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A introdução da eutanásia

no novo codigo penal


brasileiro
jercika.jusbrasil.com.br

Cícera Jércika Reinaldo Santos

Edjerlan Alves da Silva

Shakespeare Teixeira Andrade

RESUMO

A eutanásia é um dos temas de maior complexidade existentes


atualmente no direito, assim como para outros setores da sociedade,
por envolver religião, família, medicina, dentre outros. O objetivo do
nosso trabalho foi investigar e buscar a essência desse tema de forma
minuciosa, através de tópicos criados para melhor explicar as
controvérsias existentes a respeito desse assunto. A fonte de pesquisa
realizada nesse estudo foi à bibliográfica, com a pretensão de analisar
a historicidade acerca da temática, bem como os seus aspectos legais,
como métodos de abordagem, o dialógico, além disso, foi utilizado o
método dedutivo e como método de procedimento utilizamos o
histórico. Começando, pelo aspecto histórico, fazendo uma
conceituação baseada em alguns autores que escreveram sobre esse
assunto, observando também as várias classificações de eutanásia,
dentre elas estão à eutanásia ativa e eutanásia passiva, assim como o
posicionamento da doutrina e da igreja, analisando a tipificação legal
da eutanásia no direito comparado e no direito brasileiro atual, o qual
não trata de forma direta sobre a eutanásia, sendo esta entendida
como homicídio. Os nossos resultados revelam que as possíveis
inovações que contarão no anteprojeto para o código penal brasileiro,
tais como, a eutanásia ser tratada de forma autônoma, direta e como
uma nova modalidade de crime, tornando-se desta forma, distinta do
homicídio. No entanto ela vai continuar a ser criminalizada.

Palavras-Chave: Eutanásia. Direito Penal. Direito à Vida.

INTRODUÇÃO

No mundo, existem inúmeras discussões sobre a eutanásia, que é um


tema bastante complexo, e por isso, é que se busca saber sobre sua
validade, se há ou não possibilidade de ela adentrar nos
ordenamentos jurídicos ou até mesmo se ela é justa ou não.

Esse tipo de prática não é recente, existem registros descritos na


própria bíblia, em uma passagem do livro dos reis (I, 31, 3 a 7), em
que Saul, para não se tornar prisioneiro de seu inimigo tenta o
suicídio, mas não consegue consumar o fato, ficando apenas ferido, e
por isso, pede a um de seus escravos para acabar com sua vida.

A eutanásia é uma palavra que tem origem grega, e significa a boa


morte, a morte misericordiosa, morte sem dor. Em um sentido mais
amplo, trata-se da morte suave, sem presença de sofrimento físico. Já
em um sentido estrito, refere-se à ação voluntária de pôr fim à vida
de uma pessoa, sem que esta sinta dores.

Parte da doutrina brasileira não é favorável à eutanásia por entender


que esse é um ato que interrompe a vida de alguém, tornando-se com
isso um procedimento contrário ao direito à vida.
A Holanda foi o primeiro país a tratar da eutanásia de forma mais
clara e aprovar uma legislação que a tipificasse. Nesse ordenamento
permite-se que seja injetada no paciente uma injeção letal composta
de cloreto de potássio, levando o paciente a morte em poucos
minutos. Para isso é necessário à solicitação do paciente, assim como,
dois médicos devem atestar que se trata de caso incurável.

Apesar de tudo, esse tema gera em todos esses países profundas


discordâncias. Em outros, dentre eles o Brasil, a prática da eutanásia
é entendida como homicídio (GOLDIM, 2003).

No Brasil, a eutanásia é vista como uma pratica delituosa, como


homicídio. Embora ela não esteja exposta de forma direta e objetiva
no código penal brasileiro em vigência. Todavia, é aplicada ao agente
que cometer tal pratica o artigo 121 § 1º do código penal. Esse
dispositivo trata de um caso de diminuição de pena.

Segundo Silva (2010), na esfera penal o delito de eutanásia é passível


de muitos questionamentos, no momento de se analisar a culpa, visto
que na esfera civil o problema está em medir o tamanho dos danos
causados ao terceiro.

Portanto a Eutanásia carece de ser tratada pela legislação penal


brasileira de forma mais clara.

Diante disso surgiram as seguintes problemáticas: A eutanásia vai ser


tratada de forma direta no Novo Código Penal Brasileiro? Quais as
possibilidades dela ser tipificada como conduta criminosa ou não no
nosso ordenamento jurídico?

Em relação ao posicionamento da igreja, observamos que esta é


contraria a tal ato, sendo defensora da vida humana. Ela argumenta
que a vida é um dom sagrado dado por Deus, e que ninguém tem o
direito de tirar a vida humana a não ser ele.

A possibilidade de inclusão da eutanásia no próximo anteprojeto para


o código penal brasileiro justifica a necessidade da abordagem do
tema nesse estudo.

O enfoque principal deste trabalho é analisar a possívelintrodução da


eutanásia no novo código penal brasileiro.

Dividimos esse trabalho em quatro capítulos. No primeiro capitulo


faremos uma abordagem sobre a evolução histórica da eutanásia no
Brasil e em outros países, desde a antiguidade até os dias atuais, em
especial na Holanda, a qual foi à pioneira em dispor de lei ratando do
referido assunto.

No capitulo seguinte faremos uma abordagem acerca da Eutanásia,


abordaremos o seu conceito, bem como sua classificação.

