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Manual de Tronco Comum Sociologia Geral Código: A0017 Universidade Católica de Moçambique (UCM) Centro de
Manual de Tronco Comum
Sociologia Geral
Código: A0017
Universidade Católica de Moçambique (UCM)
Centro de Ensino à Distância (CED)

Direitos de autor (copyright)

Este manual é propriedade da Universidade Católica de Moçambique (UCM), Centro de Ensino à Distância (CED) e contêm reservados todos os direitos. É proibida a duplicação e/ou reprodução deste manual, no seu todo ou em partes, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Universidade Católica de Moçambique – Centro de Ensino à Distância). O não cumprimento desta advertência é passível a processos judiciais.

desta advertência é passível a processos judiciais. Elaborado Por: Alamba Feliciano Napulula Licenciado em

Elaborado Por: Alamba Feliciano Napulula

Licenciado em Antropologia pela FLCS (Faculdade de Letras e Ciências Sociais) da UEM (Universidade Eduardo Mondlane) de Moçambique

Bacharel em Ciências Sociais: orientação em Sociologia pela ex-UFICS (Unidade de Formação e Investigação em Ciências Sociais) da UEM.

Universidade Católica de Moçambique (UCM) Centro de Ensino à Distância (CED) Rua Correia de Brito N o 613 – Ponta-Gêa Beira – Sofala

Telefone: 23 32 64 05 Cell: 82 50 18 440 Moçambique

Fax: 23 32 64 06 E-mail: ced@ucm.ac.mz Website: www.ucm.ac.mz

Agradecimentos

A Universidade Católica de Moçambique (UCM) – Centro de Ensino à Distância (CED) e o autor do presente manual, Alamba Feliciano Napulula, agradecem a colaboração de todos que directa ou indirectamente participaram na elaboração deste manual. À todos sinceros agradecimentos.

de todos que directa ou indirectamente participaram na elaboração deste manual. À todos sinceros agradecimentos.

Sociologia Geral Código: A0017

i

Índice

Visão geral

1

Benvindo a Sociologia Geral

1

Objectivos do

curso estudar este módulo

1

Quem

deveria

2

Como está estruturado este módulo Habilidades de estudo Precisa de apoio? Tarefas (avaliação e auto-avaliação) Avaliação

2

3

3

4

4

Unidade N 0 01-A0017

 

7

Tema: Senso Comum e Conhecimento Científico Introdução Sumário

7

7

7

Obstáculos ao Conhecimento Científico……………………………………………………………

8

Exercícios

9

Unidade N 0 02-A0017

10

Tema: Surgimento da Sociologia Introdução Sumário Precursores da Sociologia

10

10

10

Erro! Marcador não definido.

Nicolau Maquiavel………………………………………………………………………………11

Thomas Hobbes…

12

John Locke

12

Jean Jacques Rosseau

13

Charles de Montesquieu………………………………………………………………………

14

Exercícios

15

Unidade N 0 03-A0017

17

Tema: Definição da Sociologia e seus Fundadores Introdução Sumário

17

17

17

Definição……………………………………………………………………………………… 17

Objecto de Estudo……………………………………………………………………………….18

Fundadores da Sociologia

19

Comte

19

Durkheim

20

Sociologia Geral Código: A0017

ii

Weber

21

Marx

22

Exercícios

23

Unidade N 0 04-A0017

24

Tema: Teorias Sociológicas Contemporâneas Introdução Sumário

24

24

24

Teoria Funcionalista…………………………………………………………………………….24

25

Teoria Voluntarista da Acção…………………………………………………………………

Exercícios

26

Unidade N 0 05-A0017

28

Tema: Teorias Sociológicas de Interacção Social Introdução Sumário

28

28

28

Teoria de Interaccionismo Simbólico de George

Mead………………………………………….28

Teoria Dramatúrgica do Quotidiano de Erving Goffman

29

Exercícios

32

Unidade N 0 06-A0017

33

Tema: Desigualdades Sociais Introdução Sumário Definição Tipos de Desigualdades Sociais Exercícios

33

34

34

34

34

35

Unidade N 0 07-A0017

36

Tema: Teoria de Classes Sociais e Introdução Sumário

36

36

36

Teoria Marxista………………………………………………………………………………….36

Teoria

Neomarxista

37

Teoria Funcionalista da Estratificação

38

Exercícios

38

Unidade N 0 08-A0017

39

Tema: Processo de Mobilidade Introdução

39

39

Sociologia Geral Código: A0017

iii

Sumário

39

Conceito de Mobilidade Social………………………………………………………………….39

40

Conceitos Auxiliares de Mobilidade Social

Exercícios

41

Unidade N 0 09-A0017

42

Tema: Teorias Sobre Mobilidade Introdução Sumário

42

42

42

Teoria Marxista e da Reprodução Social….…………………………………………………….42

Teoria Funcionalista

43

Exercícios

44

Unidade N 0 10-A0017

45

Tema: Desigualdades Sociais nas Sociedades Introdução Sumário

45

45

45

Novos Eixos de Diferenciação de Classes……

……………………………………………….45

Exercícios

47

Unidade N 0 11-A0017

48

Tema: Mudança

48

Introdução

48

Sumário

48

Precursores da Teorias de Mudança Social.…………………………………………………….48

Auguste Comte…

49

Herbert Spencer……………………

50

Karl Marx……………………………………………………………………………………… 51 Teorias Mudança Social…………………………………………………………………………52 Evolucionismo de Talcott Parsons…………………………………………………………… 52

Grupos de Interesse, Conflitos Sociais e Mudança Social em Ralf Dahrendorf…

Teorias Endógenas e Exógenas de Mudança Social……………………………………………54

………… 53

Exercícios

55

Unidade N 0 12-A0017

56

Tema: Desvio e Controlo Introdução Sumário

56

56

56

Desvio e Controlo Social………………………………………………………….…………….56

Sociologia Geral Código: A0017

iv

Émile Durkheim e a Génese da Teoria do Desvio e Controlo Social Desvio e Controlo Social na Escola de Chicago

Émile Durkheim e a Génese da Teoria do Desvio e Controlo Social Desvio e Controlo Social

57

58

Anomia, Desvio e Controlo Social em Robert Merton………………………………………….59

Teoria da Rotulagem…………………………………………………………………………….59

Teoria de Análise Estratégica…………………………………………………………………

60

Exercícios

61

Unidade N 0 13-A0017

62

Tema: Movimentos Sociais Introdução Sumário

62

62

62

Abordagens sobre Movimentos Sociais…………………………………………………………63

Gustave Le Bon: Comportamento das Multidões Robert Park e as Bases Sociais do Comportamento Colectivo

Gustave Le Bon: Comportamento das Multidões Robert Park e as Bases Sociais do Comportamento Colectivo

63

64

Herbert Blumer: Uma Visão Interaccionista do Comportamento Colectivo……………………64

Exercícios

66

Unidade N 0 14-A0017

67

Tema: O Processo de Socialização Introdução Sumário

67

67

67

Socialização …………………………………………………………67

Tipos e Instituições de Socialização Socialização Primária e Secundária Exercícios

68

68

69

Unidade N 0 15-A0017

70

Tema: O Processo de Globalização e as Desigualdades Sociais Introdução Sumário

70

70

70

A Globalização

…………………………………………………………70

Impacto da Globalização nas Desigualdades Sociais

71

Exercícios

72

Unidade N 0 16-A0017

73

Tema: Crime Como Facto Social Introdução Sumário

73

73

73

Crime

…………………………………………………………73

Sociologia Geral Código: A0017

v

Unidade N 0 17-A0017

76

Tema: Determinantes da Criminalidade Introdução Sumário

76

76

76

Determinantes da Criminalidade

…………………………………………………………76

Teoria das Patologias Individuais

,

77

Teoria

de

Desorganização Social

77

Teoria de Estilos de Vida

……………………77

Teoria de Diferenciação Social ou Aprendizado Social

78

Teoria de Controlo Social

 

78

Teoria

de

Auto Controle

78

Teoria de Anomia Teoria de Escolha Racional Exercícios

79

79

80

Unidade N 0 18-A0017

81

Tema: Pobreza Como Facto Social Introdução Sumário

81

81

81

Fenómeno da Pobreza Pobreza como Facto Social Exercícios

…………………………………………………………81

82

84

Unidade N 0 19-A0017

85

Tema: O Problema da Prostituição Introdução Sumário

85

85

85

A Prostituição

…………………………………………………………85

Exercícios

87

Unidade N 0 20-A0017

89

Tema: Abordagem Sociológica á Educação Introdução Sumário

89

89

89

A Educação

…………………………………………………………89

Exercícios

90

Exercícios a Resolver

73

Referências Bibliográficas

74

Sociologia Geral Código: A0017

1

Visão geral

Benvindo a Sociologia Geral

É um facto que como conhecimento científico, a Sociologia é uma disciplina que busca analisar os factos sociais, isto é, fenómenos que ocorrem na nossa sociedade e que sejam dotados de um sentido/significado para os indivíduos dentro de uma sociedade. Mais do que simples contemplação dos fenómenos, a Sociologia busca analisar e explicar cientificamente os mesmos, isto é, o sentido que os indivíduos atribuem para os seus actos, considerando estes como sendo significativos em cada época e sociedade. Assim, ela aparece como sendo o estudo da realidade social.

Ela é uma ciência em construção desde início e meados do século XIX, buscando sempre explicar as estruturas sociais, os processos sociais, políticos, económicos e culturais da sociedade moderna. A partir dos conhecimentos teóricos e científicos da Sociologia, estamos em melhores condições de compreender os acontecimentos sociais, da organização social e da vida humana em sociedade.

Objectivos do curso

Ao fim deste módulo, o estudante deverá capaz de:

Objectivos

Explicar o processo de construção do conhecimento científico em Ciências Sociais, da qual a Sociologia é parte integrante.

Explicar o advento da Sociologia como ramo de conhecimento científico.

Indicar os precursores e fundadores da Sociologia.

As grandes teorias sociológicas.

Perceber e explicar alguns dos fenómenos sociais presentes na sociedade tais como: classes sociais, desigualdades sociais, desvio social, mobilidade social, entre outros.

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2

Quem deveria estudar este módulo

Este módulo foi concebido para todos aqueles que frequentam os cursos à distância, oferecidos pela Universidade Católica de Moçambique (UCM), através do seu Centro de Ensino à Distância (CED).

Como está estruturado este módulo

Todos os módulos dos cursos produzidos por UCM - CED encontram-se estruturados da seguinte maneira:

Páginas introdutórias

Um índice completo.

Uma visão geral detalhada do curso / módulo, resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para completar o estudo. Recomendamos vivamente que leia esta secção com atenção antes de começar o seu estudo.

Conteúdo do curso / módulo

O curso está estruturado em unidades. Cada unidade incluirá uma

introdução, objectivos da unidade, conteúdo da unidade incluindo actividades de aprendizagem, um resumo da unidade e uma ou mais actividades para auto-avaliação.

Outros recursos

Para quem esteja interessado em aprender mais, apresentamos uma lista

de recursos adicionais para você explorar. Estes recursos podem incluir

livros, artigos ou sites na internet.

Tarefas de avaliação e/ou Auto-avaliação

Tarefas de avaliação para este módulo encontram-se no final de cada unidade. Sempre que necessário, dão-se folhas individuais para desenvolver as tarefas, assim como instruções para as completar. Estes elementos encontram-se no final do modulo.

Comentários e sugestões

Esta é a sua oportunidade para nos dar sugestões e fazer comentários sobre a estrutura e o conteúdo do curso / módulo. Os seus comentários serão úteis para nos ajudar a avaliar e melhorar este curso / módulo.

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3

Habilidades de estudo

Caro estudante, procure olhar para você em três dimensões nomeadamente: o lado social, profissional e estudante, daí ser importante planificar muito bem o seu tempo.

Procure reservar no mínimo 2 (duas) horas de estudo por dia e use ao máximo o tempo disponível nos finais de semana. Lembre-se que é

necessário elaborar um plano de estudo individual, que inclui, a data, o

dia, a hora, o que estudar, como estudar e com quem estudar (sozinho,

com colegas, outros).

Evite o estudo baseado em memorização, pois é cansativo e não produz bons resultados, use métodos mais activos, procure desenvolver suas competências mediante a resolução de problemas específicos, estudos de caso, reflexão, etc.

O manual contém muita informação, algumas chaves, outras

complementares, daí ser importante saber filtrar e apresentar a informação mais relevante. Use estas informações para a resolução dos exercícios, problemas e desenvolvimento de actividades. A tomada de notas desempenha um papel muito importante.

Um aspecto importante a ter em conta é a elaboração de um plano de

desenvolvimento pessoal (PDP), onde você reflecte sobre os seus pontos fracos e fortes e perspectivas o seu desenvolvimento.

Lembre-se que o teu sucesso depende da sua entrega, você é o responsável pela sua própria aprendizagem e cabe a ti planificar, organizar, gerir, controlar e avaliar o seu próprio progresso.

Precisa de apoio?

Caro estudante, temos a certeza de que por uma ou por outra situação, o material impresso, lhe pode suscitar alguma dúvida (falta de clareza, alguns erros de natureza frásica, prováveis erros ortográficos, falta de clareza conteudística, etc.). Nestes casos, contacte o tutor, via telefone, escreva uma carta participando a situação e se estiver próximo do tutor, contacte-o pessoalmente.

Os tutores têm por obrigação, monitorar a sua aprendizagem, dai o

estudante ter a oportunidade de interagir objectivamente com o tutor, usando para o efeito os mecanismos apresentados acima.

Todos os tutores têm por obrigação facilitar a interacção, em caso de problemas específicos ele deve ser o primeiro a ser contactado, numa fase posterior contacte o coordenador do curso e se o problema for da natureza geral, contacte a direcção do CED, pelo número 825018440.

Os contactos só se podem efectuar, nos dias úteis e nas horas normais de expediente.

As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante, tem a oportunidade de interagir com todo o staff do CED, neste período pode apresentar dúvidas, tratar questões administrativas, entre outras.

Sociologia Geral Código: A0017

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O estudo em grupo, com os colegas é uma forma a ter em conta, busque

apoio com os colegas, discutam juntos, apoiem-me mutuamente, reflictam sobre estratégias de superação, mas produza de forma independente o seu próprio saber e desenvolva suas competências.

Juntos na Educação à Distância, vencendo a distância.

Tarefas (avaliação e auto- avaliação)

O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e auto-

avaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues antes do período presencial.

Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do estudante.

Os trabalhos devem ser entregues ao CED e os mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docentes.

Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo os mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os direitos do autor.

O plagiarismo deve ser evitado, a transcrição fiel de mais de 8 (oito)

palavras de um autor, sem o citar é considerado plágio. A honestidade, humildade científica e o respeito pelos direitos autorais devem marcar a realização dos trabalhos.

Avaliação

Você será avaliado durante o estudo independente (80% do curso) e o período presencial (20%). A avaliação do estudante é regulamentada com base no chamado regulamento de avaliação.

Os trabalhos de campo por si desenvolvidos, durante o estudo individual, concorrem para os 25% do cálculo da média de frequência da cadeira.

Os testes são realizados durante as sessões presenciais e concorrem para

os 75% do cálculo da média de frequência da cadeira.

Os exames são realizados no final da cadeira e durante as sessões presenciais, eles representam 60%, o que adicionado aos 40% da média de frequência, determinam a nota final com a qual o estudante conclui a cadeira.

A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de: (a) admissão ao exame,

(b) nota de exame e, (c) conclusão do módulo.

Nesta cadeira o estudante deverá realizar: 3 (três) trabalhos; 2 (dois) testes escritos e 1 (um) exame escrito.

Sociologia Geral Código: A0017

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Não estão previstas quaisquer avaliações orais.

Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizadas como ferramentas de avaliação formativa.

Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em consideração: a apresentação; a coerência textual; o grau de cientificidade; a forma de conclusão dos assuntos, as recomendações, a indicação das referências utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros.

Os

Consulte-os.

Alguns feedbacks imediatos estão apresentados no manual.

objectivos

e

critérios

de

avaliação

estão indicados

no

manual.

Sociologia Geral Código: A0017

7

Unidade N 0 01-A0017

Tema: Senso Comum versus Conhecimento Científico

Introdução

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Distinguir o senso comum do conhecimento científico.

Perceber quais os obstáculos a construção do conhecimento científico e a importância desta ruptura.

Sumário

A vida em sociedade está de alguma forma dependente do conhecimento

que os grupos sociais possam produzir no tempo para se perpetuar

entanto que grupo social, ou seja, uma comunidade de pessoas que vivam juntas e de modo organizado. Existe em toda e qualquer sociedade duas (2) formas de conhecimento, sendo por um lado o chamado senso comum

e o conhecimento científico por outro lado. Representam formas de

tentativa de explicação da realidade social, mais tendo como base premissas completamente diferentes; daí que resultado destas análises será em princípio sempre diferente, apesar de incidir sobre a mesma

realidade social.

Senso Comum, é uma forma de conhecimento popular, que se refere a um conjunto vasto de opiniões, conselhos, práticas e normas relativas a vida social, ou seja, ele diz respeito aos princípios populares normativos que se baseia na tradição e costumes quotidianos. Esta forma de conhecimento não se justifica nunca pelo discurso coerente e estruturado que seja possível confirmar a partir de métodos científicos, mais pelo contrário é a vivência que o fundamenta sempre as suas recomendações. Nesta forma de conhecimento, a realidade social surge aos olhos da maioria das pessoas como facilmente explicável e compreensível.

Apesar de não ser um conhecimento metódico, este representa uma forma válida para explicação da realidade social a um certo nível, pois

representa uma resposta do homem ao seu contexto, além de servir de ponto de partida para construção do próprio conhecimento científico, que

a partir de métodos científicos busca analisar a regularidade dos factos observados na sociedade e a partir daqui criar-se um conhecimento passível de confirmação pela testagem dado que o mesmo é regular.

Sociologia Geral Código: A0017

8

O Conhecimento Científico é uma forma de construção de saberes sobre

a realidade social a partir do processo de investigação, obedecendo a

certos princípios metodológicos. É um processo que se dá através de uma relação entre teoria, observação e interpretação dos factos observados. É um conhecimento que resulta duma produção ou construção que o pesquisador faz a volta realidade social a partir de um conjunto de preposições articuladas sistematicamente.

Obstáculos ao Conhecimento Científico

O conhecimento científico representa uma leitura da realidade social

numa base não valorativa e desapaixonada, em que prevalece acima de tudo a busca da verdade científica dos factos observados, ou seja, tentasse aproximar cada vez mais da realidade em si, uma vez que em ciência o alcance da verdade é quase que impossível. Assim, o pesquisador deve na análise da realidade não deixar que as suas opiniões pessoais possam interferir na sua análise, pois que assim procedendo estaria a interferir no resultado, isto é, distorção dos factos e falta de objectividade que deve

marcar a ciência.

Os obstáculos mais comuns a construção do conhecimento científico são:

naturalismo, individualismo e etnocentrismo. Naturalismo, é a tendência

de se explicar os factos sociais invocando causas metasociais, ou seja, é a

descrição e interpretação da sociedade a partir de elementos naturais/físicos e biológicos. A partir do naturalismo, buscasse explicar o comportamento de certos grupos sociais, considerando que estes comportamentos são naturais a determinado grupo social, área geográfica, etc. Assim, tais características acabam sendo inquestionáveis por si considerar que são “naturais”. Por exemplo: quando se diz que os homens ou mulheres pensam assim. Não se percebe que o comportamento

de homens e mulheres nada tem de natural, mais que pelo contrário

resulta da socialização.

