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SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO

LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

ILZA SOUZA DE CAMPOS

ATIVIDADE INTERDISCIPLINAR INDIVIDUAL

Mato Verde
2014
ILZA SOUZA DE CAMPOS

TÍTULO DO TRABALHO:
Subtítulo do Trabalho, se Houver

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à


Universidade Norte do Paraná - UNOPAR, como
requisito parcial para a obtenção do título de ....... em
Nome do Curso.

Orientador: Prof.

Cidade
Ano
ATIVIDADE INTERDISCIPLINAR INDIVIDUAL

Trabalho apresentado ao Curso de Pedagogia da


UNOPAR - Universidade Norte do Paraná, para a
obtenção de nota 4º semestre do Curso de Pedagogia

Profs. Sandra Reis, Edilaine Vagula, Marlizete Steinle,


Juliana Fogaça, Vilze Vidotte, Suhellen Lee.

Mato Verde
2014
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO............................................................................................................04

DESENVOLVIMENTO.................................................................................................05

CONCLUSÃO..............................................................................................................11

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO.............................................................................11
INTRODUÇÃO

O presente estudo busca ilustrar a importância a importância da arte


na formação estética enfatizando a vida e obra de Tarsila do Amaral, uma das
grandes pintoras e desenhistas brasileiras.
Tarsila do Amaral (1886-1973) foi pintora e desenhista
brasileira. O quadro "Abaporu" pintado em 1928 é sua obra mais
conhecida. Junto com os escritores Oswald de Andrade e Raul Bopp,
lançou o movimento "Antropofagia", que foi o mais radical de todos
os movimentos do período Modernista. O Movimento foi inspirado no
quadro "Abaporu" que significa antropófago em tupi. Sobre seu
quadro Tarsila diz "Essa figura primitiva e monstruosa nasceu de um
sonho". Tarsila ofereceu esse quadro ao namorado Oswald de
Andrade, como presente de aniversário.
A arte tem função básica na formação do homem e não é apenas
por meio de atividades de natureza lógica e objetiva que ele desenvolve as
competências necessárias para atuar no meio profissional, pois “[...] a arte no
processo criativo-fruitivo constitui fonte de humanização e educação do homem”
(PEIXOTO, 2003, p. 94). Sendo o professor a variável fundamental para se efetivar o
processo de ensino e aprendizagem, um programa de formação necessita, para
além da formação profissional, considerar a formação cultural do professor.
DESENVOLVIMENTO

VIDA E OBRA DE TARSILA DO AMARAL (1886 - 1973)

O portal Escritório da Arte (2014) afirma que Tarsila do Amaral foi


uma pintora e desenhista brasileira, uma das artistas centrais da pintura brasileira e
da primeira fase do movimento modernista brasileiro, ao lado de Anita Malfatti. Seu
quadro Abaporu, de 1928, inaugurou o movimento antropofágico nas artes plásticas.
Juntamente com Candido Portinari, Di Cavalcanti, José Pancetti e
alguns outros pintores, Tarsila; dona de referência bibliográfica invejável – creio que
sobre ela e sua arte todos os aspectos importantes e menos importantes já tenham
sido explorados – faz parte da própria história da arte moderna brasileira.
A ‘Caipirinha’ vestida por Jean Patou e (Paul) Poiret, viveu a
prodigiosa efervescência e a desvairança dos anos ’20 no Brasil e na França, e
deles tirou grande proveito.
FIGURA 01 – TARSILA DO AMARAL

Fonte: Portal da Arte (2014)

Tarsila do Amaral nasceu em 1º de Setembro de 1886 em Capivari


do estado de São Paulo, filha e neta de fazendeiros num contexto de uma sociedade
tradicionalista e poderosa sempre curiosa, “[…] vê seu interesse em arte surgir ao
copiar uma imagem do Sagrado Coração, no Colégio "Sacre-Coeur" de Barcelona
[…]"(Amaral, Aracy A. Tarsila: Sua obra e seu tempo, 1975, p.13). O tradicionalismo
de sua época é a base de sua nova geração no desejo de mudanças e novidades.
Tarsila do Amaral teve uma formação acadêmica artística em São
Paulo, que seguiam padrões adotados pela Missão Francesa no Brasil; e em Paris
onde fez uma longa viagem para estudos contemporâneos sem perder contato com
o Brasil, mantendo-se atualizada aos movimentos e repercussões que tomavam o
Modernismo Brasileiro através de Anitta Malfatti , figura também muito importante
nas artes brasileiras. A artista teve participação ativa na renovação da arte brasileira
que ocorreu a partir de 1920. O Modernismo Brasileiro foi um movimento que
contemplou diversas áreas culturais. Uma arte com influências das vanguardas
europeias como Futurismo e principalmente o Cubismo que repugnavam
movimentos artísticos como o Parnasianismo.
A arte acadêmica brasileira teve sucesso na integração do
nacionalismo nas obras, porém apenas a temática representava a nação, suas
formas, cores e técnicas eram todas europeias. O Modernismo brasileiro busca
exatamente esses aspectos nacionais que as academias não uniram as formas
brasileiras, as cores brasileiras e as técnicas brasileiras. A partir deste conceito,
Tarsila do Amaral inicia suas criações que podem ser divididas principalmente entre
dois movimentos. O Movimento Pau-Brasil, onde sua arte é considerada com uma
posição mais primitivista, iniciado em 1924 e o Movimento Antropofágico, iniciado
em 1928 com a obra Abaporu.
FIGURA 02 – ABAPORU