No terceiro capitulo, iremos expor o posicionamento dos


doutrinadores acerca da eutanásia, levando em conta o entendimento
de alguns autores que defendem a descriminalização da eutanásia, e
de alguns autores que são contra tal conduta.

Ainda no terceiro capitulo mostraremos posicionamento da igreja a


cerca da eutanásia.

E por ultimo, no quarto capítulo, analisaremos a eutanásia no


ordenamento jurídico internacional, no ordenamento jurídico
brasileiro e no iminente novo código penal brasileiro.

Faremos também considerações sobre a iminência de um novo código


penal brasileiro e se nele virá ou não expresso algum dispositivo que
trate de forma clara e direta sobre a eutanásia.

Quanto aos aspectos metodológicos, esse estudo caracteriza-se como


pesquisa bibliográfica, a qual limita sua busca de informações nos
livros ou outros meios de publicação. A coleta de dados foi realizada
nas bases de dados LILACS, MEDLINE, SciELO, Ministério da Saúde,
Ministério da Justiça e vias não digitais, no período de fevereiro a
novembro de 2013. Para tanto, utilizaram-se os descritores
"eutanásia, direitos fundamentais e código penal" (para a língua
portuguesa). Como critérios de inclusão elegeram-se publicações em
português na forma de artigos (ensaio, revisão, pesquisa, relato de
experiência e estudo de caso), independentemente da formação
profissional do autor, publicadas a partir de 2005.

A coleta de materiais deu-se por meio da análise de artigos de


resumos, com a finalidade de selecionar aqueles que atendiam aos
objetivos do estudo. De posse dos artigos completos, passou-se à
etapa seguinte, ou seja, leitura minuciosa, na íntegra, de cada artigo,
visando ordenar e sistematizar as informações necessárias para a
construção da pesquisa bibliográfica, atendendo ao objetivo
especificado. Após analisados, foi possível categorizá-los mediante
semelhanças e diferenças. Em seguida deu-se aprofundamento
bibliográfico do tema com base na legislação atual vigente no Brasil.

A finalidade dessa pesquisa é analisar o problema procurando


respostas plausíveis e coerentes para as hipóteses levantadas,
utilizando a pesquisa qualitativa. Qualidadeéuma propriedade de
ideias, coisas e pessoas que permite que sejam diferenciadas entre si
de acordo com suas naturezas. A pesquisa qualitativa não vai medir
seus dados, mas, antes, procurar identificar sua natureza.
(MEZZAROBA E MONTEIRO, 2009).

Os métodos de pesquisa utilizados são o descritivo e o analítico. O


método descritivo permitiu, a partir dos frequentes estudos,
determinar opiniões e até fazer projeções futuras após os resultados
encontrados, envolvendo sempre a técnica da coleta de dados na
busca da compreensão e aperfeiçoamento do projeto. Tem-se o
entendimento de Rui Martinho Rodrigues (2007), ao afirmar:

1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA

A eutanásia vem seguindo a humanidade ao longo da sua existência,


tornando-se possível encontrar através dos tempos, muitos registros
sobre esse tema. Iniciando pela Antiguidade, onde naquela época, era
bastante comum a prática da eutanásia.

Na Grécia antiga, aparecem discussões sobre os valores culturais,


sociais e religiosos envolvidos no assunto da eutanásia. Temos como
exemplo, Sócrates, Platão e Epicuro, eles entendiam que o sofrimento
causado por uma doença dolorosa poderia justificar o suicídio.
Aristóteles, Pitágoras e Hipócrates, não aceitavam a ideia de suicídio,
ao contrário dos outros citados. Neste mesmo período, em Marselha,
existia um depósito público que armazenava um material toxico
chamado de cicuta, a disposição de quem quisesse por fim a sua vida.
(GOLDIM, 2000).

No Egito, a rainha Cleópatra VII, para tentar estudar as formas menos


dolorosas de morte, criou uma academia que tratava somente desse
assunto. Na Bíblia tem uma ocasião em que se evoca a eutanásia, lá
em Samuel, segundo livro.

Na era medieval, ao soldado mortalmente ferido era entregue o


punhal pequeno, mas bem afiado, chamado de “misericórdia”, para
que com ele, cometesse suicídio, e assim evitando um sofrimento
prolongado, ou então que diante de tais circunstancias viesse a cair
em poder do inimigo, mas em se tratando desse caso, não
vislumbramos eutanásia ativa alguma, mas sim, induzimento e auxilio
ao suicídio (DINIZ, 2010).

São muito escassas as informações sobre a prática da eutanásia na


idade média. Assim, durante a Idade Média, ocorreram muitas pestes
e epidemias. Nessa época era comum o indivíduo praticar a eutanásia,
pois as doenças se espalhavam com maior facilidade, por conta do
alto índice de miséria em que a população se encontrava, e o
feudalismo encontrava-se em decadência (SILVA, 2011).

Isabela Fernanda da Silva (2011), em seu trabalho “eutanásia frente à


legislação” diz que: “[...] os feridos de guerra na Idade Média que não
eram capazes de desempenhar suas funções eram mortos, também
eram mortas pessoas que contraiam doenças graves ou epidemias.”

De acordo com Silva (2011), já nos tempos modernos, o pedido que


Napoleão fez em uma campanha do Egito, ao medico cirurgião
Degenettes, de matar os soldados atacados por pestes, com uma
substancia letal denominada ópio, no entanto, esse médico se negava
a realizar tal procedimento, por que segundo ele a função de um
médico era a de curar e não matar os seus pacientes. A história ensina
que Napoleão tinha como objetivo matar os enfermos que não
tivessem mais chances de cura e já moribundos para assim, não
serem capturados vivos pelos turcos, até por que, eles não podiam
mais seguir a campanha.