Individualismo, contrariamente ao naturalismo podemos ver o este como sendo uma abordagem que considera que a sociedade é a simples soma de indivíduos e que cada um destes agem apenas tendo em vista a

prossecução dos seus objectivos singulares, e não vendo que o indivíduo

é produto da própria sociedade, inclusive as suas escolhas são

socialmente determinadas. Assim, pensar que as acções individuais resultam pura e simplesmente das vontades singulares, é não perceber o funcionamento da própria sociedade em que cada um se encontra, e nem que estas são realidades inseparáveis.

Etnocentrismo, este obstáculo ao conhecimento científico pode ser visto como a tendência ou atitude de se sobrevalorizar a cultura de grupo social

a que pertençam os sujeitos, e a consequente desvalorização ou

depreciação dos outros grupos sociais diferentes. Os valores do grupo sujeito é que são considerados como norma ou universais para análise da estrutura e práticas sociais de outros povos. Por conseguinte, o pesquisador de forma implícita acaba reproduzindo esta realidade o que lhe impede de buscar o conhecimento sobre funcionamento de certa realidade social, em resultado dos preconceitos que possui.

Sociologia Geral Código: A0017

9

Assim, de forma a nos livrarmos destes obstáculos a produção do conhecimento científico é importante seguir certos passos que em geral podem-se resumir a chamada dúvida metódica que consiste em questionar todo conhecimento e não assumir estes como verdade já dada e absoluta. Esta permite que as ideias do senso comum não influenciem o nosso pensamento, daí que deve ser uma atitude constante, ou seja, a ruptura com senso comum não se dá de uma única vez, mais pelo contrário constantemente.

A primeira

colocamos de lado as evidências aparentes que nos são dadas pelo conhecimento do senso comum, pois expressam meras opiniões. A segunda é construção do objecto de análise, após a ruptura com senso comum investigador procura construir o seu objecto de análise a partir de teorias explicativas sobre determinado facto. A terceira tem a ver com a verificação, em que faz-se o confronto entre as teorias e com o facto observado de forma a determinar se de facto aquilo que diz a teoria pode explicar o facto observado e em que medida.

senso comum, em que nos

condição é a ruptura com

Exercícios

Auto-avaliação

1 – Estabelece a diferença entre senso comum e conhecimento científico?

Resposta: Senso comum, é um conhecimento popular, que se baseia num conjunto de opiniões, conselhos, práticas e normas relativas a vida social, baseado na tradição e costumes quotidianos. Enquanto Conhecimento Científico é uma forma de conhecimento que se baseia na construção de saberes sobre a realidade social a partir do processo de investigação, obedecendo a princípios metodológicos.

2- Indique

científico que conhece?

e

explique

os

obstáculos

a

produção

de

conhecimento

Resposta: os obstáculos são: naturalismo que tem a ver com a tendência

de explicar a realidade social a partir de elementos naturais, físicos e

biológicos. Individualismo considera que indivíduo é uma entidade que se

sobrepõe a sociedade, para além de serem realidades completamente distintas. Etnocentrismo, a tendência de se sobrevalorizar a cultura de grupo social, e a consequente desvalorização dos grupos diferentes.

3- Aponte as condições para se livrar dos obstáculos ao conhecimento

científico?

Resposta: as condições são: ruptura com senso comum que é por de lado as ideias do senso comum e não aceitar como verdades dadas, construção

do conhecimento científico e a verificação dos factos da teoria.

Sociologia Geral Código: A0017

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Unidade N 0 02-A0017

Tema: Surgimento da Sociologia

Introdução

O surgimento da Sociologia entanto que ciência autónoma é processo que ser buscada no contexto do surgimento de outras ciências sociais. Neste sentido, como ciência autónoma esta surge por volta de 1839, altura em que Auguste Comte no IV volume do seu livro Curso de Filosofia Positiva forjou este termo. É assim que ele é considerado o pai, por ter sido o primeiro a usar este termo. Contudo, foi com Emilé Durkheim que esta passou a ser vista como ciência entanto que tal, ao defender que esta estudava os factos sociais, que é o seu objecto de estudo e possui características próprias que são diferentes dos estudados pelas ciências ditas naturais.

Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de:

Objectivos

Explicar o surgimento da Sociologia até sua constituição como disciplina académica.

Identificar os precursores

Sumário

Falar do surgimento da Sociologia, mostra-se como um exercício não só bastante complexo, mais também interdependente, pois que esta se encontra directa e indirectamente ligada a outras disciplinas e acontecimentos sócio-históricos diversos. Assim, é impossível falar do surgimento da Sociologia sem recorrer ao passado e aos clássicos que em termos históricos podemos situar fora desta disciplina, mais cujo pensamento estruturante pode aqui ser enquadrado.

A Sociologia surge por volta de meados do século XIX após revolução burguesa na Inglaterra no século XVII, e iniciada a revolução francesa no final do século XVIII. Foram estes 2 movimentos revolucionários que implantaram o processo liberal que deu sustentação ao desenvolvimento de modo de produção capitalista e Estado Burguês no ocidente. A complexidade da sociedade moderna é resultado de um processo histórico que inclui sujeitos, objectivos e resultados por vezes não esperados, que produzem fenómenos sociais complexos.

Com as revoltas populares na Europa por estas alturas, desenvolve-se também a Sociologia, pelas “mãos” da modernidade, ou seja, do mundo moderno na tentativa de analisar e explicar então os factos que ocorrem

Sociologia Geral Código: A0017

11

por esta altura. Porque os pensadores desta época eram mais orientados para acção e não uma simples compreensão dos fenómenos sociais que ocorriam nesta altura, vemos que precursores desta vão ser buscados na filosofia, política, entre outras áreas. Estes consideravam que os fenómenos novos deveriam ser percebidos, para se poder analisar o funcionamento da própria sociedade e introduzir mudanças consideradas necessárias.

Por conseguinte, entende-se que esta surge como resultado de uma tentativa de intervenção objectiva e directa sobre a sociedade e não a simples compreensão de situações sociais radicalmente novas da sociedade capitalista. Assim, pode-se entender a seu crescimento suscitado pelo seu aparente papel na correcção da sociedade, quando na verdade a ela não tem como agir directamente sobre a realidade social e indivíduos, sim explicar a razão de certos comportamentos manifestados.

Podemos afirmar que a trajectória desta disciplina está directamente ligada ao diálogo constante que estabelece com a sociedade capitalista. Ela não se contenta em observar, mais antes questionar a razão da ocorrência de certos fenómenos sociais e as consequências destes na estruturação da própria sociedade.

Precursores da Sociologia

Para se afirmar como tal, esta surge a partir da contribuição de vários autores que são situados quer seja na filosofia, política, economia, etc; visto que estes fenómenos ocorrem necessariamente dentro da sociedade. Assim, iremos apresentar alguns destes pensadores, que mesmo estando ligeiramente fora da Sociologia deram um grande contributo e suas abordagens fazem deles verdadeiros precursores por estudarem os fenómenos sociais.

Nicolau Maquiavel

Pensador sobejamente conhecido pelo sua importante obra o príncipe que representa uma espécie de tratado para os governantes, pois que nele buscava aconselhar ao príncipe como adquirir e conservar o poder quando o adquirisse, daí que fim último da política era a conquista e manutenção do poder. Um dos seus objectivos era o de conseguir criar regras de acção para os dirigentes/governantes, por considerar que a natureza humana era algo imutável daí que se poderia prever situações futuras e estabelecer regras ou leis da política.

Outro aspecto que inquietava este autor e que ses ligava a política era perceber os factores que levam um Estado a ser forte ou fraco, os elementos que fomentam a liberdade, como se obtêm, mantém e se exerce o poder. Portanto seu interesse é o homem social e político, ou seja, em sua palavras o bom cidadão. Para ele, o Estado era uma entidade política soberana interna e externamente, que se caracterizava por ser um Estado monárquico onde predominava o poder real, isto é, o principado.

Contrariamente aos demais pensadores, ele tem uma visão bipartida dos regimes políticos em que existia República e a Monarquia/Principado, sendo que a Monarquia era governada segundo vontades de um único indivíduo (soberano singular) e enquanto que a República era dirigida

Sociologia Geral Código: A0017

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segundo vontade colectiva de muitas ou poucas pessoas (soberano colectivo). Maquiavel contrariamente aos demais, não considerava a existência de governos bons ou maus, são ou degenerados, pelo contrário dizia que não havia governos ilegítimos, mais apenas que uns eram mais convenientes do que os outros diante de certas circunstâncias sociais.

Um aspecto igualmente importante nele tem a ver com a separação clara entre a Igreja e Política, por serem incompatíveis, daí defender que actos considerados imorais pela religião podiam ser usados a bem do próprio Estado, pois fins justificam os meios.

Thomas Hobbes

O contexto sócio-histórico em que vive que foi marcado por inúmeros

conflitos e guerras religiosas marcaram em grande medida sua forma de

pensar e analisar a sociedade, razão pela qual ele se interessa bastante em manter a paz. Seu ponto de partida é que o homem antes da formação da sociedade vivia num estado de luta permanente de todos contra os todos para aquisição de poder. Assim, a única saída era estabelecimento do contrato social em que cada indivíduo se abstinha de usar o poder contra

o outro, como forma de garantir a ordem social.

Para Hobbes, para se garantir o cumprimento deste acordo era entregue a uma entidade superior e soberana fora deste contrato que é o Estado. Este tinha o poder legítimo de usar a força para cada indivíduo que não cumprisse ou com o contrato. O Estado tinha por conseguinte como tarefa fundamental a garantia da defesa nacional e a segurança interna, ou seja, defender os seus cidadãos contra ataques externos e garantir que nenhum deles violasse o contrato social internamente. O Leviatã representava uma autoridade superior, isto é, o Estado e que detém o monopólio da força física para impor a ordem sempre que necessário.

Na sua visão, o Estado era um órgão de poder que tinha em vista manter

o respeito e dirigir acções no sentido de garantir benefício comum. Era um poder soberano que resultava dum acordo entre os indivíduos em que

cada um cedia o seu direito de governar-se a si mesmo, autorizando todas

as acções deste em troca da garantia da paz e segurança.

Sua definição de Estado é: uma pessoa cujo os actos uma grande multidão, mediante pactos recíprocos uns com os outros, foi instituída por cada um como autora, de modo a poder usar a força e todos os recursos de maneira que usar conveniente para assegurar a paz e defesa comum.

John Locke

É considerado como pai fundador da moderna ciência política, ideologias

liberais e bem como filosofia empiricista, apesar de ter escrito sobre vários assuntos tais como a filosofia da mente e política, metafísica, epistemologia e educação. Locke, considerava que o homem possuía direitos naturais tais como a vida, a liberdade, a propriedade, e que para garantir estes os homens criaram então os governos. Por conseguinte, caso os governos não assegurassem estes direitos as pessoas podiam obviamente se rebelar, contestar e derrubar o governo que era definido como “um consentimento dos governados em relação a uma autoridade

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constituída e ao direito natural do ser humano”. (Locke, op cit. in:

Ferreira; 1995; pp. 35-36).

Sua teoria política tem como questão central Os Tratados sobre o Governo Civil, em que refuta de forma clara a ideia de Filmer que defendia que o poder dos reis era absoluto e divino, por advir de Adão que é o pai da humanidade. Para ele, o poder paternal que supostamente advinha de Adão não devia pois ser confundido com o poder político, visto que o primeiro tem sempre um carácter temporário ou transitório e é anterior a constituição da sociedade, pelo que não se submete a lei positiva, mais sim a lei natural.

Para que um governo fosse verdadeiro no sentido por si defendido, deveria basear-se na legitimidade, consentimento dos próprios cidadãos que adivinha de um contracto social. Assim, a legitimidade era aspecto

fundamental que justificava o poder e diferenciava um príncipe legítimo e um usurpador. Por conseguinte o consentimento expresso, a constituição

e suas regras eram aspectos que garantiam a própria legitimidade, e que por sua vez esta pressupunha limites ao poder político.

O poder de Estado deveria necessariamente estar confiado em 3 mãos:

Legislativo em que a faculdade do poder consiste na capacidade de fazer leis, Executivo que consiste na capacidade de aplicar as leis aos casos

concretos quer seja através da administração pública e tribunais, e Federativo que consiste na condução do Estado nas suas relações com exterior. Neste sentido, o poder absoluto era totalmente incompatível com

a sociedade civil, visto que o soberano acumula todos os poderes e impede o apelo ou arbitragem independente.

Jean Jacques Rosseau

É um dos defensores do contracto social como elemento fundador da

sociedade, mais que contrariamente a Hobbes, diz que o homem no estado natureza era virtuoso e a vida em sociedade é que criava estes vícios tais como: avareza, honra e cupidez; daí que o progresso da sociedade levava a degeneração e corrupção do homem, uma vez que realização destes vícios era feita a custa da humilhação e dominação dos outros. A sociedade resulta de um contracto social em que a partir de um Estado justo, se busca defender o indivíduo e seus bens, através de normas e regras sociais bem claras.

Em Rousseau não temos o problema de conflito de poder e muito menos

a sua arbitragem, pois tal seria absurdo na medida em que as partes

contratantes são idênticas. Pelo contrato social, o indivíduo põe a sua pessoa e poder sob comando da vontade geral (que representa a soma das vontades individuais e nunca a vontade de todos) e o corpo político é formado de vários indivíduos tal quanto o número de votantes na assembleia. Vontade geral tem um sentido duplo, pelo facto de ser conjunto de decisões tomadas numa assembleia de iguais e em que todos participam activamente, sem quaisquer compromissos e limites por um lado, e por outro lado pela agregação de opiniões de cada um dos indivíduos.

Deste modo o indivíduo submete-se não a assembleia e sim a lógica do próprio modelo de contrato social. Por conseguinte, a Assembleia representa o soberano e se ela decide de modo errado põe em causa a si mesma, pelo que cada indivíduo tinha o dever de ter e manifestar a sua

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própria opinião. Assim, a soberania não era e nem podia nunca ser representada, pois que a delegação do poder era incompatível com a igualdade entre os indivíduos. De modo sucinto, isto representa uma democracia directa e não representativa.

Charles de Montesquieu

Ele pode ser enquadrado na corrente iluminista, tendo a particularidade de ser o autor que procurou definir de forma rigorosa a sociedade, tentando apresentar causas concretas para certos fenómenos particulares, ou seja, ele buscou estabelecer as leis da coisas, dos factos ou fenómenos observados. Portanto esta análise representa um pensamento sociológico puro e só não foi assim classificado pois que nesta altura ainda não existia tal termo. As leis que Montesquieu analisa são leis científicas e com clara intenção de estabelecer relações de causalidade entre fenómenos sociais.

Neste sentido, vemos que ele procura relacionar as leis de uma sociedade e a estrutura da própria sociedade, como forma para analisar e poder explicar o seu funcionamento e perspectivar futuro. Sua teoria política defendia o princípio da divisão de poderes e foi bastante influente na redacção de grande parte das constituições liberais. Seu ideal de pensamento resulta da sua oposição e recusa as práticas das instituições políticas, abusos da Igreja católica e Estado Absolutista da França. Assim, o poder legislativo, executivo e judicial deveriam estar necessariamente separados, por forma a que cada um pudesse controlar a acção dos outros poderes em caso de abuso.

Para Montesquieu, haviam dois aspectos fundamentais a considerar quando se fala dos governos sendo o princípio que é o que põe os

governos em movimento (o princípio motor em linguagem filosófica) constituído pelas paixões e necessidades dos homens, e a natureza que é aquilo que faz um governo ser o que é, determinado pela quantidade daqueles que detêm a soberania.

Assim, ele distingue formas de governo com base no princípio e natureza

tendo a seguinte tipologia: Monarquia - soberania nas mãos de uma só pessoa (o monarca) segundo leis positivas e o seu princípio é a honra; Despotismo - soberania nas mãos de uma só pessoa (o déspota) segundo a vontade deste e o seu princípio é o medo; República - a soberania está nas mãos de muitos (de todos = democracia, ou de alguns = aristocracia) e o seu princípio motor é a virtude.

É igualmente importante notar que existiam formas puras de governo que eram Monarquia que é governo de um só, Aristocracia que é governo de vários e a Democracia que é governo do povo. E em contraposição existiriam formas impuras tais como a Tirania que representa a degeneração ou corrupção da Monarquia; Oligarquia que é a degeneração da Aristocracia e a Demagogia que é a corrupção da Democracia.

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Por último, convém assinalar que Montesquieu não defendia a igualdade entre os indivíduos e sim a eliminação ou redução dos poderes absolutos do rei, para salvaguardar os interesses da sua classe que era a nobreza.

Exercícios

Auto-avaliação

1 – Quais os acontecimentos históricos que explicam o surgimento da Sociologia?

Resposta: foram dois os acontecimentos que levaram surgimento da

Sociologia nomeadamente a Revolução Burguesa na Inglaterra no século XVII, e a Revolução Francesa no final do século XVIII, em que dada a complexidade dos fenómenos sociais surgidos, houve necessidade de perceber e explicar dentro da sociedade moderna, para se fazerem as mudanças julgadas necessárias.

2- Indique os precursores da Sociologia que conhece?

Resposta: os precursores da Sociologia que conheço são: Maquiavel, Hobbes, Locke, Rousseau e Montesquieu.

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Unidade N 0 03-A0017

Tema: Definição da Sociologia e seus Fundadores

Introdução

Como já dissemos antes a Sociologia resulta de um processo histórico bastante complexo que tem a ver com as mudanças profundas na sociedade moderna ligadas a revolução Francesa e a Burguesa na Inglaterra, pelo que podemos afirmar em certa medida que ela “é uma ciência da crise”. Mais do que conhecermos o historial desta, é necessário termos conhecimento objectivo desta em termos de definição e bem como os fundadores entanto que ciência e não mero conhecimento.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Definir a Sociologia.

Identificar de forma clara o objecto de estudo da Sociologia e suas características.

Identificar os pensadores considerados fundadores da Sociologia.

Sumário

Definição

A sociologia propriamente dita é fruto da Revolução Industrial, e nesse sentido é chamada de “ciência da crise” – crise que essa revolução gerou em toda a sociedade europeia. Ela é fruto de toda uma forma de conhecer e pensar a natureza e a sociedade, que se desenvolveram a partir do século XV, quando ocorreram transformações significativas como a expansão marítima, reformas protestantes, a formação dos Estados nacionais, as grandes navegações e o comércio ultramarino, bem como o desenvolvimento científico e tecnológico que desagregaram a sociedade feudal, dando origem à sociedade capitalista.

Conceptualmente, podemos entender a Sociologia como o estudo científico das relações sociais, das formas de associação,

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destacando-se os caracteres gerais comuns a todas as classes de fenómenos sociais, fenómenos que se produzem nas relações de grupos entre seres humanos. Estuda o homem e o meio ambiente em suas interacções recíprocas.

Ela se baseia em estudos objectivos que melhor podem revelar a verdadeira natureza dos fenómenos sociais. Ela é desta forma, o estudo e o conhecimento objectivo da realidade social. Como exemplos, podemos citar a formação e desintegração de grupos, a divisão da sociedade em camadas ou classes sociais, a mobilidade de indivíduos e grupos nas camadas sociais, processos de competição e cooperação, exclusão social e desigualdades sociais, entre outros aspectos.

Objecto de Estudo

A definição de toda e qualquer disciplina é dependente se não

mesmo correlativa da definição do seu objecto de estudo, ou seja, indicação clara daquele aspecto que ela procura analisar dentro da sociedade a partir de métodos e técnicas que lhe sejam específicas.

Assim, a Sociologia quando se definiu como ciência indicou como seu objecto de estudo o chamado facto social que pode ser definido objectivamente como sendo: toda maneira de sentir ou agir, fixa ou não que seja susceptível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior que seja geral numa determinada sociedade, tendo uma existência própria independetemente das manifestações individuais que possa ter.

