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03/10/2018 RESENHA: A ELITE DO PODER | Batsilio

RESENHA:
A ELITE DO
PODER
Livro A ELITE DO PODER Autor.: MILLS, C. WRIGHT ; Editora.: ZAHAR Edição.: 2 Paginação.: 11 a 40 e 319 a
349.
Local de Publicação.: RIO DE JANEIRO, RJ Ano de Publicação.: 1968

Tautológico, assim me pareceu o texto de Wright Mills, em “A Elite do Poder”, um texto chato e de difícil
digestão. Discorre da página 13 até a página 40 em descrever “As Altas Rodas” e o poder de influência dos
homens que estão no poder.

Fala em como a elite do poder é composta pelos homens, a forma como comanda as principais hierarquias e
organizações. Fica a toda hora descrevendo os atores desta elite, num momento fala que não é de governantes
solitários, em outro alega que são inseguros. Na página 14, 2º parágrafo lemos: “Dentro da sociedade
americana, a base do poderio nacional esta hoje nos domínios econômicos, políticos e militar” e ao mesmo
tempo destaca que “As instituições religiosas, educacionais e familiares não são centros autônomos do poder
central”, diz que se o Estado não pudesse confiar nas escolas, seus lideres procurariam modificar o sistema
educacional.
A economia dominada por duas ou três centenas de empresas gigantescas que juntas controlam as rédeas das
decisões econômicas. A ordem política tornou-se uma organização centralizada e executiva. E a ordem militar
tem agora um eficiente domínio burocrático em franca expansão.
As decisões de um punhado de empresas influem nos acontecimentos militares, políticos além dos econômicos
em todo mundo.
Passa a descrever como no decorrer da historia americana a elite se formou, cita o fato de a sociedade
americana jamais ter passado por uma época feudal e como isto influenciou a elite americana e o fato de não ter
uma oposição à burguesia esta monopolizou não só a riqueza, mas também prestígio e poder.
Essas diversas noções de elite constituem a sociedade total da America, esta pode ser onipotente ou impotente,
dependendo de quem “vê” a história.
Que não é o caso do autor, ele cita à página 30 que não compartilha da idéia de haver grupos minoritários que
cria uma classe dominante uma elite onipotente. Chega a dizer que é inútil para a compreensão da historia do
presente. Ele considera que o curso da história “depende mais de uma série de decisões humanas do que
qualquer destino inevitável.” – página 31.
Desta forma entendo que ele diz que a historia é apenas acontecimentos independentes de uma trama. Logo se
a elite é impotente o equilíbrio é resultado de forças econômicas e sociais e de resultados fatídicos. Mas adiante
diz que “aceitar qualquer uma dessas opiniões – há história como um conspiração ou da história como uma
correnteza - é relaxar o esforço de compreesnder os fatos do poder e os processos dos poderosos.”

Capitulo XII – A ELITE DO PODER – (página 319 a 349)

Daí por diante vai viajando pela história, descrevendo qual “parte” da elite estava mais em evidência. “... a elite
do poder americana atravessou quatros fases, e está atualmente bem avançada na quinta.”
Diz que na primeira fase as instituições sociais e econômicas, políticas, e militares seguiam unificada de “modo
simples e direto”, destacando que no século XIX a elite eram os políticos de educação e de experiência
administrativa e que já na segunda fase passou a ser uma elite pluralista de alto grupos, desconexos a principio
se entrosam a partir da I Guerra Mundial.
Já na terceira fase começa a supremacia do poder econômico, principalmente com o apoio que esta veio a ter
com a Emenda 14ª da constituição que passou a proteger as grandes corporações. Com o avanço da elite
econômica pra cima do governo a ordem militar acabou subordinada à política.
“IV. O New Deal não modificou as relações políticas e econômicas da terceira fase” assim começa a descrever a
quarta fase onde o New Deal cria um equilíbrio de grupos de pressão e blocos de interesses.

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03/10/2018 RESENHA: A ELITE DO PODER | Batsilio

As instituições dominantes modelam a forma que a “elite do poder” assume em sua quinta fase, ou seja, a
ordem política de hoje. “A América é hoje mais uma democracia política formal do que uma estrutura
democrática social. Cuja estrutura da elite encontra-se mais no Estado militar ampliado. Hoje basicamente todas
as ações políticas e econômicas são julgadas em termos de definições militares, com os altos senhores da
guerra firmando posição dentro da elite do poder na quinta fase.

A partir daí o autor passa a levantar considerações sobre a forma como a elite do poder se entrelaçou empresas
e militares, como se comporta de fato e como se da a distribuição dos deveres entre eles.
Cita entre outros integrantes desta elite, “os advogados e financistas de grandes escritórios e firma de
investimentos, que são quase intermediários profissionais entre as questões econômicas, políticas e militares, e
dessa forma agem para unificar a elite do poder.”
A forma como entraram em contato durante a II Guerra Mundial, tornando-se altos homens do mundo militar,
econômico e político transitando entre um e outro mundo.
Para Wright, a elite do poder descende de americanos natos, de pais americanos, e vem principalmente de
áreas urbanas do leste. São formados, e uma parcela substancial vem da “liga da Hera” (principais
universidades americanas, Harvard, Yale, Brown, Princeton, Columbia, etc.).
Apesar dele por algumas ressalvas, acabo terminando o texto com a mesma impressão que tinha antes de lê-lo,
a elite do poder americana é basicamente composta por americanos das altas rodas, de alta origem social que
casam entre eles e convivem nas mesmas instituições, locais, clubes, etc.
O mais interessante é que um livro escrito em 1968, que fala da ligação entre o poder econômico e militar
continua tão atual, haja vista o que ocorre agora pelo mundo dada a crise do petróleo e a intervenção americana
pelo mundo.
Postado há 30th March 2008 por Basilio

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