Atualmente alguns países possuem legislações que regulamentam a


eutanásia, possibilitando ou não sua aplicação. Os países que aceitam,
aplicam o procedimento eutanásico aos pacientes com morte
encefálica ou a aqueles que morrerão apesar do tratamento, a morte
deve ser iminente.

Araújo, (2007) diz o seguinte sobre a eutanásia no Brasil:

[...] apresentou-se na época colonial como conseqüência da


tuberculose, moléstia até então sem cura e que conduzia a um
definhamento crescente até a morte. A nossa literatura dá-nos alguns
exemplos, através de poetas do romantismo que, atacados de
tuberculose, pediam e deixavam-se morrer mais rapidamente, já que
era certa a morte.

Observando o histórico da eutanásia, percebe-se que os valores


culturais, sociais e religiosos influenciam nas opiniões contrárias ou
nas opiniões favoráveis referentes à eutanásia.

2 ANÁLISE DA EUTANÁSIA

2.1 Conceituando a Eutanásia

Eutanásia tem como significado a boa morte, morte doce, indolor,


morte calma e tranquila, vem do grego “eu”que significa (bom) e
“tánatos”que quer dizer (morte).

Levando em consideração esse primeiro momento, tem-se na visão de


D’Urso, (2001), a palavra eutanásia: “[...] traz sua construção
semântica dividida em "Eu", que significa boa e "thanatos", que
significa morte, de forma que a origem da palavra revelava o que se
pensava ser boa morte, piedosa, altruísta, caridosa, etc.”

No seu significado técnico, assume na realidade sentido diverso, como


ensina Eudes Quintino de Oliveira Júnior e Pedro Bellentani Quintino
de Oliveira, na obra deles, “A eutanásia e a ortotanásia no anteprojeto
do Código Penal brasileiro”, para eles, a eutanásia “Aproxima-se mais
da ação de se tirar a vida, de se matar bem, mesmo que seja por
piedade, do que a morte serena por doença”.

Na atualidade a diferença dos conceitos de morte e de vida e que são


muito diferentes daqueles do passado, ilumina a eutanásia sob o
enfoque de outros ângulos (GIOSTRI, 2010).

Para a medicina, essa pratica consiste em diminuir os sofrimentos


físicos de quem se encontra doente, em estado de coma ou de
prognóstico fatal irreversível, sem chance alguma de sobrevivência, e
neste, é aplicado meios para se chegar à morte ou ajuda para que
venha consegui-la.

2.2 Classificações Da Eutanásia

Como são muitas as classificações que encontramos na doutrina, foi


feito de forma clara uma reunião das principais espécies, baseada em
vários autores.

Para Jiménez de Asúa, em 1942, citado por Patrícia Barbosa Campos e


Guilherme Luiz Medeiros, na obra “A Eutanásia e o Princípio
Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana”, a eutanásia se
classifica em três espécies, quais são elas:

A libertadora, onde o próprio indivíduo manifesta e solicita que a sua


agonia seja finalizada; a eliminadora, a qual possui como finalidade a
eugenia, uma vez que tende a encerrar a vida daqueles que possuem
anormalidades genéticas advindas da própria gestação e concepção; e
a morte econômica, sendo caracterizada pela cessação da vida
daqueles que não possuem aptidões para o trabalho, e por
consequência não gerariam lucros à sociedade e sim despesas.

Segundo José Roberto Goldim, em seu trabalho, “breve histórico da


eutanásia” para se caracterizar a eutanásia é preciso utilizar-se de
elementos básicos, quais são eles:

[...] a intenção e o efeito da ação. A intenção de realizar a eutanásia


pode gerar uma ação (eutanásia ativa) ou uma omissão, isto é, a não
realização de uma ação que teria indicação terapêutica naquela
circunstância (eutanásia passiva). Desde o ponto de vista da ética, ou
seja, da justificativa da ação, não há diferença entre ambas.

2.2.1 Classificação da Eutanásia quanto ao tipo de ação

Quanto ao tipo de ação, Silva (2008), diz que “existem muitas


modalidades de Eutanásia, dentre elas estão à eutanásia ativa e
eutanásia passiva”.

A eutanásia ativa, também chamada de eutanásia positiva, ocorre


quando o agente manuseia e mistura substâncias, com finalidade de
provocar a morte indolor e instantânea em alguém. Ela ocorre por
meio de uma ação direta do terceiro, que tem o intuito de por um fim
na vida do paciente enfermo, tendo como objetivo a morte, pois esta é
a antecipação de algo inevitável.

Maria Helena Diniz (2006, p. 391), na obra “O Estado Atual do


Biodireito”, diz que:

A eutanásia ativa, também designada benemortásia ou sanicídio, que,


no nosso entender, não passa de um homicídio, em que, por piedade,
há a deliberação de antecipar a morte de doente irreversível ou
terminal a pedido seu ou de seus familiares, ante o fato da
incurabilidade de sua moléstia.

Para Francisconi e Goldim, (2003), a eutanásia ativa é “o ato


deliberado de provocar a morte sem sofrimento do paciente, por fins
misericordiosos”.