De forma simples ou elementar facto social refere-se a fenómenos que ocorrem dentro de uma sociedade e que sejam gerais e com interesse social. Foi um termo introduzido por Émile Durkheim, considerado um dos fundadores da Sociologia. O facto social para assim poder ser considerado possui determinadas características tais como: generalidade, exterioridade, e coerção. Generalidade:

quer dizer que o acto é praticado por todos os membros daquela

sociedade em concreto, Exterioridade: o acto existe fora do indivíduo, pois não depende deste, Coercibilidade: o acto se impõe

ao indivíduo de modo que este é obrigado a fazer sem questionar.

Existem actos que assim podem ser considerados e outros não mesmo que ocorram na sociedade, tal como dormir, beber água, chorar que apesar de acontecerem na sociedade não podem ser assim classificados. Um exemplo de facto social que podemos dar é prostar-se sentido e em pé a quando da entoação do hino nacional

dum país, este acto é geral (generalidade) porque todos os membros

de tal sociedade assim o fazem, é exterior (exterioridade) porque

está fora do indivíduo e não depende da sua vontade e por fim é

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coercivo (coercibilidade) por obrigar ou levar com que o indivíduo proceda de um modo que do contrário não seria possível e portanto

o obriga.

Fundadores da Sociologia

Ao falar-se de fundadores da Sociologia que regra geral aparecem durante o século XIX, temos a assinalar diferenças fundamentais entre pensadores alemães, franceses e britânicos no que se refere as suas abordagens, marcados obviamente pelos acontecimentos tanto anteriores e bem como os da época.

Augusto Comte

É um pensador que deixou um legado importante para a Sociologia

contemporânea, e que apesar de tal feito as opiniões a este respeito são relativamente divergentes, havendo quem considere como pai

da Sociologia ao lado de outras figuras sonantes tais como Marx,

Durkheim, e Weber; e outros que lhe conferem um papel secundário neste processo. Ele teve a particularidade de ser pioneiro na aplicação do método positivo no estudo das ciências

sociais, tentando aplicar o estatuto e idoneidade das ciências naturais as c.sociais.

Assim, foi dele quem passou a chamar a Sociologia de “ciência da sociedade”, exactamente por usar métodos científicos iguais aos das c.naturais. Ele igualmente traçou modelos de explicação sociológica e bem como estabelecer a relação da religião com a ciência, que são factos que vieram a ser aprofundados posteriormente pela mão de outros pensadores. O método positivista proposto por este autor implicava que se estudasse os factos a partir de uma observação sistemática e verificação dos postulados/preposições; o que representa uma clara ruptura com a simples especulação que caracteriza a filosofia e religião por exemplo.

O seu pensamento pode ser resumido no princípio da lei de 3

Estados por ele proposto, que diz que pensamento humano passa necessariamente por 3 fases ligadas a evolução das sociedades assim ordenadas crescentemente: 1ª fase Pensamento Não- Científico ou Estado Teológico em que a explicação dos fenómenos

é atribuída aos seres sobrenaturais que intervêm de forma arbitrária sobre o universo. O pensamento baseia-se exactamente na especulação, e estado teológico é típico de sociedades militares.

2ª Fase Estado Metafísico ou Abstracto, é uma etapa de transição

em que são criados entidades abstractas tais como a natureza para poderem explicar os fenómenos observados (fazia-se culto da natureza), deixando de lado os seres sobrenaturais do estado teológico. As especulações ainda persistem, mais que são

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aproveitadas como ponto de partida para desenvolvimento de teorias. A 3ª fase Estado Positivo ou Real, em que o homem observa os fenómenos e procura estabelecer entre eles relações regulares, sem contudo buscar as causas primordiais dos acontecimentos. O objectivo fundamental nesta fase é o de criar leis ou regularidades que regem o comportamento dos indivíduos.

Émile Durkheim

É considerado pela maioria dos autores e pensadores como sendo o

verdadeiro “Pai da Sociologia”pelo seu contributo na fundação da uma nova ciência que é a chamada ciência dos factos sociais, através da criação de um método e constituição de um corpo teórico próprio da Sociologia, distanciando-se da “tutela” a Filosofia. Seu pensamento tenta estabelecer a relação fundamental entre indivíduo e sociedade e a partir daqui olhar as oposições binárias entre por exemplo a consciência colectiva e consciência individual, etc. visto que este é simultaneamente um ser individual e um ser social.

Este seu pensamento teve várias influências dentre as quais de Fustes Coulanges, Boutroux e obviamente Auguste Comte. Em seu entender os fenómenos da sociedade todos poderiam ser explicados

cientificamente, o que permitiria que a Sociologia encontrar neles causalidade e formular regras de acção futura. Para tal, indicou que

o objecto dela seria o facto social, que possui 3 características (generalidade, exterioridade e coercibilidade) fundamentais que fazem dele objecto de estudo científico.

Outra questão fundamental em Durkheim é que o facto de considerar que para observação sociológica eram necessárias algumas regras sendo a 1ª ver os factos como coisas: por estarem fora dos indivíduos e não dependerem da vontade deste e serem objectivos, 2ª Sistematicamente de lado as Pré-Noções: implica não se deixar induzir pelos preconceitos ou ideias do senso comum na análise científica dos fenómenos.

Ter em Conta o Conjunto dos Fenómenos: não olhar apenas o fenómeno em si, mais dentro de um conjunto de relações com outros fenómenos do mesmo grupo ou classe, pois que na realidade social os factos não se encontram isolados ou fechados em si; mais pelo contrário em relação directa ou não com outros da mesma espécie. A 4ª Separar os fenómenos das Manifestações Individuais:

esta regra está de algum modo ligada a primeira, diz que na análise dos factos sociais, deve-se esforçar em analisá-los sobre um ângulo separado das manifestações dos próprios indivíduos.

Por último, este autor diz que na sociedade existem factos normais e os patológicos, cada um destes é definido em cada sociedade e época específica. Normais são os que ocorrem sempre em qualquer

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tipo de sociedade ao longo do tempo, sendo então percebidos pelos actores sociais deste contexto. Contrariamente os patológicos são factos não gerais que também ocorrem na sociedade, sendo praticadas por uma parte da sociedade e representa um desvio em relação ao padrão de comportamento social.

Max Weber

A linha de pensamento deste autor representa uma tentativa de conciliação de posições divergentes no debate de reflexão social. Ele estava interessado essencialmente em perceber o sentido da acção dos indivíduos em sociedade, ou seja, isto porque a sociedade é para ele “um conjunto de indivíduos em que cada um pratica a sua acção a partir dos outros, ou seja, a acção social”. A acção social significa que as escolhas ou atitudes dos indivíduos, são sempre influenciadas pelos outros, no sentido de que cada indivíduo antes de agir pensa no outro e é este pensar no outro que acaba definindo a sua decisão.

No seu entender e contrariamente a outros autores do seu tempo considera que era impossível o estabelecimento de leis ou regras gerais nas ciências sociais, visto que a história da sociedade é dada pela dinâmica das relações entre indivíduos e a sua compreensão implica analisarmos estes indivíduos, através de métodos que se mostrem eficazes para tal análise. Assim, nega que a Sociologia deveria estabelecer leis gerais, mais pelo contrário buscar a compreensão da própria sociedade. Igualmente diz que ao compreendermos cada sociedade não devemos ter excesso de particularismo.

Seu pensamento é enquadrado na chamada Sociologia Compreensiva, no sentido de buscar a compreensão interpretativa da acção social e seus sentidos, pois que cada indivíduo atribui sentido as suas acções. Portanto tal sentido da acção não seria atribuído pelo observador (sociólogo), mais sim pelo indivíduo que protagoniza esta. Deste modo, a Sociologia faria uma compreensão interpretativa da acção social e chegar a explicações causais e possíveis efeitos da mesma.

Ainda segundo o autor, na acção social existe um elemento social importante que é o poder não como um aspecto de autoridade, mais sim no sentido que o indivíduo pode impor a sua vontade numa acção. Os indivíduos a partir de métodos próprios vão adquirindo uns mais do que os outros, o que faz com que surja então o capitalismo e consequente transformação da sociedade.

Ao colocar o trabalho como actividade acima de tudo e todos, os homens assumem necessariamente que devem servir a alguém e daqui resulta que o trabalho será elemento de alienação e consequente divisão destes em classes sociais; em que uma será

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detentora de tudo e outra de nada, que levará esta última a servir a primeira.

Karl Marx

Destaca-se por ter vivido no século XIX e ser considerado como sendo economista e sociólogo do regime capitalista, tendo uma teoria sobre este regime, situação em que colocava os indivíduos e bem como o seu destino/fim último. Em seus textos podemos encontrar abordagens sociológicas interessantes, sobre questões que caracterizam a sociedade de seu tempo. Em seu entender, no processo de produção social da própria existência, os homens entram em determinadas relações necessárias, independentemente da sua vontade.

Estas relações de produção correspondem a determinado desenvolvimento das forças produtivas materiais. A totalidade das relações produtivas correspondem a estrutura económica da sociedade e é a base a partir da qual se eleva a superstrutura jurídica e política que representam formas sociais específicas de consciência. Portanto, no pensamento deste autor o modo de produção material condiciona o processo de vida social, político e intelectual de uma sociedade. Quer dizer, não é a consciência dos indivíduos que determina o seu ser, mais pelo contrário é o ser social que determina a sua consciência.

Assim, a dada altura de desenvolvimento social as forças produtivas da sociedade se contradizem com as relações de propriedade existentes e onde elas se desenvolveram, surgindo a partir daqui entraves nestas relações. Ele concebe então que a história de toda e qualquer sociedade é a história de luta de classes, e que desta luta resulta numa transformação revolucionária de toda sociedade ou pela destruição de ambas classes.

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Exercícios

Auto-avaliação

1 – Define a Sociologia?

Resposta: Sociologia como o estudo científico das relações sociais, das formas de associação, destacando-se os caracteres gerais comuns a todas as classes de fenómenos sociais, fenómenos que se produzem nas relações de grupos entre seres humanos.

2-

características principais?

Resposta: facto social é toda maneira de sentir ou agir, fixa ou não que seja susceptível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior que seja geral numa determinada sociedade, tendo uma existência própria independemente das manifestações individuais que possa ter. As características são: generalidade (acontece com todos membros da sociedade), exterioridade (está fora do indivíduo

estudo da Sociologia e aponte suas

Define

o

objecto

de

e não depende deste) e coercibilidade (é obrigatório que o indivíduo o faça independetemente da sua vontade).

3- Indique os fundadores da Sociologia?

Resposta: os fundadores da Sociologia são: Augusto Comte, Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx.

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Unidade N 0 04-A0017

Tema: Teorias Sociológicas Contemporâneas

Introdução

Existem diferentes teorias que marcam a Sociologia entanto que ciência social, sendo que parte destas encontram-se directamente ligadas a parte dos pensadores que foram anteriormente estudados por nós tais como:

Marx, Weber, Durkheim, entre outros. Assim, falar das teorias sociológicas contemporâneas implica contextualizar as linhas ou tendência de debate que marcam esta na actualidade. São abordagens actuais que nos ajudam a ler os factos sociais das sociedades contemporâneas a luz de novos fenómenos que vão ocorrendo nestas e que as anteriores teorias teriam de certo modo dificuldades em explicar, pelo que estas se mostram como uma alternativa ao fenómeno.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Indicar algumas das abordagens contemporâneas da Sociologia.

Sumário

A Teoria Funcionalista

O que caracteriza as teorias funcionalistas na análise da sociedade, é o

facto de considerarem que quer conscientemente ou não as instituições e fenómenos sociais desempenham uma determinada função na própria

sociedade ou contexto do qual provém, e que só pode m ser devidamente entendidos se tivermos em conta este contexto de emergência. Para alguns autores, este conceito de função elaborado por esta teoria é considerado problemático em dois sentidos, visto que por um lado

quando se fala de função tem-se a ideia que todo e qualquer elemento e instituição neste meio é útil, necessário e indispensável a sobrevivência

ou manutenção da sociedade como um todo.

Por outro lado, a noção de função leva em conta o facto de determinado elemento ou instituição pode aparentar não desempenhar nenhuma função por não servir os interesses de ninguém, pois não serve os interesses de nenhum agente ou grupo social, mas contudo este elemento ou instituição possui sim uma utilidade oculta, mais que acaba contribuindo em grande

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medida para a preservação, harmonia e funcionamento da própria sociedade. Neste sentido, o funcionalismo admite por hipótese que os diferentes elementos da sociedade encontram-se em relação uns com os outros e que cada um destes quer de modo consciente ou não desempenha uma função para a sobrevivência da própria sociedade, ou seja, cada elemento pode parcialmente ajudar a explicar os outros e simultaneamente ser explicados por estes.

Por conseguinte, seguindo este argumento funcionalista percebemos que qualquer mudança num dos elementos do sistema social, leva invariavelmente a alteração de toda sociedade, visto que este elemento desempenha uma função que pode ser manifesta ou oculta e contribui para subsistência da totalidade.

Teoria Voluntarista da Acção

Esta teoria foi exposta por Talcott Parsons em forma de comentários as obras de pensadores economistas e sociólogos tais como: Marshall, Durkheim, Pareto e Weber. Parsons, analisou criticamente os pensamentos destes autores e a partir daqui formulou a sua teoria voluntarista da acção, considerando que toda acção humana não se resume a uma resposta a um determinado estímulo (tal como defendiam os behavioristas) mais pelo contrário como uma acção dotada de sentido para o próprio indivíduo, e que este sentido pode ser diferente daquele atribuído por quem observa.

Assim, cada acto está ligado a outros actos em forma de rede, pelo que dá-nos a noção de sistema concebida como uma rede de relações. Os sistemas teriam duas propriedades nomeadamente por um lado o facto de criarem relações sociais a partir de expectativas que se impõem aos actores sociais nas relações mútuas que estabelecem, e por outro o grupo em si, olhando a maneira como é instituída e preservada a própria coesão do grupo. A sociedade era para este autor um sistema que se estrutura a partir da diferenciação e interdependência simultaneamente. Como sistema, a sociedade teria uma estrutura que seria a parte estável, que permanece além das mudanças; e a função seria o aspecto integrador e dinâmico do próprio sistema.

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Exercícios

Auto-avaliação

1 – Dentre as teorias sociológicas Funcionalista da Voluntarista da Acção?

Resposta: A teoria Funcionalista está baseada no conceito de função, considerando que quer conscientemente ou não as instituições e fenómenos sociais desempenham uma determinada função na própria sociedade ou contexto do qual provém, e que só pode ser devidamente entendidos se tivermos em conta este contexto de emergência, pois que estes se encontram em relação com outros elementos desta sociedade. Enquanto que a teoria Voluntarista da Acção considera que a sociedade é um sistema e que toda e qualquer acção humana é dotada de sentido tanto para o próprio indivíduo e bem como aos demais, pois que a sociedade é simultaneamente um meio de diferenciação e interdependência entre os indivíduos.

a

contemporâneas

diferencie

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Unidade N 0 05-A0017

Tema:

Interacção Social

Introdução

Teorias

Sociológicas

da

Falar sobre a interacção social é no fundo definir aquilo que é a vida em sociedade, que se resume a um processo eminentemente social, na medida para podermos conviver com os nossos semelhantes temos que estabelecer normas de conduta para cada um dos membros. Isto implica dizer que cada um de nós deve ser capaz de atribuir sentido tanto as suas acções e bem como as dos demais, por forma que se possa comunicar.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Perceber o conceito de interacção social e a sua importância no dia á dia nas relações entre os indivíduos.

(a)

Sumário

As acções humanas sempre guiadas pela necessidade dos indivíduos poderem se relacionar entre si, por forma a garantir a sua reprodução tanto social e como biológica. Para que tal seja possível, é necessário que os membros de uma sociedade partilhem os mesmos valores e crenças, por forma a que possa orientar suas acções tendo em conta as expectativas dos demais. As teorias interaccionistas, aparecem por volta dos anos 50 nos EUA, e tem a particularidade de colocarem o indivíduo como referência da problemática da relação sociedade e indivíduo.

TEORIA INTERACIONISMO SIMBÓLICO DE GEORGE MEAD

Este pensador tem a particularidade de começar a sua teoria se opondo ao behaviorismo e para tal faz uma clara distinção entre formas de comportamento dos infra-humanos (que se refere aos animais irracionais e crianças) e formas de comportamento humanos. O elemento fundamental e determinante para esta distinção está na linguagem, que é vista como expressão da

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capacidade reflexiva dos indivíduos. Nas palavras do autor “a pessoa tem um carácter distinto do organismo fisiológico propriamente dito. A pessoa é algo que possui desenvolvimento:

não está inicialmente presente no nascimento, mas surge nos processos da experiência e das actividades sociais, quer dizer, desenvolve-se na sequência das suas relações…” (Mead; 1934:

135, op cit. in: Ferreira et al, 1995: 297)

Mead opera a partir de três conceitos fundamentais nomeadamente:

Mind, Self e Society. Self seria o próprio indivíduo, enquanto que mind a consciência reflexiva e society seria o contexto em que acção se desenvolve, ou seja, society era a actividade social. Sua questão fundamental era a de perceber como é que se forma e se desenvolve o self, pelo qual os indivíduos adquirem a consciência reflexiva e de que modo é que actividade social é determinante nesta construção.

A resposta a esta questão seria segundo Mead estaria na

singularidade da actividade social, que radica na existência de símbolos, ou seja, é partir dos símbolos e com os símbolos que os indivíduos interagem e atribuem sentido a sua própria experiência com os demais. Mais a aquisição de símbolos não seria uma coisa natural como parece, mais pelo contrário resultaria do processo de socialização em que pela linguagem as pessoas adquirem as normas, crenças, valores, etc; o que lhes permite por conseguinte viver na sociedade.

A socialização dava-se na perspectiva de Mead em três fases

distintas sendo a primeira fase a mais primitiva da construção do self e caracteriza pela imitação de papéis sociais, em que a criança

busca imitar as pessoas que lhes são próxima e normalmente são os pais. Segunda fase é a chamada fase de jogo, em que a criança adquire a capacidade interpretativa, em que a partir da aprendizagem das diferentes expressões da linguagem ele é capaz

de diferenciar os objectos a sua volta rotulando-os, e ao fazer

partilha com os demais o significado e sentido destes objectos.

A última fase é a da representação em que se caracteriza pela necessidade de organizar e assumir dentro da experiência individual a perspectiva dos outros. Quer isto dizer que o indivíduo deve saber qual é o seu papel social e que este deve ser reconhecido em si pelos demais membros da sociedade. A sociedade não passaria de um processo comunicacional desenvolvido pela interacção simbólica dos indivíduos. É aqui onde os indivíduos partilham significados comuns (pois ela é uma actividade cooperativa).

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Teoria Dramatúrgica do Quotidiano de Erving Goffman

Este pensador apresenta uma perspectiva relativamente diferente de Mead, pois que ele busca ver como é que se organiza a experiência do quotidiano, ou seja, o modo como um actor social pode colocar na sua mente em termos de experiência e não da organização da sociedade. Isto não implica dizer de modo algum que Goffman ignore as dimensões macroestruturas da sociedade, mais pelo contrário, que seu objectivo era pura e simplesmente analisar a estrutura de relação entre dois ou mais indivíduos numa situação de co-presença física.

Portanto, seu objectivo é tornar analiticamente viável o estudo dos fenómenos de interacção face a face, por serem questões reais e não abstractas e tal como qualquer fenómeno social merecia ser estudado cientificamente. Goffman considerava que na interacção social em situações de co-presença física os aspectos tidos como do domínio meramente íntimo, privado e de natureza singular do indivíduo, é algo que é regulado socialmente.

Goffman considera que a interacção social não é necessariamente uma simples actividade cooperativa entre os indivíduos, que garante a adaptação do indivíduo a sociedade, mais pelo contrário é a representação pela qual o eu (o indivíduo singular) se transforma em vários eu (outros indivíduos). Segundo ele, a vida em sociedade era equiparada ao teatro em que os indivíduos quando actuam desempenham determinados papéis de várias personagens; pelo que estes usariam diferentes estratégias e técnicas de actuação.

