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Senhor dos Passos

Introdução à Procissão

Queridos amigos, foi com muita alegria que aceitei o convite do Padre Jean Carlos

para estar aqui hoje, e é com muito gosto que começo convosco esta procissão. E a

proposta que faço é que nos despojemos de nós próprios e daquilo que já sabemos

sobre a Paixão de Jesus Cristo, e que abramos os nossos corações e nosso pensamento

à surpresa de Deus, à surpresa que Ele nos quer sempre fazer. Acompanhar os passos

de Jesus no seu caminho para a cruz não pode ser apenas um momento de

sentimentos, não pode ser apenas um momento em que nos arrepiamos, nem apenas

um momento em que assistimos à Paixão do Salvador. Não se trata de assistir, não

somos espectadores. Acompanhar os passos de Jesus neste caminho tem de ser um

momento em que implicamos toda a nossa vida na Vida de Cristo, em que olhando

para ele nos vemos a nós, e nele percebemos os nossos pecados e as nossas

fragilidades. E para fazer este caminho dessa maneira é preciso que nos deixemos

confrontar, é preciso que nos deixemos por em causa. Jesus quer por-nos em causa,

quer desinstalar-nos. E isso só vai acontecer se nos dispusermos, se tomarmos a

decisão de não fazer disto um teatro a que assistimos, mas uma celebração em que

participamos.

E porque não se trata de um teatro, mas de uma celebração, nós já sabemos o fim,

já sabemos que celebraremos a morte do Senhor. Nesse sentido, é esta a hora de

pedirmos a Jesus que nos ensine com esta procissão a sabermos morrer; não uma

morte física, é claro, mas um morrer para nós mesmos, um morrer para as nossas

vontades próprias, para os nossos egoísmo, é esta a hora de lhe pedirmos que nos

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ensine a sair de nós, que nos ensine a esquecermos aquilo que queremos, que nos

ensine a sabermos escolher o que Deus quer para nós, em cada momento.

Esta é, na verdade, uma das finalidades do nosso baptismo. Quando fomos

baptizados, fomos batizados na sua morte, para ressuscitarmos também com Ele.

Quando Jesus foi baptizado no Jordão, a água em que submergiu três vezes foi já um

sinal dos três dias que passaria sepultado, e o momento em que se ergue das águas do

Jordão, diante de João Baptista, foi já um sinal da sua ressurreição. Na mesma lógica,

a água que nos caiu na cabeça no dia no nosso Baptismo, mergulhou-nos na morte de

Jesus, que hoje vamos celebrar de uma maneira especial, e mergulhou-nos na morte

de Jesus para que possamos um dia ressuscitar com Ele para uma vida nova.

Caminhemos, então, à luz da fé, percorrendo os passos do Salvador.


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Sermão do Encontro

Vimos Jesus ser condenado à morte, e vimo-lo há pouco subir ao Pretório, diante

de Pilatos, depois de ter sido preso, depois de ter sido escarnecido, depois de O terem

coroado de espinhos, depois de Lhe terem batido e depois de Lhe terem cuspido — e

já O acompanhámos nestes dois passos, sabendo que foram os nossos pecados que O

condenaram e prenderam, a nossa recusa que d’Ele escarneceu, a nossa falta de amor

que O coroou de espinhos, as nossas mentiras que Lhe bateram, as nossas negações

de todos os dias que Lhe cuspiram.

Mas, quando Cristo sobe ao Pretório, por entre o tumulto e o ruído, por entre os

gritos que pedem morte, há uma voz que se eleva acima das outras.

É Pilatos que diz: “Eis o Homem”

(infância)

Mas quem é este homem? — esta é a pergunta que não podemos deixar de fazer,

esta é a pergunta de que não pode fugir quem quer atravessar mais uma Páscoa.

Quem é este homem?

Este homem é aquele menino que nasceu em Belém, sem que houvesse lugar para

Ele na hospedaria, que fugiu para o Egipto para escapar à morte, que fugiu par ao

Egipto para escapar ao ódio dos tiranos, ao ódio de Herodes. Este homem é aquele

menino que foi obrigado a sair da terra que o viu nascer para que pudesse viver. Este

homem é aquele menino que, como luz, brilhou nas trevas, mas a trevas não O

receberam.

