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Pequenos Negócios e o Desenvolvimento Sustentável:

Manual de implementação
da Lei Geral da Micro e Pequena
Empresa em seu município

Série
Políticas Públicas
Volume 1
Pequenos Negócios e o Desenvolvimento Sustentável:

Manual de implementação
da Lei Geral da Micro e Pequena
Empresa em seu município

Série
Políticas Públicas
Volume 1
Estímulo ao
desenvolvimento local
A regulamentação da Lei Geral nos municípios é indispensável
para o fortalecimento das micro e pequenas empresas (MPE) e
a promoção do desenvolvimento local. Este manual, organizado
pelo Sebrae-MG, tem o objetivo de informar os gestores públicos
sobre os benefícios dessa medida e tirar dúvidas comuns.
Por sua contribuição na dinâmica econômica municipal, as MPE
precisam contar com instrumentos legais que facilitem a gestão,
desonerem a carga tributária, desburocratizem os processos e fa-
voreçam a competitividade do segmento.
Com o estímulo ao empreendedorismo e o fortalecimento das
MPE, a população ganha com a oferta de trabalho e a melhoria da
qualidade de vida. O município ganha com o aumento da arreca-
dação e com mais recursos para a promoção do bem-estar social.
Somente com o incentivo legal garantido pela Lei Geral em todas
as esferas de poder, as MPE poderão cumprir seu papel. Os muni-
cípios têm papel fundamental na construção desse novo ciclo de
desenvolvimento impulsionado pelos pequenos negócios.

Roberto Simões
Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae-MG
Suporte para a implantação
da Lei Geral Municipal
Aos
Prefeitos e Prefeitas de Minas Gerais

A Associação Mineira de Municípios (AMM), em defesa dos ideais


municipalistas e ciente da grande tarefa enfrentada pelos prefei-
tos mineiros, apresenta este manual que visa auxiliá-los na im-
plantação da Lei Geral Municipal, um importante instrumento de
regulamentação e ampliação dos benefícios conquistados pelas
empresas instaladas em nossos municípios com a aprovação, pelo
Congresso Nacional, da Lei Geral da Microempresa e da Empresa
de Pequeno Porte, ou simplesmente Lei Geral, em 14 de dezembro
de 2006.
O Simples Nacional, por exemplo, é um dos capítulos da Lei Ge-
ral e confere tratamento tributário diferenciado e favorecido às
microempresas e empresas de pequeno porte nas três esferas go-
vernamentais - União, Estados e Municípios. Mas a Lei Geral vai
muito mais além, como todos podem constatar neste manual, e
a Lei Geral Municipal é o melhor caminho para fazer com que os
demais benefícios cheguem o mais breve possível às nossas em-
presas.
Acreditamos que todos aqueles municípios que souberem explo-
rar o potencial existente em suas pequenas empresas conseguirão
alavancar sua economia independentemente de outros progra-
mas e verbas. A Lei Geral Municipal é um excelente instrumento
para isso.
Dentro deste cenário, e pela união de esforços entre a AMM e o
Sebrae-MG, espera - se que a presente publicação possa auxiliá-los
nos desafios em promover o crescimento do município.

Saudações municipalistas,

Celso Cota Neto


Presidente da Associação Mineira de Municípios
Ficha Técnica
2008 Sebrae-MG
Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução total ou parcial,
de qualquer forma ou por qualquer meio, desde que divulgadas as fontes.

Sebrae-MG
ROBERTO SIMÕES
Presidente do Conselho Deliberativo

AFONSO MARIA ROCHA


Diretor Superintendente

LUIZ MÁRCIO HADDAD PEREIRA SANTOS


Diretor Técnico

MATHEUS COTTA DE CARVALHO


Diretor de Operações

Unidade de Políticas Públicas e Articulação Institucional Sebrae-MG


NAIR APARECIDA DE ANDRADE
Gerente

JEFFERSON NEY AMARAL


Supervisão

Assessoria de Comunicação Sebrae-MG


LAURO DINIZ
MÁRCIA DE PAULA DA FONSECA
FERNANDA ALMEIDA RUAS

Autor
FLÁVIO BARCELLOS GUIMARÃES

Gestão Editorial
MARGEM 3 COMUNICAÇÃO ESTRATÉGICA

Edição
ADRIANO MACEDO

Revisão de texto
BRENO LOBATO

Fotografia
IGNÁCIO COSTA

Produção fotográfica
FLÁVIO VIÉGAS E POLIANA NAPOLEÃO

Projeto Gráfico
ALFREDO ALBUQUERQUE

G963p Pequenos negócios e o desenvolvimento sustentável: manual de implementação


da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa em seu município. /
Flávio Barcellos Guimarães; supervisão, Jefferson Ney Amaral – Belo Horizonte :
Sebrae-MG, 2008.
96 p.

1.Desenvolvimento Municipal 2. Lei Geral da Micro e Pequena Empresa.


I. Amaral, Jefferson Ney II. Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de
Minas Gerais.
Índice

1 O que é a Lei Geral Municipal .................................................... 09

2 Muitas razões para implantar a Lei Geral Municipal ............... 16

3 Quando começar ......................................................................... 21

4 Quem precisa participar ............................................................. 22

5 Como elaborar e fazer em dez passos ........................................ 23

6 Um exemplo comentado para servir de referência .................. 27


6.1 Das disposições preliminares ............................................ 30
6.2 Da definição de microempresa e empresa de pequeno
porte ..................................................................................... 32
6.3 Da inscrição e baixa ............................................................ 34
6.4 Dos tributos e das contribuições ........................................ 44
6.5 Do acesso aos mercados...................................................... 48
6.6 Da simplificação das relações de trabalho......................... 54
6.7 Da fiscalização orientadora ................................................. 56
6.8 Do associativismo ................................................................ 58
6.9 Do estímulo ao crédito e à capitalização ........................... 61
6.10 Do estímulo à inovação..................................................... 66
6.11 Das regras civis e empresariais ........................................ 71
6.12 Do acesso à justiça ............................................................ 73
6.13 Do apoio e da representação ............................................ 77
6.14 Disposições finais e transitórias ....................................... 79

7 Anexos........................................................................................... 83
- Prêmio Prefeito Empreendedor – Uma Vitrine Nacional
- Casos de Sucesso
- Localize o Sebrae mais perto de você
8 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa
1 O que é a

Ano t a ç õ e s
Lei Geral Municipal
Para falar da Lei Geral Municipal, ou LGM, é preciso falar primeiro
da Lei Geral da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, ou
simplesmente Lei Geral.
A Lei Geral é a maior conquista das micro e pequenas empresas
do Brasil em sua história. Juridicamente falando, trata-se da Lei
Complementar nº 123, aprovada em 14 de dezembro de 2006.
A Lei Geral tem uma característica muito especial quando compa-
rada a outras leis. Ela exige uma ampla regulamentação via decre-
tos, portarias, resoluções e instruções normativas de todos os ór-
gãos e institutos que envolve. E esse é um processo sem fim, pois à
medida que a realidade muda, sua regulamentação também tem
que mudar.
Dentre os órgãos e estruturas que irão lidar permanentemente
com a Lei Geral, destaca-se o Comitê Gestor. Ele foi criado pela
própria Lei Geral e tem a missão de regulamentar continuamente
vários de seus artigos. Quem quiser saber mais sobre o Comitê
Gestor e acompanhar suas ações deve acessar na internet a página
oficial do Governo Federal sobre o Simples Nacional. O endereço
atual é o seguinte:
www.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional

O que é a Lei Geral Municipal | 9


O Sebrae Nacional, com o intuito de informar aos órgãos públicos e
às empresas de forma geral, também mantém um site na Internet
com todo o acervo legal, atualizado permanentemente, bem como
várias outras informações. É o local onde se encontra o maior acer-
vo sobre a Lei Geral, ponto de consulta obrigatória para quem vai
lidar com o tema. O endereço é:
www.leigeral.com.br

Por fim, temos ainda o site do Sebrae-MG sobre a Lei Geral. É nesse
espaço que todos os envolvidos na criação da Lei Geral Municipal
em seus municípios, em especial os de Minas Gerais, encontrarão
todas as informações necessárias sobre o assunto. Seu endereço é:
www.sebraemg.com.br/leigeral

10 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


E a Lei Geral Municipal? O que é?

Ano t a ç õ e s
A maioria dos artigos da Lei Geral já está valendo para todos os
estados e municípios do Brasil. Mas alguns dependem de ser regu-
lamentados localmente, e a lei obriga que isso seja feito. A regula-
mentação municipal da Lei Geral é o que estamos denominando
Lei Geral Municipal.
Deveria existir, portanto, uma Lei Geral Estadual. O Estado de Mi-
nas Gerais já regulamentou o capítulo da Lei Geral que fala so-
bre o tratamento diferenciado às micro e pequenas empresas nas
compras governamentais. Isso foi feito pelo Decreto n.º 44.630/07.
Esse decreto, as resoluções que o completam e outras informações
sobre como vender para o governo do Estado de Minas Gerais po-
dem ser vistos no site oficial na internet, no seguinte endereço:
www.compras.mg.gov.br

Como ainda não foram regulamentados outros pontos, não pode-


mos dizer que já existe uma Lei Geral Estadual, mas ela tende a ser
criada ainda em 2008. Quanto aos municípios, apesar do prazo já
estar vencido, pelo menos cinco já fizeram sua regulamentação.
Mesmo com o problema do prazo vencido, este manual ainda pro-
põe como primeira opção de regulamentação a criação de uma lei
específica, apesar da possibilidade da utilização dos decretos.

O que é a Lei Geral Municipal | 11


A Regulamentação da Lei Geral nos municípios

1ª Opção
Lei Geral Municipal participativa

A opção pela criação de uma lei utilizando um modelo participati-


vo possui poucas, mas consistentes razões:

• É complicado elaborar e aprovar uma lei, porém alterá-la é ainda


mais difícil;
• A participação da sociedade em sua criação tende a melhorar a
qualidade da lei, além de facilitar sua adoção efetiva por todos;
• Alguns dos tópicos propostos só podem ser feitos por lei.
Este manual usa essa opção com linha mestra. No capítulo 6.14 –
“Disposições finais e transitórias” (página 79) – é sugerida a criação
de um Comitê da Micro e Pequena Empresa (Comimpe), com a fun-
ção de auxiliar a administração pública municipal na criação e im-
plantação da Lei Geral Municipal. Sugerimos a leitura desse capítulo
antes dos demais.
A única desvantagem deste modelo é que sua implantação é mais
demorada. Como o prazo de regulamentação já venceu, o muni-
cípio ficará “inadimplente” por mais tempo. O Ministério Públi-
co ainda não sinalizou o início da cobrança da aplicação da lei.
Quando começar, deverá conceder prazo para que todos se regu-
larizem via termo de ajustamento de conduta. Os municípios que
estiverem em processo de criação certamente ganharão o prazo
necessário. Na pior das hipóteses, o prefeito muda de estratégia e
passa à 2ª Opção.

12 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


2ª Opção

Ano t a ç õ e s
Modelo Misto – Decretos e Lei Geral Municipal participativa

Seja por pressão do Ministério Público, seja por opção de colocar


esses instrumentos em funcionamento mais depressa, o prefeito
pode editar os seguintes decretos e cumprir essas duas finalida-
des:

• Definição das atividades consideradas de alto risco;


• Regulamentação dos artigos de tratamento diferenciado das MPE
nas compras da prefeitura;
• Criação do alvará provisório.

Cada um desses tópicos é discutido mais à frente no formato de


lei. Caso seja necessário regular por decreto, modelos dos mesmos
podem ser vistos no site:
www.sebraemg.com.br/leigeral.
O Comitê da Micro e Pequena Empresa (Comimpe), sugerido an-
teriormente, pode ser criado e ficar com a missão de ajudar na
elaboração e edição desses decretos. Em seguida, o Comimpe con-
duz o processo de criação da Lei Geral Municipal. A LGM pode, in-
clusive, substituir os decretos. Basta que regulamente os mesmos
temas, aperfeiçoando no que for possível, e revogue os decretos no
ato de sua promulgação.

O que é a Lei Geral Municipal | 13


3ª Opção
Exclusivamente Decretos

Este é o modelo menos indicado, por diversos motivos:

• Como vários itens facultativos só podem ser legislados por lei, o


potencial da Lei Geral será aproveitado parcialmente, dificultan-
do o alcance de todos os benefícios possíveis e desejados;
• A não participação da comunidade prejudicará a qualidade do
trabalho e dificultará a implantação e o funcionamento efetivos
da lei;
• Como decretos são facilmente substituídos, o município não con-
quistará um arcabouço jurídico mais estável, diminuindo a con-
fiança dos empresários em investir no local.

Essa, no entanto, deverá ser a opção daqueles que encontrarem


dificuldades para organizar o Comimpe e conduzir os trabalhos.
Prefeituras menos estruturadas física e politicamente deverão se
contentar com os decretos. E isso é melhor do que nada.
Um atenuante para esta opção seria a criação do Comimpe ape-
nas para auxiliar nos decretos. Certamente eles ficarão melhores
do que se feitos apenas pela equipe da prefeitura.

14 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Existem obrigações que já têm que ser

Ano t a ç õ e s
cumpridas e não exigem regulamentação?

Sim, algumas. Vejamos:

• A adesão ao Cadastro Sincronizado Nacional;


• Criação do local que centraliza os procedimentos de abertura e
fechamento das empresas no município - a Casa do Empreende-
dor;
• Os programas de apoio de diversas naturezas propostos ao longo
do texto.

Conclusões

Qualquer que seja o caminho escolhido pelo seu município, a esse


conjunto de instrumentos legais está sendo dado aqui o nome de
Lei Geral Municipal.
Reiteramos nosso entendimento de que o ideal é a 1ª Opção, pelo
menos enquanto o Ministério Público não definir sua estratégia
de ação. Se isso acontecer antes de criada a LGM no seu municí-
pio, muda-se de estratégia em função da necessidade. Isso só pode
ser avaliado na época.
O fato é que criar uma lei envolvendo a sociedade local é sem
dúvida o ideal. Isso contribui de maneira especial para que a legis-
lação seja de melhor qualidade técnica e política e que seja aceita
e seguida por todos com mais facilidade. Mudá-la torna-se algo
mais difícil, exigindo novas discussões com a comunidade, o que
impede de se tornar um instrumento político. E regras claras e
duradouras são um forte estímulo para os empreendedores.
Enfim, é desse universo de opções que este manual trata. O que ele
pretende é ser apenas um ponto de referência para todos aqueles
que irão se envolver com o assunto nos próximos meses em cada
município de Minas Gerais. A criação dessa lei, por tudo que pode
representar para o seu município, deve ser cercada de cuidados
especiais e de pessoas preparadas. Isso é muito mais importante
que qualquer manual.

O que é a Lei Geral Municipal | 15


2 Muitas razões para implantar
a Lei Geral Municipal
Se o que o leitor precisa é de razões para trabalhar pela implan-
tação da LGM em sua cidade, não vai ficar decepcionado ao ler a
lista abaixo:

I – É obrigação legal da prefeitura

Os 5.564 municípios brasileiros têm de aplicar as normas gerais de tra-


tamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às micro e peque-
nas empresas (MPE). É o que estabelece o artigo 1º da Lei Geral, inclu-
sive para os estados e para a União. O artigo 77, parágrafo 1º, diz:

O Ministério do Trabalho e Emprego, a Secretaria da Receita Federal,


a Secretaria da Receita Previdenciária, os Estados, o Distrito Federal
e os Municípios deverão editar, em 1 (um) ano, as leis e demais atos
necessários para assegurar o pronto e imediato tratamento jurídico
diferenciado, simplificado e favorecido às microempresas e às empre-
sas de pequeno porte.

Ou seja, o prefeito que não regulamentar e implantar os itens


obrigatórios de sua alçada pode ser processado pelo Ministério
Público ou pelos empresários que se virem prejudicados por essa
omissão. As implantações devem ser encaminhadas e cobradas da
equipe de secretários municipais e a regulamentação deve seguir
um dos caminhos sugeridos.

II – É uma oportunidade especial de impulsionar


o desenvolvimento local

Salvo raríssimas exceções, seu município se encaixa em uma das


seguintes situações:

16 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Cidade pequena, sem grandes empresas e com poucos

Ano t a ç õ e s
pequenos negócios:
A maioria das cidades mineiras se enquadra nessa situação.
A economia está estagnada ou decrescente, assim como o ta-
manho da população. Os jovens se mudam em busca de opor-
tunidades. Esses municípios sobrevivem basicamente de duas
fontes. A primeira são os repasses de verbas federais e estadu-
ais, que permitem que a prefeitura seja a grande empregadora
local. A segunda é a renda dos aposentados. A terceira fonte – o
setor privado urbano e rural – trabalha muito aquém de seu po-
tencial, não se caracterizando como uma fonte efetiva de renda.
São poucas e modestas as fazendas, lojas, padarias, restaurantes
e similares. Trazer uma grande empresa é algo que vai além das
possibilidades do prefeito. É preciso que o município já esteja
economicamente preparado para isso e/ou no lugar certo. As-
sim, investir nas pequenas empresas urbanas e rurais é o único
caminho. Só para se ter uma idéia, 70% dos municípios brasi-
leiros têm menos de 20.000 habitantes. Em Minas Gerais, esse
número sobe para 80%.

