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INFORMATIVO esquematizado

Informativo 512 – STJ


Márcio André Lopes Cavalcante

Obs: não foram incluídos neste informativo esquematizado os julgados de menor relevância para concursos
públicos ou aqueles decididos com base em peculiaridades do caso concreto. Caso seja de seu interesse
conferi-los, os acórdãos excluídos foram os seguintes: AgRg no Ag 1.428.564-DF; AgRg no REsp 1.304.317-
SP; AgRg no AREsp 242.466-MG; REsp 1.166.600-RJ; REsp 1.345.653-SP.

DIREITO ADMINISTRATIVO

Responsabilidade civil do Estado (prazo prescricional)

O prazo prescricional aplicável às ações de indenização contra a Fazenda Pública é de


5 (CINCO) anos, conforme previsto no Decreto 20.910/32, e não de três anos (regra do Código
Civil), por se tratar de norma especial, que prevalece sobre a geral.
Comentários Caso alguém tenha sofrido um dano causado pelo Estado, qual é o prazo que essa pessoa
dispõe para ajuizar ação de reparação? Em outras palavras, qual é o prazo prescricional
para a propositura de ação de indenização contra a Fazenda Pública?
Havia duas correntes sobre o tema:
1ª) 3 anos. Fundamento: art. 206, § 3º, V do Código Civil.
2ª) 5 anos. Fundamento: art. 1º do Decreto n. 20.910/1932.

O que prevaleceu?
O prazo prescricional é de 5 (cinco) anos (não há mais polêmica no STJ).

Qual é o argumento?
Segundo o STJ, o art. 1º do Decreto n. 20.910/1932 é norma especial porque regula
especificamente os prazos prescricionais relativos às ações ajuizadas contra a Fazenda Pública.
Por sua vez, o art. 206, § 3º, V, do Código Civil seria norma geral, tendo em vista que regula
a prescrição para os demais casos em que não houver regra específica.
Logo, apesar do Código Civil ser posterior (2002), segundo o STJ, ele não teve o condão de
revogar o Decreto n. 20.910/1932, tendo em vista que norma geral não revoga norma especial.
Informações Veja, em resumo, os principais pontos abordados pelo Min. Mauro Campbell:
extras  Os dispositivos do CC/2002, por regularem questões de natureza eminentemente de
direito privado, nas ocasiões em que abordam temas de direito público, são expressos
ao afirmarem a aplicação do Código às pessoas jurídicas de direito público, aos bens
públicos e à Fazenda Pública.
 No caso do art. 206, § 3º, V, do CC/2002, em nenhum momento foi indicada a sua
aplicação à Fazenda Pública.
 Não se pode falar que houve uma mera omissão legislativa neste caso, pois o art. 178, §
10, V, do CC/1916 estabelecia o prazo prescricional de cinco anos para as ações contra a
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Fazenda Pública, o que não foi repetido no atual código, tampouco foi substituído por
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outra norma infraconstitucional.


 Os defensores do prazo trienal invocam o art. 10 do Decreto n. 20.910/1932, que

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estabelece o seguinte “o disposto nos artigos anteriores não altera as prescrições de
menor prazo, constantes das leis e regulamentos, as quais ficam subordinadas às
mesmas regras.”
 Ocorre que esse dispositivo não pode ser utilizado para dizer que o prazo do CC-2002
deve ser aplicado à Fazenda Pública. Isso porque o art. 10 prevê expressamente que o
disposto no referido decreto “não altera” eventuais prescrições de menor prazo
constantes em leis e regulamentos, o que significa que essa previsão só excepcionava
da regra dos 5 anos as prescrições que estivessem em vigor quando surgiu o Decreto.
Logo, não serve para excepcionar o CC/2002, que surgiu posteriormente e que não era
específico para o Poder Público.
 Ademais, vale consignar que o prazo quinquenal foi reafirmado no art. 2º do Dec.-lei n.
4.597/1942 e no art. 1º-C da Lei n. 9.494/1997, incluído pela MP n. 2.180-35, de 2001.
Processo Primeira Seção. REsp 1.251.993-PR, Rel. Min. Mauro Campbell, julgado em 12/12/2012.

DIREITO CIVIL

Nome da pessoa natural

É possível a alteração no registro de nascimento para dele constar o nome de solteira da


genitora, excluindo o patronímico do ex-padrasto.
Comentários Exemplo hipotético (baseado no caso concreto):
No momento do nascimento de Aline, sua mãe (Maria Barbosa Carvalho) estava casada com
João Carvalho, que não era o pai biológico da recém nascida.
Aline foi registrada com o pai ignorado e o nome de sua mãe (Maria Barbosa Carvalho).
O nome completo de Aline ficou sendo “Aline Barbosa” já que o patronímico “Carvalho” era
de seu padrasto (João).
Após alguns anos, Maria e João se divorciam e, no processo judicial, a divorcianda opta por
voltar a usar seu nome de solteira, qual seja, Maria Barbosa.

Diante disso, nos documentos pessoais de Maria consta atualmente seu nome como sendo
“Maria Barbosa”, mas no registro de nascimento de sua filha Aline, no campo no qual é
mencionada a genitora, o nome que aparece é o de “Maria Barbosa Carvalho”. É possível a
retificação do registro de nascimento?
SIM. Segundo decidiu o STJ, é possível a alteração no registro de nascimento para dele
constar o nome de solteira da genitora, excluindo o patronímico do ex-padrasto.

O nome civil é reconhecidamente um direito da personalidade, porquanto é o signo


individualizador da pessoa natural na sociedade, conforme preconiza o art. 16 do CC.
O registro público da pessoa natural não é um fim em si mesmo, mas uma forma de
proteger o direito à identificação da pessoa pelo nome e filiação, ou seja, o direito à
identidade é causa do direito ao registro.
O princípio da verdade real norteia o registro público e tem por finalidade a segurança
jurídica, razão pela qual deve espelhar a realidade presente, informando as alterações
relevantes ocorridas desde a sua lavratura.
Assim, é possível a averbação do nome de solteira da genitora no assento de nascimento,
excluindo o patronímico do ex-padrasto.
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Ademais, o art. 3º, parágrafo único, da Lei 8.560/1992 prevê expressamente a possibilidade
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de averbação, no termo de nascimento do filho, da alteração do patronímico materno em


decorrência do casamento:

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Art. 3º (...)
Parágrafo único. É ressalvado o direito de averbar alteração do patronímico materno, em
decorrência do casamento, no termo de nascimento do filho.

Logo, também deve ser reconhecida a possibilidade de fazer o inverso, ou seja, alterar o
patronímico da mãe da pessoa quando a genitora, em decorrência de divórcio ou
separação, deixa de utilizar o nome de casada.
Processo Quarta Turma. REsp 1.072.402-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 4/12/2012.

Contratos (doação)

A pessoa que tenha herdeiros necessários só pode doar até o limite máximo da metade de seu
patrimônio, considerando que a outra metade é a chamada “legítima” (art. 1.846 do CC) e
pertence aos herdeiros necessários.
Doação inoficiosa é a que invade a legítima dos herdeiros necessários, sendo vedada pelo
ordenamento jurídico (art. 549 do CC).
O excesso na doação (invasão da legítima) é apurado levando-se em conta o valor do
patrimônio do doador ao tempo da doação, e não o patrimônio estimado no momento da
abertura da sucessão do doador.
Comentários DOAÇÃO

Conceito
Considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu
patrimônio bens ou vantagens para o de outra (art. 538 do CC).

Restrições à liberalidade de doar


Em regra, a pessoa sendo proprietária da coisa, pode doá-la para quem quiser.
A lei impõe, contudo, algumas restrições ao exercício desse direito. Veja:

SITUAÇÃO RESTRIÇÃO
O cônjuge que for casado, para doar,
precisa da autorização do outro, exceto:
a) no regime da separação absoluta;
1) Doação feita por pessoa casada b) na doação remuneratória;
c) nas doações propter nuptiaes de bens
feitos aos filhos quando casarem ou
estabelecerem economia separada.
O absolutamente incapaz não pode realizar
2) Doação feita por incapaz
doações. Se fizer, é nula.
3) Doação universal Art. 548. É nula a doação de todos os bens
Doação universal é aquela que engloba a sem reserva de parte, ou renda suficiente
totalidade de bens do devedor. para a subsistência do doador.
A pessoa que tenha herdeiros necessários
só pode doar até o limite máximo da
4) Doação inoficiosa
metade de seu patrimônio, considerando
Doação inoficiosa é a que invade a legítima
que a outra metade é a chamada
dos herdeiros necessários.
“legítima” (art. 1.846 do CC) e pertence aos
herdeiros necessários.
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A pessoa pode doar para seus ascendentes,


5) Doação colacionável
descendentes ou cônjuges. No entanto,

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isso será considerado “adiantamento da
legítima”, ou seja, um adiantamento do
que o donatário iria receber como herdeiro
no momento em que o doador morresse.
6) Doação fraudulenta A doação nesses casos somente é válida se
É aquela realizada pelo devedor insolvente foi realizada com o consentimento de
ou que, com a doação, torna-se insolvente. todos os credores.
Obs: devedor insolvente é aquele cujo Se feita sem tal consentimento, configura
patrimônio passivo (dívidas) é maior que o fraude contra os credores, sendo,
ativo (bens). portanto, anulável.
Art. 550. A doação do cônjuge adúltero ao
seu cúmplice pode ser anulada pelo outro
7) Doação do cônjuge adúltero a seu cúmplice cônjuge, ou por seus herdeiros necessários,
até dois anos depois de dissolvida a
sociedade conjugal.

