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QUILOMBO DA LAPINHA: UMA ABORDAGEM SOBRE SUAS CRENÇAS,

COSTUMES E TRADIÇÕES
Rodrigo Veloso fagundes, Mariley Gonçalves Borge, Hérick Lyncon Antunes Rodrigues

Introdução
Desde a sua formação o Norte de Minas Gerais e composto por diferentes comunidades e populações tradicionais,
que mantém as suas crenças, seus costumes, e tradições. Desta forma, podemos mencionar os geraizeiros que se
caracterizam por ser habitantes dos campos gerais ou chapadas, são populações que vivem ao norte de Minas Gerais,
nas proximidades ou ao lado da serra geral, os catingueiros que são populações que são provenientes do bioma caatinga,
e Quilombolas populações formada por diversos grupos de negros e que se refugiaram se contrapondo a escravidão.
Desta forma este trabalho busca identificar as principais características da comunidade Quilombo da Lapinha. O
quilombo da Lapinha esta localizada no município de Matias Cardoso, situada na região do extremo norte de Minas
Gerais. O território é composto de varias comunidades, sendo elas, Vargem da Manga, Lapinha, Saco, ocupação Rio
São Francisco e Ilha da Ressaca. É no território que se constrói sua cultura, baseada nos costumes hereditários, tendo a
pesca, agricultura e pecuária como forma social e econômica de viver.

Material e métodos
A metodologia utilizada foi pautada na revisão bibliográfica, bem como uma visita a campo para conhecer a realidade
abordada, e também aplicação de questionários aos moradores do quilombo da lapinha.
Resultados e Discussões
Ao fazermos uma análise do quilombo da Lapinha podemos observar que, a comunidade foi formada pela mistura de
índios com escravos e brancos com negros, esta comunidade ocupa estas terras há muito tempo e desenvolveram neste
território um meio de organização social buscando a solidariedade com todos os moradores sendo que todos os
problemas referentes à comunidade são julgados e resolvidos em uma reunião que acontece com todos os moradores.
Em relação a agricultura praticada no quilombo da lapinha pode-se afirmar que esta mais baseada em produtos para o
próprio consumo da comunidade assim Soares; Sales; e Fonseca (2014), assim;

[4] A agricultura desenvolvida na comunidade quilombola é caracterizada como sendo agricultura de base
familiar, pelo fato de não receberem nenhum incentivo por meio do governo. E vivem da criação de bovinos,
suínos e aves. Muitos migram para os grandes centros urbanos em busca de trabalho e renda. Hoje a produção
se restringe a ilha do Cajueiro e aproximadamente um hectare de terra coletiva no acampamento. As famílias
produzem suas hortas e pequenas plantações na vazante e no sequeiro do rio. Os principais produtos
cultivados por eles são: milho, feijão, mandioca e hortaliças.

Outro fator importante e que na comunidade se observa uma questão cultural muito forte, a população busca manter
as tradições seculares, como as danças, as festas tradicionais, e os fazeres cotidianos. A população vive em harmonia
com a natureza retirando dela somente o necessário para o seu uso, como a pesca no rio São Francisco, e a retirada de
produtos nativos para a confecção de remédios, e desmatamento de uma pequena área para plantio de horta para o
consumo da própria comunidade. Desta forma em relação à vida cotidiana da comunidade quilombo da lapinha Soares;
Sales; e Fonseca (2014) destaca que:

[4] O modo de vida dessa comunidade está baseado na pesca e na agricultura. A pesca é proveniente do Rio
São Francisco. A agricultura é praticada até então na “ilha da ressaca”, que se localizam as margens do rio,
com o plantio sendo realizado na época da vazante, sendo quando ocorre a baixa de suas águas, fazendo com
que o solo se torne propício para a realização das atividades agrícolas, devido ao grande acúmulo de
sedimentos trazidos durante as cheias e formando os “lamaçais”.

Os quilombolas tentam preservar sua cultura, buscando passar suas crenças e costumes de geração em geração,

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respeitando os ensinamentos passados de seus pais e avós. O batuque enquanto dança local, fazem com que todos se
reúnam, conversam e divirtam-se. Essa é a forma que eles têm de se expressarem, possibilitando um constante resgate à
cultura local, tentando assim, preservar sua identidade bem como seus costumes e tradições. Os resultados dessa
pesquisa apontam que a comunidade tenta manter sua história entre as gerações, resgatando assim as suas raízes,
culturas, crenças e saberes.

Considerações finais
Preservar o modo de vida de uma população e manter os seus saberes e fazeres tradicionais pode-se dizer que a
comunidade quilombola da lapinha mantém viva suas crenças, costumes e tradições e possuem uma riqueza muito
grande de conhecimentos sobre o espaço em que eles ocupam. Assim a cultura e o modo de vida presente se tornam de
essencial importância para a manutenção das famílias quilombolas neste espaço.

Referências

[1] ARAÚJO, Elisa Cotta De. Quilombo da lapinha: clivagem social, sociabilidade, tempo de expropriação e articulação política. In: Cerrado, Gerais, Sertão Comunidades
Tradicionais nos Sertões Roseanos- 1ª Ed. São Paulo, 2012.

[2] COMISSÃO PASTORAL DA TERRA. Caminhada celebra liminar a favor do Quilombo da Lapinha – MG. Disponivel em:
<http://www.cptnacional.org.br/index.php/publicacoes-2/noticias-2/14-acoes-dos-movimentos/1669-caminhada-celebra-liminar-a-favor-do-quilombo-da-lapinha-mg>
Acesso em: 02/04/2014.

[3] SISTEMAS DE INFORMAÇÕES SOBRE COMUNIDADES REMANESCENTES DE QUILOMBO.Comunidade.Disponível em:


<http://laced.etc.br/site/sistema_quilombo/comunidade.php?idQuilombo=323>Acesso em: 02/ 04/2014.

[4] SOARES, D. H. S. ; SALES, E. B; FONSECA, A.I.A. POPULAÇÕES TRADICIONAIS: O QUILOMBO DA LAPINHA MATIAS CARDOSO NORTE DE
MINAS GERAIS In: Anais do XXII encontro nacional de geografia agrária: agentes, processos, conflitos e conteúdos do espaço agrário brasileiro. Natal - RN, 2014.
Figura 1. Reunião da comunidade para resolverem problemas ou fazer seus festejos.
Fonte: BORGES, M.G.

Figura 1. Travessia do rio São Francisco para


a Ilha da Ressaca.
Fonte: BORGES, M.G.