional ou
de relevante interesse público. Isso está ERRADO!

Com base no art. 173, que ressalva “os casos previstos na


Constituição”, é possível afirmar que os imperativos da
segurança nacional e o relevante interesse coletivo não são
os únicos casos em que o Estado poderá explorar
diretamente atividade econômica. Há outros casos
previstos na CF/88, como as atividades submetidas ao regime
de monopólio da União (art. 177).

Essa atuação direta do Estado no domínio econômico é feita por meio das
empresas públicas e das sociedades de economia mista exploradoras de
atividades econômicas. Cabe destacar que, nos termos do art. 173, § 2º, “as
empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de
privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”. Observe que essa
é uma regra válida apenas para as empresas públicas e sociedades de
economia mista exploradoras de atividades econômicas. Não alcança, portanto,
as empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviços
públicos.

A CF/88 prevê a elaboração de um estatuto jurídico para as empresas


públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividade
econômica:

§ 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da


sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem
atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de
prestação de serviços, dispondo sobre:
I - sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela
sociedade;
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II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas,
inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e
tributários;
III - licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações,
observados os princípios da administração pública;
IV - a constituição e o funcionamento dos conselhos de administração e
fiscal, com a participação de acionistas minoritários;
V - os mandatos, a avaliação de desempenho e a responsabilidade dos
administradores.

Note que esse dispositivo se refere às empresas públicas e sociedades de


economia mista exploradoras de atividades econômicas em sentido
estrito. Não trata das empresas públicas e sociedades de economia mista
prestadoras de serviços públicos. Destaque-se que essas pessoas jurídicas em
regra são alcançadas por todas as normas constitucionais aplicáveis à
Administração Pública. Entretanto, possuem algumas características
próprias do setor privado, devido à “sujeição ao regime jurídico próprio das
empresas privadas”, conforme previsto pela Carta Magna.

(TRT 21a Região – 2015) É possível afirmar que as


empresas públicas e sociedades de economia mista poderão
gozar de privilégios fiscais não extensivos ao setor privado.

Comentários:

Pegadinha! As sociedades de economia mista e empresas


públicas prestadoras de serviço público poderão gozar de
privilégios fiscais não extensivos ao setor privado. Questão
correta.

(TRE-MA – 2015) A exploração direta de atividade


econômica pelo Estado será permitida em casos de interesse
financeiro que justifique a concessão de privilégios fiscais não
extensivos ao mercado.

Comentários:

A exploração direta de atividade econômica pelo Estado será


permitida apenas em razão de imperativos de segurança
nacional ou relevante interesse coletivo. Questão errada.

(TRF 1a Região – 2015) O Estado não pode explorar, de


forma direta ou indireta, atividade econômica, salvo em caso
de necessidade relativa à segurança nacional, mediante
prévia autorização do Congresso Nacional.

Comentários:

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Dois erros:

1) Não há necessidade de autorização do Congresso Nacional


para que possa ocorrer a exploração direta de atividade
econômica pelo Estado.

2) A exploração direta de atividade econômica pelo Estado


também poderá ocorrer em razão de relevante interesse
coletivo.

Questão errada.

(MPDFT – 2015) O art. 173 da Constituição dispõe que


“ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a
exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será
permitida quando necessária aos imperativos de segurança
nacional ou relevante interesse coletivo, conforme definidos
em lei". Esse dispositivo constitucional consagra o princípio da
subsidiariedade.

Comentários:

É isso mesmo! O art. 173, CF/88, consagra o princípio da


subsidiariedade. Questão correta.

b) Intervenção indireta.

A intervenção indireta na economia fica caracterizada quando o Estado assume


o papel de agente normativo e regulador da atividade econômica. O
fundamento da intervenção indireta é o art. 174, CF/88:

Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o


Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e
planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo
para o setor privado.
§ 1º - A lei estabelecerá as diretrizes e bases do planejamento do
desenvolvimento nacional equilibrado, o qual incorporará e
compatibilizará os planos nacionais e regionais de desenvolvimento.
§ 2º - A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de
associativismo.
§ 3º - O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em
cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e a
promoção econômico-social dos garimpeiros.
§ 4º - As cooperativas a que se refere o parágrafo anterior terão
prioridade na autorização ou concessão para pesquisa e lavra dos
recursos e jazidas de minerais garimpáveis, nas áreas onde estejam

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atuando, e naquelas fixadas de acordo com o art. 21, XXV, na forma da
lei.

Quando o Estado intervém indiretamente na economia, ele exerce três


funções: i) fiscalização; ii) incentivo e; iii) planejamento.

A fiscalização é atividade tipicamente estatal, que engloba o poder


regulamentar, a investigação e aplicação de sanções. Como exemplo da
atividade de fiscalização estatal, podemos citar o art. 173, § 4º e § 5º:

§ 4º - A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação


dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos
lucros.
§ 5º - A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes
da pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a
às punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a
ordem econômica e financeira e contra a economia popular.

Como se pode perceber, esses dois dispositivos são normas de eficácia


limitada, dependentes de regulamentação por lei para que produzam todos os
seus efeitos.

Para dar efetividade a esses dispositivos constitucionais, foi editada a Lei nº


12.529/2011, que estrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência
(SBDC) e dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a
ordem econômica, orientada pelos ditames constitucionais de liberdade de
iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade, defesa dos
consumidores e repressão ao abuso do poder econômico. A Lei nº 12.529/2011
também prevê a atuação do CADE (Conselho Administrativo de Defesa
Econômica) no controle das práticas anticoncorrenciais.

O incentivo, por sua vez, é a atuação estatal no sentido de estimular


determinados setores da economia. É a atividade de fomento estatal, que se
evidencia no art. 174, §§ 2º, 3º e 4º (estímulo ao cooperativismo) e art. 179
(estímulo às microempresas e empresas de pequeno porte).

Por último, cabe tratar sobre a função de planejamento, que é


determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.
Segundo o art. 174, § 1º, CF/88, “a lei estabelecerá as diretrizes e bases do
planejamento do desenvolvimento nacional equilibrado, o qual incorporará e
compatibilizará os planos nacionais e regionais de desenvolvimento”.

(TJ-AL – 2015) Como agente normativo e regulador da


atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as
funções de fiscalização, incentivo e planejamento.

