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A Doutrina Secreta da Kabbalah – Parte 21

A Ciência Sagrada Kabbalística da Linguagem

A Ciência Sagrada do Som e a Prática Espiritual

lsh em Hebraico e Sânscrito


Uma vez levantada a questão de que se a palavra hebraica Ish (homem) tem um
correspondente sânscrito, possibilidade que surge apenas por causa de sua
oposição verbal com o som que o sânscrito reconhece como o da criação (Om),
apresentam-se respostas esclarecedoras tanto para a tradição hebraica quanto
hindu.
Não apenas o sânscrito prova ter uma palavra de pronúncia idêntica, como ela tem
um grande significado teológico.
Trata-se da palavra “Isa” (o “s” sendo pronunciado “sh”, e o “a” final silencioso),
geralmente traduzida como Senhor.
Esse é o mesmo significado do nome divino Adonai substituto do Tetragrammaton
em sua leitura, e refere-se ao divino com qualidades, a pessoa divina ou deus
pessoal, opondo-se ao Brahma sem qualidades.
A palavra aparece pela primeira vez, superficialmente, no Isa Upanishad datado do
século VIII a.C.:
1. Pelo Senhor (Isa) isso tudo deve ser envolvido —
Qualquer coisa em movimento que exista no mundo em movimento
5 (...) Está dentro de tudo isso,
e está fora de tudo isso.
16 (...) Qual é tua forma mais formosa que de ti eu vejo.
Ele que está mais longe, longínqua Pessoa Eu mesmo sou Ele!

Na palavra sânscrita “isa”, pode ser vista uma tripla identificação do divino como
transcendente, imanente e também como aquela divina Pessoa na qual o místico
pode reconhecer seu mais verdadeiro e mais elevado ser.
É “ish” ou “ishvara” o termo para o divino predominante nos cultos devocionais
recentes dedicados a Shiva e Vishnu.
Ele aparece com freqüência no Bhagavad-Gita, provavelmente escrito no século III
a.C., como o termo para o transcendente Vishnu e seu avatar humano Krishna.
Vishnu representa a forma cósmica de Krishna, que ele revela para seu devoto
Arjuna no 11º capítulo:
7. Sustém hoje o mundo inteiro de mover ou não mover,
Permanecendo em unidade aqui em meu corpo (...)
24. Tendo visto tocares o céu (...)
Não encontrei equilíbrio ou paz, ó Vishnu.
37. Ilimitado Senhor dos Deuses, Residente do Mundo,
Tu és o imperecível que está além da existência e da não-existência.
E aquele que está além de ambas.
38. Tu és o primeiro dos deuses, purusa primordial;
Tu és a casa do tesouro suprema de tudo isso.
Tu és o conhecedor, e o que é para ser conhecido,
E o supremo objetivo, ó Forma Infinita!
44. Assim, tendo te prestado reverência e prostrado meu corpo,
Procuro por tua graça, ó Senhor;
Por favor, carrega-me, como o pai um filho, um amigo o amigo, um
amante a amada.
45. Estou maravilhado, tendo visto o que nunca tinha sido visto,
Mas minha mente treme com medo.
Mostra-me aquela tua outra forma (humana), ó Senhor:
Sê gracioso, Refúgio do Mundo.
50. O maior, tendo tomado outra vez a forma graciosa.
Conforta-o em seu medo.
O Abençoado disse:
54 (...) pela devoção sincera (bhaktya), ó Arjuna, posso, nessa
forma, ser conhecido e ser visto em essência, e ser admitido,
ó Destruidor de Inimigos.

O Senhor do amor e da graça, que aparece tanto em forma encarnada como


cósmica, também é aquele em que o devoto pode tornar-se.
Dos Upanishads, por meio do Gita, até os dias presentes, os grandes cultos
devocionais hindus referem-se à sua divindade como Isa, pronunciado “ish"
Mas, apesar de a maior parte dos hindus não estar a par disso, o sãnscrito Isa pode
ser aplicado não apenas ao divino, mas também a humanos, e não apenas aqueles
que reconheceram sua união com o divino.
Um dicionário sânscrito dá as seis definições seguintes de Isa:
1. Possuir, compartilhar, mestre ou senhor de;
2. Alguém que é especialista em qualquer coisa;
3. Capaz de;
4. Poderoso, Supremo;
5. Um marido;
6. Um título de Vishnu e Shiva.

