Você está na página 1de 9

UM OLHAR ANTROPOLOGICO SOBRE O JORNALISMO

Por Mariana Vianna

Levando o conceito de Universidade para dentro das salas de aula

Mais do que contribuir para o entendimento aprofundado em torno dos temas


juventude, infância e mídia no Brasil, o segundo encontro de discussão temática
organizado pelo Núcleo de Estudos da Comunicação, Infância e Juventude (NECOIJ)
suscitou uma serie de debates e questionamentos acerca de diferentes diretrizes do
conhecimento acadêmico.

Ocorrido no dia 9 de junho na UFMT, o evento contou a apresentação e analise de


produções cientificas das graduandas em comunicação social Sinara Álvares e Thais
Tomie e com o professor e antropólogo convidado Carlos Américo Bertolini, que
exibiu a sua pesquisa ‘Antropologia Visual: A perspectiva da fotografia’.

A primeira a expor os resultados de seus estudos foi a universitária Thais Tomie.


Com grande propriedade, a estudante traduziu o pensamento das autoras Juliana
Pereira da Silva, Silvia Neli Falcão Barbosa e Sonia Kramer a partir do artigo
“Questões teórico-metodológicas da pesquisa com crianças”.

O artigo objetiva passar aos pesquisadores que tratam de temas infanto-juvenis, a


importância do olhar dos mesmos diante do objeto de estudo para o êxito da
pesquisa. De acordo com as autoras, faz-se necessário a inversão dos papeis,
momento em que há o distanciamento do observador da sua própria identidade e a
‘incorporação’ do mesmo no contexto sócio-cultural da criança com a finalidade de
compreender com maior exatidão a sua realidade. Trocando em miúdos, o
pesquisador deve se colocar no lugar da criança para poder compreendê-la.

Thais esclarece que para alcançar esse objetivo, as autoras propõem que o
pesquisador-observador passe por quatro aspectos. O primeiro constitui na analise
da criança ou do jovem não como objeto de estudo, mas como sujeitos que
possuem linguagem e cultura próprias. O segundo conceito sugere que o
pesquisador se questione acerca do que e ser criança no contexto de pluralidade
atual e leve esse fator em consideração em seus exames.

O terceiro passo proposto pelas autoras e que o pesquisador transforme o familiar


em exótico e o exótico em familiar. Pois, dessa maneira situações vistas com
normalidade pelo senso comum ganham uma perspectiva excepcionalmente critica.
E por fim, o quarto aspecto se resume ao processo sistemático de decomposição do
sujeito de estudo em partes. Ou seja, o pesquisador deve observar a interação
entre crianças e adulto e, ver e ouvir o sujeito para compreender os porquês de seu
comportamento.

Após a apresentação de Thais, foi a vez da aluna do quinto semestre de Jornalismo,


Sinara Álvares, expor seu juízo a respeito do artigo cientifico “Mídia e Juventude:
Experiências do Público e do Privado na Cultura” da doutora em Educação Rosa
Maria Bueno Fischer.

Nesse artigo a doutora em Educação busca investigar como a mídia estimula o


comportamento dos jovens e como eles reagem diante desse estimulo. E para isso
destrinchar esse tema, Rosa Maria entra em discussões, como: A forma como a
televisão expõe a vida privada, tornando-a publica; A mídia como uma idéia de
transcendência da vida; Como os meios de comunicação retratam o jovem ficcional;
A identificação da juventude ‘real’ com os jovens da ficção; A relação jovem-
consumo; A forma como a TV induz o jovem a se desinteressar dos assuntos que
permeiam a esfera publica.

A palestra

Conforme foi dito no inicio, a palestra do professor Carlos Américo Bertolini


possibilitou o levantamento de uma gama de questões aos presentes no evento.
Docente da UFMT e atuante nas áreas de História, Cultura, Estado Novo e Civismo,
o mestre-pesquisador falou a respeito da identidade da juventude do interior mato-
grossense com base em seu projeto ‘Antropologia Visual: A perspectiva da
fotografia’.

O projeto consistiu na apreensão histórico-cultural da identidade das cidades do


interior de Mato Grosso a partir da investigação, arquivamento e analise critica de
registros fotográficos. Entre os registros obtidos estão fotos de crianças, jovens e
ocasiões cerimoniais como batizados, crismas, aniversários e formaturas.