Outra modalidade é a eutanásia passiva ou negativa, conhecida


também como ortotanásia. Ela se enquadra na hipótese em que ocorre
à supressão ou interrupção dos sistemas terapêuticos aplicados ao
paciente, visto que este procedimento é inútil e prolonga o
sofrimento, sem que existam grandes chances de cura para aquela
enfermidade. Em outras palavras, ocorre quando o médico deixa de
prolongar a vida do paciente, por meios artificiais. Aqui não existe
nenhuma ação positiva, nem tão pouco, método terapêutico que
prolongue a vida do enfermo (CAMPOS E MEDEIROS, 2011).
Francisconi e Goldim, (2003), lembram que, a eutanásia passiva ou
indireta se dá quando: “a morte do paciente ocorrer dentro de uma
situação de terminalidade, ou porque não se inicia uma ação médica
ou pela interrupção de uma medida extraordinária, com o objetivo de
minorar o sofrimento.”

Um caso típico dessa modalidade de eutanásia foi citado por Maria


Helena Diniz (2006, p. 393), e segundo ela:

Caso típico de eutanásia passiva foi o ocorrido nos Estados Unidos,


quando a mulher do Dr. Messinger, dermatologista de Michigan, deu à
luz, após 25 semanas de gestação, um menino de 750g sem
malformação grave evidente, e o neonatologista do hospital, devido à
prematuridade extrema, colocou-o em ventilador e submeteu-o a uma
avaliação prognóstica, por ter calculado que teria de 30 a 50% de
possibilidade de sobrevida. Uma hora após o parto, o Dr. Messinger
desligou o ventilador e foi acusado de assassinato, porque não
aguardou os resultados do exame de sangue colhido do cordão
umbilical, que indicaram hipóxia gravíssima, o que impossibilitaria a
sobrevivência do recém-nascido.

No Código Penal Brasileiro, a Eutanásia passiva está tipificada como


conduta criminosa previsto no artigo 135, conhecida como omissão de
socorro.

Quanto ao tipo de ação, existe ainda a eutanásia de duplo-efeito, que


ocorre quando a morte é acelerada por meio das ações médicas, as
quais têm como finalidade aliviar o sofrimento de um paciente em
estado terminal.

Para Patrícia Barbosa Campos e Guilherme Luiz Medeiros na obra “A


Eutanásia e o Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa
Humana” existe a chamada eutanásia de duplo-efeito, e esta consiste:

[...] na ação médica ao ministrar determinados tratamentos, que por


possuírem efeitos tóxicos ou agressivos, embora transmitam um
estado confortável ao paciente, acabam por apressar a sua morte.
Como exemplo desta prática, podemos citar a ocorrência de um
estado avançado de câncer, onde o paciente tende a sofrer muitas
dores e o médico pretendendo aliviar as dores utiliza-se da aplicação
de derivados da morfina, mas é provável que tal medicação também
produza encurtamento de sua vida.

Carlos Fernando Francisconi e José Roberto Goldim, (2003),


entendem que a Eutanásia de duplo efeito se dar “quando a morte é
acelerada como uma consequência indireta das ações médicas que são
executadas visando o alívio do sofrimento de um paciente terminal”.

2.2.1 Classificação da Eutanásia quanto ao


consentimento

Para Francisconi e Goldim, (2003), no que se refere


ao consentimento do paciente, a eutanásia também
pode ser classifica como, eutanásia voluntária,
eutanásia involuntária e eutanásia não voluntária:

A Eutanásia voluntária ocorre quando a morte é provocada atendendo


a uma vontade do paciente. A Eutanásia involuntária ocorre quando a
morte é provocada contra a vontade do paciente. A Eutanásia não
voluntária ocorre quando a morte é provocada sem que o paciente
tivesse manifestado sua posição em relação a ela.

A primeira, quanto ao Consentimento por parte do Paciente é a


eutanásia voluntária, caso em que a morte é provocada para atender
uma vontade do paciente (FRÓES, 2010).
A eutanásia involuntária, nesse caso, é a morte provocada mesmo sem
o consentimento do paciente, contra a sua vontade (FRÓES, 2010).

Sendo a eutanásia involuntária aquela que ocorre sem o


consentimento do enfermo, tendo em vista que ele optou por
continuar vivo e mesmo assim não obedeceram a esse desejo ou não
lhe fizeram esse questionamento, embora ele fosse capaz de
responder a isso, torna clara a sua procedência (BEZERRA).

E por fim a eutanásia não voluntária, a qual ocorre no momento em


que a morte é provocada sem a manifestação de vontade do paciente,
e nem é observada sua posição em relação aos procedimentos (FRÓES,
2010).

Segundo Carolina Bezerra em sua obra “Eutanásia: tipos de eutanásia


e suicídio assistido” entre os inúmeros tipos de eutanásia que
existem, é de grande importância falar em:

[...] eutanásia não-voluntária, que seria causar a morte de um ser


humano incapaz de tomar decisões entre a vida e a morte. Seriam os
bebês deficientes ou que sofram de doenças ditas e incuráveis e as
pessoas que já perderam a capacidade de compreender o problema em
questão, por motivo do acidente, doença ou velhice, sem que tenham
mencionado anteriormente a eutanásia. A aceitação eutanásia não-
voluntária traria medo e insegurança ás pessoas, as quais, incertas
quanto ao futuro, temeriam chegar a um ponto em que a decisão
sobre suas vidas ficasse nas mãos de outra pessoa, passando a não
mais confiar nos seus próprios médicos.

2.2.3 Distanásia

Enquanto vemos a eutanásia como morte rápida, sem dor ou


sofrimento, temos a distanásia como o oposto disso, sendo a morte
lenta e com muito sofrimento. Uma é o contrário da outra. A palavra
distanásia é derivada do grego (de dys, ato defeituoso, + thanasia,
morte).