Fonte: Portal da Arte (2014)

O Movimento Antropofágico foi o mais radical do modernismo. Nele,


é criada uma metáfora com relação à antropofagia ritual dos índios brasileiros, que é
transformada em um processo de elaboração da identidade nacional. Estes índios
devoravam apenas os inimigos mais corajosos pra absorver suas qualidades, assim,
a antropofagia cultural e artística, se encarregava de absorver as influências da arte
europeia para assimilar o que delas interessava para a construção de uma arte
verdadeiramente brasileira. Nesta fase, Tarsila usou animais e paisagens
imaginárias, além das cores fortes.
Portal da arte (2014) afirma que em janeiro de 1928, Tarsila queria
dar um presente de aniversário especial ao seu marido, Oswald de Andrade. Pintou
o 'Abaporu'. Quando Oswald viu, ficou impressionado e disse que era o melhor
quadro que Tarsila já havia feito. Chamou o amigo e escritor Raul Bopp, que também
achou o quadro maravilhoso. Eles acharam que parecia uma figura indígena,
antropófaga, e Tarsila lembrou-se do dicionário Tupi Guarani de seu pai. Batizou-se
o quadro de Abaporu, que significa homem que come carne humana, o antropófago.
E Oswald escreveu o Manifesto Antropófago e fundaram o Movimento Antropofágico.
A figura do Abaporu simbolizou o Movimento que queria deglutir, engolir, a cultura
europeia, que era a cultura vigente na época, e transformá-la em algo bem
brasileiro.
Ainda de acordo com o Portal da Arte a artista contou que o Abaporu
era uma imagem do seu inconsciente, e tinha a ver com as estórias de monstros que
comiam gente que as negras contavam para ela em sua infância. Em 1929 Tarsila
fez sua primeira Exposição Individual no Brasil, e a crítica dividiu-se, pois ainda
muitas pessoas ainda não entendiam sua arte. Ainda neste ano de 1929, teve a crise
da bolsa de Nova Iorque e a crise do café no Brasil, e assim a realidade de Tarsila
mudou. Seu pai perdeu muito dinheiro, teve as fazendas hipotecadas e ela teve que
trabalhar. Separou-se de Oswald.
Na obra Abaporu, por exemplo, a artista representa um homem com
mãos e pernas desproporcionalmente grandes para valorizar o trabalho braçal pelo
qual passava a maioria dos trabalhadores do país. Além disso, a cabeça de Abaporu
é bem menor que os outros membros, mostrando a desvalorização do trabalho
mental na época. O nome do quadro possui origem tupi-guarani que significa:
"homem que come gente", uma junção dos termos aba (homem), poru (que come).
Em A Negra, obra criada em 1923, percursora do Movimento
Antropofágico, Tarsila do Amaral, representa uma mulher de lábios grosso, nua e
com um seio pesado, pendendo. A negra se encontra sentada, o que dá uma
aparência imóvel. Esta mulher, representada com braços e pernas grossas, segunda
a própria autora, é uma imagem originária das histórias contadas pelas criadas da
fazenda em sua infância. Histórias que contavam sobre escravas que trabalhavam
nas plantações de café, e que pela incapacidade de adiar o trabalho, amarravam
pedrinhas nos bicos dos seios, para que estes, alongados, pudessem ser apoiados
sobre os ombros, para poder amamentar seus filhos, que elas carregavam nas
costas. Atrás da negra, Tarsila dispôs uma folha de bananeira, em diagonal semi-
curvada. Este é o elemento que entrelaça na tela a figura da negra, (à frente do
imaginário brasileiro, com a parte do fundo, relacionada à disciplina construtiva
cubista). Apesar de ter pintado A Negra enquanto ainda estava em Paris, Tarsila já
demonstra sinais da mistura dos valores nacionais e da nova linguagem plástica
proclamadas pelos modernistas da Semana de 22.