De uma forma bastante didática, o pesquisador contou sobre algumas a experiência


que teve ao longo da realização do projeto durante suas viagens ao interior de MT.
Entre as cidades analisadas estão Juína, Sorriso e Nova Mutum.

que guardavam diversas imagens de alunos em situações rituais. Segundo


Bertolini, é papel da Antropologia Visual “elaborar reflexões a partir de
registros das mais variadas situações sociais”.

Fotos de crianças e jovens formam significativa parte dos registros das


ocasiões cerimoniais como batizados, crismas, aniversários e formaturas
encontrados nesses arquivos. O estudo das fotografias implica na
apreensão histórica do modo de vida e dos significados culturais de cada
tempo e sociedade. Para o professor, “as imagens registradas nestes
contextos servem tanto para se perceber os deslocamentos de
sensibilidade na forma de vestir as crianças e os jovens, como oferece
indícios importantes do repertório que determinada época, região e classe
social utilizam para expressar suas imagens nos registros fotográficos.”

A análise antropológica da fotografia contribui para os estudos midiáticos


no sentido de possibilitar apontamentos sobre a apropriação de
representações e códigos culturais. Bertolini cita o historiador inglês Peter
Burke e suas obras “Testemunha Ocular” e “A Fabricação do Rei” como
indicações reflexivas para essa linha de estudo das imagens. Por fim, o
pesquisador reafirma a riqueza de signos sociais presentes nesses
registros e a grande relevância que têm para o saber acadêmico. E conclui
“conceber os usos sociais que as imagens de crianças e de jovens
apresentaram nas localidades mencionadas acima pode contribuir para se
compreender o processo de diálogo e de múltiplas apropriações que o
saber pedagógico pode lançar mão e em que medida os modelos
repercutidos pela mídia são matizados ao se deslocarem dos espaços para
os quais foram originalmente concebidos.”

O próximo encontro está marcado para o sábado do dia 28 de junho, às 8h.

________________________________________________________________________

tornar claro o sentido de;


explicar;
traduzir;
reproduzir o pensamento de;
comentar;
fazer juízo a respeito de.

Do latim universitate,

Numa definição mais abrangente, a Academia, fundada em 387 a.C. pelo filósofo
grego Platão no bosque de Academos próximo a Atenas, pode ser entendida como a
primeira universidade. Nela os estudantes aprendiam filosofia, matemática e
ginástica.

Em todos os momentos históricos a Universidade tem se colocado como instituição


voltada para o conhecimento que pode ser visto tanto como produto acabado,
portanto necessitando apenas ser transmitido, repassado, ou como processo,
requerendo a participação dos sujeitos em sua construção. A percepção da
existência de uma necessária separação entre as atividades de Ensino, Pesquisa e
Extensão no trabalho universitário é apenas uma questão de modelos sobre o que
seja a instituição Universidade (Cerqueira, 2003). Entendemos que a função da
Universidade passa necessariamente pela produção de conhecimento de alto valor,
e por revelar e tornar esse conhecimento acessível a um maior número de pessoas
possível (Botomé, 1996). Desta forma, a compreensão da natureza da Universidade
se confirmará na proporção em que diferentes setores da população brasileira
usufruam os resultados produzidos pela atividade acadêmica, e isso se dará na
medida em que a Universidade passe a ter “a cara da sociedade”. Em outros
termos, quando a sua preocupação com a realidade social se torne visível nas salas
de aula, nos laboratórios e nas atividades externas.

Partindo, portanto, dessas premissas de concepção, a Extensão se transforma em


prática acadêmica que interliga a universidade, nas suas atividades de ensino e
pesquisa, com as demandas da maioria da população, deixando de ser entendida
apenas como prestação de serviço pontual e desarticulada de uma proposta
pedagógica institucionalizada.

A partir desta percepção conceitual, a prestação de serviço passa a ser entendida


como segundo o Plano Nacional de Extensão da RENEX, “...produto de interesse
acadêmico, científico, filosófico, tecnológico e artístico do ensino, pesquisa e
extensão, devendo ser encarada como trabalho social, ou seja, ação deliberada de
conhecimento que se constitua a partir da realidade e sobre a realidade objetiva
produzindo conhecimentos que visem à transformação social”. (RENEX, 2000, p.
64).

Em síntese, de acordo com Cerqueira (2003) dentro de uma concepção de


Universidade que se quer, o ensino só será válido se o aprendizado e
conseqüentemente o conhecimento produzido for socializado, superando as
condições atuais de reprodução por parte do aluno enquanto discípulo domesticado;
mas também não haveria sentido em pesquisar, em construir o conhecimento novo,
se não tivesse em vista o benefício social do mesmo, buscando e sugerindo
caminhos de transformação para a sociedade.

Estabelecer uma política de extensão para a Universidade do Extremo Sul


Catarinense passa, primeiro, por uma definição do que se quer entender como
Extensão Universitária. Para isso, faz-se necessário, a real compreensão da
concepção do termo e de suas finalidades.

Nos últimos anos temos observado um aumento significativo no número de


publicações que tem apontado a Extensão Universitária como um dos principais
segmentos de integração da Universidade. Embora essa produção literária seja o
alicerce de nossa concepção, não pretendemos aqui fazer uma análise sobre o que
os autores têm abordado, mas, a partir dessas leituras, apresentar de forma sucinta
o que concebemos a respeito do tema em questão: Extensão Universitária.

Inicialmente, é necessário abandonar a idéia que ensino-pesquisa-extensão se


constituem como "tripé" da Universidade. Por esta visão, segundo Cerqueira (2003),
caberia ao ensino o repasse do conhecimento, à pesquisa a produção e à extensão
a socialização do conhecimento. Ao contrário, o conhecimento é o único elemento a
ser desenvolvido nos três segmentos e segregá-lo, da forma que muitos atualmente
o concebem, é uma visão equivocada e reducionista. Assim devemos trabalhar o
conhecimento como função única da universidade.

De acordo com o Plano Nacional de Extensão 1999-2001 (SESU/MEC: 1999, p. 1), a


Extensão é “prática acadêmica que interliga a Universidade nas suas atividades de
ensino e pesquisa com as demandas da população”, possibilitando a formação do
profissional cidadão e, assim, credenciando-se, cada vez mais, como espaço
privilegiado na produção do conhecimento para superação das desigualdades
sociais existentes.

Assim, a Extensão passa a interagir com a realidade se apropriando do


conhecimento popular e das necessidades reais da sociedade para construir um
conhecimento técnico e científico voltado a soluções de problemas. Esse significado
alternativo ao processo de aprendizagem e na produção do saber permite uma
aproximação efetiva entre a realidade social e a universidade.

Portanto, é importante compreender a Extensão como elemento processual e


essencial que caracteriza as funções sociais e acadêmicas desenvolvidas pela
universidade. Sua ação representa uma instância acadêmico-administrativa que
possibilita o acesso pela comunidade externa ao conhecimento produzido nos
diversos setores de ensino da Universidade, permitindo uma inter-relação entre a
comunidade e a Universidade em ações voltadas ao ensino. Fazer Extensão
Universitária é, antes de tudo, um compromisso com o desenvolvimento regional do
contexto social em que a Universidade está inserida. Desta forma, é extremamente
importante que se afaste de sua definição os componentes assistenciais e
paternalistas usualmente compreendidos.

Entendemos que a extensão tem a função de estabelecer uma aproximação entre o


conhecimento construído técnica e cientificamente e o conhecimento popular
(comum) inerente à sociedade em geral. Esta forma de intervenção social não só
possibilita a disseminação e socialização do conhecimento produzido para além dos
espaços acadêmicos, visando atender as necessidades comunitárias, mas permite
que o conhecimento construído culturalmente (popularmente), dito como comum
ou empírico, possa contribuir para a formação acadêmica. Desta forma, ambas as
organizações sociais (Universidade e Comunidade) de acordo com Cerqueira (2003),
“se beneficiam de tal maneira que não apenas a comunidade se aproprie do
conhecimento universitário, desenvolvendo então a condição histórica para se
construir o sujeito, mas também a universidade se aproprie do conhecimento
“vulgar”, permitindo uma redefinição dos valores intrínsecos ao dito conhecimento
científico” (p24).

NECOIJ promove segundo encontro de discussão temática

Data: 04.06.2008

Núcleo Estudos Comunicação Infância e Juventude

O segundo encontro de discussão temática promovido pelo Núcleo de


Estudos da Comunicação, Infância e Juventude (NECOIJ) ocorre na próxima
segunda-feira, dia 9 de junho. A partir das 18h, no COS 2, alunos e
professores do núcleo debaterão questões ligadas ao universo de
pesquisa da juventude , infância e mídia no país.

O professor convidado para o evento é o mestre Carlos Américo Bertolini.


Bertolini é docente da UFMT e atua principalmente nas áreas de História, Cultura,
Estado Novo e Civismo. O pesquisador trará o tema: Antropologia Visual: A
perspectiva da fotografia.

A comunicação do professor versará sobre algumas de suas experiências de


viagens ao interior de MT. Juína, Sorriso e Nova Mutum foram as cidades em que o
pesquisador teve contato com arquivos municipais da área de Educação, que
guardavam diversas imagens de alunos em situações rituais. Segundo Bertolini,
é papel da Antropologia Visual “elaborar reflexões a partir de registros
das mais variadas situações sociais”.

Fotos de crianças e jovens formam significativa parte dos registros das ocasiões
cerimoniais como batizados, crismas, aniversários e formaturas encontrados nesses
arquivos. O estudo das fotografias implica na apreensão histórica do modo de vida
e dos significados culturais de cada tempo e sociedade. Para o professor, “as
imagens registradas nestes contextos servem tanto para se perceber os
deslocamentos de sensibilidade na forma de vestir as crianças e os jovens, como
oferece indícios importantes do repertório que determinada época, região e classe
social utilizam para expressar suas imagens nos registros fotográficos.”

A análise antropológica da fotografia contribui para os estudos midiáticos no


sentido de possibilitar apontamentos sobre a apropriação de representações e
códigos culturais. Bertolini cita o historiador inglês Peter Burke e suas obras
“Testemunha Ocular” e “A Fabricação do Rei” como indicações reflexivas para essa
linha de estudo das imagens. Por fim, o pesquisador reafirma a riqueza de signos
sociais presentes nesses registros e a grande relevância que têm para o saber
acadêmico. E conclui “conceber os usos sociais que as imagens de crianças e de
jovens apresentaram nas localidades mencionadas acima pode contribuir para se
compreender o processo de diálogo e de múltiplas apropriações que o saber
pedagógico pode lançar mão e em que medida os modelos repercutidos pela mídia
são matizados ao se deslocarem dos espaços para os quais foram originalmente
concebidos.”

As graduandas em Comunicação Social da UFMT Sinara Álvares e Thais


Tomie apresentam-se também, analisando e discutindo produções
científicas concernentes ao objeto de estudo do núcleo. Sinara exporá o
artigo“Mídia e Juventude: Experiências do Público e do Privado na
Cultura” da doutora em Educação e uma das maiores estudiosas da
juventude no país, Rosa Maria Bueno Fischer. Thais trata do texto
“Questões teórico-metodológicas da pesquisa com crianças” das autoras
Juliana Pereira da Silva, Silvia Neli Falcão Barbosa e Sonia Kramer.

O próximo encontro está marcado para o sábado do dia 28 de junho, às 8h.

Da Redação/Andreza Pereira

09/06/2008 – NECOIJ/COS/IL/UFMT -- COMUNICAÇÃO:

“ANTROPOLOGIA VISUAL: A PERSPECTIVA DA FOTOGRAFIA”

Carlos Américo Bertolini – Professor Assistente do Departamento de


História/ICHS/UFMT

Mestre em Educação Pública – Educação, Cultura e Sociedade/IE/UFMT

Gostaria de relatar algumas experiências como professor de graduações de história


em viagens pelo
interior do estado – Juína (até 2000/1) , Sorriso (até 2001/1) e Nova Mutum (até
2004/1) -- onde tive

oportunidade de travar contato com arquivos municipais da área de educação,


contendo muitas

imagens de crianças, de adolescentes e de jovens em situações rituais. As


comemorações do espaço

escolar, o calendário cívico de um ano em particular, os aniversários de fundação


da cidade, bem

como a anual “exposição agro-pecuária”, podendo até envolver a eventual


padroeira do município, se

constituem em momentos privilegiados para se avaliar a intensidade com que cada


comunidade

investe na produção de sua própria imagem. Embora tenha ficado patente que
apenas em casos

excepcionais – na maior parte de professores que registram tais atividades como


memórias pessoais

-- as imagens dos acervos de comemorações do espaço escolar são incluídas como


parte dos

álbuns de família.

