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A Economia Aberta

Depois de trabalhar com a hipótese de que os únicos atores de uma economia são famílias,
empresas e governo, introduzimos o setor externo.

Por mais que uma grande parcela da população brasileira jamais tenha saído do país, todos
participamos da economia mundial pois os preços dos bens e serviços produzidos no país
interagem com os mercados consumidores do mundo inteiro.

O grau de investimento de uma economia também depende do fluxo internacional de


recursos. Poupadores do mundo inteiro se beneficiam por poderem investir em qualquer país.
Os países também se beneficiam, por não dependerem exclusivamente da capacidade de
poupar da sua população.

5.1. O Fluxo Internacional de Bens e de Capital

Em uma economia fechada, tudo o que é produzido internamente só pode ser vendido
internamente. A despesa se divide portanto em Consumo, Investimento e Gastos do Governo.
Em uma economia aberta, além desses três componentes há também a possibilidade de se
vender e comprar do exterior. Assim a divisão do produto fica sendo:

Y = C d + Id + G d + X

Onde, Cd: é o consumo doméstico;


Id: representa o investimento doméstico;
Gd: são os gastos domésticos do governo;
X: são as exportações de bens e de serviços.

Dessa forma a economia incorpora o componente externo das despesas, X, aos componentes
internos Cd + Id + Gd.

Ficaram fora dessa conta os componentes das despesas que não contribuem para o aumento
do produto: o consumo externo, Ce, o investimento no exterior, Id, e os gastos do governo na

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compra de bens e serviços produzidos no exterior, Gd. Dessa forma, os agregados econômicos,
Consumo, Investimento e Gastos do governo são definidos assim:

C = Cd + Ce; I = Id + Ie; e G = Gd + Ge

Ao substituir na primeira equação, fica:

Y = (C - Ce) +(I – Ie) + (G - Ge) + X

Rearranjando, fica sendo:

Y = C + I + G + X – (Ce + Ie + Ge)

Se definirmos importações, M, como a soma das despesas com consumo, investimento e


gastos do governo com bens e serviços importados, (Ce + Ie + Ge), então:

M = (Ce + Ie + Ge) e Y = C + I + G + X – M

Podem-se definir as exportações líquidas, NX, como sendo a diferença entre o que exportado
e o que é importado:

NX = X – M

Com isso a equação de determinação do produto fica sendo:

Y = C + I + G + NX

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Assim, as exportações líquidas serão o resultado final do produto nacional exceto aquilo que é
gasto internamente:

NX = Y - (Ce + Ie + Ge)

Se o Produto for maior que o gasto interno, as exportações serão positivas. Se o gasto interno
for maior que o produto doméstico, o país importará bens e serviços.

Com relação ao fluxo de recursos financeiros, a poupança do exterior vai complementar a


poupança nacional. Com isso, a poupança privada e a poupança pública deixam de ser as
únicas fontes de recursos que os mercados financeiros recebem para aumentar o investimento.

S =Sp + Sg + Sx e S = I + NX

Utilizando os termos do produto nacional para visualizar como o fluxo de recursos externo se
insere no nosso modelo, ficamos com:

Y – C – G = I + NX; S – I = NX

A diferença entre aquilo que é investido e aquilo que é poupado na economia é igual às
exportações líquidas, ou seja, o saldo da balança comercial nos dá a capacidade de um país de
absorver poupança interna.

Isso significa que o Fluxo de Capitais para o Exterior tem que ser igual à possibilidade da
população local tem de poupar, subtraído daquilo que foi investido. Se a população local
poupa além daquilo que é investido, ela compra menos bens e serviços que o montante que
produzido no país. Para isso ocorrer, é necessário exportar o excedente.

A identidade da Renda nacional mostra que o Fluxo de Capitais que entra em um país é
necessariamente igual ao fluxo de bens e serviços externos consumidos por esse país.

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5.2. Poupança e Investimento em uma Economia Aberta

Em uma economia aberta, a taxa de juros não precisa se ajustar para tornar a poupança igual
ao investimento, pois a poupança externa pode suprir uma eventual deficiência de poupança
nacional.

Se a economia for suficientemente pequena para que suas decisões não interfiram no mercado
mundial, e houver perfeita mobilidade de capital, a taxa de juros local precisa ser igual à taxa
de juros internacional.

r = r*

Se a taxa de juros local fosse maior que a taxa de juros internacional, a perfeita mobilidade de
capitais permitiria que nenhum cidadão tivesse que pagar mais caro por um empréstimo,
podendo tomar um empréstimo externo.

