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Universidade de Brasília – UnB

Instituto de Letras – IL
Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas – LIP
Licenciatura em Letras Português do Brasil como Segunda Língua – PBSL
Profª. Drª. Michelle Machado de Oliveira Vilarinho

Apostila

Roteiro das aulas de


Lexicologia, Semântica e
Pragmática Contrastivas

2/2018
Brasília – DF
1
SUMÁRIO

Introdução aos conceitos básicos ............................................................................................ 3


Entidades na constituição do signo linguístico ...................................................................... 7
O léxico em línguas de interface ............................................................................................ 11
Formação de Palavras............................................................................................................. 13
Lexia e lexema .......................................................................................................................... 14
Teorias dos campos ................................................................................................................. 16
Neologismo................................................................................................................................ 17
As relações semânticas........................................................................................................... 18
Semântica .................................................................................................................................. 24
A significação das palavras .................................................................................................... 25
Pragmática................................................................................................................................. 27
Verbos ........................................................................................................................................ 28
A convencionalidade e a idiomaticidade ............................................................................... 29
Aquisição lexical ....................................................................................................................... 31
Orientações sobre o trabalho final ......................................................................................... 32
Orientação para elaborar referências bibliográficas ........................................................... 35
Orientação para elaborar citação........................................................................................... 38
Novo Acordo Ortográfico ......................................................................................................... 39
Referências ............................................................................................................................... 45

2
Introdução aos conceitos básicos

(HAENSCH, 1982, p. 3; CABRÉ, 1993, p. 80; FAULSTICH, 1997, p. 82, BIDERMAN, 2001, p. 14).

3
(HAENSCH, 1982, p. 3; CABRÉ, 1993, p. 80; FAULSTICH, 1997, p. 82, BIDERMAN, 2001, p. 14).

4
Léxico – unidade semântica

5
Léxico – unidade pragmática
 A pragmática se caracteriza pelo estudo da linguagem em uso (interação entre falante
e ouvinte).

6
Basílio (2004, com adaptação)

Entidades na constituição do signo linguístico

Figura: triângulo semiótico de Aristóteles (336 a. C).


Fonte: (RASTIER, CAVAZZA & ABEILLÉ, 1994, p. 28)

Figura: Interpretação da Teoria do significado de Frege (1892).


Fonte: (VILARINHO, 2013, adaptado)

7
Figura: Modelo de signo de Ogden & Richards (1923).
Fonte: (OGDEN & RICHARDS, 1972, p. 32, adaptado)

Figura: Signo linguístico de Saussure (1916).


Fonte: (SAUSSURE, 1999, adaptado)

Figura1: O signo linguístico de Hjelmslev (1963).


Fonte: (HJELMSLEV, 1963, adaptado)

8
 Conceito: representação mental do referente.
 Referente: coisa, objeto.
 Sentido: “lugar que uma palavra ocupa num sistema de relações que a palavra
constrói com outras do vocabulário” (LYONS, 1979, p. 450).
 Dimensão intencional: “propriedades semânticas de uma unidade lexical. ”(LOPES &
RIO-TORTO, 2007, p. 35)
 Dimensão extensional: “classes de referentes.”(LOPES & RIO-TORTO, 2007, p. 35)

Figura: Proposta de signo linguístico.


Fonte: (VILARINHO, 2013)

Quadro: Exemplo da identificação das entidades constituintes do significado


Entidades constituintes Características
do significado
Conceito animal mamífero carnívoro da família dos felídeos.
Sentido denotativo: animal mamífero carnívoro da família dos felídeos.
conotativo: homem atraente.
conotativo: ligação irregular feita para furtar serviço pago.
dimensão extensional animal mamífero carnívoro doméstico da família dos felídeos.
dimensão intencional predador ocupante do topo da cadeia alimentar que caça insetos,
pequenas aves e roedores para se alimentar.
Fonte: (VILARINHO, 2013)
Leia os verbetes “mãe” e “pai”, preencha o quadro a subsequente por meio da
identificação das características que compõem as entidades constituintes do significado:
mãe Datação: sXIII

 substantivo feminino
1 mulher que deu à luz, que cria ou criou um ou mais filhos
2 fêmea de animal que teve crias ou que cuida ou cuidou delas
3 Derivação: por extensão de sentido.
pessoa que dispensa cuidados maternais, que protege, que dá assistência a
quem precisa
Ex.: m. dos desvalidos
4 Derivação: sentido figurado.
o que dá origem; causa, fonte
Ex.: o ódio é a m. das guerras
5 Derivação: sentido figurado.
local onde algo teve origem
Ex.: a Grécia, m. das artes

Entidades Características
constituintes do
significado: mãe
Conceito

Sentido

dimensão
extensional
dimensão intensional

9
pai Datação: sXIII
 substantivo masculino
1 homem que gerou um ou mais filhos; genitor, progenitor
2 homem em relação aos seus filhos, naturais ou adotivos
3 autor, mentor
Ex.: é ele o p. da ideia
4 iniciador, fundador
Ex.: os p. da Igreja
5 Derivação: por extensão de sentido (da acp. 1).
animal do sexo masculino que deu origem a outro
6 aquele que pratica o bem, que ajuda ou favorece; benfeitor, protetor
Ex.: p. das crianças abandonadas
7 Derivação: sentido figurado.
o que faz com que algo exista ou aconteça; causa; causador
Ex.: o sofrimento é p. do amor
8 Rubrica: religião.
primeira pessoa da Santíssima Trindade cristã
Obs.: inicial maiúsc.

Entidades Características
constituintes do
significado: pai
Conceito

Sentido

dimensão
extensional
dimensão intensional

10
O léxico em línguas de interface
dificuldades de aquisição de vocabulário

1. O léxico exerce uma das funções mais importantes para a comunicação


humana, tanto no que se refere a seus aspectos sociais quanto aos cognitivos.”
(TURAZZA, 1998, p. 94)

 Aprendiz: já tem intuição de um conjunto de categorias, de esquemas de


organização de redes de conhecimentos e marcos de conhecimentos para
estruturar suas atividades linguísticas” (Id.; iIdib., p. 114)
2. “A aquisição do vocabulário de outra língua implica o implícito cultural”. (TURAZZA,
1998, p. 98)
3. “A aquisição de o novo vocabulário de outro idioma implica o desenvolvimento de
habilidades que devem possibilitar o deslocamento do falante de um amálgama
cultural para outro, cujos valores, crenças, costumes e hábitos sejam compreendidos e
aprendidos ao mesmo tempo em que se emprega a forma vocabular.” (Id.; Idib., p.
105)
4. “O léxico de um idioma tem suas formas vocabulares o espaço de formalização
desse valores, de sorte que ele revela a matriz cultural de um povo à medida que é
nesse vocabulário que se encontra suporte para experiências, crenças, ideias,
ideologias”.(Id.; Idib., p. 105)
5. “Usar o novo vocabulário é identificar-se com o outro, compreendendo a
organização amalgamada de significados e de sentidos que não são totalmente
desconhecidos para o novo falante, na medida em que ele se torna capaz de perceber
as ancoragens das novas designações de coisas do mundo que não lhes são tão
estranhas, quando tomadas em si mesmas”. (Id.; Idib., p. 105-106)
6. “A aquisição do vocabulário implica a convergência entre fenômenos de
compreensão e diversidade de usos.” (p. 114)
7. “O sujeito se torna capaz de flexibilizar conhecimentos de mundo,
interculturalmente, pelas visão dos dois grupos, e a formas vocabulares tanto de um
quanto do outro idioma, são empregadas naturalmente” (Id.; idib., p. 115)

Figura: Representação do léxico e a interface com outras áreas da Linguística.


Fonte: (VILARINHO, 2013)

11
Exercício
1. Após ler o relato descrito no texto com relação à diferença entre lombo e filé,
em sua opinião: qual estratégia linguística pode solucionar problemas de
interação comunicativa?