O pródigo pode realizar doações?


R: Sim, desde que assistido pelo curador.
Art. 1.782. A interdição do pródigo só o privará de, sem curador, emprestar, transigir, dar
quitação, alienar, hipotecar, demandar ou ser demandado, e praticar, em geral, os atos que
não sejam de mera administração.

Doação inoficiosa
O julgado noticiado no informativo trata sobre doação inoficiosa.
Como visto acima, a pessoa que tenha herdeiros necessários só pode doar até o limite
máximo da metade de seu patrimônio, considerando que a outra metade é a chamada
“legítima” (art. 1.846 do CC) e pertence aos herdeiros necessários.
Se o doador não tiver herdeiros necessários, poderá doar livremente, contanto que não seja
doação universal.

Quem são os herdeiros necessários?


Ascendentes, descendentes e cônjuge supérstite, ou seja, cônjuge sobrevivente (art. 1.845).

A doação inoficiosa é nula ou anulável?


O art. 549 do CC afirma que é nula.
Art. 549. Nula é também a doação quanto à parte que exceder à de que o doador, no
momento da liberalidade, poderia dispor em testamento.

Apesar disso, a doutrina sustenta que se trata de negócio jurídico anulável.

Ação cabível para se obter a anulação: ação de querela inoficiosa.

Quem pode propor: apenas os herdeiros do donatário.

Prazo da ação: 4 anos.

Quando se inicia esse prazo? A ação deverá ser ajuizada a partir do instante em que ocorrer
a doação inoficiosa ou somente após a morte do doador?
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O prazo decadencial inicia-se no momento da doação.


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A nulidade abrange toda a doação, ou só a parte inoficiosa? Em outras palavras, tudo que
foi doado será anulado ou somente o montante que atingir a legítima?
A invalidade do ato só alcança o excesso, ou seja, o montante que a pessoa não poderia
doar por atingir a legítima.

O excesso na doação (invasão da legítima) é apurado levando-se em conta o valor do


patrimônio do doador ao tempo da doação ou ao tempo da abertura da sucessão (morte)?
Deve-se considerar o patrimônio existente no momento da liberalidade, isto é, na data da
doação, e não o patrimônio estimado no momento da abertura da sucessão do doador.

Exemplo:
João, viúvo e pai de dois filhos, possuía um patrimônio de um milhão de reais. Em um
determinado dia, decide doar uma casa de 500 mil reais para seu melhor amigo.
Essa doação é possível? SIM, considerando que não invadiu a legítima, ou seja, não doou a
metade destinada aos herdeiros necessários (seus filhos).
Meses depois, os negócios empresariais de João começam a ruir e ele perde 400 mil reais
em dívidas.
Quando João morre, seu patrimônio era de 100 mil reais.
A doação feita por João continua sendo válida, tendo em vista que, quando foi realizada,
seu patrimônio era maior e não houve invasão da legítima.

A doutrina costuma utilizar a seguinte frase para explicar essa solução jurídica: o posterior
empobrecimento do doador não anula as doações feitas quando ainda era homem rico.

No julgado noticiado neste informativo, o STJ adotou esse raciocínio e afirmou, embora a
solução legal seja menos favorável para os herdeiros necessários, atende melhor aos
interesses da sociedade, pois não deixa inseguras as relações jurídicas, dependentes de um
acontecimento futuro e incerto, como o eventual empobrecimento do doador. O que o
legislador do Código Civil quis, afastando-se de outras legislações estrangeiras, foi dar
segurança ao sistema jurídico, garantindo a irrevogabilidade dos atos jurídicos praticados ao
tempo em que a lei assim permitia.
Processo Segunda Seção. AR 3.493-PE, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em 12/12/2012.

Contrato de seguro de vida

A doença preexistente não informada no momento da contratação do seguro de vida não exime
a seguradora de honrar sua obrigação se o óbito decorrer de causa diversa da doença omitida.
Comentários Ainda que o segurado omita doença existente antes da assinatura do contrato e mesmo que
tal doença tenha contribuído indiretamente para a morte, enseja enriquecimento ilícito
permitir que a seguradora celebre o contrato sem a cautela de exigir exame médico, receba
os pagamentos mensais e, após a ocorrência de sinistro sem relação direta com o mal
preexistente, negue a cobertura.
Processo Quarta Turma. REsp 765.471-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgamento em 6/12/2012.
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Responsabilidade civil (estado de necessidade)
O ato praticado em estado de necessidade é lícito, conforme previsto no art. 188, II, do CC. No
entanto, mesmo sendo lícito, não afasta o dever do autor do dano de indenizar a vítima quando
esta não tiver sido responsável pela criação da situação de perigo (art. 929).
Desse modo, o causador do dano, mesmo tendo agido em estado de necessidade, deverá indenizar
a vítima e, depois, se quiser, poderá cobrar do autor do perigo aquilo que pagou (art. 930).

O art. 950 afirma que, se lesão provocada reduzir ou impossibilitar a capacidade de trabalho, o
autor do dano deverá pagar como indenização à vítima: a) despesas do tratamento de saúde; b)
lucros cessantes até ao fim da convalescença; c) pensão correspondente à importância do
trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu.
A pensão correspondente à incapacidade permanente, regulada pelo art. 950 do CC é vitalícia.
Comentários Imagine a seguinte situação hipotética (adaptada do caso concreto):
José estava conduzindo normalmente seu veículo em uma via de mão dupla quando foi
“fechado” pelo carro de Paulo, que dirigia imprudentemente. Em razão desse fato, o veículo
de José entrou na contramão e atingiu Pedro, que pilotava uma moto.
Por conta do acidente, Pedro teve amputada uma das pernas.

Ação de indenização
Pedro ingressou com ação de indenização contra José cobrando danos materiais, morais e
estéticos. No que tange aos danos materiais, o autor pediu que o réu fosse condenado a
custear as despesas com o tratamento de saúde e a pagar uma pensão mensal até o final da
vida de Pedro.

Contestação
Em sua contestação, José alegou que:
a) Não foi o culpado pelo acidente, tendo agido com base em estado de necessidade;
b) Ainda que fosse culpado, não havia fundamento jurídico para que fosse condenado a
pagar uma pensão mensal à vítima;
c) Ainda que fosse condenado a pagar uma pensão mensal, esta deveria ser fixada até o
dia em que a vítima completasse 65 anos;
d) Não seria possível a cumulação de danos morais e estéticos, considerando que este
estaria necessariamente abrangido por aquele.

Segundo a jurisprudência do STJ, veja como esta demanda seria resolvida:

a) José tem o dever de indenizar a vítima, mesmo tendo agido sob estado de necessidade?
SIM, persiste seu dever de indenizar.
O ato praticado em estado de necessidade é lícito, conforme previsto no art. 188, II, do CC:
Art. 188. Não constituem atos ilícitos:
I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido;
II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover
perigo iminente.
Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias
o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a
remoção do perigo.

No entanto, mesmo sendo lícito, não afasta o dever do autor do dano de indenizar a vítima
quando esta não tiver sido responsável pela criação da situação de perigo. É o que
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preconiza o art. 929 do CC:


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Art. 929. Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II do art. 188, não forem
culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo que sofreram.
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Desse modo, o causador do dano, mesmo tendo agido em estado de necessidade, deverá
indenizar a vítima e, depois, se quiser, poderá cobrar do autor do perigo aquilo que pagou:
Art. 930. No caso do inciso II do art. 188, se o perigo ocorrer por culpa de terceiro, contra
este terá o autor do dano ação regressiva para haver a importância que tiver ressarcido ao
lesado.

Logo, José, mesmo tendo agido em estado de necessidade, tem o dever de indenizar Pedro,
considerando que este não foi o autor do perigo. Após pagar a vítima, José poderá ajuizar
ação regressiva cobrando de Paulo o que pagou.