A poupança e o investimento externos influenciam a taxa de juros internacional. Como


fizemos a suposição de um país pequeno, a poupança e o investimento desse país não tem a
capacidade de influenciar a taxa de juros internacional, que é uma variável exógena.

Temos no nosso modelo de uma pequena economia aberta os mesmos fatores de uma
economia fechada, com a adição das trocas externas. Com isso, temos:

Y = Y = f (K, L); C = C(Y – T); e I = I(r)

O produto é função dos fatores de produção, que são fixos. O consumo é função da renda
disponível e o investimento é função da taxa real de juros. A introdução do setor externo traz
as seguintes conseqüências:

NX = (Y – C – G) – I ou NX = S – I

As exportações líquidas serão a diferença entre a poupança interna e o investimento interno.

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NX = [Y – C(Y – T) - G] – I(r*) ou NX = S - I(r*)

As exportações líquidas serão iguais à diferença entre a taxa de poupança interna (que é fixa,
pois depende da renda nacional, da renda disponível e dos gastos do governo) e a demanda
por investimento (que depende da taxa de juros internacional).

É interessante constatar que a balança de transações correntes depende dos gastos e tributos
do governo, pois o governo interfere na renda disponível, afetando a poupança e portanto,
afetando a capacidade da população de importar. Por outro lado, as taxas de juros
internacionais também interferem no saldo da balança de transações correntes, ao influenciar
os investimentos.

Uma política fiscal ativa por parte do governo, como um aumento dos gastos públicos, tem a
capacidade de gerar déficit na balança de transações correntes, pois reduz a poupança
nacional. Como a taxa de juros internacional se mantém inalterada, a taxa de juros que iria
equilibrar o setor externo precisaria ser maior que a taxa de juros internacional. Como isso
não ocorre, há déficit na conta corrente.

Já se a prática de uma política de gastos públicos ocorre em uma economia grande, que tem a
capacidade de influenciar as taxas de juros internacionais, o resultado muda. Um aumento do
gasto público em um país grande diminui a poupança internacional, exigindo uma taxa de
juros internacional para que ocorra uma volta do equilíbrio entre poupança e investimento.
Um aumento da taxa de juros internacional deprime o investimento na economia pequena,
pois os investidores passaram a emprestar mais ao exterior. Com isso, parte do que era
produzido no país passa a ser vendido no exterior, gerando superávit na balança de transações
correntes.

Um aumento na demanda por investimento no país pequeno levaria a um deslocamento da


curva de investimento para a direita. Em um mesmo patamar de taxa de juros, há um nível
maior de investimento. Como a poupança não foi alterada, mas o investimento se situa em um
patamar superior, haverá um déficit externo que financiará esse aumento do investimento.

Com isso toda política econômica que alterar os níveis de investimento interno e de poupança
interna tenderá a alterar o resultado das contas externas. Isso ocorre porque o fluxo de
recursos para o exterior também depende dos níveis de poupança e de investimento. Políticas

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econômicas que aumentam o investimento ou diminuem a poupança geram déficits externos.
Políticas que diminuam o investimento e aumentem a poupança geram superávits externos.

5.3. Taxas de Câmbio

A taxa de câmbio entre duas moedas é a relação de preços que mostra como os indivíduos
desses países efetuam trocas. As taxas de câmbio podem ser classificadas em nominais e reais.

Taxa de câmbio nominal: é o preço relativo de uma moeda em termos de moeda estrangeira.
Atualmente a taxa de câmbio nominal entre as moedas brasileira e americana é R$/US$ =
2,03.

Taxa de câmbio real: é o preço relativo de um bem em um país em termos do preço desse bem
em outro país. O índice Big Mac, criado pela revista inglesa The Economist, é um dos índices
mais populares para analisar a taxa de câmbio real.

A relação entra as taxas de câmbio nominal e real é dada pela seguinte fórmula:

Taxa de Câmbio Real = Taxa de Câmbio Nominal x (Preço de um bem doméstico/Preço de


um bem estrangeiro)

Como a taxa de câmbio real nos dá os preços relativos dos bens praticados em um país ao se
comparar com os preços desses bens em outro país, a balança comercial vai reagir a esses
preços.

