Você está na página 1de 26
t A EXPERIENCIA ETNOGRAFICA antropologia e literatura no século X James CurrorD organizagdo e UFR revisdo técnica Reitor Yenvique Vlhena de Paiva bss Coordenador do José RecIaLoo Santos Goncatves Forum de Ciéncia 7 e.Cultura. Afonso Carlos Marques dos Santos sepse-ciaiep EDITORA UFR == oo igi de Produgio Ana C Editora Assstente Cecilia Moreira ho Editorial Yo Maggie (presidente), Afonso Carlos Jes dos Santos, Ana Cristina Zaha, Carles Lessa, Hermano Wi 11 reimpressio Editora UFR) 9 2002 ‘obo Cameito, Peter Fry, Slviano Sant A expenitncia ernoaniica 178 interedmbio de observacSes. Tal como Madge e Jennings disseram, estas observagées, “embora subjetivas, tornam-se objetivas porque a subjetividade do observador & um dos fatos sob observagdo” (citado em Chaney ¢ Pickering, 1986a:47). O projeto antecipou concepgdes posteriores de uma etnografia reflexiva e uma antropologia como critica cultural (ver Marcus e Fischer, 1986; Jackson, 1987). As misturas especificas de objetivos sociais, estéticos e cientificos dos movimentos “docu- mentérios” da Franga, da Inglaterra e dos Estados Unidos no perfodo entre-guerras merece uma comparagZo sistemética (Ver também Stott, 1973), A colegio inclui textos de Bataille, Caillois, Guastalla, Klossowski, Kojéve, Leiris, Lewitsky, Mayer, Paulhan e Wahl, ‘com extensos comentirios do editor. Sobre o College, ver também Lourau, 1974, e uma excelente anélise em Jamin, 1980. Para uma aguda critica destas afirmagSes, ver La grande famille des hommes, em Barthes, 1957. PODER E DIALOGO NA ETNOGRAFIA: A INICIAGAO DE MARCEL GRIAULE (Na verdade, 0 sociélogo e seu “objeto” formam uma dupla em que cada tum deve ser interpretado através do outro, e em que a relagao deve ela ‘mesma ser entendida como um momenta histérico. Sarve, Ctique dela tason dislectiqu. Marcel Griaule era um personagem autoconfiante e teatral Ele comegou sua carreira como aviador nos anos que se seguiram. Primeira Guerra Mundial. (Mais tarde, em 1946, como professor da primeira cadeira de Etnologia na Sorbonne, ele daria aulas vestido com seu uniforme de oficial da Forga Aérea). Um enérgico entusiasta do trabalho de campo, ele o representava como a continuagao — por meios cientificos ~ de uma grande tradigéo de aventura e exploragio (1948c:119). Em 1928, encorajado por Marcel Mauss e pelo lingitista Marcel Cohen, Griaule passou um ano na Eti6pia. Ele retornou, 4vido por uma nova expedicZo, e seus planos deram frutos dois anos depois, na famosa Missao Dakar-Djibouti, que por vinte e um meses atravessou a Africa do