Repare que se trata de algo bem interessante: o autor do dano agiu de forma LÍCITA uma
vez que estava sob o manto do estado de necessidade, no entanto, mesmo assim tem o
dever de indenizar. E qual é o fundamento jurídico para este dever?
O Min. Sanseverino explica que o fundamento para essa opção legislativa é a equidade,
aplicando-se a chamada teoria do sacrifício, bem desenvolvida pelo doutrinador português
J.J. Gomes Canotilho (O problema da responsabilidade do estado por actos lícitos. Coimbra:
Almedina, 1974).
Pela teoria do sacrifício, diante de uma colisão entre os direitos da vítima e os do autor do
dano, estando os dois na faixa de licitude (os dois comportamentos são lícitos), o
ordenamento jurídico opta por proteger o mais inocente dos interesses em conflito (o da
vítima), sacrificando o outro (o do autor do dano).

b) Há fundamento jurídico para que José seja condenado a pagar uma pensão mensal à vítima?
SIM, havendo previsão no art. 950 do CC:
Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou
profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do
tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à
importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu.
Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e
paga de uma só vez.

O art. 950 afirma que, a se lesão provocada reduzir ou impossibilitar a capacidade de


trabalho da vítima, o autor do dano deverá pagar como indenização:
 Despesas do tratamento de saúde;
 Lucros cessantes até ao fim da convalescença;
 Pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da
depreciação que ele sofreu.

c) Até quando essa pensão deverá ser paga? Até 65 anos, com base na expectativa de vida
da vítima?
NÃO. Não se considera para efeito de concessão da pensão a expectativa de vida do
ofendido, como ocorre no caso de homicídio:
Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras reparações:
II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em conta a
duração provável da vida da vítima.

No caso de indenização por dano à saúde da vítima que gerou redução ou impossibilidade
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permanente de trabalho, o fundamento para a indenização é o art. 950 do CC, que não
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estabelece limite de tempo para essa pensão. Logo, entende-se que se trata de uma pensão
vitalícia, ou seja, que perdurará até a morte do ofendido.

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Trata-se de uma solução legal justa e lógica, considerando que, após atingir essa idade-
limite (65 ou 70 anos de idade), o ofendido continuará necessitando da pensão e talvez de
modo ainda mais agudo, em função da velhice e do incremento das despesas com saúde.

É possível a cumulação de danos morais e estéticos?


Claro, trata-se de tema pacificado. Nesse sentido:
Súmula 387-STJ: É possível a acumulação das indenizações de dano estético e moral.
Processo Terceira Turma. REsp 1.278.627-SC, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 18/12/2012.

Responsabilidade civil (assalto em banco)

A instituição financeira não pode ser responsabilizada por assalto sofrido por sua correntista
em via pública, isto é, fora das dependências de sua agência bancária, após a retirada, na
agência, de valores em espécie, sem que tenha havido qualquer falha determinante para a
ocorrência do sinistro no sistema de segurança da instituição.
Comentários Se o cliente é assaltado no interior da agência, o banco tem o dever de indenizá-lo?
SIM. Trata-se de responsabilidade objetiva do banco, em razão do risco inerente à atividade
bancária (art. 927, parágrafo único do CC e art. 14 do CDC).
Art. 927 (...) Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de
culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida
pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela


reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos
serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

O banco poderá alegar caso fortuito ou força maior?


NÃO. Para o STJ, em se tratando de instituição financeira, os roubos às agências são eventos
totalmente previsíveis e até esperados, não se podendo admitir que o banco invoque as
excludentes de responsabilidade do caso fortuito ou força maior e culpa de terceiros (REsp
1.093.617-PE).

Se o cliente é assaltado no estacionamento do banco, a instituição também terá o dever de


indenizá-lo?
SIM. Continua havendo responsabilidade civil objetiva do banco (REsp 1.045.775/ES). Com
efeito, o estacionamento pode ser considerado como uma extensão da própria agência.

E se o cliente é assaltado na rua, após sacar dinheiro na agência, haverá responsabilidade


civil do banco?
NÃO. Não há como responsabilizar a instituição financeira na hipótese em que o assalto
tenha ocorrido fora das dependências da agência bancária, em via pública, sem que tenha
havido qualquer falha na segurança interna da agência bancária que propiciasse a atuação
dos criminosos após a efetivação do saque, tendo em vista a inexistência de vício na
prestação de serviços por parte da instituição financeira.
A mera alegação do cliente de que o autor do roubo deve tê-la observado sacar dinheiro do
banco não é suficiente para imputar responsabilidade à instituição bancária.
Além do mais, se o ilícito ocorre em via pública, é do Estado, e não do banco, o dever de
garantir a segurança dos cidadãos e de evitar a atuação dos criminosos.
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Terceira Turma. REsp 1.284.962-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/12/2012.
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Processo

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Direito de família (adoção à brasileira X paternidade biológica)

É possível o reconhecimento da paternidade biológica e a anulação do registro de nascimento


na hipótese em que isso for pleiteado pelo filho que foi registrado conforme prática conhecida
como “adoção à brasileira”.
Caracteriza violação ao princípio da dignidade da pessoa humana cercear o direito de
conhecimento da origem genética, respeitando-se, por conseguinte, a necessidade psicológica
de se conhecer a verdade biológica
Comentários O que é a chamada “adoção à brasileira”?
“Adoção à brasileira” ou “adoção à moda brasileira” ocorre quando o homem e/ou a
mulher declara, para fins de registro civil, o menor como sendo seu filho biológico sem que
isso seja verdade.
Ex: Carla tinha um namorado (Bruno), tendo ficado grávida desse relacionamento. Ao
contar a Bruno sobre a gravidez, este achou que era muito novo para ser pai e “sumiu”, não
deixando paradeiro.
Três meses depois, Carla decide se reconciliar com André, seu antigo noivo, que promete à
amada que irá se casar com ela e “assumir” o nascituro. No dia em que nasce a criança,
André vai até o registro civil de pessoas naturais e, de posse da DNV (declaração de nascido
vivo) fornecida pela maternidade, declara que o menor recém nascido (Vitor) é seu filho e
de Carla, sendo o registro de nascimento lavrado nesses termos.

Por que recebe esse nome?


Essa prática é chamada pejorativamente de “adoção à brasileira” porque é como se fosse
uma “adoção” feita sem observar as exigências legais, ou seja, uma adoção feita segundo o
“jeitinho brasileiro”.
Tecnicamente, contudo, não se trata de adoção, porque não segue o procedimento legal.
Consiste, em verdade, em uma perfilhação simulada.

A “adoção à brasileira” é permitida?


NÃO. Formalmente, essa conduta é até mesmo prevista como crime pelo Código Penal:
Parto suposto. Supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido
Art. 242. Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho de outrem; ocultar
recém-nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
Parágrafo único - Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza:
Pena - detenção, de um a dois anos, podendo o juiz deixar de aplicar a pena.

Vale ressaltar, entretanto, que, na prática, dificilmente alguém é condenado ou recebe


pena por conta desse delito. Isso porque, no caso concreto, poderá o juiz reconhecer a
existência de erro de proibição ou, então, aplicar o perdão judicial previsto no parágrafo
único do art. 242 do CP.

É preciso, no entanto, que seja investigada a conduta porque, embora a “adoção à


brasileira”, na maioria das vezes, não represente torpeza de quem a pratica, pode ela ter
sido utilizada para a consecução de outros ilícitos, como o tráfico internacional de crianças.
Situação 1: Imagine que, depois de alguns anos, André (o pai registral) termina seu relacionamento com
Pai registral Carla. Com raiva, ele procura um advogado pretendendo que seja reconhecido judicialmente
quer anular que ele não é o pai de Vitor.
o registro
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Qual a ação que deverá ser proposta pelo advogado de André?


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R: ação negatória de paternidade cumulada com nulidade do registro civil.

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Contra quem a ação é proposta?
R: contra Vitor (não é proposta em face da mãe de Vitor).
Se Vitor for menor, será assistido (entre 16 e 18 anos) ou representado (menor de 16 anos)
por sua mãe.
Se Vitor já for falecido, a ação será ajuizada contra seus herdeiros. Não havendo herdeiros
conhecidos (lembre-se que a sua mãe é herdeira), André deverá pedir a citação, por edital,
de eventuais interessados.

Qual é o prazo desta ação?


R: é imprescritível (art. 1.601 do CC).

Onde esta ação deverá ser proposta (de quem é a competência)?


R: no foro da comarca onde reside o réu (Vitor), mais especificamente na vara de família
(não deve ser ajuizada na vara de registros públicos).

Participação do Ministério Público: atuará como fiscal da lei (custos legis), considerando que
se trata de ação concernente ao estado da pessoa (art. 82 do CPC).

Provas produzidas:
Atualmente, a principal prova produzida nestas ações é o exame pericial de DNA.

Se o exame de DNA provar que Vitor não é filho biológico de André, o juiz terá que,
obrigatoriamente, julgar procedente o pedido, declarar/desconstituir a paternidade e anular
o registro?
NÃO. Segundo já decidiu o STJ, o êxito em ação negatória de paternidade, consoante os
princípios do CC/2002 e da CF/1988, depende da demonstração, a um só tempo, de dois
requisitos:
a) Inexistência da origem biológica;
b) Não ter sido construída uma relação socioafetiva entre pai e filho registrais.