Cidade pequena, sem grandes empresas, mas com


muitos pequenos negócios:
Existe um número significativo de cidades com esse perfil.
Umas, por possuírem uma atividade rural forte, que por sua
vez estimula o comércio e os serviços urbanos. Outras, por con-
tarem com um ou dois pólos industriais fortes, com muitas em-
presas de um mesmo setor. E temos ainda as que são centros
comerciais e de serviços regionais, ou seja, vendem para a po-
pulação local e dos municípios do entorno. Em todos os casos, a
pequena empresa já é a base da economia. Apoiá-la é até uma
obrigação. Mais do que isso, é a via mais rápida para acelerar o
desenvolvimento.

Cidade pequena, com uma ou duas grandes empresas


e com poucos ou muitos pequenos negócios:
Existe um número razoável de municípios com esse perfil. Em geral,
possuem uma grande empresa. Se a empresa vai bem, a cidade tam-
bém. Muitos impostos, muitos empregos e bons salários. E vice-versa.

Muitas razões para implantar a Lei Geral Municipal | 17


Se a empresa vai mal, tudo vai mal. Se a empresa fecha, o impacto
sobre o município é imenso. O jeito de diminuir essa dependência é
a desconcentração. E o único setor sobre o qual o prefeito pode agir
efetivamente é o dos pequenos negócios.

Cidades médias e grandes:


Apenas 3% das cidades brasileiras são consideradas médias ou
grandes (com mais de 150.000 habitantes). Mesmo nelas é fun-
damental a participação das micro e pequenas empresas na mo-
vimentação da economia. Elas respondem por mais da metade
dos empregos e são as fornecedoras de bens, serviços e lazer para
a população. Por tudo isso, as MPE locais também merecem ser
muito bem tratadas.

Resumo
Em qualquer situação, promover as micro e pequenas empresas
é um ótimo negócio. Uma Lei Geral Municipal bem feita, que vai
além dos itens obrigatórios, é capaz de dar um novo impulso à
economia local. O resultado final é o desenvolvimento sócio-eco-
nômico do município.

III – Aprimorar a lei é a forma mais segura


de garantir que a arrecadação municipal
aumente

A questão tributária já foi definida pela Lei Geral nacional. O


município não tem poder de alterá-la, mas apenas de conceder
isenções ou reduções complementares do Imposto Sobre Serviços
(ISS), além de definir valor fixo desse imposto para os negócios
que tenham até R$ 10.000,00 de receita bruta mensal. Ainda existe
controvérsia quanto às isenções ou alíquotas abaixo de 2%, veda-
das pela Lei Complementar nº 116. A Lei Geral permite novamen-
te essas reduções para muitos especialistas, só que exclusivamente
para as MPE.
A expectativa é de que apenas os médios e grandes municípios

18 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


tenham alguma perda inicial com o ISS, que deverá ser compen-

Ano t a ç õ e s
sada com o aumento da formalização. Estudos da Receita Federal
apontam que, um ano depois da promulgação da antiga lei do
Simples, em 1996, a receita declarada pelas pequenas empresas
aumentou em 125%. Alguns municípios já têm mostrado fenô-
menos interessantes, como a identificação de centenas de em-
presas que desconheciam por não serem recolhedores de ISS.
Com tantas novas empresas no cadastro disponibilizado pela Re-
ceita Federal, estão podendo agora regularizar a cobrança das
taxas municipais.
Eis o ponto principal: uma Lei Geral Municipal que vai além dos
itens obrigatórios disponibiliza para a prefeitura muitos e novos
instrumentos para incentivar as pequenas empresas, e com isso
aumenta a formalização, o faturamento e os empregos gerados. A
conseqüência é o maior recolhimento dos impostos diretos e in-
diretos, além de propiciar que as pessoas empregadas e os lucros
distribuídos aos sócios também aqueçam a economia local e ge-
rem mais desenvolvimento e, conseqüentemente, mais impostos.
É o chamado círculo virtuoso.

IV – Melhoria da qualidade de vida local

Muitos municípios não têm oferta adequada de bens e serviços


para a população. Muitas vezes sequer têm a oferta, exigindo que
a população viva sem esse benefício ou tenha que se deslocar para
outras cidades para obtê-lo. Criar ou aumentar a qualidade e a
quantidade de itens ofertados em bares, restaurantes, salões de
beleza, farmácias, clínicas, livrarias, escritórios, postos, sacolões,
supermercados ou qualquer outro estabelecimento utilizado pela
população significa melhorar a qualidade de vida. É necessário
que os gestores públicos tenham uma visão clara sobre isto. São
as pequenas empresas locais que fornecem os itens básicos de
consumo da população. Uma boa Lei Geral Municipal pode ser
a diferença entre a instalação ou não de um novo negócio ou a
reforma / expansão de um já existente, ambas capazes de melhorar
a qualidade de vida local.

Muitas razões para implantar a Lei Geral Municipal | 19


V – Preparação para um mundo em
transformação

O mundo está cada vez mais integrado, informado, informatiza-


do e ao mesmo tempo complexo. Qualquer município que queira
acompanhar essa evolução tem que fazer a sua parte. Conhecer e
apoiar suas empresas são elementos fundamentais nesse proces-
so. Afinal de contas, a forma visível do progresso começa nelas.
A atividade empresarial é a mola mestra do sistema econômico
mundial, regional e local. Elas giram o mercado e seus impostos
giram a máquina pública. Sem empresas, não há nada.
O Brasil precisa de empresas cada vez mais modernas, prontas
para o comércio local, regional e global, ou seja, integradas, infor-
madas e informatizadas. É preciso que o poder público também
seja assim. A Lei Geral Municipal pode ser um bom passo para
isso. Ela busca a técnica, a ciência, a integração e a socialização da
informação e dos recursos. Busca ainda a participação da socieda-
de e a transparência.
Ao mesmo tempo, a Lei Geral vai ao encontro do modelo mais so-
nhado por qualquer política econômica e social de qualquer país,
que é o de mais empresas pagando menos impostos. Isso só será
possível percorrendo um longo e trabalhoso caminho, que exige
mudar a cultura de uma população que tem no não recolhimento
de impostos um ato comum, enquanto em países desenvolvidos
essa prática é motivo de punição. Uma boa Lei Geral Municipal é
um bom e largo passo em direção ao futuro que todos nós deseja-
mos para nós e nossos filhos.

20 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


3 Quem precisa participar

Ano t a ç õ e s
A principal responsabilidade legal é da prefeitura. Os decretos, por
exemplo, só podem ser feitos por ela. Mas como estamos falando
de regulamentação por meio de lei, a câmara municipal tem um
papel de mesma relevância.
O mais importante, no entanto, é a participação pró-ativa, com
foco no desenvolvimento da comunidade. Sob esse ponto de vista,
a responsabilidade é de todos, incluindo empresários e cidadãos.
Este manual sugere, nas “Disposições finais e transitórias” (pági-
na 79), a criação de um comitê amplo. O modelo escolhido como
principal é inclusivo, sugerindo e formatando a participação de
todos os personagens citados anteriormente. Mas não podemos
nos esquecer de duas questões. A primeira é que nem sempre o
município está preparado para fazer uma mobilização como a su-
gerida e no prazo disponível. A segunda é que o prefeito e os ve-
readores foram eleitos para representar a população, ou seja, têm
legitimidade e competência para criar e votar a lei.
No caso das entidades de representação empresarial, sugerimos
que não esperem convite para participarem dessa ação. Em vez de
serem mobilizadas, sugerimos que sejam protagonistas do proces-
so, impulsionando-o, como é do feitio do empreendedor. Por seu
conhecimento prático sobre o assunto, sua participação pode fazer
a diferença entre uma lei que funciona e uma que não funciona.
Por fim, ressaltamos que igual diferença pode fazer uma entidade
de representação dos trabalhadores, uma ONG ou um morador
atuante. Qualquer pessoa física ou jurídica que se dedicar ao as-
sunto será capaz de aperfeiçoar a lei e torná-la melhor para a co-
munidade.

Quem precisa participar | 21


4 Quando começar
Em resumo, o mais breve possível. O prazo dado pela Lei Geral
venceu em 14 de dezembro de 2007, um ano após sua promul-
gação. A Lei Geral segue assim o mesmo caminho de outras im-
portantes leis no Brasil, que demoram a ser efetivamente implan-
tadas. O Ministério Público ainda não se pronunciou a respeito
dos faltosos, mas em algum momento o fará. Como mais de 95%
dos municípios brasileiros ainda não regulamentaram a lei, existe
a possibilidade de o Ministério Público adotar a linha de firmar
termos de ajustamento de conduta com cada município que des-
cumpriu o prazo, estabelecendo uma nova data. Mas isso é apenas
uma hipótese.
Além do aspecto legal, é importante dizer que, a despeito de se
tratar de um ano com eleições municipais, o esforço de implan-
tação de uma Lei Geral Municipal seria excepcionalmente bom
para o município. A próxima gestão já tomará posse com todo o
ferramental disponível para a implantação de bons programas de
desenvolvimento econômico. Se a aprovação for rápida, a atual
gestão ainda poderá utilizá-los. Isso sem falar que o atual prefeito
já pode usar tudo que a Lei Geral permite sem regulamentação e
também pode regulamentar vários outros itens que só precisam
de um simples decreto de sua autoria.

22 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


5 Como elaborar e fazer

Ano t a ç õ e s
em dez passos
Este modelo prevê a participação da sociedade civil, pois se en-
tende que ela, em especial a classe empresarial, saberá contribuir
para que a lei municipal seja coerente com a realidade local. O
destaque para a classe empresarial só é feito porque a legislação
atingirá diretamente as empresas, podendo beneficiá-las, ou, por
outro lado, prejudicá-las, caso seja mal elaborada. Mas nada impe-
de que outros atores sociais sejam convocados a ajudar.

1º Passo
Montar um Comitê Municipal da Micro e Pequena Empresa
(Comimpe)
O caminho natural é que o prefeito tome a iniciativa. Primeiro, ele
deve articular as instituições que farão parte, fazendo o convite
em caráter informal. Uma boa equipe pode ser montada com:
• Representantes do Executivo - técnicos das secretarias munici-
pais de Planejamento, Fazenda e do Desenvolvimento Econômi-
co urbano e rural onde houver;
• Representantes do Legislativo - vereadores com prática em legis-
lar sobre assuntos ligados à atividade econômica;
• Representantes da Sociedade Civil – técnicos ou dirigentes de en-
tidades de representação empresarial e de conselhos municipais
e de outras organizações não governamentais com foco na ativi-
dade econômica, além de cidadãos com notório conhecimento
sobre o tema.
Uma vez aceitos os convites, o prefeito publica um decreto e em-
possa o comitê. Sugerimos que o mesmo não possua mais que
nove membros titulares, mais seus suplentes. Reuniões com exces-
so de pessoas tendem a não ser produtivas. Essa primeira etapa
pode ser cumprida em menos de 30 dias. O Comimpe permanece
trabalhando depois de promulgada a lei. No modelo de lei propos-
to, ele também é criado, pois diversas ações previstas em lei ainda
dependerão do mesmo.

Como elaborar e fazer em dez passos | 23


2º Passo
Elaboração do Programa de Trabalho
A primeira missão do comitê é analisar a questão em caráter geral
e então montar um programa de trabalho, ou seja, quem fará o
que, como e quando. A Lei Geral possui 14 capítulos e 11 temas.
A equipe coordenadora pode se dividir em três grupos e cada um
ficar responsável por três ou quatro temas. A organização e divisão
dos trabalhos podem ser feitas em apenas uma ou duas reuniões
objetivas.

3º Passo
Elaboração da primeira minuta do Projeto de Lei
Cada subgrupo deve ter um prazo para apresentar uma proposta
para cada tema que ficou sob sua responsabilidade, já em formato de
lei. Depois, o comitê se reúne e debate todos os temas, consolidando
todo o material em um único projeto de lei. Nos temas em que não
houver consenso, constarão do documento as propostas divergentes
e as razões das divergências. Este material deve então ser encaminha-
do ao prefeito. Para sua perfeita compreensão, devem ser produzidos
anexos ao projeto, tantos quantos se fizerem necessários.

4º Passo
Revisão e encaminhamento do Projeto de Lei à Câmara
Com a proposta elaborada pelo comitê em mãos, cabe ao prefeito
revisá-la e adotá-la na íntegra ou em parte. O projeto de lei seria
então encaminhado solenemente para tramitação na câmara mu-
nicipal.

5º Passo
Aprovação na câmara
Nesta etapa, estão os dois principais desafios: não deixar o projeto
perder suas características fundamentais e aprová-lo em tempo
compatível com a urgência exigida. Para tal todos os participantes
do comitê, bem como o próprio prefeito e assessores, devem se
dedicar à questão. A palavra de ordem é articular.

24 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


6º Passo

Ano t a ç õ e s
Promulgar a lei e editar os decretos complementares necessários
De forma geral, a lei ainda exigirá alguns decretos complementa-
res. Um modelo para cada um deles deverá ser elaborado e enca-
minhado ao prefeito pelo comitê junto com a lei aprovada. Caberá
ao executivo municipal promulgar a lei e publicar os decretos de-
vidamente revisados.

7º Passo
Divulgar a lei na sociedade
A publicidade da nova lei é muito importante para produzir os
efeitos necessários o mais breve possível. Todos os itens de aplica-
ção imediata já podem ser divulgados e executados.

8º Passo
Cumprir as determinações da lei
A Lei Geral e a Lei Geral Municipal exigem do poder público local
ações complementares de diversas naturezas. Ao longo dos meses
subseqüentes deverão se realizados trabalhos de desburocratiza-
ção, mudanças de rotinas nas aquisições públicas, implantação de
novos serviços e programas, dentre outros. O comitê pode e deve
continuar coordenando esses trabalhos mais específicos, garanti-
do que todos sejam executados na forma e prazos previstos em lei.
Mais do que isso, deve articular com os governos federal e esta-
dual, viabilizando a vinda para o município de seus programas e
recursos com foco no desenvolvimento econômico e nas micro e
pequenas empresas.

9º Passo
Divulgar os novos benefícios e serviços
À medida que forem sendo implantados, os novos benefícios e
serviços devem ser divulgados à população, permitindo que todos
conheçam as novas oportunidades, facilidades e vantagens de se
empreender naquela localidade.

Como elaborar e fazer em dez passos | 25


10º Passo
Monitoramento contínuo
O último e fundamental passo é implantar um sistema de monito-
ramento contínuo de eficiência e eficácia dos benefícios, serviços
e programas implantados. Dificilmente todos funcionarão como o
previsto, exigindo que ao longo do tempo sejam aperfeiçoados até
alcançarem as metas para as quais foram criados. Esse papel pode
ser dividido entre todas as instituições que compuseram o Comitê
da Lei Geral.

26 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


6 Um exemplo comentado para

Ano t a ç õ e s
servir de referência
A elaboração de uma lei nem sempre é tarefa fácil, pois pode en-
volver diversos interesses, legítimos ou não, de diferentes setores
da sociedade. Além disso, exige cuidados especiais em sua reda-
ção. Textos mal elaborados podem gerar interpretações distintas,
ocasionando erros de aplicação da lei e, como conseqüência, inevi-
táveis demandas judiciais. Todo cuidado é pouco.
Este manual adotou a idéia de apresentar um modelo geral, já na
forma de lei. Conduzir os trabalhos tendo como ponto de partida
um exemplo já provou ser, na maioria das vezes, a forma mais
eficiente. As pessoas têm mais facilidade de entender aonde se
quer chegar e quais instrumentos têm à disposição. Junto com
o exemplo, é colocada uma regra básica: é permitido modificar
tudo, ou seja, a lei a ser criada pode ser completamente diferente
do exemplo utilizado. É fundamental ainda consultar a legislação
municipal já existente, procurando compatibilizá-la com a nova.
Para a construção desse exemplo, foram estudadas publicações do
Sistema Sebrae e algumas leis municipais já implantadas, todas
muito úteis. Também foi de grande contribuição a experiência em
elaboração de leis e programas de políticas públicas dos técnicos
do Sebrae-MG e também dos consultores contratados, que adota-
ram os seguintes parâmetros básicos como referência:
• Texto simples, claro, de fácil entendimento para o cidadão co-
mum, tanto na lei, quanto no manual;
• Adoção da mesma sistematização (capítulos) da Lei Geral como
forma de facilitar o entendimento, a discussão e a elaboração de
cada parte. Recomendamos a utilização deste recurso didático e
organizacional durante todo o processo de elaboração da lei, dei-
xando para retirá-los, se for o caso, apenas nas versões finais;
• Ser o mais amplo possível, incorporando sugestões em todos
os temas. A percepção comum é de que eliminar é mais fácil
que acrescentar. Assim, cada município avalia o que cabe em
sua realidade, cortando aquilo que não se aplica. Naturalmente,
nem tudo foi incluído. Outros artigos não apresentados neste
manual poderão ser sugeridos pelos participantes e acatados
pelo comitê.