Assim,

ele

diz

que

existem

níveis do

palco

onde

decorre

a

fachada/encenação,

nomeadamente

o

front que é

conjunto

de

identificar

pessoais

(personal front) para identificação da personagem, a aparência (appearence) que tem a ver com postura, tipo de roupa, etc. que indica claramente o estatuto social da personagem e os modos (manners) que mostram o tipo de papel que actor irá desempenhar.

concretamente

elementos que permite a quem assiste a peça/cena

a

acção,

que

dependem dos

adereços

Em segundo lugar encontramos settings que são as características físicas do cenário que serve para sustentar a credibilidade dos adereços pessoais. Quer dizer, se o cenário de encenação sugere uma igreja, é suposto que pelo modo de estarem vestidos e agir, se possa reconhecer nos actores um padre, acólito, e crentes. E por último o backstage que é o local em que o público não tem acesso e personagem pode agir a seu belo prazer, pois já não tem que usar máscara por se encontrar longe do olhar do público.

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Neste sentido, para Goffman, a interacção social para além de ser essencialmente um processo de acção comunicativa, depende do modo como o indivíduo interpreta o universo simbólico por forma

a preservar a sua própria identidade. Pode-se então resumir a perspectiva deste autor mostrando que:

a)

A sociedade organiza-se segundo o princípio de que todo indivíduo que possui certas categorias sociais, tem o direito moral de esperar que os outros o valorizem e o tratem de modo adequado.

b)

O indivíduo que implícita ou explicitamente pretende ter certas categorias sociais deverá comportar-se na realidade de acordo com aquilo que diz ser.

c)

O indivíduo tem sempre um conhecimento tácito das normas e das regras que regem uma determinada situação social.

d)

O indivíduo interage consigo e com os outros através de um processo comunicativo mediatizado pela sua capacidade interpretativa do seu universo simbólico em que se insere.” (Ferreira et al., idem; 305).

Assim, para este autor a cada situação de co-presença física poderíamos encontrar diferentes tipos de interacção social que podem ser ocasião social que é um acontecimento que se percebe como uma unidade que se dá no momento e lugar específico, tal como num espectáculo. Situação social que é o controlo recíproco que surge no momento em que dois ou mais indivíduos se encontram em co-presença física tal como durante uma reunião de trabalho ou aula.

E por último o encontro social que resulta de uma situação em que

sem que os indivíduos a tenham previsto se reparam mutuamente, tal como acontece num autocarro. O que faz a interacção social para este autor vai ser portanto a necessidade de interagir com os demais em sociedade por um lado e por outro a de se distinguir e singularizar dos demais, ou seja, é um processo de gestão da própria identidade social, através da adequação da imagem virtual/ideal á imagem real/efectiva (que é aquilo que o indivíduo acredita ter de diferente em relação e que o diferencia dos outros).

Daqui resulta um aspecto importante também abordado por Goffman e também pela Sociologia em grande medida que é o estigma, que corresponde a um atributo que para além de pessoal é igualmente uma forma de designação social, na medida em que corresponde a uma relação entre um atributo e um estereótipo social que permite estabelecer diferenças entre indivíduos. Portanto, o autor considera que a sociedade é que estabelece meios

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de categorizar as pessoas, a partir de certos meios considerados comuns e naturais para os membros destas categorias.

É a partir do estigma que algumas pessoas são ou não consideradas

normais ou patológicas, quer seja pelo tipo de comportamentos (ser homossexual, alcoólatra, drogado, maluco etc.), traços físicos (ser cego, anão, deficiente físico, etc.) e aspectos sociais como a religião, nacionalidade, etc; que servem de condição para que as pessoas sejam ou não aceites em determinados meios sociais. Isto acontece não porque o estigma (o traço em si) seja ou tenha algo de

errado, mais sim pelo facto de que a socialmente ele é assim visto em cada sociedade.

Deste modo, um estigma pode servir para juntar os indivíduos

portadores deste traço por se considerarem excluídos em relação a uma outra maioria numa certa sociedade.

É assim que o estigma pode então ser manipulado pelo próprio

indivíduo em função do contexto em que se encontra a interagir,

pois que ele pode ou não fazer corresponder a imagem real e a ideal.

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Exercícios

Auto-avaliação

1 – Mead no seu estudo da interacção social centrou-se na relação entre indivíduo e sociedade. Como é que se dava a socialização segundo este?

Resposta: Para este autor, a socialização dava-se em três fases distintas sendo a construção do self que se caracteriza pela imitação de papéis sociais (a criança busca imitar as pessoas que lhes são próxima e normalmente são os pais), segue-se a fase de jogo, em que a criança adquire a capacidade interpretativa, isto a partir da aprendizagem das diferentes expressões da linguagem ele é capaz de diferenciar os objectos a sua volta rotulando-os, e ao fazer partilha com os demais o significado e sentido destes objectos. Por último, a da representação que se caracteriza pela necessidade de organizar e assumir dentro da experiência individual a perspectiva dos outros, quer isto dizer que o indivíduo deve saber qual é o seu papel social e que este deve ser reconhecido em si pelos demais membros da sociedade.

2- Qual a razão de Goffman apelidar a sua teoria de dramatúrgica?

Resposta: Goffman assim apelidou a sua teoria pelo facto de que a interacção no seu entender se assemelhar a uma peça de teatro, em que pelo facto de decorrer num palco os actores apenas representam um determinado papel, e que este papel deve pelos seus traços e local em que decorre permitir distinguir o actor a situação ou seja o papel, e que este personagem quando fora do palco volta ser ele mesmo.

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Unidade N 0 06-A0017

Tema: As Desigualdades Sociais

Introdução

É absolutamente impossível falarmos da Sociologia sem fazer alusão a questão das desigualdades sociais, uma vez que este fenómeno para além de ser tratado em profundidade por esta disciplina é algo presente em toda e qualquer sociedade, para além de constituir preocupação dos governos, havendo medida políticas próprias para se combater este mal social.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Definir o conceito de desigualdade social.

Identificar os tipos de desigualdades sociais.

Sumário

Falar sobre desigualdades sociais implica antes de mais a sua correcta definição desta entanto que conceito, uma vez que esta pode ser vista em diferentes dimensões, o que dificulta ainda mais a sua conceptualização.

Em geral devemos perceber que a desigualdade social não se refere a uma simples diferença entre indivíduos, uma vez que certas diferenças entre indivíduos de uma sociedade podem se mostrar irrelevantes em termos sociológicos, visto que elas podem não influenciar de modo algum as posições sociais que estes ocupam na estrutura da sociedade. Assim, para se falar de desigualdades sociais no sentido sociológico é necessário que tais diferenças entre indivíduos impliquem de algum modo desigual acesso aos bens, serviços e oportunidades, e que cuja causa explicativa se encontre nos mecanismos da própria sociedade.

Na literatura a desigualdade social tem diferentes asserções, dependendo do ponto de vista de cada autor. Por exemplo, Roger Girod diz que desigualdade social “consiste na repartição não uniforme, na população de um país ou de uma região, de todos os tipos de vantagens e desvantagens sobre as quais a sociedade exerce uma qualquer influência.” (Girod, 1984: 3; op cit. In:

Ferreira, idem: 325). Numa perspectiva semelhante, Anthony Giddens olha esta como “um conjunto de desigualdades

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estruturadas entre diferentes grupos de indivíduos.” (Giddens, 1993: 212; op cit. In: Ferreira, ibidem).

Olhando para estas abordagens destes autores pode-se então perceber que é a sociedade quem cria e estabelece esta e por conseguinte ela não seria algo natural. Assim, pode-se definir então a desigualdade social como sendo uma diferença socialmente criada e condicionada aos bens e serviços, ou seja, aos recursos dentro de uma sociedade. Quer isto dizer que a possibilidade dos indivíduos dentro de uma sociedade poderem ter mais ou menos riqueza, ocuparem posições de direcção e chefia, etc., é por vezes já condicionada pela própria sociedade. Ela pode ser analisada tanto sob ponto de vista individualista (centrada no sujeito) e colectivista (ao nível do grupo).

Tipos de Desigualdades Sociais

As desigualdades sociais podem ser analisadas olhando para as

tipologias que a constituem em diferentes tipos, podendo estas ser

as desigualdades Socioeconómicas em que o aspecto desigualitário

entre indivíduos ou grupos tem a ver com o acesso que estes tem aos bens e serviços na sociedade, que é condicionado pela riqueza, rendimentos e bem como o nível de vida.

Também encontramos as desigualdades Socioprofissionais que tem

a ver com o tipo de profissão que os sujeitos desempenham,

posição destes perante a propriedade (ser dono ou trabalhador), poder de decisão na empresa, diferença de nível de escolaridade e qualificação profissional. Podemos identificar outro tipo de desigualdades que escapa a esta lógica económica e profissional que é a de Género que está directamente ligada ao facto dos indivíduos pertencerem a determinado sexo biológico que tanto pode ser masculino ou feminino.

Neste sentido, as vantagens e desvantagens que possam ocorrer na sociedade, resultam necessariamente do facto de existirem direitos e oportunidades específicas a cada um destes grupos. Encontramos ainda as desigualdades de Idade em que o factor estruturante são as idades, ou seja, o facto de ser jovem ou idoso pode conferir determinados privilégios aos sujeitos. Temos ainda a desigualdade de Raça e Etnia em que como já diz o próprio nome, a raça de cada indivíduo e bem o grupo étnico a que este pertence é elemento fundamental para ceder ou não privilégios a estes.

É importante notar que estes tipos de desigualdades aqui apresentados não se encontram objectivamente separados, mais pelo contrário estes regra geral operam em estreita ligação, ou seja,

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é possível num determinado momento para um indivíduos de uma certa idade, raça, condição económica, profissão e sexo serem restringidos aos bens e serviços na sociedade em que se encontrem.

Exercícios

Auto-avaliação

1 – De acordo com seus conhecimentos, define desigualdades sociais ?

Resposta: De acordo com os conhecimentos adquiridos posso definir a desigualdade social como sendo uma diferença socialmente criada e condicionada aos bens e serviços, ou seja, aos recursos dentro de uma sociedade.

e explique os tipos de desigualdades sociais que

conhece?

Resposta: existem vários tipos de desigualdades sociais nomeadamente: a Socioeconómica que tem a ver com diferenças entre indivíduos ou grupos no acesso aos bens e serviços na sociedade. Socioprofissionais tem a ver com o tipo de profissão que os sujeitos desempenham, posição destes perante a propriedade (ser dono ou trabalhador), poder de decisão na empresa, diferença de nível de escolaridade e qualificação profissional. De género está ligada ao facto dos indivíduos serem do sexo masculino ou feminino. Idade a idade é factor de desigualdades, isto é, ser jovem ou idoso confere certos privilégios aos sujeitos. E por último a de Raça e Etnia tem a ver com a raça de cada indivíduo e o grupo étnico de cada indivíduo.

2-

Indique

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Unidade N 0 07-A0017

Tema: Teoria de Classes Sociais e Estratificação Social

Introdução

A questão das classes sociais e bem como estratificação social não se modo algum novas na sociologia entanto que abordagens teóricas e muito menos como fenómenos com manifesta presença e visibilidade social ao longo dos tempos. Regra geral, esta questão tem sido de algum modo incluída na discussão a volta das desigualdades sociais, quando no fundo são questões distintas apesar de intimamente ligadas entre si.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Identificar as principais teorias sociológicas sobre classes sociais e estratificação social.

Sumário

Existem inúmeras teorias sobre as classes sociais e estratificação, sendo que estas vem desde já há bastante tempo, tendo como traço comum o facto de inspiram-se em Marx, que como sabemos é uma das referências incontornáveis na Sociologia, que na sua abordagem a volta da sociedade defendia que esta se encontrava dividida em classes sociais. Assim, em maior ou menor grau as teorias sobre classes sociais ligam-se a Marx, e outras estão ligadas a outro influente na Sociologia que é Weber com a sua teoria de estratificação social; e por fim temos as chamadas teorias mistas por juntarem elementos quer sejam de Marx e de Weber.

A Teoria Marxista

Para Marx, as classes sociais como tendo uma realidade na sociedade que resulta naturalmente do processo produtivo, em que os indivíduos estabelecem entre si relações sociais de produção, que se encontram enraizadas na infra-estrutura económica. A

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definição de classe é relacional na medida em que estas encontravam-se inter-relacionadas no seu processo produtivo e por conseguinte a definição de uma classe e bem como a consciência

de pertencer a esta por parte dos indivíduos era feita na relação com

a outra.

Estas classes apesar de se relacionar entre si, possuíam uma relação eminentemente conflituosa, visto que os interesses que cada uma deles defende e almeja eram antagónicos. Nesta processo de produção em que estas classes se relacionavam havia uma que explorava e domina a outra, e que esta domínio resultava da posse dos meios de produção. A burguesia era a classe que possuía meios de produção e por conseguinte explorava o proletariado que apenas detinha a mão-de-obra. Assim, a burguesia era a classe dominante e

o proletariado a dominada.

Teoria Neomarxista

Tal como nome já sugere, esta teoria tem seu fundamento em Marx, com a particularidade de possuir dois grandes objectivos nomeadamente resolver algumas das lacunas contidas na abordagem de Marx que tem a ver como dificuldades resultantes dos critérios objectivos de identificação de classes sociais por um lado, e por outro trazer e situar teoricamente alguns dos aspectos novos trazidos pelo século XX para identificação de classes nas sociedades contemporâneas.

Segundo esta teoria, relativamente aos pontos difíceis da obra de Marx para indicação de classes, consideram que os mesmos tem a ver com o inacabamento da obra deste autor, ou seja, Marx não chegou a concluir esta questão na sua obra o que abre espaço para diferentes interpretações. Contudo, esta teoria diz que para o autor não era apenas a posse dos meios de produção que permitiam a identificação de classes, mais também aspectos tais como a ideologia e política ajudam a identificar as classes sociais. Apesar de existirem outros aspectos que interferem na determinação de classes sociais, era efectivamente a economia o factor determinante.

Neomarxista consideram que nas sociedades contemporâneas a determinação de classes sociais tem a ver com factores mistos tais como a economia (processo de produção), os aspectos políticos e ideológicos que perfazem a chamada super estrutura. Portanto, segundo estes autores por vezes o aspecto político e ideológico isoladamente permitiam por si só determinar a existência de classes sociais. Um outro ponto relevante trazido por estes autores e que não estava previsto pela abordagem marxista tem a ver com a classe média, que para além de ser um fenómeno novo na época contemporânea, passou a ter visibilidade e importância social.

Igualmente temos segundo os neomarxistas grupos sociais que não são nem burgueses e nem proletários, tendo em conta as

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características que apresentam tal como o facto de serem gestores de empresas, possuírem formações académicas que lhes conferem algumas vantagens na sociedade, entre outros aspectos.

Teoria Funcionalista da Estratificação

Esta teoria tem como seu pressuposto básico que a desigualdade social é algo que se encontra enraizado na sociedade, de tal modo que não existe uma sociedade que possa sobreviver em perfeitas condições de igualdade entre os seus membros. Assim, as desigualdades sociais seriam úteis e necessárias uma vez que permitiam uma interdependência entre os indivíduos e por conseguinte esta garantiria o dinamismo e integração dos indivíduos. Portanto, ao invés de ser um mal a desigualdade social era útil e necessária.

A sociedade comporta profissões com uma importância funcional diferente, sendo que existem profissões mais e menos importantes, para além de que só determinadas pessoas possuíam aptidões para desempenhar certas actividades. Assim, é no seu funcionamento normal que a sociedade vai se estratificando ou criando desigualdades sociais, uma vez que ela confere importância diferencial aos indivíduos que ocupam determinados cargos e assim criam-se desigualdades. É exactamente isto que faz a sociedade sobreviver e integrar os seus membros, pois que passam a existir pessoas para ocupar todas as profissões na sociedade.

Estes autores definem então a estratificação social como sendo um “conjunto de recompensas diferenciais. São os diferentes recursos, materiais ou simbólicos que as sociedades atribuem aos indivíduos em função da posição que ocupam , que os vai situar na escala de estratificação e configurar o mecanismo de desigualdades.” (Ferreira, ibidem; 354). Ainda segundo esta teoria, a estratificação social em diferentes sociedades e épocas não são de modo algum equivalentes, pois que cada uma delas atribui importância diferente a cada profissão, o que explica o prestígio que cada uma destas possa ter em cada sociedade ao longo do tempo.

Exercícios

Auto-avaliação

1 – Quais as teorias de desigualdade e estratificação que conhece?

Resposta: as teorias de desigualdade e estratificação que conheço são:

Marxista, Neomarxista e a Funcionalista de Estratificação.

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Unidade N 0 08-A0017

Tema: Processo de Mobilidade Social

Introdução

Mobilidade social é um dos aspectos que igualmente caracteriza o debate sociológico a semelhança de questões tais como a desigualdades sociais, interacção social, classes sociais, entre outros aspectos. É indubitavelmente um dos aspectos que pese embora não seja perceptível a todos no dia-a-dia ou tenha tratamento por parte de todos os teóricos, existe em toda e qualquer sociedade

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Definir o conceito de mobilidade social.

Identificar os conceitos a ele relacionados.

Sumário

Conceito de Mobilidade Social

A discussão a volta da mobilidade social entanto que fenómeno

observável em toda e qualquer sociedade é antigo e não recebe a mesma conceitualização por parte dos diferentes pensadores em

épocas e contextos diferentes. Existe autores que consideram que este é um processo que depende apenas do esforço do próprio indivíduo, outros consideram que esta varia de acordo com o tipo

de organização ou grupo social e finalmente os que consideram que

esta não ocorre sendo que a regra é a manutenção nos lugares

sociais em que já se encontram, devido a um mecanismo poderoso

de reprodução dos grupos.

Esta diferenciação nas abordagens, é explicada em parte pela percepção sobre o próprio conceito de mobilidade social. De forma bastante simplista podemos ver este como sendo uma mudança de posição social, isto quer dizer, como os indivíduos fazem parte de grupos, classes ou estratos na sociedade eles podem passar de uma posição ascendente para uma descendente ou o inverso. Tal

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mudança ocorre durante a vida de um indivíduo ou em várias gerações, podendo representar um acto biográfico isolado ou organizado a partir da acção de um grupo de indivíduos, tendo como resultado o melhoramento (ascendência) ou agravamento (descendência) das condições de vida.

A mobilidade também pode ser realizada de uma zona geográfica (migrações) a outra, ser algo fortuito ou uma realidade constante, sendo que apesar destas circunstâncias ela invariavelmente tem a ver com mudança de lugar, posição, estatuto socioeconómico, etc. Se não delinearmos claramente este conceito, corremos o risco de classificar todo e qualquer processo como sendo de mobilidade social. Outro aspecto importante aos que os teóricos chamam atenção é que a mobilidade tem a ver com tipo de sociedade, sendo que existem contextos ditos fechados em que as possibilidades desta ocorrer já estão a priori limitadas.

São sociedades em que o nascimento do indivíduo num certo grupo, equivale a um destino pré traçado, os valores culturais dos grupos que constituem esta sociedade são claramente diferenciados o que dificulta ainda mais a sua assimilação por parte dos outros. Inversamente temos sociedades ditas abertas em que as chances de mobilidade existem tanto para os grupos e bem como aos indivíduos dada a estrutura da própria sociedade, os traços culturais se assemelham, as desigualdades são de facto e não de direito, entre outros aspectos. Isto mostra que existem sociedades mais móveis do que outras tendo em conta as suas especificidades.

Por tudo quanto foi aqui dito a volta da mobilidade entanto que processo social, convém então definir este, podendo ser visto como a passagem de um indivíduo ou grupo de uma posição social para outra, dentro de uma constelação de grupos e estratos sociais, e que tanto pode ser ascendente ou descendente na sociedade.

