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CÁLCULO I

Prof. Marcos Diniz | Prof. André Almeida| Prof. Edilson Neri Júnior

Aula no 05: Funções Logarítmica, Exponencial e Hiperbólicas.

Objetivos da Aula

• Denir as funções trigonométricas, trigonométricas inversas, logarítmica, exponencial e hiperbólicas;


• Enunciar suas principais propriedades e reconhecer o gráco dessas funções.

1 Funções Trigonométricas
Dado um número real θ, considere o ângulo orientado, em sentido anti-horário a partir do semi-eixo
positivo dos x, cuja medida em radianos é θ e P (x, y) a interseção do lado terminal deste ângulo com o
círculo unitário x2 + y 2 = 1.

Figura 1: Círculo unitário x2 + y 2 = 1

Deniremos, a seguir, as funções trigonométricas.


Denição 1 (Função Seno). A função seno é uma função f de R em R que associa a cada θ ∈ R o número
real y = sen θ, isto é,
f: R → R
θ 7→ y = sen θ.
O domínio de f (θ) = sen θ é R e o conjunto imagem é o intervalo [−1, 1]. Da forma como foi denida,
é possível notar que existe um padrão de repetição nos valores que a função assume, a cada certo intervalo.
O comprimento deste menor intervalo de repetição é denominado de período da função f e é igual a 2π .
O gráco de f (θ) = sen θ, denominado de senóide, pode ser visualizado a seguir.

Figura 2: Gráco de f (θ) = sen θ.

1
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Denição 2 (Função Cosseno). A função cosseno é uma função f de R em R que associa cada θ ∈ R ao
número real x = cos θ, isto é,
f: R → R
θ 7→ x = cos θ.
De forma semelhante à função seno, o domínio da função cosseno é R e o conjunto imagem é o
intervalo [−1, 1]. Como esta função também foi denida a partir do círculo unitário, é possível notar que
existe um padrão de repetição. Desse modo, essa função é periódica e de período igual a 2π . O gráco de
f (x) = sen x, denominado de cossenóide, pode ser visualizado a seguir.

Figura 3: Gráco de f (θ) = cos θ.

As funções tangente, cotangente, secante e cossecante, apresentadas a seguir, serão denidas em termos
de seno e cosseno.
Denição 3 (Função Tangente). Para todo número real x, tal que cos x 6= 0, denimos a função tangente
(denotada por tg x) pela regra:
sen x
f (x) = tg x = .
cos x
O domínio da função tangente é o conjunto de todos os números reais x, para os quais cos x 6= 0.
Portanto, para todo x na forma π2 + kπ , com k ∈ Z, a função tangente não é denida. Pode-se vericar
que a função tangente é periódica, mas de período igual a π . Seu gráco pode ser visto na gura abaixo:

Figura 4: Gráco de f (x) = tg x.

As funções secante, cossecante e cotangente são denidas, respectivamente, da seguinte forma:


1 1 cos x
sec x = , cossec x = , cotg x =
cos x sen x sen x

1.1 Funções Trigonométricas Inversas

Denição 4 (Inversa da função cosseno). A função inversa do cosseno é a função chamada arco-cosseno,
denotada por arccos ou cos−1 , denida por:
y = arccos(x) ⇔ x = cos(y)

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e 0 ≤ y ≤ π.

Figura 5: Gráco da função y = arccos x

Denição 5 (Inversa da função seno). A função inversa do seno é a função chamada arco-seno, denotada
por arcsen ou sen−1 , denida por:

y = arcsen(x) ⇔ x = sen(y)
π π
e− ≤y≤ .
2 2

Figura 6: Gráco da função y = arcsen x

Denição 6 (Inversa da função tangente). A função inversa do tangente é a função chamada arco-
tangente, denotada por arctg ou tg−1 , denida por:

y = arctg(x) ⇔ x = tg(y)
π π
e− <y< .
2 2

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Figura 7: Gráco da função y = arctg x

2 Funções Exponenciais e Logarítmicas


A Função Exponencial

Consideremos um número real a > 0 e a 6= 1. Denimos a função exponencial como sendo a função
f : R → R dada por
f (x) = ax .
O conjunto imagem da função exponencial é R+ e seu gráco é dado por:

Figura 8: Função exponencial com base a > 1.

Figura 9: Função exponencial com base 0 < a < 1.

As principais propriedades da função exponencial, conhecidas como propriedades da potência, serão


muito úteis em nosso estudo. São elas:

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(P1) ax+y = ax · ay ;
ax
(P2) ax−y = ;
ay
(P3) ax·y = (ax )y ;
1
(P4) a−x = ;
ax
m √
(P5) a n = n am

(P6) Se x < y então ax < ay , para a > 1 e ax > ay , para 0 < a < 1
Observando as propriedades, podemos destacar que a propriedade (P1) nos leva a entender que a função
exponencial "transforma somas em produtos", de fato:

f (x + y) = ax+y = ax · ay = f (x) · f (y),

e a propriedade (P6) nos garante que a função exponencial é crescente para a > 1 e decrescente para
0 < a < 1, fato esse que pode ser observado nos grácos.