Um exemplo comentado para servir de referência | 27


Além do texto de referência, acrescentamos, capítulo por capítulo,
uma série de comentários e informações complementares, todos
com a missão de auxiliar nas discussões. Este anexo é composto
dos seguintes itens:

Comentários
Neste primeiro item, é feito um resumo comentado do capítulo e
seus artigos. O objetivo é explicar de forma simples aquela parte
da lei e as razões pelas quais ela está ali.

Indicação de utilização
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório
Cada capítulo (ou parte dele) é classificado segundo um dos tipos
acima. Em seguida à classificação, é feito um comentário justifi-
cando-a. O objetivo é auxiliar as pessoas a saberem o que colocar
na lei e por quê.

Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais


Muitos artigos estabelecem prazos, quantidades, valores e percen-
tuais a serem obedecidos ou alcançados. Números precisam ser
colocados na lei, mas com muita atenção. Eles podem tornar o ar-
tigo sem valor prático se não criarem obrigações reais ou criarem
obrigações impossíveis de serem cumpridas. Nenhuma lei pode
ficar aquém ou ir além da realidade local.

Referências Legais
A Lei Geral Municipal tem que se referenciar obrigatoriamente
na Lei Geral, o que já é feito no primeiro artigo. Mas outras re-
ferências são necessárias ou recomendáveis. A consulta a outras
leis também é importante, tanto para se obter mais informações
quanto para não gerar conflitos com as mesmas. Cabe aqui espe-
cial atenção à legislação municipal existente.

28 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Programas Estaduais e Federais

Ano t a ç õ e s
O manual aproveita a oportunidade para mostrar a existência de
alguns programas públicos em níveis estadual e federal que de-
vem ser considerados durante a elaboração da lei. Alguns exigem
autorizações legais para serem adotados pelo município, o que
pode ser feito de uma vez, aproveitando a oportunidade.

Soluções Alternativas
Alguns capítulos podem ser implantados valendo-se de decretos
do Executivo ou por leis menores, específicas, mais fáceis de serem
aprovadas. Essas alternativas são mostradas como uma opção no
caso de dificuldades em se fazer um projeto maior e mais bem
elaborado.

Fontes de Informações Complementares


Praticamente todos os capítulos e temas podem ser objetos de es-
tudos mais aprofundados. Neste tópico são citadas fontes onde o
leitor mais interessado ou necessitado de mais dados, argumentos
ou sugestões pode encontrar informações complementares.

Um exemplo comentado para servir de referência | 29


6.1 - Capítulo I
Das disposições preliminares

Artigo 1º - Esta lei regulamenta o tratamento jurídico diferenciado,


simplificado e favorecido assegurado às microempresas e empresas
de pequeno porte (MPE), doravante simplesmente denominadas
MPE, em conformidade com o que dispõe os artigos 146, III, d, 170,
IX, e 179 da Constituição Federal e a Lei Complementar Federal nº.
123, de 14 de dezembro de 2006, criando a Lei Geral Municipal da
Microempresa e Empresa de Pequeno Porte.
Artigo 2º - Esta lei possui os seguintes capítulos e trata das suas
respectivas normas:
I – Das disposições preliminares;
II - Da definição de microempresa e empresa de pequeno porte;
III – Da inscrição e baixa;
IV – Dos tributos e das contribuições;
V – Do acesso aos mercados;
VI - Da simplificação das relações de trabalho;
VII – Da fiscalização orientadora;
VIII – Do associativismo;
IX – Do estímulo ao crédito e à capitalização;
X – Do estímulo à inovação;
XI – Das regras civis e empresariais;
XII – Do acesso à justiça;
XIII – Do apoio e da representação;
XIV – Das disposições finais e transitórias.

Comentários
Este capítulo trata apenas da introdução da lei. Tem caráter buro-
crático e legal. O artigo 2º deve descrever os temas sobre os quais
a lei trata. Nesse caso, fizemos uma opção de natureza didática. Os
temas são os títulos dos capítulos, que por sua vez são os mesmos
da Lei Geral. A idéia é que isso facilite o processo de elaboração
da lei municipal.
A sugestão é manter os dois artigos. O 2º deve ser alterado de for-
ma a descrever o que efetivamente ficou na lei. A manutenção do
modelo usado, repetindo os capítulos da Lei Geral, é uma opção
a ser considerada. Suas vantagens e desvantagens são vistas ao
longo do texto.

30 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Indicação de utilização

Ano t a ç õ e s
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório
Toda lei precisa de uma introdução da natureza do artigo 1º e a
maioria possui um resumo sobre do que se trata, como o artigo 2º,
o que facilita sua consulta.

Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais


Nenhum. Este capítulo não trata de prazos, quantidades, números
e percentuais.

Referências Legais
A referência legal necessária é a que diz se tratar de uma regu-
lamentação da Lei Geral. As citações aos artigos da Constituição
são opcionais, apenas de caráter didático-informativo. Também
sugerimos sua colocação. O nome dado – Lei Geral Municipal da
Microempresa e Empresa de Pequeno Porte – também é opcio-
nal, porém recomendado. A idéia é consolidar em nível nacional
que todo município precisa ter uma lei geral das MPE. Qualquer
pessoa interessada em empreender em uma determinada locali-
dade vai querer saber antes de tudo como é a Lei Geral Municipal
local.

Programas Estaduais e Federais


Não se aplica.

Soluções Alternativas
Não se aplica.

Fontes de Informações Complementares


Apenas o próprio texto da Lei Geral, que trata da necessidade de
regulamentação municipal.

Das disposições preliminares | 31


6.2 - Capítulo II
Da definição de microempresa e empresa de
pequeno porte

Artigo 3º - Para os efeitos desta lei, ficam adotados na íntegra os


parâmetros de definição de microempresa e empresa de pequeno
porte (MPE) constantes do Capítulo II da Lei Complementar nº
123, de 14 de dezembro de 2006, bem como as alterações feitas
por resoluções do seu Comitê Gestor.

Comentários
Os parâmetros de classificação de porte das empresas que regem a
Lei Geral Municipal são determinados pela Lei Geral, não cabendo
aqui legislar sobre eles. Assim, consideramos desnecessário repeti-
los, porque irão variar ao longo dos anos, uma prerrogativa do Co-
mitê Gestor. O objetivo é que haja periodicamente uma correção
das faixas à medida que a inflação a exigir ou que ocorram mudan-
ças, como política de ampliação ou diminuição dos beneficiados,
segundo interesses do governo. Não entraremos na avaliação do
mérito desse artigo, ou seja, se as faixas são adequadas e se o po-
der dado ao Comitê Gestor de mudá-las é pertinente. No caso de
Minas Gerias, por se tratar de estado responsável por mais de 5%
do PIB nacional, a classificação é a principal do corpo da lei.
Existe a possibilidade de a Lei Geral Municipal criar uma ou mais
classificações alternativas, mas apenas para restringir ou ampliar
benefícios de programas criados por ela e que não sejam regidos
pela Lei Geral. No entanto, consideramos não ser essa uma prática
recomendável, pois pode gerar maiores dificuldades tanto no en-
tendimento da lei quanto na sua aplicação.

Indicação de utilização
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório
Indicado para municípios de todos os portes. Apesar do artigo 1º já dizer

32 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


que se trata de uma regulamentação da Lei Geral, é importante avisar a

Ano t a ç õ e s
quem está lendo a Lei Geral Municipal sobre a necessidade de verificar
os parâmetros de enquadramento, evitando-se que a estude desneces-
sariamente ou com o foco equivocado. Como esses parâmetros mudam
em nível federal, é para lá que o leitor deve ser direcionado.

Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais


Nenhum – Este capítulo não trata de prazos, números e percentuais.

Referências Legais
A referência legal necessária é a feita no próprio artigo 3º, reme-
tendo à consulta à Lei Geral e às resoluções do Comitê Gestor. As
deliberações do Comitê Gestor estão disponíveis no site da Receita
Federal dedicado ao Simples Nacional, no item Legislação:
www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/

Programas Estaduais e Federais


Não se aplica.

Soluções Alternativas
Não se aplica.

Fontes de Informações Complementares


Classificação das MPE segundo seu porte é um tema relativamente
complexo ou, pelo menos, confuso. No endereço eletrônico www.se-
braemg.com.br/leigeral o leitor encontrará uma seção sobre o tema.
Essa discussão, no entanto, não atinge de forma prática esta lei.

Da definição de microempresa e empresa de pequeno porte | 33


6.3 - Capítulo III
Da inscrição e baixa

Artigo 4º - O município passa a utilizar o Cadastro Sincronizado


Nacional, criado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ten-
do seus técnicos da área fazendária e de tecnologia da informação
o prazo de 30 (trinta) dias para iniciar os processos de formatação
de sistemas e 1 (um) ano para a conclusão e a efetiva disponibliza-
ção para os beneficiários.
Artigo 5º - A administração pública municipal deverá em 180
(cento e oitenta) dias criar e colocar em funcionamento a Casa do
Empreendedor, espaço físico em local de fácil acesso à população
e sem custos pelo uso de seus serviços.
Parágrafo Único - A denominação Casa do Empreendedor adota-
da nesta lei é de caráter sugestivo, cabendo à administração públi-
ca municipal escolher seu efetivo nome.
Artigo 6º - A Casa do Empreendedor deverá abrigar obrigatoria-
mente os seguintes recursos e serviços:
I – Concentrar o atendimento ao público no que se refere a todas
as ações burocráticas necessárias à abertura, regularização e
baixa no município de empresários e empresas, inclusive as
ações que envolvam órgãos de outras esferas públicas, de modo
a evitar a duplicidade de exigências e garantir a linearidade e
agilidade do processo na perspectiva do usuário;
II – Disponibilizar todas as informações prévias necessárias ao em-
presário para que ele se certifique, antes de iniciar o processo
de abertura da empresa, de que não haverá restrições relativas
à sua escolha quanto ao tipo de negócio, local de funciona-
mento e razão social (homonímia), bem como das exigências
legais a serem cumpridas nas esferas municipal, estadual e
federal, tanto para abertura quanto para o funcionamento e
baixa;
III – Disponibilizar referências ou atendimento consultivo para
empresários e demais interessados em informações de natu-
reza administrativa, mercadológica, gestão de pessoas e pro-
dução;
IV – Disponibilizar acervos físicos e eletrônicos sobre a gestão dos
principais tipos de negócios instalados no município;

34 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


V – Disponibilizar informações atualizadas sobre captação de cré-

Ano t a ç õ e s
dito pelas MPE;
VI – Oferecer infra-estrutura adequada para todas as atividades des-
critas neste artigo, incluindo acesso à internet pelos usuários;
VII – Disponibilizar as informações e meios necessários para fa-
cilitar o acesso das MPE locais aos Programas de Compras
governamentais no âmbito municipal, estadual, federal e in-
ternacional.
Parágrafo Único. Para o disposto nesse artigo, a administração pú-
blica municipal poderá se valer de convênios com outros órgãos
públicos e instituições de representação e apoio às MPE.
Artigo 7º - Os requisitos de segurança sanitária, metrologia, con-
trole ambiental e prevenção contra incêndios de alçada do municí-
pio, para os fins de registro e legalização de empresários e pessoas
jurídicas, deverão ser simplificados, racionalizados e uniformiza-
dos pelos órgãos envolvidos na abertura e fechamento de empre-
sas, no âmbito de suas competências.
§ 1º - Exceto nos casos em que o grau de risco da atividade seja
considerado alto, os municípios emitirão Alvará de Funcio-
namento Provisório na forma prevista no artigo 9º.
§ 2º - A administração pública municipal e seus órgãos e entidades
municipais competentes definirão, em 3 (três) meses, conta-
dos da publicação desta lei, as atividades cujo grau de risco
seja considerado alto e que exigirão vistoria prévia.
Artigo 8º - Os órgãos e entidades municipais competentes terão o
prazo máximo de 21 (vinte e um) dias para realizarem as vistorias
prévias solicitadas por MPE com atividades cujo grau de risco seja
considerado alto pela legislação vigente.
§ 1 - O não cumprimento do prazo previsto no caput deste artigo
faculta à MPE o direito de solicitar o Alvará de Funcionamen-
to Provisório, reservado o direito de o município cancelá-lo
após vistoria, desde que concedido o prazo de 90 (noventa)
dias para a empresa interromper a atividade de risco ou re-
gularizar a situação quando possível.
§ 2º - O disposto no parágrafo primeiro deste artigo não se aplica
no caso de atividade que esteja colocando em risco imediato
a saúde de funcionários, clientes ou pessoas que freqüentam
as proximidades da empresa, podendo, nesses casos, ocorrer
o impedimento imediato das atividades.

Da inscrição e baixa | 35
Artigo 9º - A administração pública municipal passará a emitir o
Alvará de Funcionamento Provisório Digital, doravante denomina-
do Alvará Digital para as MPE, desde que respeitadas as seguintes
condições:
I – Só poderão utilizar o sistema as atividades que não sejam clas-
sificadas como de grau de risco alto;
II – Todos os procedimentos deverão ser feitos via sistema eletrô-
nico específico disponibilizado pela administração pública
municipal na internet, tornando desnecessário o deslocamen-
to físico do interessado;
III – O sistema deverá ser de fácil utilização pelo cidadão comum,
com formulários e instruções simplificadas;
IV – O pedido de Alvará Digital será iniciado pelas consultas pré-
vias para fins de localização e homonímia, devendo o órgão
competente responder em um prazo máximo de 48 (quarenta
e oito) horas por meio do próprio sistema;
V – Uma vez aprovadas as consultas prévias, caberá ao cidadão
promover o registro público de empresário individual ou con-
trato social e eventual ata junto ao órgão competente;
VI – O pedido do Alvará Digital deverá conter obrigatoriamente
cópias digitais do registro público de empresário individual
ou contrato social e ata, e do termo de responsabilidade mo-
delo-padrão, disponibilizado no próprio sistema, devidamen-
te assinado.
VII - O pedido de Alvará Digital deverá ser feito no mesmo sistema
da consulta prévia, utilizando o mesmo número de processo,
devendo o órgão competente responder em um prazo máxi-
mo de 48 (quarenta e oito horas) por meio do próprio siste-
ma, com o envio simultâneo do Alvará Digital;
VIII – No caso excepcional de algum impedimento, o órgão com-
petente deverá comunicar com clareza e objetividade as
razões e os procedimentos necessários de ambas as partes
para a solução do impedimento.
§ 1º - As atividades que não se enquadrarem nas condições acima,
as atividades eventuais e de comércio ambulante e aquelas
que preferirem o processo presencial utilizarão a Casa do
Empreendedor para a obtenção do Alvará de Funcionamen-
to Provisório em condições similares de prazo e exigências
aos do Alvará Digital.

36 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


§ 2º - O termo de responsabilidade mencionado no inciso VI deste

Ano t a ç õ e s
artigo deverá citar com clareza as responsabilidades do em-
presário, com destaque para a inexistência de riscos à inte-
gridade das pessoas que trabalham ou freqüentam o local.
Artigo 10 - O Alvará Provisório será declarado nulo se:
I – Expedido com inobservância de preceitos legais e regulamen-
tares;
II – Ficar comprovada a falsidade ou inexatidão de qualquer de-
claração ou documento ou o descumprimento do termo de
responsabilidade firmado.
Artigo 11 - A presente lei não exime o contribuinte de promover a
regularização perante os demais órgãos competentes, assim como
nos órgãos fiscalizadores do exercício profissional.
Artigo 12 - Será pessoalmente responsável pelos danos causados
à empresa, município e terceiros os empresários que tiverem seu
Alvará Provisório declarado nulo por se enquadrarem no item II
do artigo anterior.
Artigo 13 - O poder público municipal poderá impor restrições
adicionais à emissão do Alvará Provisório no resguardo do interes-
se público, mediante fundamentação normativa.
Artigo 14 - O Alvará Provisório será substituído pelo alvará regula-
do pela legislação municipal vigente no prazo máximo de 10 (dez)
dias após a realização da vistoria, desde que a mesma não consta-
te qualquer irregularidade.
Parágrafo Único. Constatadas irregularidades sanáveis e que não
importem risco alto, será concedido um prazo de 30 (trinta) dias
para regularização das mesmas, prazo este em que o Alvará Provi-
sório ainda será válido.
Artigo 15 - O registro dos atos constitutivos, de suas alterações
e extinções (baixas) referentes a empresários e pessoas jurídicas
em qualquer órgão municipal envolvido no registro empresarial
e na abertura da empresa, ocorrerá independentemente da regu-
laridade de obrigações tributárias, previdenciárias ou trabalhistas,
principais ou acessórias do empresário, da sociedade, dos sócios,
dos administradores ou de empresas de que participem, sem pre-
juízo das responsabilidades do empresário, dos sócios ou dos ad-
ministradores por tais obrigações, apuradas antes ou após o ato
de extinção.