Comentários:

Segundo o art. 174, CF/88, o Estado exercerá, na forma da


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lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento.
Questão correta.

(TJ-AL – 2015) O planejamento exercido como função do


Estado é determinante para o setor público e para o setor
privado.

Comentários:

O planejamento é determinante para o setor público e


indicativo para o setor privado. Questão errada.

(TRF 1a Região – 2015) A CF prevê expressamente a edição


de lei que reprima o abuso do poder econômico que vise à
dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao
aumento arbitrário dos lucros.

Comentários:

O art. 173, § 4º, CF/88, prevê que “a lei reprimirá o abuso do


poder econômico que vise à dominação dos mercados, à
eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos
lucros”. Questão correta.

c) Intervenção mediante a instituição de monopólios.

O art. 177, CF/88, prevê que determinadas atividades serão exploradas sob o
regime de monopólio. Veja sua redação:

Art. 177. Constituem monopólio da União:


I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros
hidrocarbonetos fluidos;
II - a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro;
III - a importação e exportação dos produtos e derivados básicos
resultantes das atividades previstas nos incisos anteriores;
IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de
derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim o
transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás
natural de qualquer origem;
V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a
industrialização e o comércio de minérios e minerais nucleares e seus
derivados, com exceção dos radioisótopos cuja produção,
comercialização e utilização poderão ser autorizadas sob regime de
permissão, conforme as alíneas b e c do inciso XXIII do caput do art. 21
desta Constituição Federal.

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§ 1º A União poderá contratar com empresas estatais ou privadas a
realização das atividades previstas nos incisos I a IV deste artigo
observadas as condições estabelecidas em lei.

A atividades a serem exploradas sob o regime de monopólio são apresentadas,


no dispositivo supratranscrito, em rol exaustivo (lista “numerus clausus”).
Todas elas foram atribuídas exclusivamente à União.

É necessário enfatizar, todavia, o seguinte:

a) As atividades descritas nos incisos I a IV podem ter seu exercício


contratado, pela União, com empresas estatais ou privadas, observadas
as condições estabelecidas em lei.

b) As atividades previstas no inciso V, relacionadas aos radioisótopos,


poderão ser autorizadas sob o regime de permissão, segundo as regras do
art. 21, XXIII:

- sob regime de permissão, são autorizadas a comercialização e a


utilização de radioisótopos para a pesquisa e usos médicos, agrícolas
e industriais;

- sob regime de permissão, são autorizadas a produção, comercialização


e utilização de radioisótopos de meia-vida igual ou inferior a duas
horas.

Trata-se de regra que visa flexibilizar o controle da União, que passa a se


limitar a casos muito específicos, de modo a permitir o avanço das
pesquisas em medicina nuclear. A submissão ao regime de permissão
garantirá o necessário controle da referida atividade pelo Poder Público.

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PARA PESQUISA
A
COMERCIALIZAÇÃO
E A UTILIZAÇÃO DE
RADIOISÓTOPOS... PARA USOS
MÉDICOS,
SOB REGIME DE AGRÍCOLAS E
PERMISSÃO, SÃO INDUSTRIAIS
AUTORIZADAS...

A PRODUÇÃO, DE MEIA-VIDA
COMERCIALIZAÇÃO IGUAL OU
E UTILIZAÇÃO DE INFERIOR A DUAS
RADIOISÓTOPOS... HORAS

2.4- Serviços Públicos:

Inicialmente, é importante destacar que a Constituição Federal e a legislação


infraconstitucional não estabelecem o conceito de serviço público. No
entanto, é possível afirmar que o Estado é o titular exclusivo dos serviços
públicos. Assim, nenhum serviço público será livre à iniciativa privada.

O art. 175 versa sobre a prestação de serviços públicos pelo Estado, que
pode ser feita direta ou indiretamente (sob o regime de concessão ou
permissão).

Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob


regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a
prestação de serviços públicos.
Parágrafo único. A lei disporá sobre:
I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços
públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem
como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão
ou permissão;
II - os direitos dos usuários;
III - política tarifária;
IV - a obrigação de manter serviço adequado.

A prestação direta de um serviço público é aquela realizada pelo próprio


Estado, por meio de seus órgãos ou entidades da administração indireta. Já a
prestação indireta é a realizada por particulares, mediante delegação
estatal, sob o regime de concessão ou permissão.

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A titularidade do serviço público será sempre do Poder
Público. A execução do serviço público é que poderá ser
delegada a um particular, sob o regime de concessão ou
permissão.

Os conceitos de “concessão” e de “permissão” estão previstos no art. 2º, da


Lei nº 8.987/1995:

a) Concessão de serviço público: delegação de sua prestação, feita


pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de
concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre
capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo
determinado.

b) Permissão de serviço público: a delegação, a título precário,


mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder
concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para
seu desempenho, por sua conta e risco.

Na concessão, a delegação do serviço público não poderá ser feita a


pessoa física, mas somente a pessoa jurídica ou consórcio de empresas,
devendo ser precedida de licitação na modalidade de concorrência. Além
disso, a concessão é feita por prazo determinado e não possui caráter
precário.

Na permissão, a delegação do serviço público poderá ser feita tanto a pessoa


física quanto a pessoa jurídica. Também é precedida de licitação, mas não
há previsão de qual modalidade deverá ser usada. Além disso, possui caráter
precário, podendo ser revogada a qualquer tempo.

Em ambos os casos (concessão e permissão), o particular será responsável


pela execução do serviço público por sua conta e risco, sendo
remunerado por tarifas cobradas diretamente dos usuários do serviço.

A delegação de serviço público, seja por concessão ou permissão, deverá ser


sempre precedida de licitação, nos termos do art. 175, caput. Nesse
sentido, o STF declarou a inconstitucionalidade de lei estadual que pretendia
prorrogar contratos administrativos indefinidamente (ADI nº 3521).

Há previsão constitucional (art. 175, parágrafo único) para a edição de lei


que disponha sobre o regime das concessionárias e permissionárias de serviços
públicos, os direitos dos usuários, a política tarifaria e a obrigação de manter
serviço adequado. Trata-se de lei de normas gerais de caráter nacional
(aplicável à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios), já
editada: a Lei 8.987/1995. Destaque-se, ainda, que há outras leis de
abrangência nacional que também tratam de serviços públicos, a exemplo da
Lei 9.074/1995 e da Lei 11.079/2004.