2. Comente a afirmativa a seguir: “A reflexão conjunta de professor∕aluno sobre


diferenças culturais propiciou o deslocamento para outras áreas lexicais
relativas à fauna e à flora, pela comparação das diferenças de designações
brasileiras e argentinas, com a explicitação de seus respectivos implícitos
culturais.” (TURAZZA, 1998, p. 99)

3. Comente a afirmativa a seguir: “O léxico de um idioma tem nas suas


formas vocabulares o espaço de formalização do valores, de sorte que ele
revela a matriz cultural de um povo à medida que é nesse vocabulário que se
encontra suporte para experiências, crenças, ideias, ideologias .” (TURAZZA,
1998, p. 105)

4. Qual a diferença semântica entre os sufixos -ista e -logo para brasileiros


e argentinos?

5. Comente por meio de exemplificação a afirmativa a seguir: “A


apropriação das palavras por processos de designação implica a classificação,
a ancoragem e, consequentemente, a nomeação.” (TURAZZA, 1998, p. 108)

6. Comente a afirmativa a seguir: “Ninguém jamais aprendeu ou aprenderá


o vocabulário, e, consequentemente, uma outra língua desconhecida, lendo ou
estudando as páginas de um dicionário”. (TURAZZA, 1998, p. 111)

7. Comente a afirmativa a seguir: “faz-se adequado dispensar ao


vocabulário de línguas de interface um tratamento que se sustente pela
concepção de idioma, pois é preciso compreender, de forma verticalizada, os
patrimônios históricos-culturais que se fazem unívocos, para cada um desses
povos”. (TURAZZA, 1998, p. 111)

12
Formação de Palavras

 Base:“sequência fônica recorrente, a partir da qual se forma nova


palavra.”(ROCHA, 2008, p. 98)
 Raiz: “morfema comum a várias palavras de um mesmo grupo lexical, portador
da significação básica desse grupo de palavras. (Id., Ibid., p. 100)
 Radical: “é a parte da palavra que está presente em todas as formas de uma
mesma palavra.” (Id., Ibid, p. 100).

 Vogal temática: é “constituída de segmento fônico que se acrescenta ao radical


para classificar vocábulos (nomes e verbos) em categorias. Sua função,
portanto, é classificatória.” (ZANOTTO, 2013, p. 35).

13
Funções para a formação de palavras:
- denotativa: “necessidade de formar novas palavras para representação de
significados.” (BASÍLIO, 2007, p. 72)
- gramatical: “adequação de palavras já existentes ao emprego em diferentes
estruturas sintáticas.” (Id., Ibid., p. 72)
- discursiva: “adequação do uso das formas lexicais às necessidades da forma
e dos objetivos do enunciado.” (Id., Ibid., p. 72)

Verbo Radical Vogal Desinência Desinência


Temática modo-temporal Número-
Pessoal
Andávamos And- -á -va -mos
vendessem Vend- -e -sse -m
partiria Part- -i -ria Ø
Pôr Pô- -r Ø
pondo
Posto

palavra prefixo Base Raiz radical sufixo Vogal Desinência Desinência


Temática de Gênero de Número
papel Papel papel papel
papelada papel Papel- Papel- -ada
papeizinhos papel Pape- Pape- Zinh- -i -o -s
florzinhas
desatualizadas
Mexicanização México Méxic- Méxic- an- -a
iz-
ção
endeusadamente en- deus Deus- Deus- -ada -e
Ment-
embelezamento
quebradeira
estudável

Lexia e lexema

Lexia Complexa

14
Exercício
1
Escreva, ao lado, a forma expandida a que correspondem as formas
abreviadas:
A/C = __________________________________________________
col. (utilizado para tribunais superiores) = ______________________
DD. ou Dig.mo = __________________________________________
depart. (e não “depto.”) = ___________________________________
Dr.ª (e não “Dra.”) = _______________________________________

1
Fonte da atividade: FAULSTICH, E. Português para quem sabe Português: Laboratório de treinamento -
revisão teórica e prática. Brasília: 2015 (inédito).

15
Ex.mo ou Exmo. = _________________________________________
fls. = ___________________________________________________
Lt.da ou Ltda. = ___________________________________________
n.° (e não “nr.” nem “n°”) = __________________________________
p. ou pág. = _____________________________________________
p.p. = __________________________________________________
pp. ou págs. = ___________________________________________
prof.ª (e não “profa.”) = ____________________________________
rem.te = _________________________________________________
S.A. ou S/A = ____________________________________________
tel. = ___________________________________________________

Teorias dos campos


Relacione cada tipo de campo a sua respectiva definição:
(1) campo associativo
(2) campo semântico
(3) campos nocionais ou conceituais
(4) campo lexical
( ) “conjunto de conceitos que mantém entre si uma estreita relação
por pertencerem a uma mesma área conceitual”. (FERNANDES
LEBORANS, 1977, p. 34-35)
( ) “O conjunto das significações assumidas por uma palavra num
certo enunciado. Trata-se de determinar a significação particular da
palavra, levando-se em conta seus empregos, seu sentido denotativo e
suas conotações no enunciado.” (VANOYE, 1981, p. 34)
( ) “é uma estrutura paradigmática constituída por unidades léxicas que
compartilham uma zona de significação comum e que se encontram em
oposição imediata umas com as outras” (COSERIU, 1977, p. 140).
( ) “é formado por uma intrincada rede de associações, baseadas
algumas na semelhança, surgindo umas entre sentidos, outras entre
nomes. Por estar no nível do léxico, o campo é por definição aberto, e
algumas das associações estão condenadas a ser subjetivas, embora as
mais centrais sejam em larga medida as mesmas para a maioria dos
locutores.” (ULLMANN, 1970, p. 498)

Exemplificação:
Associe os exemplos a seguir ao tipo de campo que representam.
 campo x: violência, força, assassinato, luta, briga, entre outros.
 campo w:

16
 campo z: Arma branca →contextos da linguagem noticiário policial é
composto pelos lexemas: machado, machadinha, faca, peixeira, facão,
canivete, estoque, navalha, gilete, foice.
 campo y: prego, parafuso, tesouras, chaves de fenda, agulha, entre
outros.

Neologismo
1 Conceito de Neologismo:
 “Neologismo constitui, assim, uma unidade lexical de criação recente, uma
acepção nova atribuída a um elemento existente, ou então uma unidade
recebida de um outro código.” (ALVES, 2002, p. 207)

2.Tipos de neologismos:
 Formais: criados com base na derivação, composição, formação por siglas,
redução de palavras ou ainda na criação de um radical inédito. Ex.: zilionário,
antimofo, semiblindada, cadernão, cupons desconto, bananela (cruzamento
lexical: banana + canela)
 Semânticos: resultantes de um novo significado atribuído a um significante já
existente. Ex.: mara
 Por empréstimo: oriundos da adoção de uma unidade lexical estrangeira. Ex.:
pen-drive; x-bacon.

Finalidade:
 A criação neológica é parte da história das línguas e constitui uma evidência
inequívoca de vitalidade, essencial para suprir as necessidades e as condições
de comunicação dos idiomas.
 A unidade lexical criada pode ou não ser incluída no acervo lexical do idioma.
O processo de difusão do neologismo possui um caráter social.
 Acervo lexical do português se enriqueceu por meio de empréstimos íntimos –
de substrato (línguas ibéricas pré-românicas), de superstrato (elementos
germânicos) e de adstrato (elementos árabes, africanismos e tupinismos) – e
culturais (sobretudo elementos do provençal, do francês, do italiano e, mais
contemporaneamente, do inglês), empréstimos franceses.

Exercício
1. Qual o tipo de neologismo encontrado em cada exemplo a seguir:
a) Deu zebra
b) “João Paulo II reinventa a igreja papalizando com êxito” .
c) Vou fazer um bico.

