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Teoria do Restauro I

A evolução das teorias e práticas do restauro: conceitos gerais

1. Objetos restauráveis
O objeto restaurável muda consoante a época. Atualmente “tudo tem valor, tudo é património”.
 Património Imaterial
“Tudo é restaurável” – o que quer que identifiquemos que possa ter valor para o futuro.
Consoante o nosso grau de conhecimento sobre o objeto, maior será a valorização que
atribuímos.
No século XIX, dá-se muita importância aos primitivos portugueses.

Qual a espectativa do restauro de um objeto?


- Original (Restauro Estilístico)
- Passagem do Tempo (Conservação)

Os objetivos de uma intervenção fazem variar o modo de encarar o objeto a intervir.

“O programa de conservação foi acionado de acordo com parâmetros metodológicos já


praticados na Torre de Belém e que, entretanto, haviam de ganhar sistematização teórica na
nova Carta de Cracóvia de 2000. Os trabalhos no claustro belemita contaram com um
programa de conservação (segundo a nomenclatura expressa na referida Carta, entenda-
se conservação como o conjunto de atitudes tomadas no sentido de fazer perdurar
o monumento) elaborado por uma equipa interdisciplinar de consultores científicos, com vista
à preparação e execução do projeto de restauro. Segundo a definição expressa no documento
de Cracóvia o projeto de restauro resulta da seleção de políticas de conservação,
constituindo o processo através do qual a conservação do património edificado e da
paisagem é levado a cabo. Ainda em estrita consonância com os preceitos enunciados na
Carta, foi tida em conta a manutenção do projeto executado como parte fundamental do
processo de conservação, pensando em possíveis deteriorações e implementando medidas
preventivas.”

Para História do Restauro e da Conservação do Património Arquitetónico em Portugal: A


interdisciplinaridade vista entre a teoria e a prática nos últimos 20 anos. Maria João Neto.

Conservação: conjunto de atividades materiais destinadas a garantir a preservação de um


objeto simbólico ou histórico.

Restauro: conjunto de atividades materiais destinadas a melhorar a capacidade simbólica do


objeto.
“Um observador atento aos pormenores que uma intervenção de conservação envolve não terá
dificuldade em afirmar que a qualidade das intervenções no País sofreu um impulso decisivo
na última década do século XX, apesar de terem continuado a coexistir, lado a lado, as práticas
exemplares com as intervenções mais do que duvidosas. A melhoria na formação dos agentes
mais diretamente ligados à operação (conservadores-restauradores, técnicos de conservação) e
à preparação das intervenções foi seguramente um factor decisivo, mas outros factores tiveram
que ser conjugados para que fosse possível ver aparecer intervenções com objectivos bem
definidos, problemas bem identificados, acções bem justificadas, e obras bem geridas, bem
acompanhadas e bem documentadas.“
A conservação do património arquitetónico em Portugal no final do século XX. Será legítimo invocar
um “efeito WMF”? Delgado Rodrigues.

O restaurador vai de encontro às expetativas da comunidade. Sem valorização, não há


conservação.

Restauro Crítico: “como devemos intervir na peça?”

- O valor potencial do objeto (essencial no restauro) é atribuído pelo sujeito.

Valorização positiva vs negativa:


- Conservar a história e o tempo ≠ destruição do monumento/símbolo

Os objetos só têm o valor que lhes damos.

Michalsky: 3 eixos do valor narrativo. Os eixos podem cruzar-se entre si.

 Impessoal – identificado por um grupo (objetos que todos sabem que tem valor
universal)
 Cientifico – determinado por especialistas (no caso da Arqueologia, por exemplo)
 Pessoal – identificado sentimentalmente por um grupo.

O turista possibilita a valorização financeira de um objeto, podendo não respeitar o valor


desse mesmo objeto/monumento.

- Nos regimes ditatoriais, há destruição das estátuas dos chefes máximos.

- O ataque às Torres Gémeas (11 de setembro) foi um ataque a toda a maneira de pensar
ocidental.

A materialidade do objeto adapta-se à sua simbologia.


2. Métodos, critérios e técnicas
 Finalidades de uma intervenção (para determinar a metodologia).
 Importância do estudo e da documentação - a instância histórica.
 Várias abordagens ao objeto artístico.
 Respeito pela obra do ponto de vista material e imaterial (valorização tanto técnica como
simbólica)
 Respeito pelos materiais originais (não adicionar novos elementos)
 Conceitos de compatibilidade e reversibilidade; os materiais devem ser compatíveis e
nenhuma conservação é reversível – quando um objeto é limpo, não é possível reverter essa
limpeza. Retratilidade: voltar a trabalhar no objeto.
 Conceito de Autenticidade: estado original; prístino – estado que o objeto deveria ter, mas
que pode nunca ter tido. Varia de ocidental para oriental. Estado pretendido pelo autor.
Estado atual (com toda a passagem do tempo).

Num edifício novo, temos sempre a ideia que este deve manter-se novo.

Arte Antiga (aspeto antigo) ≠ Arte Contemporânea (aspeto novo)  Conceito Ocidental
“A nossa expetativa faz alterar a intervenção.”

Exemplo prático:

“Ece Homo”, da D. Cecília – não pode ser considerado um restauro. É um repinte: criou-se uma
nova imagem por cima da pintura.
- Quem define o Património é a população.

 Importância da diversidade das culturas e do Património na prática da conservação

“A diversidade das culturas e do património no nosso mundo é uma origem insubstituível de


riqueza espiritual e intelectual para toda a humanidade. A protecção e a valorização da
diversidade cultural e patrimonial no nosso mundo devem ser activamente promovidas como
aspectos essenciais do desenvolvimento humano.
A diversidade do património cultural existe no tempo e no espaço, e exige o respeito pelas
outras culturas e por todos os aspectos dos seus sistemas de crenças. Nos casos em que os
valores culturais parecem estar em conflito, o respeito pela diversidade cultural exige o
reconhecimento da legitimidade dos valores culturais de todas as partes.
Todas as culturas e todas as sociedades estão enraizadas em formas e em meios particulares de
expressão tangível e intangível que constituem o seu património, e que devem ser respeitados.

É importante sublinhar-se um princípio fundamental da UNESCO, por cujo efeito o património


cultural de cada um de nós é o património de todos nós. A responsabilidade pelo património
cultural e pela sua gestão pertence, em primeiro lugar, à comunidade cultural que o gerou e a
cujo cuidado ficou, subsequentemente. Mas, para além destas responsabilidades, a adesão às
cartas e convenções internacionais desenvolvidas para a conservação do património cultural,
também obriga à consideração dos princípios e das responsabilidades delas decorrentes. É
altamente desejável que cada comunidade equilibre os seus requisitos próprios com os de outras
comunidades culturais, desde que consiga este equilíbrio sem minar os seus valores culturais
fundamentais.

[…] A conservação do património cultural, sob todas as suas formas e em todos os seus períodos
históricos, está enraizada nos valores atribuídos ao próprio património. A nossa capacidade para
compreendermos estes valores depende, em parte, do grau a que podem ser reconhecidas as
fontes de informação sobre esses valores, como sendo credíveis ou verdadeiras. O
conhecimento e a compreensão destas fontes de informação, relativamente às características
originais e subsequentes do património cultural e do seu significado, são requisitos básicos para
a avaliação de todos os aspectos da autenticidade.

