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CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

INFLUÊNCIA DA CURVA DE DISTRIBUIÇÃO


LUMINOSA NA ILUMINAÇÃO DE UM GALPÃO
METALÚRGICO

Autor: Wander Vinícius dos Santos


Orientadora: Prof.ª Teresa Cristina B. N. Assunção

SÃO JOÃO DEL-REI – MG


2018
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WANDER VINÍCIUS DOS SANTOS

INFLUÊNCIA DA CURVA DE DISTRIBUIÇÃO


LUMINOSA NA ILUMINAÇÃO DE UM GALPÃO
METALÚRGICO

Trabalho apresentado como requisito


parcial para a Conclusão do Curso de
Engenharia Elétrica da Universidade
Federal de São João Del Rei.

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DEDICATÓRIA

A Deus, por ser extremamente paciente e benevolente comigo...

A minha família e aos meus amigos...

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AGRADECIMENTOS

Primeiramente a Deus, por me dar força para continuar seguindo meu caminho.
Aos meus pais, por todo amor, carinho e paciência, ao meu irmão pelo
companheirismo, aos meus avós pelos valorosos ensinamentos. Agradeço também
aos amigos e amigas adquiridos em toda minha estadia em São João del-Rei.
A esta universidade, corpo administrativo e docente, por receberem muito bem e
proporcionar evolução pessoal e profissional. Aos professores, por serem os ombros
do qual os alunos se firmam para enxergar mais longe.

A minha orientadora, professora Teresa Cristina Bessa Nogueira Assunção, pela


confiança, paciência e por todos ensinamentos ao longo do desenvolvimento deste
trabalho.

Ao meu amigo, professor Bruno de Paula Paiva Ossalin, pelos auxílios, conselhos e
companheirismo ao longo dos anos.

A todos, que de alguma forma me ajudaram na minha formação, muito obrigado.

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EPÍGRAFE

“Se consegui enxergar mais longe


foi porque me apoiei nos ombros de gigantes”.

Sir Isaac Newton

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SANTOS, Wander Vinicius. Influência da Curva de Distribuição Luminosa na


Iluminação de um Galpão Metalúrgico. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de
Engenharia Elétrica. Universidade Federal de São João Del Rei, 2018.

RESUMO

Neste trabalho é apresentado o projeto luminotécnico para um galpão metalúrgico,


cuja disposição e número de luminárias foram definidos pelo cliente. Foram feitas
análises do recinto, características das atividades e adequações de acordo com as
normas técnicas vigentes. Em seguida, realizou-se a escolha das luminárias,
utilizando o software de iluminação DIALux, e foi observado que as distribuições
luminosas de cada um dos modelos das luminárias poderiam influenciar diretamente
na iluminação do recinto, sendo então, o ponto de partida para um estudo sobre as
curvas fotométricas das luminárias.
A partir daí, foi feito um estudo apresentando os conceitos de luminotécnica, cálculos
para o dimensionamento da iluminação de recintos, do número de luminárias, e,
finalmente, o emprego de um software de projeto de iluminação.
Após a apresentação dos conceitos básicos, foram analisadas diferentes curvas de
distribuição luminosa de uma mesma família de luminária, em uma determinada
instalação, para definição de qual luminária seria mais adequada para a iluminação
de um galpão metalúrgico.
Por fim, é apresentada a importância dos aspectos luminotécnicos teóricos, softwares,
e a relevância de um bom profissional para um projeto de qualidade.

Palavras-chave: Curva fotométrica; Luminotécnica; DIALux; Iluminamento; Eficiência


Energética; Isolux; Cores falsas.

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Relação iluminâncias tarefa e entorno imediato.......................... 09

Tabela 2 - Especificação de iluminância por atividade................................. 16

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Tipos de distribuição luminosa.................................................... 05

Figura 2 - Exemplo diagrama fotométrico.................................................... 06

Figura 3 - Distribuição luminosa vistas longitudinal e transversal................ 07

Figura 4 - Distribuições luminosas de luminárias mais comuns.................. 07

Figura 5 - Distribuição de luminárias............................................................ 11

Figura 6 - Contribuições das fontes de luz no iluminamento horizontal...... 13

Figura 7 - Contribuições das fontes de luz no iluminamento vertical........... 14

Figura 8 - Introdução de dados DIALux....................................................... 17

Figura 9 - Cálculos e resultados no DIALux................................................. 18

Figura 10 - Utilização da ferramenta cores falsas nas linhas isolux.............. 18

Figura 11 - Curva fotométrica luminária 1...................................................... 19

Figura 12 - Iluminamento do recinto em linhas isolux luminária 1................. 20

Figura 13 - Iluminamento utilizando a ferramenta cores falsas luminária 1... 20

Figura 14 - Curva fotométrica luminária 2...................................................... 21

Figura 15 - Iluminamento do recinto em linhas isolux luminária 2................. 21

Figura 16 - Iluminamento utilizando a ferramenta cores falsas luminária 2... 22

Figura 17 - Curva fotométrica luminária 3...................................................... 23

Figura 18 - Iluminamento do recinto em linhas isolux luminária 3................. 23

Figura 19 - Iluminamento utilizando a ferramenta cores falsas luminária 3... 24

Figura 20 - Curva fotométrica luminária 4...................................................... 25

Figura 21 - Iluminamento do recinto em linhas isolux luminária 4................. 25

Figura 22 - Iluminamento utilizando a ferramenta cores falsas luminária 4... 26

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Figura 23 - Curva fotométrica luminária 5...................................................... 27

Figura 24 - Iluminamento do recinto em linhas isolux luminária 5................. 27

Figura 25 - Iluminamento utilizando a ferramenta cores falsas luminária 5... 28

Figura 26 - Comparativo das linhas isolux entre luminárias 3, 4 e 5............. 30

Figura 27 - Comparativo iluminamento utilizando a ferramenta cores falsas 31


luminárias 3, 4 e 5.......................................................................
Figura 28 - Ambiente de trabalho para aplicação da luminária 3.................. 32

