Você está na página 1de 6

Referencial Teórico

Sutura

A cicatrização de cortes é dividida em 4 fases: 1ª: Fase Inflamatória, primeiras 24 horas,


ação plaquetária + colágeno dos vasos danificados. A fibrina se agrega às plaquetas para
formar o coágulo. Leucócitos removem o material estranho. 2ª Migratória, infiltração de
macrófagos e fibroblastos para iniciar a regeneração, somando-se ao crescimento capilar
a partir da periferia para o centro. 3ª Proliferativa, fibroblastos produzem colágenos que
oferecem maior resistência tensional, ocorre a cobertura epitelial e neo-formação de
vasos. 4ª Tardia, colágeno mais forte remodela a cicatriz, aumento vasos sanguíneos e
cicatrização epitelial.
E suas Formas de Cicatrização: 1ª intenção – bordos são aproximados para cicatrizar
2ª intenção – os bordos são mantidos separados aguardando a cicatrização espontânea
do nível mais inferior até a epiderme. 3ª intenção ou estadiada – deixado aberto até
cessar a infecção e então fechada.

As condições para uma boa cicatrização é manter os bordos limpos e facilmente


aproximados, sem tensão ou interposição de tecidos ou secreção e o Suprimento
sanguíneo adequado.
Os cuidados locais devem se a Limpeza (simples ou exaustiva), de acordo com a
situação e a Anestesia (local, regional ou geral).
O objetivo da sutura é a aproximação temporária dos bordos para cicatrizar e Evitar
espaço morto entre os bordos (secreção, hematoma).

Devem ser mantidos os cuidados com os bordos da ferida. Estes são aproximados para
evitar espaço morto e não devem ser estrangulados, podendo provocar maior inflamação
local. Este estrangulamento é quando sua tensão está em excesso, no entanto, o
contrário também pode causar complicações. A sutura tensa pode causar a compressão
capilar, redução de suprimento sanguíneo, necrose e retardo da cicatrização.
Há diversos tipos de procedimentos de aproximação dos bordos da ferida, entre eles a
Cola cirúrgica – bordos sem tensão, regulares, linhas de força, pouco tempo; Fitas
adesivas – bordos sem tensão, regulares, deslocamento fácil; Grampos – fechamento
rápido, impreciso; Fios cirúrgicos – estável, temporário, estético, pouca reação.
A sutura é o tipo mais comum dos procedimentos com fios cirúrgicos. O ideal neste é
que os bordos da ferida fiquem evertidos; a agulha entre em angulo reto abrangendo a
epiderme, derme e sub-cutâneo; a agulha retorne abrangendo sub-cutâneo, derme e
epiderme e o uso de pinça evitado pelo trauma local.
O porta-agulhas deve segurar a agulha na sua metade; sempre na ponta do porta-agulha,
se for muito longe da ponta, tende a entortar e muito perto não faz o trajeto completo,
enfraquecendo a ponta.

Existem tipos de suturas diferentes: a sutura simples, com pontos separados; a Donati,
com pontos separados verticais; com pontos horizontais em ‘’U’’; com pontos
separados em ‘’X’’;
sutura contínua ou chuleio simples; sutura contínua com pontos passados ou ancorada e
sutura contínua horizontal ou barra grega.

1- Suturas com pontos separados (simples) é a mais fácil e mais utilizada. Cada ponto é
feito na mesma direção (angulo) da pele. Permite boa aposição e mobilidade tecidual. A
agulha é inserida perpendicularmente através do tecido de um lado, passa através de
igual quantidade de tecido do lado oposto. Os nós devem ser colocados fora da linha de
incisão. As pontas devem ser deixadas longas (0,5 a 1,0 cm), a menos que o nó fique
escondido. O sentido da colocação dos pontos deve ser da direita para a esquerda, se
destro, ou da esquerda para a direita, se esquerdino. Alguns erros que podem ocorrer são
os nós muito apertados , “orelhas”, pontos frouxos e pontos muito afastados.
2- Sutura ponto separado vertical – donati promove uma aposição completa e precisa
das bordas, com leve eversão. A primeira passagem da agulha é feita a mais do que 0,5
cm do bordo e a a segunda a 2 ou 3 mm. Pouco isquemiante. Pode ser usada como
sutura de tensão.