Se a taxa de câmbio real está baixa, os cidadãos de um país acharão os preços dos bens
estrangeiros relativamente mais caros que os preços dos bens nacionais. Eles tenderão a
comprar muitos bens nacionais e poucos bens importados. Os cidadãos estrangeiros também
comprarão muitos bens produzidos naquele país e poucos bens produzidos em seus próprios
países. Com isso a balança de transações correntes tenderá a ter um saldo positivo,
exportações de bens e serviços maiores que importações. Se a taxa de câmbio real for alta, o
inverso ocorre.

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A relação entre taxa de câmbio real e exportações líquidas é dada pela seguinte equação:

NX = NX(ε)

A relação entre as exportações líquidas e a taxa de câmbio real é negativamente inclinada.


Quanto menor a taxa de câmbio real, maior será a possibilidade das exportações líquidas
serem positivas.

A taxa de câmbio real de equilíbrio será aquela que propicie um equilíbrio do setor externo.
Por sua vez, o setor externo estará equilibrado no local onde a poupança se iguala ao
investimento. É importante ressaltar que nem poupança, nem investimento se relacionam com
a taxa de câmbio real.

Como a diferença entre os níveis de poupança e de investimento será correspondente às


exportações líquidas, a taxa de câmbio real de equilíbrio iguala essas duas curvas.

As políticas econômicas podem influenciar a taxa de câmbio real de diferentes formas. Caso o
governo pratique uma política de aumento dos gastos públicos, ele estará diminuindo a
poupança. Essa queda da poupança desloca essa diferença (S – I) para a esquerda,
estimulando as importações. Para que as exportações líquidas não se alterem, é necessário um
aumento da taxa de câmbio real.

Se os governos estrangeiros aumentam os gastos públicos, há queda do investimento interno,


devido ao aumento da taxa de juros internacional. Isso gera um superávit externo e, para que
se volte ao equilíbrio, a conseqüência natural será um ajuste pela queda da taxa de câmbio
real.

Caso haja um aumento da demanda interna por investimento, há uma diminuição da diferença
entre a poupança e o investimento, gerando um deslocamento dessa diferença para a esquerda.
Isso deprime as exportações líquidas, gerando uma pressão para que a taxa de câmbio real
suba para reequilibrar o setor externo.

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Políticas protecionistas utilizam quotas e tarifas como obstáculos para as importações de bens
e de serviços. A prática dessas políticas introduz um estímulo às exportações líquidas: Para
qualquer patamar de taxa de câmbio real, as exportações tendem a aumentar com relação às
importações com a introdução de tarifas e quotas. Isso equivale a um deslocamento para a
direita da curva de exportações líquidas.

Mas como as políticas protecionistas não têm nenhuma influência sobre os níveis de poupança
e de investimento, o novo ponto de equilíbrio será alcançado com um aumento da taxa de
câmbio real e as exportações líquidas voltam ao seu ponto de equilíbrio. Paradoxalmente, por
mais que quotas e tarifas sejam impostas para gerar superávits comerciais, as políticas
protecionistas não conseguem alterar o equilíbrio externo.

Se as exportações líquidas não são alteradas, o mesmo não ocorre com relação ao volume de
comércio. O aumento da taxa de câmbio real gera uma queda das exportações, que segue a
queda das importações.

Como antes da imposição de quotas e tarifas, o setor externo estava tão equilibrado quanto
depois, a diferença entre antes e depois se deu no volume de comércio e na taxa de câmbio de
equilíbrio. A prática de políticas protecionistas tem a capacidade diminuir o Bem-Estar, ao
deprimir as trocas internacionais.

Os determinantes da taxa de câmbio nominal são a taxa de câmbio real e o nível de preços
entre dois países:

e = ε x (P*/P)

Caso o nível de preços interno de um país se eleve, e tanto a taxa de câmbio real quanto o
nível de preços externo se mantiverem inalterados, a taxa de câmbio nominal irá cair.

Quando se põe a equação em termos de taxas de variação, temos:

Δe = Δ ε + Δ P* - ΔP

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Ao se trocar nível de preços por taxas de variação dos preços, pode-se falar em termos de
taxas de inflação:

Δe = Δ ε + (π* - π)

Com isso, temos que a variação da taxa de câmbio nominal é igual à variação da taxa de
câmbio real, acrescido da diferença entre as taxas de inflação entre os dois países.