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O REGIME DAS EMPRESAS CONCESSIONÁRIAS
E PERMISSIONÁRIAS DE SERVIÇOS PÚBLICOS,
O CARÁTER ESPECIAL DE SEU CONTRATO E DE
SUA PRORROGAÇÃO, BEM COMO AS
CONDIÇÕES DE CADUCIDADE, FISCALIZAÇÃO E
RESCISÃO DA CONCESSÃO OU PERMISSÃO
A LEI
ORDINÁRIA
REGULADORA
DOS OS DIREITOS DOS USUÁRIOS
SERVIÇOS
PÚBLICOS
DEVERÁ
DISPOR
SOBRE: A POLÍTICA TARIFÁRIA

A OBRIGAÇÃO DE MANTER SERVIÇO


ADEQUADO
!

Aprofundando no tema, é importante que você saiba que, além da permissão e


da concessão, também é possível a prestação indireta de serviços públicos
por meio de autorização (art. 21, XII, CF). Esta, ao contrario da permissão e
da concessão, dispensa procedimento de licitação, de forma geral.

(TRT 21a Região – 2015) Incumbe ao Poder Público, na


forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou
concorrência, sempre através de licitação, a prestação de
serviços públicos.

Comentários:

Segundo o art. 175, CF/88, incumbe ao Poder Público, na


forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou
permissão, sempre através de licitação, a prestação de
serviços públicos. Questão errada.

2.5- Exploração de Recursos minerais e potenciais de energia


hidráulica:

A exploração de recursos minerais e de potenciais de energia hidráulica é


regulada pelo art. 176, CF/88. Esse dispositivo deixa bastante claro que a
propriedade do solo não se confunde com a propriedade dos recursos
minerais e dos potenciais de energia hidráulica.

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A propriedade dos recursos minerais e dos potenciais de energia
hidráulica será sempre da União, por força do que determina o art. 20, VIII
e IX, CF/88. A propriedade do solo, por sua vez, pode ser de um particular ou
mesmo do Poder Público. Isso é exatamente o que dispõe o art. 176, caput:

Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os


potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do
solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União,
garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra.

A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos


potenciais de energia hidráulica somente poderão ser efetuados mediante
autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros
ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e
administração no País, na forma da lei. Assim, a União delega essas atividades
a um particular (minerador), o qual é denominado de concessionário.

O concessionário realizará a pesquisa e a lavra dos recursos minerais e ficará


com a propriedade do produto da lavra. Nada mais natural! Segundo o
Ministro Eros Grau, “a concessão seria materialmente impossível sem que o
proprietário se apropriasse do produto da exploração da jazida”.8 Como
contrapartida, o concessionário (mineradora) deverá recolher uma
compensação financeira, nos termos do art. 20, § 1º:

Art. 20. (...)

§ 1º - É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal


e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União,
participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de
recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros
recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar
territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por
essa exploração.

A CF/88 também assegura ao proprietário do solo participação nos


resultados da lavra, na forma e nos valor que dispuser a lei. É o que dispõe
o art. 176, § 2º, CF/88:

Art. 176 (...)

§ 2º - É assegurada participação ao proprietário do solo nos resultados


da lavra, na forma e no valor que dispuser a lei.

Para finalizar, vejamos o que dispõem os § 3º e § 4º, do art. 176:

+
! In: CANOTILHO, J.J. Gomes; MENDES, Gilmar Ferreira; SARLET, Ingo Wolfgang; STRECK,
Lenio Luiz. Comentários à Constituição do Brasil. Ed. Saraiva, São Paulo: 2013, pp. 1850. !
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§ 3º - A autorização de pesquisa será sempre por prazo determinado, e
as autorizações e concessões previstas neste artigo não poderão ser
cedidas ou transferidas, total ou parcialmente, sem prévia anuência do
poder concedente.
§ 4º - Não dependerá de autorização ou concessão o aproveitamento do
potencial de energia renovável de capacidade reduzida.

Suponha que em um sítio exista uma pequena cachoeira com capacidade para
gerar energia elétrica suficiente para atender a família que ali vive. Nesse
caso, por se tratar de aproveitamento de potencial de energia renovável de
capacidade reduzida, não será necessária concessão ou autorização.

2.6 – Ordenação dos Transportes / Incentivo ao Turismo / Requisição


de documentos:

Segundo o art. 178, a lei disporá sobre a ordenação dos transportes


aéreo, aquático e terrestre, devendo, quanto à ordenação do transporte
internacional, observar os acordos firmados pela União, atendido o princípio
da reciprocidade.

Cabe destacar que a atual redação do art. 178 é fruto da EC nº 07/1995, que
realizou mudanças substanciais nesse dispositivo. Uma das alterações de maior
destaque foi a extinção da exclusividade das embarcações brasileiras na
navegação de cabotagem.

O art. 180, CF/88, por sua vez, dispõe que a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios promoverão e incentivarão o turismo como fator
de desenvolvimento social e econômico. Trata-se de norma programática, que
estabelece uma diretriz para todos os entes federativos.

Por fim, mencionamos o art. 181, CF/88, que trata da requisição de


documentos por autoridades estrangeiras. Segundo esse dispositivo, o
atendimento de requisição de documento ou informação de natureza
comercial, feita por autoridade administrativa ou judiciária estrangeira, a
pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País dependerá de
autorização do Poder competente.

3- Política Urbana:

Segundo o art. 182, “caput”, da Carta Magna, a política de


desenvolvimento urbano será executada pelo Poder Público municipal,
devendo obedecer diretrizes gerais fixadas em lei federal, de caráter nacional.
O objetivo da política de desenvolvimento urbano é ordenar o pleno
desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus
habitantes.
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O instrumento básico da política de desenvolvimento urbano é o Plano
Diretor, que deve ser aprovado pela Câmara Municipal. Cabe destacar que,
segundo a CF/88, o Plano Diretor é obrigatório para cidades com mais de
20.000 habitantes.