Mas neste homem estão também todas as crianças para quem a família não

prepara um lugar, todos os bebés que não chegam a nascer por não serem desejados,

todas as crianças que têm fome e sede, todas as crianças que têm que escapar à guerra

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para sobreviverem, mas que mesmo assim morrem no Mediterrâneo enquanto morre

também a última esperança de chegar a uma Europa que lhes fecha as portas, como a

Jesus fecharam a porta da hospedaria. Neste homem estão todas as crianças que os

pais abandonam, que sofrem maus tratos e outros abusos. Neste homem estão todos

os pequeninos, todos os frágeis.

(baptismo e tentações)
Quem é este homem? — perguntamos.

Quem é este homem?

Este homem é aquele que desceu três vezes às águas do Jordão para ser baptizado

por João Baptista, e assim nos deu um sinal, uma profecia da sua descida de três dias

à mansão dos mortos. Este homem é aquele que depois de ser Baptizado foi impelido

pelo Espírito ao deserto, para ser tentado. Este homem é aquele que resistiu às

tentações do demónio, que não quis transformar as pedras em pão porque

experimentou que “Nem só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra que sai da

boca de Deus”. Este homem é aquele que não quis a espectacularidade de lançar-se

do pináculo do templo, porque não quis pôr Deus à prova. Este homem é aquele que

não quis poder, não quis terras, não quis domínio, este homem é aquele que recusou

prostrar-se diante de Satanás, porque sabe que presta culto ao Pai e só ao Pai.

Mas neste homem estão também todos os que são tentados e provados, todos os

que sucumbem ao peso das tentações diárias. Neste homem estão todos os que se

deixam cair na maledicência a que não resistimos. Neste homem estão todos os que

cedem às mentiras que pretendem ilibar das responsabilidades. Neste homem estão

todos os que não resistem à tentação das máscaras que arranjamos para nós mesmos,

das máscaras com que vivemos por causa do medo que temos de dar parte fraca.

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Neste homem estão os que se deixam cair na tentação das injustiças, das injustiças

com que traímos os outros para nos sentirmos e fazermos superiores. Neste homem

estão todos os que sucumbem ao roubo, todos os que sucumbem aos adultérios, por

não acreditarem na beleza de uma família construída no amor de cada dia. E neste

homem estão todos os que têm o Espírito dilacerado por não saberem ou não

acreditarem que há no Céu quem os perdoe. Neste homem estão todos os que

perderam a esperança e acumulam fracassos, todos os que perderam a esperança e

somam pecados, todo os que perderam a esperança e amontoam vícios. E todos os

que esqueceram as palavras de Isaías, todos os que esqueceram que “foi pelas suas

chagas que fomos curados”.

(transfiguração)
Mas quem é este homem? — insistimos mais uma vez.

Quem é este homem?

Este homem é aquele que subiu à montanha com Pedro, Tiago, e João; e se

transfigurou diante deles, na companhia de Moisés do profeta Elias. Este homem é

aquele que completa a Lei de Moisés e em quem se cumprem as profecias. Este

homem é aquele cuja luz e brancura deixaram os discípulos perdidos e

desconcertados no seu silêncio. Este homem é aquele cuja luz no Tabor deixava

antever a glória da Ressurreição.

Mas neste homem estão também todos os que se deixam envaidecer pela luz da

inteligência, e desprezam os mais débeis. Neste homem estão todos os que se

vangloriam da razão, todos aqueles cujo único critério é aquilo que vêem e percebem.

Neste homem estão todos os que deixaram endurecer o seu coração pelos sistemas

fechados em que vivem. Neste homem estão todos os que se enclausuraram em si

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próprios e na luz que julgam ter. Neste homem estão os fundamentalistas, estão os

fariseus do nosso tempo, estão os que preferem uma resposta que lhes permita manter

as mãos limpas, estão os que não aceitam sujar-se no sangue de Cristo. Neste homem

estão os que exercem a violência do extremismo, e os que por ela sofrem.