A paridade do poder de compra é a aplicação internacional da noção da hipótese do preço


único. Em um mercado interno, diferentes vendedores de um mesmo produto em diferentes
cidades podem praticar preços diversos. Se isso ocorrer haverá um estímulo para que pessoas
comprem o produto em um lugar mais barato e o vendam e um local mais caro. No final os
preços tenderiam a ser igualados em todo o mercado interno.

O mesmo também poderia ocorrer no mercado internacional. Se um dólar compra mais


produtos em um país que em outro, as pessoas tenderiam a fazer suas compras no país mais
barato. Nesse processo, os preços internacionais tenderiam à equalização. A teoria da paridade
do poder de compra implica que com o passar do tempo os preços dos produtos tenda a se
igualar nos diferentes mercados.

Como a taxa de câmbio real é bastante sensível às exportações líquidas, quaisquer


movimentos de exportação de produtos mais baratos internamente, ou importação de produtos
mais caros internamente, iria influenciar a taxa de câmbio real.

A hipótese da paridade do poder de compra implica uma enorme sensibilidade das


exportações líquidas à taxa de câmbio real. Isso só ocorre caso duas condições seja satisfeitas:

1. Como a curva de exportações líquidas é pouco inclinada, mudanças na poupança ou


no investimento não influenciam a taxa de câmbio real ou nominal.
2. A taxa de câmbio real é constante: toda modificação na taxa de câmbio nominal é dada
por uma modificação dos preços.

A arbitragem internacional, que daria maior validade à hipótese da paridade do poder de


compra, nem sempre pode ser praticada:

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1. Nem todos os serviços, como aluguéis de apartamentos ou cortes de cabelo, podem ser
contratados internacionalmente.
2. Bens transacionáveis nem sempre são substitutos completos, implicando a
possibilidade de diferenciação de preços.

Entretanto, quando os preços relativos entre os países se diferenciam demasiadamente, a


paridade do poder de compra parece ser uma hipótese que desperta dos consumidores o
instinto da arbitragem.

A Grande Economia Aberta

A diferença básica entre a economia aberta de um país pequeno e de um país grande é


visualizada em relação à influência da taxa de juros internacional sobre o fluxo de capitais.
Em uma pequena economia, a taxa de juros mundial r* determina a entrada ou saída de
capitais do país.

Em uma economia grande, a prática de uma taxa de juros abaixo da taxa de juros
internacional não necessariamente significa fuga de capitais como em uma economia
pequena. Há uma tendência de fuga de capitais, quando a taxa de juros interna de uma
economia grande é muito baixa. Mas por outro lado, por ser uma economia grande, uma taxa
de juros interna muito baixa tende a deprimir a taxa de juros internacional.

Dessa forma, pode dizer que a relação entre o fluxo de capitais e a taxa de juros interna de
uma grande economia é negativa:

CF = CF (r)

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Como a economia é grande em comparação com a economia mundial, o fluxo de capitais
depende exclusivamente da taxa de juros interna. A economia grande pode ser credora ou
devedora nos mercados financeiros mundiais, de acordo com o sinal do fluxo de capitais.

Em uma economia fechada, o fluxo de capitais para o exterior é zero, portanto a curva de
fluxo de capitais é infinitamente inelástica com relação à taxa de juros. Em uma pequena
economia aberta, o fluxo de capitais para o exterior pode ser positivo ou negativo, pois a sua
curva é infinitamente elástica com relação à taxa de juros internacional em função da perfeita
mobilidade de capitais.

O modelo de uma grande economia aberta ser diferente de uma pequena economia aberta se
justifica por dois fatores:

1. A taxa de juros praticada pela grande economia aberta influencia fortemente a taxa de
juros internacional.
2. O capital internacional não é perfeitamente móvel. Ele se depara com custos de
transação para se movimentar entre diferentes países.

O modelo de uma grande economia aberta é definido a partir da definição dos mercados
financeiros de empréstimos de fundos internacionais e do mercado de câmbio.

No mercado de fundos emprestáveis a divisão da poupança é definida com sendo para


financiar o investimento interno (função demanda por investimento interno) e para financiar o
fluxo de capitais (função demanda por investimento externo). A taxa de juros interna é o fator
que influencia ambos os fatores definidores da poupança:

S = I (r) + CF (r)

O equilíbrio no mercado de fundos emprestáveis é obtido pela interação entre a poupança


nacional e o fluxo de capitais somados do investimento. A taxa de juros de equilíbrio é o fator
que se ajusta para equilibrar a oferta e demanda por fundos emprestáveis.