Para Mota e Silva, (2011) a distanásia é “o procedimento pelo qual se


mantém a vida do paciente por meios artificiais mesmo que o
individuo não apresente nenhuma possibilidade de cura”.

Segundo Ronaldo Lastres Silva (2012) a distanásia é:

É o prolongamento exagerado da agonia e do sofrimento, ou, em


outras palavras, o tratamento inútil, cuja consequência é uma morte
medicamente lenta e prolongada acompanhada, quase sempre, de
sofrimento. Nesta conduta, não se prolonga a vida, mas sim o
processo de morrer. É a obstinação terapêutica— l’acharnement
thérapeutique — como chamam os franceses, ou medical futility
(futilidade médica), como denominam os ingleses e estadunidenses.

Seu conceito ocupa um grande campo de discussões, pelo motivo de


que sua ideia conflita com o direito que a pessoa tem, os quais são
uma vida digna e longe de sofrimento (MOTA e SILVA, 2011).

Eles ainda continuam a dizer que:

Este tema vem sendo muito discutido no campo da bioética e do


biodireito já que algumas pessoas consideram errado prolongar a vida
de uma pessoa que já esta biologicamente morta, enquanto que outras
argumentam que a distanásia é a possibilidade de manter a pessoa
com vida ate que seja encontrada a cura para a sua enfermidade.

No momento em que entendermos o significado da distanásia como o


prolongamento do sofrimento, estamos nos opondo ao significado da
eutanásia, que consiste em abreviar vida do paciente, acabar com a
situação de sofrimento. Ambas convergem ao assumir o conteúdo
moral. Tanto a distanásia quanto a eutanásia são vistas como sendo
condutas eticamente inadequadas.
2.2.4 Ortotanásia

A formação da palavra ortotanásia vem do grego (orthos+thánatos),


que traduzido paro o português significa, a morte correta, que chegou
na hora certa, sem maiores transtornos. Isso a diferencia da
eutanásia, que consiste em antecipar a morte do enfermo de forma
brusca.

Os pesquisadores Eudes Quintino de Oliveira Júnior e Pedro


Bellentani Quintino de Oliveira, no trabalho de ambos, “A eutanásia e
a ortotanásia no anteprojeto do Código Penal brasileiro” definem a
ortotanásia como:

[...] a suspensão que o médico faz dos meios artificiais para prolongar
a vida de um doente terminal, misturando-lhes, no entanto
medicamento para diminuir seu sofrimento, além de conferir conforto
familiar, psíquico e espiritual. Não se trata a doença, mas sim a dor. É
um lento caminho para a morte, buscando outra via que não seja a de
sofrimento.

Para entendermos a ortotanásia, é importante compreendermos antes


o significado de eutanásia e distanásia. A primeira consiste na prática
ativa de por fim a vida de um enfermo em estágio terminal e
irreversível, sem que este tenha nenhuma chance de melhora; o
objetivo dessa conduta e fazer cessar a dor do paciente. Já a
distanásia corresponde ao prolongamento da vida deste indivíduo, ou
seja, adianta-se nesta, a morte do paciente. O prolongamento
geralmente se dá pela utilização de aparelhagens e fármacos, que em
muitos casos, proporcionam um sofrimento desnecessário.

2.2.5 Suicídio assistido

Para Goldim (2004), o suicídio assistido acontece “quando uma


pessoa, que não consegue concretizar sozinha sua intenção de morrer,
solicita o auxílio de outro indivíduo”.

Pode-se dá a assistência ao suicídio de um individuo por atos


(indicação de uso ou prescrição de altas doses de medicações) de
forma passiva, (através de encorajamento ou persuasão). Em ambos
os casos, o individuo que contribui para que a morte da outra ocorra,
compactua como se tivesse intenção de matar, por meio da utilização
de algum agente causal.

Como podemos perceber a legislação brasileira atual, não pune


quando o individuo se mata absolutamente sozinho, por sua própria
iniciativa e vontade, nesta hipótese, não se pode punir nem mesmo a
tentativa, pois se o agente tentou provocar a sua morte, que é a pena
máxima em qualquer ordenamento, lhe atribuir outra punição menos
severa, em muito não adiantaria, para que ele não cometesse
novamente essa conduta. Torna-se absurdo se pensar contrário a isso
(D’URSO, 2004).

3 POSICIONAMENTOS SOBRE A EUTANÁSIA

3.1 Posicionamento da Doutrina

A eutanásia é um assunto que gera muita polêmica nos dias de hoje,


no Brasil e no mundo. No âmbito médico, jurídico, social ou religioso,
sempre haverá controvérsias acerca do direito de morre de forma
boa, tranquila e sem dor, e mais ainda se a vontade de morrer não
vier do convalescente, e sim, de um parente (SILVA, 2010).

Uma das questões que tornam esse assunto polêmico, é o fato de que,
não podemos afirmar de forma exata quanto tempo o paciente
permaneceria vivo, longe dos aparelhos. Outra questão não menos
polemica a se observar é que, diante da legislação, o fato de matar
alguém é crime.
As opiniões se dividem qualitativamente e numericamente, como
podemos observar que doutrinadores respeitáveis, situam-se de lados
opostos.

Os que são a favor da Eutanásia, argumentam que se torna


contraditório dar aos pacientes o direito de escolha de certos
tratamentos, sem lhes permitir escolher morrer com dignidade e sem
dar-lhes o direito de morrem suavemente.