(expulsão dos vendilhões)


Mas quem é este homem?

Quem é este homem?

Este homem é aquele que tem zelo pela casa do Pai. Este homem é aquele que

expulsou os vendilhões do templo, que lhes revirou as bancas, e lhes destruiu os

câmbios. Este homem é aquele que veio por em causa o sistema financeiro do Templo

de Jerusalém. Este homem é aquele que veio mostrar que o verdadeiro templo era o

Seu corpo entregue, que veio mostrar que o verdadeiro templo era o Seu sangue

derramado.

Mas neste homem estão também todos os que procuram dinheiro a qualquer custo

e os que sofrem pela ganância dos outros. Neste homem estão tantos governantes que

se deixam corromper e os que sofrem pela sua corrupção. Neste homem estão os que

perderam as suas poupanças de uma vida por causa da ganância dos banqueiros.

Neste homem estão os que todos os dias trabalham precariamente por não haver

quem lhes pague o que o seu trabalho vale. Neste homem estão todos os que são

vítimas de uma economia que mata, como lembrava o Papa Francisco.

(agonia)
Mas quem é este homem? — não nos cansamos de perguntar.

Quem é este homem?

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Este homem é aquele que no Monte das Oliveiras, posto de joelhos, entre o

sussurrar das folhas, começou a rezar. Este homem é aquele que, com a alma numa

tristeza de morte, numa luta interior, gritou: “Pai, se quiseres afasta de mim este

cálice; mas não se faça a minha vontade mas a Tua”. Este homem é aquele cujo suor

era como gotas de sangue, grossas e pesadas, numa noite com céu fechado e trevas

silenciosas. Este homem é aquele que viveu um sofrimento agudo, que tocou uma

solidão desoladora, que perturbou a sua alma e também o seu corpo. Este homem é

aquele cujos discípulos se deixaram adormecer e não foram capazes de velar com ele.

Este homem é o homem da solidão.

Mas neste homem estão também todos os desolados, e sem esperança. Neste

homem estão todos aqueles que atravessam a noite escura da fé, todos os que

experimentam a solidão e o abandono dos amigos, todos os que têm dúvidas e vivem

atribulados pelas dúvidas que têm. Neste homem estão todos os que se angustiam

com o silêncio de Deus, esse silêncio que tantas vezes atravessa as nossas crises, esse

silêncio que não percebemos. Neste homem estão todos aqueles que se perdem nos

caminhos sinuosos e sombrios, que a vida tantas vezes nos traz.

(traição de Judas)

Quem é este homem? — voltamos sempre a esta pergunta, a única e verdadeira

pergunta que somos chamados a fazer em cada Quaresma.

Quem é este homem?

Este homem é aquele que recebeu o beijo frio da traição de Judas, e que ainda o

tem pintado a sangue no seu rosto, enquanto caminha para a Cruz. Este homem é

aquele que viu um dos seus virar-se contra si, que sentiu na pele a infidelidade, que

conheceu no coração o sabor da deslealdade. É aquele que foi entregue pelo seu

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amigo íntimo, em quem confiava, com quem partilhava o pão. Este homem é aquele

que Judas vendeu por trinta moedas de prata, é aquele cuja vida foi avaliada e julgada

indigna de ser vivida.

Mas neste homem estão também todos os que sofrem a traição dos seus amigos ou

da sua família. Neste homem estão todos os que experimentam não a solidão

preenchida por Deus, mas uma solidão que é abandono e sofrimento. Neste homem

estão os doentes sozinhos num quarto de hospital, todos os idosos deixados sem mais

ninguém, diante de uma parede vazia ou de uma televisão ligada mas oca. Neste

homem estão todos os idosos deixados nos lares, abandonados pela família que

criaram, tantas vezes com esforço, e que não recebem visitas. Neste homem estão

também todos os imigrantes mal recebidos, todos os estrangeiros vítimas de

xenofobia, todos os que sofrem o racismo.

(negação de Pedro)

Quem é este homem? — ainda uma outra vez.

Quem é este homem?