A autenticidade, considerada por esta forma e afirmada na Carta de Veneza, aparece como o
factor essencial de qualificação respeitante aos valores. A compreensão da autenticidade
desempenha um papel essencial em todos os estudos científicos sobre o património cultural, no
planeamento da conservação e do restauro, bem como no âmbito dos procedimentos de
inscrição usados pela Convenção do Património Mundial e de outros inventários do património
cultural.

Todos os julgamentos acerca de valores atribuídos às propriedades culturais, bem como a


credibilidade das correspondentes fontes de informação, podem diferir de cultura para cultura,
e mesmo dentro de cada cultura. Não é, por isso, possível basearem-se os julgamentos de
valores e de autenticidade de acordo com critérios fixos. Pelo contrário, o respeito devido a
todas as culturas exige que as propriedades de património sejam consideradas e julgadas dentro
dos contextos culturais a que pertencem.

Por essa razão, é da maior importância e urgência que, dentro de cada cultura, seja estabelecido
o reconhecimento da natureza específica dos seus valores culturais, bem como da credibilidade
e da veracidade relativas às fontes de informação. 13. Dependendo da natureza do património
cultural, do seu contexto cultural, e da sua evolução através do tempo, os julgamentos de
autenticidade podem estar ligados ao valor de uma grande variedade de fontes de informação.
Entre os aspectos destas fontes, podem estar incluídos a forma e o desenho, os materiais e a
substância, o uso e a função, as tradições e as técnicas, a localização e o enquadramento, o
espírito e o sentimento, bem como outros factores internos e externos. O uso destas fontes
permite a elaboração das específicas dimensões artística, histórica, social e científica do
património cultural que está a ser examinado.”
Documento de Nara sobre a Autenticidade do Património Cultural, 1994.

Conservação-Restauro: Medidas que tenham o objetivo de salvaguardar o património cultural,


assegurando a sua acessibilidade às gerações presentes e futuras.
“Todos os esforços destinados à compreensão do património cultural, ao conhecimento da sua
história e do seu significado, à garantia da sua salvaguarda material e, se necessário, à sua
apresentação, restauro e valorização. (Entende-se que o património cultural inclui monumentos,
grupos de edifícios e sítios com valor cultural conforme definido no artigo primeiro da
Convenção da Património Mundial).” (1994)
Conservação preventiva: Medidas que tenham o objetivo de evitar ou minimizar futuras
degradações ou perdas de leitura e de material, partindo do contexto ou ambiente circundantes
de um bem cultural ou de um conjunto de bens, independente da sua condição ou idade.
Medidas indiretas que não interferem com os materiais nem com as estruturas dos bens, e não
modificam a sua aparência. Exemplo: controlo da humidade.
Conservação curativa: Ações que incidem diretamente sobre um bem ou grupop de bens
culturais, com o objetivo de deter processos de degradação ativos ou reforçar a sua estrutura.
Exemplo: desinfestação.
Restauro: Todas as acções exercidas de forma direta sobre um bem cultural que altera a sua
aparência.
Desenvolvimento Técnico – Restauro Discernível.
- Evolução dos conceitos de conservação e restauro com o desenvolvimento da tecnologia.
- Passagem empírica para o conhecimento científico.

Anastilose: recolocar os elementos no seu lugar de origem.


Interdisciplinaridade: importância da contribuição das várias áreas na planificação e execução
completa de uma obra de conservação e restauro. O conhecimento da História e de Teorias da
Conservação e Restauro auxiliam no planeamento e execução de uma intervenção.
Contexto Internacional:

A evolução dos conceitos desde a Antiguidade ao Quattrocento italiano

1. Antiguidade Clássica
- Preservar o que já existia e criar algo mais duradouro.

- Procura de recuperar uma imagem/símbolo e busca dos ideais da época.


- Preservar as memórias, respeito pela tipologia original.

- Reaproveitamento dos edifícios.


- Na arte móvel: as intervenções são sobrepostas à peça original. As imagens religiosas tinham
de ter uma boa apresentação – limpeza a aplicação de uma camada de proteção.

2. Idade Média
- Continuação do reaproveitamento dos edifícios.
- Os poucos recursos financeiros levam ao pensamento de que os edifícios têm um valor
utilitário.

- Não há teoria do restauro ou da conservação.


- Na arte móvel: readaptam-se os símbolos pagãos ao catolicismo.

- Na pintura: são adicionados elementos para tornar a obra de carácter religioso. Reavivam-se
as cores – não há diferença entre o novo e o antigo.

3. Quattrocento Italiano (século XIV)


- Com Petrarca, procuram-se os testemunhos do passado – busca dos símbolos do grande
Império.

- A arte ideal passa a ser a arte clássica (início do Renascimento)


- Reaproveitamento de pedras dos edifícios romanos, para novas construções.

- Restauro gráfico dos monumentos.

1º Restauro, 1626 – Lagi: Juízo Final de Miguel Ângelo


A intervenção em preexistências no contexto da Contra-Reforma

 Antiquários
- São uma herança humanista: os humanistas eram pessoas que estudavam os antigos,
pesquisando através de fontes, à procura de testemunhos. Queriam ser “conhecedores dos
antigos” e os “gabinetes de curiosidades”, nos quais se desenvolve a sistematização e
catalogação dos materiais. São publicados livros sobre estes temas, no entanto continua a
desvalorizar-se os livros enquanto fontes.
- Valorização das produções materiais.

- Coleção de objetos físicos, das suas representações ou descrições (registos).


No século XVIII, as descobertas das grandes escavações arqueológicas (Herculano e Pompeia)
levantam novas questões sobre os objetos descobertos.

- Alarga-se a distância das viagens do “Grand Tour” à Grécia e à Itália, para o conhecimento
de novas civilizações e culturas.
- Coleção sistemática da Antiguidade Clássica: levantamento gráfico rigoroso do Pártenon.
Registo descritivo e realista, mas com alguns elementos fantasiosos.

 Restauro Gráfico
- Era já uma prática anterior que veio responder às novas exigências dos antiquários.

- Opõe-se ao método científico, correspondendo a representações fantasiosas, podendo não


ocorrer no próprio local do monumento.
- A construção dos Museus de Imagens exige a evolução das representações.

- Em Portugal, o Mosteiro da Batalha foi alvo de um levantamento gráfico feito por Marphy,
no qual muitos elementos foram acrescentados pelo próprio. [ver “Principais obras/estaleiros de
restauro de monumentos no Portugal oitocentista“]

- Também Marphy fez o restauro gráfico do Templo de Diana; este passa a tornar-se conhecido
como se fosse uma representação real.

 Restauro Arqueológico ≠ Restauro Estilístico


Monumentos Nacionais:
- Descoberta das antiguidades nacionais: a história do Cristianismo é a afirmação da civilização
Ocidental.

- Caracter figurativo dos elementos decorativos: dissociação entre a estrutura e a decoração.


- Valor documental e histórico.
- Classificação dos monumentos da História da Arte.
- Ligação da arquitetura gótica com as identidades nacionais: perceção da audácia gótica.

 O Caso Inglês
- Destruição iconoclasta após a separação da Igreja: os monumentos católicos foram destruídos.

- Em Inglaterra, o Gótico é o estilo nacional por excelência e por isso dá-se a coexistência do
gótico e do classicismo.
- Levantamento dos monumentos nacionais mais bem acolhidos.

- Início das discussões sobre o restauro e os seus critérios: procura da feição total.
- Aparecimento de Sociedades de Antiquários: gestão do Património Privado, que financiavam
os estudos.