Observação 1. Tomando, por exemplo, a função exponencial f (x) = 2x , o que é o número 2x ?. Se x


for um número natural, o número 2x é o resultado da multiplicação da base por ela mesma x vezes, por
exemplo:
f (3) = 23 = 2 · 2 · 2 = 8.
Se x for um número inteiro positivo, procedemos como anteriormente e se for negativo, utilizaremos a
propriedade (P4) para determinar 2x , como por exemplo:
1 1
f (−2) = 2−2 = =
22 4
Agora, se x for um número racional, para obtermos 2x , tomamos a sua forma fracionária e utilizamos a
propriedade (P5), por exemplo:  
2 2 √ 3
√3
f = 23 = 22 = 4
3
√ √ √
Mas e se x for um número
√ irracional, por exemplo, x = 2, que número seria f ( 2) = 2 2 ? Para isso,
devemos lembrar que 2 = 1, 4142135624..., dessa forma, utilizando a propriedade (P6), temos a seguinte
aproximação
√ √ √
1, 4 < 2 < 1, 5 ⇒ 21,4 < 2√2 < 21,5 ⇒ 2, 639015 < 2√2 < 2, 828427

1, 41 < 2 < 1, 42 ⇒ 21,41 < 2√2 < 21,42 ⇒ 2, 657371 < 2√2 < 2, 675855

1, 414 < 2 < 1, 415 ⇒ 21,414 < 2 2 < 21,415 ⇒ 2, 664749 < 2 2 < 2, 666597
.. .. ..
. . .

Logo, 2 2 pode ser descrito como sendo o número maior que todos os

21,4 , 21,41 , 21,414 , ...

e menor que todos os números


21,5 , 21,42 , 21,415 , ...

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Um Caso particular

Queremos determinar a solução do seguinte problema:


Qual é o valor de a para que a função exponencial f (x) = ax possua reta tangente com
inclinação igual a 1 no ponto (0, 1)?
Em outras palavras, qual a função exponencial cuja equação da reta tangente em (0,1) é y = x+1.
Esse problema possui solução e a base dessa função exponencial é um número irracional, denotado por
e ≈ 2, 71828182.... Seu aparecimento de forma explícita se deu quando da resolução de um problema
de juros compostos com capitalização contínua, resolvido pelo matemático suíço Jakob Bernoulli e será
estudado na seção de limites. Mas esse número tem grande importância no estudos de vários fenômenos
naturais como o crescimento populacional, decaimentos radioativos, dentre outros.

Figura 10: Função f (x) = ex .

2.1 A Função Logarítmica

Note que pela propriedade (P6), a função exponencial é sempre crescente ou sempre decrescente, de-
pendendo do valor da base a. Logo, ela é injetora, pois para cada x < y , ou seja, x 6= y , temos, para
qualquer valor de a, que ax 6= ay . E se restringirmos o contradomínio ao conjunto R∗+ , obtemos a função
f : R → R∗+ denida por f (x) = ax , que é bijetora. Desse modo, f possui inversa que é a denominada
função logarítmica, denida da seguinte forma:

f : R∗+ → R
x 7→ y = loga x

onde
y = loga x ⇔ x = ay
Como se trata de uma função inversa, a função logarítmica possui propriedades que "desfazem" o que
a função exponencial faz, por exemplo, ao passo que a função exponencial "transforma uma soma em
produto", a função logarítmica transforma um produto em soma (o logaritmo do produto é a soma dos
logaritmos). Veja a tabela a seguir:

Função Exponencial Função Logarítmica


ax+y = ax
· ay  · y)
loga (x  = loga x + loga y
a x x
ax−y = y loga = loga x − loga y
a y
ax·y = (ax )y loga (xy ) = y loga x

O gráco da função logarítmica pode ser obtido pela propriedade gráca da função inversa. Dessa forma,

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Figura 11: Função logarítmica com base a > 1.

Figura 12: Função logarítmica com base 0 < a < 1.

Observação 2. Quando a base do logaritmo é o número e, costuma-se denotar por ln x. Então, f (x) =
ln x = loge x.

Observação 3. Uma forma de denir a função logarítmica de x na base e é através do cálculo de uma
1
área da região localizada abaixo da função g(t) = entre as retas t = 1 e t = x, como mostrado na gura
t
abaixo:

Figura 13: f (x) = ln x.

Contudo, essa abordagem será discutida mais a frente no nosso curso.