Este homem é aquele que ouviu a confissão de Pedro: “Tu és o Cristo, o filho de

Deus vivo”. Este homem é aquele que ouviu a promessa de Pedro: “Não te

deixaremos”. Este homem é aquele a quem Pedro disse: “A quem iremos? Tu tens

palavras de vida eterna!”. Mas este homem é também aquele que anunciou que o

galo cantaria. Este homem é aquele que Pedro negou, por três vezes, cedendo ao

medo da morte e da perseguição. Este homem é aquele de quem os discípulos

fugiram na hora da Cruz.

Mas neste homem estão também todos os que negam Cristo, todos os que negam a

sua fé, todos os que vivem como se não a tivessem. Neste homem estão também todos

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aqueles que se envergonham de acreditar, todos os que não trazem para a vida as

consequências da sua fé, os incoerentes. Neste homem estão todos os que são ocasião

de escândalo para os seus irmãos por negarem com a vida o que afirmam com

palavras. Neste homem estão todos os que abandonam Deus, todos os que se

revoltam contra Ele nos momentos em que a vida lhes traz desafios e surpresas às

vezes menos felizes.

(encontro)

Quem é este homem? — é a pergunta que ainda ecoa, e que a sempre voltaremos.

Quem é este homem?

Este homem é o filho da Virgem puríssima Santa Maria. É o filho daquela que

ouviu a Palavra como Ela é ouvida desde sempre no seio da Trindade. É o filho

daquela mulher que ouviu as palavras do anjo, e disse “Eis a escrava do Senhor, faça-

se em mim segundo a Tua vontade”, e com isso nos ensinou o que de facto é a

vocação: escolher o que Deus quer, querer o que Deus quer. Este homem é o filho de

Maria, aquela em quem o Verbo se fez carne. Este homem é o filho daquela que

correu às montanhas de Judá a visitar a sua prima Isabel, é o filho daquela a quem

Isabel disse, e nós ainda hoje repetimos, “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é

o fruto do teu ventre”. Este homem é o filho de Maria, aquela mulher que se levantou

para cantar o mais belo poema da humanidade: “A minha alma glorifica o Senhor e o

meu espírito se alegra em Deus meu salvador, porque pôs os olhos na humildade da

sua serva”. Este homem é o filho daquela que ouviu de Simeão talvez as palavras

mais negras que uma mãe pode ouvir: “este menino será ocasião de queda e ascensão

para muitos em Israel, e uma espada trespassará a tua alma”. Este homem é o filho

de Maria. Maria, a cheia de Graça, que guardava todos as coisas no seu coração. A

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mãe admirável, alegria de Israel, que procurou o seu filho e o encontrou no templo,

na Casa do seu Pai, junto aos doutores da lei. A mãe intercessora, glória de Jerusalém,

que em Caná disse aos serventes, e hoje nos repete: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.

Este homem é o filho de Maria, a virgem fiel, honra do nosso povo, que estava junto à

Cruz com o discípulo amado, e aí se tornou a mãe de todos os homens e de todas as

mulheres, amados por Deus desde o princípio dos tempos. A mãe de Deus, a

Theotokos, que a Igreja aclamou desde os primeiros séculos. A virgem concebida sem

pecado, levada aos Céus em corpo e alma, a Senhora “mais brilhante do que o sol”.

Este homem é o filho de Maria, a senhora dos aflitos, saúde dos enfermos, que há 100

anos atrás nos visitou em Fátima e nos pediu conversão, penitência e oração. Maria, a

mãe do Salvador, que acompanhou os Passos do seu filho no caminho da cruz, que

com Ele cruzou o olhar, que depositou nos olhos feridos do filho o seu olhar sofrido

de mãe.

Esta é a hora de fazermos silêncio, de deixarmos que o silêncio de Deus se abata

sobre nós, esta é a hora em que nos podemos implicar de uma maneira mais

profunda neste mistério que hoje temos a graça de viver: o filho, na sua Paixão do

corpo e da alma, física e espiritual; a mãe, na Paixão do coração.