Da inscrição e baixa | 37
§ 1º - O arquivamento nos órgãos de registro municipais dos atos
constitutivos e de registro de empresários, sociedades em-
presariais e demais equiparados que se enquadrarem como
MPE, bem como o arquivamento de suas alterações, são dis-
pensados das seguintes exigências:
I – certidão de inexistência de condenação criminal, que será substituí-
da por declaração do titular ou administrador, firmada sob as penas
da lei, de não estar impedido de exercer atividade mercantil ou a
administração de sociedade, em virtude de condenação criminal;
II – prova de quitação, regularidade ou inexistência de débito refe-
rente a tributo ou contribuição de qualquer natureza.
§ 2º - Não se aplica às microempresas e às empresas de pequeno
porte a necessidade dos atos e contratos constitutivos serem
visados por um advogado, como dispõe o § 2º do art. 1º da
Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994.
Artigo 16 - Não poderão ser exigidos pelos órgãos e entidades en-
volvidos na abertura e fechamento de MPE:
I – Excetuados os casos de autorização prévia, quaisquer docu-
mentos adicionais aos requeridos pelos órgãos executores do
Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins e do
Registro Civil de Pessoas Jurídicas;
II – Documento de propriedade ou contrato de locação do imóvel
onde será instalada a sede, filial ou outro estabelecimento, sal-
vo para comprovação do endereço indicado;
III – Comprovação de regularidade de prepostos dos empresários
ou pessoas jurídicas com seus órgãos de classe, sob qualquer
forma, como requisito para deferimento de ato de inscrição,
alteração ou baixa de empresa, bem como para autenticação
de instrumento de escrituração.
Artigo 17 - Fica vedada a instituição de qualquer tipo de exigência
de natureza documental ou formal, restritiva ou condicionante,
pelos órgãos envolvidos na abertura e fechamento de empresas
que exceda o estrito limite dos requisitos pertinentes à essência do
ato de registro, alteração ou baixa da empresa.
Artigo 18 - As MPE que se encontrem sem movimento há mais
de três anos poderão dar baixa nos registros dos órgãos públicos
municipais, independentemente do pagamento de taxas ou mul-
tas devidas pelo atraso na entrega das declarações, sem prejuízo à
responsabilidade pessoal dos sócios quando for o caso.

38 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Artigo 19 - As MPE, quando da renovação do Alvará de Funcio-

Ano t a ç õ e s
namento, desde que permaneçam na mesma atividade empresa-
rial, no mesmo local e sem alteração societária, terão a renovação
automática e com dispensa do pagamento das taxas correspon-
dentes.
Artigo 20 - Ao requerer o Alvará Provisório, o contribuinte poderá
solicitar o primeiro pedido de Autorização de Impressão de Docu-
mentos Fiscais, que será concedida juntamente com a Inscrição
Municipal.

Comentários
Este é um dos capítulos mais importantes da Lei Geral e, portanto,
da Lei Geral Municipal. A burocracia para abrir e fechar uma em-
presa sempre foram grandes entraves aos empreendedores.
Pela sua complexidade, este capítulo exige uma leitura atenta da Lei
Geral. As principais conclusões que retiramos dessa leitura são:
• O município não tem obrigação de aderir ao Cadastro Sincro-
nizado Nacional, apesar desse procedimento ser altamente in-
dicado;
• Existe uma clara obrigatoriedade no § 2º do artigo 6º. É dado o
prazo de seis meses para que a prefeitura defina as atividades de
grau de risco elevado, que exigem vistoria prévia antes de emis-
são do alvará. Esse prazo venceu em 14 de junho de 2007. Nas
referências abaixo indicamos listas com essas atividades.
• Também são claras as limitações quanto às exigências da con-
sulta prévia e as dispensas documentais na abertura e baixa das
empresas – as últimas já estão em vigor.
• Os demais artigos objetivam obrigar as prefeituras a liderarem
um processo que leve à simplificação dos processos de abertura e
fechamento a partir de dois instrumentos: unicidade de processo
e criação da figura do Alvará Provisório.
• A unicidade de processos é baseada em experiências de muito
sucesso em grandes centros e se dá, na prática, na abertura de
um escritório que concentre todos os órgãos e procedimentos
ligados à abertura e fechamento de uma empresa, em especial
a abertura. Minas Gerais tem a experiência do programa Minas
Fácil. Assim, o empresário vai a apenas um lugar, onde além de
cumprir as formalidades, recebe orientações de natureza empre-
sarial, aumentando suas chances de sucesso.

Da inscrição e baixa | 39
• Já a figura do Alvará Provisório, apesar de já existir em alguns
lugares, é de forma geral uma novidade no Brasil. Ela faculta ao
empresário poder iniciar suas atividades logo após registrar sua
empresa, desde que ela não esteja enquadrada como atividade
de risco alto. Ficam, assim, invertidos os papéis. O governo passa
a procurar o empresário para formalizar em definitivo a empre-
sa, e não o contrário.
• O problema dessa parte da lei é que não são dados prazos para
seu cumprimento, nem são previstas penas para seu descumpri-
mento, ficando em aberto como Ministério Público e Judiciário
irão se posicionar. Mas, na melhor das hipóteses, configura-se ato
de improbidade administrativa.

Posto tudo isso, as sugestões deste manual são:


• Que a administração pública implante o capítulo em sua plenitu-
de, pois além de evitar problemas legais, irá prestar um grande
serviço ao setor produtivo local e a seu próprio corpo funcional,
que poderá se dedicar a outras atividades, que não a conferência
de burocracia e fiscalizações inócuas.
• Que o município vá além do que exige ou sugere a lei, criando a
Casa do Empreendedor, local que cumprirá um papel mais impor-
tante que o de facilitar a abertura e o fechamento das empresas:
o de orientá-las sobre como nascerem realmente preparadas para
prosperar. As experiências existentes mostram que essas orientações
evitam que empresas nasçam antes de estarem efetivamente estru-
turadas e que o índice de mortalidade das empresas registradas nes-
ses órgãos é muito menor que o das que nascem tradicionalmente.
• Além disso, a Casa do Empreendedor servirá de centro de infor-
mações para a prefeitura implementar suas políticas públicas com
foco no empresariado local, aferindo necessidades e mantendo um
banco de dados com informações sobre as aptidões locais, fruto da
abertura de empresas e consultas feitas pelos empreendedores.

Indicação de utilização
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório

40 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Como colocado nos comentários, o capítulo é em parte “Obrigató-

Ano t a ç õ e s
rio” e em parte “Indicado para todos os municípios”. O texto aqui
proposto é bastante amplo e às vezes repete partes da Lei Geral. O
objetivo foi torná-lo claro e auto-suficiente, ou seja, ele dispensa a
consulta à Lei Geral para seu entendimento.

Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais


Neste capítulo estão sugeridos oito prazos, ou seja, é preciso muita
atenção. Parte dos prazos é dada à administração pública munici-
pal para implantar os artigos da lei. Eles cobrem a lacuna deixada
pela Lei Geral, que não criou tais prazos. Deve-se ter o cuidado de
não estrangular em demasia a administração pública municipal,
mas também não se pode deixar o assunto perdido no tempo. A
outra parte se refere a prazos processuais, que deverão ser cum-
pridos no dia-a-dia pelos órgãos ligados à abertura das empresas.
Devem ser justos com as duas partes, empresário e poder público.
Os prazos sugeridos aqui tentam ser razoáveis em todos estes as-
pectos.

Referências Legais
A principal, naturalmente, é a própria Lei Geral, em seu Capítulo
III. Também devem ser consultadas as leis municipais locais, pois
é possível que partes delas tenham que ser revogadas ou altera-
das, o que tem que ser acrescido ao corpo da Lei Geral Municipal.

Programas Estaduais e Federais


O programa Minas Fácil, do governo estadual de Minas Gerais, é
uma iniciativa de sucesso quanto à simplificação da abertura de
empresas. Conheça o programa no site www.minasfacil.mg.gov.br
e verifique a possibilidade de estendê-lo ao seu município.
Na página do Cadastro Sincronizado Nacional podem ser encon-
tradas todas as informações sobre como aderir ao mesmo:

Da inscrição e baixa | 41
www.receita.fazenda.gov.br/CadastroSincronizado/CadSincrDe-
fault.htm

Outro site que deve ser consultado é o do Programa Fácil do De-


partamento Nacional de Registro Comercial (DNRC):
www.facil.dnrc.gov.br

O Banco de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais (BDMG)


disponibiliza uma linha de crédito para modernização institucio-
nal que, eventualmente, pode financiar a implantação da Casa do
Empreendedor e seus sistemas de informática. Procure no site da
instituição o Programa NOVO SOMA:
www.bdmg.mg.gov.br/solucoes_bdmg/novo_somma.asp

42 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Soluções Alternativas

Ano t a ç õ e s
Caso a administração pública municipal não fique sensibilizada
com esses argumentos ou enfrente dificuldades especiais, sugeri-
mos que promulgue um decreto que:
• Atenda à exigência de classificar as atividades de risco alto (§2º
do artigo 6º);
• Institua a figura do Alvará Provisório;
• Crie um grupo para estudar a viabilidade de implantação dos
demais itens da lei.

Fontes de Informações Complementares


Nossa indicação é uma visita ao site da Central Fácil de Arapiraca
(Alagoas). Trata-se de um projeto de muito sucesso em uma cida-
de do interior:
www.sebrae.com.br/uf/alagoas/produtos-e-servicos/central-facil/fa-
cil-arapiraca.

Por fim, indicamos uma visita ao site da Lei Geral do Sebrae-MG,


onde podem ser encontradas diversas experiências de Central Fá-
cil similares às Casas do Empreendedor em todo o Brasil:
www.sebraemg.com.br/leigeral.
Também está disponível um modelo de decreto para classificar
atividades de risco alto.

Da inscrição e baixa | 43
6.4 - Capítulo IV
Dos tributos e das contribuições
Seção I - Da instituição e abrangência

Artigo 21 - O recolhimento do Imposto sobre Serviços de Qual-


quer Natureza (ISSQN) das empresas optantes pelo Regime Espe-
cial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos
pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Na-
cional) passa a ser feito como dispõe a Lei Complementar nº 123,
de 14 de dezembro de 2006.
Artigo 22 - Os prazos de validade das notas fiscais, contados da
data da respectiva impressão, passam a ser os seguintes:
I - 12 (doze) meses para as MPE com até 24 (vinte e quatro) meses
de funcionamento;
II - 24 (vinte e quatro) meses para as MPE com mais de 24 (vinte
e quatro) meses e menos de 36 (trinta e seis) meses de funcio-
namento;
III - 36 (trinta e seis) meses para as empresas com 36 (trinta e seis)
ou mais meses de funcionamento.
Parágrafo Único. As notas fiscais remanescentes não possuem va-
lidade no caso de interrupção das atividades da empresa, mesmo
nos casos em que a baixa não tenha sido realizada, caracterizando
crime tributário a sua utilização.
Artigo 23 - As MPE não reterão qualquer valor a título de ISSQN
e nem terão qualquer valor retido, salvo as previstas em legislação
de âmbito federal.
Artigo 24 - A prova da data do efetivo encerramento das atividades
das MPE poderá se feita com base na data da última nota fiscal
emitida pela empresa ou, na sua inexistência, por um dos seguin-
tes itens:
I - pela comprovação do registro de outra empresa no mesmo local;
II - pela comprovação da entrega do imóvel ao locador;
III - pela comprovação do desligamento de serviços ou forneci-
mentos básicos, tais como água, energia elétrica e telefonia;

44 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


IV – por declaração assinada por um dos sócios da empresa.

Ano t a ç õ e s
§ 1º - A administração pública municipal poderá realizar vistoria
prévia no local antes de conceder a baixa, desde que em pra-
zo inferior a 10 (dez) dias.
§ 2º - Caso a vistoria comprove que a atividade continue a ocorrer
no local, o sócio que assinou a declaração falsa responderá
pelo seu ato nos termos da legislação vigente.
Artigo 25 - As MPE cadastradas como prestadoras de serviços que
não estejam exercendo essa atividade, mas apenas de outras na-
turezas econômicas, ficam isentas de manter em seus estabeleci-
mentos talões de notas fiscais dentro do prazo de validade.
Artigo 26 - Ficam concedidos às micro empresas e empresas de
pequeno porte descontos respectivos de 70% (setenta por cento) e
50% (cinqüenta por cento) em toda e qualquer taxa municipal que
incidam sobre as mesmas.
Artigo 27 - Todos os serviços de consultoria e instrutoria contrata-
dos pelas MPE de empresas que tenham sede no município ou que
prestem o serviço no município e que tenham com o objeto direto
o desenvolvimento da empresa, de seus produtos e de seus recur-
sos humanos, terão a alíquota de ISSQN reduzida a 2% (dois por
cento), devendo o desconto relativo à redução ser integralmente
concedido à contratante, mediante descrição na nota fiscal.
Artigo 28 - A administração pública municipal fica autorizada a
celebrar convênios com a Secretaria da Receita Federal e Secre-
taria da Fazenda Estadual de Minas Gerais, para que lhe atribua
poder para realizar fiscalizações de competência das mesmas.
Artigo 29 - A administração pública municipal fica autorizada a
celebrar convênio com o Governo do Estado de Minas Gerais, para
que lhe atribua a função de realizar julgamentos de competência
do mesmo.
Artigo 30 - A administração pública municipal fica autorizada a cele-
brar convênio com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional que lhe
delegue poderes de inscrição em dívida ativa municipal e a cobrança
judicial dos tributos municipais abrangidos pelo Simples Nacional.

Comentários
Este capítulo é um dos mais importantes da Lei Geral, pois é o que
reduz e simplifica o recolhimento de impostos. Tudo já está detalhado

Dos tributos e das contribuições | 45


na própria Lei Geral, pouco exigindo ser complementado na Lei Geral
Municipal. O texto proposto para este capítulo se concentra em:
• Sugerir prazos de validade para as notas fiscais;
• Simplificar e regulamentar a comprovação de encerramento das
atividades da empresa;
• Conferir descontos adicionais em taxas municipais para as MPE;
• Reduzir o ISSQN para a atividade de consultoria para as MPE (e
outras de interesse estratégico do município);
• Autorizar convênios da prefeitura com o governo estadual e fe-
deral para a mesma poder fiscalizar, julgar e inscrever em dívida
pública as MPE em nome dos dois.

Indicação de utilização
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório
Classificamos todos os artigos deste capítulo como “Indicados para
todos os municípios”.

Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais


Os prazos de validade das notas fiscais e a diminuição do ISSQN
para consultorias às MPE são menos importantes, mas devem ser
avaliados. A atenção maior deve ser dedicada aos descontos das
taxas municipais concedidas às MPE. Para alguns municípios, os
percentuais propostos podem ser altos, mas para outros, podem
ser baixos. A isenção total deve ser considerada. Antes de determi-
nar qual desconto oferecer, é preciso que a Secretaria Municipal
da Fazenda calcule o impacto na receita e a previsão de recupera-
ção via outros impostos ou aumento da atividade econômica.

Referências Legais
A Lei Geral é a referência máxima. Também aqui deve ser averi-
guada a inexistência de conflito com as leis municipais, que devem
ser revogadas onde houver necessidade.

46 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Programas Estaduais e Federais

Ano t a ç õ e s
Não se aplica.

Soluções Alternativas
Este capítulo não exige regulamentações obrigatórias. Os arti-
gos extras são apenas sugestões e todos podem ser implantados
via decreto municipal. Se por um lado o decreto tem a vanta-
gem de ser uma via rápida e simples, por outro permite que
os prefeitos seguintes também alterem tudo facilmente. Para
se ter uma política de longo prazo, o ideal é que haja uma lei
regendo o tema.

Fontes de Informações Complementares


Indicamos uma visita ao site sobre a Lei Geral, do Sebrae-MG. Lá
podem ser encontrados exemplos de leis que abordam o tema:
www.sebraemg.com.br/leigeral .

Dos tributos e das contribuições | 47


6.5 - Capítulo V
Do acesso aos mercados
Seção única - Das aquisições públicas

Artigo 31 - Para a ampliação da participação das MPE nas licita-


ções públicas, a administração pública municipal deverá:
I – disponibilizar em 90 (noventa dias) em seu site na internet
sistema próprio ou terceirizado de auto-cadastramento com
senha de acesso pelas MPE sediadas no município e cidades vi-
zinhas, onde as mesmas poderão lançar e atualizar seus dados
cadastrais básicos e os bens e serviços que comercializam;
II – divulgar amplamente a existência do referido sistema e fazer
trabalhos pró-ativos, garantindo que mais de 50% das MPE do
município estejam permanentemente cadastradas após 90
(noventa) dias de sua criação;
III – criar em 90 (noventa dias) espaço específico na internet e di-
vulgar, bem como em murais, Casa do Empreendedor, órgãos
públicos municipais e jornais locais, as contratações públicas
previstas para os próximos 6 (seis) meses, com destaque para as
destinadas exclusivamente às MPE, com as especificações qua-
litativas e quantitativas dos bens e serviços em forma de fácil
compreensão pelo cidadão comum, modalidade de licitação ou
compra e datas estimadas ou já definidas;
IV – realizar as contratações diretas por dispensas de licitação, com
base nos termos dos artigos 24 e 25 da Lei nº 8.666, de 1993, pre-
ferencialmente de MPE sediadas no município ou na região;
V – atuar de forma pró-ativa no convite às MPE locais e regionais
para participarem dos processos nas demais modalidades de
licitação.
Artigo 32 - Para habilitação em quaisquer licitações do município
para fornecimento de bens para pronta entrega ou serviços ime-
diatos, bastará às MPE a apresentação dos seguintes documentos:
I – ato constitutivo da empresa, devidamente registrado;
II – inscrição no CNPJ, com a distinção de microempresa (ME) ou
empresa de pequeno porte (EPP), ou certidão de enquadra-
mento de órgãos competentes, para fins de qualificação.