Assim, para que a ação negatória de paternidade seja julgada procedente não basta apenas
que o DNA prove que o “pai registral” não é o “pai biológico”. É necessário também que
fique provado que o “pai registral” nunca foi um “pai socioafetivo”, ou seja, que nunca foi
construída uma relação socioafetiva entre pai e filho.
(STJ Quarta Turma. REsp 1.059.214-RS, Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 16/2/2012).

Em se tratando de adoção à brasileira, a melhor solução consiste em só permitir que o pai-


adotante busque a nulidade do registro de nascimento quando ainda não tiver sido
constituído o vínculo de socioafetividade com o adotado (REsp 1088157/PB).

Em alguns julgados mais rigorosos, o STJ já decidiu também que o pai que questiona a
paternidade de seu filho socioafetivo (não biológico), que ele próprio registrou
conscientemente, está violando a boa-fé objetiva, mais especificamente a regra da venire
contra factum proprium (proibição de comportamento contraditório) (Terceira Turma. REsp
1.244.957-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 7/8/2012).

Percebe-se, portanto, que a paternidade, atualmente, deve ser considerada gênero do qual
10

são espécies:
a) a paternidade biológica e
Página

b) a paternidade socioafetiva.

INFORMATIVO esquematizado
A doutrina familiarista moderna é unânime em reconhecer a filiação socioafetiva. Por todos,
cite-se o pioneiro e mais genial:
“a verdadeira paternidade pode também não se explicar apenas na autoria genética da
descendência. Pai também é aquele que se revela no comportamento cotidiano, de forma
sólida e duradoura, capaz de estreitar os laços de paternidade numa relação psico-afetiva,
aquele, enfim, que além de poder lhe emprestar seu nome de família, o trata
verdadeiramente como seu filho perante o ambiente social” (FACHIN, Luiz Edson.
Estabelecimento da Filiação e Paternidade Presumida. Porto Alegre: SAFE, 1992, p. 169).
Situação 2: Imagine agora que Vitor, já maior, descubra que André não é seu pai biológico, mas sim Bruno.
Filho deseja Vitor ajuíza ação de reconhecimento de paternidade cumulada com nulidade do registro
que seja contra André e Bruno. A ação terá êxito segundo o entendimento do STJ?
reconhecido SIM. É possível o reconhecimento da paternidade biológica e a anulação do registro de
seu pai nascimento na hipótese em que pleiteados pelo filho adotado conforme prática conhecida
biológico como “adoção à brasileira”.
O direito da pessoa ao reconhecimento de sua ancestralidade e origem genética insere-se
nos atributos da própria personalidade.
Caracteriza violação ao princípio da dignidade da pessoa humana cercear o direito de
conhecimento da origem genética, respeitando-se, por conseguinte, a necessidade
psicológica de se conhecer a verdade biológica (REsp 833.712/RS).
A prática conhecida como “adoção à brasileira”, ao contrário da adoção legal, não tem a
aptidão de romper os vínculos civis entre o filho e os pais biológicos, que devem ser
restabelecidos sempre que o filho manifestar o seu desejo de desfazer o liame jurídico
advindo do registro ilegalmente levado a efeito, restaurando-se, por conseguinte, todos os
consectários legais da paternidade biológica, como os registrais, os patrimoniais e os
hereditários.

A ação será julgada procedente e o registro será anulado mesmo que tenha se estabelecido
uma relação socioafetiva entre Vítor e André?
SIM. O STJ entende que, mesmo que o filho tenha sido acolhido e tenha usufruído de uma
relação socioafetiva, nada lhe retira o direito, em havendo sua insurgência ao tomar
conhecimento de sua real história, de ter acesso à sua verdade biológica que lhe foi
usurpada, desde o nascimento até a idade madura. Presente o dissenso, portanto,
prevalecerá o direito ao reconhecimento do vínculo biológico (REsp 833.712/RS).
Dessa forma, a filiação socioafetiva desenvolvida com o pai registral não afasta o direito do
filho de ver reconhecida a sua filiação biológica.
Comparação Vamos comparar as duas situações:

PAI registral ajuíza ação negatória de FILHO ajuíza ação de investigação de


paternidade e de nulidade do registro paternidade e de nulidade do registro
Para que seja julgada procedente é A ação poderá ser julgada procedente
necessário que não tenha sido construída mesmo que tenha sido construída uma
uma relação socioafetiva entre ele e o filho. relação socioafetiva entre ele e o pai
registral.
Fundamento: princípios do melhor interesse Fundamento: dignidade da pessoa humana e
do menor e da boa-fé objetiva (vedação ao reconhecimento da ancestralidade biológica
venire contra factum proprium). como direito da personalidade.
11

Processo Quarta Turma. REsp 1.167.993-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 18/12/2012.
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INFORMATIVO esquematizado
Ação de investigação de paternidade e coisa julgada material

É possível o ajuizamento de nova ação de investigação de paternidade caso a primeira


tenha sido julgada improcedente sem a realização de exame de DNA?
Regra geral: SIM Exceção:
É possível a flexibilização da coisa julgada Não se admite o ajuizamento de nova
material nas ações de investigação de ação para comprovar a paternidade
paternidade, na situação em que o pedido foi mediante a utilização de exame de DNA
julgado improcedente por falta de prova. em caso no qual o pedido anterior foi
julgado improcedente com base em prova
pericial produzida de acordo com a
tecnologia então disponível.

Comentários Imagine a seguinte situação hipotética:


Em 1995, Daniel ajuizou uma ação de investigação de paternidade contra Honofre, seu
suposto pai, tendo esta sido julgada improcedente.
Vale ressaltar que, na época, não foi realizado exame de DNA, que ainda era raro no Brasil.
A sentença transitou em julgado.

Daniel poderá ajuizar nova ação de investigação de paternidade contra Honofre pedindo
agora a realização do exame de DNA?

É possível flexibilizar a coisa julgada material formada em investigação de paternidade


julgada improcedente e na qual não foi feito exame de DNA?
SIM, é possível a flexibilização da coisa julgada material nas ações de investigação de
paternidade, na situação em que o pedido foi julgado improcedente por falta de prova.

Esse é o entendimento do Plenário do STF:


(...) Deve ser relativizada a coisa julgada estabelecida em ações de investigação de
paternidade em que não foi possível determinar-se a efetiva existência de vínculo genético
a unir as partes, em decorrência da não realização do exame de DNA, meio de prova que
pode fornecer segurança quase absoluta quanto à existência de tal vínculo. (...)
(STF RE 363889, Rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, julgado em 02/06/2011)

Cuidado: o STJ, até bem pouco tempo, vinha adotando entendimento diverso sob o
argumento de que haveria violação à segurança jurídica (nesse sentido: AgRg no REsp
1257855/RS, AgRg no REsp 1236166/RS). No entanto, como a decisão do STF foi tomada
pelo Plenário, o STJ vem, aos poucos, também decidindo que é possível a relativização da
coisa julgada nesses casos (AgRg no REsp 929.773-RS).

Exceção:
Não será cabível a nova propositura de ação de investigação de paternidade, caso a
primeira tenha sido julgada improcedente pelo fato de ter sido comprovado, segundo as
técnicas científicas existentes à época, que o autor não pode ser filho do réu (ex: o exame
de sangue atestou que o grupo sanguíneo do suposto pai é incompatível com o do autor):
“Não se admite o ajuizamento de nova ação para comprovar a paternidade mediante a
utilização de exame de DNA, em caso no qual o pedido anterior foi julgado improcedente
com base em prova pericial produzida de acordo com a tecnologia então disponível, a qual
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excluiu expressamente o pretendido vínculo genético, em face da impossibilidade de duas


pessoas do tipo sanguíneo "O” gerarem um filho do grupo A. Hipótese distinta da julgada
Página

pelo STF no RE 363.889.” (STJ AgRg no REsp 929773/RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti,
Quarta Turma, julgado em 06/12/2012).

INFORMATIVO esquematizado
Resumo
É possível o ajuizamento de nova ação de investigação de paternidade caso a primeira
tenha sido julgada improcedente sem a realização de exame de DNA?
Regra geral: SIM Exceção:
É possível a flexibilização da coisa julgada Não se admite o ajuizamento de nova ação
material nas ações de investigação de para comprovar a paternidade mediante a
paternidade, na situação em que o pedido utilização de exame de DNA, em caso no
foi julgado improcedente por falta de prova. qual o pedido anterior foi julgado
improcedente com base em prova pericial
produzida de acordo com a tecnologia
então disponível.

Processos Quarta Turma. AgRg no REsp 929.773-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 6/12/2012.
REsp 1.223.610-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 6/12/2012.

DIREITO NOTARIAL/REGISTRAL

Nome da pessoa natural


É possível a alteração no registro de nascimento para dele constar o nome de solteira da genitora,
excluindo o patronímico do ex-padrasto. Vide julgado indexado em Direito Civil.