Figura 29 - Exemplo ambiente de trabalho para aplicação da luminária 4.... 32

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SUMÁRIO

RESUMO iv

LISTA DE TABELAS vi

LISTA DE FIGURAS vii

1 INTRODUÇÃO........................................................................................... 01

2 REVISÃO DE LITERATURA...................................................................... 02

2.1 Conceitos luminotécnica............................................................................ 02

2.2 Luminárias.................................................................................................. 04

2.3 Características fotométricas....................................................................... 06

2.4 Iluminação ambientes internos.................................................................. 08

2.5 Cálculos luminotécnicos............................................................................ 09

2.6 Software DIALux........................................................................................ 14

3 METODOLOGIA NO ESTUDO DE CASO................................................. 15

4 RESULTADOS........................................................................................... 19

5 DISCUSSÃO.............................................................................................. 28

6 CONCLUSÃO............................................................................................ 33

7 PROPOSTAS PARA TRABALHOS FUTUROS......................................... 33

8 REFERÊNCIAS.......................................................................................... 33
1 INTRODUÇÃO

No desenvolvimento de um projeto elétrico, a iluminação é fundamental,


necessitando de conhecimentos específicos para a determinação do iluminamento
ideal para o recinto projetado, e ao mesmo tempo, é essencial considerar fatores
econômicos, eficiência energética, dentre outros.

A motivação deste trabalho partiu do desenvolvimento de um projeto


luminotécnico para um galpão industrial, onde durante a escolha de qual luminária
utilizar no recinto, foi observado que para uma mesma família de lâmpadas foram
verificadas diferentes densidades de luminância no plano de trabalho. Foi observado
que, a distribuição luminosa de cada luminária possui um tipo de comportamento no
ambiente, necessitando assim, verificar o iluminamento e a influência na quantidade
de lâmpadas projetadas, contribuindo para a qualidade da iluminação e redução de
custos, tanto no projeto quanto no consumo de energia.

Antes de aprofundar no tema e analisar o comportamento de cada luminária,


foi feito um estudo sobre os conceitos luminotécnicos, entendendo princípios básicos
como intensidade luminosa, eficiência luminosa, iluminância e apresentando as
normas de projetos luminotécnicos.

A seguir, foram apresentados os métodos para o cálculo da quantidade de


lâmpadas e luminárias, a partir dos dados do ambiente.
Cada método tem suas particularidades, utilizando um software os cálculos podem
ser executados com mais rapidez e precisão.

Para os cálculos do projeto de iluminação, deve ser definida a luminária, pois,


seus dados como fluxo luminoso e curva fotométrica têm papel fundamental no
iluminamento.

Foi utilizado o software DIALux [1], uma ferramenta computacional para


projetos luminotécnicos, onde é possível a inclusão de dados de luminárias e
lâmpadas de uma grande parcela de fabricantes.

No estudo de caso, foram utilizados conceitos luminotécnicos, ferramentas


computacionais e dados de fabricantes para comparação das simulações entre as
luminárias. Aspectos como distribuição luminosa, curvas isolux e utilização da
2

ferramenta de cores falsas foram importantes para análise dos resultados.

Por fim, é feita uma reflexão sobre a importância do conhecimento para se


ter projetos que atendam às necessidades de iluminação, custo-benefício e eficiência
energética.

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Conceitos de Luminotécnica

Luminotécnica é o estudo focado no melhor aproveitamento das fontes


luminosas, sejam estas, natural ou artificial, para a iluminação interna ou externa de
um ambiente. Na NBR/ISO8995 [2] são fornecidas as diretrizes básicas para a
iluminação interna de cada ambiente de trabalho.

Um bom projeto luminotécnico deve apresentar aspectos como nível de


iluminamento de acordo com a atividade de trabalho [2], distribuição uniforme da luz
no ambiente, ofuscamento e índice de reprodução de cores.

Serão abordados a seguir, os conceitos básicos de luminotécnica para


projetos de iluminação, os quais serão de fundamental importância para os cálculos
e escolha de luminárias.

Fluxo luminoso: Segundo FILHO, J. M. 2010. [3], é a potência de radiação


emitida por uma fonte luminosa em todas direções do espaço. A unidade que
representa está quantidade de luz irradiada é o lúmen.

Iluminância: Segundo FILHO, J.M. 2010. [3], “é o limite da razão do fluxo


luminoso recebido pela superfície em torno de um ponto considerado para a área
superfície quando este tende a zero”. Também denominada como iluminamento é
expressa em lux e pode ser representada por (1).

𝜓
𝐸= (𝑙𝑢𝑥)
𝑆 (1)

Sendo: 𝜓 – Fluxo luminoso (Lúmens), S – Área da superfície (metro quadrado).

Eficiência luminosa: Razão entre fluxo luminoso (𝜑) e a potência em watts


2
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consumida, definida por (2):

𝜓
𝜂= (𝐿𝑢𝑚𝑒𝑛𝑠/𝑊)
𝑃𝑐 (2)

Sendo: 𝜓 – Fluxo luminoso (Lúmens), Pc – Potência consumida (Watts).

Em um projeto, o fator eficiência luminosa é um dos fatores determinantes na


escolha da lâmpada escolhida no projeto, levando em conta a eficiência energética e
o custo-benefício.

Intensidade luminosa: Segundo FILHO, J.M. 2010 [3], “o limite da relação


entre o fluxo luminoso em um ângulo sólido em torno de uma direção dada e o valor
desse ângulo sólido tende a zero”. Sua unidade é denominada Candela (Cd), como
em (3):

𝑑Ψ
𝐼= (𝐶𝑎𝑛𝑑𝑒𝑙𝑎)
𝑑𝛽 (3)

Sendo: 𝜓 – Fluxo luminoso (Lúmens), 𝛽 – Valor angular (graus ou radianos).

Desta maneira, podemos observar que o valor da intensidade luminosa está


diretamente relacionado com seu ângulo de emissão, não sendo uniforme em todas
as direções.

Com estas observações, foram desenvolvidas curvas de distribuição


luminosa que caracterizam lâmpadas e luminárias, sendo assim fundamental para o
projetista na escolha do equipamento que melhor se adequa ao ambiente. Tais
informações são disponibilizadas em catálogos das fabricantes, possuindo também
extensões de arquivos que podem ser utilizados em softwares para simulações de
desempenho.