48 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Artigo 33 - A administração pública municipal dará prioridade ao

Ano t a ç õ e s
pagamento às MPE.
Artigo 34 - A administração pública municipal fica autorizada a
incentivar e apoiar a realização de feiras de produtores e artesãos,
assim como missões técnicas para exposição e venda de produtos
locais em outros municípios de grande comercialização.
Artigo 35 - Nas licitações públicas municipais, a comprovação de
regularidade fiscal das microempresas e empresas de pequeno
porte somente será exigida para efeito de assinatura do contrato.
§ 1º - Havendo alguma restrição na comprovação da regularidade
fiscal, será assegurado o prazo de 4 (quatro) dias úteis, cujo
termo inicial corresponderá ao momento em que o propo-
nente for declarado o vencedor do certame, prorrogáveis por
igual período, a critério da administração pública, para a re-
gularização da documentação, pagamento ou parcelamento
do débito, e emissão de eventuais certidões negativas ou po-
sitivas com efeito de certidão negativa.
§ 2º - A não-regularização da documentação no prazo previsto no §
1º deste artigo implicará decadência do direito à contratação,
sem prejuízo das sanções previstas no art. 81 da Lei nº 8.666,
de 21 de junho de 1993, sendo facultado à Administração con-
vocar os licitantes remanescentes, na ordem de classificação,
para a assinatura do contrato, ou revogar a licitação.
Artigo 36 - Nas licitações será assegurado, como critério de de-
sempate, preferência de contratação para as microempresas e em-
presas de pequeno porte.
§ 1º - Entende-se por empate aquelas situações em que as propos-
tas apresentadas pelas microempresas e empresas de peque-
no porte sejam iguais ou até 10% (dez por cento) superiores
à proposta mais bem classificada.
§ 2º - Na modalidade de pregão, o intervalo percentual estabele-
cido no § 1º deste artigo será de até 5% (cinco por cento)
superior ao melhor preço.
Artigo 37 - Para efeito do disposto no art. 36 desta lei, ocorrendo o
empate, proceder-se-á da seguinte forma:
I – A microempresa ou empresa de pequeno porte mais bem clas-
sificada poderá apresentar proposta de preço inferior àquela
considerada vencedora do certame, situação em que será adju-
dicado em seu favor o objeto licitado;

Do acesso aos mercados | 49


II – Não ocorrendo a contratação da microempresa ou empresa
de pequeno porte, na forma do inciso I do caput deste artigo,
serão convocadas as remanescentes que porventura se enqua-
drem na hipótese dos §§ 1º e 2º do art. 36 desta lei, na ordem
classificatória, para o exercício do mesmo direito;
III – No caso de equivalência dos valores apresentados pelas mi-
croempresas e empresas de pequeno porte que se encon-
trem nos intervalos estabelecidos nos §§ 1º e 2º do artigo
36 desta lei, será realizado sorteio entre elas para que se
identifique aquela que primeiro poderá apresentar melhor
oferta.
§ 1º - Na hipótese da não-contratação nos termos previstos no ca-
put deste artigo, o objeto licitado será adjudicado em favor
da proposta originalmente vencedora do certame.
§ 2º - O disposto neste artigo somente se aplicará quando a melhor
oferta inicial não tiver sido apresentada por microempresa
ou empresa de pequeno porte.
§ 3º - No caso de pregão, a microempresa ou empresa de pequeno
porte mais bem classificada será convocada para apresentar
nova proposta no prazo máximo de 5 (cinco) minutos após o
encerramento dos lances, sob pena de preclusão.
Artigo 38 - Nas contratações da administração pública municipal
deverá ser concedido tratamento diferenciado e simplificado para
as MPE objetivando a promoção do desenvolvimento econômico
e social no âmbito municipal e regional, a ampliação da eficiência
das políticas públicas e o incentivo à inovação tecnológica.
Artigo 39 - Para o cumprimento do disposto no artigo 38 desta lei, a
administração pública municipal deverá realizar processo licitatório:
I – Destinado exclusivamente à participação de microempresas e
empresas de pequeno porte nas contratações cujo valor seja de
até R$ 80.000,00 (oitenta mil reais);
II – Em que seja exigida dos licitantes a subcontratação de mi-
croempresa ou de empresa de pequeno porte, desde que o
percentual máximo do objeto a ser subcontratado não exceda
a 30% (trinta por cento) do total licitado;
III – Em que se estabeleça cota de até 25% (vinte e cinco por cento)
do objeto para a contratação de microempresas e empresas
de pequeno porte, em certames para a aquisição de bens e
serviços de natureza divisível.

50 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


§ 1º - O valor licitado por meio do disposto neste artigo não poderá exceder

Ano t a ç õ e s
a 25% (vinte e cinco por cento) do total licitado em cada ano civil.
§ 2º - Na hipótese do inciso II do caput deste artigo, os empenhos
e pagamentos do órgão ou entidade da administração públi-
ca poderão ser destinados diretamente às microempresas e
empresas de pequeno porte subcontratadas.
Artigo 40 - Não se aplica o disposto nos artigos 38 e 39 desta lei
quando:
I – Os critérios de tratamento diferenciado e simplificado para as
microempresas e empresas de pequeno porte não forem ex-
pressamente previstos no instrumento convocatório;
II – Não houver um mínimo de 3 (três) fornecedores competitivos
enquadrados como microempresas ou empresas de pequeno
porte sediados local ou regionalmente e capazes de cumprir
as exigências estabelecidas no instrumento convocatório;
III – O tratamento diferenciado e simplificado para as microem-
presas e empresas de pequeno porte não for vantajoso para
a administração pública ou representar prejuízo ao conjunto
ou complexo do objeto a ser contratado;
IV – A licitação for dispensável ou inexigível, nos termos dos arti-
gos 24 e 25 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.

Comentários
Este é o capítulo que permite às administrações locais beneficiarem as
MPE na venda de seus produtos e serviços ao mercado público, com
concretas conseqüências de melhoria do ambiente econômico local.
Também é o capítulo que exige mais cuidado em sua regulamen-
tação. É preciso respeitar ao mesmo tempo o disposto na Lei Geral
e na Lei de Licitações (8.666/93). Algumas regulamentações come-
teram sérios erros jurídicos, principalmente por tentarem simplifi-
car matéria tão complexa. O modelo aqui proposto é bem seguro.
Foram acrescidos apenas os itens do primeiro artigo do capítulo.
Eles são de natureza operacional, advinda da experiência de outros
projetos. Para um sistema de compras das MPE locais funcionar efe-
tivamente, é preciso que a prefeitura se equipe de ferramentas e
modelos de gestão eficientes. Uma vez promulgada a lei, a adminis-
tração pública municipal deve se dedicar a identificar e implantar os
instrumentos gerenciais necessários à eficiência das compras.

Do acesso aos mercados | 51


Indicação de utilização
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório
Mais uma vez, ficam dúvidas quanto ao que é realmente obriga-
tório. A maior parte do texto é auto-aplicável, mas há quase um
consenso da necessidade de regulamentação nos estados e muni-
cípios. A forma também é discutível. Em Minas Gerais, o governo
estadual fez a regulamentação por meio de decreto. A sugestão é
que ela seja feita por lei, mas fica a alternativa do decreto.

Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais


Os números a serem avaliados se restringem aos prazos do pri-
meiro artigo do capítulo. Os demais são da Lei Geral e devem ser
adotados, ainda mais porque são limites e facultativos. O prazo de
regularização documental do vencedor foi ampliado aqui de dois
para quatro dias.

Referências Legais
A própria Lei Geral e o decreto estadual são as consultas principais.
Outros modelos podem ser checados na página do Sebrae-MG:
www.sebraemg.com.br/leigeral.

Programas Estaduais e Federais


O governo do Estado de Minas Gerais regulamentou por meio de
decreto o tratamento diferenciado nas compras públicas às MPE e
criou um site que orienta como vender para o Estado:
www.compras.mg.gov.br

52 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Em nível federal, muitas informações podem ser obtidas no site de

Ano t a ç õ e s
compras do governo. Dentre outras coisas, disponibilizam sistema
de compras on-line, que pode ser utilizado pelas prefeituras via
convênio:
www.comprasnet.gov.br/

Soluções Alternativas
Fazer um decreto do executivo, com o mesmo teor da lei proposta.
Os estados e alguns municípios estão preferindo esse caminho. Ela
pode ser utilizada como via rápida e depois ser substituída pela
lei.

Fontes de Informações Complementares


Indicamos uma visita ao site da Lei Geral do Sebrae-MG, onde po-
dem ser encontrados exemplos de leis e decretos que regulamen-
tam o capítulo de compras: www.sebraemg.com.br/leigeral.

Do acesso aos mercados | 53


6.6 - Capítulo VI
Da simplificação das relações de trabalho

Artigo 41 - As microempresas e as empresas de pequeno porte


serão estimuladas pela administração pública municipal a formar
consórcios para acesso a serviços especializados em segurança e
medicina do trabalho.
Artigo 42 - A administração pública municipal deverá atuar de
forma pró-ativa no sentido de informar a todas MPE instaladas
no município e seus trabalhadores sobre as simplificações das re-
lações de trabalho concedidas pela Lei Complementar nº 123, de
14 de dezembro de 2006, bem como sobre suas obrigações, em
especial as que envolvem a segurança e a saúde do trabalhador,
podendo se valer de parcerias com toda e qualquer instituição, de
qualquer natureza, que tenha contato permanente com empresá-
rios e trabalhadores do setor privado.

Comentários
Os direitos e deveres deste capítulo são de âmbito federal, já estão
em vigor e não cabe ao poder público municipal legislar sobre
eles. Foram incluídos apenas dois artigos criando políticas públi-
cas locais para a prefeitura quanto ao tema.

Indicação de utilização
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório
Os dois artigos são “Indicados para todos os municípios”.

Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais


Nenhum. Não existem aqui.

54 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Referências Legais

Ano t a ç õ e s
A Lei Geral e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Programas Estaduais e Federais


Não se aplica.

Soluções Alternativas
Criar um programa como o sugerido, utilizando ou não a figura do
decreto executivo.

Fontes de Informações Complementares


Ainda que fuja à competência municipal, os interessados em
acompanhar as discussões sobre a Reforma Trabalhista podem
fazê-lo no site:
www.interlegis.gov.br/processo_legislativo/20040719172004.
No mesmo site, podem ser encontradas ainda informações sobre a
legislação federal, estadual e municipal específicas para as MPE.

Da simplificação das relações de trabalho | 55


6.7 - Capítulo VII
Da fiscalização orientadora

Artigo 43 - A fiscalização, no que se refere aos aspectos tributários, tra-


balhistas, metrológicos, sanitários, ambientais e de segurança das micro-
empresas e empresas de pequeno porte, deverá ter natureza prioritaria-
mente orientadora quando a atividade ou situação, por sua natureza,
comportar grau de risco compatível com esse procedimento.
§ 1º - Será observado o critério de dupla visita para lavratura de au-
tos de infração, salvo na ocorrência de reincidência, fraude,
resistência ou embaraço à fiscalização.
§ 2º - O disposto deste artigo não se aplica às atividades classifica-
das como de risco alto.
§ 3º - O disposto neste artigo não se aplica ao processo administra-
tivo fiscal relativo a tributos.
§ 4º - Nas visitas de fiscais poderão ser lavrados, se necessários,
termos de ajustamento de conduta

Comentários
A aplicação do conceito de dupla visita previstos na Lei Geral pode
ser entendida como auto-aplicável, tornando desnecessária uma
regulamentação. Mas fazer isso é, do ponto de vista prático, alta-
mente recomendável, pois detalha a ação do fiscal.

Indicação de utilização
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório
Tecnicamente optamos pela classificação “Indicado para todos os
municípios”. Na prática, consideramos obrigatório.

Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais


Não se aplica.

56 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Referências Legais

Ano t a ç õ e s
A Lei Geral e a legislação local de fiscalização.

Programas Estaduais e Federais


Não se aplica.

Soluções Alternativas
Fazer rapidamente tudo via decreto do executivo. Eventualmente
acrescentar também à lei em substituição ao decreto.

Fontes de Informações Complementares


No site da Receita Federal sobre o Simples Nacional há uma re-
solução sobre fiscalização. Novas resoluções também devem ser
publicadas no endereço:
www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/

Da fiscalização orientadora | 57
6.8 - Capítulo VIII
Do associativismo

Seção única - Do consórcio simples

Artigo 44 - As MPE optantes pelo Simples Nacional poderão rea-


lizar negócios de compra e venda de bens e serviços para a admi-
nistração pública municipal por meio de consórcio nos termos e
condições estabelecidos pelo Poder Executivo Federal.
§ 1º - O consórcio de que trata o caput deste artigo será composto
exclusivamente por microempresas e empresas de pequeno
porte;
§ 2º - O consórcio referido no caput deste artigo destinar-se-á ao
aumento de competitividade e a sua inserção em novos mer-
cados internos e externos, por meio de ganhos de escala, re-
dução de custos, gestão estratégica, capacitação, acesso ao
crédito e a novas tecnologias.
Artigo 45 - A administração pública municipal poderá incentivar
e apoiar a formação e o desenvolvimento, na forma da legislação
vigente, de associações, cooperativas e consórcios de MPE, poden-
do para tal:
I – Disponibilizar na Casa do Empreendedor acervo técnico sobre
o tema e referências de como obter assessoria;
II – Ceder infra-estrutura para os grupos em processo de forma-
ção;
III – Utilizar o poder de compra do município como fator indutor;
IV – Ceder em caráter temporário bens móveis e imóveis do muni-
cípio até que os projetos atinjam a auto-sustentabilidade;
V – Isentar temporariamente de taxas municipais e IPTU;
VI – Organizar e estimular a atividade informal local a se organizar
em cooperativas;
Artigo 46 - A administração pública municipal favorecerá a forma-
ção na sociedade local do espírito associativista com o estímulo à
inclusão na grade curricular das escolas locais do estudo do asso-
ciativismo em suas diversas formas;

58 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Artigo 47 - A administração pública municipal fica autorizada, res-

Ano t a ç õ e s
peitada a legislação federal, a firmar convênios operacionais com
cooperativas de crédito legalmente constituídas para a prestação
de serviços, especialmente quanto à arrecadação de tributos e ao
pagamento de vencimentos, soldos e outros proventos dos servi-
dores públicos municipais, ativos e inativos, e dos pensionistas da
administração direta e indireta, por opção destes.
Artigo 48 - A administração pública municipal fica autorizada a
aportar recursos complementares em igual valor aos recursos fi-
nanceiros aportados pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Am-
paro ao Trabalhador (Codefat) na criação de programas específico
para as cooperativas de crédito de cujos quadros de cooperados
participem empresários de MPE ou as próprias MPE.

Comentários
O primeiro artigo é apenas didático, pois a Lei Geral faculta a cria-
ção dos consórcios e sua atuação no mercado, o que inclui vender
para o poder público. Os demais artigos propõem um modelo de
política pública local, autorizando a prefeitura a implantar uma
série de medidas de apoio ao associativismo.

Indicação de utilização
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório
Nada é obrigatório estar na lei municipal, pois se trata de um ca-
pítulo da Lei Geral auto-aplicável. Os artigos colocados são assim
classificados apenas como “Indicado para todos os municípios”.
Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais
Nenhum, pois inexistem.

Referências Legais
Agora, apenas a Lei Geral. Quando da implantação do programa
de apoio ao associativismo, as leis de consórcio, cooperativismo e
demais formas de associativismo devem ser estudadas.

Do associativismo | 59
Programas Estaduais e Federais
O site mais completo sobre cooperativismo em Minas Gerais é o
da OCEMG:
www.ocemg.org.br

Soluções Alternativas
Criar um programa como o sugerido, utilizando ou não a figura do
decreto executivo.

