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PROCESSO Nº TST-AIRR-138840-98.2003.5.09.

0069

A C Ó R D Ã O
3ª Turma
GMHSP/phc/lr/sk/smf

AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE


REVISTA. ESTABILIDADE PROVISÓRIA.
DANOS MORAIS. VALOR DA INDENIZAÇÃO.
Não desconstituídos os fundamentos do
despacho denegatório, improspera o
agravo de instrumento destinado a
viabilizar o trânsito do recurso de
revista. Agravo de instrumento a que
se nega provimento.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de


Agravo de Instrumento em Recurso de Revista nº TST-AIRR-138840-
98.2003.5.09.0069, em que são Agravantes BANCO ITAÚ S.A. e OUTROS e
Agravada MEYRE TABORDA JUSTUS CASSOL.

Trata-se de agravo de instrumento interposto pelos


reclamados contra o r. despacho, por meio do qual a Presidência do
Tribunal Regional do Trabalho negou seguimento ao seu recurso de
revista. Sustentam que aludido despacho deve ser modificado para
possibilitar o trânsito respectivo.
Regularmente notificada, a agravada apresentou
contraminuta e contrarrazões, sendo dispensada, na forma regimental,
a remessa dos autos ao douto Ministério Público do Trabalho.
É o relatório.

V O T O

1 - CONHECIMENTO

K:\JURIDICO\2 - ACÓRDÃOS 2010\3ª TURMA\SETEMBRO08\AIRR\138840-98.2003.5.09.0069.doc


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Satisfeitos os pressupostos de admissibilidade,


conheço do agravo de instrumento.

2 - MÉRITO

A Presidência do Tribunal Regional do Trabalho


obstruiu o trânsito do recurso de revista dos reclamados, que,
inconformados, manifestaram o presente agravo de instrumento,
sustentando a viabilidade do apelo denegado.
No entanto, tais argumentos desservem para
desconstituir o despacho agravado, que deve ser mantido por seus
próprios fundamentos, os quais adoto e passam a integrar as
presentes razões de decidir. Ei-los:

“(...) PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS


RESCISÃO CONTRATUAL
ESTABILIDADE PROVISÓRIA - ACIDENTE DO TRABALHO -
ART 118 LEI-008213
Alegação(ões):
- violação aos arts. 5º, II e XXXVI, da CF.
- divergência jurisprudencial.
Alegam que, ante a ausência de prova pericial, o v. acórdão feriu ato
jurídico perfeito ao desconsiderar a rescisão contratual. Argumenta,
ainda, que ‘ (...) à época da dispensa, não estava em gozo de licença ou
período de estabilidade, exercia normalmente suas funções (...)’, e não ter
sido comprovada ‘(...) a diminuição ou perda de sua capacidade laborativa
(...)’ (fls. 437/438).
Consta do v. Acórdão: (...) voltou a autora a apresentar sintomas de
LER, de forma que ao empregador incumbia realocá-la novamente, em
função adequada, pois mesmo como orientadora de clientes voltou a sofrer
de doença ocupacional, o que inclusive implicou em novo afastamento da
autora de suas atividades em 01/05/01 até 30/11/01, novamente por
acidente de trabalho. Essa conduta negligente do empregador restou até
mesmo reconhecida pela preposta dos réus, que confessou em seu
depoimento pessoal que apesar da troca de função de caixa para
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orientadora 'mesmo assim as queixas de dores permaneceram' (fl. 255)