Independentemente de humano ou divino, Isha refere-se ao macho em sua função


de senhor ou mestre, mesmo que de uma esposa, em termos humanos, aquele
com elevado nível de poder.
Ainda menos conhecida é a forma feminina dessa palavra, pronunciada "Ishah"
como em hebraico, que tem as duas principais categorias seguintes de significado:
1. Supremacia, grandeza;
2. Nome da deusa Durga, uma mulher com supremacia, uma senhora rica.

Mas, apesar de a palavra Isha e sua forma feminina Ishah terem referências
humanas e divinas, a tradição hindu enfatizou os significados divinos.
O oposto parece ter sido o caso com a palavra “ish”, que é universalmente
traduzida simplesmente como "homem", apesar de ela poder ter uma série maior
de significados similares àqueles do correspondente sânscrito.
A palavra hebraica “ish” é tradicionalmente reconhecida como uma referência ao
homem em seu mais alto desenvolvimento, sua forma inferior reconhecida em Adão
quando as duas palavras aparecem no mesmo contexto, como no comentado Salmo
49:3: "gan benai Adam gan banai ish”, traduzido na versão do rei James
simplesmente como: "ambos baixo e alto”.
Uma vez que o significado complexo de Ish não foi previamente estudado e oferece
um acesso único ao cerne do entendimento religioso bíblico, seria útil desenvolver
esse estudo aqui.
O método envolverá uma tabulação das categorias de significado que emergem de
considerações a respeito de todos os usos de Ish no Gênesis, aos quais outras
utilizações serão acrescentadas.
De tal análise, quatro significados principais de Ish surgem.

Em seu primeiro uso bíblico, Ish define o homem em seu relacionamento com a
mulher.
O Adão andrógino primordial redefine-se em termos do seu, agora, lado feminino
que foi separado de sua completitude anterior. quando diz: "ela será chamada
Mulher (ishah), pois foi tirada do Homem (ish)" (Gn 2:23).
Como Ish é soletrado Alef-Iud-Shin e Ishah é Alef-Shin-Hei, e como o Alef e o Shin
presentes em ambas as palavras formam a palavra para fogo, Esh, enquanto que o
resto das letras juntas soletram o nome divino Yah, originou-se a famosa
interpretação midráshica das relações dos sexos, segundo a qual o divino deveria
ser parte do ato sexual e que, quando é removido, só resta o fogo.
Essa interpretação encontra apoio no verso seguinte: "Assim, deverá o homem
(ish) deixar seu pai e sua mãe. e deverá unir-se (davak) à sua mulher; e eles serão
uma só carne" (Gn 2:24).
O propósito da distinção de sexos é alcançar urna reunificação mais elevada do que
aquela que foi perdida, uma que, incluindo o Yichud divino do Yud masculino (mais
tarde associado com o Partzuf de Abba) com o Hei feminino (associado com o
Partzuf de Imma), possa alçar a união do homem e da mulher a um estado de
Devekut, comunhão com o Divino.
Essa participação do Divino na união sexual pode ser verificada em outro uso de
Ish: "e Adão conheceu Eva, sua mulher; e ela concebeu e gerou Caim, e disse: Eu
consegui um homem (ish) com o auxílio do Senhor (et-YHVH) " (Gn 4:1).
J. H. Hertz nota que há duas interpretações conflitantes das palavras de Eva:
"A interpretação tradicional relaciona 'um homem' a Caim; e as palavras, uma
expressão de ação de graças por sua criança. Outra entende „homem‟ como marido
(cf.29, 32)."

