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4º Trimestre de 2018 Adultos

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PROFESSOR

Lições do 4º trimestre de 2018 – Wagner Tadeu dos Santos Gaby

Sumário S u m á r i o
As Parábolas de Jesus:
As Verdades e Princípios Divinos para uma Vida Abundante
Lição 1
Parábola: Uma Lição Para a Vida 3
Lição 2
Para Ouvir e Anunciar a Palavra de Deus 11
Lição 3
O Crescimento do Reino de Deus 18
Lição 4
Perseverando na Fé 25
Lição 5
Amando e Resgatando a Pessoa Desgarrada 32
Lição 6
Sinceridade e Arrependimento Diante de Deus 38
Lição 7
Perdoamos Porque Fomos Perdoados 45
Lição 8
Encontrando o Nosso Próximo 52
Lição 9
O Perigo da Indiferença Espiritual 59
Lição 10
Precisamos de Vigilância Espiritual 67
Lição 11
Despertemos para a Vinda do Grande Rei 75
Lição 12
Esperando, mas Trabalhando no Reino de Deus 83
Lição 13
A Humildade e o Amor Desinteressado 90

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 1


PROFESSOR Prezado(a) professor(a),
Dentre os temas bíblicos, as pará-
bolas certamente é um dos que sempre
nutriu a Igreja. Isso não significa que
o assunto seja de fácil compreensão.
Quem pretende ensinar verdades
cristãs com base nas parábolas de
Publicação Trimestral da Jesus, deve estar disposto a estudar
Casa Publicadora das Assembleias de Deus
a Palavra de Deus com dedicação e
Presidente da Convenção Geral cuidado.
das Assembleias de Deus no Brasil Jesus utilizou o recurso de ensinar
José Wellington Costa Junior
grandes verdades através das pará-
Conselho Administrativo bolas, por se tratar de um método
José Wellington Bezerra da Costa que oferece a oportunidade de os
Diretor Executivo ouvintes praticamente “entrarem”
Ronaldo Rodrigues de Souza na narrativa. Sentindo-se parte da
Gerente de Publicações história, torna-se mais fácil assimilar
Alexandre Claudino Coelho as lições que se pretende transmitir.
Consultoria Doutrinária e Teológica
Ciente disso, o Mestre adotou esse
Antonio Gilberto e Claudionor de Andrade método como um dos preferidos dEle,
pois seu ensino objetivava alcançar
Gerente Financeiro
Josafá Franklin Santos Bomfim
os ouvintes, levando-os a agir dife-
rente, amar os inimigos, cuidar dos
Gerente de Produção menos favorecidos e ser vigilantes
Jarbas Ramires Silva
em relação à volta do Senhor etc.
Gerente Comercial
Cícero da Silva
Com o intuito de crescermos na fé
e em como melhor servir ao Senhor,
Gerente da Rede de Lojas estudemos as parábolas de Jesus.
João Batista Guilherme da Silva
Bom trimestre!
Gerente de TI
Rodrigo Sobral Fernandes
Chefe de Arte & Design José Wellington Bezerra da Costa
Wagner de Almeida Presidente do Conselho Administrativo
Chefe do Setor de Educação Cristã Ronaldo Rodrigues de Souza
César Moisés Carvalho Diretor Executivo
Redator
César Moisés Carvalho
Capa
Wagner de Almeida
Diagramação
Alexandre Soares

Av. Brasil, 34.401 - Bangu


Rio de Janeiro - RJ - Cep 21852-002
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2 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


Lição 1
7 de outubro de 2018

Parábola: Uma
Lição Para a Vida

Texto Áureo Verdade Prática

“E sem parábolas nunca lhes falava, As parábolas são uma forma instru-
porém tudo declarava em particular tiva para se ensinar grandes lições, e
aos seus discípulos.” delas podemos extrair as inspirações
e os ensinamentos divinos para a
(Mc 4.34) vida cristã.

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Mc 4.33 Quinta – Mt 13.13-15
Jesus ensinava de forma clara Fácil para uns, difícil para outros
Terça – Mc 4.34 Sexta – Mt 15.15,16
O Mestre ensinava por parábolas Os discípulos não entendem
Quarta – Mt 13.10-12 Sábado – Mc 4.1,2
As parábolas e o Reino de Deus Jesus ensina uma multidão

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 3


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Mateus 13.10-17
10 – E, acercando-se dele os discípulos, Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas
disseram-lhe: Por que lhes falas por não compreendereis e, vendo, vereis,
parábolas? mas não percebereis.
11 – Ele, respondendo, disse-lhes: 15 – Porque o coração deste povo está
Porque a vós é dado conhecer os mis- endurecido, e ouviu de mau grado com
térios do Reino dos céus, mas a eles seus ouvidos e fechou os olhos, para que
não lhes é dado; não veja com os olhos, e ouça com os
ouvidos, e compreenda com o coração,
12 – porque àquele que tem se dará, e se converta, e eu o cure.
e terá em abundância; mas aquele
que não tem, até aquilo que tem lhe 16 – Mas bem-aventurados os vossos
será tirado. olhos, porque veem, e os vossos ouvidos,
porque ouvem.
13 – Por isso, lhes falo por parábolas,
17 – Porque em verdade vos digo que
porque eles, vendo, não veem; e, ou-
muitos profetas e justos desejaram ver
vindo, não ouvem, nem compreendem.
o que vós vedes e não o viram, e ouvir
14 – E neles se cumpre a profecia de o que vós ouvis, e não o ouviram.

HINOS SUGERIDOS: 8, 198, 491 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Apontar as parábolas como um dos recursos mais utilizados por Jesus para
ensinar, por isso a importância de se estudá-las e conhecê-las.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Distinguir a parábola de outras figuras de linguagem;


II Esclarecer o contexto histórico em que as parábolas foram proferidas;
III Apresentar as regras básicas para se compreender uma parábola.

4 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado professor, querida professora, chegamos ao último trimestre
do ano. Nesta oportunidade estaremos estudando acerca das Parábolas de
Jesus. Por ser uma das principais formas de ensino utilizadas pelo Mestre, as
parábolas merecem dedicada atenção e profundo interesse de nossa parte. O
próprio Senhor Jesus quer que as entendamos, pois isso produzirá mudanças
necessárias e resultará em transformação de vida (Mt 15.15,16).
Ao iniciar a aula, antes mesmo de introduzir a lição, apresente o comentarista,
pastor Wagner Tadeu dos Santos Gaby, advogado, autor de várias obras, membro
da Casa de Letras Emílio Conde e líder da Assembleia de Deus em Curitiba (PR).

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO Essa palavra ocorre aproximadamente
Quando estudamos as parábolas quarenta vezes no Antigo Testamento,
de Jesus, com os corações abertos e sendo normalmente traduzida como
dispostos a aprender como discípulos “provérbio”. A palavra grega traduzida
verdadeiros, em busca de sabedoria e como parábola, em o Novo Testamento,
entendimento das verdades espiritu- é parabolé, “por ao lado de”, com o
ais profundas, nos deparamos com as sentido de “comparar” como ilustração
sábias lições que Ele nos deixou de alguma verdade ou ensino.
para sermos bem-sucedidos PONTO Nesse sentido, torna-se um
CENTRAL
em nossa vida aqui no mun- instrumento didático. Ela é
As Parábolas
do. Estudar este conteúdo, usada cinquenta vezes no Novo
de Jesus ensi-
como disse Jesus aos seus nam grandes Testamento, sendo duas para
primeiros discípulos, é um verdades. indicar uma fala figurativa (Hb
privilégio: “Bem-aventurados 9.9; 11.19) e quarenta e oito
são os olhos que veem o que vezes traduzida no singular ou
vós vedes, pois vos digo que muitos no plural, sempre se referindo às his-
profetas e reis desejaram ver o que tórias de Jesus. Em síntese, parábola
vós vedes e não o viram; e ouvir o que significa, literalmente, “comparação”,
ouvis e não o ouviram” (Lc 10.23,24). e como tal, comumente utilizada para
Assim, as parábolas do Senhor possuem indicar uma história breve, um exemplo
preciosas promessas de bênçãos para esclarecedor para ilustrar uma verdade.
todos quantos acolhem sua mensagem 2. Distinção entre a parábola e
e se dispõem a compreender as ver- outras figuras de linguagem. A Bíblia
dades que elas ensinam. Sagrada emprega várias figuras de
linguagem que são necessárias para
I – O QUE É PARÁBOLA ilustrar verdades divinas e profundas.
1. Conceito. Parábola, no hebraico Algumas delas são o símile, o provérbio,
mashal, dependendo do contexto, refe- a metáfora, a alegoria, a fábula e o tipo,
re-se a um dito profético, um provérbio, e é importante não confundi-las com
uma analogia, um enigma, um discur- a parábola. É oportuno destacar que a
so, um poema, um conto, um símile. parábola também não é um mito, tendo
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 5
em vista que ele narra uma história samaritano, do filho pródigo, das dez
como se fosse verdadeira, mas não virgens e do semeador. Porém, definir
adiciona nem a probabilidade e nem a exatamente o que é uma parábola no
verdade. Já a parábola ilustra verdades Antigo Testamento (mashal) ou no
por meio de símbolos: “o campo é o Novo (parabole) é difícil. Em ambos
mundo”, “o inimigo é o Diabo”, “a boa os casos, os termos podem referir-se a
semente são os filhos do reino”, etc. um provérbio (1 Sm 24.13; Ez 18.2,3; Lc
3. Aplicação de uma parábola. Ao 4.23; 6.39); uma sátira (Sl 44.11; 69.11;
se dirigir aos discípulos e aos fariseus, Is 14.3,4; Hc 2.4); uma charada (Sl 49.4;
seus adversários, Jesus adotou o método 78.2; Pv 1.6); um dito simbólico (Mc
de ensino por parábolas com a finalidade 7.14,17; Lc 5.36,38); um símile extensa
de convencer aqueles e condenar estes. ou similitude (Mt 13.33; Mc 4.30,32; Lc
Em Mateus 13.10, os discípulos pergun- 15.8-10); uma parábola histórica (Mt
taram a Jesus o porquê de Ele falar por 25.1-13; Lc 14.16,24; 15.11-32; 16.1-8);
parábolas. Jesus usava esse método um exemplo de parábola (Mt 18.23-25;
em razão da diversidade de caráter, de Lc 10.29-37; 12.16-21; 16.19-31); e,
nível espiritual e de percepção moral até mesmo, uma alegoria (Jz 9.7-20; Ez
de seus ouvintes (Mt 13.13). Em Marcos 16.1-5; 17.2-10; 20.49–21.5; Mc 4.3-
4.10-12, ao ser inquirido sobre o uso 9,13-20; 12.1-11). Esses dois termos
de parábolas, Jesus respondeu que as bíblicos possuem vasta extensão de
usava nos seus ensinamentos por duas significados, mas o sentido básico de
razões distintas: para ilustrar a verdade cada um é a comparação entre duas
para aqueles que estavam dispostos a coisas diferentes. Algo parecido com
recebê-la, e para obscurecer a verdade algo que não é” (STEIN, Robert H. Guia
daqueles que a odiavam. Assim, para Básico de Interpretação da Bíblia. 1.ed.
que a parábola seja explicada e aplicada, Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p.143).
primeiramente é indispensável exami-
nar sua relação com o que a precede e II – CONTEXTO SOCIAL E LITERÁRIO
a segue, e descobrir, com base nisso, 1. Galileia no tempo de Jesus. A
antes de qualquer outra coisa, a sua Galileia compreendia todo o território
ideia principal. ao Norte de Samaria até ao Monte
Líbano, estendendo-se de leste a
SÍNTESE DO TÓPICO I oeste, entre o Mar da Galileia e o Mar
Mediterrâneo e Fenícia. Situava-se
É importante ter em mente as pe-
nas grandes rotas comerciais que
culiaridades da parábola, enquanto
cruzavam o Oriente Próximo, e muitos
figura de linguagem, para entender
estrangeiros atravessavam a área. A
sua mensagem.
conservação de peixes pela salgadura
e sua exportação para todos os lugares
do Império Romano era a principal
SUBSÍDIO ETIMOLÓGICO indústria. Era uma região muito mais
“Entre as formas literárias en- próspera que a Judeia e abrigava uma
contradas na Bíblia, a mais conhecida, grande população. Importante para a
talvez, seja a parábola. O fato é espe- região era o mar da Galileia, um extenso
cialmente verdade em se tratando das lago de água doce, localizado ao norte
parábolas de Jesus, tais como a do bom da Palestina, também conhecido como
6 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
mar de Tiberíades ou lago de Genesaré opressão aos pequenos produtores
(Mt 4.18; Lc 5.1). Esse lago, que ficava que estavam praticamente falidos,
cerca de 96 quilômetros ao norte de tendo de pagar elevados impostos
Jerusalém, ajudava a determinar o a Roma. Nessa época, grande parte
tipo de vida que se levava em toda a da população dependia de esmolas
região ao derredor. As ocupações dos do Templo. Enquanto o povo comum
habitantes incluíam a agricultura, a estava vivendo em situação de extre-
fruticultura, a pecuária, o tingimento ma pobreza, padecendo por terríveis
de tecidos, o curtume, a pesca e a privações, os grandes produtores, os
fabricação de embarcações. Na Ga- grandes comerciantes e as famílias
lileia, Jesus reforçou seu ensino com mais abastadas estavam satisfeitas
parábolas memoráveis, ilustrando com o sistema vigente controlado
o amor de Deus pelos pecadores, a pelo governo de Roma. Diante desse
necessidade de confiança na miseri- contexto, o povo judeu aguardava
córdia de Deus, o amor que devemos com ansiedade o Messias que viria
ter uns aos outros, a maneira como em glória, conforme profetizado por
a Palavra de Deus vem e o Reino de Zacarias (Zc 14.4).
Deus cresce, a responsabilidade de o 3. Contexto literário: os Evan-
discípulo desenvolver seus dons e o gelhos. Os quatro primeiros livros do
julgamento daqueles que rejeitam o cânon do Novo Testamento, chama-
evangelho (Mt 4.23; 13.1-52). dos de Evangelhos, são os registros
2. Jerusalém no tempo de Jesus. escritos das primeiras pregações das
Jerusalém é uma das mais antigas Boas Novas a respeito de Cristo. Eles
cidades do mundo. É a mais sagrada constituem um tipo distinto de lite-
cidade da Palestina e tem existido ratura. Não são biografias completas,
como cidade e como capital, além de pois não tentam narrar todos os fatos
lugar sagrado, há mais de três mil anos. da carreira de Jesus; nem são apenas
À época de Jesus, Jerusalém contava histórias; nem são sermões, embora
com uma superpopulação, sendo que incluam pregações e discursos; também
a maioria das pessoas estava deses- não são apenas relatos de notícias.
perada em decorrência da opressão Os três primeiros Evangelhos – Ma-
do Império Romano, da miséria, da teus, Marcos e Lucas – são chamados
CONHEÇA MAIS
*O que É uma Parábola?
“Normalmente definida como uma ilustra-
ção em função da ‘falácia de raiz’ de se derivar o
sentido de paraballo, que significa, literalmente,
‘atirar ao lado’. Nenhuma definição se mostrará
completamente eficaz, pois qualquer uma ampla o
suficiente para englobar todas as formas acaba se
revelando tão imprecisa a ponto de se mostrar pra-
ticamente inútil”. Para conhecer mais
leia Compreendendo todas
as Parábolas de Jesus,
CPAD, p.32.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 7


sinóticos, termo que vem do grego impossível entender as parábolas sem
synoptikos, que significa “ver junto”, vinculá-las ao seu contexto social,
“ver da mesma perspectiva”, “vistos de pois elas se referem às experiências
um ponto de vista comum”. Os Sinóticos de pessoas que viveram na época de
apresentam a vida, os ensinamentos Jesus. Para tanto, torna-se necessário
e a significação de Jesus do mesmo identificar a conexão com as estru-
ponto de vista, em contraste com o turas daquela sociedade. Quase um
Evangelho de João, o qual se limita terço dos ensinamentos de Jesus foi
quase inteiramente ao que Jesus disse realizado através de parábolas. Ele
e fez na área de Jerusalém. contou parábolas sobre a natureza
(Mt 13.24-30), trabalho e salário (Lc
17.7-10), e até sobre casamentos e
SÍNTESE DO TÓPICO II festas (Mt 25.1-13). Jesus não falava
O contexto em que as parábolas de forma genérica acerca da busca de
foram proferidas é de suma impor- Deus pelo perdido, mas sempre através
tância para se compreendê-las. de histórias de experiências cotidianas,
tais como a história sobre uma mulher
que perdera uma de suas dez moedas
SUBSÍDIO SOCIOLÓGICO de prata, e que não descansou até
“A Galileia era um região muito encontrá-la (Lc 15.8-10).
mais próspera que a Judeia e abrigava 2. Procurar as declarações explí-
uma grande população. Os galileus citas e implícitas do agir de Deus no
eram menosprezados pelos líderes contexto literário. Tendo a parábola o
religiosos de Jerusalém. Muitos não objetivo de transmitir uma mensagem
eram de descendência judaica, pois e, no caso específico, tal comunicação
seus antepassados foram violentamente procede de Deus, é imperioso que o
convertidos por Alexandre Janeu. Os leitor procure as declarações explíci-
galileus estavam mais estreitamente tas e implícitas do agir de Deus em tal
em contato com a realidade diária do contexto literário. Somente após esse
Império Romano, visto que a Galileia exercício é possível pensar na aplicação
situava-se nas grandes rotas comerciais da parábola (Mt 15.15,16).
que cruzavam o Oriente Próximo, e mui- 3. Identificar a aplicação prá-
tos estrangeiros atravessavam a região” t ica da parábol a. Uma vez que a
(DOWLEY, Tim. Pequeno Atlas Bíblico. maneira predileta de Jesus ensinar
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.73). era através de parábolas, tais textos
contêm lições profundas e de apli-
III – COMO LER UMA PARÁBOLA cação prática no campo da ética e
1. Entendendo a narrativa como da vida espiritual das pessoas. Por
a síntese das experiências cotidianas. meio de suas parábolas Jesus levou
Uma das questões mais importantes ao aos seus ouvintes a mensagem de
ler uma parábola é procurar entender salvação, conclamando-os a se arre-
os elementos culturais operados em penderem e a crerem. Aos crentes,
cada uma delas, pois apesar de elas desafiava-os a colocarem a fé em
serem uma síntese das experiências prática, exortando seus seguidores
humanas, são histórias contadas a par- à vigilância. Quando seus discípulos
tir de outra cultura e tempo. Torna-se tinham dificuldade para entender as
8 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
parábolas, Jesus as interpretava (Mc uma contradição aparente apresentada
4 .13-20). Assim, uma boa maneira em forma de narração, relatando fatos
de identificar a aplicação prática de naturais ou acontecimentos possíveis,
uma parábola é fazer as seguintes sempre com objetivo de declarar ou ilus-
perguntas: Para quem a parábola trar uma ou várias verdades importantes”
foi contada? Por que a parábola foi (BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica
contada? Qual é a moral da parábola? Fácil e Descomplicada. 1.ed. Rio de
Existe algum ponto culminante na Janeiro: CPAD, 2003, p.321).
parábola? Alguma interpretação é
dada na passagem para a parábola? CONCLUSÃO
Não há como perceber, nem en-
trar, no Reino de Deus, sem ter nas-
SÍNTESE DO TÓPICO III cido de novo (Jo 3.3-8), por isso, a
A forma correta de se ler uma pa- salvação da alma é parte integrante
rábola é fundamental para podermos das parábolas. Você já renasceu? Já
extrair sua mensagem principal. se arrependeu dos seus pecados e
confiou em Jesus Cristo e em seu
sacrifício pelos seus pecados? Você
SUBSÍDIO HERMENÊUTICO conhece o Rei deste Reino? Seu co-
“Parábola, do grego parabolé, signi- ração já se prostra diante deste Rei?
fica ‘colocar ao lado de’, e leva a ideia de Ou vive em rebeldia contra Ele ainda?
colocar uma coisa ao lado de outra com o Os verdadeiros súditos reconhecem a
objetivo de comparar. A parábola envolve soberania do Rei e submetem-se a ela.

ANOTAÇÕES DO PROFESSOR

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 9


PARA REFLETIR

A respeito de “Parábola: Uma Lição


Para a Vida”, responda:
• O que significa “parábola”?
Significa, literalmente, “comparação”, e como tal, comumente utilizada para
indicar uma história breve, um exemplo esclarecedor para ilustrar uma verdade.
• O que, na Galileia, determinava o estilo da vida das pessoas?
O mar da Galileia, também chamado de mar de Tiberíades ou lago de Genezaré.
• Qual o significado de “sinóticos”?
Significa “ver junto”, “ver da mesma perspectiva”, “vistos de um ponto de
vista comum”.
• Cite uma das questões mais importantes a ser considerada quando
se lê uma parábola.
Procurar entender os elementos culturais operados em cada uma delas, pois
apesar de elas serem uma síntese das experiências humanas, são histórias
contadas a partir de outra cultura e tempo.
• Quais são as perguntas necessárias para se identificar uma aplica-
ção prática de uma parábola?
Para quem a parábola foi contada? Por que a parábola foi contada? Qual é
a moral da parábola? Existe algum ponto culminante na parábola? Alguma
interpretação é dada na passagem para a parábola?

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terpretação das Escrituras.

10 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


Lição 2
14 de outubro de 2018

Para Ouvir e Anunciar


a Palavra de Deus
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Texto Áureo Verdade Prática


“Mas o que foi semeado em boa terra
é o que ouve e compreende a palavra; É preciso falar de Cristo e orar para
e dá fruto, e um produz cem, outro, que os ouvintes recebam a Palavra, e
sessenta, e outro, trinta." tornem-se seguidores do Mestre.
(Mt 13.23)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Mc 4.3,14 Quinta – Mc 4.5,6,16,17
Os semeadores devem semear Os pedregais e o seu significado
Terça – Mc 4.4-8,15-20 Sexta – Mc 4.7,18,19
Quatro tipos de terrenos Os espinhos e sua representação
Quarta – Mc 4.4,15 Sábado – Mc 4.8,20
As aves do céu e sua representação A boa terra e o tipo de ouvinte

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 11


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Marcos 4.3-20
3 – Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear.13 – E disse-lhes: Não percebeis esta
4 – E aconteceu que, semeando ele, uma parábola? Como, pois, entendereis
parte da semente caiu junto ao caminho, todas as parábolas?
e vieram as aves do céu e a comeram. 14 – O que semeia semeia a palavra; 
5 – E outra caiu sobre pedregais, onde 15 – e os que estão junto ao caminho
não havia muita terra, e nasceu logo, são aqueles em quem a palavra é se-
porque não tinha terra profunda. meada; mas, tendo eles a ouvido, vem
6 – Mas, saindo o sol, queimou-se e, logo Satanás e tira a palavra que foi
porque não tinha raiz, secou-se.  semeada no coração deles. 
7 – E outra caiu entre espinhos, e, 16 – E da mesma sorte os que recebem
crescendo os espinhos, a sufocaram, a semente sobre pedregais, que, ouvindo
e não deu fruto.  a palavra, logo com prazer a recebem; 
8 – E outra caiu em boa terra e deu fruto, 17 – mas não têm raiz em si mes-
que vingou e cresceu; e um produziu mos; antes, são temporãos; depois,
trinta, outro, sessenta, e outro, cem.  sobrevindo tribulação ou perseguição
9 – E disse-lhes: Quem tem ouvidos por causa da palavra, logo se escan-
para ouvir, que ouça. dalizam. 
10 – E, quando se achou só, os que 18 – E os outros são os que recebem
estavam junto dele com os doze inter- a semente entre espinhos, os quais
rogaram-no acerca da parábola.  ouvem a palavra; 
11 – E ele disse-lhes: A vós vos é dado 19 – mas os cuidados deste mundo, e
saber os mistérios do Reino de Deus, os enganos das riquezas, e as ambições
mas aos que estão de fora todas essas de outras coisas, entrando, sufocam a
coisas se dizem por parábolas,  palavra, e fica infrutífera. 
12 – para que, vendo, vejam e não 20 – E os que recebem a semente em
percebam; e, ouvindo, ouçam e não boa terra são os que ouvem a palavra,
entendam, para que se não convertam, e a recebem, e dão fruto, um, a trinta,
e lhes sejam perdoados os pecados.  outro, a sessenta, e outro, a cem, por um.

HINOS SUGERIDOS: 41, 124, 462 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Destacar a parábola do semeador como uma
conclamação a que anunciemos o Evangelho.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
I Esclarecer o significado da parábola do semeador;
II Evidenciar a importância de obedecer o Evangelho;
III Ressaltar a obrigatoriedade de se anunciar o
Evangelho.
12 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Após termos introduzido o tema deste trimestre, a partir desta lição esta-
remos analisando, a cada domingo, uma parábola contada por Nosso Senhor
Jesus Cristo. A primeira parábola do Mestre que estaremos estudando é a do
semeador. Esta narrativa destaca a responsabilidade dos discípulos em anun-
ciar o Evangelho do Filho de Deus. Independentemente das circunstâncias,
a boa semente da Palavra de Deus deve ser “semeada”, isto é, anunciada,
pois conforme orienta o Eclesiastes, devemos, pela manhã semear a semente
e, à tarde, não retirar a nossa mão, porque não sabemos “qual prosperará;
se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas” (11.6). Além disso,
como o apóstolo Paulo instrui, um planta e outro rega, mas Deus é quem dá
o crescimento (1 Co 3.6,7).