E esta hora de encontro da mãe e do filho na dor é, ao mesmo tempo e

paradoxalmente, uma hora de separação, de distância. De facto, Maria tinha

começado a separar-se do filho desde o dia em que, aos doze anos, Ele lhe falara

numa outra casa, a casa do Pai, e numa outra missão, a missão que recebia do Pai do

Céu. E agora é chegada a hora do supremo encontro e da suprema separação, onde

somos postos diante desta aflição tão humana de quem vê, como Maria vê, que já

nem lhe sobra sequer a lógica da natureza, em que as mães partem primeiro que os

seus filhos.

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Maria, de coração despedaçado, vê Jesus em agonia. Jesus vê a angústia da mãe.

Maria, numa dor indizível, vê Jesus abatido pelo peso da Cruz, e no entanto Ele torna

a erguer-se. Jesus vê a angústia da mãe. Maria, intrépida, vê escorrer o sangue

precioso das feridas do filho. Jesus vê a angústia da mãe. Maria, numa tristeza

profunda, vê a terra árida beber o sangue da Vida. Jesus vê a angústia da mãe. Maria,

ferida no seu íntimo, vê que todos se recusam a ajudar Jesus. Jesus vê a angústia da

mãe. Maria, abatida em espírito, vê Jesus prostrado no pó. Jesus vê a angústia da mãe.

Mas, ao contrário do que poderíamos esperar, não vemos no rosto de dores de

Maria qualquer lágrima, não lhe ouvimos qualquer grito, qualquer som. Ela não se

prostra no desespero, talvez porque guardara todos os acontecimentos no seu coração.

Mas precisamos de olhar, precisamos de ver: haverá angustia igual à de Maria?

Haverá dor igual à dela? A quem havemos de a comparar? Para a consolar, que

havemos de fazer? Quem havemos de procurar para sarar as feridas do seu coração?

Quem é este homem? — pergunta derradeira que fazemos uma última vez.

Quem é este homem, que Pilatos apresenta ferido, escarnecido, coroado de

espinhos, batido, cuspido? Quem é este homem que cruza o olhar com sua mãe?

Este homem somos todos nós, nas nossas feridas, nas nossas fragilidades, nos nossos

limites, no nosso pecado, nos nossos sofrimentos, nas nossas solidões, nas vezes em

que abandonamos e somos abandonados, nos momentos em que o nosso orgulho fala

mais alto e nos momentos em que somos humilhados. Este homem somos todos nós,

sempre que nos alegramos e sempre que nos entristecemos, somos todos nós, sempre

que vivemos consolados, sempre que vivemos desolados.

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Este homem somos todos nós porque Ele quis, por sua vontade, ser todos nós. De

facto, Jesus distanciou-se do Pai por nossa causa, Ele veio atrás de nós no caminho

para longe Deus que o pecado nos fez percorrer, e fê-lo para se encontrar connosco,

fê-lo para fazer do encontro connosco o lugar onde Deus, que Ele próprio é, volta a

abraçar-nos, num abraço semelhante àquele que o Pai misericordioso dá ao filho

pródigo. Este homem somos todos nós; e por isso, quando o filho e a mãe se olham e

se encontram na dor, é também sobre nós que a mãe depõe o seu olhar, como que

dizendo ao Filho e a nós o que diria anos mais tarde a três pequenos pastores da Cova

da Iria: “Eu nunca te deixarei, estarei sempre contigo e o meu coração imaculado

será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.

Peçamos portanto ao filho, obediente a sua mãe, que não nos largue, que faça deste

encontro o lugar onde a verdade do que somos vem ao de cima, sem medos e sem

defesas, e se deixe abraçar pela misericórdia que Ele traz. Peçamos ao filho, obediente

a sua mãe, que faça connosco o que fez com Zaqueu, que entre na nossa morada, no

nosso íntimo, e diga: “Hoje entrou a salvação nesta casa”. Peçamos ao filho,

obediente a sua mãe, que transforme e transfigure a nossa vida, e faça de nós seu

instrumento. Peçamos ao filho, obediente a sua mãe, que não nos deixe só, que nos

guarde no seu amor, que nos envie o seu Espírito Santo, que nos abençoe.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo

— Para sempre seja louvado, e sua mãe Maria Santíssima.

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