(...) do depoimento da preposta ainda se denota (...) que a 'reclamante foi
lotada como caixa orientadora quando do retorno da sua licença' (fl. 255),
o que evidencia que o banco tentou mascarar o cumprimento do processo
de reabilitação, quando na verdade manteve a reclamante no exercício da
atividade de caixa, para a qual indiscutivelmente encontrava-se
incapacitada (...) após o término do afastamento em 30/11/01,
oportunidade em que, ao invés de reinserir a autora no ambiente de
trabalho de forma a lhe permitir o exercício de atividade produtiva,
preferiu o banco impor à autora o ostracismo, determinando que esta
permanecesse em sua residência, nada obstante pudesse retornar ao labor,
ainda que em outra função readaptada para as suas limitações. Tal
posicionamento arbitrário do empregador igualmente foi confessado pela
preposta (...) (fl. 255) (...) a única intenção era de afastar a autora até o
decurso de todo o período da estabilidade acidentária a fim de poder
rescindir o seu contrato de trabalho, tal como ocorreu no dia
imediatamente seguinte ao término da garantia de emprego(...) A
conclusão pela aptidão da autora ao trabalho em exame demissional,
mesmo contrariando o conteúdo do laudo pericial, não tem o condão de
afastar a reserva legal do § 1º do art. 93 da Lei 8213/1991, tampouco a
previsão de reaproveitamento contida nos instrumentos de negociação
coletiva (...) não se denotam elementos nos autos servíveis a elidir a
conclusão do laudo pericial pelo nexo de causalidade entre as atividades
desempenhadas pela autora e a doença a que está acometida (vide itens 7 e
8 das respostas aos quesitos da reclamante - fl. 272). A ausência de
emissão da CAT pela empregada após o término do período de
afastamento com recebimento de auxílio-doença não se presta a afastar
sua condição de portadora de doença profissional, sendo o interregno
entre seu retorno à empresa e seu desligamento de dois dias, o que
evidencia a exigüidade de tempo para qualquer atuação da autora, bem
como a celeridade da empresa em desligar os empregados que não tem
mais capacidade normal de produção. Registre-se, nesse passo, que a
reclamante fora orientada pela empresa a permanecer em casa e não a ser
reabilitada, procedimento este que já havia sido realizado anteriormente
em 1999 (...)’.
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Ademais, não se constata ofensa à literalidade do apontado


dispositivo constitucional, uma vez que , com base no conjunto probatório
(CPC, 131), a D. Turma entendeu pela aplicação da garantia de emprego
por reserva legal prevista no artigo 93, § 1º, da Lei 8.213/91.
Assim, violação, se houvesse, seria meramente reflexa, o que não
autoriza o seguimento do recurso, conforme reiteradas decisões da SDI-
I/TST (ERR 1600/1998-002-13-40.4, Rel. Ministra Maria Cristina Irigoyen
Peduzzi, DJ 19/05/2006 e ERR 27303/2002-900-02-00.2, Rel. Ministro
Milton de Moura França, DJ 02/06/2006).
Na mesma linha, vem se orientando o Excelso Supremo Tribunal
Federal, quando da admissibilidade do recurso extraordinário, dotado de
natureza jurídica especial, como o de revista (Ag.158.982-PR, Rel. Min.
Sydney Sanches - Ag. 182.811-SP, Rela. Min. Celso de Mello - Ag
174.473-MG, Rel. Min. Celso de Mello - Ag.188.762-PR, Rel. Min.
Sydney Sanches).
Por fim, a pretensão das partes recorrentes, assim como exposta,
importaria, necessariamente, no reexame de fatos e provas, o que encontra
óbice na Súmula 126/TST e inviabiliza o seguimento do recurso, inclusive
por divergência jurisprudencial.
DIFERENÇA SALARIAL
AUXÍLIO-DOENÇA
Alegação(ões):
- violação ao(s) art(s). 5º, LV e XXXXV, da CF.
- violação ao(s) art(s). 832 da CLT, 2º, 458 e 535 do CPC.
Sustentam que o v. Aresto que analisou os embargos declaratórios foi
contraditório acerca da matéria referente ao auxílio refeição, pois, dos
fundamentos constou que não havia notícia da percepção do auxílio-
doença, enquanto havia condenação de inclusão de verbas componentes
do salário-de-participação na base de cálculo do complemento do auxílio-
doença. Consideraram omisso o mesmo Acórdão, ao argumento de não
estar previsto auxílio refeição em período posterior ao 15º dia de
afastamento por doença ou acidente de trabalho, consoante estabelecido nos
ACT's vigentes. Afirmam que são indevidos os benefícios do FUNBEP
(complemento de auxílio doença) no período de afastamento.
A Turma assim analisou os embargos declaratórios nos pontos
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enfocados pela recorrente: ‘Quanto à fundamentação relativa a


