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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL REI

CAMPUS ALTO PARAOPEBA

Preparo de curvas analíticas por adição de padrão

Relatório apresentado à disciplina


Análise Instrumental Experimental
Aplicada a Bioprocessos sob
orientação do professor Vagner
Fernandes Knupp.

Ana Luiza dos Santos Emerenciano – 144250051


Michelle Gonçalves Silva – 154550040
Neusiane Renata Silva – 134250031
Renato Cruz Gazolla – 154500028

Ouro Branco – MG
Outubro/2018
1. RESUMO

Dentre as várias técnicas de quantificação da concentração de analitos,


destacam-se a padronização externa, a interna e a adição de padrão. Cada um
desses métodos fornece uma curva analítica, que é um gráfico da resposta a
um sinal analítico versus a concentração do analito. O sinal analítico é
fornecido por equipamentos de instrumentação. Esta prática visa à construção
de curva analítica pela técnica de adição de padrão de uma solução amostra
de KMnO4.

2. INTRODUÇÃO

O método da adição de padrão é bastante importante para a análise


química quantitativa de espécies inorgânicas e orgânicas pelo fato de permitir
atenuar os efeitos de interferência da matriz (Kelly, Pratt, Guthrie, & Martin,
2011). Aparentemente, a sua introdução se deu a partir de um livro sobre
análise química por polarografia de autoria de Hans Hohn (1906-1978),
publicado em 1937 (Hohn, 1937). Anos depois, o método foi introduzido em
análises químicas quantitativas realizadas com a utilização de
espectroscopias ópticas, tais como espectroscopia de fluorescência de raio-X
e fotometria de chama (Kelly, Pratt, Guthrie, & Martin, 2011).A adição de
padrão é especialmente apropriada quando a composição da amostra é
desconhecida ou complexa e afeta o sinal analítico. A matriz é tudo que
existe na amostra desconhecida, além do sinal do analito. O efeito de uma
matriz pode ser considerado como uma mudança no sinal analítico causada
por qualquer coisa na amostra diferente do analito. Logo, o método de adição
padrão compensa uma série de interferências quando se adiciona
quantidades y = 50,051x - 0,0064 R² = 0,9997 0,000 0,050 0,100 0,150 0,200
0,250 0,300 0,350 0,00E+001,00E-032,00E-033,00E-034,00E-035,00E-
036,00E-037,00E-03 conhecidas de analito à amostra desconhecida em sua
matriz complexa (Harris, 2005).
3. OBJETIVO

Construir uma curva analítica pelo método de adição de padrão.

4. MATERIAIS E MÉTODOS

- Permanganato de potássio
- Ácido sulfúrico 1 mol/L
- Balões volumétricos de 100 mL
- Balão volumétrico de 1 L
- Espátula
- Béquer de 100 mL
- Bastão de vidro
- Pipetas volumétricas de 1, 2 e 5 mL
- Pipeta graduada de 10 mL
- Pipeta automática de 200
- Balança analítica
- Espectrofotometro UV/Vis

5. METODOLOGIA

6. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para o cálculo das soluções de número 1 e 10, considerou-se cada gota


como 0,05 mL, portanto o volume adicionado foi de 0,60 mL. Devido ao fato de
que o ácido clorídrico é um ácido forte, ele se dissocia completamente;
portanto, a concentração de íons H+ é igual à concentração de HCl. Para
encontrar a concentração de H+ na solução , multiplicou-se a concentração de
HCl pelo volume adicionado e dividiu-se pelo volume total da alíquota, o
resultado encontrado foi de 2,4 x 10-3 mol/L. Como pH=-log [H+], tem-se que o
pH da solução é de 2,62.
Para o cálculo do pH da solução de número 10, sabe-se que o hidróxido de
sódio é uma base forte e também se dissocia completamente. Assim, calculou-
se a concentração de íons OH- multiplicando a concentração do hidróxido de
sódio pelo volume adicionado e dividindo pelo volume total da alíquota: o
resultado obtido foi de 2,4 x 10-3 mol/L, e o pOH= 2,62.
Como pH = 14 - pOH, tem-se que o pH da solução é de 11,38.
Como as soluções de números 3 a 8 apresentavam tanto íons fosfato
monobásico como dibásico, pode-se considerá-las como soluções tampões, de
acordo com a Relação I, portanto a Relação II dita o pH.
[ A]
Relação II: pH = pKa + log
[ HA ]
Onde [HA] é a concentração do ácido genérico e [A] é a concentração de sua
base conjugada.
H2PO4- HPO42- + H+ Ka= 6,2 x 10-8 (Relação
I)

Levando em consideração a dissociação do fosfato de potássio monobásico


representada na Reação II, calculou-se a concentração de H2PO4- através da
Relação III.
[ X ] xVad
Relação III: [X]f =
Vt
Para o cálculo da solução de número 3, temos que:

KH2PO4 K+ + H2PO4- (Relação II)

[H2PO4-] = =0,02 mol L-1

Utilizando a Relação I, obtém-se:


pH = 7,21 + log 0,2  pH = 6,51

De maneira semelhante, calculou-se o pH das soluções de número 4 a 8. Os


resultados de pH obtidos estão listados na Tabela 1.
Para o cálculo das soluções 2 e 9, considerou-se que ambas poderiam
sofrer tanto hidrólise quanto dissociação. Para a solução 2, a constante de
hidrólise foi calculada realizando a razão entre a constante do produto iônico da
água e Ka1 da Reação II.
H3PO4 H2PO4- + H+ Ka1= 7,6 x 10-3 (Relação II)
O resultado obtido foi de 1,32 x 10-12, menor que o valor do Ka2, portanto a
dissociação é favorecida em detrimento da hidrólise. Utilizando-se a constante
de dissociação, calculou-se a concentração de H+ segundo a Relação IV, onde
0,02 é a concentração de H2PO4- calculada pela Relação III.
[𝐻+]2
Relação IV: 𝐾𝑎2 = 0,02

O valor de concentração encontrado foi de 3,52 x 10 -5 mol/L, logo o pH da


solução 2 foi de 4,45. De maneira análoga, calculou-se a constante de hidrólise
para a solução 9. No entanto, observou-se que ela era maior que a constante
de dissociação, portanto calculou-se a concentração de íons hidroxila através
da Relação V.
Relação V:

O resultado obtido foi de 5,68 x 10-5 mol/L.


Como pH = 14 - pOH, logo pH = 9,75.

Soluçõeso Absorbâncias Absorbâncias Valores de pH


ʎ=450 nm ʎ=615 nm calculados
1 - - 2,62
2 0,169 0,056 4,45
3 0,121 0,034 6,51
4 0,121 0,075 6,91
5 0,129 0,21 7,21
6 0,067 0,241 7,51
7 0,165 0,363 7,91
8 0,032 0,319 8,21
9 0,088 0,1 9,75
10 - - 11,38

Tabela 1: Dados obtidos com a leitura das absorbâncias das soluções e o pH


calculado.
Com os valores da Tabela 1, plotou-se o gráfico que relaciona as
absorbâncias dos dois comprimentos de onda com os valores de pH
encontrados.

Absorbância x pH
0.4
0.35
0.3
0.25
0.2
0.15
0.1
0.05
0
4.45 6.51 6.91 7.21 7.51 7.91 8.21 9.75
Abs (450nm) Abs( 615 nm )

Gráfico 1: Absorbâncias ʎ=450 nm e ʎ=615 nm versus pH. Dados obtidos


experimentalmente.

Após plotar os espectros de absorção do azul de bromotimol nos


comprimentos de onda para sua forma ácida e básica, respectivamente,
obteve-se um ponto coincidente, chamado ponto isosbéstico. Neste ponto, o
pH corresponde ao pKa do indicador, que foi de aproximadamente 7,06.
Comparando com o valor encontrado na literatura, que é de 7,10, obteve-se um
erro de 0,57%.

7. CONCLUSÃO

Com essa prática, concluímos que a preparação de amostras de diferentes


valores de pH de um indicador ácido-base - a partir da adição de espécies
ácidas e básicas em diferentes quantidades á solução, juntamente á analise
das absorbâncias dessas amostras em espectrofotômetro pelo método de
espectrometria de absorção molecular no visível e aos cálculos dos valores de
pH de cada amostra, utilizando-se de equações encontradas na literatura -
mostrou-se um método eficaz para determinar o pKa desse indicador,
apresentando um valor para o pKa muito aproximado ao ideal e um erro muito
pequeno (de 0, 57%). O erro, pequeno mas existente, pode ser justificado por
algum erro de preparação das amostras ou mesmo por erro operacional dos
aparelhos utilizados; no entanto, o método apresentou resultados satisfatórios
e os dados coletados se mostraram muito condizentes.

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HARRIS, D.C.; Análise Química Quantitativa. 8ª edição, Rio de Janeiro: LTC,


2012.

PREVIDELLO, Bruno Alarcon Fernandes, et all. O pKa de indicadores ácido-


base e os efeitos coloidais. Maringá (PR).
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-
40422006000300032 – acesso: 13/10/1015.

SILVA, Julio C. J. Aula 4 – Espectrometria molecular UV-VIS. Instituto de


Ciências exatas, Departamento de Química da UFJF. Juiz de Fora. 2013.
Disponível em: http://www.ufjf.br/baccan/files/2010/10/Aula-4-2-Sem-2013_UV-
VIS.pdf - acesso: 13/10/2015.

SKOOG, D.A.; WEST, D.M.; HOLLER, F.J.; CROUCH, S.R. Fundamentos de


Química Analítica. 8ª Edição, São Paulo: Thomson, 2007.