- Discussão sobre: Restauro Conservativo (mantém-se tudo como está) ou Intervencionista


(adicionam-se novos elementos)? – Advento da Teoria do Restauro.

 Restauro Italiano
- Não se quer a passagem do tempo: a obra deve estar como se tivesse sido concebida naquele
momento.

- Na pintura, conservam-se as obras mais consideradas.


- Aparecimento das galerias privadas e do comércio das Antiguidades que despoletam novas
expectativas. As práticas são pouco corretas, recorrendo-se frequentemente a repintes e
reintegrações. Estas práticas começam a levantar críticas.

- Dois métodos opostos: Restauro Mimético (respeito pelo pintor original) e Restauro
Discernível (o restauro é visível propositadamente)
- Figura importante: Carlos Maratta.

o Mantém a integridade original das obras primas.


o Tendencia para melhorar o estado das obras
o Percurso descrito por Bellori (Giovan Pietro Bellori era um historiador e antiquário que
sucede Maratta).
o Estabelece a relação entre o Catolicismo e a formação de uma consciência de conservação
e restauro.
o Desenvolve o conceito de conservação preventiva, ao sugerir o tratamento do meio
envolvente.
o Elimina os repintes: intervenções polémicas.
Antes de se perder a obra de um génio, mais vale colocar-lhe um pouco de mão de outro.

Frase de Maratta que demonstra a ambiguidade entre a teoria e prática.


As alterações da imagem na pintura resultantes dos novos ditames religiosos da Contra-
Reforma

 Novas técnicas no restauro da Pintura


- Forro – pôr uma tela por trás da imagem.

- Reentelagem – colar uma tela noutra para reforçar a principal.


- Parquetagem – Pintura sobre tábua (permite a contração e retração da madeira).

- Transposição do suporte.

Início da autonomia do Restauro: o restaurador distancia-se do pintor. O objetivo principal é a


sobrevivência da obra. Imortalizam-se os autores através das suas intervenções.
Preservação da imagem em oposição à materialidade. São desenvolvidos vários métodos
consoante o restaurador e surgem especialistas nos diferentes procedimentos (acima referidos).

- Robert Picault: especialista nas mudanças de suporte. Escreve relatórios e memórias sobre
as suas intervenções.
- Estabelece-se a diferença entre:

Restauro Artístico (o restaurador que pinta e intervém diretamente)


Restauro Mecânico (especialização das tarefas).

Os grandes contributos italianos das últimas décadas do século XVIII

 Iluminismo
- Eleva a arte a um novo estatuto.
- Alarga o círculo dos Antiquários.

- Abertura do Museu do Livro (aberto a todos – povo incluído)


- As descobertas de Pompeia impulsionam o culto da ruina, que por sua vez, influencia o
Restauro Arqueológico.

- O restauro da pintura: os iluministas davam valor à Antiguidade. Deste modo, viajavam até
Itália para verem de perto Pompeia e Herculano, as “cidades congeladas no tempo”. São
verdadeiros testemunhos da História da Arte.
- Reconhecimento e respeito pelas particularidades histórico-estilísticas do original. Contudo,
mantém-se a necessidade de restituir à obra o seu aspeto completo para permitir o seu usufruto
 A imagem é o principal.
- As Academias tinham a obrigação de zelar pela produção artística e pela conservação das
obras do passado.
- Os museus ganham uma nova função: função didática. As obras são expostas para as pessoas
as conhecerem e darem-lhes o valor merecido.

- Os livros passam a ter a temática do restauro, uma espécie de constituição das técnicas que
melhora o conhecimento dos materiais.

- Jean-Baptiste Lebrun: critica a dimensão da Estética sobre o restauro – A conservação da


imagem descuida as características materiais.
- Salienta os problemas das mudanças de suporte.

- Estabelece a ligação entre a química-física e o restauro.

 Winckelmann e Cavaceppi
- Winckelmann apresenta uma nova teoria para o restauro de escultura. É o “pai” da História
da Arte – evolução dos estilos – periodização geral da Arte Antiga.
A forma com valor permanente independentemente da sua função original.

Exigência do respeito pelo original e uma integração crítica, de acordo com as características
estilísticas da obra e o conhecimento arqueológico e iconográfico. Estas eram as condições
necessárias para qualquer intervenção sobre o objeto.

- Cavapecci é um grande discípulo de Winckelmann. Torna-se num restaurador internacional.


Foi o fundador da nova metodologia do Restauro.
Critica as dificuldades de interpretação de várias obras devido aos restauros anteriores.

Apoia o estudo aprofundado da obra:


- Conhecer a peça dos domínios mais possíveis.
- Compreensão do caracter estilístico – enquadramento da respetiva escola.
- Fontes históricas e literárias.

Defende a intervenção como processo cognitivo. O erro resulta num falso histórico.
Possui uma técnica sofisticada:

- Escolha cuidadosa de materiais.


- Respeito pelas qualidades estilísticas.
- Identificação cuidadosa dos assuntos.

Para Cavapecci não interessava superar, mas igualar – o restaurador devia estar ao mesmo nível
do antigo escultor. A criatividade não podia atuar.
 Porém, aplicou de forma fraca estas suas teorias, devido à falta de conhecimentos da
própria História da Arte.

No fim do século, apareceu um novo tipo de público com novas capacidades económicas e os
restauradores passam a ter um novo reconhecimento social.

Restauro: tarefa de restituir a obra e revelar ao mundo as extraordinárias belezas da Antiguidade


maltratadas pelo tempo.

 O Restauro da Pintura
- Pietro Edwards: apresenta um panorama mais diversificado. É encarregue da proteção do
Património.

Constrói um laboratório de Restauro no refeitório de um convento, o qual é fechado após as


invasões francesas.

Em 1786, redige um relatório detalhado: analisa as causas de degradação; faz um esboço de um


projeto prático e cria normas de restauro.
- Enfoque cientifico das possibilidades e limites do restauro.

- Causas de degradação exteriores:


o Condições de exposição
o Incidentes quotidianos
o Infiltrações
o Chaminés
o Luz solar
o Exposição ao vento
o Afrouxamento da tela
o Depositação de pó
o Toque entre diferentes telas
Era preciso implementar a manutenção periódica e definir graus de necessidade de
intervenção.
- Normas de restauro:
o Respeitar a materialidade dos quadros, não fazendo limpezas excessivas.
o Corrigir os erros dos anteriores.
o A cor devia ser fortemente fixada.
o Restauro Mimético.
o Só se devia fazer uma reentragem se fosse mesmo necessário.
o Limpeza da camada cromática.
o Retirar os retoques.
o Levantar os vernizes superficiais.
o Imitar o autor quando for necessário restituir os traços danificados.
 O Restauro da Escultura
- António Canova: apresenta uma nova atitude. Apoia que não se deve restaurar o que não se
consegue realizar de modo idêntico. Esta atitude é uma ruptura na base do restauro da escultura.
Apoia os restauros reintegradores da forma em peças romanas.

O restauro tinha como único fim tornar mais exato o conhecimento e a compreensão da obra.

A Revolução Francesa – um novo modo de encarar o património

A Revolução Francesa, em 1789, marcou uma nova etapa: uma nova forma de encarar o
Património.