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO essa razão, é necessário comparar e
Para ilustrar verdades espirituais, contrastar as referências paralelas a
Jesus frequentemente contava, por pará- cada narrativa. Desse modo, teremos
bolas, histórias sobre os acontecimentos um quadro completo do que o Senhor
do dia a dia. A parábola do semeador Jesus disse sobre o Reino do Céu, já que
é uma das narrativas de Jesus en- a narrativa refere-se ao Reino. Essa
contrada nos três Evangelhos PONTO história fala de um agricultor
sinóticos (Mt 13.1-9, Mc 4.3-9 e CENTRAL que lançou sementes em vá-
Lc 8.4-8) e relata de que forma O Evangelho rios lugares com diferentes
a mensagem de salvação será deve ser anun- resultados, dependendo do
ciado em todo
recebida no mundo. Um dos tipo do solo (Mc 4.3-20). Para
o tempo e
seus propósitos é prevenir os lugar. se entender essa parábola, é
discípulos com relação ao triste preciso recorrer ao contexto de
fato de a pregação da Palavra de Mateus 13.18-23, quando o próprio
Deus não produzir “colheita de cem Senhor Jesus a interpretou.
por cento” em todos os ouvintes. Além 2. Os elementos que constituem
disso, a parábola do semeador pode a Parábola: o Semeador, a semente e o
ser interpretada como “a parábola do solo. No mesmo capítulo da parábola do
coração”, pois mostra como é o interior semeador, ao explicar a parábola do trigo
de cada pessoa. e do joio, o Mestre apresenta-se como
o semeador (Mt 13.36-43). Daí, ainda
I – INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA que não especificamente mencionado, é
DO SEMEADOR possível inferir que o Semeador é Jesus,
1. A importância em compreender pois se compararmos o texto dessa pa-
a parábola. A parábola do semeador é rábola com o de Mateus 13.37, podemos
uma das mais importantes, não apenas concluir que há uma referência imediata
por constar nos três primeiros Evange- com o Senhor. Contudo, por extensão,
lhos, mas também por ser fundamental podemos igualmente entender que o
para o entendimento de outras. Por semeador também pode ser qualquer
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 13
pessoa que fielmente proclama a men- e roubam o alimento, a água, a luz e o
sagem do Evangelho nos nossos dias. espaço dos brotos. Infelizmente existem
Quanto à semente, esta é a Palavra de forças capazes de sufocar a mensagem,
Deus ou “a palavra do Reino” (Mt 13.19a) de forma a torná-la infrutífera (v.18). Este
que, como sabemos, era o tema da pre- solo representa aqueles que “ouvem
gação de Jesus (Mt 4.23) e da pregação a palavra”, mas cuja capacidade para
apostólica (At 8.12; 28.30,31). Já o “solo”, gerar fruto é sufocada. Jesus descreveu
é algo muito importante para qualquer os espinhos como “os cuidados deste
planta. Por isso, os cristãos precisam mundo”, “a sedução das riquezas” e “os
desenvolver suas raízes por meio da fé prazeres da vida” (Mt 13.22; Mc 4.19; Lc
em Cristo e do estudo da Palavra cada 8.14; 12.29-32; 21.34-36). As distrações
vez mais profundo. Tempos difíceis e os conflitos impedem os novos crentes
virão, e somente aqueles que tiverem de refletir e aprender a Palavra de Deus
desenvolvido suas raízes abaixo da a fim de crescerem. Essas coisas, produ-
superfície, sobreviverão. zidas pela ambição das coisas materiais
3. Os diferentes tipos de solos atormentaram os discípulos do primeiro
infrutíferos. As pessoas que ouvem século, da mesma forma como acontece
a Jesus são comparadas com vários nos dias atuais, distraindo os crentes de
tipos de solo (Lc 8.5-8). O solo duro e maneira que permaneçam infrutíferos,
compactado da estrada impediu que não produzindo nenhuma colheita.
as sementes penetrassem, permitindo
que ficassem na superfície, expostas SÍNTESE DO TÓPICO I
às aves que vieram e as comeram. Este
Para se entender a mensagem da
solo representa aqueles que “ouvem
parábola do semeador é necessário
e não entendem” (Mt 13.19a), por isso
interpretá-la corretamente.
endurecem o coração para não rece-
berem a Palavra (Mt 13.15). As aves
representam Satanás (Mc 4.15), que SUBSÍDIO EXEGÉTICO
arrebata a Palavra dessas pessoas,
cujos corações estão endurecidos. As “Se o leitor mesmo que subliminar-
sementes que caíram sobre pedregais mente entendeu que o agricultor é Jesus,
(vv.16,17), onde não havia muita terra, então o restante da parábola será ligado
e, como consequência, cresceram rapi- às prósperas e declinantes venturas do mi-
damente, acabaram secas num instante nistério de Jesus. Nesta tendência, [John
(v.6). Este solo raso representa as pessoas Paul] Heil mostrou corretamente que
que ouvem a Palavra e a recebem com as várias maneiras nas quais a semente
grande alegria, porém, quando surgem caiu lembrará, no mínimo, a hostilidade
as dificuldades, as tribulações ou as per- personificada pelos escribas (Mc 2.6,16;
seguições por causa do Evangelho, elas 3.22), pelos fariseus (Mc 2.16,24; 3.6) e
não resistem e imediatamente tropeçam pela própria família de Jesus (Mc 3.21,31-
(Mt 13.20,21). Daí a necessidade de um 35). Da mesma sorte, a descrição de uma
maior embasamento na Palavra de Deus colheita excepcionalmente abundante na
recebido através de um bom discipulado conclusão da parábola (Mc 4.8) recorda
e frequência na Escola Dominical. Já as o sucesso crescente do ministério de
sementes que caíram entre espinhos Jesus a despeito da oposição (cf. ‘toda a
são sufocadas quando estes crescem cidade’ [Mc 1.33]; ‘se ajuntaram tantos’
14 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
[Mc 2.2]; ‘toda a multidão ia ter com Ele’ trará que a semente que plantamos fincou
[Mc 2.13; 3.7,8,20; 4.1]; ênfases minhas). raízes em seus corações. Jesus inicia a
Assim, em seus movimentos metafóricos parábola do semeador com a palavra
a parábola expressa os movimentos “ouvi” (v.3a) e termina com a seguinte
maiores do ministério de Jesus, e as várias advertência: “quem tem ouvidos para
terras representam as personagens da ouvir, ouça” (v.9). Analisando o aspecto
história” (CAMERY-HOGGATT, Jerry In material, o solo não é culpado se estiver
ARRINGTON, French L.; STRONDAD, Roger duro, cheio de pedras ou de espinhos,
(Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal. enquanto que no aspecto espiritual,
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.206). somos responsáveis se o nosso coração
estiver endurecido, ou seja, se não estiver
II – A IMPORTÂNCIA DE OUVIR aberto para a Palavra de Deus arraigar-se
O EVANGELHO profundamente, ou deixarmos as coisas
1. O tipo ideal de solo. A parábola deste mundo sufocarem a Palavra.
do semeador é uma descrição das várias 3. A importância de “ouvir”. Ao des-
respostas ao “ouvir” a Palavra de Deus e, crever o tipo ideal de solo, Jesus destaca
seguramente, retrata as reações que Jesus o melhor perfil de ouvinte, mas também
encontrou no seu próprio ministério. A a importância de ouvir a Palavra e a con-
parábola adverte contra o ouvir superficial, servar “num coração honesto e bom” a
mas também alimenta a expectativa do fim de dar “fruto com perseverança” (Lc
ouvir real e produtivo, que leva à obediên- 8.15). Aqui há uma lição para o ouvinte
cia, e não devemos esquecer que o verbo também. O fruto produzido depende
grego correspondente a “ouvir” é frequen- da resposta à Palavra. É importante ler,
temente traduzido como “obedecer”. Por estudar e meditar sobre as Escrituras.
isso, o Mestre falou que algumas sementes A Palavra tem que vir habitar em nós
caíram em boa terra (v.20). Tal terra tinha (Cl 3.16), para ser implantada em nosso
profundidade, espaço e umidade para coração (Tg 1.21). Temos que permitir
crescer, multiplicar e produzir uma boa que nossas ações, nossas palavras e
colheita. Este solo representa as pessoas nossas próprias vidas sejam formadas e
que “ouvem” a Palavra e a “entendem”, moldadas pela Palavra de Deus.
frutificando abundantemente (Mt 13.23;
Lc 8.15). Elas são como os bereanos que
SÍNTESE DO TÓPICO II
foram recomendados “porque de bom
grado receberam a palavra, examinando Ouvir a mensagem do Evangelho
cada dia nas Escrituras se estas coisas significa obedecê-la.
eram assim” (At 17.11). São, na verdade,
os verdadeiros discípulos, aqueles que SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
aceitaram Jesus, creram em sua Palavra
e permitiram que Ele fizesse a diferença “Ajuntou-se a ele grande multidão
em suas vidas (At 17.12). (v.1). Nesta ocasião, o povo afluía ‘de
2. O tipo ideal de ouvinte. Jesus todas as cidades’ para ouvir a pregação de
mostrou que o ato de “ouvir” representa Cristo (Lc 8.4). O Mestre, porém, conhecia
um solo fértil para a mensagem do Reino. o coração das pessoas. Um propósito
Se produzirmos frutos, isso provará que da parábola do semeador foi prevenir
ouvimos. Se aqueles a quem pregamos o os discípulos quanto ao triste fato de
Evangelho produzirem frutos, isso mos- a pregação da Palavra, mesmo do Deus
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 15
Todo-Poderoso, não produzir colheita os seus lábios, mas também através do
de cem por cento em todos os ouvintes. testemunho pessoal e da literatura (Fp
“O que semeia semeia a palavra (v.14). 1.18). Cristo morreu e ressuscitou para
O fiel semeador semeia a Palavra a eito nos salvar de nossos pecados. Agora, todo
– ‘junto a todas as águas’, em todas as aquele que nEle crê, e for batizado, não
qualidades de terra (Is 32.20; Mc 16.15), mais será condenado, antes receberá a
não sabendo onde ela vai ficar. Semeia vida eterna (Mc 16.16; Ef 1.13,14).
a Palavra sem observar o vento, nem as 2. Jesus e a ordem para pregar.
nuvens (Ec 11.4-6). Semeia a Palavra; não Recordando que Evangelho significa
passa o tempo explicando-a, interpretan- “boas novas”, “boa notícia”, e que tal
do-a ou discutindo-a. Semeia a Palavra; não boa notícia nada mais é que a salvação
desperdiça o tempo censurando qualquer em Jesus (Mt 28.18-20; Mc 16.15-18),
uma das várias seitas do mundo. Semeia todos precisam ouvir o evangelho.
a Palavra, nas suas próprias ideias e opi- Jesus nos encarregou de contar as boas
niões. Ele não se mostra a si mesmo, mas notícias às pessoas à nossa volta, pois
proclama a Palavra, pois sente o mesmo o evangelho é uma notícia tão boa que
peso que pesa sobre o coração do Senhor não podemos guardar só para nós!
(Compare ‘peso’; Is 13). O humilde servo 3. A importância de pregar o Evan-
‘leva a preciosa semente, andando e cho- gelho. É muito importante pregar o
rando’” (BOYER, Orlando. Espada Cortante evangelho, para que mais pessoas ouçam,
1. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.491). creiam e sejam salvas (Rm 10.14,15).
Aplicando-se espiritualmente, todos
III – O CHAMADO PARA ANUNCIAR aqueles que seguem a Cristo devem estar
O EVANGELHO sempre ensinando a Palavra, pois quanto
1. A obra da maior importância. Uma mais ela é plantada nos corações, maior
vez que a condição das pessoas sem Deus a colheita (1 Co 3.6,7). É preciso, porém,
é de ignorância espiritual, pois Satanás saber que o que semeia a Palavra (v.14)
“encobre” os seus corações para não ouvir o faz em todas as qualidades de solo (Is
o Evangelho (2 Co 4.3,4), o maior serviço 32.20; Mc 16.15), semeia a Palavra sem
que qualquer cristão pode, e deve reali- observar o vento, nem as nuvens (Ec
zar, é semear a boa semente da Palavra 11.4-6), semeia a Palavra sem gastar
de Deus (Ec 11.6). Isso não apenas com tempo com outra coisa (2 Tm 2.4).
CONHEÇA MAIS
*Um Ministério em Parábolas
“O uso de parábolas era comum entre o povo
hebreu, mas Jesus as usava com propósito penetrante,
especialmente quando entre os ouvintes aumentava
o número daqueles que poderiam interpretar mal ou
usar mal os seus ensinos. Uma história poderia captar
e conservar naturalmente a atenção; mas, além disso,
a parábola examinava o coração, levando a pensamen-
tos e aplicações mais profundos." Para
conhecer mais leia Comentário
Bíblico Beacon, Vol.6,
CPAD, p.246.

16 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


como disse o Senhor da seara em João 4.35.
SÍNTESE DO TÓPICO III O ‘ide’ de Jesus para irmos aos perdidos (Mc
16.15), não é dirigido a um grupo especial
Todo discípulo está incumbido de
de salvos, mas a todos, indistintamente,
anunciar a mensagem do Evangelho.
como bem revela o texto citado. Portanto,
a evangelização dos pecadores pertence
SUBSÍDIO EVANGELÍSTICO a todos os salvos” (GILBERTO, Antonio. A
Prática do Evangelismo Pessoal. 14.ed.
“Ganhar almas foi a suprema tarefa Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.10).
do Senhor Jesus aqui na terra (Lc 19.10; 1
Tm 1.15). Paulo, o grande homem de Deus, CONCLUSÃO
do Novo Testamento, tinha o mesmo alvo Como vimos, atualmente somos os
e visão (1 Co 9.20). Uma grande parte dos semeadores, ou seja, a mesma Palavra
crentes pensa que a obra de ganhar almas de Deus pode ser plantada em nossos
para Jesus está afeta exclusivamente aos dias. Todavia, como na parábola, os resul-
pregadores, pastores e obreiros em geral. tados serão determinados pelo coração
Contentam-se em, comodamente sentados, daquele que ouve. Lembremos que o
ouvir os sermões, culto após culto, enquan- nosso papel é pregar e o do Espírito,
to os campos estão brancos para a ceifa, convencer os pecadores (Jo 16.8-11).
PARA REFLETIR

A respeito de “Para Ouvir e Anunciar


a Palavra de Deus”, responda:
• Por que a parábola do semeador é uma das mais importantes?
A parábola do semeador é uma das mais importantes, não apenas por
constar nos três primeiros evangelhos, mas também por ser fundamental
para o entendimento de outras.
• Qual era o tema da pregação de Jesus e dos apóstolos?
A Palavra de Deus ou “a palavra do Reino” (Mt 13.19a).
• Cite os três tipos de solos infrutíferos.
O solo duro e compactado da estrada, solo pedregoso e solo cheio de espinhos.
• O que descreve a parábola do semeador?
A parábola do semeador é uma descrição das várias respostas ao “ouvir”
a Palavra de Deus e, seguramente, retrata as reações que Jesus encontrou
no seu próprio ministério.
• Como a Bíblia descreve a condição das pessoas sem Deus?
A condição das pessoas sem Deus é de ignorância espiritual, pois Satanás
“encobre” os seus corações para não ouvir o evangelho (2 Co 4.3,4).

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 76, p.37. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 17


Lição 3
21 de outubro de 2018
WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR
O Crescimento do
Reino de Deus

Texto Áureo Verdade Prática


“[...] Porque eis que o Reino de Deus O Reino de Deus cresce e continuará
está entre vós.” crescendo até a consumação
(Lc 17.21) dos séculos.

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Jo 3.3-6 Quinta – Lc 13.20,21
Só pode ver o Reino de Deus quem O Reino de Deus comparado a um
experimenta o novo nascimento fermento
Terça – Mc 4.26-29 Sexta – 1 Co 6.9-11
O Reino de Deus é semelhante a A lista dos que não herdarão o
uma plantação Reino de Deus
Quarta – Lc 13.18,19 Sábado – Gl 5.19-21
O Reino de Deus comparado a uma Os que praticam as obras maléficas da
semente de mostarda carne não herdarão o Reino de Deus

18 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Marcos 4.30-32; Mateus 13.31-33; Lucas 13.18,19
Mc 4.30 – E dizia: A que assemelha- todas as sementes; mas, crescendo, é a
remos o Reino de Deus? Ou com que maior das plantas e faz-se uma árvore,
parábola o representaremos? de sorte que vêm as aves do céu e se
31 – É como um grão de mostarda, que, aninham nos seus ramos.
quando se semeia na terra, é a menor 33 – Outra parábola lhes disse: O Reino
de todas as sementes que há na terra; dos céus é semelhante ao fermento
32 – mas, tendo sido semeado, cresce, que uma mulher toma e introduz em
e faz-se a maior de todas as hortaliças, três medidas de farinha, até que tudo
e cria grandes ramos, de tal maneira esteja levedado.
que as aves do céu podem aninhar-se Lc 13.18 – E dizia: A que é semelhante
debaixo da sua sombra. o Reino de Deus, e a que o compararei?
Mt 13.31 – Outra parábola lhes propôs, 19 – É semelhante ao grão de mostarda
dizendo: O Reino dos céus é semelhante que um homem, tomando-o, lançou na
a um grão de mostarda que um homem, sua horta; e cresceu e fez-se grande
pegando dele, semeou no seu campo;  árvore, e em seus ramos se aninharam
32 – o qual é realmente a menor de as aves do céu.

HINOS SUGERIDOS: 42, 242, 259 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Evidenciar que o propósito de muitas parábolas é revelar o Reino de Deus.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Interpretar as parábolas acerca do Reino de Deus;

II Demonstrar a singeleza do início do crescimento do Reino de Deus;

III Narrar o perfil dos participantes do Reino de Deus.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 19


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Esta lição, a partir de duas pequenas parábolas, trata do tema principal da
mensagem de Jesus Cristo, o Reino de Deus (Mc 1.14,15). Na verdade, ambas
as parábolas tratam do crescimento e da expansão do Reino de Deus, vistos
a partir da singeleza e da aparente simplicidade de uma semente ou de uma
pequena porção de fermento, cujos efeitos podem ser subestimados pela
aparência de ambas. Não obstante tais elementos não aparentar grande coisa,
ambos provocam um efeito totalmente desproporcional à sua aparência, pois
a primeira depois de plantada e germinada, cresce e torna-se uma árvore que
abriga muitas aves; o segundo, o fermento, basta uma pequena quantidade
aplicada a uma porção de massa milhares de vezes maior, provoca nesta uma
transformação incrível, tornando-a maior ainda. Essas duas figuras foram
tomadas por Jesus para exemplificar o início despretensioso do Reino de Deus.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO se repete e, para isso, usa predominan-
Podemos dizer que, de alguma temente o tempo presente em função
forma, todas as parábolas de Jesus pres- de uma analogia. Portanto, a parábola
supõem o Reino de Deus. Na verdade, não apresenta um enredo totalmente
em praticamente cada parábola encon- desenvolvido. Aqui Jesus se volta para o
tramos algum elemento dele. Algumas, mundo da botânica. O Mestre utiliza-se
contudo, tratam especificamente do da figura de um grão de mostarda a fim
desenvolvimento e do crescimento de ilustrar o Reino de Deus.
do Reino de Deus sobre a terra. PONTO 1. A semente de mostar-
CENTRAL
Os textos abordados nesta O Reino de Deus da. A semente de mostarda
lição trazem as parábolas que iniciou-se de for- simboliza de forma prover-
Jesus contou para ensinar a ma simples, mas bial aquilo que é pequeno e
respeito do crescimento do vem se expan- insignificante. Essa semente
dindo a cada é muito pequena; mas, quan-
Reino de Deus. Elas enfatizam dia.
a presença do Reino, mostrando do plantada, cresce e se torna
que este está presente, ainda que não uma hortaliça muito grande. Essa
possamos distinguir exatamente onde mostarda é de origem egípcia (sinapis)
ele está de forma concreta. Um dia tudo e a encontramos mencionada nos Evan-
será consumado e todos os discípulos gelhos Sinóticos por cinco vezes (Mt
autênticos de Cristo farão parte do Reino 13.31; 17.20; Mc 4.31; Lc 13.19; 17.6).
de Deus naquele Grande Dia. Nosso Senhor utiliza aqui a “mostarda
negra” conhecida como sinapis nigra.
I – INTERPRETAÇÃO DAS PARÁBOLAS Uma semente pequena que produz um
SOBRE O REINO DE DEUS grande arbusto.
Essas parábolas enquadram-se bem 2. Os contrastes. A parábola do
na categoria de similitude. A similitude grão de mostarda é uma história dos
nada mais é que uma comparação ex- contrastes entre um começo aparen-
pandida. Ela quer pintar um quadro que temente insignificante e uma coroação
20 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
surpreendente; entre o oculto hoje e “O tema da parábola é que, embora
o revelado no futuro. O Reino de Deus o Reino possa ter tido o menor começo
é como tal semente. O tamanho atual possível, algum dia crescerá e chegará
do Reino de Deus possui um aspecto a um tamanho fenomenal. Um grão de
insignificante; mas isso não indica, de mostarda (31) foi usado proverbialmente
modo algum, o que ele, em sua consu- para representar alguma coisa muito
mação, abrangerá, ou seja, o Universo pequena (veja Mt 17.20). Apesar do
inteiro (Mc 13.24-27; Ap 5.9-13; 7.9; seu tamanho, a semente de mostarda
Dn 2.33,34). produz uma planta ou arbusto maior do
3. As aparências enganam. O Se- que qualquer outra hortaliça do jardim,
nhor nos ensina aqui a não nos dei- com cerca de três metros de altura, ou
xarmos levar pelas aparências. Muitas mais. Os galhos da planta têm tamanho
vezes julgamos as coisas pelo aspecto suficiente para permitir que as aves do
exterior. O ensino de Cristo apresenta céu façam os seus ninhos e possam se
o poder misterioso da fé que dá início abrigar debaixo da sua sombra. (Os pás-
ao Reino de Deus. Jesus começou seu saros gostam da semente de mostarda.)”
ministério com alguns discípulos. Ao (SANNER, A. Elwood. Comentário Bíblico
longo da história a Igreja alcançou Beacon. Vol.6. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD,
milhares de pessoas. Hoje a Igreja de 2006, p.250).
Cristo compõe-se de bilhões de crentes
espalhados pelo planeta (Mt 8.11). II – A EXPANSÃO DO REINO DE DEUS
1. O campo de semeadura. Nos
SÍNTESE DO TÓPICO I textos sinóticos que lemos – Mateus,
Marcos e Lucas – existe um pequeno
O princípio aparentemente insigni-
detalhe que chama a atenção. Mateus
ficante do Reino de Deus não retrata o
descreve o homem semeando na terra,
que ele será na consumação de todas
Marcos, no campo, enquanto Lucas fala
as coisas.
de horta. Esses detalhes, por se tratar de
uma parábola, não devem nos prender.
SUBSÍDIO EXEGÉTICO Muitas pessoas têm se perdido aos de-
talhes na interpretação de parábolas. O
“Jesus aqui continuou com o seu “campo”, sem dúvida alguma, trata-se
esforço para ajudar os discípulos a do mundo e o mesmo exemplifica as
entender a verdadeira natureza do parábolas similares. O Evangelho vem
Reino de Deus (30). (E como eram sendo pregado ao redor do mundo
lentos para aprender! Cf. At 1.6) Ele desde o dia de Pentecostes, pois esta
perguntou: A que assemelharemos é uma ordem do Senhor (At 1.8).
o Reino de Deus?, graciosamente 2. Um lugar debaixo da sombra.
incluindo os ouvintes no projeto. De O arbusto de mostarda aqui retratado
forma incidental, podemos notar a tem cerca de três metros de altura,
importância do pensamento ilustrado ou pouco mais. Seus galhos possuem
nos assuntos espirituais. Com que pa- tamanho suficiente para permitir que
rábola o representaremos? As ideias pássaros construam seus ninhos e
abstratas precisam ser revestidas de consigam abrigar-se debaixo da sua
histórias e imagens para que possam sombra. Essa imagem de uma grande
atingir o coração e a mente. árvore, onde pássaros habitam seus
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 21
galhos e animais descansam à sua desanimador à transformação do Império
sombra, é uma reminiscência do ensino Romano fornece comentário apropria-
veterotestamentário a respeito do des- do para o significado da passagem. A
tino dos grandes impérios, bem como referência à árvore indica um império
sobre a ascensão do Reino de Deus (Ez em expansão (e.g., Ez 17.23; 31.1-9;
17.22-24; Dn 4.10-14). Dn 4.10-12); os pássaros representam
3. Não despreze os pequenos as nações do império (Dn 4.20-22 [...]).
começos. A certeza que Cristo dá ao “A Parábola do Fermento reforça
ensinar essa parábola certamente pro- o começo da semente de mostarda. O
vocou uma forte conscientização e um fermento tem imagem negativa ou má
enorme encorajamento para a igreja na Bíblia, como em Mateus 16.6,11: ‘Ad-
nascente, na época dos evangelistas verti e acautelai-vos do fermento dos
Mateus, Marcos e Lucas. Uma igreja fariseus e saduceus’. Também é usado
que estava enfrentando diversas lutas negativamente no Antigo Testamento
neste mundo. A parábola escatológica (e.g., Êx 12.15; Lv 2.11), embora também
lembra o que disse o soberano Senhor tenha imagem positiva (e.g., Lv 7.13;
a respeito do cedro no qual os pássaros 23.15-18). Aqui Jesus usa o fermento
encontrarão abrigo “à sombra dos seus para mostrar como um item pequeno
ramos” (Ez 17.23 cf. 31.6). Também não observado pode penetrar o todo.
nos desperta para a pergunta levan- Muitos não reconhecem que o Reino
tada pelo profeta Zacarias: “[...] quem esteja em ação, porque está escondido e
despreza o dia das coisas pequenas?” é considerado insignificante por muitos.
(Zc 4.10). Mas não devemos menosprezar o dia
das coisas pequenas. O fruto segue a
fidelidade (Gl 6.9). O trabalho do discí-
SÍNTESE DO TÓPICO II pulo mais humilde pode ter efeitos de
À medida que o Evangelho é prega- longo alcance” (SHELTON, James In AR-
do e mais pessoas o aceitam, o Reino RINGTON, French L.; STRONDAD, Roger
de Deus avança e cresce mais e mais. (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.90).
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO III – QUEM PARTICIPA
“Jesus diz que a semente de mos- DO REINO DE DEUS?
tarda ‘é realmente a menor de todas Todos os autênticos discípulos de
as sementes’. Trata-se de hipérbole, Cristo participam do Reino de Deus.
designada a enfatizar a natureza minús- Não basta apenas ser frequentador de
cula da semente. Entre os rabinos esta Igreja. É preciso ser discípulo de Cristo
semente era usada proverbialmente por (Mc 8.34-38). Ao questionarmos quem
sua pequenez (M. Nidá 5.2). O que Jesus participa do Reino de Deus nos surge a
quer dizer é que se torna um arbusto de ideia do discipulado. O tema do disci-
tamanho significativo e até proporciona pulado tem sido esquecido em muitos
abrigo para pássaros. Assim também o arraiais evangélicos na atualidade. Con-
Reino dos Céus tem começo modesto tudo, se prestarmos atenção à chamada
não observado por muitos, mas even- Grande Comissão, temos o mandamento
tualmente tem grande efeito. O avanço de “fazer discípulos” (Mt 28.19,20). O
da igreja primitiva desde seu começo crescimento do Reino de Deus é, de fato,
22 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
surpreendente. Mas Deus escolheu que
isso aconteça através da prática do dis-
cipulado. Afinal, somente os discípulos
Depois de receber o chamado
do Espírito, é preciso que haja uma
de Cristo, na consumação dos séculos,
decisão pessoal e essa decisão envolve
entrarão no Reino de Deus.
renúncia.
1. Quem tomou uma decisão. Para
que possamos participar do Reino de
Deus é preciso atender ao convite
de Cristo (Mc 8.34). Ser discípulo de
Cristo significa muito mais que aten-
der a um convite de “vir à frente”. O SÍNTESE DO TÓPICO III
texto de Marcos diz que o convite é Somente os discípulos de Cristo
dirigido a quem “quiser”. Isso significa farão parte do Reino de Deus.
que a soberania divina não violenta a
liberdade humana. Depois de receber
o chamado do Espírito, é preciso que SUBSÍDIO DIDÁTICO-
haja uma decisão pessoal e essa de- ECLESIOLÓGICO
cisão envolve renúncia.
2. Quem tem uma relação pessoal Em seu Manual do Discipulador
com Jesus. Um discípulo de Cristo não é Cristão (CPAD), o pastor Cyro Mello
um “admirador”, mas um seguidor. Jesus elenca quatro requisitos para que al-
nos chama a segui-lo. Um verdadeiro guém seja considerado um discípulo
discípulo segue as pegadas de Cristo (1 de Cristo: Decisão Voluntária; Determi-
Pe 2.21). Aquele que participa do Reino nação; Consciência e Disposição para
de Deus é uma pessoa obediente (Jo o Trabalho. Cada um desses requisitos
15.14). Nós devemos obedecer ao seu possui desdobramentos e são funda-
comando por Ele ser Senhor e também mentados em textos bíblicos. Procure
por gratidão à grandiosa salvação que este conteúdo nas páginas 23 a 51 do
referido livro e enriqueça a abordagem
Ele nos deu.
deste terceiro tópico.
3. Quem tem uma caminhada
dinâmica com Cristo. O discípulo de CONCLUSÃO
Cristo tem uma caminhada dinâmica
É interessante notar que nem todas
com Ele. Trata-se de um desafio diário. as parábolas possuem uma aplicação
Todas as nossas escolhas, propósitos, direta e marcante. Em muitas delas, o
nossos sonhos e realizações devem crente precisa contentar-se em deixar
ser pautados na vontade do Senhor. O que a parábola cumpra seu objetivo sem
discípulo de Cristo é alguém que vive que haja uma hermenêutica forçada.
em um mundo cujos valores estão inver- A parábola do grão de mostarda nos
tidos (Mc 8.35), por isso, entende que apresenta a realidade de que o Reino
no âmbito do Reino de Deus “ganhar” de Deus teve um início insignificante e,
é perder, e “perder” é ganhar. Somos desde então, cresce assustadoramente.
chamados para assegurar os interesses Ao final dos tempos, ele atingirá todo
do Reino e, para isso, muitas vezes, o Universo. Que todos nós possamos
temos de deixar de lado os interesses fazer parte desse glorioso Reino, que
egoístas e a aparente segurança terrena. não terá fim.
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 23
ANOTAÇÕES DO PROFESSOR

PARA REFLETIR

A respeito de “O Crescimento do
Reino de Deus”, responda:
• As parábolas do Reino encaixam-se em qual categoria?
Essas parábolas enquadram-se bem na categoria de similitude.
• Por que a parábola do grão de mostarda é considerada uma história
dos contrastes?
Por ser uma história dos contrastes entre um começo aparentemente insig-
nificante e uma coroação surpreendente; entre o oculto hoje e o revelado
no futuro.
• Qual o detalhe que chama a atenção nessa parábola contada por
todos os Sinóticos?
O fato de que Mateus descreve o homem semeando na terra, Marcos, no
campo, enquanto Lucas fala de horta.
• O que é um discípulo de Cristo?
Um discípulo de Cristo não é um “admirador”, mas um seguidor.
• Por viver em um mundo de valores invertidos, o que o discípulo de
Cristo entende no âmbito do Reino de Deus?
O discípulo de Cristo é alguém que vive em um mundo cujos valores estão
invertidos (Mc 8.35), por isso, entende que no âmbito do Reino de Deus
“ganhar” é perder, e “perder” é ganhar.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 76, p.37. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

24 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


Lição 4
28 de outubro de 2018

Perseverando na Fé
WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR

Texto Áureo Verdade Prática


“E Deus não fará justiça aos seus
escolhidos, que clamam a ele de dia e de Quanto mais perseverarmos na fé, me-
noite, ainda que tardio para com eles?” lhor entenderemos a vontade de Deus.
(Lc 18.7)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Hb 11.1 Quinta – Hb 11.6
O firme fundamento e a prova das É preciso acreditar, pois sem fé é
coisas que se não veem impossível agradar a Deus
Terça – Ef 2.8,9 Sexta – Mt 9.2
A salvação é pela graça, mediante Uma fé que, de tão evidente, pode
a fé, para que ninguém se glorie até ser vista
Quarta – Mt 17.20 Sábado – 1 Pe 1.9
A fé não precisa ser grande, mas O alvo supremo da fé não consiste
tem de ser íntegra e verdadeira em receber “bênçãos”

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 25


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Lucas 18.1-8
1 – E contou-lhes também uma parábo- 5 – todavia, como esta viúva me mo-
la sobre o dever de orar sempre e nunca lesta, hei de fazer-lhe justiça, para que
desfalecer, enfim não volte e me importune muito.
2 – dizendo: Havia numa cidade um 6 – E disse o Senhor: Ouvi o que diz o
certo juiz, que nem a Deus temia, nem injusto juiz.
respeitava homem algum.
7 – E Deus não fará justiça aos seus
3 – Havia também naquela mesma cidade escolhidos, que clamam a ele de dia e de
uma certa viúva e ia ter com ele, dizendo: noite, ainda que tardio para com eles?
Faze-me justiça contra o meu adversário.
8 – Digo-vos que, depressa, lhes fará
4 – E, por algum tempo, não quis; mas, justiça. Quando, porém, vier o Filho
depois, disse consigo: Ainda que não do Homem, porventura, achará fé
temo a Deus, nem respeito os homens, na terra?

HINOS SUGERIDOS: 88, 185, 192 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Estimular a perseverança na fé.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Interpretar a parábola do juiz iníquo;

II Destacar a bondade de um Deus justo;

III Ressaltar a postura da viúva a respeito da oração, da perseverança e da fé.