Patrícia Barbosa Campos e Guilherme Luiz Medeiros, na obra de


autoria destes, “A Eutanásia e o Princípio Constitucional da Dignidade
da Pessoa Humana” se posicionam a favor da eutanásia, como
podemos observar a seguir exposto:

A vida é o maior bem do ser humano, tutelado em toda a sua


plenitude. Morrer é algo inerente àquele que vive logo o fato “morrer”
e todo o seu contexto, até o seu deslinde final merecem ser tratado
com a mesma dignidade e amparo que a vida, pois um é decorrente do
outro, não podendo ser separado da existência do ser humano.

Neste diapasão, vida e morte são nuances de uma mesma realidade. O


ser humano, enquanto pessoa deve ter garantida a autonomia de sua
vontade, para que no momento final de sua existência possa ter
assegurado os desígnios que previamente manifestou interesse.

Evandro Correa de Menezes (1977) apud Silva (2010) se posiciona da


seguinte maneira: “[...] favorável à eutanásia, defendendo a isenção
de pena daquele que mata sob os auspícios da piedade ou
consentimento. Discorda de Asúa, afirmando: “não nos basta o perdão
judicial; queremos que a lei declare.”

Outro penalista brasileiro, Noronha (1994), citado por Isabela


Fernanda da Silva, se manifesta contrário à eutanásia, aduzindo que:
“[...] não existe direito de matar, nem o de morrer, pois a vida tem
função social. A missão da ciência, segundo o douto penalista, não é
exterminar, mas lutar contra o extermínio.”

3.3 Posicionamento da Igreja Católica

Ao longo da história, a Igreja também sempre esteve presente nas


discussões referentes á eutanásia, posicionando-se em posição
contrária, pois para ela, a antecipação do momento da morte, não está
em acordo com o que diz as leis de deus, ou lei natural. A igreja
católica é uma defensora da vida humana. Para ela, a vida nada mais
é do que um dom sagrado dado por Deus, devendo assim, ser
respeitada pelo homem, a partir do memento da concepção, até o final
da vida, com a morte natural.

Isabela Fernanda da Silva, em seu trabalho “eutanásia frente à


legislação” lembra que, “numa concepção religiosa ninguém tem o
poder de tirar a vida de um ser humano, a não ser Deus”.

Luiz Inácio de Lima Neto, em sua obra “A legalização da eutanásia no


Brasil” explana que:

A Igreja Católica, em 1956, posicionou-se de forma contrária à


eutanásia por ser contra a "lei de Deus". No entanto, em 1957, o Papa
Pio XII, numa alocução a médicos, aceitou a possibilidade de que a
vida possa ser encurtada como efeito secundário à utilização de
drogas para diminuir o sofrimento de pacientes com dores
insuportáveis.

Em outro passo, essa instituição não repudia a obstinação terapêutica,


a qual ocorre quando o paciente terminal é submetido a tratamentos
extraordinários, que prolongam a vida. O que ela defende é a não
imposição da morte por parte de terceiro, através de medicamentos e
recursos ordinários (Aquino, 2012).
O Catecismo da Igreja diz que: “Sejam quais forem os motivos e os
meios, a eutanásia direta consiste em pôr fim à vida de pessoas
deficientes, doentes ou moribundas. É moralmente inadmissível.”

Em 1980 o “vaticano” fez uma declaração sobre a eutanásia, na qual o


texto trazia o seguinte exposto:

Nada nem ninguém pode de qualquer forma permitir que um ser


humano inocente seja morto, seja ele um feto ou um embrião, uma
criança ou um adulto, um velho ou alguém sofrendo de uma doença
incurável, ou uma pessoa que está morrendo.

Nesse mesmo documento, o vaticano se posicionou a favor da


utilização de medicamentos analgésicos que tivessem como objetivo
uma redução na dor insuportável, mesmo que estes pudessem trazer
efeitos colaterais e causar a morte do moribundo.

4. A EUTANÁSIA NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO

A questão da eutanásia sempre causou grandes polêmicas em nosso


pais, pois mexe com sentimentos dos que são contra a sua pratica ou
não.

O artigo 121 trata do homicídio privilegiado, mas a prática da


eutanásia não é aceita pelo nosso Código Penal, punindo-se com rigor
a pessoa que a fizer, não importando assim ao aplicador do direito o
motivo que levou o agente a cometê-lo (SILVA, 2010). Esse valor
moral referido no dispositivo trata-se dos interesses particulares que
tocam o agente, os quais são a piedade, a compaixão, etc.

Luiz Flávio Borges D'Urso em sua obra, “A eutanásia No Brasil”,


lembra que em nosso país a pratica da eutanásia é criminalizada,
podendo ser caracterizado o ato ilícito de formas diferentes, as quais
são:

Caso um terceiro, médico ou familiar do doente terminal lhe dê a


morte, estaremos diante do homicídio, que, eventualmente teria
tratamento penal privilegiado, atenuando-se a pena, pelo relevante
valor moral que motivou o agente, assim o juiz poderia reduzir a pena
de um sexto a um terço.

Silva (2010) lembra que:

No Brasil a Constituição Federal em seu artigo 5º traz que “Todos são


iguais perante a lei, distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e

aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida,


à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”. Partindo
dessa premissa a vida deve ser preservada de todas as formas pois, a
lei maior do país garante esse direito.