Luminância: é relação entre a intensidade luminosa em direção a um


determinado ponto em uma superfície e a área deste, tendo como equação (4):

𝐼
𝐿= (𝑐𝑑/𝑚2 )
𝑆 . 𝑐𝑜𝑠𝛼 (4)

Sendo: S – Superfície iluminada (metro quadrado), 𝛼 – Ângulo formado entre a


superfície e o eixo vertical (graus ou radianos), I – Intensidade luminosa (Candela).
3
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A sensação de claridade promovida pela fonte luminosa ou superfície


iluminada é denominada luminância. Importante ressaltar que o fluxo luminoso, a
intensidade luminosa e a iluminância são visíveis apenas se refletidos por uma
superfície, tendo luminância um fator direto para detecção destes parâmetros.

2.2 Luminárias

De acordo com FILHO, J. M. 2010. [3], as luminárias possuem papel


fundamental nos projetos luminotécnicos, pois, além de servir como fixação de
lâmpadas ou módulos de iluminação, desempenha também a função de controlar e
distribuir o fluxo luminoso da fonte de luz.

Desta forma, assim como ocorre na escolha da lâmpada, cujas


características devem ser adequadas ao ambiente, extraindo o máximo de seu
potencial para obter economia de energia, ocorre também com a luminária, pois, o
seu tipo determina o desempenho e a eficiência energética.

As luminárias podem ser classificadas quanto às características direcionais


do fluxo luminoso, segundo a IEC (International Electrotechnical Commision) [4]
como:

Direta: Neste caso, o fluxo luminoso é diretamente direcionado sobre a


superfície a ser iluminada. Para esta classe é necessário cuidado quanto às sombras
e ofuscamento.

Indireta: Esta classe se caracteriza por direcionar o fluxo luminoso da


lâmpada para a parede ou teto, onde este chega ao plano de trabalho de maneira
indireta. É muito utilizado em iluminação decorativa como jardins, salas, shoppings.

Semidireta: Neste caso, parte do fluxo é direcionado diretamente à superfície


que se deseja iluminar, e a outra parte é direcionada às paredes ou teto, iluminando
indiretamente o plano de trabalho. O efeito direto possui maior proporção que o
indireto.

Semi-indireta: Neste caso grande parte do fluxo é direcionado de forma


indireta ao plano de trabalho e o restante de maneira direta. Apesar de não apresentar
ofuscamento, o que é agradável aos olhos, não possui boa eficiência sendo pouco

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utilizada em projetos.

Geral-difusa: Apresenta a mesma intensidade luminosa em todas as


direções, produzindo pouca sombra e ofuscamento.

Direta-Indireta: Neste tipo de distribuição luminosa temos praticamente o


mesmo fluxo luminoso para baixo ou para cima.

Na Figura 1 é mostrado o comportamento de cada tipo de distribuição


luminosa.

Figura 1 – Tipos de distribuição luminosa

Fonte: Ghisi, E. 1997. [5]

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2.3 Características fotométricas

A luminária em conjunto com a lâmpada gera um fluxo luminoso não uniforme


em função de um ângulo. Como conhecido, a distribuição luminosa da lâmpada é
praticamente uniforme em todas as direções, ficando para a luminária a manipulação
do fluxo.

Desta maneira, para a determinação das características fotométricas de cada


luminária, são empregadas as curvas de distribuição luminosa. Estas são uma
representação gráfica em coordenadas polares utilizando como base um fluxo
luminoso de 1000 lúmens, representada por linhas circulares, como mostradas na
Figura 2.

Figura 2 – Diagrama fotométrico da luminária

Fonte: Catalogo Philips luminária BY470P PHILIPS [6]

A interpretação da Figura 2 considera a fonte luminosa localizada no centro


do diagrama, sendo a intensidade luminosa quantificada pelo raio de propagação.

Na Figura 3 é mostrada como são obtidas as linhas na distribuição luminosa


de cada luminária.

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Figura 3 – Vistas longitudinal e transversal da distribuição luminosa

Fonte: Manual de iluminação – Procel EPP – Agosto 2011 [7]

Analisando alguns tipos de curvas de distribuição luminosa (Figura 4), é


verificado que cada tipo de distribuição luminosa apresenta um determinado
comportamento de iluminamento do ambiente. Esta característica é importante para
o melhor desempenho luminoso em determinados recintos. Além disso, esta
informação é essencial para que o projeto luminotécnico atinja os seus objetivos
focando a qualidade e eficiência energética.

Figura 4 – Distribuições luminosas de luminárias

Fonte: FIORINI, T. M. S. Projeto de Iluminação de Ambientes Internos Especiais [8]

Avaliando os diagramas da Figura 4, são identificadas as características dos


tipos de distribuição luminosa, segundo FIORINI, 2006. [8]:

- Curva 1: possui elemento de fluxo semidireto, características da qual torna


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esta luminária indicada para ambientes com iluminamento médio e com bom controle
de reflexos.

- Curva 2: possui atributos de iluminamento direto com pouca abertura radial,


ideal para recintos com pé-direito alto.

- Curva 3: possui características difusas e indiretas, comumente utilizado para


ambiente com iluminamento baixo.

- Curva 4: distribuição conhecida como “asa de morcego” ou “batwing”, possui


fortes características semidireta, sendo ideal para ambientes que necessitem de
ótima iluminância e baixo ofuscamento, aplicável a baixos e médios pés-direitos.

- Curva 5: possui atributos direto com uma abertura radial um pouco maior,
tornando-a ideal para pés-direitos baixos com níveis de iluminamento médio.

A análise das curvas de distribuição luminosa proporciona a identificação das


características das luminárias, e consequentemente, a sua escolha. Porém, é
necessário saber exatamente o comportamento da distribuição luminosa, pois, o
ambiente e suas características influenciam diretamente no iluminamento. Para isso,
o uso de softwares de cálculos e simulações é essencial, trazendo confiabilidade,
qualidade, economia e eficiência ao projeto.