26 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
A aula de hoje é uma grande oportunidade para estimular os alunos a
perseverarem na fé e na oração. Este é o grande desafio do ensino: Romper a
barreira do discurso levando os educandos à prática. A parábola do juiz iníquo
mostra exatamente isso. O interesse de Jesus era levar os seus discípulos a
serem perseverantes e pessoas de oração. Em tempos de “determinismo pro-
fético”, nada mais sensato e necessário que ensinar acerca da fé e da oração.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO veremos, ela possui até certo fundamento
A perseverança na fé é uma das em seu estilo de acentuar a perseverança,
exortações bíblicas mais urgentes nos e se faz acompanhar de um chamado ao
dias de hoje. Sobretudo, quando acom- discernimento (v.6), três afirmações da
panhada da oração, pois esta também defesa graciosa que Deus faz dos seus
é de suma importância, visto ser a e é concluída com um questionamento
forma de comunicação vital dos sobre a existência, ou não, da fé,
PONTO
discípulos com o Pai soberano CENTRAL quando chegar o tempo em que
nestes tempos perigosos até A perseverança Deus defenderá os seus (v.8b).
o estabelecimento final do na fé e na oração é 2. O juiz. Não é preciso
Reino de Deus. Esta parábola, decisiva para o de- interpretar, ao pé da letra, cada
senvolvimento
também conhecida como a espiritual.
detalhe de todas as parábolas.
“parábola da viúva persistente”, Entretanto, aqui vamos assim
mostra que a oração intermitente proceder com o fim exclusivo de
em tempos de crise é o meio pelo qual mostrarmos o contexto que se passa na
os discípulos do Reino se valem da mente dos ouvintes. Tudo indica que na
justiça do Pai a seu favor. estrutura jurídica do judaísmo antigo
existiam dois sistemas de tribunais: o
I – INTERPRETANDO A PARÁBOLA judaico e o gentílico. Por isso, há estu-
DO JUIZ INÍQUO diosos que entendem que o magistrado
1. Uma parábola difícil. Muitos da parábola era um juiz gentio. A Mishná
estudiosos consideram essa parábola declara que três juízes deveriam definir
uma das mais difíceis. De fato, o modo a sentença nos casos que envolvessem
como algumas Bíblias a intitulam, ou seja, propriedade. Flávio Josefo fala de tri-
quando na epígrafe editorial consta, por bunais com até sete juízes na Galileia.
exemplo, “A parábola do juiz iníquo”, têm A parábola pressupõe um tribunal com
levado muitos a fazerem interpretações um juiz somente, pois, neste caso, pode
equivocadas sobre a bondade, o amor e a tratar-se de um simples recurso para a
justiça de Deus. Contudo, devemos levar simplificação da narrativa. Na verdade,
em conta o propósito que levou Jesus a para entendermos melhor a parábola,
contar essa parábola. Trata-se de uma não é tão importante o conhecimento
parábola que, a exemplo de outras que do sistema jurídico daquele tempo,
estudamos ao longo desse trimestre, mas sim nos conscientizar da condição
funciona como um contraste. Conforme desesperadora de muitas viúvas da
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 27
época que sofriam com juízes corruptos tância ao juiz. Este, segundo o relato, é um
ou desumanos. juiz iníquo, isto é, não teme a Deus. Ela,
3. A viúva. As viúvas eram reconhe- porém, demonstra um coração decidido e
cidas pelas suas roupas típicas, as quais uma disposição muito grande. Tanto que o
indicavam sua situação (Gn 38.14,19). texto usa a expressão “molesta” (v.5) para
Naquele tempo as jovens casavam-se no indicar a perseverança da viúva diante do
início da adolescência, por isso, apesar juiz. Por isso, ao final, o juiz cede para não
de haver muitas viúvas, elas não eram, ser mais incomodado, isto é, “molestado”
necessariamente, mulheres de idade pela mulher que o importuna.
avançada. A maioria era deixada sem
nenhuma forma de subsistência. Se SÍNTESE DO TÓPICO I
permanecessem na família do falecido,
acabavam numa condição inferior, quase Os detalhes da parábola não são
o principal a ser entendido, mas sim
servil. Se retornassem para a sua família de
sua mensagem central.
origem, o dinheiro do dote repassado nas
negociações do seu casamento teria que
ser devolvido. Dessa forma, as viúvas em SUBSÍDIO EXEGÉTICO
geral ficavam em uma situação bastante
miserável. Geralmente elas eram vendidas “A Parábola do Juiz e da Viúva
como escravas para a quitação das dívidas. enfoca a oração persistente. Claro que
Portanto, uma mulher pobre, por causa da Jesus não está ensinando que Deus é
morte de seu marido, ficava privada do como um juiz injusto. A parábola é dita
amparo social e, em caso de controvérsias num estilo ‘quanto mais’. Se um homem
de ordem pública, se não tinha dinheiro, iníquo finalmente responde os clamores
precisava confiar na honestidade dos de uma viúva, quanto mais um Deus
magistrados. Esse é o contexto em que justo ouvirá as orações dos seus filhos.
devemos ler essa parábola. “A parábola fala sobre uma situação
4. O caso e a perseverança. A mu- da vida real. O juiz não tem reverência
lher tinha uma causa que deveria ser a Deus ou respeito pelos direitos das
apresentada a um tribunal da cidade ou pessoas. Uma viúva pobre envolvida
a um juiz que resolvesse exclusivamente num processo na mesma cidade pleiteia
a questão por via administrativa. Talvez com o juiz insensível para decidir em
se tratasse de pendências judiciárias ou favor dela contra um adversário (v.3).
mesmo dívidas deixadas pelo seu marido, Por um longo tempo ele não faz nada,
de hipotecas sobre a herança patrimonial. ignorando os clamores por justiça. Como
Apesar de o caso poder enquadrar-se nos outras viúvas naquela sociedade, ela é
inúmeros existentes à época quando uma impotente e entre a mais vulnerável das
mulher tinha de defender seus direitos pessoas. Ela é dependente dos outros
contra as maldades de um adversário para cuidar dela” (ARRINGTON, F. L. In
poderoso que, sendo mais importante e ARRINGTON, French L.; STRONDAD, Roger
influente, está seguro e tranquilo, ela toma (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal.
uma decisão inédita, pois não escolhe 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.435).
advogados (talvez sua condição nem o
permitisse), nem defensores públicos, II – A BONDADE DE UM DEUS JUSTO
mas contra o costume de seu ambiente, 1. Deus é bom. Não é novidade o
decide apresentar, pessoalmente, a ins- fato de a Bíblia estar repleta de textos
28 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
que demonstram a bondade de Deus. vosso Deus, é o Deus dos deuses e o
A parábola, uma vez mais, reforça tal Senhor dos senhores, o Deus grande,
verdade quando o Senhor, retoricamen- poderoso e terrível, que não faz acepção
te, questiona: “E Deus não fará justiça de pessoas, nem aceita recompensas;
aos seus escolhidos, que clamam a que faz justiça ao órfão e à viúva e ama
ele de dia e de noite, ainda que tardio o estrangeiro, dando-lhe pão e veste”
para com eles?” (v.7). A bondade de (Dt 10.17,18).
Deus faz com que Ele ouça aos seus
servos. E não poderia ser diferente,
SÍNTESE DO TÓPICO II
pois Jesus ensinou que se, nós, pois,
sendo maus, sabemos dar boas coisas Além da perseverança na oração e
aos nossos filhos, “quanto mais vosso na fé, a parábola destaca a bondade,
Pai que está nos céus, dará bens aos que a justiça e o fato de que Deus assume
lhe pedirem?” (Mt 7.11). Antes disso o as causas dos menos favorecidos.
Mestre também ensinava sobre a oração,
dizendo: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai
e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á”
SUBSÍDIO PRÁTICO-TEOLÓGICO
(Mt 7.7). Na parábola que estamos estu- “A aplicação é clara e simples. Uma
dando, encontramos a viúva clamando, viúva pode obter justiça de um juiz que
e este é o recurso utilizado por Jesus não teme a Deus e não tem nenhuma
para, mais uma vez, ensinar sobre a consideração pelos seus semelhantes,
oração e nos lembrar que Deus é bom. simplesmente pela sua vinda contínua.
2. Deus é justo. Além da bondade Quanto mais deveria um cristão ter fé e
do Pai, o crente sabe que Ele é justo. crer que um Deus justo, bom e amoroso
Uma vez mais é necessário recordar que responderá as suas orações, embora Ele
a parábola não deve ser tomada ao nível possa demorar – ou seja, embora às vezes
dos detalhes, pois estes não são o mais pareça que a resposta demora! Depressa,
importante. O juiz de nossa parábola é lhes fará justiça, ou seja, subitamente, ines-
iníquo, injusto; Deus, a quem servimos, peradamente, mas não necessariamente
por outro lado, é justo. Nisto consiste o quando eles pensam que a resposta deve
elemento de contraste dessa parábola. vir” (CHILDERS, Charles. Comentário
Este conhecimento já tinha Abraão ao Bíblico Beacon. Vol.6. 1.ed. Rio de
chamar o Senhor de “Juiz de toda a Terra” Janeiro: CPAD, 2006, p.467).
(Gn 18.25). A justiça de Deus é tão elevada
que, assim como a paz de Cristo, excede III – A PERSEVERANÇA DA VIÚVA É
a todo nosso entendimento (Is 56.1). UMA IMAGEM PARA NÓS
3. Deus assume a nossa causa. 1. Oração. Até que nosso Senhor
Na parábola, encontramos uma po- retorne, infelizmente, viveremos em
bre viúva pedindo justiça, mas o que constante luta contra o pecado (Hb
Jesus está ensinando é sobre o dever 12.1). Por esse motivo, não devemos
de orar sempre e nunca desfalecer, desistir de perseverar na oração e na
isto é, a perseverar. Assim, ao mesmo súplica até que alcancemos o alvo (Fp
tempo em que ensina sobre a oração 3.12-14). Ainda durante seu ministério
e a perseverança, o Mestre lembra um Jesus exortava aos seus discípulos a
preceito da Lei, mostrando que Deus que estivessem de “sobreaviso” e que
assume a nossa causa: “Pois o Senhor, também vigiassem e orassem (Mc 13.33;
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 29
ARA). Uma das características distintivas conclui com uma pergunta: “Quando,
do Evangelho de Lucas é a oração (3.21; porém, vier o Filho do Homem, porven-
5.16; 6.12; 9.18,28,29; 10.21,22; 11.1; tura, achará fé na terra?” (v.8b). Jesus
22.41-46; 23.46). Ao ensinar a respeito refere-se aqui à fé da súplica incessante,
do Espírito Santo, Lucas nos mostra que que não esmorece, ou seja, à fé perseve-
Deus cumpre o seu propósito. No entanto, rante. A própria interrogação traz uma
exige a atitude certa por parte do povo de conexão direta com a parábola, pois
Deus que, de acordo com este Evangelho, questiona se o Filho irá encontrar uma
é a oração. Vemos Jesus orando antes de fé persistente como a da viúva. Esta fé
cada grande crise da sua vida, ou seja, é aquela que, em meio às dificuldades
chegando a orar pelos seus agressores e às perseguições, transforma-se em
(Lc 23.34). Por ser um homem de oração, fidelidade e coragem para testemunhar
Jesus exortou seus discípulos a fazerem o diante dos homens (Lc 9.26; 12.9). A
mesmo (Lc 11.2; 22.40,46). É importante fim de preservarmos este tipo de fé,
lembrar que Jesus advertiu contra o tipo precisamos cultivar uma vida de oração
errôneo de oração (Lc 20.47). constante e persistente.
2. Perseverança. Além de orar, é
necessário compreender que a oração SÍNTESE DO TÓPICO III
deve vir acompanhada de perseverança.
A exortação à oração persistente está A parábola ensina que a oração, a
estreitamente ligada à expectativa da perseverança e a fé, evidenciadas na ati-
volta do Senhor. O texto de Lucas 17.22 tude da viúva, são marcas que devem ser
nos alerta de maneira bastante clara a encontradas em todo discípulo de Jesus.
respeito do tipo de oração e do perigo
de esmorecimento na prática de orar a SUBSÍDIO DEVOCIONAL
qual se tem em mira aqui. Deus quer ser
buscado de forma incessante e persis- “Jesus ensina uma importante lição
tente pelos seus, pois a perseverança a respeito da oração, nas parábolas do
levará em conta o tempo de espera como amigo importuno e do juiz injusto. Am-
um meio para aclarar e purificar a nossa bas ilustram a frequentemente citada
vida no aprendizado das coisas de Deus. promessa de Jesus: ‘Pedi e dar-se-vos-á;
3. Fé. Somos, da mesma forma, buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-
exortados a perseverar na fé. A parábola -vos-á. Porque aquele que pede, recebe;

CONHEÇA MAIS
*O Cuidado de Deus com as Viúvas
“Deus é o socorro e o auxílio [das viúvas]: Dt 10.18;
Sl 68.5; 146.9; Pv 15.25. Deus tem expectativa que o seu
povo cuide das viúvas (Is 10.2; Jr 7.6), principalmente
os juízes e líderes e Deus apresenta o seu testemunho
contra os opressores das viúvas (Ml 3.5). A trilogia de
‘viúvas, orfãos e estrangeiros’ é uma descrição-padrão
das pessoas que estão em situação vulnerável.” Para
conhecer mais leia Compreendendo
todas as Parábolas de Jesus,
CPAD, p.630.

30 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


e o que busca, encontra; e, ao que bate, CONCLUSÃO
se abre’ (Mt 7.7,8; veja Lc 11.9,10). A interpretação dessa parábola
“Os três imperativos em Mateus como um ensino sobre a oração persis-
7.7 (‘pedi’, ‘buscai’ e ‘batei’) são verbos tente tem sido a melhor interpretação
que originalmente estão no presente ao longo da história da igreja. A viúva
ativo. Por conseguinte, o sentido dessa que, com sua insistência, constrange
passagem é: ‘Continuai pedindo, até o juiz à intervenção, é um modelo de
receberdes; continuai buscando, até perseverança na fé e na oração confian-
encontrardes; continuai batendo, até te. Esperar com firmeza e fidelidade a
que vos seja aberta a porta’. Muito vinda do Filho do Homem, ou seja, a
diferente da incredulidade, a impor- consumação da nossa salvação é o me-
tunação e a persistência demonstram lhor incentivo para a oração corajosa.
a firme determinação de se alcançar No “mundo tereis aflições”, disse Jesus
um fim desejado, ao mesmo tempo (Jo 16.33), mas somos convocados a
que evidenciam a fé que prevalece permanentemente invocar a Deus por
contra todos os obstáculos” (BICKET, socorro, pois sempre fará justiça aos
Zenas J.; BRANDT, Robert L. Teologia que clamam a Ele. Deus sempre estará
Bíblica da Oração. 6ª reimpressão. Rio junto daqueles que perseveram na fé
de Janeiro: CPAD, 2006, p.206). e na oração.

PARA REFLETIR

A respeito de “Perseverando na Fé”, responda:


• O que devemos levar em conta na interpretação dessa parábola?
Devemos levar em conta o propósito que levou Jesus a contar essa parábola.
• Segundo a lição, é necessário interpretar, ao pé da letra, cada detalhe
das parábolas?
Não é preciso interpretar, ao pé da letra, cada detalhe de todas as parábolas.
• Qual foi a decisão inédita tomada pela viúva da parábola?
Ela toma uma decisão inédita, pois não escolhe advogados (talvez sua con-
dição nem o permitisse), nem defensores públicos, mas contra o costume
de seu ambiente, decide apresentar, pessoalmente, a instância ao juiz.
• Qual é o elemento de contraste dessa parábola?
O juiz de nossa parábola é iníquo, injusto; Deus, a quem servimos, por
outro lado, é justo. Nisto consiste o elemento de contraste dessa parábola.
• O último tópico da lição destaca três coisas que, segundo a parábola,
não devem faltar na vida do cristão. Quais são elas?
Oração, perseverança e fé.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 76, p.38. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 31


Lição 5
4 de novembro de 2018

Amando e Resgatando a
Pessoa Desgarrada
WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR

Texto Áureo Verdade Prática


“Digo-vos que assim haverá alegria no
Jesus é o Bom Pastor que deu a
céu por um pecador que se arrepende,
vida para resgatar suas ovelhas,
mais do que por noventa e nove justos
as quais estavam desgarradas e
que não necessitam de arrependimento.”
distantes de Deus.
(Lc 15.7)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – At 20.28 Quinta – Jo 10.11,12
Os pastores devem cuidar de si A principal diferença entre o bom
mesmos e igualmente do rebanho pastor e o mercenário
Terça – Pv 27.23 Sexta – 1 Pe 5.2-4
É dever dos pastores conhecer o Zelar e defender o rebanho de
estado de suas ovelhas Deus é dever do pastor
Quarta – Jr 23.1-4 Sábado – Mt 2.6
Uma advertência seríssima aos que O Líder Supremo que, como pastor,
exercem o pastorado conduzirá o povo de Israel

32 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Lucas 15.3-10
3 – E ele lhes propôs esta parábola, gria no céu por um pecador que se
dizendo:  arrepende, mais do que por noventa
e nove justos que não necessitam de
4 – Que homem dentre vós, tendo cem
ovelhas e perdendo uma delas, não arrependimento.
deixa no deserto as noventa e nove e 8 – Ou qual a mulher que, tendo dez
não vai após a perdida até que venha dracmas, se perder uma dracma, não
a achá-la?  acende a candeia, e varre a casa, e busca
5 – E, achando-a, a põe sobre seus com diligência até a achar?
ombros, cheio de júbilo;  9 – E, achando-a, convoca as amigas e
6 – e, chegando à sua casa, convoca vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo,
os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: porque já achei a dracma perdida. 
Alegrai-vos comigo, porque já achei a
10 – Assim vos digo que há alegria
minha ovelha perdida. 
diante dos anjos de Deus por um pe-
7 – Digo-vos que assim haverá ale- cador que se arrepende.

HINOS SUGERIDOS: 104, 156, 283 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Despertar na classe o desejo de alcançar os que se afastaram da presença de Deus.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Interpretar as parábolas da ovelha e da dracma perdidas;


II Concitar a classe a comprometer-se em buscar aqueles que se desgarraram;
III Demonstrar biblicamente que há alegria no céu por um pecador que
se arrepende e o mesmo devemos sentir quando pessoas retornam à
presença de Cristo.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 33


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Uma das imagens mais vívidas da parábola da ovelha perdida é a que retrata
o pastor, após encontrar a ovelha, retornando ao rebanho com ela sobre seus
ombros. Se você tiver condições, encontre uma imagem que retrata essa cena (na
internet há várias disponíveis) e apresente-a na classe. Comente que o peso do
animal, depois de uma grande distância percorrida durante um longo tempo, sua
“rebeldia” em distanciar-se do redil, não são nada diante da alegria do pastor em
poder reencontrá-la. Da mesma forma, e certamente com mais intensidade, age
Deus em relação àqueles que se afastam da sua presença. Com essas imagens em
mente, convide a classe a interceder por pessoas que estão afastadas e a desafie
a ir em busca de tais irmãos e irmãs, pois com a volta deles haverá festa no céu.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO para o fim que tal vida leva (Pv 29.1; Rm
6.23). Nenhuma criatura se distrai mais
O que levou Jesus a apresentar a
facilmente que uma ovelha, nenhuma é
parábola da ovelha perdida (Lc 15.3-
mais incapaz de encontrar normalmente
7), a parábola da dracma perdida (Lc
o seu caminho para casa. Nenhuma é mais
15.8-10) e a parábola do filho pródigo
indefesa à destruição por outros animais.
(Lc 15.11-32), antes de dirigir-se nova-
A ovelha que não está com as noventa
mente aos discípulos no próximo
PONTO e nove está perdida (v.4), por isso,
capítulo (16.1-13), foi a insensata CENTRAL
murmuração dos fariseus e O amor divino é o pastor sai angustiado e pronto
dos escribas, exposta nos dois a grande mensa- para dar a sua vida para resgatá-
primeiros versículos de Lucas gem das parábo- -la. A parábola não constrange
15, mostrando o quanto eles las da ovelha e pelo valor da ovelha, mas pelo
da dracma. amor evidenciado na atitude
eram ignorantes do verdadeiro
propósito da missão e ministério do pastor. Ao encontrar a ovelha
de Cristo (Lc 5.32). Portanto, essas pará- perdida, o pastor demonstra compaixão,
bolas tratam do mesmo assunto: buscar pois não a repreende ou censura, não a
quem se perdeu e a espera de Deus em arrasta, obriga ou ordena, mas a leva nos
receber o pecador de volta! seus ombros!
2. A parábola da dracma perdida. A
I – INTERPRETANDO AS PARÁBOLAS parábola da dracma perdida (Lc 15.8-10)
DA OVELHA E DA DRACMA para ser mais bem compreendida precisa
PERDIDAS ser lida à luz das outras duas: a da ovelha
1. A parábola da ovelha perdida. Esta perdida (Lc 15.3-7) e a do filho pródigo (Lc
parábola, que também fora contada em 15.11-32), uma vez que ela está entre essas
outra ocasião (Mt 18.12), ilustra a busca duas e é relatada unicamente em Lucas.
pelo perdido. Uma ovelha perdida é um Deus é comparado com a mulher que se
símbolo do descuidado e desatento preocupa em procurar o que se perdeu.
pecador que anda sem rumo e afasta-se Muito embora a mulher tivesse ainda nove
totalmente de Deus, inclinando-se para o moedas, ela se empenha em procurar a
pecado e prosseguindo nele sem atentar que se perdera. O termo “dracma” designa
34 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
uma moeda grega que era compatível ao vez ‘há alegria diante dos anjos de Deus por
denário romano, valor que era equivalente um pecador que se arrepende’ em vez de
a um dia de salário de um trabalhador ‘alegria no céu’ (v.7). Ambas as parábolas
agrícola. Assim, quando se considera que se referem à alegria de Deus quando um
aquela mulher tinha somente dez moedas, pecador volta a Ele” (ARRINGTON, F. L. In
tratava-se de uma perda significativa. ARRINGTON, French L.; STRONDAD, Roger
Por isso, ela acende a lâmpada, varre a (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal.
casa, e a procura diligentemente, fazendo 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.420).
uma verdadeira faxina, não deixando um
só canto sem ser revistado em busca da II – PRECISAMOS BUSCAR
pequena moeda que se perdeu. Quando QUEM SE DESGARROU
a encontra reúne as amigas e pede que 1. A vontade de Deus é que todos
se alegrem com ela. Da mesma forma, os homens sejam salvos. Na condição de
disse Jesus, “há júbilo diante dos anjos de perdidas, todas as pessoas precisam de
Deus por um pecador que se arrepende” salvação (Rm 3.23) e o Senhor está dis-
(v.10). Quando alguém peca e se afasta de posto a salvá-las (Jo 3.16; 1 Tm 2.4; 2 Pe
Deus, é como se quisesse se esconder do 3.9). Contudo, apenas serão salvas as que
Senhor, por isso essa afirmação de Jesus. aceitarem ao Senhor Jesus e reconhece-
A respeito de se “esconder” de Deus, lem- rem suas condições (Jo 3.16-20; Rm 1.16;
bramos o que fizeram Adão e Eva quando 10.9,10; Ef 2.8,9; 1 Jo 1.9). O interesse de
desobedeceram ao Criador (Gn 3.8). Deus em salvar está claro desde o Antigo
Testamento quando o Senhor, através do
SÍNTESE DO TÓPICO I profeta Ezequiel, disse que Ele mesmo
procuraria as suas ovelhas (Ez 34.12).
O relato das duas parábolas eviden-
2. Jesus é um Pastor que está sem-
cia o interesse, o amor e a compaixão
pre em ação. Incansável em sua tarefa,
de Deus por aqueles que se perderam.
Cristo, como Pastor, conduz suas ovelhas
(Jo 10.4), e Ele assim o faz por conhecê-
SUBSÍDIO EXEGÉTICO -las (Jo 10.3-5). O Senhor não pastoreia
apenas “praticamente”, mas também guia
“Esta segunda parábola é paralela e conduz suas ovelhas mediante o seu
com a precedente. Aqui, é uma moeda de exemplo (Jo 13.15; 1 Pe 2.21; 1 Jo 2.6).
prata (drachme, cerca do salário de um dia O pastoreio de Jesus é feito com amor,
para um trabalhador comum) que foi perdi- pois Ele trata suas ovelhas com ternura e
da, em vez de uma ovelha. Esta parábola mansidão (Is 40.11; 1 Pe 5.2). Tal Pastor
focaliza uma mulher que mora numa casa tem o reconhecimento de suas ovelhas
do interior. Normalmente tais casas não (Jo 10.4; 1 Pe 2.25), pois dá a sua vida
têm janela; assim, tão logo perde a moeda, por elas (Jo 10.11).
ela começa a procurá-la. Ela acende uma 3. Resgatando a ovelha desgarrada.
luminária e varre a casa, procurando A ovelha que acaba se desgarrando o faz
cuidadosamente até encontrá-la. Ela fica pelo fato de que ainda não está firme e
grandemente aliviada, e, como o pastor precisa encontrar meios para estruturar
(v.6), ela convida as amigas e vizinhas para sua fé evitando que se afaste das demais
um jantar de comemoração. A aplicação (v.4). Por isso, além da intercessão, há
de Jesus desta parábola é semelhante à quatro passos mínimos para se resgatar
prévia [da ovelha perdida], embora desta uma ovelha desgarrada:
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 35
1º) Procure pela pessoa, demonstre Antonio. A Prática do Evangelismo Pessoal.
interesse e evite julgamentos e ques- 14.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.92).
tionamentos sobre os motivos de seu
III – HÁ ALEGRIA NO CÉU QUANDO
afastamento;
UM PECADOR SE ARREPENDE
2º) Comprometa-se com a respon-
sabilidade assumida. Resgatar é muito 1. Deus não analisa os motivos pelos
mais trabalhoso do que converter. Esteja quais alguém se perde, mas o reencontro
disposto a apoiar a pessoa, colocando-se ao exige arrependimento. Jesus não se preo-
seu lado em todos os momentos possíveis; cupa em dizer o porquê de a ovelha ter se
3º) Envolva a pessoa em atividades perdido. Ele não está preocupado se ela
e pequenas responsabilidades com é uma ovelha “rebelde” que gostava de
outras pessoas ou grupos, para que ela fugir. A primeira preocupação do pastor
sinta o desejo de ser útil e de se envolver é encontrar a ovelha. Jesus age da mesma
com as atividades da igreja. forma com quem se afastou do redil, da
4º) Nutrir com a boa palavra significa Igreja. Por isso, contou essa história, para
não julgar, mas estender as mãos em sinal mostrar que Ele está à procura da ovelha
de boas-vindas; significa ajudar a entender perdida (Lc 15.3,4,7). Na verdade, a mais
e buscar a compreensão das doutrinas e simples resposta para ser encontrado por
princípios da igreja, para que, aos pou- Jesus, e cuidado por Ele, se chama “arre-
cos, compreenda por si próprio o que a pendimento”. Temos de entender que, sem
doutrina ensina e com esta compreensão arrependimento, será impossível salvar-nos
encontre razões para adquirir firmeza. e ficar firmes com Cristo (Lc 15.17,18).
2. Deus está disposto a perdoar. Não
há pecado que Deus não possa perdoar se
SÍNTESE DO TÓPICO II nós verdadeiramente estivermos dispos-
As parábolas deixam claro o interesse tos a pedir perdão (Is 1.18). Conforme pode
divino em todas as pessoas, por isso, de- ser visto na parábola do filho pródigo, não
vemos agir da mesma maneira que Ele, há pecador arrependido que Deus não
indo em busca dos que se desgarraram. acolha em seus braços, console o coração
e lhe dê paz (Lc 15.20-24). Na primeira
das parábolas estudadas, lemos que
SUBSÍDIO EVANGELÍSTICO Jesus diz que o pastor colocou a ovelha
Em seu livro A Prática do Evangelis- em seus ombros e a carregou (v.5). Pro-
mo Pessoal, o pastor Antonio Gilberto vavelmente isso seja necessário porque
fala acerca do fato de que há pessoas a ovelha caminhou demais, está cansada
afastadas “por toda a parte. Há os que e talvez tenha se machucado no caminho
caíram de vez, por tentação direta e que percorreu para longe do seu pastor.
laço do Diabo, e há os que esfriaram aos 3. A alegria da salvação. Se por um
poucos até perderem todo o primeiro lado o pecador encontra paz na salvação
amor. Há ainda os que se desviaram por outorgada pelo Senhor, é também um fato
verem escândalo no meio cristão, por de que ele torna-se uma pessoa feliz (Sl
sofrerem injustiça ou ficaram melindra- 51.12). Ao terminar de contar cada uma
dos. Outros não resistiram às zombarias, das duas parábolas que estudamos, Jesus
aflições e perseguições por causa da fé. disse que, da mesma forma, “há alegria
Há também os problemas domésticos que diante dos anjos de Deus por um pecador
tanto desvio têm consumado” (GILBERTO, que se arrepende” (Lc 15.10). Portanto,
36 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
para que a nossa alegria seja completa sua graça. Quem pode calcular o número
precisamos da alegria do Senhor, pois de pessoas, através dos séculos, conten-
ela é a nossa força (Jo 15.11; Ne 8.10). tíssimos com a esperança desfrutada com
este capítulo? Note-se, também, como
o Senhor revela, em cada parábola, Seu
SÍNTESE DO TÓPICO III
ardente desejo pessoal de salvar o perdi-
A alegria que a volta de alguém do” (BOYER, Orlando. Espada Cortante 2.
proporciona nas regiões celestiais, deve 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.131).
ser experimentada por todos aqueles
que servem a Deus e que trabalham CONCLUSÃO
para que pessoas sejam resgatadas. Deus está esperando a sua volta (Lc
15.20). Ele perdoará os seus pecados,
não os lançará em seu rosto. Tirará de
SUBSÍDIO DEVOCIONAL você as vestes imundas (Is 64.6), e lhe
“Foi a insensata murmuração dos dará novas roupas que são os dons do
fariseus, querendo calcar a graça de Deus Espírito Santo (At 2.39). Quer voltar aos
aos pés, que levou Jesus a dar estas três braços do Pai celeste? Aceite Jesus e terá
incomparáveis parábolas. O Senhor dá o um lugar à mesa do banquete com Ele,
doce dos céus pelo amargo dos homens. no céu! Grande será a alegria ali com sua
Onde abunda o pecado, aí superabunda volta (Lc 15.7,32). Venha sem demora!
PARA REFLETIR
A respeito de “Amando e Resgatando
a Pessoa Desgarrada”, responda:
• O que a parábola da ovelha perdida ilustra?
Esta parábola, que também fora contada em outra ocasião (Mt 18.12), ilustra
a busca pelo perdido.
• O que designa o termo “dracma”?
O termo “dracma” designa uma moeda grega que era compatível ao denário
romano, valor que era equivalente a um dia de salário de um trabalhador agrícola.
• Na condição de perdidas, do que todas as pessoas precisam?
Na condição de perdidas, todas as pessoas precisam de salvação (Rm 3.23)
e o Senhor está disposto a salvá-las (Jo 3.16; 1 Tm 2.4; 2 Pe 3.9).
• Cite um dos passos mínimos para se resgatar uma ovelha desgarrada.
O aluno pode citar qualquer um dos quatro passos.
• O que é preciso para que nossa alegria seja completa?
Para que a nossa alegria seja completa precisamos da alegria do Senhor,
pois ela é a nossa força (Jo 15.11; Ne 8.10).

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 76, p.38. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 37


Lição 6
11 de novembro de 2018

Sinceridade e
Arrependimento
Diante de Deus
WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR

Texto Áureo Verdade Prática

“E o que a si mesmo se exaltar será Cuidado com o orgulho e a arro-


humilhado; e o que a si mesmo se gância espiritual, pois ambos são
humilhar será exaltado.” pecados perante Deus e devem ser
(Mt 23.12) confessados e abandonados.