O conceito de igualdade remetia para o acesso da arte a todos e por essa razão surge a
necessidade de preservar os bens, que agora eram da responsabilidade do Estado.
Ocorre a destruição de todos os símbolos do Antigo Regime; marcando o fim da Monarquia e
da centralidade da Igreja. Os bens tornam-se nacionalizados – são do Estado e o Património
passa a ser responsabilidade do Povo (=Estado).
O conceito de Património é ampliado e o valor económico substitui o de Antiguidade: definição
de Monumento Histórico – elemento a ser conservado… todos aqueles que possam narrar os
grandes acontecimentos da nossa história.

Levanta-se a necessidade do estudo História para controlar a destruição de monumentos.

1790-1793: Comissões dos Monumentos e das Artes em oposição às Comissões


Revolucionárias.
- Legislação contraditória: destroem-se monumentos, mas salvam-se o que têm um conjunto de
valores. Em resposta à destruição iconoclasta, vão surgir os movimentos de conservação.

1794: Convenção Nacional dos Conceitos de Monumento e de Museu.

 A importância da Inventariação
“Só podemos conservar o que conhecemos.”
Existem dois tipos de bens da Nação: os Museus (Arte Móvel) e os Monumentos Edificados.

Os inventários teriam requisitos obrigatórios:


1. Identificação do monumento:
- Idade/Localização

2. Estado do monumento:
- Antiguidade
- Situação
- Exposição
- Género de construção
- Decoração
- Material
- Sólido
- Necessidade de ser reparado
- Utilização possível: funcionalidade

3. Tudo o que fosse notável/distinto devia ser anotado.


4. Reutilizações públicas – se aí é possível estabelecer manufaturas ou hospícios.
5. Não só a arquitetura como tudo o que a rodeia.
6. Modelos egípcios, gregos e romanos eram reservados para o ensino.
7. Se fossem destruídos deviam ser desenhados antes.
8. Plantas e desenhos dos monumentos preservados.

Os monumentos podiam ter quatro valores:


- Nacional (símbolo histórico)

- Económico (leilões)
- Cognitivo (ensino)

- Artístico

O passado passa a significar “o que nos define como Nação”.


- Manter tradições: Património Imaterial
- Instrução Pública: Ensino das Artes e da História; Responsabilidade sobre a preservação dos
monumentos públicos.

 Museu Nacional das Artes - Louvre


Os depósitos das igrejas fechadas são transformados em museus.
Os bens da Coroa, da Igreja e dos “emigrantes” passaram para o Estado. Os antecedentes
expositivos não eram públicos – o povo não tinha acesso.

Cria-se um museu de função didática: o Museu do Louvre tinha como objetivo educar o gosto
do público e formar jovens artistas. Para isso, as peças tinham de ser tratadas e a parte mais
importante passa a ser a imagem.
1793 – Abertura do Museu. Foi um processo conturbado: Picault restaurou cerca de 40 a 50
obras por mês.
Faz-se a distinção entre o restaurador e o pintor:

- O pintor sobrepõe o seu estilo ao do autor original.


- O restaurador imita fielmente o autor original  Restauro Mimético.

O objetivo é prover o prolongamento da vida de obra.

A ciência passa a ser a justificação do restauro e por isso, cria-se uma comissão interdisciplinas
com dois químicos.

O Restauro Arqueológico em Itália nas primeiras décadas do século XIX

Itália era o novo nicho de trabalhos, onde se dava grande importância à Arquitetura Clássica.
Este período da História divide-se em 3 períodos: o antes, o durante e após Revolução Francesa.
Nos primeiros 30 anos do século XIX, Itália era considerado o Império com a história mais
antiga. Por essa razão, os monumentos tinham três razões para a sua conservação: razão
histórica, didática ou económica.

No Restauro Arqueológico, temos:


- Valorização da ruína.
- Localização original.

- Respeito pelo material original.


- Nada deve ser acrescentado (os restauros anteriores são removidos – levavam a falsos
históricos).
- Intervenções discerníveis: utilização de materiais distintos dos originais.
A intervenção era baseada em estudos científicos, escavações, levantamentos gráficos,
estudo do local e regional, anastilose (voltar a pôr a peça no lugar original) e na distinção dos
novos materiais. – Estas seriam as bases do Restauro Estilístico.
Na ocupação francesa, começou-se a inventariação dos monumentos da
responsabilidade da Academia. As igrejas ocupadas eram intervencionadas e transformadas em
templos romanos – a forma era mantida, mas com fins didáticos (fez-se a reintegração à forma
original com material diferente).

 Momentos de Intervenção
Domínio Papal: 1800-1809
- Respeito pela autenticidade do material e da forma.
Ocupação Francesa: 1809-1814

- Respeito pelo monumento, mas podem fazer-se reconstruções parciais com fins didáticos.
- Embelezamento da cidade (exaltação dos monumentos).

Domínio Papal: depois de 1814


- Influência francesa no domínio dos fins didáticos.

 Intervenções
Arco de Septimus Severus
- Escavação da zona envolvente.
- Anastilose dos monumentos encontrados.

Arco de Titus
- 1818 – A falta dos contrafortes laterais levou à intervenção do arco.

- Destruição e remontagem do monumento original.


É feita a reconstituição sem decoração – intervenção discernível.

Coliseu de Roma
1801 – Sismo que provoca danos muito graves na estrutura.
1806 – Contraforte de tijolo (intervenções antes das invasões). É uma intervenção discernível
– serve apenas de apoio à estrutura, e é datada a intervenção. Assume-se como momento da
vida do monumento. António Canova: respeito pela forma original.

[Depois das Invasões] – Reconstrução didática e estrutural.


O Coliseu é escavado, para dar mais espaço à monumentalidade do edifício. Introduzem-se
novos materiais, mas sem querer enganar quem o lê.
O Revivalismo Gótico Inglês

- O movimento dos Antiquários Ingleses, que defendia o nacionalismo, vai provocar a procura
dos símbolos da nação: o Gótico Inglês.

- Denominado como o estilo predominante na época da construção das nações, no final do


século XVIII, assiste-se à manutenção do estilo gótico em grande parte da Europa Ocidental.
A nova consciencialização histórica vem valorizar o testemunho e o Romantismo vai apoiar o
gosto pelo antigo e pela aceitação da ruína.
Todas as intervenções eram feitas com base no estilo arquitetónico gótico.

 John Carter: desenhador e ligado ao estudo de edifícios históricos.


Em 1792, vai trabalhar para a Sociedade de Antiquários. Faz o levantamento gráfico da Catedral
de Durham. Revela uma atitude contra o restauro: defende o valor histórico e documental dos
monumentos.

 Augustus Pungin: arquiteto “gótico”.


Converteu-se à fé católica, renegando o protestantismo e o classicismo.
Valoriza desenhos em que é evidente a grandeza dos edifícios.

- A partir daqui o Restauro em Inglaterra vai-se apoiar na ideia religiosa. Em França,


baseia-se na História da Arte, no Restauro Estilístico.

A implementação da proteção nos monumentos em França

 A importância do Gótico
A religião tinha grande importância na arquitetura:

- O edifício era o símbolo do seu autor, enquanto reflexo da sociedade que acreditou nesta fase.
Símbolo que devia ser preservado – sentimento de patriotismo.
- Ilustra um momento histórico.

- Tem como base a espiritualidade.

