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Conceito filosófico de liberdade

Sócrates (469 a 399 a.C) – “Conhece-te a ti mesmo”. Um dos primeiros filósofos a aclarar o conceito de
liberdade. Para este filósofo, o homem livre é aquele que consegue dominar seus sentimentos, seus
pensamentos, a si próprio. E isso só é possível a partir do autoconhecimento. Ao contrário, ser escravo é ser
controlado pelas paixões. A palavra chave para a concretização da liberdade, segundo Sócrates, é autodomínio.
Platão (428 a 347 a.C) – “Em vida, caberia ao homem dominar o homem dentro de si para ser livre”. Entende
por liberdade a opção de cada indivíduo em viver na virtude, em consonância com a moral ou não. É
importante explicar que, para Platão, a alma do home é a parte pura do ser humano e seu corpo/carne, a parte
mais vulnerável às vicissitudes terrenas. Portanto, a morte teria como consequência a libertação da alma. Em
via, caberia ao homem dominar o “homem dentro de si” para ser livre.
Aritstóteles (384 a 322 a.C) – “O homem, para ser livre, precisa ser hábil a escolher entre as opções que lhe
são oferecidas”. Compreende a liberdade como a capacidade do homem em optar entre as diversas alternativas
que a vida lhe oferece, ou seja, o homem, para ser livre, precisa ser hábil a escolher entre as opções que lhe
são oferecidas. Esta eleição deve ser feita de maneira voluntária e racional. Portanto, a possibilidade de
liberdade só ocorre para os seres humanos.
(Santo) Agostinho de Hipona (354 a 430). Na perspectiva inaugurada por Santo Agostinho, a liberdade passou
a ser uma opção do ser humano de determinar o seu caminho, cujos parâmetros de escolha estão delimitados
por uma ordem exterior, a qual estabelece o “valor” ou o “desvalor” de cada opção. Fortemente influenciado
pela tradição cristã, ao discorrer sobre a liberdade, Agostinho pretende esclarecer a origem do pecado e refutar
a origem divina do mal (para um cristão, é um dilema saber que Deus possa ter criado o mal). Ele define o
mal como sendo a ausência de Deus e essa ausência é decorrência da opção do ser humano por um caminho
que o afaste do bem, uma vez que o mal não pode vir de Deus. Assim surge a ideia do livre-arbítrio, como
aquilo que confere ao ser humano a vontade livre de decidir seguir um ou outro caminho. Logo, a fonte do
mal é o próprio ser humano, que, por livre decisão, afasta-se de Deus e, consequentemente, cria o mal. Para
Santo Agostinho, só quem tem livre-arbítrio pode pecar.
OBS: O conceito de livre-arbítrio agostiniano foi uma revolução em relação ao conceito de liberdade da
Antiguidade clássica. Entre os gregos, o uso do termo liberdade tem uma conotação fortemente política e
jurídica (liberdade/isonomia), sem ligação, porém, com as noções subjetivas de ato voluntário em oposição ao
involuntário. Não que os gregos desconhecessem essa oposição, mas a ela não conferiram o atributo de
liberdade. O Cristianismo, por seu turno, oferecia o Reino de Deus, no qual todos eram livres. Esta ideia de
universalização da liberdade se relaciona com a própria mensagem das Escrituras Sagradas, de que Jesus
Cristo veio para constituir uma aliança entre Deus e a humanidade, extensiva a todo e qualquer ser humano, e
não a um povo determinado. Daí a liberdade não poder ser um status de um grupo social.
Thomas Hobbes (1588 q 1679). “Liberdade corresponde à ausência de impedimentos externos”. Adota, em
parte, o conceito de liberdade de Aristóteles, mas, para ele, a capacidade de escolha do homem pode estar
sujeita a impedimentos. Assim, liberdade corresponderia à ausência de impedimentos externos que, muitas
vezes tiram parte do poder que cada um tem de fazer o que quer, mas não podem impedir que o indivíduo use
o poder que lhe resta, conforme o que seu julgamento e razão lhe ditarem.
Descartes (1596 a 1650). “Penso, logo existo!”. Para ele, o próprio conhecimento se equiparava à liberdade,
uma vez instituído o livre-arbítrio – autonomia do homem moderno – como sinônimo de liberdade. Descartes
cunha como princípio do seu sistema de pensamento o Cogito que se enuncia do seguinte modo pela frase:
“Penso, logo existo!”. A partir da subjetividade do sujeito cartesiano, do indivíduo, é que o mundo e os outros
seres são confirmados, sendo o seu método, a dúvida metódica. Quando o homem se torna autônomo, tem
livre-arbítrio, isto é, árbitro de si mesmo, trabalha e pode manipular o mundo dos objetos transformando-o.
John Locke (1632 a 1704) – “Onde não há lei não há liberdade”. Criador da expressão “onde não há lei não
há liberdade”, diferencia a liberdade natural da civil, explicando que a natural consiste em estar livre de
qualquer poder superior sobre a Terra e em não estar submetido à vontade ou à autoridade legislativa do
homem, mas ter por regra apenas a lei da natureza. Já a liberdade civil consiste em não estar submetido a
nenhum outro poder legislativo senão àquele estabelecido no corpo político mediante consentimento, nem sob
o domínio de qualquer vontade ou sob a restrição de qualquer lei afora as que promulgarem o legislativo.
Jean Jacques Rousseau (1712 a 1778) – “Renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de homem”.
Compreende que a liberdade e a igualdade consistem no escopo de uma legislação e são o seu maior bem. Em
sua obra “Do contrato social” (1762), ele afirma: “renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de homem”.
Uma vez perdida não poderá jamais ser readquirida. Para Rousseau, a liberdade é imprescindível à
sobrevivência dos seres humanos. Por suas ideias, foi um dos filósofos que inspiraram os líderes da Revolução
Francesa (1789).
Friedrich Nietzsche (1844 a 1900). “O homem livre é um criador de novos valores, da força transmutada, da
eternidade do tempo”. A liberdade não é livre-arbítrio, já que a função de arbítrio é normativa, o homem só é
livre para praticar o bem, pois se escolher o mal peca, sendo considerado culpado pela ação cometida.
Nietzsche está em situação oposta a todo e qualquer ato moral, não há fatos morais. Para ele, o homem livre é
um criador de novos valores, da força transmutada, da eternidade do tempo.
Jean-Paul Sartre (1905 a 1980). “O homem está condenado a ser livre”. Em sua perspectiva existencialista,
crê que o homem é livre, “porque somos aquilo que fazemos do que fazem de nós”. Em Sartre, o homem
ganha uma dimensão própria construindo a sua essência, ou seja, a existência precede a essência, o homem
primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e só depois se define. Isso representa uma inversão radical
de toda história da filosofia, em que a essência precede a existência. O homem está condenado a ser livre.
Condenado porque não se criou a si próprio e, no entanto livre, porque uma vez lançado no mundo, é
responsável por tudo quanto fizer.