2.4 Iluminação interna

Um projeto de iluminação requer a análise das características do recinto,


como tipo de ambiente, tarefa ou atividade, e outros atributos que afetam a
iluminância do local.

É importante que, o projetista certifique a distribuição uniforme do


iluminamento por todo recinto, evitando distorções da intensidade luminosa. Fatores
determinantes no projeto como depreciação do fluxo luminoso (por elementos como
poeira), utilização (coeficientes de reflexão teto, parede, piso) são determinantes no
cálculo do fluxo luminoso total.

A NBR/ISO 8995 [2] padroniza a iluminância mínima para cada tipo de


ambiente, orientando o projetista e tornando os projetos parametrizados.
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O Índice de Reprodução de Cor (IRC), segundo a NBR/ISO8995 [2], tem


papel fundamental no desempenho visual das cores no ambiente, trazendo sensação
de bem-estar e conforto. Com intuito de padronizar o IRC para cada tipo de ambiente,
foi introduzido o fator Ra, variando de 0 a 100, onde o valor máximo é a reprodução
mais fidedigna de uma cor.

O ofuscamento é a sensação de desconforto gerado por fontes de iluminação


de brilho intenso no campo de visão, e o ângulo de corte mínimo nas luminárias tem
como função a proteção contra o ofuscamento. Na NBR/ISO 8995 [2] é apresentado
um índice que relaciona o ofuscamento e os ângulos de corte mínimo em cada tipo
de ambiente, denominado Índice de ofuscamento unificado (UGR), quanto menor o
valor deste índice (variando geralmente de 13 a 28), menor o ofuscamento permitido.

A iluminância no entorno imediato, segundo a NBR/ISO 8995 [2], é obrigatório


que esteja relacionada com a iluminância da área de tarefa, sendo adequado que a
distribuição luminosa se apresente harmoniosa com a iluminância no campo de visão.

Mudanças drásticas das iluminâncias no entorno da área de trabalho podem


acarretar um esforço visual desconfortável. Desta maneira, a iluminância nas áreas
do entorno imediato pode ser menor que a iluminância da área da tarefa, porém não
é permitido valores inferiores aos dados da Tabela 1:

Tabela 1 – Relação iluminâncias tarefa e entorno imediato

Fonte: Norma NBR/ISO8995. pag.13. [9]

2.5 Cálculos luminotécnicos

Os métodos para o cálculo da iluminação interna, mais comumente utilizados,


serão descritos a seguir.

Método dos Lúmens: O objetivo deste método é calcular o iluminamento médio na

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superfície desejada, sendo determinado por (5):

𝐸 .𝑆
𝜓= (𝑙𝑢𝑚𝑒𝑛𝑠)
𝐹𝑢 . 𝐹𝑑𝑙 (5)

Sendo: ψ - Fluxo total emitido pelas lâmpadas, em lúmens.


E – Iluminamento médio conforme a NBR/ISO8995 [2] em lux, S – Área do recinto,
em m², Fu – Fator de utilização, Fdl – Fator de depreciação da luminária.

O fator de depreciação é relacionado com a diminuição do fluxo luminoso


com o decorrer do tempo de operação.

Segundo FILHO, J. M. 2010. [3], o fator de utilização é a relação entre o fluxo


luminoso que chega ao plano de trabalho e o fluxo luminoso total emitido pelas
lâmpadas.

O índice do recinto é calculado por (6):

𝐴.𝐵
𝐾= (6)
𝐻𝑙𝑝 . (𝐴 + 𝐵)

Sendo: K – Índice recinto, A – Comprimento recinto, em m, B – Largura do recinto,


em m, Hlp – altura útil de trabalho.

O número de luminárias é calculado por (7).

𝜓𝑡
𝑁𝑙𝑢 = (7)
𝑁𝑙𝑎 . 𝜓𝑙

Sendo: 𝜓𝑡 – Fluxo luminoso total em lúmens, Nla – Número lâmpadas, 𝜓𝑙 – Fluxo


luminoso da lâmpada em lúmens.

A distribuição é a distância igualitária entre as luminárias, já o espaço em


relação as paredes é a metade deste valor, como mostrado na Figura 5.

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Figura 5 – Distribuição das luminárias

Fonte: Filho, Inst. Elétricas Industriais. pag. 53. [3]

Método das Cavidades Zonais: Este método é baseado na transferência de fluxo


luminoso considerando os fatores de utilização e depreciação, como no método de
lúmens, mas considerando as cavidades zonais do teto, piso e do recinto. Este critério
de planejamento luminotécnico é utilizado principalmente em ambientes que exigem
um alto padrão de iluminação.

As cavidades alteram consideravelmente os valores de fluxo luminoso ao


plano de trabalho. As principais cavidades são:

Cavidade do teto: Espaço existente entre o plano da luminária e o teto (ou


forro).

Cavidade do recinto ou do ambiente: Espaço existente entre o plano da


luminária e o plano de trabalho, também sendo conhecido como altura útil.

Cavidade do piso: Espaço existente entre o plano de trabalho e o plano do


piso.

Através de (8) é determinado o fator de relação das cavidades:

5 . (𝐴 + 𝐵)
𝐾𝑐𝑧 = (8)
𝐴𝑐𝑧 . 𝐵𝑐𝑧
Sendo: Kcz – Fator das cavidades; Acz – Comprimento do recinto, em metros; Bcz –
Largura do recinto, em metros.

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Em seguida, são calculadas as relações entre o Kcz (8) e as cavidades do


recinto, segundo (9), (10) e (11):

𝑅𝑐𝑟 = 𝐾 . 𝐻𝑙𝑝 (9)

𝑅𝑐𝑡 = 𝐾 . 𝐻𝑡𝑙 (10)

(11)
𝑅𝑐𝑝 = 𝐾 . 𝐻𝑝𝑝

Sendo: Rcr - Relação da cavidade do recinto; Rct - Relação da cavidade do teto; Rcp
- Relação da cavidade do piso; K - Fator de relação das cavidades; Hlp - Cavidade
do recinto; Htl - Cavidade do teto; Hpp = cavidade do piso.