Fontes de Informações Complementares


Casos de sucesso sobre o associativismo podem ser vistos na pági-
na do Sebrae-MG:
www.sebraemg.com.br/leigeral

60 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


6.9 - Capítulo IX

Ano t a ç õ e s
Do estímulo ao crédito e à capitalização

Artigo 49 - A administração pública municipal proporá, sempre


que necessário, medidas no sentido de melhorar o acesso das micro-
empresas e empresas de pequeno porte aos mercados de crédito e
de capitais, objetivando a redução do custo de transação, a elevação
da eficiência alocativa, o incentivo ao ambiente concorrencial e a
qualidade do conjunto informacional, em especial o acesso e porta-
bilidade das informações cadastrais relativas ao crédito.
Artigo 50 - A administração pública municipal deverá monitorar
se os bancos comerciais públicos, os bancos múltiplos públicos
com carteira comercial e a Caixa Econômica Federal localizados
no município e região mantêm linhas de crédito específicas para
as MPE como determina a Lei Geral.
Parágrafo Único. No caso de identificado o não atendimento pelas
instituições referidas no caput deste artigo ao disposto pelo mesmo,
a administração pública municipal deverá questionar e discutir for-
malmente com a instituição as razões do não atendimento e condu-
zir suas ações no sentido de conseguir o restabelecimento da oferta
do serviço o mais breve possível.
Artigo 51 - A administração pública municipal deverá criar condições
favoráveis para que as instituições referidas no caput do art. 50 desta
lei se articulem com as entidades de apoio e representação locais das
MPE, no sentido de proporcionar e desenvolver programas de treina-
mento, desenvolvimento gerencial e capacitação tecnológica.
Artigo 52 - A administração pública municipal, para estímulo ao
crédito e à capitalização dos empreendedores e das MPE, fica auto-
rizada a reservar em seu orçamento anual um percentual a ser uti-
lizado para apoiar programas de crédito e/ou garantias, isolados
ou suplementarmente aos programas instituídos pelo governo do
Estado ou da União, respeitada a legislação pertinente.
Artigo 53 - A administração pública municipal incentivará e apoiará:
I - a criação e o funcionamento de linhas de crédito operacionalizadas
por meio de instituições como cooperativas de crédito, sociedades
de crédito ao empreendedor e Organizações da Sociedade Civil de
Interesse Público (Oscip) com foco no microcrédito e nas operações
com MPE e com atuação no âmbito do município ou da região;

Do estímulo ao crédito e à capitalização | 61


II - a criação e o funcionamento de estruturas legais com foco na
garantia de crédito (fundo de aval) com atuação no âmbito do
município ou região para as MPE sediadas no município.
Artigo 54 - A administração pública municipal fica autorizada a
criar, oferecer infra-estrutura e coordenar um Comitê Estratégico
de Orientação ao Crédito, constituído por agentes públicos, asso-
ciações empresariais, profissionais liberais e profissionais do mer-
cado financeiro e de capitais, todos sem remuneração de qualquer
natureza, com objetivo de sistematizar as informações relaciona-
das a crédito e financiamento de toda e qualquer natureza, com
destaque para as com tratamento diferenciado às MPE, e disponi-
bilizá-las aos empreendedores e às MPE do município por meio da
Casa do Empreendedor e em espaço específico no site da adminis-
tração pública municipal.
Artigo 55 - A administração pública municipal fica autorizada a
firmar termo de adesão ao Banco da Terra (ou seu sucedâneo)
com a União, por intermédio do Ministério do Desenvolvimento
Agrário, visando à instituição do Núcleo Municipal Banco da Terra
no município (conforme definido por meio da Lei Complementar
nº 93, de 4 de fevereiro de1996, e do Decreto Federal nº 3.475, de
19 de maio de 2000), para a criação do projeto Banco da Terra,
cujos recursos serão destinados à concessão de créditos a micro-
empreendimentos do setor rural no âmbito de programas de reor-
denação fundiária.

Comentários
Neste capítulo, a Lei Geral só legisla em nível federal e já está to-
talmente vigente. Os artigos aqui sugeridos criam um programa
municipal complementar. São de caráter facultativo e autorizativo,
ou seja, a administração pública municipal implanta se quiser.

Indicação de utilização
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório
Nada é obrigatório estar na lei municipal, pois se trata de um ca-
pítulo da Lei Geral auto-aplicável. Por se tratar de tema complexo

62 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


ou por alguns municípios já estarem bem contemplados com ins-

Ano t a ç õ e s
tituições de crédito, os artigos colocados são assim classificados
apenas como “Indicado conforme o município”.

Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais


Nenhum, pois inexistem.

Referências Legais
O assunto é complexo, exige a presença no grupo de pelo menos
um profissional da área. Cabe a ele avaliar a Lei Geral, as leis mu-
nicipais e as leis que regem o mercado financeiro nacional.

Programas Estaduais e Federais


O Governo Federal, por meio do BNDES, tem um programa de
apoio ao microcrédito que pode ser encontrado na página a se-
guir:
www.bndes.gov.br/programas/sociais/microcredito.asp

No mesmo site existe uma página com diversos programas e fun-


dos, que devem ser avaliados e eventualmente promovidos local-
mente pela Casa do Empreendedor:
www.bndes.gov.br/programas/programas.asp.
Em Minas Gerais, existem duas grandes centrais de cooperativas
de crédito, que podem ser consultadas pelos interessados em levar
uma unidade para seu município:
www.cecremge.org.br e www.crediminas.com.br
Em nível nacional, consulte o site:

Do estímulo ao crédito e à capitalização | 63


www.sicoob.com.br

As melhores linhas de crédito para as MPE estão nos bancos pú-


blicos, que podem ser acionados por meio de suas agências mais
próximas no sentido de se estabelecer parcerias locais:
www.bb.com.br

www.caixa.gov.br
www.bndes.gov.br
www.bancodonordeste.com.br

www.bancodaamazonia.com.br.

64 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Soluções Alternativas

Ano t a ç õ e s
Dada a complexidade e natureza do tema, sugerimos que seja tra-
tado apenas por meio de lei, ainda que separada de uma Lei Geral
Municipal maior.

Fontes de Informações Complementares


O Sebrae Nacional tem uma unidade que se dedica exclusivamen-
te a programas voltados ao crédito e capitalização das MPE. No
site dessa unidade, a Uasf, estão descritos todos os tipos de proje-
tos existentes:
www.uasf.sebrae.com.br/uasf01

Do estímulo ao crédito e à capitalização | 65


6.10 - Capítulo X
Do estímulo à inovação

Seção 1 - Disposições gerais

Artigo 56 - Para os efeitos desta lei ficam adotados os mesmos cri-


térios da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.

Seção 2 - Do apoio à inovação

Artigo 57 - A administração pública municipal fica autorizada a


conceder os seguintes benefícios com o objetivo de estimular e
apoiar a instalação no município de MPE, condomínios de MPE
e empresas incubadas que sejam de base tecnológica conforme
os parâmetros definidos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia
(MCT) ou apenas de caráter inovador ou estratégico para o muni-
cípio:
I – Isenção do Imposto Sobre a Propriedade Territorial e Urbana
(IPTU) pelo prazo de até 15 (quinze) anos incidentes sobre a
construção ou acréscimo realizados no imóvel, inclusive quan-
do se tratar de imóveis locados, desde que esteja previsto no
contrato de locação que o recolhimento do referido imposto é
ônus do locatário;
II – Isenção por 15 (quinze) anos de todas as taxas municipais,
atuais ou que venham a ser criadas;
III – Alíquota de 2% (dois por cento) do Imposto Sobre Serviços de
Qualquer Natureza (ISSQN) incidentes sobre o valor da mão-
de-obra contratada para execução das obras de construção,
acréscimos ou reforma realizados no imóvel;
IV – Alíquota de 2% (dois por cento) do ISSQN para as empresas
que não forem optantes pelo Simples Nacional;
§ 1º - Entende-se por condomínio empresarial, para efeito desta
lei, a edificação ou conjunto de edificações destinadas à ati-
vidade industrial ou de prestação de serviços ou comercial,
na forma da lei.

66 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


§ 2º - Entende-se por empresa incubada aquela estabelecida fi-

Ano t a ç õ e s
sicamente em incubadoras de empresas com constituição
jurídica e fiscal própria.
Artigo 58 - A administração pública municipal fica autorizada a
criar e dar suporte operacional à Comissão Permanente de Tec-
nologia e Inovação do Município com a finalidade de promover
a discussão de assuntos relativos à pesquisa e ao desenvolvimen-
to científico-tecnológico de interesse do município, a criação e o
acompanhamento dos programas de tecnologia do município e a
proposição de ações na área de ciência, tecnologia e inovação de
interesse do município e vinculadas ao apoio às MPE.
Parágrafo Único. A comissão referida no caput deste artigo terá
seus membros escolhidos pela administração pública munici-
pal dentre representantes de instituições públicas e privadas
de ensino e pesquisa, de entidades de representação empresa-
rial, de órgãos públicos municipais, estaduais e federais afins ao
tema, bem como personalidades de notório conhecimento do
assunto.
Artigo 59 - A administração pública municipal fica autorizada a
incentivar, apoiar e criar, de forma isolada ou em parceria com ou-
tras instituições públicas ou privadas, os seguintes instrumentos
de apoio à inovação tecnológica:
I - O Fundo Municipal de Inovação Tecnológica da Micro e Peque-
na Empresa (FMIT/MPE) com o objetivo de fomentar a inova-
ção tecnológica nas MPE locais;
II - Incubadoras de empresas de base tecnológica com o objetivo
de incentivar e apoiar a criação, no município, de empresas de
base tecnológica;
III – Parques Tecnológicos com o objetivo de incentivar e apoiar
a criação e a instalação, no município, de empresas de base
tecnológica;
§ 1º - Qualquer um desses instrumentos só poderá ser criado se
precedido ou de forma simultânea à criação da Comissão
Permanente de Tecnologia e Inovação do Município, caben-
do-lhe a modelagem geral, regulamentação das fontes e con-
dições de acesso aos recursos, normas operacionais, benefí-
cios de qualquer natureza, instituição jurídica gestora e tudo
o que se referir ao seu funcionamento, bem como fiscalizar
seu funcionamento.

Do estímulo à inovação | 67
§ 2º - A Comissão Permanente de Tecnologia e Inovação do Mu-
nicípio, por meio de decreto municipal, terá o prazo de 90
(noventa) dias para regulamentar o funcionamento do ins-
trumento criado.
Artigo 60 - Os órgãos e entidades integrantes da administração pú-
blica municipal, existentes ou que venham a ser criados, que não
tenham foco exclusivo em MPE, atuantes diretamente ou através
de terceiros em pesquisa, desenvolvimento ou capacitação tecno-
lógica, terão por meta efetivar suas aplicações orçamentárias no
percentual mínimo de 50% (cinqüenta por cento) em programas
e projetos de apoio às MPE.
Artigo 61 - Todos os projetos, programas e fundos municipais
ou com participação do município deverão reservar uma cota
mínima de 25% (vinte e cinco por cento) de seus recursos para
as iniciativas voltadas para o agronegócio, salvo se a nature-
za do programa não incluir o setor ou o número de pleitos do
agronegócio aprovados tecnicamente não atingir esse volume
de recursos.
Artigo 62 - A administração pública municipal fica autorizada a
promover parcerias e firmar convênios com órgãos públicos com
foco no agronegócio, entidades de pesquisa e assistência técnica
rural e instituições afins com o objetivo de melhorar a produtivi-
dade e a qualidade produtiva das MPE dedicadas ao setor e dos
pequenos e médios produtores rurais.
Artigo 63 - Os órgãos municipais congêneres ao Ministério da Ci-
ência e Tecnologia deverão elaborar e divulgar relatório anual in-
dicando o valor dos recursos recebidos, inclusive por transferência
de terceiros, que foram aplicados diretamente ou por organizações
vinculadas, por fundos setoriais e outros, no segmento das MPE,
retratando e avaliando os resultados obtidos e indicando as previ-
sões de ações e metas de sua participação no exercício seguinte.
Artigo 64 - A administração pública municipal fica autorizada a
implantar programa para fornecimento de sinal de internet em
banda larga via cabo, rádio ou qualquer outra tecnologia dispo-
nível para pessoas físicas, jurídicas e órgãos governamentais do
município, podendo subsidiar o acesso das MPE em até 50% (cin-
qüenta por cento) da tarifa normal.

68 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Comentários

Ano t a ç õ e s
Neste capítulo, a Lei Geral praticamente só legisla em nível federal
e já está totalmente vigente. O poder público municipal é alcança-
do apenas no caso de possuir algum órgão com foco no desenvol-
vimento tecnológico, algo muito raro. Para este, exige que mante-
nha um programa para as MPE e o regulamenta.
Os artigos aqui sugeridos criam um programa municipal com-
plementar. Quase todos os artigos são de natureza facultativa e
autorizativa. Obrigatoriedades estão presentes apenas no caso do
município criar ou participar de programas ou órgãos com foco
no tema. Nesses casos, existe uma cota mínima para atendimento
às MPE.

Indicação de utilização
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório
Nada é obrigatório estar na lei municipal, pois se trata de um
capítulo da Lei Geral auto-aplicável. E como se trata de assunto
fora da realidade de muitos municípios, em especial os muito
pequenos, é um capítulo classificado apenas como “Indicado
conforme o município”. Cabe aos envolvidos na elaboração da
lei avaliar se a inserção deste capítulo, ainda que em parte, se
justifica.

Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais


É sugerido apenas o percentual a ser destinado às MPE em pro-
gramas municipais.

Referências Legais
O assunto é complexo, exige a presença no grupo de pelo menos
um profissional da área. Cabe a ele avaliar a Lei Geral, as leis mu-
nicipais e as leis que envolvem os programas de apoio à inovação
e tecnologia, abundantes em nível estadual e federal.

Do estímulo à inovação | 69
Programas Estaduais e Federais
A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
oferece uma série de projetos que podem ser implantados em
qualquer município Recomendamos uma leitura atenta ao site do
órgão e ao da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas
Gerais ((Fapemig):
www.sectes.mg.gov.br e www.fapemig.br.
O ideal é realizar, posteriormente, consultas diretas.
O Ministério da Ciência e Tecnologia dispõe de verbas para o de-
senvolvimento tecnológico de diversos setores, firmando convênios
com os municípios. Sugerimos pesquisar o site da instituição:
www.mct.gov.br.

Soluções Alternativas
Dada a complexidade e natureza do tema, sugerimos que seja fei-
to apenas por meio de lei, ainda que separada de uma Lei Geral
Municipal maior.

Fontes de Informações Complementares


No site do Sebrae-MG estão listadas outras instituições que po-
dem auxiliar na criação de projetos de fomento ao desenvolvimen-
to tecnológico e à inovação das empresas locais:
www.sebraemg.com.br/leigeral.

70 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


6.11 - Capítulo XI

Ano t a ç õ e s
Das regras civis e empresariais

Artigo 65 - A administração pública municipal vai monitorar em


caráter permanente a fiel observância pelos cartórios locais dos
benefícios legais de tratamento diferenciado concedidos à MPE
pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.
Parágrafo Único. No caso de identificado o não atendimento pelas
instituições referidas no caput deste artigo ao disposto pelo mesmo,
a administração pública municipal deverá questionar e discutir for-
malmente com a instituição as razões do não atendimento e condu-
zir suas ações no sentido de conseguir da instituição em questão o
restabelecimento da oferta do serviço o mais breve possível.

Comentários
Neste capítulo, a Lei Geral só legisla em nível federal e já está to-
talmente vigente. O artigo sugerido cria uma política de monito-
ramento dos cartórios, para averiguar se estão cumprindo a lei
federal.

Indicação de utilização
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório
Não é obrigatório estar na lei municipal, pois se trata de um ca-
pítulo da Lei Geral auto-aplicável. Os artigos colocados são assim
classificados apenas como “Indicado para todos os municípios”.

Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais


Nenhum, pois inexistem.

Referências Legais
Apenas a Lei Geral.

Das regras civis e empresariais | 71


Programas Estaduais e Federais
Não se aplica.

Soluções Alternativas
Criar um programa como o sugerido, utilizando ou não a figura do
decreto executivo.

Fontes de Informações Complementares


Associação Brasileira dos Notários e Registradores do Brasil:
www.anoreg.org.br

72 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


6.12 - Capítulo XII

Ano t a ç õ e s
Do acesso à justiça

Seção 1 - Do acesso aos juizados especiais

Artigo 66 - A administração pública municipal deverá empreen-


der permanentes esforços no sentido de viabilizar o acesso das
MPE locais aos juizados especiais, respeitados os impedimentos
legais e a incapacidade institucional.

Seção 2 - Da conciliação prévia, mediação e arbitragem

Artigo 67 - A administração pública municipal deverá realizar


permanentes esforços no sentido de garantir às MPE locais acesso
ao sistema de conciliação prévia, mediação e arbitragem, poden-
do para tal se valer de convênio com entidades de representação
empresarial de notória atuação local, com o poder judiciário esta-
dual e federal ou com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Artigo 68 - As MPE deverão ser estimuladas pela administração
pública municipal a utilizar, quando disponíveis, os institutos de
conciliação prévia, mediação e arbitragem para solução dos seus
conflitos nas relações de caráter privado.
Parágrafo Único. O estímulo a que se refere o caput deste arti-
go compreenderá campanhas de divulgação, serviços de esclare-
cimento e tratamento diferenciado, simplificado e favorecido no
tocante aos custos administrativos e honorários cobrados.
Artigo 69 - A administração pública municipal realizará perma-
nentes esforços de divulgação junto às MPE locais dos benefícios
legais que as mesmas dispõem no acesso à justiça, podendo para
tal se valer de parcerias com instituições públicas e privadas.

Comentários
Os direitos e deveres deste capítulo são de âmbito federal, já estão vi-
gorando e não cabe à prefeitura legislar sobre eles. Foram incluídos
artigos criando políticas locais para a prefeitura quanto ao tema.

Do acesso à justiça | 73
Indicação de utilização
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório
Os que tratam de uma política pública local são “Indicados para todos
os municípios”. Os demais são de caráter “Apenas didático – opcional”.

Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais


Nenhum. Não existem aqui.

Referências Legais
A Lei Geral e a lei que regulamenta a figura da arbitragem.