A política de desenvolvimento urbano também se apoia na exigência de que a


propriedade cumpra a sua função social. É o que dispõe o art. 182, § 2º,
segundo o qual “a propriedade urbana cumpre sua função social quando
atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano
diretor”. Recorde-se que o direito de propriedade, garantido pelo art. 5º,
XXII, é norma constitucional de eficácia contida e, portanto, está sujeito à
atuação restritiva, por parte do Poder Público. Assim como todos os direitos
fundamentais, não é absoluto: a Constituição exige que a propriedade cumpra
sua função social (art. 5º, XXIII).

A Constituição Federal abre a possibilidade para que seja realizada a


desapropriação de imóveis urbanos. Segundo o art. 182, § 3º, as
desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa
indenização em dinheiro. Essa é a regra geral!

No entanto, existem casos em que a desapropriação não ocorrerá com


indenização em dinheiro:

a) O art. 182, § 4º, CF/88 estabelece que o Poder Público Municipal


poderá exigir que o proprietário do solo urbano não edificado,
subutilizado ou não utilizado promova seu adequado aproveitamento, sob
pena de sanções sucessivas.

§ 4º - É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei


específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da
lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado,
subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado
aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:

I - parcelamento ou edificação compulsórios;

II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana


progressivo no tempo;

III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida


pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal,
com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e
sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros
legais.

O inciso III prevê a chamada desapropriação-sanção, que é uma clara


consequência do descumprimento da função social da propriedade. A
indenização não será em dinheiro, mas em títulos da dívida pública de

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emissão previamente previamente aprovada pelo Senado, com prazo de
resgate de até 10 (dez) anos.

b) O art. 243, CF/88 estabelece a chamada desapropriação confiscatória,


que foi objeto de relevante alteração promovida pela EC nº 81/2014. Segundo
esse dispositivo, “as propriedades rurais e urbanas de qualquer região do
País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a
exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e
destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem
qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções
previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º”.

Como se pode verificar, no caso da desapropriação confiscatória, não haverá


qualquer indenização ao proprietário. A propriedade, seja ela urbana ou
rural, será expropriada e destinada à reforma agrária e a programas de
habitação popular. Destaque-se que são dois os motivos que levam à
desapropriação confiscatória: i) culturas ilegais de plantas psicotrópicas
e; ii) exploração de trabalho escravo. Antes da EC nº 81/2014, apenas era
motivo para a desapropriação confiscatória a existência de culturas ilegais de
plantas psicotrópicas.

...

Ainda sobre a política urbana, temos que mencionar o art. 183, CF/88, que
trata da chamada usucapião constitucional do imóvel urbano.

Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até
duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos,
ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia
ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja
proprietário de outro imóvel urbano ou rural.

1º - O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao


homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado
civil.

§ 2º - Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais


de uma vez.

§ 3º - Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.

A usucapião constitucional do imóvel urbano, também chamada de usucapião


pró-moradia, consiste na aquisição do domínio de área urbana por aquele
que tenha tido sua posse durante um certo período de tempo. Os requisitos
para que o usucapião pró-moradia se efetive são os seguintes:

a) Área urbana de até 250 metros quadrados;

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b) Posse ininterrupta durante 5 anos, sem qualquer oposição.
Segundo o STF, o tempo de posse anterior à promulgação da
Constituição de 1988 não se inclui na contagem desse prazo quinquenal.9

c) Utilização para moradia própria ou da família.

Cabe destacar que, para usufruir desse direito, o indivíduo não poderá ser
proprietário de nenhum outro imóvel urbano ou rural. Além disso, não é
possível a usucapião de imóveis públicos.

(Procurador de Salvador – 2015) A política de


desenvolvimento urbano, executada pelo município, deve
obedecer às diretrizes gerais fixadas em lei nacional, sem
prejuízo da competência das câmaras municipais para editar o
plano diretor do município.

Comentários:

É isso mesmo! A política de desenvolvimento urbano é


conduzida pelo Município, devendo obedecer às diretrizes
gerais fixadas em lei nacional. A competência para editar o
Plano Diretor é das Câmaras Municipais. Questão correta.

(MPE-SP – 2015) Os imóveis públicos não podem ser


adquiridos por usucapião, salvo quando não atenderem às
exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas
no plano diretor.

Comentários:

Segundo o art. 183, § 3º, “os imóveis públicos não serão


adquiridos por usucapião”. Não há qualquer ressalva a isso.
Questão errada.

(MPE-SP – 2015) O plano diretor, aprovado pela Câmara


Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil
habitantes, é o instrumento básico da política de
desenvolvimento e de expansão urbana; a propriedade
urbana cumpre sua função social quando atende às exigências
fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano
diretor.

Comentários:

,
! RE 206.659, Min. Rel. Galvão, DJ de 6.2.1998; RE 191.603, Min. Rel. Marco Aurélio,
DJ de 28.8.1998; RE 187.913, Min. Rel. Néri, DJ de 22.5.1998; RE 214.851, Min. Rel.
Moreira Alves, DJ de 8.5.1998; RE 217.414, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j.
11.12.1998, DJ de 26.3.1999.
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O Plano Diretor é obrigatório para cidades com mais de
20.000 habitantes, devendo ser aprovado pela Câmara
Municipal. A propriedade urbana cumpre sua função social
quando atender às exigências previstas no Plano Diretor.
Questão correta.

4- Política agrícola, fundiária e a reforma agrária:

Esse assunto foi resultado de grandes confrontos à época da elaboração da


Constituição Federal de 1988. De um lado, havia os “sem terra”; do outro, os
grandes proprietários de terra (os ruralistas). Como resultado, os dispositivos
constitucionais que tratam da política agrícola e fundiária e da reforma agrária
refletem interesses variados.10

A política agrícola, fundiária e a reforma agrária são tratadas nos arts. 184 a
191 da Carta Magna. Em essência, todos esses dispositivos têm como fim
último garantir que a propriedade atenda a sua função social.

Para sistematizar o nosso estudo, vamos falar, separadamente, sobre cada um


desses três temas: i) política agrícola; ii) política fundiária e; iii) reforma
agrária.

a) A política agrícola está intimamente relacionada à política econômica.


Trata-se, na verdade, de importante vertente desta, buscando orientar as
atividades agropecuárias com o objetivo de promover o desenvolvimento e
o bem-estar da comunidade rural.