Método ponto-a-ponto: Por último, nesta metodologia é calculada a contribuição de


todas as fontes luminosas em um determinado ponto atingido pelo fluxo luminoso, e
desta forma, a soma total das contribuições determina o valor do iluminamento no
ponto escolhido. O método é bastante utilizado para verificação da distribuição
luminosa no recinto, iluminância da tarefa e do entorno imediato, conforme a
NBR/ISO8995 [2].

O fluxo luminoso pode atingir tanto o plano vertical como horizontal, desta
forma tem-se dois tipos de iluminamento:

Iluminamento horizontal: O fluxo luminoso total é dado pela soma das


contribuições de cada luminária num determinado ponto do plano horizontal. Assim,
o iluminamento em cada ponto é calculado como mostrado em (12).

𝐼 . 𝑐𝑜𝑠 3 𝛼
𝐸= (𝑙𝑢𝑥)
𝐻2 (12)

Sendo: E – Iluminamento, em lux; I – Intensidade do fluxo luminoso, em candela; α –


Ângulo entre uma dada direção do fluxo luminoso e a vertical que passa pelo centro
da lâmpada, em graus ou radianos; H – Altura vertical da luminária, em metros.

Na Figura 6 são apresentados todos os elementos envolvidos no cálculo do


iluminamento em dado um ponto (O) do plano.
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Figura 6 – Contribuições das fontes de luz no iluminamento horizontal

Fonte: Filho, Inst. Elétricas Industriais [3]

Iluminamento vertical: De maneira análoga, o fluxo luminoso total no plano


vertical é a soma das contribuições de cada luminária. Portanto, o iluminamento em
cada ponto é definido por (13):

𝐼 . 𝑠𝑒𝑛3 𝛼
𝐸= (𝑙𝑢𝑥) (13)
𝐷2

Sendo: E – Iluminamento, em lux; I – Intensidade do fluxo luminoso, em candela; α –


Ângulo entre uma dada direção do fluxo luminoso e a vertical que passa pelo centro
da lâmpada; D – Distância entre a luminária e o ponto localizado no plano horizontal,
em metros.

Na Figura 7 são visualizados os parâmetros envolvidos no cálculo do


iluminamento vertical em dado ponto (O) no plano.

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Figura 7 – Contribuições das fontes de luz no iluminamento vertical

Fonte: Filho, Inst. Elétricas Industriais [3]

Um detalhe importante é que a intensidade luminosa é obtida das curvas


fotométricas. Tal informação é de extrema importância para o projeto luminotécnico,
determinando qual será a distribuição luminosa em cada ponto no ambiente.

2.6 Software DiaLux

Com a tecnologia, softwares de simulação se tornaram uma ferramenta


fundamental para os projetos luminotécnicos, executando cálculos e simulações de
maneira precisa, rápida e eficiente. Atualmente, é possível criar ambientes de
maneira fiel ao real, trazendo confiabilidade e eficiência aos projetos.

Existem diversos softwares para projeto de iluminação, porém, o DIALux [1]


se destaca por ser o mais adotado dentre os profissionais envolvidos em projetos
luminotécnicos. Além de possuir ótima aceitabilidade dos principais fabricantes de
equipamentos luminotécnicos, disponibilizando informações de seus produtos em
formato compatível ao software, possui um ambiente de programação fácil e intuitivo
de ser utilizado.

Um dos seus recursos mais poderosos é a capacidade de visualização 3D


realística do ambiente, trazendo inúmeras possibilidades de uso. Possui a
capacidade de importar arquivos de outros softwares, como o AutoCAD [9], trazendo
mais versatibilidade aos projetos.

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3 ESTUDO DE CASO

A empresa RCM (Recuperação e Comércio de Metais LTDA) requisitou um


projeto luminotécnico para suas novas instalações, localizadas no município de
Coronel Xavier Chaves.

A princípio existia um pré-projeto da instalação antiga com determinado tipo,


número e disposição das luminárias. Como as novas instalações possuíam as
mesmas características gerais, foi decidido manter o mesmo padrão da instalação
luminotécnica, mudando apenas o tipo de luminária, que no caso, a escolhida, é a do
tipo LED.

O estudo de caso teve como primeira diretriz verificar se a disposição


proposta das luminárias estava adequada conforme as regras técnicas.
Posteriormente, foi utilizado o software DIALux [1] em um ambiente próximo do real,
analisando os valores de iluminância sobre o plano de trabalho, a distribuição da
iluminação pelo ambiente, verificando a homogeneidade, existência de
sombreamento e o atendimento ao iluminamento determinado. Com a simulação,
notava-se uma distribuição luminosa diferente para cada modelo de luminária.

Iniciou-se, então, um estudo para entender as causas das diferenças na


iluminação do ambiente. Como o único elemento diferente nas simulações eram as
luminárias, foi constatado ser este o motivador e que as características fotométricas
de cada modelo eram as responsáveis pelos resultados distintos.

O próximo passo foi entender melhor estas distribuições luminosas e utilizar


deste conhecimento para escolher a luminária, que por suas características, se
adequasse melhor ao recinto.

Inicialmente, foi consultada a NBR/ISO8995 [2], na qual são definidos os


critérios para o planejamento da iluminação, dentre eles: tarefas ou atividades
envolvidas, iluminância, ofuscamento unificado e índice de reprodução de cores.

De acordo com a atividade a ser desenvolvida no galpão, foi definida a


iluminância de acordo com a Tabela 2.

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Tabela 2 – Especificação de iluminância por atividade

Fonte: Norma NBR/ISO8995. pag.16. [14]

Outro ponto interessante a nível de projeto, segundo FIORINI, T. M. S. 2006.


[8], para a obtenção do conforto visual além do nível de iluminamento proposto por
norma, é necessário um controle do reflexo, do brilho e do ofuscamento. Tais
características, de acordo com a NBR/ISO8995 [2], depende de um bom equilíbrio
entre luz difusa e a direcional.