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Pv 16.18 Quinta – Tg 4.6
A destruição é antecedida pelo Deus também se opõe ao soberbo
orgulho, e a queda, pela altivez
Sexta – 1 Pe 5.5-7
Terça – Pv 29.23 Pedro repete o que disse Tiago,
A soberba é uma armadilha para os mas acrescenta uma promessa
que a cultivam
Sábado – Rm 12.16
Quarta – Mc 7.21-23 Não ambicionar coisas altas, mas
Na lista dos pecados, a soberba contentar-se com as humildes
ocupa um lugar especial

38 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Lucas 18.9-14
9 – E disse também esta parábola a uns 12 – Jejuo duas vezes na semana e dou
que confiavam em si mesmos, crendo que os dízimos de tudo quanto possuo.
eram justos, e desprezavam os outros:
13 – O publicano, porém, estando em pé,
10 – Dois homens subiram ao templo, de longe, nem ainda queria levantar os
a orar; um, fariseu, e o outro, publicano. olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo:
Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!
11 – O fariseu, estando em pé, orava
consigo desta maneira: Ó Deus, graças 14 – Digo-vos que este desceu justificado
te dou, porque não sou como os de- para sua casa, e não aquele; porque
mais homens, roubadores, injustos qualquer que a si mesmo se exalta será
e adúlteros; nem ainda como este humilhado, e qualquer que a si mesmo
publicano. se humilha será exaltado.

HINOS SUGERIDOS: 77, 88, 118 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Ressaltar a sinceridade e o arrependimento como
duas virtudes importantíssimas para o cristão.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Interpretar a parábola do fariseu e do publicano;

II Apontar os males do farisaísmo e da hipocrisia;

III Contrastar a postura do publicano em relação à do fariseu.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 39


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Até mesmo as pessoas que não professam a fé cristã sabem do que se trata
quando alguém é chamado de “fariseu”. Farisaísmo é sinônimo de hipocrisia,
postura altamente reprovável por Jesus durante todo o seu ministério terreno. É
importante entender que Jesus não reprovava o que era certo do ensinamento dos
fariseus (Mt 23.1-3), mas desabonava a conduta deles. Portanto, as boas virtudes
devem ser cultivadas, pois estas também são parte da transformação operada
pelo Espírito Santo em nós (Ef 2.10). Como aprenderemos nesta lição, as coisas
que o fariseu dizia fazer não eram, em si mesmas, erradas, mas a motivação com
que ele agia, isto sim, era algo altamente arrogante e mesquinho.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO locando-os lado a lado. Depois de haver
Talvez a parábola do fariseu e do ensinado a respeito da necessidade e do
publicano seja uma das mais conhecidas. poder da oração por meio da parábola
Ela mostra que a dependência humilde do “juiz iníquo”, Jesus conta essa pará-
diante de Deus, em vez de justiça própria, bola com o objetivo de ensinar a atitude
é a base para a resposta de oração. Muitas correta na hora da oração. Agora somos
pessoas acreditam que Deus deve ensinados que, além de perseverar-
responder suas orações com base PONTO mos na oração, é preciso cultivar
naquilo que elas fazem para CENTRAL uma atitude correta.
Ele. Contudo, na contramão da A sinceridade e 1. O fariseu. Pertencente
meritocracia religiosa, e dentro o arrependimento a uma das principais seitas dos
vão além da reli- judeus, muito mais numerosa
da gloriosa graça de Deus, que giosidade.
faz cair chuva sobre justos e do que a dos saduceus, e de
injustos (Mt 5.45), a lição de hoje mais influência entre o povo, os
nos ensina que o que Deus quer é fariseus insistiam no cumprimento
que nossas orações sejam permeadas de rigoroso da Lei e das tradições dos anciãos
sinceridade e arrependimento. Quando (Mt 15.1,2). Fariseu significa “separado”.
oramos a Deus, devemos confiar em quem Esta classe de pessoas assim era identi-
Ele é, e não em quem nós somos. Jesus ficada porque não somente se separava
ensina que são felizes os humildes de dos outros povos, mas também dos outros
espírito (Mt 5.3), aqueles que reconhecem judeus. Eles observavam as práticas de
a sua real condição diante de Deus. Por forma minuciosa, contudo, esqueciam do
isso, hoje vamos falar sobre a sinceridade espírito da Lei, como se nota na forma
e o arrependimento para com o Senhor. como se lavavam antes de fazer as refei-
ções, no lavar dos copos, jarros, os vasos
I – INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA de metal e as roupas de cama (Mc 7.3,4),
DO FARISEU E DO PUBLICANO em pagar cuidadosamente o dízimo (Mt
Estamos diante de uma parábola 23.23), na observância do sábado, etc.
narrativa indireta simples, ou seja, uma 2. O publicano. Os publicanos,
comparação entre dois personagens geralmente judeus, eram cobradores
opostos – o fariseu e o publicano –, co- de impostos que trabalhavam para os
40 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
romanos. Os judeus consideravam os equiparado aos gentios. Essas duas figuras
publicanos traidores e apóstatas, porque estão orando juntas à mesma hora no
cobravam os impostos para a nação que Templo. É o que informa a parábola.
os oprimia. Eles eram julgados como
pessoas de vil caráter, porque alguns
também acabavam extorquindo grandes SÍNTESE DO TÓPICO I
quantias de dinheiro do seu próprio Os dois, fariseu e publicano, esta-
povo (Lc 3.12,13; 19.8). Os publicanos vam no Templo e também orando, mas
sempre eram classificados entre os as motivações eram muito diferentes.
pecadores (Mt 9.10,11), os pagãos e as
meretrizes (Mt 21.31). O povo murmu-
rava pelo fato de Jesus comer com eles
SUBSÍDIO HISTÓRICO-CULTURAL
(Mt 9.11; 11.19; Lc 5.29; 15.1,2). Chama “Dois homens subiram ao templo,
a atenção o fato de Jesus ter escolhido a orar; um, fariseu, e o outro, publicano
um publicano, Mateus, para segui-lo, (10). Eles não entraram no santuário,
tornando-se apóstolo (Mt 9.9). mas em um dos átrios do templo onde
3. A oração. Os judeus da cidade de eram oferecidas as orações. Este era
Jerusalém tinham o costume de fazer o pátio das mulheres. Ao escolher um
orações nas horas costumeiras (9 da fariseu e um publicano para esta ilus-
manhã e 15 da tarde). Entretanto, mesmo tração, Jesus escolheu dois extremos.
fora dos horários regulares havia pessoas Os fariseus eram a mais rígida, mais
orando no Templo (Lc 2.37; At 22.17). Um conservadora e mais legalista de todas as
fariseu e um publicano subiram ao Templo facções dos judeus. Os publicanos eram
com o fim de orar à mesma hora. Como oficiais judeus do governo romano, cujo
já foi dito, nos aspectos religioso e moral trabalho era recolher taxas para Roma.
reinava no judaísmo daquela época uma Eles eram odiados pelos judeus tanto
grande distância entre essas duas classes pelas taxas recolhidas para os domi-
do povo. O fariseu, como vimos, era tido nadores estrangeiros, como por serem
como um homem que cumpria a Lei com geralmente desonestos” (CHILDERS,
rigor exemplar. O outro, publicano, era Charles L. Comentário Bíblico Beacon.
considerado uma pessoa que vivia em Vol.6. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006,
grandes pecados e vícios, sendo mesmo pp.467,468).
CONHEÇA MAIS
*Quem Eram os Fariseus
“Os fariseus, ou perushim, isto é, do ‘hebraico
parash, separar, interpretar’, expressão que literal-
mente significa ‘separados ou separadores’ e pode
ser entendida, como ‘intérpretes ou comentadores’,
isto é, aqueles que distinguem, separam e expõem
a lei’, eram judeus piedosos e, pela sua popularida-
de, considerados ‘mentores religiosos
da ‘ralé’’”. Para conhecer mais,
leia O Sermão do Mon-
te, CPAD, p.100.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 41


II – A HIPOCRISIA DO FARISEU “Dia da Expiação”, acrescentando à prática
1. A postura do fariseu no momento anual (Lv 16.29,31; 23.27), mais dois jejuns
da oração. Inicialmente a parábola con- semanais. Excedia o dízimo normatizado
tada por Jesus se detém no fariseu, com pela Lei (Lv 27.30,32; Nm 18.21,24), che-
o objetivo de dizer como este formulava gando a separar o dízimo dos “temperos”
a sua oração. De acordo com uma das ou condimentos (Mt 23.23). Ele realmente
interpretações, o fariseu postou-se em “agradece” por ser quem é, mas, não con-
local isolado e ali orou (Lc 18.11). O texto tente com isso, “agradece” também pelo
enfatiza a posição distinta, separada, do que supostamente faz para Deus.
fariseu. Ele postou-se de maneira que
chamava a atenção e atraía sobre si todos SÍNTESE DO TÓPICO II
os olhares dos presentes (Mt 6.5). Ele ora
O fariseu praticava coisas certas não
como todos os devotos judeus: de pé, com
por isto ser o correto, mas como forma
os braços erguidos e a cabeça levantada.
de autojustificação.
Ele agradece a Deus. Esta é a forma clás-
sica da oração bíblica judaica: o louvor e o
agradecimento a Deus. O fariseu, antes de SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
tudo, agradece a Deus por estar isento dos
vícios dos outros homens, e em seguida “O tríplice uso da expressão ‘hipó-
porque é rico em obras meritórias. critas’ [hypokritēs] ([utilizada por Jesus
2. Uma “oração comum”. Tudo indica em Mateus 6] vv.2,5,16), termo grego
que o tipo de oração que encontramos no originalmente utilizado no teatro para
texto, apesar de transparecer arrogante, os atores que representavam, denota
não era completamente desconhecido, a seriedade com que são encarados
pois há relatos na literatura rabínica do os que fazem o bem com motivações
judaísmo de que tal comportamento escusas. É impossível não lembrar-se
era comum. Alguns autores mostram de Mateus 25.31-46, quando as ovelhas
exemplos de orações cujo teor é similar à forem separadas dos bodes, justamente
do fariseu da parábola. Isso, porém, não por causa das boas obras executadas.
justifica a atitude e nem a torna aceitável. Obras que, vale ressaltar, eram praticadas
3. A oração arrogante. O fariseu diz a sem nenhum outro interesse por parte
respeito de si mesmo o que era rigorosa- de quem praticava a não ser o bem da
mente verdadeiro, mas o que o motivava a pessoa necessitada. Aliás, os benfeitores
orar era completamente errado. Não existe estavam fazendo ao próprio Filho de Deus,
nenhuma consciência do pecado, nem da mas eles sequer sabiam disso! Nada fora
necessidade, nem da humilde dependência feito para representar, pois eles sequer
de Deus. O fariseu quase que comete a sabiam que estavam sendo observados
loucura de “parabenizar” a Deus por ter e suas obras anotadas e contabilizadas.
um servo tão excelente como ele! Depois É assim que, conforme observa Dumais,
de suas primeiras palavras, não se lembra uma ‘ação praticada diante do Pai ‘em
mais de Deus, mas apenas de si mesmo. segredo’ (vv. 4.6.18) não significa uma
O centro de sua oração é o que ele faz. A ‘ação secreta’; designa toda ação, até
oração do fariseu inicialmente mostra quem pública, que se faz de verdade diante do
ele é. Em seguida, ele passa a destacar as Pai, ‘que vê o que está oculto’, isto é, que
obras excedentes, ou seja, “a mais” que ele penetra a intenção profunda dos corações’.
realiza. Excedia o jejum prescrito na Lei, o O feito de qualquer um, isto é, qualquer
42 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
obra, jamais será ‘oculta’ diante dos olhos um coração completamente dilacerado
de quem tudo vê e conhece. Inclusive as pela dor.
ações, não precisam ser necessariamente 3. A oração aceita. As pessoas que
ocultas, escondidas, pois se não houver ouvem atentamente a narração de Je-
outra forma ou local, elas podem ser sus talvez tivessem esboçado sinais de
realizadas publicamente” (CARVALHO, aprovação inclinando-se para a atitude
César Moisés. O Sermão do Monte. 1.ed. do fariseu. Porém, num dado momento, o
Rio de Janeiro: CPAD, 2017, pp.102-03). Mestre desconcerta a todos os ouvintes com
uma conclusão inesperada. O publicano,
III – A SINCERIDADE DO PUBLICANO que era odiado por todos, isto é, o pecador,
1. A oração do publicano. O cobrador recebe o dom de Deus, a justiça, ou seja, o
de impostos parece não estar à vontade perdão e a misericórdia divina. Já o fariseu,
no local de culto. Ele não está apto nem que ostentava a justiça perante Deus como
mesmo para assumir o comportamento conquista pessoal, não obteve o mesmo
normal de quem ora. Bate no peito como favor. O publicano recebeu o favor divino
aquele que está numa situação de deses- como dom misericordioso de Deus. Esta é
pero, suplica com a fórmula do pecador a verdadeira justiça, posto ser proveniente
que não sabe fazer o elenco de seus de Deus (Rm 1.17). Assim, a oração aceita
pecados (Sl 51.3). É a oração do pobre é a do publicano. Ela vem permeada de
que confia totalmente em Deus. Com sinceridade e arrependimento diante de
profunda dor ele exclama: “Deus, tem Deus. Por isso, ele voltou para casa “justi-
misericórdia de mim, pecador!” Nessa ficado”, ou seja, perdoado e “inocentado”
breve, porém, sincera e humilde oração, dos seus pecados. O princípio por trás de
a ênfase recai sobre a palavra “pecador”. toda a parábola está muito claro: aquele
2. Sinceridade e arrependimento. que se exalta, será humilhado. Ninguém
Além de golpear o próprio peito, o publi- possui algo de que possa se orgulhar diante
cano nem conseguia levantar os olhos. O de Deus. Quem se humilha, será exaltado
termo grego utilizado é uma expressão (Lc 14.11). O pecador arrependido que
forte e definida para uma contrição dolo- humildemente busca a misericórdia de
rosa e arrependida, tal como aparece em Deus, certamente, a encontrará.
Lucas 23.48. O publicano sequer consegue
formular muitas palavras. Nem mesmo SÍNTESE DO TÓPICO III
fazendo promessas ele conseguiria obter
quaisquer direitos. Ele tem consciência O publicano, a despeito de exercer
de sua condição, por isso, prostra-se em uma atividade nada honrosa entre os
sinal de sinceridade e arrependimento. A judeus, foi justificado por sua since-
sua condição o permite apenas render-se ridade e arrependimento.
inteiramente às mãos de Deus. É possível
notar, pelas palavras do fariseu, que to-
SUBSÍDIO DEVOCIONAL
dos os seres humanos eram pecadores e
“apenas” ele era justo. De forma contrária, “A oração que o pecador faz com
na confissão do publicano, porém, todos humildade e arrependimento leva à
eram justos, “somente” ele era o pecador. conversão genuína, que, por sua vez, se
Nisto também vemos a comparação entre evidencia pela conversão comprovada,
ambos. Na verdade, estamos diante de pela reparação dos erros cometidos e a
uma oração que saía das profundezas de volta às atividades que honram a obra
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 43
de Deus e o glorificam. Os atos falam tem uma atitude sincera. O publicano,
mais alto que as palavras. São os atos apesar da classe a que pertence, no
da pessoa que atestam a sinceridade momento da oração representa aquele
da sua conversão. Se você está em falta tipo de pessoa que, com sinceridade e
diante de Deus, quanto maior for seu arrependimento, se prostra diante do
erro, tanto maior deve ser a humildade Pai e, por isso, encontra favor. Será que o
e o arrependimento demonstrados em nosso coração, naturalmente, não é sem-
sua oração. Você estará orando a um Deus pre semelhante ao do fariseu? Vê severa-
vivo que conhece tudo que é rico em mente os pecados de outras pessoas, mas
misericórdias” (SOUZA, Estevam Ângelo esquece dos próprios. O fariseu deixou
de. Guia Básico de Oração. 1.ed. Rio de o Templo da mesma maneira que entrou
Janeiro: CPAD, 2002, pp.124,125-26). nele. Devemos orar como publicanos,
pois todos somos pecadores. Devemos
CONCLUSÃO orar com sinceridade e arrependimento
Na parábola que aprendemos na diante de Deus. Quem se humilhando,
lição de hoje, o fariseu representa aquele curva-se até ao pó, será amorosamente
tipo de pessoa que ora bastante, mas não conduzido ao coração do Pai (Sl 51.17).
PARA REFLETIR
A respeito de “Sinceridade e Arrependimento
Diante de Deus”, responda:
• O que significa dizer que estamos diante de uma “parábola narrativa
indireta simples”?
Uma comparação entre dois personagens opostos o fariseu e o publicano,
colocando-os lado a lado.
• Além de perseverarmos na oração, o que é necessário fazer?
Além de perseverarmos na oração, é preciso cultivar uma atitude correta.
• Qual foi, de fato, o erro do fariseu?
Sua arrogância.
• O que era possível notar pelas palavras do fariseu e do publicano?
É possível notar, pelas palavras do fariseu, que todos os seres humanos
eram pecadores e “apenas” ele era justo. De forma contrária, na confissão
do publicano, porém, todos eram justos, “somente” ele era o pecador.
• Qual é o princípio por trás de toda essa parábola?
O princípio por trás de toda a parábola está muito claro: aquele que se exalta,
será humilhado. Ninguém possui algo de que possa se orgulhar diante de
Deus. Quem se humilha, será exaltado (Lc 14.11). O pecador arrependido
que humildemente busca a misericórdia de Deus, certamente, a encontrará.

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Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 76, p.39. Você encontrará mais subsídios
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44 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


Lição 7
18 de novembro de 2018

Perdoamos Porque
Fomos Perdoados
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Texto Áureo Verdade Prática


“Assim vos fará também meu Pai
celestial, se do coração não Assim como Deus nos perdoa
perdoardes, cada um a seu graciosamente, precisamos perdoar
irmão, as suas ofensas.” aqueles que nos ofendem.
(Mt 18.35)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Mt 18.21,22 Quinta – Cl 3.13
A quantidade de vezes que se deve Devemos suportar uns aos outros e
perdoar uma pessoa perdoarmo-nos mutuamente
Terça – Mc 11.25 Sexta – 1 Jo 1.9
Ao orar, lembrando que temos algo Se confessarmos os nossos pecados,
contra alguém, devemos perdoar Ele é misericordioso e nos perdoará
Quarta – Mc 11.26 Sábado – Is 55.7
Devemos perdoar, pois se não o O maior prazer de Deus é que o
fizermos, também não o seremos pecador se arrependa e converta-se

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 45


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Mateus 18.21-35
21 – Então, Pedro, aproximando-se dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o
dele, disse: Senhor, até quantas vezes que me deves.
pecará meu irmão contra mim, e eu lhe 29 – Então, o seu companheiro, pros-
perdoarei? Até sete? trando-se a seus pés, rogava-lhe, di-
22 – Jesus lhe disse: Não te digo que zendo: Sê generoso para comigo, e
até sete, mas até setenta vezes sete. tudo te pagarei.
23 – Por isso, o Reino dos céus pode 30 – Ele, porém, não quis; antes, foi
comparar-se a um certo rei que quis encerrá-lo na prisão, até que pagasse
fazer contas com os seus servos; a dívida.
24 – e, começando a fazer contas, 31 – Vendo, pois, os seus conservos o
foi-lhe apresentado um que lhe devia que acontecia, contristaram-se muito
dez mil talentos. e foram declarar ao seu senhor tudo o
25 – E, não tendo ele com que pagar, que se passara.
o seu senhor mandou que ele, e sua 32 – Então, o seu senhor, chamando-o à
mulher, e seus filhos fossem vendidos, sua presença, disse-lhe: Servo malvado,
com tudo quanto tinha, para que a perdoei-te toda aquela dívida, porque
dívida se lhe pagasse. me suplicaste.
26 – Então, aquele servo, prostrando-se, 33 – Não devias tu, igualmente, ter
o reverenciava, dizendo: Senhor, sê ge- compaixão do teu companheiro, como
neroso para comigo, e tudo te pagarei. eu também tive misericórdia de ti?
27 – Então, o senhor daquele servo, 34 – E, indignado, o seu senhor o en-
movido de íntima compaixão, soltou-o tregou aos atormentadores, até que
e perdoou-lhe a dívida. pagasse tudo o que devia.
28 – Saindo, porém, aquele servo, en- 35 – Assim vos fará também meu Pai
controu um dos seus conservos que lhe celestial, se do coração não perdoardes,
devia cem dinheiros e, lançando mão cada um a seu irmão, as suas ofensas.
HINOS SUGERIDOS: 126, 360, 400 da Harpa Cristã
OBJETIVO GERAL
Sublinhar a importância do perdão, tendo como
referência o fato de termos sido perdoados por Deus.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Interpretar a parábola do credor


incompreensivo;
II Ilustrar o grande favor que recebe-
mos de Deus;
III Sensibilizar demonstrando o nosso
compromisso em perdoar porque
fomos perdoados.
46 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
O perdão, além de ser uma necessidade e uma atitude cristã, é igualmente um
bálsamo para os envolvidos em algum litígio, mas, sobretudo para quem perdoa.
Ensinado pelo Senhor Jesus Cristo, atualmente, até mesmo a psicologia e a psiquiatria
reconhecem os benefícios do ato de perdoar. Em sua classe provavelmente haverá
pessoas em uma situação em que há necessidade do perdão, seja precisando ou
devendo perdoar. Quem sabe até mesmo você esteja enfrentando um problema
nesse aspecto, seja para perdoar ou para pedir perdão a alguém. Aproveite o
momento da aula para promover esse clima de autoavaliação, levando todos a
refletir sobre a importância de perdoar, pois, afinal também fomos perdoados.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO Jesus sobre a conduta dos seus discípulos
Essa parábola é uma daquelas que como membros da nova comunidade
trata do relacionamento entre os discípu- trazida à existência por intermédio
los de Cristo, ou seja, como estes devem se do recebimento de sua mensagem, os
comportar no âmbito do Reino. Apesar de discípulos do Reino de Deus. O Reino
nossas Bíblias a intitularem de a “parábola possui valores essencialmente diferentes
do credor incompassivo”, o que ela daqueles que caracterizam as institui-
ensina, de fato, é a forma de lidar ções terrenas e as organizações
PONTO
com a ofensa e com o perdão. CENTRAL desse mundo. Lembre-se de que
Ela mostra a graça e, ao mesmo Saber perdoar nesse reino os humildes são os
tempo, a responsabilidade. Se, é uma das ca- verdadeiramente grandes (Mt
racterísticas do 18.1-4). No Reino de Deus, o
por um lado, Deus nos perdoa cristão.
por intermédio de sua infinita “inferior” e mais “apagado”
graça, por outro, temos a respon- súdito leal ao seu Rei possui
sabilidade de perdoar aqueles que valor imensurável. A suprema ofensa
nos ofendem. Há quem julgue ser esta uma na comunidade do Reino é quando os
das parábolas menos complexas entre as mais fortes e dominadores tornam a
que foram pronunciadas por Cristo. Ela caminhada de fé dos irmãos mais fracos
acaba sendo contada por Jesus por causa e mais sensíveis, difícil (Mt 18.6,7). De
de uma pergunta de Pedro a respeito de igual modo, mostrar desprezo pelos
quantas vezes devemos perdoar nosso irmãos em Cristo é algo inaceitável
irmão, e termina dizendo como nosso (18.10). Com o objetivo de solidificar
Pai celestial fará conosco, ou seja, uma ainda mais o ensino desse Reino, Jesus
vez que fomos perdoados, devemos da fala sobre o perdão, e Pedro, admirado,
mesma forma perdoar todos aqueles que faz a pergunta e o Senhor então conta a
nos ofendem. parábola (vv.15-35). Ao longo da história
da igreja, os intérpretes não alegorizaram
I – INTERPRETANDO A PARÁBOLA tanto esta parábola quanto o fizeram com
DO CREDOR INCOMPREENSIVO as outras. A mensagem que a parábola
1. A nova vida no Reino de Deus. O quer transmitir é unicamente o perdão
capítulo 18 de Mateus traz os ensinos de de Deus e a obrigatoriedade que os
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 47
homens têm em perdoar em função de cados, até que eles fossem perdoados
Deus já tê-los perdoado. Para finalizar, gratuitamente por Deus, por intermédio
ela adverte a respeito do juízo divino da morte do Filho de Deus na cruz do
sobre aqueles que se negam a fazê-lo. Calvário (Cl 4.13,14).
2. Perdão ilimitado. Pedro parece 4. A recusa em perdoar. Ao voltar-se
ter se incomodado a respeito do que para o segundo quadro da parábola,
Jesus havia ensinado acerca do perdão no Jesus diz que um homem, conservo
âmbito do Reino (18.15-20). A pergunta com aquele cujo débito era impagável,
do apóstolo parece simples, mas traz um devia “cem dinheiros” ao servo cuja
pano de fundo judaico. Pedro quer saber dívida exorbitante junto ao rei fora
quantas vezes deve perdoar o irmão perdoada (v.27). “Cem dinheiros” ou
ofensor. Talvez tenha se sentido generoso “cem denários” era uma moeda roma-
ao sugerir: “Até sete?” (v.21). Na tradição na. Mais uma vez o Comentário Bíblico
rabínica, não se exigia que alguém perdo- Beacon faz uma atualização dizendo
asse mais do que três vezes. A resposta que o valor equivalia a cerca de “vinte
do Mestre certamente perturbou a Pedro. dólares americanos”, ou seja, “uma soma
Porém, é preciso lembrar-se de que Jesus insignificante comparada àquela que o
está se valendo de uma hipérbole, ou oficial da corte devia ao rei”. Contudo,
seja, não devemos entender tal “número” aquele que teve sua dívida perdoada
num sentido matemático preciso. Jesus agora resolve ser absolutamente incom-
ensina a perdoar quantas vezes forem preensivo. Recusa-se a dar um prazo
necessárias, mas isso também deve ser para que o homem pudesse quitar a
feito de coração, isto é, devemos perdoar dívida e ainda mandou que o seu servo
com liberalidade e sinceridade. fosse lançado na prisão (vv.28-30). Os
3. Uma dívida impagável. Os servos demais servos, ao sentirem-se revol-
de um rei eram oficiais de alta posição tados pela atitude injusta do credor
a serviço do imperador. Alguns deles, incompreensivo, levaram o assunto até
muitas vezes, em determinadas ocasi- o conhecimento do rei (v.31). O credor
ões emprestavam grandes somas de acaba então recebendo o castigo que
dinheiro do tesouro imperial. Nesta merece (vv.32-34). Jesus termina com a
parábola, a quantia mencionada por advertência de que Deus fará o mesmo
Jesus é, mais uma vez, deliberadamente quando não perdoarmos cada um de
dada com exagero. É uma hipérbole que nossos irmãos que nos ofendem (v.35).
visa tornar mais nítido o contraste com
a segunda dívida – “cem dinheiros”. É SÍNTESE DO TÓPICO I
difícil achar um equivalente no sistema
Os detalhes da parábola não são
monetário moderno, mas o Comentário
tão importantes quanto sua grandiosa
Bíblico Beacon compara um talento com
mensagem.
cerca de “mil dólares americanos”, sendo
que “dez mil talentos” (v.24), segundo o
mesmo comentário, equivalem ao valor
de “dez milhões de dólares”. Trata-se de
SUBSÍDIO EXEGÉTICO
uma dívida impagável. O que Cristo quer “A chamada de Jesus ao perdão
ensinar é a completa falta de esperança imediato é a ocasião para esta parábola.
de pagarmos o incomensurável débito Mateus une fortemente as duas passagens
que geramos por causa dos nossos pe- com as palavras ‘por isso’ (dia touto, tra-
48 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
dução literal). Jesus começa dando um 2. Deus pagou as nossas dívidas.
exemplo de perdão extravagante. O fato O próprio Deus, que poderia ser o
de um servo (provavelmente ministro nosso credor eterno, providenciou uma
da corte) dever dez mil talentos é incrí- forma para que pudéssemos “pagar” a
vel; Jesus exagera a soma astronômica nossa dívida. Ele enviou seu Filho na
para causar efeito. Um talento era alta plenitude dos tempos (Gl 4.4), para que
denominação de dinheiro, equivalente todo aquele que confessar o Nome do
de seis a dez mil dinheiros ou denários unigênito Filho de Deus não pereça, não
(um denário era o salário mínimo de um morra, ou seja, não tenha de receber a
operário pelo trabalho de um dia). Em justa retribuição pela imensa dívida do
termos do dinheiro de hoje, seria uma pecado (Gl 4.5). Ao morrer em nosso
dívida na casa dos bilhões de dólares. lugar na cruz do calvário, Cristo verteu
O servo nunca viveria o suficiente para o sangue necessário para a remissão de
acumular ou fraudar tal quantia. É situação nossos pecados. Ali na cruz “havendo
tão desesperadora, que ele e sua família riscado a cédula que era contra nós”,
terão de ser vendidos como escravos Deus em Cristo pagou as nossas dívidas.
(v.25), mas até isso apenas faria cócegas 3. Nada pode nos condenar. Porque
na importância devida. Responder como Deus, em Cristo, pagou as nossas dívidas,
o homem pagaria está além da função estamos livres da condenação do pecado.
da parábola” (SHELTON, James B. In AR- É a Bíblia que nos assegura que “nenhuma
RINGTON, French L.; STRONDAD, Roger condenação há para os que estão em
(Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal. Cristo Jesus, que não andam segundo a
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.108). carne, mas segundo o espírito” (Rm 8.1).
No versículo seguinte, Paulo explica que,
II – EM CRISTO, DEUS PAGOU AS em Cristo Jesus, o Espírito de vida, “me
NOSSAS DÍVIDAS livrou da lei do pecado e da morte”. Assim,
1. Nossa dívida impagável. A Pala- porque a misericórdia é uma marca do
vra de Deus deixa claro que o salário do ensino e do ministério do Senhor Jesus,
pecado é a morte (Rm 6.23) e, do mesmo podemos dizer que agora somos livres da
modo, ela ensina que todos somos pe- condenação por tal grande misericórdia
cadores (Rm 3.23). É bom lembrarmos de Deus (Lm 3.22,23).
que até mesmo nós, os que servimos
a Cristo, outrora éramos mortos em SÍNTESE DO TÓPICO II
delitos e pecados (Ef 2.1). É justamente
O perdão proporcionado por Deus,
por causa de nossos delitos e pecados
em Jesus, jamais poderia ser pago
que contraímos uma dívida impagável.
pela humanidade.
Assim como aquele servo que devia dez
mil talentos, nós não poderíamos pagar
nossa dívida para com Deus. Essa dívida III – UMA VEZ PERDOADOS,
exigia um sacrifício de sangue, pois AGORA PERDOAMOS
sem derramamento de sangue não há 1. Não endureça o coração. Se a
remissão de pecados (Hb 9.22). A única misericórdia é uma marca do minis-
forma de pagarmos nossa dívida seria tério de Cristo, deve ser também uma
com o derramamento de sangue e, isso, marca de seus seguidores. Por isso,
exigiria a nossa própria vida. Portanto, no Sermão do Monte, a misericórdia é
nossa dívida para com Deus é impagável. apontada como uma das características
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 49
autênticos discípulos de Cristo re-
ceberam abundante perdão, graça e
O Reino de Deus não pode
infinita misericórdia. E isso é um dom
estar presente na vida da Igreja quando
de Deus (Ef 2.4-8). É um presente do
o mal não é combatido.
Pai para nós, que merecíamos a morte.
Da mesma forma que recebemos tudo
isso como presente de Deus, devemos
presentear as pessoas com misericórdia
e perdão (1 Jo 3.16).
dos discípulos do Reino (Mt 5.7). Assim,
não podemos endurecer o coração para
com aqueles que nos devem, uma vez SÍNTESE DO TÓPICO III
que Jesus jamais agiu dessa maneira. O parâmetro para perdoarmos, é
Antes, devemos tomar cuidado, pois justamente o fato de que Deus per-
a ênfase no juízo será proporcional à doou-nos sem que pudéssemos pagá-lo.
ênfase na misericórdia (Tg 2.13).
2. Devemos agir com misericórdia.
O Reino de Deus não pode estar presente
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
na vida da Igreja quando o mal não é
combatido (Ef 5.11). A parábola, prece- “Jesus de Nazaré, argumenta Han-
dida pela pergunta de Pedro, ressalta a nah Arendt, foi ‘o descobridor do papel
importância do exercício do perdão. Se do perdão no reino dos assuntos huma-
Deus nos perdoou quando ainda éramos nos’. Pode ser muito afirmar que Jesus
pecadores (Rm 5.8), não temos motivo descobriu o papel do perdão social,
algum para deixar de perdoar aqueles visto que os profetas e sábios antes dEle
que nos ofendem. A misericórdia deve ser também estavam cientes deste fenô-
uma constante em nossas vidas. Devemos meno, mas Ele claramente transformou
agir com todos de forma misericordiosa, o seu significado e significação de um
fazendo com que isso predomine em nosso modo que causou um efeito profundo
caráter como novas criaturas (2 Co 5.17). na história humana.
3. Devemos dar o presente que “Se examinarmos os livros do
recebemos. Sabemos que todos os Novo Testamento em ordem aproxi-

CONHEÇA MAIS
*O Valor de Um Talento
“Um ‘talento’ é uma medida de peso em ouro,
prata ou cobre. Ele variava, mas oscilava entre 27 e
41 Kg. Dez mil talentos não seriam menos do que 270
toneladas de metal. Dependendo do tipo de metal
utilizado, um talento era equivalente a cerca de 6.000
denários e, à base de um denário por dia (cf. Mt 20.2),
um trabalhador precisaria de 164.000 anos para
quitar a dívida!” Para conhecer mais,
leia Compreendendo todas
as Parábolas de Jesus,
CPAD, p.112.