inexistência de prova de afastamento por auxílio-doença nos autos após a
rescisão contratual, observo que tal entendimento encontra-se em estrita
consonância com as informações constantes às fls. 255/258 do 2º vol.
docs., bem como da certidão de reabilitação expedida pelo INSS de fl. 35
dos autos principais. (...) desde o ano de 1999 a autora passou à condição
de trabalhadora reabilitada, não havendo nos autos qualquer prova de que
tivesse sido afastada posteriormente por auxílio-doença. E (...) evidente
que se trata de condenação a parcelas vincendas, pois o Juízo de origem
determinou a emissão da CAT como ato contínuo à reintegração que virá
ainda a ser realizada (fl. 337). Portanto, inexiste contrariedade na
afirmação de que não há provas de fruição de auxílio-doença pela autora
até o momento com a condenação a complementação de tal benefício, o
qual virá a ser futuramente pago em virtude do afastamento que irá
ocorrer após a reintegração. Outrossim (...) como expresso na decisão
embargada foram juntados apenas os ACT´s vigentes até 28.02.01, sendo
que a não juntada dos instrumentos normativos do período posterior em
nada altera o entendimento de que o auxílio refeição permanece devido
durante eventual afastamento, pois aos recorrentes, ora embargantes,
competia juntar os ACT´s posteriores aos autos (...) a tese recursal de
suspensão do auxílio refeição durante o auxílio-doença restou repelida em
verdade pela ausência de prova de pagamento de tal benefício
previdenciário à autora após a rescisão contratual (...) Por economia e
brevidade, faço remissão aos fundamentos já postos no tópico anterior,
especialmente no tocante à incidência da OJ 118, da SDI-I, do TST, no
particular’.
A Turma decidiu em conformidade com a OJ 118 da SDI-I/TST, o
que obsta o seguimento do recurso, inclusive por dissenso jurisprudencial
(Súmula 333/TST).
DANO MORAL - INDENIZAÇÃO
Alegação(ões):
- violação do(s) art(s). 5º, II, LV e XXXV, da CF.
- violação ao(s) art(s). 832 da CLT, 2º, 458 e 535 do CPC.
- divergência jurisprudencial.
Sustentam que falta amparo legal para a condenação em indenização
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por danos morais. Sucessivamente, requerem a redução do valor fixado,


pois, consideram afrontados os princípios da razoabilidade e
proporcionalidade.
A Turma decidiu: ‘(...) o que se evidenciou de forma clara e
cristalina na instrução probatória é que a única intenção era de afastar a
autora até o decurso de todo o período da estabilidade acidentária a fim de
poder rescindir o seu contrato de trabalho, tal como ocorreu no dia
imediatamente seguinte ao término da garantia de emprego. Este
isolamento forçado da autora inegavelmente caracteriza assédio moral (...)
deixa certa a existência de dano moral, pois qualquer ser humano
submetido a tais circunstâncias sentir-se-ia humilhado, desprezado e
subestimado, senão imprestável para a vida produtiva. No presente caso, o
dano moral está ínsito na própria ofensa, ou seja, existe in re ipsa,
portanto, a reclamante efetivamente faz jus à respectiva indenização" .
Quanto ao valor de indenização por danos morais fixados pelo
primeiro grau, assim constou do v. Acórdão: "Portanto, alguns parâmetros
devem ser observados para estabelecer com razoabilidade o quantum nas
indenizações por danos morais, a fim de atender as circunstâncias de cada
caso, como: as condições pessoais do ofendido e do ofensor, a intensidade
do grau de culpa do empregador, a idade da vítima, a gravidade do dano e
a sua irreversibilidade, bem como a necessidade de compensar a dor, o
constrangimento e o sofrimento da vítima. Levando em conta tais critérios,
mais do que razoável o valor arbitrado pelo Juízo de origem a título de
indenização por danos morais, especialmente ao se considerar a manifesta
reprovabilidade dos sucessivos atos praticados pelo banco réu. Nada a
reparar’.
Do Acórdão que examinou os embargos declaratórios depreende-se:
‘Mais uma vez, por economia e brevidade, faço remissão aos fundamentos
já postos nos tópicos anteriores, especialmente no tocante à incidência da
OJ 118, da SDI-I, do TST, no particular. Não bastando, restou
expressamente consignado no acórdão embargado a remissão ao tópico da
reintegração, onde restou manifesta a ilegalidade da conduta dos réus nos
últimos dois anos da contratualidade a ensejar a condenação por danos
morais. (...) Se os embargantes estão irresignados com o entendimento
adotado, a questão não é de vício no julgado, devendo a sua insurgência
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ser manifestada em recurso competente para a reforma da decisão ora