A disposição das luminárias foi definida como sendo 4 fileiras na horizontal


com 8 luminárias em cada umas delas. A escolha das luminárias considerou fatores
como custo x benefício, dados de catálogos, disponibilidade no estoque de
fornecedores, renome da empresa e assistência técnica. Além disso, foram
considerados para a especificação do módulo LED:

- Iluminância

- Distribuição luminosa

- Eficiência luminária

Para os cálculos no DIALux [1] os dados são disponibilizados, como mostrado


na Figura 8, os quais são as características do recinto, fatores de utilização e
depreciação, altura útil e tipo de montagem. Logo após, foram testadas diferentes
luminárias para proporcionar o iluminamento adequado para o ambiente.

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Figura 8 – Introdução de dados DIALux

Fonte: Próprio Autor [2018].

Nesta etapa, foi observado que, para um mesmo modelo de luminária, porém
com diferentes tipos de curvas fotométricas, apresentam padrões diferentes de
iluminamento no ambiente, que é o motivo da proposta deste trabalho. O próximo
passo foi a busca para entender o porquê deste comportamento, ou seja, como pode
a distribuição luminosa influenciar no ambiente e como tirar proveito dessa
característica da luminária.

A seguir, no software foram disponibilizados os parâmetros de distribuição


luminosa das luminárias para os cálculos, conforme a Figura 9. Analisando os
resultados, foi verificado que o DIALux [1], utiliza iterações de todas as fontes
luminosas em cada ponto do ambiente, retornando os valores em lux e traçando
linhas isolux, facilitando a visualização do iluminamento no ambiente.

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Figura 9 – Cálculos e resultados da iluminância no DIALux

Fonte: Próprio Autor [2018].

Uma opção interessante é o uso da ferramenta cores falsas, onde a partir dos
resultados é utilizada uma escala de cores interpoladas de acordo com os valores do
diagrama isolux coletados na Figura 9. Este recurso auxilia a análise da distribuição
luminosa no ambiente através elementos gráficos, como mostrado na Figura 10.

Figura 10 – Utilização da ferramenta cores falsas nas linhas isolux

Fonte: Próprio Autor [2018].

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4 RESULTADOS

Foram utilizadas luminárias LED Philips high-bay familia by 471p pro250s [6],
catálogos luminárias GentleSpace2. Os arquivos luminotécnicos são disponibilizados
no site do fabricante [10] para as simulações no DIALux [1] (seção emissão luminosa
Figura 8).

A seguir, são apresentadas as simulações com cada luminária:

Luminária 1: Modelo BY471P GRN250S840 PSD-CLO WB GC SI

Na Figura 11 é apresentada a curva de distribuição luminosa conhecida como


“asa de morcego” ou “batwing”, possuindo fortes características de fluxo luminoso
semidireto, ideal para ambientes que necessitem de ótima iluminância e baixo
ofuscamento devido a sua abertura angular, conforme a NBR/ISO8995 [2].
Entretanto, a base curvada indica desigualdade na distribuição de luz pelo ambiente,
além desta ser indicada para ambientes de baixo pé direito.

Figura 11 – Curva fotométrica luminária 1

Fonte: Catalogo Philips Modelo BY471P GRN250S840 PSD-CLO WB GC SI, 2018. [6]

A seguir, simulando no DIALux, foram obtidas as linhas isolux de


iluminamento, como mostradas na Figura 12.

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Figura 12 – Iluminamento do recinto em linhas isolux

Fonte: Próprio Autor [2018].

Utilizando as linhas isolux da Figura 12, foi utilizada a ferramenta cores falsas
para melhor visualização da simulação e analisar a iluminação do ambiente (Figura
13).

Figura 13 – Iluminamento utilizando a ferramenta cores falsas

Fonte: Próprio Autor [2018].

Pode ser observado que com a Luminária 1 o iluminamento não é


homogêneo no ambiente, o que é indesejável, pois, gera sombreamento e
desconforto visual. Outra informação relevante é a quantidade de lux sobre o plano
apresentando valores abaixo do desejável, segundo a Tabela 1 [9] da NBR/ISO8995
[2], 500 lux de iluminância para região de trabalho (área central) e 300 lux iluminância
para o entorno imediato.

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Luminária 2: Modelo BY471P_GRN250S840 PSD A50 G MBW SI

Na Figura 14 a luminária 2 apresenta uma distribuição luminosa um pouco


diferente do que é normalmente utilizado em projetos luminotécnicos. Apesar de ter
certas características do fluxo luminoso direto, a vista transversal possui uma forte
inclinação e valores bem acima em relação à vista longitudinal.

Figura 14 – Curva fotométrica luminária 2

Fonte: Catalogo Philips Modelo BY471P GRN250S840 PSD A50 G MBW SI [6]

A seguir, foi utilizada a curva da Figura 14 na simulação no DIALux [1], sendo


obtidas as linhas isolux de iluminamento, como mostradas na Figura 15.

Figura 15 – Iluminamento do recinto em linhas isolux

Fonte: Próprio Autor [2018].

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Utilizando as linhas isolux obtidas na Figura 15 e a ferramenta cores falsas,


foi obtido o iluminamento mostrado na Figura 16.

Figura 16 – Iluminamento utilizando a ferramenta cores falsas

Fonte: Próprio Autor [2018].

Analisando os resultados da Luminária 2, o iluminamento não é satisfatório.


Além de não simétrico e homogêneo, os valores de iluminância são abaixo do
recomendado, segundo a Tabela 1 [9] da NBR/ISO8995 [2], 500lux de iluminância
para região de trabalho (área central) e 300 lux iluminância para o entorno imediato.
Certamente, esta luminária é indicada para ambientes específicos, onde suas
características luminosas seriam mais adequadas.

Luminária 3: Modelo BY471P GRN250S840 PSD NB GC SI

A distribuição luminosa da luminária 3 apresentada na Figura 17, possui


características da classe de fluxo luminoso direta, sendo ideal para ambientes com
pé direito elevado. Outro ponto interessante são os altos valores de intensidade
luminosa, entretanto o valor baixo do ângulo de corte poderia gerar eventual
ofuscamento, sendo então, recomendada a instalação das luminárias fora do campo
visual. Sua base curvada na vista longitudinal indica desigualdade na distribuição
horizontal.