A arquitetura clássica, em oposição à gótica, não refletia qualquer ideia da religião cristã. Deste
modo, sobrevalorizou-se os edifícios do Império Romano, comparando-o com o Império
Napoleónico. Surgem novos movimentos nacionalistas e a conservação destes edifícios
romanos contribui para o Neoclassicismo. Quanto maior a valorização da obra, maior o
investimento.
A arquitetura gótica tornou-se no símbolo das nacionalidades, representando o início da
era cristã.
Houve, no entanto, a destruição de vários edifícios devido á falta de conhecimento sobre os
mesmos.

Notre Dame de Paris, Vitor Hugo:


- Valorização de todos os edifícios.
- Esforço coletivo.

- Evolução da História marcada por vários monumentos.

 O Vandalismo em França
1832 – Aparecimento da “Guerra aos Demolidores”, em ataque à estupidez e ignorância.
Vandalismo restaurador: intervenções sem conhecimentos e sem preocupação com o valor
da obra.

Vandalismo destruidor: pessoas responsáveis pelos bens que os destroem por completo.

 O culto dos monumentos


É um conceito muito adaptado no século XIX: encara-se o monumento como símbolo e
ensinam-se as pessoas a dar valor.
Não é possível a coexistência do progresso com a conservação dos monumentos: a abertura de
espaços ou praças significou muitas vezes a destruição de edifícios (destruição de portas/arcos
das cidades para o trânsito circular – alargamento das estradas).

1810 – Circulação de um Inventário Francês para o levantamento de Castelos, Conventos e


outros objetos.

 Guizot, o Ministro do Interior, vai inventariar e proteger o Património Arquitetónico,


respeitando o passado.

1830 – criação do posto de Inspetor Geral dos Monumentos Históricos de França, que tinha
como responsabilidade o controlo dos restauro, das autoridades locais e dos correspondentes.
1837 – criação da Comissão dos Monumentos Históricos, que vai apoiar o poder local, o
inspetor e a circulação do Inventário, tendo como prioridade o restauro dos bens.
Grandes teorias europeias do restauro e seus principais formuladores: Viollet-le-Duc e John
Ruskin. Influência no restauro da Escultura e da Pintura

 O Restauro Estilístico
Primeira teoria do Restauro: codificação pela qual o restauro será regido, além-fronteiras
europeias.
As destruições resultantes da Revolução Francesa refletiram o descuido generalizado com o
Património.

A História da Arte é vista enquanto ciência, na qual tem de existir a noção da evolução dos
estilos, em tempo e espaço. Os monumentos passam a ser um símbolo dessa história. Após o
conhecimento de: cronologia, técnica, morfologia, génese, decoração, escultura, vitrais e
ícones, o arquiteto já pode reconstituir um edifício a partir dos seus destroços.
[Ambiguidade:] O que se pode fazer e o que na realidade é feito: para se poder restaurar, tinha-
se de ir até à época do monumento e perceber os aspetos principais. No entanto, não há noção
do tempo que passou pelo monumento.
Didron e Mérmiée: são contra o Restauro Estilistico.

O primeiro criticava que não se devia restaurar por principio: nada deveria ser removido ou
adicionado.
O segundo era contra a reconstrução por prejudicar o valor arqueológico: valor pelo qual o
estamos a preservar. Deviam conservar-se os vestígios existentes.

 Ainda antes de Viollet-le-Duc já se discutiam conceitos: a autenticidade do monumento


reside nas suas características formais e não na sua materialidade. Uma cópia fiel tinha o mesmo
valor que o original. O antigo e o novo deviam integrar-se homogeneamente.

Lassus: positivista – faz uma abordagem cientifica ao conhecimento de História da Arte. Tudo
deviam ser com base na ciência, sem adição de novos elementos. Respeito pela forma, materiais
e métodos de construção. A busca pela exatidão e verdade histórica.

 Viollet-le-Duc
[Nunca teve formação académica em arquitetura.]

Arquiteto de formação autónoma (não só arquitetura como também decoração).


Principais inovações:

- História das técnicas e materiais de construção;


- Métodos de inquéritos in situ (estudo do local onde estava o monumento);
- Levantamento fotográfico sem interpretações;
- Remoção de elementos fragilizados para sua proteção;
- Análise aprofundada de cada caso (comparações com outras regiões) – o monumento é
diferente em cada caso.
- Integridade Estilística - conceito de repristinação desenvolvido em dois instrumentos:
A História de cada época e a diferença das regiões – o estilo com características
filosóficas e formais (regras gerais do estilo). Comparação de estilos de cada época e
região (critérios analógicos). Voltar ao estado original: o restaurador na pele do autor
real sem interpretações pessoais, com recurso à racionalidade.

 Notre Dame – projeto de Viollet-le-Duc e Lassus. Este ultimo defendia que o restauro
podia transformar o edifício antigo num novo – retirava o valor histórico. Esta teoria não foi
coerente com o resultado final. Qualquer parte devia ser restaurada como no seu período de
arte, o Gótico.
Após a morte de Lassus, Viollet-le-Duc introduz novos elementos, como as gárgulas –
influência da sua passagem pelos Estados Unidos.
Napoleão III chama Viollet-le-Duc para a Direção Geral da Administração do Culto, que mais
tarde será a Comissão das Artes e Edifícios Religiosos.

A construção ideal baseada no Neogótico é uma invenção de Viollet-le-Duc. A igreja gótica


construída no século XIX vai inspirar a criação artística.

Restaurar: restaurar um edifício não é manter, reparar ou reconstruí-lo, é reestabelece-lo num


estado completo que pode nunca ter existido em nenhum momento. 1854-1871
O Restauro como conceito moderno de bases científicas: nada era discutível quando
utilizadas as bases cientificas. Atualmente seria considerado um falso histórica, mas na altura
o objeto original era aquele que se pensava que devia ser o edifício.
As novas obras deviam respeitar as formas originais, o que não significava, obrigatoriamente,
conservar o material original. As partes novas deviam ter uma força acrescida: para perdurarem
deviam ser escondidas no antigo. O importante era a imagem.

Como realizar a adaptação dos edifícios? Entrando na pele do arquiteto original e tentando
perceber como é que ele resolveria o problema, com base nas leis gerais do estilo.
Cada edifício ou parte devem ser restaurados no estilo a que pertencem, não apenas nas
aparências, mas do ponto de vista estrutural. – Unidade estilística do edifício.

Não se devem, contudo, apagar os testemunhos essenciais ao estudo da História da Arte. O


restaurador deve ter um conhecimento amplo de: História da Arte, Arquitetura Gótica, métodos
construtivos, o próprio edifício (como se fosse o seu criador inicial), matéria existente na zona
e de todos os fatores relacionados com a materialidade e funcionamento do espaço.

A imagem é respeitada e reforçam-se as estruturas com betão/ferro no interior. Desta forma,


tudo o que o restaurador fizesse era justificável, com base nas regras do estilo.
 O Movimento Anti Restauro Inglês
Em Inglaterra surgem críticas às intervenções da última década do século XVIII. Não existem
instituições oficiais e, por isso, os monumentos eram propriedade privada.
Entre 1840-1860, instala-se uma época muito polémica. Enquanto no restauro francês se
construía a arquitetura gótica, em Inglaterra constrói-se uma nova devoção.

Como a igreja católica era minoritária, surge o Restauro Católico que se baseava na:
- Demolição e reconstrução dos edifícios pós-góticos
- Substituição dos elementos ao estilo original
- Substituição dos pavimentos
- Reconstrução dos telhados
- Consolidação das fundações
- Reforço de camadas de cal
- Preservação de pinturas murais
- Remoção de rebocos para mostrar alvenarias
- Remoção de elementos dissonantes ao estilo original

Nos anos 40, começa o debate entre duas correntes:

 O Restauro Estilístico (Francês) - Reconstrução crente; estilo original; importância dos


aspetos práticas e funcionais.
 O Anti Restauro (Inglês) – Consciência do tempo histórico; contexto histórico e cultural
do objeto; importância do material original.