17
As relações semânticas
 “As palavras que oferecem algo em comum se associam na memória e assim
formam grupos dentro dos quais imperam relações muito diversas”.
(SAUSSURE, 1999, p. 143).
 Entre a diversidade de relações, há “relações possíveis entre o conjunto
significante e o conjunto significado do universo léxico de uma língua natural”,
segundo Barbosa (1998, p. 20).
 Sinonímia: relação de equivalência ou identidade, é uma relação de
implicação bilateral, ou simétrica, e assenta na partilha de propriedades
definitórias e funcionais em comum (LYONS, 1984, p. 292). “O sinônimo é
relação de identidade, de equivalência com o conceito entrada em um contexto
específico” (FAULSTICH, 1995, p. 287).
 Hiperonímia: representa a subordinação entre termo subordinado (hipônimo) e
subordinante (hiperônimo), a qual é definível como relação de implicação
unilateral (LYONS, 1984, p. 292). A hiponímia, por sua vez, “deve ser
entendida como relação de inclusão de significados das unidades em questão,
assim é que um subconjunto está incluso em um subconjunto” (FAULSTICH,
1987, p. 42-43).
 Holonímia e meronímia: esta denota a parte e aquela, o todo (LOPES & RIO-
TORTO, 2007, p. 30).
 Antonímia: relaciona conceitos opostos. Contrário significa que a negação de
um não corresponde necessariamente à afirmação do seu contrário, possui
antônimos graduáveis e polares, como ocorre com os lexemas que se situam
nos extremos de uma escala de altura, de grandeza, de beleza, de riqueza,
entre outros. Não quente nem sempre significa frio, pode significar morno. Os
pares de lexemas a seguir servem para exemplificar a noção radical de
antonímia: alto/baixo, grande/pequeno, bonito/feio, rico/pobre, bom/mau,
chegar/partir, emprestar/devolver, montar/desmontar (LOPES & RIO-TORTO,
2007, p. 32, & DEPECKER, 2002, p. 41). Contraditório: quer dizer que a
afirmação de um implica a negação do outro, e vice-versa. A asserção positiva
de p implica a asserção negativa de q e a asserção negativa de p implica a
asserção positiva de q. Podem ser exemplos de contraditório os itens lexicais:
inocente/culpado, par/ímpar, legal/ilegal (LOPES & RIO-TORTO, 2007, p. 32, &
DEPECKER, 2002, p. 41).
 Associativa: ocorre por meio do conceito conexo, que são lexemas
justapostos em um mesmo plano hierárquico, que se encontram em
coordenação de significados, e seus conteúdos semânticos são de mesmo
valor. Trata-se de uma relação entre unidades lexicais que pertencem à mesma
esfera de domínio, mas não são nem hiponímicos, nem equivalentes, nem
opositivos. O significado de um remete, por analogia, ao outro (FAULSTICH,
1993, p. 94-95, 1995, p. 287).

Análise componencial (análise sêmica):


 método de decomposição do significado. Essa análise serve para organizar as
características de cada um dos elementos, facilitando a compreensão das
semelhanças e diferenças entre os lexemas. Na análise componencial,
delimita-se as características dos lexemas de uma categoria, representando a
ausência de atributo pelo símbolo negativo (−), denominado traço distintivo, e a
presença de atributo pelo símbolo positivo (+), denominado traço semântico
comum. Segundo postulação do estruturalista Pottier (1978), o conjunto de
traços é o semema e a cada traço é o sema. Desse modo, o significado das

18
frutas é constituído pelo semema da análise componencial, formada por
semas.
Redundância
 significa a utilização repetitiva de palavras numa frase. Ex.: surpresa
inesperada; elo de ligação, há anos atrás, deu-me a mim, entre outros.
 Ambiguidade
 “ocorrência de sentenças que têm dois ou mais significados” (CANÇADO,
2005, p. 22).

Ambiguidade lexical
a) João pulou de cima do banco.

Ambiguidade sintática

b) O guarda bateu na velha com a bengala.


O guarda bateu com a bengala na velha.
O guarda bateu na velha que usava a bengala.

c) Pedro pediu a José para sair.


Pedro pediu permissão a José para sair um pouco.
Pedro pediu a José que fizesse o favor de sair um pouco.

Pressuposição
• relação de sentido que se pode estabelecer entre enunciados, atribuição de
valor de verdade. Ex.: Pedro parou de bater na mulher.
• Ela estava atrasada. Dormiu demais.

• Funcionalidade da pressuposição: estabelecer limites à conversação e


direcioná-la.

Exercício

1. Indique o(s) tipo(s) de ambiguidade nas figuras a seguir e justifique sua


resposta. Tente desfazer as ambiguidades.

O pai e o filho estavam juntos. Este ficou no quarto dele.

19
Fonte: http://4.bp.blogspot.com/-
qMY08Ju8Trc/UT4yNWwuRMI/AAAAAAAAAEw/b5hMahULy2o/s1600/gisele.jp
g

Fonte:
https://redacaonocafe.files.wordpress.com/2012/05/561313_3606339955
421_1181312058_32588655_1604611909_n.jpg
.

Fonte: http://www.filologia.org.br/vcnlf/anais%20v/foto1.jpg

20
Fonte:http://f5.folha.uol.com.br/televisao/1015546-fatima-abandona-bonner-e-vai-fazer-
programa-brinca-jornal-carioca.shtml

2. Crie análise componencial para o grupo de palavras a seguir: automóvel, avião,


barco, bicicleta, caminhão, metrô, motocicleta, ônibus, trem e trenó.

atributos/

transporte

automóvel

avião

barco

bicicleta

caminhão

metrô

motocicleta

21
ônibus

trem

trenó

2
No texto:
Quando os 20 cavalos saírem em disparada hoje, às 16h25, na largada do GP Brasil, no
Hipódromo da Gávea, disparam também os corações. Mas o tempo de duração da prova
não dimensiona os cuidados que cercam esses animais, mantidos quase sempre em
centros de treinamento e com caprichos que poucos dos espectadores que lotarão o
Jockey Clyb conhecem. (JB, 3/8/97)
a) animal é genérico (é o hiperônimo)
b) cavalo é específico (é o hipônimo em relação a animal; hiperônimo em
relação a puro-sangue)
c) puro-sangue é específico (hipônimo em relação a cavalo)
A relação de significado entre hiperônimo e hipônimo é inclusiva, porque formam classe de
significados em que o mais específico está contido em outro
mais geral.
A substituição lexical é outro recurso de inter-relação entre as ideias do texto e se
manifesta por meio da sinonímia. É comum, na atribuição de sinônimos a uma palavra, a
seleção paradigmática projetar-se mais que a combinação sintagmática, o que produz
normalmente fracasso na comunicação. É o caso da busca aleatória de palavras nos
dicionários.
A sinonímia é uma relação semântica de equivalência do significado das
unidades lexicais envolvidas. É sabido que não existem sinônimos perfeitos e
que a relação de equivalência de significados se dá de duas formas: a) por meio da
seleção de unidades no plano paradigmático da língua e b) por meio
do emprego da unidade selecionada para o preenchimento da lacuna semântica na
estrutura sintagmática do texto.
No texto:
Do ponto de vista do melhoramento, a mutação é uma mudança herdável permanente na
estrutura primária do material genético que constitui o genoma total de uma célula ou de
planta. Neste conceito estão incluídas a deleção ou adição de DNA e os rearranjamentos
de cromossomos através de inversão ou translocação de DNA. Uma mudança na estrutura
primária do DNA pode resultar em um fenótipo alterado, denominado fenótipo mutante...
(Mantell et alii. Princípios de biotecnologia em plantas, 1994, p. 191)

Exercício

1. Escreva as principais características que diferenciam hiponímia de sinônimo.


_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

2. Especifique a relação semântica que ocorre nos itens a seguir:


a) corpo humano, crânio ___________________________________________
b) neve, floco de neve _____________________________________________
c) bala, açúcar __________________________________________________
d) transporte, motorista ____________________________________________
e) veículo, ônibus ________________________________________________