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Figura 17 – Curva fotométrica luminária 3

Fonte: Catalogo Philips Modelo BY471P GRN250S840 PSD NB GC SI [6]

A seguir, a curva da luminária 3 foi utilizada no DIALux [1], obtendo as linhas


isolux de iluminamento, como mostradas na Figura 18.

Figura 18 – Iluminamento do recinto em linhas isolux

Fonte: Próprio Autor [2018].

Novamente, utilizando as linhas isolux obtidas na Figura 18, com a


ferramenta cores falsas (Figura 19) foi analisada a iluminação do ambiente.

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Figura 19 – Iluminamento utilizando a ferramenta cores falsas

Fonte: Próprio Autor [2018].

Podemos observar que a Luminária 3 apresentou bons valores de


iluminamento com distribuição luminosa homogênea e simétrica no ambiente. Tais
características fotométricas poderiam ser aproveitadas em ambientes que possuem
bancadas, posicionando-as embaixo da luminária onde há maior quantidade fluxo
luminoso, conforme mostrado na Figura 17.

Luminária 4: Modelo BY471P GRN250S840 PSED HRO GC SI

Na Figura 20 são apresentadas as características de uma luminária com fluxo


luminoso transversal, com uma abertura angular bem maior, e base mais plana em
relação à vista longilínea, mostrando uma potência luminosa maior e mais focada no
centro.

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Figura 20 – Curva fotométrica luminária 4

Fonte: Catalogo Philips Modelo BY471P_GRN250S840 PSED HRO GC SI [6]

A seguir, foi utilizada a curva no DIALux [1], obtendo as linhas isolux de


iluminamento, como mostradas na Figura 21.

Figura 21 – Iluminamento do recinto em linhas isolux

Fonte: Próprio Autor [2018].

Utilizando as linhas isolux obtidas na Figura 21 e a ferramenta cores falsas


foram obtidos os dados do iluminamento, conforme a Figura 22.

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Figura 22 – Iluminamento utilizando a ferramenta cores falsas

Fonte: Próprio Autor [2018].

Os resultados gerados pela simulação e apresentados na Figura 22, mostram


que a Luminária 4 apresenta faixas de iluminamento devido as suas características
luminosas. Analisando a curva fotométrica, notamos sua influência no ambiente onde
o fluxo longitudinal apresenta como característica, fornecer um iluminamento com
valor constante na base do ângulo de corte, porém com alta potência luminosa,
decorrente do fluxo luminoso transversal do tipo direto.

Tais características poderiam ser bem aproveitadas em ambientes de


depósitos com fileiras de prateleiras, onde os maiores valores de fluxo são
aproveitados nos espaços entre estas, por onde transitam funcionários,
empilhadeiras, etc.

Luminária 5: Modelo BY471P PRO250S/840 PSD MB GC SMT-HD SI X

Analisando a distribuição luminosa da Figura 23, é verificado que a vista


transversal possui características tanto semidiretas como diretas, já a longilínea é
relacionada ao fluxo luminoso direto. A base mais plana indica uma distribuição
uniforme e ampla na horizontal.

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Figura 23 – Curva fotométrica luminária 5

Fonte: Catalogo Philips Modelo BY471P PRO250S/840 PSD MB GC SMT-HD SI X [6]

A seguir, na Figura 24 são apresentadas as linhas isolux de iluminamento


obtidas da simulação no DIALux [1].

Figura 24 – Iluminamento do recinto em linhas isolux luminária 5

Fonte: Próprio autor [2018].

Utilizando-se das linhas isolux obtidas na Figura 24 e a ferramenta cores


falsas, é obtida a característica do iluminamento do ambiente, o que pode ser
verificado na Figura 25.

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Figura 25 – Iluminamento utilizando a ferramenta cores falsas luminária 5

Fonte: Próprio autor [2018].

O resultado da simulação, verificado na Figura 25, apresentou um


comportamento de iluminamento do ambiente bem homogêneo e radial, com bons
valores de iluminância na região central. Logo, as características fotométricas
semidireta e direta combinadas produziram linhas isolux mais bem distribuídas,
porém, perdendo iluminamento no plano de trabalho.

5 DISCUSSÃO

Após, as simulações e análises dos dados, foi verificado que a luminária 1


não atingiu os resultados esperados. Isso se deve as características do fluxo
luminoso, predominantemente semidireto, produzindo valores de iluminância abaixo
do desejável, comprovando que este tipo de fluxo é ideal para ambientes de pé direito
baixo.

A luminária 2 apresenta comportamento que não adequa ao projeto por sua


distribuição luminosa não simétrica e homogênea, além de apresentar os valores de
iluminância abaixo do recomendado, segundo a Tabela 1 [9] da NBR/ISO8995 [2],
deveria apresentar 500lux de iluminância para região de trabalho (área central) e 300
lux iluminância para o entorno imediato.

As luminárias 3, 4 e 5 possuem distribuições características de fluxo direto,


ideal para instalações de alto pé direito, e confirmando nas simulações os maiores
valores de iluminância. Porém, com suas próprias características de distribuição
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luminosa, resulta no ambiente comportamentos distintos de iluminação.

Tais particularidades podem ser vantajosas dependendo do ambiente,


porém, não foram obtidos valores de densidade de luminância desejados, no caso
500 lux na maior parte do ambiente, como estabelecido pela Tabela 1 [9] da
NBR/ISO8995 [2], sendo necessário ajustes no projeto.

Então, foram levantadas diversas propostas para melhoria do iluminamento


no ambiente como:

- Redução da altura útil das luminárias.


Desvantagem: Caso haja equipamentos, como por exemplo pórtico rolante de altura
elevada, torna-se inviável a mudança no projeto inicial.
- Melhoria nos fatores de redução (utilização tintas claras, boas práticas de limpeza).
Desvantagem: Utilização de tintas laváveis e limpeza periodizada.
- Utilização de telhas de policarbonato translúcido no galpão.
Desvantagem: Mudanças estruturais consideráveis e limpeza periodizada.
- Aumentar a quantidade de luminárias no projeto de iluminação.
Desvantagem: Possibilidade de não ser viável economicamente.