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3 Funções Hiperbólicas
Nessa seção apresentaremos as funções hiperbólicas, que são funções obtidas por combinação das funções
ex e e−x . Elas são:
ex − e−x
• Função Seno Hiperbólico é a função f : R → R dada por f (x) = senh (x) = . O seu
2
gráco é

Figura 14: Gráco da Função f (x) = senh x

ex + e−x
• Função Cosseno Hiperbólico é a função g : R → R∗+ , dada por g(x) = cosh(x) = , e seu
2
gráco é:

Figura 15: Gráco da Função f (x) = cosh x

A partir dessas duas funções podemos denir as outras que seguem abaixo:
senh x
• Função Tangente Hiperbólica é a função f : R → (−1, 1) dada por f (x) = tgh (x) = =
cosh x

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ex − e−x
, o seu gráco é o seguinte:
ex + e−x

Figura 16: Gráco da Função f (x) = tgh x

1
• Função Secante Hiperbólica é a função g(x) = e cujo gráco é:
cosh(x)

Figura 17: Gráco da Função f (x) = sech x

1
• Função Cossecante Hiperbólica é a função f (x) = e cujo gráco é:
senh(x)

Figura 18: Gráco da Função f (x) = cossech x

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1 cosh(x)
• Função Cotangente Hiperbólica é a função g(x) = = e cujo gráco é:
tgh(x) senh x

Figura 19: Gráco da Função f (x) = cotgh x

Vejamos alguns exemplos de cálculos simples:


Exemplo 1. Calcule o valor de
(a) senh 0
(b) cosh 0
(c) tgh 1
(d) senh (ln 2)
(e) sech 0
(f) cotgh (ln 3)
(g) cossech (ln 2)
Solução:
e0 − e−0 0
(a) senh 0 = = =0
2 2
e0 + e−0 2
(b) cosh 0 = = =1
2 2
senh 1 e1 − e−1 e − e−1 e2 − 1
(c) tgh 1 = = 1 = =
cosh 1 e + e−1 e + e−1 e2 + 1
 
1 3
ln 2 − ln 2 2−
e −e 2 3
(d) senh (ln 2) = = = 2 =
2 2 2 4
1 1
(e) sech 0 = = =1
cosh 0 1

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eln 3 + e− ln 3 1 10
cosh ln 3 e ln 3 + e− ln 3 3+
(f) cotgh (ln 3) = = ln 3 2 − ln 3 = ln 3 = 3 = 3 =5
senh ln 3 e −e e −e − ln 3 1 8 4
3−
2 3 3
1 2 2 2 4
(g) cossech (ln 2) = = ln 2 = = =
senh x e −e − ln 2 1 3 3
2−
2 2

A utilização das funções hiperbólicas na ciência e na engenharia ocorre sempre que uma entidade com
a luz, a velocidade, a eletricidade ou a radioatividade, é gradualmente absorvida ou extinta, sendo esse
decaimento representado por esse tipo de função. Uma outra aplicação é o uso do cosseno hiperbólico para
descrever a forma de um o dependurado entre duas hastes, como por exemplo o o elétrico entre dois postes.
Em geral, esse o assume a forma de uma catenária, que é uma curva cuja equação é y = c + a cosh xa .


Também podemos utilizar as funções hiperbólicas na descrição das ondas do mar. A velocidade de uma onda
aquática com comprimento L se movimentando por uma massa de água com profundidade d é modelada
pela função: s  
gL 2πd
v= tgh
2π L
onde g é a aceleração da gravidade.
A seguir, exibiremos algumas identidades envolvendo as funções hiperbólicas:
Proposição 1. Sejam x, ∈ R. Então:
(i) senh (−x) = − senh x
(ii) cosh(−x) = cosh x
(iii) cosh2 x − senh2 x = 1
(iv) 1 − tgh2 x = sech2 x
(v) senh(x + y) = senh x cosh y + senh y cosh x
(vi) cosh(x + y) = cosh x cosh y + senh x senh y
Demonstração: Provaremos os itens (iii) e (iv) e os outros cam como exercício.
(iii) Note que
2  x 2
ex + e−x e − e−x

2 2
cosh x − senh x = −
2 2
−x −2x e − 2ex e−x + e−2x
 2x x
  2x 
e + 2e e + e
= −
4 4
e2x e−2x
+ 2 + 
 e2x
− e−2x
+ 2 − 

=

4
4
= =1
4
(iv) Observe que
senh2 x
1 − tgh2 x = 1 −
cosh x
cosh2 x − senh2 x
=
cosh2 x
1
=
cosh2 x
= sech2 x

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Resumo

Faça um resumo dos principais resultados vistos nesta aula.

Aprofundando o conteúdo

Leia mais sobre o conteúdo desta aula nas seções 1.2, 1.5 e 1.6 e no Apêndice G do livro texto.

Sugestão de exercícios

Resolva os exercícios das seções 1.2, 1.5 e 1.6 os do Apêndice G do livro texto.

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