Na primeira interpretação, Adão e Eva poderiam estar relacionados a suas divinas


contrapartes, Abba e Imma, e o Ish et-YHVH referir-se-ia à geração daquilo que, o
rótulo aqui dado a ele, representa o mais elevado desenvolvimento do homem, o
filho divino.
Aquilo que pode ser visto como um rótulo é sugerido pelo hífen entre a palavra
Alef-Tav, a primeira e a última letras do alfabeto hebraico, que às vezes é usada
para simbolizar o começo e o fim, bem como o Tetragrammaton.
Isso aparece nessa forma intraduzível na primeira sentença do Gênesis antes da
palavra para Céu e daquela para Terra.
Assim entendidas, as palavras de Eva podem significar: "eu consegui uma forma
humana de completa divindade".
Embora sejam significativas as palavras de Eva aplicadas a seu filho, elas parecem
ainda mais apropriadas quando aplicadas a seu esposo.
Como o título Ish só foi aplicado a Adão no contexto de sua projetada união sexual,
parece mais adequado que ele seja usado para celebrar a nova estatura de Adão
sobre sua consumação geradora.
Eva poderia estar dizendo que ela tinha feito um homem dele.
Mas "homem" aqui deveria representar a forma humana do Divino, à medida que o
poder humano de geração reordena e estende o poder de criação divino.
Assim, em seu relacionamento sexual com a mulher, o homem é primeiro elevado
acima de sua origem terrena para participar com ela em uma unidade mais alta.
Como no sânscrito, a palavra também é usada com o significado de marido, e é
assim traduzida em Gn 3:6, 16; 16:3; 20:7; 29:32, 34; 30:15, 20.
Mas, ao contrário das implicações de poder desse significado no sanscrito, no uso
hebraico de Ish e Ishah para referir-se a marido e mulher, não está envolvida uma
relação de poder hierárquico, mas apenas um envolvimento resultante da união
sexual.
De fato, os termos Ish e Ishah são aplicados também à união sexual de animais em
Gn 7:2.
Além disso, é o homem como potencial parceiro sexual que é representado por Ish
nas seguintes passagens: Gn 19:8, 31; 24:16; 26:10; 29:19; 34:14; 38:25.

O segundo significado principal de Ish pode ser entendido como uma extensão do
primeiro, não o homem em relação à mulher, mas em relação aos outros.
Ele aparece na frase traduzida de Gn 11:3 como "um para o outro" e é
diferentemente exemplificado em Gn 11:7; 13:11; 26:31; 31:49; 37:19; 42:28.
Também é usado significando um de um grupo ou o plural simples "homens" em:
Gn 32:7; 33:1; 34:20, 25; 39:11, 14; 40:5; 41:44; 42:25, 35; 44:11, 13;
45:1, 22; 47:20; 49:6, 28.
Também é utilizado para uma coisa em relação a outras em Gn 15:10.
Todas essas referências parecem derivar do primeiro uso em Gn 9:5, que se refere
a "todo irmão do homem" e parece envolver um conceito de fraternidade humana.
Nesse segundo significado, Ish refere-se àquele elevado desenvolvimento do
homem, refletida em sua capacidade de formar amplos laços sociais.