A partir de 1846, surgem três abordagens:


1. Destrutiva
2. Conservativa
3. Eclética (importância histórica e artística) – procura-se o meio termo cuja avaliação tem
base em qualidades distintas e na história.

George Gilbert Scott (1811-1878)


- Arquiteto vitoriano – restaurador.

- Influência de Pungin
- Procura do valor mítico: valor de utilização do espaço religioso.
- Teoria vs Prática (ambiguidade)

- O edifício, ao ser mal restaurado, perdia a sua autenticidade. O edifício é o trabalho original
dos artistas da arquitetura cristã.

Posição Pragmática:
 Estruturas antigas e ruínas – não se melhora a aparência.
 Igrejas antigas com função (se pusessem ser vistas como testemunhos, então seriam
preservadas no seu estado).
O Restauro Estilístico só se aplicava a igrejas que tinham uso.
- Valor educativo do edifício histórico genuíno (≠ original)

- Grande ligação à religião


- Contra a reconstrução mascarada de restauro (o edifício tem de ser respeitado)

- Destruição de tudo o que não era gótico


- Boa documentação e evidências do restauro

- Semelhanças a Viollet-le-Duc  Conflitos entre a teoria e a prática: falsos históricos. Grande


contributo para o restauro de edifícios históricos. Muito criticados. Arquitetura versátil que
interveio em dezenas de monumentos.

 John Ruskin
Revela uma enorme sensibilidade para a Natureza e para a Arte.
- Nunca fez uma intervenção de restauro (não a implementa)

- Defendia com paixão os estilos medievais – relação do gótico com a natureza.


- Sacrifício pessoal (tempo e energia) é um contexto único e irrepetível.

- Marcas do tempo
- Materiais e trabalho ornamentação original: foi aquele material especifico que foi escolhido
para aquela construção. O material supera a forma, para além do tempo. [ataque ao Restauro
Estilístico, onde a questão material é secundária.]

- Para a conservação, o tempo histórico é fundamental.

O Monumento Genuíno vs Réplica (restauro como reprodução de formas antigas num novo
material).
A arquitetura é eterna, perdura no tempo e implica sacrifício pessoal.

A construção é efémera e em série.


- Só passados quatro ou cinco séculos é que um edifício atingia o seu apogeu.

- A arquitetura liga diferentes épocas – contributo de todas as manifestações arquitetónicas


(novidade: somatória das manifestações – tudo o que é posterior deve fazer parte dele).

O Restauro tira todas as contribuições: é considerado como a destruição mais completa,


acompanhada de um falso historico/uma falsa descrição do monumento eliminado.
- O restauro é impossibel porque não se pode reconstituir o sentimento artístico do artesão que
o criou inicialmente  Crítica a Viollet-le-Duc. Deve haver manutenção para se evitar o
restauro.
A manutenção é manter tudo como está; contudo, se não evoluem na história, não vão ligar as
épocas [contradição de Ruskin]. É o congelamento da ruína.

Os centros urbanos deviam ser tidos em conta, uma vez que o monumento não está isolado: o
seu contexto não deve ser retirado – desafrontamento. O progresso vai destruir a história das
cidades.
A valorização da Arquitetura e da sua História encontra-se dentro de um problema moral. A
arte alcança uma dimensão essencial à comunidade humana. A verdadeira arte é aquela
inspirada na Natureza.
- Contra o progresso ao mais alto nível.

- Contra o desenvolvimento da industria, que destrói a natureza.


George Scott vai apoiar estas ideias, no entanto, não se consegue adaptar: distingue os edifícios
em ruinas e os a ser utilizados; afirma que tudo depende do proprietário da obra e que os
restauros devem ser visíveis.

 As Sete Lâmpadas da Arquitetura, de John Ruskin


O guia para a construção de uma arquitetura eterna.
1) Lâmpada do Sacrifício (Espírito)

O modo e intenção com que se constrói o edifício reflete-se no resultado final. Na época
contemporânea os interesses económicos e pessoais passaram a ser mais importantes.
2) Lâmpada da Verdade (Honestidade no trabalho)

A arquitetura deve ser verdadeira em vários aspetos: como os materiais e os suportes não deve
haver ilusões. Foi a falta de verdade que levou ao declínio do Gótico.
3) Lâmpada do Poder (Majestade da arquitetura)

Aplicabilidade de metodologias antigas à construção moderna. Inspiração na Natureza. Deus –


Imponência através da simplicidade das formas e ornamentos. É preciso jogar-se com a escala
dos edifícios.
4) Lâmpada da Beleza (Inspiração nas formas da Natureza)

O ornamento deve ser usado com moderação e ponderação, pois são os pormenores que vã
contribuir para o edifício final. A reprodução de elementos não naturais é muito má. A utilização
de ornamentos em lugares públicos contemporâneos tira-lhes o valor. É preciso ter a noção da
proporção e da abstração da forma. A cor é muito importante na Arquitetura Gótica.

5) Lâmpada a Vida (Criatividade da mente humana)


A coragem e o sentimento devem ser empregues na construção de um monumento. A cópia
deve ser realizada com franqueza e audácia.
A perfeição manual é melhor que a mecânica. Tem de se dar a alma para se obterem bons
resultados.
6) Lâmpada da Memória
A arquitetura é uma força da Natureza. A memória é mais importante que a renovação. O lugar
onde se reflete a influência sagrada – a história de uma nação escrita na pedra. O valor da idade
dos edifícios está marcado na pedra. O testemunho dos povos (Ligação Espiritual).
É necessário o conhecimento do passado: construção de edifícios históricos e preservação dos
existentes. A ornamentação como decisão ou reflexo da vontade do artesão construtor.

Mais vale um trabalho grosseiro que conta uma história do que um vazio sem significado.
7) Lâmpada da Obediência

A arquitetura é o reflexo da Política, Vida, História e das Religiões das nações. Vai refletir a
sociedade em que foi construída. A liberdade é uma ilusão – gerimo-nos por princípios e leis
impostas – paralelo com a arquitetura.
A criação surge depois da perfeição. A arquitetura devia ser facilmente compreendida pelos
povos. Se não existe a compreensão do povo então não corresponde à sociedade – a linguagem
relaciona-se com a nacionalidade. Perde-se a arte por falta de esforço mental – falta de exigência
intelectual nos trabalhos manuais.

Ruskin não escreveu uma teoria do restauro: cria um guia utópico com parâmetros de
uma estética romântica da arquitetura.
O Restauro não compreende o público nem o que velam pelos nossos monumentos públicos.
Significa a destruição mais completa que pode sofrer um edifício.
- Não se pode evocar o artista morto, nem copiar a degradação da pedra.

- O Restauro é uma mentira do principio ao fim.


Quando é necessário o restauro mais vale arrasar o existente e assumir a construção de um novo.

 Grande seguidor de Ruskin: William Morris


William Morris vai estagiar com o arquiteto Phillip Webb.
Desenvolve novos conceitos: a envolvência dos elementos.

A manutenção constante é fundamental para se evitar o restauro. No entanto, caso se torne


inevitável, este tipo de intervenção deve ser totalmente distinto dos elementos antigos (restauro
discernível).
Os monumentos são propriedade universal.