50 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


madamente cronológica, mais uma (SANDAGE, Steve J.; SHULTS, F. Leron.
vez identificaremos uma trajetória Faces do Perdão. 1.ed. Rio de Janeiro:
que nos leva a pensar no perdão de CPAD, 2011, pp.137-38).
um modo que transcende as metáfo-
ras puramente legais ou financeiras. CONCLUSÃO
Marcos, o mais antigo dos Evangelhos, A parábola que estudamos, nesta
claramente liga a chegada de Jesus lição, evita qualquer abuso ou presun-
com a previsão dos profetas hebreus ção da graça que recebemos de Deus.
referente à promessa de perdão e Alguns, às vezes, querem apresentar
à vinda do Messias. Diferente das um tipo de “graça” que não precisa ser
introduções mais longas dos outros levada muito a sério. Contudo, a Bíblia
Evangelhos, Marcos cita os profetas e ensina a respeito de uma graça que é
em seguida declara que João Batista transformadora. Se você foi transforma-
‘apareceu’ e proclamou um batismo de do por essa graça, conseguirá perdoar
arrependimento para (ou em voltado assim como foi e é perdoado por Deus,
para) o perdão dos pecados (Mc 1.4)” em Cristo Jesus.
PARA REFLETIR
A respeito de “Perdoamos Porque
Fomos Perdoados”, responda:
• Quem são os “grandes” no Reino de Deus?
Os humildes são os verdadeiramente grandes (Mt 18.1-4).
• Qual é a mensagem que a parábola quer transmitir?
A mensagem que a parábola quer transmitir é unicamente o perdão de
Deus e a obrigatoriedade que os homens têm em perdoar em função de
Deus tê-los perdoado.
• O que Jesus queria ensinar ao dizer o valor da dívida do servo do rei?
O que Cristo quer ensinar é a completa falta de esperança de pagarmos o
incomensurável débito que geramos por causa dos nossos pecados, até que
eles fossem perdoados gratuitamente por Deus, por intermédio da morte
do Filho de Deus na cruz do Calvário (Cl 4.13,14).
• Qual era a única forma de “pagarmos” a nossa dívida diante de Deus?
A única forma de pagarmos nossa dívida seria com o derramamento de
sangue e, isso, exigiria a nossa própria vida. Portanto, nossa dívida para
com Deus é impagável.
• Você já precisou perdoar alguém ou ser perdoado? Como se sentiu
após fazê-lo?
Resposta pessoal.

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2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 51


Lição 8
25 de novembro de 2018
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Encontrando o
Nosso Próximo

Texto Áureo Verdade Prática


“E que amá-lo de todo o coração, e de
todo o entendimento, e de toda a alma, Amar ao próximo inclui amar até
e de todas as forças e amar o próximo mesmo aqueles que nos aborrecem,
como a si mesmo é mais do que todos pois encontramos em Deus o maior
os holocaustos e sacrifícios.” exemplo de que tal amor é possível.
(Mc 12.33)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Lv 19.18 Quinta – 1 Jo 3.16
Amar ao próximo – Um O grande desafio de evidenciar que
mandamento antigo realmente amamos
Terça – Mt 5.43,44 Sexta – 1 Jo 3.11
Orar pelos inimigos e também por A grande mensagem de Jesus desde
aqueles que nos perseguem o começo
Quarta – Rm 13.8 Sábado – Tg 2.8
Quem ama ao próximo cumpriu a A evidência de que se está agindo
Lei corretamente

52 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Lucas 10.25-37
25 – E eis que se levantou um certo mesmo caminho certo sacerdote; e,
doutor da lei, tentando-o e dizendo: vendo-o, passou de largo.
Mestre, que farei para herdar a vida 32 – E, de igual modo, também um le-
eterna? vita, chegando àquele lugar e vendo-o,
26 – E ele lhe disse: Que está escrito passou de largo.
na lei? Como lês? 33 – Mas um samaritano que ia de
27 – E, respondendo ele, disse: Amarás ao viagem chegou ao pé dele e, vendo-o,
Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, moveu-se de íntima compaixão.
e de toda a tua alma, e de todas as tuas 34 – E, aproximando-se, atou-lhe as
forças, e de todo o teu entendimento e feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e,
ao teu próximo como a ti mesmo. pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o
28 – E disse-lhe: Respondeste bem; para uma estalagem e cuidou dele;
faze isso e viverás. 35 – E, partindo ao outro dia, tirou dois
29 – Ele, porém, querendo justificar-se dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e dis-
a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o se-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais
meu próximo? gastares eu to pagarei, quando voltar.
30 – E, respondendo Jesus, disse: Descia 36 – Qual, pois, destes três te parece
um homem de Jerusalém para Jericó, que foi o próximo daquele que caiu
e caiu nas mãos dos salteadores, os nas mãos dos salteadores?
quais o despojaram e, espancando-o, 37 – E ele disse: O que usou de miseri-
se retiraram, deixando-o meio morto. córdia para com ele. Disse, pois, Jesus:
31 – E, ocasionalmente, descia pelo Vai e faze da mesma maneira.

HINOS SUGERIDOS: 4, 8, 151 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Traduzir os ensinamentos apreendidos nesta aula em prática na realidade.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Interpretar a parábola do bom


samaritano;
II Reafirmar que a compaixão e
a caridade são intrínsecas à fé
salvadora;
III Conscientizar de que o nosso
próximo é qualquer pessoa
necessitada.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 53


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
A lição de hoje trata-se de um desafio ao individualismo prevalente no
mundo. Ao contar a parábola do bom samaritano Jesus ensina que ajudar o
próximo está acima de diferenças étnicas e religiosas. O doutor da Lei que
interpela o Mestre querendo saber o que deveria ser feito para se herdar a
vida eterna, acaba descobrindo que suas boas ações dirigidas apenas ao seu
restrito círculo de convivência, fosse este de parentes ou de amigos, não eram
vistas como ajudas autênticas, mas apenas atitudes de trocas. Se você só
ajuda quem é parente ou amigo, sendo estes pessoas que podem retribuí-lo,
na verdade o faz apenas por saber que um dia poderá ser recompensado. O
Mestre, contudo, ensina que o próximo é toda e qualquer pessoa que esteja
necessitando de nossa ajuda.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO por grandes vultos da história cristã,
Em diversos momentos, Cristo que procuravam ver, por exemplo,
aplicou-se a fazer com que as pessoas nesta narrativa uma representação
compreendessem que seu Reino não da caminhada humana ao sair do Éden
era deste mundo (Jo 18.36), ou seja, (Jerusalém), e tomar o caminho do
que as lógicas, o modo de pensar mundo (Jericó). Muitas destas inter-
e de agir deste mundo não se pretações servem-se do método
coadunam com o Reino ce- PONTO alegórico para atribuir ao
lestial. A conhecida parábola CENTRAL texto alguns objetivos que
do “bom samaritano”, sem Ajudar o próximo ele não tem.
sombra de dúvidas, é um é uma das gran- 2. Pondo Jesus à prova
des prioridades
destes momentos preciosos, ou “tentando-o”. O Mestre
do cristão.
no qual o Mestre serviu-se conta essa parábola porque
deste método didático para um doutor da Lei, bem-sucedi-
trazer aos seus discípulos, e a to- do, procura-o para “pô-lo à prova”
dos quanto o ouviam e, por extensão, (ARA) ou “tentá-lo” (ARC), conforme
a nós, um novo conceito sobre “quem” consta no versículo 25. O termo grego
é o nosso próximo e como devemos utilizado oferece a ideia de colocar à
proceder em relação a ele. prova o “caráter” de Cristo. Isso mostra
que aquele homem, de maneira ardilosa,
I – INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA busca colocar o Mestre dos mestres em
DO BOM SAMARITANO situação difícil e, quem sabe imaginan-
1. Uma parábola com diversas do receber algum elogio, o interroga
interpretações. A parábola do bom dizendo: “Mestre, que farei para herdar
samaritano, ao longo da história, tem a vida eterna?” (v.25).
sido alvo das mais diversas interpre- 3. “Como lês?” Jesus, como é de
tações. Muitas e conhecidas são as costume, “responde” com outra pergunta
exposições sobre esta parábola, in- (v.26). Ao perguntar sobre o conteúdo
clusive algumas famosas e realizadas do mandamento, Jesus não questiona
54 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
aquele doutor para ver se ele o conhecia,
isto é, sua pergunta demonstra interesse SÍNTESE DO TÓPICO I
na forma particular de interpretação do
A parábola do bom samaritano é
mandamento por parte daquele homem.
uma mensagem claríssima a respeito
Jesus quer saber como o doutor lê, como
de nossa responsabilidade em relação
o interpreta e de que forma olha para o
ao próximo.
mandamento. O homem não compreen-
dendo limita-se a responder recitando
o mandamento tal como está escrito SUBSÍDIO EXEGÉTICO
(v.27). Percebendo Jesus que o homem
“Jesus poderia ter enfatizado ao
conhecia muito bem o texto a ponto
doutor da lei que a vida eterna é um
de recitá-lo, o Mestre então o chama à
dom de Deus, mas ele não tenta corrigir
prática (v.28). Para Jesus não bastava que
o pensamento do doutor da lei. Ele sonda
aquele doutor soubesse o conteúdo do
a compreensão que este perito tinha da
mandamento, antes, ao Mestre importa-
lei, perguntando: ‘Que está escrito na
va que o homem soubesse interpretar
lei? Como lês?’ Sabendo que o homem
corretamente e, muito mais importante,
era perito na lei de Moisés, Jesus per-
colocar o mandamento em ação em sua
gunta como ele entende as Escrituras.
vida. Por isso, o Senhor Jesus diz: “faze
O doutor da lei responde unindo os
isso e viverás” (v.28).
mandamentos de amar Deus de todo
4. Questão principal. Não satisfei-
o nosso ser (Dt 6.5) e amar o próximo
to, o doutor da Lei quer saber de Jesus
como a nós mesmos (Lv 19.18). Jesus
“quem” seria o seu próximo (v.29).
concorda com a análise, mas o doutor da
Pode ser que ele até tenha imaginado
lei avança e se concentra na questão do
que Jesus revelaria o nome de um ente
‘próximo’ (plesion). Os judeus limitavam
querido ou um amigo muito amado. o significado do termo próximo aos
Quem sabe imaginou que Jesus diria integrantes da própria nação, exceto os
que o próximo é apenas quem nos samaritanos e estrangeiros ([...]). Jesus
faz bem. É neste contexto então que redefine a palavra, ampliando seu sig-
a Parábola é contada pelo Senhor. Je- nificado. O amor do próximo cresce por
sus, ao contar a parábola, deixa claro amor a Deus e deve ser igual ao nosso
que as tradições e a religiosidade não amor por nós mesmos” (ARRINGTON,
podem ensinar-nos acerca de quem é F. L. In ARRINGTON, French L.; STRON-
o nosso próximo. O homem que desceu DAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico
de Jerusalém para Jericó estava caído Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD,
e ferido (v.30), porém, o sacerdote 2003, pp.387-88).
não o viu como seu próximo e o levita
também não (vv.31,32), mas o sama- II – COMPAIXÃO E CARIDADE SÃO
ritano, surpreendentemente, assim o INTRÍNSECAS À FÉ SALVADORA
enxergou (v.33). Surpreendentemente 1. Compaixão. A parábola, como
porque jamais um judeu praticante da um todo, é marcante, mas um momento
Lei, como aquele doutor, enxergaria nos indispensável em qualquer reflexão
“impuros” e “mestiços” samaritanos, sobre ela está no versículo 33, quando o
alguém próximo seu. Jesus, no entanto, Mestre diz que o samaritano “chegou ao
assim o vê e quer que aquele doutor da pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima
Lei veja também. compaixão”. A “compaixão” aqui se refere
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 55
a um sentimento intenso que causa tanto de amor, ou seja, o amor do samaritano
incômodo a ponto de alterar não apenas ao próximo foi expresso em atitudes
a consciência, ou o pensamento, mas e ações, ao ponto de se comprometer
também o aspecto físico, pois o texto diz até mesmo com os gastos que seriam
que o samaritano “moveu-se”. gerados com a hospedagem do homem
2. Cuidado. O versículo 34 diz que o ferido. Para Cristo, só existe realmente
samaritano “aproximando-se, atou-lhe as caridade se houver demonstração de
feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, amor, pois no texto de João 3.16 não diz
pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou- apenas que Deus “amou”, mas também
-o para uma estalagem e cuidou dele”. que Ele “deu” o seu Filho. A evidência
Essa ação toca no aspecto da prática do de que Deus ama é demonstrada pela
amor, isto é, o cuidado, contida no man- sua compaixão pelo mundo perdido.
damento, pois este ordena: “Amarás ao Deus se compadece e mostra isso na
Senhor, teu Deus [...] e ao teu próximo prática (Rm 9.16).
como a ti mesmo” (v.27 cf. Lv 19.18). O
amor de que trata o mandamento, não
é retórico e muito menos platônico, isto SÍNTESE DO TÓPICO II
é, existindo apenas no mundo das ideias. Compaixão, cuidado e amor, para
Deus nos mostra e exemplifica o amor os discípulos de Cristo, não podem
verdadeiro no texto de João 3.16 quando ser apenas palavras bonitas, mas
diz que “amou o mundo de tal maneira atitudes concretas.
que deu o seu Filho unigênito, para que
todo aquele que nele crê não pereça, mas
tenha a vida eterna”. A expressão grega III – O NOSSO PRÓXIMO É
para dizer que Deus amou, neste texto, QUALQUER PESSOA NECESSITADA
foi agapao, que se refere ao amor prático, 1. O “próximo”. Na Parábola, quem
um amor que se comove, um amor que se se fez “próximo” do homem ferido foi uma
enche de íntima compaixão. Ensina-nos pessoa que o doutor da Lei teria como
que não basta dizermos que amamos, e completamente indigna de receber sua
nem mesmo apenas amarmos, há que se atenção e cuidados, visto que judeus e
avançar para o segundo estágio que é a samaritanos nutriam recíproco sentimento
prática do cuidado (1 Jo 3.16-18). Não há de desprezo e quase ódio. Não havia para
demonstração de cuidado sem prática, aquele doutor exemplo mais doloroso
assim como não há amor sem compaixão. para Cristo utilizar-se. Isso fica demons-
3. Caridade. O samaritano da pará- trado quando, ao final da narrativa, Jesus
bola não apenas aproxima-se do homem pergunta ao doutor da Lei qual dos três
que está ferido à beira do caminho e havia sido o “próximo” do homem que
nem somente se compadece dele, mas foi espancado pelos salteadores (v.36) e
decide curá-lo, dar-lhe atendimento de este se limita a responder: “O que usou
emergência e conduzi-lo a uma estala- de misericórdia para com ele” (v.37). Ou
gem (v.34). Já na estalagem, o samaritano seja, ele sequer diz que foi o “samaritano”.
recomenda ao hospedeiro que cuide do Mesmo assim, a palavra de Jesus, visando
homem, pois ele prosseguiria sua viagem responder a pergunta inicial (v.25), foi
e, quando voltasse, pagaria qualquer que o doutor da Lei fizesse o mesmo.
despesa que tivesse sido gerada (v.35). Da mesma forma devemos colocar em
Tais atitudes são uma clara demonstração prática o amor que afirmamos ter a Deus
56 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
sobre todas as coisas, e ao nosso próximo, eu posso, ou devo, ser o próximo? (v.36).
pois só assim fazendo estaremos aptos à A questão colocada pelo doutor da Lei
vida eterna. Infelizmente, nos tempos de não continha nenhum interesse ou
Jesus a hipocrisia humana, que faz com compromisso em ajudar de verdade. Já
que homens conhecedores não sejam a indagação de Jesus forçava-o a pensar
praticantes do próprio conhecimento, já acerca dessa obrigação. De acordo com
estava bem presente na sociedade judaica. o ensinamento de Jesus, o que fica claro
Por isso, Jesus teve diversos embates com é que o “próximo” trata-se de qualquer
os doutores da Lei (Mt 23.1-36). pessoa que se aproxima de outras com
2. Ajudar ao próximo não salva, amor verdadeiro e generoso sem levar em
mas é algo que deve ser feito por quem conta as diferenças religiosas, culturais
é salvo. Nesta parábola, Jesus não quer e sociais. Jesus retoma a pergunta inicial
afirmar que o samaritano pudesse e conclui dando uma resposta inespera-
alcançar a salvação por causa de sua da, pois o caminho proposto por Ele é
beneficência e de sua atitude amo- pautado no amor, com demonstrações
rosa. Jesus apenas está respondendo práticas, para com todos os homens (Lc
à pergunta formulada pelo professor 10.37). O coração cheio de amor fala e
da Lei. É importante salientarmos que age de acordo com a consideração do
fazer obras de caridade não leva nin- Mestre, perguntando sempre de quem
guém à salvação (Ef 2.8,9). Contudo, os eu posso ser o próximo, ou seja, a quem
verdadeiros filhos de Deus são “feitos” devo socorrer.
para as boas obras, isto é, as realizam
naturalmente (Ef 2.10; Tg 2.14,17).
Assim, Cristo mostra ao mestre da Lei
SÍNTESE DO TÓPICO III
que uma pessoa sincera soluciona fa- A dúvida a respeito de quem é o
cilmente essa questão que, aos olhos próximo pode ser facilmente respon-
daquele homem, parecia tão complexa. dida, pois trata-se de qualquer pessoa
3. A medida do amor para com o que esteja precisando de nossa ajuda.
necessitado. A medida do amor para
com o próximo não deve ser estabe-
lecida com base nas diferenças de
SUBSÍDIO DIDÁTICO
nacionalidade, de confissão religiosa Conforme estamos aprendendo,
ou do grupo social, mas unicamente auxiliar as pessoas necessitadas é tam-
com base na necessidade do outro. bém parte da missão da Igreja de Jesus
O próximo que se encontra em uma Cristo. Proponha aos alunos a visita a
situação de emergência e precisa que uma instituição de assistência social
algo seja realizado por ele naquele (orfanato, asilo, abrigo, etc.) e instrua-os
momento, não pode esperar qualquer acerca do compromisso que temos, não
análise ou palavra “motivacional” (Tg apenas coletivo, mas também individual,
2.14-16). Por isso, estamos falando em de agir de forma solidária para com o
ações concretas, ajudas materiais, assim nosso próximo. Tal visita pode ser feita
como na parábola contada por Jesus. em áreas carentes da cidade ou mesmo
4. Sendo o próximo. O doutor da no centro das grandes cidades onde se
Lei havia perguntado quem era o pró- abrigam, embaixo das marquises, uma
ximo dele (v.29). Na resposta de Jesus, grande quantidade de moradores de rua,
a pergunta é inversa, ou seja, de quem inclusive, idosos e crianças. Há muito por
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 57
fazer e seria interessante que não ficás- e exercitar a misericórdia para com
semos apenas com a reflexão em sala de o próximo. Aqui aprendemos que o
aula, mas saíssemos das “quatro paredes” amor não aceita limites na definição
da Escola Dominical transformando em de quem é o próximo. Enquanto to-
prática àquilo que estamos aprendendo das as sociedades e seus segmentos
bíblica e teologicamente em sala. sociais acabam levantando barreiras
para separá-las das demais pessoas,
CONCLUSÃO os discípulos de Cristo devem olhar
A parábola estudada na lição de para os seres humanos com igualdade,
hoje foi uma “história-exemplo”, pois pois o próprio Deus não faz acepção
se trata de um mandamento de amar de pessoas (At 10.34).

PARA REFLETIR
A respeito de “Encontrando
o Nosso Próximo”, responda:
• Por que Jesus conta a Parábola do Bom Samaritano?
O Mestre conta essa parábola porque um doutor da Lei, bem-sucedido, procura-o
para “pô-lo à prova” (ARA) ou “tentá-lo” (ARC), conforme consta no versículo 25.
• Qual era o interesse de Jesus em perguntar ao homem como estava
escrito ou como se lia?
Ao perguntar sobre o conteúdo do mandamento, Jesus não questiona
aquele doutor para ver se ele o conhecia, isto é, sua pergunta demonstra
interesse na forma particular de interpretação do mandamento por parte
daquele homem. Jesus quer saber como o doutor lê, como o interpreta e
de que forma olha para o mandamento.
• Para Jesus, qual é a prova de que realmente a pessoa está praticando
a caridade?
Para Cristo, só existe realmente caridade se houver demonstração de amor,
pois no texto de João 3.16 não diz apenas que Deus “amou”, mas também
que Ele “deu” o seu Filho.
• Se as boas obras não salvam, por que devemos praticá-las?
Os verdadeiros filhos de Deus, são “feitos” para as boas obras, isto é, as
realizam naturalmente (Ef 2.10; Tg 2.14,17).
• De acordo com o ensinamento de Jesus, quem é o “próximo”?
De acordo com o ensinamento de Jesus, o que fica claro, é que o “próximo”
trata-se de qualquer pessoa que se aproxima de outras com amor verdadeiro
e generoso sem levar em conta as diferenças religiosas, culturais e sociais.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 76, p.40. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

58 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


Lição 9
2 de dezembro de 2018

O Perigo da
Indiferença Espiritual
WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR

Texto Áureo Verdade Prática

“Vós sereis meus amigos, se fizerdes o As palavras dos filhos de Deus


que eu vos mando.” devem condizer com aquilo
(Jo 15.14) que eles praticam.

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Dt 5.29 Quinta – At 5.29
Deus anela que haja disposição em A obediência ao Senhor tem
nós para obedecê-lo prioridade sobre a obediência civil
Terça – 1 Sm 15.22 Sexta – Tg 1.22
Deus preza mais a nossa A prova da obediência está na
obediência do que os sacrifícios prática e não nas palavras
Quarta – Jo 14.15 Sábado – Hb 5.8
O amor ao Senhor Jesus é Jesus deu-nos o exemplo sendo
demonstrado pela obediência obediente ao Pai

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 59


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Mateus 21.28-32
28 – Mas que vos parece? Um homem 31 – Qual dos dois fez a vontade do
tinha dois filhos e, dirigindo-se ao pri- pai? Disseram-lhe eles: O primeiro.
meiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo
na minha vinha. que os publicanos e as meretrizes en-
29 – Ele, porém, respondendo, disse: tram adiante de vós no Reino de Deus.
Não quero. Mas, depois, arrependen- 32 – Porque João veio a vós no camin-
do-se, foi. ho de justiça, e não o crestes, mas os
30 – E, dirigindo-se ao segundo, fa- publicanos e as meretrizes o creram;
lou-lhe de igual modo; e, respondendo vós, porém, vendo isso, nem depois vos
ele, disse: Eu vou, senhor; e não foi. arrependestes para o crer.

HINOS SUGERIDOS: 198, 196, 465 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Destacar a importância da obediência e alertar
para os perigos da indiferença espiritual.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Interpretar a parábola dos dois filhos;

II Alertar para os perigos de a prática não ser condizente com o discurso;

III Incentivar a prática da obediência.