Responsabilidade pela baixa do registro após o pagamento

Depois do título ter sido protestado, caso o devedor efetue a quitação da dívida, a
responsabilidade por promover o cancelamento do protesto não é do credor, mas sim do
devedor ou de qualquer outro interessado, bastando que faça a prova do pagamento junto ao
tabelionato de protesto.
Comentários O que é um protesto de título?
Protesto de títulos é o ato público, formal e solene, realizado pelo tabelião, com a finalidade
de provar a inadimplência e o descumprimento de obrigação constante de título de crédito
ou de outros documentos de dívida.

Regulamentação: o protesto é regulado pela Lei n. 9.492/97.

Procedimento até ser registrado o protesto do título:


1) O credor leva o título até o tabelionato de protesto e faz a apresentação, pedindo que
haja o protesto e informando os dados e endereço do devedor;

2) O tabelião de protesto examina os caracteres formais do título;

3) Se o título não apresentar vícios formais, o tabelião realiza a intimação do suposto


devedor no endereço apresentado pelo credor (art. 14);

4) A intimação é realizada para que o apontado devedor, no prazo de 3 dias, pague ou


providencie a sustação do protesto antes de ele ser lavrado;
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INFORMATIVO esquematizado
Após a intimação, poderão ocorrer quatro situações:
4.1) o devedor pagar (art. 19);
4.2) o apresentante desistir do protesto e retirar o título (art. 16);
4.3) o protesto ser sustado judicialmente (art. 17);
4.4) o devedor ficar inerte ou não conseguir sustar o protesto.

5) Se ocorrer as situações 4.1, 4.2 ou 4.3: o título não será protestado;

6) Se ocorrer a situação 4.4: o título será protestado (será lavrado e registrado o protesto).

Imaginemos que o devedor foi intimado (etapa 4), mas não pagou nem conseguiu sustar o
protesto. O que aconteceu então?
O título foi protestado.

Após um tempo, esse devedor quis comprar um carro financiado, no entanto, não conseguiu
porque o banco constatou a existência desse título protestado e, por essa razão, não liberou
o crédito. O devedor decidiu, então, pagar o título protestado. Com o pagamento do débito,
será possível retirar a anotação desse título protestado?
SIM.

Após o pagamento do título protestado, o credor que foi pago tem a responsabilidade de
retirar o protesto lavrado?
NÃO.

A 4ª Turma do STJ entendeu que, no caso de protesto regularmente lavrado, não é do


credor a responsabilidade pela baixa do registro após a quitação da dívida.

Segundo o STJ, a Lei n. 9.492/97 não impõe esse dever ao credor. Veja:
Art. 26. O cancelamento do registro do protesto será solicitado diretamente no Tabelionato
de Protesto de Títulos, por qualquer interessado, mediante apresentação do documento
protestado, cuja cópia ficará arquivada.

Desse modo, nos termos do art. 26 da Lei n. 9.492/1997, o cancelamento do registro de
protesto pode ser solicitado pelo devedor ou qualquer interessado, bastando que apresente
no tabelionato o título protestado ou a carta de anuência do credor, a fim de provar que
houve a quitação.

Já havia precedentes do STJ nesse mesmo sentido:


Protestado o título pelo credor, em exercício regular de direito, incumbe ao devedor,
principal interessado, promover o cancelamento do protesto após a quitação da dívida.
(REsp 842092/MG, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, Quarta Turma, julgado em 27/03/2007)

Esse entendimento vale mesmo que se trate de uma relação de consumo, ou seja, que o
devedor seja um consumidor e o credor um fornecedor.
Atenção A posição acima explicada vale para os casos de cancelamento de título protestado.
No caso de devedor inserido em cadastro de inadimplentes (ex: SERASA, SPC), a solução é
diferente. Veja:
14
Página

INFORMATIVO esquematizado
CADASTRO DE INADIMPLENTES REGISTRO DE PROTESTO
Se a dívida é paga, quem tem o dever de Se o título é pago, quem tem o dever de
retirar o nome do devedor do cadastro retirar o protesto que foi lavrado?
negativo (exs: SPC ou SERASA)?
O CREDOR (no prazo máximo de 5 dias) O próprio DEVEDOR
Fundamento: art. 43, § 3º do CDC Fundamento: art. 26 da Lei n. 9.492/1997
(aplicável por analogia).

Para maiores informações sobre inclusão de consumidores em cadastro de inadimplentes,


veja o INFO Esquematizado 501 do STJ.
Processo Quarta Turma. REsp 959.114-MS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 18/12/2012.

DIREITO DO CONSUMIDOR
Vide julgado sobre Responsabilidade Civil dos bancos indexado em Direito Civil.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Julgamento por amostragem de recursos especiais repetitivos

Será cabível agravo regimental, a ser processado no Tribunal de origem, destinado a


impugnar decisão monocrática que nega seguimento a recurso especial
com fundamento no art. 543-C, § 7º, I, do CPC.
O recurso cabível contra essa decisão não é o agravo de instrumento.
Comentários Observou-se que havia no STF e no STJ milhares de recursos que tratavam sobre os mesmos
temas jurídicos. Em outras palavras, identificou-se que existiam inúmeros recursos
“repetitivos” endereçados aos Tribunais Superiores.
Diante disso, a fim de otimizar a análise desses recursos, a Lei n. 11.672/2008 acrescentou
os arts. 543-B e 543-C ao CPC, prevendo uma espécie de “julgamento por amostragem” dos
recursos extraordinários e recursos especiais que tiverem sido interpostos com fundamento
em idêntica controvérsia ou questão de direito.
Vamos estudar, agora, o julgamento por amostragem no caso dos recursos especiais
repetitivos, o que é previsto no art. 543-C do CPC:
Art. 543-C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica
questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo.

Procedimento (art. 543-C do CPC e Resolução n. 08/2008-STJ):

1) O Presidente ou Vice-Presidente do tribunal de origem (TJ ou TRF) irá identificar e separar


todos os recursos especiais interpostos que tratem sobre o mesmo assunto.
Exemplo: reunir os recursos especiais nos quais se discuta se o prazo prescricional das ações
contra a Fazenda Pública é de 3 ou 5 anos.

2) Desses recursos, o Presidente do tribunal selecionará um ou mais recursos que


representem bem a controvérsia discutida e os encaminhará ao STJ.
15

Serão selecionados os que contiverem maior diversidade de fundamentos no acórdão e de


argumentos no recurso especial.
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INFORMATIVO esquematizado
Os demais recursos especiais que tratem sobre a mesma matéria e que não foram remetidos
como paradigma (modelo) ficarão suspensos no tribunal de origem até que o STJ se
pronuncie sobre o tema central.

3) Pode acontecer de o Presidente do tribunal de origem não perceber que haja essa
multiplicidade de recursos sobre o mesmo assunto e não tomar essas providências
explicadas acima. Nesse caso, o Ministro Relator do REsp, no STJ, ao identificar que sobre a
controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado,
poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais
a controvérsia esteja estabelecida.

4) Antes de decidir o Resp submetido ao regime de recurso repetitivo, o Ministro Relator


poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de 15 dias, aos tribunais federais
ou estaduais a respeito da controvérsia.

5) Se o matéria for relevante, o Ministro Relator poderá admitir manifestação de pessoas,


órgãos ou entidades com interesse na controvérsia, que atuarão como amicus curiae.

6) Após as informações prestadas pelos Tribunais e pelos amici curiae (plural de amicus
curiae), o Ministério Público será ouvido no prazo de 15 dias.

7) Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais
Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial do STJ, devendo
ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e
os pedidos de habeas corpus.

8) Após todas essas providências, o STJ irá julgar o recurso especial que foi submetido ao
regime de recurso repetitivo. Essa decisão irá afetar os recursos que ficaram suspensos nos
TJ’s ou TRF’s. Veja o que diz o § 7º do art. 543-C:
§ 7º Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados
na origem:
I - terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a
orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou
II - serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão
recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça.

Explicando melhor esse § 7º:


Inciso I: se o recurso especial sobrestado na origem defender a tese jurídica que não foi aceita
pelo STJ, este recurso terá seu seguimento negado e, portanto, nem será enviado ao STJ.
Exemplo: o TJ decidiu que o prazo prescricional contra a Fazenda Pública era de 5 anos. A
Fazenda interpôs recurso especial alegando que esse prazo era de 3 anos. O REsp estava
aguardando a definição do tema em sede de recurso repetitivo. O STJ decidiu que o prazo é
de 5 anos. Logo, este recurso da Fazenda, que estava sobrestado, terá seu seguimento
negado e nem será mais apreciado pelo STJ.

Inciso II: se o recurso especial sobrestado na origem defender a tese jurídica que foi acolhida
pelo STJ, o acórdão que estava sendo impugnado será novamente analisado pelo Tribunal de
origem que poderá modificar sua decisão para adequá-la ao entendimento firmado pelo STJ.
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Exemplo: o TJ decidiu que o prazo prescricional contra a Fazenda Pública era de 3 anos. O
particular interpôs recurso especial alegando que esse prazo era quinquenal. O REsp estava
Página

aguardando a definição do tema em sede de recurso repetitivo. O STJ decidiu que o prazo é

INFORMATIVO esquematizado
de 5 anos. Logo, o TJ terá a oportunidade de analisar novamente esta questão e poderá
modificar sua decisão com base na orientação firmada pelo STJ. Em outras palavras, o TJ
poderá voltar atrás e decidir que o prazo prescricional é de 5 anos realmente. Vale ressaltar,
no entanto, que nesse reexame, o Tribunal poderá manter sua decisão, considerando que o
posicionamento adotado pelo STJ não é vinculante.