3- Sutura pontos separados horizontal - em “u" promove uma leve eversão se colocada
de maneira apropriada. Forma um quadrado, com ambas as extremidades a sair pelo
mesmo lado. Indicada para feridas sob tensão moderada, podendo ser usada como sutura
de tensão quando colocada longe dos bordos. Pode ser usada para reduzir espaço morto.
Formação de cicatriz excessiva devido à eversão dos bordos. Isquemiante,quando os
pontos ficam demasiado apertados.
4- Sutura em “x”ou cruzada a agulha penetra de um lado da incisão, passa perpendicularmente
através da mesma e uma segunda passagem é feita através dos tecidos, paralelamente, a 5 a
10 mm da primeira passagem. Não é isquemiante. Previne a eversão dos tecidos.

5- Sutura contínua simples (kurschner) é a série de pontos interrompidos com nós no início e
no final da sutura. A agulha é introduzida através dos tecidos, perpendicularmente à linha de
incisão e reintroduzida na mesma direção que a anterior. Indicada para o tecido subcutâneo e
fascia desde que não haja tensão e em tecidos que requeiram tensão mínima e boa aposição
máxima.

6- Sutura intradérmica ou subcutânea, colocadas sob a epiderme ou no tecido subcutâneo.


São usadas mais frequentemente na forma contínua. a sutura inicia-se escondendo ou não o
nó no interior dos tecidos, seguindo em “zig-zag” com a agulha colocada perpendicularmente à
incisão, avançando, porém, paralelamente à incisão.
Fio de sutura

O fio de sutura (ou fio cirúrgico) pode ser feito de material reabsorvível ou não
reabsorvível. Ambas as categorias contêm fios monofilamentares e multifilamentares
(trançado). Eles estão disponíveis em vários diâmetros. O diâmetro é descrito com
zeros, no qual o fio mais fino corresponde a um maior número de zeros: 6 - 5 - 4 - 3 - 2
- 1 - 0-00 - 000-0000 - 00000-000000.

Na prática, o fio de sutura 3/0 ou 4/0 monofilamentar (Nylon) é usado para suturas
simples (5/0 às vezes é usado para suturas em face). Um fio 3/0 reabsorvível é utilizado
para o tecido subcutâneo.

Ao selecionar um fio de sutura, deve-se considerar os seguintes aspectos:

 Resistência à tração. O grau de estresse que um fio de sutura pode ser submetido
antes de romper.
 Segurança do nó. A segurança do nó é maior quando o fio é elástico, não-liso, e
contém múltiplos filamentos (fibras).
 Reação tecidual. O risco de reações dos tecidos é maior com fio reabsorvível de
origem animal do que fio sintético não-absorvível.
 Ação capilar. Comparado com o fio monofilamentar, o fio multifilamentar tem uma
maior capilaridade. Tecidos fluidos podem penetrar entre os filamentos, formando
um meio nutriente para as bactérias. Esta capilaridade pode ser reduzida ao se
encapsular o fio multifilamento (por exemplo nylon) com material impermeável (de
silicone ou cera). Fios multifilamentosos não devem ser utilizados em feridas
contaminadas.
 Reações alérgicas. Estas podem surgir quando o material reabsorvível for utilizado.
Referências bibliográficas:

1- Carlos Mesquita, Hospitais da Universidade de Coimbra. Endereço internet:


http://altec-lates.pt/wp-content/uploads/Comunicacoes/Carlos%20Mesquita-Suturas.pdf
2- Edevard J de Araujo , tipos de suturas, Centro de Ciências da Saúde, Universidade
Federal de Santa Catarina. Endereço internet: http://labtoce.ufsc.br/files/2015/04/Tipos-
de-suturas.pdf