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O campo que trago

Henrique Fernandes
O campo que trago não vem de retratos não vem de mirada
Tenho um pasto e buena aguáda, légua de estrada sobre o lombilho
E um pingaço doradilho que meus bastos fez morada.

Meu campo tem taipas de pedras antigas erguidas no outrora


Tem rastos de esporas, luzidos de argola, coscovo de freio
E recuerdos de rodeios, dos apartes campo a fora
E recuerdos de rodeios, dos apartes campo a fora

O campo me criou e assim forjou


Minha estampa rosilhona, templada na essência de gaúchos e domeros
Que no entrevero sovaram com as picarona e assim forjou minha estampa
rosilhona
Templana na essência de gaúchos e domeros

Senhores do areio, meu tempo é passado meu dito é antigo


Qual o aço do estribo que o loro sustenta em longínquas tropeadas
E um apoio de invernada recolotando ao abrigo

Assim minha estampa não molda modismos dos homens de agora


E os verso que aflora moldura um anseio dos tempos de andanho
De gaúchos campechanos esquecidos nas auroras
De gaúchos campechanos esquecidos nas auroras

O campo me criou e assim forjou


Minha estampa rosilhona, templada na essência de gaúchos e domeros
Que no entrevero sovaram com as picarona e assim forjou minha estampa
rosilhona
Templana na essência de gaúchos e domeros
Templana na essência de gaúchos e domeros
O campo que trago não vem de retratos não vem de mirada