9) Se o tribunal de origem mantiver a decisão divergente, irá ser realizado o exame de


admissibilidade do recurso especial para que seja encaminhado ao STJ.
Exemplo: o TJ decidiu manter seu entendimento de que o prazo prescricional é de 3 anos,
mesmo o STJ tendo afirmado que era quinquenal. Logo, o recurso especial interposto pelo
particular será examinado e, se preencher os pressupostos de admissibilidade, será
encaminhado ao STJ para análise do mérito.

10) Voltando à hipótese do inciso I do § 7º do art. 543-C. Pode acontecer de o Presidente do


tribunal de origem negar seguimento a um recurso especial aplicando o entendimento do
STJ e a parte recorrente não concordar com isso sob o argumento de que o caso que envolve
o seu processo é diferente do que foi examinado pelo STJ. Em outros termos, a parte afirma
que há um distinguishing.

A pergunta que surge é a seguinte:


Será possível que esta parte interponha algum recurso contra a decisão do Presidente do
tribunal de origem que negou seguimento ao recurso especial com base no inciso I do § 7º
do art. 543-C do CPC?
SIM. Será cabível agravo regimental, a ser processado no Tribunal de origem, destinado a
impugnar decisão monocrática que nega seguimento a recurso especial com fundamento
no art. 543-C, § 7º, I, do CPC.
Segundo entende o STJ, dessa decisão denegatória pode a parte interpor agravo regimental,
que será processado e julgado no Tribunal a quo.

Vale ressaltar que um erro muito comum tanto dos candidatos em concurso público como
dos profissionais na prática forense, é imaginar que seria possível o ajuizamento de agravo
de instrumento contra essa decisão. Na verdade, é firme o entendimento do STJ de que
“não cabe agravo de instrumento contra decisão que nega seguimento a recurso especial
com base no art. 543, § 7º, inciso I, do CPC” (QO no Ag 1154599/SP, Rel. Min. Cesar Asfor
Rocha, Corte Especial, DJe 12/05/2011).
Para o STJ a mencionada decisão somente pode ser atacada por agravo regimental a ser
processado e julgado no tribunal de origem.
Processo Segunda Turma. REsp 1.346.362-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado 4/12/2012.

Embargos de divergência

Nos embargos de divergência, apenas as decisões proferidas em RECURSO ESPECIAL são


admitidas para comprovar os dissídios jurisprudenciais entre as Turmas do STJ, entre as
Turmas e a Seção ou entre as Turmas e a Corte Especial.
Logo, são inadmissíveis embargos de divergência na hipótese em que o julgado paradigma
invocado tenha sido proferido em sede de recurso ordinário em mandado de segurança.
Comentários Os embargos de divergência são um recurso previsto nos arts. 496, VIII e 546 do CPC, bem
17

como nos regimentos internos do STF e do STJ.


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INFORMATIVO esquematizado
Este recurso possui dois objetivos:
1) Obter a reforma ou anulação do acórdão embargado;
2) Uniformizar a jurisprudência interna do STF e do STJ, evitando que prevaleçam decisões
conflitantes.

Só cabem os embargos de divergência contra decisão de:


 turma do STJ em julgamento de Recurso especial;
 turma do STF em julgamento de Recurso extraordinário.

A decisão da turma do STJ deve ter sido divergente em relação ao julgamento de outra
turma, da seção ou do órgão especial do STJ.

A decisão da turma do STF deve ter sido divergente em relação ao julgamento de outra
turma ou do plenário do STF.

Ao propor este recurso, o recorrente deverá realizar uma comparação entre o acórdão
recorrido e um acórdão paradigma do mesmo Tribunal, provando que o acórdão recorrido
foi divergente do acórdão paradigma.

Neste julgado, a 1ª Seção do STJ reafirmou que, nos embargos de divergência, apenas as
decisões proferidas em recurso especial são admitidas para comprovar os dissídios
jurisprudenciais entre as Turmas deste Tribunal, entre estas e a Seção ou Corte Especial (art.
546, I, do CPC e art. 266 do RISTJ).

No caso concreto julgado, a parte queria opor embargos de divergência utilizando como
paradigma uma decisão proferida em recurso ordinário, razão pela qual não foi admitido
pelo STJ.
Processo Corte Especial. AgRg nos EREsp 1.182.126-PE, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 17/12/2012.

Execução (penhora)

Não é possível equiparar, para os fins do art. 655, I, do CPC, as “cotas de fundos de
investimento” a “dinheiro em aplicação financeira” quando do oferecimento de bens à
penhora.
Comentários O Código de Processo Civil prevê a ordem de penhora nos seguintes termos:
Art. 655. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem:
I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira;

Desse modo, a primeira opção de penhora segundo o CPC é dinheiro.


O dinheiro penhorado poderá ser em espécie. Ex: o juiz determina a penhora na “boca” da
bilheteria do estádio de futebol.
O dinheiro penhorado poderá estar depositado. Ex: penhora on line de valores presentes
em conta-corrente.
O dinheiro penhorado poderá estar em aplicação em instituição financeira. Ex: penhora de
valores que estão aplicados em CDB.

É possível que o devedor ofereça para penhora as suas “cotas de fundos de investimento”,
18

com base nesse inciso, alegando que se trata de dinheiro em aplicação financeira?
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NÃO. Para o STJ, não é possível equiparar, para os fins do art. 655, I, do CPC, as “cotas de
fundos de investimento” a “dinheiro em aplicação financeira” quando do oferecimento de

INFORMATIVO esquematizado
bens à penhora.
Embora os fundos de investimento sejam uma espécie de aplicação financeira, eles não se
confundem com a expressão “dinheiro em aplicação financeira”.
Ao se proceder à penhora de dinheiro em aplicação financeira, a constrição processual
atinge numerário certo e líquido que fica bloqueado ou depositado à disposição do juízo da
execução fiscal. Por sua vez, o valor financeiro referente a cotas de fundo de investimento
não é certo e pode não ser líquido, a depender de fatos futuros imprevisíveis para as partes
e juízos.
Dessa forma, quando do oferecimento de bens à penhora, deve-se respeitar a ordem de
preferência prevista na legislação.
Processo Primeira Turma. REsp 1.346.362-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado 4/12/2012.

Bens impenhoráveis

Segundo o art. 649, IX, do CPC, são absolutamente impenhoráveis os recursos públicos
recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em educação, saúde ou
assistência social.
Assim, se ficar provado que os recursos recebidos por um hospital privado são oriundos dos
serviços por ele prestados ao SUS, tais valores são impenhoráveis.
Comentários O art. 649 do CPC estabelece um rol de bens que não podem ser penhorados.
Dentre eles, veja o que diz o inciso IX:
Art. 649. São absolutamente impenhoráveis:
IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em
educação, saúde ou assistência social;

Exemplo:
O hospital privado “X” presta serviços ao SUS atendendo pessoas carentes e recebe,
mensalmente, determinada verba a título de contraprestação.

O STJ entendeu que esses valores não podem ser penhorados para pagar dívidas do
hospital. Isso por conta do art. 649, IX do CPC.

O STJ confere uma interpretação ampliativa ao dispositivo legal e afirma que, não importa
que o recebimento dos recursos públicos pelas entidades privadas tenham sido antes ou
depois dos serviços de saúde prestados pela instituição.

Logo, o fato do hospital já ter prestado os serviços de saúde e, após isso, receber os valores
correspondentes do SUS, não afasta a impenhorabilidade dessa verba. Isso porque a
transferência desses recursos só ocorre porque os serviços de saúde foram prestados pela
instituição, de forma que há uma efetiva aplicação dos recursos públicos na saúde,
conforme exige o art. 649, IX, do CPC.

A doutrina aponta no mesmo sentido:


“Em termos práticos, o art. 649, IX, protege o dinheiro recebido (...) por hospitais, seja a
fundo perdido (p. ex. para adquirir equipamentos), seja em contraprestação aos serviços
prestados no âmbito do SUS (Serviço Único de Saúde).” (Manual da Execução. 11ª ed., São
Paulo: RT, 2007, p. 224).
19

Processo Terceira Turma. REsp 1.324.276-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 4/12/2012.
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INFORMATIVO esquematizado
Processo coletivo e legitimidade dos sindicatos

O sindicato tem legitimidade para ajuizar protesto interruptivo do prazo prescricional da ação
executiva de sentença proferida em ação coletiva na qual foram reconhecidos direitos da
respectiva categoria.
Comentários Os sindicatos podem propor ações coletivas em favor da categoria que representam?
SIM. A CF/88 autoriza que os sindicatos façam a defesa, judicial ou extrajudicial, dos direitos
e interesses individuais e coletivos da categoria que representam. Veja:
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria,
inclusive em questões judiciais ou administrativas;

Segundo a jurisprudência consolidada no STJ, o sindicato tem legitimidade para defender


em juízo os direitos da categoria mediante substituição processual, seja em ação ordinária,
seja em demandas coletivas (AgRg nos EREsp 488.911/RS).