60 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
A inconsistência entre o que se diz e o que se faz é um problema tão sério
que afeta até mesmo a educação familiar. Nossos filhos observam muito mais o
que fazemos do que aquilo que dizemos. Não raro, pais são surpreendidos com
observações feitas pelos filhos acerca de práticas que eles sequer imaginavam
que estavam sendo observadas. A parábola que será estudada hoje mostra o
valor da prática da obediência e deixa claro que a resposta, mesmo elegante
e educada, se não corresponder às ações, de nada serve. O que fica bastante
claro nesta narrativa é o fato de que mais importante que a pronta resposta
de aceitação do pedido do pai, é a obediência demonstrada nas ações, algo
que aconteceu com a atitude do primeiro filho que, mesmo tendo respondido
de forma negativa, foi quem de fato obedeceu. Qual tem sido a nossa postura
diante das ordens do Senhor? Eis uma boa oportunidade para refletir.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO “escondendo” o quanto há de trabalho
Na lição de hoje estudaremos uma a ser realizado, sua duração ou sua re-
parábola conhecida como a “parábola tribuição, concentrando-se na reação
dos dois filhos” (Mt 21.28-32). Uma contrastante dos dois filhos ao pedido
das curiosidades desta parábola do pai. O primeiro filho diz que não vai
é que ela ocorre apenas em obedecer, mas, ao final, arrepen-
Mateus. Ela ensina grandes PONTO de-se e o faz, ao passo que o
CENTRAL segundo diz que vai obedecer
lições e retrata o perigo da A obediência,
indiferença espiritual e a e não o faz (vv.29,30). O filho
conforme ensina
necessidade de obedecer a a Bíblia, é a me- que diz que será obediente
vontade de Deus a fim de que lhor forma de à vontade do pai, nessa pa-
adorarmos a rábola, representa Israel, que
possamos ser participantes do Deus.
Reino. Conforme aprenderemos, não fez a vontade de Deus (Rm
quando se fala de obediência ao Senhor, 10.21). Enquanto isso, o filho que diz
não bastam apenas palavras, pois o que não vai obedecer, representa os
que realmente conta é se realmente publicanos e os pecadores, que, por se
praticamos aquilo que professamos. arrependerem de seus pecados, têm o
direito de entrar no Reino de Deus antes
I – INTERPRETANDO A PARÁBOLA dos judeus (v.31).
DOS DOIS FILHOS 2. O assentimento puramente
1. O contexto da parábola. A pa- verbal. Em algumas versões do texto
rábola traz à cena um proprietário em grego, a ordem do pedido do pai aos
busca de trabalhadores para a sua vinha filhos aparece diferente, iniciando de
que, desta vez, na narrativa, são seus forma invertida, isto é, primeiramente
próprios filhos (v.28). Essa pequena o que disse que aceitaria, mas não foi e,
porção bíblica que cabe em poucos versí- posteriormente, o que não aceitou, mas
culos, se não for devidamente estudada, arrependeu-se e foi. Assim, no versículo
pode passar despercebida das pessoas 30, a resposta – “Eu vou, senhor” –, que
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 61
não passa de um assentimento pura- mas quando tiveram a oportunidade
mente verbal, e está aqui em contraste de arrepender-se, acabaram obede-
com a recusa indelicada do primeiro cendo, de fato, ao Senhor. Mais que um
filho. Porém, como já sabemos, apesar assentimento verbal, mais que votos
desta concordância imediata do segun- ou promessas, as Escrituras Sagradas
do filho em ir, na prática, transforma-se nos exortam a aderirmos, na prática, a
em nada, pois ele não obedece, de fato, vontade do Pai e a sermos obedientes
à ordem do pai. a Ele. Só assim seremos participantes
3. A negação verbal. Apesar de do Reino de Deus.
o primeiro filho oferecer ao pai uma
resposta negativa – “Não quero” –, e de
ter se recusado a obedecer à ordem num SÍNTESE DO TÓPICO I
primeiro momento, o texto esclarece A parábola dos dois filhos mostra
com uma adversativa, “mas” seguida claramente que só pode participar
do verbo grego metamelomai (que do Reino de Deus os que atendem
ocorre apenas cinco vezes em o Novo ao chamado do Senhor e o obedece.
Testamento), cujo significado refere-se
a “arrepender-se”, “estar arrependido
mais tarde”, demonstrando que essa ne- SUBSÍDIO EXEGÉTICO
gação verbal não representa a verdade, “Jesus continua contra-atacando
pois o filho, arrependido, foi trabalhar. os inimigos com três parábolas que
4. Uma adesão operativa. Vimos tratam da rejeição dos líderes de Israel.
que a mesma ordem do pai obteve Mateus introduz estas parábolas com a
respostas diferentes. De fato, os dois expressão: ‘Mas que vos parece?’ (cf. Mt
filhos representam, de forma em- 17.25; 18.12). De acordo com os profetas,
blemática, dois tipos de atitudes. O a vinha nas duas primeiras parábolas
primeiro deles representa a adesão representa Israel (Sl 80.8-19; Jr 2.21;
operativa precedida por uma negação Ez 19.10). Na Parábola dos Dois Filhos, o
que é apenas verbal. De forma inversa, primeiro filho representa os pecadores
o segundo tipo de resposta trata-se de arrependidos que agora servem ao Pai,
um assentimento puramente verbal que ao passo que o segundo filho retrata os
não passa à ação. Por isso, logo após líderes que honram a Deus com os lábios
contar essa parábola, Jesus pergunta mas cujo coração está longe (Is 29.13).
aos líderes judeus qual dos dois filhos Anteriormente Jesus já tinha se associa-
atendeu à vontade do pai (v.31a). Eles do com os publicanos e pecadores, e os
respondem de forma correta, e o Mestre inimigos lançaram-lhe isso em rosto (Mt
então lhes diz que os publicanos e as 9.9-13). Agora Ele menciona os pecadores
meretrizes entrariam adiante deles no para reprovar os principais sacerdotes e
Reino de Deus (v.31). O Senhor disse anciãos. A chamada de João Batista ao
isso porque, da mesma forma que no arrependimento teve profundo impacto
caso dos filhos, ao longo do ministério nos pecadores arrependidos que viviam
de Jesus, muitos publicanos, meretrizes na periferia da respeitabilidade (veja
e pecadores de toda espécie tomaram esp. Lc 3.10-14; 7.29,30).
a atitude da adesão operativa. Passa- “O uso do título respeitoso ‘senhor’
ram boa parte de suas vidas negando (kyrie, Mt 21.30) é típico de Mateus e
verbalmente a fazer a vontade de Deus, provavelmente tem significado duplo
62 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
para ele e sua audiência. Nos lábios do palavras estéreis e religiosas, mas em
filho hipócrita, faz o leitor lembrar das praticar a verdade revelada na Palavra
palavras ditas anteriormente por Jesus: de Deus de forma concreta e precisa
‘Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! (Mt 7.21). Os representantes da antiga
entrará no Reino dos céus, mas aquele e longa tradição judaica estavam ali
que faz a vontade de meu Pai, que está diante do Mestre para demonstrar de
nos céus’ (Mt 7.21). maneira bem clara o que a parábola
“Previamente em seu ministério, retratava, pois não tiveram dificuldade
Jesus explicava as parábolas aos discí- alguma para responder a indagação
pulos em particular (Mt 13.13-16,36), de Jesus: “Qual dos dois fez a vontade
mas agora, Ele ousada e diretamente do pai?” (v.31a). O Senhor coloca-os
explica a parábola aos líderes judeus, frente a frente com a verdade de
provavelmente com o propósito de modo que, ao responderem correta-
forçar todos os que ouvem a escolher mente, eles pronunciaram um juízo
ou rejeitar: ‘Em verdade vos digo que de condenação contra si próprios,
os publicanos e as meretrizes entram pois o tipo de resposta que eles dão
adiante de vós no Reino de Deus’ (Mt a Deus os identificam com o filho que
21.31). Jesus deixa aberta a possibili- contradisse com um não de fato e um
dade de que a elite ‘respeitável’ venha sim apenas dos lábios. Eles estão no
a seguir os publicanos e pecadores no grupo dos religiosos que nada fazem
Reino de Deus, mas considerando o além de pronunciar palavras bonitas,
caráter apocalíptico da parábola, soa porém, descompromissadas.
friamente como palavras de julgamento 2. O arrependimento conduz
final” (SHELTON, James B. In ARRINGTON, à prática. Muitas pessoas dizem-se
French L.; STRONDAD, Roger (Eds.). Co- arrependidas, por isso, precisamos
mentário Bíblico Pentecostal. 1.ed. Rio compreender o verdadeiro sentido da
de Janeiro: CPAD, 2003, p.120). expressão “arrepender-se”. Em 2 Co-
ríntios 7.9 o apóstolo Paulo diferencia
II – QUANDO AS PALAVRAS NÃO SE categoricamente a mera tristeza, estar
COADUNAM COM A PRÁTICA “contristado”, do arrependimento ativo,
1. Palavras estéreis. A obediência isto é, estar “contristado segundo Deus”.
ao Senhor não consiste em proferir O caso de Judas, por exemplo, pelo
CONHEÇA MAIS
*Coerência Entre as Palavras e as Ações
“O educador cristão que trabalha somente no
plano cognitivo, ou seja, enchendo a mente dos
educandos, sem importar-se com mudanças com-
portamentais, operacionais e ativa na vida deles,
demonstra algo sintomático em sua própria vida,
ou seja, inconsistência entre o que os seu lábios
dizem e o que a sua vida demons-
tra.” Para conhecer mais, leia
Uma Pedagogia para a
Educação Cristã,
CPAD, p.332.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 63


visto não passara de mero remorso (Mt mente preparadas nem para receber
27.3-5). Na parábola contada por Jesus, Aquele a quem o próprio Deus enviara
o primeiro filho se arrependeu tanto e muito menos para aceitar que a Lei já
por ter se recusado obstinadamente a havia cumprido o seu papel e um novo
obedecer ao seu pai que, imediatamen- concerto estava sendo instituído (Jo
te, foi e obedeceu. A tristeza segundo 1.11; Mt 26.28; Gl 3.23-25; Hb 8.13).
Deus opera o arrependimento, e o Talvez as pessoas desconhecessem
arrependimento produz mudança de que não se pode praticar apenas uma
atitude, ou seja, conduz à prática. parte da vontade de Deus (Tg 2.10).
3. Palavras e ações devem se Assim, a obediência a uma parte da Lei,
coadunar. Os discípulos de Cristo acrescida da rejeição a Cristo, termina-
são chamados a manifestarem um vam descambando para o legalismo e,
estilo de vida, na qual as palavras e na parábola que estamos estudando,
as ações se coadunam, isto é, não se tais atitudes equivalem a um “sim”
contradizem, pois expressam uma meramente verbal, contrariando os
coisa só. No Sermão do Monte, Jesus fatos e, por conseguinte, a vontade de
ensina aos seus discípulos que o falar Deus (Jo 5.39-47).
destes deve ser: “Sim, sim; não, não” 2. A fé desobediente. Cer ta-
(Mt 5.37b). Infelizmente, a prática de mente que entre os que ouviam a
falar e não agir em conformidade é parábola, encontravam-se também
um triste reflexo do decaído e mau muitos publicanos, meretrizes e pe-
caráter humano. Jesus, porém, exige cadores que, ao contrário dos outros,
honestidade o tempo todo. Como alinhavam-se aos religiosos que não
discípulos dEle e cidadãos do Reino, se arrependeram de seus pecados
Ele requer uma equivalência entre de forma legítima e autêntica. Eles
aquilo que dizemos e aquilo que vi- estavam dispostos a receber algo de
vemos (Sl 15.1-5). Não pode haver um Jesus, mas não estavam interessados
padrão duplo na vida dos discípulos em obedecer a vontade de Deus. Se
do Mestre, ou seja, dizer uma coisa e os religiosos são legalistas, estes
fazer outra e vice-versa (Tg 1.25; 2.12). segundos são os participantes do que
poderíamos chamar de “graça barata”.
Porém, como vimos anteriormente, o
SÍNTESE DO TÓPICO II verdadeiro arrependimento conduz
Quando as palavras não condizem à mudança de atitude. Quem possui
com a prática, um problema se instau- uma fé genuína, sem dúvida, desejará
ra, pois a hipocrisia passa a imperar. cumprir a vontade de Deus, ou seja,
“escutará” suas palavras (Jo 8.47).
3. O discípulo faz a vontade de
III – UM CHAMADO A FAZER A
Deus. Em João 15.14, Jesus é enfáti-
VONTADE DE DEUS
co ao ensinar que nós seremos seus
1. A impossibilidade da obediência amigos se fizermos o que Ele manda.
à Lei. As pessoas a quem Jesus dirige Fazer a vontade de Deus era o eixo so-
essa parábola estavam de fato muito bre o qual, supostamente, girava toda
interessadas em obedecer à Lei, já que a religião de Israel. A Lei, ensinada
apenas ouvi-la de nada adiantava (Rm pelos líderes religiosos da nação, era
2.13). Contudo, elas não estavam igual- a expressão clara e escrita dessa von-
64 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
tade. Contudo, agora chegamos a uma Essa denúncia dá conta de explicar
revelação plena e perfeita da vontade o porquê de nossos alunos estarem tão
de Deus através de Jesus Cristo (Hb desmotivados nas classes dominicais. O
1.1-4). Ele anuncia a vinda do Reino educador cristão que trabalha somente
e chama à conversão (Mt 4.17). Por no plano cognitivo, ou seja, enchendo
isso, a vontade de Deus passa, afinal, a mente dos educandos, sem importar-
através da Pessoa de Cristo Jesus. O Pai -se com mudanças comportamentais,
quer que os homens recebam aquEle operacionais e ativas na vida deles,
que Ele enviou, pois quem recebê-lo demonstra algo sintomático em sua
receberá o próprio Pai (Mt 10.40; Rm própria vida, ou seja, inconsistência
10.9). Não é possível obedecer à Lei entre o que os seus lábios dizem e
sem receber a Cristo, pois Ele é o cum- o que a sua vida demonstra. Com
primento da Lei (Rm 10.4). Também essa ação, diz Roy Zuck, o educador
não se trata de desejar a Cristo, mas ‘desliga’ os educandos e vira-os em
não querer obedecer a seus ensinos, direção contrária àquela da prática-
pois os que realmente desejam a Ele -teoria-prática cristã” (CARVALHO,
e querem ser seus amigos, obedecem César Moisés. Uma Pedagogia para a
ao que Ele manda (Jo 15.14). Educação Cristã. 4.ed. Rio de Janeiro:
CPAD, 2017, p.332).

SÍNTESE DO TÓPICO III CONCLUSÃO


A nossa amizade com Jesus depende Por intermédio da parábola que
de fazermos a sua vontade. estudamos hoje precisamos compreen-
der o perigo da indiferença espiritual.
Alguns pensam que podem confessar
SUBSÍDIO PEDAGÓGICO que amam a Deus com seus lábios
“A qualidade da Educação Cristã, e, ao mesmo tempo, viverem com o
quando ela é encarada como uma ação coração distante dEle. Pensam poder
intencional, torna o desígnio bíblico encontrar a Deus prescindindo de
do ‘assim falai e assim procedei’ (Tg Cristo. Outros há que supostamente
2.12), uma preocupação legítima. De- vivem na austeridade da Lei, mas não
vemos perseguir esse modelo, pois do querem receber a Jesus. A obediência
nosso Senhor Jesus Cristo ‘aprendemos deve estar ligada à vontade de Deus.
que o bom ensino implica em ajudar Para sair da indiferença espiritual, o
o aluno a assumir responsabilidades ser humano precisa receber aquEle
pelo que pensa e vive’. Assim, a práxis que Deus enviou ao mundo. A Pessoa
bíblica não só torna-se uma realidade de Cristo separa de forma bastante
no âmbito escolar dominical, como clara a humanidade perdida, composta
elimina aquilo que o mesmo David até mesmo por religiosos que dizem
coloca: ‘Numa onda em direção à cre- fazer a vontade de Deus, mas não a
dibilidade cognitiva, nosso ensino da fazem, daqueles que serão admitidos
Bíblia tem-se centralizado no ‘saber’ no Reino. O caminho é arrepender-se
e não no ‘ser’, e ao fazê-lo, optou por demonstrando isso com a consequente
programas que informam a mente sem mudança de atitude, em direção à
formar o caráter’. obediência a Deus.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 65


ANOTAÇÕES DO PROFESSOR

PARA REFLETIR

A respeito de “O Perigo da
Indiferença Espiritual”, responda:
• A quem representam o primeiro e o segundo filho da parábola?
O filho que diz que será obediente à vontade do pai, nessa parábola, repre-
senta Israel, que não fez a vontade de Deus (Rm 10.21). Enquanto isso, o
filho que diz que não vai obedecer, representa os publicanos e os pecadores,
que, por se arrependerem de seus pecados, têm o direito de entrar no Reino
de Deus antes dos judeus (v.31).
• Quais são os dois tipos de atitude que as respostas dos filhos repre-
sentam?
De fato, os dois filhos representam, de forma emblemática, dois tipos de
atitudes. O primeiro deles representa a adesão operativa precedida por uma
negação que é apenas verbal. De forma inversa, o segundo tipo de resposta
trata-se de um assentimento puramente verbal que não passa à ação.
• Em que consiste a obediência ao Senhor?
A obediência ao Senhor não consiste em proferir palavras estéreis e reli-
giosas, mas em praticar a verdade revelada na Palavra de Deus de forma
concreta e precisa (Mt 7.21).
• O verdadeiro arrependimento produz e conduz ao quê?
O arrependimento produz mudança de atitude, ou seja, conduz à prática.
• Você tem sido uma pessoa que honra a palavra empenhada?
Resposta pessoal.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 76, p.40. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

66 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


Lição 10
9 de dezembro de 2018
Dia da Bíblia

Precisamos de
Vigilância Espiritual
WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR

Texto Áureo Verdade Prática


“Vigiai e orai, para que não entreis em Mesmo com oração, a ausência de
tentação; na verdade, o espírito está vigilância é terreno propício para
pronto, mas a carne é fraca.” que a tentação encontre brechas e
(Mt 26.41) nos conduza à derrota espiritual.

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Mt 26.41 Quinta – Sl 141.3,4
A dupla advertência de Jesus aos A maior e mais necessária vigilância
seus discípulos a ser exercida pelo crente
Terça – 1 Pe 5.8,9 Sexta – Cl 4.2
Estar em alerta e vigiar, pois o Oração, vigilância e gratidão são
Diabo está à espreita práticas importantes
Quarta – Ap 16.15 Sábado – Mt 24.44
A surpresa da vinda de Jesus A vigilância é necessária, pois o
requer que estejamos vigiando Senhor virá a qualquer momento

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 67


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Mateus 24.45-51
45 – Quem é, pois, o servo fiel e pruden- 49 – e começar a espancar os seus
te, que o Senhor constituiu sobre a sua conservos, e a comer, e a beber com
casa, para dar o sustento a seu tempo? os bêbados,
46 – Bem-aventurado aquele servo que o 50 – virá o senhor daquele servo num
Senhor, quando vier, achar servindo assim. dia em que o não espera e à hora em
47 – Em verdade vos digo que o porá que ele não sabe,
sobre todos os seus bens. 51 – e separá-lo-á, e destinará a sua
48 – Porém, se aquele mau servo disser parte com os hipócritas; ali haverá
consigo: O meu senhor tarde virá, pranto e ranger de dentes.

HINOS SUGERIDOS: 98, 275, 548 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL
Conscientizar a respeito da necessidade de vigilância espiritual.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Interpretar a parábola dos dois servos;


II Reafirmar a necessidade de se ter vigilância;

III Valorizar o exercício do discernimento.

68 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
A riqueza da Bíblia em tratar dos assuntos espirituais já é de amplo conhe-
cimento. Todavia, poucas vezes se pensa acerca de sua capacidade em tratar
de questões cruciais na esfera estritamente humana. A parábola de hoje,
conquanto contenha uma mensagem especificamente escatológica, deixa
entrever um fato corriqueiro do dia a dia: O exercício do poder e da liderança
oferecido a alguém que não possui condição alguma para tal pode ser um
desastre, pois entre outros males, essa pessoa pode “abusar” de sua posição
para oprimir as outras. A Bíblia, porém, é muito clara a respeito desse tipo de
atitude (1 Ts 4.6). Sejamos vigilantes, pois o Senhor virá a qualquer momento
e nos pedirá conta de todas as nossas ações.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO paração entre o comportamento de
O texto da leitura bíblica em classe dois servos. O primeiro, fiel e prudente,
está inserido no centro de um conjunto confiado em uma posição superior,
de ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. esforça-se para realizar, zelosamente,
A parábola que vamos estudar é o tema a tarefa recebida, porém, ele sabe que
central deste conjunto, ou ciclo, de não é administrador geral da casa,
ensinamentos que se inicia no mas apenas um despenseiro. No
PONTO
versículo três do capítulo 24 CENTRAL entanto, por ser um servo fiel
e se estende até o último A vigilância
e prudente, ele agora tem a
versículo do capítulo 25. Jesus espiritual deve oportunidade de demonstrar,
está trazendo ensino escato- ser prioridade na na prática, se realmente é
vida do discípu- sábio, pois o seu senhor o
lógico para seus discípulos. Ele lo de Cristo.
inicia suas mensagens falando premia, promovendo-o a ad-
a respeito do princípio das dores, ministrador de todos os seus
perseguições, falsos profetas, esfriamen- bens (vv.45-47).
to do amor, etc. (24.3-14), e segue falando 2. O mau servo. A parábola não
sobre a Grande Tribulação (24.15-28), ilustra somente o perfil do servo fiel e
decide então discorrer sobre sua própria prudente, pois mostra quão antiético
volta e sobre o arrebatamento dos salvos um servo pode ser quando colocado
(24.29-31). Neste momento, visando em posição superior a dos serviçais,
ilustrar a necessidade da vigilância durante a ausência do senhor. Conforme
(24.36-44), Ele aborda a necessidade a narrativa, o segundo servo, recém-
de estarmos preparados para sua vinda. -promovido, agindo de forma antiética,
Aprofunda-se então o tema central que preferiu agir como um tirano em casa
é estarmos vigilantes (24.45-51). alheia, prevalecendo da momentânea
posição e entregando-se à devassidão,
I – INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA age irresponsavelmente contando com a
DOS DOIS SERVOS demora do seu senhor (v.49). Ele parece
1. O servo bom e fiel. A parábola pensar que o seu senhor se atrasará
é contada tendo como base uma com- (v.48). Por isso, começa a prevalecer-se
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 69
e resolve se “divertir”, maltratando seus
conservos, amigos de trabalho. Agindo SÍNTESE DO TÓPICO I
assim, ele revela seu verdadeiro caráter,
A parábola dos dois servos contrasta
isto é, mostra-se maligno. Enquanto o a postura de ambos mostrando o que
primeiro servo foi promovido (v.47), este deve ser feito e o que é obrigatório evitar.
é jogado para fora da casa, ou seja, ele
terá a mesma sorte que está reservada
aos servos infiéis (v.51). SUBSÍDIO EXEGÉTICO
3. O destino escatológico. Como “Jesus conta outra parábola (que
vimos, o primeiro servo, por sua fide- também poderia ser chamada de Parábo-
lidade e bondade, será promovido, la do Servo Bom e do Servo Mau) sobre
enquanto o outro, por sua maldade e o tema da prontidão (cf. Mt 12.41-46).
prevalecimento, será jogado para fora Nesta descrição, o senhor, voltando de
da casa. Ao descrever o castigo reser- uma visita inesperada, encontra o servo
vado para o servo infiel, o Senhor Jesus administrador satisfazendo ou recusan-
abandonou a linguagem parabólica para do-se a satisfazer as necessidades dos
falar do destino final dos hipócritas, outros servos. Considerando a crítica
isto é, no lugar para onde estes irão, que Jesus fez aos líderes judeus por
“haverá pranto e ranger de dentes” desconsiderarem o bem-estar das pes-
(v.51). A expressão “hipócrita”, utilizada soas, este servo opressivo e esbanjador
por Jesus, indica aqueles que falam, serve de comentário sobre as ações dos
mas não fazem, mas para se mostrarem governantes rejeitados (Mt 23.1-4,23,24).
perante os outros, observam apenas “O castigo do servo mau é severo.
de forma superficial e exterior a Lei de É igual ao dos ‘hipócritas’ (Mt 24.51; [...];
Deus, porém, sequer se aproximam do cf. também Mt 15.7; 22.18; 23.13-15,29).
seu cumprimento pleno e genuíno, pois Jesus deixa claro que este não é mero
isso só pode ser feito por aqueles que castigo terreno, mas de julgamento
têm um coração sincero e dedicado. Os eterno (quanto ao choro e ranger de
hipócritas, porém, estão preocupados dentes, veja também Mt 8.12; 13.42,50;
em apenas “parecer” e não em “ser”. O 22.13; 25.30)” (SHELTON, James B. In
senhor da parábola requer dos servos o ARRINGTON, French L.; STRONDAD, Roger
cumprimento fiel da tarefa que lhes foi (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal.
confiada. O servo bom e fiel é aquele 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.135).
que se mantém ocupado, procurando
sempre cumprir fielmente as suas II – UM CHAMADO À VIGILÂNCIA
tarefas. Dessa forma, o servo estará 1. Vigilância. O ensino sobre a vigi-
sempre preparado para quando o seu lância é constante no ministério de Jesus
senhor retornar. Por outro lado, o mau (Mt 26.41). No intuito de demonstrar de
servo é irresponsável e, prevalecendo da que forma devemos nos manter vigilan-
confiança, abusa da posição e mostra-se tes, o Senhor Jesus narrou a parábola dos
indigno da posição que o seu senhor lhe dois servos, primeiramente contrastando
confiou. O discurso é claramente esca- o perfil de ambos ao mostrar que um era
tológico e tem como objetivo advertir bom e o outro mau. A ambos os servos
os ouvintes da necessidade de se viver o “senhor” da narrativa confiou a tarefa
de forma vigilante e prudente enquanto de cuidar de seus conservos. O bom
se aguarda o retorno do Senhor (v.50). os alimentava em quantidade e hora
70 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
corretas. O mau os espancava, despre- do pai de família dizendo que se este
zava-os, e como se ainda não fosse o soubesse quando o ladrão viria, vigiaria
bastante, comia e bebia com bêbados. e estaria à sua espera, impedindo que
O servo bom, além de fiel, era vigilante, o malfeitor fizesse mal à família. Como
administrando bem aquilo que recebeu não sabemos quando Jesus haverá de
do seu senhor. O destaque à vigilância, vir, devemos estar sempre preparados
nesta parábola se manifesta como sendo (v.44), pois estar preparado a qualquer
o exercício correto da mordomia, ou seja, momento para a volta de Cristo é parte
o homem vigilante pratica a administra- da responsabilidade básica de todo
ção responsável do que recebeu do seu discípulo autêntico (v.46). Devemos
senhor, sabendo que está lidando com fazer exatamente o que o servo fiel e
o que não é seu e que brevemente terá prudente da parábola fez, pois quando
de prestar contas. O mesmo princípio Cristo voltar seremos felizes se Ele
é rememorado pelo apóstolo Paulo nos “achar servindo assim” (v.46). Não
quando em 1 Coríntios 4.1,2, diz: “Que os podemos nos esquecer que, assim como
homens nos considerem como ministros retratado pelo Senhor Jesus Cristo na
de Cristo e despenseiros dos mistérios parábola, o “Dia do Senhor virá como o
de Deus. Além disso, requer-se nos ladrão de noite” (1 Ts 5.2).
despenseiros que cada um se ache fiel”.
Jesus nos manda estar acordados, alertas, SÍNTESE DO TÓPICO II
vigilantes, circunspectos (Mt 25.13; Mc
14.34,37,38), isto é, precisamos estar A vigilância é imprescindível, po-
rém, ela só poderá servir para algo
completamente alertas!
se a vida da pessoa for pautada na
2. Ninguém sabe o dia. A necessi-
postura do servo fiel e prudente.
dade de vigilância é clara, pois assim
como os servos da parábola não sabiam
o momento certo do senhor deles voltar,
SUBSÍDIO DEVOCIONAL
ninguém sabe quando Jesus Cristo virá
(Mt 24.36). Por isso, antes de contar a “A respeito daqueles que estão na
parábola dos dois servos, no versículo igreja mas são infiéis ao Senhor, é im-
43, Jesus explica isso de maneira breve, possível estarem vigilantes e preparados
mas cristalina. O Mestre utiliza a figura para a volta inesperada de Cristo, se os
CONHEÇA MAIS
*A Parábola dos Dois Servos
“Nesta descrição, o senhor, voltando de uma vi-
sita inesperada, encontra o servo administrador satis-
fazendo ou recusando-se a satisfazer as necessidades
dos outros servos. Considerando a crítica que Jesus
fez aos líderes judeus por desconsiderarem o bem-
-estar das pessoas, este servo opressivo e esbanjador
serve de comentário sobre as ações dos governan-
tes rejeitados (Mt 23.1-4,23,24)”. Para
conhecer mais, leia Comentário
Bíblico Pentecostal,
CPAD, p.134.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 71


tais não creem que Ele pode vir agora. é requerida (1 Pe 1.16), pois temos
(1) Qualquer crente professo que vive mais luz e conhecimento em relação
em pecado, julgando que Jesus tardará às coisas de Deus do que o próprio
a vir, tornar-se-á como o servo mau da povo de Israel. Por isso, precisamos
parábola. Ele não percebe o risco da volta viver uma vida com discernimento,
do Senhor pegá-lo de surpresa ([...]). (2) sabendo separar aquilo que, como
É significativo Jesus associar a infideli- santos e filhos de Deus, convém, ou
dade e a hipocrisia à crença e ao desejo não, fazer (1 Co 6.12; 10.23). Hoje, mais
de que Ele demore a voltar” (STAMPS, do que em qualquer outra geração de
Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. cristãos, precisamos nos lembrar de
Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.1141). que, sem santificação, “ninguém verá
III – VIVENDO COM o Senhor” (Hb 12.14). Devemos ter
DISCERNIMENTO isso muito claro em nossos corações,
1. Vida dissoluta. O versículo lembrando também que o Senhor
49 chama a atenção para a falta de Jesus Cristo pode voltar a qualquer
prudência de alguém que começou momento (Mt 24.42).
a conduzir sua vida de maneira dis- 3. Administrando os bens. Jesus
soluta. Infelizmente, a postura do contou a parábola dos dois servos
servo infiel de espancar os conservos, para que os ouvintes, e todos nós,
além de comer e beber com os bêba- optássemos em seguir o exemplo
dos, revela um desejo que precisava do servo fiel e prudente, evitando
apenas de uma oportunidade para se o trágico fim dos hipócritas (v.51).
manifestar. Tal comportamento nos A postura do servo bom e fiel, que
lembra de um momento anterior, no administra os bens de seu senhor
mesmo sermão, quando Jesus falou conforme a justiça faz jus à própria
sobre os dias de Noé. O Senhor disse expressão “servo”, visto que esta re-
que, naquele tempo, as pessoas “co- trata o perfil de um ministro dedicado,
miam, bebiam, casavam e davam-se alguém que se sente satisfeito em
em casamento, até ao dia em que cumprir o seu dever, que é servir ao
Noé entrou na arca” (Mt 24.38). Em seu senhor. De forma semelhante, a
outras palavras, as pessoas do tempo Bíblia nos chama de despenseiros de
do “pregoeiro da justiça” (2 Pe 2.5), Deus e diz que devemos ser “bons”
viviam sem compromisso algum com (1 Pe 4.10), ou seja, eficientes e de-
Deus, e foram surpreendidas pelo juízo dicados. O apóstolo Paulo também
divino (Mt 24.38,39). De igual forma, falou sobre este assunto dizendo
a vida dissoluta do mau servo, e de ser necessário que “os homens nos
pessoas que se comportam como ele, considerem como minis tros”, ou
terão como destino um lugar onde seja, servos “e despenseiros”, isto é,
haverá choro e ranger de dentes (v.51). administradores daquilo que Cristo
2. Vida santa. Desde os tempos coloca sob nossa responsabilidade,
de Moisés, o povo de Deus é exorta- requerendo apenas que cada um
do a viver uma vida de santidade (Lv se ache, seja encontrado, fiel (1 Co
11.44,45), isto é, uma vida separada 4.1,2). Portanto, mais que fidelidade
e consagrada totalmente ao Senhor. e prudência, o Senhor requer de nós
Para o povo da nova aliança – a Igreja que sejamos bons e fiéis administra-
–, a mesma vida de santidade também dores do que não é nosso (1 Pe 5.2).
72 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
sem aviso prévio, e o mau servo será
SÍNTESE DO TÓPICO III surpreendido ‘no ato’. O julgamento
do senhor contra o seu mau servo será
O exercício do discernimento é
um dos aspectos mais importantes extremamente severo. Ainda pior do
da caminhada de fé de um discípulo. que esse horrível castigo será o destino
eterno do servo. Ele será designado a
um lugar onde haverá pranto e ranger de
SUBSÍDIO TEOLÓGICO dentes (referência ao inferno). O julga-
“Nos tempos antigos era um costu- mento futuro de Deus é tão certo quanto
me comum que os senhores deixassem a volta de Jesus à terra” (Comentário
um servo encarregado de todos os do Novo Testamento. Vol 1. 1.ed. Rio
assuntos da família. O servo, descrito de Janeiro: CPAD, 2009, p.146).
como fiel e prudente, corresponde CONCLUSÃO
aos discípulos, aos quais foi atribuída Há pessoas que estão se conduzin-
por Jesus uma responsabilidade sem do de modo dissoluto e fazendo mau
precedentes. Isto também descreve uso dos bens que o Senhor deixou em
aqueles que são indicados para posições suas mãos. São maus servos. Correm o
de liderança na igreja, que deverão risco de serem pegos de surpresa e aca-
estar desempenhando fielmente suas barem lançados nas trevas exteriores,
obrigações quando Jesus (o Senhor) onde haverá choro e ranger de dentes.
chegar. Estes servos receberão grandes Por outro lado, o servo vigilante está
recompensas. preparado para a vinda de Jesus. Ele
“Alguns servos, entretanto, podem não apenas está vigilante como prega
decidir aproveitar-se da sua posição sobre a vinda de Jesus, pois como bom
de liderança, maltratando os outros e ministro e despenseiro sabe que é
entregando-se ao prazer. O servo pode seu dever anunciar a vinda de Cristo.
ter pensado que o seu senhor estaria O vigilante guarda o que tem, exer-
fora durante um longo período, mas citando seus talentos. Ele administra
certo dia, virá o senhor num dia em que com fidelidade os bens de seu Senhor,
o não espera e à hora em que ele não sabendo que um dia será promovido às
sabe. Este será um evento repentino e mansões celestiais.