atacada, uma vez que exsurge claro o objetivo da parte em promover a
reforma do julgado, o que é inviável nas estreitas vias deste instrumento
processual. Desta forma, nada a sanar’ .
A pretensão dos recorrentes importaria, necessariamente, no reexame
de fatos e provas, o que encontra óbice na Súmula 126/TST e inviabiliza o
seguimento do recurso, inclusive por divergência jurisprudencial.
Outrossim, para a fixação do valor da indenização, observou-se a
reprovável sucessão de atos praticados pelo Banco reclamado, e demais
critérios elencados no v. Acórdão. Nesse contexto, os acórdãos paradigmas
não apresentam circunstâncias fáticas similares, revelando-se impassíveis
de confronto (Súmula 296/TST).
CONCLUSÃO
DENEGO seguimento ao recurso de revista.” (fls. 263-266 –
destaques no original)

Inicialmente, no tocante à insurgência quanto à


estabilidade provisória, o exame da decisão transcrita demonstra que
o e. Tribunal Regional dirimiu a controvérsia com apoio na
interpretação de legislação infraconstitucional. Consequentemente,
como bem ressaltou a decisão agravada, não é possível caracterizar,
na hipótese em exame, ofensa de forma direta e literal aos
indigitados dispositivos da Constituição Federal, na medida em que,
se lesão existisse, essa seria meramente reflexa, indireta, em
desalinho com a hipótese prevista no artigo 896, “c”, da CLT,
inviabilizando o processamento do recurso de revista.
Ademais, verifica-se que a controvérsia foi
dirimida à luz do conjunto fático-probatório, tendo em vista o
quadro delineado pelo Tribunal Regional, em que registra, com
supedâneo na prova dos autos, a ocorrência do dano moral sofrido
pela autora, gerando o dever de indenizá-la, sendo certo que o
reexame da matéria pretendido pela agravante é inadmissível em sede
extraordinária, em face da aludida Súmula 126/TST.
Esclareça-se, por oportuno, que referido verbete
impede, na hipótese, a admissibilidade do recurso quer por violação
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de dispositivos de lei ou da Constituição Federal, quer por


divergência jurisprudencial ante a discrepância do quadro fático,
pois a demonstração de divergência entre julgados nesta seara de
fixação de danos morais mostra-se tarefa, senão impossível, muito
difícil, dadas as peculiaridades de cada situação.
Outrossim, com relação à insurgência dos
Reclamados quanto ao valor arbitrado pela condenação, verifica-se
que o e. TRT foi taxativo em asseverar que a referida condenação
deveria ser suficiente para compensar a dor e os transtornos
sofridos por parte da reclamante.
Nessa esteira, o valor fixado pela e. Corte
Regional tomou como base os fatos existentes nos autos, tais como
grau de culpabilidade dos reclamados, gravidade do dano, condições
econômicas do causador do dano e do atingido, etc. Dessa forma, a
pretensão da reclamada, igualmente, encontra óbice na Súmula nº 126
do TST que não permite, nesta fase recursal, o reexame dos fatos e
provas. Portanto, não merece reparos o r. despacho agravado.
Vê-se, portanto, que o recurso de revista não tem
condições de admissibilidade, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao
agravo de instrumento.

ISTO POSTO

ACORDAM os Ministros da Terceira Turma do Tribunal


Superior do Trabalho, por unanimidade, negar provimento ao agravo de
instrumento dos Reclamados.
Brasília, 08 de setembro de 2010.

HORÁCIO SENNA PIRES


Ministro Relator

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