2
Atividade criada por Enilde Faulstich.

22
Propriedade vocabular

Exercício
1. Leia o verbete xeque do Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa (2009) e
responda se o autor escreverá com propriedade vocabular caso use a palavra ‘xeque’ com o
significado indicado na acepção 3 do verbete em um texto acadêmico. Justifique sua resposta.
2
xeque Datação: 1899

 substantivo masculino
1 Rubrica: enxadrismo.
ataque sofrido pelo rei, peça principal no jogo de xadrez
2 Derivação: sentido figurado.
situação perigosa, arriscada ou difícil; risco, perigo, contratempo

Fonte (Aulete digital)

2. Leia os verbetes “camelô” e “ambulante” do Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua


Portuguesa (2009) e reescreva a frase para solucionar a impropriedade vocabular.

camelô Datação: 1917


 substantivo de dois gêneros
Regionalismo: Brasil.
comerciante de artigos diversos, ger. miudezas e bugigangas, que se instala
provisoriamente em ruas ou calçadas, muitas vezes sem permissão legal, e costuma
anunciar em voz alta sua mercadoria

ambulante Datação: 1671


 adjetivo de dois gêneros
1 que se locomove, que anda ou migra
2 que não tem lugar fixo; que se transporta sempre de um lugar para outro

23
Exs.: biblioteca a.
músico a.

 adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros


3 que ou aquele que não se fixa em um só lugar, como comprador ou vendedor,
para exercer o seu comércio
Exs.: vendedor a.
os a. carregavam suas mercadorias

Fonte: https://br.toluna.com/dpolls_images/2014/03/04/b4397623-cd88-40a9-bde8-
fb497bf0c271_x400.jpg
Semântica
 “A semântica é uma disciplina linguística que tem por objeto a descrição
das significações próprias às línguas e sua organização teórica.” (MECZ,
2006)
 Século XIX: a semântica se constitui como disciplina linguística ao ser
impulsionada pela obra “Ensaio de Semântica” (1897), de Brèal .
 O termo semântica foi usado inicialmente no artigo de Brèal: “As leis
intelectuais da linguagem: fragmento de semântica”. (MECZ, 2006, p.
15)

 A transformação na linguagem se dá pela intervenção da vontade do


homem.
 A mudança de dá por meio da intervenção da vontade.
 A Semântica no Brasil: surgiu no século XX, impulsionada pela obra
“Noções de Semântica”, de Pacheco Silva Jr (1903). Esse autor aborda
a significação do ponto de vista não naturalista em consonância com
Brèal.
 Objeto de estudo da semântica: significado, sentido, significação.

SEMÂNTICA LÓGICA (FORMAL):


 Origem: lógica e filosofia da linguagem
 Julgamento do valor de verdade de proposição.
 Define o significado como uma relação entre o símbolo e o objeto
denotado no mundo em que está inserido.

24
 Condições de verdade.
 (RASTIER, CAVAZZA, ABEILLÉ, 1994, p. 12)
 Frege (1892)
 Ex.: Cachorro é mamífero se somente se...
 “Associa o significado a noção de referência, ou seja, da ligação entre as
expressões linguísticas e o mundo.” (CANÇADO, 2005, p. 23)
 Abordagem referencial.
 Fórmulas de cálculo; pois o interesse se deslocou das relações de
sentido para as operações resultantes. (MECZ, 2006, p. 39).
 Cálculo dos predicados, valores lógicos dos conteúdos. (MECZ, 2006, p.
39).
SEMÂNTICA COGNITIVA:
Líderes principais: Lakoff, Langacker (1987).
 Descrição da experiência mental; pesquisa empírica e uma descrição
das regras.
SEMÂNTICA ARGUMENTATIVA:
 Ducrot (1972) na França.
 Descrição do uso na interação dos falantes sem focar na sintaxe e no
conteúdo objetivo da sentença.
 Uma mesma sentença pode ter vários significado dependendo do uso.
(CANÇADO, 2005, p. 144)

ONOMASIOLOGIA E SEMASIOLOGIA

A significação das palavras


 “conjunto de contextos linguísticos em que pode ocorrer.” (ILARI, 2006, p. 46)

25
 Sinonímia lexical: identidade de sentido em determinados contextos (nível de
linguagem). Ex: oftamologista, médico de vista; cloreto de sódio, sal de
cozinha.
 Paráfrase: reprodução das ideias de um texto em outro texto com outras
palavras ou com outras estruturas sintáticas, de modo que o sentido continua o
mesmo do texto original.
Processos parafrásticos:
a) Construções não-nominalizadas transformadas em nominalizadas
O pesquisador publicou um livro que foi comemorado pelos amigos.
A publicação de um livro do pesquisador foi comemorada pelos amigos.
b) transformação da voz passiva para a ativa ou vice-versa
O pesquisador publicou um livro.
Um livro foi publicado pelo pesquisador.
c) Transformação da voz passiva analítica para a sintética:
1) retira-se o agente da passiva; 2) retira-se o verbo auxiliar e coloca-se o
verbo principal no mesmo modo e tempo verbal do auxiliar; 3) acrescenta-se a
partícula “se”; e 4) O sujeito permanece o mesmo e o verbo deve concordar
com ele.
Os debates sobre aquela questão polêmica foram encerrados.
Encerraram-se os debates sobre aquela questão polêmica.
O trabalho será entregue na quarta-feira.
Entregar-se-á o trabalho na quarta-feira.
d) Substituição da oração subordinada substantiva por um substantivo
equivalente ou vice-versa.
Ficou comprovado que o réu era inocente.
Ficou comprovada a inocência do réu.
e) Substituição da oração subordinada adjetiva por um adjetivo e vice-
versa.
Platão, que foi um filósofo grego, escreveu a “República”.
Platão, filósofo grego, escreveu a “República”.
No mar, que estava revolto, a pequena embarcação quase afundou.
No mar revolto, a pequena embarcação quase afundou.
f) Da coordenação para subordinação ou vice-versa.
Trabalhamos muito, mas não ficamos cansados.
Embora tenhamos trabalhado muito, não ficamos cansados.
g) Substituição de orações subordinadas desenvolvidas por reduzidas de
gerúndio, de infinitivo ou de particípio.
Desenvolvida: Se a causa desaparecer, cessarão os efeitos.
Reduzida de gerúndio: Desaparecendo a causa, cessarão os efeitos.
Reduzida de infinitivo: A desaparecer a causa, cessarão os efeitos.
Reduzida de particípio: Desaparecida a causa, cessarão os efeitos.
h) Mudança de construção de comparativos de superioridade e
inferioridade.
Maria é mais inteligente do que Joana.
Joana é menos inteligente do que Maria.
i) Mudança da construção ter para ser...de:
Maria tem João como colega de trabalho.
João é colega de trabalho de Maria.
Paráfrase: possui semelhança de significação, mas as semelhanças não são
completas.

26
Pragmática

 Segundo Charles Morris (1938 apud MARCONDES, 2000, p. 39), pragmática estuda a
“relação dos signos com seus intérpretes”.
 Conforme Fiorin (2010, p.161), a pragmática “é a disciplina do uso linguístico, estuda
as condições que governam a utilização da linguagem, a prática linguística”.

 “É na linguagem e por ela que o homem se constitui como sujeito, dado que, somente
ao produzir um ato de fala, ele constitui-se como eu” (BENVENISTE, 1966, p. 259)

Eu quem fala

Tu aquele com quem se fala


Ele substituto pronominal, aquele de que eu e tu falam
Nós inclusivo (eu+tu); exclusivo (eu+ele ou eles)
misto (eu+tu+ele ou eles)
Vós Plural de tu (tu+eles)
Eles Pluralização de ele

 Expressões dêiticas: "se interpretam por referência a elementos do contexto


extralinguístico em que ocorre a fala, apontam para elementos fisicamente presentes na
situação de fala. (ILARI, 2010, p. 54)
 Dêitico = vem do grego “dêixis” e significa ato de apontar, mostrar.
 "Os elementos dêiticos permitem identificar pessoas, coisas, momentos e lugares a partir
da situação da fala, ou seja, a partir do contexto.“ (CANÇADO, 2005, p. 55)
 Expressões anafóricas: servem, tipicamente, para "retomar" outras passagens de um
texto.” (ILARI, 2010, p. 54)
Pronome Demonstrativo

27
Verbos

Aspecto = “expressa um ponto de vista sobre o sentido do verbo: indica duração, não duração,
repetição, resultado.” (CASTILHO& ELIAS, 2012, p. 161)
 O que dura imperfectivo
 Ex.: Estou estudando muito o verbo no português.
 O que começa e acaba perfectivo
 Ex.: A Maria leu o livro.
 O que se repete iterativo
 Ex.: Tenho evitado fofocas.

