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O mito da caverna

Na alegoria, Sócrates dialoga com Glauco sobre um suposto


grupo de homens que estariam acorrentados no interior de
uma caverna desde o nascimento, observando durante todo
o tempo apenas uma parede iluminada por uma fogueira. O
mundo deles se baseava em contemplar aquelas sombras,
inclusive as analisando e julgando. Porém, se um dos
prisioneiros da caverna pudesse conhecer o mundo exterior,
assim notando que desconhecia a realidade e vivia em um
mundo de ilusões e sombras, ele inicialmente teria
dificuldades em enxergar diretamente a parte externa da
caverna e tudo que a habita por causa da claridade. Após se
habituar à luz, caso voltasse ao interior da caverna para
celebrar as boas novas com os prisioneiros, ele
provavelmente seria desacreditado e tratado como louco,
chegando até a ser ameaçado de morte pelos demais.
Representações do mito da caverna na sociedade atual
Esse mito foi escrito por Platão há milênios, porém pode
perfeitamente ser aplicado ao nosso atual contexto de
sociedade.
Mesmo sem estar aprisionada de fato, a sociedade atual
também é influenciada pelo que lhe é imposto,
principalmente pelos grandes grupos de mídia. Por exemplo,
as novelas são capazes de gerar “modismos eternos
enquanto duram”, como cita uma chamada exibida pela TV
Globo, maior produtora do gênero no Brasil.
Essa influência dos meios de comunicação faz com que
vejamos a realidade de uma forma distorcida.
Os comerciais nos dizem o que comer, o que vestir, qual
carro comprar e quais objetos devemos adquirir para nos
sentirmos melhor conosco mesmos. Nem tudo o que está na
mídia é corrupto, mas devemos começar a ter mais
consciência sobre o que vem se tornando popular, porque
são os ideais retratados por ela, que tornam-se a forma
como nós nos interagimos como um todo.
A grande questão é termos discernimento para sabermos o
que é bom e o que é ruim. Identificar essa tal coisa como
“ruim”. A libertação de um dos prisioneiros, retrata o que as
pessoas podem encontrar quando se tornam conscientes.
Quando o prisioneiro é levado para o mundo real ele fica
fascinado pela luz. No mundo real ele experimenta as
sombras, os reflexos e finalmente os próprios objetos. Caso
o prisioneiro liberto decida voltar à caverna para revelar aos
seus antigos companheiros a situação extremamente
enganosa em que se encontram, correrá, segundo Platão,
sérios riscos – desde o simples ser ignorado até, caso
consigam, ser agarrado e morto por eles, que o tomarão por
louco e inventor de mentiras.
Muitas pessoas têm medo. Medo de mudar. Medo de
questionar e pensar por si próprios. Ao invés de julgar essas
pessoas, nossa própria humanidade se revela ao ter
compaixão por aqueles que estão inconscientes. As
distrações que nos são impostas para nos impedir de
ponderar sobre as questões realmente importantes da vida
nos leva a aceitar uma existência medíocre, sempre
esperando pelos próximos “altos e baixos”.