Conceitos Auxiliares da Mobilidade Social

Fora dos conceitos teóricos sobre mobilidade social, existem vários termos operatórios que ajudam a explicar e perceber o fenómeno a vários níveis. Assim, temos a mobilidade vertical e a horizontal, que pressupõem uma escala hierárquica na sociedade. Vertical pressupõe uma mudança na classe ou estrato que seja vista como subida ou descida/ascendente ou descendente dentro da escala social. Enquanto que a Horizontal é a mudança de localização que não implica qualquer tipo de alteração social, tal como uma mudança de profissão ou de região/habitação.

Encontramos a mobilidade Intrageracional e a Intergeracional, que tal como o próprios nomes dizem apontam para uma mudança que

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indivíduo ou grupos fazem ao longo do seu ciclo de vida e bem como transmissão de estatuto entre diferentes gerações. Intrageracional é a mobilidade que um único indivíduo realiza, enquanto que Intergeracional é a mobilidade que um indivíduo realiza na relação com outro ou grupo de indivíduos.

Podemos falar de mobilidade Estrutural que é quando há uma evolução geral da sociedade como um todo (exemplo a mudança do sistema produtivo na sociedade) e mudança não tem a ver com vontade de um único sujeito e sim com mecanismos estruturais da sociedade. Mobilidade Líquida representa o oposto da anterior, pelo que existem indivíduos que por vontade própria mudam de posições devido a sua iniciativa individual. Temos ainda a mobilidade Bruta ou Total que é no fundo a junção das duas anteriores, sendo que ela ocorre tanto por mudanças ou mobilidades que acontecem por factores ou razões estruturais e bem como por iniciativa individual.

Exercícios

Auto-avaliação

1 – Define o conceito de mobilidade social?

Resposta: Existem diferentes asserções a volta deste conceito, sendo que objectivamente este é definido como sendo uma passagem de um indivíduo ou grupo de uma posição social a outra, dentro de uma constelação de grupos e estratos sociais, podendo esta ser ascendente ou descendente na sociedade.

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Unidade N 0 09-A0017

Tema: Teorias sobre Mobilidade Social

Introdução

Apesar de ser uma questão antiga e com presença na sociedade ao longo dos tempos, a explicação em termos teóricos da mobilidade social entanto que processo não tem sido tão simples o seu enquadramento nas teorias sociológicas. Isto decorre em parte do facto dela não estar no centro das atenções dos clássicos debates do século XIX, visto que pensadores tais como Marx, Durkheim, Weber, Pareto, entre outros terem se debruçado a volta de outros temas tidos como de maior impacto.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Identificar as principais teorias de mobilidade social.

Sumário

Dentre as teorias existentes sobre a mobilidade social temos a destacar em primeiro plano a marxistas e da reprodução e a funcionalistas.

A Teoria Marxista e da Reprodução

Segundo esta teoria que tem fundamento na sociedade classista dividida entre os detentores dos meios de produção e não detentores vemos que os modos de produção para poderem se reproduzirem dependem dos mecanismos de dominação de classe, ligados aos interesses das classes dominantes capitalistas ou não. Podem ser instrumentos de dominação económica, política e ideológica.

Uma vez que a sociedade está estruturada em classes sociais com interesses claramente contraditórios, as relações entre estas classes são caracterizadas como relações baseados no poder, e assim para se poder manter na situação de domínio os burgueses devem

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obviamente desenvolver estratégias que garantam o seu domínio de forma contínua ao longo do tempo por forma a perpetuar o sistema.

Ainda segundo Marx, entre as classes haviam um grau de mobilidade social que acabava criando uma dinâmica na própria sociedade. Na classe dominada os indivíduos tendiam a investir individualmente na ascensão social criando deste modo uma fragilidade dentro do grupo com redução da consciência colectiva; pelo que era a classe dominante que aproveitando-se deste factor acabava por reforçar cada vez mais ainda o seu domínio, pois que indivíduos da classe dominada passavam a fazer parte da classe dominante reforçando este grupo.

Outro autor que igualmente usa o pensamento de Marx na linha da reprodução de classes é Pierre Bordieu que considera que para além da reprodução da classe dominante ao nível económico pela herança dos meios de produção, também temos a reprodução sócio cultural que é garantida pela escola, entanto que instrumento desta reprodução.

No essencial as teorias de reprodução social põem de lado a questão da mobilidade social, uma vez que esta é vista como um factor que para além de limitado por se dar numa escala baixa, tem a ver com indivíduos isoladamente e não acaba com a estrutura de desigualdade social existente num determinado contexto.

Teorias Funcionalistas

Esta teoria assenta na ideia de que a sociedade é feita por estratos sociais distintos, sendo que cada um destes de algum modo desempenha uma função dentro do sistema de forma relacional com os demais grupos.

Segundo Sorokin um dos defensores desta corrente, diz que em primeiro lugar a estratificação era algo inevitável, pois que por um lado a sociedade necessitava de um conjunto de ocupações cuja importância colectiva era diversa conforme fossem tarefas de coordenação ou não, e por outro lado o desempenho de certa ocupação exigia competências particulares. Por conseguinte, era aceitável que para certos cargos sociais de destaque houvesse mais privilégios e poder.

Em segundo lugar, a reprodução da sociedade era garantida através dos “mecanismos de orientação”, em que se avaliam as necessidades da estrutura social e seleccionam-se indivíduos para ocuparem tais lugares. Este mecanismo era funcional para a estabilidade do sistema.

Daqui resulta uma elevada mobilidade social individual e a consequente composição fluida dos grupos ocupacionais. Ele considera ainda que se numa determinada sociedade a classe dominante não canaliza parte dos privilégios e paralise a circulação

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social/mobilidade social, própria sociedade.

Era necessário que houvesse a mobilidade para permitir que alocação apropriada de talentos para certas posições sociais.

poderá por em causa a dinâmica da

Exercícios

Auto-avaliação

1 – Diferencie a teoria marxista ou de reprodução de mobilidade e a teoria funcionalista?

Resposta: a teoria marxista ou de reprodução considera que a mobilidade

era um fenómeno insignificante, uma vez que era vista como factor limitado por se dar numa escala baixa, e ter a ver com indivíduos isoladamente. Ele não acabava com a estrutura de desigualdade social existente num determinado contexto, pelo contrário reforçava o domínio e reprodução da classe dominante.

Teoria funcionalista considera que a estratificação era algo inevitável, e por conseguinte a mobilidade social era útil e necessária pois que permitia que indivíduos dotados e capacitados pudessem ocupar posições fundamentais e que equivalem igualmente aos melhores privilégios. Assim, parar a mobilidade social era por em causa a dinâmica da própria sociedade e seu funcionamento normal pois não teria quadros capacitados para ocupar certas posições.

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Unidade N 0 10-A0017

Tema: Desigualdades Sociais nas Sociedades Contemporâneas

Introdução

Em contextos contemporâneos é difícil falar-se de desigualdades sociais tendo em conta apenas os elementos teóricos trazidos pelas abordagens marxistas e outras que punham a tónica na questão da diferenciação classista tida como que fundamental. Dada a dinâmica do mundo actual, estes elementos tornam-se de difícil visualização e classificação de tais classes em si, pois que existem novos valores que são usados e que definem situações de classe.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Identificar alguns dos eixos explicativos da questão da diferenciação social de classes nas sociedades contemporâneas.

Sumário

As alterações ocorridas na estrutura da sociedade como um todo no século XX originaram novos debates a volta da questão da desigualdade social, uma vez que houve mudança do tipo de actividades económicas predominantes (tal como a passagem duma economia industrial para uma de serviços), mudança na composição dos grupos sociais (redução de pessoas ligadas a indústria para uma nova classe média), e aumento da intervenção do Estado como regulador económico e social, etc.

Novos Eixos de Diferenciação de Classes

A sociedade contemporânea é marcada por um dinamismo peculiar

que faz dela uma realidade diferente sob de vista analítico, pois que novos fenómenos implicam novas estratégias de abordagem.

1º Nível de Inserção Socioeconómica

É importante darmos atenção a questão económica ou a posição dos indivíduos nas relações de produção. Neste sentido, deve-se ter

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em conta a profissão que indivíduo desempenha e bem como o nível salarial por forma a se ter noção da classe em que enquadrar.

2º Nível de Autoridade na Profissão

Deve-se ter em atenção o nível de autoridade incorporado na situação socioprofissional dos indivíduos, em que o indivíduo dirige, faz o controlo de uma organização ou não. É comum vermos pessoas que dirigem mesmo não sendo proprietário das empresas.

3º Nível Educacional ou Qualificação dos Indivíduos

Este elemento é fundamental para que os indivíduos possam em certo momento aceder a um nível de autoridade na profissão e inserções em vários meios e bem como acesso a formas de propriedade. Os diplomas académicos são elementos importantes nas sociedades contemporâneas na medida abrem espaço para várias chances aos indivíduos.

4º Nível das Empresas e Organizações

Neste ponto é necessário saber a dimensão da própria instituição, sabendo se tratasse de uma empresa de pequena, média ou grande dimensão a partir do número de empregados nível de envolvimento

do

proprietário, rendimentos.

Nível de Protecção ou Vulnerabilidade em Relação ao Mercado

O

elemento fundamental neste nível tem a ver com o tipo de

vínculo existente entre o proprietário e trabalhador, ou seja, existência de contracto ou não, durabilidade dos contractos, categorias salariais.

6º Nível de Género, Raça, e Idade

A desigualdade não é estruturada tal como as demais em aspectos

mensuráveis tais como o económico mais pelo contrário a partir de outros altamente subjectivos tais como a raça, etnia, região, idade e

género (sexo) dos indivíduos, e nacionalidade. Contudo, é importante ter em conta que apesar de estar fora da esfera económica estes aspectos normalmente acabam por estar ligado ao meio económico, contribuindo deste modo para que os indivíduos possam ou não pertencer a certas classes.

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Exercícios

Auto-avaliação

1 – Enuncie os novos eixos de diferenciação de classes sociais?

Resposta: nas sociedades contemporâneas encontramos 6 eixos de diferenciação de classes nomeadamente: nível de inserção socioeconómica, autoridade na profissão, qualificação ou educação dos indivíduos, nível das empresas ou organizações, protecção ou vulnerabilidade em relação ao mercado, e nível de género e raça.

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Unidade N 0 11-A0017

Tema: A Mudança Social

Introdução

A Sociologia sempre se interessou pelo estudo do fenómeno de mudança social entanto que processo presente na sociedade, e este interesse resultou em grande medida a revolução industrial e seus efeitos. Ao longo da história a mudança social vai tendo uma dinâmica peculiar o que faz com que a análise deste fenómeno não seja a mesma em épocas diferentes dada a complexidade desta.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Definir conceito de mudança social.

Indicar os precursores da teoria de mudança social.

Identificar algumas das teorias de mudança social.

Sumário

Mudança social entanto que fenómeno social sempre esteve presente na sociedade, e só mais tarde é que passou a ser analisada cientificamente. Regra geral falar de mudança social, é referir-se a um processo de alteração das estrutura básicas que compõem um grupo social ou a sociedade como um todo. Dentre os vários pensadores que se interessaram por esta temática, adoptaram posturas completamente diferentes na análise e explicação deste fenómeno, o que levou ao surgimento de diferentes perspectivas de análise deste.

Podemos encontrar autores que adoptam uma postura evolucionista (século XIX), em que esta é concebida em fases ou estados estruturais, saindo da simples a complexa, da inferior a superior. Igualmente temos autores funcionalistas (século XX) que olham a mudança social como processo de mudança estruturante e funcional, em que temos substituição de grupos sociais simples por mais complexos.

Tendo em conta a sociedade contemporânea, vemos que uma análise puramente evolucionista ou funcionalista estaria condenada

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ao fracasso, uma vez que dinâmica actual implica ter em conta a complexidade dos elementos que afectam e ditam a mudança social em cada sociedade e época concreta.

Precursores da Teoria da Mudança Social

O fenómeno da revolução industrial na Inglaterra e da revolução

Francesa criaram grandes transformações nas sociedades europeias dotadas de alto significado, e que levaram ao surgimento de perspectivas analíticas deste fenómeno. As mudanças culturais económicas, políticas e sociais ocorridas fizeram das sociedades objecto de análise privilegiado, em que elementos demográficos, ideológicos, culturais e económicos eram a base de explicação da mudança social.

Auguste Comte

Foi um dos autores que durante o século XIX se debruçou profundamente a volta da mudança social. Este considerava que as sociedades evoluíam numa linha unilinear, e que a função social da dinâmica social era a de estruturar o progresso da sociedade através do desenvolvimento espiritual dos seres humanos. Para entendermos uma sociedade em diferentes fases da sua evolução, era necessário olharmos não apenas para um aspecto mais sim a totalidade desta, uma vez que impossível percebermos esta quando separada das outras partes, visto serem interdependentes a semelhança dos organismos vivos.

As sociedades passam necessariamente por 3 fases ou estados de desenvolvimento da ordem social, sendo o teológico-militar, metafísico-crítico e o científico-industrial. No primeiro momento os conhecimentos que seres humanos possuíam e os acontecimentos eram explicados por forças sobrenaturais. É a fase do conhecimento que possibilita a constituição da família, da propriedade privada e do Estado. Os conflitos ou guerras entre Estados era característica marcante deste período e as sociedades caracterizavam-se por relações sociais do tipo esclavagista.

Na segunda fase o conhecimento humano recorre as ideias abstractas para explicação de coisas e acontecimentos da vida diária da sociedade. É o momento da institucionalização da igreja e tentativa de distinção clara desta com o Estado. O poder político se circunscrevia aos poderes particulares de reis, príncipes e senhores, sendo que as relações sociais eram do tipo feudal. No último estágio o conhecimento baseia-se na observação e raciocínio científico, pelo que os acontecimentos são explicados a partir de leis universais.

É nesta fase em que há uma separação entre igreja e Estado, as

indústrias são aperfeiçoadas, aumenta progresso científico e a civilização do tipo militar é substituída pela do tipo industrial.

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Herbert Spencer

A partir do pensamento de Darwin sobre a evolução das sociedades, ele estruturou seu pensamento admitindo que os processos sociais e consequentemente a mudança social eram moldados a partir da selecção natural, em que prevalecia a lei do mais forte entanto que factor estruturante. Assim, ele defende a virtualidade do mercado, do individualismo e do liberalismo como aspectos definidores da interacção constituinte da realidade social. As diferentes unidades sociais orgânicas se sujeitavam a determinado tipo de interacção quer seja adaptativo e selectivo, sendo que só selectivamente é que se poderia construir a ordem social.

Embora apologista da evolução das sociedades de estádio militar para industrial, considerava que as funções de regulação política e económica do Estado se mostrava entrave para criação e desenvolvimento das sociedades industriais. As sociedades evoluíam a semelhança dos organismos vivos, indo das formas mais elementares a formas mais complexas. Este autor identifica as etapas de desenvolvimento social que se articulam com a crescente complexidade de funções e estruturas do organismo social. A primeira fase era sociedade simples, segunda fase sociedade compostas, terceira fase sociedade duplamente compostas e quarta fase sociedade triplamente composta.

A primeira corresponde a formas de autoridade formadas por uma autoridade política diversificada, tais como as sociedades nómadas, seminómadas ou sedentárias em que algumas possuem autoridade política permanente e outras não. A segunda possuem um poder político centrado numa autoridade hierárquica. Aqui o poder de chefes de famílias, clãs, tribos, religiosos e militares tem como consequência uma desigual e hierárquica distribuição e exercício do poder. A coesão social é menor relativamente as sociedades simples, tendo em conta a os grupos sociais distintos existentes.

A

terceira, de tipo sedentário é composta por vários grupos sociais

e

possuem uma função de integração extremamente importante.

Encontramos o Estado, a política está presente em várias instituições de forma estável, há um relativo desenvolvimento das técnicas e meios de transporte. A quarta corresponde as nações modernas, em que é notório um alto nível de desenvolvimento industrial. Para Spencer, havia um modelo de evolução das sociedades que podia ser definida pela sua natureza contrastante, pelo grau de complexidade, diferenciação e heterogeneidade das funções e estruturas do organismo social que as permitia distinguir dois tipos de sociedades as militares e industriais.

Assim, as sociedades militares correspondem ao estádio inicial da evolução social, em que a estrutura e funções existentes são elementares, e as instituições em si de uma dimensão reduzida e há

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divisão elementar do trabalho. A guerra surge como uma necessidade de defesa do território e conquista de novos, para além de servir como meio de produção, consumo e distribuição de riqueza. Nas sociedade industriais vemos que estrutura e funções existentes e bem como as próprias instituições são mais complexas. Nota-se o aparecimento de novas instituições ligadas a questões económicas, de produção, distribuição e consumo de bens e serviços.

Os grupos e indivíduos tornam-se mais autónomos, e a componente

militar se submete aos domínios económicos e políticos, surgem instituições ligadas a religião, cultura e política. Portanto seu pressuposto básico é que a sociedade evolui de forma harmoniosa através do aumento e desenvolvimento de estruturas e funções na sociedade industrial.

Karl Marx

Sendo uma das referências da Sociologia, este autor pode ser enquadrado nas teorias evolucionista da mudança social. Com sentido unilinear da evolução dos modos de produção por si defendidos, revela que para ele há um pressuposto histórico de que diferentes estágios de desenvolvimento das forças produtivas se relacionam a certo tipo de relações sociais de produção. Sua ideia era que a passagem de um modo de produção a outro implicava necessariamente um progresso da humanidade.

E seu entender mudança social resultava das contradições que

existia em cada sistema social, sempre que houvesse um desajuste enorme entre desenvolvimento das forças produtivas e relações sociais de produção. Em seu entender as forças produtivas eram compostas pelos meios de produção e pela força de trabalho, sendo que estas é que produziam a riqueza, que é algo imprescindível

para subsistência de qualquer organização social. Além de que a produção de riqueza material exige necessariamente que esta seja sustentada pelas relações sociais de produção.

E porque em cada modo de produção há uma oposição entre classes sociais antagónicas, vemos que as mudanças sociais surgem sempre que se agudizam as contradições entre as forças produtivas. A partir daqui pode-se apreender o pensamento estruturante de Marx sobre mudança social que é: a) as contradições resultam de questões internas aos modos de produção e se encontram ao nível

da estrutura socioeconómica, b) o conflito é algo real estrutural e

tem a ver com os interesses de classe antagónicos e c) é a luta de classes o factor motor da história e por conseguinte da mudança social.

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Teorias de Mudança Social

Entanto que processo social, a mudança social não mereceu apenas

a atenção de autores isoladamente mais pelo contrário de grupo de autores que podem ser enquadrados em determinadas perspectivas

teóricas de abordagem, tendo em conta a conscidência na exposição

de argumentos explicativos sobre este processo.

Evolucionismo de Talcott Parsons

Esta corrente de pensamento buscou perceber este fenómeno numa perspectiva histórica evolucionista complexa e pluricausal, ou seja,

a evolução social nas sociedades dava-se através de trajectórias

diferentes e bem como conteúdos e formas sociais diferentes, e que

por sua vez possuíam uma origem diferenciada. Havia na sociedade uma diferenciação estrutural e funcional dos órgãos, que explicava

a mudança dos seus componentes e consequente passagem dos sistemas sociais simples para mais complexos.

O sistema social era em seu entender um sistema dinâmico, aberto

e interacção constante com outros sistemas nomeadamente organismo biológico, personalidade e cultura; sendo estes interdependentes na sua evolução, reagindo, ajustando e adaptando-

se sempre as mudanças. A evolução social dependia de 4 elementos fundamentais nomeadamente: aumento da capacidade adaptativa, diferenciação, integração e universalização dos padrões valorativos.