As formações com o sufixo –ear


 indicam aspecto iterativo em alguns casos.
 Exemplo: golpear, passear, bombear, pentear. (BASÍLIO, 2009, p. 36)

Exercício

1. Identifique o aspecto verbal dos contextos a seguir:


a) Estudo frequentemente sobre o verbo – iterativo (repetição).
b) Acabou de ler – perfectivo (pontual)
c) A água ferve a 100 graus – imperfectivo (durativo).
d) Gosto muito de estudar. – imperfectivo (durativo).
e) Trabalho das 8 às 18h. – imperfectivo e iterativo (durativo e repetitivo)
f) Analisou demoradamente o trabalho. – imperfectivo (durativo).

28
A convencionalidade e a idiomaticidade
 Convencionalidade “aquilo é que tacitamente aceito, por uso ou geral
consentimento, como normas de proceder, de agir, no convívio social;
costume, convenção social” (FERREIRA, 1986).
 Nível do significado
 Idiomaticidade: a convenção social altera o significado.
 Feliz Natal! - convencional
 “unidade léxica convencional, diatópica (geográfico), diastrática (social),
diafásica (níveis da linguagem), diacrônica (fato com base na evolução
do tempo)” (BARBOSA, 2011, p. 3)

 Idiomático = vernáculo, próprio da língua.

 Fraseologia: “é um dos ramos das ciências da palavra que tem por


objeto de estudo as unidades lexicais constituídas de dois ou mais
vocábulos ou de sintagmas e de frases, com grau variável de
lexicalização, ou seja, com diferentes tipos e graus diversos de
integração semântica sintática de seus constituintes.” (BARBOSA, 2011,
p. 2)
 Expressão idiomática: “o significado da expressão toda não corresponde
à somatória do significado de cada um de seus elementos”. (TAGNIN,
1989, p. 13)
 Provérbios: “Unidade lexical relativamente fixa, consagrada por
determinada comunidade linguística que recolhe experiências
vivenciadas em comum e as fórmula em enunciados conotativos,
sucintos e completos, empregando-os como um discurso polifônico de
autoridade por encerrar um valor moral atemporal ou verdade ditas
universais e por representar uma tradição popular transmitida até
milernarmente entre as gerações. (SUCCI, 2006, p. 31)
 Contexto de uso das expressões idiomáticas: despertar o cômico, o
irônico; transmitir carga emotiva.

Exercício

1. Crie definição para as expressões idiomáticas das figuras, de modo que


o público-alvo seja aprendiz de PBSL, nível intermediário e adulto.

29
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30
Aquisição lexical

 Aquisição da linguagem é um processo subconsciente; [...] inclui a


aprendizagem implícita, a aprendizagem informal e a aprendizagem
natural. Nós geralmente não estamos conscientes das regras das
línguas que adquirimos (KRASHEN, 1982, p. 10).
 A aprendizagem é um conjunto de comportamentos conscientes e
acessíveis em função da aquisição (HOLEC, 1994, p. 93).
 A aquisição deverá ser uma assimilação subconsciente e natural e
refere-se a experiências na língua materna, doravante L1, a
aprendizagem reflete um processo consciente e reflexivo, como é
frequentemente encontrado em sala de aula L2 (BOULTON, 2000).

(MORGAN & RINVOLUCRI, 2004, p. 7)

31
Orientações sobre o trabalho final

Artigo acadêmico: trabalho final escrito


Artigo é texto com autoria declarada, que apresenta e discute idéias, métodos,
técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento. (NBR 6022,
ABNT)

Estrutura:
A estrutura de um artigo é constituída de elementos pré-textuais, textuais e pós-
textuais.
1. Elementos pré-textuais:
a) título e subtítulo (se houver): curto e claro; delimitar o tema que será abordado no
trabalho.
b) nome(s) do(s) autor(es) e filiação institucional: nome(s) do(s) autor(es),
acompanhado(s) de breve currículo que o(s) qualifique na área de conhecimento do
artigo. O currículo, bem como os endereços postal e eletrônico, devem aparecer em
rodapé indicado por asterisco na página de abertura.
c) resumo: apresentação de objeto de estudo, objetivo da pesquisa, metodologia,
resultado e conclusões de modo sintético. Formatação: fonte 10, espaçamento
simples.
• Verbos no pretérito composto e presente do indicativo e na terceira pessoa do
singular, voz passiva.
d) palavras-chave: 3 a 5 palavras que facilitem a recuperação da informação, as quais
devem ser separadas por ponto-final.
2. Elementos textuais:
 Introdução: delimitação do assunto tratado, os objetivos da pesquisa
(indicar objetivos que se deseja alcançar), justificativa da pesquisa (indicar
a relevância da pesquisa a ser empreendida) e outros elementos,
metodologia (apresentar os meios pelos quais irá produzir a pesquisa) e
outros elementos necessários para situar o tema do artigo.apresenta o
assunto, os objetivos e o método (descritivo-analítico; descritivo-
comparativo; descritivo-contrastivo).
 Desenvolvimento: exposição ordenada e pormenorizada do assunto
tratado. Divide-se em seções e subseções, conforme a NBR 6024, que
variam em função da abordagem do tema e do método. Deve haver
exposição, discussão e demonstração do que está sendo abordado.
Pode ser subdivida em seções que abordem:
1) referencial teórico – fundamentação teórica com as citações dos autores;
2) análise de dados: os dados devem ser organizados, comentados,
interpretados, discutidos e comparados. O pesquisador divide em seções e
subseções da forma que quiser.
Para o trabalho desta disciplina, as seções do desenvolvimento do artigo
devem ser intituladas:Fundamentação teórica; Atividade didática de livro
didático de PBSL: descrição e análise crítica da proposta; apresentação de
nova proposta de atividade didática para o ensino do PBSL, aplicando a
Lexicologia, considerações finais.
Consulte a NBR 10520:2002 (citações em documentos)
• Verbos de atividade experimental:
- verbos de procedimento: são usados para relatar métodos e
procedimentos usados em pesquisas prévias: categorizar, conduzir,
correlacionar, comparar, avaliar e usar.
- verbos de resultado: são usados para relatar resultados de pesquisas
anteriores. Podem ser utilizado de forma neutra: encontrar, observar e
obter. Podem ser para causar efeito: mostrar, demonstrar e estabelecer.
• Verbos de atividade discursiva:

32
- verbos de qualificação: são usados para citar limitações e/ou restrições
de pesquisas anteriores: alertar, levantar a questão, chamar atenção para,
apontar.
- verbos de incerteza: são usados para criar hipóteses de pesquisas
prévias. Podem ser pré-experimento: estimar, hipotetizar, prever, propor,
postular e tentar estabelecer. Ou pós-experimento: sugerir, indica.
- verbos de certeza: são usados para assinalar como proposição correta no
argumento. Podem ser verbos de argumento: apresentar, citar, fornecer
evidência, concluir e invocar. E podem ser de informação: reparar, referir-se
e afirmar.
• Verbos de atividade cognitiva: são aqueles associados a atividades
mentais experimentados pelos autores de pesquisas prévias. Exemplos:
considerar, ponderar, pensar, reconhecer, observar, pressupor e conceber.
 Considerações finais: síntese e proposta. Conclusões correspondentes aos
objetivos e hipóteses.
3. Elementos pós-textuais:
 Referências bibliográficas: inclusão apenas de obras citadas seguindo as
normas da NBR 6023:2002.
 Apêndice(s): elemento opcional. O(s) apêndice(s) são identificados por
letras maiúsculas consecutivas, travessão e pelos respectivos títulos.
Excepcionalmente utilizam-se letras maiúsculas dobradas, na identificação
dos apêndices, quando esgotadas as 23 letras do alfabeto.
Exemplo: APÊNDICE A – Avaliação numérica de células inflamatórias
totais aos quatro dias de evolução
 Anexo(s): elemento opcional. O(s) anexo(s) são identificados por letras
maiúsculas consecutivas, travessão e pelos respectivos títulos.
Excepcionalmente utilizam-se letras maiúsculas dobradas, na identificação
dos anexos, quando esgotadas as 23 letras do alfabeto.
Exemplo: ANEXO A – Representação gráfica de contagem de células
inflamatórias presentes nas caudas em regeneração

4. Formatação: fonte arial ou times news roman, tamanho 12. O trabalho deve
ter no mínimo 6 páginas e no máximo 12 páginas. Margens esquerda e
superior 3cm; margens direita e inferior 2cm; fonte 12, espaçamento 1,5;
títulos e subtítulos dois espaços de 1,5 entrelinhas. Consulte a norma NBR
14724: 2005.
 Figura: Qualquer que seja seu tipo (desenhos, esquemas, fluxogramas,
fotografias, gráficos, mapas, organogramas, plantas, quadros, retratos e
outros), sua identificação aparece na parte inferior, precedida da palavra
designativa, seguida de seu número de ordem de ocorrência no texto, em
algarismos arábicos, do respectivo título e/ou legenda explicativa de forma
breve e clara, dispensando consulta ao texto, e da fonte. A ilustração deve
ser inserida o mais próximo possível do trecho a que se refere, conforme o
projeto gráfico. Após a figura, deve haver numeração e precisa ter legenda
(texto explicativo redigido de forma clara, concisa e sem ambiguidade, para
descrever uma ilustração ou tabela), deve ser indicada a fonte. Exemplo:

33
Alguns exemplos de verbos usados para apresentar, discutir e avaliar resultados

argumentamos que, é possível que, pode-se


ASSEVERAR argumentar/dizer/crer/contradizer que, aparentemente é, parece
possível, provável/discutível/indiscutível que.
conforme x acertadamente propõe, veemente concordo, fornece
CONCORDAR
evidências, parece reforçar ideia que.
discordo/amos, apoio/amos, fornece evidências, parece reforçar a ideia
DISCORDAR
de.
tanto x quanto y, são similares quanto z, têm alguns aspectos de z,x e y.
COMPARAR
Não difere em relação a z.
RECOMENDAR recomenda-se que, sugere-se que, tenha, faça
em termos gerais, na maioria dos casos, pode-se generalizar que, na
GENERALIZAR
maior parte.

ARTICULADORES
realce/inclusão/ Além disso, ainda, demais, ademais, também, vale lembrar, pois, outrossim, agora, de
adição modo geral, por iguais razões, em rápidas pinceladas, inclusive, até, é certo, é porque, é
inegável, em outras palavras, além desse fator
negação/oposição Embora, não obstante isso, de outra face, entretanto, no entanto, ao contrário disso, por
outro lado, por outro enfoque, diferente disso, de outro lado, de outra parte, contudo,
diversamente disso
afeto/ afirmação/ Felizmente, infelizmente, ainda bem, obviamente, em verdade, realmente, em realidade,
igualdade de igual forma, do mesmo modo que, da mesma sorte, de igual forma, no mesmo
sentido, semelhantemente, bom é, interessante se faz
Exclusão só, somente, sequer, exceto, senão, apenas, tão-somente
enumeração/ em primeiro plano/lugar/momento, a princípio, em seguida, depois (depois de),
distribuição/ finalmente, em linhas gerais, neste passo, no geral, aqui, neste momento, desde logo, de
continuação resto, em análise última, por sua vez, a par disso, outrossim, nesta esteira, nessa vereda,
por seu turno, no caso presente, antes de tudo
retificação/ isto é, por exemplo, a saber, de fato, em verdade, aliás, ou antes, ou melhor, melhor
exemplificação ainda, como se nota, como se viu, como se observa, com efeito, como vimos, a nosso
ver, de feito portanto, (é óbvio, pois)
fecho/conclusão Destarte, em suma, em remate, por conseguinte, em análise última, concluindo, em
derradeiro, por fim, por conseguinte, finalmente, por tais razões, do exposto, pelo
exposto, por tudo isso, em razão disso, em síntese, enfim, posto isso, assim,
consequentemente
Expressões de transição é de verificar-se que..., não se pode olvidar..., não há olvidar-se..., como se há de
verificar..., como se pode notar..., é de ser relevado..., é bem verdade que..., não há
falar-se..., vale ratificar (cumpre)..., indubitável é..., não se pode perder de vista...,
convém ressaltar..., (posta assim a questão, é de se dizer...), (registre-se, ainda...), bom
é dizer que..., cumpre-nos assinalar que..., oportuno se torna dizer..., mister se faz
ressaltar..., neste sentido deve-se dizer que..., tenha-se presente que..., (inadequado
seria esquecer, também...), (assinale, ainda, que...), é preciso insistir no fato de que...,
(não é mansa e pacífica a questão, conforme se verá...), é de opinião unívoca..., (cumpre
observar, preliminarmente, que...), como se depreende..., em virtude dessas
considerações..., (não quer isto dizer, entretanto, que...), é sobremodo importante
assinalar que..., à guisa de exemplos podemos citar..., no dizer sempre expressivo de...,
em consonância com o acatado, (cumpre obtemperar, todavia...), (convém ponderar, ao
demais que...)
CONJUNÇÕES COORDENATIVAS
Aditivas e, nem, não só... mas também..., tanto...quanto..., tampouco
Adversativas mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante
Alternativas ou, ou..., quer...quer, seja...seja..., ora... ora....
Conclusivas logo, portanto, por conseguinte, pois (deslocado)
Explicativas pois, porque, porquanto, que

CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS ADVERBIAIS

34
Causais já que, visto que, uma vez que, pois, porque, como, porquanto, haja vista, na medida em
que, dado que, por isso que
Consecutivas de maneira que, de modo que, que precedido de tal, tanto ou tanto que
Condicionais se, caso, desde que, contanto que, a menos que, quando
Concessivas Embora, ainda que, mesmo que, apesar de que, malgrado, posto que, se bem que,
conquanto, não obstante, a despeito de, nada obstante, não obstante, quando
Conformativas como, conforme, consoante, segundo, enquanto
Comparativas como, que, do que, tal qual
Finais para que, a fim de que
Temporais quando, enquanto, logo que, depois que, assim que, quando, desde que
Proporcionais à medida que, à proporção que, quanto mais, quanto menos, enquanto, quando

3
Dicas de pesquisa:
I. INFORMAÇÕES GERAIS: definir o tema, que deve ser gerado por uma situação
problema; buscar todas as informações com referência ao trabalho em elaboração;
organizar os textos selecionados na bibliografia; fichar os textos; pesquisar nas
bibliotecas e nas fontes indicadas; construir o trabalho, seguindo as orientações do
professor; redigir o texto; formatar de acordo com as orientações técnicas da ABNT.
II. DELIMITAÇÃO DO TEMA: delimitar a natureza do tema e defini-lo corretamente;
limitar o tema: um único assunto; problematizar o tema, tornar um assunto
problemático é colocá-lo em dúvida, transformá-lo num problema. É por meio da
problematização que se delimita realmente o tema. O título não precisa ser definitivo.
Pode ser alterado durante o processo de desenvolvimento do trabalho.
III. PROCEDIMENTOS INERENTES AO BOM PESQUISADOR: humildade de quem
está pesquisando para aprender; uso de boa linguagem, não complicar, consultar
sempre um dicionário de português; transição harmoniosa: prepara o leitor para entrar
num outro parágrafo ou parte; originalidade: não precisa criar coisas novas, mas, sim,
a forma de tratar um mesmo tema; ineditismo: elaborar o trabalho não publicado ou
copiado de outros autores (o plágio não pode ser tolerado em trabalhos acadêmicos);
não se repetir: redigir com segurança e evitar fazer a mesma coisas de outra forma;
compilação: selecionar o maior número de autores que escreveram sobre o tema,
apontar semelhanças e diferenças e apresentar conclusão dos autores e conclusão
pessoal.
IV. LEITURA E FICHAMENTO: pré-leitura de bibliografia específica para compreensão
do tema e do assunto selecionado e fichar os tópicos relevantes no decorrer da leitura.