Segundo o art. 187, CF/88, a política agrícola será planejada e executada


na forma da lei, com a participação efetiva do setor de produção,
envolvendo produtores e trabalhadores rurais, bem como dos setores de
comercialização, de armazenamento e de transportes, levando em conta,
especialmente:

- Os instrumentos creditícios e fiscais;

- Os preços compatíveis com os custos de produção e a garantia de


comercialização;

- O incentivo à pesquisa e à tecnologia;

- A assistência técnica e extensão rural;

- O seguro agrícola;

10
BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional, 6a edição. Ed. Saraiva.
São Paulo: 2011, pp. 1511.
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!
- O cooperativismo;

- A eletrificação rural e irrigação;

- A habitação para o trabalhador rural.

Incluem-se no planejamento agrícola as atividades agroindustriais,


agropecuárias, pesqueiras e florestais (art. 187, § 1º, CF). Além disso,
serão compatibilizadas as ações de política agrícola e de reforma agrária (art.
187, § 2º, CF).

b) A política fundiária, por sua vez, é o que determina o destino das terras
públicas e devolutas no Brasil. Essa destinação deve ser compatível com a
política agrícola e com o plano nacional de reforma agrária (art. 188, “caput”,
CF). Por terras devolutas entende-se aquelas que, não sendo próprias nem
aplicadas a algum uso público federal, estadual territorial ou municipal, não se
incorporaram ao domínio privado (art. 5º, Decreto-Lei 9.760 de 1946). Trata-
se de terras pertencentes ao Estado brasileiro, mesmo não estando destinadas
a nenhum uso público.

Dispõe a Constituição (art. 188, § 1º, CF) que a alienação ou a concessão, a


qualquer título, de terras públicas com área superior a 2.500 hectares a
pessoa física ou jurídica, ainda que por interposta pessoa, dependerá de
prévia aprovação do Congresso Nacional. Excetuam-se dessa regra (art.
188, § 2º, CF) as alienações ou as concessões de terras públicas para fins de
reforma agrária.

Segundo o art. 190, CF/88, a lei regulará e limitará a aquisição ou o


arrendamento de propriedade rural por pessoa física ou jurídica
estrangeira e estabelecerá os casos que dependerão de autorização do
Congresso Nacional.

Ainda no que tange à política fundiária, cabe fazer menção à usucapião


constitucional rural, também denominado usucapião pro labore.

Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou


urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem
oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinquenta
hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família,
tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade.

Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por


usucapião.

Esse instituto é chamado “usucapião pro labore” porque seu título deriva do
fato de a área ter adquirido produtividade em virtude do trabalho do
usucapiente ou de seus familiares. Aplica-se exclusivamente às áreas rurais
não superiores a 50 hectares.

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Cabe enfatizar que a Carta Magna exige que o beneficiário não seja
proprietário nem de imóvel rural, nem de imóvel urbano. Busca-se, com isso,
que apenas os hipossuficientes sejam beneficiados por esse tipo de usucapião.
Um importante requisito para que seja usufruída a usucapião constitucional
rural é a posse da área rural durante 5 (cinco) anos ininterruptos, sem
oposição. Por fim, os imóveis públicos não podem ser adquiridos por
usucapião.

c) A reforma agrária, a seu turno, é um instrumento da política agrícola e


fundiária por meio do qual o Estado intervém na economia agrícola a fim de
promover a repartição da propriedade fundiária. Nesse sentido, o art.
184, CF/88 determina que a União poderá realizar desapropriação por
interesse social, para fins de reforma agrária, do imóvel rural que não estiver
cumprindo a sua função social.

Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para


fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo
sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos
da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real,
resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de
sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.
§ 1º - As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em
dinheiro.
§ 2º - O decreto que declarar o imóvel como de interesse social,
para fins de reforma agrária, autoriza a União a propor a ação de
desapropriação.
§ 3º - Cabe à lei complementar estabelecer procedimento
contraditório especial, de rito sumário, para o processo judicial de
desapropriação.
§ 4º - O orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da
dívida agrária, assim como o montante de recursos para atender ao
programa de reforma agrária no exercício.
§ 5º - São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as
operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de
reforma agrária.

A desapropriação por interesse social, para fins de reforma agrária, não será
feita mediante indenização em dinheiro. A indenização ao proprietário
será em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real,
resgatáveis no prazo de até 20 (vinte) anos, a partir do segundo ano de sua
emissão, e cuja utilização será definida em lei. Por outro lado, as benfeitorias
úteis e necessárias feitas no imóvel rural serão indenizadas em dinheiro.

A desapropriação por interesse social, para fins de reforma


agrária, é competência da União. Já a desapropriação de
imóvel urbano é competência dos Municípios.

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Conforme comentamos, a desapropriação para fins de reforma agrária ocorrerá
quando o imóvel rural não estiver cumprindo a sua função social. É aí
que vem uma importante pergunta: quando é que se considera que a função
social foi cumprida?

A resposta está no art. 186, CF/88. Segundo esse dispositivo, a função social é
cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo
critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos:

- aproveitamento racional e adequado;

- utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do


meio ambiente;

- observância das disposições que regulam as relações de trabalho;

- exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos


trabalhadores.

Uma vez atendidos esses requisitos, a propriedade rural estará cumprindo sua
função social e, portanto, não poderá ser objeto de desapropriação.

A Constituição Federal também protegeu outros imóveis rurais da


desapropriação. Vejamos o art. 185, CF/88:

Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma


agrária:
I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei,
desde que seu proprietário não possua outra;
II - a propriedade produtiva.
Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à
propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos
requisitos relativos a sua função social.

Note que a pequena e a média propriedade rural são insuscetíveis de


desapropriação para fins de reforma agrária, desde que o seu proprietário
não possua outra. Caso ele possua outra, será possível a desapropriação.

Também é insuscetível de desapropriação para fins de reforma agrária a


propriedade produtiva. Perceba que o grande foco das desapropriações para
reforma agrária são as grandes propriedades e as propriedades improdutivas.

(TRF 1a Região – 2015) A CF prevê que tanto a


desapropriação por interesse social quanto a desapropriação
por necessidade ou utilidade pública seja feita somente
mediante justa e prévia indenização em dinheiro.