A resolução do Conselho Federal de Medicina, nº 1995 publicada em


2012, dá aos pacientes em casos terminais ou portadores de doenças
crônico-degenerativas, o direito e a escolha de morrer, sendo estas
respeitadas pelos seus médicos.

O paciente deve avisar ao médico e ter registrado no seu prontuário


que deseja "morrer em paz", sem que seja submetido à intervenção de
aparelhos ou a alguma outra forma de tecnologia, que retarde sua
morte natural. O médico tem que tomar conhecimento enquanto o
enfermo ainda estiver lúcido, de como ele deseja passar seus últimos
dias de vida. Não se deve confundir isso com eutanásia, caso em que o
medico desliga o aparelho ou algo parecido, a resolução trata é da
ortotanásia, que é a morte natural, e nela o paciente não será
abandonado, recebendo assim o acompanhamento e o auxilio de um
medico.
No Brasil, foi proposto no senado federal em 1996, o projeto de lei
125/96, o qual instituía a possibilidade da eutanásia ser praticada no
Brasil. Tal projeto não prosperou, sem se quer ter sido nem colocado
em votação (MORAES apud CARVALHO, 2003).

4.1 A Eutanásia e o novo Código Penal Brasileiro

Para Mariana Cordeiro, em seu trabalho, “A legalização da eutanásia


no Brasil” no que se refere a sua possível legalização é a seguinte:

A "tendência" de uma legalização da eutanásia seria, no Brasil, um


movimento monopolizado pelos setores mais avançados da sociedade,
como bem argumentou RABENHORST, e a mídia representa o
pensamento destes setores e não da sociedade de um modo geral.

Em 1996 o senador Gilvam Borges, propôs o projeto de lei nº 125/96,


este é o único a tratar do assunto no Brasil, e está tramitando no
Congresso Nacional, só que nunca foi colocado em votação, nunca saiu
do papel. Com esta proposta seria permitindo à eutanásia, no entanto,
seria necessário que cinco médicos dessem um parecer, de onde seria
atestada a desnecessidade do sofrimento físico e psíquico do paciente.

Segundo Araújo, (2007) este projeto propõe que:

[...] a eutanásia seja permitida, desde que uma junta de cinco médicos
ateste a inutilidade do sofrimento físico ou psíquico do doente. O
próprio paciente teria que requisitar a eutanásia. Se não estiver
consciente, a decisão caberia a seus parentes próximos.

O próprio doente teria que manifestar sua vontade por meio de um


documento o procedimento da eutanásia. Se caso este estivesse
inconsciente, caberia à família esta decisão (OLIVEIRA FILHO, 2011).

Segundo Luiz Inácio de Lima Neto, em sua obra “A legalização da


eutanásia no Brasil” o senador Gilvam Borges argumenta que:

[...] "essa lei não tem nenhuma chance de ser aprovada". Segundo o
deputado federal Marcos Rolim, presidente da Comissão de Direitos
Humanos da Câmara, "ninguém quer discutir a eutanásia porque isso
traz prejuízos eleitorais". Rolim, que é do PT gaúcho, diz que, nos dois
anos em que presidiu a comissão, jamais viu o assunto ser abordado.

Foi apresentado ao Senado Federal, em 27 de junho de 2012, o


anteprojeto do novo Código Penal Brasileiro ao atual presidente do
Senado federal José Sarney, após uma comissão de juristas
comandadas por Gilson Dipp passar sete meses discutindo-a. Tal
projeto de modificação encontra-se como Projeto de Lei do Senado
federal PLS, Nº 236/2012. Pedro Taques assumiu em agosto de 2012
como o relator da matéria referente ao projeto.

A instituição do novo código penal brasileiro traz grandes inovações


para a legislação penal brasileira, principalmente em relação às
matérias onde a opinião pública continua bastante controvertida.

Eudes Quintino de Oliveira Júnior e Pedro Bellentani Quintino de


Oliveira na obra deles, “A eutanásia e a ortotanásia no anteprojeto do
Código Penal brasileiro” ensinam que: “O anteprojeto do código
penal, elaborado por uma comissão de juristas, com a finalidade de
fazer uma revisão nos tipos penais e uma adequação das novas
modalidades de ilícitos manteve a ilicitude da eutanásia [...].”

Em meio a tantas inovações que virão no citado projeto de lei, está a


tipificação da eutanásia, a qual não é tratada de forma direta pelo
ordenamento jurídico brasileiro atual. Com o projeto do novo código
penal, ela será tratada de forma autônoma e como uma nova
modalidade de crime, tornando-se desta forma, distinta do homicídio
(MENDES, 2012).
A eutanásia hoje em dia, é vista pela jurisprudência e pela doutrina
como homicídio privilegiado, enquadrando-se na hipótese de
homicídio por motivo de relevante valor social ou moral, permitindo-
se assim, que o juiz diminua a pena do homicídio de um sexto a um
terço e nesse caso trata-se de homicídio simples (seis a vinte anos)
(SILVA, 2012).

Com o projeto, a eutanásia continua a ser criminalizada, no entanto,


ela passa a ser tratada de forma menos gravosa do que o Código Penal
atual.

Com visão muito liberal e humana, o Projeto do Novo Código Penal


está tratando da eutanásia de forma direta, sendo que ela constará no
art. 122 do novo diploma legal que está por vir, o qual trará o seguinte
exposto:

Art. 122. Matar, por piedade ou compaixão, paciente em estado


terminal, imputável e maior, a seu pedido, para abreviar-lhe
sofrimento físico insuportável em razão de doença grave:

Pena – prisão, de dois a quatro anos.