Parsons considera que existem 3 estádios de evolução social designadamente o primitivo, intermediário e moderno. Assim, a passagem de Primitivo ao Intermediário dava-se pela função de linguagem e bem como as funções de estabilidade normativa exercidas pelo subsistema social do sistema geral de acção. Passagem da sociedade Intermédia para Moderna deu-se através da institucionalização do direito privado de incidência universal e a consequente redução da influência da religião sobre os outros domínios sociais.

Encontramos ainda no pensamento deste autor mudanças em equilíbrio e mudanças de estrutura. A primeira tem a ver com

surgimento de alterações pontuais e localizadas nos subsistemas do próprio sistema social que apesar destas se mantém intacto; enquanto que as mudanças de estrutura ocorre quando as forças de pressão interna e externa do sistema social dão-se de modo radical

e conflitual levando a ruptura do equilíbrio entre as unidades

estruturais. Ela tem como efeito visível não apenas a mudança da das estruturas mais também e acima de tudo da totalidade do sistema social.

Neste sentido, a mudança da estrutura resulta da acumulação de tensões enormes entre duas ou mais estruturas do sistema social, e pode ter várias dimensões.

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Grupos de Interesse, Conflitos Sociais e Mudança Social em Ralf Dahrendorf

Este pensador busca o pensamento de Marx para fazer uma leitura crítica da realidade social da sua época a partir de postulados marxistas. Sua oposição a Marx tem a ver com excessiva generalização que este fazia sobre sentido linear da história. Para Ralf, os conflitos sociais são uma realidade presente em toda e qualquer sociedade, ao invés de causarem mudança social servia como elemento de identidade e integração social. Em seu entender a luta de classes revelam-se um meio de distribuição hierárquica e estratificada de funções inerentes á autoridade e não de antagonismos irredutíveis as classes sociais.

Este autor distingue as sociedades industriais e sociedades capitalistas, de modos que em sua opinião as primeiras correspondiam a uma realidade estrutural global e segundas uma parte deste todo. As mudanças operadas na sociedade industrial durante o século XIX foram significativas, sendo que a posse privada dos meios de produção é objecto da transformação na medida em que seu controlo passa a ser feito pelos capitalistas e quadros dirigentes das empresas. Assim, houve uma reestruturação tanto da qualificação e estruturação do trabalho, que levou ao surgimento de uma nova classe média dada a decomposição do trabalho e do capital.

Há maior mobilidade social ao nível económico, social, cultural, e política, na mesma medida os conflitos de classe se institucionalizam, criam-se e desenvolvem-se instituições com vários interesses opostos tal como sindicatos, associações profissionais, instituições de arbitragem de conflitos, etc. De acordo com autor, em toda organização social existem funções e tarefas de controlo que explicam o exercício da coerção, pelo que estaria-se diante duma distribuição diferencial de autoridade entre indivíduos e grupos sociais. Por conseguinte, os actores e grupos sociais que integram as instituições surgem como detentores de autoridade diferencial observável nas relações sociais, baseadas na relação dominação-sujeição.

Portanto, mesmo nas sociedades industriais temos conflitos dado interesses opostos existentes entre indivíduos e grupos de interesse, a partir de papéis e posições que os integra em estruturas determinadas. O conflito de interesse mostram luta entre os que detém autoridade e os que não a tem, entre quem quer manter seu status quo e quem deseja transformar este. Deste modo, a mudança social encontra-se polarizada nas estruturas sociais que comportam ou implicam relações de autoridade em diferentes organizações sociais.

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Teorias Endógenas e Exógenas de Mudança Social

Os defensores destas abordagens defendem o mesmo processo mais

a partir de pontos de vistas relativamente opostos, sendo que para

os defensores da teoria endógenas, a mudança social resultaria de

factores internos ao meio social, enquanto que os da teoria exógena

a mudança resultaria de elementos externos a determinado meio social.

Os defensores de cada uma destas teorias através de argumentos

diversos buscam provar as suas concepções a volta dos elementos que explicam o processo de mudança social ao longo dos tempos

em cada contexto a partir de elementos meramente internos ou

externos. A partir de pensamento marxista e de outros correntes,

este grupo de autores busca a partir de elementos desta teoria enquadrar na linha endógena ou exógena.

Teoria do Individualismo Metodológico sobre Mudança Social

Esta corrente considera que para um entendimento da mudança social temos que deixar de lado a postura marcadamente macro- sociológica que olham esta a um nível mais amplo do grupo ou da sociedade, deixando de lado o indivíduo entanto que actor activo neste processo; e considerado apenas a racionalidade colectiva dos indivíduos.

A perspectiva individualista metodológica desenvolvida por

Raymond Boudon considera é necessário olhar a mudança social,

tendo em conta um estudo exaustivo de realidades micro-sociais. Olhando para aquilo que eram os processos de interacção social

que se conjugam singularmente na construção da realidade social, e

deste modo da mudança social em si. Esta teoria destaca o papel estratégico da racionalidade dos indivíduos em processos de

interacção social micro.

Através desta teoria, vemos que há uma interdependência entre várias realidades micro-sociais, de tal modo que o processo de adaptação e interacção daqui resultante cria de forma agregada micro-mudanças que trespassam a própria sociedade como um todo. Assim, para entender a mudança social é necessário centrar- se na interacção que os indivíduos estabelecem entre si e não em aspectos tais como a economia, política, etc; visto que acção individual coexiste com a colectiva interactuando sobre a sociedade toda.

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Exercícios

Auto-avaliação

1 – Define o conceito de mudança social ?

Resposta: podemos definir a mudança social como sendo um processo de alteração das estrutura básicas que compõem um grupo social ou a sociedade como um todo.

2- Indique os precursores da mudança social que estudou?

Resposta: os precursores da mudança social que estudamos são: Auguste Comte, Herbert Spencer e Karl Marx.

3- Quais as teorias sobre mudança social que conhece?

Resposta: as teorias sobre mudança social que conheço são:

evolucionismo de Talcott Parsons, teoria de Grupos de Interesse, Conflitos Sociais e Mudança Social, teoria Endogenistas e Exogenistas; e a teoria de Individualismo Metodológico sobre mudança social.

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Unidade N 0 12-A0017

Tema: Desvio e Controlo Social

Introdução

Falar de desvio social, é essencialmente fazer referência a determinadas práticas sociais que se manifestam em toda e qualquer sociedade, representando comportamento contrário as normas sociais.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Perceber o conceito de Desvio Social e Controlo Social.

Identificar algumas teorias sobre o Desvio Social e Controlo Social

Sumário

Desvio Social e Controlo Social

O estudo sobre o fenómeno do desvio social, historicamente tem o seu início no século XIX na Europa e América, sobretudo em grandes centros urbanos em que se manifestavam problemas tais como o da marginalidade e pobreza urbana. Foram estas questões que despertaram o interesse súbito de vários investigadores por forma a melhor entender e explicar esta problemática e acima de tudo tentar sugerir formas de atenuação, eliminação e controle do mesmo.

Em geral é impossível falar-se de desvio sem fazer referência ao controlo social, visto serem estes termos indissociáveis. Desvio social refere-se a condutas individuais ou colectivas que vão contra/transgridem as normas de determinada sociedade ou grupo social. Portanto, tem a ver com não cumprimento ou falha na conformidade com as normas sociais, que obviamente representam obrigações sociais, que tem por fim último regrar a sociedade e garantir o controlo social; por forma a que cada um dos indivíduos actue dentro de um quadro previamente delineado.

Neste sentido, um comportamento só pode ser tido como desviante em relação a uma sociedade, pois que é esta que dita as normas de comportamento aceitáveis e bem como os comportamentos não aceitáveis para indivíduos e grupos sociais. O desvio social que é

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correlativo do controlo social, é um fenómeno que resulta de uma situação de definição e classificação social, visto ser a sociedade que em cada momento vai ditar os comportamentos aceites ou não, cabendo aos indivíduos e grupos portarem-se segundo a norma social em cada contexto.

Um aspecto interessante a ter em conta no desvio social é que ele é paradoxalmente uma questão de conformidade, pois que os comportamentos são adquiridos em sociedade numa base interactiva, pelo que um comportamento desviante na sociedade pode equivaler a um comportamento normal num grupo social em que o indivíduo queira fazer parte ou pertença. Por exemplo o consumo de drogas é um comportamento desviante na sociedade moçambicana, mais entre os drogados este acto corresponde a normalidade dentro do próprio grupo.

Por sua vez o controlo social pode ser definido em duas perspectivas diferentes, sendo no sentido restrito e alargado. No Restrito podemos ver como sendo um conjunto de mecanismos de monitoria da acção do indivíduo e as sanções boas e más que servem para reforçar o comportamento individual; ou seja, é conjunto de mecanismos normativos que asseguram a conformidade de comportamento as normas sociais. O sentido Alargado é completar do anterior e se mostra como um meio de socialização e internalização das normas e valores socioculturais. Portanto, o controlo tem a dimensão interna e antecipadora, visto ser junção de meios de socialização, monitoria e sanção de comportamento.

Assim, o desvio e controlo social são práticas universais no sentido de estarem existir em toda e qualquer sociedade. Contudo, o comportamento desviante não o mesmo em todas sociedades e nem mesmo dentro da mesma sociedade em tempos diferentes, visto que este resulta de um processo de classificação social. Ele varia de conteúdo e de forma de acordo com cada sociedade.

Teorias sobre Desvio e Controlo Social

Émile Durkheim e a Génese da Teoria do Desvio e Controlo Social

Foi um dos pioneiros no estudo desta problemática social, isto pode-se depreender a partir dos seus inúmeros estudos sociológicos. Um dos pensamentos trazidos por Durkheim era que o crime era algo universal, sendo que estava presente em toda e qualquer sociedade, para além de que era algo útil e necessário. A partir do seu pensamento vemos que o crime representa uma forma de desvio social, cuja sua classificação como tal varia segundo tipo de sociedade e época. De igual modo é uma forma de controlo social, pois que quando atingisse certa taxa o mesmo era

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sancionado e este acto sancionatório representa a forma como a consciência colectiva exerce uma pressão no sentido de ditar as regras de conduta a consciência individual e por esta via controlar indivíduo e a sociedade.

Na sua obra a Divisão do Trabalho Social, o autor realça o facto do desvio social ser classificado de acordo com tipo de solidariedade existente em cada sociedade. Nas de solidariedade mecânica, a consciência colectiva exerce um controlo directo e total sobre a consciência individual, pelo que todo desvio era automaticamente sancionado por uma força constrangedora, sendo o direito repreensivo a forma concreta de controlo social. A solidariedade orgânica por sua vez através do direito restitutivo persuadia os indivíduos a reparem os seus desvios, por forma a não colocar em causa a funcionamento e estabilidade da sociedade através da divisão do trabalho.

Desvio e Controlo Social na perspectiva da Escola de Chicago

Esta escola buscou analisar fenómeno da marginalidade, criminalidade, exclusão social, entre outros que surgiram nos principais centros urbanos em resultado das migrações dado nível de desenvolvimento industrial nessas cidades. Um dos maiores preponentes desta teoria Robert Park defendia que era útil investigar formas de erradicação da delinquência, pobreza, alcoolismo, segregação social e crime que afectavam Chicago.

Seu pressuposto era que o desvio social resultava fundamentalmente da socialização, que nas cidades assentava numa base secundária e não primária (que de facto são mais eficientes no controlo social, garantem boa socialização e a coesão social). Assim, era necessário que esta socialização secundária evoluísse para uma acção organizada e acima de tudo comunicacional que garantisse integração dos indivíduos.

Ernest Burgess, igualmente influente nesta escola considerava que desenvolvimento industrial criava uma distribuição social e espacial que por sua vez degenerava em profundos problemas sociais. As cidades criavam áreas urbanas ecologicamente diferentes, e era na zona reservada aos operários em que surgiam os fenómenos sociais mais negativos. Era a segregação social que gerava o desvio, pois que este grupo social não podia se constituir num nicho de identidade comunicacional com outros grupos vizinhos. Os efeitos perversos da mobilidade social originavam necessariamente comportamentos desviantes. Assim, o desvio resultava da expansão e diferenciação do processo de socialização entre indivíduos e grupos nas cidades.

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Anomia, Desvio e Controlo Social em Robert Merton

Pode-se enquadrar seu pensamento numa perspectiva funcionalista. Busca o conceito de anomia de Durkheim e reformula o mesmo na sua análise da sociedade, considerando que anomia gerava um problema interminável nas aspirações individuais, e que esta resultava das contradições existentes entre aspirações individuais inscritas na matriz cultural e as desigualdades na própria estrutura social. Portanto, Merton diz que são as aspirações individuais que criam a desregulação social e nunca o contrário, sendo que tais aspirações eram dadas pela matriz cultural.

Analisando a sociedade americana, Merton diz que o desvio social resulta duma contradição básica entre o ideal de vida que esta dita para todos indivíduos e as possibilidades de realização destes legalmente só existia para alguns, daí que os indivíduos acabam tendo condutas desviantes, como forma de alcançar o ideal de vida defendido pela sociedade sem se preocupar com os meios usados para tal.

A transgressão dos meios institucionais de controlo social dos

comportamentos, teria a ver com a necessidade de se alcançar as metas de vida para cada indivíduo defendida pela sociedade como sendo a melhor. Quer isto dizer que o indivíduo escapava ao controlo social para poder cumprir com a norma criada pela própria

sociedade.

Teoria da Rotulagem

Esta abordagem apresenta uma perspectiva diferente, em que inverte claramente a relação de causa e efeito do desvio e controlo social, considerando que era o controlo social a causa fundamental do comportamento desviante e não o contrário. O desvio nesta perspectiva resulta de um processo de interacção social entre indivíduos considerados desviantes e não desviantes, em que cada um destes atribui sentido a sua acção a dos demais participando juntamente na construção do mundo social desviante. Diante de uma situação de controlo social que os estigmatiza e rotula negativamente, os ditos desviantes acabam criando espaços sociais

de identidade tanto pessoal como colectiva.

São os meios de controlo social que tem a capacidade fazer com que os indivíduos mudem, levando-os a assumirem uma identidade tida como desviante. Um dos maiores preponentes desta teoria é certamente Erving Goffman que considera que é o controlo social é causa do desvio social, a partir do estudo que fez em instituições sociais totais tais como prisões, asilos, etc, onde o autor observa que dado o controlo existente num asilo gera-se necessariamente um comportamento desviante estereotipado. A separação que estes estabelecimentos fazem dos desviantes aos retirar da sociedade global, acaba reprimindo e degradando os indivíduos, ao invés de

os reabilitar.

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Assim, o desvio acaba resultando das regras de controlo social então impostas e resultantes da interacção entre controladores e controlados em que os últimos são obrigados a ajustarem-se a uma diversidade de circunstâncias negativas criadas nesta interacção. A mesma percepção este autor usou para falar do estigma como um dos aspectos que cria o desvio, tendo em conta o rótulo que se cria a volta de pessoas tais como deficientes na relação com os ditos normais.

Teoria de Análise Estratégica

Tal como nome sugere, o desvio social é visto como um fenómeno que resulta de um processo de ponderação relativamente aos vantagens e desvantagens deste acto. Neste sentido, o desvio resulta de uma avaliação que os indivíduos fazem sobre a lógica custos de oportunidade. Por exemplo, para poder praticar o furto, o ladrão avalia as vantagens do que irá furtar e meios necessários para tal, sendo que no fim do acto os fins deverão superar os meios usados. Quer isto dizer que o desvio é puramente um acto racional, em que se equacionam os meios e fins.

Um aspecto importante a ter em conta segundo os preponentes desta teoria, é o facto de que esta racionalidade do desviante não pode ser vista como sendo absoluta, uma vez que nem todo indivíduo ou grupo tem inteligência suficiente para fazer esta equação nos moldes ideais, sendo que é possível um desviante incorrer em actos em que cujos meios sejam maiores em relação aos benefícios; além do elemento incerteza que está presente em toda e qualquer situação e que desviante não tem sobre ela qualquer controle.

Portanto, esta teoria mostra que essencialmente o desviante detém a capacidade de pensar de modo racional por forma a avaliar, adaptar-se a situações em que sua acção tem lugar, seleccionando os meios que lhe permitam alcançar os seus objectivos sem grandes riscos.

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Exercícios

Auto-avaliação

1 – De forma clara define o conceito de desvio social?

Resposta: pode-se definir o Desvio social como sendo condutas individuais ou colectivas que vão contra/transgridem as normas de determinada sociedade ou grupo social.

2- Indique as teorias sobre desvio e controlo social que estudou?

Resposta: as teorias sobre desvio e controlo social são: teoria de rotulagem, análise estratégica, anomia, desvio e controlo de Merton, desvio e controlo social da Escola de Chicago, e a de Émile Durkheim sobre a génese do Desvio e Controlo Social.

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Unidade N 0 13-A0017

Tema: Movimentos Sociais

Introdução

Apesar de ser uma realidade com uma existência secular na sociedade, só nos últimos tempos é que esta questão passou a fazer parte dos estudos sociológicos e não só. Regra geral, os estudos sobre esta problemática limitavam-se a questão dos movimentos operários que historicamente tiveram uma grande visibilidade relativamente aos demais movimentos com um impacto social enorme que despertasse este interesse.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Definir o conceito de movimento social

Perceber posições de alguns autores sobre esta problemática.

Sumário

Movimentos Sociais

Após a segunda Guerra Mundial, agudizaram-se os conflitos sociais, criando deste modo espaço para o advento de grupos sociais e bem como a reestruturação dos já existentes a partir de novos valores e ideologias dos mesmos, pelo que houve uma necessidade de se alargar o campo de análise destes movimentos para outros campos que não fossem somente o dos operários.

As dinâmicas ou factores que explicam a constituição e funcionamento dos movimentos sociais, tende obviamente a ser diferente ao longo dos tempos e sociedades, pelo que a sua compreensão implica uma incursão no interior destes e da sociedade em geral (tendo em conta que eles se estruturam em função da dinâmica social) para a partir daqui podermos caracterizá-lo objectivamente. As mudanças socioestruturais e socioculturais e sociopolíticas igualmente afectam a composição destes grupos, formas de actuação, objectivos perseguidos ao longo dos tempos; entre outras questões.

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De forma geral, podemos ver o movimento social como sendo a expressão conjugada de esforços individuais que visam o usufruto de bens colectivos, pelo que normalmente existe uma suposta racionalização na sua utilização. Podemos então definir objectivamente estes como sendo uma “acção ou agitação concentrada, com algum grau de continuidade de um grupo, que plena ou vagamente organizado, está unido por aspirações mais ou menos concretas, segue um plano traçado, orienta-se para uma mudança das formas ou instituições da sociedade existentes (ou um contra ataque em defesas dessas instituições”. (Neuman, op cit In:

Osborne, pp. 34)

Abordagens Sobre Movimentos Sociais

Tal como vimos anteriormente os movimentos sociais representam um grupo que age de forma organizada ou não visando a busca de satisfação de certos objectivos colectivos. As suas acções podem ser dirigidas a determinadas instituições e bem como a própria sociedade como um todo, o que pode levar a alteração da estrutura social em si. Sendo assim, estes vão ter motivações, formas de composição e actuações diferentes ao longo dos tempos, tendo em conta a própria dinâmica social; daí que mostra pertinente buscar algumas das abordagens dos vários autores a volta desta questão.

Gustave Le Bon: O Comportamento das Multidões

Segundo este autor, a análise dos movimentos sociais durante a evolução da sociedade industrial teve como conceito explicativo chave o de comportamento colectivo, e só mais tarde é que se percebeu que estes representavam a expressão de uma acção puramente social. Este autor receava que as acções dos movimentos sociais que surgiam repentinamente e de forma violenta, criando instabilidade das estruturas e instituições punham em causa a própria civilização.