Programas Estaduais e Federais


O Sebrae Nacional desenvolveu um programa com a Câmara
Brasileira de Arbitragem Empresarial (CBMAE) e a Confederação
Nacional das Associações Comerciais (CACB) para universalizar o
acesso das MPE aos serviços de mediação e arbitragem. Busque
mais informações no site da CBMAE:
www.cbmae.com.br

Em Minas Gerais informações sobre o tema podem ser obtidas


com a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do
Estado de Minas Gerais (Federaminas) ou a Associação Comercial
de Minas (ACMinas):
www.acminas.com.br

74 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


www.federaminas.com.br

Ano t a ç õ e s
Soluções Alternativas
Criar um programa como o sugerido, utilizando ou não a figura do
decreto executivo.

Fontes de Informações Complementares


Associação Brasileira de Árbitros e Mediadores:
www.abrame.com.br

Instituto Nacional de Mediação e Arbitragem:


www.inama.org.br

Do acesso à justiça | 75
6.13 - Capítulo XIII
Do apoio e da representação

Artigo 70 - Para o cumprimento do disposto nesta lei, bem como


para desenvolver e acompanhar políticas públicas voltadas às MPE,
a administração pública municipal deverá incentivar e apoiar a
criação de fóruns com a participação dos órgãos públicos compe-
tentes e das entidades vinculadas ao setor, incluindo a participa-
ção dos mesmos em fóruns regionais.
Artigo 71 - A administração pública municipal fica autorizada a
promover parcerias com instituições públicas e privadas para o
desenvolvimento de projetos que tenham por objetivo valorizar
o papel do empreendedor, disseminar a cultura empreendedora e
despertar vocações empresariais, como:
I – Ações de caráter curricular ou extracurricular, situadas na es-
fera do sistema de educação formal e voltadas a alunos do
ensino fundamental, médio ou superior, de escolas públicas
e privadas;
II – Ações educativas que se realizem fora do sistema de educação formal;
III – Premiações para melhores práticas.
Artigo 72 - A administração pública municipal fica autorizada a
firmar convênios com as denominadas “Empresas Juniores” ou de
natureza similar com o objetivo de implantar programas com foco
nas MPE locais, desde que as mesmas reúnam individualmente as
condições seguintes:
I – Ser constituída e gerida por estudantes de cursos do ensino
superior ou técnico;
II – Ter como objetivo principal propiciar a seus partícipes con-
dições de aplicar conhecimentos teóricos adquiridos durante
seu curso;
III – Ter entre seus objetivos estatutários o de oferecer serviços a
microempresas e a empresas de pequeno porte;
IV – Ter em seu estatuto a discriminação das atribuições, respon-
sabilidades e obrigações dos partícipes;
V – Operar sob supervisão de professores e profissionais especializados;
VI – Não possuir fins lucrativos.

76 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Comentários

Ano t a ç õ e s
A Lei Geral fala neste capítulo basicamente que o poder público
deverá incentivar e apoiar a criação de fóruns com participação dos
órgãos públicos competentes e das entidades vinculadas ao setor,
além de dar ao Ministério do Desenvolvimento a atribuição de coor-
denar esse processo. Como não existe a imposição de prazos e qual-
quer regulamentação, a exigência de seu cumprimento em relação
às prefeituras é questionável. Mas isso não tira o mérito dos fóruns
locais, que são altamente recomendáveis.

Indicação de utilização
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório
Todos os artigos tratam de política pública local e são assim “Indi-
cados para todos os municípios”.

Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais


Nenhum. Não existem aqui.

Referências Legais
A Lei Geral e as estruturas eventualmente já existentes no municí-
pio, evitando a superposição de funções.

Programas Estaduais e Federais


O Sebrae-MG é um dos promotores do Fórum Mineiro da Micro e
Pequena Empresa, que tem o intuito de estimular o surgimento
e a organização de entidades de representação empresarial. Infor-
mações sobre esse programa podem ser obtidas no site:
www.sebraemg.com.br/leigeral.
De forma geral, o primeiro passo é fortalecer as instituições já exis-
tentes. Caso não existam, procure a Federaminas e veja como abrir
uma associação comercial em seu município:
www.federaminas.com.br.

Do apoio e da representação | 77
Soluções Alternativas
Criar um programa como o sugerido, utilizando ou não a figura do
decreto executivo.

Fontes de Informações Complementares


Listamos abaixo alguns sites de entidades de representação de mi-
cro e pequenas empresas de caráter nacional, onde podem ser en-
contradas entidades estaduais e municipais a elas filiadas. Algumas
delas podem auxiliar o processo de criação de entidades locais:
www.monampe.com.br
www.conampi.com.br
www.conempec.org.br

Quanto às empresas juniores, mais informações podem ter como


ponto de partida o site da Federação das Empresas Juniores de
Minas Gerais:
www.fejemg.org.br

78 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


6.14 - Capítulo XIV

Ano t a ç õ e s
Disposições finais e transitórias

Artigo 73 - A administração pública municipal tem o prazo de 45


(quarenta e cinco) dias para criar o Comitê Municipal da Micro e
Pequena Empresa (Comimpe), composto:
I - Obrigatoriamente por representantes de todos os órgãos públi-
cos municipais envolvidos no processo de abertura, funciona-
mento, fiscalização e fechamento de empresas;
II – Obrigatoriamente por representantes indicados por entidades
de âmbito municipal de representação empresarial com notó-
ria atuação local;
III – Facultativamente por todos os órgãos estaduais e federais en-
volvidos no processo de abertura, funcionamento, fiscalização
e fechamento de empresas com atuação local;
IV - Facultativamente por representantes de outras entidades civis
locais;
V – Facultativamente por consultores, profissionais e personalida-
des com reconhecidas competências específicas capazes de au-
xiliar o comitê no cumprimento de suas funções, podendo ser
remunerados ou não.
Artigo 74 - O Comimpe tem como função geral assessorar e au-
xiliar a administração municipal na implantação das exigências
desta lei, tendo como atividades específicas:
I - Realizar no prazo de 90 (noventa) dias todos os estudos ne-
cessários à implantação da unicidade do processo de registro,
legalização e baixa das MPE locais, devendo para tanto articular
as competências da administração pública municipal com as
dos demais órgãos de outras esferas públicas envolvidas na for-
malização empresarial, buscando, em conjunto, compatibilizar
e integrar procedimentos, de modo a evitar a duplicidade de
exigências e garantir a linearidade do processo, sob a perspec-
tiva do usuário;
II – Assessorar a administração pública municipal a criar a Casa do
Empreendedor;

Disposições finais e transitórias | 79


III – Trabalhar pela viabilização de atendimento consultivo a em-
presários e demais interessados em informações de natureza
administrativa, mercadológica, gestão de pessoas e produção,
preferencialmente na Casa do Empreendedor.
Artigo 75 - A administração pública municipal deverá prover o Co-
mimpe de todas as condições materiais e de acesso a informações
para a execução de seu serviço.
Parágrafo Único. O Comitê tem autonomia para definir sua forma
de trabalho, devendo apenas garantir que ocorram reuniões ordi-
nárias com convocação de todos os seus membros em intervalos
nunca superiores a 15 (quinze) dias até a completa implantação
dos itens I, II e III do artigo anterior.
Artigo 76 - A administração pública municipal fica autorizada a
conceder parcelamento de todos os débitos municipais consolida-
dos às MPE locais que queiram aderir ao Simples Nacional e não
o tenham feito até esta data em virtude da existência dos referidos
débitos.
§ 1º - O parcelamento também pode ser concedido às MPE que
não queiram entrar no Simples;
§ 2º - O número máximo de parcelas será de 120 (cento e vinte);
§ 3º - O valor mínimo da parcela mensal será de R$ 100,00 (cem
reais);
§ 4º - A Secretaria Municipal da Fazenda tem o prazo de 30 (trinta)
dias para regulamentar o parcelamento.
Artigo 77 - Fica instituído o “Dia Municipal da Microempresa, da
Empresa de Pequeno Porte e do Desenvolvimento”, que será co-
memorado em 5 de outubro de cada ano.
Parágrafo Único. Nesse dia, ou no primeiro dia útil subseqüente
no caso de se tratar de sábado, domingo ou feriado, será realizada
audiência pública na Câmara dos Vereadores, amplamente divul-
gada, quando serão ouvidas as lideranças empresariais e debati-
das propostas de fomento aos pequenos negócios bem como me-
lhorias da legislação específica.
Artigo 78 - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, pro-
duzindo efeitos a partir do primeiro dia útil subseqüente à sua
publicação.
Artigo 79 - Revogam-se as demais disposições em contrário.

80 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Comentários

Ano t a ç õ e s
Este capítulo da Lei Geral é longo e auto-aplicável. Na Lei Geral
Municipal, ele se dedica fundamentalmente ao seguinte:
• Criar e regulamentar um Comitê Municipal da Micro e Pequena
Empresa, denominado Comimpe. Trata-se de uma figura faculta-
tiva, mas sua criação é altamente recomendável, tanto do ponto
de vista técnico quanto político.
• Autoriza uma nova rodada de parcelamento de débitos para via-
bilizar as MPE locais em débito a entrar no Simples. Isso pode ser
desnecessário em muitos municípios, seja por não haver deman-
da, seja por já existirem planos similares.
• Cria o “Dia Municipal da Microempresa, da Empresa de Pequeno
Porte e do Desenvolvimento”. Trata-se apenas de uma sugestão,
que tem o objetivo de determinar que executivo e legislativo,
pelo menos uma vez por ano, façam um balanço de seus esforços
para desenvolver as MPE locais.

Indicação de utilização
• Apenas didático – opcional
• Indicado conforme o município
• Indicado para todos os municípios
• Obrigatório
Todos apenas tratam de uma política pública local e são assim
“Indicados para todos os municípios”.

Cuidados com Prazos, Quantidades, Valores e Percentuais


São sugeridos prazos para criação do comitê e para o mesmo apre-
sentar os estudos para o qual foi criado. Diminuir esses prazos
pode ser perigoso para a administração pública municipal, mas
aumentá-los é gastar mais tempo para a regularização perante a
Lei Geral.

Referências Legais
Não se aplica.

Disposições finais e transitórias | 81


Programas Estaduais e Federais
Não se aplica.

Soluções Alternativas
Criar o Comimpe por decreto e utilizá-lo para desenvolver os de-
mais decretos.

Fontes de Informações Complementares


No site do Sebrae-MG podem ser encontradas algumas experiên-
cias de comitês similares:
www.sebraemg.com.br/leigeral

82 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


7 Anexos

Ano t a ç õ e s
7.1 - Referências complementares
Apresentamos alguns links na internet que possuem farto mate-
rial sobre a Lei Geral.
www.sebraemg.com.br/leigeral
Site do Sebrae-MG, já amplamente divulgado neste manual.
www.leigeral.com.br
Site nacional dedicado à Lei Geral, mantido pelo Sebrae Nacional.
http://leigeral.sp.sebrae.com.br
Site do Sebrae-SP dedicado à Lei Geral. É o estado com mais muni-
cípios que já estabeleceram a regulamentação da LGM. Nele, estão
disponíveis dezenas de leis e decretos.

www.comunidade.sebrae.com.br/multileigeral
Fórum de discussão interativa do Sebrae Nacional.

www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional
Site da Receita Federal.

Anexos | 83
7.2 - Prêmio Prefeito Empreendedor –
Uma Vitrine Nacional

Apresentamos a seguir alguns casos de sucesso premiados no Prê-


mio Sebrae Prefeito Empreendedor, que mostram ações pró-ativas
das prefeituras em favor dos pequenos negócios locais. A Lei Geral
Municipal será um excelente instrumento de implantação de pro-
jetos similares em seu município.

Empreendedorismo na sala de aula


Alunos das escolas municipais de Santa Rita do Sapucaí são
preparados para se tornar futuros empreendedores
O ensino do empreendedorismo nas escolas de Santa Rita do Sapu-
caí, a 450 quilômetros de Belo Horizonte, e o incentivo às pequenas
e micro empresas deram ao prefeito da cidade, Jefferson Gonçalves
Mendes, o Prêmio Nacional Governador Mário Covas de Prefeito
Empreendedor - Região Sudeste, em 2001. O Projeto de Ensino de
Empreendedorismo nas escolas municipais de Santa Rita do Sapucaí
teve seu início por meio de uma carta enviada à secretária de Educa-
ção por alunos da Escola Municipal João Faria de Cardoso. O objeti-
vo era apresentar problemas de grande importância para os alunos,
o que despertou a atenção da administração do município. A partir
de então, foram realizadas melhorias nas escolas e professores foram
treinados para levar o empreendedorismo para dentro das salas de
aula. Como parte do projeto empreendedor da Prefeitura de Santa
Rita do Sapucaí, foi criado, em 2001, o Centro Empresarial. A iniciativa
incentiva a expansão de indústrias já instaladas no município e que
apresentam chances reais de crescimento e geração de empregos. A
administração da cidade, com a autorização da Câmara Municipal,
doou lotes a 13 empresas que já estavam em atividade e realizou to-
das as obras de infra-estrutura básica. Hoje, a área contempla a ins-
talação de uma unidade Fiemg/Sesi/Senai, área de lazer, restauran-
te, heliponto, ruas internas, auditório, posto médico e indústrias. No
mesmo ano, a Prefeitura de Santa Rita criou o Programa Municipal
de Incubação Avançada de Empresas de Base Tecnológica, haja vista
que a cidade é conhecida como o Vale da Eletrônica. A idéia atraiu
projetos de grande potencial, dando aos novos empreendedores a
oportunidade de colocar seus projetos em prática com segurança.

84 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Cidade das Rosas é excelência em gestão

Ano t a ç õ e s
Parcerias levaram Barbacena de volta ao cenário nacional e
mundial da floricultura
Conhecida desde 1925 por sua fama de “Cidade das Rosas”, Bar-
bacena enfrentou momentos de decadência no desenvolvimento
da atividade. Apesar das favoráveis condições climáticas da região,
como temperatura, altitude e qualidade do solo, a cidade passou, a
partir de 2005, a desempenhar um papel menos representativo no
mercado de produção de flores. Disposto a recuperar a tradição de
Barbacena e valendo-se da parceria com o Sebrae e com a Associa-
ção Barbacenense dos Produtores de Rosas e Flores (Abarflores),
o novo prefeito da cidade, Martim Andrada, implantou o “Projeto
Floricultura”. O objetivo era recuperar a produção de rosas e flores
e retomar as exportações e a competitividade do setor. O primei-
ro passo foi mobilizar os produtores e recuperar sua auto-estima.
A Abarflores, entidade representativa do setor, foi fortalecida e as
empresas receberam apoio para participar de feiras e contratar
assistência técnica. As ações passaram a dar resultados e o prefeito
Martim Andrada chegou à disputa final do Prêmio Estadual Sebrae
Prefeito Empreendedor 2005. No mesmo ano, foram produzidas
na cidade 28 milhões de flores de 28 diferentes espécies. Cerca de
3.500 empregos diretos e 1.500 indiretos foram gerados na região
e a arrecadação municipal aumentou significativamente. Revita-
lizar a tradicional “Festa das Rosas” também fez parte do projeto
de recuperação do setor, que reúne 46 produtores e envolve cerca
de 5 mil pessoas, e é responsável por aproximadamente 10% da
economia da cidade. A retomada nas exportações, a oficialização
do “Selo de Origem”, a implantação do certificado de qualidade e
o alcance da meta de produção mensal de 400 mil rosas marcaram
a volta da cidade de Barbacena ao circuito nacional e mundial das
flores.

Itajubá da Gente
Projetos desenvolvidos pela Prefeitura da cidade são destaque no Estado
Com 78.444 habitantes, o prefeito de Itajubá, José Francisco Mar-
ques Ribeiro, tornou-se finalista do Prêmio Mário Covas para o
Prefeito Empreendedor em Minas Gerais, em 2003, com o projeto
“Itajubá da Gente”. A iniciativa, realizada em parceria com o Se-
brae-MG, a Emater-MG e o Ima, é composta por vários programas
que contemplam o estímulo ao artesanato urbano, à agricultura e

Anexos | 85
pecuária familiar. O programa “Agricultura Familiar” promoveu o
desenvolvimento sustentável no meio rural, evitando que as famí-
lias se mudassem para o centro urbano sem ter um meio de gerar
renda. Para elevar a capacidade produtiva, foram criadas ações de
conservação do solo e da água, incentivo à fruticultura e estímulo
à solidariedade. A Prefeitura forneceu a semente para o agricultor,
que por sua vez garante merenda escolar para escolas municipais,
e doação de toda a produção que não foi vendida para a população
carente. A administração municipal de Itajubá ofereceu também
capacitação profissional aos moradores da área rural e garantiu,
gratuitamente, o transporte e o ponto-de-venda dos produtos na
cidade. No projeto “Artesanato Urbano”, uma associação dos arte-
sãos da região foi criada para vender os produtos na loja mantida
pela Prefeitura. Todas as praças da cidade foram reformadas para
se transformar em locais adequados para a realização de feiras.
Como parte do projeto desenvolvido pela Prefeitura de Itajubá,
a pecuária também ganhou incentivo e estímulo ao desenvolvi-
mento. O programa “Pecuária Familiar” garantiu fornecimento de
sêmen geneticamente melhorado para inseminação artificial do
rebanho, realização de cursos, campanhas de melhoria da qualida-
de do leite, de vacinação, controle de zoonoses e comercialização
dos produtos na loja da Prefeitura e em feiras. Os projetos desen-
volvidos pela Prefeitura de Itajubá, representada pelo prefeito José
Francisco Marques Ribeiro, resultaram na reversão do fluxo migra-
tório da zona rural para a zona urbana.