Cada solução tem que ser analisada junto aos responsáveis, para verificar a
viabilidade. Todas opções possuem questões econômicas relevantes como
investimento em mudanças estruturais, custos operacionais com limpeza e
conservação, demanda de energia elétrica. Estes pontos devem ser estudados
visando o custo x benefício.

No projeto foi escolhido aumentar o número de luminárias por questões


administrativas, pois, a empresa requisitante optou por poucas mudanças estruturais
e operacionais, autorizando a colocação de mais luminárias e ciente do aumento do
consumo energético. Foi adicionada uma fileira de 8 luminárias na horizontal, e nas
Figuras 26 e 27 são mostrados os resultados com cada luminária selecionada.

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Figura 26 – Comparativo das linhas isolux entre luminárias 3, 4 e 5

Fonte: Próprio autor [2018].

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Figura 27 – Comparativo iluminamento utilizando a ferramenta cores falsas

Fonte: Próprio autor [2018].

Analisando as simulações com as mudanças propostas, verifica-se o


aumento da iluminância no recinto. Desta maneira, é obtida as iluminâncias
desejadas (região central de trabalho 500lux e entorno imediato 300 lux), porém a
luminária 5 apresentou uma área de menor iluminamento em relação as outras
luminárias.

As luminárias 3 e 4 possuem densidade de luminância parecidas, sendo


decisivo na escolha, a que apresenta melhor indicação para o recinto do projeto, que
possui pé direito elevado, portanto, a luminária 3 é a mais adequada por suas

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características e fluxo direto. Outro motivo, se deve ao fato do ambiente de trabalho


apresentar bancadas na região central, o que é ideal, por estar na zona de maior
iluminamento, como mostrado na Figura 28.

Figura 28 – Ambiente de trabalho para aplicação da luminária 3

Fonte: Site manutenção e suprimentos [11]

A luminária 4 por apresentar “faixas” de iluminação é melhor aproveitada em


outros tipos de ambientes, por exemplo como na Figura 29, depósitos que possuem
fileiras de porta paletes, posicionando as luminárias entre as estruturas e se
beneficiando de suas características luminosas.

Figura 29 – Exemplo ambiente de trabalho para aplicação da luminária 4

Fonte: Site do soluções industriais [12]


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6 CONCLUSÃO

Notoriamente, conclui-se da importância do conhecimento luminotécnico. O


comportamento do fluxo luminoso no ambiente e as curvas fotométricas das
luminárias proporcionam a maximização do iluminamento.

Outro ponto fundamental, é como os softwares de simulação se tornaram


uma ferramenta essencial nos projetos de iluminação, trazendo informações que são
decisivas na escolha dos equipamentos e a possibilidade de testar inúmeros cenários
na busca da qualidade e eficiência nos projetos.

Por fim, a capacidade do projetista em analisar os dados, propondo as


melhores escolhas e soluções, sendo determinante para um projeto de qualidade
atendendo as exigências traçadas e levando em conta sempre fatores econômicos,
estruturais, eficiência energética, dentre outros.

7 PROPOSTA PARA TRABALHOS FUTUROS

Pretende-se em trabalhos futuros desenvolver um estudo com o uso de telhas


translúcidas para aproveitamento da iluminação natural, projetando a melhor
disposição via software, calculando os custos de material e de manutenção,
verificando as vantagens no uso das novas estruturas propostas.

8 REFERÊNCIAS

[1] DIALUX. Versão 4.13. Disponível em: <https://www.dial.de/en/dialux-


desktop/download/dialux-4-download//>. Acesso em: 14 set. 2018.

[2] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR/ISO8995:


Informação e documentação: Referências. Rio de Janeiro, 2013

[3] FILHO, João M. Instalações Elétricas Industriais. 8ª edição, Rio de Janeiro, RJ:
LTC, 2010.

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34

[4] IEC. International Electrotechnical Commission. Disponível em: <


http://www.iec.ch///>. Acesso em: 14 set. 2018.

[5] Ghisi, E. 1997. Desenvolvimento de uma Metodologia para Retrofit em


Sistemas de Iluminação: Estudo de Caso na Universidade Federal de Santa
Catarina. Disponível em:
<http://www.labeee.ufsc.br/sites/default/files/publicacoes/dissertacoes/DISSERTACA
O_Enedir_Ghisi.pdf>

[6] PHILIPS. Catálogos Luminárias High-Bay GentleSpace2. Disponível em:


<http://www.lighting.philips.com/main/prof/indoor-luminaires/high-bay-and-low-
bay/high-bay/by470p19 />. Acesso em: 04 set. 2018.

[7] Manual de iluminação Procel. Disponível em:


<http://www.mme.gov.br/documents/10584/1985241/MANUAL+DE+ILUMINACAO+-
+PROCEL_EPP+-AGOSTO+2011.pdf/d42d2f36-0b90-4fe0-805f-
54b862c9692c;jsessionid=A7AE9AD7FFE410D97E371853D50763B0.srv154>.
Acesso 14 set 2018.

[8] FIORINI, Thiago M. S. Projeto de Iluminação de Ambientes Internos Especiais


2006. Monografia (Graduação em Bacharelado Engenharia Elétrica) – Universidade
Federal do Espírito Santo, Vitória -ES.

[9] AUTOCAD. Disponível em:<https://www.autodesk.com.br/products/autocad/free-


trial>. Acesso em: 14 set. 2018.

[10] PHILIPS. Disponível em:< http://www.lighting.philips.com.br/prof >. Acesso em:


21 set. 2018.

[11] Manutenção e Suprimentos. Disponível em: <


https://www.manutencaoesuprimentos.com.br/wpcontent/uploads/2018/05/p_usinage
m-de-pecas-pesadas-16.jpg>. Acesso em: 22 set. 2018.

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35

[12] Soluções Industriais. Disponível em:


<https://www.solucoesindustriais.com.br/images/produtos/imagens_866/p_porta-
pallet-29.jpg>. Acesso em: 22 set. 2018.

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