Nos primeiros dois significados de Ish, o homem é elevado acima de seus direitos
de nascimento pelo simples processo de formar laços sexuais ou sociais mais
abrangentes, vindo dessa forma a uma unidade mais alta na qual parece participar
o Divino.
Já vimos como a união sexual de Adão e Eva poderia ser interpretada sob esse
prisma, e tal entendimento de sociedade aparece no conceito de Israel como uma
nação santa.
Mas, com o terceiro significado de Ish, chegamos finalmente ao mais elevado
desenvolvimento do homem.
Apesar de esse significado poder ser confundido com o senso de poder que permeia
seu correspondente sânscrito — particularmente em Gn 23:6; 26:13; 30:43; 39:2,
que se refere ao homem próspero ou governante —, esse não é seu significado
primordial.
Em seu nível mais baixo, ele se refere a qualquer um que se distinguiu a ponto de
ser notado, como em "um certo adulamita", cananeu ou egípcio (Gn 38:1,2:39:14).
No nível maior seguinte, estão os indivíduos chamados Ish sem qualificações
adicionais.
O primeiro é Lot em seu papel de protetor dos anjos (Gn 19:9).
Depois, a referência a Isaac em Gn 24:65, apesar de ele ser identificado por sua
posição de "mestre" no mesmo verso.
Esaú. em contraste a Jacó, também é chamado Ish sem nenhuma explicação
adicional em Gn 25:27.
Chegamos depois ao homem não identificado que ajudou José em Gn 37:15, 17,
aparentemente uma razão suficiente para elevá-lo ao status de Ish, como é o
simples fato demonstrado pela fraternidade a José em Gn 44:17 ou a prestação de
serviços a ele em Gn 43:17, 19, nesse caso, também, um exemplo de poder.
O próximo nível talvez possa ser associado primeiramente com aqueles que têm a
capacidade da linguagem (Gen.10:5) e da contagem (Gn 13:16).
Mas é melhor representado por aqueles de alta qualidade moral, especificamente
Noé e Jacó.
Noé é chamado "um homem justo e perfeito (Gn 6:9), ish tzadiq tamim.
Assim também Jacó é chamado um ish tam (Gn 25:27).
O que é mais importante para determinar o elevado nível de Ish é o significado de
tam ou tamim, traduzido no caso de Noé por "perfeito", mas perfeito no sentido de
totalidade.
Esse significado aparece também em Gn 42:11, 13, em que Jacó é chamado
“Ish echod”, o que parece referir-se a ele como alguma forma de homem unificado.
Se um “ish tam” pode ser entendido como um homem completo, então parece que
voltamos para aquela definição de um Ish como alguém cujo lado feminino foi-lhe
tirado e que precisava recuperar sua totalidade original, tornando-se uma só carne
com sua separada Ishah.
Se o simples Ish pode apenas recuperar seu senso de totalidade original através de
sua participação em todos coletivos maiores de natureza social ou sexual, o “ish
tam” parece ser aquele que reintegrou o lado feminino mais intuitivo de sua
natureza dentro de uma psique de nova totalidade.
De fato, Hertz traduziu tamim em Gn 6:9 como "totalidade de coração".
Ele recuperou a totalidade por meio de seu elevado desenvolvimento espiritual; e
com essa nova totalidade de ser, pode agora adentrar uma unidade ainda mais
elevada em seu relacionamento com Deus: "e Noé andou com Deus" (Gn 6:9).
Provavelmente, ninguém iria além do que o que aqui foi exemplificado como
modelo de individualidade perfeita para poder assumir que o mais alto nível a ser
considerado está implicitamente contido nele.
Porém, há dois caráteres aos quais o termo Ish é aplicado com extraordinária
freqüência e que representam um nível de capacitação espiritual além da
experiência de comunhão de Noé, uma experiência que permite direcionar as
energias espirituais de acordo com sua vontade.
O primeiro é Eleazar, referido em Gn 24:21, 22, 24, 26, 29, 30, 32, 58 e 61.
Mandado por seu mestre Abraão para encontrar uma esposa adequada para seu
filho Isaac, Eleazar rezou pelo sucesso no desempenho dessa missão e depois
buscou um cenário por meio do qual Deus pudesse dar-lhe um sinal da escolha
certa, que desempenhasse exatamente o previsto, o que seria tomado como prova
de cooperação e apoio divino.
Isso também parece justificar a recomendação de Abraão a Eleazar, que ele repetiu
a Labão: "O Senhor, ante o qual eu ando, mandará seu anjo contigo, e levará a
bom termo a jornada" (Gn 24:40).
Mas é José que, em Gênesis, representa a mais elevada definição de um Ish, um
termo aplicado a ele por 13 vezes: Gn 41:2, 33, 38; 42:30, 33; 43:3, 5, 6, 7, 11,
13; 44:15,26.
Representando as alturas do poder espiritual e social, ele é aquele cuja maestria na
interpretação profética de sonhos o leva a ser identificado como que "um homem
no qual está o Espírito de Deus" (Gn 41:38).
Sua autoridade espiritual é revelada quando ele afirma como óbvio que "um
homem como eu pode certamente adivinhar" (Gn 44:15).
José, como Eleazar, sabe como usar as energias espirituais para ter bons efeitos,
mas essa exemplificação do mais elevado nível humano Ish vai além desse uso
para revelar a presença do Espírito Divino dentro dele.
Nessa forma culminante do terceiro nível de significado da palavra Ish, ao homem é
tomado como não apenas capaz de andar com Deus, mas de trazê-lo dentro dele.
Embora Labão pareça distinguir entre as categorias de Ish e Deus, ao fazer a
aliança com Jacó, diz: "nenhum homem está conosco; vê, Deus é testemunha entre
mim e ti" (Gn 31:50).
Essa distinção aparece não apenas no caso de José, mas mais radicalmente no uso
do termo Ish para definir anjos.
Isso pode ser visto quando Jacó luta com o anjo:
"E Jacó foi deixado sozinho; e lá lutou um homem (Ish) com ele até o amanhecer
do dia" (Gn 32:24).
Jacó reconhece a natureza divina desse Ish quando diz: "Vi Deus face a face, e
minha vida foi preservada" (Gn 32:30).
Assim também acontece com Abraão quando lhe aparecem três anjos identificados
pelo plural de “ish”, anashim:
"E o Senhor apareceu a ele nas planícies de Mamre (...) e ele levantou seus olhos,
olhou, e eis três homens em frente dele" (18:1-2)
Das referências posteriores a anjos como Ish, apenas uma precisa ser mencionada
aqui.
A de juízes 13:6, na qual o anjo que anuncia o nascimento de Sansão é chamado
de Ish Elohim.
Então, como com o seu correspondente sânscrito, Ish é um termo que pode ser
aplicado ao divino, mais significativamente a uma definição similar de divindade em
termos de sua manifestação, e não simplesmente em termos de forma, mas
especificamente de forma humana.
Quando Deus interage com o homem nas fornias humanas dos anjos, Ele é
chamado Ish, a forma humana do ser divino perfeitamente expressa no termo Ish
Elohim.
Considerando todas as referências a Ish em Gênesis, parece claro que essa palavra
compreende um complexo entendimento daquele nível de consciência no qual o
humano e o divino podem encontrar-se.
À medida que o homem se eleva pelos níveis da totalidade sexual, social e
psicológica até o ponto em que pode pela primeira vez comungar com Deus e
finalmente internalizar o espírito divino, Deus descende na forma humana angélica
para interagir com o homem nesse nível mais avançado de seu desenvolvimento,
no qual ele verdadeiramente se torna a imagem de Deus.