Comentários:

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Há casos previstos na CF/88 nos quais a desapropriação
não será feita mediante indenização em dinheiro. É o
caso da desapropriação por interesse social para fins de
reforma agrária. Nessa situação, a indenização em títulos da
dívida agrária. Questão errada.

(TRT 21a Região – 2015) A propriedade produtiva é


insuscetível de desapropriação, desde que seu proprietário
não possua outra.
Comentários:
As propriedades produtivas são insuscetíveis de
desapropriação, sem qualquer ressalva. Questão errada.

(MPE-SP – 2015) A média propriedade rural, assim definida


em lei, desde que seu proprietário não possua outra, é
insuscetível de desapropriação para fins de reforma agrária.

Comentários:

Segundo o art. 185, I, CF/88, são insuscetíveis de


desapropriação, para fins de reforma agrária, a pequena e
média propriedade rural, assim definida em lei, desde que
seu proprietário não possua outra. Questão correta.

5- Sistema Financeiro Nacional:

A Emenda Constitucional no 40 de 29 de maio de 2003 suprimiu todos os


incisos, alíneas e parágrafos constantes da redação original do art. 182, CF,
mas não lhe alterou o conteúdo de maneira substancial. Após a redação
dada pela referida emenda, o capítulo da Constituição referente ao Sistema
Financeiro Nacional passou a se resumir ao seguinte dispositivo:

Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma


a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir
aos interesses da coletividade, em todas as partes que o
compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será
regulado por leis complementares que disporão, inclusive,
sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que
o integram.

A Constituição reserva a leis complementares a disciplina da matéria. Atente


para o fato de que várias leis complementares poderão dispor sobre a
matéria, não havendo restrição a uma só lei.

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Questões Comentadas

1. (CESPE / TJ-PB – 2015) Será materialmente inconstitucional, por


ofender o princípio da livre concorrência, lei municipal que, a pretexto
de realizar zoneamento urbano, estabeleça distância mínima de
quinhentos metros entre uma farmácia e outra.

Comentários:

A Súmula Vinculante nº 49 estabelece que “ofende o princípio da livre


concorrência lei municipal que impede a instalação de estabelecimentos
comerciais do mesmo ramo em determinada área”. Assim, será
inconstitucional a lei municipal que estabeleça distância mínima de 500 metros
entre uma farmácia e outra. Questão correta.

2. (CESPE / TJDFT – 2014) Constitui princípio constitucional da


ordem econômica o tratamento favorecido para todas as empresas
constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no
Brasil.

Comentários:

É princípio constitucional da ordem econômica o “tratamento favorecido para


as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que
tenham sua sede e administração no País”. Portanto, a questão está errada.

3. (CESPE / CADE – 2014) Os valores sociais da livre iniciativa e a


livre iniciativa são princípios da República Federativa do Brasil; o
primeiro é um fundamento, e o segundo, um princípio geral da
atividade econômica.

Comentários:

É isso mesmo! Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa são um


fundamento da República Federativa do Brasil. Por sua vez, a livre iniciativa
(livre concorrência) é princípio geral da ordem econômica (art. 170, IV).
Questão correta.

4. (CESPE / TJ-SE – 2014) A CF prevê a possibilidade de exploração


direta de atividade econômica pelo Estado somente no caso de
imprescindibilidade à segurança nacional.

Comentários:

O Estado pode explorar diretamente atividade econômica quando for


necessário aos imperativos de segurança nacional ou a relevante
interesse coletivo. Também é admitida a exploração direta de atividade
econômica pelo Estado em outros casos previstos na Constituição. Dessa
forma, a imprescindibilidade à segurança nacional não é a única hipótese em
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que se autoriza a atuação direta do Estado na atividade econômica. Questão
errada.

5. (CESPE / MPE-AC – 2014) Em razão do regime de livre mercado


estabelecido na CF, é vedado ao Estado explorar diretamente atividade
econômica.

Comentários:

Segundo o art. 173, “ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a


exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida
quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante
interesse coletivo, conforme definidos em lei”. Assim, é possível, em alguns
casos, que o Estado explore diretamente atividade econômica. Questão errada.

6. (CESPE / TRF 2ª Região - 2013) A proteção à livre concorrência é


um dos princípios orientadores da ordem econômica, e, segundo
entendimento do STF o privilégio de entrega de correspondência da
ECT — empresa pública — viola tal princípio.

Comentários:

É o contrário! Para o STF, por se tratar de um serviço público, a atividade de


entrega de correspondência pode, sim, ser desenvolvida com exclusividade
pela ECT. Não há violação á livre concorrência. Questão incorreta.

7. (CESPE / Banco da Amazônia - 2012) Conforme previsto na CF, o


Estado, quando atua como agente normativo e regulador, exerce as
funções de fiscalização, planejamento e participação no mercado.

Comentários:

Segundo o art. 174, “caput”, da CF/88, quando o Estado atua como agente
normativo e regulador, exerce as funções de fiscalização, incentivo e
planejamento. Questão incorreta.

8. (CESPE / Banco da Amazônia - 2012) O princípio da livre


concorrência garante aos agentes econômicos a segurança de que o
Estado não poderá impedi-los de atuar livremente no mercado.

Comentários:

O Estado pode, sim, impedir que agentes econômicos atuem livremente no


mercado, para coibir o abuso do poder econômico que vise à dominação dos
mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros.
Nesse sentido, foi criado o CADE, a fim de exercer o controle sobre a atuação
econômica das pessoas jurídicas. Questão incorreta.

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9. (CESPE / Banco da Amazônia - 2012) Ao planejar a atividade
econômica, o Estado deve, conforme previsão constitucional, observar
o princípio da livre iniciativa, atuando apenas de forma indicativa para
o setor privado.

Comentários:

De fato, a livre iniciativa é um dos fundamentos da RFB, que deve ser


observado pelo Estado ao planejar a atividade econômica (art. 1º, IV, CF).
Esse planejamento é determinante para o setor público e indicativo para o
setor privado (art. 174, “caput”, CF). Questão correta.

10. (CESPE / AGU - 2012) A atuação do Estado como agente


normativo e regulador da atividade econômica compreende, entre
outras funções, a de planejamento, que é determinante tanto para o
setor público quanto para o setor privado.