Orientação para elaborar referências bibliográficas

 NBR 6023: 2002 – fixa a ordem dos elementos das referências bibliográficas e
convenciona como devem ser apresentados. É obrigatória para as atividades
técnicas, científica e acadêmicas, internacional.

 Onde deve estar?


 Final do texto, nota de rodapé, início resumo e resenha.

 Trabalhos acadêmicos consultadas:


 Livro, capítulo de livro, monografia, dissertação de mestrado, tese de
Doutorado, revista, arquivos eletrônicos.

 Referência de livro:
 SOBRENOME (do autor) [vírgula], Nome [ponto]. Título da obra [destaque,
ponto] subtítulo (quando houver) [dois-pontos, sem destaque]. Número da
edição (a partir da segunda; a palavra edição é abreviada ed.) [ponto]. Nome

3
As dicas de pesquisas foram redigidas pela Profª. Drª. Enilde Faulstich.

35
do tradutor (se houver, caso tenha mais de um, será separador por ponto-e-
vírgula) [ponto]. Local: [dois-pontos], Editora [vírgula] (não se usam palavras
como Editora, S.A. Ltda, usa-se apenas o nome da editora), ano de publicação
[ponto]. número de volumes, [vírgula] volume consultado [vírgula], número total
de página [vírgula], e número da página [ponto].
 Ex: FAULSTICH, Enilde L. de J. Como ler, entender e redigir um texto. 18.
ed. Petrópolis: Vozes, 2005.

 Obra publicada sob coordenação, organização, direção:


 Abreviaturas: Coord., Org., Dir.
 Coord., Dir. não admite o plural com base na NBR.
 O nome do coordenador aparece na ordem indireta, proceder da mesma forma
em caso de diretor, organizador.
 BOSI, Alfredo (Org.). O conto brasileiro contemporâneo. 6. ed. São Paulo:
Cultrix, 1989.

 Dois ou mais autores: nomes separados pelo ponto-e-vírgula.


 ARANHA, M. L. de A; MARTINS, M. H. P. Temas de filosofia. São Paulo:
Moderna, 1994.

 Três autores:
 NETO, H.; SOUZA, L.; ROSSI, M. C. Abertura do capital de empresas no
Brasil. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

 Mais de três autores: após o primeiro é acrescentada a expressão latina et al


(sem destaque).
 MAGALHÃES, A. de D. et al. Perícia contábil. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2001.

 Livro em 1ª edição
 ASSUNÇÃO, L. X. Princípios de direito na jurisprudência tributária. São Paulo:
Atlas, 2000.

 Livro em 2ª edição:
 ASSUNÇÃO, L. X. Princípios de direito na jurisprudência tributária. 2. ed. São
Paulo: Atlas, 2004.

 Livro com título e subtítulo:


 CASSONE, V. Processo tributário: teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Atlas,
2004.

 Livro com mais de um volume


 TELES, N. M. Direito penal. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2004. 2 v.

 Livro específico numa obra em vários volumes.


 VENOSA, S. de S. Direito civil: direitos reais. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2004. v.
5.

 Com elementos complementares (coordenação, organização ou direção,


tradução, volume, número de páginas, dimensões físicas do volume):
 CHANLAT, J. F. (Coord.). O indivíduo na organização: dimensões esquecidas.
2. ed. Tradução de Arakcy Martins Rodrigues; Luciano dos Santos Gagno. São
Paulo: Atlas, 1993. 2 v., v.1, 206 p.

 Monografia de final de cursos (TCC)


 SOBRENOME, [vírgula]N. [ponto]. Título da monografia [em destaque] ano de
apresentação [ponto]. número de folhas (a palavras folhas é abreviada no lugar

36
de página). Indicação dos dizeres [parênteses] [traço]. Nome da faculdade,
[vírgula]. Nome da faculdade [vírgula], local [ponto].

 MEDEIROS, J. B. Alucinação e magia na arte. 1993. 86 f. Monografia


(apresentada ao final do curso de pós-graduação stricto sensu em Letras) –
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Univerisdade de São
Paulo, São Paulo.

 Dissertação de mestrado e teses de doutorado:


 SOBRENOME, [vírgula]N. [ponto] Título da tese ou dissertação [em destaque]
ano de publicação [ponto]. número de folhas (a palavras folhas é abreviada no
lugar de página). Indicação de que se trata de dissertação ou tese e área
[parênteses] [traço]. Nome da faculdade, [vírgula]. Nome da faculdade [vírgula],
local [ponto].
 OLIVEIRA, M. M. de. Confluência entre dicionário analógico e tesauro
documentário como modelo de dicionário analógico. 2010. 240 f.
Dissertação (Mestrado em Linguística) – Departamento de Linguística,
Português e Línguas Clássicas, Universidade de Brasília, Brasília.

 Capítulo de livro:
 SOBRENOME (do autor do capítulo) [ponto]. N. [ponto]. Título do capítulo
[ponto]. In: [sem destaque, dois-pontos] SOBRENOME (do autor da obra), N.
[ponto]. Título da obra [em destaque, ponto-final]. edição [ponto]. local [dois-
ponto] editora [vírgula], ano de publicação [ponto].
 MARCONI, M. DE A. Cultura e sociedade. In: LAKATOS, E. Sociologia geral. 6.
ed. São Paulo: Atlas, 1991.

 Artigo de revista:
 ABRANCHES, S. Bravo Brasil. Veja, edição 1771, ano 35, nº 39, p. 114, 2 set.
2002.

 Artigo ou matéria de jornal:


 Autor, título, subtítulo (se houver), título do jornal, local de publicação, data de
publicação, cadeno ou parte do jornal, paginação correspondente.
 ALMEIDA, M. A democracia sobreviveu. Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 set.
2002, p. 12.

 Legislação:
 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Organização de
Alexandre de Moraes. 16. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
 BRASIL. Decreto nº 71.790, de 31 de janeiro de 1993. Regulamenta o ensino.