O sindicato pode defender direitos difusos e individuais homogêneos da categoria?


SIM. A doutrina afirma que, quando o inciso III do art. 8º da CF/88 fala em “direitos e
interesses coletivos”, está utilizando a palavra “coletivo” em sentido amplo, de forma que
os sindicatos podem defender direitos difusos, coletivos (stricto sensu) e individuais
homogêneos da categoria.

O sindicato, ao propor uma ação coletiva defenderá o direito apenas dos filiados ou poderá
atuar em favor de toda a categoria (independente de pertencerem ou não ao sindicato)?
O sindicato tem legitimidade para defender judicialmente o interesse coletivo de toda a
categoria, e não apenas de seus filiados. Essa, inclusive, é a redação do inciso III do art. 8º da
CF/88 que menciona a palavra “categoria” (e não apenas “filiados”).

Atenção: a opinião acima é a majoritária. No entanto, a Fazenda Pública defende,


normalmente, tese em sentido contrário, pugnando que seja aplicado às ações coletivas
propostas por sindicatos o disposto no art. 2º-A da Lei n. 9.494/97:
Art. 2º-A. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade
associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os
substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da
competência territorial do órgão prolator.
(Artigo incluído pela Medida provisória nº 2.180-35, de 24.8.2001)

O STJ possui julgados determinando a aplicação do referido art. 2º-A aos sindicatos sob o
argumento de que a Lei, ao falar em “entidade associativa”, engloba toda e qualquer
corporação legitimada à propositura de ações judiciais, sem restringir-se às associações (STJ
AgRg no REsp 1279061/MT; AgRg no REsp 1.338.029-PR).

Ao mesmo tempo, o STJ afirma que os sindicatos defendem o interesse de toda a categoria
e não apenas dos filiados (AgRg no REsp 1303343/PE).

Há, portanto, uma contradição aparente entre os julgados do STJ. Sei que é um tema difícil
e para o qual ainda não há uma resposta definitiva.
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Para fins de concurso, fiquem com a informação que me parece ser a mais segura e acertada:
(...) A jurisprudência do STJ está pacificada no sentido de que a coisa julgada formada em
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ação coletiva ajuizada por sindicato não se restringe somente àqueles que são a ele filiados,

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já que a entidade representa toda a sua categoria profissional. (...)
(AgRg no REsp 1303343/PE, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em
24/04/2012, DJe 02/05/2012)

O sindicato precisa da autorização dos membros da categoria (trabalhadores) para propor a


ação na defesa de seus interesses supraindividuais? O sindicato precisa apresentar a relação
nominal dos substituídos juntamente com a petição inicial da ação proposta?
NÃO. As associações e sindicatos, na qualidade de substitutos processuais, têm legitimidade
para a defesa dos interesses coletivos de toda a categoria que representam, sendo
dispensável a relação nominal dos afiliados e suas respectivas autorizações.
Súmula 629-STF: A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe
em favor dos associados independe da autorização destes.

Por que os sindicatos não precisam da autorização dos membros?


Porque o sindicato, quando atua na defesa dos direitos supraindividuais da categoria, age
como substituto processual (legitimado extraordinário) e não como representante processual.
O substituto processual não precisa da autorização dos substituídos porque esta foi dada
pela lei (no caso do sindicato, esta autorização foi dada pela CF/88, art. 8º, III).

É a posição pacífica do STJ:


O sindicato, como substituto processual, tem legitimidade para defender judicialmente
interesses coletivos de toda a categoria, e não apenas de seus filiados, sendo dispensável a
juntada da relação nominal dos filiados e de autorização expressa.
(AgRg no REsp 1195607/RJ, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 10/04/2012)

A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que as entidades sindicais poderão atuar


como substitutas processuais da categoria que representam, sendo desnecessária a
autorização expressa do titular do direito subjetivo, bem como a apresentação de relação
nominal dos associados e a indicação de seus respectivos endereços.
A Lei 9.494/1997, ao fixar requisitos ao ajuizamento de demandas coletivas, não poderia se
sobrepor à norma estabelecida nos arts. 5º, LXX, e 8º, III, da Constituição Federal.
(AgRg no AREsp 108.779/MG, Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/04/2012)

Legitimidade extraordinária (substituição processual):


Ocorre quando alguém, em nome próprio, pleiteia em juízo interesse alheio (de outrem).
Confere-se legitimidade a alguém para discutir em juízo direito que não é dele.
A legitimidade extraordinária somente é admitida de forma excepcional no CPC.
A legitimação extraordinária somente pode ser estabelecida por meio de lei (art. 6º do CPC)
ou, em alguns casos, como uma decorrência lógica do sistema.
Ao contrário do CPC, na tutela coletiva, a legitimidade extraordinária é a regra geral.
Para a maioria da doutrina, substituição processual é sinônimo de legitimidade
extraordinária (nesse sentido: Dinamarco).

A legitimidade para que o sindicato atue em favor da categoria abrange apenas a fase
(“processo”) de conhecimento ou também a fase (“processo”) de execução?
Essa legitimidade abrange, também, as fases de liquidação e execução de título judicial.
Logo, o sindicato pode ajuizar a execução em favor da categoria.
Assim como o sindicato pode ajuizar a execução, ele também pode fazer o protesto
interruptivo do prazo prescricional da ação executiva. Em outras palavras, o STJ decidiu que
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o sindicato, antes de ingressar com a execução, pode fazer o protesto do réu para que
cumpra a decisão, o que interrompe o prazo prescricional.
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Processo Primeira Turma. AgRg no Ag 1.399.632-PR, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 4/12/2012.

INFORMATIVO esquematizado
DIREITO PROCESSUAL PENAL

Suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei n. 9.099/95)

Dentre as “outras condições” previstas no § 2º do art. 89, da Lei 9.099/95, o juiz poderá determinar
que o acusado cumpra PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA ou PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE?

1ª corrente: SIM (5ª Turma do STJ e 1ª Turma do STF)


2ª corrente: NÃO (6ª Turma do STJ)
Conceito Suspensão condicional do processo é:
- um instituto despenalizador
- oferecido pelo MP ou querelante ao acusado
- que tenha sido denunciado por crime cuja pena mínima seja igual ou inferior a 1 ano
- e que não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime,
- desde que presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da
pena (art. 77 do Código Penal)

Caso o acusado aceite a proposta, o processo ficará suspenso, pelo prazo de 2 a 4 anos
(período de prova), desde que ele aceite cumprir determinadas condições.
Período de prova é, portanto, o prazo no qual o processo ficará suspenso, devendo o
acusado cumprir as condições impostas neste lapso temporal. O período de prova é
estabelecido na proposta de suspensão e varia de 2 até 4 anos.

Obs: a proposta de suspensão somente é válida se aceita pelo acusado e seu defensor, na
presença do Juiz, desde que este entenda ser o caso de receber a denúncia.
Previsão A suspensão condicional do processo está prevista no art. 89 da Lei n. 9.099/95. No
entanto, vale ressaltar que não se aplica apenas aos processos do juizado especial
(infrações de menor potencial ofensivo), mas sim em todos aqueles cuja pena mínima seja
igual ou inferior a 1 ano, podendo, portanto, a pena máxima ser superior a 2 anos.
Condições Condições legais a que o acusado deverá se submeter:
I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;
II - proibição de frequentar determinados lugares;
III - proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz;
IV - comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar
suas atividades.

O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que
adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado.
Outras O § 2º do art. 89 da Lei n. 9.099/95 estabelece:
condições § 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde
que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado.

Dentre estas “outras condições” previstas no § 2º do art. 89,


o juiz poderá determinar que o acusado cumpra PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA ou
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE?
1ª corrente: 2ª corrente:
SIM NÃO
(5ª Turma do STJ; 1ª Turma do STF; Mirabete) (6ª Turma do STJ; Pacelli)
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Esta Corte já firmou o entendimento de ser Interpretando a Lei n. 9.099/1995, a Sexta


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possível a imposição de prestação de Turma adotou o entendimento de que é

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serviços à comunidade, ou prestação inadmissível a fixação de prestação de
pecuniária, como condição de suspensão serviços à comunidade ou de prestação
condicional do processo, desde que se pecuniária, que têm caráter de sanção
mostrem pertinentes ao caso concreto, penal, como condição para a suspensão
devendo-se observar os princípios da condicional do processo.
adequação e da proporcionalidade. (AgRg no HC 232.793/BA, Rel. Ministro
(HC 152.206/RS, Rel. Min. Adilson Vieira SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA,
Macabu (Des. Conv. do TJ/RJ), Quinta julgado em 18/12/2012, DJe 01/02/2013)
Turma, julgado em 25/10/2011).
Na doutrina, é a posição de Pacelli.
Na doutrina, é o entendimento sustentado
no livro de Mirabete.