Comentários:

O planejamento é determinante para o setor público e indicativo para o


privado (art. 174, “caput”, CF). Questão incorreta.

11. (CESPE / AGU - 2012) As empresas públicas e as sociedades de


economia mista, dadas as suas especificidades, beneficiam-se de
determinados privilégios fiscais não atribuídos às empresas privadas.

Comentários:

Determina o art. 173, § 2º, CF/88, que as empresas públicas e as sociedades


de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às
do setor privado. Questão incorreta.

12. (CESPE / AGU - 2012) Como forma de estímulo à atração de


investimentos de capital estrangeiro, a CF veda a regulação da
remessa de lucros.

Comentários:

Não há vedação à remessa de lucros. A Constituição apenas determina que


esta deverá ser regulada por lei (art. 172). Questão incorreta.

13. (CESPE / AGU - 2012) A CF prevê áreas em que a exploração


direta de atividade econômica pela União é feita por meio de
monopólio.

Comentários:

Isso ocorre, de fato, na Constituição, em seu art. 177. Questão correta.

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14. (CESPE / TJ-AC - 2012) Estão sujeitas ao regime jurídico próprio
das empresas privadas, quanto aos direitos e obrigações trabalhistas e
tributários, as empresas públicas e as sociedades de economia mista
que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de
bens, mas não as que prestam serviços.

Comentários:

Determina o art. 173, § 1º, CF/88, que a lei estabelecerá o estatuto jurídico
da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias
que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens
ou de prestação de serviços, dispondo sobre a sujeição ao regime jurídico
próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis,
comerciais, trabalhistas e tributários. O erro do enunciado é dizer que não se
sujeitam a esse regime as prestadoras de serviços. Questão incorreta.

15. (CESPE / TJ-AC - 2012) A CF estabelece o monopólio da União na


pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural, permitindo,
entretanto, a contratação de empresas estatais e privadas para a
realização dessas atividades, observadas as condições estabelecidas
em lei.

Comentários:

É o que determina o art. 177, I c/c § 1o, da CF. Questão correta.

16. (CESPE / TCU - 2011) De acordo com a CF, constituem monopólio


da União a pesquisa, a comercialização e a lavra das jazidas de
petróleo e gás natural.

Comentários:

Isso se aplica à pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural (art.
177, I, CF), mas não à sua comercialização. Questão incorreta.

17. (CESPE / TRF 5ª Região - 2011) Ao prever o princípio do pleno


emprego na CF, o legislador pretendeu defender a absorção da força
de trabalho a qualquer custo, sem se preocupar com a dignidade da
pessoa humana.

Comentários:

A busca do pleno emprego deve estar em consonância com a dignidade da


pessoa humana, fundamento da RFB (art. 1º, III, CF). Questão incorreta.

18. (CESPE / TRF 5ª Região - 2011) A atividade normativa e


reguladora do Estado exercida por meio da intervenção na atividade
econômica compreende as funções de fiscalização, participação e
incentivo.
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Comentários:

Segundo o art. 174, “caput”, da Constituição, como agente normativo e


regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as
funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante
para o setor público e indicativo para o setor privado. Questão incorreta.

19. (CESPE / TRF 5ª Região - 2011) O monopólio estatal na refinação


do petróleo nacional impede a contratação, pela União, de empresa
privada para a realização dessa atividade.

Comentários:

Não há tal impedimento, conforme art. 177, § 1º, da Constituição, desde que
observadas as condições estabelecidas em lei. Questão incorreta.

20. (CESPE / TRF 5ª Região - 2011) O planejamento da atividade


econômica pelo Estado, na nova ordem constitucional econômica, é
sempre indicativo para o setor privado, em harmonia com o princípio
da livre iniciativa.

Comentários:

É o que determina o art. 174, “caput”, da Constituição. Questão correta.

21. (CESPE / MPS - 2010) Constitui monopólio da União a refinação


de petróleo nacional ou estrangeiro.

Comentários:

É o que versa o art. 177, II, da CF/88. Questão correta.

22. (CESPE / MPS - 2010) As empresas públicas e as sociedades de


economia mista não podem gozar de privilégios fiscais não extensivos
às empresas do setor privado.

Comentários:

Trata-se da literalidade do art. 173, 2º, da Constituição. Questão correta.

23. (CESPE / OAB - 2010) O aproveitamento do potencial de energia


renovável de capacidade reduzida depende de autorização do Estado.

Comentários:

Segundo o § 4º do art. 176 da Constituição, não dependerá de autorização


ou concessão o aproveitamento do potencial de energia renovável de
capacidade reduzida. Questão incorreta.

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24. (CESPE / TJ-SE – 2014) A desapropriação, pela União, de imóvel
rural que não atenda a sua função social, para a realização de reforma
agrária, depende de prévia indenização em dinheiro.

Comentários:

A desapropriação por interesse social, para fins de reforma agrária, de imóvel


que não esteja atendendo a sua função social, é feita mediante prévia e justa
indenização em títulos da dívida agrária. A indenização não é em dinheiro.
Questão errada.

25. (CESPE / TJ-PI - 2012) A política de desenvolvimento urbano


deve ficar a cargo do município, a partir de diretrizes comuns fixadas
por lei federal.

Comentários:

É o que determina o art. 182, “caput”, da Constituição. A política de


desenvolvimento urbano será executado pelo Município. As diretrizes, por sua
vez, são fixadas em lei federal, de caráter nacional. Questão correta.

26. (CESPE / TJ-PI - 2012) A alienação ou concessão, a qualquer


título, de terras públicas rurais, independentemente da dimensão, a
pessoa física ou jurídica depende de prévia aprovação do Congresso
Nacional.

Comentários:

Isso só se aplica a terras públicas com área superior a dois mil e


quinhentos hectares, excetuadas as concessões de terras públicas para fins
de reforma agrária. Questão incorreta.

27. (CESPE / BRB - 2010) Considere que a União desaproprie por


interesse social, para fins de reforma agrária, determinado imóvel
rural localizado no estado do Mato Grosso, que não esteja cumprindo
sua função social. Nessa situação, todas as benfeitorias do imóvel
deverão ser indenizadas mediante títulos da dívida agrária.

