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Fordismo e teoria da regulação

Produção em Massa do Modelo A.

A partir dos anos 1955, o conceito de fordismo foi abordado por acadêmicos pós-marxistas,
ligados à teoria da regulação.[1]

Michel Aglietta [2] identificou o fordismo como princípio de regulação de um regime de


acumulação macrossocial que envolve formas específicas da produção capitalista e normas de
consumo social. Aglietta atribui a Grande Depressão ao desenvolvimento inicial desequilibrado
de um regime de acumulação intensiva que revolucionou as forças produtivas nos Estados
Unidos, sem simultaneamente transformar as formas de consumo social e as reais condições
de vida dos trabalhadores industriais. O resultado, diz Aglietta, foi um catastrófico
desequilíbrio econômico, pois o setor de produção de bens cresceu muito mais rapidamente
que o setor de consumo.

Na perspectiva do autor, após a Segunda Guerra Mundial, o fordismo apresentou um sistema


de produção que explorava a mão de obra, com jornadas de trabalho absurdas e poucos
direitos trabalhistas. Com base na intensificação do fator trabalho, o aumento da taxa de
exploração (medida pela relação entre lucros e salários) sob o fordismo livrou
temporariamente o setor de produção da tendência de queda da taxa de lucro (relação entre
lucro e capital), mediante a progressiva redução a quantidade de trabalho humano (capital
variável) envolvida no processo de produção.

Ao mesmo tempo, com a produtividade crescente, houve o barateamento de bens de salário,


de modo que o padrão de vida da classe operária industrial melhorou significativamente,
apesar do aumento da exploração da força de trabalho. Os níveis crescentes de consumo social
- garantidos através de mecanismos institucionais, como a sindicalização e a negociação
coletiva legalizada -, por sua vez, promoveram um certo equilíbrio entre o setor de bens de
produção e o setor de bens de consumo durante a época de ouro do fordismo, entre 1945 e o
fim da década de 1960. Ainda segundo Aglietta, no final dos anos 1960, o ritmo da acumulação
ficou mais lento, e o crescimento da produtividade desacelerou acentuadamente depois de
1966. O processo de trabalho fordista, baseado na extração de quantidades cada vez maiores
de mais-valia através da intensificação do trabalho, chegava ao seu limites. Os salários reais já
não podiam continuar a crescer. Iniciou-se então um duro ataque aos trabalhadores, seus
sindicatos e seus salários, com o consequente impacto sobre o consumo .[3]

O trabalho de Aglietta desfrutou, por algum tempo, de ampla popularidade, influenciando uma
série de trabalhos acadêmicos importantes e dando o tom de grande parte da discussão, no
âmbito da economia política, ao longo da década de 1980. Na década seguinte, porém, suas
conclusões sobre o fordismo foram submetidas a sérias críticas, já a partir de 1991, com a
publicação do artigo de Brenner e Glick, pela New Left Review. [4] [5]
O taylorismo caracteriza-se pela ênfase nas tarefas, objetivando o aumento da eficiência
ao nível operacional. É considerado uma das vertentes na perspectiva administrativa
clássica.

Taylorismo Fordismo Toyotismo

Produção Pequenos lotes,


Em massa, de bens Em massa, de bens produção
homogêneos. homogêneos. diversificada.

Ritmo de Baseada na
trabalho demanda e
Baseado no Baseado no ritmo das trabalho em
rendimento individual. máquinas e da esteira. grupo.

Economia De escala. De escala. De escopo.

Estoque Manutenção de Manutenção de Não fazem


grandes estoques. grandes estoques. estoque.

Objetivo de Voltada para a


produção Voltada para recursos. Voltada para recursos. demanda.

Controle de Os testes de Os testes de


qualidade qualidade são feitos qualidade são feitos O controle é
no final da linha de no final da linha de integrado no
montagem. montagem. processo.

Tarefas O trabalhador
O trabalhador realiza O trabalhador realiza realiza múltiplas
uma única tarefa. uma única tarefa. tarefas.

Autonomia Alta subordinação aos Subordinação Exercida de forma


de trabalho gerentes. levemente atenuada. estrutural.

Espaço de Integração
trabalho Divisão espacial. Divisão espacial. espacial.
Taylorismo Fordismo Toyotismo

Ideias Estado de bem-estar Estado de bem-estar


social. social. Estado Neoliberal.

Demandas Coletivas. Coletivas. Individuais.

Poder Estado e sindicatos Estado e sindicatos Poder financeiro e


detém o poder. detém o poder. individual.