37
Orientação para elaborar citação
CITAÇÃO: NBR 10520: 2002
 “é a menção, no texto, de uma informação extraída de outra fonte”. (NBR
10520:2002)
 “Citação é a menção em uma obra de informação colhida de outra fonte para
esclarecer, comentar, ou dar como prova uma autoridade no assunto.”
(MEDEIROS, 2009, p. 172)
 Tipos de citações: diretas - transcrição literal do texto original; indiretas -
paráfrase de um texto original.
 As citações diretas com até 3 linhas devem vir com aspas duplas. Ex.: De
acordo com Orlandi (1999, p. 42), “as palavras mudam o sentido segundo as
posições daqueles que as empregam”.
 As citações diretas com mais de 3 linhas devem ser destacadas com recuo de
4 cm da margem esquerda, com letra menor que a do texto utilizado, sem
aspas, com espaçamento simples.
 Ex.: Boulanger (2001, p. 18) afirmou que:
A Lexicografia privilegia uma conduta de análise que se apóia sobre a
semasiologia. Esta é o estudo do signo com o objetivo de determinar
qual conceito corresponde a ele. A Terminologia privilegia uma
conduta de análise que se apóia sobre a onomasiologia. Esta é o
estudo do conceito com o objetivo de determinar qual signo
corresponde a ele.
 As supressões devem ser indicadas por reticências entre colchetes: [...].
 Ex.: Com base em Koch (2005, p. 121), "a progressão textual diz respeito aos
procedimentos linguísticos por meio dos quais se estabelecem [...] diversos
tipos de relações semânticas."
 (grifo nosso), (grifo do autor).
 Citação de diferentes autores com a mesma ideia: é necessário manter a
ordem do mais antigo para o mais atual. Ex.: (SANTOS, 2003, p. 15; ABREU,
2006, p. 120; MENDES, 2009, p. 200)
 Apud: citação de citação - transcrição direta ou indireta de um texto em que
não se teve acesso ao original.
 Conforme Saussure (1915, p. 25 apud OLIVEIRA, 2006, p. 34).
 Citação de várias obras de um mesmo autor: a ordem das obras citadas deve
ser da mais antiga para a mais atual. Ex.: Koch (1996, p. 34, 2005, p. 107)
afirma que...
 Citação de diferentes obras publicadas em um mesmo ano pelo mesmo autor:
afirma Mirabete (2003a, p. 199), afirma Mirabete (2003b, p. 12)
 Citação de fonte de até 3 autores: (BITTAR; ALMEIDA, 2004, p. 23), como
afirmam Bittar & Almeida (2004, p. 23).
 Citação de fonte de mais de 3 autores: (CUNHA et al., 1980, p. 55), informam
Cunha et al (1980, p. 55) que...

38
Novo Acordo Ortográfico

1) No Alfabeto
1) Inclusão das letras k, w e y no Alfabeto
O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras k, w, e y.
O alfabeto completo passa a ser: A B C D E F G H I J K L M N O P Q
R S T U V W XY Z

2) Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos


quando vierem depois de um ditongo decrescente (vogal, semivogal –i,u).
Antes da reforma Depois da reforma
Baiúca Baiuca
Bocaiúva Bocaiuva

39
Cauíla Cauila
Feiúra Feiura

Atenção! Se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou


seguidos de s), o acento permanece. Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

3) Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s).

Antes da reforma Depois da reforma


Abençôo Abençoo
Crêem (verbo crer) Creem
Dêem (verbo dar) Deem
Dôo (verbo doar) Doo
Enjôo Enjoo
Lêem (verbo ler) Leem
Magôo (verbo magoar) Magoo

4) Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para,


péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.
 POLO → jogo, extremidades do eixo imaginário em torno do qual a
Terra.
 PERA → fruta, pedra.
4.1 Pôde/pode permanece com o acento diferencial.
 Pôde → 3ª pessoa do singular passado do verbo poder (pretérito
perfeito do indicativo).
 Pode → 3ª pessoa do singular (presente do indicativo).
 Exemplo: Ontem, ele não pôde terminar o projeto mais cedo, mas
hoje ele pode.
4.2 Manutenção do acento diferencial em pôr/por.
 Pôr → verbo.
 Por → preposição.
 Exemplo: Vou pôr em discussão o parecer por mim elaborado na
próxima reunião do departamento.

Antes da reforma Depois da reforma


Ele pára o carro. Ele para o carro.
Ele foi ao pólo Norte. Ele foi ao polo Norte.
Ele gosta de jogar pólo. Ele gosta de jogar polo.
Esse gato tem pêlos brancos. Esse gato tem pelos brancos.
Comi uma pêra. Comi uma pera.

4.3 Fica facultativa a utilização do acento circunflexo para diferenciar as


palavras forma/fôrma. Em algumas situações, o uso do acento dá clareza à
frase conforme podemos ver neste exemplo: Qual é a forma da fôrma do
bolo?

5) Não são acentuadas as palavras paroxítonas com ditongos abertos –ei e –oi.
 Exemplos: assembleia, ideia, europeia, apoio (verbo apoiar), boia, heroico.

40
6) Eliminação do trema do u nos grupos gue, gui, que, qui.
 Exemplos: linguiça, tranquilo, sequência, aguentar.
 EXCEÇÃO: palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros.
 Exemplos: Müller, mülleriano, Hübner, hübneriano

7) Não se usa mais o acento agudo do u tônico das formas (tu) arguis, (ele)
argui, (eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.
Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir,
como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir,
etc. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente
do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo.

a)se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser


acentuadas. Exemplos: verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua,
enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem. Verbo delinquir: delínquo,
delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínquam.
b) se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser
acentuadas. Exemplos (a vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser
pronunciada mais fortemente que as outras): verbo enxaguar: enxaguo,
enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues, enxaguem. Verbo
delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem; delinqua, delinquas,
delinquam.

Atenção! No Brasil, a pronúncia mais comum é a primeira, aquela com a e i


tônicos.

8) Emprego de letras maiúsculas e minúsculas

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42
Novo Acordo Ortográfico
Manutenção do hífen
Primeiro elemento Segundo elemento Exemplo
Prefixo vice- vice-rei, vice-almirante.

Prefixos circum- e pan- Palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano.


Prefixo termina com vogal Palavra começa com vogal igual a que anti-inflacionário, micro-ondas.
termina o 1º elemento
Prefixo termina por consoante Palavra começa com consoante igual a inter-racial, sub-bibliotecário.
que termina o 1º elemento Obs: regra se manteve.
Prefixo sub- Palavra iniciada por r sub-região, sub-raça.

Prefixo Palavra começa com h pré-história, super-homem, extra-humano.


Obs: regra se manteve.
Exceção: subumano
Palavra humano perde o h.
Prefixos ex-, sem-, além-, aquém-, recém-, pós-, Pós-graduação, Ex-ministro, Recém-empossado.
pré-, pró Obs: regra se manteve.

Palavras compostas por justaposição cujos elementos constituem uma unidade semântica, ano-luz, arco-íris, tio-avô, amor-perfeito, segunda-feira,
mas mantêm uma tonicidade própria e em compostos que designam espécies botânicas e bem-te-vi, cravo-da-índia
zoológicas.
Duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.
vocábulos, mas encadeamentos vocabulares.

sufixos de origem tupi-guarani: -açu, -guaçu e - amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu


mirim

Eliminação do hífen
Prefixo que termina com vogal Palavra que começa com vogal autoescola, semianalfabeto, agroindustrial, Coeditor. Exceção: o
diferente da última vogal do 1º prefixo co- aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo
elemento quando este se inicia por o ou h. Neste último caso, corta-se o h.
Se a palavra seguinte começar com r ou s, dobram-se essas

43
letras. Exemplos:
coobrigação, coedição, coeducar, cofundador, coabitação,
coerdeiro, corréu, corresponsável, cosseno.
Prefixos re-, pre- e pro- pertencem à excepcionalidade do prefixo
co-. Ex: reaver, reeleição, preencher, proótico.

Prefixo que termina em vogal Palavra começa pelas contrarregra, extrarregular, cosseno.
consoantes r ou s, com
duplicação dessas letras.
Prefixo termina por consoante Palavra começa por vogal interestudantil, hiperativo, superexigente.
Palavras compostas, cuja noção de paraquedas, mandachuva, rodaviva.
composição se perdeu.
Palavras compostas com elemento de cão de guarda, fim de semana, pé de moleque, sala de jantar, cor de
ligação: locuções substantivas, vinho.
adjetivas, pronominais, adverbiais, Exceção: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-
prepositivas ou conjuncionais, salvo perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.
algumas exceções de uso consagrado
pela tradição lexicográfica.
Para clareza gráfica, se, no final da Naquela cidade, conta-
linha, a partição de uma palavra ou -se que ele foi exonerado do cargo de coordenador.
combinação de palavras coincidir com o O coordenador recebeu em sua sala todos ex-
hífen, ele deve ser repetido na linha -alunos.
seguinte

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Referências
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