 Manifesto, 1877 (Morris)


O entusiasmo voltado aos monumentos contribuiu para a sua destruição.

- O Restauro Estilístico tira a validade aos monumentos como fontes de estudo.


- O Restauro como falsificação.

- Preservação dos valores morais dos construtores originais.


- Substituição do Restauro por Proteção (manutenção ou restauros discerníveis).

Contexto Nacional:

A intervenção sobre os monumentos portugueses até à implantação do Liberalismo em 1834

 Antecedentes
- Humanistas portugueses:
André de Resende – descrições de monumentos que legitimam a importância da cidade.

Évora: quanto mais antigas, mais importantes eram as obras. Todos os elementos que mostrem
essa antiguidade devem ser preservados.
Damião de Goes – história portuguesa.

O que interessa é o Gótico e respeitar as Antiguidades.

Monumento: enquanto edifício relacionado com o conceito de memória – lembrar o passado ou


recordar episódios históricos.

 A Real Academia de História Portuguesa


Criada a 8 de Dezembro de 1720, na qual era feito o estudo da História Eclesiástica e Literária
do Reino com o uso de fontes literárias. A Academia é destruída no terramoto de 1755.

- Consciência patrimonial:
Alvará, 13 de Agosto de 1721
- Os monumentos mais antigos eram os Fenícios que tinham contribuído para a história do
país.
- Testemunhos que estavam a ser destruídos – Conservar os vestígios do passado.
- Proibição da destruição dos testemunhos, desde os Fenícios até ao domínio dos espanhóis
era Património – quem destruísse alguma obra, era punido.
- Documento inovador a nível europeu (Proteção dos Monumentos).
- Relatos atentos ao património arquitetónico do país.
 Terramoto de 1755
A destruição maciça levou à necessidade de uma resposta de grandes proporções na
intervenção. Essa resposta passou pelo aproveitamento de escombros, que levou à má
construção do pós-terramoto.
É realizado um questionário paroquial: para uma noção real do estado dos tempos e igrejas.

Adotaram-se três tipos de solução:


- Demolir

- Reutilizar (adaptando os materiais às novas construções)


- Consertar
[nota] Marquês de Pombal fez desenhar Lisboa mais destruída do que aquilo que estava na
realidade, para conseguir um maior financiamento para a recuperação da cidade.

 Convento do Carmo:
- Intervenção dos freires

- Recuperação do espaço
- Assumir a ruína (encenada – suportes)

 Sé de Lisboa:
- Colapso do teto

- Substituição da abóbada de pedra por um tecto de madeira e estuque.

 A Academia Real das Ciências de Lisboa


Foi fundada em 1779 e tinha como objetivo: divulgar o conhecimento cientifico, técnico e
cultural do país para a prosperidade da Nação.
Atitude patrimonial ainda muito incipiente: debate de algumas questões históricas.

O panorama português no início do século

As influências estrangeiras na concepção de Monumento Nacional:


- Revolução Francesa
- Importância do vandalismo (destruição feita pelos próprios proprietários): Abade Gregoire
- Montalembert – O progresso estava a destruir as malhas da cidade: demolição de conventos
para a abertura das cidades.
- Gótico Medieval Inglês
- O Génio do Cristianismo, de Chateaubriand.
 Almeida Garrett
- Camões – o afastamento da pátria. A partir da 2ª edição, faz referencia à Torre de Belem como
monumento que testemunha os Descobrimentos (como testemunho historico).
- Valorização do Gótico – Valores identitários nacionais. No entanto, para Garrett, os
Descobrimentos eram a origem do país.

- Faz menção aos “vândalos remendões”, em referencia ao vandalismo que o Abade Gregoire
afirmava.
- Misticismo do Gótico (sentimento/gozo indefinível)

- 1841: Jornal das Bellas-Artes. Falta de culto da arte (não havia conhecimento suficiente, era
preciso educar o povo).
- O Arco de Santa Ana era uma recordação histórica em que o arco é testemunho desse
acontecimento e que seria destruído.

- Viagens na Minha Terra, série de comentários sobre o Património e crítica ao abandono dos
monumentos em Santarém.

- Almeida Garrett teve um papel exclusivamente teórico (intercala as informações nos


seus textos). Afirmava que eram na relação direta com os monumentos que estes traziam
os testemunhos. Não bastava ver imagens ou ler textos.

 Mousinho de Albuquerque
- É o primeiro ativista na defesa dos Monumentos Nacionais.
- 1834: Inauguração da 1ª Comissão dos Monumentos Portugueses, no sei da Real Academia
das Ciências de Lisboa.
- Tentativa de se criar um conjunto de monumentos que deviam ser salvos pelo Estado face às
suas vendas indiscriminadas. Não havia mecanismos para a sua manutenção.
- Influência do “Museu dos Monumentos Franceses” de Lenoir, na instituição do depósito na
igreja do convento do Beato António.

- 1840: torna-se Inspetor Geral Interino das Obras Públicas do Reino – classificação dos
Monumentos Nacionais como objeto fundamental de trabalho.
- D. Fernando interessa-se pelo Mosteiro da Batalha: Mousinho de Albuquerque vai fazer
parte da Direção de obra do primeiro estaleiro de restauro em Portugal.
- Apoia as características do Restauro Estilístico.
 Alexandre Herculano
- Teórico – aquele que chama à atenção.

- Os Monumentos Pátrios são os primeiros textos dedicados apenas ao restauro (ao estado dos
nossos monumentos: mostra a pouca responsabilidade do governo). É uma crítica contra o que
se passava. Ignorância e desprezo total. Vários tipos de vandalismo (Montalembert). Era
necessário educar o povo para o culto do Património – para proteger o que valoriza.

- Monumento contemporâneo como momento de passagem de um testemunho (Ruskin). Não


podemos destruir aquilo que chega às nossas mãos; devemos conservá-lo para as gerações
seguintes. O monumento como trabalho coletivo do povo.
- Valoriza a Idade Média como início do país: valorização do Gótico. Postura de conservação e
contra o Restauro. Apoia o respeito pelo artista original.
- Forte influência de Vitor Hugo e Montalembert:
1º. Os vários tipos de vandalismo e os perpetuadores – os próprios proprietários dos bens.

Vandalismo restaurador: quando o restauro é mal feito.


Vandalismo destruidor: quando o monumento deixa de existir.

2º O culto dos monumentos históricos, os monumentos como símbolos do passado.


3º O progresso contra a preservação do monumento do ponto de vista histórico e estético.

- Utilização diversa da função original (deixa de haver respeito pelo monumento).

- Destruição sistemática dos monumentos: destruição é uma vertigem desta epocha. Perdia-se
a história, a religião… A nação devia cuidar deles, sendo que são propriedade dela. Para isso, é
importante ensinar o povo dos pontos importantes da História da Arte. E ter noção que
diferentes culturas têm diferentes noções do Património.
- Questão do Turismo: os nossos monumentos tinham de estar apresentáveis para os turistas.

Principais obras/estaleiros de restauro de monumentos no Portugal oitocentista

D. Fernando II (1816-1885)

- Grande interesse pelas artes: é a partir dele que vem o investimento para as obras.
- Benemérito das artes portuguesas (Mecenas das artes)

- “Apadrinhou” os Conventos de Tomar e Mafra, Mosteiro dos Jerónimos, Sé de Lisboa, Torre


de Belém e Mosteiro da Batalha.
- Recolhe a Custódia de Belém e várias pinturas da Madredeus, restauradas a mando do rei.