O § 1º do artigo 122, trás a hipótese do perdão judicial, o qual foi


elaborado da seguinte forma: “O juiz deixará de aplicar a pena
avaliando as circunstâncias do caso, bem como a relação de
parentesco ou estreitos laços de afeição do agente com a vítima.”

Não seria punido, se a eutanásia fosse aplicada por parente, familiar


ou alguém com laços fortes de afeição com o paciente terminal.

Segundo Eudes Quintino de Oliveira Júnior e Pedro Bellentani


Quintino de Oliveira, “o § 1º artigo 122 do anteprojeto carrega um
permissivo judicial”. Eles ainda continuam com o seguinte:

O julgador poderá deixar de aplicar a pena prevista em razão da


avaliação das circunstancias do caso, assim como a relação de
parentesco ou estreitos laços de afeição do agente com a vitima. A
melhor interpretação hermenêutica conduz a uma avaliação
eminentemente subjetiva do julgador que analisará todas as
circunstancias do evento, compreendendo aqui todo o alinhavar de
natureza social, médica, ética, juntamente com os sentimentos
familiares. Mesmo que se conclua que ocorreu a pratica da eutanásia,
com todo o revestimento de homicídio piedoso, o juiz deixará de
aplicar a pena. Trata-se da concessão do perdão judicial. Tal hipótese
ocorre quando há um vinculo familiar ou afetivo entre as pessoas
envolvidas, e o agente causador da conduta foi punido tão
profundamente com a sua conduta que seria até mesmo desnecessária
a aplicação de sansão penal, que terá o efeito do bis in idem.

Após analisar o processo, o juiz poderá chegar à conclusão de que o


agente é culpado, no entanto, ele poderá não aplicar a sanção
determinada por lei pelo ilícito. Não se trata se sentença condenatória
a proferia nesse caso, e sim, de sentença declaratória para extinguir a
punibilidade, sem nenhuma sequela processual.

Na forma em que está sendo escrita no novo código penal, a eutanásia


contraria um direito fundamental, qual seja ele, o direito a vida, o
qual é indisponível.

O texto legal e muito incisivo quando cita a expressão “matar”, pois


esta tem nesse caso, sentido de dar fim a vida de um individuo. No
entanto, deixa enfatizado e explicado, que a morte nesse caso, é o
resultado de uma determinada conduta movida pela compaixão ou
piedade para com um paciente que já se encontra em um estado
terminal (OLIVEIRA JÚNIOR E OLIVEIRA, 2012).

A tramitação foi suspensa no dia 28 de novembro de 2012, após o


presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Ophir Cavalcante, pedir
por isso. Conforme o presidente da OAB, o prazo dado para os debates
não foi o ideal, sendo nesse caso, necessário dar-se um prazo maior
para que o novo código penal possa ser analisado. Depois disso, o
relator da matéria do projeto disse que iria fazer algumas audiências
e debates com setores acadêmicos, entidades civis, jurídicos e
religiosos da nossa sociedade para debater mais sobre esse projeto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao longo de nosso trabalho percebemos que a eutanásia é um tema


bastante antigo e que trás muitas polemicas em sua volta.

Quanto ao posicionamento doutrina brasileira notamos que ela se


situa de lados opostos, sendo que a maioria dos doutrinadores são
contrários a essa pratica. Quanto ao posicionamento da igreja
católica, vimos que ela é repudia o ato de terceiro que interrompa a
vida do paciente, no entanto, ficou claro que esta instituição religiosa
não é a favor de procedimentos médicos que retardem a morte, ou
seja, ela também é contra a distanásia.

As legislações estrangeiras também enfrentam controvérsias, mas em


algumas delas, a eutanásia é tipificada e sua pratica permitida. Em
outros países, dentre eles o Brasil, essa pratica é repudiada e punida
com rigor.

No direito brasileiro, notamos que a eutanásia não está tipificada de


forma autônoma, direta e clara, sendo que o agente que cometer um
ato daquela natureza responde pelo homicídio simples do artigo121 §
1º do código penal vigente, que é a hipótese em que, o agente que
comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou
moral, ou sobre o domínio de violenta emoção, tem nesse caso, a pena
é diminuída de um sexto a um terço.

Notamos que tudo caminha para a criação de um novo código penal


brasileiro, visto que, o nosso código em vigor é de 1941, e não trata de
questões atuais.

Com PLS Nº 236/2012, que trata da criação do novo código penal


brasileiro, vão vir grandes inovações para a nossa sociedade,
principalmente em relação às matérias onde a opinião pública
continua bastante controvertida.

No que se toca a eutanásia, notamos que a proposta apresentada no


anteprojeto cria um novo tipo penal especifico referente a tal matéria,
afastando-a com isso, do homicídio privilegiado, em razão de
relevante valor moral, como no caso do atual código, mas continua a
ser crime contra a vida, embora traga a pena mais branda do que a
aplicada atualmente. Esse novo dispositivo autônomo vai ser descrito
no artigo 122 do novo código penal brasileiro.

Concordamos que a eutanásia seja tratada pelo direito penal, no


entanto, que seja por uma norma penal que não incrimine quem
auxilia nesse ato de compaixão para com o doente incurável que sofre
muito com o retardamento da sua morte. Se o novo código penal fosse
mais ousado, instituía essa pratica como uma cláusula excludente da
ilicitude, regulando as possíveis condutas que configurassem excesso
punível a quem praticasse a eutanásia.

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