Comentários:

Apenas as benfeitorias úteis e necessárias deverão ser indenizadas, o que


deverá se dar em dinheiro (art. 184, § 1º, CF). Questão incorreta.

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Lista de Questões

1. (CESPE / TJ-PB – 2015) Será materialmente inconstitucional, por


ofender o princípio da livre concorrência, lei municipal que, a pretexto
de realizar zoneamento urbano, estabeleça distância mínima de
quinhentos metros entre uma farmácia e outra.

2. (CESPE / TJDFT – 2014) Constitui princípio constitucional da


ordem econômica o tratamento favorecido para todas as empresas
constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no
Brasil.

3. (CESPE / CADE – 2014) Os valores sociais da livre iniciativa e a


livre iniciativa são princípios da República Federativa do Brasil; o
primeiro é um fundamento, e o segundo, um princípio geral da
atividade econômica.

4. (CESPE / TJ-SE – 2014) A CF prevê a possibilidade de exploração


direta de atividade econômica pelo Estado somente no caso de
imprescindibilidade à segurança nacional.

5. (CESPE / MPE-AC – 2014) Em razão do regime de livre mercado


estabelecido na CF, é vedado ao Estado explorar diretamente atividade
econômica.

6. (CESPE / TRF 2ª Região - 2013) A proteção à livre concorrência é


um dos princípios orientadores da ordem econômica, e, segundo
entendimento do STF o privilégio de entrega de correspondência da
ECT — empresa pública — viola tal princípio.

7. (CESPE / Banco da Amazônia - 2012) Conforme previsto na CF, o


Estado, quando atua como agente normativo e regulador, exerce as
funções de fiscalização, planejamento e participação no mercado.

8. (CESPE / Banco da Amazônia - 2012) O princípio da livre


concorrência garante aos agentes econômicos a segurança de que o
Estado não poderá impedi-los de atuar livremente no mercado.

9. (CESPE / Banco da Amazônia - 2012) Ao planejar a atividade


econômica, o Estado deve, conforme previsão constitucional, observar
o princípio da livre iniciativa, atuando apenas de forma indicativa para
o setor privado.

10. (CESPE / AGU - 2012) A atuação do Estado como agente


normativo e regulador da atividade econômica compreende, entre
outras funções, a de planejamento, que é determinante tanto para o
setor público quanto para o setor privado.

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11. (CESPE / AGU - 2012) As empresas públicas e as sociedades de
economia mista, dadas as suas especificidades, beneficiam-se de
determinados privilégios fiscais não atribuídos às empresas privadas.

12. (CESPE / AGU - 2012) Como forma de estímulo à atração de


investimentos de capital estrangeiro, a CF veda a regulação da
remessa de lucros.

13. (CESPE / AGU - 2012) A CF prevê áreas em que a exploração


direta de atividade econômica pela União é feita por meio de
monopólio.

14. (CESPE / TJ-AC - 2012) Estão sujeitas ao regime jurídico próprio


das empresas privadas, quanto aos direitos e obrigações trabalhistas e
tributários, as empresas públicas e as sociedades de economia mista
que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de
bens, mas não as que prestam serviços.

15. (CESPE / TJ-AC - 2012) A CF estabelece o monopólio da União na


pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural, permitindo,
entretanto, a contratação de empresas estatais e privadas para a
realização dessas atividades, observadas as condições estabelecidas
em lei.

16. (CESPE / TCU - 2011) De acordo com a CF, constituem monopólio


da União a pesquisa, a comercialização e a lavra das jazidas de
petróleo e gás natural.

17. (CESPE / TRF 5ª Região - 2011) Ao prever o princípio do pleno


emprego na CF, o legislador pretendeu defender a absorção da força
de trabalho a qualquer custo, sem se preocupar com a dignidade da
pessoa humana.

18. (CESPE / TRF 5ª Região - 2011) A atividade normativa e


reguladora do Estado exercida por meio da intervenção na atividade
econômica compreende as funções de fiscalização, participação e
incentivo.

19. (CESPE / TRF 5ª Região - 2011) O monopólio estatal na refinação


do petróleo nacional impede a contratação, pela União, de empresa
privada para a realização dessa atividade.

20. (CESPE / TRF 5ª Região - 2011) O planejamento da atividade


econômica pelo Estado, na nova ordem constitucional econômica, é
sempre indicativo para o setor privado, em harmonia com o princípio
da livre iniciativa.

21. (CESPE / MPS - 2010) Constitui monopólio da União a refinação


de petróleo nacional ou estrangeiro.

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22. (CESPE / MPS - 2010) As empresas públicas e as sociedades de
economia mista não podem gozar de privilégios fiscais não extensivos
às empresas do setor privado.

23. (CESPE / OAB - 2010) O aproveitamento do potencial de energia


renovável de capacidade reduzida depende de autorização do Estado.

24. (CESPE / TJ-SE – 2014) A desapropriação, pela União, de imóvel


rural que não atenda a sua função social, para a realização de reforma
agrária, depende de prévia indenização em dinheiro.

25. (CESPE / TJ-PI - 2012) A política de desenvolvimento urbano


deve ficar a cargo do município, a partir de diretrizes comuns fixadas
por lei federal.

26. (CESPE / TJ-PI - 2012) A alienação ou concessão, a qualquer


título, de terras públicas rurais, independentemente da dimensão, a
pessoa física ou jurídica depende de prévia aprovação do Congresso
Nacional.

27. (CESPE / BRB - 2010) Considere que a União desaproprie por


interesse social, para fins de reforma agrária, determinado imóvel
rural localizado no estado do Mato Grosso, que não esteja cumprindo
sua função social. Nessa situação, todas as benfeitorias do imóvel
deverão ser indenizadas mediante títulos da dívida agrária.

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Gabarito

1. CORRETA
2. INCORRETA
3. CORRETA
4. INCORRETA
5. INCORRETA
6. INCORRETA
7. INCORRETA
8. INCORRETA
9. CORRETA
10. INCORRETA
11. INCORRETA
12. INCORRETA
13. CORRETA
14. INCORRETA
15. CORRETA
16. INCORRETA
17. INCORRETA
18. INCORRETA
19. INCORRETA
20. CORRETA
21. CORRETA
22. CORRETA
23. INCORRETA
24. INCORRETA
25. CORRETA
26. INCORRETA
27. INCORRETA

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