- Depois da Revolução Dominicana, as coleções juntaram-se no Museu de arte antiga.


- Na segunda metade do século XIX, as artes tiveram a sua exponencialidade.

[nota] O Palácio da Pena não era do Estado; D. Fernando compro-o e por isso fazia parte da
família real.

 Mosteiro de Sta. Maria da Vitória, na Batalha


- Integração do monumento nas rotas do Grand Tour.
- Viagem de James Murphy (que faz o primeiro levantamento do monumento – uma
interpretação gráfica – restauro estilístico)
- Forte influencia francesa com profunda reflexão e espirito critico
- Procura da beleza, a pureza do estilo e a ordem primordial.

Memória inédita acerca do edifício monumental da Batalha, Mousinho de Albuquerque, 1854.

 Definição dos princípios de intervenção


 Identificação simbólica da importância do edifício (justificação da escolha do monumento
enquanto monumento histórico)
 Noção de monumento universal (não é só de quem convive com ele mas de todos)
 Descrição pormenorizada do edifício e da intervenção realizada /falhas nos vitrais)
 Identificação das principais causas de degradação
 Critica ao desleixo e intervenções realizadas anteriormente
 Restauro Estilístico: conhecimento profundo do edifício. Estudo total do edifício material e
histórico. Substituição do autor original. Seguimento das tipologias originais. Procura dos
materiais originais. Copia dos elementos existentes.
Há documentos atuais com as informações das pedreiras onde Mousinho foi buscar a pedra,
diferente do original e que, atualmente, se encontra num pior estado de degradação maior que
a pedra mais antiga.

Após o afastamento de Mousinho, há continuadores que decidiram descer a porta principal,


uma vez que a água se acumulava ali. É feita uma conduta que escoa as águas e as leva para o
afluente principal. Esta intervenção veio a ser fortemente criticada por não respeitar a escala do
estilo original. O problema, porem, só veio a ser resolvido após a aplicação de lajes de betão,
feita pela Direção Geral dos Edifícios.

As esculturas do portal foram substituídas devido à sua degradação. Dois claustros foram
demolidos devido às ruinas.
Será difícil encontrar em um tao breve episodio de construção uma tao vasta afirmativa de
desoladora iniciativa.
 Mosteiro dos Jerónimos

José Maria Eugénio de Almeida, 1859.

- Em 1839: foi pedido uma abordagem à intervenção do Mosteiro.


É feito um apelo a D. Fernando II e na década de sessenta começam as obras no monumento,
adaptando as instalações ao orfanato e restaurando-se as partes nobres, seguindo-se o objetivo
da unidade estilística.

- Influência de Viollet-le-Duc.
- Colson, em 1860, envia os projetos a Eugénio de Almeida, mas este afasta-os porque não
encontra a essência do edifício.

- Em 1867-68: Direção de Obras de Rambois e Cinatti – arquitetos cenógrafos: fazem


intervenções cenográficas; um projeto revivalista – manuelino.
- Em 1872: o filho de Eugénio de Almeida, Carlos Maria de Eugénio de Almeida, assume o
lugar do pai como novo provedor. Acentua a verticalidade dos novos volumes.

- Em 1878, dá-se o desmoronamento da torre. Os alicerces eram deficientes e de fraca


qualidade. As festividades são afastadas do Mosteiro.
- Em 1894: Proposta do Diretor dos Edifícios Públicos – abertura do concurso público entre
arquitetos portugueses,
A Comissão dos Monumentos Nacionais lança dois pareceres:
- A reconstrução do corpo continuo

- Interrupção do corpo com museus onde atualmente se encontra o museu de arqueologia.

 Templo Romano de Évora


Duas campanhas de intervenção do século XIX:
1ª Campanha

- Escavação de Cunha Rivara – tanques de água que circundam o templo. É a primeira grande
escavação arqueológica de grande importância.
- Demolição de parte do edifício do Palácio da Inquisição – desafrontamento do monumento.

2ª Campanha

- Desobstrução do templo, em 1871.


Augusto Filipe Simões sugeria retirar as pedras e lápides que estariam no interior do tempo. É
apoiado por vários intelectuais, entre os quais, Alexandre Herculano.
Orientação por Cinatti com o apoio de Rambois. Dirige as obras de remoção das estruturas
medievais. Encontram-se capiteis, moedas e tesouros nas paredes. Em 1872, o templo é
desobtruído.

Visão bocólica e romântica. Não se pode dizer que haja restauro estilístico pois não houve
reconstrução. É mais um restauro arqueológico.

 Convento da Madre de Deus


Tornou-se no asilo de D. Maria Pia após a morte da última freira em 1869.
Entre 1871-1899, são feitas as obras de adaptação às funções escolares e a conservação e
restauro da sua parte monumental.

O arquiteto é José Maria Nepomuceno e levanta-se a questão: será uma intervenção de restauro
ou uma obra revivalista neo-manuelina?
- Transformação da fachada maneirista para manuelina.

- Modificação e remoção de elementos do sistema decorativo do interior da igreja.


- Projeto inovador: projeto das intervenções.

- Nova construção em cima de uma pré-existente.

 Sé de Coimbra
Em 1893 – Conflito permanente entre os vários intervenientes.
Direção técnica artística de António Augusto Gonçalves.

Em busca do estilo original – muitas criticas pelo meio.


- Grande alteração na fachada e remoção dos azulejos mouriscos. Reconstrução das colunas.

 Sé de Lisboa
Várias fases de intervenção entre 1901 e 1910.
- Prática bem longe dos princípios teóricos defendidos pelo conselho.
- Procura de uma medievalidade perdida.

O interior não foi arranjado como o exterior.


No século XX foram retirados os elementos adicionados por Fuschini.
O restauro de pintura até ao fim do século XIX

O Restauro é um conceito do século XIX. Até aqui:


- Século XVI: restauro = pôr novo, restaurar a beleza. As pinturas eram atualizadas; os
elementos que já não serviam eram retirados e não havia qualquer respeito pelo autor original.
Não havia o “antes”; só o “agora”. Não se pretendia, por isso, voltar atrás, mas sim restaurar o
aspeto estético.
O restauro confunde-se com retoque, repinte, renovação…

Retocar: perpetuar a composição, as formas e as cores.


Repintar: censura de uma imagem pré-existente.

Renovar: consciência histórica – preservação das características da obra de arte.


Os pintores-restauradores começam a ganhar prestígio por terem uma grande capacidade
técnica.

Possíveis causas de intervenções:


- Reutilização das obras
- Novos critérios ideológicos
- Prestigio do proprietário
- Respeito de objetos de valência sagrada
- Dedicação iconófila por pontuais símbolos
O objetivo final era a função decorativa, cultural ou politica. Havia consciência/intenção na
alteração da imagem original.

- Século XVII: Contra Reforma – forte censura estilística da iconografia.

Borromeu: proibição de todas as imagens falsas, duvidosas ou contra a igreja. A imagem sacra
representada devia ser representada com grande dignidade.
- Século XVIII: presença de pintores-restauradores italianos em Portugal. Estes serão os
mestres dos restauradores do século XIX.
Síntese de cada tipo de restauro

Restauro Características Época Principais Intervenientes

Arqueológico

Estilístico
Francês

Anti-Restauro
Inglês