Apesar de apresentado mais claramente no Isha Upanishad e no Bhagavad Gita do


que em Gênesis, as notáveis similaridades que foram demonstradas por essa
exploração verbal parecem argumentar sobre alguma interação cultural muito
antiga entre os hebreus e os hindus, possivelmente entre o conteúdo abrâmico da
tradição hebraica e os invasores arianos que passaram pela Babilônia em seu
caminho para a Índia.
Mas, independentemente de ser assim, a raiz do significado de Ish seguiu
diferentes correntes de desenvolvimento nessas duas tradições.
Como os hindus enfatizam o lado divino do humano, os hebreus destacam o lado
humano do divino.
Como os hindus enfatizam seu aspecto de poder e nobreza, os hebreus realçam sua
associação com a totalidade.
Apesar dessas diferenças, ambas as linguagens das tradições empregam o som
verbal da mais alta freqüência, “ish”, para conduzir a personalização recíproca e
interativa do Divino e a divinização do humano, cujo ponto derradeiro de unificação
representa o propósito da criação.
É esse mesmo entendimento do potencial humano que forma a doutrina secreta do
filho e este é adequadamente representado pela palavra Ish que pontifica as séries
vocálicas ascendentes.
Com esse retorno à prática espiritual sugerida de entonação de séries vocálicas,
deve estar mais aparente agora como o significado complexo de Ish está
relacionado ao seu som de alta freqüência e como a produção desse som pode
servir como teor e veículo para o aperfeiçoamento espiritual do homem.
Terminando essa discussão a respeito das letras vogais, está claro que ela abriu um
caminho de correspondências ocultas que nos levaram para bem longe do nosso
ponto de partida, a correlação entre as letras vogais e o Tetragrammaton.
Fomos levados a assuntos como a correspondência entre harmônicas e sefirot, o
que adicionou uma nova dimensão ao nosso entendimento da Árvore.
Mas a exploração da Árvore está apenas começando.
A próxima parte forma o centro vital deste trabalho e mostrará o modelo
geométrico da Kabbalah como o produto sobrevivente de uma ciência sagrada
hebraica, cuja sofisticação não tem rival nem no Egito nem na Grécia.
Um complexo geométrico relacionado de várias formas com o Diagrama da Árvore
da Vida entronizando o significado central do legado sacerdotal hebraico, a doutrina
secreta do filho.

Continua