O mercado de câmbio é o ouro mercado em que o modelo é baseado. A relação entre a


balança de transações correntes e o fluxo de capitais é dada pela diferença entre a poupança e
o investimento:

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NX(ε) = S – I ou NX(ε) = CF

A taxa de câmbio de equilíbrio é aquela que iguala o fluxo de capitais à balança de transações
correntes.

Um fator a mais que influencia o equilíbrio do mercado de câmbio é o diferencial entre os


preços da grande economia em relação aos preços de outro país e a taxa de câmbio nominal.
Esse diferencial é dado pela equação abaixo:

e = ε x (P*/P)

As políticas econômicas de uma grande economia aberta terão os seus efeitos analisados em
função dos três mercados: fluxo líquido de capitais para o exterior; mercado de fundos
emprestáveis; e mercado de câmbio.

Caso o governo de uma grande economia aberta pratique uma política fiscal expansionista,
inicialmente os efeitos serão sentidos sobre a poupança nacional, que cairá. Uma queda da
poupança nacional representa uma retração dos fundos emprestáveis, que exigirão um
aumento da taxa de juros para se reequilibrar.

Um aumento da taxa de juros interna representa uma queda do fluxo de capitais para o
exterior, incentivando os capitais do mundo a migrarem para a grande economia aberta.

Por último, uma queda do fluxo de recursos para o exterior tende a estimular a queda das
exportações líquidas, valorizando a moeda nacional. Com isso o mercado de câmbio se
equilibra quando a taxa de câmbio sobe, igualando exportações líquidas ao fluxo de capitais.

A equação abaixo facilita a comparação com os modelos de economia fechada e pequena


economia aberta, pois nos três casos a política fiscal diminui a poupança:

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S = I + NX

Em uma economia fechada S é sempre igual a I pois não há exportações líquidas, NX. Ao
diminuir a poupança, uma política fiscal em uma economia fechada diminui o investimento.

Em uma pequena economia aberta, o investimento depende da taxa de juros internacional,


portanto a queda da poupança é igual à queda das exportações líquidas.

Na grande economia aberta, a queda da poupança é dividida por uma queda do investimento e
por uma queda das exportações líquidas. A queda de ambos os fatores é menor que a queda da
poupança.

Caso incentivos do governo provoquem um aumento da demanda por investimento, há um


aumento na demanda por fundos emprestáveis. Para que o mercado de fundo emprestáveis se
equilibre é necessário um aumento da taxa de juros.

A uma taxa de juros mais alta há uma queda do fluxo de capitais para o exterior, aumentando
o fluxo dos capitais mundiais para a grande economia aberta.

Uma quantidade maior de fluxo de capitais provoca uma queda das exportações líquidas. O
mercado de câmbio será equilibrado com uma valorização da moeda nacional.

A prática de políticas comerciais protecionistas como a imposição de uma quota de


importação não tem nenhum efeito sobre a taxa de investimento, nem sobre a poupança. Há
uma redução da demanda por exportações que afeta apenas o mercado de câmbio.

Como tanto o fluxo de capitais para o exterior como o mercado de fundos emprestáveis não se
alterou (não houve mudança das taxas de juros), exportações menores significam um aumento
das exportações líquidas. Mas como nenhum outro mercado se alterou para compensar esse
desequilíbrio, a volta ao equilíbrio desse mercado ocorrerá com um aumento da taxa de
câmbio.

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Uma queda do fluxo de recursos ao exterior devido a um ambiente mais hostil para
investimentos internacionais implica retração da curva CF. Se a taxa de poupança e
investimento permanecerem os mesmos, a taxa de juros interna da grande economia aberta
precisa cair para reequilibrar o mercado de fundos emprestáveis.

Uma queda da taxa de juros deveria estimular o fluxo de capitais para o exterior, mas como o
ambiente externo é hostil para o investimento, o efeito final tende a ser uma queda do fluxo de
capitais para o exterior, o que implica queda das exportações líquidas e valorização da moeda
da grande economia aberta. Com o aumento das exportações líquidas, para que o mercado de
câmbio volte ao equilíbrio é necessário que a taxa de câmbio suba.

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