ANOTAÇÕES DO PROFESSOR

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 73


PARA REFLETIR
A respeito de “Precisamos de
Vigilância Espiritual”, responda:
• A parábola tem o que como base?
A parábola é contada tendo como base uma comparação entre o compor-
tamento de dois servos.
• De acordo com a lição, o discurso do Senhor é claramente escatoló-
gico e tem qual objetivo?
Advertir os ouvintes da necessidade de se viver de forma vigilante e pru-
dente enquanto se aguarda o retorno do Senhor.
• O destaque à vigilância, nesta parábola, se manifesta como o quê?
O destaque à vigilância, nesta parábola se manifesta como sendo o exercício
correto da mordomia, ou seja, o homem vigilante pratica a administração
responsável do que recebeu do seu senhor, sabendo que está lidando com
o que não é seu e que brevemente terá de prestar contas.
• O que Jesus quis dizer ao referir-se ao tempo de Noé dizendo que as
pessoas “comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao
dia em que Noé entrou na arca”?
As pessoas do tempo do “pregoeiro da justiça” (2 Pe 2.5), viviam sem compro-
misso algum com Deus e foram surpreendidas pelo juízo divino (Mt 24.38,39).
• De acordo com o último subtópico da lição, para que Jesus contou a
parábola dos dois servos?
Jesus contou a parábola dos dois servos para que os ouvintes, e todos
nós, optássemos em seguir o exemplo do servo fiel e prudente, evitando
o trágico fim dos hipócritas.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 76, p.41. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA

Compreen- Parábolas Guia Básico


dendo todas de Jesus para a
as Parábolas Interpre-
de Jesus tação da
Bíblia

Este livro tem por objetivo Este livro traz interpretações Este livro trata de questões
discutir acerca das parábo- das parábolas descritas em como inspiração, inerrância,
las de Jesus sob uma ótica Mateus e oferece a você um revelação contínua e orien-
teológica. bom momento para se ali- tação do Espírito Santo de
mentar da Palavra de Deus. forma esclarecedora.

74 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


Lição 11
16 de dezembro de 2018

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR
Despertemos para a
Vinda do Grande Rei

Texto Áureo Verdade Prática

“Vigiai, pois, porque não sabeis a que Jesus pode voltar a qualquer
hora há de vir o vosso Senhor.” momento, por isso temos de
(Mt 24.42) estar preparados.

LEITURA DIÁRIA
Segunda – At 1.10,11 Quinta – 2 Ts 2.1-6
Não há razão para a desesperança, Não se alarmar com falsos
pois Jesus Cristo voltará adventos de Cristo
Terça – Tt 2.11-14 Sexta – 2 Pe 1.16
A graça de Deus trouxe salvação e O apóstolo fala da vinda de Jesus de
esperança da Vinda de Cristo forma experiencial, não fantasiosa
Quarta – 1 Ts 5.23 Sábado – Mc 13.32-37
Espírito, alma e corpo conservados Ninguém sabe o dia e nem a hora
irrepreensíveis na Vinda de Jesus da Vinda do Senhor Jesus

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 75


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Mateus 25.1-13
1 – Então, o Reino dos céus será seme- 8 – E as loucas disseram às prudentes:
lhante a dez virgens que, tomando as Dai-nos do vosso azeite, porque as
suas lâmpadas, saíram ao encontro nossas lâmpadas se apagam.
do esposo. 9 – Mas as prudentes responderam,
2 – E cinco delas eram prudentes, e dizendo: Não seja caso que nos falte
cinco, loucas. a nós e a vós; ide, antes, aos que o
vendem e comprai-o para vós.
3 – As loucas, tomando as suas lâm-
padas, não levaram azeite consigo. 10 – E, tendo elas ido comprá-lo,
chegou o esposo, e as que estavam
4 – Mas as prudentes levaram azeite em preparadas entraram com ele para as
suas vasilhas, com as suas lâmpadas. bodas, e fechou-se a porta.
5 – E, tardando o esposo, tosquenejaram 11 – E, depois, chegaram também as
todas e adormeceram. outras virgens, dizendo: Senhor, senhor,
6 – Mas, à meia-noite, ouviu-se um abre-nos a porta!
clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao 12 – E ele, respondendo, disse: Em
encontro! verdade vos digo que vos não conheço.
7 – Então, todas aquelas virgens se 13 – Vigiai, pois, porque não sabeis
levantaram e prepararam as suas o Dia nem a hora em que o Filho do
lâmpadas. Homem há de vir.

HINOS SUGERIDOS: 312, 401, 442 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Ressaltar a necessidade de se estar preparado para a vinda do
Grande Rei, pois ela pode acontecer a qualquer momento.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Interpretar a parábola das dez


virgens;
II Repetir a verdade de que a
Vinda do Senhor é uma reali-
dade iminente;
III Dramatizar o perfil das cinco
virgens prudentes.

76 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Apesar de muito conhecida, a parábola das dez virgens é uma das mais di-
fíceis de ser interpretada. Contudo, sua mensagem principal é muito evidente:
É urgente estar preparado para encontrar-se com o nosso Noivo! Independen-
temente do entendimento que se pode ter, escatologicamente falando, acerca
das personagens dessa narrativa bem como a dificuldade de encaixá-las nesta
ou naquela escola de interpretação escatológica, o aspecto do despertamento
é o assunto central a ser passado. Houve uma época que essa mensagem era
muito pregada e os crentes tinham temor e ansiavam pela vinda de Jesus. De
um tempo a esta parte pouco se ouve acerca desse tema, portanto, aproveite
a aula de hoje para destacar essa bendita esperança.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO expressão “Reino dos céus” (3.2; 4.17;
5.3; 10.7; 11.12; 13.24,31,33,44 etc.),
A parábola das dez virgens ensina essa é uma delas em que o sentido não
que somos responsáveis, individualmen- se refere apenas ao Reino trazido por
te, pela nossa condição espiritual. Nessa Cristo com a mensagem do Evangelho,
parábola, Jesus declara solenemente a mas sim como sinônimo de vida eterna
impossibilidade de sabermos o momento e de Reino plenamente instaurado (5.20;
da sua volta, por isso, temos de estar pre-
7.21; 8.11; 11.11; 13.47-50 etc.). A palavra
parados para tal acontecimento. Devemos
“virgens” significava que eram sábias,
estar prontos para o momento em
irrepreensíveis, simbolizando os
que Jesus voltar a fim de levar PONTO
CENTRAL crentes cuja vida exterior era
seu povo para o céu. A vinda
sem qualquer mancha, pois
do Senhor será uma ocasião Precisamos estar
preparado para os que seguem a Cristo são
de grande regozijo para os
encontrar-se chamados de “virgens” (Ap
crentes fiéis, sendo comparada com o Noivo. 14.4; 2 Co 11.2).
a um banquete de casamento.
Desde já a coroa da justiça está 2. Duas classes de virgens.
guardada para “todos os que amarem A parábola fala que havia duas
a sua vinda” (2 Tm 4.8). Infelizmente, classes de virgens, ou seja, “prudentes”
para muitos será tempo de desengano, e “loucas” (v.2). Como já foi dito, as
julgamento e desespero. cinco virgens prudentes simbolizam
os crentes fiéis, sinceros, constantes
I – INTERPRETANDO A PARÁBOLA e santos. Essas mulheres sinceras car-
DAS DEZ VIRGENS regavam um “estoque” de boas obras,
1. O Reino dos céus será seme- quebrantamento, misericórdia, e isso
lhante a dez virgens. Essa é uma das alimentava a chama espiritual do amor
parábolas que, ao longo do tempo, já que queimava em seus corações. Elas
recebeu muitas interpretações por ser não andavam na escuridão do pecado,
um texto importante, porém nada fácil mas brilhavam por onde passavam.
de entender (Mt 25.1-13). Das diversas Tal postura combina com o que Jesus
vezes que encontramos em Mateus a ensinou sobre os salvos serem a “luz
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 77
do mundo” (Mt 5.14). Já as outras cinco em relação a sua volta (v.6). O Noivo
virgens, apesar de também serem reli- (Jesus) chegará à meia-noite, ou seja,
giosas, foram classificadas como “lou- no momento em que a terra estará
cas”, pois diferentemente das primeiras completamente imersa pelas trevas.
que se aprovisionaram (v.4), confiavam Ao afirmar isso, Jesus declara que Ele
que apenas a sua religiosidade fosse voltará no momento em que a huma-
suficiente para levá-las até o lugar onde nidade estiver envolvida, com maior
o noivo estava (v.3). Sentindo-se seguras intensidade, nas trevas do pecado (Mt
e autossuficientes em sua “santidade”, 4.16; 6.23; Jo 3.19). Será nessa hora que
acharam que a sua pureza bastava, mas, a chama do amor de muitos se apagará,
isso impediu que elas carregassem o contudo, nesse momento a luz dos fiéis
óleo da unção, compaixão, amor etc. tornar-se-á ainda mais necessária e
As cinco loucas representam os crentes percebida (Mt 4.12; Jo 1.5).
mornos e nominais, sem a vestidura
espiritual da justiça de Cristo (Mt 7.21-
SÍNTESE DO TÓPICO I
23). As virgens loucas apenas seguiam
uma prática religiosa, no entanto, isso Mesmo não sendo fácil interpretá-
não foi suficiente para manter acesa -la em seus detalhes, a mensagem da
a chama do Espírito de Deus em seus parábola das dez virgens é claríssima.
corações, pois assim como as outras,
elas cansaram e adormeceram (v.5),
porém, acabaram permanecendo na SUBSÍDIO EXEGÉTICO
escuridão da religiosidade vazia (v.11). “Mateus dá prosseguimento à últi-
3. O que representa o azeite. O ma seção pedagógica de Jesus, iniciada
azeite, através da Bíblia, é símbolo do no capítulo 24, com outra parábola (só
Espírito Santo, posto que sua missão encontrada em Mateus) sobre o tópico
é ungir, iluminar, purificar, separar da perseverança como condição prévia
etc. (vv.3,4). Nesta parábola, espe- para a salvação última. Esta parábola está
cificamente, representa a presença de acordo com o reincidente tema do
permanente do Espírito Santo, aliada autor sobre o julgamento e o tempo do
à fé verdadeira e à santidade necessá- fim. Uma de suas expressões favoritas,
rias à salvação (Ef 4.30). Portanto, ter ‘Reino dos Céus’, também é usada aqui.
azeite, neste caso, vai além do falar em “A Parábola das Dez Virgens é um
línguas estranhas ou das manifestações comentário adicional sobre a Parábola
de poder, pois indica a necessidade de dos Dois Servos (Mt 24.45-51). Note
se evidenciar o fruto do Espírito, sinal como Mateus liga as duas parábolas
de que Ele está conosco (Mt 7.16-20; com o conectivo ‘então’ (tote) usado
12.33; Gl 5.22). frequentemente por ele. Na parábola
4. A chegada do Noivo. Os cristãos anterior os servos são recompensados
primitivos viviam na expectativa do ou condenados de acordo com o com-
retorno de Cristo ainda em sua geração portamento íntegro ou abusivo de cada
(1 Ts 5.1-11), e todos os crentes devem um. Nesta parábola as virgens prudentes
assim viver, pois não sabemos em que e loucas (ou sábias e tolas) são avisadas
hora tal acontecimento se dará (Mc a perseverar enquanto esperam o noivo.
13.32-37). Nesta parábola, Jesus fala Visto que Jesus tinha parado de condenar
a respeito desta “imprevisibilidade” os líderes judeus (Mt 23.39), sua intenção
78 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
tem de ser que as virgens prudentes e e depois desta, é claro que não está em
loucas sejam seus seguidores. Quando vista uma comutação da pena. Note o
Mateus registra esta parábola décadas paralelo com a Parábola das Bodas em
depois de Jesus tê-la ensinado, as virgens Mateus 22.1-14, onde a pessoa sem
loucas são os cristãos que pensam que roupas adequadas é expulsa da festa
a Vinda de Jesus está tão iminente que de casamento” (SHELTON, James B. In
eles não estão preparados para ficar ARRINGTON, French L.; STRONDAD, Roger
esperando. (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal.
“Não nos é dito exatamente o que 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.135).
o azeite (ou óleo) representa aqui. São
II – O ARREBATAMENTO
as boas obras referidas na parábola an-
DA IGREJA É IMINENTE
terior? É evidente que Jesus não criou
uma alegoria extensiva com muitos 1. A importância da vinda de Jesus.
significados ocultos; entretanto o con- A importância da doutrina da segunda
texto requer que Jesus seja o noivo, tema vinda do Senhor pode ser percebida
popular na igreja primitiva (e.g., Mt 9.15; pelos números que dão conta de que
Jo 3.29; 2 Co 11.2; Ef 5.21-33; Ap 21.2,9; há mais de 1.500 referências a ela no
22.17). Não é sem importância o fato de Antigo Testamento e cerca de 300 em o
Jesus usar uma imagem que os profetas Novo Testamento, sendo mencionada,
do Antigo Testamento identificam com o apenas pelo apóstolo Paulo, cerca de
próprio Deus, sendo Israel identificado 50 vezes. Assim, com a parábola das
com a noiva (Is 54.5; Jr 31.32; Os 2.16). dez virgens, Jesus nos adverte sobre a
Aqui as virgens na festa de casamento necessidade de vivermos vigilantes, ou
são os membros da Igreja, ao passo que seja, Ele alerta para que não deixemos
a festa de casamento simboliza o tempo de amar o próximo, chama a atenção
do fim (veja também Mt 22.1-34). Tentar para a obrigação de fazermos o bem,
ver mais simbolismo nesta parábola é vivermos em santidade e levarmos a
ler demais o texto ([...]). mensagem do Evangelho, que fala da
“Tradicionalmente o noivo vai pri- reconciliação entre Deus e os homens,
meiro para a casa do pai da noiva, para através de Cristo (v.13).
finalizar o contrato e levá-la a sua casa, 2. O significado do Arrebatamento.
para a festa de casamento. As ‘damas de Dentre as muitas promessas feitas por
honra’ são uma uma descrição inexata Jesus, destaca-se a do Arrebatamen-
das dez virgens, já que elas não estão na to da Igreja (Mt 24.40,41; Jo 14.3). A
companhia da noiva, mas esperando o expressão “arrebatamento” significa
retorno do noivo à sua casa. As ‘lâmpadas’ tirado rapidamente e com força. Já a
poderiam ser tochas empapadas de óleo palavra harpazo, do grego, significa
usadas para a procissão do casamento; arrebatado (At 10.28,29). A segunda
por conseguinte as mulheres prudentes vinda de Jesus a este mundo será um
levam jarros de óleo para enchê-las evento que se dará em duas etapas
quando necessário. Se as virgens pruden- distintas. Na primeira fase, Jesus virá
tes compartilhassem o óleo, nenhuma secretamente para arrebatar sua Igreja,
delas teria luz para saudar o Senhor. A composta pelos santos ressuscitados e
porta está fechada, e a exclusão da festa é dos vivos transformados, todos serão
final. Dada a presença da danação eterna imediatamente trasladados para o céu
nas parábolas paralelas constantes antes por Jesus (Jo 10.28,29; 1 Ts 4.16,17). O
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 79
arrebatamento terá lugar nas nuvens e de forma inesperada (Mt 24.36,44; Ap
somente os salvos o perceberão (1 Co 22.12a). Por essa razão, devemos estar
15.51,52; 1 Ts 4.13-17). Na segunda fase, preparados, com vestes brancas, porque
Jesus voltará com a sua Igreja glorificada, a volta do Senhor ocorrerá na hora em
rodeado de glória e poder, descendo que menos imaginamos.
sobre o Monte das Oliveiras, ou seja,
virá publicamente, pois todo o mundo
o verá (Mt 25.31-46; Jd 14,15; Ap 19). SÍNTESE DO TÓPICO II
3. Quando se dará o Arrebata- A iminência do arrebatamento da
mento. Entre as duas fases da segunda Igreja é um convite a estarmos desper-
vinda de Cristo, haverá um período de tados espiritualmente.
sete anos conhecido como a Grande
Tribulação (Dn 9.25-27; Mt 24.21,22;
Ap 7.13,14). A Igreja será arrebatada III – UMA VIDA CHEIA DO
antes deste período que antecederá ESPÍRITO E DE SANTIDADE
a ira de Deus (Ap 3.10). A esse ensino 1. Prontidão e santificação. A
bíblico-escatológico, dá-se o nome de parábola das dez virgens ressalta o
Pré-Tribulacionismo. De acordo com valor de cada cristão estar pronto
o que foi ensinado na parábola das e com a vida santificada, isto é, vi-
dez virgens, é inconcebível que Deus vendo de forma separada das coisas
permita que os redimidos passem pela profanas, consagrando a vida a uma
Grande Tribulação, que culminará com única coisa – agradar ao seu Noivo, o
o derramamento da ira santa sobre a Senhor Jesus (Ap 19.7). Os principais
civilização pecadora (Ap 15.1). Vimos conceitos relacionados à santificação
que todas as dez virgens (as prudentes são a separação daquilo que é peca-
e as loucas) foram surpreendidas com minoso por um lado, e, por outro, a
a chegada inesperada do noivo (vv.5- consagração àquilo que é justo e que
7), indicando que a parábola das dez está de acordo com a vontade de Deus
virgens refere-se a crentes vivos – fiéis (Lv 19.2; Rm 6.19,22; 2 Co 6.14; Ef 5.3;
e infiéis –, antes da Grande Tribulação. A 1 Ts 5.23; 1 Pe 1.15).
chegada do noivo se deu repentinamen- 2. Estar cheio do Espírito Santo é
te, assim como Jesus também voltará um estilo de vida. Viver na plenitude
CONHEÇA MAIS
*Classificação da Parábola
“Esta parábola narrativa duplamente indireta
também se apresenta como uma síncrise, isto é, uma
analogia implícita de exemplos contrastantes. Ela com-
para a nossa prontidão em participarmos da celebra-
ção de um casamento (ou, bodas) à prontidão de par-
ticiparmos do Reino vindouro. Ela não apresenta uma
nimshal interpretativa, embora o v.13 seja um apên-
dice explicativo.” Para conhecer mais,
leia Compreendendo todas
as Parábolas de Jesus,
CPAD, p.706.

80 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


do Espírito Santo é a maior neces- maneira fiel e leal a Deus, à família, à
sidade para a nossa vida hoje, mas igreja, ao nosso pastor, aos irmãos de
ninguém pode ser cheio do Espírito fé (Hb 12.14). Não podemos perder
Santo de Deus se não adotar um estilo de vista que a promessa de uma vida
de vida santo. Santidade é o caminho plena e cheia do Espírito Santo é para
para receber o poder do Espírito Santo todos os filhos de Deus, portanto, para
(Lc 1.28,30). A santificação, em con- todos nós hoje (At 2.38,39).
traste com a justificação, que ocorre
no momento da conversão a Cristo
(Rm 6.4-23), é um processo progres- SÍNTESE DO TÓPICO III
sivo que perdura por toda a nossa A mensagem da parábola das dez
vida, pois enquanto aqui estivermos, virgens é um convite a buscarmos ter
somos pecadores regenerados que uma vida de santidade e cheia do
precisamos do trabalho diuturno do Espírito Santo.
Espírito (Rm 8.1-17; 2 Co 3.18; 2 Pe
3.18). Deus tem grande alegria em ver
que os seus filhos procuram viver em CONCLUSÃO
santidade, cheios do Espírito Santo, Assim como as virgens prudentes,
abundantes nos dons visando edificar devemos estar com nossas lâmpadas
a Igreja, fazendo discípulos e cuidando cheias para irmos ao encontro do noivo!
bem de cada pessoa. Por isso, cabe a Que nossas lâmpadas possam estar
cada um a seguinte reflexão: O meu sempre acesas. Para isso, elas devem
estilo de vida agrada a Deus? estar cheias de azeite. Devemos estar
3. Andando em santidade para com vigilantes contra toda a ação de Sa-
todos. No intuito de vivermos uma vida tanás que tentará por todos os meios
santa e cheia do Espírito Santo, devemos desviar a nossa atenção da realidade
quebrantar o coração, tornando-o com- do arrebatamento da Igreja (Ef 5.14).
pletamente consagrado, dedicando-o Que possamos estar de prontidão para
a Deus e ao seu trabalho (Rm 8.14; Ef a vinda do nosso Noivo. Não é tempo
5.18). Nosso compromisso é agradar de ficarmos prostrados e sim atentos
ao Senhor, andando em santidade, de para ouvir a voz de Deus (Mt 26.41).

ANOTAÇÕES DO PROFESSOR

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 81


PARA REFLETIR

A respeito de “Despertemos para


a Vinda do Grande Rei”, responda:
• Quais são as duas classes de virgens da parábola?
A parábola fala que havia duas classes de virgens, ou seja, “prudentes” e “loucas”.
• O que o azeite representa na parábola?
Nesta parábola, especificamente, representa a presença permanente do Espírito
Santo, aliada à fé verdadeira e a santidade necessárias à salvação (Ef 4.30).
• Quais são as duas fases da segunda vinda de Jesus?
Na primeira fase, Jesus virá secretamente para arrebatar sua Igreja, composta
pelos santos ressuscitados e dos vivos transformados, todos serão imediatamente
trasladados para o céu por Jesus (Jo 10.28,29; 1 Ts 4.16,17). O arrebatamento
terá lugar nas nuvens e somente os salvos o perceberão (1 Co 15.51,52; 1 Ts
4.13-17). Na segunda fase, Jesus voltará com a sua Igreja glorificada, rodeado
de glória e poder, descendo sobre o Monte das Oliveiras, ou seja, virá publica-
mente, pois todo o mundo o verá (Mt 25.31-46; Jd 14,15; Ap 19).
• Entre tantas lições, o que ressalta a parábola das dez virgens?
A parábola das dez virgens ressalta o valor de cada cristão estar pronto e com a
vida santificada, isto é, vivendo de forma separada das coisas profanas, consa-
grando a vida a uma única coisa – agradar ao seu Noivo, o Senhor Jesus (Ap 19.7).
• Se Jesus arrebatar a Igreja hoje você está preparado?
Resposta pessoal.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 76, p.41. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA

Guia Proféti- Agentes do O Ensino


co Para o Fim Apocalipse Bíblico
dos Tempos das
Últimas
Coisas

Um guia ilustrado e fácil de Será que estamos vivendo Neste livro surpreendente
entender sobre as profecias bí- nos últimos dias? E se os e esclarecedor, descubra o
blicas dos fins dos tempos, bem atores descritos no livro de que está reservado para o
como as principais linhas de Apocalipse já estiverem atu- povo de Deus.
interpretação de Apocalipse. ando nos dias de hoje?

82 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


Lição 12
23 de dezembro de 2018

Esperando, mas
Trabalhando no
Reino de Deus
WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR

Texto Áureo Verdade Prática

“Cada um administre aos outros o dom


Enquanto vigilantes aguardamos a
como o recebeu, como bons despensei-
ros da multiforme graça de Deus.” volta de Cristo, devemos trabalhar
diligentemente na causa do Mestre.
(1 Pe 4.10)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Cl 3.23 Quinta – Mt 28.19
Fazer tudo de todo o coração como Enquanto aguardamos a Vinda do
se fosse para Deus Senhor, temos de pregar o Evangelho
Terça – Fp 2.14 Sexta – Hb 6.10
Fazer tudo sem reclamações e Deus não se esquece da nossa
queixas, pois fazemos para Deus dedicação e do nosso trabalho
Quarta – Ef 2.10 Sábado – 1 Co 15.58
Fomos criados para praticar as Quem trabalha para o Senhor pode
obras que glorificam a Deus ter certeza que será recompensado

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 83


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Mateus 25.14-30
14 – Porque isto é também como um entregaste-me dois talentos; eis que
homem que, partindo para fora da terra, com eles ganhei outros dois talentos.
chamou os seus servos, e entregou-lhes 23 – Disse-lhe o seu senhor: Bem está,
os seus bens, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste
15 – e a um deu cinco talentos, e a outro, fiel, sobre muito te colocarei; entra no
dois, e a outro, um, a cada um segundo gozo do teu senhor.
a sua capacidade, e ausentou-se logo 24 – Mas, chegando também o que
para longe. recebera um talento disse: Senhor, eu
16 – E, tendo ele partido, o que recebera conhecia-te, que és um homem duro,
cinco talentos negociou com eles e que ceifas onde não semeaste e ajuntas
granjeou outros cinco talentos. onde não espalhaste;
17 – Da mesma sorte, o que recebera 25 – e, atemorizado, escondi na terra o
dois granjeou também outros dois. teu talento; aqui tens o que é teu.
18 – Mas o que recebera um foi, e cavou na 26 – Respondendo, porém, o seu senhor,
terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor. disse-lhe: Mau e negligente servo; sabes
19 – E, muito tempo depois, veio o senhor que ceifo onde não semeei e ajunto onde
daqueles servos e ajustou contas com eles. não espalhei;
20 – Então, aproximou-se o que recebera 27 – devias, então, ter dado o meu din-
cinco talentos e trouxe-lhe outros cinco heiro aos banqueiros, e, quando eu viesse,
talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me receberia o que é meu com os juros.
cinco talentos; eis aqui outros cinco 28 – Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o
talentos que ganhei com eles. ao que tem os dez talentos.
21 – E o seu senhor lhe disse: Bem está, 29 – Porque a qualquer que tiver será
servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, dado, e terá em abundância; mas ao que
sobre muito te colocarei; entra no gozo não tiver, até o que tem ser-lhe-á tirado.
do teu senhor. 30 – Lançai, pois, o servo inútil nas
22 – E, chegando também o que tinha trevas exteriores; ali, haverá pranto e
recebido dois talentos, disse: Senhor, ranger de dentes.
HINOS SUGERIDOS: 115, 16, 305 da Harpa Cristã
OBJETIVO GERAL
Incentivar o desenvolvimento do dom recebido do Senhor
ao mesmo tempo em que aguardamos a vinda dEle.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
I Interpretar a parábola dos dez talentos;
II Incentivar a utilização consciente e respon-
sável dos talentos recebidos de Deus;
III Conscientizar de que nosso dever é tra-
balhar até a Vinda do Senhor.
84 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
O apóstolo Pedro fala de nossa responsabilidade no desenvolvimento de
nossos dons, ao dizer que cada “um” deve administrar “aos outros o dom como
recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1 Pe 4.10).
Se por um lado devemos esperar, ou aguardar, a Vinda do Senhor, por outro,
enquanto isso não acontece, é nosso dever trabalhar na causa do Mestre,
levando a Palavra do Evangelho a todo o mundo (Mt 28.19,20). É justamente
isso que o Senhor Jesus Cristo ensinou com a parábola que estudaremos hoje.
Veremos, inclusive, que fazer tal trabalho não se trata de uma opção, mas
de algo obrigatório, posto que tal ordem foi dada pelo Senhor. Precisamos
desenvolver os talentos que recebemos de Deus.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO explicar o contexto da parábola dos ta-
A parábola dos talentos retrata um lentos, pois se trata de uma narrativa que
senhor que viaja para fora do país e deixa expõe uma realidade econômica muito dis-
suas posses sob a responsabilidade de tinta da nossa. Um ou outro arriscou uma
seus servos. Enquanto ele estiver ausente, explicação dizendo que o procedimento
os servos deverão negociar os seus bens adotado pelo senhor da parábola era
para obter lucro. No dia que o senhor uma das formas que as pessoas de posse
voltar, eles deverão prestar con- adotavam quando se ausentavam
tas. A referência sobre o longo PONTO por um longo período de tempo.
tempo de duração da viagem CENTRAL No entanto, tal explicação não
(Mt 25.19) desperta a questão Trabalhar para é o mais importante, e sim a
o Senhor é uma sua mensagem.
de saber quem estará pron- forma de atuar
to para o retorno do senhor. como súditos 2. Conhecendo o siste-
Assim, uma das grandes lições do Reino. ma financeiro da época. Os
da parábola dos talentos está na estudiosos destacam ainda que
importância de se “remir” o tempo, de embora Jesus usasse, via de regra,
maneira sábia, antes que Cristo volte. em suas parábolas, imagens da vida no
Não se trata de uma espera desinteres- campo, dos trabalhadores braçais e até
sada, pois exige de cada um de nós, seus da família, nesta o Senhor tomou exem-
servos, que levemos adiante a tarefa de plos do sistema financeiro, pelo fato de
cuidar dos “bens” e tiremos o máximo que, naquela época, tal sistema era um
proveito da oportunidade que nos foi assunto corriqueiro e criticado entre
confiada. Estar preparado para a volta de as pessoas. Assim, ainda que elas não
Jesus significa também comprometer-se tivessem posses e fossem pobres, sabiam
com a tarefa que nos foi designada pelo desse sistema e entendiam também que
Senhor (Lc 19.13b). as pessoas que tinham muito dinheiro
eram as que possuíam maiores condições
I – INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA de multiplicar seus bens. Uma vez que
DOS DEZ TALENTOS desde sempre os juros de empréstimos
1. O contexto da parábola. A maioria são elevados, certamente talvez, por isso,
dos estudiosos enfrenta dificuldade para os servos bons e fiéis tenham atuado, eles
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 85
mesmos, como banqueiros, emprestan- SUBSÍDIO EXEGÉTICO
do o dinheiro a altos juros e realizando
grandes negócios (v.27). “A palavra grega talanton, usada
3. A motivação e o significado da somente por Mateus, é uma moeda de
parábola. Pelo contexto escatológico em alto valor, dependendo do metal do
que foi contada, muito provavelmente a qual é feito (em contraste com a palavra
parábola dos talentos tem como finalidade mna que Lucas usa, a qual tinha consi-
retratar o período que abrange desde deravelmente menos valor, Lc 19.13).
a ascensão de Jesus até sua segunda Em certo ponto um talento era igual
vinda e foi dirigida aos seus discípulos a seis mil denários, sendo o valor de
com o objetivo de alertá-los a ter uma um denário o salário de um dia para os
vida pautada nos valores do Evangelho trabalhadores (veja Mt 18.23-28). (Em
(Mt 25.13-15). O homem rico a quem nosso idioma usamos a palavra talento
os servos se referiram como “senhor” para nos referirmos à habilidade que a
que iria partir é uma representação do pessoa tenha, sentido este proveniente
Senhor Jesus Cristo. A viagem a um país desta parábola.) Emprestar dinheiro para
distante se refere à sua partida para o ganhar juros e enterrar tesouros de mo-
céu, após a sua ascensão. Os servos eram, edas eram práticas comuns nessa época.
inicialmente, os doze discípulos a quem “Quando o nobre volta, cada servo o
Jesus dirigiu a parábola, e num sentido trata de ‘Senhor’ (kyrie). Para os leitores
mais amplo, refere-se a todas as pessoas de Mateus conotava a divindade de Je-
nascidas de novo. Os talentos são os dons sus. Embora todos o chamem de Senhor,
que o Senhor entregou aos seus servos. nem todos são servos fiéis. Todo aquele
Inclusive, a nossa palavra “talento”, com o que trabalha fielmente nos negócios do
sentido que conhecemos, vem desse uso Reino é aprovado e convidado a ‘entra[r]
que o Mestre fez da expressão. A volta do no gozo do teu senhor’ (Mt 25.21,23).
senhor dos talentos seria o equivalente O servo infiel afirma que sua inação é
à segunda vinda de Cristo, enquanto a resultado de medo do senhor, que teria
recompensa, ou o castigo, seriam uma ficado bravo se o servo tivesse investido
representação do destino dos salvos e o dinheiro num empreendimento im-
dos não-salvos (vv.20-27). A aprovação produtivo. Em vez de arriscar a perder,
elogiosa que o senhor fez aos servos, ele enterra o tesouro como garantia (cf.
no seu retorno, refere-se aos galardões Mt 13.44). Mas ele se condena com as
que se podem esperar do julgamento das próprias palavras. O senhor o chama
obras no Tribunal de Cristo (2 Co 5.10). de ‘mau e negligente servo’ (Mt 25.26).
Já a condenação do servo que negligen- Fazer o trabalho do Reino obtém abun-
ciou sua responsabilidade em relação ao dância na consumação do tempo do
talento, é uma advertência contra o não fim, ao mesmo tempo que a negligência
uso, ou o uso indevido dos dons (vv.28-30 (ou a preguiça) é recompensada com a
cf. Mt 7.21-23). danação eterna ([...]). Jesus ensinou que
a prática da justiça e do perdão gracio-
sos de Deus são indispensáveis para a
SÍNTESE DO TÓPICO I salvação última” (SHELTON, James B. In
Desenvolver os talentos, ou dons, ARRINGTON, French L.; STRONDAD, Roger
é a grande mensagem da parábola. (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.136).
86 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
II – USANDO A NOSSA CAPACIDADE da capacitação divina a Bezalel e a Aoliabe,
PARA O REINO DE DEUS dizendo que Deus lhes deu habilidade para
1. O Senhor reparte seus talentos fazerem trabalhos manuais e engenhosos
segundo a nossa capacidade. A parábola específicos, além de capacidade para criar
dos talentos nos ensina uma grande “invenções”. Diante da grande tarefa que
verdade sobre o nosso potencial, isto é, tinha diante de si em liderar o povo de
a aptidão e a possibilidade que cada um Deus, apesar de ter sido escolhido para
possui de realizar uma tarefa. Por isso, o desempenhar tal papel, Salomão pede ao
texto fala que a quantidade de talentos Senhor que lhe dê sabedoria (1 Rs 3.6-9).
foi repartida “a cada um segundo a sua Assim também o apóstolo Paulo reconhece,
capacidade” (v.15). Deus não concede um de forma humilde, que não somos “capazes,
talento a uma pessoa sem que esta tenha por nós, de pensar alguma coisa, como de
condições de desenvolver e nem requer nós mesmos; mas a nossa capacidade vem
de alguém uma tarefa para a qual não a de Deus” (2 Co 3.5). Esta é a atitude que
tenha chamado. Qual é o seu talento? se espera de quem realmente tem um
Qual é a sua capacidade? Contente-se chamado da parte de Deus: Reconhecer
com o seu talento, pois você o recebeu do que a nossa capacidade vem de Deus.
Senhor de acordo com a sua capacidade. 3. O acerto de contas. A responsa-
A esse respeito, a parábola mostra a dife- bilidade de desempenhar uma missão na
rença de responsabilidade, pois diferimos obra de Deus é de tal envergadura que a
uns dos outros na quantidade de dons parábola que estamos estudando fala do
recebidos. Note que, apesar de os servos acerto de contas dos servos de Deus, com
terem recebido uma quantidade diferente o seu Senhor, e mostra algumas verdades
de talentos, que foram distribuídos de interessantes. Entre elas a de que os homens
acordo com a capacidade pessoal de podem até receber dons desiguais, mas
cada um, a recompensa pela dedicação devem desenvolvê-los e entregá-los com
de cada um deles à tarefa foi igual. a mesma diligência, pois os que fizerem a
2. A capacitação do homem por Deus. vontade do seu senhor receberão a mesma
Desde o livro de Êxodo, a Bíblia apresenta remuneração (vv.21,23). De igual forma, o
o agir de Deus na vida de homens com a negligente, independentemente do quanto
finalidade de capacitá-los para o exercício recebeu, pela sua maneira de lidar com o
de uma atividade (35.30-35). O texto fala talento, também será punido (vv.28,30).
CONHEÇA MAIS
*A Origem da Nossa Moderna
Palavra “Talento”
“A definição que conhecemos de ‘talento’ como
uma referência à capacidade humana é derivada des-
ta parábola e, apesar das pessoas interpretarem o
‘talento’ como tendo uma ligação com a capacidade
há muito tempo atrás, este uso da palavra não surgiu
antes do século XV.” Para conhecer
mais, leia Compreendendo
todas as Parábolas de
Jesus, CPAD, p.737.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 87