No julgado noticiado neste Informativo, a 5ª Turma do STJ reafirmou sua posição, que deve
ser considerada majoritária, no sentido de que “É cabível a imposição de prestação de
serviços à comunidade ou de prestação pecuniária como condição especial para a
concessão do benefício da suspensão condicional do processo, desde que observados os
princípios da adequação e da proporcionalidade.”
Processo Quinta Turma. RHC 31.283-ES, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 11/12/2012.

DIREITO TRIBUTÁRIO

Crédito tributário (pagamento indevido e repetição de indébito)


É cabível a repetição do indébito tributário no caso de pagamento de contribuição para custeio
de saúde considerada inconstitucional em controle concentrado, independentemente de os
contribuintes terem usufruído do serviço de saúde prestado pelo Estado.
Se o tributo pago era indevido, o contribuinte tem direito à restituição dos valores pagos
(repetição do indébito) sem qualquer empecilho ou outras considerações.
Comentários Ação de repetição de indébito (ou ação de restituição de indébito) é a ação na qual o
requerente pleiteia a devolução de determinada quantia paga indevidamente.
A ação de repetição de indébito, ao contrário do que muitos pensam, não é restrita ao
direito tributário. Assim, por exemplo, se um consumidor é cobrado pelo fornecedor e paga
um valor que não era devido, poderá ingressar com ação de repetição de indébito para
pleitear valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e
juros legais, salvo hipótese de engano justificável (art. 42, parágrafo único do CDC).
No âmbito tributário, o direito à repetição de indébito está previsto no art. 165 do CTN.
Dessa feita, o contribuinte que pagar tributo indevido terá direito à repetição de indébito,
ou seja, poderá ajuizar ação cobrando a devolução do tributo pago indevidamente.
O mencionado art. 165 afirma que o sujeito passivo tem direito à restituição,
independentemente de prévio protesto (isto é, mesmo que na hora de pagar não tenha
“reclamado” do tributo indevido ou tenha feito qualquer ressalva).
Feitas estas considerações preliminares, vamos ao caso julgado pelo STJ:
Determinada Lei de Minas Gerais instituiu uma contribuição para o custeio da assistência à
saúde no Estado a ser pago pelos servidores estaduais.
Esta contribuição foi julgada inconstitucional pelo STF (ADI 3106).
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Com a declaração de inconstitucionalidade, os servidores que haviam tido seus


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vencimentos descontados durante vários meses ingressaram com ações de repetição de


indébito, afirmando que se tratava de uma contribuição social inconstitucional. Como a

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contribuição era inconstitucional, os valores pagos pelos servidores eram indevidos e,
portanto, teriam direito à restituição.
O Estado de Minas Gerais alegou, em defesa, que os servidores somente teriam direito à
repetição de indébito caso provassem que não utilizaram os serviços de saúde oferecidos.
O STJ concordou com essa tese?
NÃO. A 2ª Turma do STJ afirmou que é cabível a repetição do indébito tributário no caso de
pagamento de contribuição para custeio de saúde considerada inconstitucional em controle
concentrado, independentemente de os contribuintes terem usufruído do serviço de saúde
prestado pelo Estado.
A declaração de inconstitucionalidade de lei que instituiu contribuição previdenciária é
suficiente para justificar a repetição dos valores indevidamente recolhidos.
Além do mais, o fato de os contribuintes terem usufruído do serviço de saúde prestado pelo
Estado não retira a natureza indevida da exação cobrada.
O único pressuposto para a repetição do indébito é a cobrança indevida de tributo,
conforme dispõe o art. 165 do CTN.
O art. 165 do CTN traz regra clara: se o tributo pago era indevido, o contribuinte tem direito
à restituição sem qualquer empecilho ou outras considerações.
Processo Segunda Turma. AgRg no AREsp 242.466-MG, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 27/11/2012.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO

Pensão previdenciária de ex-combatente

Não é possível a cumulação de pensão previdenciária de ex-combatente com a pensão especial


prevista no art. 53 da ADCT, se possuírem o mesmo fato gerador.
Comentários A jurisprudência do STJ assegura a possibilidade de cumulação dos benefícios
previdenciários com a pensão especial de ex-combatente, desde que não possuam o
mesmo fato gerador.
Caso a pensão especial e o benefício previdenciário tenham o mesmo fato gerador, qual
seja, a condição de ex-combatente do de cujos, restará impossibilitada a cumulação,
conforme preceitua o art. 53, II, do ADCT.
Assim, por exemplo, a pensão especial, prevista no art. 53 do ADCT, não pode ser cumulada
com a pensão de ex-combatente, já concedida à filha de militar.
Processo Primeira Turma. AgRg no REsp 1.314.687-PE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 27/11/2012.

Pensão previdenciária de ex-combatente – 2

O absolutamente incapaz tem direito ao benefício de pensão por morte desde o óbito do
segurado, uma vez que não se sujeita aos prazos prescricionais.
Comentários As pessoas que tenham participado de operações bélicas durante a Segunda Guerra
Mundial, assim como seus dependentes, possuem direito a uma pensão especial prevista no
art. 53, II e III, do ADCT da CF/88 e na Lei n. 8.059/90.
A pensão especial é devida ao ex-combatente e, somente em caso de sua morte, será
revertida aos dependentes (art. 6º da Lei).
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No caso concreto, o autor, na condição de filho inválido de ex-combatente falecido em


05.11.2001, ajuizou ação ordinária para obter o reconhecimento do direito à pensão
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especial titulada pelo seu genitor.


A Fazenda Pública alegou a prescrição.

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Ocorre que a pensão de ex-combatente, nos termos do art. 53, II, do ADCT, pode ser
requerida a qualquer tempo. Além disso, o autor encontrava-se interditado em razão de sua
incapacidade mental. Logo, sendo pessoa absolutamente incapaz, contra ele não corre a
prescrição, nos termos do art. 198, I, do CC:
Art. 198. Também não corre a prescrição:
I - contra os incapazes de que trata o art. 3º;

Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil:


II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento
para a prática desses atos;

Processo Sexta Turma. REsp 1.141.465-SC, Rel. Min. Alderita Ramos de Oliveira (Desembargadora convocada do TJ-PE),
julgado em 11/12/2012.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Julgue os itens a seguir:
1) O prazo prescricional aplicável às ações de indenização contra a Fazenda Pública é de 3 anos segundo
entendimento pacificado do STJ. ( )
2) (PGM/Maceió 2012) O prazo prescricional referente à pretensão de reparação civil contra a Fazenda
Pública é quinquenal. ( )
3) (Juiz Federal TRF1 2011) Segundo o STJ, as ações por responsabilidade civil do Estado não se submetem
ao prazo prescricional de cinco anos. ( )
4) É possível a alteração no registro de nascimento para dele constar o nome de solteira da genitora,
excluindo o patronímico do ex-padrasto. ( )
5) Doação inoficiosa é a que invade a legítima dos herdeiros necessários, sendo vedada pelo ordenamento
jurídico. ( )
6) O excesso na doação (invasão da legítima) é apurado levando-se em conta o valor do patrimônio do
doador ao tempo da doação, e não o patrimônio estimado no momento da abertura da sucessão do
doador. ( )
7) O ato praticado em estado de necessidade é um ilícito civil. ( )
8) O ato praticado em estado de necessidade, por não ser um ilícito civil, não gera o dever de indenizar a
vítima mesmo quando esta não tiver sido responsável pela criação da situação de perigo. ( )
9) Se o cliente é assaltado no interior da agência, o banco tem o dever de indenizá-lo. ( )
10) Se o cliente é assaltado no estacionamento do banco, a instituição terá o dever de indenizá-lo. ( )
11) Se o cliente é assaltado na rua, após sacar dinheiro na agência, a instituição terá o dever de indenizá-lo.
( )
12) Se a dívida é paga, quem tem o dever de retirar o nome do devedor do cadastro negativo é o credor. ( )
13) Depois do título ter sido protestado, caso o devedor efetue a quitação da dívida, a responsabilidade por
promover o cancelamento do protesto é do credor. ( )
14) Será cabível agravo de instrumento para impugnar decisão monocrática que nega seguimento a recurso
especial com fundamento no art. 543-C, § 7º, I, do CPC. ( )

Questões discursivas
1) Discorra sobre a adoção à brasileira e sua relação com a paternidade socioafetiva.
2) É possível o ajuizamento de nova ação de investigação de paternidade caso a primeira tenha sido julgada
improcedente sem a realização de exame de DNA?
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Gabarito
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1. E 2. C 3. E 4. C 5. C 6. C 7. E 8. E 9. C 10. C 11. E 12. C 13. E 14. E

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