A IMPORTÂNCIA DA ARTE COMO CONHECIMENTO E FORMAÇÃO ESTÉTICA,

Peixoto (2003) apud Soares e Carvalho (2014) afirma que arte,


mesmo sendo o resultado de uma individualidade, é social, é uma realidade social
que se dá na práxis humana, a qual é coletiva, ou seja, mesmo sendo uma obra
individual, na relação com o social e na relação com o produtor, ela se torna social,
pois é resultado de um processo humano social. A arte permite ao sujeito
experimentar, por meio dos seus sentidos, situações inusitadas. Coloca-o na
condição de autor ou coautor do processo de estruturação da consciência humana.
Assim, possibilita ao sujeito a aproximação com a realidade humana e social, ao
mesmo tempo em que oportuniza que se aproxime de si mesmo, sinta, compreenda
e recrie num processo dialético. A obra possui “vida própria” e dialoga com o criador
e com o fruidor num processo de constante criação que proporciona ao segundo
consciência e apreensão do mundo.
A busca pelo conhecimento dá-se por diversas vias e uma delas é
pelo acesso aos bens culturais. Por meio da arte, o sujeito amplia sua capacidade
de reflexão e percepção, assim como sua sensibilidade. Vigotski (1999, p. 35) apud
Neitzel e Carvalho (2013) afirma que “o que não estamos em condição de
compreender diretamente podemos compreender por via indireta, através da
alegoria, e toda a ação psicológica da obra de arte pode ser integralmente resumida
ao aspecto indireto dessa via”. Nesse sentido, na relação com a arte, o sujeito pode
indiretamente se relacionar consigo mesmo, ampliar sua rede de compreensão do
que o rodeia. A experiência estética pode ser um meio pelo qual o sujeito percebe
melhor a si mesmo e seu entorno.
A arte possibilita ao educador construir uma prática pedagógica em
que conhecimento, imaginação e expressão conjugam-se dinamicamente,
beneficiando o desempenho do estudante, favorecendo o desenvolvimento da
imaginação e das habilidades, o exercício da criatividade, do senso crítico e da
melhor absorção do conteúdo das aulas (CARVALHO; BUFREM, 2006, p. 48) APUD
NEITZEL E CARVALHO (2013).
Tarsila do Amaral usava cores vivas, teve Influência do cubismo (uso
de formas geométricas), abordagem de temas sociais, cotidianos e paisagens do
Brasil, estética fora do padrão (influência do surrealismo na fase antropofágica).
Em 1922, Tarsila do Amaral juntou-se a Anita Malfatti, Menotti del
Picchia, Oswald de Andrade e Mário de Andrade, formando o "Grupo dos Cinco",
que lançou a Semana de Arte Moderna. O grupo era descrito por Tarsila como
"bando de doidos em disparada por toda parte no Cadillac verde de Oswald". Ainda
segundo ela, o principal motivo da compra de um Cadillac por Oswald foi a presença
de um cinzeiro dentro do carro, item raro em outros modelos. A primeira exposição
individual de Tarsila do Amaral aconteceu em 1926, em Paris. A artista exibiu 17
telas na galeria Percier, a maior parte delas da sua fase "pau-brasil", inspiradas por
uma viagem feita ao interior de Minas Gerais.
Em 1929, a artista expôs 35 quadros no Palace Hotel, no Rio de
Janeiro. Foi a primeira exposição de Tarsila do Amaral no Brasil. Considerada a
pintora mais representativa da primeira fase do Modernismo no Brasil, Tarsila
recebeu o Prêmio de Pintura Nacional na I Bienal de São Paulo, em
1951. "Abaporu", sua tela mais famosa, foi leiloada na Christie’s de Nova York em
novembro de 1995. O investidor argentino Eduardo Constantini arrematou-a por 1,5
milhão de dólares. É a pintura mais cara já feita por um artista brasileiro.
CONCLUSÃO

Ao se pensar na criação artística, é possível refletir, também, sobre a


imaginação enquanto fundamento de toda atividade criadora e que se manifesta
decididamente em todos os aspectos da vida cultural, tornando possível a criação
artística, científica e técnica. Neste sentido, absolutamente tudo o que rodeia o
homem e tenha sido feito pela sua mão – todo o mundo da cultura diferente do
mundo da natureza – é produto da imaginação e criação humanas baseadas na
imaginação.
Observa-se que a arte como conhecimento e formação estética é de
extrema relevância no processo de ensino aprendizagem sendo sem sobra de
dúvidas uma ferramenta essencial para todo e qualquer educador.
Sobre Tarsila do Amaral, compreende-se que se trata de um
expoente de imensa importância no cenário artístico nacional, sendo uma pintora e
desenhista que com seus trabalhos ajudou a mudar o rumo da arte nacional.
4. REFERÊNCIAS

NEITZEL, Adair de Aguiar; CARVALHO, Carla. A estética na formação de


professores. Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 13, n. 40, p. 1021-1040, set./dez. 2013.

SOARES, Maria Luiza Passos; CARVALHO, Carla. A formação estética do professor:


conceitos de artes visuais.