do trabalho com a expansão do Reino de
SÍNTESE DO TÓPICO II Deus, o Senhor reparte talentos segundo
a nossa capacidade e os requer na mesma
Como discípulos de Cristo, nossos
medida, pois “a qualquer que muito for
dons, recebidos dEle, devem ser uti-
dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito
lizados para exteriorizar e revelar o
se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá”
Reino de Deus.
(Lc 12.48b). Cientes de sua obrigação,
os dois primeiros servos, não sabendo
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO quanto tempo o seu senhor estaria au-
sente, tão logo ele se foi, começaram a
“Os três servos receberam seus negociar imediatamente e empregaram
talentos (Mt 25.15). Cada um deles traba- seus talentos, ou seja, eles negociaram e
lharia e administraria os bens conforme não descansaram enquanto não dobra-
a sua capacidade pessoal. Aquele senhor ram o que tinham recebido (vv.20,22).
deixou aqueles talentos em suas mãos
Em ambos os casos os talentos foram
para serem cuidados e negociados. Não
devidamente empregados. Se o servo
há acepção, nem discriminação. Cada
que recebera um talento tivesse feito o
qual negociaria da melhor forma possível
mesmo, certamente o seu desempenho
com aquilo que recebeu para trabalhar.
seria semelhante (vv.26,27).
Cada qual deveria preocupar-se apenas
2. A advertência de que haverá uma
com o seu trabalho e procurar fazê-lo
prestação de contas. Por mais que tenha
bem. Não pode haver espaço para inve-
demorado, “o senhor daqueles servos”
jas, ciúmes e porfias entre os servos de
voltou e chamou-os para ajustar “contas
Cristo, que são coisas típicas de pessoas
com eles” (v.19). De modo semelhante,
carnais (Gl 5.19-21). A entrega dos ta-
Cristo não nos chamou para que fique-
lentos representava não só a confiança,
mos ociosos, pois Ele chamará cada um a
mas significava o teste que provaria a
prestar contas de seu trabalho na obra de
fidelidade de cada um deles. Os servos
Deus (Lc 12.48b; 2 Co 5.10). A parábola
de Cristo na terra, da mesma forma, são
nos adverte para o fato de que recebemos
selecionados para trabalharem com os
algo de Cristo, ou seja, dons e talentos,
talentos recebidos, e o Senhor espera
com a finalidade de trabalharmos para
que os mesmos trabalhem e façam mul-
Ele, pois a “manifestação do Espírito é
tiplicar os bens do Senhor. Ele chama e
dada a cada um para o que for útil” (1
seleciona pessoas como quer” (CABRAL,
Co 12.7). É necessário atentar para esta
Elienai. Mordomia Cristã. 1.ed. Rio de
verdade, pois o dia de prestar contas
Janeiro: CPAD, 2003, p.144).
chegará e todos seremos examinados.
III – TRABALHANDO ATÉ 3. Recompensa no Tribunal de
O SENHOR VOLTAR Cristo. Além de ser uma responsabili-
1. Usando os talentos segundo a dade, trabalhar no Reino de Deus é um
nossa capacidade. Assim como a dis- privilégio. Os elogios que o senhor fez
tribuição dos bens foi proporcional à aos servos no seu retorno (vv.21,23)
capacidade de cada um dos servos, de lembram dos galardões que, como seus
igual maneira, espera-se que a sua uti- servos, podemos esperar no dia do jul-
lização obedeça à mesma regra, ou seja, gamento de nossas obras no Tribunal
os talentos devem ser usados de acordo de Cristo (1 Co 3.12-15 cf. 2 Co 5.10).
com a capacidade de cada um. A respeito Alegremo-nos com essa verdade.
88 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
têm vocação para o ensino, oferecendo
SÍNTESE DO TÓPICO III a oportunidade de, nas próximas aulas,
Não basta apenas trabalhar, é preciso eles introduzirem ou, talvez, concluí-
entender que o trabalho é feito para Deus rem a lição. Dessa forma você estará
a quem um dia prestaremos contas. contribuindo para a continuidade do
ministério de ensino.
CONCLUSÃO
SUBSÍDIO DIDÁTICO Uma vez que Jesus não estabeleceu
Aproveite a temática da lição como uma data para a sua volta, Ele pode
um todo, mas desse terceiro tópico, vir a qualquer momento (Mt 24.36;
em especial, para incentivar à classe a Mc 13.32; At 1.7). Todavia, sempre
praticar o evangelismo pessoal e a falar há tempo suficiente, antes que Cristo
de Cristo em todo e qualquer lugar, seja venha, para que os que forem servos
nas redes sociais ou mesmo no trabalho bons e fiéis dupliquem os talentos que
ou na vizinhança. Estimule aqueles que o Senhor lhes confiou.
PARA REFLETIR

A respeito de “Esperando, mas Trabalhando


no Reino de Deus”, responda:
• Pelo contexto escatológico, qual é a finalidade da parábola dos
talentos?
Pelo contexto escatológico em que foi contada, muito provavelmente a parábola
dos talentos tem como finalidade retratar o período que abrange desde a ascensão
de Jesus até sua segunda vinda e foi dirigida aos seus discípulos com o objetivo
de alertá-los a ter uma vida pautada nos valores do Evangelho (Mt 25.13-15).
• Quem os servos da parábola representam?
Os servos eram, inicialmente, os doze discípulos a quem Jesus dirigiu a parábola,
e num sentido mais amplo, refere-se a todas as pessoas nascidas de novo.
• Qual é a atitude que se espera de quem realmente tem um chama-
do da parte de Deus?
Reconhecer que a nossa capacidade vem de Deus.
• Para que recebemos dons da parte do Senhor?
Recebemos algo de Cristo, ou seja, dons e talentos, com a finalidade de traba-
lharmos para Ele, pois a “manifestação do Espírito é dada a cada um para o que
for útil” (1 Co 12.7).
• Você tem utilizado seus talentos e dons em prol do Reino de Deus?
Resposta pessoal.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 76, p.42. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 89


Lição 13
30 de dezembro de 2018

A Humildade e o Amor
Desinteressado
WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR

Texto Áureo Verdade Prática

“Porquanto, qualquer que a si mesmo


se exaltar será humilhado, e aquele Jesus apresenta, a partir de seu próprio
que a si mesmo se humilhar será exemplo, o caminho da humildade e do
exaltado.” amor altruísta como indispensável aos
que querem servi-lo.
(Lc 14.11)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Fp 2.3 Quinta – Ef 4.1,2
Considerar os outros superiores a Andar em humildade é uma
nós mesmos posição digna da nossa vocação
Terça – Rm 12.3 Sexta – 1 Pe 5.6
Não ter um conceito elevado de si Humilhar-se debaixo da potente
mesmo mão de Deus
Quarta – Pv 22.4 Sábado – Pv 18.12
O prêmio da humildade são A humildade vem sempre antes
riquezas, honra e vida da honra

90 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Lucas 14.7-14
7 – E disse aos convidados uma pará- 11 – Porquanto, qualquer que a si mesmo
bola, reparando como escolhiam os se exaltar será humilhado, e aquele que
primeiros assentos, dizendo-lhes: a si mesmo se humilhar será exaltado.
8 – Quando por alguém fores convidado 12 – E dizia também ao que o tinha
às bodas, não te assentes no primeiro convidado: Quando deres um jantar ou
lugar, para que não aconteça que esteja uma ceia, não chames os teus amigos,
convidado outro mais digno do que tu, nem os teus irmãos, nem os teus paren-
tes, nem vizinhos ricos, para que não
9 – e, vindo o que te convidou a ti e a ele,
suceda que também eles te tornem a
te diga: Dá o lugar a este; e então, com ver-
convidar, e te seja isso recompensado.
gonha, tenhas de tomar o derradeiro lugar.
13 – Mas, quando fizeres convite, chama
10 – Mas, quando fores convidado, vai
os pobres, aleijados, mancos e cegos
e assenta-te no derradeiro lugar, para
que, quando vier o que te convidou, 14 – e serás bem-aventurado; porque
te diga: Amigo, assenta-te mais para eles não têm com que to recompensar;
cima. Então, terás honra diante dos que mas recompensado serás na ressurrei-
estiverem contigo à mesa. ção dos justos.

HINOS SUGERIDOS: 35, 541, 355 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Expressar o valor da humildade e do amor desinteressado.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Interpretar a parábola dos primeiros lugares e dos convidados;


II Sublinhar as grandes lições da parábola e a inversão da lógica humana;
III Distinguir a recompensa da humildade e do altruísmo.

2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 91


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Findamos mais um trimestre e com ele encerramos o ano de 2018. Além
do que ainda temos a aprender com esta última lição, recebemos, ao longo
deste trimestre, valiosos esclarecimentos para a nossa caminhada cristã. A
revista não poderia terminar melhor, pois estamos diante de mais uma lição
essencialmente prática. Para além das importantes questões concernentes à
vida espiritual, a presente lição é uma aula de etiqueta e de como comportar-
-se em sociedade e em ambientes específicos onde o exercício do bom senso
e da discrição só faz bem. Aproveitemos uma vez mais essa oportunidade de
aprendizado para melhorarmos nosso comportamento e forma de relacio-
nar-se. Uma excelente aula e término de trimestre.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO (Lc 14.1,2). Após provocar os fariseus
Jesus contou a parábola dos primei- que ali estavam, Jesus curou o enfermo
ros assentos, ou lugares de honra, e dos e ele se foi (Lc 14.3,4). O Mestre então
convidados, ao participar de uma refeição revelou que os religiosos que se encon-
na casa de um fariseu. Ele instruiu a todos travam ali faziam determinados trabalhos
acerca da humildade e do perfil das pesso- que eles julgavam importantes em dia
as que devem ser convidadas para de sábado (Lc 14.5), e que curar o
PONTO homem, sem importância para
ocasiões especiais. O verdadeiro CENTRAL
objetivo do fariseu, e de seus eles, certamente era lícito, por
Humilhar-se e
companheiros, era encontrar praticar o amor
isso, “nada lhe podiam replicar
algo em Cristo que pudesse sem esperar nada sobre isso” (Lc 14.6). Uma vez
condená-lo. Na ocasião, Jesus em troca são pos- que se tratava de uma refei-
turas cristãs. ção, era comum, em ocasiões
observou o perfil dos convida-
dos e notou que eles buscavam como essa, haver uma distribuição
escolher os primeiros lugares. Foi a partir especial de lugares para os convida-
dessa observação, e também do perfil dos dos que, normalmente, se assentavam
convidados, que o Mestre contou essa ao redor de uma mesa quadrangular,
curta, mas instrutiva, parábola. cuja posição central era ocupada pelo
anfitrião, e, bem próximo a ele, isto é, à
I – INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA esquerda e à direita, posicionavam-se os
DOS PRIMEIROS LUGARES E DOS convidados mais distintos. Era costume
CONVIDADOS um convidado ser honrado pelo dono da
1. O dia, a ocasião e o local. O dia, festa. Desejar esta homenagem não era
a ocasião e o local onde essa parábola algo errôneo, porém, na ansiedade de
foi contada são três pontos importantes buscar tal honraria, muitos se excediam,
para se entender sua importância. No demonstrando ausência de humildade
início do capítulo somos informados e desejo por reconhecimento humano.
que, num sábado, Jesus fora comer na 2. A parábola. É com este contex-
casa de um dos chefes dos fariseus e to em mente que devemos estudar a
deparou-se com um homem hidrópico, parábola dos primeiros assentos e dos
92 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
convidados. Havia dois objetivos por ordem das coisas de Deus, Jesus começa
parte do Senhor. Primeiro, Ele procurava exortando-os a que, se são convidados
ensinar aos convidados e, ao mesmo a um casamento, tomem os lugares mais
tempo, os seus discípulos e a todos baixos. Uma pessoa de mais destaque
os que o aceitam, acerca de não se que eles pode ter sido convidada. Se
buscar lugares de honra, pois no Reino um convidado chegar antes dessa pes-
de Deus servir é mais importante do soa e tomar o assento mais próximo
que ocupar uma posição. Segundo, ao do anfitrião, ele corre o risco de ser
curar o hidrópico, Jesus instruía ao an- humilhado. O anfitrião pedirá àquele
fitrião, e a todos nós, que não devemos que está num lugar de honra a sair. O
ser seletivos quanto aos convidados convidado presunçoso talvez descubra
para uma ocasião especial, pois assim que a maioria dos lugares está ocupado,
como Deus aceita a todos, devemos ser o que o forçará a ocupar um lugar menos
prestativos e servir a todos, pois se desejável. Sua autopromoção o levou à
atendermos pessoas abastadas, elas vergonha e humilhação.
vão querer nos retribuir, e isso será a “Jesus não recomenda a prática da
nossa recompensa (v.12). falsa humildade, mas o convidado que,
3. Os grandes ensinamentos da de começo, toma o lugar mais humilde
parábola. Os ensinamentos de Jesus não se arrisca a passar vexame. De fato,
para os convidados não são uma série quando o anfitrião o vir sentado em lugar
de bons conselhos sobre etiqueta humilde, ele o convidará a se sentar mais
social, mas lições com significado para cima. Isto lhe dá honra aos olhos
prático-espiritual. Por isso, esta última de todos os convidados no casamento.
lição visa conscientizar-nos de nossa “Jesus se dirigiu aos convidados.
postura enquanto discípulos de Cristo, Agora Ele se volta para o anfitrião. O
destacando a importância de, na prática, que Ele lhe diz também se aplica aos
demonstrarmos o quanto vivemos sob líderes religiosos. Os fariseus excluíam
uma forma diferente da do mundo (Rm os pobres, os aleijados, os mancos e os
12.2; Mt 20.17-28). cegos da plena participação da vida
religiosa. Para contornar esta prática,
Jesus indica que a hospitalidade deve
SÍNTESE DO TÓPICO I
ser estendida a todos e adverte contra
A interpretação da parábola dos incluir somente os amigos, os parentes,
primeiros lugares e dos convidados os ricos e os famosos.
ensina-nos grandes verdades práti- “A tentação é entreter só o nosso
co-espirituais. grupo. Quando um anfitrião convida
outros para jantar em sua casa, ele
SUBSÍDIO EXEGÉTICO deve incluir aqueles que não lhe podem
devolver o favor. Se ele sente que os
“A parábola é, na verdade, uma convidados vão retribuir-lhe o convite,
repreensão de muitos à mesa de jantar. o que ele deu? Nada! É apenas comércio,
Na maioria das culturas, há lugares de sem ter generosidade. Sua hospitalidade
muita e de poucas honras numa refeição é motivada por desejo de recompen-
(Bratcher, 1982, p.244). Pessoas de po- sa. Mas a verdadeira hospitalidade e
sição social mais alta têm lugares mais generosidade ocorrem quando não há
próximos do anfitrião. Para ensiná-los a possibilidade de retribuição. Aqueles
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 93
que querem agradar a Deus devem 2. A segunda grande lição da pará-
alcançar os pobres e os que sofrem de bola. Além da sensatez que faz a opção
incapacidade física ou mental. Jesus não pela humildade, Cristo ensina nesta
proíbe que convidemos os que podem parábola que se formos dar um jantar
nos retribuir o convite, mas proíbe devemos convidar e acolher os menos
que esqueçamos os que não estão em favorecidos (v.13). A ênfase da segunda
posição de retribuir. A generosidade grande lição ensinada por Cristo mostra
e a bondade não devem ser usadas que as ações devem ser praticadas sem
para ganhar poder sobre os outros e esperar reciprocidade alguma (v.12). Tais
a colocá-los em dívida para conosco. práticas devem nortear os pensamentos
A verdadeira hospitalidade, instigada dos verdadeiros seguidores do Mestre,
por amor genuíno, não tem restrições” pois Ele mesmo assim vivia e praticava
(ARRINGTON, F. L. In ARRINGTON, French boas ações com espírito humilde e amor
L.; STRONDAD, Roger (Eds.). Comentário desinteressado (Mt 20.28; Jo 10.17,18;
Bíblico Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: 15.13). Este ensinamento de Cristo, na-
CPAD, 2003, pp.415,416). turalmente, não se refere apenas ao ato
de convidar alguém para jantar, mas diz
II – AS GRANDES LIÇÕES respeito a todas as atividades que são
DA PARÁBOLA E A INVERSÃO realizadas em favor de algum próximo que
DA LÓGICA HUMANA não tem como nos retribuir (Mt 25.34-40).
1. A primeira grande lição da pa- 3. A lógica do Reino é diferente
rábola. Esta parábola ensina, acima da humana. As duas grandes lições da
de tudo, a humildade como marca de parábola dos primeiros assentos e dos
um verdadeiro seguidor de Cristo (Lc convidados desafiam a lógica humana,
9.23,24). Jesus instrui que é prudente pois nesta prevalecem os adágios e as
a qualquer convidado ocupar sempre o estratégias oportunistas, mas na lógica
lugar de menor destaque à mesa, e que do Reino tudo é diferente (Mt 20.25-
esse comportamento deve ser sincero, 28 cf. v.11). De igual forma, devemos
pois cabe ao anfitrião a prerrogativa ajudar os que não têm condições, pois
de julgar quem deve ser reconhecido estes geralmente são esquecidos, pois
(vv.8,9). A lição está na ideia de que não tendo nada a oferecer, acabam
ocupar de forma espontânea uma po- abandonados. O Senhor, porém, ensina
sição humanamente inferior ensejava a que quando formos realizar algo assim,
oportunidade de se experimentar algo devemos convidar “os pobres, aleijados,
realmente honroso, ou seja, ao portar-se mancos e cegos” (v.13), pois estes não
de maneira humilde o convidado pode- têm como nos “recompensar” (v.14).
ria ser honrado com naturalidade, uma Isso, porém, não significa que ficaremos
vez que, se fosse chamado a ocupar um sem recompensa.
lugar à frente, se destacaria em relação
à posição em que se encontrava (v.10).
Ao contrário, se caso se colocasse num SÍNTESE DO TÓPICO II
local de destaque, sem ter sido convida- Humildade e amor desinteressado
do para isso, experimentaria o caminho são as grandes lições ensinadas nesta
da vergonha, sendo removido para dar parábola que também desafia a lógica
lugar a alguém que o anfitrião julgasse humana.
merecedor e digno daquela honra (vv.8,9).
94 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018
SUBSÍDIO HISTÓRICO-CULTURAL (vv.12b,14; Mt 10.40-42). Ninguém que
ajude e estenda a mão aos necessita-
“Na época de Jesus, o costume judaico dos ficará sem retribuição da parte do
em um jantar era dispor os assentos em Senhor (Mt 25.34-40).
forma de U com uma mesa baixa diante
deles. Os convidados se apoiariam no
cotovelo esquerdo, e estariam sentados SÍNTESE DO TÓPICO III
de acordo com a sua posição social, sendo
A humildade e o altruísmo não
o lugar de honra o assento no centro do U.
devem ser praticados por causa de
Quanto mais distante do lugar de honra,
reconhecimento, mas sua prática com
menor o status. Se alguém se colocasse
motivações corretas trará recompensa
no primeiro lugar e então chegasse outro
da parte de Deus.
convidado mais digno, lhe pediriam que
passasse para um lugar inferior. Mas a esta
altura o único lugar vago seria o derradeiro, SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
no final da mesa” (Comentário do Novo
Testamento. Vol 1. 1.ed. Rio de Janeiro: “Partir o pão com os necessitados e
CPAD, 2009, pp.417-18). os inválidos nunca passará sem ser per-
cebido pelo Pai divino. Embora eles não
III – A RECOMPENSA DA possam nos oferecer recompensa, Deus
HUMILDADE E DO ALTRUÍSMO pode e recompensa. O que os pobres e
1. Humildade e altruísmo. Nesta os que sofrem de incapacidade física ou
parábola Cristo nos ensina o cultivo da mental não podem fazer por nós, Ele fará
humildade e do desprendimento – também ‘na ressurreição dos justos’. Quer dizer, no
conhecido como amor desinteressado ou dia em que os justos ressuscitarem, Deus
altruísmo –, como características indispen- dará uma recompensa esplêndida àqueles
sáveis ao verdadeiro cristão. Mais do que que foram generosos com os necessitados
uma lição de educação humana, Cristo e os fracos. Tais indivíduos mostram por
fala sobre o privilégio que possuímos de seu serviço amoroso que aprenderam a
servir e não de sermos servidos (Mc 10.45), viver a vida do Reino na terra, e eles serão
exaltando o serviço ao próximo não por recompensados com justiça no tempo do
vanglória, mas por dedicação pessoal e fim” (ARRINGTON, F. L. In ARRINGTON,
altruísmo (Pv 18.12; Rm 12.9,10; Fp 2.3-11). French L.; STRONDAD, Roger (Eds.). Co-
2. Amor, a palavra-chave do altruís- mentário Bíblico Pentecostal. 1.ed. Rio
mo. Atualmente a palavra amor está des- de Janeiro: CPAD, 2003, p.416).
gastada, pois muitos “amam” apenas de
lábios, mas não de verdade (1 Jo 3.18). O CONCLUSÃO
texto bíblico, porém, é bastante enfático: Jesus aconselhou as pessoas a não
“O amor não seja fingido” (Rm 12.9a). O se apressarem a ocupar os melhores
amor é a palavra-chave do altruísmo, pois lugares em um banquete. Entretanto,
este só pode ser praticado em amor e, por hoje muitos estão ansiosos por elevar
sua vez, o amor só pode ser revelado na a sua posição social. A quem você pro-
prática (Tg 2.15-17; 1 Jo 3.17). cura impressionar? Em vez de buscar
3. A recompensa. Retribuir uns aos prestígio, procure um lugar onde você
outros não é altruísmo, mas ajudar aos possa servir. Se Deus quiser que você o
que estão necessitados certamente o sirva em uma escala maior, Ele mesmo o
é, pois isso trará grande recompensa convidará a ocupar uma posição elevada.
2018 - Outubro/Novembro/Dezembro Lições Bíblicas /Professor 95
ANOTAÇÕES DO PROFESSOR

PARA REFLETIR

A respeito de “A Humildade e o
Amor Desinteressado”, responda:
• Cite os três pontos importantes para se entender essa parábola.
O dia, a ocasião e o local onde essa parábola foi contada são três pontos
importantes para se entender sua importância.
• Quais eram os dois objetivos do Senhor ao contar essa parábola?
Primeiro, Ele procurava ensinar aos convidados e, ao mesmo tempo, os
seus discípulos e a todos os que o aceitam, acerca de não se buscar lugares
de honra, pois no Reino de Deus servir é mais importante do que ocupar
uma posição. Segundo, ao curar o hidrópico, Jesus instruía ao anfitrião, e
a todos nós, que não devemos ser seletivos quanto aos convidados para
uma ocasião especial, pois assim como Deus aceita a todos, devemos ser
prestativos e servir a todos, pois se atendermos pessoas abastadas, elas
vão querer nos retribuir, e isso será a nossa recompensa.
• Segundo a parábola, a quem devemos convidar quando formos rea-
lizar algum evento?
Cristo ensina nesta parábola que se formos dar um jantar devemos convidar
e acolher os menos favorecidos.
• Quais são as características indispensáveis ao verdadeiro cristão e
que são ensinadas nesta parábola?
Nesta parábola Cristo nos ensina o cultivo da humildade e do desprendi-
mento também conhecido como amor desinteressado ou altruísmo, como
características indispensáveis ao verdadeiro cristão.
• Diante do que aprendemos hoje, você acredita que tem sido humilde
e altruísta?
Resposta pessoal.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 76, p.42. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

96 Lições Bíblicas /Professor Outubro/Novembro/Dezembro - 2018


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Lucas, mais que


um evangelista, um
teólogo carismático
O termo “carismático”, teologicamente falando, tem de ser
distinguido do seu significado contemporâneo, a saber,
conforme é usado para descrever o movimento neopen-
tecostal que penetrou nas denominações históricas das
décadas de 1960 e 1970. Por “carismático”, refere-se ao
dom (gr. charisma) de Deus do seu Espírito para os seus
servos, individual ou coletivamente, para ungir, capacitar
ou os inspirar para o serviço divino. Conforme está regis-
trado nas Escrituras, a atividade carismática é, necessaria-
mente, um fenômeno experiencial.

Lucas ao escrever seu evangelho e os Atos dos Apóstolos,


o fez como teólogo carismático, dando o devido destaque
a atuação do Consolador na história de Cristo e da igreja
nascente. Seu entendimento do Espírito foi moldado pelo
que ele entendia de Jesus e da natureza da igreja primitiva
e, por meio de seus escritos, Lucas faz uma importante
e exclusiva contribuição para a compreensão da pneu-
matologia do Novo Testamento que reverbera até hoje,
especialmente na pregação e na prática pentecostal que
crê que Deus, ainda hoje, distribui os dons do Espírito – os
carismas – para que a Igreja cumpra seu papel no mundo.
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