Três Marias
Espaço para os pequenos crescerem
Pensando no crescimento socioeconômico e no desenvolvimento
sustentável de Três Marias, o prefeito Adair Divino da Silva criou no
município o Distrito de Pequenas Empresas, um espaço exclusivo ao
pequeno empreendedor. O projeto lhe garantiu o título de finalista do
Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor na categoria Planejamento,
Estruturação e Governança e também o de Regional Sudeste. Situado
às margens da rodovia BR–040, o Distrito atraiu 22 empreendimen-
tos e gerou 351 empregos diretos. Instalaram-se no local empresas
de marcenarias, confecções, serralherias, fábrica de móveis, funilaria
e pintura de automóveis, material de construção, auto-elétrica, além
de transportadoras, cooperativas agropecuárias e empreiteiras. “As
micro e pequenas empresas são hoje os grandes empregadores e ge-
radores de renda em todo lugar,” afirma o prefeito.

86 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Resumo das ações

Ano t a ç õ e s
Nome:
1) Distrito de Pequenas Empresas;
2) Cooperativa Vitória das Marias;
3) Estância Familiar – Horta Comunitária.
Natureza
1) Disponibilização e melhoria de infra-estrutura;
2) Apoio à cooperação e ao associativismo;
3) Políticas de apoio ao desenvolvimento.
Público-alvo:
1) Empresários de micro e pequenos negócios;
2) Novos empreendedores;
3) Famílias de baixa renda e pequenos agricultores.
Resultados:
1) Atraiu 22 empresas e gerou 351 empregos diretos;
2) 57 famílias atendidas, com renda média mensal de R$ 380;
3) 39 famílias participam do projeto.
Investimento:
1) R$ 400 mil
2) R$ 78,1 mil;
3) R$ 44 mil.
Realização:
Prefeitura, Embaixada Alemã, Grupo Votorantim, Governo Federal
e Empresa Macro Trator-Tobata
Explorando as potencialidades
Para concretizar essa idéia, a Prefeitura de Três Marias doou 76
lotes e criou a Central de Conselhos para promover cursos de capa-
citação e orientar os empreendedores na elaboração de projetos.
Os interessados tiveram que comprovar ser pessoa jurídica e ter
capacidade de investimento. “Percebi que o município tinha po-
tencialidades comuns às micro e pequenas empresas. Só precisava
de um incentivo”, lembra o prefeito.

Anexos | 87
Estrutura para produzir
E para complementar sua política de desenvolvimento socioeconômi-
co, Adair Divino criou outros dois projetos: o Estância Familiar – Horta
Comunitária e a Cooperativa Vitória das Marias. No primeiro caso, cada
família recebe um lote de 500m², insumos, acompanhamento técnico e
administrativo. Os participantes do projeto entram com a mão-de-obra
e a comercialização, por meio da Associação da Fazendinha Comuni-
tária. A produtora rural da horta comunitária Estância Familiar, Maria
das Graças Sobrinho, diz que tudo mudou com o projeto. “Melhorou a
minha qualidade de vida e eu consigo sustentar a minha família com a
venda das verduras colhidas na horta,” comemora.
Adoçando a vida e o orçamento
A Cooperativa Vitória das Marias, com 39 associados, também se
enquadrou na proposta do prefeito de promover o desenvolvimen-
to socioeconômico, por meio do incentivo aos micro e pequenos
empreendedores. A entidade é integrada por pequenos fabricantes
de doces, biscoitos, bolo, tempero, queijo e requeijão de soja. Os
produtos são comercializados por meio do Programa Compra Di-
reta do Governo Federal, em diversos pontos comerciais da cidade
e em entidades, escolas e creches. Além dos projetos citados, a pre-
feitura de Três Marias desenvolve no município outras ações que
estimulam a geração de emprego e renda, a exemplo da agência
de desenvolvimento econômico, do estímulo ao microcrédito e da
criação de espaço para realização de feiras e eventos comerciais.
Todos os projetos são realizados em parceria com a população,
instituições de apoio e a iniciativa privada. “O prêmio demonstra
que estamos conseguindo vencer o desafio de alavancar a susten-
tabilidade do município”, conclui o prefeito.
Turismo rural
Três Marias é conhecida como “Doce Mar de Minas”. Cidade tran-
qüila e agradável, margeada pelo Rio São Francisco e banhada
pelas águas límpidas do grande lago que tem o nome da cidade.
Privilegiada pelas belezas do cerrado, cujo símbolo maior são as
veredas, seu belo cenário é propício para o turismo rural e para
atividades de ecoturismo por possuir inúmeras nascentes, riachos
e magníficas cachoeiras. Não só pelo peixe que dá o Velho Chi-
co, mas também pela criatividade da população, a culinária é um
atrativo a mais no município.

88 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Santa Luzia

Ano t a ç õ e s
Excelência na gestão pública
Resumo das ações
Nome:
1) MBA Executivo;
2) Lei às MPE;
3) Melhoria de rodovias;
4) Apoio ao esporte;
5) Incentivo aos idosos;
6) Escola empreendedora;
7) Segurança alimentar.
Natureza:
1) Planejamento;
2) Tratamento diferenciado;
3) e 7) Infra-estrutura;
4) Mercado;
5) Tecnologia;
6) Capacitação.
Público-alvo:
1) Gestores municipais;
2) MPE;
3) Fornecedores e empresas de transportes;
4) e 6) Estudantes;
5) Idosos;
7) Manipuladores e empresas de alimentos.
Resultado:
1) Excelência na gestão pública;
2) Incentivos;
3) Eficiência;
4), 5) e 6) Inclusão social e educacional;
7) Boas práticas.

Anexos | 89
Investimento:
1) R$ 255 mil;
3) R$ 7,6 milhões;
4) R$ 405 mil;
5) R$ 50 mil;
6) R$ 6 mil;
7) R$ 353,6 mil.
Realização:
Prefeitura, Fundação Pedro Leopoldo, Associação Empresarial de Santa
Luzia, Dnit, Apae, Banco Itaú, escolas, Oscip Circuito da Vida e Anvisa.
Decidido a promover as micro e pequenas empresas, o prefeito José
Raimundo Delgado deu o primeiro passo nesse sentido ao ceder
um terreno da prefeitura para a construção da Associação Empresa-
rial de Santa Luzia. Ao mesmo tempo, aderiu ao movimento nacio-
nal que resultou na aprovação da Lei Geral das Micro e Pequenas
Empresas, em vigor desde o dia 15 de dezembro de 2006. Também
assinou leis diminuindo a burocracia na abertura de empresas e
concedendo incentivos fiscais em relação ao Imposto Sobre Servi-
ços. E, para completar, resolveu submeter os gestores municipais
ao curso de especialização Gestão da Excelência nas Organizações,
com 374 horas de duração. Trata-se de um curso de Master Business
Administration (MBA), uma sigla em inglês que, no Brasil, significa
capacitação de pós-graduação sobre administração de empresas.
O conteúdo prepara a implementação de programas de desenvol-
vimento empresarial, mas também procura a produção de bens e
serviços que satisfaçam as necessidades da população. “O curso vem
somar-se a outras iniciativas de melhoria na gestão”, comenta a pe-
dagoga Marli Nascimento, secretária municipal de Educação.
O sonho do campo
O empreendedorismo foi levado à escola pública Dagmar Barbosa
como parte de um leque de ações que colocaram o prefeito na
disputa final do 4º Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor na ca-
tegoria Grandes Cidades. Apesar de 90% da população da cidade
ser de baixa renda, crianças e jovens estudantes manifestaram o
desejo de ser empreendedores. Um deles, Alex, realizou o sonho de
ter um campo de futebol no bairro. Com a ajuda da prefeitura, o
campo foi montado nas instalações da própria escola.

90 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


7.3 - Localize o Sebrae mais perto de você

Ano t a ç õ e s
Micro-regionais Sebrae MG

O Sebrae-MG possui dezenas de micro-regionais espalhadas por


todo o estado, tornando mais fácil qualquer contato:

Aimorés
Avenida Raul Soares, 10 A – Centro – CEP 35200-000
Tel.: (33) 3267-2112

Alfenas
Rua José Dias Barroso, 53 – Centro – CEP 37130-000
Tel.: (35) 3292-3696

Almenara
Rua Deraldo Guimarães, 100 A – Centro – CEP 39900-000
Tel.: (33) 9977-0049

Andrelândia / São Lourenço


Rua Coronel José Justino, 319 – Centro – CEP 37470-000
Tel.: (35) 3332-4998

Araxá
Avenida Getúlio Vargas, 365 – Centro – CEP 38183-192
Tel.: (34) 3662-2422

Barbacena
Rua Francisco Sá, 105 – Centro – CEP 36200-068
Tel.: (32) 9983-0314
Belo Horizonte
Avenida Barbacena, 288 – CEP 30190-130
Tel.: (31) 3295-3908 / 3295-3906

Bom Despacho
Rua Doutor José Gonçalves, 37 – CEP 35600-000
Tel.: (37) 3522-2875

Anexos | 91
Caratinga
Praça Coronel Rafael da Silva Araújo, 70 – Bairro Salatiel – CEP
35300-255
Tel.: (33) 3321-6829

Cataguases
Rua Ofélia Resende, 101 – CEP 36770-000
Tel.: (32) 9974-6640

Conselheiro Lafaiete
Avenida Prefeito Mário Rodrigues Pereira, 23 – CEP 36400-000
Tel.: (37) 3721-4343

Curvelo
Praça Central do Brasil, 198 – Centro – CEP 35790-000
Tel.: (38) 3721-9190

Diamantina
Rua da Glória, 394 – CEP 39100-000
Tel.: (38) 3531-6167

Divinópolis
Rua Rio de Janeiro, 341 – Centro – CEP 35500-009
Tel.: (37) 3213-2085 / (37) 3213-2084

Formiga
Rua João Pedrosa, 215 – Bairro Quinzinho – CEP.: 35570-000
Tel.: (37) 3322-2551

Frutal
Praça Dr. França, 39 – Centro – CEP38200-000
Tel.: (34) 9988-0149 / (34) 3421-9133

Governador Valadares
Avenida Brasil, 4.000 - Loja 05 – CEP 35010-070
Tel.: (33) 3276-8770 / (33) 9989-1047

Guanhães
Rua Odilon Beakrens, 205 – Centro – CEP 39740-000
Tel.: (33) 9983-6008

92 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Ipatinga

Ano t a ç õ e s
Rua Uberlândia, 331 – Centro – CEP 35160-024
Tel.: (31) 3822-4699 / (31) 9632-0121

Itabira
Rua Água Santa, 450 – Centro – CEP 35900-009
Tel.: (31) 3831-2120 / (31) 9962-6078

Itajubá
Avenida Coronel Carneiro Júnior, 192 – Centro – CEP 37500-018
Tel.: (35) 3622-2277 / (35) 9986-0119

Itaúna
Rua Lilia Antunes, 99 – Bairro Santo Antônio – CEP 35680-270
Tel.: (37) 3242-2473 / (37) 9982-0588

Ituiutaba
Rua 22, 385 – Centro – CEP 38300-076
Tel.: (34) 9988-1150 / (34) 3261-1459

Janaúba
Avenida do Comércio, 26 – CEP 39440-000
Tel.: (38) 3821-3000 / (38) 9988-0450

Januária
Travessa Humaitá, 94 – Centro – CEP 39480-000
Tel.: (38) 3621-3444 / (38) 9989-0171

João Monlevade
Rua Floresta, 100 – Bairro Carneirinho – CEP 35930-235
Tel.: (31) 3851-6130 / (31) 9963-0756

Juiz de Fora
Avenida Rio Branco, 2.828 – CEP 36016-311
Tel.: (32) 9986-0262 / (32) 9945-0655
Lavras
Rua Francisco Sales, 666, 2º andar – CEP 37002-020
Tel.: (35) 9979-1184

Manhuaçu
Praça 5 de Novembro, 355, 2º andar – CEP 36900-000
Tel.: (33) 3331-4833 / (33) 9969-0036

Anexos | 93
Montes Claros
Avenida Afonso Pena, 175 – CEP 39400-098
Tel.: (38) 9985-2092 / (38) 3690-5900

Muriaé
Rua Doutor Alves Pequeno, 237, sala 36 – CEP 36880-00
Tel.: (32) 3721-9722 / (32) 9945-0647

Oliveira
Praça XV de Novembro, 20, sala 104 – CEP 35540-000
Tel.: (37) 3331-3880

Paracatu
Rua Salgado Filho, 615 – CEP 38600-000
Tel.: (38) 3672-3511/ (38) 9962-0905

Passos
Rua Santo Antônio, 55 – CEP 37900-082
Tel.: (35) 9981-1247

Patos de Minas
Rua Olegário Maciel, 12 – CEP 38700-122
Tel.: (34) 9988-0129 / (34) 3821-4900

Patrocínio
Avenida Joaquim Carlos dos Santos, 151 – CEP 38740-000
Tel.: (34) 9984-0046

Pirapora
Rua Mato Grosso, 410 – CEP 39270-000
Tel.: (38) 3741-3390 / (38) 9982-0166

Poços de Caldas
Rua Prefeito Chagas, 459, 4º andar – Centro – CEP 37701-010
Tel.: (35) 3722-3352 / (35) 3722-3304 / (35) 9974-0047

Ponte Nova
Praça Getúlio Vargas, 19 – CEP 35430-002
Tel.: (31) 3881-2889 / (31) 9989-0542

Pouso Alegre
Rua Herculano Cobra, 145 – CEP 37550-000
Tel.: (35) 3449-7204 / (35) 9968-0292

94 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa


Salinas

Ano t a ç õ e s
Rua João Ribeiro, 67 – CEP 39560-000
Tel.: (38) 9974-2272

Santa Rita do Sapucaí


Alameda José Cleto Duarte,10 – Centro – CEP 37550-000
Tel.: (35) 9959-0193

São João Del Rey


Rua Maria Tereza, 20 – CEP 36307-312
Tel.: (32) 3372-3833

São João Nepomuceno


Rua Doutor Péricles de Mendonça, 95 – CEP 36680-000
Tel.: (32) 3261-7420 / (32) 9963-4025

São Sebastião do Paraíso


Avenida Oliveira Resende, 1350, 2º piso – Bairro Braz – CEP 37950-000
Tel.: (35) 3531-2014 / (35) 9975-0535

Sete Lagoas
Rua Fernando Pinto, 137 – CEP 35700-042
Tel.: (31) 3773-5757/ (31) 9957-6170

Teófilo Otoni
Rua Epaminondas Otoni, 655 – CEP 39800-000
Tel.: (33) 9907-4724 / (33) 3522-1320

Três Marias
Rua Várzea da Palma, 281 – Centro – CEP 39205-000
Tel.: (34) 3754-3668 / (38) 9984-0253

Turmalina
Avenida Lauro Machado,12A – CEP 39660-000
Tel.: (38) 9971-7800 / (38) 9197-0680 / (38) 3527-2544

Ubá
Avenida Raul Soares, 36, loja 1, edifício Inter Center – Centro – CEP
36500-000
Tel.: (32) 3531-5166 / (32) 9985-1034

Anexos | 95
Uberaba
Avenida Leopoldino de Oliveira, 3.433 – Centro – CEP 38010-000
Tel.: (34) 3318-1800 / (34) 9988-0165

Uberlândia
Rua Duque de Caxias, 185 – Centro – CEP 38408-382
Tel.: (34) 9988-0177 / (34) 3237-2224

Unaí
Rua Nossa Senhora do Carmo, 224, sala 9A, edifício Unaí – Centro
– CEP 38610-000
Tel.: (38) 3676-7036 / (38) 9961-2500

Varginha
Rua Dona Zica, 46 – Centro – CEP 37010-570
Tel.: (35) 3222-5450 / (35) 9988-3274

Viçosa
Rua Doutor Milton Bandeira, 215 – CEP 36570-000
Tel.: (31) 3891-4759

Macro-regionais
Belo Horizonte (SEDE)
Avenida Barão Homem de Melo, 329 – Nova Suíça – CEP 30460-090
Tel.: (31) 9957-9470

Pouso Alegre
Rua Herculano Cobra, 145 – cep.: 37550-000
Tel.: (35) 3449-7214 / (35) 9982-0566

Uberaba
Avenida Leopoldino de Oliveira, 3.433 – Centro – CEP 38010-000
Tel.: (34) 3318-1800 / (34) 9988-0137

Montes Claros
Avenida Afonso Pena, 175 – CEP 39400-098
Tel.: (38) 3690-5908 / (38) 3690-5900 / (38) 9986-2797

Juiz de Fora
Avenida Rio Branco, 2.828 - CEP 36016-311
Tel.: (32) 3239-5306 / (32) 9987-1239

96 | Manual de implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa