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BIM A0. Introdução ao BIM


T1 Introdução
C1 Definição e Objetivos do BIM
Autor: Rafael Riera López
Co-autor: Silvia Imperatriz de Azevedo Rojas
RESPONSABILIDADES: O conteúdo desta obra está protegido pela Lei de Propriedade Intelectual
Espanhola, que estabelece pena de prisão e/ou multas, além das correspondentes indenizações por
danos e prejuízos. Não é permitido copiar, distribuir, exibir, executar um trabalho e realizar outros
trabalhos derivados do mesmo com propósitos comerciais. Deverá sempre ser reconhecido e citar o
autor original, com autorização prévia escrita pelo proprietário dos direitos autorais.

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BIM A0. Introdução ao BIM
T1 Introdução
C1 Definição e Objetivos do BIM

BIM (Building Information Modeling) ou também chamado (Modelagem de Informações da


Construção) é uma metodologia de trabalho no setor da construção baseada no uso de sistemas que
permitem integrar toda a informação útil de um projeto, analisando e gerenciando efetivamente todo
o ciclo de vida do mesmo desde a fase de concepção até a fase de manutenção de uma maneira
colaborativa entre os diferentes integrantes de um projeto.

Figura 1. Analise do ciclo de vida de um edifício com os sistemas BIM. Imagem de CYPE

Para começar o curso, podemos definir cada uma das palavras do Building Information Modeling para
introduzimos assim o conceito integral da sigla BIM:

- BUILDING (edifício): building refere-se a todo o ciclo de vida do edifício. No BIM somos capazes de
controlar as diferentes fases de um projeto: Estudo de Zoneamento, Concepção, Projeto, Processo
Construtivo, Operação, Reabilitação e até mesmo Demolição.
- INFORMATION (informação): Se entende por toda a informação útil gerada durante todo o ciclo de
vida de uma construção. Por exemplo: plantas, cortes, detalhes, cálculos (estruturais, de instalações
ou outros), quantitativos, simulações energéticas, contratos, orçamentos, cronogramas de projeto
e obra, memorial de acabamentos, memorial de equipamentos...
- MODELING (modelagem): Modeling é compreendido como Modelo. Construção virtual onde todas
disciplinas contratadas desenvolvem seus projetos, sejam eles de Topografia, Arquitetura, Estrutura,
Fundação, Instalações, Paisagismo, Urbanismo, Interiores ...

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Não é permitido o uso comercial. Não se pode copiar, distribuir, exibir e realizar outros trabalhos para fins comerciais. Sempre se deve
reconhecer e citar o autor original.
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C1 Definição e Objetivos do BIM

A tecnologia BIM é um processo de gerenciamento de dados da construção durante todo seu ciclo de
vida, neste processo são usados softwares de modelagem 3D em tempo real, e estes visam reduzir
tempo e recursos desde a concepção até a obra.

Este processo abrange a geometria da construção com sua informação geográfica, quantidades e todas
as propriedades dos elementos construtivos. Com esses dados, conseguimos não só uma obra de
qualidade como também uma manutenção e operação precisa baseada em dados e históricos.

Figura 2. Modelo BIM como plataforma de comunicação do projeto

Os sistemas BIM permitem unificar e interligar o modelo arquitetônico com o resto dos projetos
envolvidos (instalações, estruturas, topografia, medições e orçamentos, planejamentos, analises de
eficiência energética, etc.)

A coordenação entre as diferentes partes de um projeto é essencial e permite o trabalho colaborativo


entre todos profissionais contratados em um projeto.

Sistemas BIM podem trabalhar conjuntamente em um único modelo carregado na nuvem ou em um


servidor, permitindo que diversas disciplinas envolvidas possam trabalhar ao mesmo tempo, tendo
assim toda a informação coordenada e atualizada a cada modificação feita.

Com estes tipos de softwares, deixamos para trás os sistemas 2D e trabalhamos com uma construção
virtual 3D. Por exemplo, os próprios softwares BIM já identificam uma parede quando a traçamos, uma

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porta quando a inserimos, e todos esses elementos inseridos e/ou modelados podem ser definidos e
modificados de acordo com suas características físicas, fichas técnicas, valores, etc.

Vídeo 1. Video explicativo de introdução ao BIM. Autodesk

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C1 Definição e Objetivos do BIM

No BIM, cada elemento construtivo que inserirmos são paramétricos, ou seja, são projetados e criados
através da parametrização de diversas características e também da inserção de informações.

Conceber um projeto através de um modelo 3D desde a sua fase inicial e com todas as informações
necessárias nos permite desenvolve-lo sem deixar para trás muitas questões que antes eram difíceis de
estudar e avaliar no papel ou sem a interoperabilidade com outras disciplinas, como por exemplo:
estudos de eficiência energética, sustentabilidade ambiental e manutenção, etc.

Conforme está definido no Guia ubim buildingSMART Spanish Chapter:

" A propriedade e a modelo da construção garantem o ciclo completo de um projeto e sua construção
de alta qualidade, eficiente, segura e compatível com o desenvolvimento sustentável.
Os modelos de construção (BIM) são usados em todo o ciclo de vida da construção, começando com o
projeto inicial, seguindo com o desenvolvimento e construção, chegando até o uso do edifício e
gerenciamento de equipamentos/instalações (FM facilities management). "

No vídeo 2, podemos visualizar um vídeo explicativo (desenvolvido pela empresa Graphisoft) sobre o
que é BIM:

Video 2. Video explicativo sobre o que é BIM (ROHF Arquitetos)

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C1 Definição e Objetivos do BIM

Objetivos do BIM

Os principais objetivos vinculados com o uso do BIM:

- Dar suporte às decisões de investimentos/custos, comparando a funcionalidade, o alcance e os custos


das soluções.

- Dar critérios ambientais, realizando análises comparativas das necessidades energéticas e ambientais,
para assim definir soluções e objetivos para o acompanhamento da operação do edifício e seus
utilizadores.

- Visualização do design e estudos de viabilidade da construção.

- Garantia de qualidade e troca de dados para tornar o processo de design mais eficiente.

- Uso de informações do projeto durante sua construção e manutenção.

Para desenvolver um modelo ideal, devem-se estabelecer prioridades e objetivos específicos para o uso
e desenvolvimento do modelo. Esta organização interna deve ser feita através de requisitos específicos
definidos e documentados de acordo com as regras gerais estabelecidas pelo uBIM Diretrizes, que
veremos no capítulo buildingSMART.

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T1 Introdução
C2 Origem e história
Autor: Rafael Riera López
Co-autor: Silvia Imperatriz de Azevedo Rojas
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BIM A0. Introdução ao BIM
T1 Introdução
C2 Origens e história

Até a década de 50, o setor da engenharia criava e representava através de croquis, gráficos e desenhos
feitos à mão com grande precisão. Já em meados de 1955, na Lincoln Laboratory do MIT (Massachusetts
Institute of Technology), foi desenvolvido o primeiro sistema gráfico que recolhia dados introduzidos e
os representavam em uma tela de um computador.

Figura 1. Pessoas trabalhando no Lincoln Laboratory

Anos mais tarde, no mesmo local, Ivan Sutherland, programador de computador e pioneiro da internet,
desenvolveu o sistema Sketchpad para seu doutorado "Sketchpad: A Man-machine Graphical
Communications System."

O Sketchpad era um programa único desenvolvido para o computador TX-2. Nele, era possível criar
desenhos altamente precisos e introduzir informações importantes, tais como estruturas de memória
para armazenar objetos e históricos, além da capacidade fazer o zoom in e zoom out.

Figura 2. Ivan Sutherland, criador do sistema Sketchpad

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T1 Introdução
C2 Origens e história

Na sequência, foram desenvolvidos projetos paralelos em ITEK e General Motors usando bases do
Sketchpad. Em 1965, com os sistemas desenvolvidos e apoiados nas bases do Sketchpad, é
comercializado o primeiro sistema CAD (Computer-Aided Design) a um preço de US $ 500.000. Depois
de quatro anos, com o surgimento da primeira plotter, as empresas da indústria aeroespacial e
automotiva começam a utilizar sistemas CAD.

O sistema CAD 2D entrou no mercado depois da AUTODESK conseguir desenvolver um programa para
PC a um custo inferior a US$1.000. Esta “explosão” continuou a evoluir, especialmente no mundo da
indústria aeroespacial e da engenharia automobilística.

Figura 3. Primera versão do AutoCAD (Autodesk)

Depois de alguns anos, em 1984, Keith A. Bentley e seu irmão Barry J. Bentley fundaram a Bentley
Systems e em 1985, trouxeram para o mercado um programa chamado PseudoStation, que permitia aos
usuários IGDS (Interactive Design Gráfico System) utilizar terminais gráficos de baixo custo para
desenvolver seus projetos.

O sucesso do PseudoStation convenceu os irmãos Bentley que havia um mercado de sistemas CAD para
computadores pessoais. Testes demonstraram que os computadores pessoais da época (IBM AT com
processadores Intel 80286) tinham um rendimento suficiente para este tipo de tarefa.

Em 1986, eles lançaram a 1ª versão do MicroStation, que permitia abrir, visualizar e plotar arquivos de
um projeto diretamente no PC (uma espécie muito primitiva de Bentley View).

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BIM A0. Introdução ao BIM
T1 Introdução
C2 Origens e história

Figura 4. Primera versão do Microstation (Bentley Systems)

Com os programas CAD, o projeto era desenvolvido em menos tempo, ganhando eficiência e qualidade
na representação e ajudando indiretamente na construção através de uma representação mais clara e
precisa e impressa.

Figura 5. Sistema CAD 2D, AutoCAD (Autodesk)

Este avanço, deu origem a representação 3D, impulsionada por arquitetos e seu desejo de melhorar a
qualidade dos detalhes e apresentação. Depois da inserção da visualização 3D, se inicia o desafio de
representar um projeto altamente detalhado, dinâmico e colaborativo. Na busca de soluções para este
desafio nasce a tecnologia BIM (Building Information Modeling).

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C2 Origens e história

Figura 6. Sistema CAD 3D, AutoCAD (Autodesk)

A origem do BIM tem várias vertentes:


Alguns defendem que a empresa húngara Graphisoft criou um programa em 1982 para desenvolver
projetos usando duas e três dimensões; outros dizem que, a Autodesk começou a utilizar o conceito
BIM em 2002 depois de comprar a empresa Revit Technology Corporation; pesquisadores acreditam
que foi professor Charles M. Eastman, do Georgia Tech Institute of Technology, o primeiro a difundir
este conceito. No entanto, há um consenso generalizado de que Laiserin Jerry foi quem o popularizou
como um termo comum para a representação digital de processos da construção.

Figura 7. Fotografía da Empresa Graphisoft en 1982

Esta tecnologia atualmente é oferecida por diferentes empresas desenvolvedoras, e por este motivo,
hoje, existe uma ampla gama de softwares BIM disponíveis no mercado. As empresas mais conhecidas
no desenvolvimento deste tipo de softwares são:

Nemetschek, Autodesk, Bentley Systems, Graphisoft e Trimble

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T1 Introdução
C4 BIM Levels ou Níveis do BIM
Autor: Rafael Riera López
Coautor: Silvia Imperatriz de Azevedo Rojas

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BIM A0. Introdução ao BIM
T1 Introdução
C4 BIM Leves ou Níveis do BIM

O conceito de “Níveis de BIM” foi aceito pelo Governo do Reino Unido para definir os diferentes
estágios de desenvolvimento que existem e devem ser produzido para trabalhar de uma maneira
abrangente e de colaborativa.

O governo detectou que o processo de implementação do setor da construção para um trabalho


colaborativo “total” deve ser progressivo e com diferentes marcos identificáveis que se definem dentro
desse processo através de "níveis".

O Reino Unido é o primeiro governo a ter uma estratégia no setor da construção que obriga o uso do
BIM para todos os projetos públicos com o objetivo de minimizar em 20% os gastos da construção e da
gestão bens públicos.

Os Níveis BIM são definidos de 0 a 3 e embora haja algum debate sobre o significado exato de cada um,
pode-se definir cada nível da seguinte forma:

Nível 0:

Define-se pelo trabalho em que não há nenhum tipo de colaboração. O desenho e a representação é
em 2D. A comunicação e apresentação é baseada em impressões, sem arquivos digitais.

Nível 1:

No nível 1 encontramos uma mistura de trabalhos 2D e 3D. O desenho 3D é realizado com a intenção
de ter uma melhor conhecimento e entendimento dos projetos, e o desenho 2D é utilizado para realizar
entregas, sejam impressas e/ou formais.

Este é o nível em que muitas organizações estão operando no momento, embora não haja colaboração
entre diferentes disciplinas.

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C4 BIM Leves ou Níveis do BIM

Nível 2:

O Nível 2 é definido pela introdução do trabalho colaborativo. Todos os envolvidos trabalham com 2D-
3D e não necessariamente trabalham sob um único modelo compartilhado.

A colaboração existe na troca de informações entre os diferentes envolvidos, e é aí que o ponto


importante deste nível surge:

A informações do projeto é compartilhada através de um tipo de arquivo comum que permite que a
troca de dados e informações entre qualquer envolvido, visando assim, uma melhor comunicação
entre todos.

Cada software utilizado deve ter a possibilidade de ser exportar seus arquivos através de um tipo de
arquivo padrão para trocar informações, os tipos de arquivos mais utilizados no momento são o IFC
(Industry Foundation Classes) e o Cobie (Construction Operations Building Information Exchange).

Este método de trabalho foi estabelecido pelo governo do Reino Unido, onde a partir de 1 janeiro de
2016 o uso do BIM no Nível 2 será obrigatório para qualquer projeto público.

Nível 3:

No Nível 3 já se trabalha todo o Ciclo de vida de um edifício. Veremos na continuação onde definimos
como Integrated BIM o Prática integrada.

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BIM A0. Introdução ao BIM
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C4 BIM Leves ou Níveis do BIM

O Nível 3 é definido pela colaboração e interoperabilidade total entre os diferentes profissionais


envolvidos em modelos compartilhados, que são carregados em um servidor acessível em qualquer
lugar do mundo.

Este nível também é conhecido como Open BIM, e o Governo do Reino Unido estabeleceu 2025 como
a data para a sua obrigatoriedade em qualquer tipo de projeto. Ainda que faltem aspectos legais para a
adoção bem-sucedida desta metodologia de trabalho no setor da construção, hoje em dia, já está sendo
criado a partir de diferentes organizações, instituições, empresas e governos regulamentos para o uso
do BIM neste novo paradigma.

A seguir, podemos ver um esquema visual com os diferentes níveis de trabalho em BIM:

Formas de Trabalho, Formatos de arquivos utilizados, padrões e ferramentas utilizadas:

Figura 1. Infográfica dos diferentes níveis de implantação de BIM

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BIM A0. Introdução ao BIM


T2 Do CAD ao BIM
Do CAD ao BIM, uma evolução cultural e
C1
tecnológica
Autor: Rafael Riera López
Coautor: Silvia Imperatriz de Azevedo Rojas

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BIM A0. Introdução ao BIM
T2 Do CAD ao BIM
C1 Do CAD ao BIM, uma evolução cultural e tecnológica natural

Para começar a trabalhar com BIM, a primeira coisa que devemos ter claro são seus próprios benefícios
e as vantagens que nos possibilitará competividade em relação a outros profissionais ou empresas que
ainda não trabalham com essa metodologia.

Quando um profissional ou uma empresa entendem os benefícios e os passos que devem seguir para
começar a trabalhar em BIM, começam esta aventura de uma maneira coordenada como um plano de
empresa ou individual. Se os componentes de uma empresa não estão convencidos de que esta é a
mudança que eles precisam ou que esta metodologia irá ajuda-los a resolver muitos problemas durante
o processo de um projeto, a transição para o BIM será simplesmente um obstáculo para um bom
funcionamento da organização.

Antes de mais nada, é importante notar que a transição do CAD para o BIM é uma evolução tecnológica
e cultural. É interessante analisar que, ao longo da história nós já encontramos uma infinidade de
evoluções tecnológicas que nos serviu para realizar tarefas de uma forma mais ágil e simples, e que por
sua vez mudaram a cultura de setores industriais ou da própria sociedade.

Muitas vezes, vemos a incerteza de profissionais que consideram o BIM como um tema que só serve
para complicar a vida. Isso, muitas vezes acontece por que os programas têm diversos recursos que vão
além dos projetos convencionais em CAD. Outra problemática e visão conturbada que esta metodologia
só pode e deve ser aplicada em grandes construtoras que desenvolvem projetos complexos.

A realidade é que o BIM traz grandes benefícios para pequenas, médias e grandes empresas e inclusive
para profissionais, sejam eles freelances de pequenos ou de grandes projetos de construção e
reabilitação.

A transição do CAD para o BIM tem a sua similaridade com a transição dos desenhos feitos a mão para
os desenhos computadorizados em CAD. Naquela época, encontramos uma grande evolução
tecnológica no setor da construção com a inserção dos computadores em nossos hábitos de trabalho.
Até então, havia muitos profissionais descrentes das capacidades dos computadores e dos softwares
CAD, acreditavam que era um investimento de tempo e custo para uma implantação desnecessária.

Figura 1. Transição do papel para o computador com sistemas CAD

Muitos de vocês vão se lembrar de como muitos profissionais se perguntaram:

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C1 Do CAD ao BIM, uma evolução cultural e tecnológica natural

- Se ao longo da minha carreira profissional desenvolvi todos os projetos no papel e estes foram
executados com perfeição, por que eu tenho que mudar minha maneira de trabalhar?
- Se os projetos que realizo são edifícios convencionais, por que tenho de introduzir uma tecnologia
que é indicado para grandes empresas e projetos complexos?
- Se como trabalho funciona, por que vou me arriscar a mudar minha metodologia de trabalho?

No momento da transição para o CAD, muitas empresas que entenderam os benefícios de poder
desenvolver projetos em um computador e investiram tempo e dinheiro, tiveram uma vantagem
competitiva sobre as empresas que naquele momento ainda se contiveram a trabalhar no papel,
desencadeando uma oferta mais eficiente, mais barata e eficiência. Hoje, acontece a mesma coisa com
empresas que são as pioneiras em BIM, porém com mais garantias que o CAD, pois a metodologia BIM
assegura menos erros em obra, mais controle do projeto como um todo (em todas suas fases) e a
fiscalização contínua de gastos.

Vale ressaltar que, momento do início da implantação dos computadores, o retorno sobre o
investimento (ROI) que tiveram essas empresas era tão chocante que todos os profissionais céticos em
um primeiro momento e que já haviam perdido tempo, dinheiro e projetos de qualidade, não tiveram
outra escolha a não ser implementar computadores e os programas CAD.

Hoje, pode parecer impossível que alguém não entenda a evolução tecnológica do papel para CAD, a
mesma percepção acontecerá em poucos anos quando se tornará impossível trabalhar somente com
linhas 2D ao invés de migrar para a metodologia BIM, com uma construção virtual, colaborativa e
atualizada.

Figura 2. Transição do uso de sistemas CAD para sistemas BIM

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C1 Do CAD ao BIM, uma evolução cultural e tecnológica natural

Abaixo podemos ver um exemplo de evolução tecnológica no setor do transporte, assim teremos uma
ideia da magnitude que representa desviar o olhar para outro lado e não querer aprender ou
compreender sobre os benefícios do BIM:

A evolução da carroça guiada por cavalos para o caminhão motorizado

Figura 3. Transição dos veículos

No início do século XX, o Sr. Gottlieb Daimler contribuiu para o que é considerado o primeiro caminhão
carga na história do automobilismo. A tarefa era simples, cavalos substituídos pelos “cavalos a vapor”
com motor de Phoenix, capaz de mover-se com três tipos de combustíveis: gasolina, querosene e óleo
para lâmpadas. A partir desse período, os caminhões começaram a evoluir, e se iniciava um grande
avanço dos costumes e das cidades. Cada dia mais pessoas buscavam o transporte sobre rodas, estradas
asfaltadas se tornaram necessárias para um percurso mais rápido e confortável com os veículos a motor.
As novas rodas eram cada dia mais estudadas, pois demandavam maior resistência ao dirigir com maior
velocidade nas estradas.

Figura 4. Primero caminhão de carga na história do automobilismo

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C1 Do CAD ao BIM, uma evolução cultural e tecnológica natural

Antes do primeiro caminhão de carga, as pessoas que estavam envolvidas na agricultura e pecuária
tinham que carregar todos os seus bens para aldeias e feiras próximas para comercializar e distribuir
seus produtos. Para isso, eles utilizavam carroças puxadas por cavalos, e isso era considerado um luxo
pois permitia a locomoção sem fazer um grande esforço físico.

Hoje sabemos que o surgimento do caminhão na sociedade foi uma evolução natural e necessária pois
permitia mais lucros nas vendas por se mover mais rápido e com mais volume de produtos.

Esta mudança natural tal como a entendemos hoje, como a transição do papel para CAD, não foi vista
por todos da mesma maneira. E como sempre, haviam céticos que diziam:

Como vou investir todo o meu dinheiro em um motor de carro, quando eu tenho uma carroça
que funciona muito bem com meus cavalos de toda a vida?
- Se meu negócio é baseado na distribuição do meu produto em cidades próximas e consigo
realiza-la com minha carroça, por que eu preciso de um caminhão?
- Será que esta história de caminhão é uma moda americana para potencializar o consumo da
sociedade?
- Se caminhões funcionam melhor em estradas pavimentadas e por enquanto, só existem apenas
em três nas regiões, não seria melhor eu esperar até que tudo esteja em perfeitas condições para
comprar um?
- O transporte com caminhões não será apenas para os grandes distribuidores?

Enquanto muita gente levantava questões sem nunca terem ido a uma concessionária para informar-se
de primeira mão sobre o que era realmente estava entrando no mercado, houve outras pessoas que
investiram todo seu dinheiro, até o que não tinham para comprar um caminhão, mesmo sabendo que
as estradas levariam alguns anos para serem asfaltadas e terem boas condições para condução de
caminhões.
O fato é que, estes "visionários" que investiram em um caminhão além de irem mais longe, mais rápido
e com mais volume de produtos, também conseguiram baixar o preço do seu serviço e produto pois
seu transporte tinha um custo mais baixo.

Voltando a comparação entre as duas situações, poderíamos dizer que os caminhões são os "novos"
softwares BIM e as estradas as interoperabilidades, que com o tempo vão evoluir à medida que a
indústria da construção se desenvolve.

Embora o BIM ainda não tenha alcançado seu topo a nível de interoperabilidade, podemos dizer que
hoje já temos disponíveis tecnologias necessárias para se trabalhar no Nível 2 sem qualquer tipo de
dificuldade. Trabalhar com o BIM proporciona grandes benefícios que fazem com que a coordenação
de um projeto seja é muito mais ágil, produtiva e organizada.

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T2 Do CAD ao BIM
C1 Do CAD ao BIM, uma evolução cultural e tecnológica natural

A pergunta que temos de fazer agora, já não é se o BIM é ou não a metodologia do futuro, mas sim,
quanto tempo vamos ficar fora do mercado por não podermos oferecer os nossos serviços com estes
sistemas.

Para uma transição não ser dramática, é importante não comprar o primeiro caminhão que vemos na
concessionária ou o mais vendido por padrão. É primordial ser bem assessorado sobre qual é o caminhão
que melhor se adapta ao seu negócio e começa-lo a dirigir com cautela, ou seja, sem conduzir logo de
primeira a 200 km/h, porque o acidente pode ser perigoso e até mesmo fatal.

Qualquer empresa deve ser informada sobre quais aplicativos são mais adequados às suas necessidades,
considerando quais softwares que já foram utilizados por ela, os países para os quais ela trabalha, para
quem o faz e com quem colabora. Ou seja, só desta maneira, considerando os padrões e históricos da
empresa que será possível realizar um plano de implementação BIM de maneira eficiente e produtiva.

Comprar algumas licenças de softwares, financiar um curso básico para duas pessoas na empresa e
assim fingir uma implementação do BIM respondendo à demanda internacional, tem apenas um
resultado: O fracasso.

Nestes casos, as empresas tendem a fazer um projeto com sistemas CAD tradicionais e paralelamente,
o mesmo projeto com sistemas BIM, justamente pelo medo de ainda não dominar o novo sistema. Tudo
isso gera um nível significativo de insegurança e pressão sobre seus profissionais e todas as vantagens e
processos da metodologia BIM começam a se tornar um fardo ou problema.

É importante ter claro que distribuir os produtos com um caminhão não vai tornar o seu produto melhor,
nem que ele seja vendido pelo simples fato de estar sendo distribuído com um caminhão. O produto,
independentemente das ferramentas que usamos para o mercado que deve ser eficiente e controlado.

Ou seja, não é porque um projeto foi feito em BIM que é sinônimo de qualidade e detalhes. Trabalhar
com BIM não significa que com dois “clicks” surgirá um projeto completo e de qualidade. Em um projeto
em BIM encontramos diferentes níveis de detalhe e desenvolvimento, que dependem do rigor e
capacidade de cada projetista.

Vale ressaltar que, o BIM não deve amedrontar, ele é um conjunto de sistemas muito intuitivos que
facilitam o nosso trabalho e quando são dominados se tornam valiosos, assim como os fluxos de
trabalho que ele implica, onde temos uma grande economia de tarefas repetitivas e correções.
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T3 Capacidades tecnológicas do BIM
C1 Modelo digital 3D
Autor: Rafael Riera López
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BIM A0. Introdução ao BIM
T1 Capacidades tecnológicas do BIM
C1 Modelo 3D digital

1. Modelo digital 3D
1.1. Modelo 3D
Uma das grandes inovações dos softwares de modelagem BIM é a capacidade de trabalhar diretamente
em três dimensões, ou seja, a modelagem com a mesma lógica que vamos construir.

Atualmente, existem 4 principais ferramentas para modelagem/arquitetura BIM no mercado:

Figura 1.1 Da esquerda para direita: ArchiCAD (Graphisoft), Revit (Autodesk), Allplan (Nemtestchek),
AECOsim (Bentley)

Com o BIM, o processo de extrair de um modelo 3D todos os desenhos de um projeto (plantas, elevações
e cortes) muda radicalmente. Desde os primórdios da arquitetura sempre fizemos as nossas linhas de
desenho em planos bidimensionais, e estas, em conjunto com outras representavam sistemas e
elementos construtivos, e finalmente o conjunto destes elementos construtivos formavam uma planta
de nosso projeto.

Figura 1.2 Intercâmbio convencional da informação, planos em papel ou arquivos DWG

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T1 Capacidades tecnológicas do BIM
C1 Modelo 3D digital

Figura 1.3 Modelo BIM. Documentação do modelo

Esta mudança torna o desenvolvimento de projeto mais ágil, pois quando realizarmos alterações nele
todos os desenhos serão atualizados automaticamente sem a necessidade de mudar cada um deles
separadamente.

Trabalhar desde o início em 3 dimensões também facilitará os profissionais envolvidos em um projeto,


dará maior capacidade de decisão e evitará tantas mudanças durante todo projeto e obra, que significam
grandes gastos do orçamento geral.

Este grande avanço permite economizar tempo de desenho, porque já não temos que interpretar cada
sistema construtivo mediante um composto de linhas, mas sim, desenhar cada sistema de construtivo
em 3D, e este, a maioria das vezes já é desenhado pelo próprio fabricante.

Essa metodologia faz com que o projeto seja mais intuitivo e possibilita a antecipação dos possíveis erros
que possam surgir em obra.

Os comandos de trabalho dos softwares de arquitetura BIM, como podemos ver nas figuras 1.4, 1.5 e
1.6 do programa Revit (Autodesk), são sistemas de elementos construtivos que iremos necessitar para
modelar um projeto. Estes são separados por categorias, como: arquitetura, estrutura e instalações.

Figura 1.4 Barra de ferramentas- Revit Arquitetura (Autodesk)

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Figura 1.5 Barra de ferramenta de Revit MEP - Instalações (Autodesk)

Figura 1.6 Barra de ferramentas de Revit Estrutura (Autodesk)

Os diferentes módulos de um software permitem integrar as diferentes disciplinas que compõem um


projeto em um único modelo.

Figura 1.7 Projeto realizado em BIM. Arquitetura, instalações e estruturas integradas. Visualização através da
ferramenta Tekla BIMsight

Figura 1.8 Diferentes vistas ativadas de um mesmo modelo BIM do Máster BIM Manager de Zigurat/Bim
Freelance e NossoBIM

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Figura 1.9 Projetos realizados em AECOsim (Bentley Systems) facilitados por Bentley

No Vídeo 1, podemos ver uma apresentação introdutória da modelagem com o Revit (Autodesk). E as
notáveis diferenças com os sistemas de CAD:

Vídeo 1.1 Vídeo de demonstração sobre como iniciar o uso de Revit (Autodesk)

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1.2. Modelo paramétrico


Como indica o próprio nome, o BIM (Building INFORMATION MODELING), é uma metodologia que
possibilita o trabalho através de um modelo 3D, cheio de informações úteis para todos os profissionais
envolvidos durante todo o ciclo de vida da construção.

Com o BIM, construímos um modelo com os sistemas e/ou elementos construtivos reais, ou seja, com
grande nível de informação parametrizada, ao contrário de linhas ou blocos CAD. O recurso de
parametrização transforma o projeto mais completo porque os sistemas já vêm definidos com suas
camadas, materiais e características sendo editáveis e ajustáveis para cada situação.

Na Figura 2.1, podemos ver uma sequência de passos para introduzir uma porta em um projeto em
AECOsim (Bentley). A ferramenta nos permite escolher que tipo de porta e cada uma com suas
características editáveis:

Figura 2.1 Objeto paramétricos. Inserção de uma porta com suas especificações técnicas em AECOsim (Bentley
Systems)

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Na Figura 2.2, observamos como cada elemento inserido no projeto tem características técnicas e
como estas estão armazenadas no banco de dados do projeto, sendo útil para qualquer estudo,
controle de custos, etc.:

Figura 2.2 Etiquetas e categorias de elementos

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No Vídeo 2.1, podemos visualizar um vídeo comercial da NBS (Biblioteca Nacional de BIM) do Reino
Unido. Este demonstra como cada elemento do projeto pode ser definido com um grande nível de
detalhe.

Vídeo 2.1 Vídeo comercial da National BIM Library do Reino Unido

É usual, que os próprios softwares de arquitetura BIM contenham sistemas de bibliotecas genéricas e
elementos de construtivos para que seja possível projetar com cada uns dos comandos de trabalho
oferecidos pelos programas.

Quando uma empresa começa a trabalhar com BIM, deve-se planejar a gestão e organização contínua
de sua própria biblioteca de objetos paramétricos, elementos e/ou famílias, com esta organização
interna e padronização de elementos se ganhará tempo no desenvolvimento de projetos.

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1.3. LOD (Level of detail) ou Nível de desenvolvimento


Os projetos em BIM têm a capacidade de serem representados, documentados e entregues com
diferentes níveis de desenvolvimento. Ou seja, cada fase (projeto básico, executivo, detalhamento) tem
suas peculiaridades e isso é organizado internamente no modelo.

Este conceito foi criado para avaliar "para que serve cada informação representada". Os níveis de
desenvolvimento ou LODs tem por objetivo medir a quantidade e qualidade das informações
entregues e isso é uma maneira de avaliar a importância das informações para cada fase do projeto, ou
seja, a medida que o projeto avança mais informações ele necessita.

Os LODs foram desenvolvidos por Vico Software, com o objetivo de melhorar a definição dos
orçamentos em cada nível de desenvolvimento.

Anos mais tarde, a AIA (American Institute of Architects) decidiu que este sistema seria uma maneira
para aplicar e utilizar todas as informações de um modelo BIM, desde a análises de eficiência energética
até a programação 4D e 5D BIM (medições, quantitativos e orçamentos). Hoje em dia, esse conceito se
tornou um dos mais utilizados por diversas organizações internacionais que visam o desenvolvimento e
a padronização do BIM no setor da construção.

LOD 100 – É um projeto conceitual, o modelo irá fornecer uma visão geral, basicamente o volume, a
orientação e a área.

LOD 200 - Fornece uma visão geral com informações de magnitudes aproximadas, tamanho, forma,
localização e orientação. As medidas são aproximadas, não definitivas.

LOD 300 - Fornece informações e geometria precisa, com alguns detalhes construtivos e dimensões
exatas de elementos. O projeto já possui um nível de detalhe, mas não é um projeto completo para
obra.

LOD 400 - Contém os detalhes necessários para fabricação e/ou a construção. O nível de medição é
exato.

LOD 500 - Último nível de desenvolvimento, representa o projeto que será construído com exatidão e
detalhes. O modelo é adequado para a manutenção e a gestão do projeto construído.

Figura 3.1 Infográfica sobre os diferentes níveis de desenvolvimento, exemplo: uma cadeira

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1.4. Render
Hoje em dia, todos os softwares de arquitetura BIM já oferecem ferramentas de renderização
integradas aos próprios programas, isso permite fazer imagens foto realistas, sem a necessidade de
exportar o modelo para outros softwares. O ArchiCAD 18 é um exemplo, ele oferece ao profissional a
ferramenta de visualização profissional, o CINEMA 4D, que possibilita realizar renders diretamente
desde o modelo trabalhado.

Abaixo, vemos uma sequência de imagens de um render feito em um modelo trabalhado no software
Allplan (Nemetschek) (imagens extraídas de um exercício do Master BIM Manager da Zigurat/BIM
Freelance e NossoBIM):

Figuras 4.1 Sequência de seleção de texturas e renderizado com Allplan (Nemetschek)

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Na sequência, podemos ver outro exemplo de render extraído de uma residência, também
desenvolvida no Máster BIM Manager de Zigurat/ BIM Freelance e NossoBIM:

Figuras 4.2 Imagens renderizadas com ArchiCAD 18 y CINEMA 4D

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Apesar dos softwares BIM arquitetura serem uma boa ferramenta para realizar renders magníficos
(como apresentamos anteriormente), eles não são uma boa solução para as empresas que trabalham
somente com renderização e imagens humanizadas.

Os principais inconvenientes ao realizar um render diretamente de um software BIM de arquitetura em


comparação com um software voltado para este tipo de trabalho são:

-O tempo de processamento

-Não é possível inserir pessoas, carros e outros detalhes...

-Não existe uma biblioteca com grande variedade de elementos para renders

Também temos duas opções quando queremos renderizar nossas próprias imagens:

-Do modo convencional, ou seja, através da potência do próprio computador de trabalho

-Em servidores oferecidos pelas empresas de softwares, a Autodesk, por exemplo, disponibiliza o A360,
aplicativo que permite a renderização de imagens através de servidores de Autodesk com uma
velocidade 32 vezes superior à de um computador convencional. Este serviço é possível através do
registro de uma licença de estudante, assim as imagens produzidas pelo A360 estarão disponibilizadas
e associadas a conta da Autodesk.

Vídeo 4.1 Vídeo comercial da aplicação para renderizar na nuvem A360 (Autodesk)

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Nesta página podemos observar o passo a passo para produzir renders diretamente do Revit com o
aplicativo A360 da Autodesk:

Figura 4.3 Vista de um Modelo BIM de um edifício plurifamiliar em REVIT 2015 (Autodesk)
Figura 4.4 Renderização do edifício com a aplicação A360, através Cloud (nuvem)

Figura 4.5 Especificação dos renders


Figura 4.6 Acesso a galeria na nuvem

Figura 4.7 Vistas dos renders extraídos


Figura 4.8 Ajustes de exposição dos renders produzidos

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Também podemos utilizar outras ferramentas para renderizar imagens de nossos projetos, hoje em dia,
já é possível abrir nosso modelo BIM diretamente nestes softwares específicos de renderização, ou seja,
utilizando seus próprios materiais, texturas e luzes sem a necessidade de alterá-los ou modela-los
novamente, ou seja, é criado um vínculo com arquivo original do modelo e isso proporciona a alteração
de informações automática entre os softwares.

LUMION, por exemplo, é um bom aplicativo BIM para executar processamento e imagens animadas de
maneira muito ágil. Além disso, esta ferramenta também tem interoperabilidade com os softwares:
Revit (Autodesk), ArchiCAD (Graphisoft), Sketchup (Trimble), Allplan (Nemeteschek), permitindo que
cada mudança feita no modelo vinculado seja atualizada no Lumion em tempo real.

Figura 4.9 Fluxos de interoperabilidade e soluções da ferramenta Lumion

Vídeo 4.2 Vídeo comercial da ferramenta Lumion. Exportação do modelo Revit

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1.5. Visualizadores e detectores de interferências no modelo


Uma das grandes vantagens de trabalhar em modelos 3D, é a capacidade de compreender o projeto
desde a fase inicial até a fase que o projeto já foi construído, ou seja, fase de manutenção e/ou operação.

Poder integrar a arquitetura de uma construção com sua estrutura, instalações e outras disciplinas nos
permite a visualização precoce de interferências, gerando assim um debate entre disciplinas em busca
de soluções antes da obra, evitando problemas e erros na construção.

Na Figura 5.1 e 5.2, podemos ver a projeção de um sistema de ventilação realizado no Master BIM
Manager da Zigurat/BIM Freelance e NossoBIM, com o software ArchiCAD (Graphisoft) MEP, onde
temos a oportunidade de ver as incoerências entre projetos.

Figura 5.1 Interferência no projeto de instalação realizado com ArchiCAD MEP (Graphisoft). Vista em Planta

Figura 5.2 Interferência no projeto de instalação realizado com ArchiCAD MEP (Graphisoft). Vista 3D

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Hoje, existem diversos softwares BIM especializados em análises de interferências, um deles é o Solibri,
que através de uma programação precisa nos indica:

- Colisões de elementos e sistemas


- Componentes e materiais que estão faltando no modelo
- Gestão e acompanhamento de alterações entre revisões de um mesmo modelo
- Seguimento de normas

Estes programas, também permitem o trabalho colaborativo entre diferentes profissionais e/ou
disciplinas envolvidas em um projeto, proporcionando uma eficiente comunicação interna entre os
diversos contratados do projeto.

Figura 5.3 Indicação interna do projeto, visualizado com a ferramenta Solibri

Figura 5.4 Projeto visualizado com a ferramenta Solibri. Parte estrutural e instalações

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Ao trabalhar com BIM, alcançamos um nível superior de planejamento e detecção de interferências


durante o processo construtivo e desta maneira temos mais facilidades para controlar e reduzir os
erros que antigamente só eram notados depois de construídos.

Abaixo podemos ver os exemplos reais de erros graves de construção:

Figuras 5.5 Fotografias de erros realizados em obra

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Com o software Solibri, também é possível a visualização e compreensão dos projetos através de Smart
boards (televisões inteligentes), uma ferramenta que ajuda no controle sobre dos processos e detalhes
do projeto, além de ser muito prática para exposição e apresentação de projetos.

Vídeo 5.1 Vídeo comercial da ferramenta Solibri Smart Board

Também existem aplicativos como o BIMx (Graphisoft), que nos permitem estudar e analisar os projetos
através de smartphones ou tablets. Com eles, o gerenciamento, controle e entendimento dos processos
construtivos de obra são qualificados, pois é possível visualizar a construção em vistas 3D, plantas,
cortes, detalhes construtivos junto ao local exato da obra.

Vídeo 5.2 Vídeo comercial da ferramenta BIMx

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Outra ferramenta dinâmica e prática que ajuda na visualização de projetos atualizados em tempo real é
o Revizto, neste além de abrir arquivos é possível convertê-los, compartilha-los e editá-los, desde que
criados no SketchUp, AutoCAD, Revit, Navisworks entre outros.

Figura 5.6 Imagem das diferentes fases do ciclo de vida de um projeto que podemos reunir com a ferramenta
BIM Revizto (planejamento, construção e manutenção)

Vídeo 5.3 Viewpoints and Section Cuts. Vídeo comercial da ferramenta de visualização Revizto

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BIM A0. Introdução ao BIM


T3 Capacidades tecnológicas do BIM
C4 Análises e Estudos de Eficiência Energética
Autor: Rafael Riera López
Co-autor: Silvia Imperatriz de Azevedo Rojas
RESPONSABILIDADES: O conteúdo desta obra está protegido pela Lei de Propriedade Intelectual
Espanhola, que estabelece pena de prisão e/ou multas, além das correspondentes indenizações por
danos e prejuízos. Não é permitido copiar, distribuir, exibir, executar um trabalho e realizar outros
trabalhos derivados do mesmo com propósitos comerciais. Deverá sempre ser reconhecido e citar o
autor original, com autorização prévia escrita pelo proprietário dos direitos autorais.

© Zigurat Consultoria de Formação


BIM A0. Introdução ao BIM
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1. Análises e estudos de eficiência energética


1.1. Contexto Internacional
A eficiência energética tanto para obras novas como as existentes se converteu em uma das principais
razões pelas quais o BIM está sendo uma metodologia imposta por diversos governos e órgãos públicos
em todo o mundo.

Melhorar as eficiências energéticas e o uso das energias renováveis na construção se tornou uma das
premissas internacionais nas quais já foram publicadas algumas diretrizes. Um exemplo, por parte da
União Europeia, é a Diretriz 2012/27/UE, que visa uma redução de 20% dos consumos até o ano de 2020.

A Diretriz sobre a contratação publica da União Europeia (EUPPD), também exige abordar a eficiência
energética de edifícios existentes através do uso de ferramentas BIM em projetos. Segundo a União
Europeia, os edifícios existentes contribuem aproximadamente em 40% na emissão de gases que
provocam o efeito estufa, e muitos países não tem um controle destes emissores devido a tecnologias
que eles utilizam que não alcançam estes detalhes. Países como o Reino Unido, Países Baixos,
Dinamarca, Finlândia e Noruega já solicitam o uso do BIM para projetos de obras públicas. Segundo a
EUPPD, a partir de 2016, os 28 países membros da EU poderão estimular, especificar e até mesmo
obrigar o uso do BIM para projetos financiados com fundos públicos na União Europeia.

No caso da Catalunha (Espanha), se estabeleceu o ano de 2018 para o uso obrigatório de BIM em
projetos públicos e de infraestrutura com um valor superior a 2 milhões de euros, através do Manifesto
BIMCAT que foi apresentado no encontro European BIM Summit (2015).

A União Europeia quer promover a eficiência energética nos transportes e na construção, que são os
dois setores que mais podem reduzir consumos. Tanto os proprietários como os inquilinos obterão
incentivos para renovação e outras medidas para a redução do consumo de energia. Os governos locais
deverão ter as informações necessárias ao comprar e utilizar produtos e serviços. Além disso, um selo
com as informações de consumo de energia estimulará também os fabricantes dos produtos a
desenvolver produtos mais eficientes energeticamente.

Figura 1. Imagem que representa um exemplo de certificação energética por parte da administração pública e
privada.

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Por outro lado, os custos de eletricidade, gás e água estão aumentando a níveis consideráveis, portanto,
também se tornou uma premissa dos proprietários ter níveis mais baixos dos outros tipos de consumo.

Já no Brasil, o Departamento da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São


Paulo (Deconcic – Fiesp) junto com Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
(MDIC) elaboraram um estudo comparativo do estágio de adoção do BIM de alguns países da Europa X
Brasil, neste documento, é ressaltado a importância do BIM se tornar obrigatório no país, com um
processo conduzido de maneira gradual e destacando projetos adquiridos pelo Governo Federal.

Figura 2. Tabelas de comparações do BIM em diversos países da Europa e Brasil e das previsões do uso do BIM
em projetos públicos no Brasil. Tabelas extraídas do trabalho feito pelo GT BIM-
Grupo de Trabalho sobre BIM (Building Information Modeling)

Hoje em dia, quando compramos um carro, analisamos o quanto ele consumirá de combustível, a partir
de agora teremos que analisar aspectos de demanda e consumo da nossa residência, já que o grande
gasto de um edifício durante todo seu ciclo de vida está na vida útil do mesmo.

O BIM é a tecnologia e metodologia de trabalho que permite o setor da construção ter um maior
controle durante todo o processo de um projeto e durante todo o ciclo de vida da construção, tanto
na eficiência energética, como também em detalhes dos gastos meio-ambientais de nossas
construções e os rendimentos do uso das energias renováveis.

Até agora, realizar analises energéticas com programas CAD era uma tarefa impossível, tínhamos que
recorrer a outras ferramentas para conseguir realizar simulações. Hoje, os softwares BIM são capazes
de integrar as propriedades técnicas dos materiais que serão utilizados no projeto, como por exemplo,
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as transmitâncias térmicas, consumos de CO2, e etc, deste modo, é possível realizar diversas simulações
energéticas em vários momentos do projeto, e isso nos permite encontrar soluções construtivas que
viabilizem parâmetros meio-ambientais e até mesmo selos de certificações energéticas.

Na sequência, podemos observar diferente estatísticas facilitadas por Mc Graw-Hill Construction


durante o ano de 2010, sobre o uso do BIM e sua repercussão meio-ambiental nas construções dos
Estados Unidos, um mercado mais maduro no uso das ferramentas BIM.

Na Figura 3, observamos como as empresas do setor da construção que trabalham com sistemas BIM
têm uma maior facilidade para realizar simulações energéticas nas fases de um projeto em comparação
com as empresas que ainda trabalham com sistema convencionais.

Figura 3. Estatística sobre empresas que realizam simulações energéticas usando sistemas BIM e sistemas
convencionais. McGraw-Hill Construction 2010

Além disso, podemos ver na Figura 4, a principal causa pela qual as empresas integram conceitos
ambientais em seus projetos, podemos observar que em um mercado como o do Estados Unidos não é
somente uma questão obrigatória por parte do governo, como também são os próprios clientes que
solicitam que seus edifícios tenham uma maior eficiência energética reduzindo gastos durante todo seu
ciclo de vida.

Figura 4. Estadística sobre as causas para o uso do BIM para projetos com aspectos ambientais, segundo
empresas que não se identificam como sustentáveis, porém são usuárias de sistemas BIM. McGraw-Hill
Construction 2010
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O construtor ao exigir seus edifícios com aspectos ambientais com sistemas BIM, agrega os seguintes
valores ao seu projeto:

- Maior rentabilidade: se a gestão durante toda a vida do edifício for gerenciada pelo mesmo
construtor.
- Valorização: maior visibilidade e concorrência com outros profissionais e/ou empresas.

1.2. Ferramentas de simulação e análises de eficiência energética


Grandes empresas de software como por exemplo a Autodesk, Graphisoft ou Bentley, criaram
aplicações baseadas na eficiência energética dos edifícios. Para aproveitar os parâmetros, as aplicações
se baseiam no modelo volumétrico BIM no qual constam informações sobre o uso, localização e
particularidades do projeto.

Após introduzir todos os dados, as aplicações nos proporcionam resultados obtidos através de gráficos
que permitem que o usuário identifique as deficiências de seu projeto, possibilitando a modificação dos
elementos necessários e logo na sequencia refazer a simulação para que se possa calcular o impacto
destas alterações e se as mesmas podem ser justificadas. Estas facilidades nos ajudam a tomar rápidas
decisões baseadas em dados e números.

A Autodesk, por exemplo, tem seu serviço na web chamado Autodesk Green Building, que permite
avaliar as energias e a pegada de carbono de diversos projetos. O serviço oferece funções de análise do
uso da energia, água e as emissões de CO2 de forma gráfica, para simular e analisar a fundo o
rendimento do edifício.

Figura 5. Fluxo de trabalho para simulação energética com Revit (Autodesk)

Além disso, o servidor incluí dados meteorológicos para apoiar as análises de projetos na América, Ásia-
Pacífico, Índia, China, Japão, Filipinas, Coreia do Sul e Rússia. A informação que apresenta o servidor é
feita através de gráficos que indicam: a Intensidade Energética do Uso, o Consumo Anual de Energia, o
Custo Anual de Energia e a Média de Energia x Graus/dia.

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No Vídeo 1 podemos visualizar a apresentação da ferramenta de simulação energética da Autodesk:

Vídeo 1. Vídeo comercial da ferramenta: Autodesk Green Building Studio

Por sua vez, Graphisoft Ecodesigner, assim como a ferramenta apresentada anteriormente, funciona a
partir de um programa de modelagem BIM, porém como um pacote executável (não um servidor web).

O programa fornece informações mais detalhadas usando gráficos sobre os gastos e as necessidades de
energia da construção, ventilação natural, ganância solar, calor interno e outros parâmetros.

Figura 6. Infográfica dos processos da aplicação Graphisoft Ecodesigner

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No Vídeo 2 podemos visualizar a simulação energética do edifício da empresa Microsoft localizado em


Budapeste, a simulação foi feita com a ferramenta Ecodesigner (Graphisoft).

Vídeo 2. Simulação Energética do edifício de oficinas da empresa Microsoft com a ferramenta Ecodesigner
(Graphisoft)

Obter estes resultados nos ajudará a determinar os sistemas que são convenientes em cada caso com
uma agilidade que anteriormente não era possível.

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A Bentley também oferece sua ferramenta, a Heavacomp Simulator V8i, que permite realizar
simulações energéticas nas diversas fases do projeto com a intenção de propor critérios ambientais
concretos de cada um dos parâmetros a serem analisados através das informações contidas do modelo
criado a partir do software de modelagem AECOsim, também da Bentley.

Figura 7. Imagens de simulações energéticas com a aplicação Heavacomp Simulator V8i (Bentley)

Vale ressaltar que, em todas as ferramentas mostradas neste documento o usuário pode realizar
modificações no projeto e em seguida consultar os gráficos, e isso facilita o processo de analisar suas
alterações.

Como sempre, a escolhas de um software dependerá da forma em que se está trabalhando e o que se
pretende através deste.

Por outro lado, existem programas mais específicos de cálculos de instalações e de demandas
energéticas, um exemplo é o CYPECAD MEP / CYPETERM, que permitem definir e projetar o edifício de
forma paramétrica, definindo os diferentes sistemas e elementos construtivos com materiais e
fabricantes existentes (com suas próprias características técnicas).

Esta capacidade proporciona avaliar quais soluções mais afetam a eficiência energética e ambiental
do projeto cumprindo as normas locais, e ao mesmo tempo, permite extrair do mesmo projeto a
documentação necessária para a entrega, seguindo as exigências das disciplinas do projeto.

Além disso, o CYPECAD MEP permite uma interoperabilidade com outros softwares de arquitetura
mediante ao IFC2x3 e IFC4 que nos permitirá importar e exportar nosso modelo atualizado em tempo
real.
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Figura 8. Exportação do modelo arquitetônico ao programa CYPETERM, para realizar o cumprimento do CTE DB
HE e a certificação energética do edifício.

Outras entidades e órgãos cujo o objetivo é a avaliação e a certificação da qualidade ambiental das
construções, como por exemplo, o LEED (Green Building Council), também desenvolveram seus
próprios plug-ins para softwares BIM. Desta forma, se pode automatizar diversos cálculos, aumentar as
opções de soluções do projeto e agilizar os envios da documentação e informações exigidas pela
entidade diretamente do modelo BIM.

Figura 9. Plug-in da ferramenta LEED para Revit (Autodesk)

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Figura 10. Resultados extraídos da ferramenta LEED desde Revit (Autodesk)

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