No seu entender as multidões movem-se por uma moral destrutiva e ânsia de poder, sendo que seu modo de pensar resultava de um contágio de uma força psicológica irracional. Assim, o comportamento colectivo tinha características específicas, diferindo das acções das instituições e indivíduos que seguem padrões da civilização. Os movimentos sociais faziam com que os indivíduos deixassem de lado a razão e a personalidade nas suas acções, pelo que via-se homens e mulheres, adultos e jovens, ricos e pobres agindo de mesmo modo.

Sua forma de pensar revela uma oposição a mudança e ascensão social por parte dos operários a favor de uma aristocracia tradicional.

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Robert Park e As Bases Sociais do Comportamento Colectivo

Sempre buscou entender os fenómenos sociais resultantes da industrialização e urbanização nas cidades, daí considerar que os conflitos eram então como normais (dado estilo de vida nas cidades que se baseiam em laços impessoais e racionais), e originavam formas comportamentais peculiares. Os comportamentos colectivos resultavam infalivelmente na criação de sínteses sociais integradores, resumindo-se a um processo social que se dá em 3 fases interdependentes: agitação social, estruturação do movimento e adaptação e transformação das instituições.

Park diz que acção colectiva começa sempre por agitação social em que os processos de mudança social são caracterizados pelo conflito, sendo que o papel das instituições sociais é o de regular estes; e na incapacidade de o fazerem surgem formas alternativas de comportamento social. Posteriormente temos a estruturação, em que o comportamento alternativo passa a ser um movimentos de massa, que tanto pode circunscrever-se a um grupo ou quase totalidade da sociedade; cuja contestação pode ser violenta ou pacífica.

Segue-se a fase de adaptação e transformação em que os movimentos estão sujeitos a duas situações, sendo uma em que o conflito se institucionaliza e a segunda em que integra-se e controla-se o comportamento colectivo por forma a estar em consonância com as razões que ditaram o conflito; pelo que o comportamento colectivo passa a estar de acordo com parâmetros do grupo. Portanto, o comportamento colectivo seria algo com motivações racionais e naturais, por ser criado dentro de um contexto por autores sociais que se organizam e estruturam sua acção de modo consequente e tendo em conta certos objectivos.

Herbert

Comportamento Colectivo

Blumer:

Uma

Visão

Interaccionista

do

Este autor considera que a acção colectiva tem em vista o estabelecimento de uma nova ordem de vida e da realidade social, que tem a ver com formas de pensar e sentir dos indivíduos, dando sentido as condutas colectivas. Ele diz que as sociedades industriais eram marcadas por lutas de interesses que geravam conflitos pelo poder. Que a indústria deveria ser vista a partir destas lutas e as manifestações industriais assemelhavam-se a uma estrutura neutral a partir da qual os grupos atribuíam sentido as relações industriais.

Um ponto trazido pelo autor tem a ver com facto de localizar o conflito de interesses na industrialização como circunscrito a nove áreas concretas nomeadamente: estrutura de ocupações e posições, preenchimento de ocupações, emprego e posições, novo arranjo ecológico, regime de trabalho industrial, nova estrutura de relações

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sociais, novos interesses e os novos grupos de interesse, relações monetárias e contratuais, produção de mercadorias e modelo de rendimento do pessoal industrial.

A partir da estrutura de ocupações e posições surgiam novas

modalidades de acção pelo que empresários, quadros técnicos, empregados de escritórios e operários enquadravam-se em estruturas profissionais diferentes e hierárquicas. Por conseguinte cada uma das classes originava rendimentos, autoridade, poder e prestígio desiguais; o que tinha como resultado óbvio a estratificação social.

Embora haja uma estrutura de ocupações e posições, seu preenchimento como tal depende de requisitos impostos pela sociedade. Assim, nem todos podem obter o trabalho e posição que desejam, visto que os níveis de autoridade e prestígio hierárquico são obviamente desiguais, existindo factores que levam os indivíduos a competirem e defenderem os seus interesses próprios. De acordo com o autor, a estrutura industrial faz com que os actores sociais detenham uma grande mobilidade social.

A mobilidade social dos indivíduos fazia com que os actores sociais pudessem deter uma mobilidade social que levasse a uma

distribuição espacial da população nas cidades e obviamente novos arranjos ecológicos. O novo regime de trabalho e a nova estrutura

de relações sociais surgem intimamente ligados aos novos grupos

de interesse que criam imagens e atitudes específicas, dando origem a uma rede de relações sociais. Para o autor, é a multiplicidade de elementos estruturais resultantes do processo de industrialização que surgem diferentes formas de comportamento colectivo, pois que estando diante de múltiplas situações de interacção e interpretação os indivíduos criam formas de acção colectiva.

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Exercícios

Auto-avaliação

1 – Define conceito de movimento sociais?

Resposta: pode-se definir movimento social como sendo a acção ou agitação concentrada, com algum grau de continuidade de um grupo, que plena ou vagamente organizado, está unido por aspirações mais ou menos concretas, segue um plano traçado, orienta-se para uma mudança das formas ou instituições da sociedade existentes (ou um contra ataque em defesas dessas instituições.

2- Indique as teorias principais sobre movimentos sociais.

Resposta: as principais teorias sobre movimentos sociais são: visão interaccionista do comportamento colectivo, Bases sociais do comportamento colectivo e Comportamento das multidões.

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Unidade N 0 14-A0017

Tema: O Processo de Socialização

Introdução

Falar da socialização, significa ter em conta uma das práticas sociais presentes em toda e qualquer sociedade e dotada de uma importância peculiar, por quanto ela representa o processo através do qual os membros de uma sociedade se constituem como tal. Simboliza um mecanismo de divisão de papéis sociais e formas de comportamento específicas entre os seus membros.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Definir o conceito de Socialização,

Identificar as principais formas ou tipos de Socialização e as instituições responsáveis por estas.

Sumário

Socialização

Existem diferentes definições a volta deste conceito, quer seja nas ciências sociais e outras ciências, pelo que quando o abordamos devemos ter o cuidado de olhar o contexto em causa. Assim, na Sociologia e outras ciências sociais o termo encontra-se bastante interligado a relação entre individuo e sociedade, uma vez ser este um processo considerado fundamental e determinante em qualquer sociedade, por esta considerar que os seus devem necessariamente passar por este processo por forma a adquirirem uma identidade social e bem como pessoal do individuo.

Por ser um processo social de extrema importância para a sociedade, ao qual todo e qualquer indivíduo deve necessariamente passar por ele ao longo da sua vida, a mesma ocorrem em diferentes instituições sociais, possuindo formas diferentes. Este termo tem sido definido como sinonimo de educação por alguns autores, tendo em conta os seus objectivos, tais como Durkheim entre outros que dizem que através deste processo a sociedade exerce uma acção sobre os seus membros mais novos, que consideram ainda não terem desenvolvido um conjunto de estágios físicos, intelectuais e morais considerados necessários pela sociedade.

Rocher, diz que a socialização pode ser vista como sendo “um processo pelo qual ao longo da vida a pessoa humana aprende e

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interioriza os elementos sócio-culturais do seu meio, integrando-os na estrutura da sua personalidade sob a influência de experiências de agentes sociais significativos, adaptando-se assim ao ambiente social em que deve viver.”(Rocher; op cit In: Osborne; 2006; pp- 44). a partir desta definicao de abordagens de outros autores vemos que este processo implica assimilacao de habitos caracteristicos do seu grupo social, em que o individuo passa a membro funcional de sua comunidade, adoptando conduta da sua cultura.

Assim, podemos definir a socializacao como sendo um processo atraves do qual o individuo se intergra no seu grupo de pertenca, adoptando habitos e costumes proprios deste, por forma a desenvolver a sua personalidade e ser aceite como membro de

facto do grupo. Ele inicia com nascimento e termina com a morte, posto que durante a vida como actores sociais estamos constantemente a aprendendo. Inicialmente ele depende da imitação de papéis junto de pessoas significativas e próximas, para mais tarde implicar uma assimilação voluntaria.

Tipos e Instituições de Socialização A socialização por ser um processo que se da em fazes ou etapas, tendo em vista a integração dos sujeitos nos grupos de pertença, esta realiza-se em instituições especificas, que a sociedade reconhece como tendo um papel efectivo ao longo deste processo. Assim, encontramos dois grandes tipos de socialização, sendo a primaria e a secundaria. Socialização Primaria aquela em que a criança aprende e interioriza as regras básicas e modelos comportamentais do seu grupo social. É a partir desta que o sujeito faz a construção primeira do mundo a sua volta. Esta forma surge como bastante significativa para o indivíduo e realiza-se normalmente na família e outras instituições próximas desta.

Socialização Secundaria, como nome diz, esta surge como um processo subsequente ao primário, em que o indivíduo já socializado é integrado em outros espaços na sua sociedade ou não. Ela ocorre na escola, igreja, grupo de amigos, local de trabalho, entre outros do qual o indivíduo não seja parte integrante objectivamente, pois que o grupo tem determinadas expectativas sobre os seus membros em cada um destes espaços, em função do papel social que ele desempenha nestes.

Portanto, a partir dos tipos ou formas de socialização encontramos igualmente diferentes instituições responsáveis por esta tais como a família, a escola, igreja, grupos de amigos, local de trabalho, entre outros.

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Exercícios

Auto-avaliação

1 – Define conceito de socialização?

Resposta: definimos a socialização como um processo atraves do qual

o individuo se intergra no seu grupo de pertenca, adoptando habitos e costumes proprios deste, por forma a desenvolver a sua personalidade e ser aceite como membro de facto do grupo.

2- Define os tipos de socialização e respectivas instituições responsáveis?

Resposta: S. Primaria em que a criança aprende e interioriza as regras básicas e modelos comportamentais do seu grupo social, e a partir desta faz a construção primeira do mundo a sua volta. Ela ocorre na família. S. Secundaria, processo em que o indivíduo já socializado é integrado em outros espaços na sua sociedade ou não. Ela ocorre na escola, igreja, grupo de amigos, local de trabalho, entre outros.

Sociologia Geral Código: A0017

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Unidade N 0 15-A0017

Tema: O Processo de Globalização e Desigualdades Sociais

Introdução

Um dos fenómenos característicos das sociedades contemporâneas é sem dúvidas a globalização, que como sabemos tem suscitado diferentes debates a sua volta, tendo em conta o entendimento que os indivíduos e sociedades possuem. Neste sentido, encontramos abordagens que defendem que este processo representa uma mais-valia dado o facto de ligar indivíduos de países diferentes, integrar as economias e mercados nacionais num único mercado e daqui as vantagens no processo de trocas, etc. Igualmente, temos autores que consideram que como algo nefasto pelos enormes impactos negativos que trás, sobretudo para as pequenas nações, acelerando ainda mais o hiato entre países e grupos sociais e indivíduos.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Definir o conceito de Globalização,

Articular este processo ao fenómeno de desigualdade social.

Sumário

Globalização

No actualidade não encontramos uma sociedade que seja fechada em si sob ponto de vista social, cultural, politico, economico, etc. Portanto, esta nova realidade serviu e serve para aproximar as nacoes nos mais diferentes aspectos contrariamente ao que era pratica num passado recente. Por ser um processo aparentemente novo e bastante dinamico, tem criado alteracoes rapidas em determinadas estruturas, que por sua vez se fazem sentir em diferentes campos e com amplitudes diferentes, apesar da origem poder ser exterior a este.

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Em termos historicos este iniciou-se há já algum tempo, sendo que so por volta dos anos 90 é que se impos como algo de dimensao mundial, devido ao impacto dos meios tecnologicos de informatica e de telecomunicacoes em paises como Inglaterra e EUA.

Não existe uma definição única deste processo, podendo variar em função da abordagem de cada autor, havendo quem enfatiza a componente monetária/financeira que em grande medida marca este, enquanto que outros olham para a questão da quase uniformização dos padrões culturais que vem ocorrendo um pouco por toda a parte, e bem como rápida difusão de um volume enorme de informação pelos meios de comunicação.

Portanto, grande parte dos autores prefere ver a globalização não como um conceito em si, mais sim olhando para aquilo que são os traços característicos deste processo. Assim, esta surge como “um processo de aprofundamento da integração económica, social, cultural, política e espacial que transforma o mundo numa aldeia global com ganhos para as nações. Caracteriza-se por: homogeneização dos centros urbanos, revolução tecnológica nas comunicações, reorganização geopolítica do mundo em blocos comerciais e não ideológicos, hibridação entre culturas populares locais e uma cultura de massas supostamente universal”. (Negri; sem data; pp. 2)

Tendo em conta a abordagem sociológica que marca este trabalho, optamos em adoptar a abordagem de Giddens que olha a globalização como sendo “intensificação das relações sociais em escala mundial, que ligam localidades distantes de tal maneira que acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo muitas milhas de distância e vice- versa.” (Giddens, 1990; 60)

Impacto da Globalização nas Desigualdades Sociais

É facto que o processo de globalização tem um grande impacto em vários

domínios da vida quer seja político, económico, religioso, cultural e social tanto sobre os países e bem como indivíduos. Tais impacto tanto podem ser positivos e negativos dependendo da situação concreta, pois trata-se de um fenómeno complexo e multifacetado. As várias abordagens

a volta deste processo tem se centrado na vertente económica, ou seja,

olhando apenas o mesmo sobre ponto de vista das trocas comerciais entre nações e indivíduos se esquecendo do facto de que a economia está directamente ligada a outros campos da vida e que por conseguinte acaba tendo impacto forte sobre tais campos.

Este representa interesses específicos de grupos sociais ou indivíduos, que obviamente são opostos e criam conflitos de vária natureza, estruturando os grupos em dominantes e dominados. Assim, uma das consequências negativas deste processo e que tem sido discutido por vários pensadores tem a ver com desigualdades sociais que tendem a agudizar-se cada vez mais, sobretudo em países subdesenvolvidos que não possuem capacidades de disputar em pé de igualdade com países economicamente mais fortes.

Sociologia Geral Código: A0017

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O desenvolvimento económico de determinadas empresas sobretudo as

multinacionais, tem servido para formar grupos ou classes sociais ou mesmo diferenciações sociais entre indivíduos e estratificar cada vez as sociedades. A heterogeneização social torna-se uma característica social marcante das sociedades, sobretudo em países subdesenvolvidos. Grosso dos países subdesenvolvidos são constituídos maioritariamente por uma população de muito pobres e poucos ricos, o que de algum modo explica o surgimento de convulsões sociais, pois as expectativas de um bem-estar social são restringidas a maioria.

A expansão dos mercados globais tem servido para que um grupo restrito

possa aceder a mais mercados e por conseguinte adquirir mais riqueza. A liberalização da economia por parte dos governos em países subdesenvolvidos contribui para aumento das desigualdades sociais, visto que nem todos tem poder de compra. A redução de postos de emprego em alguns países tem servido para criar cada vez mais pobres e por esta via a diferenciação social entre ricos e pobres.

A par deste processo observamos também a exclusão social e a segmentação social e cultural, tendo em conta que existe tendência de assimilar-se hábitos e costumes de outros contextos, que só podem ser adquiridos por uma parte da população dado seu poder de conta. Portanto, as possibilidades reais de consumo dos indivíduos e grupos

contribui para aumento da desigualdade social. A disparidade entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos é tal que nos dias actuais notamos um maior fosso entre ricos e pobres, agudizando cada vez mais

as desigualdades sociais.

Exercícios

Auto-avaliação

1 – Define conceito de globalização?

Resposta: definimos a globalização como a intensificação das relações sociais em escala mundial, ligando localidades distantes de modo que acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo muitas milhas de distância e vice-versa.

2- Aponte algumas dos impactos da globalização sobre as desigualdades

sociais?

Resposta: podemos apontar como alguns dos impactos da globalização sobre as desigualdades sociais tem a ver com aumento da diferenciação social entre ricos e pobres, a exclusão de indivíduos e grupos no acesso a bens e serviços, surgimento de focos de tensão social entre os pobres pelo acesso limitado as vantagens sociais.

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Unidade N 0 16-A0017

Tema: Crime como Facto Social

Introdução

Não existe sociedade no mundo em que a questão do crime não seja tema de debate pelos mais variados motivos ao longo do tempo. Entanto que facto o crime tem um historial de surgimento que transcende as mais variadas abordagens, e dado seu impacto o crime tem merecido atenções

de governos e população em geral.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Perceber historial do estudo do crime

Definir o conceito de crime,

Sumário

Crime

O crime é algo que podemos encontrar em toda e qualquer sociedade no

mundo, sendo que a diferença está no facto de que o mesmo apresenta uma morfologia que varia segundo a sociedade e tempo concreto. Vários são os pensadores que se tem debruçado a volta desta questão tanto dentro e fora da Sociologia. Efectivamente, as abordagens sobre o crime iniciaram a já bastante tempo o que deu origem a criminologia que é vista como sendo a ciência que se ocupa do estudo científico do crime, buscando perceber aspectos tais como suas causas, as vítimas, controle social sobre o acto considerado criminoso, a personalidade criminosa e bem como as formas de ressocializar o criminoso.

Entanto que área de conhecimento a criminologia é uma disciplina interdisciplinar, visto que se apoia em outras disciplinas tais como

Biologia, Sociologia, Antropologia, Política, Direito, entre outras que lhe sejam úteis. A criminologia pode então ser dividida em escolas tais como

a Clássica que figurou durante o século XVIII tendo como um dos

expoentes máximos Beccaria, escola Positiva no séc. XIX tendo Lombroso como expoente máximo e escola Sociológica já no final do séc. XIX. Portanto, estas escolas tem sido divididas em dois grandes grupos sendo a criminologia Tradicional que abarca as duas primeiras escolas, e criminologia Nova ou Crítica.

A Tradicional nas suas abordagens sobre o crime apenas se interessava

sobre as suas eventuais causas, sendo que regra geral essas eram identificadas como estando apenas ligadas ao próprio indivíduo, tal como

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considerava Lombroso que criminoso era um ser delinquente por natureza e a partir de certos traços físicos tais como: formato da testa, tamanho das mãos, ombros, orelhas, etc. podia-se identificar o criminoso. Assim, a pena era algo ineficaz, porque crime era congénito aos criminosos que eram pessoas doentes/delinquentes que necessitavam de tratamento. Deste modo, crime era visto como um problema biológico e individual.

A Crítica ou Nova, olha que crime numa perspectiva relativamente

diferente, considerando que este não é algo intrínseco ao indivíduo, mais pelo contrário como ligado a vários elementos tais como o meio social em que ele se encontra inserido e por outro lado o próprio indivíduo.

sua vez, busca as causas do crime na sociedade. O crime é

analisado como um fenómeno colectivo, sujeito às leis do determinismo sociológico e, por isso, previsível. A sociedade contém em si os germes de todos os crimes. O criminoso é mero instrumento no comportamento criminoso. A solução para o problema do crime está na reforma das estruturas sociais.”(Filho; 2000, pp. 2).

“ por

Etimologicamente a palavra crime deriva do latim crimino que significa crime, que por sua vez seria uma transgressão de algo prescrito pela lei ou na moral de uma sociedade ou grupo social; ou seja, seria não cumprimento de um dever. Durkheim, um dos sociólogos mais proeminente considerava o crime como um facto social e algo universal, pois existia em toda e qualquer sociedade independentemente da sua dimensão (pequena ou grande). Para o autor, existem sociedades de solidariedade mecânica e de solidariedade orgânica, perfazendo tipos distintos. Numa os indivíduos tendem a ser semelhantes e quase não há divisão social do trabalho, enquanto que na outra é exactamente o oposto.

Nas sociedades de solidariedade mecânica a coesão social tende a ser

maior pois que os indivíduos se identificam a partir da família, vizinhança, religião, etc.; pois perfazem sociedades pré capitalistas. Aqui

a consciência colectiva é bastante forte e extremamente coerciva,

havendo por conseguinte maior controlo sobre o indivíduo directamente. Em contraposição nas sociedades de solidariedade orgânica há divisão e especialização do trabalho e independência dos indivíduos. A coesão social é mantida exactamente pela divisão do trabalho e não pela imposição ou coesão da consciência colectiva que já não bastante forte.

O autor faz uma analogia com organismos vivos em que cada órgão

desempenha uma função específica e deste modo contribui para o pleno funcionamento do todo. Crime, é para o autor todo e qualquer acto que ofende os estados fortes e definidos da consciência colectiva. É algo útil e necessário pois que mostra que consciência colectiva se sobreponha a consciência individual e que mesmo assim, a individual consegue escapar a este controle e praticar o crime.

Quando assim acontece, a sociedade penaliza o infractor como forma de mostrar que ninguém deve se opor a consciência colectiva por esta representar a vontade de toda sociedade que não deve ser violada. É necessário para alterar os valores morais e sociais existentes na

sociedade. “

resumindo a análise que precede dizer que um

Podemos

Sociologia Geral Código: A0017

75

acto é criminoso quando ofende os estados fortes e definidos da

seja, uma acção é considerada criminosa

porque ofende a consciência colectiva e não que a consciência colectiva

crime é portanto necessário,

está ligado as condições fundamentais de qualquer vida social e precisamente por isso, é útil porque estas condições a que está ligado são indispensáveis para evolução normal da moral e do direito.” (Durkheim, op.Cit. IN: Fabreti; 2002 pp- 17-20)

se sinta ofendida pelo acto ser criminoso,

consciência colectiva.,

ou

o

Este ponto de Durkheim é importante por nos mostrar que não existe crime em si, e muito menos que crime seja mesmo em toda e qualquer sociedade e tempo, porque todo acto é assim considerado quando a própria sociedade assim categorizar. Portanto, tendo em conta os pontos apresentados acima podemos então definir o crime como sendo todo e qualquer acto que implica violação normas ou deveres existentes numa sociedade, ou seja, é toda e qualquer acção contrária ao valores definidos por um grupo social como prática a seguir pelos seus membros. O crime não é definido como tal tendo em conta cada sociedade concreta, daí que embora exista em toda e qualquer sociedade não é categorizado da mesma forma para os mesmos actos.

Exercícios

Auto-avaliação

1 – Define conceito de crime?

Resposta: podemos então definir o crime como sendo todo e qualquer acto que implica violação normas ou deveres existentes numa sociedade, ou seja, é toda e qualquer acção contrária ao valores definidos por um grupo social como prática a seguir pelos seus membros.

2- Identifica e explique as abordagens sobre criminologia?

Resposta: encontramos duas abordagens fundamentais sendo a criminologia Tradicional que nas suas abordagens ao crime apenas se interessava sobre as suas eventuais causas, sendo que regra geral tais causas eram identificadas como estando apenas ligadas ao próprio indivíduo. Criminologia Nova ou Crítica olha crime numa perspectiva relativamente diferente, considerando que este não é algo intrínseco ao indivíduo, mais pelo contrário está ligado a vários elementos tais como o meio social em que ele se encontra inserido e por outro lado o próprio indivíduo.

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Unidade N 0 17-A0017

Tema: Determinantes da Criminalidade

Introdução

Já vimos em Durkheim e outros pensadores que o crime é um fenómeno em toda e qualquer sociedade, embora os actos considerados como tal variem de uma sociedade a outra, pois que um acto considerado crime num contexto pode não o ser num outro. Deste modo, na análise do crime em cada contexto as causas do mesmo não podem de modo algum serem as mesmas, visto que a sociedade é dinâmica. Portanto, dentro de uma mesma sociedade um acto hoje considerado crime poderá não o ser transcorrido um certo período.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Identificar as determinantes da criminalidade e algumas das teorias explicativas sobre estas.

Sumário

Determinantes da Criminalidade

Desde advento científico da criminologia entanto que uma disciplina científica e mesmo antes desta a sociedade sempre se preocupou em perceber e explicar o crime destacando as suas causas explicativas ao longo dos tempos. É deste modo que surgem a mais variadas teorias sobre o crime, que essencialmente tentam explicar este fenómeno a partir de elementos que consideram ser causas do mesmo. Estes estudos tiveram e tem uma grande importância quer seja sob de vista sociológico e bem como de intervenção social no que se refere ao delineamento de políticas públicas para combate a este fenómeno social.

Neste ponto importa referir que as teorias ou abordagens sobre causas do crime não devem ser tomadas em si mesmas como acabadas e muito menos fonte de verdades absolutas, visto que elas representam essencialmente uma tentativa ou forma de explicação de um facto social. Assim, estas devem ser tomadas de forma recorrente ou interligada, pois que na análise do crime não se deve adoptar uma perspectiva mono causal, pois que este normalmente tem por detrás várias causas associadas entre si, embora que dentre estas uma se destaque mais relativamente as outras em dado momento.

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Segundo alguns autores, podemos distinguir as teorias sobre as causas da criminalidade em: a) teorias de explicação do crime como patologia individual, b) teorias centradas no homem económico segundo a qual o crime resulta de acção tendo em vista a maximização do lucro, c) teorias de crime como subproduto de um sistema social perverso ou deficiente, d) teorias de crime como resultado de perda de controlo e desorganização social na sociedade moderna, e e) teoria de crime como resultado de factores situacionais ou oportunidades.

Teoria de Patologias Individuais

Estas subdividem-se em 3 grupos distintos nomeadamente as psicológicas, biológicas e psiquiátricas. Estas tem a particularidade de associarem a criminalidade a determinados aspectos tais como a fisiologia dos indivíduos (forma óssea, formato das orelhas, etc.), psique dos indivíduos em que os criminosos devido aos problemas de neuroses, distúrbios mentais, etc. eram vistos como inferiores aos não criminosos. Portanto, os aspectos considerados patológicos do indivíduo eram apontadas como causas explicativas do crime, ou seja, o comportamento criminoso não dependia da vontade deste e sim de distúrbios mentais ou traços psicológicos específicos de um demente ou ser inferior.

Teoria de Desorganização Social

Representa uma abordagem sistémica tendo como enfoque as comunidades que constituem uma rede de relações várias entre indivíduos e que contribuem para o processo de socialização dos seus membros. Assim, a organização e desorganização social contribuíam para inibir ou facilitar o controlo social. Nesta perspectiva, o crime resultaria da ocorrência de situações indesejáveis na organização das relações sociais, que podiam ser por exemplo: baixa supervisão dos adultos aos adolescentes e jovens, relações de vizinhanças fracas e dispersas, a desagregação familiar entre outros aspectos.

Teoria de Estilo de Vida

Esta tem como pressuposto base a ideia de que existem 3 elementos essenciais que explicam o crime designadamente: um agressor potencial, vítima potencial e um mecanismo de defesa ditado pelo estilo de vida da potencial vítima. Assim, nesta perspectiva o estilo de vida do indivíduo era fundamental para explicar a ocorrência do crime, de tal modo que pouco importava criminoso, ou seja, a racionalidade do criminoso em si que decide quando, onde e quem atacar.

Um indivíduo que passa maior parte do seu tempo fora do seu local de residência, que trabalha durante período nocturno, reside num ponto distante e sozinho, teria maiores chances de ser atacado por um outro que não estivesse nessas condições. De igual modo consideram que um indivíduo abastado que vivesse num bairro periférico, não tivesse um sistema de segurança, ostentasse bens luxuosos, saí-se nas noites, fosse de idade avançada ou mulher, estava exposta ao crime dado seu estilo de vida. Portanto, era tarefa sua dada sua condição ou situação concreta criar todas as condições de segurança para escapar ao crime. Vão mais longe ao afirmarem que a causa do crime era culpa da vítima, que tendo

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conhecimento do seu estilo de vida deveria criar condições de evitar a ocorrência deste.

Teoria de Diferenciação Social ou Aprendizado Social

A corrente considera que o crime tem a ver com o processo de aprendizagem por parte dos adolescente de comportamos que sejam ou não favoráveis ao crime, mediante um processo de interacção social com os demais. Neste sentido, a família, grupo de amigos e bem como a comunidade desempenhariam um papel importante neste processo, no sentido de poder facilitar ou inibir a participação no crime.

São apontadas como variáveis que influenciam envolvimento crime as seguintes: nível de supervisão familiar, grau de coesão no grupo de amigos, ter amigos ex-presidiários e a representação sobre outros que já foram presos, viver ou não com os pais, para além de contacto e aprendizado de práticas e técnicas criminais.

Teoria de Controlo Social

Contrariamente as demais teorias, esta centra sua análise não nas causas do crime e sim nas razões que levam os indivíduos a se absterem de cometer crime. Seu pressuposto é que os indivíduos não praticam o crime devido a sua ligação e integração social no seu meio, o que faz com que ele age de acordo com as normas e valores existentes. Portanto, a decisão de não praticar crime não tem a ver com a escolha racional do indivíduo e sim pelo contrário com o sentido de ligação e concordância que ele tem com a sua comunidade.

Teoria de Auto Controle Social

Essa abordagem olha o crime como sendo resultante do facto de que o indivíduo não deter um autocontrole e muito menos capacidade de analisar e censurar seus actos. Isto acontece pelo facto deste não ter desenvolvido mecanismos psicológicos de autocontrolo durante a infância e a de adolescência, em resultado de deficiências e anormalidades no processo de socialização decorrente da ineficácia na educação dos filhos pelos pais, que não foram capazes de impor limites a criança, negligenciaram possível mau comportamento do filho e sequer chegaram a sancionar este por qualquer falha, daí que alimentaram comportamento egoísta deste.

Deste modo, o indivíduo vai crescendo considerando que os seus desejos se sobrepõem aos dos outros e age apenas para satisfação desses sem respeitar as regras sociais.

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Teoria da Anomia

Representa uma das mais propaladas na Sociologia e foi da autoria de Merton, para quem crime ou delinquência era resultado de uma situação de desajuste entre as expectativas individuais e os valores ideais impostos pela sociedade. Quer isto dizer que cada sociedade dava aos seus membros um ideal de vida tal como o sucesso económico por exemplo, mais as chances reais de alcance deste objecto não eram possíveis a todos os seus membros pela via correcta, daí que o indivíduo enveredava por vias não legais tais como crime, apenas para alcançar o ideal da sua sociedade.

Outro aspecto que explica crime nesta teoria são as chances bloqueadas em que o indivíduo considera que o seu insucesso no alcance do ideal social resulta de factores externos a sua vontade tal como o facto de não pertencer a uma certa rede social ou mesmo ser impedido de tal. De mesmo modo temos a questão da privação relativa em que o indivíduo considera que só alguns é que vivem o ideal social, enquanto que ele nem sequer tem o suficiente para si.

Teoria da Escolha Racional

Tal como o próprio nome sugere, o crime tem a sua explicação num processo de escolha racional em que o criminoso avalia as vantagens e desvantagens de praticar crime em comparação com o facto de não o praticar e se envolver num trabalho formal e legal. Portanto, a decisão de crime é essencialmente individual em que o sujeito compara as vantagens e desvantagens de cometer crime tais como prisão, reputação, produto a furtar, etc., comparativamente ao salário que recebe enquanto trabalha ou se pudesse trabalhar.

Neste sentido, a teoria de escolhas racionais tem como pressuposto uma ponderação por parte do indivíduo que avalia os ganhos que poderá obter com o crime por um lado, e por outro as consequências do mesmo que tem a ver com detenção e outros riscos associados que podem fazer com que este não se envolva no crime. Podemos então afirmar que dentre estas teorias nenhuma delas é melhor que a outra, mais pelo contrário representam pontos de vista diferentes sobre um mesmo assunto e por conseguinte interdependentes e complementares, visto que cada um deles da importância a único aspecto, quando na verdade o crime é algo complexo e pluricausal.

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Exercícios

Auto-avaliação

1 – O que entende por determinantes da criminalidade?

Resposta: podemos entender por determinantes da criminalidade, um conjunto de elementos ou causas que podem explicar a razão da ocorrência ou prática do crime, quer seja por parte do praticante ou da vítima.

2- Explique a teoria de anomia do crime?

Resposta: a teoria de anomia, considera que crime é resultado de um desajuste ou desencontro entre o ideal de vida imposto pela sociedade e as possibilidades reais dos seus membros em alcançar este, o que leva a prática do crime como forma de alcançar este ideal mesmo que seja por vias ilícitas uma vez que é fundamental alcançar o ideal da sociedade.

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Unidade N 0 18-A0017

Tema: Pobreza como Facto Social

Introdução

A pobreza é um facto existente desde a muitos anos, podendo se

encontrar em quase todas as sociedades humanas, com características distintas ao longo do tempo. Se olharmos para a organização do mundo em blocos, vemos que por detrás desta distinção está a noção de países pobres e não pobres, ou dito de outro modo “suave” sub desenvolvidos/em vias de desenvolvimento e desenvolvidos/industrializados. Portanto, é elemento distintivo de grupos

humanos e da humanidade em geral.

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

Objectivos

Identificar alguns dos conceitos de pobreza,

Perceber a razão do estudo da pobreza sociologicamente.

Sumário

Fenómeno da Pobreza

È facto que grande parte das pessoas não tem a definição exacta daquilo que seja a pobreza, e contrariamente são capazes de identificar e exemplificar situações concretas que consideram de pobreza, chegando mesmo a avanças as causas, consequência e bem como estratégias de combate a este fenómeno social. A pobreza, é por excelência um facto social, não apenas por ser um fenómeno que ocorre em sociedade, mais tendo em conta as suas características que vão de encontro as do facto social; tal como sejam a generalidade, exterioridade coercibilidade.

Em termos históricos e etimológicos a palavra a semelhanças das demais advém do latim pauper, sendo pau = pequeno, e pario = dou á luz, querendo isso significar terrenos agrícolas ou gado que reproduziam abaixo do esperado.

Existem diferentes acepções do termo pobreza, sendo que no essencial quase todas elas olham este como sendo algo meramente económico, ou seja, é a posse de determinados meios económicos tais como renda específica, poder de aquisição, etc.

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Ela pode ser vista como “Carência Material: tipicamente envolvendo as necessidades da vida quotidiana como alimentação, vestuário, alojamento e cuidados de saúde. Pobreza neste sentido pode ser entendida como carência de bens e serviços essenciais.

Falta de Recursos Económicos: nomeadamente a carência de rendimento ou riqueza (não necessariamente apenas em termos monetários). As medições do nível económico são baseadas em níveis de suficiência de recursos ou em rendimento relativo.

a

incapacidade de participar na sociedade. Isto inclui a educação e a informação. As relações sociais são elementos chaves para compreender a pobreza pelas organizações internacionais, as quais consideram o problema da pobreza para lá da economia.1

Carência

Social:

como

a

exclusão

social,

a

dependência

e

Olhando para as mais diferentes visões a volta deste termo podemos entender a pobreza como sendo um processo complexo de carências várias que os indivíduos sentem de satisfação das suas necessidades para sua sobrevivência e dos seus dependentes, e que como tal ela abarca obviamente os níveis avançados acima que são interligados para ocorrência desta.

Pobreza como Facto Social

A pobreza é um fenómeno que existe há já séculos em quase todas as

sociedades possuindo marcas distintas ao longo dos tempos e causas igualmente diferentes. Existem vários debates a volta desta sendo que a partir daqui se faz uma distinção entre países desenvolvidos e os subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvidos, ou ainda primeiro mundo e segundo mundo. Igualmente esta tem sido visto como factor distintivo do meio urbano e o rural, ou seja, cidade e campo.

Nesta perspectiva de distinção dicotómica entre espaços físicos, notamos que esta é considera como algo específico a países considerados sub desenvolvidos ou vias de desenvolvidos, e quando a sua ocorrência se faz sentir nos ditos desenvolvidos então é um traço ou marca dos meios

suburbanos, ou seja, as periferias e quando ocorre em cidades é resultado

da migração da população do meio rural para as cidades.

Apesar destas distinções, a pobreza é um fenómeno que ocorre em toda e qualquer sociedade em maior ou menor amplitude, afectando negativamente cada indivíduo tomado isoladamente e a sociedade como

um todo. Ela pode ter as mais variadas causas (e nunca uma única) tais como “Factores Políticos Legais: corrupção e inexistência ou mau

funcionamento

de

um

sistema

democrático,

fraca

igualdade

de

oportunidades,

Factores

Económicos:

sistema

fiscal

inadequado,

representando um peso excessivo sobre a economia o sendo socialmente injusto, a própria pobreza que prejudica o investimento e desenvolvimento, Factores Naturais: desastres naturais, climas ou

1 www.wikipédia.com. Acedido em 22 de Outubro de 2011.

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relevos extremos, doenças. Problemas de Saúde: adição de drogas ou alcoolismo, doenças mentais, doenças da pobreza como a SIDA e a malária, deficiências físicas. Factores Históricos: colonialismo, passado de autoritarismo político. Insegurança: guerra, genocídio e crime.” 2

Estes e outros factores aqui destacados são responsáveis por outros factores que podemos designar por consequências lógicas da própria pobreza que geralmente tem efeitos não só ao nível da sua sociedade de origem mais também e acima de tudo em outros espaços ou contextos, interferindo ou afectando a própria estrutura social por um lado a interacção social entre os indivíduos.

É assim que já num passado a Escola de Chicago que é precursora da Sociologia Urbana se interessou pelo estudo deste fenómeno na cidade de Chicago, exactamente por perceber que este fenómeno por entender que a vida na cidade implicava uma complexa rede de relações sociais, pelo que aspectos aparentemente fúteis deveriam ser investigado pois que de algum modo interferiam na vida da sociedade como um todo.

Daí seu interesse pelo estudo dos guetos a volta de Chicago, por ser onde se concentravam o grosso dos emigrantes que trabalhavam nas fábricas e desenvolviam uma forma de organização própria que permitia-lhes integrarem-se na vida urbana, apesar das suas péssimas condições de vida.

Olhando para o contexto actual, vemos que esta faz-se sentir com maior impacto em países sub- desenvolvidos como Moçambique, quer seja no meio rural ou urbano. Estudos recentes mostram que de facto no país, ela tende a aumentar cada vez mais nos centros urbanos em decorrência da migração de parte da população, que como sabemos está em maior número no meio rural e com a guerra, calamidades e atractivo das próprias cidades aqui se concentrou resultando não só no aumento da pobreza, mais acima de tudo alterações profundo na estrutura social e morfologia das próprias cidades.

O alargamento de bairros suburbanos com condições deploráveis é exemplo disso, além do aumento dos casos de mendicidade, criminalidade, prostituição, desemprego, entre outros. Existem determinados elementos tais como esperança de vida, mortalidade infantil, PIB, etc. que servem como indicadores da pobreza. Portanto, embora aparentemente isolado a pobreza é um fenómeno que afecta a sociedade como um todo, exactamente por ocorrer dentro de um espaço determinado e poder se alastrar a outros espaços por diversas formas e razões.

Daí a preocupação enorme por parte dos governos com esta questão visto que a partir desta podemos ter como consequência fenómenos como revoltas populares, aumento da exclusão e discriminação social, emigrações, violência e instabilidade política, sem abrigos, redução da esperança de vida, desemprego, etc. uma vez que a pobreza representa uma situação de luta entre indivíduos ou grupos sociais no acesso aos

2 www.wikipédia.com. Idem.

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recursos que regra geral são escassos para satisfação das necessidades individuais e colectivas.

Exercícios

Auto-avaliação

1 – O que entende por pobreza?

Resposta: existem várias asserções do termo pobreza, mas podemos ver esta como sendo um processo complexo de carências várias que os indivíduos sentem de satisfação das suas necessidades para sua sobrevivência e dos seus dependentes, e que como tal ela abarca obviamente os níveis avançados acima que são interligados para ocorrência desta.

2- Aponte algumas das causas da pobreza?

Resposta: dentre várias podemos citar como consequências da pobreza as revoltas populares, aumento da exclusão e discriminação social, emigrações, violência e instabilidade política, sem abrigos, redução da esperança de vida, desemprego, etc.

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