A abordagem das solenidades cívicas e demais rituais de encenação politica tem


guarida no campo

da antropologia política, como comprovam as análises de Georges Balandier ao


longo dos anos de

1980 e 1990.

A antropologia visual elabora reflexões a partir de registros das mais variadas


situações sociais,

dentre as quais as fotos de crianças e de jovens são parte significativa, como nas
fotos de álbuns de

família que registram situações típicas: os batizados, as crismas, os aniversários e


demais encontros,

sem esquecer as “canônicas” fotos de "formaturas". Todas essas “memórias”


pessoais e familiares

também são objeto de estudo por parte da história social da fotografia e da história
do cotidiano.

As imagens registradas nestes contextos servem também para se perceber os


deslocamentos de
sensibilidade na forma de se vestir as crianças e os jovens – seus modelos, as
atitudes valorizadas,

as posturas sociais adequadas --, como também oferece indícios importantes do


repertório de

situações que determinada época, região ou categoria social utilizam para construir
suas imagens

nos registros fotográficos.

Ao se observar, de uma perspectiva histórico-antropológica, a produção de imagens


comerciais e se

levar em conta as formas como as crianças e os jovens são retratados, bem como
as produções que

envolvem sua presença, podemos acreditar, ao seguir as indicações das análises de


história cultural,

como as realizadas por Peter Burke em "A Fabricação do Rei" e em "Testemunha


Ocular", que se

torna possível vislumbrar em publicações, quanto em arquivos pessoais -- como os


álbuns de família

-- toda uma apropriação de representações e de códigos culturais que são


manipulados no ato de

tomada da imagem. Esse elemento analítico foi reforçado à exaustão nas


magníficas elaborações de

Boris Kossoy.

Conceber os usos sociais que as imagens de crianças e de jovens apresentaram nas


localidades

mencionadas acima pode contribuir para se compreender o processo de diálogo e


de múltiplas

apropriações que o saber pedagógico pode lançar mão e em que medida os


modelos repercutidos

pela mídia são matizados ao se deslocarem dos espaços para os quais foram
originalmente

produzidos.

Da mesma forma como se representam as crianças e os jovens como futuros


proprietários rurais em

suas participações nos desfiles de abertura e de encerramento das “feiras” agro-


pecuárias, situação

análoga pode ser vista nas festas das localidades onde o CTG conta com grande
status social –
como em Juína e em Sorriso --, temos representações que apontam para a
encenação ritual das

hierarquias sociais. Tal caso foi constatado nas comemorações dos 500 anos do
descobrimento em

abril de 2000, quando as crianças e os adolescentes apareciam hora na posição


simbólica dos

colonizadores, hora encenando os dramas da escravidão dos povos da floresta e


dos africanos e

afro-descendentes em Nova Mutum, sem, contudo, que a produção das fantasias


envolvesse a

mobilização do conhecimento antropológico ou histórico. Sem dúvida se tratavam


de encenações em

seu sentido mais forte,o de recriar de forma fantástica as agruras do passado,


liberando o exagero na

dramatização e a livre abstração na produção de vestuários e de maquiagens. Vale


o registro da

comunidade de Juína que, nas comemorações dos 500 anos do descobrimento


produziu um convés

de caravela em madeira e com as dimensões originais, onde os estudantes


encenavam a vida à

bordo e o cotidiano das naus na carreira das índias.

Este conjunto de referências teóricas, bem como os estudos dos casos aqui
mencionados de

passagem podem fornecer uma perspectiva em que os acervos fotográficos


municipais públicos e

privados possam a prestar enorme contribuição no mapeamento das características


da construção

das imagens de crianças, de adolescentes e de jovens no Estado de Mato Grosso.

Cuiabá, 9 de Junho de 2008.